Revista ocds set out

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Província São José MONTE CARMELO MONTE CARMELO Revista da OCDS Jul/Ago de 2015 - N° 141 Set/Out de 2015 - N° 142 Revista da OCDS R U M F 5 0 J T S 0 SANTO DO MÊS Canonização dos Pais de Santa Teresinha Pag. 10 MÊS DA BÍBLIA Santa Teresa de Jesus e as Sagradas Escrituras Pag. 04 MÊS DAS TERESAS As Duas Teresas: Mãe e Filha Pag. 07 Pag. 20 Pag. 20 Ó

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Revista OCDS da Província São José.

Transcript of Revista ocds set out

  • Provncia So Jos

    MONTE CARMELOMONTE CARMELO

    Revista da OCDS Jul/Ago de 2015 - N 141Set/Out de 2015 - N 142Revista da OCDS

    R U MF

    5 0 JTS0SANTO DO MS

    Canonizao dos Pais

    de Santa Teresinha

    Pag. 10

    MS DA BBLIA

    Santa Teresa de Jesus e

    as Sagradas Escrituras

    Pag. 04

    MS DAS TERESAS

    As Duas Teresas:

    Me e Filha

    Pag. 07

    Pag.

    20

    Pag.

    20

  • MONTE CARMELO

    SUMRIO

    EXPEDIENTE

    Revista Virtual Monte Carmelo, n 142

    (Setembro/Outubro de 2015)

    Edio: Comisso de Comunicao da OCDS

    Provncia So Jos

    COORDENADOR:

    Francisco Sena

    EQUIPE DE REDAO:

    Danielle Meirelles

    Francisco Renaldo Costa

    Giovani Carvalho Mendes

    Ronaldo Ferracini

    Sidney Paiva

    Wilderlnia Lima do Vale

    COLABORADORES:

    Luciano Ddimo C. Vieira

    Rosemeire Lemos Pioo

    REVISO EDITORIAL:

    Natassha Cos

    ARTE E DIAGRAMAO:

    Wilderlnia Lima do Vale

    ASSOCIAO DAS COMUNIDADES DA

    ORDEM DOS CARMELITAS DESCALOS

    SECULARES NO BRASIL DA PROVNCIA

    SO JOS

    CNPJ: 08.242.445/0001-90

    Colabore com a edio da nossa

    Revista enviando suas sugestes,

    reclamaes, nocias, testemunhos,

    argos e poesias para:

    [email protected]

    03 EditorialPALAVRAS DO COORDENADOR

    31 NotciasCOMUNIDADES OCDS BRASIL

    10 Santo(a) do MsOS PAIS DE SANTA TERESINHA

    EventosCALENDRIO 201635

    30 Caderno JovemMODELO JOVEM DE FORA CRIATIVA

    07 Ms das TeresasAS DUAS TERESAS: ME E FILHA

    18 EspiritualidadeTERESA: CANTADORA DA MISERICRDIA

    04 Ms da BbliaSTA TERESA DE JESUS E A BBLIA

    16 Formao HumanaTERESINHA E AS CORDAS DO CORAO

    20 Frum 500 STJV CENTENRIO DE STA TERESA DE JESUS

  • Editorial

    MONTE CARMELO 03

    Obrigado a todos e boa leitura!!!

    Francisco Sena, OCDS

    Coordenador da Comisso de Comunicao OCDS

    Meus irmos e minhas irms, nesta edio estamos repletos de comemoraes: Frum STJ500

    no ms de setembro, o ms da bblia e a canonizao dos pais de Santa Teresinha.

    Se quiserem mais informao podem escrever para o e-mail:

    [email protected],

    que teremos o maior prazer em passar todas as informaes

    Para nalizar peo que aguardem em breve nocias sobre os DVDs e sobre o livro do Frum, sei

    que muitos esto ansiosos para poder relembrar ou ento ver pela primeira vez o que foi este

    frum maravilhoso em Aparecida.

    No caderno formao humana, Padre Franois-Marie Lethel ocd, fala sobre Santa Teresinha e

    as cordas do corao. Ele nos diz como Teresinha usa um instrumento musical, no caso a Lira para

    falar do corao em relao ao seu amor a Deus.

    O presente que ns vemos este ano no parou com o V centenrio de Teresa, a famlia no foi

    esquecida, devemos muito valorizar a famlia, vejam que coisa mais linda, a canonizao dos pais de

    Teresinha, e nossa revista traz uma matria especial com a carta escrita pelo Provincial Geral,

    Padre Savrio Canistr. Vale a pena ler.

    O que acham de ter em apenas um texto a comparao de nossas duas Teresas? A nossa Ordem

    assim, se para termos fartura vamos ento conhecer nossas duas Teresas em um texto tambm

    de Toms Alvares, ocd.

    O ms da Bblia que comemorado no ms de setembro, a nossa revista traz um texto de Toms

    Alvares - ocd, onde fazemos esta ligao de Teresa com a Bblia baseado em uma citao de Teresa:

    Sabia que, em matria de f, eu antes morreria mil vezes do que me oporia a qualquer coisa da

    Igreja ou qualquer verdade da Sagrada Escritura.

    Nosso Frum foi um sucesso com uma presena excelente, e nossa equipe de comunicao est

    trabalhando para disponibilizarmos um livro com todas as palestras e tambm para um conjunto de

    DVDs com as homilias das missas, palestras e os shows. No poderamos deixar passar este evento

    que foi de suma importncia para a nossa Ordem.

  • Referindo-nos ao amor e ao estudo que os

    c r i s t o s z e r a m d a B b l i a , d i c i l m e n t e

    encontraramos um testemunho to vivo e

    apaixonado como este que citamos de Teresa. E

    nenhuma apresentao melhor poderamos fazer do

    tema j que sua prpria palavra nos poupa de golpe

    todo o esforo por ponderar a importncia que a

    Bblia teve em sua vida, e vai ter em suas atudes e

    em seu pensamento.

    Sabia que, em matria de f, eu antes morreria mil vezes do que me oporia a

    qualquer coisa da Igreja ou qualquer verdade da Sagrada Escritura (V 33,5).

    SANTA MADRE TERESA DE JESUS E AS SAGRADAS ESCRITURAS

    Se para estudar a um autor temos que situar seu

    tempo e seu contexto, isto se faz necessrio ao nos

    referirmos ao tema da Bblia na espiritualidade

    teresiana. S assim pode se entender uma

    necessria armao que hoje poderia resultar

    estranha: Teresa no teve sequer uma Bblia. Se,

    Teresa, leitora precoce, a exemplo e induo de seu

    pai, que nha bons livros para que lessem seus

    lhos (V 1,1) e to amiga ela mesma dos livros

    desde a infncia, at o ponto de no car contente

    se no vesse um livro novo cada dia, no teve, nem

    pode ler a Bblia, como livro completo. Nem sequer

    na casa de seu o D. Pedro, pode faz-lo naquele

    tempo to singular de reexo (V 3,5).

    A Bblia, um livro escasso e dicil...

    Mas o fato de que Teresa no pode manejar a

    Bblia por completo, nem t-la a seu servio, no

    quer dizer que ela no a conheceu e venerou. As

    mais de 600 citaes que existem em suas obras

    demonstram que apesar da Bblia no ser um livro a

    seu a lcance, e la o chega a conhecer em

    profundidade, atravs de outros livros, ou de leituras

    fragmentrias da mesma que por esforo fez.

    Ela mesma nos conta, referindo-se aos tempos em

    que esteve com as Agosnianas da Graa, quando

    nha apenas 16 anos, que se alegrava por falar com

    D Maria de Briceo, pelo talento que falava de

    Deus (V 3,1) e como esta se senu chamada por s

    ler na Escritura, que o Senhor disse que muitos so

    os chamados e pouco os escolhidos.

    Pelo teor do que Teresa nos conta parece evidente

    que ao menos o Evangelho o conhece em

    profundidade antes de entrar na vida religiosa, pois

    medita todas as noites antes de dormir a orao do

    Horto (V 9,4), l a Paixo (V 3,1), e se serve do

    mesmo para suas resolues de vencer os temores e

    dvidas vocacionais prvias ao ingresso (V 4,3).

    Logo seguir aumentando seu conhecimento da

    Escritura antes da entrada na vida religiosa, em

    plena juventude. Basta recordar suas leituras

    obrigatrias do Brevirio ou da reza da Liturgia das

    Horas. Ela mesma recorda a este respeito a suas

    lhas referindo-se ao Cnco dos Cncos: Podeis

    ver no ocio que rezamos de Nossa Senhora, cada

    semana, o muito que est escrito disso em anfonas

    e lies (Conc 6,8). E o mesmo se pode dizer da

    Missa de cada dia, como fonte de seu conhecimento

    da Escritura.

    A Regra do Carmelo, que est repleta

    de citaes Bblicas, tambm serve de

    enriquecimento para seu progressivo

    conhecimento da mesma.

    por TOMS ALVAREZ, ocd

    De fato, se aproximou da Escritura com este

    nimo, que bem pode dizer que Teresa teve dela

    uma experincia msca. Falando-nos da orao de

    quietude, ela mesma nos recorda, que tem me

    acontecido que, embora eu no entenda quase nada

    do que rezo em lam, do Saltrio em especial, por

    vezes, estando nessa quietude, compreendo os

    versos como se esvessem em romance (V 15,8).

    Conta mais adiante, no Livro da Vida, um caso bem

    concreto do salmo 41: Onde ests oh Deus? de

    Palavra de Deus experimentada

    Ms da Bblia

    MONTE CARMELO04

  • Dando por suciente o que foi dito para apontar a

    importncia da Bblia em seu inerrio espiritual,

    grandes projetos doutrinais de Teresa partem da

    Escritura que se converte assim no ncleo da

    espiritualidade teresiana. Comeando pelo livro de

    sua autobiograa recordou o salmo 88, o livro das

    Misericrdias do Senhor. E com quanta razo as

    posso cantar para sempre! (V 14,10), diz. A

    autobiograa uma espcie de salmo maior em que

    recorda a sua vida, desde a infncia at a

    maturidade, o nico que pretende contar a

    Histria da Salvao de Deus para seus eleitos. O

    triunfo da graa sobre a debilidade humana. Que

    muitas vezes o senmento de minhas grandes culpas

    temperado pelo contentamento que me d a

    compreenso da mulplicidade das Vossas

    misericrdias (V 4,3). Com um propsito bem

    concreto de envolver as lamas e convenc-las de que

    qualquer receber essas mesmas graas se deixar

    Deus obrar em sua vida, como ela mesma fez.

    A Bblia, fonte de sua espiritualidade

    E parndo dessa assimilao vital da Escritura, seu

    grande gozo era, precisamente, o de idencar-se

    com os personagens bblicos, que so os que

    encarnam as atudes mais nobres diante de Deus.

    Bem faz o Rei Davi que chora seu pecado, ou o

    profeta Elias com sua fome insacivel de Deus. Pedro

    com seu amor apaixonado. Paulo ou Madalena em

    sua paixo por Jesus. Ou a samaritana to ansiosa e

    necessitada da gua. A todos admira sua f viva.

    E uma vez vericado este posto central que a

    Escritura tem na vida de Teresa como luz que lhe

    orienta e crisol de sua verdade, resta-nos ver o papel

    que a Escritura tem em sua espiritualidade, na

    transmisso de sua experincia e doutrina para os

    demais.

    Uma idencao que no ca na simples

    admirao, mas que busca recrear suas atudes.

    Especialmente as dos personagens evanglicos,

    acolhendo em seu corao a Jesus como as irms de

    Lzaro em Betnia (R 26), chorando a seus ps como

    a Madalena (C 34,7), buscando ansiosa como a

    Samaritana (V 30,19) ou acompanhando-lhe na

    solido do Horto mais alm do que zeram os

    apstolos (V 9,3).

    E como sua f, a f de qualquer crente se

    autnca e viva, vital que leva a traduzir em obras o

    que se cr, devemos reconhecer e recordar que

    merc a esta f absoluta que Teresa presta a Palavra

    de Deus, sua vida se foi enchendo da mesma, para

    logo ir modelando a prpria vida conforme a

    exigncia da Escritura, que se converte para ela em

    norma segura de vida. Diz ela: quei de uma

    maneira que nem posso descrever: surgiram em

    mim uma grande fora e uma verdadeira

    determinao de cumprir com todo o empenho a

    mnima palavra da divina Escritura. Creio que no

    deixaria de enfrentar nenhum obstculo para

    faz-lo (V 40,2) at morrer as mil mortes j aludidas.

    admirar que o romance destes versos eu no sabia

    bem o que era, e depois que o entendia me

    consolava de ver que o Senhor me havia trazido a

    memria sem eu procur-lo. Outras me recordavam

    do que dizia So Paulo, que est crucicado para o

    mundo (V 20,11). Insisndo sobre o mesmo no

    prlogo do Cnco dos Cncos.

    Na mesma linha temca do Livro da Vida situa o

    livro das Fundaes, que prossegue o relato

    autobiogrco, como um novo salmo que canta as

    misericrdias do Senhor, em um novo horizonte, que

    j no o de sua alma, repleta da graa do Senhor,

    mas o da obra realizada por meio de Teresa para a

    glria de Deus, para que se veja, como diz: a

    maioria dessas casas no foi fundada por homens,

    mas pelas Suas obras, desde que no sejamos

    empecilhos (V 27,11). Nele se entrev como em

    nenhum, pelo que tem de humano e por sua vez de

    MONTE CARMELO 05

  • O fundo bblico de outras obras maiores, como o

    Caminho de Perfeio, no necessita de exaltaes.

    Basta dizer que a obra uma glosa do Pai-nosso,

    explicando o texto de So Mateus (6,7-13) que

    ocupa a segunda parte do livro (c. 19-42) enquanto a

    primeira se dedica a ponderar a necessidade das

    v i r t u d e s e v a n g l i c a s d o a m o r ( c . 4 - 7 ) ,

    desprendimento e abnegao (c. 8-13) e a humildade

    (c. 15-18). Todo o livro um convite a cumprir o

    convite do evangelho de velar e orar (C 7,6).

    O certo que no existe Morada sem aluso

    bblica, e que nelas se alude expressamente a certas

    guras bblicas que encarnam as atudes que o

    prprio cristo h de ter se quer chegar a meta.

    Assim, os servos da parbola aceitam agradecidos a

    bondade de Deus, nunca merecida, trabalhando

    felizes e sem reclamar, como servos inteis (M 3,1,8).

    Finalmente a outra grande obra teresiana que o

    Castelo Interior ou as Moradas, no s abundante

    de referncias bblicas, mas tem como eixo alguma

    de suas revelaes mais iluminadas, parndo das

    palavras de Jesus elas lhe do a entender as

    palavras do Senhor que esto no Evangelho: que

    viria Ele, com o Pai e o Esprito Santo, para morar na

    alma que o ama e segue seus mandamentos

    (M 7,1,7). Desde essa realidade da presena

    permanente que por graa Deus mantm na alma,

    el a seu amor de Pai e Criador, at essa vida nova

    que se alcana na unio transformante com Cristo. A

    mariposa que nasce do bicho-da-seda (M 5,2,2)

    volta a recordar o Apstolo: No sou eu quem vive,

    Cristo que vive em mim. E argumenta Teresa: Eu

    no o posso tolerar! Certamente no o disse a Sua

    Me Sacrassima, porque Ela estava rme na f e

    sabia que Ele era Deus e homem (M 6,7,14).

    relato de uma ao surpreendente de Deus, essa

    Histria de Salvao que Deus escreve, valendo-se de

    nossa mediao e nossas debilidades.

    Uma palavra especial merece o livro Conceitos do

    Amor de Deus sobre o Cnco dos Cncos.

    Precisamente por isso. Porque oferece uma srie de

    consideraes sobre a vida espiritual, tomando

    como ponto de parda o livro do Cnco dos

    Cncos (c. 1,2-3; 2,3-5). Ela escreve desde uma

    experincia viva e msca do livro, segundo

    confessa. tem me dado o Senhor, de alguns anos

    para c, um gosto muito grande cada vez que ouo

    ou leio algumas palavras dos Cncos de Salomo, e

    isto de modo to extremado que eu, sem entender

    com clareza o lam em lngua vulgar, me recolhia

    mais e nha minha alma mais movida do que pelos

    livros muito devotos que compreendo (prol. 1).

    Entre todos os seus escritos pela abundncia

    proporcional de citaes da Escritura, o das

    Exclamaes o seu saltrio parcular. Breves

    pginas nas quais a Santa revela e confessa seus

    senmentos mais nmos, desde a pena pela

    ausncia de Deus ao lamento pelo tempo perdido,

    passando pela ponderao da entranhvel

    misericrdia de Deus, que so sempre temas para

    Teresa. Citaes dos salmos e dos Evangelhos, que

    so sem dvida, os dois livros mais saboreados.

    lcito tambm dizer que pela pena de Teresa,

    assim como por sua experincia, passam os

    principais temas da espiritualidade, iluminados por

    uma palavra viva e clida, que ela a sente, da

    Escritura. Desde o mistrio Trinitrio, do qual tem

    experincias mscas repedas (V 27,9, R 36) e sua

    inabitao na alma do justo (V 38,9-10), at a

    necessidade da mediao de Cristo e de sua

    humanidade amorosamente defendida (V 22),

    passando pela obra que nasce em Maria (Conc 5,2).

    Cremos que o que foi exposto, por mais que

    seja sumariamente, suciente para demonstrar a

    fonte de inspirao que a Bblia sups para Teresa, e

    sinal evidente do amor e venerao que ela sena

    pela mesma. Assim como da f, simples e profunda

    que presta a todas as palavras da Escritura.

    MONTE CARMELO06

  • por TOMS ALVAREZ, ocd

    Perguntou-se mais de uma vez se as duas Teresas

    se parecem em algo mais que no nome e na vocao

    ao Carmelo.

    Pergunta banal, primeira vista. Como se

    esvesse formulada no sobre as duas pessoas e a

    sua histria, mas sobre duas estampas justapostas:

    o retrato da Madre Teresa feito em Sevilha pelo

    leigo Frei Joo da Misria, e as fotograas de

    Teres inha radas pela cmara de Cel ina.

    Efevamente, a Teresa de 61 longos anos mal

    desenhada pelo pintor leigo, e a Teresinha de 23, em

    pose algo estca perante a grande mquina

    fotogrca, no coincidem no rosto, no olhar, nos

    modos, mas no hbito e no nome gravado ao p da

    estampa.

    E, no entanto, a pergunta no supercial como

    parece. Nas vidas paralelas, segundo o esquema

    clssico do escritor grego, semelhanas e

    dessemelhanas contrapem-se. Todos nos

    parecemos no essencial. E no essencial onde mais

    nos diferenciamos, quer dizer, nesse ncleo secreto

    e profundo que decide a nossa personalidade e nos

    torna nicos e irrepeveis. Deste misterioso centro

    partem as linhas radiais com que Deus congura a

    misso existencial e a histria da salvao de cada

    um.

    Encaradas a parr deste enfoque teologal, a pessoa e

    a histria das duas Teresas convergem no mais profundo

    do seu ser e da sua misso. As duas, sob o impulso de

    uma misteriosa fora interior, escreveram a prpria

    histria, descobriram e testemunharam a passagem de

    Deus pelas suas vidas e apresentaram-nas como um

    pentagrama de fundo para cantar as misericrdias de

    Deus. A autobiograa o primeiro livro que uma e outra

    escrevem. E as duas coincidem em dar sua vida fora de

    profecia: no simples narrao da prpria aventura

    humana, mas palavra profca com forte mensagem

    frente a qualquer outra leitura ou releitura da prpria

    vida, isto , da nossa vida.

    AS DUAS TERESAS,

    ME E FILHA

    Ms das Teresas

    MONTE CARMELO 07

  • Embora por caminhos diversos, a opo

    vocacional pelo Carmelo foi em ambas as Teresas o

    desenlace de um pequeno drama nmo: desapego

    do lar paterno e transferncia para o lar do esprito,

    mas com toda a dramacidade de uma transferncia

    humana. Na Santa de vila, ser a vida comunitria

    da Encarnao a denir e a decidir o sendo da sua

    vocao religiosa. Pelo contrrio, a Santa de Lisieux

    ingressa no Carmelo com idias claras e opo bem

    denida. Para esclarecer e tomar posies,

    serviu-lhe a aproximao que vai ser a sua santa

    Madre Teresa: antes de ingressar; Teresinha l

    profunda mente a sua biograa.

    Um feixe de traos que caracterizam a personalidade

    da santa avilense impressionam a Teresinha, que

    rapidamente os incorpora ao seu talante humano e

    espiritual. Basta enumer-los:

    Antes de tudo, altos ideais. "Altos pensamentos",

    dizia a Madre Teresa. E desejos: ve sempre

    grandes desejos", escreve ela. Teresinha anotou

    numa das suas notas nmas: "No presuno

    o desejo de pracar as virtudes em grau herico,

    imitao dos santos; nem to pouco o desejo

    do marrio". Verso de urna passagem do Livro

    da Vida (13, 4).

    Disposta a dar a vida pelos outros, como Cristo.

    Entre as suas notas nmas, Teresinha conservava

    tambm este pensamento da sua santa Madre:

    "daria mil vidas para salvar uma s alma". Tomado

    do Caminho de perfeio (1, 2), mas repedo com

    toda a classe de mazes e variantes por Teresa, e

    igualmente por Teresinha, a quem tambm

    impressionou este outro dito da Santa de vila:

    "Santa Teresa dizia s suas lhas, quando estas

    queriam rezar para si mesmas: 'que me importa a

    mim estar at ao m do mundo no purgatrio, se

    com as minhas oraes salvo uma s alma?'"

    (Tambm na Ct 221. Tomado do Caminho de

    perfeio 3, 6).

    Intenso sendo apost l ico da vocao

    contemplava: "Uma carmelita que no fosse

    apstola se afastaria da sua vocao e deixaria de

    ser lha da serca Santa Teresa" (C 198). E com

    que alegria o conrmava no m da sua vida:

    "Nunca me arrependerei de ter trabalhado

    unicamente para salvar almas. Como sou feliz por

    saber que a Nossa Madre Santa Teresa pensava o

    mesmo!" (UCR 4. 6.1).

    No so duas famlias em paralelo o lar de Teresinha

    na bela Normandia e o de Teresa na austera meseta de

    Castela. Mas as coincidncias e os contrastes abundam e

    entrecruzam-se.

    As duas na famlia

    "Muito queridas" as duas no lar. Sem lacunas

    afevas na infncia, apesar de que as duas passam

    pela amarga experincia da orfandade: Teresinha

    perde a sua me ainda muito criana; Teresa perde-a

    em plena adolescncia, aos catorze anos. A uma e a

    outra cresce-lhes a gura do prprio pai, at chegar

    transgurao: para Teresa, dom Alonso a

    imagem do homem perfeito; para Teresinha. Um

    reexo do rosto de Deus. Muito a contrapeso da

    ascese circundante e de certa pseudo-msca da

    fuga mundi". Tanto a Madre Teresa como a sua

    lha, a carmelita de Lisieux, mantm profundo

    enraizamento familiar at ao m da sua vida

    religiosa. Famlias numerosas as duas: a de Teresa de

    vila tem nove irmos vares; a de Lisieux, quatro.

    Esta perde-os sem os ter conhecido, falecidos antes

    dela nascer. A de vila assiste de perto ao xodo de

    todos eles, que vo abandonando o lar rumo s

    ndias ocidentais, deixando ao lado de dom Afonso

    vivo s as lhas, como no lar de Alenon-Lisieux.

    Ainda um par de traos coincidentes nesse duplo

    quadro do lar. Na linha materna, emova e feminina,

    as duas crianas rfs acolhem-se maternidade da

    Virgem Maria. Pelo contrrio, em linha paterna, s

    duas aproximam-se a sombra da guerra: Teresa nasce

    quando o seu pai regressa da guerra de Navarra:

    Teresinha, quando o senhor Marn sofreu no seu

    prprio lar a sombra prolongada da guerra

    franco-prussiana. As duas Teresas herdaro, no um

    esprito guerreiro, mas sim uma tmpera vigorosa, de

    fortaleza para a vida. Ser Teresinha quem escreve,

    recordando uma pica da Santa de vila: "Santa

    Teresa, que dizia s suas lhas: 'Quero que no sejais

    mulheres em nada, mas que em tudo vos igualeis a

    homens fortes, Santa Teresa no teria querido

    reconhecer-me como sua lha se o Senhor no me

    vesse revesdo da sua fora divina, se Ele mesmo

    no me vesse armado para a guerra" (Ct 201).

    Para as duas Teresas o Carmelo a famlia da alma.

    Aqui j no se trata de coincidncias. Anidades ou

    contrastes aproximavos, como no lar de sangue. Na

    famlia da alma tudo se passa a nveis profundos, de

    outra ordem e grandeza.

    As duas no Carmelo

    MONTE CARMELO08

  • As distncias encurtam-se segundo a citada

    passagem de Teresinhanessa nica "moo do

    Esprito Santo", que faz eco ao texto de Paulo: "os

    carismas so diversos, mas um mesmo esprito"

    (1Cor 11,4). Assim, os dois carismas magistrais o

    de Teresa e o de Teresinha tm o seu ponto de

    p a r d a n o E s p r i t o q u e a n i m a o r e l a t o

    autobiogrco de ambas. As duas comearam a

    escrever a sua prpria autobiograa. A captao do

    sendo profundo da vida vivida algo assim como a

    fonte da sua mensagem doutrinal e do seu servio

    eclesial. No s enquanto as duas conseguem dar e

    expor a sua existncia numa micro-histria da

    salvao, mas porque a parr dela anunciam ao

    leitor o Evangelho de Jesus.

    No pressagiava Teresinha ou talvez sim! que

    a sua misso na Igreja ia ter roteiros similares, quase

    paralelos, aos da sua Santa Madre. Que tambm ela

    nha sido chamada misteriosamente a "manifestar

    os segredos do Rei". Que, como a Me dos Espirituais,

    tambm ela nha sido chamada a exercer um

    magistrio de incomparvel alcance universal.

    certo, nunca sublinharemos bastante as

    diferenas. Teresa e Teresinha encarnam duas

    palavras irreduveis a um comum denominador

    doutrinal. E isso, precisamente porque os seus

    iderios nascem de duas experincias humanas

    profundamente diversas, e em dois contextos culturais

    e eclesiais irreduveis.

    Isso explica, talvez, o grande impacto produzido

    por esse escrito das duas Teresas, a sua rpida

    difuso mais alm das fronteiras eclesiais e dos

    conns da cultura ocidental. Obras das duas Santas

    traduzidas e lidas em lnguas quase inangveis,

    sobretudo, a sobrevivncia e atualidade do

    magistrio espiritual das duas Teresas a contrapeso

    das mudanas religiosas e culturais e das outras

    rupturas de connuidade produzidas nos lmos

    decnios. Enquanto tantos autores espirituais

    sucumbiram sob a sndrome da caducidade das

    ideologias e mensagens, a connuam os escritos e

    as doutrinas das duas Teresas, dialogando com

    leitores e culturas, dentro Obra da Igreja, em

    sintonia com as exigncias da nova evangelizao.

    esse, sem dvida, o movo de fundo, que rene

    as duas Teresas no desempenho de um mesmo

    servio da Igreja, o do seu doutoramento eclesial. A

    Santa de vila, proclamada "a primeira mulher

    doutora da Igreja" e Teresinha, a nova doutora da

    Igreja.

    O ideal contemplavo: s Deus! Entre as suas

    notas, Teresinha transcreve ntegro o poema da

    Santa: "Nada te perturbe... s Deus basta!". A

    nveis mais profundos, Teresinha e Teresa, ao

    historiar a prpria vida, resumem-na em chave

    doxolgica, como um canto s misericrdias do

    Senhor. As duas centram todo o seu af de

    s a n d a d e n o a m o r e s p o n s a l a C r i s t o ,

    apropriando-se do smbolo nupcial do Cnco dos

    Cnco. As duas tm um no sendo da Igreja. A

    prpria Teresinha testemunha assim: "Quero,

    numa palavra, ser lha da Igreja como o era a

    nossa Madre Santa Teresa" (Ms C 33v). Por isso,

    pensa que "foi a Nossa Santa Madre Teresa que

    me enviou como ramalhete de festa... o meu

    primeiro irmozinho missionrio" (Ms C 31v).

    Sendo do amor A Santa de vila nha insisdo

    tanto em no confundir o amor com o

    senmento. Teresinha aprofunda nesta linha:

    "Como compreendo bem as palavras de Nosso

    Senhor nossa Madre Santa Teresa: 'Sabes,

    minha lha, quem so os que Me amam de

    verdade? So aqueles que reconhecem que tudo

    o que a Mim se no refere no passa de menra"

    (UCR 22.6).

    Ser amigos do Crucicado: Teresinha recorda

    vrias vezes um dos "ore" teresianos: "Santa

    Teresa nha muita razo em dizer a Nosso Senhor

    que a sobrecarregava de cruzes quando ela

    empreendia por Ele grandes trabalhos: 'Ah!

    Senhor, no me admira que tenhais to poucos

    amigos, os tratais to mal!'" (Ct 178).

    Nas lmas pginas da Histria de uma alma,

    Teresinha escreve, confrontando tacitamente a sua

    misso eclesial com a da sua santa Padroeira: "Como so

    diferentes os caminhos pelos quais o Senhor conduz as

    almas! Na vida dos Santos encontramos muitos que

    nada quiseram deixar deles para depois da morte, nem

    a mais pequena recordao, o mais pequeno escrito. H

    outros, pelo contrrio, como a Nossa Madre Santa

    Teresa, que enriqueceram a Igreja com as suas sublimes

    revelaes, no temendo manifestar os segredos do Rei,

    para que seja mais conhecido, mais amado pelas almas.

    Qual destes dois gneros de santos agrada mais a Deus?

    Parece-me... que ambos Lhe so igualmente agradveis,

    uma vez que todos seguiram a moo do Esprito Santo,

    e que o Senhor disse: Dizei ao justo que tudo est bem.

    Sim, tudo est bem, quando no se procura seno a

    vontade de Jesus" (Ms C 2v).

    As duas na Igreja

    MONTE CARMELO 09

  • CANONIZAO DOS PAIS DE SANTA TERESINHA

    CARTA ORDEM

    PELA CANONIZAO DE LUIS E ZLIA MARTIN

    ROMA, 18 OUTUBRO 2015

    DIA MUNDIAL DAS MISSES

    Dia 18 de outubro, na praa de S. Pedro, o papa

    Francisco inscreveu solenemente o casal Luis Marn

    e Zlia Guerin, pais de Santa Teresa do Menino Jesus

    e da Santa Face, no cnone dos Santos, que a Igreja

    prope como exemplos de vida crist aos is de

    todo o mundo, para que se tornem fonte de

    inspirao e companheiros de caminho dos quais

    recebe impulso, luz e conforto.

    Carssimos irmos e irms no Carmelo,

    movo de grande alegria e grado ao Senhor

    por todos ns, que acabamos de concluir a

    celebrao do V Centenrio do nascimento de Santa

    Teresa de vila, me da nossa famlia religiosa, na

    qual a mesma Igreja reconhece um lugar

    parcularmente rico de testemunhos credveis da

    beleza e do amor de Deus.

    Esta canonizao um ulterior sinal que o Senhor

    nos d para corroborar a nossa f e restuir impulso

    ao nosso caminho de carmelitas, chamados a

    experimentar a ternura combava do Esposo

    (cf Evangelii gaudium 85), que com o seu amor quer

    acender a esperana nos coraes de todos os

    homens. Vivemos um perodo histrico assinalado

    por uma profunda transformao, que toca todos os

    mbitos da vida humana costumes, cultura,

    religio, sociedade, economia a um nvel global,

    provocando tenses e medos. Nascem senmentos

    de insegurana e desconana recproca, criam-se

    situaes de injusa e instabilidade, que metem a

    dura prova a convivncia pacca e a conana entre

    as pessoas, essencial para um caminho comum

    e fecundo.

    A viso bblica do homem, na duplicidade do seu

    ser masculino e feminino, e a compreenso do seu

    signicado em ordem vida no so mais

    patrimnio comum mas, ao contrrio, esto medos

    em discusso. Ao centro desta batalha pela vida est

    a famlia natural, fundada sobre o simples

    reconhecimento da diferena providencial entre

    homem e mulher que permite, no interior de uma

    relao de aliana baseada sobre o amor recproco,

    gerar, guardar e fazer crescer a vida humana, no

    somente por si, mas por todo o ser humano.

    A canonizao do casal Marn um sinal dos

    tempos que se deve interrogar profundamente

    porque tem um valor epocal. De fato a Igreja guiada

    pelo Esprito, decidiu pela primeira vez na

    histria de canonizar juntamente um casal de

    esposos, durante a celebrao da XIV Assembleia

    Geral Ordinria do Snodo dos Bispos, que tem por

    tema a vocao e misso da famlia na Igreja e no

    mundo contemporneo, no domingo dedicado

    Jornada missionria mundial.

    Santo do Ms

    MONTE CARMELO10

  • J passou um sculo e meio desde que Luis e Zlia,

    meia-noite do 12 julho de 1858, se casaram em

    Alenon, e muitas coisas esto radicalmente

    mudadas, quer na Igreja quer na cultura europeia.

    Em que sendo o seu matrimnio e a histria da sua

    famlia podem ser exemplares para os nossos dias,

    quando o mesmo modelo de famlia e a praxis

    prevalente esto to longe daquilo que era por eles

    acreditado e vivido?

    Antes de tudo, preciso libertar-se dos

    preconceitos e dos clichs culturais que catalogam

    imediatamente como anquado e obsoleto tudo

    quanto pertence ao universo oitocensta. Se

    olhamos de perto a vida da famlia Marn, vemos

    um homem e uma mulher que viveram uma histria

    comum, marcada de acontecimentos nos quais

    ainda hoje se podem reconhecer, porque

    simplesmente humanos: j no to jovens segundo

    os parmetros da poca (quando se conheceram e

    poucos meses depois casaram-se ela nha 27 anos

    e ele 35), uniram-se em matrimnio e pem em

    comum a sua vida, aprendendo dia aps dia a

    parlhar as capacidades, responsabilidades,

    trabalhos, alegrias e dores. Luis nha um negcio de

    relojoaria, Zlia nha iniciado sozinha uma empresa

    de produo da famosa renda de Alenon. Os seus

    respecvos trabalhos garanam um certo desafogo,

    que no era vivido nem com ostentao nem com

    apreenso, embora a um certo momento as

    condies socioeconmicas se tornassem diceis

    pelas consequncias da guerra entre a Frana e a

    Luis encontrou-se assim a viver a situao de

    vivo at morte, vinda 16 anos depois, a seguir a

    uma humilhante doena que angiu as suas

    faculdades mentais. Sustentou as cinco lhas e a sua

    educao, dando-se por inteiro e decidindo

    transferir-se de Alenon para Lisieux, deslocando-se

    para poder dar s lhas a possibilidade de ser

    seguidas pela a Celina, com quem exisa uma

    relao de esma e afecto. As cinco entraram no

    mosteiro. Acompanh-las neste passo sobretudo a

    pequena Teresa, a predilecta no foi para ele um

    pequeno sacricio, mas viu-o como generoso acto

    de oferta da sua vida e dos seus lhos a Deus, assim

    como nha sempre feito juntamente com Zlia. Por

    outro lado, para a sua famlia nha escolhido o lema

    de Joana d'Arc, Deus o primeiro servido.

    O matrimnio: vocao e amizade

    O breve elenco de alguns traos concretos da

    experincia familiar de Luis e Zlia permite-nos

    colher facilmente as analogias com a experincia de

    tantas famlias que hoje devem afrontar diculdades

    econmicas, conciliar o ritmo frenco da avidade

    Uma famlia exemplar? Prssia (1870-1871). Trabalharam os dois, veram

    nove lhos, cuidaram deles e enfrentaram o luto

    pela morte de quatro deles em tenra idade; tal no

    foi certamente fcil, sobretudo para Zlia, mulher

    empreendedora, que nha a responsabilidade de

    dar trabalho e o respecvo sustento s suas

    trabalhadoras e respecvas famlias. Luis esteve

    sempre ao seu lado, lutando juntamente com a

    mulher, com serenidade e doura, dando-lhe o

    conforto da sua constante presena e escolhendo,

    at certo ponto, colocar de lado o trabalho para vir

    ao encontro das exigncias da esposa, que via

    sempre mais cansada, e ajud-la a levar para a

    frente a sua empresa, sobretudo quando apareceu a

    doena que a angiu ainda muito jovem, levando-a

    morte no ano 1877, com apenas 46 anos.

    MONTE CARMELO 11

  • O primeiro viver o encontro com o outro e o

    matrimnio como vocao. A isto Luis e Zlia foram

    preparados pela sua histria, dado que os dois

    n h a m p e n s a d o v i ve r a s u a v i d a c r i s t

    consagrando-se a Deus. No este trao,

    obviamente, a ser exemplar, mas a sensibilidade e a

    atude a perceber e conceber a prpria existncia

    como um dilogo com o prprio Criador, que tem

    um desgnio bom e enche o caminho de sinais que

    indicam, com um olhar atento, qual o caminho

    para saciar a sede do prprio corao. somente

    recebendo-se como um dom que vem da parte de

    Deus e aprendendo a olhar o outro como rosto do

    amor do Pai, que possvel construir a prpria casa

    sobre um fundamento estvel. Isto foi claro a Zlia

    quando, vendo aproximar-se o seu futuro marido

    enquanto percorriam em sendo oposto a ponte de

    So Leonardo de Alenon, senu ressoar em si uma

    voz que lhe dizia: Este o homem que preparei

    para .

    O segundo trao uma direta consequncia deste

    olhar e abertura do corao: viver a relao com a

    prpria mulher /com o prprio marido como uma

    relao de amor. A esma e o respeito que vem da

    espontaneidade do reconhecer-se gratuitamente

    como aliados e do prazer de ser para o outro uma

    ajuda, contm a pacincia, a humildade, a

    tenacidade, a ternura, a conana e a curiosidade

    necessrias para que uma relao no degenere na

    procura de si no outro, na tentava de exercitar um

    poder, no desgaste da rona. Em expresses como

    estas: Sigo-te em esprito durante toda a jornada;

    digo-me: Neste momento faz tal coisa. No vejo o

    momento de estar prxima de , meu querido Luis;

    As diferentes sensibilidades, os tantos pequenos

    pormenores da vida conjugal, que s vezes

    produzem pouco a pouco uma distncia e arrefecem

    a inmidade, tambm foram vividos por Luis e Zlia

    como as ocasies para exercitar um olhar carregado

    de simpaa e terno acolhimento das diferenas,

    como transparece neste texto: Quando receberes

    esta carta, estarei ocupada a meter em ordem o teu

    banco de trabalho; no te devers irritar, nem

    perderei nada, nem mesmo um velho quadrante,

    nem um bocado de mola, enm nada, e depois

    estar tudo limpo por cima e por baixo! No

    poders dizer que s mudei o lugar ao p, porque

    no h mais (). Abrao-te de todo o corao; hoje,

    ao pensar que te vou reencontrar, estou to feliz que

    nem consigo trabalhar. A tua mulher que te ama

    mais que a sua prpria vida (Cartas familiares 46).

    A transmisso da vida: gerar e educar

    Ao incio, para Zlia e Luis, viver o matrimnio e

    abrir-se vida no foi fcil. Para eles tratava-se de

    compreender que, amar a Deus com todo o corao,

    passava pela doao e entrega de si mesmos ao

    cnjuge, para que assim Deus Pai pudesse tomar

    conta da sua criao, connuando a edicar a sua

    Igreja como famlia dos lhos de Deus. Foi a

    sinceridade da sua procura da vontade de Deus, e a

    Se vamos raiz da sua experincia, encontramos

    em seguida dois traos que os tornam atuais para

    ilustrar como pode funcionar uma relao de

    amor e dizer assim uma palavra de esperana aos

    casais, sobretudo jovens, que esto desencorajados

    pelo exemplo de tantos naufrgios e, mesmo

    conservando no corao o desejo, no acreditam ser

    mais possvel a delidade, resignando-se de tal

    modo a uma baixa fasquia de vida.

    operria com a educao dos lhos, dar um sendo

    aos sofrimentos que inevitavelmente batem porta,

    metendo em risco a harmonia familiar. Mas o movo

    pelo qual a Igreja retm como exemplar o seu

    testemunho de vida conjugal bem mais profundo e

    diz respeito verdade do amor humano no desgnio

    divino da criao.

    amo-te com todo o meu corao e sinto ainda

    redobrar o meu carinho por ao ver-me privada da

    tua presena; ser-me-ia impossvel viver longe de

    (Cartas familiares 108); Eu estou sempre felicssima

    com ele, torna-me a vida muito serena. O meu

    marido um santo homem, auguro um igual a todas

    as mulheres: eis o augrio que lhes fao para o novo

    ano (Cartas familiares 1); ou ento, o teu marido

    verdadeiro amigo, que te ama mais que a vida, no

    h nada de adocicado, mas a expresso d

    consistncia de um afeto sincero.

    MONTE CARMELO12

  • Nesta passagem transparecem alguns aspectos

    centrais do modo de viver a relao com os lhos,

    que hoje as famlias tm necessidade de redescobrir:

    o nascimento de um lho como um dom, sempre

    ainda que a sua vida seja breve ou atormentada

    porque vem de Deus e conduz a Deus. Educar

    signica ento introduzir no conhecimento da

    prpria origem: o Pai, e ensinar a desejar o cu e a

    viver a existncia as fadigas, o compromisso, os

    sofrimentos como uma preparao, algo de

    precioso se aceite com conana e amor como

    passo de um caminho que conduz meta,

    valorizando a pessoa.

    Tudo isto convincente e torna-se verdade que

    plasma a conscincia e d vigor ao caminho, quando

    os lhos possam a v-lo e quase respir-lo na carne

    dos prprios pais como aquilo que d sendo ao

    tempo e s avidades. A aspirao de Zlia

    sandade, para si e para os prprios queridos, era

    constante, mesmo no conhecimento das prprias

    limitaes e do tempo perdido: Quero fazer-me

    santa: no ser fcil, h muito que desbastar e o

    tronco duro como uma pedra. Teria sido melhor

    iniciar antes, enquanto era menos dicil, mas,

    enm, melhor tarde que nunca (Cartas

    familiares 110). Escreve ao irmo: Vejo com prazer

    que s muito esmado em Lisieux: ests a tornar-te

    uma pessoa de mrito; co feliz por isso, mas antes

    de tudo desejo que sejas santo (Cartas

    familiares 116). Tambm diante da lha de carcter

    dicil, Lenia, que na escola haviam denido como

    uma menina terrvel, mesmo no penoso

    conhecimento dos seus grandes limites a pobre

    menina coberta de defeitos como de um manto.

    Conhecemos bem, pelo testemunho de Santa

    Teresinha, a grande inmidade de Luis com Deus e

    como esta transparece no seu rosto: s vezes os

    seus olhos faziam-se lcidos de comoo, e ele

    esforava-se por conter as lgrimas; parecia no

    estar mais ligado terra, j que a sua alma tanto se

    imergia nas verdades eternas (Manuscrito A, 60);

    bastava-me olh-lo para saber como rezam os

    santos (Manuscrito A, 63). Durante a sua doena,

    nos momentos de conhecimento, embora

    senndo-se humilhado, Luis repea: Tudo para a

    maior glria de Deus!

    Num clima deste gnero, o espiritual substncia

    da vida e as coisas iluminam-se na perspecva da

    eternidade, de uma maneira natural. A famlia

    pode readquirir assim a sua caractersca original,

    frequentemente desprezada nos nossos dias, de ser

    o primeiro lugar onde aprendemos a comunicar,

    entendendo a comunicao como descoberta e

    construo de proximidade (Mensagem do Santo

    Padre Francisco para 49a Jornada Mundial das

    Comunicaes Sociais, 17 de maio 2015).

    Um casal sensvel, acolhedor e generoso

    docilidade aos conselhos de um sacerdote que os

    acompanhava, que os fez compreender a beleza da

    vocao matrimonial, que pensavam viver na

    connncia. Foram nove os lhos que nasceram da

    sua unio enchendo de alegria as suas vidas:

    Quando vemos os nossos lhos, as nossas ideias

    mudaram um pouco: no vivamos mais do que para

    eles, esta era a nossa felicidade e no a encontramos

    seno neles. Enm, tudo nos resultava em grande

    felicidade, o mundo no nos pesava. Para mim era a

    grande retribuio, por isso desejei ter muitos, para

    cri-los para o Cu. Entre eles, quatro esto j

    bem instalados e os outros, sim. E os outros

    tambm caminharo para aquele Reino celeste,

    cheios de maiores mritos, pois tero combado

    mais tempo (Cartas familiares 192).

    No se sabe como tom-la (Cartas familiares 185)

    no falta a conana alimentada da f na bondade

    de Deus e do abandono ao seu desgnio de salvao:

    O bom Deus assim misericordioso como sempre

    esperei e connuo a esperar.

    A ateno ao outro e a grado por ser como cada

    um exercitados na relao conjugal e connuados

    no cuidado pelo crescimento moral e espiritual dos

    lhos, nha na famlia Marn um importante

    complemento: a caridade generosa, o acolhimento

    dos pobres, a ateno aos necessitados. O amor a

    Deus, quando existe, inseparavelmente amor ao

    prximo e, de modo especial, para quem necessita de

    MONTE CARMELO 13

  • A ateno aos pobres da parte do casal Marn faz

    parte de um eslo de pobreza que inuencia o

    esprito das lhas que o lem como sinal concreto

    da presena de Jesus e da verdade do seu Evangelho.

    A sua sobriedade no desleixo, mas atude que

    contrasta com a tendncia do corao a fechar-se na

    avareza do prprio tempo, das prprias energias,

    dos prprios recursos espirituais e materiais. A

    alegria da pobreza que os torna r icos de

    humanidade, alimenta-se na experincia de ter a

    prpria riqueza no acolher a graa de Cristo,

    reconhecendo as prprias debilidades e culpas,

    recebendo a misericrdia de Deus, para viver em

    unio com Ele, solidrios com os irmos, diante dos

    quais se tm senmentos de misericrdia: Meu

    Deus, quanto triste uma casa sem religio! Como

    vos aparece assustadora a morte! [] Espero que o

    bom Deus tenha piedade desta pobre mulher; ela foi

    assim mal criada mas muito desculpvel (Cartas

    familiares 145); Reza muito a So Jos pelo pai da

    criada que est gravemente doente; lamentar-me-ia

    A fonte da sua sandade de vida

    Na homilia na Viglia de orao pelo Snodo sobre

    a famlia celebrada na Praa de So Pedro a 3 de

    outubro passado, o Papa disse: Para compreender

    hoje a famlia, entremos no mistrio da Famlia de

    Nazar, na sua vida escondida, normal e comum,

    como a da maior parte das nossas famlias, com as

    suas penas e as suas simples alegrias; vida feita de

    serena pacincia nas contrariedades, de respeito

    pela condio de cada um, daquela humildade que

    liberta e oresce no servio; vida de fraternidade

    que brota do senr-se parte de um nico corpo.

    lugar a famlia de sandade evanglica, realizada

    nas condies mais normais. A se respira a memria

    das geraes e se aprofundam as razes que

    permitem ir longe. lugar de discernimento, onde se

    educa a reconhecer o desgnio de Deus sobre a

    prpria vida e a abraa-lo com conana. lugar de

    gratuidade, de presena discreta, fraterna e

    solidria, que ensina a sair de si mesmos para

    acolher o outro, para perdoar e ser perdoados.

    E s t a d e s c r i o d - n o s a m e d i d a d a

    contemporaneidade da famlia Marn. A sua

    canonizao mostra a todas as famlias, em primeiro

    lugar s crists, a beleza extraordinria das coisas

    ordinrias, quando a prpria histria vem recebida

    das mos de Deus e Lha oferecemos com a serena

    ajuda. So muitos os episdios nos quais sobressai

    com clareza na vida de Zlia e Luis a beleza desta

    dedicao para com o prximo a parr das

    operrias que trabalham na prpria empresa de

    re n d a s , t rata d a s co m o l h a s ( C f. C a r ta s

    familiares 29) porque so a carne de Cristo,

    pessoas que esto parcularmente no corao de

    Deus (Cf Evangelii gaudium 24.178). uma ateno

    pessoa inteira, ao seu corpo e sua alma, que se

    torna jusa retribuva, parlha da prpria mesa,

    procura de cuidados e de um leito para os sem tecto,

    preocupao de dar o conforto da proximidade

    sensvel de Deus no momento da passagem

    encontrando um sacerdote, generosidade na ajuda

    econmica a um irmo em diculdade, prazer em

    estar ao servio da alegria dos outros, solidariedade

    no sofrimento de quem angido por um luto, visita

    aos enfermos.

    muito que aquele coitado morresse sem se

    confessar (Cartas familiares 195); Tive tantas

    fadigas que adoeci pela minha vez [] contudo

    precisava que casse em p uma parte das noites a

    curar a criada (Cartas familiares 123); Insisto tanto

    que o meu marido se decidiu a vender uma parte

    dos seus tulos do Crdito de Fundos, com uma

    perda de mil e trezentos francos sobre onze mil

    ganhos. Se o meu irmo tem necessidade de

    dinheiro que me pea depressa e me diga se

    necessrio vender o resto (Cartas familiares 68);

    Pedi-lhe para vir aqui todas as vezes que vesse

    necessidade de qualquer coisa, mas nunca veio.

    Finalmente, ao princpio do inverno, e estava muito

    frio, uma criada encontrou o teu pai: nha os ps

    descalos e baa os dentes. Vencido pela piedade

    por aquele desgraado, empreendeu toda a espcie

    de estratgias para o fazer entrar no Hospcio. []

    Teu pai no se deu por vencido: nha a peito esta

    situao e apontou de novo todas as baterias para

    faz-lo entrar na casa dos Invlidos (Cartas

    familiares 175).

    MONTE CARMELO14

  • A procura assdua da inmidade com o Senhor e

    com Maria, vivida exemplarmente por Luis e Zlia,

    a mensagem mais preciosa deixada em herana s

    prprias lhas e a ns lhos de Santa Teresa. Na sua

    canonizao podemos acolher o convite dirigido ao

    Carmelo Teresiano a ser mais famlia, a descobrir a

    beleza e a importncia das nossas responsabilidades

    quodianas, aprendendo humildemente das

    famlias, que vivem com empenho a prpria vocao

    e misso.

    para ns de grande encorajamento constatar

    que verdadeiramente de um sim pronunciado

    com f nascem consequncias que vo para alm de

    ns mesmos e se expandem no mundo. Olhando

    para o casal Marn e para os frutos visveis de

    sandade do seu ser um s corao e uma s alma,

    damo-nos mais conta que, aprendendo a comunicar,

    tornmo-nos comunidade que sabe acompanhar,

    festejar e frucar, e compreendemos que a

    famlia mais bela, protagonista e no problema,

    aquela que sabe comunicar, parndo do

    testemunho, da beleza e riqueza da relao entre

    homem e mulher, e daquele entre pais e lhos

    (Mensagem do Santo Padre Francisco para a 49a

    Jornada Mundial das Comunicaes Sociais, 17 de

    maio 2015).

    P. Saverio Cannistr, OCD

    Prepsito Geral

    O meu desejo que a parr da graa que

    recebemos atravs desta canonizao, nos

    empenhemos a conhecer de perto, tambm atravs

    da leitura da sua correspondncia, o testemunho

    deste casal e nos insiramos criavamente no

    caminho que a Igreja est traando, convidando-nos

    a redescobrir a famlia como sujeito imprescindvel

    para a evangelizao e escola de humanidade.

    Fonte:

    hp://www.carmelitas.pt/site/nocias/nocias_ver.php?

    cod_nocia=389#sthash.JRLs0LGq.dpuf

    A paz interior, a conante tenacidade em assumir

    posivamente os desaos que a vida nos pe

    frente, a capacidade de viver as relaes com

    generosidade colocando no centro a outra pessoa na

    sua unicidade, que caracterizaram a experincia

    matrimonial de Luis e Zlia e a sua relao com os

    lhos, no so frutos de dons especiais ou de

    experincias mscas. Brotam, sobretudo, de levar

    na com seriedade a vontade de Deus pondo-se

    s e r e n a m e n t e e m d i s c u s s o e d e v i v e r

    profundamente a vida da Igreja, recebendo

    quodianamente a graa do sacramento eucarsco

    e reforando a ligao com Jesus na adorao do seu

    amor el e constantemente oferecido na Hsa

    consagrada, rezando pessoalmente e como famlia

    reunidos volta da Virgem Maria, parcipando na

    avidade caritava da parquia com alegre

    disponibil idade mesmo no meio de tantos

    compromissos. E em tudo isto ter sempre tempo

    para escutar as lhas, dispostos a corrigi-las com

    rmeza e suavidade, narrar-lhes a vida de Jesus,

    tomar cuidado da sua interioridade criando espao

    para Deus com uma atude de conante abandono

    na sua presena misteriosa e concreta. Senr-se

    olhados com admirvel espanto e respeitados na

    prpria individualidade irrepevel, reconhecidos

    como um bem incondicional, mesmo quando a

    prpria condio seja fonte de sofrimento, um

    patrimnio de bem-estar e posividade impagvel e

    indestruvel para a pessoa que o recebe. a

    experincia humana que mais se avizinha ao olhar

    de Deus e que por isso abre a porta do corao e o

    habilita a percorrer os caminhos da sandade, como

    a histria desta famlia demonstra claramente.

    certeza de que a coisa mais sbia e mais simples

    em tudo isto abandonar-se vontade de Deus e

    preparar-se de antemo para levar a prpria cruz o

    mais corajosamente possvel (Cartas familiares 51),

    m e t e n d o - s e n a d i s p o s i o d e a c e i t a r

    generosamente a vontade de Deus, qualquer que ela

    seja, pois ser sempre aquilo que ser melhor para

    ns (Cartas familiares 204).

    MONTE CARMELO 15

  • Formao Humana

    MONTE CARMELO16

    Talvez pensemos em outro instrumento de quatro

    cordas, como o violino, porque hoje no se usa mais

    a lira. Pensem no nosso corao, homens e

    mulheres, com quatro cordas como um violino. No

    corao da mulher, essas quatro cordas so o amor

    de esposa, me, lha e irm. E no homem de

    esposo, de pai, de lho e de irmo. Somos

    chamados a amar em todas essas dimenses, com

    essas quatro cordas. Essas dimenses so

    fundamentais porque so a imagem do Deus amor,

    no corpo e na alma do homem e da mulher. Essas

    cordas so indestruveis. Podem ser feridas pelo

    pecado, mas quando o homem se abre ao amor de

    Jesus, elas so salvas, so curadas e, podemos dizer,

    reanadas. Todos os santos insistem muito,

    especialmente os santos carmelitas, na puricao

    do corao. Devemos dar todo o nosso corao a

    Jesus, que o Esposo e o Salvador, e Ele, por meio

    do Esprito Santo, nos ensina a amar com todo o

    corao, em todas as suas dimenses.

    importanssimo no ignorar e no negar nunca

    nenhuma dessas cordas, mas examinar o nosso

    prprio corao. Muitas vezes acontece que vivemos

    uma corda com mais facilidade e outra com mais

    diculdade, por causa de uma experincia posiva

    ou negava que vivemos. Tambm devemos conar

    e entregar o nosso corao a Nossa Senhora, a me

    e educadora maravilhosa do corao de todos os

    Em todos os santos possvel ver essas quatro

    cordas que vibram, mas com muita diversidade.

    Diversidade se homem ou mulher, se uma

    pessoa casada ou consagrada no celibato. A msica

    sempre bela, mas com um tom diverso. Santa

    Teresinha uma mulher consagrada no celibato e na

    virgindade, mas tambm uma doutora da Igreja

    que fala de uma verdade para toda a Igreja. E, nela,

    a corda dominante a corda esponsal, a corda de

    esposa. Em Santa Catarina de Sena, a corda

    dominante a corda materna, todas a chamam de

    me.

    Vamos resumir o ensinamento de Santa Teresinha

    para essas quatro cordas a parr da sua experincia

    como esposa, me, lha e irm. Primeiro, preciso

    notar que entre a corda esponsal e todas as outras

    tem uma diferena essencial. A corda esponsal

    exclusiva, enquanto as outras cordas so inclusivas.

    Ou seja, o amor esponsal s para uma pessoa. Para

    a pessoa casada, o esposo ou a esposa; para a

    pessoa consagrada, Jesus.

    As outras cordas, me, lha e irm so inclusivas,

    incluem todas as outras pessoas. Somos lhos dos

    nossos pais, mas, primeiro de Deus, da Igreja e de

    Maria. Chamamos os nossos superiores de pai e

    me, chamamos o papa de Santo Padre, e tambm

    uma me pode ter muitos lhos. A me de Santa

    Catarina de Sena nha 25 lhos, mas Catarina nha

    centenas de lhos espirituais, mas um nico esposo:

    Jesus. claro que o amor fraterno se estende a

    Teresa de Lisieux a grande teloga do corao

    do homem. Para falar sobre ele, Santa Teresinha usa

    um smbolo riqussimo, que a lira e suas quatro

    cordas. A lira um instrumento musical da

    anguidade. Em uma de suas poesias, Teresa diz:

    Tu, Jesus, faz vibrar as quatro cordas e essas cordas

    so meu corao.

    Santa Teresinha e as Cordas do CoraoSanta Teresinha e as Cordas do Corao

    seus lhos. Os santos nos ensinam a conar

    totalmente o nosso corao, corpo e alma ao amor

    materno de Maria. Trata-se da nossa formao

    permanente, da formao do nosso corao, que dura

    por toda a vida.

  • MONTE CARMELO 17

    So Joo da Cruz d o grande fundamento

    teolgico quando diz que na rvore da cruz o Filho

    de Deus desposou e redimiu a natureza humana e,

    por conseqncias, todas as almas. So Paulo dizia

    que cada homem um irmo pelo qual Jesus

    morreu. So Joo da Cruz diz que cada homem

    uma alma esposa de Jesus. Cada pessoa chamada a

    corresponder ao amor de Jesus e isso , exatamente,

    a sandade.

    Santa Teresa de Lisieux tem um tom um pouco

    diferente sobre o matrimnio espiritual. Para ela, o

    matrimnio espiritual a consagrao do corao ao

    celibato; assim, ela vive sua consagrao religiosa

    como um verdadeiro matrimnio com Jesus. Ela

    conta, na obra Histria de uma alma, com uma

    expresso muito bela, que fez a prosso de f no

    dia 8 de setembro, na Navidade de Maria: Que

    bela festa na Navidade de Maria se tornar a esposa

    de Jesus.

    Vejamos a orao de Teresa no dia da sua

    prosso: Jesus, meu divino esposo, que eu

    jamais perca a segunda veste do meu Basmo.

    Toma-me antes que eu cometa a mais leve falta

    voluntria. Que eu nunca procure e nunca encontre

    seno a somente; que as criaturas no sejam nada

    para mim e que eu nada seja para elas, mas que tu,

    Jesus, sejas tudo! Que as coisas da terra jamais

    consigam perturbar a minha alma, que ningum

    Esta orao uma das expresses mais belas,

    mais puras do amor esponsal a Jesus. Percebemos

    que o primeiro aspecto que Teresa chama Jesus de

    meu esposo pela primeira vez. Como vimos, o

    primeiro aspecto essa exclusividade ao amor

    esponsal de Jesus. A pessoa casada tem apenas um

    esposo ou uma esposa. Isso muito importante: a

    delidade o que caracteriza o amor esponsal.

    Podemos perceber ainda como Teresa expressa o

    amor por Jesus, o amor innito, que s possvel

    viv-lo na pequenez, como o gro de areia. Este

    um amor muito nmo, muito pessoal apenas com

    Jesus, mas no um fechamento egosta,

    individualista. Podemos ver que, no nal da orao,

    ela pede a salvao para todos os homens, sem

    nenhuma exceo. Nunca nenhum outro santo nha

    falado dessa maneira to forte. Ela, como esposa de

    Cristo, espera a salvao de todos os irmos. Faam

    tambm dessa prosso de Santa Teresinha as suas

    palavras para Jesus.

    Alma esposa de Cristo

    Padre Franois-Marie Lethel, OCD

    Fonte: hp://www.comshalom.org/santa-teresinha-e-as-cordas-do-coracao/

    Sem o amor esponsal de Jesus adelidade impossvel, tanto no

    matrimnio como no celibato consagrado.

    Padre Lethel secretrio da Poncia Academia de Teologia

    e pregador dos Exerccios Espirituais da Semana Santa

    para o Papa emrito Bento XVI e Cria Romana em 2011.

    todos os homens. Qualquer homem um irmo pelo

    qual Cristo morreu. Essa disno importanssima.

    Matrimnio espiritual

    Para entender a esponsalidade de Santa Teresinha

    tambm necessrio entender os outros santos. O

    matrimnio espiritual um grande tema dos santos

    carmelitas. So Joo da cruz e Santa Teresa de vila

    falam do matrimnio espiritual como a plena unio

    com Deus, a qual todos so chamados a essa

    vocao universal sandade e a esse matrimnio

    espiritual, igualmente para as pessoas casadas como

    para as consagradas no celibato. So Joo da Cruz

    fala da igualdade da aliana de amor entre o esposo

    e a esposa. Vocs podem observar que o nosso amor

    por Jesus e o amor de Jesus por ns o mesmo, a

    comunho do Esprito Santo. Se nos abrirmos a

    Jesus, abrirmos o nosso corao, podemos am-lo

    como Ele nos ama. Esse smbolo do matrimnio

    iluminador, porque a esposa deve amar o esposo

    como ela amada por ele. O matrimnio espiritual

    como a sandade.

    perturbe a minha paz; Jesus, s te peo a paz, e

    tambm o amor, o amor innito sem outro limite

    alm de , o amor que j no seja eu, mas tu, meu

    Jesus. Jesus, que por eu morra mrr, o marrio

    do corao ou do corpo, ou antes os dois D-me

    cumprir meus votos em toda a perfeio e faze-me

    entender o que deve ser uma esposa tua. Faze que

    eu nunca seja um encargo para a comunidade, mas

    que ningum se ocupe de mim; que eu seja olhada,

    pisada com desprezo, esquecida como um grozinho

    de areia para , Jesus. Que tua vontade seja feita em

    mim, perfeitamente; que eu chegue ao lugar que me

    deves ter preparado. Jesus, faz-me que eu salve

    muitas almas. Que hoje no haja uma s condenada

    e que todas as almas do purgatrio sejam salvas.

    Jesus, perdoa-me se digo coisas que no se deve

    dizer. S quero dar-te prazer e consolar-te.

  • Espiritualidade

    MONTE CARMELO18

    O fio condutor da obra de Santa Teresa

    a misericrdia de Deus.

  • Ela conheceu um amor gratuito de modo to especial que senu a necessidade de comunica-lo.

    Teresa: Cantadora da Misericrdia

    por Dom Leomar Brustolin

    Bispo Auxiliar de Porto Alegre-RS

    H uma pintura medieval que retrata Santa Teresa.

    o quadro do arsta Frei Juan de la Misria, para

    quem a Santa pousou para que pudesse deixar para

    a histria a imagem de seu rosto. Interessante a

    frase que aparece no listel prximo boca da santa e

    onde se l: Misericordias Domini in eternum cantabo

    [Cantarei eternamente as misericrdias do Senhor].

    Aproximando-se o jubileu extraordinrio do Ano da

    Misericrdia, proclamado pelo Papa Francisco,

    apropr iado reer sobre o quanto Teresa

    experimentou o rosto misericordioso de Deus.

    Ela conheceu um amor gratuito de modo to

    especial que senu a necessidade de comunicar a

    misericrdia de Deus a todos os seus lhos, como se

    l no Livro da vida: Quando maior o mal, tanto

    mais resplende o bem das vossas misericrdias. E

    com quanta razo eu as possa cantar para sempre!

    (14,10-11)

    Pode-se dizer que o o condutor de toda a obra

    de Santa Teresa a experincia da misericrdia de

    Deus que socorre o ser humano e permite que a

    criatura tenha uma esponsalidade com o Criador. Ela

    descreve a inmidade nupcial da alma com Deus.

    Aqui, a alma no deve ser compreendida apenas na

    dimenso espiritual da pessoa, porque alma indica a

    profundidade de cada ser, a interioridade mais

    densa que envolve o corpo, a mente e o esprito do

    ser humano. A experincia msca de Teresa abraa

    a totalidade de sua vida de mulher enamorada de

    Deus, marcada pela misericrdia que ange todo

    seu ser.

    Em tempos de crise de f, de emergncia de

    religiosidades difusas, de espiritualidades parciais,

    Santa Teresa convida a encontrarmos o Deus vivo e

    verdadeiro, que provoca uma espiritualidade

    concreta, no abstrata e nem simplista. Trata-se de

    um caminho maduro e capaz de transformar vidas.

    uma espiritualidade profundamente centrada em

    Cristo, encarnado e crucicado, que revela a

    Trindade. Nessa espiritualidade trinitria, a

    comunho o caminho perfeito para viver em Deus.

    Todo isolamento, toda fuga do mundo, toda

    tentava de viver sem os outros, toda falsa

    A experincia que ela fez da misericrdia tornou-a

    misericordiosa. Nela resplende, de forma muito

    concreta, o lema do jubileu: Misericordiosos como

    o Pai. Ela sente que o Senhor tem o corao voltado

    s misrias humanas, por isso pode curar, libertar,

    cuidar e acolher quem caiu. Teresa canta e louva

    essa misericrdia que se manifesta como ternura e

    bondade para com ela. Agradecida, a santa se

    abandona nas mos de quem lhe deu tanta

    dignidade nesse amor. Sua experincia to

    profunda, que sente necessidade de comunic-la,

    para que outros conheam o amor visceral,

    misericordioso do Deus revelado em Jesus Cristo.

    Essa grande mulher, santa, mestra, doutora e

    enamorada de Jesus, passou toda essa herana s

    suas lhas, as carmelitas, que vivem na memria das

    origens. Uma memria orientada a desvendar o

    futuro, para responder aos desaos atuais da

    transmisso da f. Nada h mais de urgente em

    nossa Igreja do que propor a todos um autnco

    encontro com Jesus Cristo, que possibilita entrar na

    comunho trinitria e assumir o compromisso de

    fraternidade. A memria que a vida carmelitana

    realiza em cada mosteiro disperso pelo mundo

    uma recordao do caminho de Teresa.

    CNBB 07-10-2015

    Recordar, emologicamente, se reportar ao

    corao: um voltar ao ncleo essencial semeado por

    Teresa e difundido onde suas lhas e seus lhos se

    encontram. Um grande msco e amigo de

    Santa Teresa, So Joo da Cruz, escreveu: O amor

    no cansa e nem se cansa. Que a espiritualidade

    teresiana vivida pelos lhos e lhas de Santa Teresa,

    no se canse de cantar as misericrdias do Senhor,

    especialmente nas periferias geogrcas e

    existenciais da atualidade.

    pretenso de um grupo que se considera puro e

    perfeito, so aspectos de uma espiritualidade que

    Teresa no aprovaria.

    MONTE CARMELO 19

  • Passamos cinco anos ouvindo a voz de

    nossa me Teresa quando lemos e estudamos

    o Livro da Vida, o Caminho de Perfeio, o

    livro das Fundaes, o Castelo Interior e suas

    maravilhosas Cartas!

    Frades e Seculares do Carmelo Descalo da

    Provncia So Jos promoveram em parceria o

    FRUM 500 ANOS STJ, um grande encontro

    celebravo em comemorao ao V Centenrio

    do Nascimento de Santa Teresa de Jesus, o

    qual se realizou no Centro de Eventos

    Pe. Victor Coelho de Almeida, em Aparecida-SP,

    de 04 a 07/09/2015. O evento contou com a

    parcipao de cerca de 600 pessoas dos trs

    ramos da famlia carmelitana (frades, monjas

    e seculares), diversos instutos liados, alm

    de vrias congregaes e novas Comunidades

    que vivem e bebem do car isma e da

    espiritualidade teresiana.

    Frum 500 STJ

    MONTE CARMELO20

    A coordenao geral do evento cou a

    cargo do Daniel Garcia Roza, da OCDS de

    Franca-SP, apoiado por Frei Clber da

    Trindade, Provincial da OCD, e por Luciano

    Ddimo, Presidente Provincial da OCDS.

    O evento foi apresentado pelo casal

    Danielle Meirelles e Giovani Mendes, membros

    da OCDS de Fortaleza-Ce.

    CARMELO DESCALO DO BRASIL PROMOVEU UM FRUM PARA CELEBRAR O

    V CENTENRIO DE NASCIMENTO DE SANTA TERESA DE JESUS

  • MONTE CARMELO 21

    De forma concreta, a abertura ocial do dia

    04 se deu por meio da celebrao da

    Santa Missa presidida por Frei Patrcio

    Sciadini, OCD.

    Vrios palestrantes abrilhantaram o evento.

    O ciclo de palestras iniciou com nosso amado

    Frei Patrcio Sciadini, ocd, cujo tema foi:

    Santa Teresa, fundadora e missionria.

    Frei Patrcio Sciadini italiano, mas gosta

    de dizer que tambm brasileiro e, como

    missionrio no Egito h alguns anos, tambm

    j se considera egpcio. Gosta de vesr a

    camisa do pas onde vive e onde testemunha

    Jesus Cristo, a Igreja e o Carmelo Teresiano.

    Foi formador, Prior, Provincial, conferencista

    No 5 (sbado), dia especialmente dedicado

    Bem-Aventurada Sempre Virgem Maria, nossa

    Me e Rainha. Comeamos o dia com a orao

    das Laudes e em seguida com a Santa Missa

    presidida por Frei Ari, OCD (Provincial do Sul).

    e escritor, com dezenas de tulos publicados

    no Brasil e exterior. Foi diretor das Edies

    Carmelitanas, divulgando a espiritualidade

    carmelitana por todo o Brasil com seus

    argos em diversos jornais, revistas e livros

    publicados por diversas editoras. Em 2010,

    foi convidado pelo Padre Geral da Ordem

    para ir em misso ao Cairo, frente da

    Delegao Geral do Egito. De l connua a

    colaborar com diversos jornais e revistas do

    Brasil e a publicar novos livros.

  • MONTE CARMELO22

    Frei Ulrich Dobhan nasceu na Alemanha.

    Conseguiu o doutorado na Universidade de

    Wrzburg (vrsburg), com uma tese sobre

    Santa Teresa, com o tulo: Deus, homem e

    mundo na viso de Santa Teresa. A parr de

    1992 comeou a ser professor no CITeS de

    vila. Foi prior e formador no convento de

    Wrzburg (1993-1997). Foi Denidor Geral

    em Roma (1997-2003), Secretrio Geral das

    monjas (2003-2007), e a parr de 2008,

    outra vez provincial de sua Provncia. A parr

    de 2002, junto com a Irm Elisabeth

    Peeterrs, ocd, das Obras Completas de Santa

    Teresa de Jesus. tambm colaborador das

    Obras Completas de Edith Stein em alemo.

    No dia 5 nos reunimos para aprender mais

    sobre nossa me Santa Teresa com a primeira

    palestra do dia, cujo tema foi: Santa Teresa,

    aspectos histricos e biogrcos, ministrado

    por Frei Ulrich Dobhan, OCD.

    Houve um momento de mesa redonda com

    o testemunho vocacional dos trs ramos da

    Ordem, comeando com Frei Cleber da

    Trindade, OCD (Provincial da Provncia So

    Jos - Brasil), depois pela Irm Laura Teresa

    do Menino Jesus, OCD (Monja Carmelo de

    Franca SP) e nalizando com Iris Gomes da

    Costa, OCDS (Comunidade Santa Teresinha,

    Doutora da Igreja - Niteri, RJ).

    No perodo da tarde, iniciamos com a

    l e i t u r a d e u m a c a r t a e n v i a d a e m

    comemorao ao evento pelo Superior Geral

    da Ordem, Padre Severio Cannistr, no qual

    foi lida por Frei Cleber da Trindade, OCD.

    O ciclo de palestra foi retomado com a

    palestra de Frei Romano Gambalunga, ocd,

    Postulador Geral da Ordem Carmelita

    Descala, cujo tema abordado foi:

    O Carmelo de Teresa, formador de Santos

    Evangelizadores.

    Frei Romano Gambalunga nasceu em

    Trento, Itlia. Foi formador no Colgio

    Internacional dos Carmelitas Descalos, em

    Roma (1998-2001). Doutor em Histria da

    Teologia pelo Instuto Mabillon do Poncio

    Ateneu San Anselmo de Roma. Desde 2004

    professor convidado na Faculdade de

    Teologia Teresianum de Roma onde ministra

    cursos de Teologia Espiritual, Introduo

    Teologia, Msca e Teologia: a experincia

    teologal de So Joo da Cruz. Nomeado

    Postulador Geral da Ordem em 2012, nessa

    funo segue pessoalmente os passos de

    cada uma das Causas em Roma.

  • MONTE CARMELO 23

    A palestra seguinte foi ministrada pelo

    ilustre Frei Francisco Javier Sancho Fermin

    que abordou o tema: Santa Teresa e o

    conceito de pessoa humana.

    Frei Francisco Javier Sancho Fermn

    nasceu na cidade de Burgos. Em Roma se

    doutorou em teologia, com especializao

    em espiritualidade. Desde 1999 diretor

    do CITeS Universidade da Msca de vila,

    onde dirige o Master em Msca e Cincias

    Humanas (tulo prprio da Universidade

    Catlica de vila), assim como a Escola de

    Crescimento Espiritual e a Escola de

    Acompanhamento. Tambm co-dirige a

    Ctedra Teresa de Jesus da Universidade

    Poncia de Salamanca. Publicou mais de

    30 livros e mais de uma centena de argos

    s o b r e t e m a s r e l a c i o n a d o s c o m a

    espiritualidade, a msca e os mscos do

    Carmelo, principalmente.

    Aps as palestras, demos seguimento

    com o Bate Papo Musical com Frei Marcos

    Matsubara, OCD. Houve a parcipao de

    membros da OCDS, com a presena dos

    frades no palco e encerrando com um

    grande coro entoando o Salve Regina. Foi

    divulgado o livro de cncos Cantando no

    Carmelo, organizado por Frei Marcos e a

    Comisso de Msica da OCDS. Foi um grande

    momento, belssimo e inesquecvel!!!

    Encerramos a noite do dia 5 com o Recreio

    Carmelitano: Fiesta de La Vida. Com

    parcipao especial da cantora Kennia

    interpretando Santa Teresa de Jesus,

    entoando o canto Vossa Sou. Nos brindando

    com uma profunda reexo sobre as vrias

    faces de Teresa de Jesus, sua vida e a

    expanso de sua reforma.

  • MONTE CARMELO24

    O 3 dia do Frum comeou com a Santa

    Missa na Baslica do Santurio Nacional de

    Nossa Senhora Aparecida com transmisso

    ao vivo pela TV Aparecida. Celebrao

    presidida por Dom Frei Rubens Sevilha, OCD

    Bispo Auxiliar de Vitria-ES, que presentou

    o Brasil com uma belssima homilia sobre

    Santa Teresa.

    As avidades foram retomadas no perodo

    da tarde, dando incio ao ciclo de palestras

    com a presena do Padre Jean Marie Laurier,

    Frana (Instuto Notre Dame de Vie)

    ministrando a palestra sobre Santa Teresa e

    a Msca.

    possvel ver e rever esta celebrao, no

    link: hps://www.youtube.com/watch?v=N7

    hojoHo4Ow&feature=share.

    Padre Jean-Marie Laurier nasceu na

    Frana. Fez sua prosso perptua em 1990

    no Instuto Secular Nossa Senhora da Vida,

    fundado pelo Venervel Servo de Deus Frei

    Maria Eugnio do Menino Jesus, carmelita

    descalo. Alcanou o Doutorado em Teologia

    na Universidade de Friburgo, Sua, com a

    tese: Teresa de Jesus e a Teologia da

    Juscao. Desde 1995 professor de

    Teologia Espiritual (mestres do Carmelo) e

    Teologia Moral no Studium de Notre-Dame

    de Vie, Instuto Teolgico agregado ao

    Teresianum de Roma. autor de vrias

    publicaes em francs e em espanhol. Na

    lngua portuguesa, colaborou na publicao

    das obras de autor ia do Venervel

    Frei Maria-Eugnio: Quero Ver Deus,

    Ao Sopro do Esprito e Virgem Maria, Me

    em Plenitude.

    A palestra seguinte foi proferida pelo

    Professor Moiss Rocha Farias, da Ordem

    Secular do Carmelo Descalo da Provncia

    So Jos, ministrado sobre: Santa Teresa e

    a misso do leigo a parr do Documento

    de Aparecida.

    Moiss Rocha Farias, 35 anos, casado,

    professor, bacharel e mestre em Filosoa,

    especialista em Metodologia e Didca do

    Ensino Superior. carmelita descalo secular,

    tendo sido admido Ordem em 2007 e

    proferido suas Promessas Denivas em

    2013. Carinhosamente podemos dizer que o

    Professor Moiss Rocha foi espiritualmente

    liado ao Carmelo desde o dia que nasceu,

    pois teve a dita de aniversariar no dia 01 de

    outubro, Festa de Santa Teresinha do

  • MONTE CARMELO 25

    Ainda dentro do ciclo de palestras, no

    perodo da tarde, nosso to querido Frei

    Patrcio Sciadini, OCD (Delegado Geral do

    Egito) retorna para nos falar sobre: Santa

    Teresa e a Vida Consagrada, tema to

    importante, especialmente porque 2015 o

    Ano da Vida Consagrada.

    Durante a noite vemos o Show Musical:

    Freis Carmelitas e Convidados. Momento

    muito esperado do Frum, com o

    lanamento do CD Para Vs Nasci. Foi um

    trabalho rduo, mas que hoje podemos

    colher os frutos, lindas e profundas

    interpretaes dos escritos de Santa Madre

    Teresa de Jesus.

    Menino Jesus. Apaixonado por essa

    espiritualidade e, de forma toda especial,

    por Santa Teresa Benedita da Cruz a

    grande Edith Stein , atua no momento

    como coordenador da Escola de Formao

    Edith Stein, cujo objevo formar atuais e

    p o s s v e i s f u t u r o s fo r m a d o r e s d e

    comunidades e grupos OCDS da Provncia

    So Jos. membro fundador do Grupo de

    Trabalho Edith Stein ligado ao CNPq e

    A n P O F ; C o o r d e n a o s S i m p s i o s

    Internacionais Edith Stein.

    O CD produzido por Frei Marcus Vincius

    da Crus - OCD, tendo a presena de Frei

    Renato Maria do Esprito Santo - OCD, Frei

    M a r c o s M a t s u b a r a - O C D , E l i s a

    Almeida - OCDS, Mrcia Andrade OCDS,

    parcipao especial de Suely Faanha - Csh,

    Olvia Ferreira, Mara Jaber, Erika Galhardi,

    Kennia, Nayara Santos, Ana Paula e outros

    cantores que tambm nos brindaram com

    suas belssimas vozes e dedicao.

  • MONTE CARMELO26

    Dia 7, ulmo dia do Frum, comeamos

    com as Laudes, bendizendo a Deus por to

    grande evento que reavivou nossa vocao

    enquanto Carmelitas Descalos. Um evento

    que car marcado na nossa histria e na nossa

    caminhada com Deus.

    Sabemos que nossa me Santa Teresa

    mestra de orao. Em seguida vemos a

    palestra: A Orao como relao esponsal

    em Santa Teresa, ministrado pela Professora

    Lcia Pedrosa (Doutora em Teologia).

    Lcia Pedrosa professora de Teologia na

    Poncia Universidade Catlica do Rio de

    Janeiro PUC-Rio. Graduou-se em Teologia

    pela FAJE Faculdade Jesuta de Filosoa e

    Teologia, em Belo Horizonte, e doutorou-se

    p e l a P U C - R i o . E s t u d o u n o C e n t r o

    Internacional de Estudos Teresianos e

    Sanjunistas de vila (Espanha) e fez estudos

    de ps-doutorado na Poncia Universidade

    Gregoriana PUG, em Roma. organizadora,

    com Mnica Bapsta Campos, do livro Santa

    Teresa: msca para o nosso tempo .

    professora responsvel pelo Grupo Moradas

    de Estudos Mscos (PUC-Rio). assessora

    permanente do Conselho Nacional do Laicato

    do Brasil CNLB.

    Aps esta magnca palestra, o Carmelo

    Jovem subiu ao palco para rezar a milsima

    Ave-Maria junto com todos que estavam

    presentes. Esta corrente de orao comeou

    dias antes no grupo do WhatsApp para

    interceder pelo Frum. Foi um momento

    belssimo, onde todos parciparam juntos.

    As consideraes nais foram feitas por

    Frei Ari Jos de Souza (Provincial da Provncia

    Nossa Senhora do Carmo Sul) e Luciano

    Ddimo (Presidente Provincial dos Carmelitas

    Seculares da Provncia So Jos).

  • MONTE CARMELO 27

    Encerramos o Frum 500 anos STJ com a

    Santa Missa na Arena presidida por Frei

    Cleber da Trindade, OCD (Provincial Sudeste).

    No nal rezamos a Salve Regina com a

    Presena da Imagens de Nossa Senhora

    Aparecida, Padroeira do Brasil.

    O F r u m 5 0 0 A n o s S T J fo i u m a

    experincia nica no s para a famlia

    Carmelitana que estava presente, como

    tambm para todos os que assisram ao vivo

    pela internet. Com certeza nesse Frum

    Carmelitano, que foi o primeiro no Brasil de

    m u i t o s q u e v i r o , t o d o s p u d e ra m

    experimentar essa grande alegria de dar e

    receber um grande abrao em Teresa!

    por Daniele Meireles, Giovani Mendes,

    Luciano Ddimo e Wilderlnia Lima

    OCDS de Fortaleza-Ce

  • MONTE CARMELO28

    Em comemorao ao V Centenrio de Nascimento de Santa Teresa, a OCDS Provncia So Jos

    promoveu uma peregrinao Espanha, visitando algumas das fundaes da Santa e locais

    importantes de sua vida. Na cidade de Alba de Tormes vemos a grande graa de nos encontramos

    com a prpria Santa Teresa, pois l onde esto seus restos mortais. E logo acima da urna

    pudemos contemplar suas principais relquias: do lado esquerdo o seu corao e do lado direito o

    seu brao.

    Ao lado direito contemplamos a relquia

    do seu brao. Aquele brao que tanto

    trabalhou, que tanto construiu, que

    reformou o Carmelo! Aquele brao onde est

    toda a sua fora, toda a sua missionariedade,

    todo o servio ao Reino, toda a obedincia

    ao que Deus lhe pediu, pois bem sabia ela

    que obras quer o Senhor!

    O ABRAO DE TERESA

    O corao de Teresa est incorrupto,

    mesmo depois de tantos sculos, e nele

    podemos ver claramente a fenda causada

    pela echa amejante lanada por um anjo

    em uma viso msca conhecida como

    transverberao. Pudemos ver a olho nu

    aquele corao que h 500 anos esteve no

    corpo de Santa Teresa e que est vivo at

    hoje! Aquele corao que tanto amou, que

    tanto sofreu, que tanto acreditou, que tanto

    rezou e que tanto dialogou inmamente

    com o seu to grande Amigo!

    O CORAO DE TERESA

    No corao de Teresa

    H uma grande certeza

    Aquela certeza vasta

    Que lhe diz que s Deus basta

    Corao transverberado

    Foi echado pelo anjo

    Corao cicatrizado

    Segue hoje abenoando

    No corao de Teresa

    Est sua humildade

    e trato de amizade

    No corao de Teresa

    Est sua dor e temor

    Est sua f e amor

    O BRAO DE TERESA

    J no brao de Teresa

    Contemplamos o seu ardor

    Pois j sabia Teresa:

    So obras que quer o Senhor

    Sim, no brao de Teresa

    Est a fora em servir

    Sim, no brao de Teresa

    Est a garra em construir

    Arregaou suas mangas

    Pegou prego e martelo

    E reformou o Carmelo

    Ps nos braos suas monjas

    Mesmo com todo agelo

    E descalou o Carmelo

  • MONTE CARMELO 29

    Tambm no Frum 500 anos STJ, onde

    todo a famlia do Carmelo do Brasil esteve

    reunida para abraar Teresa, todos saram

    com o senmento de terem sido tambm

    verdadeiramente abraados por Teresa!

    Abraados com Teresa, seguiremos o

    nosso caminho de cruz e de luz! Abraados

    com Teresa ns nos abraaremos e nos

    fortaleceremos! Abraados com Teresa,

    mesmo em noites escuras, subiremos o

    Monte! Abraados com Teresa, seguiremos

    conantes no Carmelo e na Igreja at

    recebermos o eterno abrao da Trindade!

    por Luciano Ddimo

    Contemplando o corao de Teresa e o

    brao de Teresa, senmos o amor e a fora

    de seu abrao, pois um abrao verdadeiro

    dado com os braos e com o corao! No

    abrao amoroso h uma reciprocidade, pois

    quem abraa tambm abraado! Naquele

    momento abraamos e senmos o abrao de

    Teresa! Um abrao que nos anima, nos

    conforta e nos impulsiona a caminhar! Um

    abrao que nos impulsiona a sermos luz para

    os outros como ela mesma luz para ns!

    O ABRAO DE TERESA

    L em Alba encontramosSeu corao e seu braoSenmos ento a fora

    E o amor do abrao!

    No brao e no coraoNa ao e na oraoEst a determinada

    E grande determinao

    O abrao de TeresaNos convida a abraar

    Todo aquele que fraqueja

    O abrao de TeresaNos convida a caminharNo Carmelo e na Igreja

  • Teresinha queria viver a sua vida com entusiasmo, com amor, com novidade.

    Santa Teresinha: Modelo Jovem de Fora Criativa

    Na Jornada Mundial da Juventude na Frana, o Santo Joo Paulo II no s proclamou Doutora da Igreja Teresa

    do Menino Jesus, mas tambm a proclamou Padroeira da Juventude. Ningum melhor do que ela, que viveu

    24 anos, pode compreender os desejos dos jovens.

    Jovens do mundo inteiro tm desejos que ns,

    velhos, nem sempre compreendemos, mas se

    zermos esforo para entrar de novo no tero da

    juventude e renascer no Esprito Santo, como diz

    Jesus, poderemos, sem dvida, retomar os nossos

    sonhos de ontem e projet-los hoje. No numa forma

    montona e anquada, mas sim com o dinamismo

    que o sculo 21 exige.

    O jovem quer viver. Teresinha queria viver a sua

    vida com entusiasmo, com amor, com novidade. E

    quando via um caminho fechado, ela no

    desanimava, mas procurava outro. Tinha dentro dela

    um ideal claro, e por isso lutou at consegui-lo.

    Queria ser carmelita, era o seu ideal. Disseram-lhe

    que era impossvel aos 15 anos, mas ela insisu, foi

    de porta em porta, at bater porta do

    Papa Leo 13, e quando tudo parecia ser contra ela,

    as portas do Carmelo se abriram e realizou o seu

    sonho. Assim so os jovens, no desanimam nunca.

    Eles insistem de todas as formas e de todos os lados,

    at que conseguem o que eles querem. Jovem no

    pode ser acomodado. Deve saber que no se chega

    meta sem sofrimentos. Que Santa Teresinha possa

    infundir nos jovens do mundo inteiro, esta coragem

    de no desanimar nunca. Recomear sempre.

    Posso estar errado, e aqui os antroplogos,

    telogos, psiclogos e todos os que querem, me

    ajudem. A pessoa humana, fundamentalmente no

    muda, ela nasce olhando o seu futuro, buscando

    caminhos novos e abrindo caminhos para novas

    geraes. H dentro de ns o desejo de innito, que

    no pode ser apagado. Devemos seguir o curso da

    gua do rio, quando nos leva ao oceano, mas tambm

    subir fagosamente o curso da gua para voltar

    nascente e beber da gua pura e no contaminada

    pelos detritos que encontra no caminho.

    precisava ter sade de gigante para fazer

    morcaes que chamassem a ateno, penitncias.

    Ela se senu impotente para tudo isso. Mas no

    renunciou sandade e buscou outro caminho, o

    caminho que todos podem percorrer, o caminho da

    infncia, da pequena via, feito de amor, de renncia,

    de abandono e de conana em Deus. E chegou a ser

    santa, e uma grande santa.

    Assim devem ser os jovens de hoje. Diante do

    ideal, no podem renunciar, mas devem procurar

    novos caminhos. Deus no quer gigantes sicos,

    fora, mas quer gigantes no amor. possvel amar

    tanto nas diculdades, na doena, quanto na sade.

    Foi criava nas suas intuies. Quem mais criavo

    do que os jovens? Eles devem criar novos caminhos

    para a Igreja, para a famlia, para a missionariedade.

    Os valores sero os mesmos, mas a maneira de

    como vivenci-los ser diferente.

    Frei Patrcio Sciadini, OCD

    Fonte: Site da Arquidiocese Rio de Janeiro

    Teresinha queria ser missionria, mas estava no

    mosteiro, fechada por muros em todos os lados.

    Mas quem pode fechar o corao? Quem pode

    perder o amor? Ela foi capaz de superar tudo isso e,

    com amor, com f, abraou a humanidade na

    missionariedade e evangelizao. Quero ser

    missionria pela orao e pelo sacricio. preciso

    encontrar caminhos missionrios no s na ao,

    mas tambm na orao contemplava, no amor que

    arde em nosso corao. Que ela seja no meio dos

    nossos jovens fora criava, e que marque o futuro

    da f do nosso povo brasileiro.

    Teresinha queria ser santa, mas viu que o caminho

    da sandade daquele tempo era complicado;

    Vivemos na era do Facebook, do Ipod, do no sei

    o que, e todos estes meios devem ser colocados ao

    servio de Deus. Jovens sabem como mexer com

    tudo isso e ns, velhos, devemos ter a humildade de

    agradecer a Deus pelos jovens que so mais criavos

    do que ns.

    Caderno Jovem

    MONTE CARMELO30

  • MONTE CARMELO 31

    VISITA DO CONSELHO PROVINCIAL A REGIO CENTRO OESTE

    Nos dias 20 a 24 de agosto, representando o conselho provincial ocds, esveram reunidos em Trindade-GO

    comunidades de Gois, Trindade e Braslia, para um rero com frei Pierino, delegado Provincial do Sudeste, e

    um encontro sobre as Constuies OCDS com a Conselheira do Centro Oeste Rose Pioo. Frei Pierino

    orientou o rero sobre o PAI NOSSO REZADO PELO PAI, mas com nfase na passagem da ressureio de

    Lzaro, quando Marta diz a Maria: Vem! O mestre est aqui e te chama. (Jo, 11,28). No estudo que zemos

    com as constuies destacamos o art. 32: O objevo central do processo de formao na Ordem Secular, a

    preparao da pessoa para viver o carisma e a espiritualidade do Carmelo em seu seguimento de Cristo, a

    servio da misso. E a parr dele trabalhamos toda o perl do Carmelita Descalo Secular. Encerramos com

    recreio preparado com muito amor e animao, com a visita do Padre Henrique, amigo das Monjas de trindade.

    O mesmo contou com a parcipao de lideranas jovens e adultos das respecvas Parquias, s quais se

    entusiasmaram com a vida e a obra de Santa Teresa. O Carmelo Jovem dinamizou situaes da vida da Santa

    Madre, atravs de um musical, um dos xtases de Teresa - Encontro de Santa Teresa com o Menino Jesus fato

    que se deu no Carmelo da Encarnao. Fez o Caminho das Moradas no Castelo Interior ponto alto do Rero,

    onde a Adorao ao Sanssimo foi o pice do Encontro com o Senhor.

    por Estela Mrcia da Paz, Ocds

    A orao um trato de amizade, estando muitas vezes a ss, com Aquele que sabemos que nos ama".

    (Santa Teresa 8,5)

    II RETIRO DO GRUPO SO JOS - PETRPOLIS/RJ (II RETIRO DO SILNCIO)

    O Grupo So Jos, do Carmelo de Petrpolis RJ, celebrou os 500STJ no lmo Domingo 16 de agosto de

    2015 - 3 Domingo do ms vocacional, dia de orao pelas vocaes Religiosas, Consagradas e Seculares. O Grupo

    dedicou esse dia para servir Parquia de Nossa Imaculada Conceio de Raiz da Serra, e Parquias vizinhas,

    com o seu II Rero do Silncio, favorecendo aos parcipantes experincias de orao silenciosa.

    A parr das Palestras sobre a "Idendade de Santa Teresa/500 Anos" e "O Jardim da Orao", os

    parcipantes puderam reconhecer a maestria de Teresa e a importncia da vida interior, atravs dos vrios

    momentos de deserto e reexo, propostas. Em cada meditao e dinmica o carisma carmelitano lhes permiu

    compreender a grandeza d