Ronaldo, Copa do Mundo e o Jornal Lance!

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA FACULDADE DE COMUNICAÇÃO SOCIAL Ronaldo, Copa do Mundo e o Jornal Lance!: Um estudo de caso na relação entre ídolo e jornalismo esportivo Juiz de Fora Fevereiro de 2007
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  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA FACULDADE DE COMUNICAO SOCIAL

    Ronaldo, Copa do Mundo e o Jornal Lance!: Um estudo de caso na relao entre dolo e jornalismo esportivo

    Juiz de Fora Fevereiro de 2007

  • Felipe de Oliveira Mendes

    Ronaldo, Copa do Mundo e o Jornal Lance!: Um estudo de caso na relao entre dolo e jornalismo esportivo

    Trabalho de Concluso de Curso Apresentado como requisito para obteno de grau de Bacharel em Comunicao Social na Faculdade de Comunicao Social da UFJF Orientador: Mrcio de Oliveira Guerra

    Juiz de Fora Fevereiro de 2007

  • Agradeo Aos meus pais, Toninho e Olga, que independente de qualquer coisa souberam me ensinar mais do que qualquer professor. E tambm por terem me dado a oportunidade de ter tido professores, me apoiarem nas minhas escolhas e torcessem pelo meu sucesso. minha famlia. Minha irm, meus avs, tios e primos, que sempre se interessaram e respeitaram tudo aquilo que fiz nessa carreira profissional que agora comea. Ao professor e amigo Mrcio Guerra, pela confiana depositada, pela amizade, pelos grandes ensinamentos e pela pacincia na orientao deste trabalho. Aos grandes professores e amigos que encontrei na faculdade e nos estgios. Tuca, grande referncia. Ao Ricardo Bedendo e ao Paulo Roberto, pelos grandes ensinamentos mesmo fora de aula e pela gentileza em aceitar o convite para fazer parte da banca. Meg, pela humanizao da Direo da Faculdade e pelos muitos galhos quebrados. Aos funcionrios, principalmente Jocemar e Gilmar, pela pacincia com que sempre atenderam a cada um de ns, alunos. Hayde, pelas inmeras consultorias e pela capa do trabalho. Ao Joo Paulo, pelo companheirismo, pelas caronas, pelo scanner. Ao Srgio pelas risadas e pelas ligaes fora de hora. Ao Thiago pela cumplicidade. Aos demais amigos, da faculdade e de fora, que fizeram com que as coisas fossem menos chatas.

  • Dedico esse trabalho a todas pessoas a quem agradeci na pgina anterior e a mais algumas.

  • Sou Ronaldo Nasci no Rio de Janeiro Al-al, Bento Ribeiro, minha rea Eu sou Ronaldo Jogo na linha, a nove minha Ningum tasca eu vi primeiro Artilheiro, eu sou Ronaldo O meu desejo ser criana E no perder a esperana de ver o jogo mudar Eu sou Ronaldo A minha fome de bola A minha sede de gol Balana a rede, eu sou Ronaldo Sou de suar minha camisa Conquistar minha divisa Eu j provei que eu sou Ronaldo E se voc no acredita que eu no sou de fazer fita s esperar pra ver. Ro... , , ... naldo gol Ro... , , ... naldo gol

    Marcelo D2

  • Anlise da cobertura do jornal esportivo Lance! durante a Copa do Mundo de 2006, realizada na Alemanha. Foco em matrias, fotos, artigos, crnicas e charges que tinham como tema o atacante Ronaldo, um dos principais jogadores da Seleo Brasileira, e na variao do enfoque destes depois de cada atuao do jogador em partidas do torneio. O grande objetivo da pesquisa fazer um estudo de caso da relao entre os grandes dolos do esporte e os veculos de comunicao. Mostrar at que ponto a carreira e a histria de um atleta podem influenciar na forma com que os fatos ligados a ele so tratados em um jornal impresso. Comparar as impresses pessoais de editores do jornal com o que foi publicado nas edies que chegaram s bancas. Alm disso, fizemos um resgate histrico do futebol no Brasil e no Mundo, da carreira de Ronaldo, do jornalismo esportivo no Brasil e do Jornal Lance!. Palavras-chave: Jornalismo Esportivo, Copa do Mundo, dolos do Esporte.

  • 1 INTRODUO

    2 O FUTEBOL

    2.1 HISTRIA

    2.2 HISTRIA DAS COPAS DO MUNDO

    2.3 FUTEBOL NO BRASIL

    3 MDIA E JORNALISMO ESPORTIVO

    3.1 HISTRICO DO JORNALISMO ESPORTIVO NO BRASIL

    3.2 O JORNAL LANCE!

    3.3 O PROJETO COPA DO LANCE!

    4 RONALDO

    4.1 HISTRIA

    4.2 AS COPAS DO MUNDO DE 1994, 1998 E 2002

    4.3 A COPA DO MUNDO DE 2006

    5 COPA DO MUNDO 2006 RONALDO E O JORNAL LANCE! ESTUDO DE CASO

    5.1 DE 7 A 13 DE JUNHO POLMICAS E EXPECTATIVA

    5.2 DE 14 A 18 DE JUNHO RONALDO ENGORDA

  • 5.3 DE 19 A 22 DE JUNHO MENOS CRITICADO, OFICIALMENTE GORDO

    5.4 DE 23 A 27 DE JUNHO E AGORA, O QUE DIZER?

    5.5 DE 28 DE JUNHO A 1 DE JULHO O QUE IMPORTA O RECORDE

    5.6 OS DIAS APS A ELIMINAO DO BRASIL CAA DE EXPLICAES

    6 CONCLUSO

    7 REFERNCIAS

    8 APNDICE

  • 1 INTRODUO

    Vivemos no pas do futebol. Alis, no apenas isso. O Brasil o pas dos 180

    milhes de treinadores. Todos sabem o que melhor para o seu clube de corao, e

    principalmente para a Seleo Brasileira. Vivemos tambm no pas dos jornalistas. No difcil

    encontrar uma pessoa que olhe com desprezo para um jornalista formado (ou em formao) e

    diga: Diploma para jornalista? Escrever em jornal qualquer um pode!. Conclui-se ento que a

    profisso de jornalista esportivo uma das mais visadas do pas. Qualquer um pode escrever em

    jornal, qualquer um entende de futebol.

    O dia-a-dia do jornalista esportivo complicado. O profissional da rea, alm de lidar

    com as dificuldades que so inerentes profisso em geral, ainda tem que ouvir crticas vindas de

    todos os lados, das pessoas que avaliam diariamente o seu trabalho. Esse trabalho pretende ser

    mais um desses crticos, e avaliar uma situao especfica.

    Esta monografia se prope a analisar a forma com que os dolos so tratados pela

    mdia impressa esportiva, verificando como o desempenho destes atletas se reflete nos textos e

    fotos publicados. Para isso, foi feito um estudo de caso da cobertura da Copa do Mundo de 2006

    no dirio esportivo Lance!, com foco em matrias, artigos e fotos que se referem direta ou

    indiretamente ao atacante brasileiro Ronaldo Fenmeno.

    Por qu Ronaldo? Na Copa do Mundo de 2002, ele marcou oito gols, se tornando o

    artilheiro mximo e fazendo parte, com grande destaque, da equipe brasileira que conquistou,

    quela altura, seu quinto ttulo, se consolidando ento como a maior vencedora do torneio, com

    cinco conquistas, duas a mais que seus principais concorrentes (Itlia e Alemanha, que tinham

    vencido trs Copas). Ronaldo, que marcou dois gols na partida final, contra a seleo da

    Alemanha, foi louvado, juntamente com a seleo brasileira, no prprio jornal Lance!, na edio

  • que encerrou a cobertura da Copa do Mundo de 2002, quando at o ttulo das matrias relativas

    cobertura da conquista do ttulo brasileiro se referiam ao jogador.

    Desde o incio da faculdade o meu interesse principal foi pelo jornalismo esportivo.

    Alis, foi o interesse pelo esporte que me fez ter interesse por jornalismo. Sempre li muitos

    jornais especializados em esporte e cadernos esportivos dos outros veculos, e algumas coisas

    sempre me intrigaram. As mudanas de tratamento de acordo com o desempenho dos atletas e o

    excesso de opinio nos textos so algumas destas questes.

    Durante a Copa do Mundo, acompanhando a cobertura nos mais diversos veculos,

    percebi que Ronaldo sempre tinha um tratamento diferente. Sobre ele se falava mais, e nem

    sempre o futebol era o assunto. A partir da, passei a procurar uma forma de avaliar essa

    diferenciao e as questes levantadas no pargrafo anterior.

    As edies do Lance!, que j se acumulavam em minha casa, se mostraram um bom

    objeto de estudos. A cada dia o foco do que se falava sobre Ronaldo era alterado. Quando o atleta

    se envolveu em uma polmica com o presidente Lula e o jornal usou sua capa para publicar um

    editorial sobre o assunto, decidi que o tema da monografia seria este que apresento.

    Foram recolhidos os jornais do perodo de cobertura da Copa do Mundo, comeando

    dois dias antes do torneio e terminando dois dias aps o seu encerramento. Alm disso, li artigos,

    livros, teses e monografias que falavam sobre jornalismo esportivo, sobre Ronaldo, sobre

    jornalismo opinativo e sobre futebol.

    Levantei um breve histrico do jornalismo esportivo no Brasil e do prprio futebol,

    alm de assuntos mais especficos, como a carreira de Ronaldo e a histria das Copas do Mundo

    e do Jornal Lance! para o estudo de caso, que me levou s concluses que apresento no final do

    texto. Tudo isso, a partir das prximas pginas.

  • 2 O FUTEBOL

    Futebol s.m. (Do ingl. football, jogo de bola com o p). Esporte no qual 22

    jogadores, divididos em duas equipes, se esforam para fazer entrar uma bola de couro na baliza

    da equipe contrria, sem interveno das mos. As primeiras regras foram elaboradas em 1860.

    (LAROUSSE, 2000: pp. 2607).

    A partir dessa definio, ou visto pela TV ou nos estdios, o futebol parece algo

    simples. Raramente paramos para pensar de onde vieram as dezessete regras desse que hoje ,

    indiscutivelmente, o esporte mais popular do mundo. A histria do futebol longa, e suas origens

    so confusas. Muitas teorias discutem a origem do esporte que ganhou fora e regras na

    Inglaterra do final do sculo XIX. Depois de pesquisa em livros e na internet, vamos expor

    aquelas idias que so mais aceitas ou mais difundidas.

    2.1 HISTRIA

    Entre trs e cinco mil anos antes de Cristo. Essa a estimativa de alguns arquelogos

    para a origem de jogos que seriam antepassados do futebol, na China e no Japo. Egpcios e

    babilnios tambm teriam batido bola no Sculo X a.C., de acordo com pesquisas

    arqueolgicas.

    Os gregos, seguindo sua tradio de pioneirismo, teriam sido os primeiros europeus a

    chutar bolas por esporte. Vem do sculo VIII a.C. o epyskiros, praticado na cidade grega de

    Esparta. Militares, divididos em equipes de quinze jogadores, chutavam uma bexiga de boi

    recheada com areia. A categoria, hoje fundamental para os toques nas levssimas bolas de couro e

    material sinttico, era dispensvel. Vencia quem chutava com mais fora.

  • Os romanos tambm tiveram sua verso do epyskiros, chamada de harpastum. Regras

    rgidas para um jogo disputado em um campo retangular, com posies demarcadas de ataque e

    defesa, davam cara de treinamento militar ao esporte. Difundido por outras partes do continente

    europeu por volta do sculo I a.C., o jogo pode ter sido o primeiro embrio de futebol a chegar

    Gr-Bretanha.

    O primeiro registro de algo parecido com o esporte a chegar a terras inglesas, porm,

    data do sculo XI d.C., quando bolas foram chutadas pelas ruas de vrias cidades do pas, na

    comemorao da expulso de invasores dinamarqueses do pas. A bola representava a cabea de

    um general do exrcito do pas escandinavo.

    A popularizao do futebol na Inglaterra no demorou. Isso preocupou algumas

    autoridades, j que jovens perdiam um tempo que poderia ser dedicado a outras atividades, como

    o arco-e-flecha, fundamental para um pas que era freqentemente invadido, e passava por

    guerras constantes. A violncia do futebol tambm era condenada. quela altura, socos, pontaps

    e at pauladas eram comuns nas disputas. Para evitar problemas maiores, o Rei Eduardo II

    chegou a proibir a prtica do esporte no pas, no incio do Sculo XIV.

    A proibio na Inglaterra durou por mais de 300 anos. Devido a reaes como essa, o

    futebol foi se adaptando, e se tornando um esporte menos violento. Enquanto na Inglaterra o

    esporte era proibido, em outros pases, como a Itlia, ele ganhava algumas regras e se

    popularizava.

    Foi s em 1660 a primeira partida oficial na Inglaterra. O Rei Carlos II, notando que

    alguns de seus soldados refugiados na Itlia tinham se tornado praticantes assduos do esporte,

    determinou que alguns deles o representassem em uma partida contra os servos de um Conde.

    Alguns tericos concordam que esse pode ter sido o pontap inicial na histria do futebol

    moderno.

  • Mais um salto, e chegamos ao Sculo XIX, quando o sistema de ensino superior da

    Inglaterra foi reformulado. Alguns esportes foram includos na rotina das escolas. Entre eles

    estava o futebol, que comeou a ganhar fora nas disputas estudantis. O primeiro clube de futebol

    do mundo foi criado tambm por estudantes. Em 1843, uma turma de amigos de medicina fundou

    o Guys Hospital Football Club, em Londres.

    Cada escola, porm, criava regras prprias para a prtica do esporte em suas

    dependncias. A grande maioria se baseava no Rugby, um esporte j difundido pelo territrio

    ingls. Assim, em alguns locais, era comum os jogadores poderem carregar ou tocar na bola com

    as mos.

    Representantes de algumas escolas resolveram ento se reunir para definir um

    regulamento nico para o futebol. Foram criadas, em 1849, as regras de Cambridge. Mais

    tarde, em 1863, representantes de clubes e associaes fundaram a Football Association, uma

    espcie de Federao Nacional de Futebol. A princpio, eram treze regras. Ao longo dos tempos,

    adaptaes foram feitas para que se chegasse s dezessete leis que so conhecidas at hoje.

    Nove anos depois da criao da Football Association, foi realizada a primeira partida

    internacional de todos os tempos. O time da Inglaterra viajou cidade de Glasgow, na Esccia,

    no dia 30 de novembro de 1872, para uma partida que terminou empatada em 0x0 contra a

    seleo local.

    Mais treze anos, e os ingleses comeariam a profissionalizar o futebol. Em 1888, doze

    clubes disputaram aquele que pode ser considerado o primeiro torneio de futebol da histria, a

    Football League. O Preston North End, que hoje disputa a segunda diviso do pas, foi o

    vencedor das duas primeiras temporadas (1888-89 e 1889-90). A Football League existiu at

    1992, quando deu lugar Premier League, a atual primeira diviso da Inglaterra.

  • Outros dois pases que criaram ligas de futebol na mesma poca foram Holanda e

    Dinamarca, que se organizaram em 1889. Antes disso, porm, o futebol j se difundia at mesmo

    fora da Europa. O primeiro clube fundado fora do Velho Continente foi o Buenos Aires FC,

    fundado em 1865 por imigrantes ingleses na Argentina.

    Na Europa, as federaes nacionais eram cada vez mais comuns. medida que o

    esporte ia se difundindo e ganhando popularidade, os praticantes buscavam se organizar. A FIFA,

    Fdration Internationale de Football Association, entidade mxima do esporte at os dias

    atuais, foi criada em 1904 por representantes das federaes francesa, espanhola, belga, sua,

    holandesa, dinamarquesa e sueca. O primeiro grande torneio de futebol entre selees foi durante

    os Jogos Olmpicos de 1908. A Gr-Bretanha (que no tinha se filiado FIFA, e s o faria em

    1950, mesmo assim separada em Inglaterra, Esccia, Irlanda do Norte e Pas de Gales) venceu o

    torneio, disputado em Londres. Os bretes voltariam a levar a medalha de ouro olmpica quatro

    anos mais tarde, em Estocolmo, na Sucia.

    At 1909, apenas pases Europeus tinham se filiado FIFA. O primeiro pas de fora

    do continente a se filiar Federao foi, curiosamente, o pas-sede da prxima Copa do Mundo,

    que vai acontecer em 2010, a frica do Sul. Chile e Argentina em 1912, e Estados Unidos, em

    1913, seguiram o exemplo. Esse foi o incio das atividades internacionais da FIFA. Tinha sido

    dado o primeiro passo para a expanso. (SITE DA FIFA)

    A primeira confederao continental criada foi a Confederao Sul-Americana de

    Futebol (Conmebol), que data de 1916, mesmo ano de fundao da Confederao Brasileira de

    Desportos (CBD, hoje Confederao Brasileira de Futebol CBF). As outras confederaes

    continentais nasceriam bem depois. Em 1954, foram criadas a Union of European Football

    Associations UEFA (em portugus: Unio das Federaes de Futebol da Europa) e a Asian

    Football Confederation (AFC, Confederao de Futebol da sia).

  • A Confdration Africaine de Football (CAF, Confederao Africana de Futebol)

    surgiu em 1957; a Confederation of North, Central American and Caribbean Association

    Football (Concacaf, Confederao de Futebol das Amricas do Norte e Central e do Caribe) em

    1961; e a Oceania Football Confederation (OFC, Confederao de Futebol da Oceania), em

    1964.

    Cada uma dessas federaes tem seu torneio continental entre selees, mas o grande

    destaque do futebol internacional a Copa do Mundo, organizada pela FIFA e realizada a cada

    quatro anos. Atualmente, so 204 federaes filiadas FIFA e um que ainda busca a filiao:

    Gibraltar, um territrio britnico no sul da Pennsula Ibrica. Justamente por no ser reconhecido

    como pas pela grande maioria das naes, a filiao de Gibraltar improvvel.

    2.2 HISTRIA DAS COPAS

    Desde sua fundao, em 1904, o objetivo da FIFA era organizar o futebol

    internacional e um grande torneio entre selees de seus pases filiados. Alguns imprevistos

    (como a Primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918) e a dificuldade de locomoo da poca

    adiaram o sonho.

    O terceiro presidente da entidade, o francs Jules Rimet, que assumiu o cargo em

    1921, foi o grande entusiasta do torneio e da FIFA. Para se ter uma idia, nos 33 anos de sua

    presidncia, a FIFA passou de 20 para 85 membros, mesmo com todo o assombro das duas

    grandes guerras mundiais.

  • Fig.1 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1930

    Rimet no poupou esforos para que o torneio sasse do papel. Seu sonho foi

    concretizado em 1928, quando um Congresso da FIFA decidiu que o primeiro torneio seria

    realizado dois anos mais tarde. Candidataram-se para sediar o torneio sete pases: Uruguai, Itlia,

    Sucia, Espanha, Hungria e Holanda. Os sul-americanos, credenciados por dois ttulos olmpicos

    no futebol (1924 e 1928), venceram a disputa.

    A escolha fez com que alguns pases europeus decidissem boicotar o torneio. Outros

    desistiram devido longa e desgastante viagem de navio (o time da Romnia o primeiro a

    embarcar no navio que trouxe as quatro selees europias participantes Amrica do Sul

    levou 12 dias para chegar ao Rio de Janeiro, onde o barco fez uma escala. Curiosamente, a

    delegao brasileira pegou uma carona nesta embarcao at o Uruguai).

    A escolha dos pases-sede das Copas do Mundo feita em uma eleio, onde votam

    os membros do comit-executivo da FIFA. A partir da Copa do Mundo de 1990, a escolha do

    pas-sede feita sempre seis anos antes de sua realizao.

  • Todos os 46 pases filiados FIFA at ento foram convidados para a Copa de 1930,

    mas apenas 12 aceitaram, alm dos anfitries uruguaios. Da Europa, apenas Frana, Blgica,

    Iugoslvia e Romnia. Da Amrica do Sul, Argentina, Brasil, Bolvia, Paraguai, Peru e Chile,

    alm de Mxico e Estados Unidos, que representaram a Amrica do Norte.

    Os uruguaios fizeram uma campanha impecvel, vencendo as selees de Peru,

    Romnia e Iugoslvia antes da final contra a Argentina. A deciso teve seu incio atrasado em

    cerca de uma hora por conta de uma briga entre representantes dos dois times, que queriam

    escolher a bola do jogo. Ficou acordado que o primeiro tempo seria com a bola dos argentinos, e

    o segundo com a dos donos da casa. Curiosamente, a Argentina venceu a primeira etapa por 2 x

    1. No segundo tempo, o Uruguai marcou trs gols, e conquistou a taa que levava o nome de

    Jules Rimet.

    Assim como em 1930, as questes polticas voltaram a influenciar a realizao da

    Copa do Mundo em edies posteriores, desde a escolha dos pases aos jogos em si. Em 1934,

    sob presso do ditador Benito Mussolini, o Mundial foi realizado na Itlia. Dessa vez, o nmero

    de pases que se candidataram a participar foi bem maior (32), e pela primeira vez foram

    realizadas eliminatrias continentais.

    Dezesseis selees chegaram fase final, que foi disputada no sistema de mata-

    mata, ou seja, as equipes que perdiam uma partida eram eliminadas. Pela primeira vez, um pas

    de fora do eixo euro-americano disputou o torneio: o Egito. A Itlia, com o apoio de uma

    inflamada torcida, venceu Estados Unitos, Espanha, ustria e Tchecoslovquia, na final (vitria

    por 2 x 1 na prorrogao). Pela segunda vez consecutiva, o pas sede conquistava o ttulo.

  • Fig.2 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1934

    Quatro anos mais tarde, Jules Rimet assistia ao torneio em seu pas, a Frana. Depois

    das disputas entre 36 pases nas eliminatrias, dezesseis disputaram o torneio, mais uma vez no

    sistema de mata-mata. A expanso do futebol pelo mundo era cada vez mais ntida. Pases

    como Cuba e ndias Holandesas (atual Indonsia) participaram da Copa de 1938. Pela primeira

    vez, o Brasil passou da primeira fase, chegando s semifinais, quando foi eliminado pela Itlia,

    que viria a conquistar o bicampeonato vencendo a Hungria na final.

  • Fig.3 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1938

    Depois disso, a Copa sofre mais um duro golpe. O incio da Segunda Guerra Mundial,

    em 1939, fez com que a FIFA suspendesse a escolha do pas-sede para o Mundial de 1942. O

    conflito, que s se encerrou em 1945, deixou o continente Europeu completamente arrasado.

    Uma deciso inicial da entidade mxima do futebol marcou a Copa do Mundo seguinte para

    1949. O Brasil foi o nico pas candidato a sediar o torneio, que acabou remarcado para 1950.

    Por conta da destruio causada pela Guerra, o nmero de pases inscritos para as

    Eliminatrias caiu para 32. Entretanto, um participante em especial faria sua aguardada estria: a

    Inglaterra, pas dos inventores do futebol moderno. Dezessseis selees garantiram vagas, mas

    trs desistiram: Esccia, Turquia e ndia. Os indianos, inclusive, abdicaram da vaga por um

    motivo inslito. A FIFA no permitiu que seus jogadores atuassem descalos. Outras naes

    foram convidadas para seus lugares, mas no aceitaram.

    Divididos em grupos de quatro, trs ou duas selees, os times se enfrentaram nas

    cidades do Rio de Janeiro, So Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Recife. Nesta

    Copa, a capital mineira assistiu quela que considerada a maior zebra da histria dos mundiais

    at hoje. A Inglaterra perdeu para os Estados Unidos por 1 x 0 e ficou sem chance de

    classificao s finais do torneio.

    Brasil, Espanha, Sucia e Uruguai se classificaram para a fase final, onde todos

    jogaram contra todos.O Brasil, que tinha vencido a Sucia por 7 x 1 e a Espanha por 6 x 1,

    precisava apenas de um empate contra o Uruguai na ltima partida do mundial, no Maracan. O

    estdio, que tinha sido construdo especialmente para a Copa, estava completamente lotado, e

    assistiu, atnito, a uma vitria da equipe celeste por 2 x 1.

  • Fig.4 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1950

    Quatro anos mais tarde, a Copa voltaria Europa. A Sua, que se manteve neutra na

    Segunda Guerra, foi o pas escolhido para sediar o torneio, que voltou a contar com dezesseis

    equipes. O mundo assistiu a belssimas atuaes da seleo da Hungria, que goleou todos os

    adversrios at a final, quando enfrentou a Alemanha Ocidental1 (a quem j tinha vencido por 8 x

    3 na fase inicial). Para surpresa de todos, os alemes, que saram perdendo por 2 x 0,

    conseguiram uma virada por 3 x 2 na deciso e conquistaram o seu primeiro ttulo mundial.

    1 Depois da reunificao, a Alemanha herdou as participaes da antiga Alemanha Ocidental, que disputou as Copas do Mundo de 1950 a 1990.

  • Fig.5 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1954

    A fora poltica do continente europeu ficou evidente quando foi anunciado o pas

    sede da Copa do Mundo seguinte (1958): a Sucia. Pela primeira vez seria realizada uma Copa

    sem Jules Rimet no cargo de presidente da FIFA. Ele tinha sado quatro anos antes, e deixado a

    cadeira para o belga Rodolphe William Seeldrayers. Cinqenta e uma selees se inscreveram

    para as eliminatrias, e dezesseis chegaram final. Nessa Copa, o futebol conheceu aquele que

    seria considerado seu Rei dali a alguns anos: Pel.

    O jogador, ento com 17 anos, entrou no time do Brasil no decorrer da competio, e

    se destacou. O time brasileiro, que na primeira fase venceu a Unio Sovitica (2 x 0) e a ustria

    (3 x 0) e empatou com a Inglaterra (0 x 0), chegou s fases finais credenciado como um dos

    favoritos do torneio.

    Fig.6 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1958

    Nas quartas-de-final, o time venceu o Pas de Gales por 1 x 0. O adversrio seguinte

    era o forte time da Frana, mas o time de Pel fez 5 x 2 e se credenciou para disputar a final

  • contra o time sueco. O jogo contra os donos da casa prometia ser duro, mas, com uma atuao

    magistral, o time repetiu o placar da semifinal e conquistou o ttulo pela primeira vez.

    Em 1962, no Chile, a faanha se repetiria. Entretanto, Pel, que se machucou, no

    participou de boa parte da campanha do Brasil. O time foi comandado por Garrincha, que foi

    considerado o melhor jogador daquele mundial por toda a crtica da poca.

    O Chile tinha passado pela maior tragdia de sua histria dois anos antes. No dia 21

    de maio de 1960, um terremoto de 8 graus na escala Richter deixou cinco mil mortos e 2 milhes

    de desabrigados no pas. A FIFA chegou a cogitar a mudana de sede, mas o comit organizador

    garantiu que conseguiria realizar o Mundial, e que isso seria importante para o pas. Assim, o

    local foi mantido.

    Inscreveram-se para as eliminatrias 56 selees de todo o mundo. Os 16 classificados

    foram divididos em quatro grupos de quatro equipes cada, e os dois melhores passaram s

    quartas-de-final. Times fortes, como Argentina, Uruguai e Itlia, decepcionaram, e no

    conseguiram passar da primeira fase.

    Fig.7 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1962

  • O Brasil estava no Grupo 3, ao lado de Espanha, Mxico e Tchecoslovquia. A estria

    foi contra os mexicanos, vitria por 2 x 0. No segundo jogo, empate sem gols contra os tchecos.

    A classificao foi garantida com uma vitria por 2 x 1 contra a Espanha.

    Nas quartas-de-final, os adversrios foram os ingleses. Com grande atuao de

    Garrincha, que marcou duas vezes, o Brasil fez 3 x 1, e garantiu sua vaga nas semifinais. Os

    adversrios seriam os donos da casa. Mais uma vez, Garrincha desequilibrou, e marcou duas

    vezes. Vav fez os outros dois gols brasileiros na vitria por 4 x 2. A final seria contra a

    Tchecoslovquia, adversria que arrancou um empate na primeira fase. Dessa vez, o Brasil

    conseguiu a vitria (e o ttulo): 3 x 1.

    Os inventores do futebol moderno s sentiram o gosto de sediar uma Copa do Mundo

    em 1966. Chegaram Inglaterra dezesseis equipes, depois de uma disputa entre 53 nas

    eliminatrias continentais. O Brasil no fez uma boa campanha, caindo na primeira fase aps

    vitria sobre a Bulgria e derrotas para Hungria e Portugal (que faria grande campanha, chegando

    terceira colocao).

    Fig.8 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1966

  • Os ingleses, contando com o apoio de sua fantica torcida, fizeram uma bela

    campanha. Na fase inicial, empataram com o Uruguai (0 x 0) e venceram Mxico e Frana

    (ambos por 2 x 0). Depois, vitrias sobre Argentina, nas quartas-de-final (1 x 0) e Portugal, nas

    semifinais (2 x 1).

    Na deciso mais polmica de todas as Copas do Mundo, os donos da casa enfrentaram

    o time da Alemanha. Depois de um empate em 2 x 2 no tempo normal, a partida foi para a

    prorrogao. Foi a que uma bola chutada pelo ingls Hurst bateu no travesso e na linha. O

    rbitro validou o gol, questionado at hoje pelos alemes. No ltimo minuto da prorrogao, o

    mesmo Hurst marcou mais um, e definiu a vitria dos ingleses por 4 x 2.

    A Copa do Mundo de 1970 foi a primeira disputada fora do eixo Europa-Amrica do

    Sul. O Mxico foi escolhido como pas-sede do torneio, que teve 70 inscritos para as

    eliminatrias. O Brasil, que conquistou seu terceiro ttulo, fez uma campanha impecvel. Em seis

    partidas, foram seis vitrias.

    Fig.9 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1970

  • Na primeira fase, o time brasileiro enfrentou a Tchecoslovquia (vitria de virada por

    4 x 1), a Inglaterra (1 x 0) e a Romnia (3 x 2). Classificado em primeiro da chave, o Brasil

    enfrentou o Peru, que era treinado pelo ex-craque brasileiro Didi, e venceu por 4 x 2.

    As semifinais reuniram Brasil, Uruguai e Itlia os bicampees mundiais at ento

    alm da Alemanha, que buscava o segundo ttulo. Caso brasileiros, uruguaios ou italianos

    levassem terceiro o ttulo, ficariam com a posse definitiva do trofu Jules Rimet, como era

    previsto.

    As semifinais foram confrontos entre as selees do mesmo continente. Enquanto a

    Itlia venceu a Alemanha por 4 x 3 na prorrogao, o Brasil venceu o Uruguai por 3 x 1, de

    virada. A deciso reuniu os campees de 1934/38 e os de 1958/62. O Brasil, comandado pelo

    tcnico Zagallo, fez 4 x 1, e conquistou o trofu.

    Na edio seguinte, a Copa voltou ao continente Europeu. O pas escolhido para

    sediar o torneio foi a Alemanha Ocidental. Era a estria da Taa Fifa, o novo trofu da Copa do

    Mundo. Dessa vez, foram 95 selees participantes das eliminatrias. Os grandes destaques do

    torneio foram os holandeses e os donos da casa, que fizeram a final.

    Fig.10 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1974

  • O Brasil, que fez campanha irregular, acabou com a quarta colocao, depois de

    perder para a Polnia por 1 x 0 na deciso do terceiro posto. Na final, em Munique, a Holanda

    saiu na frente. A Alemanha, com o apoio de uma grande e inflamada torcida, conseguiu a virada

    e venceu por 2 x 1.

    Depois de 16 anos, o Mundial retornaria Amrica do Sul. A Argentina foi escolhida

    como sede do torneio de 1978. Pela primeira vez, o nmero de inscritos passou de cem (102

    selees disputaram as eliminatrias, sendo que o nmero de dezesseis participantes foi mantido).

    Mais uma vez, as questes polticas foram consideradas decisivas. O pas-sede do Mundial estava

    sob regime militar, e havia presso sobre jogadores e comisso tcnica para que os argentinos

    finalmente conquistassem o ttulo da Copa do Mundo.

    A Copa da Argentina no entanto foi semelhante a de 66, a seleo anfitri foi campe com suspeitas de favorecimento ilcito. A Argentina era forte nos torneios americanos e seus clubes eram campees, mas ainda no tinha vencido uma Copa do Mundo. A conquista da Copa em casa serviria para o povo esquecer a represso da ditadura militar.Vrias entidades protestaram para que a Copa fosse transferida para um pas que respeitasse os direitos humanos. (COPA da Argentina, 2006)

    Na primeira fase do torneio, as dezesseis equipes foram divididas em quatro chaves.

    As duas melhores de cada uma passaram para a segunda fase, quando as oito selees foram

    divididas em outros dois grupos. O primeiro colocado de cada grupo passaria deciso.

    Membros de todas as selees reclamaram de um suposto favorecimento seleo

    argentina. Enquanto as demais equipes eram foradas a viajar grandes distncias, os donos da

    casa jogaram quase todas as suas partidas em Buenos Aires. Para se ter uma idia, enquanto os

    argentinos viajaram 620 quilmetros durante o Mundial, o time do Brasil viajou

    aproximadamente 4.700 quilmetros.

    Na segunda fase, ento, as crticas foram ainda maiores. Brasil, Argentina, Polnia e

    Peru ficaram na mesma chave. Brasileiros e argentinos empataram em 0 a 0 e venceram suas

  • outras partidas. Na ltima rodada, o Brasil iria enfrentar a Polnia, e a Argentina jogaria contra o

    Peru. Entretanto, as partidas no foram marcadas para o mesmo horrio, o Brasil jogou antes.

    Fig.11 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1978

    A Argentina entrou em campo contra o Peru sabendo do que precisava fazer para

    chegar final: vencer o Peru por uma diferena mnima de quatro gols. A misso, teoricamente,

    seria difcil, pois o time peruano foi considerado a grande surpresa daquela Copa. Entretanto,

    os peruanos jogaram muito mal, e a Argentina fez 6 a 0.

    Imediatamente surgiram crticas e teorias sobre a causa daquela espantosa derrota. O

    goleiro Quiroga (coincidentemente nascido na Argentina e naturalizado peruano) foi o mais

    criticado, e at mesmo o rbitro da partida foi considerado culpado.

    Foi mais fcil do que parecia: a Argentina massacrou por 6 a 0. O resultado motivou todo o tipo de acusaes, nenhuma delas comprovada: contra o goleiro Quiroga, peruano nascido na Argentina; contra o prprio elenco peruano, que teria recebido US$ 10 mil para perder; e at contra o rbitro francs Robert Wurtz. Os atletas peruanos sofreram tentativa de agresso quando retornaram ao seu pas. (UM CAMPEO sob suspeita, 2006)

    Classificada, a seleo argentina enfrentou a equipe da Holanda na deciso. A partida

    aconteceu no estdio Monumental de Nuez, o maior da Argentina. Apoiado por sua imensa

  • torcida, o time dono da casa venceu por 3 x 1 na prorrogao, depois de um empate em 1 x 1 no

    tempo normal (sendo que os holandeses chutaram uma bola na trave no ltimo lance da partida).

    Percebendo o crescimento das eliminatrias e do nmero de afiliados, a FIFA resolveu

    aumentar o nmero de participantes da Copa do Mundo. Pela primeira vez, 24 equipes se

    classificaram para o Mundial, que foi disputado na Espanha. A frmula de disputa foi alterada.

    Foram montadas seis chaves, com quatro equipes cada. As doze selees classificadas foram

    divididas em outros quatro grupos, cada um com trs equipes. As selees campes de cada um

    desses grupos jogariam as semifinais.

    Fig.12 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1982

    O Brasil foi considerado o grande favorito do torneio por especialistas de todo o

    mundo. A equipe contava com vrios jogadores de destaque nacional e internacional, como Zico,

    Falco, der, Scrates e Cerezo. A equipe venceu suas trs partidas na primeira fase (contra

    Esccia, Unio Sovitica e Nova Zelndia). Na segunda, caiu em um grupo com Argentina e

    Itlia. Brasileiros e italianos venceram os argentinos e decidiram a vaga.

    O Brasil era considerado o grande favorito para o jogo, pois vinha de quatro vitrias

    consecutivas. A Itlia, por sua vez, no foi bem na primeira fase, quando empatou suas trs

  • partidas. Entretanto, com trs gols de Paolo Rossi, venceu o Brasil por 3 x 2 e se classificou para

    as semifinais.

    Os outros semifinalistas eram Polnia, Alemanha e Frana. A Itlia enfrentou a

    Polnia e venceu por 2 x 0, chegando final. A Alemanha empatou em 3 x 3 com a Frana e

    conquistou sua vaga na deciso ao vencer a primeira deciso por pnaltis da histria das Copas: 5

    x 4. Na final, cansado, o time alemo no foi preo para a Itlia, que venceu por 3 x 1 e

    conquistou sua terceira Copa do Mundo.

    A Colmbia tinha sido o pas escolhido como sede para a Copa do Mundo de 1986.

    Entretanto, uma grave crise econmica fez com que o pas desistisse do Mundial, que voltou ao

    Mxico, o primeiro pas a sediar duas Copas do Mundo. A frmula de disputa foi novamente

    alterada (e mantida at a edio de 1994). As equipes foram divididas em seis chaves. Os dois

    primeiros de cada um dos grupos, mais os quatro melhores terceiros colocados se classificavam

    para as oitavas-de-final. A partir da, as equipes se enfrentavam no esquema de mata-mata.

    Fig.13 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1986

    A seleo brasileira, pela segunda vez, foi eliminada sem sofrer nenhuma derrota. Na

    primeira fase, trs vitrias (1 x 0 contra Espanha e Arglia e 3 x 0 contra a Irlanda do Norte). Nas

  • oitavas-de-final, 4 x 0 contra a Polnia. O nico gol sofrido foi no jogo das quartas-de-final,

    contra a Frana. Empate em 1 x 1 e vitria francesa por 4 a 3 na disputa de pnaltis.

    Comandada por Diego Maradona, a seleo argentina foi a melhor, e conquistou seu

    segundo ttulo mundial. Os argentinos venceram a Coria do Sul e a Bulgria e empataram com a

    Itlia na primeira fase. Nas etapas seguintes, a equipe foi impecvel, vencendo Uruguai,

    Inglaterra (inclusive com o famoso gol Mo de Deus de Maradona, que subiu para cabecear e

    desviou a bola com um leve soco) e Blgica antes da deciso, quando fez 3 x 2 na Alemanha e

    levantou a taa pela segunda vez.

    A final entre Argentina e Alemanha se repetiria quatro anos mais tarde, na Itlia (que

    se tornou o segundo pas a sediar duas Copas do Mundo). O torneio de 1990 considerado o de

    mais baixo nvel tcnico da histria das Copas. A mdia de gols (2,21), a menor da histria dos

    Mundiais at 2006.

    Mais uma vez, o nmero de selees inscritas passou da casa das centenas. No total,

    106 pases foram representados nas eliminatrias, e o sistema de disputa foi mantido, com 24

    equipes classificadas. O Brasil, comandado por Sebastio Lazaroni, fez uma campanha ruim, e

    foi eliminado ao perder para a Argentina por 1 x 0 nas oitavas-de-final, depois trs vitrias na

    primeira fase (2 x 1 contra a Sucia e 1 x 0 contra Costa Rica e Esccia).

    As semifinais reuniram a ento tricampe Itlia, as bicampes Argentina e Alemanha

    e a Inglaterra, que voltava a ficar entre os quatro primeiros colocados pela primeira vez desde o

    ttulo de 1966. Argentinos e alemes venceram, respectivamente, italianos e ingleses em disputas

    de pnaltis e decidira a Copa. Desta vez, a Alemanha teve maior sorte, e venceu por 1 x 0,

    entrando para o grupo dos tricampees mundiais.

  • Fig.14 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1990

    Os Estados Unidos foram escolhidos como pas-sede da Copa do Mundo de 1994,

    derrotando Marrocos e o Brasil na eleio realizada seis anos antes pela FIFA. O fato de o pas

    no ter tradio no futebol preocupou os crticos, mas o que se viu foi um exemplo de

    organizao e de interesse (foi registrada a maior mdia de pblico da histria das Copas: 68.991

    pessoas por jogo).

    Houve um salto no nmero de pases inscritos para as Eliminatrias: foram 144 no

    total. Mais uma vez, 24 se classificaram, e foram divididos em seis grupos com quatro selees

    cada. O torneio foi muito equilibrado (para se ter uma idia, apenas quatro equipes passaram da

    primeira fase sem nenhuma derrota: Brasil, Sucia, Espanha e Alemanha).

    As finalistas das duas Copas anteriores, Alemanha e Argentina, decepcionaram. Os

    argentinos caram nas oitavas-de-final, perdendo para a Romnia. A Alemanha foi at as quartas-

    de-final, quando perdeu para a Bulgria, que, ao lado da Sucia, foi uma das surpresas do

    mundial, chegando s semifinais.

  • Fig.15 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1994

    O Brasil e a Itlia, porm, fizeram valer o favoritismo histrico nos jogos contra

    suecos e blgaros, respectivamente, e chegaram final. O vencedor seria o primeiro pas a

    conseguir o status de tetracampeo da Copa do Mundo. Pela primeira vez, uma final foi decidida

    nos pnaltis. Depois de um empate em 0 a 0 no tempo normal e na prorrogao, o Brasil venceu

    por 3 x 2 e conquistou, pela primeira vez, a Taa FIFA (nos trs primeiros ttulos, ainda era

    entregue ao campeo a Taa Jules Rimet).

    Frana, Marrocos e Sua se candidataram a sede da Copa do Mundo de 1998, que

    teria, pela primeira vez, 32 selees participantes. A medida foi tomada pela FIFA, que via o

    crescimento do nmero de participantes da Copa do Mundo ano aps ano, e resolveu ampliar as

    vagas. Assim, as selees classificadas passam a ser divididas em oito grupos, cada um com

    quatro selees, e avanam duas de cada chave, que se enfrentam em sistema mata-mata at a

    final.

    Por sua maior tradio histrica no futebol, a Frana foi escolhida para a primeira

    Copa do Mundo no novo modelo. A seleo do pas ficou de fora dos Mundiais de 1990 e 1994,

    quando perdeu a vaga para selees de pases de menor expresso nas Eliminatrias, e voltou a

  • disputar o torneio depois de 12 anos. A Frana se tornava ento o terceiro pas a receber duas

    Copas do Mundo.

    Fig.16 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 1998

    Mais uma vez, houve crescimento no nmero de inscritos para as Eliminatrias: 172,

    no total. Depois de duas Copas do Mundo consideradas tecnicamente fracas, a crtica

    especializada apontou o Mundial de 1998 como um dos mais interessantes da histria. Em 64

    partidas, foram marcados 171 gols.

    O Mundial de 1998 marcou a estria de Ronaldo em partidas de Copa do Mundo. O

    jogador chegou a ser inscrito para a Copa do Mundo de 1994, mas no participou de nenhuma

    partida da campanha vitoriosa do Brasil. Em compensao, em 1998 ele era considerado o

    principal jogador da Seleo Brasileira.

    Alguns resultados foram surpreendentes, como a vitria da Crocia (que tinha

    acabado de se desmembrar da antiga Iugoslvia) sobre a tricampe Alemanha por 3 x 0 nas

    quartas-de-final. No entanto, o Brasil, que era considerado favorito principalmente pelo ttulo de

    1994, e a Frana, foram os finalistas.

  • Antes da final, Ronaldo se sentiu mal no hotel da Seleo Brasileira, e chegou a ser

    divulgada a notcia de que ele no tinha condio de jogo. Mais tarde, foi apurado que o jogador

    teve uma crise convulsiva em campo, mas, atendido em um hospital de Paris, foi escalado de

    ltima hora. A Frana, com o apoio de uma torcida inflamada, conseguiu a vitria por 3 x 0 e

    conquistou seu primeiro ttulo mundial.

    A Copa do Mundo de 2002 foi marcada por uma srie de ineditismos desde a escolha

    da sede. Pela primeira vez, a Copa do Mundo no seria realizada na Europa nem na Amrica.

    Para promover o esporte em outras partes do mundo, a FIFA determinou que o Mxico, candidato

    junto a Japo e Coria do Sul, estaria fora da disputa.

    Na votao final, uma outra escolha foi indita: os dois pases, muito prximos

    geograficamente, apresentaram boas condies para sediar o torneio, o que fez com que, pela

    primeira vez na histria, houvesse uma Copa do Mundo dividida em dois pases.

    Participaram das Eliminatrias 196 pases. Vinte e nove deles se juntaram a coreanos,

    japoneses e franceses, que conquistaram a vaga diretamente, por serem os campees do mundial

    de 1998. Essa, inclusive, foi a ltima vez que o campeo de uma Copa do Mundo teve vaga

    garantida no torneio seguinte. Por determinao da FIFA, os atuais campees teriam que passar

    pelas Eliminatrias a partir de 2002.

    A imprensa no apontava o Brasil como um dos favoritos, pois a campanha nas

    Eliminatrias sul-americanas no foi considerada satisfatria. O time, entretanto, conseguiu

    vencer as sete partidas da Copa do Mundo (feito igualado apenas pela prpria seleo Brasileira,

    que venceu os seis jogos em 1970) e conquistar seu quinto ttulo aps uma deciso contra a

    Alemanha. A partida, que terminou em 2 x 0, foi a primeira entre brasileiros e alemes na histria

    das Copas.

  • Fig.17 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 2002

    Dessa vez, Ronaldo se destacou. O jogador, que saa de um perodo difcil, ficando

    praticamente dois anos afastado do futebol aps graves contuses, principalmente nos joelhos, foi

    o maior artilheiro da Copa do Mundo, com oito gols marcados. Alm disso, fez os dois gols da

    deciso do mundial.

    A Alemanha, derrotada pelo Brasil na deciso, j tinha sido escolhida como pas-sede

    da Copa do Mundo de 2006 (o Mundial que objeto de estudos desta monografia). O pas se

    preparou ento para receber o torneio, que, curiosamente, teve 196 inscritos para as

    Eliminatrias, assim como quatro anos antes.

    Entre as 32 equipes classificadas, algumas chamaram a ateno. Da frica, por

    exemplo, quatro selees estrearam em mundiais (Costa do Marfim, Togo, Angola e Gana, que

    foi eliminada pelo Brasil nas oitavas-de-final). A Seleo Brasileira conquistou quatro vitrias

    consecutivas, mas perdeu para a Frana por 1 x 0 nas quartas-de-final, e foi eliminada.

  • Fig.18 Cartaz de divulgao da Copa do Mundo de 2006

    Entre os quatro semifinalistas, quatro pases europeus: Alemanha, Itlia, Frana e

    Portugal. Os italianos, que venceram os alemes, e os franceses, (que derrotaram Portugal)

    fizeram a final do torneio. Assim como em 1994, a Itlia decidiu uma Copa do Mundo nos

    pnaltis. Depois de um empate em 1 x 1 no tempo normal e na prorrogao, os italianos fizeram 5

    x 3 nos pnaltis e conquistaram seu quarto ttulo.

    Fig.19 Logomarca Oficial da Copa do Mundo de 2010

    A sede da Copa do Mundo de 2010 j est escolhida desde 2004. A frica do Sul ser

    o primeiro pas do continente africano a receber um Mundial de futebol. Seguindo o rodzio

  • continental implantado em 2002, a FIFA determinou que apenas a frica participaria da escolha

    do pas-sede. Tambm se candidataram Marrocos e Egito.

    Em 2014, a Copa do Mundo deve ser realizada no Brasil. A FIFA sinalizou que a

    Copa est marcada para a Amrica do Sul (que no recebe o torneio desde 1978), e o pas est

    concorrendo com a Colmbia, que lanou de ltima hora a sua candidatura. Todos os outros

    pases do continente apiam a candidatura brasileira. A deciso ser divulgada em meados de

    2008.

    Anos, pases-sede e os quatro primeiros colocados de cada uma das Copas do Mundo

    at 2006:

    Ano Pas-sede Campeo Vice-campeo 3 colocado 4 colocado 1930 Uruguai Uruguai Argentina Estados Unidos Iugoslvia 1934 Itlia Itlia Tchecoslovquia Alemanha ustria 1938 Frana Itlia Hungria Brasil Sucia 1950 Brasil Uruguai Brasil Sucia Espanha 1954 Sua Alemanha Oc. Hungria ustria Uruguai 1958 Sucia Brasil Sucia Frana Alemanha Oc. 1962 Chile Brasil Tchecoslovquia Chile Iugoslvia 1966 Inglaterra Inglaterra Alemanha Oc. Portugal Unio Sovitica 1970 Mxico Brasil Itlia Alemanha Uruguai 1974 Alemanha Oc. Alemanha Oc. Holanda Polnia Brasil 1978 Argentina Argentina Holanda Brasil Itlia 1982 Espanha Itlia Alemanha Oc. Polnia Frana 1986 Mxico Argentina Alemanha Oc. Frana Blgica 1990 Itlia Alemanha Oc. Argentina Itlia Inglaterra 1994 Estados Unidos Brasil Itlia Sucia Bulgria 1998 Frana Frana Brasil Crocia Holanda 2002 Japo/Coria do Sul Brasil Alemanha Turquia Coria do Sul 2006 Alemanha Itlia Frana Alemanha Portugal

    Quadro 1: pases-sede e os primeiros colocados de cada uma das Copas do Mundo

    2.3 FUTEBOL NO BRASIL

    O futebol se popularizou muito rapidamente depois de ganhar importncia na

    Inglaterra. Os bretes, em suas viagens, ensinavam as regras e tentavam difundir o esporte. O

  • Brasil, hoje conhecido como O Pas do Futebol, demorou um pouco a conhecer o esporte, pelo

    que se tem notcia.

    Existem alguns registros da prtica de algo parecido com o futebol por alguns dos

    padres Jesutas que chegaram ao Brasil por volta de 1850. Outros relatos apontam que

    marinheiros ingleses e holandeses praticaram o esporte em praias nordestinas na segunda metade

    do sculo XIX.

    As teorias mais aceitas por pesquisadores e tericos da rea dizem que o futebol foi

    trazido ao Brasil por imigrantes ingleses e seus descendentes, que vieram trabalhar no pas no

    final do sculo XIX, principalmente nas companhias ferrovirias. Alguns destes homens teriam

    ensinado os funcionrios da Leopoldina Railway (Rio de Janeiro) e da So Paulo Railway

    (Jundia-SP).

    Entretanto, um paulista filho de imigrantes ingleses foi quem ficou com a fama de

    pai do futebol no Brasil. Charles Miller, nascido em 1874 em So Paulo, foi estudar na Inglaterra.

    L, conheceu o esporte que ameaava fazer frente ao crquete em termos de popularidade. Depois

    de participar de equipes que disputavam torneios amadores, decidiu que tentaria levar o futebol

    ao Brasil.

    Quando voltou, trouxe na mala aquelas que so consideradas as duas primeiras bolas

    de futebol que o Brasil conheceu. Alm disso, carregou consigo camisas, cales e chuteiras,

    bombas e agulha para encher as bolas, alm das regras que vigoravam quele momento. A

    princpio, Miller apresentou o futebol apenas colnia inglesa de So Paulo.

    Aos poucos, ele e os outros praticantes do futebol trabalharam para que o esporte se

    tornasse conhecido e ganhasse o maior nmero de adeptos. Para tentar dar status e organizao ao

    futebol, Charles Miller se filiou ao So Paulo Athletic (que no tem nenhuma relao com o So

    Paulo Futebol Clube, um dos maiores clubes de futebol do Brasil na atualidade).

  • Foi o prprio clube que recebeu a primeira partida do Brasil. Dois times, formados por

    funcionrios ingleses da Companhia de Gs e da So Paulo Railway, se enfrentaram em 15 de

    abril de 1895. Miller ajudou a equipe da companhia ferroviria a vencer o jogo por 4x2.

    Os brasileiros s formaram times para uma partida organizada em 5 de maro de

    1899, quando muitos pases da Europa j tinham seus torneios nacionais de futebol. O jogo foi

    entre o Mackenzie e o Hans Nobiling Team, e o resultado final foi um empate em 0x0.

    A primeira Seleo Brasileira oficial foi convocada em 1914, para uma partida

    amistosa contra o Exeter City, ento um dos clubes mais importantes da Inglaterra. A partida, que

    aconteceu no estdio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro, terminou com vitria do time brasileiro

    por 2 x 0, gols de Osman e Osvaldo Gomes. O time brasileiro contou com os seguintes jogadores:

    Marcos de Mendona, Pindaro, Nery, Lagreca, Rubens Sales, Rolando, Abelardo, Osvaldo

    Gomes, Friedenreich, Osman e Formiga.

    At sua morte, em 1953, Charles Miller participou da organizao e vivenciou o

    futebol de todas as formas. Desde as partidas disputadas com as bolas que trouxe da Inglaterra,

    no bairro da Vrzea do Carmo, em So Paulo, at a poca em que se tornou rbitro, ainda na

    capital paulista. Miller passou a vida vendo a popularizao do esporte que se tornou uma febre

    no pas, mas no realizou o sonho de ver o Brasil vencendo uma Copa do Mundo.

    O So Paulo Athletic, que recebeu Charles Miller, considerado o primeiro clube de

    futebol do Brasil. Atualmente, existe apenas como clube social, e participa de torneios amadores

    de rugby. As atividades ligadas ao futebol foram abandonadas em 1911. O primeiro clube de

    futebol para brasileiros o Mackenzie, que era formado por estudantes da faculdade paulista de

    mesmo nome.

    No Rio de Janeiro, a organizao do futebol demorou mais um pouco. Com uma

    histria de vida parecida com a de Charles Miller, Oscar Alfredo Cox chegou ao Brasil em 1897,

  • vindo de uma temporada de estudos na Europa. Desde ento, tentou difundir a prtica do futebol

    na ento capital federal.

    Sua misso, porm, foi mais difcil que a de Charles Miller. Cox encontrou um Rio de

    Janeiro fantico por crquete. Comeou ento a tentar negociar e a insistir com amigos e

    conhecidos para colocar a idia em prtica. Demorou um pouco, mas ele conseguiu. Em julho de

    1901, reuniu um grupo de pessoas a quem ensinou as regras e a forma de se jogar futebol.

    O dia primeiro de agosto daquele ano ficou marcado por receber o primeiro jogo de

    futebol do Rio de Janeiro. A equipe de Oscar Cox enfrentou um time de ingleses, que

    representavam o Rio Cricket And Athtletc Association, de Niteri. Existem registros at do

    pblico da partida (que terminou empatada em 1x1): quinze pessoas assistiram.

    Se o primeiro clube paulista de futebol no teve sucesso, o mesmo no pode ser dito

    do primeiro carioca. Oscar Cox fundou, junto com alguns amigos, em 1902, o Fluminense

    Football Club, at hoje em atividade e considerado um dos maiores clubes de futebol do Brasil. O

    Flamengo, que surgiu antes como clube de Regatas, s teve um departamento de futebol anos

    depois, quando alguns jogadores deixaram o Fluminense e formaram um time no clube. Alguns

    estudiosos, porm, consideram o Paissandu Atltico Clube o primeiro clube de futebol do Rio de

    Janeiro.

    O clube, que surgiu em 15 de agosto de 1872 com o nome de Rio Cricket Club, teve

    seu nome alterado para Paysandu Cricket Club em 1880 (quando mudou sua sede para a Rua

    Paissandu, no bairro do Flamengo). Ainda sob essa alcunha, disputa os primeiros Campeonatos

    Cariocas de futebol, e vence o torneio em 1912. Em 1914, abandona o futebol e tem seu nome

    alterado para Paysandu Athletic Club (mais tarde aportuguesado para Paissandu Atltico

    Clube).

  • O clube de futebol mais antigo em atividade no Brasil o Esporte Clube Rio Grande,

    da cidade de mesmo nome, no Rio Grande do Sul. Fundado no dia 19 de julho de 1900, o clube

    atualmente disputa as divises inferiores do Campeonato Gacho. A Associao Atltica Ponte

    Preta, de Campinas-SP, foi fundada exatos 23 dias depois (11 de agosto), e at hoje se mantm

    entre os principais clubes de So Paulo e do Brasil.

    O Clube de Regatas do Flamengo (fundado a 18 de novembro de 1895 no Rio de

    Janeiro) e o Esporte Clube Vitria (13 de maio de 1899, Salvador-BA), apesar de fundados

    anteriormente, comearam a disputar competies de futebol alguns anos depois.

    No comeo do Sculo XX, apenas os brancos e os filhos dos membros da aristocracia

    paulista e carioca jogavam futebol. Assim, as disputas a princpio ficaram restritas a clubes

    aristocrticos e a associaes ligadas a faculdades e instituies de classe.

    O primeiro torneio organizado no Brasil foi o Campeonato Paulista de 1902. Fundada

    em 14 de dezembro de 1901, a Liga Paulista de Foot-Ball foi a responsvel pela organizao do

    torneio, que contou com cinco equipes. O So Paulo Athtletic Clube (ou SPAC, como ficou

    conhecido) venceu o torneio, deixando para trs Paulistano, Mackenzie, Germnia e

    Internacional. Nenhum deles est em atividade atualmente.

    O time de Charles Miller venceria tambm os dois Campeonatos Paulistas seguintes

    (1903 e 1904) e o torneio de 1911. Nos primeiros anos, a disputa ficou restrita a equipes que

    abandonaram o futebol profissional. Entre os times que ainda esto em atividade, o Corinthians

    foi o primeiro a conquistar um ttulo paulista: 1914. O segundo torneio estadual mais antigo do

    Brasil o Campeonato Baiano, que teve sua primeira edio em 1905.

    O Campeonato Estadual do Rio de Janeiro comeou a ser disputado em 1906. O

    Fluminense foi o primeiro time a conquistar o torneio. Em vrias ocasies, problemas polticos

  • fizeram com que duas federaes estaduais existissem no Rio de Janeiro, e dois campeonatos

    fossem disputados.

    Em 1933 foi criada a Liga Carioca de Football (LCF), a primeira em regime

    profissional. Ainda assim, algumas equipes participaram de campeonatos promovidos pela

    Associao Metropolitana de Esportes Atlticos (AMEA). A ciso s termina em 1937, quando

    entidades e torneios se fundem. O Campeonato do Rio de Janeiro foi disputado apenas pelos

    clubes da capital do estado at 1979, quando pela primeira vez participaram os times do interior.

    No comeo da organizao do futebol no Brasil, um ponto deve ser destacado: a

    questo do racismo. Por ser um esporte aristocrtico, negros e mulatos no eram aceitos no

    futebol quela poca. Um dos primeiros times que aceitou os negros foi o Bangu, do Rio de

    Janeiro. Formado por gerentes de uma fbrica de tecidos carioca, o time s podia jogar se

    recebesse alguns de seus operrios.

    Em So Paulo, o Corinthians, fundado em 1910, foi desde o incio um clube ligado s

    camadas populares. Com isso, inaugurou a participao dos negros no Campeonato Paulista. O

    Fluminense conhecido at hoje como o time do P de Arroz devido a um episdio de 1914,

    quando um jogador negro, recm-contratado do Amrica, tentou disfarar sua cor com o p, que

    acabou saindo a medida em que ele suava.

    O primeiro clube entre os principais do Rio de Janeiro a aceitar abertamente os negros

    foi o Clube de Regatas Vasco da Gama. Vencedor da segunda diviso em 1922, o time disputou e

    venceu a primeira diviso em 1923 com um time formado basicamente por pobres e negros. A

    partir da, o esporte foi ficando cada vez mais popular, e o racismo diminuiu.

    Os torneios estaduais foram os nicos oficiais disputados no Brasil at 1933, quando,

    pela primeira vez, foi realizado o Torneio Rio-So Paulo, reunindo os grandes times dos dois

    estados. Depois da primeira edio, o torneio s voltou a ser disputado em 1950.

  • Entre 1950 e 1958, o Rio-So Paulo foi o principal torneio de futebol do Brasil. Os

    times dos dois estados eram os mais fortes do pas, e o campeonato chamava ateno da imprensa

    e dos torcedores. Com o passar dos anos, os clubes viram a necessidade de organizao de um

    torneio que unisse os clubes de todo o pas. Apesar de ter sido disputado at 1966 (e depois em

    1993 e entre 1996 e 2002), o torneio perdeu em importncia para as competies nacionais que

    viriam a seguir.

    Havia tambm a necessidade da indicao de um clube brasileiro para a Taa

    Libertadores da Amrica principal competio sul-americana entre clubes que teria sua

    primeira edio em 1960. Atendendo a essa demanda, em 1959, foi criada a Taa Brasil. O

    torneio contava com os campees estaduais de todo o pas.

    O primeiro vencedor foi o Esporte Clube Bahia, de Salvador. O torneio foi disputado

    at 1968. A Sociedade Esportiva Palmeiras (So Paulo) venceu a segunda edio, em 1960, e a

    penltima, em 1967. O Santos Futebol Clube, time de Pel, venceu cinco edies consecutivas

    (de 1961 a 1965). O Cruzeiro Esporte Clube, de Belo Horizonte, venceu em 1966 e o Botafogo

    de Futebol e Regatas, do Rio de Janeiro, venceu a ltima edio, em 1968.

    Entre 1967 e 1970, foi disputado o torneio Roberto Gomes Pedrosa (conhecido

    tambm como Taa de Prata, a partir de sua segunda edio). O Roberto, na verdade, foi

    uma ampliao do Torneio Rio-So Paulo, disputado at 1966. Em 1969 e 1970, foi o principal

    torneio entre clubes do Brasil, e seus campees e vices disputaram a Taa Libertadores.

    Apesar de esses torneios terem o status de Campeonato Nacional, foi apenas em 1971

    que a Confederao Brasileira de Desportos (que em 1979 passou a se chamar Confederao

    Brasileira de Futebol CBF) organizou aquele que considerado o primeiro Campeonato

    Brasileiro. O torneio foi disputado por vinte clubes na primeira diviso e vinte e trs na segunda.

  • O Clube Atltico Mineiro, de Belo Horizonte, foi o vencedor da Primeira Diviso e o Villa Nova

    Atltico Clube, de Nova Lima-MG, o da segunda.

    O torneio foi organizado pela CBF at 1986, sempre com frmulas de disputa (e

    nomenclaturas oficiais) variando de ano a ano. O nmero de clubes tambm foi varivel, e no

    respeitava a critrios tcnicos, mas a critrios polticos, por exemplo. Na edio de 1979, um

    recorde: 94 clubes na primeira diviso.

    Em 1987, pela primeira vez, aqueles que eram considerados os principais clubes

    brasileiros se organizaram, e, de forma independente, criaram a Copa Unio. O Clube dos 13,

    como foi chamado, contava com os seguintes clubes: Bahia (Salvador), Atltico Mineiro e

    Cruzeiro (Belo Horizonte), Palmeiras, Corinthians e So Paulo (So Paulo), Santos (Santos),

    Botafogo Flamengo, Fluminense e Vasco (Rio de Janeiro) e Grmio e Internacional (Porto

    Alegre).

    Representadas pela entidade Clubes dos 13, estas equipes organizaram aquela que

    seria considerada a primeira diviso do Campeonato Brasileiro (o Campeonato foi batizado de

    Copa Unio). O torneio se mostrava muito mais rentvel, pois os clubes acertaram patrocnios

    e transmisso ao vivo pela televiso. Apenas dezesseis clubes, os 13 citados mais Santa Cruz, de

    Recife; Gois, de Goinia; e Coritiba, de Curitiba, participaram do Mdulo Verde (equivalente

    primeira diviso).

    Um acordo determinou que os clubes organizariam o Mdulo, enquanto a CBF ficaria

    responsvel por organizar a Segunda e a Terceira divises. Entretanto, durante o Campeonato, a

    CBF decidiu alterar o regulamento e criar um quadrangular final entre os dois melhores times da

    primeira e da segunda diviso para apontar o Campeo Brasileiro de 1987 e os representantes do

    Brasil na Taa Libertadores da Amrica do ano seguinte.

  • Os clubes participantes do Mdulo Verde rejeitaram a proposta, e Sport Club do

    Recife e Guarani Futebol Clube, de Campinas-SP, foram considerados, respectivamente,

    campeo e vice-campeo Brasileiro daquele ano. As disputas judiciais se arrastaram durante

    anos, e atualmente a CBF considera o Sport o campeo, mas o Superior Tribunal de Justia

    Desportiva STJD deu ganho de causa ao Flamengo.

    Depois de todos esses problemas, ficou decidido que o torneio voltaria para o controle

    da CBF a partir do ano seguinte. Algumas irregularidades e problemas principalmente nas

    questes de acesso e descenso entre divises fizeram com que a Confederaes enfrentasse

    disputas judiciais.

    Em 1991, por exemplo, o Grmio-RS foi rebaixado Segunda Diviso, torneio que

    disputou em 1992. Como fazia uma campanha ruim e provavelmente no conseguiria o acesso,

    foi beneficiado por uma medida que aumentou o nmero de equipes que passariam da Srie B

    para a Srie A de 1993.

    J em 1996, o Fluminense-RJ (juntamente com o Esporte Clube Bragantino, de

    Bragana Paulista-SP) foi rebaixado. Problemas com a arbitragem durante o campeonato fizeram

    com que os clubes pressionassem a CBF e cancelassem o rebaixamento das duas equipes. O

    Fluminense, salvo em 1996, acabou rebaixado novamente em 1997, e disputou a segunda diviso

    em 1998. Mais uma vez rebaixado, teve que disputar a terceira diviso em 1999.

    O Campeonato Brasileiro da primeira diviso de 1999 foi mais um que teve

    problemas. Algumas partidas foram anuladas, o que fez com que as tabelas de rebaixamento

    fossem alteradas, e houvessem mais disputas jurdicas. Depois de alguns meses de impasse, ficou

    decidido que os clubes ficariam responsveis por organizar o campeonato de 2000, a exemplo de

    1987. Uma frmula confusa fez com que um time da segunda diviso, o So Caetano-SP,

    decidisse o ttulo contra o Vasco da Gama (que ficou com o ttulo).

  • Em 2001, a CBF retomou o controle do campeonato, que a partir de 2003 (e pelo

    menos at 2007, pelo que foi anunciado) disputado em sistema de pontos corridos (todos os

    times da se enfrentam em dois turnos, o que soma mais pontos ao final considerado o campeo).

    A ltima grande influncia extra-campo no Campeonato Brasileiro de Futebol

    aconteceu em 2005, quando foi descoberto um esquema de manipulao de resultados que

    envolvia empresrios, rbitros e sites de apostas esportivas. Os rbitros Edlson Pereira de

    Carvalho e Paulo Jos Danelon, rus confessos, foram banidos do futebol, e as partidas que

    Edlson apitou na Srie A do Campeonato Brasileiro (onze no total) foram anuladas, gerando uma

    grande discusso. O Sport Club Corinthians Paulista conquistou o ttulo, sob muitos protestos do

    Sport Club Internacional, que seria o vencedor do torneio se fossem desconsideradas as

    anulaes.

    Outro torneio importante na histria do futebol brasileiro a Copa do Brasil,

    disputada a partir de 1989. O torneio, que em suas primeiras edies reunia apenas os campees

    estaduais e os vice-campees de alguns estados, atualmente disputado pelas melhores equipes

    do Ranking da CBF, alm de outras indicadas pelas federaes estaduais. Desde 2001, os times

    que jogam a Taa Libertadores da Amrica no participam da Copa do Brasil.

    Campees e vice-campees dos principais torneios de interclubes do Brasil:

    Ano Campeo Vice-Campeo Torneio 1959 Bahia-BA Santos-SP Taa Brasil 1960 Palmeiras-SP Fortaleza-CE Taa Brasil 1961 Santos-SP Bahia-BA Taa Brasil 1962 Santos-SP Botafogo-RJ Taa Brasil 1963 Santos-SP Bahia-BA Taa Brasil 1964 Santos-SP Flamengo-RJ Taa Brasil 1965 Santos-SP Vasco da Gama-RJ Taa Brasil 1966 Cruzeiro-MG Santos-SP Taa Brasil 1967 Palmeiras-SP

    Palmeiras-SP Nutico-PE Internacional-RS

    Taa Brasil Torneio Roberto Gomes Pedrosa

    1968 Botafogo-RJ Santos-SP

    Fortaleza-CE Internacional-RS

    Taa Brasil Torneio Roberto Gomes Pedrosa

    1969 Palmeiras-SP Cruzeiro-MG Torneio Roberto Gomes Pedrosa 1970 Fluminense-RJ Palmeiras-SP Torneio Roberto Gomes Pedrosa

  • 1971 Atltico-MG So Paulo-SP Campeonato Brasileiro 1972 Palmeiras-SP Botafogo-RJ Campeonato Brasileiro 1973 Palmeiras-SP So Paulo-SP Campeonato Brasileiro 1974 Vasco da Gama-RJ Cruzeiro-MG Campeonato Brasileiro 1975 Internacional-RS Cruzeiro-MG Campeonato Brasileiro 1976 Internacional-RS Corinthians-SP Campeonato Brasileiro 1977 So Paulo-SP Atltico-MG Campeonato Brasileiro 1978 Guarani-SP Palmeiras-SP Campeonato Brasileiro 1979 Internacional-RS Vasco da Gama-RJ Campeonato Brasileiro 1980 Flamengo-RJ Atltico-MG Copa Brasil (Nova denominao do

    Campeonato Brasileiro) 1981 Grmio-RS So Paulo-SP Copa Brasil 1982 Flamengo-RJ Grmio-RS Copa Brasil 1983 Flamengo-RJ Santos-SP Copa Brasil 1984 Fluminense-RJ Vasco da Gama-RJ Copa Brasil 1985 Coritiba-PR Bangu-RJ Copa Brasil 1986 So Paulo-SP Guarani-SP Campeonato Brasileiro 1987 Flamengo-RJ

    Sport-PE Internacional-RS Guarani-SP

    Copa Unio Primeiro Mdulo Copa Unio Segundo Mdulo

    1988 Bahia-BA Internacional-RS Copa Unio 1989 Vasco da Gama-RJ

    Grmio-RS So Paulo-SP Sport-PE

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    1990 Corinthians-SP Flamengo-RJ

    So Paulo-SP Gois-GO

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    1991 So Paulo-SP Cricima-SC

    Bragantino-SP Grmio-RS

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    1992 Flamengo-RJ Internacional-RS

    Botafogo-RJ Fluminense-RJ

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    1993 Palmeiras-SP Cruzeiro-MG

    Vitria-BA Grmio-RS

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    1994 Palmeiras-SP Grmio-RS

    Corinthians-SP Cear-CE

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    1995 Botafogo-RJ Corinthians-SP

    Santos-SP Grmio-RS

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    1996 Grmio-RS Cruzeiro-MG

    Portuguesa-SP Palmeiras-SP

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    1997 Vasco da Gama-RJ Grmio-RS

    Palmeiras-SP Flamengo-RJ

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    1998 Corinthians-SP Palmeiras-SP

    Cruzeiro-MG Cruzeiro-MG

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    1999 Corinthians-SP Juventude-RS

    Atltico-MG Botafogo-RJ

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    2000 Vasco da Gama-RJ Cruzeiro-MG

    Palmeiras-SP So Paulo-SP

    Copa Joo Havelange Copa do Brasil

    2001 Atltico-PR Grmio-RS

    So Caetano-SP Corinthians-SP

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    2002 Santos-SP Corinthians-SP

    Corinthians-SP Brasiliense-DF

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    2003 Cruzeiro-MG Cruzeiro-MG

    Santos-SP Flamengo-RJ

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    2004 Santos-SP Santo Andr-SP

    Atltico-PR Flamengo-RJ

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    2005 Corinthians-SP Paulista-SP

    Internacional-RS Fluminense-RS

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

  • 2006 So Paulo-SP Flamengo-RJ

    Internacional-RS Vasco da Gama-RJ

    Campeonato Brasileiro Copa do Brasil

    Quadro 2: vencedores dos principais torneios entre clubes do Brasil

  • 3 MDIA E JORNALISMO ESPORTIVO

    O futebol e o jornalismo esportivo tem histrias intimamente ligadas. A mdia

    esportiva nasceu a partir do momento em que o interesse do brasileiro pelo futebol foi se

    tornando maior. Ambos, jornalismo esportivo e futebol, cresceram juntos, sob influncia um do

    outro. Faremos ento um breve histrico dessa relao no pas at os dias atuais, quando o

    Lance!, objeto de estudo desta pesquisa, o dirio esportivo de maior tiragem e circulao no

    Brasil.

    3.1 HISTRICO DO JORNALISMO ESPORTIVO NO BRASIL

    Podemos dizer que a histria do jornalismo esportivo brasileiro recente. Quando o

    futebol chegou ao Brasil, no final do sculo XIX, j existia na Itlia um dirio dedicado

    exclusivamente cobertura, o La Gazetta Dello Sport, fundado em 1886, exatos 14 anos antes de

    a primeira competio oficial de futebol no Brasil.

    Os jornais brasileiros da poca (como O Estado de S.Paulo, Jornal do Brasil e os

    hoje extintos Gazeta de Notcias e O Paiz), dedicavam pouqussimo espao aos esportes. Durante

    muito tempo, no existia cobertura dos eventos, nem jornalistas dedicados ao esporte. Os jornais

    publicavam apenas os resultados das partidas.

    O futebol comeou a se desenvolver e a ganhar importncia e popularidade no pas.

    Um dos primeiros veculos de comunicao a perceber essa tendncia foi um jornal paulista

    dedicado colnia italiana chamado Fanfulla. Os italianos, mais ligados ao esporte, encontravam

    na publicao algumas pginas que contavam os acontecimentos de diversas modalidades, mas

    principalmente do futebol.

  • Figs.20 e 21 O jornal italiano La Gazetta Dello Sport Capas de 1896 (esq.) e 2006 (dir.)

    A popularidade do futebol e do Fanfulla entre a colnia italiana era to grande que, de

    um anncio em suas pginas, alguns deles se juntaram e fundaram o Palestra Itlia, clube

    paulistano que, durante a Segunda Guerra Mundial passou a se chamar Sociedade Esportiva

    Palmeiras, um dos maiores da histria esportiva do pas.

    O crescimento da cobertura esportiva nos jornais brasileiros foi lento, mas nunca

    cessou. O futebol e o turfe eram os assuntos preferidos, principalmente nas publicaes do Rio de

    Janeiro. Alguns acontecimentos, como a construo de grandes estdios nos anos 20 e a

    conquista dos ttulos sul-americanos de 1919 e 1922 pela Seleo do Brasil fizeram com que o

    futebol ganhasse cada vez mais importncia na sociedade brasileira.

    No apenas os resultados de campeonatos de clubes e selees ganhavam destaque na

    cobertura esportiva do Brasil. As polmicas causadas pela discusso sobre a profissionalizao ou

    no do futebol, alm da participao dos negros em um esporte que era considerado prprio da

    sociedade aristocrtica geraram vrias discusses.

  • Com a diminuio do carter elitista e o crescimento da participao dos negros, o

    futebol se tornou uma febre no pas. Em meados dcada de 1920 surgem duas revistas esportivas,

    ainda elitistas (como, alis, eram a grande maioria das publicaes quela poca): Sport

    Illustrado e Vida Sportiva. Em 1928, o jornal A Gazeta passa a circular com o suplemento A

    Gazeta Esportiva.

    Foi em 1931 que, percebendo esse crescimento, o empresrio Argemiro da Silva

    Bulco, ao lado de Mrio Filho (que empresta seu nome ao Maracan, construdo para a Copa do

    Mundo de 1950 e durante muitos anos tido como o maior estdio do mundo) fundaram o

    Jornal dos Sports, no Rio de Janeiro. Ainda na dcada de 30, o cor-de-rosa (apelido em

    referncia s cores das pginas, inspiradas no italiano La Gazetta Dello Sport) foi vendido para o

    prprio Mrio Filho.

    Figs.22 e 23 Jornal dos Sports Capas de 1974 (esq.) e 2006 (dir.)

    Tambm em 1931, aconteceu a primeira transmisso de uma partida de futebol ao vivo

    pelo rdio no Brasil. O narrador Nicolau Tuma, da Rdio Educadora Paulista, fez a cobertura da

    vitria da Seleo Paulista sobre a Seleo Paranaense por 6 x 4, no dia 19 de julho. Tuma, que

  • no comeo trabalhou sem comentaristas ou reprteres, criou um estilo de narrao que perdura

    at os dias atuais. A fala rpida lhe rendeu o apelido de Speaker Metralhadora.

    Retomando o assunto popularizao do futebol, a presena dos negros foi se

    mostrando cada vez mais importante para a chegada do esporte a todas as camadas da sociedade

    do Brasil. Em 1934, um negro brasileiro foi Copa do Mundo pela primeira vez. Era Lenidas da

    Silva, que despontava como um grande dolo do futebol no pas. Quatro anos mais tarde, houve

    uma grande mobilizao popular com a primeira boa participao do Brasil em uma Copa do

    Mundo (chegando quarta posio).

    Se aproveitando dessa mobilizao, os veculos de comunicao da poca comearam a

    dar maior destaque ao esporte. Os jornais eram a grande fonte de informao dos torcedores que

    queriam acompanhar a Copa do Mundo, que se desenrolava na Frana. As publicaes

    divulgavam boletins com os resultados dos jogos, e um grande nmero de pessoas se aglomerava

    para receber as notcias. A Copa de 1938 foi, tambm, a primeira transmitida via rdio para o

    Brasil.

    A partir de ento, foi crescendo a importncia dada ao esporte por rdios e jornais

    impressos. Cada vez mais jogos, de clubes e selees, eram transmitidos pelas rdios de todo o

    pas. O espao dedicado ao esporte nos jornais impressos crescia. Em 1947 surge, em So Paulo

    A Gazeta Esportiva, o segundo dirio especializado em esporte no pas.

    Nas dcadas de 1930 e 1940, mais uma tendncia se consolida no jornalismo esportivo,

    e faz com que o esporte cresa em popularidade: os cronistas e articulistas. O mais famoso deles

    foi Nelson Rodrigues, irmo de Mario Filho. Nelson explicitava em seus textos a paixo pelo

    Fluminense. O flamenguista Mrio, por sua vez, respondia no mesmo tom. Juntos, eles fizeram

    com que o clssico entre Flamengo e Fluminense ganhasse em importncia e em popularidade.

  • Com a realizao da Copa do Mundo no Brasil em 1950, e o advento da TV, no mesmo

    ano, o esporte ganhou maior fora econmica no pas. O surgimento da TV impulsionou o

    jornalismo esportivo impresso, que tinha que ter mais credibilidade (pois o leitor tambm podia

    ver e conferir na TV aquilo que se passava nos campos, pistas e quadras).

    Foi apenas na dcada de 1960 que os grandes jornais do pas criaram seus cadernos

    especficos de esportes. A grande maioria deles sofreu alteraes ao longo dos anos, pois os

    veculos viam no esporte um grande filo para alavancar as vendas. Assim, algumas iniciativas

    eram tomadas para chamar a ateno do pblico.

    Em 1970, ano do tricampeonato da Seleo Brasileira em Copas do Mundo, conquistado

    com a vitria no Mxico, a editora Abril lana a revista Placar, a maior do pas especializada em

    futebol em todos os tempos. Surge tambm a Loteria Esportiva, que no demorou a se

    popularizar no pas.

    Figs.24 e 25 Revista Placar Capas de 1973 (esq.) e 2006 (dir.)

    Nas dcadas seguintes, o jornalismo esportivo impresso, em TV e em rdio crescia e

    se modificava, sempre em busca da simpatia e da fidelidade do leitor, que tinha ento vrias

    opes para obter a informao sobre a Seleo ou sobre seu clube preferido.

  • A dcada de 80 pode ser considerada de extrema importncia para a mdia esportiva

    do Brasil. Para concorrer com o Jornal dos Sports, os grandes jornais do pas criaram cadernos

    coloridos para o noticirio esportivo, algo que raramente era encontrado at ento.

    A Copa do Mundo de 1982, na Espanha, marcou uma srie de inovaes e feitos

    expressivos. A TV Globo, por exemplo, mandou uma equipe de mais de 150 profissionais e

    transmitiu 150 horas de cobertura da Copa, contando partidas ao vivo, noticirios e resenhas

    esportivas. Isso devido a um grande crescimento no nmero de televisores no Brasil. Os

    aparelhos comeavam a ficar mais acessveis quela poca. Os ndices de audincia foram

    fantsticos, chegando a 80 milhes de pessoas em 28 dias de Mundial.

    Tambm nesta Copa do Mundo, o Jornal do Brasil inovou, criando uma redao em

    Madri, capital da Espanha, e imprimindo um tablide, que fez relativo sucesso: cerca de cinco

    mil exemplares eram vendidos diariamente, em mdia. O jornal O Estado de S.Paulo usou uma

    tecnologia indita, com microcomputadores, para enviar os textos ao Brasil.

    No final da dcada de 80 e no incio da de 90 houve um perodo ruim para as

    publicaes esportivas especializadas. Revistas como a Saque (que falava sobre vlei) e a Lance

    Livre (basquete) no emplacaram, e foram extintas. A Placar tambm viveu seu perodo de

    entressafra, e ficou por anos produzindo apenas edies especiais. A periodicidade mensal da

    revista s voltaria no final de 1994, com um projeto novo, que tambm no deu muito certo.

    Depois de oscilar entre perodos de periodicidade mensal e semanal, a revista voltou a circular

    apenas em edies espordicas. Mais recentemente, voltou a sair de ms em ms.

    A dcada de 90 marcou mais uma revoluo no jornalismo esportivo do Brasil.

    Com a popularizao da internet, os sites esportivos se destacaram. Todos os grandes portais,

    como Uol, Terra (antes conhecido como Zaz), Amrica OnLine, iG e Globo.com lanaram suas

    pginas dedicadas aos esportes.

  • A criao da internet, que apresentava uma srie de caractersticas interessantes para a

    cobertura jornalstica (como facilidade de acesso e possibilidade de atualizao imediata).

    Buscando explorar essas mltiplas possibilidades, os grupos de Comunicao direcionaram boa

    parte dos seus investimentos para os websites. Os prprios jornais impressos e rdios lanaram

    pginas na internet.

    Boa parte dos profissionais da rea, pessoas seduzidas por melhores salrios e

    condies de trabalho, trocou as redaes de jornais impressos, TVs e rdios pelas dos portais de

    internet. Com o passar do tempo, porm, o mercado foi ficando mais escasso. Os websites

    passaram a utilizar os servios de agncias de notcias, e o nmero de profissionais contratados

    para trabalhar na editoria de esporte dos portais diminuiu.

    Foi na poca do boom da internet que o Lance!, objeto de estudos do presente

    trabalho, surgiu. Fundado em 1997, o jornal lanou seu site na internet antes mesmo de levar sua

    verso impressa s ruas. As histrias do jornal e da empresa sero contadas no prximo

    subcaptulo do trabalho.

    Tambm na dcada de 1990, apareceu um outro fenmeno para o jornalismo

    esportivo: as redes de televiso por assinatura. Alguns canais foram criados especificamente para

    a cobertura de esportes, como o Sportv (das Organizaes Globo), a ESPN e a ESPN Brasil

    (canal com sede no exterior, que criou suas filiais no Brasil) e a Panamerican Sports Network (ou

    PSN), multinacional que, assim como alguns portais de internet, no conseguiu se sustentar e

    fechou.

    A crise tambm foi notada nos meios impressos. Com o surgimento do Lance!, por

    exemplo, o Jornal dos Sports perdeu espao, e diminuiu sua tiragem. Alm disso, passou por

    reformulaes estruturais e editoriais para conseguir se manter. J o paulista Gazeta Esportiva

  • no resistiu s presses do mercado, e encerrou suas atividades com jornalismo impresso,

    mantendo apenas o site GazetaEsportiva.net.

    Atualmente, as emissoras de TV so as responsveis por boa parte da renda dos clubes

    brasileiros. As cotas de transmisso dos torneios (bem menores do que recebidas pelos clubes,

    diga-se de passagem) so negociadas com grande antecedncia e, normalmente, so uma vlvula

    de escape para os clubes que esto em dvidas. No raro um clube pedir adiantamento desses

    valores.

    O rdio, por sua vez, perdeu um pouco de espao. Depois de viver a chamada era de

    ouro, o veculo vive um tempo de vacas magras. Os anunciantes foram ficando cada vez mais

    escassos depois da chegada da TV (e principalmente da popularizao das transmisses ao vivo)

    ao futebol.

    O jornalismo impresso parece ter se estabilizado. O Jornal dos Sports, a partir do

    crescimento do Lance!, fez vrias mudanas, e parece ter se estabilizado. O Lance! lidera o

    mercado de acordo com pesquisas do Ibope, e os grandes jornais no deixam de dedicar algumas

    pginas ao esporte (alguns deles, como os cariocas Extra e O Dia tm cadernos esportivos e

    suplementos completamente destacveis do restante do jornal).

    J a internet parece ter se consolidado como grande fonte de consulta e obteno de

    informao esportiva. Alm das notcias, atualmente possvel ouvir a grande maioria das rdios

    brasileiras via internet. Existe tambm o acompanhamento de partidas ao vivo, feito por alguns

    sites como Terra, Uol e Oi Internet, que consiste na narrao escrita, ao vivo, de partidas de

    futebol e de outros esportes.

    A TV por assinatura tambm tem fora. Desde 2004, todas as partidas do Campeonato

    Brasileiro da Srie A (Primeira Diviso) so transmitidas ao vivo pelas emissoras por assinatura

    (seja no sistema comum de transmisso ou no pay-per-view sistema onde o assinante de TV a

  • cabo ou via satlite paga para assistir a uma partida especfica). ESPN e Sportv disputam a

    liderana do mercado, com programaes dirias voltadas exclusivamente para o esporte.

    3.2 O JORNAL LANCE!

    O Lance!, objeto deste estudo de caso, est consolidado com o maior jornal impresso

    esportivo do pas. Alm do jornal, o grupo Lance! tem uma revista mensal (a Lance! A+, que

    circula aos sbados juntamente com o jornal em algumas cidades e vendida separadamente em

    outras), um portal de internet (www.lancenet.com.br), uma agncia de notcias (Lancepress!),

    alm de rdio e TV via internet. O grupo foi criado em 1997 e at hoje presidido por Walter de

    Mattos Junior, ex-vice-presidente do jornal O Dia. Apesar de sempre investir na criao de novos

    produtos, o jornal impresso sempre foi o carro-chefe do Lance!.

    O dirio surgiu depois de pesquisa e observao de projetos semelhantes na Europa.

    Walter de Mattos Junior e outros profissionais viajaram ao velho continente em 1996, e

    observaram jornais esportivos como o francs Lquipe e o espanhol Marca, ambos com tiragem

    superior a dois milhes de exemplares dirios, sendo os de maior circulao entre todos os jornais

    de seus pases.

    Alm dos dirios europeus, foram observados tambm projetos de outros lugares do

    mundo. A grande referncia e inspirao para o Lance! foi o jornal Ol, grande dirio esportivo

    do grupo de comunicao argentino Clarn. Irreverente, e com design inovador, o tablide foi to

    bem avaliado pelos criadores do Lance! que o responsvel por seu projeto editorial foi contratado

    para criar o do jornal brasileiro.

  • Figs. 25 e 26 Capas de 2006 dos jornais Lquipe (esq.) e Marca (dir.)

    Figs. 27 e 28 Capas do Ol (esq.) e do Lance! (dir.): semelhanas no projetos grficos

    O projeto inicial do Lance! custou 30 milhes de dlares. Walter de Mattos Junior

    conseguiu angariar fundos com vrios investidores fortes, como as organizaes Globo, o Banco

  • Bozzano-Simonsen, a Petroserv Investimentos e o Fundo de Investimentos Dynamo, que

    viabilizaram a criao do jornal.

    Desde sua concepo, o Lance! se mostrou um jornal diferenciado dos demais. Pela

    primeira vez, um jornal brasileiro seria totalmente colorido. A tinta empregada na impresso do

    jornal era diferente daquela utilizada nos demais dirios do pas. Alm de no ser poluente, ela

    no se solta facilmente do papel.

    O Lance! tambm inovou no formato: era o primeiro dirio esportivo do pas do tipo

    tablide (assim como o Ol). As pginas, que a princpio mediam 39,5 cm de altura por 29,5

    cm de largura, sofreram uma pequena reduo, passando para 38 cm x 29 cm. As pginas so

    grampeadas. Em determinadas ocasies (principalmente aos domingos, segundas-feiras e quintas-

    feiras, dias seguintes maioria das partidas de futebol), a capa dobra de tamanho, ou seja:

    impressa no sentido contrrio, e a contracapa vira parte da capa, que, aberta nas bancas, ganha

    destaque e fica com 58 cm x 38 cm.

    Outra inovao do jornal foi a criao de duas redaes para o jornal, uma em So

    Paulo e outra no Rio de Janeiro. Pela primeira vez, um dirio esportivo brasileiro teria duas

    edies regionais, uma paulista e uma carioca. Boa parte do contedo era compartilhada entre as

    duas edies, principalmente notcias sobre futebol internacional, clubes de outras regies do pas

    e informaes sobre outros esportes que no o futebol.

    As notcias dos clubes destes estados, porm, eram diferentes. Cada edio dedica a

    capa e o maior nmero de pginas para a cobertura dos clubes de seu estado. O jornal

    experimentou tambm uma edio paranaense. O projeto no deu certo, e acabou sendo

    abandonado. Recentemente foi criada uma edio mineira do jornal. Uma pequena redao foi

    montada em Belo Horizonte, e cobre diariamente Cruzeiro e Atltico-MG, alm do Amrica-MG

  • e dos clubes do interior (com o auxlio de colaboradores), principalmente o Ipatinga, que

    conseguiu vaga na segunda diviso do Campeonato Brasileiro.

    Esporadicamente, so publicadas capas especiais do jornal em determinadas regies.

    At mesmo a cidade de Juiz de Fora j teve uma capa especial. Foi no dia 10 de outubro de 2006,

    dia seguinte contratao frustrada de Romrio pelo Tupi Fott Ball Club, time de futebol da

    cidade. A foto do jogador com a camisa do clube estampou a capa, que tinha uma matria sobre a

    transao que acabou no se concretizando. A cidade, que tem uma boa aceitao do jornal, a

    nica que conta com a circulao de duas edies do Lance!: a carioca (devido forte presena

    de torcedores dos times do Rio de Janeiro na cidade) e a mineira, que passou a ser encontrada

    depois de algum tempo de circulao.

    Quando o jornal foi fundado, Walter de Mattos Junior criou um conselho editorial

    com jornalistas experientes, vindos de vrios locais e veculos do pas. Alm destes profissionais,

    foram contratados vrios jovens recm-formados. Foram realizados processos seletivos, que

    contaram com mais de mil candidatos em So Paulo e no Rio de Janeiro. No total, foram

    contratados 150 jornalistas para as duas redaes.

    Para auxiliar a implantao do jornal, foram realizados seminrios, com a participao

    de profissionais de alguns dos jornais citados, como Marca, Lquipe e Ol, e de outros, como o

    portugus A Bola. Os profissionais tinham receio de o projeto no dar certo, como conta Marcelo

    Barreto, que era Editor-Executivo do Lance! em sua fundao, em entrevista concedida ao

    Jornalista Ricardo Corra de Almeida, em sua Monografia, elaborada no segundo semestre de

    2003, na Faculdade de Comunicao da UFJF (pgina 97):

    A gente nunca tinha visto nada remotamente parecido por aqui. As experincias que a gente tinha como referncia na imprensa esportiva eram o Jornal dos Sports no Rio de Janeiro e a Gazeta Esportiva em So Paulo, que basicamente tinham a mesma frmula desde os anos 50. Mesma frmula, mesmo formato, mesma caracterstica visual. Ento a nica coisa que a gente sabia quela altura

  • do campeonato que a gente queria ser diferente. O que esse ser diferente foi o que dominou nossas discusses antes e depois, imediatamente depois do lanamento.

    Alm dos 150 jornalistas nas duas redaes, o Lance! contava com uma grande equipe

    de colunistas (entre eles alguns conhecidos como os Doentes, personagens fictcios

    representando as torcidas dos principais clubes do pas), chargistas, fotgrafos e colaboradores e