Relatório Anual 2008 · Relatório Anual 2008 Volume 44 ISSN 0104-3307 CGC 00.038.166/0001-05...

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Relatório Anual 2008 ISSN 0104-3307 Volume 44
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  • Relatrio Anual 2008

    ISSN 0104-3307

    Volume 44

  • Relatrio Anual 2008

    Volume 44

    ISSN 0104-3307CGC 00.038.166/0001-05

    Boletim do Banco Central do Brasil Braslia v. 44 2008 p. 1-253RelatrioAnual

  • 2 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    Relatrio do Banco Central do BrasilPublicao anual do Banco Central do Brasil/Departamento Econmico (Depec). Os textos e os correspondentes grfi cos e quadros estatsti cos so de responsabilidade dos seguintes componentes:

    A Economia Brasileira Consultoria de Conjuntura Econmica (Coace) (E-mail: [email protected]); Moeda e Crdito Diviso Monetria e Bancria (Dimob) (E-mail: [email protected]); Mercados Financeiro e de Capitais Diviso Monetria e Bancria (Dimob) (E-mail: [email protected]); Finanas Pblicas Diviso de Finanas Pblicas (Difi n) (E-mail: difi [email protected]);Relaes Econmico-Financeiras com o Exterior Diviso de Balano de Pagamen tos (Dibap) (E-mail: [email protected]);A Economia Internacional Consultoria de Estudos Econmicos e Conjuntura (Copec) (E-mail: [email protected]);Organismos Financeiros Internacionais Departamento da Dvida Externa e de Relaes Internacionais (Derin)(E-mail: [email protected]).

    Informaes sobre o Boletim:

    Telefone: (61) 3414-1009Fax: (61) 3414-2036

    Pedidos de assinatura: preencher a fi cha que se encontra na internet, no endereo http://www.bcb.gov.br, anexar cheque nominal ao Banco Central do Brasil no valor de R$375,00 (nacional) e US$231,00 (internacional) e remeter ambos para o Controle Geral de Publicaes. A assinatura anual inclui doze edies mensais do Boletim, uma edio do Relatrio Anual e quatro edies do Relatrio de Infl ao. O Suplemento Estatstico teve sua ltima edio impressa em maro de 1998. Aps esse ms, est disponvel apenas via internet.

    permitida a reproduo das matrias, desde que mencionada a fonte: Relatrio Anual 2008, Volume 44.

    Controle Geral de PublicaesBanco Central do BrasilSecre/Surel/CogivSBS Quadra 3 Bloco B Edifcio-Sede 1 andarCaixa Postal 8.67070074-900 Braslia DFTelefones: (61) 3414-3710 e 3414-3565Fax: (61) 3414-3626E-mail: [email protected]

    Exemplar avulso: R$31,00Tiragem: 500 exemplares

    Convenes Estatsticas... dados desconhecidos.- dados nulos ou indicao de que a rubrica assinalada inexistente.

    0 ou 0,0 menor que a metade do ltimo algarismo, direita, assinalado. * dados preliminares.

    O hfen (-) entre anos (1970-75) indica o total de anos, incluindo o primeiro e o ltimo.A barra (/) utilizada entre anos (1970/75) indica a mdia anual dos anos assinalados, incluindo o primeiro e o ltimo, ou ainda, se especifi cado no texto, ano-safra ou ano-convnio.

    Eventuais divergncias entre dados e totais ou variaes percentuais so provenientes de arredondamentos.

    No so citadas as fontes dos quadros e grfi cos de autoria exclusiva do Banco Central do Brasil.

    Central de Atendimento ao PblicoBanco Central do BrasilSecre/Surel/DiateSBS Quadra 3 Bloco B Edifcio-Sede 2 subsolo70074-900 Braslia DF DDG: 08009792345Fax:: (61) 3414-2553Internet: http://www.bcb.gov.br

  • Sumrio 3

    Sumrio

    Introduo .........................................................................................11

    I- A Economia Brasileira .................................................................... 15 Nvel de atividade.............................................................................. 15 Produto Interno Bruto........................................................................ 16 Investimentos .................................................................................... 20 Indicadores da produo industrial ................................................... 22 Indicadores do comrcio ................................................................... 26 Indicadores da produo agropecuria .............................................. 28 Pecuria ............................................................................................. 31 Poltica a grcola ................................................................................. 31 Produtividade .................................................................................... 32 Energia .............................................................................................. 33 Indicadores de emprego .................................................................... 34 Indicadores de salrios e rendimentos ............................................... 35 Indicadores de preos ........................................................................ 36 ndices gerais de preos ..................................................................... 37 ndices de preos ao consumidor ...................................................... 38 Preos monitorados ........................................................................... 40 Ncleos .............................................................................................. 41

    II- Moeda e Crdito .............................................................................. 43 Poltica m onetria .............................................................................. 43 Agregados m onetrios ....................................................................... 45 Ttulos pblicos federais e operaes do Banco Central no mercado aberto .................................................................................. 51 Operaes de crdito do sistema fi nanceiro ...................................... 52 Sistema Financeiro Nacional ............................................................. 59

    III- Mercado Financeiro e de Capitais ................................................. 63 Taxas de juros reais e expectativas de mercado ................................ 63

  • 4 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    Mercado de capitais ........................................................................... 65 Aplicaes fi nanceiras ....................................................................... 67

    IV- Finanas Pblicas ............................................................................ 71 Polticas oramentria, fi scal e tributria .......................................... 71 Outras medidas de poltica econmica .............................................. 72 Necessidades de fi nanciamento do setor pblico .............................. 74 Dvida mobiliria federal .................................................................. 78 Dvida Lquida do Setor Pblico ....................................................... 80 Arrecadao de impostos e contribuies federais ........................... 84 Previdncia S ocial ............................................................................. 85 Finanas estaduais e municipais ........................................................ 86

    V- Relaes Econmico-Financeiras com o Exterior ........................ 89 Poltica de comrcio exterior ............................................................. 89 Poltica c ambial ................................................................................. 97 Movimento de cmbio ..................................................................... 101 Balano de pagamentos ................................................................... 103 Balana comercial ........................................................................... 105 Intercmbio c omercial ..................................................................... 126 Servios ........................................................................................... 128 Rendas ............................................................................................. 132 Transferncias unilaterais correntes ................................................ 135 Conta fi nanceira............................................................................... 136 Reservas i nternacionais ................................................................... 148 Servio da dvida externa do Tesouro Nacional .............................. 149 Dvida externa ................................................................................. 151 Indicadores de endividamento ......................................................... 158 Captaes externas .......................................................................... 159 Ttulos da dvida externa brasileira ................................................. 160 Posio internacional de investimento (PII) .................................... 160

    VI- A Economia Internacional ............................................................ 167 Atividade e conmica ....................................................................... 167

    Commodities .................................................................................... 171 Petrleo............................................................................................ 172 Poltica monetria e infl ao ........................................................... 173 Mercado fi nanceiro internacional .................................................... 179

  • Sumrio 5

    VII- Organismos Financeiros Internacionais ...................................... 185 Fundo Monetrio Internacional ....................................................... 185 Grupo dos 20 G-20 ....................................................................... 187 Banco de Compensaes Internacionais ......................................... 188 Centro de Estudos Monetrios Latino-Americanos ........................ 190

    VIII- Principais Medidas de Poltica Econmica ................................. 191 Leis .................................................................................................. 191 Medidas Provisrias ........................................................................ 194 Decretos ........................................................................................... 198 Decreto Legislativo do Senado Federal .......................................... 204 Resolues do Conselho Monetrio Nacional ................................ 204 Resolues da Cmara de Comrcio Exterior ................................. 219 Circulares do Banco Central do Brasil ............................................ 224 Circulares da Secretaria de Comrcio Exterior ............................... 229 Comunicados do Banco Central do Brasil ...................................... 231 Instruo Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil .... 233 Portaria do Ministrio da Fazenda .................................................. 234 Portaria Conjunta do Ministrio da Fazenda e do Banco Central do Brasil .......................................................................................... 234 Portarias do Ministrio de Desenvolvimento, Indstria e Comrcio E xterior ........................................................................... 234 Portarias da Secretaria do Tesouro Nacional ................................... 234 Portaria Interministerial................................................................... 236 Portaria da Secretaria do Tesouro Nacional .................................... 236 Cartas-Circulares do Banco Central do Brasil ................................ 236 Portaria da Secretaria do Tesouro Nacional .................................... 237 Instrues Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil .......................................................................................... 237 Portaria Conjunta da Secretaria da Receita Federal do Brasil e da Secretaria de Comrcio Exterior ..................................................... 237 Portaria da Secretaria de Comrcio Exterior do Ministrio do Desenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior ........................... 238

    Apndice ......................................................................................... 239

  • 6 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    Quadros Estatsticos

    Captulo I 1.1 PIB a preos de mercado .....................................................................16 1.2 PIB Variao trimestre/trimestre imediatamente anterior com ajuste sazonal.......................................................................................17 1.3 Taxas reais de variao do PIB tica do produto ............................17 1.4 Taxas reais de variao do PIB tica da despesa .............................18 1.5 PIB Valor corrente, por componente ................................................19 1.6 Formao Bruta de Capital (FBC) ......................................................21 1.7 Desembolsos do Sistema BNDES .......................................................22 1.8 Produo de bens de capital selecionados ...........................................23 1.9 Produo i ndustrial ..............................................................................24 1.10 Utilizao da capacidade instalada na indstria ..................................25 1.11 Produo agrcola Principais culturas ..............................................29 1.12 Produo agrcola, rea colhida e rendimento mdio Principais culturas ...............................................................................29 1.13 Estoque de gros Principais culturas ................................................30 1.14 Consumo aparente de derivados de petrleo e lcool carburante .......33 1.15 Consumo de energia eltrica ...............................................................34 1.16 Emprego formal Admisses lquidas................................................35 1.17 Rendimento mdio habitual das pessoas ocupadas 2008 .................36 1.18 Participao de itens do IPCA em 2008 ..............................................39 1.19 Participao dos grupos no IPCA em 2008 .........................................39 1.20 Principais itens na composio do IPCA em 2008 ..............................40 1.21 Preos ao consumidor e seus ncleos em 2008 ...................................41

    Captulo II 2.1 Alquotas de recolhimento sobre encaixes obrigatrios ......................48 2.2 Haveres fi nanceiros .............................................................................50 2.3 Evoluo do crdito .............................................................................52 2.4 Crdito com recursos livres .................................................................55 2.5 Crdito com recursos direcionados .....................................................58 2.6 Desembolsos do BNDES ....................................................................58

    Captulo III 3.1 Rendimentos nominais das aplicaes fi nanceiras 2008 ..................69

    Captulo IV 4.1 Necessidades de fi nanciamento do setor pblico ................................74 4.2 Resultado primrio do Governo Central .............................................76 4.3 Usos e fontes Setor pblico consolidado..........................................77 4.4 Ttulos pblicos federais Posio de carteira ...................................78 4.5 Ttulos pblicos federais Participao percentual por indexador .....80 4.6 Evoluo da Dvida Lquida do Setor Pblico ....................................81 4.7 Dvida Lquida do Setor Pblico .........................................................82

  • Sumrio 7

    4.8 Dvida lquida e bruta do Governo Geral ............................................83 4.9 Arrecadao bruta de receitas federais ................................................84 4.10 Arrecadao do Imposto de Renda e do IPI por setores .....................85 4.11 Previdncia S ocial ...............................................................................86 4.12 Arrecadao do Imposto sobre Circulao de Mercadorias e Servios ( ICMS) ..................................................................................87 4.13 Transferncias da Unio para os estados e municpios .......................87

    Captulo V 5.1 Movimento de cmbio contratado .....................................................102 5.2 Balano de pagamentos .....................................................................104 5.3 Balana comercial FOB .................................................................105 5.4 ndices de preo e quantum de exportao ........................................106 5.5 ndices de preo e quantum de importao .......................................110 5.6 Exportao por fator agregado FOB ..............................................110 5.7 Exportao FOB Principais produtos bsicos .............................111 5.8 Exportao por fator agregado e regio FOB .................................113 5.9 Exportao FOB Principais produtos semimanufaturados ..........114 5.10 Exportao FOB Principais produtos manufaturados .................115 5.11 Exportao por intensidade tecnolgica FOB ................................118 5.12 Importao FOB .............................................................................119 5.13 Importaes FOB Principais produtos ........................................121 5.14 Importao por categoria de uso e regio FOB ..............................122 5.15 Importao por intensidade tecnolgica FOB ................................125 5.16 Balana comercial por pases e blocos FOB ..................................127 5.17 Servios .............................................................................................129 5.18 Viagens i nternacionais .......................................................................130 5.19 Transportes ........................................................................................131 5.20 Servios empresariais, profi ssionais e tcnicos .................................132 5.21 Rendas ...............................................................................................133 5.22 Transferncias unilaterais correntes ..................................................135 5.23 Saldo de transaes correntes e necessidade de

    fi nanciamento externo .......................................................................136 5.24 Taxas de rolagem de mdio e longo prazo do setor privado .............138 5.25 Investimentos estrangeiros diretos ....................................................139 5.26 Investimento estrangeiro direto Participao por pas ...................140 5.27 Investimento estrangeiro direto Participao por setor ..................141 5.28 Investimentos estrangeiros em carteira .............................................143 5.29 Outros investimentos estrangeiros ....................................................144 5.30 Investimentos brasileiros diretos .......................................................145 5.31 Investimentos brasileiros em carteira ................................................146 5.32 Outros investimentos brasileiros .......................................................146 5.33 Fluxos fi nanceiros por credor externo Itens selecionados ..............147 5.34 Demonstrativo de variao das reservas internacionais ....................149 5.35 Tesouro Nacional Servio da dvida externa ..................................150 5.36 Tesouro Nacional Operaes de recompra de ttulos soberanos da dvida externa ...............................................................................150

  • 8 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    5.37 Endividamento externo bruto ............................................................151 5.38 Dvida externa registrada ..................................................................152 5.39 Dvida pblica externa registrada ......................................................154 5.40 Dvida externa registrada Por devedor ...........................................154 5.41 Dvida externa registrada Por credor ..............................................155 5.42 Prazo mdio de amortizao .............................................................156 5.43 Indicadores de sustentabilidade externa ............................................158 5.44 Emisses da Repblica ......................................................................161 5.45 Dvida externa reestruturada .............................................................163 5.46 Posio internacional de investimento ..............................................164

    Captulo VI 6.1 Maiores economias desenvolvidas ....................................................168 6.2 Economias e mergentes ......................................................................170

    Grfi cos

    Captulo I 1.1 Formao Bruta de Capital Fixo .........................................................18 1.2 Produo i ndustrial ..............................................................................22 1.3 Produo industrial Dados dessazonalizados ...................................23 1.4 Produo industrial Por categoria de uso .........................................23 1.5 Utilizao da capacidade instalada na indstria ..................................25 1.6 ndice de Volume de Vendas no Comrcio Ampliado ......................26 1.7 ndice de Confi ana do Consumidor ...................................................28 1.8 Produo a nimal ..................................................................................31 1.9 Taxa mdia de desemprego aberto ......................................................34 1.10 Nvel de emprego formal .....................................................................35 1.11 Rendimento mdio habitual real .........................................................36 1.12 ndices de preos ao consumidor ........................................................37

    Captulo II 2.1 Meios de pagamentos (M1) Velocidade-renda .................................45 2.2 Papel-moeda em poder do pblico a preo de dezembro de 2008, dessazonalizado ....................................................................45 2.3 Depsitos vista a preo de dezembro de 2008, dessazonalizados ....45 2.4 Base monetria e meios de pagamento ...............................................46 2.5 Haveres fi nanceiros Em percentual do PIB ......................................49 2.6 Posio lquida de fi nanciamento dos ttulos pblicos federais Mdia diria ........................................................................51 2.7 Operaes compromissadas do Banco Central Volume por prazo Mdia dos saldos dirios ........................................................51 2.8 Direcionamento do crdito para atividades econmicas Sistema F inanceiro ..............................................................................53 2.9 Taxas de juros das operaes de crdito com recursos livres..............56

  • Sumrio 9

    2.10 Taxas de juros das operaes de crdito Pessoa fsica .....................56 2.11 Taxas de juros das operaes de crdito Pessoa jurdica..................56 2.12 Spread bancrio das operaes de crdito com recursos livres ...........57 2.13 Inadimplncia das operaes de crdito com recursos livres ..............57 2.14 Sistema bancrio Participao por segmentos .................................60

    Captulo III 3.1 Taxa over/Selic ....................................................................................63 3.2 Taxa over/Selic x dlar x swap 360 di as .............................................64 3.3 Curva de juros Swap DI x pr ..........................................................64 3.4 Taxa over/Selic acumulada em 12 meses ............................................64 3.5 Mercado primrio Ofertas registradas na CVM ...............................65 3.6 Ibovespa ..............................................................................................66 3.7 Ibovespa x Dow Jones x Nasdaq .........................................................66 3.8 Volume mdio dirio negociado na Bovespa 2008 ..........................66 3.9 Valor de mercado 2008 Companhias abertas listadas na Bovespa .............................................................................67 3.10 Aplicaes fi nanceiras Saldos 2008 ..............................................68 3.11 Rendimento dos principais ativos fi nanceiros em 2008 ......................68

    Captulo IV 4.1 Necessidades de fi nanciamento do setor pblico ................................75 4.2 Ttulos pblicos federais .....................................................................79 4.3 Evoluo da estrutura da dvida mobiliria .........................................79 4.4 Previdncia S ocial ...............................................................................86

    Captulo V 5.1 Investimentos estrangeiros diretos e necessidade de

    fi nanciamento externo .......................................................................103 5.2 Exportao e importao FOB .......................................................105 5.3 ndice de termos de troca ..................................................................105 5.4 ndice trimestral de preo e quantum das exportaes brasileiras ...107 5.5 ndice trimestral de preo e quantum das importaes brasileiras ...109 5.6 Exportao por fator agregado FOB ..............................................110 5.7 Importao de matrias-primas x produo industrial ......................119 5.8 Importao por categoria de uso fi nal FOB ...................................119 5.9 Importao por categoria de uso fi nal FOB ...................................124 5.10 Taxas de rolagem do setor privado ....................................................139 5.11 Reservas i nternacionais .....................................................................148 5.12 Prazo mdio da dvida externa registrada .........................................157 5.13 Composio da dvida externa registrada ..........................................157 5.14 Indicadores de sustentabilidade externa ............................................159 5.15 Cotaes de ttulos brasileiros no exterior ........................................163 5.16 ndice de risco-Brasil Embi+ (Strip spread) ..................................164

  • 10 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    Captulo VI 6.1 ndice de preo de commodities ........................................................171 6.2 Petrleo U.K. Brent Mercado vista ..............................................172 6.3 Taxas de juros ofi ciais .......................................................................173 6.4 EUA: infl ao ....................................................................................174 6.5 Japo: infl ao ...................................................................................176 6.6 rea do Euro: infl ao.......................................................................177 6.7 Reino Unido: infl ao........................................................................178 6.8 China: infl ao...................................................................................179 6.9 Retorno dos ttulos do governo .........................................................180 6.10 VIX ....................................................................................................180 6.11 Bolsas de valores EUA, Europa e Japo ........................................181 6.12 Bolsas de valores Mercados emergentes ........................................181 6.13 Emerging Markets Bond Index Plus (Embi+) ...................................182 6.14 Moedas dos pases desenvolvidos .....................................................182 6.15 Moedas dos pases emergentes ..........................................................183

  • Introduo 11

    Introduo

    A evoluo do nvel da atividade na economia mundial seguiu, no incio de 2008, a trajetria delineada a partir do segundo semestre do ano anterior, quando o desempenho favorvel registrado nas principais economias maduras e emergentes passou a ser impactado, de forma mais acentuada, pelos desdobramentos da crise no mercado subprime dos Estados Unidos.

    A reverso, registrada no decorrer de 2008, do ciclo de expanso econmica iniciado em 2002 considerado um dos perodos de crescimento mais longo e de maior difuso desde a Segunda Grande Guerra intensifi cou-se consideravelmente nos ltimos meses daquele ano, traduzindo o impacto das restries crescentes registradas no mercado de crdito.

    Evidenciados os indcios de crise sistmica e reconhecidas as potenciais implicaes depressivas que a obstruo persistente dos canais de crdito poderia exercer sobre a evoluo do setor real, os bancos centrais e governos dos Estados Unidos e de pases desenvolvidos europeus implantaram, ou aumentaram de forma coordenada, o escopo e a intensidade de aes destinadas a estabilizar seus sistemas fi nanceiros e mitigar os efeitos da intensifi cao da crise sobre o nvel de atividade.

    Neste cenrio, o Comit de Poltica Monetria (Copom) optou por interromper a trajetria restritiva adotada na conduo da poltica monetria desde o incio de 2008, quando a evoluo do cenrio econmico mundial e a acelerao do aquecimento da economia domstica justifi cavam a reduo dos estmulos monetrios introduzidos a partir do incio de 2006. Assim, aps manter a taxa do Sistema Especial de Liquidao e de Custdia (Selic) inalterada nas duas primeiras reunies do ano e elev-la em 225 pontos base (p.b.) nas quatro reunies seguintes, o Copom optou por interromper essa sequncia de aumentos e a manteve em 13,75% a.a. nas duas ltimas reunies do ano. Vale mencionar que a conduo adequada da poltica monetria favoreceu que a variao anual do ndice Nacional de Preos ao Consumidor Amplo (IPCA), embora se situasse em patamar superior s assinaladas nos dois anos anteriores, permanecesse no intervalo estipulado como meta pelo Conselho Monetrio Nacional (CMN) no mbito do regime de metas para a infl ao.

  • 12 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    Refl etindo o desenvolvimento da economia mundial e o ajuste da poltica monetria aos movimentos representados, em um primeiro momento, pela perspectiva de descompasso entre a oferta e a demanda internas e, posteriormente, pelo agravamento da crise nos mercados fi nanceiros, o ritmo da atividade econmica registrou dois perodos distintos no decorrer de 2008. No primeiro, predominante nos trs primeiros trimestres do ano, a economia brasileira cresceu a taxas elevadas, sustentada por expanses acentuadas do consumo e do investimento privados, passando a evidenciar, a seguir, os impactos do acirramento da crise fi nanceira internacional tanto sobre os canais de crdito quanto sobre as expectativas dos agentes econmicos. Ressalte-se que, nesse quadro de reduo da atividade, o governo e o Banco Central do Brasil (BCB) atuaram com vrias medidas anticclicas, como emprstimos em moeda estrangeira, para garantir as exportaes e a liquidez no mercado; fl exibilizao da poltica monetria; incentivos fi scais, com reduo de impostos e aumento dos gastos, em especial dos investimentos em infraestrutura; liberao de recursos para regularizar a liquidez do sistema fi nanceiro nacional, incentivando o crescimento dos emprstimos.

    No mbito das medidas relacionadas rea fi scal, o governo federal anunciou, em dezembro, trs medidas de reduo de impostos, com impacto fi scal projetado para 2009 de R$8,4 bilhes. Nesse sentido, foram criadas duas alquotas intermedirias, de 7,5% e 22,5%, na tabela do Imposto sobre a Renda das Pessoas Fsicas (IRPF), representando renncia fi scal de R$4,9 bilhes e reduo de R$2,9 bilhes nas transferncias para os estados e municpios, via fundos de participao. Adicionalmente, foram reduzidos o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre carros e caminhes novos, com vigncia de 15.12.2008 at 31.1.2009, e a alquota do Imposto sobre Operaes Financeiras (IOF) sobre emprstimos s pessoas fsicas, de 3% para 1,5% a.a.

    O Produto Interno Bruto (PIB), mesmo recuando 3,6% no trimestre encerrado em dezembro, em relao ao fi nalizado em setembro, registrou alta de 5,1% no ano, refl etindo o dinamismo experimentado pela economia nos nove primeiros meses. Considerada a tica da produo, o desempenho anual do PIB traduziu resultados positivos em todos os seus componentes; enquanto sob a tica da demanda, repetindo o padro iniciado em 2006, o dinamismo da demanda interna proporcionou impacto mais intenso do que o associado contribuio negativa exercida pelo setor externo.

    A demanda interna seguiu, portanto, sustentando o processo de crescimento da atividade econmica, evoluo consistente com a melhora das condies de crdito e com a continuidade da recuperao do emprego e da renda. A contribuio anual de 6,8 p.p. para o aumento do PIB esteve associada, em especial, ao crescimento de 13,8% registrado pela Formao Bruta de Capital Fixo (FBCF) maior taxa desde 1995. No mbito do setor externo, as exportaes recuaram 0,6% no ano e as importaes cresceram 18,5%, determinando contribuio negativa de 2,3 p.p. para a variao do PIB no perodo.

  • Introduo 13

    O mercado de trabalho, que reage com defasagem ao ritmo da atividade, seguiu registrando trajetria favorvel at o fi nal de 2008, expressa na taxa de desemprego de 6,8% observada em dezembro, menor patamar da srie histrica iniciada em 2002. A taxa de desemprego mdia anual situou-se em 7,8%, ante 8,2% em 2007.

    As transaes correntes, aps apresentarem resultados superavitrios por cinco anos consecutivos, voltaram a registrar dfi cit em 2008. A reverso dos resultados positivos, iniciada em meados de 2007, evidenciou o impacto da trajetria de expanso recente da economia brasileira sobre as taxas de crescimento das importaes, que se mantiveram em patamar signifi cativamente superior ao das exportaes, e o aumento nas remessas lquidas de servios e rendas, principalmente as relativas a lucros e dividendos. O desempenho da conta fi nanceira do balano de pagamentos segue traduzindo os expressivos ingressos lquidos de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED), que atingiram volume recorde em 2008, contrastando com as sadas de capitais externos relacionadas a investimentos em portfolio, especialmente em aes; de emprstimos de curto prazo; e a reduo na taxa de rolagem da dvida externa de mdio e longo prazos, em todos os casos, concentradas no ltimo trimestre do ano.

    A reverso do cenrio econmico internacional, com desdobramentos sobre o crdito externo, traduziu-se na atuao do Banco Central no mercado de cmbio. Nesse contexto, as intervenes de compras de dlar norte-americano no mercado spot, expressas em aquisies de US$78,6 bilhes em 2007 e de US$18,7 bilhes nos nove primeiros meses de 2008, reverteram-se para vendas vista, que totalizaram US$11,1 bilhes de outubro a dezembro. J as modalidades de linhas com recompra e de emprstimos em moeda estrangeira resultaram em vendas lquidas da moeda norte-americana de US$13 bilhes nos ltimos quatro meses de 2008.

    Ressalte-se que, mesmo no cenrio de deteriorao dos mercados fi nanceiros internacionais, as reservas internacionais atingiram, ao fi nal de 2008, US$193,8 bilhes no conceito caixa, elevando-se US$13,4 bilhes em relao ao ano anterior. Considerado o conceito de liquidez internacional, que inclui o estoque de linhas com recompra e as operaes de emprstimo em moedas estrangeiras, as reservas somaram US$206,8 bilhes, elevando-se US$26,5 bilhes no ano. Adicionalmente, os indicadores de endividamento externo, evidenciando a persistente melhora dos fundamentos macroeconmicos e a continuidade da consistncia na conduo das polticas monetria e fi scal internas, registraram, em dezembro de 2008, evoluo favorvel em relao a igual perodo de 2007, movimento consistente com as trajetrias experimentadas pelas reservas internacionais, pelo servio da dvida externa e pelo valor em dlares das exportaes e do PIB.

  • I A Economia Brasileira 15

    A Economia Brasileira

    Nvel de atividade

    O ritmo da atividade econmica registrou dois perodos distintos no decorrer de 2008. No primeiro, observado nos trs primeiros trimestres do ano, a economia brasileira cresceu a taxas elevadas, sustentada por expanses acentuadas no consumo e no investimento privados, passando a evidenciar, a seguir, os impactos do acirramento da crise fi nanceira internacional tanto sobre os canais de crdito quanto sobre as expectativas dos agentes econmicos.

    Nesse cenrio, o PIB, mesmo recuando 3,6% no trimestre encerrado em dezembro, em relao ao fi nalizado em setembro, aps ajuste sazonal, registrou alta de 5,1% no ano, refl etindo o dinamismo experimentado pela economia nos nove primeiros meses do ano. Considerada a tica da produo, o desempenho anual do PIB em 2008 traduziu resultados positivos em todos os seus componentes; enquanto, sob a tica da demanda, repetindo o padro iniciado em 2006, a expanso da demanda interna superou o crescimento do produto, mantida a contribuio negativa exercida pelo setor externo.

    A demanda interna seguiu, portanto, sustentando o processo de crescimento da atividade econmica, evoluo consistente com a melhora das condies de crdito e com a continuidade da recuperao do emprego e da renda que marcaram o primeiro perodo de 2008. A contribuio anual de 6,8 p.p. para o aumento do PIB esteve associada, em especial, ao crescimento de 13,8% registrado pela FBCF maior taxa desde 1994. No mbito do setor externo, as quantidades exportadas de bens e servios recuaram 0,6% no ano e as importadas cresceram 18,5%, determinando contribuio negativa de 2,3 p.p. para a variao do PIB no perodo.

    O mercado de trabalho, que reage com defasagem ao ritmo da atividade, seguiu registrando trajetria favorvel at o fi nal de 2008, expressa na taxa de desemprego de 6,8% observada em dezembro, menor patamar da srie histrica iniciada em 2002. A taxa de desemprego mdia anual situou-se em 7,9%, ante 9,3% em 2007.

    I

  • 16 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    Quadro 1.1 PIB a preos de mercado

    Ano A preos Variao Deflator A preos Populao PIB per capita

    de 2008 real implcito correntes1/ (milhes) A preos Variao A preos

    (R$ (%) (%) (US$ de 2008 real correntes1/

    milhes) milhes) (R$) (%) (US$)

    1980 1 452 633 9,2 92,1 237 772 118,6 12 252 7,0 2 005

    1981 1 390 896 -4,3 100,5 258 553 121,2 11 475 -6,3 2 133

    1982 1 402 441 0,8 101,0 271 252 123,9 11 321 -1,3 2 190

    1983 1 361 349 -2,9 131,5 189 459 126,6 10 755 -5,0 1 497

    1984 1 434 862 5,4 201,7 189 744 129,3 11 099 3,2 1 468

    1985 1 547 485 7,8 248,5 211 092 132,0 11 725 5,6 1 599

    1986 1 663 391 7,5 149,2 257 812 134,7 12 353 5,4 1 915

    1987 1 722 109 3,5 206,2 282 357 137,3 12 546 1,6 2 057

    1988 1 721 076 -0,1 628,0 305 707 139,8 12 309 -1,9 2 186

    1989 1 775 462 3,2 1304,4 415 916 142,3 12 476 1,4 2 923

    1990 1 698 229 -4,3 2737,0 469 318 146,6 11 585 -7,1 3 202

    1991 1 715 721 1,0 416,7 405 679 149,1 11 508 -0,7 2 721

    1992 1 706 394 -0,5 969,0 387 295 151,5 11 260 -2,2 2 556

    1993 1 790 430 4,9 1996,1 429 685 154,0 11 627 3,3 2 790

    1994 1 895 222 5,9 2240,2 543 087 156,4 12 115 4,2 3 472

    1995 1 975 272 4,2 93,9 770 350 158,9 12 433 2,6 4 849

    1996 2 017 750 2,2 17,1 840 268 161,3 12 508 0,6 5 209

    1997 2 085 856 3,4 7,6 871 274 163,8 12 736 1,8 5 320

    1998 2 086 593 0,0 4,2 843 985 166,3 12 551 -1,5 5 077

    1999 2 091 894 0,3 8,5 586 777 168,8 12 396 -1,2 3 477

    2000 2 181 975 4,3 6,2 644 984 171,3 12 739 2,8 3 766

    2001 2 210 627 1,3 9,0 553 771 173,8 12 718 -0,2 3 186

    2002 2 269 388 2,7 10,6 504 359 176,4 12 866 1,2 2 859

    2003 2 295 409 1,1 13,7 553 603 179,0 12 825 -0,3 3 093

    2004 2 426 529 5,7 8,0 663 783 181,6 13 363 4,2 3 655

    2005 2 503 200 3,2 7,2 882 439 184,2 13 591 1,7 4 791

    2006 2 602 602 4,0 6,1 1 088 911 186,8 13 935 2,5 5 830

    2007 2 750 100 5,7 3,7 1 333 818 187,6 14 656 5,2 7 108

    2008 2 889 719 5,1 5,9 1 573 321 189,6 15 240 4,0 8 298

    Fonte: IBGE1/ Estimativa do Banco Central do Brasil, obtida pela diviso do PIB a preos correntes pela taxa mdia anual de cmbio de compra.

    Produto Interno Bruto

    Segundo o Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatstica (IBGE), o PIB cresceu 5,1% em 2008, dcimo sexto resultado anual positivo em sequncia. Esse resultado, que refl etiu o dinamismo experimentado pela atividade econmica nos nove primeiros meses do ano, traduziu, mais uma vez, a contribuio positiva da demanda interna, com nfase na acelerao registrada nos investimentos no perodo anterior intensifi cao da crise nos mercados fi nanceiros internacionais. Em valores correntes, o PIB a preos de mercado atingiu R$2.889,7 bilhes.

  • I A Economia Brasileira 17

    Quadro 1.2 PIB Variao trimestre/trimestre imediatamente anterior com ajuste sazonalPercentual

    Discriminao

    I II III IV

    PIB a preo de mercado 1,6 1,6 1,7 -3,6

    Agropecuria -1,3 3,0 1,3 -0,5

    Indstria 2,4 -0,2 3,6 -7,4

    Servios 1,4 0,9 0,8 -0,4

    Fonte: IBGE

    2008

    Quadro 1.3 Taxas reais de variao do PIB tica do produtoPercentual

    Discriminao 2006 2007 2008

    PIB 4,0 5,7 5,1

    Setor agropecurio 4,5 5,9 5,8

    Setor industrial 2,3 4,7 4,3

    Extrativa mineral 4,4 2,8 4,3

    Transformao 1,1 4,7 3,2

    Construo 4,7 5,0 8,0

    Produo e distribuio de eletricidade, gs e gua 3,5 5,9 4,5

    Setor servios 4,2 5,4 4,8

    Comrcio 5,9 7,1 6,1

    Transporte, armazenagem e correio 2,1 5,3 3,2

    Servios de informao 1,6 7,0 8,9

    Intermediao financeira, seguros, previdncia complementar

    e servios relativos 8,4 14,5 9,1

    Outros servios 4,0 2,7 4,5

    Atividades imobilirias e aluguel 3,0 4,1 3,0

    Administrao, sade e educao pblica 3,3 2,4 2,3

    Fonte: IBGE

    O desempenho positivo do PIB decorreu, mais uma vez, de expanses generalizadas em seus componentes. A produo da agropecuria aumentou 5,8%, impulsionada pelo crescimento de 9,6% da safra de gros, resultado associado, fundamentalmente, a ganhos mdios de produtividade da ordem de 5,3%, consistente com a ocorrncia de condies climticas adequadas e com o ambiente de estmulos a investimentos proporcionado pela evoluo dos preos de comercializao. A rea colhida aumentou 4,1% no ano.

    A atividade industrial cresceu 4,3% em 2008, registrando taxas positivas em todos os subsetores. A indstria da construo civil, traduzindo o processo de fortalecimento da renda e os efeitos de medidas de incentivo direcionadas ao setor, aumentou 8%, quinto resultado anual positivo consecutivo. A produo e distribuio de eletricidade, gs e gua, refl etindo o desempenho da economia no ano, cresceu 4,5%, enquanto o setor

  • 18 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    -10

    -5

    0

    5

    10

    15

    14

    15

    16

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    19

    2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008

    Grfico 1.1Formao Bruta de Capital Fixo

    Participao no PIB Variao realFonte: IBGE

    % P

    IB

    Variao real

    Quadro 1.4 Taxas reais de variao do PIB tica da despesaPercentual

    Discriminao 2006 2007 2008

    PIB 4,0 5,7 5,1

    Consumo das famlias 5,2 6,3 5,4

    Consumo do governo 2,6 4,7 5,6

    Formao Bruta de Capital Fixo 9,8 13,5 13,8

    Exportaes 5,0 6,7 -0,6

    Importaes 18,4 20,8 18,5

    Fonte: IBGE

    extrativo mineral expandiu 4,3%. A expanso de 3,2% na produo da indstria de transformao refl etiu, em especial, os impactos favorveis do ambiente de estabilidade econmica e das melhores condies nos mercados de crdito e de trabalho sobre a demanda por bens de capital e por bens de consumo durveis.

    O setor de servios cresceu 4,8% em 2008, registrando-se expanso generalizada em seus subsetores, em especial servios de intermediao fi nanceira, seguros, previdncia complementar e servios relativos, 9,1%; servios de informao, 8,9%; comrcio, 6,1%; e transporte, armazenagem e correio, 3,2%, os dois ltimos impactados pelo desempenho dos setores primrio e secundrio. Assinale-se, ainda, o crescimento nos segmentos outros servios, 4,5%; atividades imobilirias e aluguel, 3%; e administrao, sade e educao pblica, 2,3%.

    A contribuio da demanda interna para o crescimento do PIB alcanou 6,8 p.p. em 2008. A FBCF aumentou 13,8%, seguindo-se as expanses do consumo do governo, 5,6%, e das famlias, 5,4%. Em sentido inverso, o setor externo contribuiu negativamente com 2,3 p.p. para a evoluo anual do PIB, resultado compatvel com os desdobramentos do vigor da demanda interna soble os fl uxos externos de comrcio. Nesse sentido, enquanto

  • I A Economia Brasileira 19

    Quadro 1.5 PIB Valor corrente, por componenteEm R$ milhes

    Discriminao 2005 2006 2007 2008

    Produto Interno Bruto a preos de mercado 2 147 239 2 369 797 2 597 611 2 889 719

    tica do produto

    Setor agropecurio 105 163 111 229 133 015 163 536

    Setor industrial 539 283 585 602 623 721 682 497

    Setor servios 1 197 807 1 337 903 1 466 783 1 595 021

    tica da despesa

    Consumo final 1 721 783 1 903 679 2 096 903 2 337 823

    Consumo das famlias 1 294 230 1 428 906 1 579 616 1 753 414

    Consumo da administrao pblica 427 553 474 773 517 287 584 408

    Formao Bruta de Capital 347 976 397 340 460 672 547 066

    Formao Bruta de Capital Fixo 342 237 389 328 455 213 548 757

    Variao de estoques 5 739 8 012 5 459 -1 690

    Exportao de bens e servios 324 842 340 457 355 399 414 257

    Importao de bens e servios (-) 247 362 271 679 315 362 409 427

    Fonte: IBGE

    as exportaes de bens e servios recuaram 0,6% no ano, as importaes, relevantes para o aparelhamento do parque industrial e para o equilbrio entre a demanda e a oferta de bens de consumo, elevaram-se 18,5%.

    O desempenho do PIB em 2008 refl etiu a evoluo favorvel da economia nos nove primeiros meses do ano e a trajetria de arrefecimento que se seguiu ao agravamento da crisefi nanceira internacional. Nesse sentido, ratifi cando, principalmente, o crescimento contnuo da renda real e do emprego, o PIB cresceu 1,6% no primeiro trimestre do ano, em relao ao trimestre anterior, considerados dados dessazonalizados.

    Esse resultado refl etiu aumentos de 2,4% na indstria e de 1,4% no setor de servios, contrastando com a evoluo negativa de 1,3% na produo agropecuria. Em relao aos componentes da demanda, ressalte-se, no perodo, o crescimento de 2,8% da FBCF, stimo resultado trimestral positivo em sequncia, e as expanses nos consumos das famlias, 5%, e do governo, 4,1%. As exportaes recuaram 6,2% e as importaes, em linha com o processo de acelerao do nvel da atividade, cresceram 1,3%.

    A evoluo do PIB apresentou o mesmo dinamismo no segundo trimestre. O aumento de 1,6% do produto no perodo traduziu as elevaes observadas nos segmentos agropecurio, estimulado pelas safras de soja e de milho, 3%; e servios, 0,9%, em oposio ao recuo de 0,2% assinalado no setor industrial. Em relao aos componentes da demanda, assinale-se, no trimestre, a continuidade do crescimento da FBCF, atingindo 3,4%, enquanto o consumo das famlias aumentou 0,7% e o do governo decresceu 0,2%. As exportaes elevaram-se 3,9% e as importaes, 8,6% no perodo.

  • 20 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    A expanso trimestral do PIB seguiu em ritmo crescente no terceiro trimestre do ano, quando atingiu 1,7%, constituindo-se no dcimo segundo resultado positivo em sequncia, nessa base de comparao. A agropecuria cresceu 1,3%, enquanto a indstria e os servios registraram aumentos respectivos de 3,6% e de 0,8%. Sob o enfoque da demanda, sempre considerando dados dessazonalizados, ressalte-se, nesse trimestre, a expanso de 8,4% dos investimentos, enquanto o consumo das famlias aumentou 2,1% e o do governo, 1,6%. As exportaes decresceram 1,4% e as importaes elevaram-se 6,4%, ressaltando-se que as compras externas aumentaram, no perodo, pelo dcimo segundo trimestre consecutivo.

    Ratifi cando a evoluo de indicadores antecedentes e coincidentes, o PIB recuou 3,6% no ltimo trimestre de 2008, interrompendo doze trimestres consecutivos de elevao, impactado, em especial, pela reduo de 7,4% na indstria, que procedeu ajustes importantes como resposta restrio ao crdito provocada pela crise fi nanceira internacional, deteriorao do sentimento do empresrio, reduo da demanda externa e adequao do nvel de estoques. A produo agropecuria recuou 0,5% no trimestre e a relativa ao setor de servios, 0,4%. Sob a tica da demanda, a FBCF e o consumo das famlias registraram recuos respectivos de 9,8% e de 2% no trimestre, em oposio expanso de 0,5% assinalada no consumo do governo. Adicionalmente, a contribuio negativa do setor externo traduziu redues de 2,9% nas exportaes e de 8,2% nas importaes, resultado compatvel com o novo ambiente econmico.

    Nesse quadro de reduo da atividade, o governo e o Banco Central do Brasil atuaram com vrias medidas anticclicas que incorporam emprstimos em moeda estrangeira, para fi nanciar as exportaes e garantir a liquidez do mercado; incentivos fi scais, com reduo de impostos e aumento dos gastos, em especial dos investimentos em infraestrutura; e liberao de recolhimentos compulsrios para aumentar a liquidez do sistema fi nanceiro nacional, incentivando o crescimento dos emprstimos.

    Investimentos

    Os investimentos, excludas as variaes de estoques, aumentaram 13,8% em 2008, de acordo com as Contas Nacionais Trimestrais do IBGE, confi gurando a maior taxa anual desde 1994 e o quinto resultado positivo consecutivo. Esse ritmo de expanso, substancialmente superior ao registrado pelo PIB, evidenciou, em especial, as expectativas favorveis do empresariado na continuidade do ciclo de expanso da economia, predominantes nos nove primeiros meses do ano.

    Os insumos da construo civil registraram crescimento anual de 8,5% em 2008, ante 5,1% no ano anterior, evoluo impulsionada pelo cenrio de ganhos nos mercados de crdito e de trabalho e pelos impactos do Programa de Acelerao do Crescimento (PAC) sobre o setor.

  • I A Economia Brasileira 21

    Quadro 1.6 Formao Bruta de Capital (FBC)Percentual

    Ano A preos correntes

    Variao FBCF/PIB FBC/PIB

    de estoques

    Construo Mquinas e Outroscivil equipamentos

    1995 44,5 48,9 8,3 -1,6 18,3 18,0

    1996 48,2 43,5 7,3 1,0 16,9 17,0

    1997 49,5 43,1 7,0 0,3 17,4 17,4

    1998 51,9 40,8 6,9 0,3 17,0 17,0

    1999 50,6 37,2 7,8 4,4 15,7 16,4

    2000 45,7 39,3 7,1 7,9 16,8 18,3

    2001 43,9 43,3 7,3 5,5 17,0 18,0

    2002 47,8 44,8 8,5 -1,2 16,4 16,2

    2003 42,8 45,3 8,7 3,1 15,3 15,8

    2004 41,1 45,0 7,9 6,0 16,1 17,1

    2005 41,6 49,0 7,7 1,6 15,9 16,2

    2006 39,6 50,6 7,8 2,0 16,4 16,8

    2007 ... ... ... ... 17,5 17,7

    2008 ... ... ... ... 19,0 18,9

    Fonte: IBGE

    Participao na FBC

    Formao Bruta de Capital Fixo (FBCF)

    A produo de bens de capital apresentou crescimento anual de 14,3% em 2008, ante 19,5% no ano anterior, resultado de aumentos generalizados em seus componentes, com nfase nos registrados nos segmentos ligados agropecuria, em especial mquinas e equipamentos agrcolas, 35,1%, e peas agrcolas, 58,8%. Registraram-se, ainda, aumentos importantes nas produes de bens de capital destinados a equipamentos de transporte, 31,3%; e de energia eltrica, 12%. Os bens de capital para construo variaram 4,8% no perodo. A produo de bens tipicamente industrializados aumentou 4,6% no ano, refl exo de elevaes nos segmentos de seriados, 2,7%, e de no seriados, 17,4%.

    Os desembolsos do sistema BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e Social (BNDES), Agncia Especial de Financiamento Industrial (Finame) e BNDES Participaes S.A. (BNDESpar) totalizaram R$90,9 bilhes em 2008, elevando-se 40% em relao ao ano anterior. A anlise setorial revela que o desempenho do setor de infraestrutura mostrou-se determinante para essa evoluo, registrando elevao anual de 40,6%.

    A Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), utilizada como indexador de fi nanciamentos contratados junto ao sistema BNDES, permaneceu em 6,25% a.a. ao longo de 2008, patamar mantido desde o segundo trimestre de 2007.

  • 22 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    -5

    0

    5

    10

    15

    20

    2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008

    Grfico 1.2Produo industrial

    Geral Extrativa TransformaoFonte: IBGE

    Varia

    o

    perc

    entu

    alQuadro 1.7 Desembolsos do Sistema BNDES1/

    Em R$ milhes

    Discriminao 2006 2007 2008

    Total 51 318 64 892 90 878

    Por setor

    Indstria de transformao 25 734 25 395 35 710

    Comrcio e servios 20 704 33 448 46 263

    Agropecuria 3 423 4 998 5 595

    Indstria extrativa 1 458 1 051 3 311

    Fonte: BNDES

    1/ Compreende o BNDES, a Finame e o BNDESpar.

    Indicadores da produo industrial

    A produo industrial registrou taxa de crescimento anual de 3,1% em 2008, segundo o ndice de produo fsica da indstria geral da Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE, ante expanses de 6% em 2007 e de 3,4% no perodo de 1999 at 2007, desde a introduo do regime de metas de infl ao.

    A evoluo anual da indstria pode ser claramente posicionada nos perodos pr-crise e ps-crise. Nesse sentido, a taxa de crescimento do ndice da produo industrial, aps registrar crescimento acumulado de 6,4% at o terceiro trimestre de 2008, em relao a igual perodo do ano anterior, assinalou reduo de 6,2% no ltimo trimestre do ano, ante igual perodo de 2007. Esse movimento ratifi cado pelas variaes trimestrais do indicador, que atingiram, em sequncia, 0,4%, 0,8%, 2,5% e -9,4% ante os trimestres imediatamente anteriores.

  • I A Economia Brasileira 23

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    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

    2002

    =100

    Grfico 1.3Produo industrialDados dessazonalizados

    2007 2008Fonte: IBGE

    80

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    120

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    200

    Jan2007

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan2008

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

    2002

    =100

    Grfico 1.4Produo industrial Por categoria de uso

    Dados dessazonalizados

    Bens de capital Consumo durvel Consumo semi e no durvel

    Fonte: IBGE

    Quadro 1.8 Produo de bens de capital selecionados

    Discriminao

    2006 2007 2008

    Bens de capital 5,7 19,5 14,4

    Industrial 5,5 17,0 4,7

    Seriados 5,2 18,5 2,8

    No seriados 6,9 7,4 17,4

    Agrcolas -16,5 48,4 35,1

    Peas agrcolas -38,9 170,8 58,8

    Construo 8,2 18,7 5,6

    Energia eltrica 22,2 26,0 12,0

    Transportes -1,6 18,0 31,4

    Misto 11,6 15,4 2,5

    Fonte: IBGE

    Variao percentual

    As quatro categorias de uso pesquisadas pelo IBGE apresentaram comportamentos diferenciados no decorrer do ano, mas todas foram sensibilizadas pela retrao do crescimento observada no quarto trimestre do ano. Impulsionado pelo alongamento do horizonte de planejamento e pela expanso da demanda interna e do crdito, o

  • 24 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    Quadro 1.9 Produo industrial

    Discriminao

    2006 2007 2008

    Total 2,8 6,0 3,1

    Por categorias de uso

    Bens de capital 5,7 19,5 14,4

    Bens intermedirios 2,1 4,9 1,6

    Bens de consumo 3,3 4,7 1,9

    Durveis 5,8 9,1 3,7

    Semi e no durveis 2,7 3,4 1,4

    Fonte: IBGE

    Variao percentual

    crescimento interanual da produo de bens de capital alcanava 18% nos trs primeiros trimestres do ano, reduzindo-se para 14,4% quando incorporado o resultado do quarto trimestre. Ressalte-se que essa categoria foi a nica a apresentar taxa de crescimento positiva nesse trimestre.

    A expanso do emprego e da renda e a confi ana do consumidor constituram-se em forte estmulo demanda por bens de consumo durveis, atendida, em especial, pela produo interna. Nesse cenrio, o crescimento da produo de bens de consumo durveis, aps atingir 12,1% at o terceiro trimestre, situou-se em 3,7% no ano, traduzindo a reduo de 19,5% registrada no quarto trimestre, em relao a igual perodo de 2007.

    A produo de bens intermedirios aumentou 1,6% no ano, registrando, igualmente, desempenho favorvel nos nove primeiros meses do ano e recuo no ltimo trimestre, expressos em variaes respectivas de 5,3% e -9,2%, nas mesmas bases comparativas.

    A produo de bens de consumo semidurveis e no durveis, menos sensvel ao estmulo das condies de crdito, aps apresentar crescimento acumulado de 2,3% at o terceiro trimestre do ano, inferior ao da indstria geral, registrou recuo de 1,2% no perodo subsequente, resultando em expanso anual de 1,4%.

    Dentre as atividades pesquisadas pelo IBGE, dezesseis apresentaram taxas positivas de crescimento no ano, e nove, taxas negativas, com nfase nas relativas aos segmentos outros equipamentos de transporte, 42,2%; equipamentos de instrumentao mdico-hospitalar, 15,7%; e farmacutico, 12,6%. Em sentido inverso, assinalem-se os desempenhos negativos observados nas atividades madeira, 10,2%; mquinas de escritrio e equipamentos de informtica, 9%; fumo, 7%; e calados e couro, 6,8%.

    As duas atividades de maior peso na indstria geral alimentos e veculos automotores foram signifi cativamente impactadas pela crise econmica, registrando desacelerao dos crescimentos acumulados respectivos de 1,2% e de 17,5% at o terceiro trimestre, para expanses anuais de 0,5% e 8,2%, respectivamente.

  • I A Economia Brasileira 25

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    Jan2007

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan2008

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

    Grfico 1.5Utilizao da capacidade instalada na indstria

    CNI FGV

    %

    Quadro 1.10 Utilizao da capacidade instalada na indstria1/

    Percentual

    Discriminao 2006 2007 2008

    Indstria de transformao 83,3 85,1 85,2

    Bens de consumo finais 80,1 83,1 84,9

    Bens de capital 82,0 85,7 87,9

    Materiais de construo 85,1 84,6 88,4

    Bens de consumo intermedirios 87,3 87,8 86,4

    Fonte: FGV

    1/ Pesquisa trimestral. Mdia do ano.

    A produo industrial registrou, em 2008, expanso generalizada em termos regionais, excetuando-se, entre as treze unidades da Federao pesquisadas, o resultado negativo observado em Santa Catarina, impactado pelos desempenhos desfavorveis dos segmentos madeira e mquinas e equipamentos. As unidades com maior expanso industrial foram Gois, 8,1%, com nfase nas indstrias de alimentos e bebidas e na extrativa, e Paran, 8,6%, esta traduzindo os impulsos signifi cativos associados s atividades veculos automotores, em especial caminhes, edio e impresso, e celulose e papel.

    O nvel de emprego na indstria apresentou crescimento de 2,7% em 2008, considerada a mdia anual do ndice de Pessoal Ocupado Assalariado (POA) da Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salrio (Pimes) do IBGE. Ressalte-se que, ao fi nal do ano, o nvel de emprego situava-se em patamar 1,1% inferior ao de dezembro de 2007.

    O nvel mdio de utilizao da capacidade instalada (Nuci) na indstria manteve, em 2008, o patamar elevado observado ao fi nal de 2007, atingindo, de acordo com a Sondagem Conjuntural da Indstria de Transformao (SCIT) da Fundao Getulio Vargas (FGV), 85,2%, ante o recorde de 86,7% assinalado em junho de 2008. Na margem, o Nuci apresentou recuo mensal de 4,6 p.p. em dezembro, situando-se em 80,6%.

  • 26 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

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    Jan 2007

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan 2008

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

    Grfico 1.6ndice de Volume de Vendas no Comrcio Ampliado

    Dados dessazonalizados

    2003

    =100

    Fonte: IBGE

    O ndice de Confi ana da Indstria (ICI) da SCIT, da FGV, recuou 46,2 pontos no ltimo trimestre do ano, atingindo 71,4 pontos em dezembro, aps haver registrado, em agosto, 120,4 pontos, o segundo maior valor da srie, iniciada em abril de 1995.

    A Sondagem Industrial da Confederao Nacional da Indstria (CNI) registrou, igualmente, deteriorao das condies da indstria no ltimo trimestre do ano, expressa em nvel recorde de acmulo de estoques indesejados. Em relao ao nvel de atividade no trimestre, o ndice de volume da produo atingiu 40,8 pontos e o relativo evoluo do nmero de empregados, 44 pontos, menores nveis desde o primeiro trimestre de 1999, sinalizando reduo da produo fsica e contrao do emprego trimestrais.

    Indicadores do comrcio

    Segundo a Pesquisa Mensal do Comrcio (PMC), divulgada pelo IBGE, o ndice de Volume de Vendas no Comrcio Ampliado aumentou 9,9% em 2008, segunda maior taxa anual registrada, superada apenas pela expanso de 13,6% assinalada em 2007. Vale mencionar que de janeiro a setembro, antes do agravamento do quadro econmico mundial, a taxa de crescimento acumulada do comrcio ampliado atingia 13,8%, em relao a igual perodo do ano anterior. As vendas elevaram-se em todos os segmentos que compem o indicador, com nfase nas relativas a equipamentos e materiais para escritrio, informtica e comunicao, 33,5%; outros artigos de uso pessoal e domstico, 15,6%; mveis e eletrodomsticos, 15,1% e artigos farmacuticos, mdicos, ortopdicos, de perfumaria e cosmticos, 13,3%.

    As vendas nos segmentos automveis, motocicletas, partes e peas, e materiais de construo, mais dependentes das concesses de crdito, apresentaram taxas de crescimento anuais respectivas de 11,9% e 7,8%, aps se expandirem, na ordem, 20,7% e 11,5% nos nove primeiros meses do ano.

  • I A Economia Brasileira 27

    O aumento das vendas no comrcio ampliado, em 2008, ocorreu de forma generalizada nas cinco regies do pas. A taxa mais elevada ocorreu no Centro-Oeste, 11,3%; seguindo-se as relativas s regies Sudeste, 10,8%; Sul, 10%; Nordeste, 9,2% e Norte, 7,6%. Em relao s unidades da Federao, assinalem-se os aumentos nas vendas varejistas em Rondnia, 19%; Esprito Santo, 17,2%; Mato Grosso, 15,2%; Gois, 14% e Mato Grosso do Sul, 13,7%, contrastando com os desempenhos mais modestos observados no Distrito Federal, 0,7%; Par, 3,1% e Amazonas, 5,7%.

    A Receita Nominal de Vendas no comrcio ampliado apresentou expanso de 15,1% em 2008, resultado de crescimentos de 9,1% no volume de vendas e de 5,5% nos preos. Todos os segmentos apresentaram taxas de crescimento da receita nominal superiores infl ao anual de 5,90% registrada pelo IPCA, do IBGE, no perodo, com destaque para os relativos aos segmentos outros artigos de uso pessoal e domstico, 21,7%; material de construo, 18,1% e hipermercados, supermercados, produtos alimentcios, bebidas e fumo, 17,2%.

    Indicadores do comrcio relativos ao estado de So Paulo ratifi cam o crescimento generalizado das vendas de bens durveis, semi e no durveis em 2008. Nesse sentido, de acordo com a Associao Comercial de So Paulo (ACSP), o nmero de consultas ao Servio Central de Proteo ao Crdito (SCPC), indicador de compras a prazo, cresceu 6,4% no ano, enquanto as consultas ao Usecheque, indicador de compras vista, elevaram-se 4,3% no perodo.

    As vendas do setor automobilstico aumentaram 14,6% em 2008, de acordo com a Federao Nacional de Distribuio de Veculos Automotores (Fenabrave), aps se elevarem 27,1% nos nove primeiros meses do ano. Na mesma linha, as vendas de autoveculos nacionais no mercado interno, divulgadas pela Associao Nacional dos Fabricantes de Veculos Automotores (Anfavea), registraram elevao anual de 11,9% em 2008, aps aumentarem 26,3% at setembro.

    Os indicadores de inadimplncia seguem em patamar estvel nos ltimos anos. A relao entre o nmero de cheques devolvidos por insufi cincia de fundos e o total de cheques compensados atingiu, em mdia, 6,1% em 2008, ante 6,2% em 2007. Por regio, as maiores taxas continuaram ocorrendo no Norte e no Nordeste. A inadimplncia na Regio Metropolitana de So Paulo (RMSP), medida pela ACSP, atingiu, em mdia, 6,5% em 2008, ante 5,4% no ano anterior.

    Pesquisas de mbito nacional, relacionadas s expectativas dos consumidores, apresentaram inverso da tendncia de crescimento ao longo de 2008. Aps manuteno em patamar elevado at o fi m do terceiro trimestre, a confi ana do consumidor foi impactada, no quarto trimestre do ano, pelo acirramento dos efeitos da crise internacional sobre a economia brasileira. Nesse sentido, o ndice de Confi ana do Consumidor (ICC), da FGV, recuou 1,6% no ano, resultado de redues de 5,2% no ndice de Expectativas

  • 28 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    90

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    Jan 2007

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan 2008

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

    Grfico 1.7ndice de Confiana do Consumidor

    Geral Expectativas do consumidor Condies econmicas atuais

    Fonte: Fecomercio SP

    (IE) e de elevao de 5,4% no ndice da Situao Atual (ISA). Ressaltem-se os recuos respectivos de 15% e 9,7% registrados por esses componentes no ltimo trimestre de 2008, em relao a igual perodo de 2007.

    No mesmo sentido, o ndice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), de periodicidade trimestral, divulgado pela CNI, registrou deteriorao da confi ana do consumidor, recuando 1,6% no ltimo trimestre do ano, em relao a igual perodo do ano anterior. Os declnios mais acentuados ocorreram nas expectativas dos consumidores em relao ao desemprego, 17,3%, e infl ao, 14,4%. O Inec registrou crescimento anual de 0,4%.

    O ICC, divulgado pela Federao do Comrcio do Estado de So Paulo (Fecomercio- SP), recuou 3% no quarto trimestre de 2008 em relao ao mesmo perodo de 2007, resultado de reduo de 13% no ndice de Condies Econmicas Atuais (Icea) e de elevao de 4,6% no ndice de Expectativas do Consumidor (IEC), que representa 60% do ndice geral. O desempenho do indicador nos trs primeiros trimestres de 2008 proporcionou seu crescimento, de 6,2% na comparao interanual.

    Indicadores da produo agropecuria

    A safra de gros totalizou 145,8 milhes de toneladas em 2008, de acordo com o Levantamento Sistemtico da Produo Agrcola (LSPA), divulgado pelo IBGE, em colaborao com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O crescimento anual de 9,6% traduziu expanses de 4,1% na rea colhida e de 5,3% na produtividade mdia, com nfase nas participaes das produes das regies Centro-Oeste, 34,8%, e Sul, 42%, cujas produes elevaram-se, na ordem, 15,5% e 1,9% no ano.

    A produo de soja cresceu 3,4% no ano, totalizando 59,9 milhes de toneladas, resultado de expanso da rea colhida, dada a estabilidade da produtividade.

  • I A Economia Brasileira 29

    Quadro 1.11 Produo agrcola Principais culturasMilhes de toneladas

    Produtos 2007 2008

    Gros 133,1 145,8 Caroo de algodo 2,5 2,4 Arroz (em casca) 11,0 12,1 Feijo 3,2 3,4 Milho 51,8 58,7 Soja 58,0 59,9 Trigo 4,1 6,0 Outros 2,4 3,2

    Variao da safra de gros (%) 13,8 9,6

    Outras culturas Banana 7,1 7,2 Batata-inglesa 3,4 3,7 Cacau (amndoas) 0,2 0,2 Caf (beneficiado) 2,2 2,8 Cana-de-acar 548,0 653,2 Fumo (em folhas) 0,9 0,9 Laranja 18,5 18,7 Mandioca 26,9 26,6 Tomate 3,4 3,9

    Fonte: IBGE

    Quadro 1.12 Produo agrcola, rea colhida e rendimento mdio Principais culturas

    Variao percentual

    Produtos

    2007 2008 2007 2008 2007 2008

    Gros 13,8 9,6 -0,4 4,1 14,1 5,3

    Algodo (caroo) 37,5 -2,5 23,1 -5,2 5,0 3,0

    Arroz (em casca) -4,0 9,7 -2,5 -1,3 -1,3 11,1

    Feijo -5,6 5,0 -4,7 -1,7 0,4 6,7

    Milho 21,6 13,3 9,4 4,1 10,5 8,9

    Soja 10,7 3,4 -6,2 3,4 18,5 0,0

    Trigo 64,8 47,5 18,0 30,7 37,5 12,6

    Fonte: IBGE

    Produo rea Rendimento mdio

    Registrou-se recuperao nas exportaes do gro, que se elevaram 3,3% no ano, aps recuarem 4,9% em 2007.

    A colheita de milho atingiu 58,7 milhes de toneladas, ressaltando que o aumento anual de 13,3% refl etiu crescimentos de 4,1% na rea colhida e de 8,9% na produtividade. As condies climticas adequadas e o nvel elevado das cotaes da commodity foram determinantes para esse desempenho.

  • 30 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    Quadro 1.13 Estoque de gros Principais culturasMil toneladas

    Produtos 2005/2006 2006/2007 2007/2008

    Gros

    Arroz (em casca)

    Incio do ano 3 532,1 2 879,3 2 021,7

    Final do ano 2 879,3 2 021,7 1 101,3

    Feijo

    Incio do ano 113,6 176,2 81,4

    Final do ano 176,2 81,4 160,7

    Milho

    Incio do ano 3 135,4 3 268,3 3 300,2

    Final do ano 3 268,3 3 300,2 11 871,9

    Soja

    Incio do ano 2 734,7 2 469,7 3 675,6

    Final do ano 2 469,7 3 675,6 4 540,1

    Trigo

    Incio do ano 1 112,5 1 992,9 1 753,7

    Final do ano 1 992,9 1 753,7 1 566,2

    Fonte: Companhia Nacional de Abastecimento (Conab)

    A produo de feijo totalizou 3,4 milhes de toneladas. O crescimento anual de 5% refl etiu tanto o aumento de 6,7% na produtividade mdia quanto a reduo de 1,7% na rea colhida. As condies climticas favorveis e o nvel de preos praticado na poca do cultivo contriburam para o bom desempenho dessa colheita.

    A safra de arroz atingiu 12,1 milhes de toneladas, elevando-se 9,7% no ano, resultado de aumento de 11,1% no rendimento mdio e de reduo de 1,3% na rea colhida. As boas condies climticas, em especial no estado do Rio Grande do Sul, principal estado produtor, onde ocorreu aumento na rea plantada, concorreram para os aumentos da produtividade e da produo.

    O volume produzido de trigo atingiu 6 milhes de toneladas, aumentando 47,5% em relao safra anterior. A rea colhida cresceu 30,7% e a produtividade mdia, 12,6%, refl etindo o ambiente de elevadas cotaes internacionais do produto em funo do aquecimento da demanda externa.

    A cultura de algodo herbceo decresceu 2,5% e totalizou 2,4 milhes de toneladas, com contrao de 5,2% na rea colhida e aumento de 3% na produtividade mdia.

    A safra de caf atingiu 2,8 milhes de toneladas, elevando-se 25% no ano. Esse desempenho explicado, em parte, pelo ano de alta no ciclo bianual da cultura do gro, expressa em aumento de 27,2% no rendimento mdio da cultura. A rea colhida recuou 1,8%.

  • I A Economia Brasileira 31

    8,5

    6,6

    3,82,4

    7,9

    10,1

    -6,1

    6,2

    13,2

    -8

    -4

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    4

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    Varia

    o

    perc

    entu

    al

    2006 2007 2008

    Grfico 1.8Produo animal

    Bovinos Sunos FrangosFonte: IBGE

    A produo de cana-de-acar totalizou 653,2 milhes de toneladas. O aumento anual de 19,2% traduziu as expanses ocorridas na rea plantada, 16,5%, e na produtividade mdia, 2,3%.

    Pecuria

    De acordo com a Pesquisa Trimestral de Abate de Animais, divulgada pelo IBGE, as produes de carnes bovinas, de aves e sunas atingiram, na ordem, 6.619 milhes, 10.175 milhes e 2.634,3 milhes de toneladas, representando variaes anuais respectivas de -6,1%, de 13,2% e de 6,2%.

    As exportaes de carnes bovinas, de aves e sunas totalizaram, na ordem, um milho, 3,3 milhes e 467,6 mil toneladas, registrando variaes anuais respectivas de -20,5%, de 8,7% e de -15,3%.

    Poltica agrcola

    O plano agrcola e pecurio 2008/2009, divulgado pelo Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (Mapa), prev a disponibilidade de R$78 bilhes para o crdito rural, dos quais R$65 bilhes destinados agricultura empresarial e R$13 bilhes, agricultura familiar.

    Em relao agricultura empresarial, R$55 bilhes so destinados para crditos de custeio e comercializao, volume 12% superior ao disponibilizado no plano anterior, dos quais 82,5% programados a taxas de juros controladas crescimento anual de 19,9% e 17,5% a taxas de juros livres contrao de 14,7%. Para investimento, sero destinados R$10 bilhes, com aumento anual de 12,4%, dos quais R$3,5 bilhes originrios dos Fundos Constitucionais.

  • 32 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    No mbito dos programas com fi nanciamento do BNDES, sero destinados R$6,5 bilhes do segmento de crditos para investimento, com acrscimo anual de 0,8%. Em relao ao Programa de Modernizao da Frota de Tratores Agrcolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota), a principal mudana constituiu-se na eliminao da taxa fi xa de juros de 4% a.a. O Programa de Modernizao da Agricultura e Conservao de Recursos Naturais (Moderagro) registra aumento de R$50 mil, no limite por benefi cirio, para R$250 mil, enquanto para o Programa de Gerao de Emprego e Renda Rural (Proger Rural) sero disponibilizados R$500 milhes do programa Moderfrota, a 7,5% a.a., incorporando, ainda, aumento no limite de renda para R$250 mil para enquadramento no programa e elevao no limite de fi nanciamento para R$150 mil.

    Ressalte-se a criao do Programa de Estmulo Produo Agropecuria Sustentvel (Produsa), com alocao de recursos originrios do BNDES prevista em R$1 bilho, que objetiva incentivar a recuperao de reas degradadas para retorno ao sistema de produo, alm de colaborar com a adoo de sistemas sustentveis.

    Produtividade

    A produtividade do trabalho industrial, defi nida como a razo entre o ndice de produo fsica do setor e o indicador do nmero de horas pagas ao pessoal ocupado assalariado na produo fabril, ambos divulgados pelo IBGE, aumentou 1,1% em 2008, aps alta de 4,1% no ano anterior. Essa elevao refl etiu a ocorrncia de aumento de 2,2% na produtividade da indstria de transformao, contrastando com o recuo de 1,9% assinalado na indstria extrativa mineral. Dentre os setores pesquisados, as maiores variaes aconteceram nas atividades vesturio, 10,1%, e fumo, 7,7%. Houve reduo signifi cativa na produtividade dos setores de coque, refi no de petrleo e lcool, 10%, e de mquinas e aparelhos eltricos, eletrnicos de preciso e de comunicao, 8,2%.

    A produtividade do trabalho industrial registrou acrscimo em oito das dez unidades federativas pesquisadas pelo IBGE, em especial no Paran, 7,2%, no Esprito Santo, 6,6%, e em Pernambuco, 6,5%, enquanto em Minas Gerais e na Bahia o indicador apresentou quedas respectivas de 3% e 1%.

    A produtividade mdia do setor agrcola, defi nida como a razo entre a produo de gros e a rea colhida, ampliou-se em 5,3% no ano. A produo de fertilizantes agrcolas, segundo a Associao Nacional para Difuso de Adubos (Anda), apresentou recuo anual de 9,6%, enquanto suas importaes recuaram 12,1%, resultando em retrao de 8,9% na demanda total. As vendas de mquinas agrcolas expandiram-se 42% no ano, de acordo com a Anfavea, registrando-se aumentos nas vendas de mquinas colheitadeiras, 87,5%; tratores de rodas, 38,7%; e mquinas cultivadoras, 18,3%.

  • I A Economia Brasileira 33

    Quadro 1.14 Consumo aparente de derivados de petrleo e lcool carburanteMdia diria (1.000 b/d)Discriminao 2006 2007 2008

    Petrleo 1 368 1 423 1 485 leos combustveis 88 95 89 Gasolina 326 318 324 leo diesel 672 716 769 Gs liquefeito 203 207 211 Demais derivados 79 86 91

    lcool carburante 194 262 336 Anidro 88 101 108 Hidratado 107 161 228

    Fonte: ANP

    Energia

    A produo de petrleo, incluindo lquido de gs natural (LGN), cresceu 3,4% no ano, ante 1,3% em 2007, considerando dados da Agncia Nacional de Petrleo (ANP). A produo mdia situou-se em 1.896 mil barris/dia ante 1.833 mil barris/dia no ano anterior, registrando o maior patamar em setembro, 1.946 mil barris/dia, e o menor em maro, 1.835 mil barris/dia. A produo de gs natural elevou-se 18,6% em 2008, atingindo a mdia de 371 mil barris/dia.

    O total de leo processado nas refi narias permaneceu praticamente estvel em relao ao ano anterior, recuo de 0,1%, atingindo 1.742 mil barris/dia. A participao do petrleo nacional manteve-se estvel, em 77%, enquanto a importao de petrleo recuou 1,6% no ano, atingindo 394 mil barris/dia. As exportaes apresentaram elevao de 2,8%, situando-se em 433 mil barris/dia.

    O consumo de derivados de petrleo aumentou 4,4% no mercado interno em 2008, com nfase nos aumentos registrados nos segmentos gasolina de aviao, 11,1%; leo diesel, 7,5%; querosene de aviao, 6,6%; e demais derivados de petrleo, 6,5%. A demanda por gasolina automotiva e gs liquefeito de petrleo (GLP) aumentou 1,9% e 1,6%, respectivamente. Houve recuos relativos ao consumo de querosene para iluminao, 21%; e leos combustveis, 6,6%. O consumo de lcool aumentou 28,5%, refl etindo o crescimento das vendas de automveis com a tecnologia bicombustvel, registrando-se acrscimos nas vendas de lcool hidratado, 41,6%, e de lcool anidro, 7,5%.

    O consumo nacional de energia eltrica expandiu 3,6% em 2008, de acordo com a Empresa de Pesquisa Energtica (EPE), empresa pblica federal vinculada ao Ministrio de Minas e Energia (MME). Ocorreram elevaes nos segmentos comercial, 5,5%; residencial, 5% e industrial, 2,3%. O consumo de outros segmentos no listados entre eles, iluminao pblica, servios e poderes pblicos e o setor rural apresentou aumento anual de 3,1%.

  • 34 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

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    Jan 2007

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan 2008

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

    Grfico 1.9Taxa mdia de desemprego aberto

    %

    Fonte: IBGE

    Quadro 1.15 Consumo de energia eltrica1/

    GWh

    Discriminao 2006 2007 2008

    Total 358 095 378 551 392 014

    Por setores

    Comercial 55 474 58 739 61 963

    Residencial 86 071 90 300 94 856

    Industrial 164 775 175 423 179 434

    Outros 51 775 54 089 55 761

    Fonte: EPE

    1/ No inclui autoprodutores.

    A anlise por regio evidenciou a ocorrncia de acrscimos no consumo de energia eltrica nas regies Centro-Oeste, 5,8%; Sudeste, 4,6%; Sul, 4,4%; Norte, 4,3%; e Nordeste, 3,4%, no perodo comparativo.

    Indicadores de emprego

    O desempenho da atividade econmica em 2008 proporcionou desdobramentos positivos, em termos quantitativos e qualitativos, sobre as condies do mercado de trabalho, no obstante os impactos da crise externa observados no ltimo trimestre.

    De acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do IBGE, a taxa de desemprego mdia nas seis principais regies metropolitanas do pas atingiu 7,9% em 2008, representando recuo de 1,4 p.p. em relao a 2007. Esse movimento resultou, em especial, do crescimento de 3,4% observado na ocupao, equivalendo criao de 625 mil novos postos de trabalho na rea de abrangncia da pesquisa, 98% dos quais com a carteira assinada. No mesmo perodo, o nmero de empregados sem carteira recuou 0,4%, enquanto o contingente de trabalhadores por conta prpria cresceu 0,4%.

  • I A Economia Brasileira 35

    4,5

    5,0

    5,5

    6,0

    6,5

    Jan2007

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan2008

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

    %

    Grfico 1.10Nvel de emprego formal

    Variao percentual em 12 meses

    Quadro 1.16 Emprego formal Admisses lquidasEm mil

    Discriminao 2006 2007 2008

    Total 1 228,7 1 617,4 1 452,2

    Por setores

    Indstria de transformao 250,2 394,6 178,7

    Comrcio 336,8 405,1 382,2

    Servios 521,6 587,1 648,3

    Construo civil 85,8 176,8 197,9

    Agropecuria 6,6 21,1 18,2

    Servios industriais de utilidade pblica 7,4 7,8 8,0

    Outros1/ 20,3 25,0 19,0

    Fonte: Ministrio do Trabalho e Emprego (MTE)

    1/ Inclui extrativa mineral, administrao pblica e outras.

    De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministrio do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados 1.452,2 mil postos de trabalho com carteira de trabalho assinada em 2008, terceiro melhor resultado desde o incio da pesquisa, em janeiro de 1985. O nmero de trabalhadores com carteira assinada cresceu 6,4% no ano, resultado de expanses generalizadas no nvel de emprego dos principais setores da economia, atingindo 6,7% no comrcio, 6% nos servios e 5,6% na indstria de transformao. Ressalte-se o desempenho da construo civil, que pelo terceiro ano consecutivo apresentou taxa de expanso acima da mdia, registrando crescimento de 17,4% em 2008.

    Indicadores de salrios e rendimentos

    A mdia anual do rendimento mdio real habitualmente recebido pelos ocupados nas seis regies metropolitanas abrangidas pela PME atingiu R$1.260,08, em valores de dezembro de 2008, elevando-se 3,4% em relao ao ano anterior e alcanando o maior patamar desde 2003. Note-se que o ritmo de crescimento dos rendimentos acelerou no

  • 36 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

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    Jan 2007

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan 2008

    Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

    Grfico 1.11Rendimento mdio habitual real

    2005

    =100

    Fonte: IBGE

    Quadro 1.17 Rendimento mdio habitual das pessoas ocupadas 2008Variao percentual

    Discriminao Nominal Real1/

    Total 9,9 3,4

    Posio na ocupao

    Com carteira 8,5 2,0

    Sem carteira 7,6 1,3

    Conta prpria 10,7 4,1

    Por setor

    Setor privado 8,9 2,4

    Setor pblico 10,7 4,1

    Fonte: IBGE

    1/ Deflacionado pelo INPC. Abrange as regies metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, So Paulo e Porto Alegre.

    segundo semestre do ano, quando cresceu 4,5% em relao ao mesmo perodo de 2007,aps elevao de 2,3% no semestre anterior, considerado o mesmo tipo de comparao. A massa salarial real, produto do rendimento mdio real habitualmente recebido pelo nmero de ocupados, cresceu 6,9% em 2008.

    Indicadores de preos

    A acelerao registrada nas taxas de infl ao em 2008, em relao ao ano anterior, esteve infl uenciada pelo comportamento dos preos livres, que traduziu a intensifi cao do ritmo da atividade econmica, o aumento dos preos dos alimentos e a elevao dos preos monitorados. A variao do IPCA, calculado pelo IBGE, atingiu 5,90%, situando-se no intervalo estipulado como meta pelo CMN no mbito do regime de metas para a infl ao.

  • I A Economia Brasileira 37

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    5

    6

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    Mar 2006

    Jun Set Dez Mar 2007

    Jun Set Dez Mar 2008

    Jun Set Dez

    % e

    m 1

    2 m

    eses

    Grfico 1.12ndices de preos ao consumidor

    IPCA INPC IPC-Fipe

    0

    5

    10

    15

    20

    Fev 2007

    Abr Jun Ago Out Dez Fev 2008

    Abr Jun Ago Out Dez

    IGP-DI e seus componentes

    IGP-DI IPA

    % em 12 meses

    Fontes: IBGE, Fipe e FGV

    0

    10

    20

    30

    40

    Fev 2007

    Abr Jun Ago Out Dez Fev 2008

    Abr Jun Ago Out Dez

    IPA segundo a origem

    IPA IPA-OG-PIIPA-OG-PA

    % em 12 meses

    0

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    Mar 2006

    Jun Set Dez Mar 2007

    Jun Set Dez Mar 2008

    Jun Set Dez

    % e

    m 1

    2 m

    eses

    IPCA

    IPCA ComercializveisNo comercializveis Monitorados

    ndices gerais de preos

    O ndice Geral de Preos Disponibilidade Interna (IGP-DI), calculado pela FGV, que agrega o ndice de Preos por Atacado Disponibilidade Interna (IPA-DI), o ndice de Preos ao Consumidor Brasil (IPC-Br) e o ndice Nacional do Custo da Construo

  • 38 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    (INCC), com pesos respectivos de 60%, 30% e 10%, registrou variao de 9,10% em 2008, ante 7,89% no ano anterior.

    As variaes anuais dos trs componentes do IGP-DI registraram acelerao em 2008. O IPA-DI, evidenciando o comportamento dos preos no comrcio atacadista, em resposta alta dos preos dos produtos industriais, cresceu 9,80% no ano, ante 9,44% em 2007, com os preos dos produtos industriais elevando-se 12,96% e os relativos aos produtos agrcolas, 1,64%, ante 4,42% e 24,82%, respectivamente, em 2007. O IPC-Br aumentou 6,07% e o INCC, 11,87%, ante, na mesma ordem, 4,60% e 6,15% em 2007.

    ndices de preos ao consumidor

    O IPCA, divulgado pelo IBGE, aumentou 5,90% em 2008, registrando-se elevao de 3,27% nos preos dos bens e servios monitorados1 e de 7,05% nos preos livres, ante 1,65% e 5,73%, respectivamente, no ano anterior. A variao anual do IPCA, indicador que considera a cesta de consumo de famlias com rendimento mensal entre um e quarenta salrios mnimos, constituiu-se na sexta menor desde o incio de sua divulgao, em 1980.

    O desempenho do IPCA no ano refl etiu aceleraes nos preos monitorados, de 1,65% para 3,27%, evidenciando o fi nal do impacto da reduo dos preos de energia eltrica e o aumento da taxa de gua e esgoto; e nos preos livres, de 5,73% para 7,05%, resultado associado intensifi cao do ritmo da atividade econmica e ao comportamento dos preos dos alimentos, em especial dos itens arroz, feijo-preto, carnes, tubrculos, razes e legumes, acares, po francs.

    A variao do ndice Nacional de Preos ao Consumidor (INPC), calculado igualmente pelo IBGE, atingiu 6,48% em 2008, ante 5,16% em 2007. Essa variao, superior assinalada pelo IPCA, evidencia a maior participao, 30,31%, do grupo alimentao e bebidas no INPC, ante 22,76% no IPCA, tendo em vista que o INPC considera a cesta de consumo de famlias com rendimento mensal de um a seis salrios mnimos, para as quais o comprometimento da renda com gastos de alimentao relativamente maior.

    O ndice de Preos ao Consumidor (IPC), calculado pela Fundao Instituto de Pesquisas Econmicas (Fipe)2, tambm refl etiu o ritmo da atividade econmica e a alta dos preos dos alimentos, crescendo 6,16% em 2008, ante 4,38% no ano anterior.

    1/ Entende-se por preos monitorados aqueles que so direta ou indiretamente determinados pelos governos federal, estadual ou municipal. Em alguns casos, os reajustes so estabelecidos por contratos entre produtores/fornecedores e as agncias de regulao correspondentes, como nos casos de energia eltrica e de telefonia fi xa.

    2/ Para famlias com rendimento entre um e vinte salrios mnimos na cidade de So Paulo.

  • I A Economia Brasileira 39

    Quadro 1.18 Participao de itens no IPCA em 2008Variao percentual

    Itens IPCA

    Pesos1/ Variao Variao Contribuio Participao

    acumulada acumulada acumulada no ndice2/

    em 2007 em 2008 em 2008

    IPCA 100,00 4,46 5,90 5,90 100,00

    Refeio 3,97 7,79 14,46 0,57 9,74

    Carnes 2,15 22,15 24,01 0,52 8,75

    Empregado domstico 3,13 9,50 11,04 0,35 5,86

    Po francs 1,19 7,92 19,35 0,23 3,89

    Arroz 0,61 -1,90 33,94 0,21 3,51

    Higiene pessoal 2,31 2,30 7,34 0,17 2,87

    Tubrculos, Razes e Legumes 0,62 25,81 20,27 0,13 2,13

    Feijo-preto 0,14 39,02 65,52 0,09 1,61

    Artigos de limpeza 0,78 3,00 11,44 0,09 1,51

    Acar refinado 0,19 -22,73 13,10 0,03 0,43

    Acar cristal 0,14 -28,69 12,71 0,02 0,29

    Aparelhos eletroeletrnicos 1,81 -4,66 -2,82 -0,05 -0,87

    Automvel novo 2,85 1,76 -2,25 -0,06 -1,09

    Automvel usado 1,59 0,09 -4,32 -0,07 -1,17

    Fonte: IBGE

    1/ Mdia de 2008.2/ Corresponde diviso da contribuio acumulada no ano pela variao anual.

    Quadro 1.19 Participao dos grupos no IPCA em 2008Variao percentual

    Grupos IPCA

    Pesos1/ Variao Variao Contribuio Participao

    acumulada acumulada acumulada no ndice2/

    em 2007 em 2008 em 2008

    IPCA 100,00 4,46 5,90 5,90 100,00

    Alimentao e bebidas 22,40 10,77 11,11 2,42 41,02

    Habitao 13,14 1,76 5,08 0,67 11,36

    Artigos de residncia 4,30 -2,48 1,99 0,09 1,53

    Vesturio 6,51 3,78 7,31 0,48 8,14

    Transportes 20,05 2,08 2,32 0,47 7,97

    Sade e cuidados pessoais 10,75 4,47 5,73 0,62 10,51

    Despesas pessoais 9,74 6,54 7,35 0,72 12,20

    Educao 7,06 4,16 4,56 0,32 5,42

    Comunicao 6,05 0,69 1,78 0,11 1,86

    Fonte: IBGE

    1/ Mdia de 2008.2/ Corresponde diviso da contribuio acumulada no ano pela variao anual.

  • 40 Boletim do Banco Central do Brasil Relatrio Anual 2008

    Quadro 1.20 Principais itens na composio do IPCA em 2008Variao percentual

    Discriminao IPCA

    Pesos1/ Variao Variao Contribuio

    acumulada acumulada acumulada

    em 2007 em 2008 em 2008

    ndice (A) 100,00 4,46 5,90 5,90

    Preos livres 70,13 5,73 7,05 4,92

    Preos monitorados 29,87 1,65 3,27 0,98

    Itens monitorados Selecionados

    Gs veicular 0,11 5,44 23,44 0,03

    Gs encanado 0,10 5,75 13,96 0,01

    P