Relatório de pesquisa - De Minas Para o Mundo, do Mundo Para Minas

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Em um ambiente econômico cada vez mais competitivo, grandes potências como os Estados unidos, França, itália e Reino unido – que ostentaram sua liderança por muitos séculos vêm perdendo espaço para nações emergentes como Cingapura, Hong Kong, China e Coreia do Sul. Em 2010, o relatório de competitividade do imd (World Competitiveness Report)apresentou Cingapura como o país mais competitivo do mundo, seguido de Hong Kong, superando os Estados unidos, que passou para a terceira posição. o Brasil, no mesmo relatório, avança também duas posições, passando do 40º para o 38º lugar. Apesar de alguns fatores como infraestrutura, educação e saúde influenciarem negativamente o posicionamento do país no relatório, sua leve melhora no rendimento geral foi atribuída à avaliação da eficiência de seus negócios e, principalmente, ao seu desenvolvimento econômico recente e à sua capacidade de superação da crise econômica mundial de 2008.

Transcript of Relatório de pesquisa - De Minas Para o Mundo, do Mundo Para Minas

Gesto estratGica do suprimento e o impacto no desempenho das empresas Brasileiras

de minas para o mundo do mundo para minas

Coordenador

Carlos Arruda

Equipe Tcnica

Anderson Leitoguinho Rossi

Lucas Calais Ferreira

Telma Dias Ragonezi

Fabian Ariel Salum

Arthur Ribeiro de Paiva Kux

Bernardo de Assis Meireles

Ncleo de Inovao

RP1105

2Relatrio de Pesquisa - Nova Lima - 2011 - RP 1105

SumRio

Introduo 3

Pesquisa: Gesto da Inovao em grandes empresas mineiras ......................................4

Apresentao .........................................4

Referencial terico ..................................4

Metodologia .........................................14

Critrios para seleo de projetos............47

Concluses ..........................................48

Polticas e aes de inovao em Minas Gerais e outras regies do mundo.......60

O sistema regional de inovao de Minas Gerais .................................................60

Consideraes finais ..................................84

Anexos ....................................................89

Minicasos ............................................89

Listagem completa de empresas universo.............................................102

Listagem completa de contatos..............104

3Relatrio de Pesquisa - Nova Lima - 2011 - RP 1105

eiNtRoduo

m um ambiente econmico cada vez mais competitivo, grandes potncias como os Estados unidos, Frana, itlia e Reino unido que ostentaram sua liderana por muitos sculos vm perdendo espao para naes emergentes como Cingapura, Hong Kong, China e Coreia do Sul. Em 2010, o relatrio de competitividade do imd (World Competitiveness Report)1 apresentou Cingapura como o pas mais competitivo do mundo, seguido de Hong Kong, superando os Estados unidos, que passou para a terceira posio. o Brasil, no mesmo relatrio, avana tambm duas posies, passando do 40 para o 38 lugar. Apesar de alguns fatores como infraestrutura, educao e sade influenciarem negativamente o posicionamento do pas no relatrio, sua leve melhora no rendimento geral foi atribuda avaliao da eficincia de seus negcios e, principalmente, ao seu desenvolvimento econmico recente e sua capacidade de superao da crise econmica mundial de 2008.

A importncia do estudo da varivel desenvolvimento na economia, embora aparentemente se situe no mbito macroeconmico, passa essencialmente pelo mundo corporativo. A teoria do desenvolvimento econmico de Schumpeter2, cuja primeira publicao data de 1911, apresenta um novo ponto de vista que coloca a inovao como a principal causa de mudanas descontnuas no que ele chamou de fluxo circular da economia. Essas mudanas descontnuas no fluxo circular geram o desenvolvimento econmico. As inovaes, consideradas pelo autor como novas combinaes, seriam um fenmeno inerente ao meio produtivo e comercial das organizaes.

Embora o principal objetivo de Schumpeter na poca tenha sido propor uma alternativa aos modelos econmicos clssicos da teoria vigente, ele acabou por estabelecer a inovao como um importante foco de estudos, no s na macroeconomia, mas principalmente numa abordagem micro, cujo objeto de anlise passa a ser o empreendedor. Afinal, se o desenvolvimento econmico era basicamente influenciado pela inovao, sendo essa ltima um fenmeno inerente s lideranas organizacionais, no de se espantar que os meios acadmico e empresarial tenham voltado seus olhares para ela.

1 WoRLd ECoNomiC FoRum. World Competitiveness Report. imd, 2010. 2 A Teoria do desenvolvimento econmico, de Joseph Alois Schumpeter, foi inicialmente publicada na Alemanha, em 1911, e posteriormente traduzida para o ingls, em 1934, quando tambm recebeu pequenas mudanas e incrementos pelo autor.

desde ento, vrios pesquisadores incorporaram a inovao em seus estudos, ou at mesmo a trataram como tema central, como foi o caso dos autores Burns e Stalker3. No trabalho publicado em 1961, eles analisaram 20 indstrias diferentes na Inglaterra e classificaram os ambientes externos s organizaes daquele momento como estveis e previsveis e instveis e previsveis. Enquanto os ambientes estveis exigiam estruturas organizacionais mais rgidas, portanto mais mecnicas, ambientes mais instveis demandariam estruturas flexveis, que abrissem espao para a inovao. Sugerindo vrias caractersticas desejveis s empresas nesse sentido, os autores serviram no s ao desenvolvimento da teoria contingencial das organizaes como tambm influenciaram uma srie de outros trabalhos, nas correntes tericas evolutiva e cognitiva4.

J na segunda metade da dcada de 80, a inovao organizacional passa a ser vista de forma sistmica, com modelos dinmicos5 que cobriam no s a nfase estruturalista, mas tambm a funcionalista do tema. isso quer dizer que a gesto da inovao compreenderia no s a definio de estruturas e estratgias pr-inovao, mas tambm aspectos rotineiros como a gerao e implementao de ideias, a cultura organizacional, processos e rotinas do dia a dia, entre outros. o cerne do conceito de modelo sistmico permanece o mesmo hoje em dia. os principais modelos de inovao dos ltimos anos tentaram agrupar diferentes combinaes e relaes entre essas variveis com o objetivo de entender ainda melhor esse fenmeno.

o Ncleo de inovao da Fundao dom Cabral tambm vem tentando compor esse debate. Atuando desde 2003, seus trabalhos de treinamento e parcerias com empresas de diferentes tamanhos e setores e pesquisas realizadas no tema permitiram um entendimento terico e prtico significativo de como a inovao se manifesta nas empresas. Esse entendimento se traduziu na concepo de um modelo sistmico de inovao enraizado em estratgia, cultura organizacional, estrutura e sistemas de gesto, processos e indicadores6. Diante da experincia do Ncleo de inovao nesse tema, o Governo de minas e a Secretaria de Estado de Cincia, tecnologia e Ensino Superior (Sectes-mG) convidaram, em 2009, a Fundao dom Cabral a trabalhar em conjunto no projeto de minas para o mundo e do mundo para minas.

3BuRNS, tom; StALKER, G. m. The management of innovation. Oxford University Press, 1961. 4tidd, Joseph; BESSANt, Paul. Gesto da inovao. Longman, 2008. 5 ROTHWELL, Roy. Sucessful industrial innovation: critical factors for the 1990s. R&d management, 1992. 6ARRudA, Carlos; RoSSi, Anderson; SAVAGEt, Paulo. Criando as condies para inovar. Revista DOM, Nova Lima, 2009.

4Relatrio de Pesquisa - Nova Lima - 2011 - RP 1105

o objetivo desse projeto reside na proposio de polticas pblicas que fomentem a atividade inovadora do meio empresarial de Minas Gerais. Para isso, foram definidas atividades em quatro fases. As fases i e ii se relacionam ao vis de minas para o mundo, enquanto as fases iii e iV esto relacionadas ao vis do mundo para minas.

Na fase I, houve extensa reviso bibliogrfica sobre a gesto da inovao e suas variveis. de um ponto de vista cronolgico, cujo marco teria sido estabelecido por Schumpeter, percorreram-se diferentes correntes, teorias e modelos. Alm disso, foram trabalhados em especfico os pilares do Modelo FDC de Inovao, que ser apresentado mais frente.

Na fase ii, a equipe do Ncleo de inovao realizou pesquisa de campo sobre o processo de inovao de 60 grandes empresas sediadas no estado. Foram feitas visitas presenciais, entrevistas semiestruturadas e a aplicao de survey visando posterior anlise quantitativa e qualitativa do material coletado. os mtodos, as anlises e os resultados se encontram nos tpicos seguintes deste documento.

A fase III contou com pesquisa bibliogrfica e de campo acerca do tema polticas pblicas de fomento inovao. Foi realizada pesquisa exploratria sobre o Sistema Regional de inovao de minas Gerais, o SRi-mG, os programas, aes, projetos existentes, principais agentes, estratgias de atuao e interaes do sistema, bem como pesquisa bibliogrfica e de campo acerca do tema em outras regies do mundo. Foi tambm realizada uma visita ao Canad, na tentativa de estabelecer um benchmarking potencial para estratgias locais.

Finalmente, a fase iV, paralela s outras trs, contou com seminrios sobre inovao conduzidos sob a responsabilidade da Fundao dom Cabral, com palestrantes como o professor Robert Wolcott, da Kellogg School of management, e o dr. Flvio vila, da Embrapa. Nesse caso, o objetivo foi o conhecimento e a disseminao de outros trabalhos interessantes, de cunho terico e prtico, sobre gesto da inovao.

As principais anlises, resultados e consideraes dessas atividades sero apresentados a seguir. Alm disso, sero propostas algumas recomendaes ao Governo do Estado de minas Gerais, no intuito de promover um ambiente favorvel inovao. Espera-se que as informaes, anlises e propostas aqui discutidas sirvam ao debate da inovao no Estado, e que, ao melhor entend-la, possamos construir um cenrio competitivo mais promissor para as empresas dessa regio.

PESquiSA GESto dA iNoVAo Em GRANdES

EmPRESAS miNEiRAS

APRESENtAo A reviso terica, na tentativa de um entendimento mais aprofundado do processo de inovao organizacional, serviu como base conceitual para a fase posterior, que seria orientada por uma pesquisa de campo. A pesquisa emprica teve como objetivo a realizao de um diagnstico da inovao perante um contexto bem especfico, o de grandes empresas mineiras que investem parte de sua receita em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovao.

de um universo inicial composto por 243 grandes empresas (acima de R$60 milhes de dlares conforme definio do BNDES em 2009) com sede no Estado de minas Gerais, foi realizada uma breve pesquisa exploratria nesse grupo, na tentativa de identificar aquelas companhias que comporiam uma amostragem r