Relações Musicais entre Portugal e Espanha · PDF file Fuga em Dó menor,...

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24 + 25 nov 2018

IbriaRelaes Musicaisentre Portugal e Espanha

mecenas principalgulbenkian msica

mecenascoro gulbenkian

mecenasciclo piano

mecenasconcertos de domingo

mecenasestgios gulbenkian para orquestra

mecenasmsica e natureza

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Durao total prevista: c. 1h 45 min.Intervalo de 20 min.

24 NOVEMBRO SBADO16:00 Grande Auditrio

25 NOVEMBRO DOMINGO18:00 Auditrio 3

Fernando Miguel Jalto, Cristina Fernandesmoderador: Jorge Matta

Histria da Relao Musical entrePortugal e Espanha

24 NOVEMBRO SBADO18:00 Auditrio 3

Cibrn Sierra, Pedro Teixeira, Carlos Menamoderador: Miguel ngel Marn

Msica Ibrica: O Desafio dasua Recuperao e Apresentao

Msica Ibrica para TeclaSculos XVI a XVIII

Pierre Hanta Cravo

Antonio de CabeznTiento de primer tonoDiferencias sobre la pavana italianaTres versillos de secundo tonoTiento de primer tonoGlosa sobre el motete Ave Maria

de Josquin DesprezDiferencias sobre la gallarda milanesa

Antonio de CabeznGlosa sobre Je fille quant Dieu me donnede quoi de Adriaen WillaertPedro de ArajoFantasia de primer tonoAntonio de CabeznTres versillos de sexto tonoDiferencias sobre Las vacas

Juan Bautista CabanillesPassacalles de primer tono

AnnimoEspaoleta

intervalo

Carlos SeixasSonata n. 71, em L menorSonata n. 28, em R menor

Domenico ScarlattiSonata em Sol menor, K. 8

Carlos SeixasMinuet da Sonata n. 55, em Sol menor

Domenico ScarlattiFuga em D menor, K. 58

Carlos SeixasMinuet da Sonata n. 43, em F maior

Domenico ScarlattiSonata em F maior, K. 151Sonata em Si bemol maior, K. 249

Mesas Redondas

IbriaRelaes musicais entre Portugal e Espanha

Em coproduo com a Fundacin Juan March

Este concerto gravado pela RTP - Antena 2

Msica Ibrica para TeclaSculos XVI a XVIII

Entre os sculos XVI e XVIII, os repertrios para instrumentos de teclado floresceram na Pennsula Ibrica com grande brilho, tanto no mbito das peas que acompanhavam a liturgia nos grandes rgos das catedrais e de outras igrejas, como em contextos profanos, nos quais profissionais e amadores expressavam a sua arte em instrumentos como o clavicrdio, o cravo e, mais tarde, o pianoforte. Portugal e Espanha tiveram uma participao de pleno direito nas diferentes etapas de desenvolvimento da msica de tecla desde os finais do Renascimento at ao apogeu do Barroco ou seja, desde a poca em que os modelos polifnicos vocais ainda moldavam as texturas musicais at emancipao dos repertrios instrumentais atravs de uma linguagem mais idiomtica e virtuosstica. O programa deste recital apresenta uma panormica de dois sculos de msica para teclado atravs das obras de compositores que trabalharam em Portugal e Espanha e de gneros emblemticos do contexto ibrico: dos tentos (ou tientos, em espanhol), fantasias, diferencias (ou variaes) e danas dos sculos XVI e XVII s sonatas do sculo XVIII.Antonio de Cabezn (Castrillo Mota de Judos, 1510-Madrid, 1566) foi o primeiro representante de vulto da tradio teclstica ibrica e um dos mais notveis organistas da Europa do seu tempo. O facto de ser cego no o impediu de receber uma slida formao musical em Palena, nem de alcanar importantes cargos profissionais. Entrou ao servio de Isabel de Portugal em 1526, ou seja, no ano do casamento com o imperador Carlos V, e em 1538 era msico de cmara de Carlos V. Entre 1539 e 1548 estave ao servio do prncipe Felipe e das infantas e a partir de 1548 converteu-se no organista do futuro rei Felipe II, a quem

acompanhou em diversas viagens pela Europa.A msica de Cabezn chegou aos nossos dias atravs de duas coletneas principais: o Librode cifra nueva para tecla, arpa y vihuela (1557),de Luis Venegas de Henestrosa, e Obras de msica para tecla, arpa y vihuela (1578), publicada pelo seu filho Hernando. A sua vasta produo inclui obras de mbito litrgico (hinos e peas breves como Kyries, versos e fabordones); tentos (o equivalente ibrico do ricercare italiano, portanto peas que usam contraponto imitativo, antecessoras da fuga); e obras de carter secular como as variaes (designadas como diferencias, discantes ou glosas), as quais fixam uma prtica originalmente improvisada. Os tentos de Cabzon revelam um profundo conhecimento do contraponto e exmia organizao formal. Destaca-se tambm a sua mestria na arte das variaes sobre canes ibricas, flamengas ou francesas (como Je fille quant Dieu me donne de quoi de Adriaen Willaert), sobre peas religiosas (de que exemplo o motete Ave Maria de Josquin Desprez), sobre padres meldicos e harmnicos (como a melodia Gurdame las vacas, associada ao basso ostinato da romanesca), e sobre danas, como sucede nas Diferencias sobre la pavana italiana e nas Diferencias sobre la gallarda milanesa, presentes no programa. A variedade rtmica e textural destas peas contrasta com a solenidade da escrita mais vertical e austera do Tiento de tercer tono.A dana foi um elemento chave na msica do Renascimento e do Barroco, quer pelo seu papel funcional nos bailes de corte e noutros contextos sociais, quer como base de outras composies. A espaoleta era uma das mltiplas danas em voga em Espanha e Itlia nos sculos XVI e XVII. Habitualmente

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retrato postumo de carlos seixas. gravura de jean daull (1742-1763) dr

em ritmo ternrio e baseada num plano harmnico fixo, aparece pela primeira vez no tratado de Fabrizio Caroso Il ballarino (1581), acompanhada pela correspondente coreografia, dando origem a numerosas verses posteriores.Outro ponto alto da msica ibrica para teclado encontra-se na produo de Juan Bautista Cabanilles (Algemes, 1644-Valncia, 1712), compositor e organista ao servio da catedral de Valncia, que alcanou uma prestigiada reputao. Cabanilles era um mestre na imitao e elaborao contrapontstica sobre um cantus firmus e na manipulao dos padres rtmicos de dana nas suas variaes sobre pasacalles, paseos e galhardas. Assimilou tambm influncias italianas (ligadas ao estilo da tocata). A tradio ibrica da variao, quase sempre construda sobre baixos ostinati (como os da passacaglia), levou-o a escrever floridas passagens virtuossticas que recordam a improvisao, por vezes combinadas com densas texturas polifnicas, como sucede nas Pasacalles de primer tono.O portugus Pedro de Arajo (fl. 1662-1675), que exerceu a sua atividade em Braga, especialmente conhecido pelas suas batalhas (gnero que evoca os sons de um combate e tira partido da trompetaria horizontal do rgo ibrico), mas a sua criatividade emerge tambm de outras peas. A expressividade da sua linguagem, a agilidade dos desenhos rtmicos e a estrutura bastante livre das suas obras parecem antecipar a tocata barroca. A Fantasia del primer tono uma composio politemtica que comea com um longo tema, do qual derivam outros temas e motivos meldicos (por vezes com recurso a cromatismos e diminuies rtmicas). Passagens polifnicas, repeties de notas e motivos fragmentrios combinam-se num discurso de grande vitalidade.Apesar de manter traos ibricos, a msica de tecla praticada em Portugal e Espanha na

primeira metade do sculo XVIII comeou a assimilar influncias italianas, semelhana do que ocorreu com outros gneros musicais,e contou com representantes to extraordinrios como Domenico Scarlatti (Npoles, 1685-Madrid, 1757). Contratado por D. Joo V em 1719, passaria o resto da sua vida na Pennsula Ibrica, salvo algumas viagens ocasionais. At 1729 esteve ao servio da monarquia portuguesa, como compositor da corte e da Patriarcal e mestre de msica da famlia real, passando depois a Espanha na sequncia do casamento da sua talentosa discpula, a infanta Maria Brbara de Bragana, com o herdeiro do trono espanhol.Pouco tempo depois de Scarlatti ter chegadoa Lisboa, Jos Antonio Carlos de Seixas (Coimbra, 1704-Lisboa, 1742), anteriormente organista da S de Coimbra, foi nomeado organista da Capela Real e Patriarcal. Esta dupla presena fez da corte de D. Joo V um local privilegiado para a prtica da msica de tecla, na qual estavam envolvidos vrios membros da famlia real: alm da j referida Maria Brbara, o infante D. Antnio (irmo do rei) e a rainha consorte, Maria Ana de Habsburgo. Na Bibliotheca Lusitana (1759),Diogo Barbosa de Machado atribuiu a Seixasa criao de mais de 700 tocatas para cravo, mas conhecem-se hoje apenas 105 (11 de autoria no comprovada).As suas sonatas ou tocatas (termos equivalentes nos manuscritos portugueses) testemunham a evoluo da sonata barroca a partir da sua estrutura bipartida simples at formas mais elaboradas, por vezes com contrastes de material temtico, que mais tarde convergem na sonata clssica. As peas de Seixas distinguem-se pelo carter irregular e assimtrico do fraseado e da escrita rtmica, pela simplicidade da linguagem harmnica e por uma inspirao meldica da qual emergem por vezes rasgos de lirismo

24 NOVEMBRO SBADO19:00 Grande Auditrio

Msica de Cmara

Cuarteto QuirogaAitor Hevia ViolinoCibrn Sierra ViolinoJosep Puchades ViolaHelena Poggio ViolonceloJonathan Brown Viola

Joseph HaydnQuarteto para Cordas em D maior, op. 74 n. 1

AllegroAndantino graziosoMenuetto: AllegroFinale: Vivace

Joo Pedro de Almeida MotaQuarteto para Cordas em R menor, op. 6 n. 2

Allegro LargoMinuetoFinale

intervalo

Jos PalominoQuinteto para Cordas com duas violas n. 1

Allegro moderato ma con brioMinuettoLargoAllegro brillante

Durao total prevista: c. 1h 40 min.Intervalo de 20 min.

Este concerto gravado pela RTP - Antena 2