SEJA O QUE DEUS QUISER. EU ESCREVI A REALIDADE. CAROLINA ...tede. · PDF file NOAL, Sara...

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    UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ– UNIOESTE

    CAMPUS DE MARECHAL CÂNDIDO RONDON

    CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, EDUCAÇÃO E LETRAS – CCHEL

    PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA - PPGH

    SARA MUNIQUE NOAL

    "SEJA O QUE DEUS QUISER. EU ESCREVI A REALIDADE."

    CAROLINA MARIA DE JESUS E O REGISTRO DA EXPERIÊNCIA

    SOCIAL DOS TRABALHADORES POBRES NO BRASIL (1920-1970)

    MARECHAL CÂNDIDO RONDON

    2019

  • UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ– UNIOESTE

    CAMPUS DE MARECHAL CÂNDIDO RONDON

    CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, EDUCAÇÃO E LETRAS – CCHEL

    PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA - PPGH

    SARA MUNIQUE NOAL

    "SEJA O QUE DEUS QUISER. EU ESCREVI A REALIDADE."

    CAROLINA MARIA DE JESUS E O REGISTRO DA EXPERIÊNCIA

    SOCIAL DOS TRABALHADORES POBRES NO BRASIL (1920-1970)

    Dissertação de Mestrado apresentada à Banca

    Examinadora como exigência para a obtenção do título

    de Mestre em História, pelo Programa de Pós-

    Graduação em História da Universidade Estadual do

    Oeste do Paraná, Campus de Marechal Cândido

    Rondon.

    Orientadora: Prof.ª Dra. Aparecida Darc de Souza.

    MARECHAL CÂNDIDO RONDON

    2019

  • Dedico esse trabalho à todos os trabalhadores que, assim como

    Carolina, resistem cotidianamente as imposições feitas pelos capital,

    mesmo que cada um à sua maneira. Suas lutas foram a inspiração

    para a realização desse trabalho.

  • AGRADECIMENTOS

    Sem dúvida, toda a trajetória que me levou a este momento não foi individual, mas

    resultado de inúmeras conversas, formais e informais, com todos aqueles com quem

    compartilho meus dias. Assim, fazer os agradecimentos talvez seja um dos momentos mais

    difíceis da pesquisa, porque o medo de esquecer ou de não ter palavras para descrever o que

    significou compartilhar esses mais de 700 dias com cada um, é grande. Mas, vamos lá!

    Primeiramente, agradeço minha família, meu porto seguro, que sempre me incentivou a

    seguir meus sonhos, por mais impossíveis que parecessem. Desde meus pais, tios e tias, primos,

    avós e até mesmo o Pepe, cada um contribuiu e deu o suporte necessário para que eu chegasse

    até aqui.

    Ao meu esposo, Paulo, que durante todo esse tempo esteve ao meu lado, nos dias de

    alegria, quando tudo parecia se encaminhar, e também nos dias de mau humor, quando tudo

    parecia perdido, aguentando tudo com paciência e companheirismo.

    Aos meus colegas de trabalho, que souberam ouvir e muitas vezes contribuíram em

    discussões sobre o trabalho e o mundo dos trabalhadores, visto que eles próprios são parte desse

    lugar. E um agradecimento especial à amiga Claudia, que acompanhou de perto todo o drama,

    me incentivando a sempre continuar.

    Aos meus professores, que ao longo de todo o curso me motivaram a continuar e me

    ensinaram o que é ser uma historiadora, para além da Academia.

    Aos meus colegas de mestrado, que se tornaram verdadeiros amigos, com os quais

    compartilhei minhas dúvidas, apreensões, discussões teóricas e políticas, algumas vezes

    acaloradas. Vocês, muitas vezes, foram o diferencial que possibilitou a conclusão dessa

    pesquisa.

    E, por fim, agradeço à orientadora, Cida, que mesmo quando as coisas pareciam não ter

    “pé e nem cabeça”, não desistiu de mim. Não tenho e, provavelmente, nunca terei palavras para

    descrever o quanto aprendi com você e como suas orientações foram para muito além dessa

    pesquisa, proporcionando verdadeiros ensinamentos de vida.

    A todos meu MUITO OBRIGADA, nada disso seria possível sem vocês!

  • “Deste modo, a mão não é só o órgão do trabalho, é também o produto

    do trabalho. Apenas devido a ele, devido à adaptação a operações

    sempre novas, devido a transmissão hereditária do desenvolvimento

    particular dos músculos, dos tendões e, a intervalos mais longos, dos

    próprios ossos, devido, em suma, à aplicação incessantemente repetida

    dessa afinação hereditária a operações novas e cada vez mais

    complicadas, é que a mão do homem atingiu esse alto grau de perfeição

    susceptível de fazer surgir o milagre dos quadros de Rafael, das

    estátuas de Thorwaldsen, da música de Paganini” (ENGELS,

    Friedrich, 1974, p. 52).

  • RESUMO

    NOAL, Sara Munique. "Seja o que Deus quiser. Eu escrevi a realidade." Carolina Maria de

    Jesus e o registro da experiência social dos trabalhadores pobres no Brasil (1920-1970).

    Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Estadual

    do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Marechal Cândido Rondon, 2019.

    A História vista de baixo se consolidou como um campo fértil de estudos que buscaram e

    buscam produzir uma narrativa que privilegia a análise da sociedade tendo como prisma a

    experiência dos grupos subalternos. Esta tarefa não é simples, tendo em vista que tais grupos,

    pela condição social que ocupam na sociedade, não dispõem dos meios e instrumentos

    necessários para registrar sua história. Encontrar registros escritos feitos por trabalhadores que

    sintetizem suas formas de ver e sentir-se no mundo é relativamente raro. Deste ponto de vista,

    ter acesso aos escritos de Carolina Maria de Jesus é quase um privilégio para qualquer

    pesquisador interessado em conhecer e analisar a vida dos trabalhadores brasileiros. Em seus

    diários, romances, poesias, provérbios e outros escritos encontramos uma narrativa fortemente

    impregnada por elementos objetivos e subjetivos da vida de uma mulher negra, pobre e

    brasileira entre os anos de 1920 e 1970. Ao mesmo tempo, seus textos permitem que nos

    aproximemos também do cotidiano dos trabalhadores, pois seu campo de reflexão foi sempre

    dirigido ao mundo que a cercava. Através de sua obra é possível acessar e analisar questões

    sobre a cultura dos trabalhadores, suas ideias e seu modo de vida. Mais do que isso, essas

    questões aparecem por meio dos relatos de uma trabalhadora que ousou desafiar o seu lugar

    social de origem, demonstrando as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores para adentrar e

    permanecer no universo intelectual.

    PALAVRAS-CHAVE: História; Literatura; Trabalhadores; Educação; Migração

  • ABSTRACT

    NOAL, Sara Munique. It's in God's hands. I wrote the reality. "Carolina Maria de Jesus

    and the record of the social experience of the working poor in Brazil (1920-1970).

    Dissertation (Master’s degree) – Programa de Pós-Graduação em História da

    Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Marechal Cândido Rondon, 2019.

    The History from below consolidated itself as a fertile field of studies that sought and

    seek to produce a narrative that privileges the analysis of society having as a prism the

    experience of subaltern groups. This task is not simple, bearing in mind that such groups,

    due to the social condition they occupy in society, do not have the necessary means and

    instruments to record their history. Finding written records by workers who synthesize

    their ways of seeing and feeling in the world is relatively rare. From this point of view,

    having access to the writings of Carolina Maria de Jesus is almost a privilege for any

    researcher interested in knowing and analyzing the lives of Brazilian workers. In her

    diaries, novels, poems, proverbs and other writings, we find a narrative strongly

    impregnated by objective and subjective elements of the life of a Brazilian woman, black

    and poor, between the years of 1920 and 1970. At the same time, her texts allow us to

    approach also of the daily life of the workers, because their field of reflection was always

    directed to the world that surrounded it. Through his work it is possible to access and

    analyze questions about workers' culture, their ideas and their way of life. More than that,

    these questions appear through the reports of a worker who dared to challenge her social

    place of origin, demonstrating the difficulties faced by workers to enter and remain in the

    intellectual universe.

    KEYWORDS: History; Literature; Workers; Education; Migration

  • SUMÁRIO

    APRESENTAÇÃO

    14

    CAPÍTULO I - CAROLINA MARIA DE JESUS: UM

    OLHAR PARTICULAR

    1.1 - Em busca de uma definição da obra de

    Carolina

    1.2 - Carolina: a poesia como destino

    31

    31

    40

    1.3 - Carolina Maria de Jesus: um olhar particular

    sobre o mundo

    49

    CAPÍTULO II - CAMPO E CIDADE: DIMENSÕES DO

    VIVER DAS CLASSES POPULARES NA

    NARRATIVA DE CAROLINA

    2.1 - Dimensões do viver das classes populares no

    campo

    2.2 - Dimensões do viver das