Simbolos esotericos

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D D D i i i c c c i i i o o o n n n á á á r r r i i i o o o d d d e e e S S S í í í m m m b b b o o o l l l o o o s s s E E E s s s o o o t t t é é é r r r i i i c c c o o o s s s

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dicionário de símbolos esotéricos

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  • 1. DDDiiiccciiiooonnnrrriiiooo dddeee SSSmmmbbbooolllooosss EEEsssoootttrrriiicccooosss

2. A Linguagem do Esprito________ 4 A ___________________________ 5AA B __________________________ 11BB C __________________________ 12CC D __________________________ 17DD E __________________________ 18EE F __________________________ 20FF G __________________________ 23GG H __________________________ 24HH I___________________________ 26II J __________________________ 27JJ K __________________________ 29KK L __________________________ 29LL M__________________________ 33MM N __________________________ 37NN O __________________________ 39OO P __________________________ 42PP Q __________________________ 47QQ 3. R __________________________ 47RR S __________________________ 50SS T __________________________ 54TT U __________________________ 56UU V __________________________ 56VV Y __________________________ 59YY 4. A Linguagem do Esprito o ver a Mona Lisa pintada por Da Vinci, ler a Divina Comdia de Dante Alighieri ou o Fausto de Goethe, a grande maioria dos observadores atuais no deixar de consider-los indiscutveis obras-primas. Porm, sua compreenso de tais trabalhos de maneira alguma ser completa: Leonardo, Dante e Goethe eram iniciados, e em suas obras esto presentes diversos elementos indicativos dos conhecimentos que possuam nessas reas; tais smbolos, amplificadores e enriquecedores das dimenses artsticas de cada um, hoje em dia so quase desconhecidos entre ns. A certo que mesmo nas pocas desses mestres no havia grande nmero de entendedores integrais de suas obras, mas tampouco havia nos homens daqueles tempos um desprezo ao simbolismo esotrico similar ao que nossos contemporneos lhes dedicam. Em O Homem e Seus Smbolos (Nova Fronteira), o psiclogo suo Carl Gustav Jung faz referncias a esse desprezo, lamentando-o: O homem moderno no entende o quanto seu racionalismo (que lhe destruiu a capacidade para reagir a idias e smbolos numinosos) o deixou merc do submundo psquico. Libertou-se das supersties (ou pelos menos pensa t-lo feito), mas neste processo perdeu seus valores espirituais em escala positivamente alarmante. Suas tradies morais e espirituais desintegraram-se e, por isto, paga um alto preo em termos de desorientao e dissociao universais. O dicionrio que colocamos disposio dos leitores extrado da edio especial Smbolos Esotricos, elaborada pelo ex- editor de PLANETA, Luis Pellegrini, com atualizao e edio de Cristina Rosa de Almeida certamente servir, mesmo com seu relativamente reduzido nmero de verbetes, para proporcionar uma primeira idia da amplitude dessa matria e da grande quantidade de reas distintas em que a cincia dos smbolos atua. Ou, mais do que isso, tema dominante. 5. Dicionrio de Smbolos AAA Abandono. A sensao psicolgica do abandono relaciona-se, esotericamente, com a angstia, geralmente temporria, de se ter perdido de vista o deus interno ou conscincia de si. Considera-se esta sensao tpica das crises internas pelas quais passam aqueles que percorrem os caminhos do desenvolvimento espiritual. A sensao de abandono , desse modo, smbolo da morte e da ressurreio. Abelha. Na linguagem hieroglfica do Egito, a figura da abelha estava relacionada com atributos de realeza, em parte por causa da organizao de tipo monrquico da sociedade desses insetos, e mais especialmente por causa das idias implcitas de indstria, atividade criativa e riqueza que so associadas produo do mel. Na Grcia antiga, as abelhas eram smbolos do trabalho e da obedincia. Nos ensinamentos rficos, as almas eram representadas por abelhas, no apenas pela associao com o mel (produto divino), mas principalmente porque elas migram em enxames. Considerava-se que tambm as almas emanavam da Unidade Divina em grupos parecidos a enxames. No simbolismo cristo, as abelhas so emblemas de eloqncia e diligncia no trabalho; nas tradies indo-arianas e islmicas, conservam a mesma significao espiritual da tradio rfica. Abluo. A ao de lavar-se ou banhar-se, sejam partes do corpo ou sua totalidade, faz parte da maioria dos ritos religiosos. A abluo simboliza a purificao tanto do corpo como da alma. O uso do elemento lquido, nesse sentido purificador, tem dimenso arquetipal. Aparece nas mais distintas civilizaes, desde os ndios americanos ate os cultos de origem africana (os ebs, ou banhos sagrados). 6. Tambm a lei de Moiss, para os judeus, e os preceitos cannicos, para os muulmanos, prescreve ablues rituais. No catolicismo, o simbolismo purificador do banho est implcito no sacramento do batismo, e tambm na cerimnia de limpeza do clice e dos dedos com gua e vinho. Em muitas tradies esotricas, o aspirante submetido a variadas ablues antes de passar por cerimnias iniciticas. Abracadabra. Palavra mgica que foi muito usada na Idade Mdia como frmula de poder. Sua origem hebraica, e o poder mgico a ele atribudo de natureza dupla; tanto fontico como grfica. Est relacionada com Abraxas e com o deus solar Mitra, simbolizando o poder sobrenatural do mesmo. geralmente inscrita dentro de um tringulo invertido. Abraxas. Na gnose grega, o nome Abraxas simboliza o Supremo Poder. Designa a divindade (o arconte) que rege o Sistema Solar e que concentra a potncia dos planetas. A anlise numerolgica dessa palavra, em grego, resulta no nmero 365, que o nmero de dias do ano solar. Abraxas representado com corpo humano (forma divina) e a cabea de galo (emblema da vigilncia e da clarividncia). Segura na mo esquerda um escudo (sabedoria) e na mo direita um chicote (poder dinmico ou fora vital). Seus membros inferiores terminam em duas serpentes (a mente ou sentido interno; a palavra criadora e a rapidez de compreenso). Esta figura costuma ser representada em um carro puxado por quatro cavalos brancos, smbolos dos quatro teres por meio dos quais circula o poder solar atravs do universo. Accia. Smbolo manico da iniciao, da inocncia e da imortalidade da alma. Representa a busca incessante para descobrir o mistrio da morte e o segredo da imortalidade. Em muitas civilizaes antigas, a accia era considerada uma rvore sagrada. Acrobata. Devido a suas capacidades acrobticas, que exploram as extremas possibilidades de toro, flexibilidade, equilbrio do corpo humano, bem como por sua capacidade de manter-se de cabea para baixo, apoiando-se nas prprias mos, o acrobata considerado smbolo vivo de inverso e revoluo. Ele tem, a nvel corporal, a capacidade de modificar radicalmente a ordem estabelecida. Tal caracterstica considerada de suma importncia, j que, nos momentos de crise (psicolgica, espiritual, social etc.), preciso alterar essa ordem quando a mesma j envelheceu e caducou, no mais servindo aos propsitos evolutivos. Aucena. Smbolo da pureza. Na iconografia crist medieval, esta 7. flor era emblema e atributo da Virgem Maria. Agni. Deus do fogo na religio vdica indiana. Simboliza o ter liminfero (Tejas Tattwa), o elemento bsico da criao natural. gua. O conceito de gua, um dos quatro elementos bsicos da natureza, estende-se de maneira geral a toda a matria em estado lquido. Smbolo universal do princpio feminino, das emoes, do inconsciente, de todas as substncias a gua a de interpretao mais complexa. Segundo Julius Evola, a gua simboliza a vida terrestre e a natural, mas no a vida metafsica. Este elemento est sempre ligado aos conceitos de fertilizao, de maternidade, de gerao. guia. Smbolo de carter arquetipal, pertencente a muitas mitologias, representa a fora, o poder, o Sol. No cristianismo, a gua assume o papel de mensageiro celestial, simbolizando a subida das oraes a Deus e a descida da graa divina aos mortais. Na Idade Mdia, gua foi usada par representar a glria e a majestade dos reis e imperadores. Na alquimia, smbolo da volatilizao. Na maonaria, a guia emblema de audcia, da capacidade de investigao e do gnio. A guia , nos ares, o equivalente ao leo na terra. Alfa e mega. A primeira e a ltima letras do alfabeto grego. Simbolizam o princpio e fim de todas as coisas. Alquimia. As primeiras informaes sobre esta escola mstico- ocultista de extraordinria importncia aparecem nos primeiros sculos aps Jesus Cristo, quando ela era intensamente praticada pelos gregos e rabes. Pouco a pouco, elementos de outras tradies (inclusive a cabala judaica e o misticismo cristo) foram a ela incorporados, enriquecendo muito o conhecimento original alqumico, que parece estar ligado s tradies hermticas e egpcias. A alquimia , essencialmente, um processo simblico de transformao de metais inferiores em ouro smbolo da iluminao e da salvao. Esse processo era chamado de Magnum Opus (A Grande Obra), e envolvia vrias etapas, todas elas com evidente sentido simblico: 1a ) Calcinao, a extino de todo interesse pela vida e pelo mundo manifestado, a morte do profano; 2a ) putrefao, uma conseqncia do primeiro estgio, consistindo na desunio dos resduos destrudos; 3a ) soluo, purificao da matria; 4a ) destilao, filtragem da matria purificada, isto , isolamentodos elementos de salvao separados nas operaes precedentes; 5a ) conjuno, o casamento dos contrrios (identificado por Jung como a unio psicolgica do princpio masculino consciente com o princpio feminino inconsciente); 6a ) sublimao, o sofrimento que deriva da renncia ao 8. mundo e da dedicao ao processo de busca espiritual; 7a ) coagulao filosfica, a unio inseparvel do princpio fixo (masculino, invarivel) com o princpio voltil (feminino, varivel). A alquimia prope, portanto, em sentido esotrico, um processo de transmutao energtico-espiritual. A mutao dos metais inferiores (emblemas dos desejos e paixes terrenas) em ouro (os valores mais altos da espiritualidade, que conferem ao homem sua plena realizao interior). Amendoeira. Por ser uma das primeiras rvores a florescer, na primavera, amendoeira simboliza o despertar para uma nova vida, ou seja, um emblema de renovao e ressurreio. Na Occitnia medieval, a amendoeira era considerada uma representao da igreja ctara. Ametista. Pedra semipreciosa que simboliza a humildade e a modstia. Na Antigidade se lhe atribua a propriedade de induzir sonhos reveladores. Ancio. O seu humano envelhecido smbolo universal do saber ancestral da humanidade. Em muitas civilizaes antigas, o grande respeito que se tinha pelos idosos derivava exatamente desse carter simblico da velhice. Na cabala judaica, o ancio smbolo do princpio oculto. ncora. Smbolo da esperana. No cristianismo, usa-se a ncora associada figura dos peixes (smbolo do cristianismo). Anel. Smbolo popular do casamento ou unio. Esotericamente, utiliza-se o anel tambm como smbolo de ciclo, seja csmico, metafsico etc. Anjo. Nas religies monotestas como o cristianismo, o judasmo, o islamismo e o zoroastrismo, os anjos so considerados espritos puros e inteligentes, de natureza sobre-humana, mensageiros ou intermedirios da Divindade. Certas escolas esotricas consideram que os espritos planetrios ou regentes de cada planeta do Sistema Solar tm embaixadores ou representantes anglicos na Terra. As funes simblicas desses embaixadores so distribudas da seguinte forma: Sol arcanjo Miguel, smbolo da autoridade, poder e dignidade de Deus; Lua arcanjo Gabriel, smbolo do nascimento e dos processos de gerao; Mercrio arcanjo Rafael, o poder divino da cura e da proteo; Vnus arcanjo Anael, o amor, a bondade, a arte e virtude divina; Marte Samael, smbolo da energia dinmica de Deus, da fora construtiva e do entusiasmo; Jpiter Zacariel, altrusmo e 9. generosidade; Saturno Cassiel, justia, direito e a Suprema Ordem Divina; Urano Ituriel, smbolo do altrusmo e fraternidade humana. Anjo Guardio. Chamado tambm de anjo da guarda ou anjo custode; seu significado esotrico no diz respeito, exatamente, a uma entidade espiritual superior, mas o smbolo do conjunto de nossas boas aes, daquilo que de positivo e construtivo fizemos, tanto nesta vida como nas passadas. Esse conjunto personifica-se numa poderosa fora interna, capaz de intervir no sentido protetor quando solicitada. Apolo. Divindade solar grega. Smbolo das artes, da medicina, da luz e da adivinhao. Ar. Dos quatro elementos da natureza, o ar e o fogo so considerados ativos e masculinos; a gua e a terra, passivos e femininos. Em algumas cosmogonias, o fogo ocupa o primeiro lugar em ordem de importncia hierrquica, e considerado a origem de todas as coisas. Mas, em geral, considera-se o ar como o primeiro elemento. O ar comprimido, ou concentrado, cria o calor e o fogo, do qual todas as formas de vida derivam. O ar est essencialmente relacionado com trs conjuntos de idias: o respiro criativo de vida, a palavra criadora; o vento (ar dinamizado), conectado em muitas mitologias com a idia de criao; e, finalmente, o prprio espao, como meio onde se produzem os movimentos e onde emergem os processo da criao e desenvolvimento da vida. Luz, luminosidade, bem como o sentido do olfato, esto relacionados com o importante simbolismo do ar. Arca. O mito bblico da arca de No simboliza a preocupao e o poder de preservar todas as coisas criadas, bem como de assegurar o seu renascimento. Tal interpretao vlida tanto no plano fsico como no espiritual. Arco-ris. Entre os antigos gregos, simbolizava a unio entre o reino dos deuses e a Terra. Modernamente, foi adotado pelos rosa- cruzes como emblema da unio e do perdo divino. Artes marciais. As tcnicas de defesa e ataque aparecem em quase todo o mundo, mas nos pases do Extremo Oriente, notadamente China e Japo, que as artes marciais atingiram seu maior desenvolvimento e a plenitude de seus objetivos. O jud, karat, tai chi chuan, kend etc., so sistemas de luta corporal baseados na filosofia taosta (China) e no zen-budismo (Japo). Esses sistemas simbolizam jogos ou combinaes das foras ativa e passiva da natureza e do homem, e a sua prtica um aprendizado filosfico. rvore. Smbolo universal do conhecimento secreto e sagrado, a 10. rvore esteve sempre relacionada com as foras ocultas da natureza, representando tambm o nexo de ligao entre o mundo terreno e o mundo divino. Quase todas as civilizaes e grandes religies tiveram uma ou mais rvores sagradas por exemplo, a figueira (bodhi) dos hindus; o abeto e sicmoro, egpcios; o carvalho, dos druidas; o cipreste, dos mexicanos; etc. Astrologia. Na astrologia, a srie planetria Sol, Lua Mercrio, Vnus, Marte, Jpiter, Saturno, Urano, Netuno e Pluto expressa os modelos ou arqutipos do mundo moral, cada astro representando um duplo aspecto (positivo/negativo) de qualidades, que transfere aos signos que rege. A seqncia dos 12 signos do zodaco representa todo o ciclo da existncia, dede o primeiro impulso da criao at a emancipao espiritual. o seguinte o simbolismo bsico de cada um deles: ries (21/03 a 20/04) do fogo, regido por Marte. Liderana, deciso e entusiasmo ou impulsividade, clera e desejo de destruio. Touro (21/04 a 20/05) da terra, regido por Vnus. Perseverana e afetividade ou avareza e preocupao excessiva com prazeres materiais. Gmeos (21/05 a 20/06) do ar, regido por Mercrio. Inteligncia, versatilidade e curiosidade mental ou inconstncia e instabilidade. Cncer (21/06 a 21/07) da gua, regido pela Lua. Sensibilidade e poder de imaginao ou emotividade exacerbada e apego ao passado. Leo (22/07 a 22/08) do fogo, regido pelo Sol. Poder, energia, generosidade e otimismo ou ambio, despotismo, tirania e clera. Virgem (23/08 a 22/09) da terra, regido por Mercrio. Carter metdico e ordenado ou nervosismo e sentido crtico exagerado. Libra (23/09 a 22/10) do ar, regido por Vnus. Sociabilidade, senso de justia e refinamento ou depresso, autocomplacncia e pessimismo. Escorpio (23/10 a 21/11) da gua, regido pelos planetas Marte e Pluto. Energia e tenacidade ou excesso de sensualidade e carter vingativo. Sagitrio (22/11 a 21/12) do fogo, regido por Jpiter. Otimismo, entusiasmo e boa vontade ou falta de perseverana e superficialidade. Capricrnio (22/12 a 20/01) da terra, regido por Saturno. Carter laborioso, reflexivo, responsvel ou rigidez e dogmatismo. Aqurio (21/01 a 19/02) do ar, regido por Urano e Saturno. Carter original e independente ou inrcia e idias subversivas. Peixes (20/02 a 30/03) da gua, regido por Netuno e Jpiter. 11. Piedade, intuio e esprito de sacrifcio ou passividade e anulao. Atena (Palas Atena). Deusa grega, smbolo da sabedoria, das artes e da cincia. Equivale Minerva romana. Aum. Slaba sagrada e mstica snscrita. Representa o fundamento de todos os sons, e emana da prpria vibrao csmica primordial. usada como smbolo da divindade (Brahma), e considerada um mantra de grande valor energtico sutil. Aurola. Muitos santos cristos e divindades de outros sistemas religiosos so representados circundados por uma coroa luminosa, ou por um campo de luz que envolve toda a sua figura. Trata-se de uma representao simblica da aura de luz que, segundo clarividentes, emana dos santos ou pessoas de elevado padro espiritual. BBB Babilnia. Esta cidade simboliza a existncia corrupta, tanto do indivduo quanto da sociedade, em oposio Jerusalm celestial ou Paraso. No sentido esotrico, simboliza o mundo slido ou material, no qual acontecem os movimentos de evoluo e involuo do esprito ou, em outras palavras, a penetrao da matria pelo esprito. Batismo. Rito baseado no simbolismo da gua (elemento lquido), que limpa e purifica. Sua difuso bem anterior ao cristianismo. Os hindus, por exemplo se submergem nas gua do Ganges, seu rio sagrado, para purificar-se. Com o mesmo fim mergulhavam nas guas do rio Nilo os aspirantes iniciao do antigo Egito. Esse rito era tambm muito difundido na teurgia caldaica primitiva, nos mistrios rficos e eleusianos da Grcia, bem como entre os zoroastristas e os essnios. Por seu lado, no Oriente, os tibetanos utilizam como lquidos purificadores no apenas a gua, mas tambm certos leos vegetais, o vinho, o mel, o sangue e a urina de vaca. No catolicismo, a purificao pelo batismo tornou-se um sacramento. Besta do Apocalipse. Alegoria bblica que representa o processo involutivo da matria e do esprito. Foi, algumas vezes, utilizado como smbolo do princpio feminino em seu aspecto 12. corruptor e tentador, e particularmente como emblema da estagnao do processo evolutivo. Borboleta. Nas tradies antigas, este inseto simbolizava a alma e a atrao inconsciente exercida pela luz (o esprito). A psicanlise interpreta a borboleta como smbolo de renascimento, por causa do processo de metamorfose caracterstico, em que a lagarta, aps um perodo de incubao, reaparece na forma de borboleta. CCC Caduceu. Cetro do deus Mercrio. Vara entrelaada com duas serpentes que na parte superior tem duas pequenas asas ou um elmo alado. Esotericamente, o caduceu simboliza o caminho da iniciao. A vara do caduceu corresponde coluna vertebral, e as duas serpentes representam a ascenso das duas modalidades da energia kundalini (energia vital latente) que se concentra no chacra (centro energtico) localizado na base da espinha dorsal. Trata-se de um smbolo muito antigo, encontrado na Sumria e na ndia, gravado em pedra. Na Grcia, foi utilizado como atributo do deus Mercrio. O caduceu considerado tambm emblema do equilbrio moral e da boa conduta: nesse caso, o basto expressa o poder; as serpentes, sabedoria; as asas, diligncia; e o elmo expressa os pensamentos elevados. Caminho. O conceito de caminho, ou sua imagem visual, constitui, no esoterismo, um smbolo da trajetria ou curso de um treinamento oculto; as diversas etapas de um caminho representam os distintos graus de um progresso individual. Candelabro. Utilizado em muitas religies para suportar velas, o candelabro smbolo da luz espiritual como elementos de salvao. O nmero de seus braos tem significado preciso, aludindo a sentidos csmicos, msticos e cabalsticos. Co. Smbolo universal da fidelidade, por ser esta a sua qualidade mais caracterstica. Esse animal est tambm associado a muitas divindades de cura, como, por exemplo, o orix Obaluai, do candombl e umbanda. 13. Catstrofe. Situaes catastrficas, sejam as criadas por foras telricas (terremotos, maremotos, tufes, raios etc.) ou de quaisquer outros tipos (psicolgicas, sociais, polticas, financeiras etc.) constituem smbolo geral de mudana ou mutao. Representam muitas vezes, para o indivduo que, por exemplo, sonha com uma catstrofe, o incio de um processo de transformao psquica. O carter particular de uma catstrofe constitui, por sua vez, importante simbolismo secundrio, e deve ser levado em conta. Por exemplo, o elemento ar, no caso do furaco; o elemento fogo, num incndio; a gua, num maremoto; a terra, num terremoto. O sentido transformador positivo ou negativo de uma catstrofe depende, assim, do agente que a motiva. Cavalo. Animal de simbolismo complexo, presena constante em quase todas as mitologias. Est quase sempre associado s idias de fora e mobilidade. Representa, no plano biopsicolgico, os instintos e desejos exaltados, tambm atributos de uma outra figura mitolgica, o Centauro. Est relacionado com a gua (em conexo com Netuno e Pluto) e com o vento (por sua velocidade na corrida). Assume o papel de Pgaso, como cavalo alado das musas, smbolo da poesia. Finalmente, como o Hipogrifo das lendas medievais, simboliza o poder ascensional da espiritualidade. Caveira. O crnio humano simboliza, de forma geral, o carter transitrio e perecvel da existncia. o que resta do ser humano aps a destruio do corpo, adquirindo assim o sentido de receptculo da vida. Os alquimistas utilizaram nesse sentido o smbolo da caveira, um emblema do recipiente da transmutao. Caverna. Em psicologia, a caverna possui simbolismo complexo, sendo considerada um emblema geral do inconsciente profundo. Esotericamente, a caverna identificada com o corao humano como centro espiritual e secreto. Ceres. Deusa latina da terra, identificada com a Demter grega, a quem eram consagrados os mistrios de Elusis. Simboliza a fora criadora da natureza; protegia a agricultura e as riquezas terrenas. Esotericamente, Ceres/Demter representa o princpio feminino gerador que anima todo grmen material no universo manifestado. Cetro. O basto atributo de reis, imperadores e chefes: smbolo do poder, anlogo varinha mgica, ao raio, ao falo, ao martelo. Cu. Na maioria das religies de massa, o conceito de cu significa o estado de beatitude alcanado pelos justos aps a morte. 14. Esotericamente, o cu simboliza o estado feliz de conscincia, ou de bem-aventurana, que se adquire aps superar duras provas iniciticas e ultrapassar os limites da conscincia comum, penetrando nos estados de conscincia superior. Chave. Smbolo da iniciao e do saber. Nas escolas tradicionais antigas, a chave continha significao muito importante: recordava, aos candidatos iniciao, a obrigao do silncio, e prometia aos profanos a revelao de mistrios profundos e quase impenetrveis. Chumbo. Metal que corresponde ao planeta Saturno. Em seu aspecto positivo, emblema da prudncia, austeridade, severidade, concentrao, isolamento e pacincia. Em seu aspecto negativo, representa o egosmo, a preguia, o temor, a preocupao e a opresso. Cidade das Nove Portas. Expresso simblica do corpo humano, com suas nove aberturas ou orifcios atravs dos quais ele se relaciona e comunica com o mundo exterior. Crculo. Smbolo universal ou arqutipo da totalidade ou da eternidade. Representa a perfeio divina e perpetuidade de Deus. O crculo ou disco emblema de tipo solar. Junto roda e esfera, simboliza tambm o dinamismo psquico, o mundo manifestado, a unidade interna da matria, tudo que preciso e regular; a harmonia universal. Simples: o infinito, o universo, a totalidade; com ponto no cento: a primeira manifestao do princpio criativo divino; dividido (por uma reta horizontal): a primeira diviso do Princpio Divino em duas polaridades opostas e complementares (masculina e passiva); com cruz no interior: o momento da criao, quando o princpio masculino impregna o feminino; com tringulo no interior: o princpio espiritual ou ternrio dentro da totalidade; com quadrado no interior: o princpio material ou quaternrio dentro da totalidade. Crculo mgico. So desenhos geomtricos ou diagramas traados usados na magia cerimonial. So encontrados nas mais diversas religies e escolas tradicionais no Oriente, no Ocidente e tambm na frica; simbolizam os mistrios da criao, as divindades e o universo. Os pontos traados do candombl e da umbanda so exemplos tpicos. Cisne. Na mitologia clssica, era animal consagrado ao deus Apolo, e tambm a Afrodite (Vnus) e a Leda. No simbolismo cristo, evoca a idia de pureza. Junto ao pelicano, , para os rosa-cruzes, smbolo mstico do ocultismo. O cisne tem dupla funo simblica: masculina (por seu pescoo longo de aparncia flica) e feminina (pelas formas 15. arredondadas e sedosas de seu corpo). Cobre. Metal de Vnus. Simboliza, em seu aspecto positivo, o amor, a fecundidade e a capacidade criadora. Em seu aspecto negativo, est relacionado com a luxria. As qualidades fsicas de maleabilidade e durabilidade do cobre so importantes para a compreenso de seu simbolismo. Coluna. O smbolo da coluna freqente em muitas escolas iniciticas e de sabedoria. Representa quase sempre os conceitos filosficos e ticos sobre os quais repousa a instituio. Por exemplo, na maonaria o ritual das colunas significa, simbolicamente, que as lojas esto sustentadas por trs grandes pilares que representam a Sabedoria, a Fora e a Beleza. Compasso. Junto ao esquadro, com o qual se apresenta entrelaado, o compasso um dos mais importantes smbolos manicos. Representa a justia, com a qual deve-se medir os atos dos homens. Cor. As cores do espectro solar constituem tambm smbolos universais, utilizados desde as pocas mais remotas. As cores, esotericamente, so consideradas vibraes csmicas. Entre os significados simblicos das cores destacam-se: vermelho valentia, ousadia, virilidade, calo, paixo; no catolicismo, o vermelho- encarnado representa o amor e o martrio; o vermelho-prpura emblema dos prncipes da Igreja; azul bondade, lealdade, glria, caridade; verde esperana, fora, honra, juventude, beleza, purificao, regenerao, natureza; liturgicamente, smbolo de esperana; violeta prudncia, modstia, escrpulo, amor verdade, arrependimento, remorso; liturgicamente, simboliza penitncia; amarelo-alaranjado confiana, intuio, constncia, f, sabedoria, intelecto; branco pureza e alegria; negro liturgicamente, simboliza luto; em psicologia, representa o inconsciente; esotericamente, representa a noite escura da alma, etapa de angstia existencial pela qual passa todo aquele que percorre uma senda inicitica, antes de chegar a um plano superior de conscincia. Corao. Um dos mais importantes e universais smbolos esotricos. A maioria das escolas iniciticas considera, basicamente, a existncia de trs centros vitais e espirituais no ser humano: o crebro, o corao e o sexo. O corao, centro do meio, concentra e equilibra os outros dois. O corao era a nica vscera que os egpcios deixavam no interior da mmia, como centro necessrio ao corpo para a eternidade. Tradicionalmente, o corao foi considerado a 16. verdadeira sede da inteligncia, j que a ele corresponde o clido e luminoso Sol (ao crebro corresponde a luz fria e refletida da Lua). Por outro lado, a importncia do amor, na mstica, reside no fato de que ele se expressa por meio do corao. Amar acionar a fora de um centro (o corao), o qual estimula e impulsiona os outros centros. Dessa forma, o corao o smbolo magno do amor, iluminao espiritual e felicidade. Corno. Desde a mais remota antigidade, os cornos ou chifres simbolizaram a idia de fora e potncia, elevao e poder, dignidade e fertilidade. Muitos deuses, deusas e heris foram representados portando cornos por exemplo, Moiss. Os cornos, como smbolos, apresentam duas formas principais: os do tipo do carneiro, de significao solar (ries); os do tipo do touro, de significao lunar (Touro). No cristianismo, em conseqncia de uma reverso, os cornos se converteram em representao da violncia e do mal, sendo assim transformados em atributos corporais de demnios. Modernamente, certas escolas ocultistas interessadas no estudo das energias sutis do ser humano (energia etrica e astral) consideram os cornos como smbolos de chacras, emanaes energticas importantes, as quais, nesse caso, aparecem na regio da cabea de certos indivduos que alcanaram um alto grau de desenvolvimento espiritual. Coruja. Esta ave um antigo smbolo popular da morte e da desgraa. Esotericamente, devido ao seu hbito de voar noite e conseguir enxergar nas trevas, a coruja representa a conscincia em permanente estado de viglia, e a sabedoria que da advm. Cruz. Smbolo extremamente antigo e de carter universal, apresenta nmero imenso de variaes e assume sentido religioso e esotrico para diversos povos. Em todas as culturas, seu significado arquetpico o da unio dos opostos: o eixo vertical (masculino) e o eixo horizontal (feminino). No cristianismo, o emblema mximo. Para a teosofia, traz a idia do homem regenerado, aquele que conseguiu integrar harmoniosamente suas duas partes e que, crucificado como mortal, renasce como imortal. Na simbologia rosa-cruz, evoca os quaro reinos da natureza. Como smbolo da rvore da Vida, representa o eixo do mundo: a ponte ou escada atravs da qual a alma pode chegar a Deus. 17. DDD Dana de Shiva. As imagens de metal ou de pedra de Shiva, divindade hindu de primeira magnitude, representam-no em geral no seu aspecto de Nataraja, o o senhor da dana. Segundo esse mito, atravs de sua dana Shiva cria o universo, desencadeando com seus movimentos o processo de criao das formas manifestadas. A imagem dessa divindade, simbolizando um processo csmico de gerao, representa as cinco aes divinas: a criao do universo; sua conservao; sua destruio; a encarnao das almas; a sua liberao. As civilizaes tradicionais tinham muito desenvolvida conscincia de que no universo nada est parado; tudo se movimenta e se transforma, obedecendo a leis csmicas relativas dinmica universal. A dana, no seu contexto sagrado, nunca foi, dessa forma, um ato puramente ldico ou esttico. Ela tem um significado religioso de primeirssima importncia, pois atravs da dana que o ser humano experimenta e vivencia, em si mesmo, essa dinmica universal. A dana , desta forma, smbolo universal dos processos cosmognicos e de regenerao do mundo. Demnio. A palavra deriva do grego daimon (esprito ou gnio). O conceito primitivo de demnio bem distinto de sua interpretao atual de tipo cristo. Na Antigidade, e esmo na poca da Grcia clssica, os demnios eram considerados gnios da natureza e podam ser tanto malficos como benficos. Mais propriamente, so considerados entidades intermedirias ou mensageiros entre os homens e os deuses. A significao simblica dos demnios sofreu mudana radial com o desenvolvimento das religies crists, que os identificam com o esprito do mal, os anjos cados ou rebeldes comandados por Satans ou Lcifer. Na mitologia afro-brasileira, as entidades chamadas Exus so tradicionalmente consideradas como as que mais correspondem ao sentido primitivo de demnio. Diamante. Pedra preciosa, aparece com freqncia nos emblemas esotricos, como, por exemplo, nas sociedades rosa-cruzes. O diamante representa o centro mstico irradiante, e simboliza a luz e o prprio adepto. No budismo vajrayana (vajra: diamante), tpico do Tibet, essa pedra est conectada com o Sol, atributo das divindades 18. mais importantes e simboliza tambm o prprio poder divino. Dionsio. Chamado Baco pelos romanos, Dionsio (ou Dioniso) um dos importantes de todos os deuses gregos. Divindade ligada natureza, ao vinho e ao delrio mstico, era filho de Zeus e de Semele. Perseguido pelo cime da deusa Hera (a Juno romana), enlouqueceu e durante muito tempo percorreu o mundo, levando ora a alegria, ora o terror aos homens. Foi purificado por sua av Ra (deusa da terra), que o iniciou em seus mistrios. Dionsio representado pela figura de um belo jovem que carrega nas mos uma taa ou basto rodeado de ramos de videira ou de hera. Ele smbolo da fora geradora da natureza e do desencadeamento ilimitado dos desejos, das emoes, dos instintos. O culto a Dionsio contrape-se ao culto solar de Apolo. Este ltimo mais associado ao conhecimento obtido pelo intelecto e pela razo, enquanto Dionsio inspira a sabedoria conquistada pelos instintos. Drago. Forma mtica monstruosa , o drago geralmente representado como um ser com cauda de serpente, garras de leo e asas de guia. O aspecto geral de um rptil fantstico. smbolo universal da animalidade e dos instintos primitivos. Por isso, em vrias mitologias ocidentais, deuses, santos e heris se distinguem por terem enfrentado e vencido um drago (Hrcules, Apolo, Perseu, Sigfrido, So Jorge e So Miguel, entre outros). J nas religies orientais, notadamente no Tibet, China e Japo, o drago simboliza a sabedoria, a imortalidade e o renascimento. Em psicologia, o drago no necessariamente um smbolo malfico, podendo significar a irrupo ou interveno de instintos profundos e primitivos. EEE Eros. O deus do amor, na Grcia, chamado Cupido pelos romanos. a terceira pessoa da primitiva trade helnica Urano, Geia, Eros (Cu, Terra, Amor). Esotericamente, Eros simboliza a fora criadora da natureza em seu sentido abstrato. Escada. A imagem da escada, uma sucesso de degraus, simboliza 19. a idia de ascenso, graduao e comunicao entre diversos planos da conscincia ou planos existenciais. Expressa tambm o momento de ruptura de nvel que torna possvel a pasagem de um mundo para outro (de um plano de conscincia para outro), bem como a comunicao entre a Terra, o Cu e o Inferno. Escaravelho. Venerado pelos antigos egpcios, este inseto (Scarabeus Sacer) era o smbolo do princpio masculino solar. Com o nome de Kepri, era um emblema do deus do Sol no ato de empurrar o disco solar atravs do cu. Tal simbolismo deriva do hbito caracterstico desse inseto, que formar uma pequena esfera feita de terra ou lama seca e empurr-la por longas distncias, rolando essa bola com as patas dianteiras. Espada. Smbolo muito usado na magia e no misticismo medieval, a espada representa o esprito ou a palavra de Deus. A espada de ouro emblema supremo da realizao espiritual. Do ponto de vista esotrico, a espada representa o extermnio fsico e a determinao psquica dentro do caminho csmico do sacrifcio. O simbolismo da espada est ligado idia da ao da justia. Espelho. Smbolo do pensamento ou da conscincia inferior, por sua capacidade de reproduzir as imagens do mundo visvel. Aparece com freqncia como objeto dotado de poderes mgicos, ao suscitar aparies ou imagens do passado ou do futuro. O espelho aparece tambm como porta atravs da qual a alma pode dissociar-se e passar para o outro lado. Por sua condio refletora e passiva, o espelho simboliza tambm o carter feminino e de tipo lunar. Espiral. Um dos mais importantes smbolos universais, a espiral representa o arqutipo do cosmos, e simboliza o processo evolutivo do universo. No sistema hieroglfico egpcio, a espiral denota as formas csmicas em movimento, ou a relao entre a unidade e a multiplicidade, entre o centro e o crculo. Estanho. Metal correspondente ao planeta Jpiter. Em seu aspecto positivo, o estanho simboliza justia e benevolncia; em seu aspecto negativo, relaciona-se com os vcios da cobia e gula. Estrela. Smbolo universal do esprito. Esotericamente, a apario de uma estrela simboliza o aparecimento de uma possibilidade de realizao espiritual. De cinco pontas: veja o verbete especfico; de seis pontas: as naturezas masculina e feminina se interpenetram e se harmonizam, conservando sua individualidade. Estrela de Belm. A Bblia e a tradio crist consideram a 20. apario da Estrela como um fato real, de carter sobrenatural ou milagroso, testemunhado pelos Reis Magos em sua viagem at o menino Jesus. Na mstica esotrica, a Estrela de Belm tem carter simblico ou alegrico, significando a intuio superior e a f que orienta todo verdadeiro mstico em sua busca do Esprito do Sol- Cristo. Estrela de cinco pontas. A estrela de cinco pontas (pentagrama) smbolo do homem ou microcosmo, revelando a sua analogia e identidade co o universo ou macrocosmo. Suas cinco pontas representam: a superior, a cabea, as laterais, os dois braos; as inferiores, as duas pernas. Esta uma postura que procura refletir, em termos de estado de conscincia, um equilbrio ativo e a capacidade de compreenso que deve possuir cada homem para transformar a si mesmo num centro irradiante de vida como uma estrela no firmamento. Esta figura geomtrica pentagonal representa tambm um cnone esttico arquetipal denominado divina proporo. Este cnone foi aplicado nas mais importantes obras de artes plsticas e arquitetura, durante a Antigidade clssica (principalmente na Grcia pitagrica) e no Renascimento (Leonardo da Vinci etc.). Como fonte de luz e inspirao celestial, a estrela de cinco pontas considerada, esotericamente, emblema do princpio inspirador do bem, do verdadeiro e do belo, tanto no mundo como no homem. Colocada com uma ponta em cima usada nas operaes de magia branca, com plo atrativo de energias csmicas benficas; com duas pontas em cima e uma ponta embaixo (ou seja, invertida), usada na magia negra com finalidade obviamente contrria. FFF Falco. Ave sagrada dos egpcios, consagrada ao deus Hrus, anloga gua. O falco smbolo da alma. Falo. O rgo sexual masculino smbolo universal da fertilidade, da fora produtiva da natureza, da energia ativa do princpio masculino. O culto flico est presente em praticamente todas as 21. civilizaes primitivas e antigas, especialmente no antigo Egito, na Grcia clssica, em Roma e em tribos do continente americano e africano. Mas na ndia, at nossos dias, que os cultos flicos encontram sua expresso mais desenvolvida e espiritualizada, sem contedos ou conotaes obscenas. Fauno. Divindade menor do panteo greco-romano, os faunos eram gnios campestres ligados vida nmade e pastoril. Simbolizam os sonhos amorosos do homem, no necessariamente caracterizados por desejos fsicos ou sexuais. Os faunos eram os protetores dos bosques, dos parques e dos pequenos animais domsticos. O prottipo do fauno o deus grego P, representado com cabea e trax de homem e quadris e pernas de bode. P traz tambm um par de chifres caprinos na cabea e exmio tocador de flauta. Fausto. No sculo 16, na Alemanha, viveu um certo doutor Johan Faust, experto em magia, alquimia e cabala. Este personagem real provavelmente deu origem a um dos mais importantes e universais mitos esotricos e psicolgicos, traduzido na lenda de Fausto e Mefistfeles, a histria do homem (Fausto) que vende a alma ao diabo (Mefistfeles) em troca de poder e sabedoria. Na realidade, ambos os personagens representam aspectos da alma humana, inquieta e ambiciosa, faminta de conhecimento das supremas verdades. Esse mito ganhou, com o passar do tempo, propores arquetipais. O conflito de Fausto e Mefistfeles simboliza no mais apenas o homem como indivduo, mas a prpria humanidade, sonhadora e descontente, com suas aspiraes e suas fraquezas. Fnix. Figura mitolgica representada por uma ave que morre e renasce das prprias cinzas. Diz a lenda que a fnix, quando sentia aproximar-se o fim, reunia um monte de madeira e palha seca e o expunha aos raios do Sol para que ardesse, atirando-se em seguida s chamas. Da medula de seus ossos nascia ento um novo pssaro, rejuvenescido e renovado. A fnix smbolo da imortalidade da alma, e tambm do carter cclico dos acontecimentos. Na alquimia, representa a regenerao eterna da vida universal. Ferro. Metal correspondente ao planeta Marte, de carter masculino ou ativo. Em seu aspecto positivo, simboliza a fora e a atividade construtiva; em seu aspecto negativo, representa a clera e a violncia. Flauta. Instrumento musical consagrado ao deus Dionsio, na Grcia antiga. Pela sua forma, bem como pelas caractersticas erticas de seu som, a flauta pertence vasta gama de smbolos flicos. Contudo, pelo metal caracterstico de sua confeco (prata), e por ter sonoridade que 22. estimula e libera contedos emocionais, est mais relacionada com a Lua e o princpio feminino. Diz a lenda que o sbio Plato no recomendava o uso da flauta, considerando que o som por ela emitido perturbava a tranqilidade da alma. Flor. Em muitas escolas esotricas a flor simboliza a fugacidade das coisas, a beleza e a primavera. No Oriente, pela sua forma mais comum, a flor representa tambm os centros energticos espirituais, os chacras. O conceito da flor de ouro, na mstica chinesa, um smbolo transcendental taosta que alude vitria espiritual. Fogo. Os quatro elementos bsicos da natureza so smbolos universais de grande importncia. Dos quatro, o fogo o que mais constantemente acha-se associado s religies, desde os tempos pr- histricos. Inicialmente smbolo do Sol e da divindade, nas civilizaes antigas (Mesopotmia, ndia, Egito), o fogo foi posteriormente convertido em smbolo da prpria alma e vida humanas. Esotericamente representao ou reflexo mais perfeito da Chama Una, o princpio divino, que , por sua vez, e como conceito, o mais alto smbolo de toda a humanidade. O fogo representa a vida e a morte, a origem e o fim de todas as coisas, e nesse sentido um dos mais importantes emblemas de transformao e regenerao. Paracelso estabelecia a igualdade o fogo c e da vida: ambos, para subsistir, necessitam consumir. Como sinnimo de vida, o fogo tem muitos aspectos: ele pode ser encontrado tanto a nvel da paixo animal e do erotismo (o fogo da paixo) como a nvel dos mais ingentes esforos espirituais. Ele alcana e transcende o plano do bem (calor e energia vital) e o plano do mal (destruio e conflito). Tem a funo de purificador supremo, como no caso das cremaes ritualsticas de cadveres, uma tradio nacional indiana. Em muitas civilizaes praticam-se rituais de travessia do fogo (caminhar sobre brasas), sempre com o sentido explcito de transcendncia da condio humana. Fssil. Num sentido geral sua significao corresponde da pedra; entretanto, devido a seu carter ambivalente (o fssil petrificado j foi uma criatura viva), alcana e rene os conceitos de tempo e eternidade, vida e morte, a evoluo das espcies e a sua petrificao. 23. GGG Galo. Na Grcia antiga, o galo era uma ave consagrada a Esculpio e conectada aos deuses Hermes e Atena (Mercrio e Minerva romanos), divindades do intelecto e da sabedoria. O galo simbolizava a atividade e a conscincia de viglia e est relacionado com a morte e a ressurreio. considerado, no ocultismo, uma das aves mais magnticas e sensveis. Gato. Associado desde tempos imemoriais com os poderes do sobrenatural, o gato considerado o mais mgico de todos os animais. Felino de natureza enigmtica, foi animal sagrado em muitas civilizaes, em especial no antigo Egito, onde foi elevado categoria de divindade. Era considerado um smbolo lunar, consagrada s deusas sis e Bast, esta ltima divindade com corpo de mulher e cabea de gato. Nas prticas ocultistas, considera-se o gato um excelente doador de magnetismo animal, fluido vitalizador que, em certas circunstncias, pode ser absorvido pelo homem em seu benefcio. Outras escolas atribuem tambm ao gato a capacidade de absorver detritos ou escrias energticas eliminadas pela presena humana, detritos esses que podem permanecer no ambiente, contaminando-o. Esotericamente, o gato smbolo da vigilncia e da proteo. Em muitos templos do Oriente (por exemplo, nos templos budistas da Tailndia e outros pases do Sudeste asitico), a presena dos gatos constante. Atuariam, segundo crena local, no apenas como purificadores do ambiente, mas tambm como guardies alertas contra a penetrao de entidades malficas provenientes de planos existenciais sutis. Na moderna psicologia, o gato um dos smbolos ligados ao princpio ou fora feminina, ao mundo onrico e irracional. Gesto. A rigor, todas as expresses, posturas, atitudes, movimentos executados pelo corpo humano, em sua totalidade ou por partes dele, podem ser considerados manifestaes do esprito. Esotericamente, uma enorme quantidade de gestos possui significado simblico, e a sua prtica exerce poderosa influncia sobre o inconsciente humano. Assim, por exemplo, a postura de genuflexo induz e simboliza humildade; as mos justapostas sobre o peito representam a elevao do pensamento e favorecem as oraes; os gestos de splica, o sinal 24. da cruz etc., so todos smbolos religiosos. A civilizao que provavelmente mais desenvolveu a linguagem simblica dos gestos a hindu (ver verbete mudra). Tambm a moderna psicologia se interessa pela linguagem gestual, considerada pelos especialistas como uma expresso da personalidade e do carter do indivduo. Gral. O objeto misterioso que, segundo a lenda medieval, o clice com que Jesus instituiu a Eucaristia (segundo outras correntes, a bandeja na qual foi servido o cordeiro pascal durante a ltima Ceia). A busca posterior do Santo Gral foi tema muito importante na literatura da Idade Mdia, influenciando a poesia e a mitologia da Inglaterra (o Rei Artur e seus cavaleiros da Tvola Redonda), a Alemanha (o mito de Parsifal) e tambm sociedades secretas importantes como a Ordem dos Templrios e o catarismo. O Santo Gral um dos smbolos legendrios de maior importncia, complexidade e beleza. A posse desse objeto outorgaria juventude eterna a seu possuidor. Segundo Manly Palmer Hall, a busca do Santo Gral foi a mais misteriosa e importante das legendas cavalheirescas. O sangue de Cristo, sempre fluindo no interior do Gral, simboliza sua verdadeira doutrina, e o clice que o contm, sua escola esotrica, o clice de seus adeptos. A busca do Gral representa a aventura espiritual da regenerao, e as provas e tribulaes dos cavaleiros simbolizam as etapas da iniciao nos mistrios espirituais do Cristo. Grifo. Animal fabuloso, com cabea de guia, corpo de leo e cauda de serpente. A unio da guia e do leo, dois animais de carter nitidamente solar, indica a tendncia benfica do grifo. Sua origem remonta Babilnia, e esotericamente o grifo simboliza as foras protetoras e vigilantes que se encontram junto aos caminhos iniciticos verdadeiros, assegurando proteo queles que os percorrem. HHH Hara. No zen-budismo, denomina-se hara um manancial de energias 25. vitais, ou dentro energtico, que compreende duas partes: uma associada ao plexo solar, cujo sistema de nervos regula os processos digestivos e os rgos de eliminao, e outra situada entre o umbigo e a plvis, considerada o centro energtico de gravidade ou de equilbrio do corpo. Os mestres japoneses do zen relacionam o hara com as foras do inconsciente profundo. Assim, o hara o smbolo do homem completo, unido a foras vitais profundas que esse homem rene ou esconde em si mesmo. Harpa. O significado simblico desse instrumento musical o de ponte entre o mundo celestial e terrestre. Em sua forma primitiva e incipiente (a lira grega), era consagrada ao deus Apolo. Era o instrumento predileto do filsofo Plato. Hathor. Importante deusa egpcia, smbolo do caos primitivo e da noite. representada na forma de uma vaca dando de mamar ao deus Hrus, ou ento com o corpo de mulher e cabea de vaca, ou ainda como uma bela mulher portando dois chifres de vaca no alto da cabea. Hrus. Deus solar do antigo Egito, filho de sis e Osris. Representado co o corpo de homem e cabea de falco, Hrus simboliza o Sol nascente, em seu duplo carter de vencedor das trevas e como elemento renovador da vida. Hermafrodita. Ser que rene em si as caractersticas fsicas e psicolgicas de ambos os sexos, masculino e feminino, o hermafrodita tambm um smbolo universal ou arquetipal de origem extremamente remota. Na numerologia, explica-se que a figura do hermafrodita uma conseqncia da aplicao do simbolismo do nmero dois ao ser humano, criando uma personalidade que est integrada apesar da sua dualidade. Considera-se, esotericamente, que a condio de androginia (equilbrio anmico entre as energias masculinas e femininas existentes em todo ser) condio necessria para que seja possvel a passagem a um estado subseqente o da conscincia integrada. Heri. O culto do heri floresceu na maioria das civilizaes antigas motivado no apenas pelas exigncias da guerra, mas tambm (e principalmente) pelas virtudes inerentes figura herica: coragem, inteligncia, fora, lealdade etc. O pensamento esotrico distingue, contudo, dois tipos de heris, diretamente relacionados com os dois tipos de guerra: a pequena guerra sangrenta e a grande guerra santa. A primeira significa os combates necessrios no mundo terreno, tais como as guerras materiais contra povos inimigos; a 26. segunda, a verdadeira guerra, era de natureza interna, a luta contra o caos e as tentaes oferecidas pelas foras das trevas. Neste sentido, o primeiro objetivo do heri vencer a si mesmo. Ou seja, ainda uma vez, conseguir transcender os estreitos limites da conscincia comum, ordinria, para atingir os amplos domnios da conscincia maior ou csmica. III Incenso. A queima de essncias ou resinas aromticas, produzindo uma fumaa perfumada que impregna o ambiente, parte integrante de rituais mgico-religiosos na maioria dos povos, tanto do Oriente como do Ocidente. O uso dos incensos, como o uso dos perfumes, est ligado simbologia dos aromas em geral. Charles Leadbeater, autor teosofista, assim explica as funes mgicas e simblicas do incenso: O significado do incenso , ao mesmo tempo, simblico, honorfico e purificador. Ascende at Deus como um smbolo das oraes e da devoo do fiel, mas tambm esparrama no interior do templo ou da habitao o doce sabor simblico da bno divina. oferecido em sinal de respeito, como o foi nas religies mais antigas; mas tambm usado como uma idia definida de purificao. Vale notar que, alm dos odores perfumados, a fumaa em si mesma tem grande importncia em certos rituais de civilizaes primitivas, como veculos de poderes mgicos. comum, por exemplo, entre os ndios brasileiros e os africanos, o uso da fumaa do tabaco como panacia mgica e teraputica, tanto pra a cura de doenas fsicas como espirituais. Indra. Na antiga ndia, Indra era o Senhor dos Deuses Celestes. Seu atributo o raio, com o qual luta contra os demnios das trevas (ignorncia). Indra smbolo do herosmo generoso. Inferno. Lugar destinado ao suplcio daqueles que ofenderam as leis divinas, os pecadores. Embora quase todas as grandes religies considerem a existncia de um cu e de um inferno, para onde so encaminhados os espritos aps a morte fsica, dependendo das aes 27. boas ou ms que praticaram em vida, o conceito da condenao tipicamente judaico-cristo. Modernamente, mesmo entre algumas seitas crists (principalmente as protestantes) passou-se a considerar o inferno no como um lugar fsico, e sim um estado de alma do indivduo, uma situao psicolgica do mesmo caracterizada pela angstia e a dor existencial. Nesse sentido, tal conceito aproxima-se das concepes orientais que claramente definem o inferno como um particular estado de conscincia. I.N.R.I. Abreviatura de Iesu Nazarenus Rex Iudeorum (Jesus Nazareno Rei dos Judeus), inscrio que Pilatos fez afixar na cruz onde foi supliciado Jesus Cristo. Na simbologia rosa-cruz, I.N.R.I. significa Igni Natura Renovatur Integra (A Natureza completamente Renovada pelo Fogo), relacionando portanto essa abreviatura com o simbolismo da ressurreio ou da renovao espiritual. Instrumentos de medida. Conjunto de cinco instrumentos utilizados simbolicamente pelos maons para construir, moral e intelectualmente, o mundo. So eles: o fio de prumo, o nvel, a rgua, o esquadro e o compasso. Esses instrumentos esto relacionados com a estrela de cinco pontas (ver verbete a respeito), os slidos platnicos (idem) e os cindo sentidos humanos, os quais facultam ao homem o reconhecimento e a comunicao com o mundo circundante. sis. Deusa egpcia, esposa de Osris e me de Hrus, com os quais integra a principal trade da religio do antigo Egito. Deusa lunar, sis outorga vida e sade, e o smbolo maior do princpio feminino personificado na natureza e no cosmos. sis representa a fecundidade, o amor maternal, o esprito que fecunda as sementes e as inteligncias. Alguns eruditos como Frazer (autor de O Ramo Dourado) sustentam que muitos aspectos do culto cristo Virgem Maria so derivados dos mistrios dedicados a sis. JJJ Jade. Pedra semipreciosa muito usada no Oriente, principalmente na 28. China e Japo, para a fabricao de amuleto e imagens de divindades. O simbolismo chins considera o jade como possuidor de uma essncia sutil que proporciona imortalidade. Assim sendo, esta pedra smbolo desse atributo divino. Janus. Divindade romana representada por uma cabea masculina dotada de duas faces, as quais olham para direes contrrias. Como todo smbolo voltado para a direita e a esquerda ao mesmo tempo, Janus um emblema da totalidade e, mais particularmente, do desejo de dominar e conhecer todas as coisas. Devido a sua dualidade, representa tambm todos os pares de opostos e, nesse sentido, equivale ao smbolo astrolgico de Gmeos. Os romanos associavam Janus ao destino, ao tempo e guerra. Suas faces estavam voltadas para o passado e o futuro, possuindo ao mesmo tempo conhecimento da histria e das coisas que estavam por vir. Janus simboliza tambm a unio dos poderes do sacerdcio e da monarquia. Jia. Em muitas tradies, as jias representam verdades espirituais. O estudioso Cirlot afirma que as pedras preciosas usadas nas roupagens de reis, rainhas e princesas, bem como seus atributos como a coroa e o cetro, so smbolos do conhecimento superior. Essa simbologia presta-se a vrias ilaes. Em psicologia, por exemplo, a apario de princesas ou damas nobres portando jias pode representar a anima junguiana: as jias seriam exatamente atributos, caractersticas ou virtudes dessa anima. Por outro lado, jias guardadas por um drago ou outro animal compem cena que alune s dificuldades encontradas na busca do conhecimento. Jias ou gemas guardadas no fundo de cavernas referem-se ao conhecimento intuitivo armazenado no inconsciente. Jornada. Do ponto de vista espiritual, uma jornada ou viagem nunca apenas uma passagem atravs do espao, um deslocar-se de um lugar para outro. Viajar simboliza a expresso de um urgente desejo de descoberta e de mudana, e ambos subjazem quase sempre no fundo de uma experincia de viagem. Os heris so sempre viajantes, quase nunca permanecem num mesmo lugar. Jornada ao inferno. Muitos autores escreveram inspirados pelo antigo mito da jornada ao inferno. Dante Alighieri (A Divina Comdia) foi um deles, precedido pelo personagem Enias (Eneida, de Virglio) e Orfeu. Do ponto de vista simblico mais aceito, descer ao inferno significa mergulhar no prprio inconsciente. Esotericamente, explica-se que esse mergulho nas profundidades trevosas do prprio se necessrio para que se possa, em seguida, 29. passar ao estgio luminoso ou paradisaco de conscincia. A nica exceo, segundo certas escolas, seria pra aqueles que conseguem atingir diretamente a conscincia superior atravs do caminho da inocncia. O inferno rene em si as idias de crime e castigo, enquanto o purgatrio est ligado s noes de penitncia e esquecimento. KKK Kailash. Montanha da cordilheira do Himalaia e um dos mais sagrados lugares para os hindus e budistas tibetanos. Considera-se que ali seja a morado do deus Shiva. Nas encostas dessa montanha viveu tambm o asceta tibetano Milarepa, e o prprio Gautama Buda recomendava o lugar como excelente para a meditao e o recolhimento. Certos especialistas, como Paul Brunton, referem-se atmosfera magntica de intensa vibrao espiritual que caracteriza a regio do monte Kailash. Para os hindus, esse o smbolo do cu e da morada dos deuses. LLL Labirinto. Na mitologia grega, o labirinto era um grande palcio construdo na ilha de Creta por Ddalo a mando do rei Minos, para abrigar o Minotauro (criatura monstruosa com corpo de homem e cabea de touro). De tempos em tempos, os atenienses deviam pagar um tributo ao rei de Creta, o qual consistia num certo nmero de rapazes e moas virgens. Esses jovens eram levados a Creta, e, aps um perodo de preparao, colocados no interior do labirinto, de onde no conseguiam sair, e acabavam nas mos do Minotauro, que os 30. sacrificava. justamente um heri ateniense, Teseu, quem consegue matar o monstro em combate e escapar do labirinto. Foi pra isso ajudado por Ariadne, princesa filha do rei Minos, que lhe presenteia um novelo de linha na entrada do labirinto. Ao caminhar pelos corredores emaranhados desse palcio, ele vai desenrolando o novelo, de maneira que, aps o combate, consegue achar a sada seguindo de volta o fio. O mito de Teseu e o Minotauro j tem, em si, notvel contedo simblico. Teseu emblema do heri que busca a si mesmo. O Minotauro simboliza as foras obscuras do seu inconsciente, que devem ser combatidas e vencidas. Os corredores do labirinto tortuoso so interpretados como representaes dos vcios, paixes e qualidades negativas que devem ser conhecidas e superadas. E Ariadne, por fim, simboliza a fora e a inteligncia do instinto e da intuio, atributos sem os quais ser impossvel vencer o grande desafio. Por outro lado, os labirintos, que so estruturas desenhadas ou de arquitetura, aparecem em quase todas as pocas e civilizaes, desde os tempos pr-histricos. Todos os labirintos apresentam dois pontos em comum: um centro e, ao seu redor, uma estrutura de acesso muito complicada, feita de caminhos tortuosos, muitas vezes bloqueados, pensados de maneira a dificultar ao mximo a chegada ao centro. O significado simblico dos labirintos de tipo universal ou arquetipal: o centro representa a conscincia superior, a realidade absoluta, a imortalidade, a divindade; os caminhos tortuosos que vedam quase completamente o seu acesso simbolizam as provas e dificuldades pelas quais deve passar todo aquele que pretende chegar at o centro de si mesmo, ou seja, a conscincia superior. O simbolismo do labirinto est ligado ao simbolismo da espiral. Nesse sentido, o centro, ou ponto inicial interno da espiral, representa o princpio nico, imvel. As curvas da espiral simbolizam o universo manifestado em constante movimento. Lmpada. Smbolo universal do esprito e da inteligncia. Segundo as tradies, as lmpadas podiam ter forma diversa. Por exemplo, uma lmpada a leo com 12 mechas representava os 12 signos zodiacais. A lenda de Aladim um tpico exemplo do significado simblico da lmpada: ela contm o gnio da inteligncia, que aparece todas as vezes que chamado pelo heri, atendendo a seus pedidos. Leo. Um dos mais importantes smbolos da divindade e da fora solar. O leo o rei dos animais na Terra, da mesma forma que a guia a rainha dos ares. Smbolo da fora e do princpio masculino, o leo est ligado ao elemento terra, e o leo alado ao elemento fogo. 31. Leopardo. Felino consagrado ao deus Dionsio, era conhecido na antiga Grcia como o vigilante de mil olhos. Smbolo de bravura e ferocidade marcial, o leopardo expressa os componentes agressivos e potentes do leo. Mas no possui sentido solar, e sim de tipo lunar, como o gato. Leto. O rio do esquecimento, Leto era, para os antigos gregos, um dos rios do inferno. Mitologicamente, relata-se que as almas, aps passar certo tempo nesse lugar para expiar suas culpas, tinham de beber as guas do Leto antes de poder abandon-lo. Essas guas tinham o poder de faz-las esquecer de todo o passado. Leto simboliza assim o momento de superao dos aspectos negativos da personalidade, aps um duro e difcil esforo para se tornar consciente desses aspectos e elimin-los. Letras. Em todas as tradies as letras dos alfabetos possuam um sentido simblico de sacralidade. Entre os rabes e judeus, possuam tambm um sentido numerolgico. Lilith. Na tradio hebraica exposta no Talmude, Lilith foi a primeira mulher de Ado, me de demnios e gigantes, que, de acordo com as lendas, no quis submeter-se autoridade do marido, abandonando-o para ir viver na regio do ar. Esotericamente, e na astrologia, considera-se Lilith um smbolo dos instintos e dos impulsos femininos e lunares mais primitivos. Est relacionada com os estmulos do inconsciente profundo. Lingam. O termo snscrito lingam no apenas sinnimo de falo, mas representa tambm a integrao entre os dois sexos, simbolizando o poder generativo do universo. Lira. Na tradio grega, a lira simboliza a unio harmoniosa das foras csmicas. A lira de sete cordas corresponde aos sete planetas, e a lira de 12 cordas, aos signos zodiacais. Era instrumento musical consagrado a Apolo e Orfeu. Ltus. Planta sagrada do Egito, ndia, Japo, China e outros pases asiticos, qual so atribudas propriedades ocultas e simblicas. Os egpcios a consideravam uma representao do Sol e da ressurreio. No hindusmo, o ltus simboliza a terra, e o criador do universo aparece sentado sobre uma flor de ltus. tambm smbolo corrente no budismo, representando a pureza e correspondendo, no Ocidente, rosa. Na teosofia, o ltus apresenta simbologia mais complexa e profunda. A semente do ltus contm, em seu interior, uma perfeita miniatura da futura planta, tal como os prottipos espirituais de todas 32. as coisas que existem nos mundos imateriais, antes de manifestarem- se no mundo material. Por outro lado, o ltus enterra suas razes na lama, extraindo da o seu sustento, e projeta suas flores no ar: , a, smbolo do prprio homem. A raiz enterrada representa a vida material; o tal e as folhas, alando-se para cima, simbolizam a existncia astral; e, finalmente, a flor flutuando sobre a gua emblema da existncia espiritual. Em termos de simbologia da personalidade humana, o ltus presta-se igualmente: as razes representam o corpo fsico, ligado ao elemento mais slido, a terra; o talo e as folhas, mergulhados da gua, significam a sua parte emocional; a flor, inserida no elemento ar, simboliza intelecto. Louro. Planta consagrada ao deus Apolo, na Grcia antiga, simboliza a glria, o triunfo, a vitria. Esotericamente, a consagrao de um artista ou heri com uma coroa de ramos de louro representa no apenas a conquista da glria exterior, mas principalmente a vitria sobre as foras negativas e dissolventes dos planos inferiores da conscincia. Lcifer. Do latim luci-feros (o portador da luz). O mais belo dos anjos que se rebelaram contra Deus. No cristianismo, Lcifer est associado ao conceito de demnio. Para certas escolas esotricas, como a teosofia, a figura de Lcifer est revestida de complexo e importante contedo simblico: ele quem, desobedecendo s ordens de Deus, confere aos homens o conhecimento, retirando-os assim do estado mtico de inocncia em que viviam (simbologia do Paraso). Na tradio judaica, foi Lcifer quem abriu os olhos do autmato criado por Jeov, conferindo-lhe assim a imortalidade espiritual. O simbolismo de Lcifer pode ser assimilado ao do heri grego Prometeu, que invadiu o cu para roubar o fogo aos deuses e traz-lo aos homens. Luz. A luz, fenmeno natural, smbolo universal do esprito e, em grau menor, da sabedoria, da intelectualidade, da fora criadora, da energia csmica e da irradiao solar. Psicologicamente, a luz smbolo associado aquisio de um maior grau de conscincia de si mesmo e do mundo. Na simbologia crist, a luz o mais apropriado emblema da natureza divina do Cristo, j que as sagradas escrituras afirmam que Deus luz ou fonte de luz, e Jesus disse: Eu sou a luz do mundo; aquele que me segue no caminha na escurido, mas ter a luz da vida (Joo 8,12). 33. MMM Macrocosmo. O grande universo, ou o Sistema Solar, o contrrio de microcosmo (ou seja, o homem manifestado atravs de seu corpo fsico). Macrocosmo-microcosmo significa a relao entre o universo e o homem considerado como medida de todas as coisas. O simbolismo do homem universal e as correspondncias zodiacais, planetrias e dos elementos constituem a base dessa relao. Mandala. Termo snscrito para designar diagramas ou crculos simblicos utilizados para exerccios de meditao, concentrao e tambm em operaes de magia branca. As mandalas, utilizadas principalmente na ndia e no Tibet, possuem simbologia complexa. Sua estrutura bsica consiste de um centro (smbolo da totalidade, da divindade, da conscincia superior ou csmica) e de uma quantidade de formas dispostas geomtrica ou circularmente ao redor do centro (formas essas que representam as inmeras facetas da personalidade humana e as infinitas formas do universo manifestado). A finalidade primordial das mandalas parece ser a de encorajar e induzir o esprito, atravs da contemplao e concentrao da mandala, a percorrer o caminho evolutivo que vai de um estado de conscincia puramente biolgico at um estado de conscincia espiritual. Carl Gustav Jung estudou em profundidade a simbologia das mandalas, relacionando-as simbologia universal do crculo. Marfim. No Oriente, o marfim um dos materiais favoritos para a confeco de amuletos, talisms, imagens religiosas etc. Por ser alvo, resistente e de grande durabilidade, simboliza a sabedoria e tambm emblema da pureza e da fortaleza moral. Mar Vermelho. Expresso usada na simbologia alqumica, representa as etapas perigosas do processo de transmutao. No sentido psicolgico, poderia representar momentos difceis ou de crise pelos quais se passa no caminho da liberao interior. Essa simbologia relaciona-se diretamente com o mito bblico da travessia do Mar Vermelho pelos judeus. Abandonar o Egito para dirigir-se Terra Prometida implicava o perigo de atravessar o mar de sangue (emblema dos sofrimentos, das renncias, dos sacrifcios). Assim, a travessia smbolo da evoluo espiritual e tambm da morte, j que o 34. Mar Vermelho funciona aqui como porta ou ponte entre a vida material e a vida espiritual, e que o homem que sacrifica a si mesmo num certo sentido morre. Matria. A teosofia conceitua a matria em si como um elemento eterno, indestrutvel e incriado. Mas as formas manifestadas da matria possuem atributos opostos: so criadas, transitrias, mutveis e perecveis. A matria fator indispensvel para a manifestao de agentes energticos, como a eletricidade, luz, calor etc., embora, num sentido mais profundo, tambm as energias sejam manifestaes extremamente sutilizadas da mesma matria primordial. Em nosso plano dimensional (pelo menos no plano captado pelos cinco sentidos ordinrios) existem quatro estados bsicos da matria: slido, lquido, gasoso e etrico (ou eletromagntico). Esotericamente, a matria um dos plos ou aspectos atravs dos quais se manifesta o Logos ou princpio divino; o outro plo o esprito. Assim, na linguagem esotrica, a matria a me do mundo, corresponde mais ao princpio feminino, enquanto o esprito o pai do mundo (princpio masculino). Os quatro estados da matria relacionam-se com os quatro elementos da natureza (respectivamente, terra, gua, ar e fogo) e so smbolos de distintas faixas de manifestao do Logos. Mefistfeles. Nome de um esprito malfico, provavelmente de origem babilnica, que chegou Idade Mdia europia atravs dos conhecimentos de magia preservados pelos cabalistas judeus. A figura de Mefistfeles foi incorporada na lenda de Fausto, o heri que vende a prpria alma ao diabo em troca de poder e conhecimento. Mefistfeles transformou-se em smbolo dos instintos baixos, dos desejos equvocos e da astcia terrena; tambm emblema do homem de natureza perversa e diablica. Segundo o estudioso Cirlot, representa o aspecto negativo e invernal da funo psquica que foi arrancada do Todo para adquirir independncia e carter prprio e individual. Mel. Essa substncia produzida pelas abelhas tinha carter sagrado para muitos povos da Antigidade. Nos cultos rficos, era utilizado como smbolo da sabedoria. Na igreja crist primitiva, a mistura de leite e mel simbolizava o alimento espiritual ou divino. Em certas escolas esotricas, o mel representa tambm o processo de renascimento ou de mudana de personalidade em conseqncia de uma iniciao. Na ndia, essa significao ainda mais elevada, considerando-se o mel um emblema do eu superior (e, nesse sentido, comparvel ao elemento fogo). Todas essas interpretaes parecem 35. derivar do fato que o mel produzido atravs de um processo muito elaborado e misterioso, que foi comparado, por analogia, ao exerccio espiritual da auto-evoluo. Melquisedeque. Personagem misterioso, mencionado na Bblia, de quem se diz no ter pai nem me. Era rei de Salm e sacerdote. Representa, na simbologia esotrica, certas hierarquias divinas que governaram a humanidade primitiva, desempenhando a tarefa dual de reis e sacerdotes. Metal. Na astrologia, os metais so chamados de planetas terrestres ou subterrneos, por causa das suas correspondncias anlogas com os planetas astrolgicos. O conhecimento esotrico fala tambm de uma hierarquia dos metais, no pice da qual encontra-se o ouro. A escala de correspondncias astrolgicas, de inferior a superior em seu sentido hierrquico, : chumbo Saturno; estanho Jpiter; ferro Marte; cobre Vnus; mercrio Mercrio; prata Lua; ouro Sol. Cada um dos metais simboliza solidificaes de energias csmicas relacionadas com determinados tipos psicolgicos (veja Astrologia). Nesse sentido, poderiam ser interpretados como aspectos da libido; sob tal conceituao, Jung considerou que os metais bsicos astrolgicos correspondem aos desejos e pulses da carne. Tudo isso nos leva novamente ao simbolismo alqumico da transmutao: extrair a quintessncia dos metais, ou transmut-los no metal superior, o ouro, processo equivalente ao da liberao da energia criativa ou espiritual das limitaes do mundo exclusivamente sensrio. Meteoro. Para o homem primitivo, os meteoros ou meteoritos, pedras cadas do cu, constituam smbolo da vida espiritual derramando-se sobre a Terra. Representavam assim o fogo csmico, em seu aspecto criativo, chegando ao nosso planeta na forma de sementes. Tais objetos relacionam-se com o simbolismo das estrelas, no sentido de que estas representam o mesmo fogo csmico, porm em seu aspecto inatingvel. Tanto que os meteoritos, na remota Antigidade, eram considerados mensageiros das estrelas, smbolos de revelao. Minarete. Obrigatrio na arquitetura das mesquitas (os templos muulmanos), os minaretes esto ligados ao simbolismo da torre, mas seu significado vai muito alm. Constituem emblema da iluminao espiritual, porque renem o significado simblico da torre (pela sua altura) e tambm o da conscincia de viglia (pela plataforma que possuem no ponto mais alto e de onde se descortina um amplo panorama). 36. Mirto. Arbusto sagrado da Antigidade clssica, principalmente na Grcia; era utilizado nos mistrios gregos com o mesmo significado do ltus para os egpcios. Montanha. Smbolo universal da elevao espiritual e da meditao. Quase todas as grandes tradies religiosas tm a sua montanha sagrada, ou vrias delas. A forma piramidal da montanha simboliza a divindade e a eternidade. Na psicologia onrica, a apario de montanhas tem significado extremamente rico e variado, dependendo de fatores como a altura, a verticalidade, a massa, a forma das mesmas. Em geral, considera-se a imagem de escalar uma montanha como representao do esforo travado pela conquista de si mesmo, pelo autoconhecimento e autodomnio. Mudra. Palavra snscrita que designa um complexo sistema de gestos e posturas manuais simblicas (ver Gestos). As seqncias organizadas de tais gestos, muito usadas nas danas sagradas orientais, constituem verdadeira linguagem esotrica, comunicando inteiros discursos filosficos ou religiosos. Existem vrios sistemas de simbolismo das mos e dos dedos. Em um, o polegar representa a alma universal; o ndice, a alma individual; o dedo mdio, a pureza; o anular, a paixo; e o mnimo, a matria. Em outro sistema, o polegar representa o ter; o ndice, o ar; o mdio, o fogo; o anular, a gua; e o mnimo, a terra. Na Yoga Mudra, um dos sistemas religiosos da ndia, o conhecimento e prtica deste tipo particular de gestualidade to fundamental quanto os exerccios respiratrios, aos quais est muitas vezes associada. Na Yoga Mudra cada dedo representa uma fora ou elemento da natureza; combinando os movimentos ou posturas da mo e dos dedos, o iogue consegue estabelecer mobilizaes energticas internas de tipo especial. Mulher. Imagem arquetipal que simboliza, em seus aspectos superiores, a sabedoria e as virtudes supremas (Sofia e Maria) e, nos inferiores, a paixo e a inconscincia (Eva e Helena). Na antropologia, a mulher corresponde ao princpio passivo da natureza. Ela tem trs aspectos bsicos: primeiro, como sereia, ser monstruoso (metade mulher, metade peixe) que encanta, distrai e tenta os homens para que saiam do caminho da evoluo; segundo, como me, a Magna Mater, relacionada com os aspectos destitudos de forma do elemento gua e do inconsciente; e, terceiro, como a anima da psicologia junguiana. Um dos mais puros exemplos de mulher como emblema do conceito de anima o personagem Beatriz, na Divina Comdia de Dante. 37. NNN Narciso. O mito grego de Narciso relata a lenda de um jovem fascinado pela sua prpria beleza, a ponto de perder a conscincia do mundo externo. O estudioso Joaquim Gasquet explica esse mito como uma ilustrao primordial a nvel csmico (e no sexual) de que o mundo um imenso Narciso no ato de contemplar a si mesmo. Assim, Narciso, inclusive na psicologia, transformou-se em smbolo da atitude de autocontemplao, introverso e auto-suficincia. Nctar. Bebida dos deuses olmpicos, na mitologia grega, o nctar smbolo da imortalidade. Negro. A imagem do homem negro alude a componentes bsicos da psique humana, notadamente s paixes e instintos. Jung explicava que, na psicologia onrica do homem branco, a apario do homem ou mulher negra relacionava-se apario de componentes ctnicos, ou seja, relativos aos impulsos mais profundos do inconsciente. Ninfa. Divindades menores da Grcia antiga, as ninfas correspondem aos pequenos cursos dgua, fontes, lagos e quedas dgua. Por causa de sua associao com o elemento gua, o significado das ninfas ambivalente, ligado tanto ao nascimento e fertilidade, quanto dissoluo e morte. Noite. A noite est relacionada com o princpio passivo ou feminino e com o inconsciente. Hesodo deu-lhe o nome de me dos deuses, pois os gregos acreditavam que a morte e a escurido precediam a criao de todas as coisas. Portanto, a noite, assim como o elemento gua, expressa as idias de fertilidade, potencialidade e germinao. A noite um estado de antecipao porque, embora escura, contem em si a promessa de um novo dia luminoso. Nmero. O nmero de ordem pelo qual o mundo existe. Todos os povos antigos atribuam importncia suas propriedades e influncias, associando aos nmeros poderes mgicos. A literatura esotrica menciona que durante a criao do mundo os primeiros pensamentos de Deus foram expressos em nmeros. O nmero implica forma som e vibrao, e subjaz na raiz do universo manifestado. Junto com as 38. propores harmnicas, dirige as primeiras diferenciaes da substncia homognea em elementos heterogneos e pe limite mo formativa da natureza. Os nmeros representam idias-foras, cada um com forma, sentido, individualidade e carter prprios, e a numerologia (cincia dos nmeros) contm a chave de todo o sistema esotrico. Esta chave aplicvel a todo o universo, tanto s hierarquias criadoras como ao homem e ao mundo. O significado simblico dos nmeros est ligado seqncia numrica: Zero a eternidade, o no ser; oposto e reflexo da unidade, representa tudo que existe em estado latente e potencial. Um o princpio ativo, o Sol ou a primeira manifestao da energia criadora. Representa tambm a unidade espiritual. Dois o plo feminino (a Divina Me) em contraste com o nmero um (o Divino Pai). Trs a sntese espiritual, representando a trade divina no processo de sua manifestao. Quatro smbolo da terra, da situao humana, dos quatro elementos da natureza, das quatro estaes do ano e dos quatro pontos cardeais. Cinco o nmero do homem, o quinto elemento agindo sobre os quatro elementos da matria. Seis o equilbrio, a unio do esprito e da matria; a unio dos tringulos positivo e negativo, formando a estrela de seis pontas. Sete o nmero da ordem perfeita, resultado da unio do ternrio (espiritual) e do quaternrio (material). Oito smbolo do Logos ou do poder criativo universal e do equilbrio dinmico entre as duas foras opostas (masculina e feminina). Nove o nmero simblico da humanidade e o nmero-raiz do presente estado de evoluo humana. Dez o retorno unidade e, ao mesmo tempo, a unio final e o recomeo. a totalidade do universo. Onze smbolo da transio, de excesso e de perigo. Doze smbolo da ordem csmica e da salvao. Treze morte e renascimento, mudana e retomada aps o final. Numerologia. a cincia que considera os nmeros e suas combinaes como possuidores de um significado mgico. Pitgoras, na antiga Grcia, desenvolveu todo um sistema numerolgico, de acordo com o qual os nmeros contm os elementos de tudo aquilo 39. que existe. O estudo dos nmeros particularmente importante na cabala judaica. Nmeros mgicos. Alguns nmeros, ou conjunto de nmero, representam particulares mistrios e simbolizam importantes foras csmicas. OOO Obelisco. Por causa de seu formato, o obelisco smbolo dos raios do Sol. Pela substncia da qual feito, est ligado ao simbolismo geral da pedra. Est tambm ligado aos mitos da ascenso solar e luz do esprito penetrante, por causa da sua posio ereta e da ponta piramidal em que termina. Os obeliscos tiveram excepcional importncia na religio egpcia e demais religies solares. Ocidente. Ponto cardeal onde se pe o Sol no crepsculo vespertino. O Ocidente o lugar simblico, nas trevas, de onde sai o discpulo rumo luz do Oriente. Olho. Segundo Cirlot, a essncia do simbolismo do olho est contida num dito do filsofo romano Plotino, segundo o qual nenhum olho est capacitado a ver o Sol enquanto, de certa maneira, no for ele mesmo um sol. Dado que o Sol fonte de luz, e que a luz smbolo da inteligncia e do esprito, deduz-se que o processo de ver representa um ato do esprito e simboliza o conhecimento. Oliveira. Smbolo da vitria e da paz, a oliveira, na Grcia antiga, era uma rvore consagrada a Palas Atena e a Zeus. Tambm na Grcia, e em muitas outras civilizaes da sia Menor, era considerada um emblema da prosperidade, da proteo pacfica e benvola dos deuses. Om. Slaba snscrita, hindusta, de invocao, afirmao e bno solene. composta de trs letras: a-u-m, que simbolizam os trs vedas principais e os trs nveis de conscincia, de acordo com a concepo hindu. tambm smbolo monossilbico da Trimurti (a trade hindusta, composta de Brahma, Shiva e Vishnu). O om considerado o mais importante de todos os mantras (palavras ou sons que contm 40. poder mgico ou espiritual), e seu valor est contido tanto na prpria idia que representa como no seu poder fontico ou vibracional. Orgia. Orgias, caracterizadas pela embriaguez, permissividade sexual, excessos de todos os tipos e travestismo ocasional correspondem sempre a um chamado do caos, e resultam de um enfraquecimento da vontade em aceitar as normas no seu sentido mais ordinrio ou comum. As manifestaes orgacas remontam pr- histria, e exemplos histricos so as saturnlias romanas, que deram origem ao carnaval de nossos dias. Nessas festividades desinibidas, a tendncia geral confundir as formas atravs da inverso dos padres sociais de moral, a justaposio ou equiparao de opostos e a libertao das paixes inclusive no seu sentido ou capacidade destrutiva. Mais do que situaes coletivas de prazer ou licenciosidade, as orgias simbolizam a necessidade ocasional de romper a ordem estabelecida para que se restabelea um caos parcial dos sentidos e, em seguida, uma nova ordem revigorada. Oriente. Ponto cardeal onde nasce o Sol, o Oriente simboliza a iluminao e a fonte da vida; voltar-se para o Oriente ou caminhar em direo a ele significa voltar-se espiritualmente para o ponto focal da luz divina. Da nasce a palavra orientao. Em muitas civilizaes, como a greco-romana, os templos eram construdos com a sua fachada para o leste, inspirados pela mesma idia. Orix. Os orixs, divindades do panteo afro-brasileiro, so considerados foras da natureza. Cada um deles simboliza atributos da divindade criadora ou manifestada. Os principais orixs so: Oxal, pai dos orixs, smbolo da pureza e perfeio do Criador; Ogum, deus da guerra, smbolo da fora vital; Omulu ou Obaluai, smbolo do poder de cura; Oxossi, emblema do caador e das virtudes do reino vegetal; Oxum, orix da gua doce, smbolo de qualidades femininas como a abnegao e o amor maternal; Xang, smbolo do raio e do trovo, representando as foras telricas incontrolveis; Iemanj, orix da gua do mar, smbolo da beleza e co encanto feminino; Nan Buruku, smbolo da fertilidade; If, smbolo das artes de adivinhao. Ornamentao. Os motivos ornamentais desenhados, pintados ou esculpidos em certas obras de arte, templos, igrejas etc., constituem em geral smbolos da atividade csmica, do desenvolvimento das formas criadas no espao e, de maneira ainda mais geral, da fuga do caos (neste caso, caos sinnimo de matria desordenada). Assim, os motivos ornamentais ordenados e progressivos representam uma reconciliao com a ordem e tambm os estgios graduais do 41. desenvolvimento evolutivo do universo. Os principais elementos utilizados na ornamentao so: a espiral, a cruz, as ondas, o ziguezague. Em muitas religies tradicionais, a ornamentao constitui, por si mesma, uma ajuda meditao (desempenha aqui o mesmo papel indutor da mandala). Muitas vezes os motivos ornamentais esto diretamente relacionados com conceitos metafsicos bsicos, como, por exemplo, os quatro elementos (terra, gua, ar e fogo). Osris. Deus supremo do antigo Egito, Osris reveste-se de um mito que representa importantssimo smbolo espiritual e psicolgico, ainda hoje utilizado. Osris morria e ressuscitava todos os anos e era, dessa forma, a divindade que mantinha acesa a f popular na ressurreio. Certos esoteristas sustentam que esse mito inspirador da Paixo de Jesus Cristo e do milagre da ressurreio. Ouro. O mais precioso dos metais, corresponde ao Sol. Em seu aspecto positivo, smbolo do princpio espiritual, da imortalidade, da nobreza, dignidade e elevao. Em seu aspecto negativo, representa as riquezas terrenas, a idolatria, a arrogncia e a vaidade. Ouroboros. Importantssimo smbolo esotrico, cuja origem se perde no tempo, e que representado por uma serpente que morde a prpria cauda, significando que todo comeo contm em si o fim, e todo fim contm em si o comeo. No seu sentido mais geral, o ouroboros smbolo do tempo e da continuidade da vida. Pela sua forma circular, representa tambm o movimento perptuo e de trajetria circular ou curva que caracteriza toda manifestao no universo. emblema ainda do carter cclico de toda manifestao. Ovo. Smbolo universal da origem da vida, desde as pocas mais remotas. Esotericamente, tanto o ovo como a forma ovide representa a tese de que a forma primordial de cada coisa manifestada, desde o tomo at os globos planetrios e o prprio universo, esferoidal. Na linguagem hieroglfica egpcia, o ovo representa a potencialidade, a semente da gerao, o mistrio da vida. Esse sentido permaneceu entre os alquimistas, os quais acrescentaram a idia de que o ovo ou a forma ovide era o receptculo que continha toda a matria e todo pensamento. A prpria abbada celeste referida como tendo forma oval. 42. PPP P. Deus campestre da Grcia antiga, metade homem, metade bode. Era uma divindade jovial e brincalhona, que assustava os que dormiam a cu aberto com gritos pavorosos (da a expresso terror pnico). P portava dois pequenos cornos na cabea, e provvel que as representaes medievais do diabo se tenham inspirado na sua figura. Esotericamente, P smbolo do esprito vital e fecundante da natureza e dos instintos primrios ou elementais. Paraso. Nome dado ao mtico Jardim do den, mencionado na Bblia. Paraso quase sinnimo de cu, com a diferena de que a este ltimo est conectada a idia de infinita beatitude, enquanto que ao primeiro se associa uma idia de prazeres algo sensuais e materiais. Ao lado da lenda judaico-crist do paraso perdido, quase todas as demais civilizaes e religies desenvolveram mitos anlogos. Em todos eles, o paraso pode ser considerado um smbolo do centro mstico do qual tudo surgiu e para o qual tudo retornar. Modernamente, a simbologia do paraso adquiriu conotaes psicolgicas, procurando-se interpretar esse conceito como sendo referente a um particular estado de conscincia caracterizado pela harmonia consigo mesmo e com o mundo. Pscoa. Smbolo da ressurreio da natureza, da entrada da primavera, do incio de um novo ciclo existencial ou natural. Para os judeus, a festa de Pscoa comemora a sada do Egito. No cristianismo, a Pscoa festeja a ressurreio de Cristo, a festa suprema e mais antiga da Igreja, celebrada no domingo da primeira Lua Cheia da primavera, entre 22 de maro e 25 de abril. Pssaro. Em praticamente todas as escolas esotricas ou religies, as aves apresentam significados simblicos importantes. Para a tradio hindu, elas representam estados superiores do ser. No Egito, o falco simbolizava o deus Hrus, e a bis, o deus Thoth. O pssaro, com todo ser alado, emblema da espiritualidade e da alma humana. Nas escolas msticas, representam tambm hierarquias angelicais, espritos ou foras espirituais, geralmente destinadas a auxiliar o homem. Na alquimia, os pssaros simbolizam as energias em atividade; voando em direo ao cu, expressam a faze alqumica da 43. sublimao e a volatizao; descendo para a terra, a fase da condensao e precipitao; os dois smbolos unidos numa mesma figura representam o processo de destilao. Os pssaros, por sua capacidade de viver na terra e nos ares, apresentam tambm um outro significado simblico de tipo universal: so considerados mensageiros dos deuses, intermedirios capazes de estabelecer uma ponte entre o cu e a terra. Pavo. Na Roma antiga, o pavo era usado para representar situaes apoteticas de princesas, da mesma forma que a guia era usada em relao aos prncipes, heris e guerreiras. A simbologia do pavo complexa, tendo variado muito de povo a povo. A plumagem belssima de sua cauda rene todas as cores e matizes, possuindo ainda reflexos iridescentes. Possivelmente devido a essa caracterstica, foi considerado no Oriente smbolo da totalidade, da imortalidade e da alma incorruptvel. Entre os antigos cristos, o pavo era smbolo da ressurreio, porque troca a sua plumagem todos os anos. Na ndia considerado ave nacional, simbolizando a iniciao e a inteligncia. O pavo traz na cabea uma pequena coroa de sete plumas, consideradas um emblema dos sete raios e que conferem a essa ave tambm os atributos simblicos da sabedoria e do conhecimento oculto. Pedra. Desde a mais remota Antigidade, o homem utilizou a pedra como smbolo da unidade, da durabilidade e da fora esttica. A pedra representa a solidificao do ritmo criador, o contrrio do ritmo biolgico. A dureza e a durabilidade da pedra sempre impressionaram o homem, sugerindo-lhe a anttese das coisas biolgicas ou vivas, as quais esto, de forma muito mais evidente, submetidas s leis de mudana, decadncia e morte. Psicologicamente, as pedras inteiras significam unidade e fora; quando partidas ou quebradas, significam desmembramento, desintegrao psquica, doena, morte e aniquilao. Alegorias como a pedra filosofal da alquimia, ou a pedra bruta e a pedra cbica da maonaria, so representaes simblicas importantes. Pedra bruta. Smbolo manico da idade primitiva e do homem sem instruo; tambm emblema da alma do homem profano. A pedra bruta deve ser polida com o cinzel (vontade) e o martelo (esforo). Pedra cbica (ou piramidal). Tambm smbolo manico, a pedra cbica uma representao dos conhecimentos humanos e do homem civilizado. 44. Pedra filosofal. Era uma substncia legendria com a qual os alquimistas pretendiam transmutar em ouro os metais vulgares. Simboliza a realizao da Grande Obra, ou seja, a sublimao dos aspectos inferiores da natureza humana em natureza divina. Peixe. Animal de complexo simbolismo, representando a fecundidade (por sua abundncia de ovos) e tendo tambm sentido flico. Representa a renovao cclica inerente ao simbolismo do signo de Peixes, ltimo signo zodiacal, representado pela imagem de dois peixes dispostos paralelamente em posio inversa: cada um deles indica as direes evolutiva e involutiva da vida. Por outro lado, pelo fato de existirem na gua (o elemento das emoes), os peixes so considerados, num sentido mais psicolgico, criaturas do inconsciente. O peixe tambm smbolo do cristianismo primitivo, no sentido de que representa a vida profunda, o mundo espiritual que existe sob o mundo das aparncias e, finalmente, a fora da vida em seu perptuo movimento de elevao. Pelicano. Ave simblica da lei do sacrifcio e tambm alegoria de Jesus Cristo, o pelicano tem importante simbologia principalmente entre os rosa-cruzes. A principal qualidade legendria dessa ave aqutica a sua alegada capacidade de abrir o prprio peito para dar o corao em alimento aos filhos. Perfume. Os aromas de substncias vegetais ou obtidos por processos qumicos possuem importante simbolismo tanto nas religies como nas escolas esotricas orientais e ocidentais. Segundo suas caractersticas, os perfumes induzem a particulares estados de alma e simbolizam emoes e sentimentos. Do ponto de vista oculto, escreve Dion Fortune em A Cabala Mstica: Nada provoca estados mentais ou estimula a conscincia psquica mais efetivamente do que os odores. Existem certas substncias aromticas que as tradies associaram com os distintos deuses e deusas, cujos perfumes so suficientemente potentes para estimular o estado de nimo particular que est em harmonia com as funes dessas divindades. A sabedoria popular atribui aos perfumes virtudes anlogas: em geral, diz-se que o perfume da menta estimula a coragem; a roda, a verbena, o cravo e o anis inspiram as tendncias amorosas; o lrio e a cnfora, a imaginao; o heliotrpio d segurana moral; o incenso e a mirra provocam venerao e xtase religioso; o eucalipto, otimismo; a accia proporciona sutileza aos processos mentais. Penetrando numa simbologia ainda mais profunda, o estudioso Gaston Bachelard diz que os odores ou perfumes esto associados ao simbolismo geral do 45. elemento ar, e que, mais propriamente, so emblemas do processo de sutilizao da matria, em que esta passa do estado slido para o gasoso. Nesse sentido, os perfumes so smbolos da memria e das reminiscncias. Pilar. O pilar ou coluna solitria constitui um smbolo universal do eixo do mundo, da mesma forma que o poste, o mastro e a rvore. Para os egpcios, o mesmo hierg