Revistas do s©culo XX

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Pesquisa feita sobre revistas do século xx para a matéria de História do Design no Brasil, ministrada pela professora Letícia Pedruzzi.

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  • Revistas do Sculo XXAline MArques e sAMuelly ribeiro

    Vitria, 1o de julho de 2014

  • Com a vinda da corte portuguesa

    para o Brasil, no incio do sculo XIX,

    a produo grfica no Brasil iniciada,

    e assim, torna-se possvel as primeiras

    publicaes de livros, jornais e revistas

    em territrio nacional.

    Segundo Werneck (2000, p.16), citado

    por Moura (2011, p.3), a primeira revis-

    ta no oficial do pas, lanada na Bahia,

    em 1812 pelo jornal Idade dOuro do Bra-

    sil, tinha como ttulo As Variedades ou

    Ensaios de Literatura e sequer foi apre-

    sentada nesta categoria - revista - ainda

    que j existisse o termo, apenas em 1828,

    no Rio, a primeira publicao rotulada

    como revista foi lanada: a Revista Se-

    manria dos Trabalhadores Legislativos

    da Cmara dos Senhores Deputados.

    Estes primeiros peridicos no ti-

    nham uma preocupao formal com o

    design editorial, tinham em comum o

    formato conservador e o uso mnimo de

    ilustraes (MOURA, 2011, p.3).

    Apenas por volta da dcada de 1860,

    as revistas encontram o caminho para a

    simpatia popular abordando assuntos

    de interesse social, e menos erudi-

    tos/cientficos (WERNECK apud

    MOURA, 2011, p.3).

    Dentre as primeiras revistas brasi-

    leiras destacam-se a Semana Illustrada

    (1861-1876) de Henrique Fleuiss (figu-

    ra 1) e a Revista Illustrada (1876-1898)

    de Angelo Agostini, ambas exploravam

    bastante o uso de ilustraes, e tinham

    a poltica como tema principal de suas

    charges humorsticas.

    Semana Ilustrada, foi o veculo

    de comunicao responsvel pelas

    primeiras fotos publicadas em

    revistas no territrio nacional.

    Em 1864, trouxe aos seus leitores,

    cenas dos campos de batalha da

    Guerra do Paraguai, a guerra do

    Brasil Imperial contra Solano

    Lpez, o tirano governante

    paraguaio (ABREU; BAPTISTA,

    2010, p.4)

    Porm, foi no sculo XX que houve

    uma exploso de publicaes, e assim,

    um aprimoramento nas tcnicas de pro-

    duo e no design das revistas brasilei-

    ras. O Malho, Para Todos..., A Ma,

    Senhor e Realidade, so lanadas

    neste sculo, e so destaques das

    prximas pginas.

    Introduo

  • Aline Marques e Samuelly Ribeiro Revistas do Sculo XX

    Fig. 1 - Capa da revista Semana Illustrada de Henrique Fleuiss

  • Revistas do Sculo XX Julho de 2014

    Fig. 2 - Capas de Careta desenvolvidas por J.Carlos

  • Aline Marques e Samuelly Ribeiro Revistas do Sculo XX

    Jos Carlos de Brito e Cunha, mais co-

    nhecido por J. Carlos, foi um dos princi-

    pais nomes da rea grfica na dcada de

    1920 por trabalhar na colaborao, cria-

    o e diagramao de diversos

    peridicos semanais ilus-

    trados, alm disso, J.

    Carlos tambm pro-

    duzia anncios e

    ilustrava char-

    ges polticas

    das revistas

    com as quais

    trabalhou.

    J. Carlos

    tinha forma-

    o prtica, e

    possvel acom-

    panhar sua evo-

    luo atravs de

    sua trajetria desde

    seu primeiro desenho

    publicado em 1902 at

    sua morte, em 1950 (SO-

    BRAL, 2005, p. 128).

    Seus primeiros trabalhos de peso

    do incio em O Tagarela junto a K.Lix-

    to e Raul Pederneiras, dos 18 aos 24 anos

    (em 1908), quando convidado para ser

    ilustrador exclusivo da Careta, que visa-

    va concorrer diretamente com O Malho.

    Ambas eram revistas de circulao na-

    cional e tratavam de poltica nacional e

    internacional. Durante os 13 anos que

    trabalhou na Careta, produziu entre

    10 a 20 ilustraes por edio,

    e adquiriu maior conhe-

    cimento grfico e de

    novas tecnologias,

    o que ajudou pos-

    teriormente na

    sua atuao

    como diretor

    de arte, junto

    com lvaro

    Moreyra nas

    revistas do

    grupo concor-

    rente - O Ma-

    lho S.A. - recm

    -adquirida por

    Pimenta de Mello,

    dentre elas O Malho,

    Para Todos... e Illustra-

    o Brasileira, e outras.

    Sobral (2005, p.125-132) quali-

    fica J. Carlos como designer grfico uma

    vez que no perodo de atuao no grupo

    de O Malho, aprimorou o projeto grfi-

    co de cada revista de acordo com seus

    assunto e pblico alvo, inovando e man-

    tendo a identificao com o pblico.

    L

    J. Carlos e os semanrios ilustrados

  • Revistas do Sculo XX Julho de 2014

    Voltada para o pblico masculino,

    O Malho teve incio em 1902. Charges,

    reportagens fotogrficas, caricaturas,

    crticas culturais, charadas e afins com-

    punham a revista que contava com o

    prestgio de grandes nomes como cola-

    boradores: J. Carlos, Raul Pederneiras,

    K.lixto e Luiz Peixoto nas ilustraes,

    Olavo Bilac, Emlio de Menezes e Bastos

    Tigre nas redaes.

    Em 1922, J. Carlos assume o seman-

    rio j consolidado no mercado. Com o

    repertrio adquirido anteriormente pela

    concorrente, Careta, e seu prprio reper-

    trio visual tpico, J. Carlos enfrenta um

    desafio particular (SOBRAL, 2005, p.133).

    Com formato de 2332cm, 64 pgi-

    nas, dois teros da revista era impressa

    em papel jornal (uma ou duas cores) e

    um tero em papel couch (uma a trs

    cores). As charges tinham conotaes

    polticas, e os calungas representavam

    caricaturas de polticos da poca, agru-

    pamentos sociais ou figuras alegricas.

    As figuras femininas estavam restritas

    ao ltimo grupo.

    As capas de O Malho geralmente

    eram impressas em duas cores, por ve-

    zes, trs. O vermelho utilizado nas capas

    era marcante, tinha funo de destaque

    nos pontos de venda, e tambm remete

    oposio poltica. A cor sempre era as-

    sociada a cores frias.

    No ano em que assumiu, J. Carlos

    adotou nas capas uma moldura nas

    charges que separavam o cabealho (t-

    tulo da revista, ano e nmero da publi-

    cao) da ilustrao, e do texto no roda-

    p. Em 1927, decide retirar a moldura e

    sangra as imagens de maneira que texto

    e imagens se integrem.

    Uma das principais preocupaes

    de J.Carlos era com o nvel de instruo

    do leitor, e para no perder o interesse

    dos menos letrados, as ilustraes eram

    muito utilizadas tanto como linguagem,

    representando ou dando pistas sobre o

    texto, quanto fazendo quebras para dar

    leveza ao volume denso de texto. Sobral

    categrica: Tal nvel de sofisticao

    na relao entre tipografia e imagem,

    muito comum nos dias de hoje, no era

    em absoluto, frequente nessa poca em

    lugar nenhum no mundo (2005, p. 137).

    A fotografia em O Malho tinha auto-

    ridade documental, e seu processo de

    impresso ainda era recente no Brasil,

    porm J. Carlos consegue manter um di-

    namismo na diagramao da revista.

    O Malho

    Fig. 3 - Capa d'O Malho feita por J.Carlos

  • Uma revista dedicada, em seu pri-

    meiro momento (1918-1926), exclusiva-

    mente para o cinema, e em seu segundo

    s vrias expresses artsticas e cultu-

    rais. Para Todos... tinha como pblico

    principal jovens do sexo feminino de

    classe mdia alta.

    Com tema mais leve que a revista

    anterior, J. Carlos teve mais liberdade

    em Para Todos..., e criou capas que se

    tornariam um verdadeiro tesouro do

    design grfico art dco (SOBRAL, 2005,

    p. 144). Alm disso, foi possvel otimi-

    zar o uso do parque grfico j que as

    capas no tinham o compromisso de

    estar vinculadas com acontecimentos

    muito recentes, o que permintiu, inclu-

    sive, criar um conjunto de capas que

    contavam histrias, como no caso do

    carnaval de 1927.

    O projeto grfico de Para Todos... era

    parecido com o de O Malho. O formato

    tambm era de 2332cm, e tambm utiliza-

    va folhas de papel jornal e couch, porm,

    apenas as oito primeiras pginas eram im-

    pressas no primeiro tipo de papel.

    Em Para Todos..., J. Carlos tambm

    teve preocupao de deixar a leitura

    mais leve, aumentando a entrelinha e

    arejando a mancha tipogrfica.

    A fotografia o recurso grfico prin-

    cipal da revista, e mesmo no sendo a

    principal expertise de J. Carlos, o ilus-

    trador comea a experimentar recortes

    de fotografias que se integravam com

    elementos decorativos ilustrados. O con-

    tedo da revista era um retrato da alta

    sociedade brasileira da poca, e isso

    pode ser percebido devido ao requinte

    do trabalho feito por J. Carlos.

    Para Todos...

    Fig. 4 - Conjunto de capas desenvolvidas por J. Carlos que contavam a histria

    do carnaval lanadas em 1927

  • Revistas do Sculo XX Julho de 2014

    A Ma: destaque

    na dcada de 1920

    Lanada em 1922, no Rio de Janeiro, A Ma tinha li-

    teratura provocante, voltada para o pblico masculino.

    O principal nome da revista era Humberto de Campos

    que assinava os contos com o pseudnimo de Conselhei-

    ro xx (xis-xis). A primeira edio de A Ma esgotou-se e

    chegou a ser o semanrio mais vendido da capital fede-

    ral daquela poca.

    Desde o incio, A Ma pautava assuntos considerados

    tabus da poca como traio, emancipao feminina e de-

    sejos sexuais, por isso, a sociedade via com maus olhos a

    revista, e muitas vezes seus colaboradores preferiam utili-

    zar pseudnimos para no perderem trabalhos em outros

    peridicos mais tradicionais (HALUCH, 2005, p. 101).