Revista Humana - nº6 - out-nov-dez 2008

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Revista Humana - nº6 - out-nov-dez 2008

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  • Aes que geram resultadosAA aposta no crescimento da empresa novamente foi a base para investimentos agora feitos em novas estruturas e reformas de unidades de atendimento. So aes que geram resultados de

    forma direta e indireta. Os usurios, clientes e colaboradores so beneficiados com espaos mais amplos, padronizados e que refletem o sucesso desta instituio com 17 anos de uma histria embasada no trabalho, planejamento e com viso de futuro.

    As manifestaes positivas sobre esses projetos so essenciais para ns. Impem-se novos desafios e vontade de seguir crescendo e, principalmente, atender melhor. O que garantido pela sintonia perfeita entre boa estrutura fsica, tecnologia e a melhor equipe profissional, na ponta, atendendo clientes, e na retaguarda, dando o suporte necessrio. Arrumamos a casa, mais uma vez, de modo a retornar a quem confia a vida e a sade de pessoas queridas s nossas mos tenha certeza de que esta sim nossa prioridade.

    Atualmente, so mais de cinco mil clientes f inais (pessoas fsicas e jurdicas) e 220 mil usurios be-neficiados pelos planos de sade do CCG. Cifras que demonstram o crescimento de nossa instituio, mas, sobretudo, a base de relacio-namento que criamos calcada no ser humano e pautada na tica e na responsabilidade com a vida. Alm disso, tambm traamos objetivos que nos fortalecem e, acreditamos, sejam nossos deveres. Campanhas de comunicao buscam cons-cientizar nossos pblicos nos cuidados com a sade e tambm na preservao dos bens naturais, ambos finitos. Queremos uma comunidade sadia e consciente das atitudes que pode tomar para colaborar com a construo de dias melhores.

    Este ano foi de inmeras realizaes e trouxe resultados. Nossa proposta foi cumprida: sermos a melhor operadora de planos de sade do Rio Grande do Sul. No entanto, nosso perfil empreendedor e comprometido com quem acredita em nosso trabalho no se aco-moda. Sabemos que possvel evoluir ainda mais, crescer e satisfazer quem nos faz grandes e, por isso, buscamos a vanguarda, a solidez empresarial e o futuro, j notrio, temos garantido.

    Carlos Eduardo RuschelSuperintendente

    ndice

    Humanauma Revista do CentRo ClniCo GauCHoano 2 - no 6 - out/nov/dez - 2008

    3

    editoRial

    seesEditorial ....................................................3EntrEvista - Maria da PEnha ...................... 18CrniCas ..........................................28 E 30EsPao livrE ............................................29

    mediCina e sadeatEno - hErPEs oCular PodE CEgar ........... 7

    talassEMia - a vida EM transfuso ..............8

    CnCEr dE MaMa - a Cura tEM PrEssa ......... 10

    orElhas dE abano - QuEixa EsttiCa ..........11

    EsClErosE MltiPla - sorratEira E iMPrEvisvEl.... 12

    aliMEnto funCional - gostoso E faz bEM ....14

    odontologia dEsPortiva - sorriso vitorioso .... 16

    vEnda dirEta - dE Porta EM Porta ..............17

    nEuroCistiCErCosE - ContaMinao E infECo ... 25

    vigorExia - ExagEros do Culto ao CorPo ....27

    Gesto da mediCina em GRupo e neGCiosinvEstiMEntos 2008 ..................................4CliEntE saudvEl JaCkwal s/a ................6Profissionais dE dEstaQuE dr. Jos luiz fattorE Jnior E ldEr dE unidadE karinE ElizabEth haag ........................................31novidadEs CCg ................................32 E 33Por dEntro da rEdE radiMagEM ..............34

    Unidades de Atendimento Alvorada - Cachoeirinha - Canoas - Esteio

    Gravata - Guaba - Porto AlegreSo Leopoldo - Viamo

    Confira endereos acessando o site www.centroclinicogaucho.com.br

    Centro Administrativo Rua Coronel Frederico Linck, 25

    Porto Alegre - RS - CEP 90035-010Fone (51) 3287-9200

    Os usuriOs, clientes e cOlabOradOres sO beneficiadOs cOm espaOs mais amplOs, padrOnizadOs e que refletem O sucessO desta instituiO

  • 4Expanso em 2008

    Ocrescimento dos negcios, de-corrente do aumento no nmero de clientes, e a necessidade da uniformizao das estruturas fsicas e dos processos de trabalho das 25 Unidades de Atendimento do Centro Clnico Gacho (CCG) so os motivos das reformas, ampliaes e construo de novos espaos. Desde maro deste ano, a instituio investe nestas obras. Ao se preparar para crescimentos populacionais futuros, a empresa se mantm atenta aos seus clientes e s possibilidades que o mercado apresen-ta, diz o gerente de Unidades, Jos Alberto Reinicke.

    As novidades passam pela inaugu-rao da Central Odontolgica em So Leopoldo (rua Lindolfo Collor, 816), que oferece atendimento de duas no-vas especialidades: endodontia (para usurios que precisam de aes sobre as enfermidades na polpa dental, como

    Novos espaos, reformas e ampliaes nas Unidades do Centro Clnico Gacho garantem padronizao de

    estruturas e processos e conforto aos usurios

    Reflexo dos bons negcios

    tratamentos de canal) e odontopedia-tria (destinado a crianas), alm dos servios que j eram prestados, como os de clnica geral odontolgica.

    O espao abriga seis consultrios e o local da antiga Unidade (situado na mesma rua, no nmero 834) foi reorganizado para acolher a Central de Diagnsticos, com exames de eletroencefalograma e ecograf ia, medicina do trabalho, posto de coleta do Laboratrio Marques DAlmeida e uma rea para realizao de pequenas cirurgias.

    De acordo com o gerente da Uni-dade, Leandro Antnio de Paula, a Central de Diagnosticos traz atendi-mento diferenciado, ampla recepo, ambientes exclusivos e oferece alguns tipos de tratamento que antes no eram disponibilizados. No ms de outubro, mais uma inaugurao tam-bm contemplou a cidade, a Unidade

    Peditrica (rua So Joo, 1147) abriga trs consultrios, sala de nebulizao e pequenos curativos e recepo, e funciona de segundas a sextas-feiras, das 7h s 19h.

    Em Alvorada foi inaugurada, em setembro, a segunda Unidade de Atendimento na cidade, a Central de Especialidades (av. Presidente Getlio Vargas, 1221). Ginecologia, dermatologia, psicologia, urologia, fonoaudiologia, otorrinolaringologia e nutrio so as especialidades dis-ponveis para atendimento com hora marcada so cerca de 100 consultas dirias. Alm disso, a Central mantm ainda um posto de coleta do Laborat-rio Marques D'Almeida e disponibiliza exames de ecografia. O atendimento acontece de segundas a sextas-feiras, das 7h s 19h.

    unidades de poRto aleGReTrs Unidades da capital gacha

    receberam melhorias. A Central de Especialidades (av. Alberto Bins, 391) foi revitalizada e salas de espera para o setor de autorizao de exames e

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    Na Central de Diagnsticos em Porto Alegre as reformas na estrutura fsica vieram acompanhadas de melhorias no atendimento e nos horrios

  • 5para consultas de especialidades m-dicas foram criadas. Com a instalao de mais oito consultrios mdicos, o atendimento clnico est sendo rea-lizado no segundo andar.

    Na Central de Diagnsticos (av. Alberto Bins, 799) as reformas na estrutura fsica da unidade vieram acompanhadas de melhor ias no atendimento e nos horr ios. Os ambientes f icaram mais claros e em conformidade com o padro do CCG para suas reas de assistncia sade. Novas salas de consultrios mdicos foram construdas e a capa-cidade de atendimento das reas de ecografia, fonoaudiologia, nutrio e exames de raio X foi ampliada em cerca de 30%.

    As recepes gerais foram des-centralizadas, toda a estrutura fsica foi melhorada e o nmero de servios de diagnstico foi ampliado, conta a gerente da Unidade, Mrcia De Nardin. Segundo ela, os benefcios so percebidos pelos usurios e cola-boradores da empresa, que elogiam e usufruem das novas instalaes.

    O espao fsico da Unidade Zona Norte (av. do Forte, 171) teve aumento de 620 m. Entre as novidades, esto 12 novos consultrios mdicos to-talizando 33 salas de atendimento , a criao do setor de autorizao de exames, mais uma sala de raio X e reforos no atendimento de urgncia. A rea do Laboratr io Marques DAlmeida ser transferida para a frente do prdio. Entre os servios oferecidos na unidade, esto a co-lonoscopia, eletrocardiograma, eco-cardiograma, endoscopia, ecografia e anlises clnicas.

    RelaCionamento Com ClientesAs reestruturaes tambm foram

    estendidas a Central de Marcao de Consultas, que passou por reformas fsicas, recebeu contrataes de profis-sionais e novos equipamentos e refor-mulou seus horrios de funcionamento. O nmero de posies de atendimento passou de 28 para 35 e o espao para descanso foi ampliado. Mais 19 opera-dores foram contratados, totalizando a equipe de 75 atendentes.

    Todas as melhorias resultaram em a instituio ter o segundo maior call center prprio do Rio Grande do Sul, enumera a coordenadora do Relacio-namento com Clientes, Mrcia Santos. A Central de Marcao de Consultas atende de segundas a sextas-feiras, das 7h s 22h, e aos sbados das 8h s 16h pelo telefone (51) 3287 9222

    ReCuRsos Humanos

    Decorrente do processo de expan-so, foram contratados profissionais. Os colaboradores que ingressaram na instituio passaram por treinamento de integrao com o objetivo de co-nhecer a filosofia empresarial, com-preender os processos e compartilhar informaes. Os mdicos tambm re-cebem acompanhamento de um lder mdico durante sua fase de adaptao empresa, disseminando as diretrizes e os procedimentos operacionais de trabalho da rea.

    O setor de RH realiza o planeja-mento, elaborao e operacionaliza-o de todas as etapas do Programa de Integrao de Colaboradores (PIC). O desenvolvimento da fora de traba-lho entendido como premissa para o alcance da melhoria contnua da empresa. Por estar em uma rea de prestao de servios de sade, o foco na capacitao, desenvolvimento e reteno dos talentos da empresa, destaca a gerente de Recursos Hu-manos, Simone Chaiben Furini. Alm disso, os colaboradores recebem o treinamento denominado Atender

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    bem faz bem, que tem o objetivo de preparar a equipe para a excelncia no atendimento ao paciente da rea da sade.

    Um MBA com durao de 18 me-ses vai capacitar gestores em Gesto Estratgica da Sade. As aulas devem iniciar no primeiro trimestre de 2009. O grupo inicial ter 30 participantes e o formato adotado in company, em uma parceria com o Instituto de Administrao Hospitalar e Cincias da Sade (IAHCS), da capital gacha.

    investimentos em tiCerca de R$ 300 mil foram investi-

    dos na melhoria da rede de sistemas do CCG desde 2007. A migrao do sistema operacional para a plataforma Microsoft, backup de dados com autoloader IBM, software de backup Symantec e novos switches Cisco Catalyst foram algumas das melhorias instauradas segundo o gerente de TI, Leandro Mller.

    Alm desses equipamentos, para o suporte do Datacenter foram adquiri-dos dois nobreaks com desempenho para at 120 minutos sem energia eltrica e implantados trs servido-res com Windows Terminal Services que atendem 150 usurios de sites. Os servios desenvolvidos junto aos clientes e colaboradores se tornaram ainda mais qualificados com estes investimentos, agregando segurana, rapidez e a preservao de informa-es armazenadas e a recuperao. Trata-se de investimentos slidos e constantes, explica Mller. P

    A Central Odontolgica em So Leopoldo oferece atendimento de duas novas especialidades: endodontia e odontopediatria

  • 6Cliente saudvel

    Cliente h 13 anos

    Com mais de 200 colaboradores, a Jackwal S/A, indstria do Estado que atende o mercado brasileiro e internacional, conta com o Centro

    Clnico Gacho para assistir sua equipe

    e a busca constante pelo aperfeioa-mento tecnolgico, justifica.

    Tambm em sintonia com seu tempo, possui responsabilidade social, segue o diretor-presidente. Desenvolvemos aes visando a atender normas ambientais, preser-vando o meio ambiente. Efluentes potencialmente poluidores so tra-tados e a gua transita em circuito fechado. Os materiais slidos gerados, como plsticos, papelo e metais, so separados, acondicionados e enviados para reciclagem, relata. Ao longo de sua histria, foram sendo recupera-dos bosques nativos na rea onde est instalada e plantadas centenas de rvores.

    Com 210 colaboradores, a propos-ta oportunizar um ambiente interno harmnico e instigante. Queremos que encontrem aqui desafios e opor-tunidades de crescimento, coloca. Tambm cuidamos do ambiente fsico, dos uniformes, da refeio ofe-

    Fundada em 1930, a Jackwal S/A fabrica artigos de gs e acess-rios para banheiro no Distrito Industrial de Gravata, no Rio Grande do Sul. Idealizada pelo gacho J. Aloys Griebeler, iniciou-se em uma pequena oficina, fabricando fogareiros e maaricos de querosene presso. Atualmente, seus produtos chegam a todo o Brasil e exporta para pases da Amrica Latina e frica.

    Em maio deste ano, o engenheiro mecnico Evandro Rech Pereira da Costa assumiu o cargo de diretor-presidente. Com passagens por em-presas como Tramontina e Estaleiro S, o diretor j havia trabalhado na Jackwal S/A entre 1993 e 1996, retor-nando em 2002.

    O avano da indstria baseado no compromisso com a satisfao do cliente e o desenvolvimento de pro-dutos de qualidade, segundo Costa. Agimos em harmonia e adotamos a tica nas relaes com nossos pblicos

    recida, da segurana, do treinamento e da sade.

    H 13 anos, a Jackwal S/A oferece equipe o plano de sade do Centro Clnico Gacho. So 550 pessoas, ao todo, entre funcionrios e depen-dentes. O atendimento prestado pelo Centro Clnico Gacho se d de forma tranqila e nossos beneficirios esto satisfeitos, finaliza. P

    Acessrios para banheiro esto entre os produtos da empresa

    A indstria est localizada na rua J. Aloys Griebeler, 20, Distrito Industrial de Gravata (RS). O site www.jacwkal.com.br

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  • 7Esta infeco por vrus pode se repetir quando se passa por perodos de estresse

    herpes tipo 1 nos olhos. Existem dois tipos de herpes: o zster e o simples. O herpes zster, tambm conhecido por cobreiro, causado pelo mesmo vrus responsvel pela catapora (varicela). Trata-se de uma doena de pele caracterizada por vesculas que acometem o trajeto de um nervo, at ingindo grande estrutura, com vermelhido em sua base. Esse vrus pode aparecer em qualquer parte do corpo, causa muita dor e pode ser o primeiro sinal de doenas mais graves como cncer, Aids ou diabetes, explica a especialista.

    J o herpes simples, mais comum, divide-se em tipo 1 e tipo 2. O pri-meiro acontece prevalentemente na boca, mas pode se manifestar em vrias partes do corpo, e o tipo 2 atinge principalmente a rea genital, tanto no homem como na mulher. O vrus do herpes simples, Herpesvirus hominis, tem quadro clnico que varia de benigno a grave. A transmisso da infeco ocorre por contato social e as partculas virais infectam pela mucosa. A primo infeco herptica encontrada em indivduos que nunca tiveram contato prvio com

    Tudo comea com uma infeco na crnea, muitas vezes con-fundida com conjuntivite ou uma simples inflamao bacteriana. Os olhos comeam a incomodar, doem, lacr imejam e a fotofobia (sensibilidade luz) intensa. Po-dem aparecer vesculas pequenas bolhas, com base avermelhada e eroses na conjuntiva ou na crnea, que provocam ardor e dor. Esses so os principais sintomas de um tipo de herpes que pode levar a complica-es srias: herpes ocular.

    Essa virose se manifesta por um perodo de duas a seis semanas na chamada primo infeco, ou em sua primeira apario. A partir da, o vrus se instala nos gnglios dos nervos cranianos e espinhais e pode voltar a se manifestar outras vezes, depois de perodos de muito estres-se, problemas de sade recorrentes, queimaduras de sol e, conseqente-mente, da queda de resistncia do organismo.

    os vRios tipos de HeRpes Segundo a dermatologista De-

    nise Steiner, o herpes ocular nada mais que uma manifestao do

    Ateno

    Herpes ocular pode cegaro vrus sem proteo imunolgica, completa Steiner.

    Os tipos 1 e 2 do herpes simples apresentam as mesmas caractersticas. Para Cludio Fernandes Corra, dire-tor do Centro de Dor e Neurocirurgia Funcional do Hospital Nove de Julho, as leses provocadas pelo herpes tipo 1 se configuram como um grupo de vesculas. Na fase final do surto, surge uma casquinha, parecendo um machucado. Esse tipo de herpes precedido por uma estomatite no tipo 1 ou vulvite (tipo 2).

    Os pacientes infectados pela pri-meira vez no esto isentos de desen-volver a doena novamente. O que deve ser controlado a queda de resistncia da pessoa para que no haja recidivas. Quando reativado por vrias causas relacionadas imunossupresso, ele pode reaparecer na pele e na mucosa. O vrus pode ser transmitido mesmo na ausncia de leses clnicas, sem sinal de infeco, acrescenta Steiner, para quem a infeco deve ser tratada o mais rpido possvel, pois pode causar ulceraes profundas, comprometendo os nervos.

    Quando o quadro evolui para lceras e crostas, precisa ser dife-renciado da Sndrome de Stevens-Johnson e infeces bacterianas. A infeco na rea dos olhos torna o problema mais grave por causa da sensibilidade das estruturas na regio. O comportamento da regio ocular no o mais freqente, mas tem repercusso mais comprome-tedora, pois pode haver presso, ardncia e dor que muitas vezes se confundem com enxaqueca ou conjuntivite.

    De acordo com os especialistas, imprescindvel tratar essa patolo-gia com medicamentos especficos, como pomadas of talmolg icas antivirais ou colrios, que ajudam a combater o vrus impedindo-o de se multiplicar. Mas, mesmo com tratamento adequado, pode haver seqelas c icatr ic iais na crnea, com diminuio da intensidade

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    Neusa PiNheiro

  • 8visual. Dependendo da localizao e extenso da lcera, acontece uma necrose do tecido corneal por causa da invaso de microorganismos da crnea. Se a infeco atingir uma das camadas mais profundas da crnea vrias vezes, de forma mais agressiva, pode levar cegueira.

    A dermatologista Denise Steiner ressalta que, em alguns casos, a prescrio de cremes para uso local pode ajudar, mas, na verdade, no existe ainda um creme especfico para esse caso. Sabe-se, no entanto, que h um medicamento em desen-volvimento. Trata-se de uma droga

    denominada Resiquimod, do grupo dos imunomoduladores, que no ataca diretamente o vrus, mas faz com que o paciente fique mais resis-tente a ele, ou seja, o seu mecanismo imunolgico ir defend-lo de novos surtos. [email protected]

    Ateno

    Talassemia

    A vida em transfuso Forma mais grave deste tipo de anemia necessita que o paciente seja transfundido periodicamente

    No Brasil, predomina a beta-ta-lassemia apresentada em trs tipos: minor (ou trao talassmico), inter-mdia e major. Na [anemia] major o paciente necessita de constantes transfuses de sangue. J a inter-mdia, a pessoa tem uma discreta anemia e ocasionalmente recebe uma transfuso e, por fim, o que chamamos de trao talassmico ou minor, a pessoa no sente nenhum sintoma ou s vezes tem uma fraque-za quando faz algum exerccio, por exemplo, afirma Verssimo.

    No estgio mais grave, a criana tem um aumento do bao, fgado ou deformaes sseas, devido a problemas na medula, o que lhe acarreta receber sangue. Em razo das constantes sesses [dependendo do paciente ocorrem a cada 20 dias], os transfundidos acumulam ferro no organismo e necessria sua retirada. Se no feito isso, pode-se lesionar rgos importantes, como o corao, completa a especialista.

    Para a remoo de ferro do orga-nismo, o paciente submetido ao tra-tamento de quelao. Em mdia, so de 8 a 12 horas recebendo a medicao por meio de uma bomba infusora, com o quelante parenteral acoplado ao cor-po. Cabe ao hematologista recomendar o(s) quelante(s) necessrio(s) para cada caso. Atualmente existem trs tipos de quelantes: um injetvel (por meio de bomba infusora) e dois orais. O governo federal, pelo Sistema nico de Sade (SUS), dispe gratuitamente de dois destes quelantes, exceto as bombas infusoras.

    Grcia e Itlia, a talassemia carac-teriza-se por uma anemia crnica, hereditria, que afeta a capacidade da produo de hemoglobina, pig-mento dos glbulos vermelhos que responde pelo transporte de oxignio para o organismo. Quando ocorre um desequilbrio da cadeia de pro-tena alfa e beta (so duas de cada), h a mutao do tamanho das he-moglobinas. Esse problema impede a fabricao da hemoglobina normal, alm dos glbulos vermelhos serem menores, explica Mnica Verssi-mo, hematologista responsvel pelo banco de sangue do Centro Infantil Boldrini, de Campinas, interior de So Paulo (SP).

    OMinistrio da Sade iniciou em julho ltimo uma cam-panha de conscientizao sobre a importncia da doa-o de sangue. Em nmeros, o Brasil no tem muito a comemorar: apenas 1,8% da populao doadora regular, nmero aqum de pases como Cana-d e Inglaterra que ultrapassaram os 5% recomendados pela Organizao Mundial da Sade (OMS). Cada bolsa de sangue disponvel nos hemocen-tros do pas ajuda pessoas em situa-es de risco, em especial um seleto grupo de brasileiros que sofre de uma rara anemia: a talassemia.

    Conhecida como anemia do Me-diterrneo, por incidir em regies da

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  • 9Se um dos pais tem o trao talassmico ( minor), h probabilidade de 50% de nascer uma criana com talassemia minor e 50% de chance de a criana nascer sem talassemia.

    Entretanto, se ambos os pais tm talassemia minor, existe a chance de 25% de gerarem um filho portador de talassemia major, forma mais grave da doena.

    Outra esperana est no trans-plante de medula ssea, mas ainda requer estudos e h restries aos pacientes, explana a hematologista: A quelao oral, aliada aos quelantes injetados, proporciona um tratamen-to personalizado ao paciente, garan-tindo qualidade de vida e a adeso adequada. Existem tambm estudos sobre o transplante de medula ssea, mas, para que seja realizado com sucesso, preciso que o doador seja aparentado (irmo) e no portador de talassemia. Quem sabe no futuro se descobrem outras solues, alm das existentes, ou novidades sobre o transplante de medula ssea. Pes-quisas so feitas e avanos foram conquistados na rea gentica, mas h ainda muito para se fazer.

    Segundo dados da Associao Brasileira de Talassemia (Abrasta), h pouco mais de 600 portadores de talassemia cadastrados. A falta de informao o principal obst-culo na vida do talassmico. Paulo Furstenau, analista de Comunicao da Abrasta, comenta que alguns mdicos no tm um entendimento pleno do assunto. Fizemos neste ano uma ao nas universidades,

    levando profissionais e portadores de talassemia para que contassem aos alunos sobre diagnsticos e tra-tamentos. Nosso enfoque foram os cursos de Medicina, principalmente os residentes de hematologia e pe-diatria. No sabemos o porqu, mas muitos deles acabam por diagnosti-car na criana nos primeiros anos de vida um quadro de talassemia como de uma anemia forte, diz.

    No fcil o diagnstico da disfuno, pois os sintomas, j men-cionados pelos entrevistados, so confundidos com os de uma anemia

    pRobabilidade das foRmas de talassemia

    mais acentuada: fadiga, irritabili-dade, vulnerabilidade a infeces, atraso no crescimento, respirao curta, palidez e falta de apetite. Nesta investigao, o exame eficaz para a identificao da talassemia, segundo os especialistas, a eletro-forese de hemoglobina. A anlise, feita com uma pequena amostra de sangue (entre 3 e 5 ml), est dispon-vel em vrios laboratrios, inclusive na rede pblica. Furstenau fr isa sobre a importncia deste exame, principalmente para as gestantes. Se os pais tm trao talassmico, as chances de o filho nascer com talassemia major so de 25% [veja quadro]. Pesquisa da Academia de Cincia e Tecnologia de So Jos do Rio Preto (SP) mostrou que 0,5% a 1,5% dos brasileiros tm talassemia minor, o que equivale a quase 3 mi-lhes de pessoas. A gestante e o pai devem pedir ao seu mdico o exame de eletroforese de hemoglobina. Incentivamos isso para que propor-cionem o tratamento o mais breve possvel ao filho. Seguindo todo o procedimento, a criana ter uma vida normal, analisa.

    A Abrasta, fundada em 1982, em So Paulo, oferece suporte com atendimento jurdico e psicolgico gratuito aos familiares dos pacientes, divulga o tema em conferncias (aos profissionais de sade) e jornadas (direcionadas a pacientes, familiares e interessados), alm de pertencer Federao Internacional de Talasse-mia (TIF). Os membros da associao tambm vo aos hemocentros no Dia Internacional da Talassemia, 8 de maio, presentear doadores sang-neos. Fazemos ao longo do ms de maio campanhas nos hemocentros como gesto de agradecimento ao doador. No ano passado entregamos carto feito por um artista plstico portador de talassemia e neste ano um marcador de livro. Isso frisa a fidelidade doao e conscientiza que o sangue doado ajuda outras pessoas, conta Furstenau. Gestos simples que estimulam a oferta de gotas de vida. [email protected]

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  • 10

    Cncer de mama

    A cura tem pressaO diagnstico precoce aumenta as chances de cura

    e a maioria no sabe como detectar a doenaMama (Femama) encomendou uma pesquisa ao Instituto DataFolha, que ouviu mais de 500 mulheres. O sinal de alerta soou quando se constatou que o auto-exame, sempre muito es-timulado pelas campanhas nacionais de sade, considerado pela maioria das entrevistadas como suficiente para o diagnstico do cncer de mama, ignorando a mamografia.

    Segundo a presidente da entidade, a mastologista Maira Caleffi, a mamo-grafia permite que se identifique o tumor de mama em uma fase em que ele ainda no percebido pelo toque, o que aumenta significativamente as chances de o tratamento interromper o ciclo da doena. Por isso, a mdica alerta para os resultados da pesquisa que revelam que as brasileiras tm apenas informaes parciais sobre a doena.

    As mulheres sabem que o cncer de mama grave, traz riscos sade e que as chances de cura aumentam com o diagnstico precoce. Mas o que preocupa que elas desconhe-cem o principal exame disponvel para detectar a doena logo no incio, diz Maira.

    A mdica lembra que existem alguns fatores de risco j conhecidos, como a obesidade, o tabagismo, no ter engravidado ou ter engravidado tardiamente, consumo de lcool e o uso excessivo de hormnios ex-genos. Outras causas estudadas esto relacionadas aos fatores emo-cionais, como depresso e estresse; ao sedentarismo e alimentao, completa.

    Estudos divulgados recentemen-te pelo Journal of the National Can-cer Institute confirmam que os hbi-tos de vida interferem na incidncia da doena. Segundo a instituio, mulheres que realizam exerccios fsicos regularmente e mantm uma dieta sadia tm menos depsitos de gordura na ps-menopausa (fase em que maior a incidncia da doena) e, conseqentemente,

    doena. Com diversos casos de cncer na famlia, ela sabe que teve sorte, mas o final feliz no seu caso se deve princi-palmente ao diagnstico precoce, que aumenta em 50% as chances de cura.

    No sempre que isso acontece, pois a ignorncia a respeito da doena, somada falta de acesso a tratamentos de ponta, se reflete nas estatsticas. O tumor de mama ainda o segundo tipo de cncer mais freqente no mundo o primeiro entre as mulheres e deve atingir 49 mil brasileiras ainda este ano, de acordo com as estimativas do Instituto Nacional do Cncer (INCA). O ndice de maior incidncia est na regio Sudeste, com estimativa de 71 casos para cada 100 mil habitantes. Calcula-se que 134 casos so diag-nosticados por dia no pas ou cinco novos casos por hora e que cerca de dez mil mulheres morrem anualmente no Brasil em decorrncia das neoplasias mamrias.

    sinal de aleRtaPreocupada com esses dados, a

    Federao Brasileira das Entidades Filantrpicas de Apoio Sade da

    Rose tomou anticoncepcionais por dez anos e um tanto se-dentria. Mesmo assim, man-tm o peso equilibrado, nunca fumou, foi me com pouco mais de 30 anos e amamentou sua nica filha. Ela no difere da maioria das mulheres da sua gerao, mas tem um bom plano de sade e a possibilidade de realizar exa-mes peridicos. Isso fez a diferena na hora de enfrentar um cncer de mama, detectado pela mamografia.

    Graas ao procedimento, foi des-coberto um carcinoma lobular in situ, grau 3 nuclear, na mama esquerda, considerado de difcil diagnstico, uma vez que no apresenta sintomas e no havia sido identificado nos exames realizados 14 meses antes. Parte das clulas cancergenas foi retirada ainda na bipsia a vcuo (mamotomia) e o restante foi removido em uma cirur-gia, sem a necessidade da retirada da mama ou de uma grande extenso do tecido sadio.

    Da experincia restou uma pequena cicatriz e o tratamento com tamoxi-feno, medicao que deve tomar por cinco anos, para evitar a recidiva da

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    Orelhas de abano

    Queixa esttica de efeito psicolgicoParte do corpo que no pra de crescer, as orelhas

    proeminentes mexem com a auto-estima

    Os principais incomodados so os adolescentes. Sofrem em si-lncio por conta de um simples detalhe na aparncia, mas que pode render brincadeiras e gozaes dos coleguinhas. As orelhas muito abertas ou protuberantes so um defeito que no costuma causar danos, mas psi-cologicamente pode ser um problema perturbador. H casos em que esses adolescentes at evitam o convvio social na tentativa de se esquivar de comentrios maldosos.

    A orelha de abano resultado de uma ou mais deformidades associa-das, entre as quais as mais comuns so a ausncia ou diminuio da an-tlice (dobra mais externa da orelha) hipertrfica da concha e do lbulo

    da orelha proeminente e de tamanho desproporcional.

    Segundo a cirurgi plstica e professora da Unifesp Universi-dade Federal de So Paulo, Lydia Masake Fer reira, o diagnst ico desse tipo de deformidade envolve muita conversa e exame f sico. No primeiro contato deve-se levar em conta a queixa esttica do pa-ciente, julgando-se a existncia e o tamanho real do defeito. Muitos pacientes apresentam distores na auto-imagem e na auto-estima desproporcionais ao tamanho real do defeito, diz ela.

    Pacientes com esse perfil tendem a projetar suas frustraes e angstia num defeito fsico e acabam por gerar expectativas irreais ao resultado da cirurgia. Se no forem tomados os devidos cuidados em relao indica-o, a orientao e o esclarecimento sobre os resultados esperados podem

    menor produo de estrgeno, um dos hormnios associados ao cncer de mama.

    A doena mais rara em mulhe-res com idade abaixo dos 35 anos, mas pode ocorrer. Todas as mulheres com mais de 40 anos apresentam algum risco, que cresce de acordo com o aumento da idade, alerta a presidente da Femama.

    Por essa razo, a Comisso de Sade da Cmara de Deputados discute o projeto que deve reduzir a faixa etria das mulheres atendidas gratuitamente pelo SUS. Atualmente, a mamografia na rede pblica s disponvel para mulheres a partir dos 50 anos.

    pesquisa e tRatamentos

    A pesquisa realizada pelo Insti-tuto DataFolha, no incio do ano, para avaliar o conhecimento das brasileiras sobre o cncer de mama, revelou que, apesar de a maioria das

    mulheres reconhecer que o diagns-tico precoce aumenta a possibilidade de cura, apenas 35% apontam a ma-mografia como a principal forma de diagnstico disponvel. Do total das entrevistadas, 82% se lembraram do auto-exame e 31% do mdico, apesar de 79% reconhecerem o cncer de mama como uma ameaa sade.

    Realizada nas quatro cidades que apresentam o maior nmero de casos da doena, conforme o ranking do INCA Porto Alegre, So Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, a pesquisa tambm revelou que para 68% das entrevistadas a quimioterapia ainda a principal forma de tratamento e apenas 4% citaram as novas terapias existentes.

    RessonnCia maGntiCaDesde maro de 2007, a Socieda-

    de Americana de Cncer recomenda o exame anual de ressonncia mag-ntica para pacientes que, por terem

    histrico de casos na famlia, apre-sentam maior risco de desenvolver cncer de mama. No Brasil essa no a regra, mas a indicao vem se tornando cada vez mais freqente. A informao do radiologista Jacob Szejnfeld, mdico chefe do Cura, laboratrio paulista de diagnsticos. Ele explica que a tcnica tambm muito eficiente para os casos com-provados de neoplasias e em pacien-tes com mamas densas.

    O ex-presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Digenes Basgio, acredita no crescimento da prtica nos prximos anos. O ideal que j fosse rotina, mas o alto custo ainda impede, diz. O exame custa cerca de R$ 1,5 mil, valor acima das possibilidades da maioria da popula-o, mas, quando existe a indicao com embasamento, muitos planos autorizam sua realizao, garante Basgio. [email protected]

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    Neusa PiNheiro

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    Esclerose mltipla

    Sorrateira e imprevisvelDoena inflamatria do sistema nervoso central atinge

    principalmente adultos jovens entre 20 e 40 anos

    As primeiras manifestaes da do-ena so espordicas, acontecem sem aviso, duram cerca de uma semana ou dez dias e desaparecem. Viso turva, falta de sensibilidade em um dos membros do corpo de um s lado, tremores. E a esclerose mltipla pode voltar anos depois. exatamente pela sua imprevisibilidade e sutileza nos sintomas que a esclerose mltipla se torna difcil de ser diagnosticada. Isso sem falar no fato de que os sinto-mas vo e voltam independentemente do tratamento.

    A incidncia maior entre as mu-lheres e pessoas de raa branca e de pases do hemisfrio Norte. A, o ndice de prevalncia de cem doentes por cem mil habitantes/ano. No hemisfrio Sul, a incidncia cai para um a cinco doentes por cem mil habitantes. No Brasil, a EM atinge cerca de 22 mil pessoas. Se descoberta logo no incio, possvel mant-la sob controle pro-porcionando vida normal ao paciente por muitos anos.

    se tornar problemticos no ps-operatrio, alerta a especialista.

    Histrico de cicatrizao hipertr-fica e quelide deve ser pesquisado dada a grande presena e tendncia de alterao de cicatrizao nessa regio. O exame fsico deve ser minu-cioso, pois visa identificar as altera-es existentes nas diversas unidades anatmicas. A documentao bsica feita por fotos, explica a professora Lydia Masake Ferreira.

    inCidnCia e tRatamento Orelhas de abano (ou em abano,

    como dizem alguns especialistas) representam a deformidade mais freqente na regio da cabea e do pescoo, estando presente em cerca de 5% das crianas com um ano de idade. A cirurgia plstica consiste em um dos procedimentos mdicos mais freqentes. Atualmente existem mais de 200 tcnicas corretivas des-critas no mundo, que se aplicam em diferentes casos graas s diferentes causas de deformaes possveis nessa regio. Elas variam de simples incises na cartilagem, recesso, su-turas, moldagem das orelhas com materiais plsticos e metlicos.

    Embora no acarretem problema funcional, as deformidades da orelha provocam importantes distrbios psi-cossociais. Essas alteraes estticas expem os portadores a repetidas situaes de zombaria, principalmente na infncia, o que pode acarretar di-minuio nos nveis de auto-estima, confiana e nas relaes sociais, preju-dicando seu desenvolvimento social.

    O cirurgio plstico Edmar da Fontoura esclarece que a correo seja feita cedo para evitar problemas que surgem na fase escolar. s vezes, um pequeno defeito na aparncia da criana pode render apelidos, brin-cadeiras e gozaes dos amiguinhos e colegas, diz ele. Os mais afetados pelo problema so os adolescentes, que podem se tornar arredios, calados e anti-sociais. As crianas evitam a companhia dos colegas para fugir dos comentrios crticos e maldosos.

    O problema geralmente provoca-do por uma deformidade congnita.

    muito comum outras pessoas da famlia apresentarem o mesmo defeito. Estu-dos cientficos mostram que aos trs anos as orelhas j atingem 85% do seu desenvolvimento e continuam a cres-cer at os 13 anos em espessura e at os 15 em tamanho explica a doutora Masake Ferreira. Segundo ela, indica-se a otoplastia (cirurgia das orelhas) com segurana a partir dos cinco anos.

    A orelha em abano pode se ori-ginar no desenvolvimento excessivo da cartilagem conchal (posterior) que projeta a orelha para fora. Ou, ainda, na dobra da antlice, que faz a ore-lha parecer maior do que , ficando, alm disso, inclinada para fora. H tambm o mau posicionamento do lbulo, explica o cirurgio Fontoura

    que esclarece ainda: O ideal que a correo seja feita logo cedo, para evitar aborrecimentos que surgem na fase escolar. No caso de bebs, mes e avs acreditam que o problema pode ser corrigido com o uso de espara-drapo ou fita crepe, mas os mdicos desaconselham essa prtica. H at quem use adesivos para no dobrar as orelhas do beb.

    Para os especialistas, um plane-jamento cirrgico adequado deve considerar as deformidades e cada parte da orelha separadamente para que, quando tratada individualmen-te, produza resultado harmonioso e natural. O certo quando as orelhas no apresentam nenhum sinal de terem sido operadas. P

    Orelhas de abano

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    De acordo com Dagoberto Cal-legaro, coordenador do Ambulatrio de Esclerose Mltipla do Hospital das Clnicas, presente no Serono Symposia International, que aconteceu em maio ltimo, em So Paulo, com a partici-pao de neurologistas brasileiros e internacionais, fatores como lumino-sidade, sexo e cor da pele esto rela-cionados incidncia da doena. Nos pases do Norte, onde a luminosidade menor, a prevalncia da esclerose mltipla maior. O motivo a falta da vitamina D3, acarretada pela baixa luminosidade. Essa vitamina funciona como um monomodulador que inibe as clulas inflamatrias e protege as que seriam atacadas. H maior inci-dncia da doena nas pessoas que nasceram no vero e que tiveram a maior parte da gestao em meses com menor luminosidade, diz o especia-lista, para quem outros fatores, como o tipo de dieta, tambm influenciam a prevalncia da doena.

    Embora no se conheam as causas dessa doena crnica, lentamente pro-gressiva, sabe-se que ela se caracteriza pela chamada desmielinizao perda da substncia mielina, que envolve os nervos. Ou seja, por algum motivo ainda no descrito, o sistema imunol-gico passa a agredir a bainha de mie-lina do sistema nervoso central como se desencapasse os filamentos dos nervos, formando-se, ento, placas

    disseminadas de desmielinizao no crnio e medula espinhal.

    Como se manifesta de diver-sas maneiras, a esclerose ml-tipla pode no ser reconhecida de imediato e, assim, levar a terapias equivocadas. A doena chega a causar debilidade em pernas e braos, reduo visual unilateral, falta de coordenao motora, incontinncia urinria, andar hesitante, perda de audi-o e dor facial. E esses sintomas podem aparecer isoladamente ou no.

    Apesar de a doena atingir principalmente adultos jovens, entre 20 e 40 anos, crianas e adolescentes tambm podem desenvolver esclerose mltipla.

    Atualmente, ela atinge cerca de dois milhes de pessoas em todo o mundo. De acordo com o professor Alain Gab-bai, da Unifesp Universidade Federal de So Paulo, um nico estudo feito em 1997, na cidade de So Paulo, pelos centros de esclerose mltipla da Santa Casa, Hospital das Clnicas e Escola Paulista de Medicina apontou de dez a quinze casos da doena em cada cem mil habitantes.

    tRatamento Com ConfoRtoTrabalhos apresentados durante o

    Serono Symposia International foram unnimes em afirmar que os esfor-os das pesquisas cientficas esto voltados para tornar o tratamento da esclerose mltipla mais eficaz e mais confortvel para o paciente. Entre os avanos previstos para os prximos anos, est o uso de medicamentos orais que podero unir a eficcia dos tratamentos j existentes ao conforto

    da medicao oral, o que eliminar a utilizao de injees, diz Callegaro.

    Segundo o neurologista Ludwig Kappos, chefe do ambulatrio de neu-rologia da Universidade de Basel, na Sua, presente quele evento, alm de eliminarem os inconvenientes da medicao subcutnea, os medica-mentos orais permitiro a combina-o entre drogas e o tratamento de diferentes padres de manifestao da doena.

    Com a medicao oral, pode-se combinar drogas entre si e avaliar seu efeito. Os medicamentos que esto em fase de estudos tm diferentes nveis de ao e permitem a combinao de outras drogas como os imunomodu-ladores, o que pode aumentar a sua eficcia em cada paciente, acrescen-tou o neurologista suo.

    Ainda no existe um tratamento definitivo para a cura da esclerose mltipla. Entre os tratamentos dis-ponveis esto os imunomodulares, imunossupressores e corticosterides. Durante os primeiros anos o paciente tem surtos freqentes que podem impedi-lo de andar ou enxergar.

    Passado o surto, o paciente se recupera. Porm, depois de dez anos, cerca de 50% dos portadores sofrem danos progressivos e irreversveis no sistema nervoso. Se o tratamento for institudo no incio da doena, esta fase grave pode ser retardada, preservando a qualidade de vida do paciente.

    Nos perodos de piora da doena so utilizados corticides. Condutas fisioterpicas e de reabilitao tambm so muito teis em alguns casos. O Ministrio da Sade fornece a medi-cao gratuitamente aos portadores da doena. P

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    Alimento funcional

    O ato de alimentar-se pode ser um grande aliado na preveno de doenas

    natureza. So esses antioxidantes que ajudam a prevenir as doenas inflamatrias, como as doenas do corao, explica.

    Segundo Daniela, alm de as frutas, verduras e legumes apre-sentarem preo acessvel grande parte da populao, os efeitos para o organismo so sentidos rapidamente. Essa uma grande vantagem da dieta. Normalmente, os pacientes reclamam da demora em perceber os resultados, mas com os alimentos funcionais possvel verificar melho-ras no equilbrio do peso corporal, do bem-estar, do funcionamento intestinal, exemplifica.

    De acordo com a SBAF, os alimentos funcionais no possuem contra-in-dicao e seu consumo no necessita de acom-panhamento mdico. Mas Daniela tem uma opinio ligeiramente diferente. Segundo ela, apesar de praticamente no haver problemas com os alimentos fun-cionais, importante observar as caracte-r sticas especf icas de cada indivduo, prin-cipalmente para otimizar os resul-tados. Jamais vou recomendar a ingesto de peixe para um paciente com problemas de cicatrizao, por exemplo, por causa do mega 3. As pessoas apresentam organismos diferentes, metabolismos diferentes. Sou a favor do acompanhamento de um profissional, afirma. Por outro lado, Daniela lembra que pessoas com depresso, normalmente, apre-sentam nveis plasmticos menores de

    Funcionais (SBAF), est presente em vegetais, frutas, cereais integrais e peixe. O consumidor pode ainda recorrer aos alimentos processados pela indstria. Mas, para isso, precisa estar atento s informaes constan-tes dos rtulos nas embalagens. De qualquer maneira, importante res-saltar que, para obter os benefcios dos alimentos funcionais, preciso consumi-los de maneira regular.

    J a nut r ic ionista Daniela Jobst , ps-graduada em Nutrio Clnica Funcional, tem uma opinio um pou-co diferente. Para ela, o ideal consumir os al imentos func ionais como verduras, legumes, frutas e peixe, evitando os industrializados. H

    boas opes como o atum enlatado, porm os alimentos processados apresentam conservantes, corantes e espessantes, que no so saud-veis para o organismo, explica. E a nutricionista d uma dica valiosa. Para obter uma boa mistura das substncias presentes nos alimentos funcionais, procure fazer um prato colorido. Cerca de cinco cores dife-rentes, somando legumes e verduras, resultam em um prato bastante nu-tritivo. Os alimentos roxos, como amoras, morangos, framboesas, so

    grandes depsitos de antioxi-dantes, que so produzi-

    dos pelos vegetais como forma de defesa contra

    os predadores da

    Comer, sem dvida, um dos grandes prazeres da vida. E o que dizer se a comida, alm de saborosa, contribuir efetivamente para a diminuio da incidncia de doenas oxidativas e inflamatrias? Assim so os alimen-tos funcionais. Integram essa classe aqueles que, alm de nutrir, afetam de maneira benfica uma ou mais funes do corpo. Esses alimentos so capazes de melhorar a sade e o bem-estar, redu-zindo o risco de doenas e, at mesmo, diminuindo os sintomas daquelas que j esto instaladas.

    Para ser considerado fun-cional e a Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (Anvi-sa) est de olho nisso , um alimento deve conter em sua composio substncias como: cidos graxos mega 3, esteris, flavonides, antocianinas, limonides, resveratrol e quercetina, catequinas, isoflavo-nas, betaglucana, isotiocianatos e indol, licopeno, lutena e zeaxantina, lignanas, sulfetos allicos, fibras e probiticos. E a primeira pergunta que vem a cabea : como identificar substncias de nomes to complexos na simples alimentao cotidiana? O cenrio no to difcil quanto parece.

    A maior parte dessas substn-c ias , segundo a S o c i e d a d e B r a s i l e i r a de Alimentos

    liliaNe simeo

    Gostoso e faz bem

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    mega 3, em comparao a pessoas sadias. Assim, a ingesto de peixes de guas profundas e geladas como atum, salmo, arenque, sardinha e da semente de linhaa poderia

    ajudar sobremaneira a evitar o agravamento do quadro ou o surgimento da doena em pes-

    soas saudveis. Segundo ela, a combinao de uma dieta balan ceada, acompanhamento psicolgico e a prtica de exerccios fsicos pode ser a chave para a preveno e at cura da depresso.

    O cardiologista e nutrlogo do Hospital do Corao, de So Paulo, Daniel Magnoni , faz coro com Daniela. Para ele, a alimentao fun-cional encontra lugar especial na medicina preventiva na medida em que pode reduzir as leses decorrentes da

    doena cardiovascular. Isso porque interfere diretamente no desenvolvi-mento e progresso da aterosclerose. Os alimentos funcionais, como a soja e o azeite de oliva, atuam na reduo do LDL-colesterol. O uso rotineiro de mega 3, por exemplo, pode atuar na reduo dos triglicrides, explica. Entre as doenas mais investigadas que podem ser prevenidas por esses alimentos esto as cardiovasculares, cncer, hipertenso, diabetes, doen-as inflamatrias, intestinais, afec-es reumticas e mal de Alzheimer, entre outras.

    Mas o cardiologista ponderado e lembra que os alimentos funcionais no so milagrosos. Segundo ele, a eficcia na preveno de doenas do corao s ser de fato atingida quando uma srie de novos hbitos for adotada. S com a dieta no possvel evitar as doenas cardio-vasculares. preciso manter o peso corporal baixo, reduzir o nvel de

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    estresse, no fumar e incorporar a atividade fsica no dia-a-dia. Para os diabticos, fundamental manter controlados os nveis de acar no sangue, detalha.

    Com relao legislao, quando o assunto so os alimentos fun-cionais industrializados, h duas resolues (no 18 e n 19, de 30 de abril de 1999) editadas pela Anvisa que determinam as regras a serem respeitadas. Os registros demandam relatrios tcnicos que comprovem a eficcia e a segurana dos produtos. E preciso seguir, ainda, as regras referentes s embalagens. O rtulo deve conter as mesmas informaes nutricionais de um produto comum e permitido o uso de alegaes, ou seja, frases que indiquem o benefcio diante do consumo por quantidade de determinado produto. [email protected]

    Algumas substncias naturais que podem prevenir, evitar ou curar enfermidades e distrbiosComponente Propriedades benficas Alimentos

    Bfido-bactrias Favorecem as funes gastrointestinais, produzem vitaminas B12 e K Iogurtes e produtos lcteos fermentados

    Carotenides Antioxidantes, antioncognicos, reduzem o acmulo de plaquetasTomate, cenoura, abbora, espinafre, acelga, frutas ctricas, melo, pssego

    Catequinas Reduzem a incidncia de cncer do intestino, estimula o sistema imunolgico Chs, cerejas, uva, vinho tinto, chocolate

    FlavonidesAt iv idade ant ioncognica. Espasmolt icos, vasodilatadores, antiinflamatrios, antiulcerosos e antioxidantes

    Soja, cenoura, frutas ctricas, pepino, tomate, pimento, berinjela, cereja, salsa

    Licopeno Antioxidante, antioncognico, tolerncia radiao UV Tomate, pimento, melancia, cenoura, mamo

    Oligossacardeos Ativam a microflora intestinal Frutas e cereais

    Ftlidos Simulam a produo de enzimas benficas, que possuem atividade anticarcinognica Cenoura, salsa

    Tanino Antioxidantes, anti-spticos, vasoconstritores Ma, manjerico, uva, caju, manga* Fonte: Decio Luiz Gazzoni - engenheiro agrnomo - Embrapa

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    Odontologia desportiva

    Sorriso vitoriosoA competitividade nos esportes alta, e a sade

    bucal perfeita pode definir um campeo

    sofrido; logo, para um esportista, o melhor a restaurao em resina. O uso de um aparelho ortodntico para alinhar os dentes e combater a respirao bucal pode tornar-se uma arma contra o esportista caso ele sofra alguma pancada na regio, ainda que utilize o protetor bucal.

    Quando pensamos em preveno na Odontologia Desportiva, a primeira cena que nos vem cabea a do boxeador com os lbios protuberantes decorrentes do protetor bucal e os punhos erguidos. Essa imagem no infundada, pois, segundo a National Youth Sports Foundation (NYSSF), dos EUA, nos chamados esportes de con-tato, como boxe, jud, carat, jiu-jtsu, futebol, basquetebol e outros, o risco de o atleta sofrer leses orofaciais varia de 33% a 56% durante a carreira. De acor-do com a Academia Norte-Americana de Odontologia Desportiva, o uso do protetor bucal no esporte reduz em at 80% o risco de perda dentria.

    Atualmente h trs tipos de prote-tores bucais no Brasil: o pr-fabricado, que no tem boa adaptao boca, interfere na fala, na respirao e at na tenso do atleta, que acaba mordendo o protetor constantemente para que ele no saia do lugar; o termoplstico, que o chamado ferve e morde, pois, para adaptar-se melhor aos dentes, colocado na gua quente para amolecer, podendo causar queimaduras na boca; e o protetor personalizado, feito pelo dentista aps a moldagem da arcada dentria. Este modelo no atrapalha na respirao e ainda permite ingerir lquidos sem ter que tir-lo da boca.P [email protected]

    o desempenho do atleta. A Abrodesp realizou todo o tratamento dos meus dentes, eliminando as cries e inflama-es. O fato de o atleta no ter uma boca saudvel faz com que ele tenha uma perda significativa no rendimento, atra-palhando a busca de resultados, disse o pugilista George Arias. O boxeador tem 34 anos e o atual campeo brasileiro de boxe na categoria peso pesado, alm de professor de Educao Fsica. Ele recebeu assistncia da associao.

    Entre os problemas bucais que podem afetar o desempenho dos espor-tistas esto: m ocluso, que pode gerar problemas na mastigao, prejudicar a absoro de nutrientes e provocar dores de cabea; problemas na articulao e dentes ou gengivas infeccionadas, que podem ser a porta de entrada de bac-trias. Alm da respirao bucal, que pode diminuir o rendimento fsico em comparao aos atletas que respiram pelo nariz, hbitos viciosos como roer unhas e bruxismo causam desgaste dos dentes e sobrecarga muscular no sistema mastigatrio, podendo gerar dores de cabea crnicas, entre outras conseqncias.

    Esses problemas tm os efeitos expandidos nos desportistas. Por exemplo, restauraes metlicas so mais duras e podem levar fratura dos dentes dependendo do impacto

    Imagine se a ginasta Daiane dos Santos, aps anos de treinamento para as Olimpadas, no dia da com-petio tivesse dor de dente. O que ela faria? Agora pense no jogador de futebol Kak sem o dente da frente, ser que ainda assim ele seria garoto-propaganda de grandes marcas?

    Alm da importncia esttica, a sade bucal de um atleta serve como garantia de um bom desempenho, pois tem relao direta com outros proble-mas de sade, como respiratrios e circulatrios. Com base nisso muitos clubes j dispem de cirurgies-dentistas nas equipes mdicas para tratar seus desportistas.

    A Odontologia Desportiva, como chamada, ainda recente no Brasil e trabalha em parceria com a Medicina, visando melhorar o rendimento do esportista por meio da sade bucal, pre-venindo e tratando possveis leses na boca decorrentes da prtica esportiva.

    Segundo Hilton Gurgel Rodrigues, consultor em Odontologia Desportiva da ABO Associao Brasileira de Odontologia, a educao e a sade caminham juntas na Odontologia do Esporte. Os atletas, tcnicos, dirigentes e professores de Educao Fsica rece-bem orientao quanto prtica segura do esporte e conscientizao de hbi-tos para uma boa sade da boca e os cirurgies-dentistas avaliam a condio bucal do atleta a fim de prevenir, tratar e reduzir os traumas orofaciais decor-rentes da atividade esportiva, alm de ter conhecimento de substncias que possam causar doping.

    H cerca de sete anos foi criada a Abrodesp Associao Brasileira de Odontologia Desportiva , que surgiu com o interesse de unir a Odontologia com a Educao Fsica e ainda oferecer uma equipe multidisciplinar com dentis-tas, mdicos, nutricionistas, psiclogos e outros profissionais, para melhorar

    camila PuPo

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    Relacionamento tudo para os revendedores autnomos

    atividade. Uma das maiores virtudes da venda direta sua capacidade de abraar profissionais de perfil varia-do, observa Cipriani.

    A ABEVD rene hoje 28 empresas que comercializam seus produtos exclusivamente pela venda direta. Segundo as projees do Comit de Pesquisa desta Associao, o merca-do total de vendas diretas no Brasil tende a ser cerca de 30% maior que o volume de negcios gerado pelos associados da entidade. O mercado brasileiro est entre os maiores do mundo. o quinto maior em volume de negcios e o dcimo colocado no ranking de nmero de revendedores, afirma o presidente da ABEVD.

    Entre as associadas da ABEVD, esto as tradicionais Avon, Natura, Tupperware e Yakult. Todas elas tm na venda direta a nica forma

    de comercializao de seus produtos. Por isso, inves-tem forte em treinamento, reunies peridicas e tro-cas de experincias entre as revendedoras. Af inal, elas so o carto de visita das marcas. Quando o revendedor passa a ser a nica forma do cliente obter os produtos, a em-presa tem mais controle sobre a maneira como os itens so apresentados ao consumidor, pois alto o investimento do setor no treinamento do canal de vendas. No caso da venda pelo varejo, o produto fica simplesmente exposto ao lado de seus concorren-tes, explica Cipriani.

    J para os vendedores, a autonomia um dos maiores atrativos da ativi-dade. Quem atua com venda

    H 50 anos, a Avon trazia para o Brasil uma nova e diferente profisso, com foco principal no pblico feminino: a venda dire-ta. O tempo passou, quase nada foi alterado na forma de atuar, mas essa maneira de obter renda continua firme e forte, independentemente das oscilaes da economia.

    Os dados de mercado comprovam essa afirmao. De acordo com a Associao Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (ABEVD), no primeiro trimestre deste ano, o mercado mo-vimentou R$ 3,7 bilhes, represen-tando um crescimento nominal de 15,2% em relao ao mesmo perodo do ano passado.

    O crescimento tambm pode ser visto no nmero de profissionais que atuam no setor. De acordo com a ABEVD, no Brasil, existem hoje cerca de 1,9 mi lho de revendedores autnomos comercializando produtos pelas vendas diretas. Esta soma tem se expandido em ritmo acelerado: em 2007, a taxa de cres-cimento do chamado canal de vendas diretas foi de 17,8%, a maior j registrada, conta o presidente da entidade, Lrio Cipriani.

    Esse exrcito de ven-dedores dominado am-plamente por mulheres, entre donas de casa, es-tudantes, aposentados e todos aqueles que con-ciliam as vendas diretas com outra atividade para complementar a renda. Em menor nmero, tam-bm existem as pessoas de perfil empreendedor, que se dedicam integralmente

    Venda direta

    De porta em portadireta no tem vnculo empregatcio com as empresas, pode comercializar quantas marcas quiser, gerenciar seu tempo e montar sua prpria estrat-gia. Tudo isso baseado em um grande alicerce, o relacionamento.

    S vendo para as pessoas que conheo ou para aquelas que so bem indicadas. Prefiro no correr o risco de deixar de receber, conta Viviane Cardoso, consultora da Avon. Viviane analista de negcios de uma multinacional americana e se apia na venda direta para seu sus-tento. Meu dia-a-dia na empresa muito corrido. Sou pai e me, no posso deixar faltar nada para meu filho, revela Viviane, me de Allan, de 4 anos.

    A principal estratgia utilizada por ela conhecer bem os produtos que vende. Viviane sabe o que suas clientes gostam e, principalmente, conhece o que lhes cai melhor. Hoje, tem cerca de 20 clientes fiis, que aguardam o catlogo todos os meses para fazerem suas escolhas. Deixo o catlogo cir-culando entre elas. Dou uma dica ou outra e depois entrego meus pedidos. uma tima forma de completar o oramento, acrescenta.

    No caso da Avon, as revendedoras como Viviane compram os produtos para revender aos seus clientes e obtm, em mdia, um lucro de 30%. Entretanto, todas tm a liberdade de negociar sua margem revendendo por preos diferentes dos sugeridos. As empresas atuam como substitu-tas tributrias, calculam e recolhem todos os impostos incidentes sobre a atividade, enquanto o revendedor est desobrigado da emisso de notas fiscais.

    Para se ter uma noo da dimen-so dos negcios da Avon, a empresa possui mais de cinco milhes de revendedoras autnomas no mundo e est presente em mais de cem mercados em todo o planeta. E j comea a despertar o interesse dos homens para a atividade. [email protected]

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    Entrevista

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    Antdoto contra covardia

    "C ontra a covardia, s h um antdoto: a coragem. Esta a lio que Maria da Penha Maia nos ensina com sua histria de vida. Considerada smbolo do combate violncia domstica no Brasil, ela sofreu, aos 38 anos de idade, duas tentativas de homicdio praticadas pelo seu ex-marido. Sobreviveu, mas ficou paraplgica. Desde ento, esta farmacutica cearense no descansou um s minuto na busca por justia. A batalha judicial para punir o seu agres-sor o professor universitrio colombiano Marco Antonio Heredia comeou em 1983 e durou quase duas dcadas. A primeira condenao saiu em 1996, mas Heredia recorreu da deciso e permaneceu em liber-dade. Sua priso s aconteceu em 2002, depois que Maria da Penha denunciou o Estado brasileiro por negligncia Comisso Interamericana dos Direitos Humanos da Organi-zao dos Estudos Americanos. Alm de acolher a denncia, a OEA recomendou ao governo brasileiro indeniz-la. Em 7 de julho deste ano, a farmacutica recebeu, enfim, a indenizao

    da Central de Atendimento Mulher (telefone 180) de janeiro a junho deste ano, 121.891 vti-mas foram atendidas; enquan-to no mesmo perodo de 2007 o nmero de atendimentos chegou a 54.417. O aumento corresponde a 107%. Isto de-monstra que as mulheres esto se sentindo mais confiantes e seguras para tomarem a de-ciso de denunciar, explica Maria da Penha. Leia a seguir a ntegra da entrevista exclusiva concedida por essa guerreira a esta revista.

    sueli zola

    paga pelo governador do Es-tado do Cear. Mas esta no foi sua maior conquista. A verdadeira vitria veio antes, em 2006, com a promulgao da Lei 11.340, que tipifica a vio-lncia domstica como crime. Batizada como Lei Maria da Pe-nha, o instrumento legal j fez crescer o nmero de denncias de agresso. Segundo dados

    Quem diz que a lei inconstitucional so

    pessoas que possuem um comportamento

    machista

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    Maria da Penha

    Como est a situao de violncia contra a mulher, hoje, comparada dcada de 80, quando a senhora iniciou a sua luta?

    Sem dvida alguma, tivemos um avano significativo em relao s polticas pblicas para as mulheres. Para se ter uma idia, quando fui vitimada em 1983 no existia nem a Delegacia da Mulher aqui em Forta-leza. A Lei Maria da Penha veio suprir a demanda de anos de reivindicaes dos movimentos de mulheres.

    Quais foram as principais polti-cas pblicas introduzidas a partir da Lei Maria da Penha?

    A criao de Delegacias Especia-lizadas de Atendimento Mulher (DEAMs), Centros de Referncia da Mulher, Casas Abrigo e Juizados Especiais de Violncia Domstica e

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  • 19

    Familiar. Contamos ainda, em vrios Estados, com Hospitais da Mulher, alm de Centros de Reabilitao do Agressor. Mas, para que essas polticas pblicas se concretizem, importante que os movimentos de mulheres, junto com a sociedade civil, estejam, sempre, cobrando dos ges-tores de seus Estados e municpios a implantao destes equipamentos e outros servios necessrios luta contra a violncia domstica.

    Cresceu, ento, a estrutura insti-tucional de apoio mulher?

    Hoje a mulher vtima de violncia conta com os equipamentos que atendem lei, como, por exemplo, os Centros de Referncia da Mulher, onde ela pode se inteirar de seus di-reitos, alm de receber atendimento de uma equipe multidisciplinar (com psiclogas, assistentes sociais e ad-vogadas) para que encontre suporte e possa romper com o ciclo de vio-lncia no qual vive.

    Todos os municpios so obriga-

    dos a ter esses centros de refern-cia? Como eles funcionam?

    Sim, todas as cidades devem implantar os equipamentos p-blicos previstos na lei. Os Centros de Referncia assistem as vtimas encaminhadas pelas Delegacias da Mulher ou pelos servios pblicos de sade. E, de maneira geral, aten-dem qualquer mulher que queira esclarecimentos sobre a Lei Maria da Penha e outros direitos relacionados tambm sade.

    Aps dois anos de existncia da Lei Maria da Penha, j possvel apurar os resultados?

    S possuo dados do meu Estado. Aqui no Cear, o maior hospital de atendimento pblico o Instituto

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    Dr. Jos Frota registrou, em 2007, reduo de mais de 50% na entrada de mulheres vtimas de violncia em relao ao ano de 2006. O nmero de denncias na Delegacia da Mulher de Fortaleza aumentou em 45% e os casos de reincidncia diminuram em aproximadamente 80%.

    A imprensa divulgou, em julho, uma pesquisa mostrando que o nmero de ligaes para o telefone 180 dobrou no primeiro semestre de 2008 comparado ao mesmo perodo do ano passado. Qual sua avalia-o a respeito desses dados?

    O aumento das denncias de-monstra que as mulheres esto mais confiantes por terem um instrumento legal que garante seu direito de no serem agredidas. A priso dos agres-sores serve de exemplo para que futuras violncias deixem de existir e os agressores comecem a repensar suas condutas.

    A violncia domstica atinge as

    mulheres de todas as classes sociais ou h predominncia entre as clas-ses mais pobres?

    Costumo dizer nas minhas pales-tras sobre o tema que infelizmente a violncia domstica bastante democrtica e atinge todas as clas-ses sociais, nveis culturais, raas e religies. E acontece em todos os lugares do mundo, no somente no

    Brasil, mas tambm em pases ricos e desenvolvidos. Acreditar que s as mulheres pobres e analfabetas apanham do marido um mito que precisa ser desconstrudo e a denn-cia tem que ser feita em qualquer circunstncia.

    Por que a mulher moderna, que trabalha e independente, ainda se submete agresso masculina dentro do lar?

    Vrios so os fatores que fazem com que a mulher no denuncie ou no comente que sofre violncia: vergonha de dizer que isso aconte-ce com ela; medo de criar os filhos sozinha, pois sabemos que quase sempre o agressor o provedor da famlia; a cultura machista que im-pe mulher a condio de "rainha do lar" que suporta tudo calada, e h ainda crenas do tipo "ruim com ele, pior sem ele". s vezes, a mulher, por ter sido criada em um ambiente de violncia, vendo seu pai agredir sua me, tem maior dificuldade de se libertar de um relacionamento em que tambm passa por agresso, pois acha que "normal" passar por isso. Da porque a violncia doms-tica, segundo a Lei Maria da Penha, passou a ser considerada um delito de ao pblica incondicionada. Isto significa que, se a vtima no denunciar o agressor, o Ministrio Pblico poder mover a ao.

    Existe algum tipo de trabalho sendo desenvolvido no sentido de mudar o modelo de masculinidade que d origem agresso?

    Bem, esse um fator sociocultu-ral que no se consegue mudar de um dia para o outro. Entretanto, a Lei Maria da Penha prev a adoo de uma abordagem sobre gnero e relaes entre homens e mulheres

    O Brasil foi negligente em relao ao meu

    caso que, na realidade, era o modelo da

    impunidade existente quanto violncia domstica no pas

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    nos currculos escolares do ensino fundamental. O objetivo que as crianas aprendam, desde cedo, o respeito ao prximo e no reprodu-zam o modelo machista (no qual o homem manda e a mulher obedece) que, hoje, impera na sociedade. Es-tamos lutando para que mais esse aspecto da Lei Maria da Penha seja colocado em prtica.

    Alm da aplicao da lei, o que necessrio fazer para mudar os va-lores sociais que consideram natural o domnio masculino?

    Essa desconstruo se d de for-ma lenta e gradual, mas esse aspecto deve ser trabalhado com persistncia de forma a empoderar as mulheres para que elas possam conhecer seus direitos e desenvolver suas poten-cialidades nas reas profissionais, sociais, culturais e afetivas.

    Alguns (poucos) juzes se re-

    cusaram a aplicar a Lei Maria da Penha, afirmando que a lei in-constitucional. Como a senhora v essa reao?

    No possvel negar a consti-tucionalidade de uma lei que foi aprovada por unanimidade no Con-gresso Nacional. Simplesmente dizer que uma lei inconstitucional no suficiente para que ela seja. Quem diz que a lei inconstitucional so pessoas que possuem um compor-tamento machista. Acho que essas atitudes so por motivao nica e exclusivamente pessoal, pois no cabe aos juzes julgarem uma lei como constitucional ou inconstitu-cional. Cabe ao juiz aplicar a lei para a qual foi criada.

    Aps longa luta, a senhora obteve conquistas importantes, como a in-denizao por parte do governo do

    Cear. Essa vitria repara os danos sofridos?

    Essa vitria, na verdade, represen-tativa, no repara os danos sofridos, mas a coroao de 25 anos de luta por justia. Ela me foi destinada por causa da presso internacional. O Brasil foi negligente em relao ao meu caso que, na realidade, era o mo-delo da impunidade existente quanto violncia domstica no pas. Para mim, no entanto, a maior vitria saber que minha luta culminou com a promulga-o de uma lei que permite toda mulher viver dignamente, sem medo, sem dor e sem opresso. Essa, sem dvida al-guma, a maior conquista.

    Como fica a vida afetiva da mu-

    lher que consegue se libertar de um parceiro violento?

    Essa mulher resgata sua vida. Quando a violncia acaba, a vida recomea!

    A mdia pode contribuir na luta contra a violncia domstica?

    A mdia responsvel pelo con-tedo que entra em nossas casas diariamente pela televiso. Ento, considero o papel social da mdia muito relevante e, por isso, impres-cindvel a termos como uma aliada na divulgao da Lei Maria da Penha e dos direitos humanos.

    Uma das novelas da TV Globo

    apresenta um caso de violncia

    Entrevistadomstica (Catarina e Lo). Esses tipos de personagens ajudam a combater a agresso masculina contra a mulher?

    Acho que isso depender do desfecho que a Catarina ter. de fundamental importncia o autor mostrar, por meio desta per-sonagem, que, hoje no Brasil, as mulheres contam com uma lei que veio libert-las dessa vida de so-frimento e opresso. A personagem Catarina pode servir de exemplo positivo para muitas mulheres que se encontram nessa situao, para que vejam outra sada: elas podem denunciar, podem viver com os fi-lhos sem medo, pois agora o Estado brasileiro lhes garante isso. Tam-bm o marido violento, Lo, pode ser visto como exemplo para que os homens agressores repensem suas condutas.

    A sua coragem tambm serviu

    de exemplo para outras mulheres em situao semelhante sua. Como se sente sendo considerada smbolo de combate violncia domstica no Brasil?

    A Lei 11.340 significa o coroa-mento de uma trajetria nascida da dor e do sofrimento. Eu nunca pen-sei que a minha luta desencadeasse tudo isso e chegasse aonde chegou. O importante para mim saber que eu participei dessa mudana, dei a minha contribuio. uma grande honra emprestar o nome a essa lei que veio resgatar a cidadania e resguardar a dignidade da mulher. Mas bom que se diga que a lei, cujo nome me presta homenagem, no veio para punir homens, mas para educar cidados e cidads e prevenir a prtica de situaes que ferem o desenvolvimento, a auto-estima e a integridade da mulher.

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    uma grande honra emprestar o nome a essa lei que veio

    resgatar a cidadania e resguardar a dignidade

    da mulher

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    Emprego

    Oportunidade e eficincia

    CapaCitao e qualifiCaoApesar de tudo isso, no simples

    a insero de profissionais portadores de deficincia no mercado de traba-lho. E tambm no fica apenas no fator acessibilidade: a falta de quali-ficao e capacitao so alguns dos principais problemas para a contrata-o. De acordo com dados do Censo 2000 do IBGE, a taxa de alfabetizao das pessoas com deficincia foi de 72%, e 32,9% delas tinham pouca (estudaram mais de trs anos) ou nenhuma instruo. Somente 10% concluram o ensino mdio. Vale lembrar que as empresas no podem justificar a falta de capacitao para no contratao da pessoa portadora de deficincia, elas no sero isentas de multa por isso.

    Desde 2005, a Associao de Pais e Amigos dos Excepcionais de So Paulo (APAESP) desenvolve metodologias para a incluso de por-tadores de deficincia intelectual. O Centro de Capacitao e Orientao para o Trabalho (CCOT) promove treinamento aos jovens a partir dos 16 anos nos ramos da indstria, ser-vios e administrao, com durao

    A histr ia de Brasil, no entan-to, no igual de muitos por-tadores de defi-cincia que bus-cam um lugar no mercado de trabalho no pas . Segundo o Censo Demogrfico do IBGE (Instituto Brasileiro de Geo-grafia e Estatstica) de 2000, 14,5% da populao brasileira portadora de def icincia 24,6 milhes de pessoas e apenas 9 milhes delas estavam inser idas no mercado de trabalho na poca. Em 2007, 22.314 t rabalhadores nessas condies conquistaram vagas, quase 12% a mais que no ano anterior. O Sistema Nacional de Emprego (SINE) ofereceu 36.837 oportunidades em todo o pas para este pblico, mas apenas 20% dos postos foram preenchidos no ano passado.

    De acordo com a Lei de Cotas (Lei 8.213 de 1991), as empresas com mais de 100 funcionrios devem re-servar uma porcentagem (que varia de 2% a 5%) de vagas para profis-sionais portadores de deficincia. Essa porcentagem varia de acordo com o porte da firma. Isto , uma cota de 2%, para organizaes de 100 at 200 colaboradores, e cota de 5% para aquelas empresas com mais de mil funcionrios. Essa lei prev multa definida no artigo 133 da Lei 8.213, de 24 de julho de 1991, calculada por meio de critrios defi-nidos na Portaria no 1.199, de 28 de outubro de 2003 s companhias que no cumprirem aquelas cotas.

    "Meu lt imo emprego foi como agente de viagens. Programava passeios, via-jei por vrios lugares do Brasil, s vezes dava uma de guia turstico, fazia pacotes de viagens. Trabalhei nove anos no ramo. Tambm trabalhei na bolsa de valores na rea de cmbio e depois montei uma loja onde vendia miniatura de carros. O depoimento de Manoel Carlos Brasil, 40 anos, tetraplgico. H 10 anos, durante um mergulho numa piscina, ele quebrou duas vrtebras da coluna cervical.

    Brasil um exemplo, j traba-lhou em vrios segmentos. Hoje, ele complementa a renda convertendo gravaes de fitas VHS para DVD e h seis meses atua como profissional liberal em casa, na venda de peas automotivas pela Internet. Para adaptar os dedos tiveram paralisia em decorrncia do acidente ao teclado, ele, com a ajuda da me, utiliza cotonetes e esparadrapo para que fiquem sobressalentes e possa digitar. Um amigo conseguiu o com-putador adaptado, que at ento no tinha, e montamos uma loja virtual para venda de peas automotivas. Respondo os e-mails dos interessados e fecho algumas vendas. No estou ganhando nada, fao isso como uma forma de pagar o computador, coisa que queria muito. Isso abriu minha mente e me sinto til, diz.

    Keli VascoNcelos

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    A incluso de profissionais com deficincia no mercado de trabalho depende de

    qualificao e capacitao

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    de dois anos, conforme o desenvol-vimento de habilidades e compe-tncias do aluno. Maria Aparecida Baptista Soler, coordenadora do CCOT da APAESP, conta sobre os requisitos para ingressar no progra-ma. O CCOT oferece capacitao para jovens e adultos com defici-ncia intelectual, preferencialmente com locomoo independente para transporte coletivo e sem problemas de sade que incapacitem para o trabalho. Desde a avaliao inicial e durante o processo de capacitao profissional, toda a programao voltada para desenvolver o perfil de empregabilidade.

    Segundo a coordenadora, a participao no programa divide-se em 15% na educao conti-nuada, com foco em atividades de cidadania, alm da alfabetizao; 15% de interveno tcnica, como aprimoramento de quesitos como pontualidade, colaborao, iniciativa e responsabilidade, e, por fim, 70% de atividades prticas, com simula-o real de trabalho com resultados de produo, regras, compromisso e organizao.

    Outro foco de atuao a fa-mlia, parte integrante na formao desse futuro trabalhador, que recebe orientaes e informaes acerca das dificuldades e do potencial destes jovens com deficincia intelectual, completa Maria Aparecida.

    A entidade assessora empresas, por meio de convnios, na promoo de mapeamentos e identificao de postos de trabalho, alm do canal

    Emprego

    aberto com a chefia imediata de companhias. Feitos os contatos e detectadas as vagas compatveis, o CCOT seleciona e encaminha para contratao via Consolidao de Leis de Trabalho (CLT) ou estgio aqueles que passaram pelas oficinas.

    Para Maria Aparecida, o mercado para o portador de deficincia est em expanso, mas h ainda muitos obstculos a serem superados. evidente o aumento do nmero de vagas, cursos, equipamentos e ser-vios, muito em razo da lei, mas a maioria das empresas d preferncia

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    ao s deficincias mais leves e visveis,

    discriminando os candidatos com deficincias mais limitantes, onde existe a exigncia do investimento em adaptaes ou mudanas comporta-mentais. E afirma: Acredito que a lei favorea a contratao do deficiente no mercado de trabalho competitivo e, principalmente, d oportunidade para o deficiente intelectual mostrar seu potencial de trabalho.

    Manoel Carlos Brasi l recebe atualmente assistncia domiciliar fisioterpica o que o auxilia na adaptao a atividades que outro-ra eram rotineiras, especialmente o manuseio no computador, seu instrumento de trabalho e de rela-cionamento. Brasil tem perspectivas de novas oportunidades: Depois que consegui o computador, este trabalho na loja v irtual me deu uma injeo de nimo e uma experincia muito boa para mim. Outro amigo que tem uma agncia de turismo est com planos para que eu trabalhe com telemarketing. Fiquei 10 anos off-line, agora tenho que aproveitar, finaliza. [email protected]

    tudo o que o mdiCo queRia sabeR Advogado e ps-graduado pela Univer-

    sidade de So Paulo, Ernesto Lippmann est lanando o Manual dos Direitos do Mdico. No livro ele rene os casos que acompanhou como consultor jurdico do Conselho Regio-nal de Medicina do Estado de So Paulo, alm da experincia acumulada ao longo dos anos de profisso. O autor aborda temas como erro mdico, responsabilidade solidria dos planos de sade, hospitais e seguradoras e o crescimento de aes contra os profis-sionais da rea. Cheio de detalhes, o manual d dicas sobre cobrana de honorrios mdicos, questes tributrias e o uso tico da propaganda para ganhar clientes, entre outros assuntos de interesse.

    Lippmann tambm autor dos livros Voc tem todo o direito, Ass-dio sexual nas relaes de trabalho: danos morais e materiais aps a Lei 10.224/01 e Os direitos fundamentais da Constituio de 1988, interpretados e anotados pelos Tribunais.

    A nova publicao est disponvel no site www.segmentofarma.com.br e tambm pode ser encontrada nas livrarias ou em sites de compra.

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    ofensas, aCusaes, aGResses moRais

    Assdio moral

    Relaes perigosasO tema ganha destaque nos tribunais muitas vezes

    envolvendo indenizaes vultosas

    viola direitos fundamentais, segundo a mdica do trabalho Margarida Barreto, autora do livro Uma jornada de humi-lhaes resultado da tese de doutora-do em psicologia social, publicado em 2000. Apoiada em pesquisa nacional, com mais de dois mil trabalhadores, a autora afirma que o fenmeno no

    eli sereNza

    Oassdio moral se define pela exposio do trabalhador a situ-aes vexatrias, constrangedo-ras e humilhantes durante o exerccio de sua funo, de forma repetitiva e prolongada. Isso caracteriza atitude desumana, violenta e sem tica nas re-laes, afeta a dignidade, identidade e

    novo e est diretamente relacionado ao modelo pelo qual foram estabelecidas as relaes de trabalho.

    As empresas precisam preparar seus departamentos de Recursos Humanos para que se estabelea um procedimento prprio quando o em-pregado denunciar que vtima de assdio moral. Devem contar com pro-fissionais que saibam visualizar e lidar com essas situaes, alm de avaliar aqueles que pretendem escolher para cargos de chefia, porque nem sempre quem tem um timo currculo tem a postura adequada para a funo. A afirmao da advogada Joana Paes de Barros, que atua como consultora de empresas em eventos de treinamen-tos e capacitao de profissionais de Recursos Humanos para um problema cada vez mais em evidncia.

    Essa tambm a opinio do advogado e psiclogo Jos Roberto Heloani, autor do livro Gesto e orga-nizao no capitalismo globalizado Histria da manipulao psicolgica no mundo do trabalho, reforando a tese de que o fenmeno conseqncia da explorao da mo-de-obra, cujo principal objetivo o lucro, acrescido

    Nos ltimos anos alguns casos ga-nharam notoriedade nos tribunais, com sentenas indenizatrias que envolveram tambm carter educativo, visando coibir abusos e estabelecer uma relao mais respeitosa entre empresas e empregados. Alguns casos chegaram a sentenas de indenizao de at R$ 600.000,00 e duras reprimendas que caracterizavam o ato de assdio moral como ilcito por danos de direito, lesivo honra, integridade fsica e psquica dos trabalhadores.

    Veja a seguir alguns casos mais co-nhecidos e as atitudes incorretas pratica-das por empresas brasileiras de pequeno, mdio e grande porte.

    Funcionrios foram chamados de ja-vali, aluso a j vali alguma coisa, porque no quiseram aderir ao plano de demisso voluntria de uma em-presa estatal em fase de privatizao. Os funcionrios ganharam o apelido e ainda foram isolados em uma sala especial, apenas por se recusarem a seguir a deciso da empresa em demitir voluntariamente os seus colaboradores. Alm de alta indeni-

    zao paga s vtimas, a sentena do Tribunal Superior do Trabalho julgou procedente a ao coletiva por dano moral, decorrente do assdio moral a que os trabalhadores foram delibera-damente expostos.Demitir por justa causa um funcion-rio, acusando-o de desvio de vales-transporte no mesmo valor de um roubo ocorrido seis meses antes, foi o subterfgio usado por uma empresa de transporte para tentar se ressarcir do prejuzo. A empresa de transportes foi condenada e, na sentena, o juiz considerou que a acusada no de-monstrou a procedncia da acusao, devendo reparar o dano moral contra a honra, a integridade e a imagem do trabalhador. Obrigar funcionrios a desfilar vestin-do roupas femininas ou submet-los a corredor polons, enquanto so xingados pelos prprios colegas, so punies que uma grande empresa de bebidas aplica quando seus cola-boradores no atingem as metas de vendas. O parecer do TST classificou

    o ato como ilcito por abuso de direito, lesivo honra, integridade fsica e psquica dos trabalhadores, determinando a indenizao por as-sdio moral.A flatulncia como motivao para a demisso de uma funcionr ia pode parecer cmica, mas tambm abusiva, como definiu um juiz: a presuno patronal de submeter o organismo humano ao jus variandi, punindo indiscretas manifestaes da flora intestinal sobre as quais em-pregado e empregador no tm pleno domnio. Um banco conhecido nacionalmente foi obrigado a pagar um total de R$ 600 mil de indenizao aos funcion-rios que se sentiram prejudicados pelo programa que tinha como lema sau-dvel obsesso pela qualidade. Na sentena o juiz destacou que o banco, ao tomar conhecimento das queixas de assdio moral contra a gerente no setor de ouvidoria da instituio, no tomou as providncias necessrias para resolver a situao.

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    das exigncias de competitividade e produtividade no mercado de trabalho atual. Segundo ele, no Brasil o conflito agravado pela herana da escravi-do, em que a submisso vontade do patro sempre foi regra, incluindo os favores sexuais.

    O assdio atinge principalmente as mulheres, os trabalhadores mais idosos, os negros e os homossexuais. Tambm inclui gestantes, mes sol-teiras, obesos e portadores do HIV. O grande nmero de advogados es-pecializados no assunto evidencia o destaque que o tema vem ganhando nos tribunais, muitas vezes envolvendo indenizaes vultosas, pois os clculos consideram no apenas os danos sub-jetivos, como tambm a capacidade da empresa envolvida compensar os prejuzos financeiros da vtima de as-sdio, que na maioria das vezes perde o emprego ou fica afastada do mercado de trabalho. Apenas no Estado de So Paulo, o Ministrio Pblico abriu 920 processos para apurar denncias desse tipo nos ltimos sete anos, somando 263 aes em curso em 2007. Por conta dessa realidade, h cerca de um ano, foi lanado no Brasil o primeiro seguro garantindo o pagamento de in-denizaes por assdio moral, sexual e

    por discriminao no trabalho, voltado para as empresas.

    A melhor forma de evitar aes trabalhistas, no entanto, a preveno, segundo o advogado cvel e trabalhista, Ernesto Lippmann, ex-consultor do Conselho Regional de Medicina/SP. Hoje em dia a maioria das empresas est preocupada e muitas adotaram manuais de procedimentos, afirma Lippmann, para quem a iniciativa mais acentuada nas empresas multi-nacionais, principalmente as de ori-gem norte-americana, em que aes desse tipo envolvem muito dinheiro e repercusso. A American Express, por exemplo, disponibiliza um telefone na matriz, que tem atendimento em portugus, para registrar as denncias de seus funcionrios que se sintam assediados.

    Manuais e normas de conduta so uma boa forma de prevenir o assdio, concorda Margarida Barreto. preciso que fique claro a todos os funcionrios que no ser tolerada a prtica de assdio em qualquer nvel e esse posicionamento deve ser acom-panhado de campanhas de esclareci-mento e sensibilizao, com material informativo e estabelecimento de normas organizacionais que evitem

    o conflito e o estresse e estimulem atitudes respeitosas nas relaes in-terpessoais, enfatiza.

    Esse o caso dos mdicos gineco-logistas, que j dispem da resoluo do Conselho de Medicina determi-nando que todos os exames sejam realizados com o acompanhamento de auxiliar do mesmo sexo, antecedidos da explicao do que vai ser feito e do consentimento da paciente. Isso evita mal-entendidos ou situaes de constrangimento entre mdico e paciente, que podem resultar inclusive em punies por atentado ao pudor, esclarece o advogado Ernesto Lipp-mann, tendo como base a Lei Federal no 10.224, de 2001, que se aplica aos casos do assdio sexual.

    Para o assdio moral ainda no h legislao federal especfica, embora j existam diversos dispositivos legais em nvel municipal e estadual tratando do assunto. Os processos que correm na Justia se apiam principalmente no artigo 5, inciso V, da Constituio Federal, que determina que todos so iguais perante a lei e assegura o direito de resposta, proporcional ao agravo, alm da indenizao por dano material, moral ou imagem. [email protected]

    Neurocisticercose

    Contaminao e infeco por vermes A relao de duas doenas, causadas por parasitas, cuja transmisso pouco conhecida da populao

    Muitos ainda acreditam que no comer carne de porco vital para se evitar a neurocisti-cercose, tambm conhecida como doena do porco - uma infeco por parasita que atinge o crebro. Por outro lado, muitos no levam a srio quando um parente est com uma tnia, parasita chamada tam-bm de solitria ou lombriga, que se aloja no intestino e se alimenta de nutrientes do nosso organismo.

    JefersoN mattos

    No entanto, as duas doenas esto relacionadas.

    Em pleno sculo XXI, a populao desconhece a relao entre essas duas enfermidades. Isto , para se contrair a doena do porco, ne-cessrio que a pessoa tenha contato direto ou indireto com a tnia. E mais: o ciclo de transmisso longo e tem ingredientes que denotam a falta de medidas preventivas simples e essenciais.

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    um lonGo CiCloAntes mesmo de acometer o ho-

    mem (hospedeiro final do parasita), a tnia segue seu ciclo evolutivo em bovinos e sunos, que sero seus hospedeiros intermedirios. A tnia (solitria) classificada de acordo com o hospedeiro intermedirio: a Taenia solium realiza seu ciclo no porco e a Taenia saginata, no boi. No entanto, somente a primeira pode causar a neurocisticercose. O fato de aquele tipo de tnia (a Taenia solium) se desenvolver no porco leva as pessoas a associarem a doena com a carne do porco.

    Segundo Annette Foronda, mdi-ca especialista em pediatria e dou-torada em parasitologia, somente o conhecimento sobre o ciclo desses parasitas, aliado a medidas de pre-veno efetivas, poder diminuir a incidncia daquelas patologias. Isso porque os humanos infectados so os responsveis por liberarem os ovos da tnia nas fezes que, por sua vez, so lanadas ao solo e na vegetao.

    O ciclo tem incio quando sunos e bovinos se alimentam da v