Sobre a Biblia NTLH

of 71 /71
113 5 Bíblia Sagrada Nova Tradução na Linguagem de Hoje A Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH- Paulinas), lançada em fevereiro de 2005, pela Paulinas editora, é, na verdade, como apresentado no capítulo 1, uma tiragem católica da Bíblia Sagrada - Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH-SBB), traduzida e publicada, em 2000, pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB), entidade de orientação protestante (v. apêndice A). A Paulinas Editora lançou a obra, inicialmente, em três formatos: cristal, zíper e luxo (v. anexo P.2). Atualmente, no entanto, a publicação já pode ser encontrada em dez formatos distintos (v. anexo Q), conforme a tabela abaixo: Formatos da Bíblia Sagrada – Nova Tradução na Linguagem de Hoje Simples (capa cristal) Zíper Branca/ luxo Datas especiais Palavra viva / eucaristia Bolso/ simples Bolso / zíper Bolso / datas especiais Bolso / palavra viva Letra grande Tabela 2 – Formatos da NTLH-Paulinas Para este estudo, foi selecionada a edição da NTLH-Paulinas em seu formato mais simples e flexível, isto é, em capa cristal. Embora o objetivo central deste estudo não seja comparatista, como informado no capítulo 1, a Bíblia de Jerusalém (BJ) em nova edição revista e ampliada (2002), publicada pela editora Paulus, em sua 3ª impressão (2004), será utilizada como obra de confronto, a fim de que o projeto tradutório/editorial da NTLH-Paulinas seja visto em maior detalhe e se obtenha uma melhor percepção das características macro- e microestrurais, bem como sistêmicas, desse novo projeto. Como afirmam Lambert e van Gorp (1985, p.51), “não podemos analisar

Embed Size (px)

Transcript of Sobre a Biblia NTLH

  • 113

    5 Bblia Sagrada Nova Traduo na Linguagem de Hoje

    A Bblia Sagrada Nova Traduo na Linguagem de Hoje (NTLH-Paulinas), lanada em fevereiro de 2005, pela Paulinas editora, , na verdade, como apresentado no captulo 1, uma tiragem catlica da Bblia Sagrada - Nova Traduo na Linguagem de Hoje (NTLH-SBB), traduzida e publicada, em 2000, pela Sociedade Bblica do Brasil (SBB), entidade de orientao protestante (v. apndice A).

    A Paulinas Editora lanou a obra, inicialmente, em trs formatos: cristal,

    zper e luxo (v. anexo P.2). Atualmente, no entanto, a publicao j pode ser encontrada em dez formatos distintos (v. anexo Q), conforme a tabela abaixo:

    Formatos da Bblia Sagrada Nova Traduo na Linguagem de Hoje Simples (capa cristal) Zper Branca/ luxo Datas especiais Palavra viva / eucaristia Bolso/ simples Bolso / zper Bolso / datas especiais Bolso / palavra viva Letra grande

    Tabela 2 Formatos da NTLH-Paulinas

    Para este estudo, foi selecionada a edio da NTLH-Paulinas em seu formato mais simples e flexvel, isto , em capa cristal.

    Embora o objetivo central deste estudo no seja comparatista, como informado no captulo 1, a Bblia de Jerusalm (BJ) em nova edio revista e ampliada (2002), publicada pela editora Paulus, em sua 3 impresso (2004), ser utilizada como obra de confronto, a fim de que o projeto tradutrio/editorial da NTLH-Paulinas seja visto em maior detalhe e se obtenha uma melhor percepo das caractersticas macro- e microestrurais, bem como sistmicas, desse novo

    projeto. Como afirmam Lambert e van Gorp (1985, p.51), no podemos analisar

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 114

    tradues especficas adequadamente se no considerarmos outras tradues pertencentes ao(s) mesmo(s) sistema(s) e se no as analisarmos em vrios nveis micro- e macroestruturais.

    A BJ uma Bblia de estudo, com uma traduo considerada de boa

    qualidade e bastante fiel aos originais. Trata-se de uma Bblia conceituada na comunidade catlica, bem como respeitada pela comunidade protestante pela

    qualidade de sua traduo. A escolha da BJ, como parmetro comparativo, deveu-se, por fim, ao fato de

    ser ela:

    (i) respeitada junto comunidade catlica brasileira; (ii) um projeto tradutrio/editorial bastante diverso daquele apresentado pela

    Bblia da Paulinas Editora aqui estudada. Essa ltima visa oferecer a linguagem de hoje, enquanto a BJ um exemplo de traduo erudita em plena atualidade (Konings, 2003, p.229);

    (iii) uma traduo para o portugus realizada diretamente dos originais hebraico, aramaico e grego, assim como a traduo da NTLH-Paulinas. Somente a traduo das introdues aos livros bblicos e notas foi realizada a partir da

    edio francesa (1988), denominada La Bible de Jrusalem, que conta com a superviso da cole biblique de Jrusalem.

    (iv) uma traduo realizada por uma equipe ecumnica, composta por tradutores e exegetas de diferentes confisses, o que a aproxima, sob certo aspecto, do projeto tradutrio/editorial da Paulinas Editora, que apresenta um projeto eminentemente ecumnico, na medida em que sua traduo foi realizada por uma Comisso de Traduo protestante, recebeu a reviso de peritos catlicos, foi publicada por uma editora catlica e aprovada pela CNBB;

    (iv) sua traduo utiliza, basicamente, as mesmas edies crticas que a NTLH 102: para o AT, a Bblia Hebraica Stuttgartensia e a Septuaginta de Rahlfs 103; e, para o NT, The Greek New Testament 104. A nica diferena entre os originais

    102 Como j dito anteriormente, optei por utilizar a sigla NTLH, quando se refere traduo

    propriamente dita e, no, publicao. 103

    Segundo o Prefcio da NTLH-Paulinas. A informao acerca dos originais utilizados na Bblia de Jerusalm foi obtida via consulta a seu coordenador editorial e revisor exegtico, Pe. Jos Bortolini, por correio eletrnico, em 30 out. 2006, j que no consta da obra. 104

    A verso do The Greek New Testament utilizada na NTLH a 4. Edio, 1994, publicada pela Deutsche Bibelgesellschaft, conforme o Prefcio da NTLH-Paulinas. A Deustsche

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 115

    reflete-se no livro do Eclesistico, cujo original utilizado na NTLH foi o da verso de Ziegler (Gottigensia), enquanto que, na BJ, foi o da verso de Rahlfs.

    Conforme visto no captulo 1, diferentemente do modelo de descrio de tradues proposto por Lambert e van Gorp (1985), a NTLH-Paulinas ser comparada BJ ao longo de todo o seu processo descritivo. No entanto, o confronto concentrar-se-, especialmente, na descrio dos nveis macro- e microestruturais, bem como do contexto sistmico. Durante a descrio microestrutural, como j dito no captulo 1, farei, por vezes, meno Bblia Ave-Maria (AM), a fim de oferecer uma segunda opo de confronto quando necessrio. Uma vez que essa Bblia ocupa, em termos de popularidade e uso, em

    meio comunidade catlica, uma posio bastante central no polissistema, suas opes tradutrias so, de certo modo, mais cannicas, e, assim, valiosas para confronto. Durante a descrio do contexto sistmico da NTLH-Paulinas, farei, tambm, meno a muitas outras Bblias catlicas que hoje figuram no polissistema.

    A partir de uma abordagem descritivista, com base no j citado modelo proposto por Lambert & Van Gorp (1985), NTLH-Paulinas ser descrita e analisada sob diversos ngulos, em busca de respostas aos objetivos e questionamentos apresentados no captulo 1. importante enfatizar que cada nvel descrito servir de base para fundamentar hipteses relativas ao nvel subseqente, esclarecer as hipteses relativas ao nvel anterior, bem como oferecer uma melhor visualizao e compreenso das caractersticas da obra como um todo (Ibidem, p. 52-53).

    5.1. Dados preliminares

    Inicialmente, conforme anunciado no captulo 1, a NTLH-Paulinas ser descrita com base em seus paratextos, isto , todos os elementos que a integram capa, ttulo, lombada, folha de rosto, apresentao, ndice, prefcio, notas,

    Bibelgesellschaft a sociedade que representa as SBU na Alemanha. Segundo informao concedida, via correio eletrnico, pelo Pe. Jos Bortolini (2006), a edio do The Greek New Testament utilizada na Bblia de Jerusalm a de Nestl-Aland. Segundo Scholz (2006), a diferena entre essas edies reside somente na paragrafao e na pontuao.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 116

    adendos publicao e seus metatextos, isto , toda referncia a ela feita externamente informativos, divulgaes, comentrios, resenhas e crticas.

    5.1.1. Paratextos

    5.1.1.1. Capa

    Tendo escolhido a NTLH-Paulinas em seu formato simples, interessante ressaltar que a diagramao da capa flexvel parece buscar um equilbrio entre o

    novo e o tradicional: o novo, expresso pelo prprio subttulo da obra (Nova traduo na linguagem de hoje), convive com a imagem tradicional de um vitral gtico, bem ao estilo das igrejas medievais, no centro da capa (v. anexo A). Tal concepo pode, possivelmente, ser interpretada como uma forma de resguardar visualmente a canonicidade do texto e as tradies da Igreja.

    O ttulo Bblia Sagrada, em destaque, aparece em amarelo-ouro, na parte centro-superior da capa, em vinho, imediatamente seguido pelo subttulo, Nova Traduo na Linguagem de Hoje, em tipos reduzidos e brancos. Esse subttulo resume, em si s, o prprio projeto editorial e tradutrio da obra: uma nova traduo na linguagem de hoje, isto , em uma linguagem atual e contempornea, assumindo o termo linguagem aqui, a conotao de vocabulrio, palavreado, segundo o verbete do dicionrio Novo Aurlio Sculo XXI (Ferreira, 1999, p.1219).

    O nome e o logotipo da Paulinas Editora vm impressos em branco na parte centro-inferior da capa.

    5.1.1.2. Lombada

    Na lombada da publicao, v-se, em destaque, o ttulo Bblia Sagrada em amarelo-ouro, seguido do logotipo da Paulinas Editora, em branco (v. anexo A).

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 117

    5.1.1.3. Folha de rosto e seu verso

    A folha de rosto , praticamente, uma rplica da capa, sem, no entanto, conter a ilustrao do vitral gtico (v. anexo B). J o seu verso traz as seguintes informaes (v. anexo C):

    (i) ttulo, nmero de pginas, nome da editora, cidade e ano de publicao; (ii) referncia a outros paratextos inseridos na publicao: introdues e

    esboos dos livros bblicos, referncias paralelas, notas textuais, vocabulrio, concordncia temtica abreviada e mapa;

    (iii) referncia aos trs tipos bsicos de encadernao da Bblia (flexvel, zper e luxo);

    (iv) endereo da editora; (v) referncia traduo dos textos cannicos do AT e NT, Introdues,

    Notas e Auxlios ao leitor, cedidos pela Sociedade Bblia do Brasil (SBB) (2000);

    (vi) referncia traduo dos textos deuterocannicos (Tobias, Judite, Adies a Ester, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesistico, Baruque e Adies a Daniel), Introdues e Notas, cedidas pelas Sociedades Bblicas Unidas (SBU) (2003).

    interessante ressaltar que no h qualquer meno aos tradutores envolvidos, como costuma ocorrer no verso da folha de rosto ou nas pginas de grande parte das publicaes atuais. Segundo Archibald Woodruff (s.d.),

    esta nova-traduo [...] segue em uma tradio de Bblias na linguagem de hoje, nas mais variadas lnguas, preparadas mundialmente pelas Sociedades Bblicas Unidas. [...] so produzidas em um semi-anonimato, por pessoas que no se escondem, mas assumem a responsabilidade de seu trabalho; porm, eles no tratam de aparecer muito.

    Toma-se conhecimento da existncia da Comisso de Traduo da SBB apenas atravs do portal da Sociedade, o qual informa que a instituio dispe de

    uma Comisso Permanente de Traduo, formada por seis integrantes com alto nvel de erudio, cada qual com uma especialidade diferenciada (v. anexo R). O chefe da Comisso de Traduo da NTLH foi o Dr. Rudi Zimmer. Em sua tiragem

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 118

    catlica, a obra contou, tambm, com a participao e a reviso de peritos catlicos.

    No caso da BJ, os nomes de toda a Comisso de Traduo vm especificados na pgina seguinte seo Apresentao: seus trs coordenadores,

    dezesseis tradutores, cinco revisores exegticos e quatro revisores literrios, alm dos trs responsveis pelas transcries dos nomes prprios inseridos nas

    Sagradas Escrituras. Na Apresentao, relatado, inclusive, que a equipe de exegetas formada por catlicos e protestantes, o que confere BJ um carter ecumnico, assim como ocorre com a NTLH-Paulinas, cuja traduo foi realizada pela SBB.

    5.1.1.4. Apresentao

    A pgina intitulada Apresentao (v. anexo D) introduz o leitor obra, por meio de um texto/documento assinado pelo presidente da Comisso Episcopal Pastoral para a Animao Bblico-Catequtica da CNBB (v. apndice B), Dom Eugnio Rixen, em 10 de dezembro de 2004, Dia Mundial dos Direitos Humanos, o qual acompanhado pelo timbre da Comisso (detalhe, v. anexo E). O timbre da Comisso, a assinatura de seu presidente, ao final, bem como o logotipo e o nome por extenso da CNBB, no incio da Apresentao, conferem, edio, a autoridade e o aval da Conferncia e da Igreja, bem como uma dimenso catequtico-evangelizadora.

    interessante observar, neste documento, que Dom Eugnio Rixen no somente recomenda a obra e sugere um dilogo entre as Igrejas crists ao recomendar esta edio aos fiis catlicos, desejamos que as Sagradas Escrituras sejam fonte de vida, de comunho entre os cristos, alimentem nossa vida de orao e favoream o dilogo entre as Igrejas crists (Bblia Sagrada-Nova Traduo na Linguagem de Hoje, 2005: Apresentao, grifos meus) mas, tambm, enfatiza o poder da traduo enquanto difusora da Bblia. Alm disso, o

    Presidente da Comisso Episcopal Pastoral para a Animao Bblico-Catequtica destaca, tambm, o papel da Bblia como arma evangelizadora, o que vai ao encontro da nfase evangelizadora conferida s Sagradas Escrituras a partir do Conclio Vaticano II (com a Dei Verbum), conforme visto em 3.7.1, e durante o pontificado de Joo Paulo II (v. apndices C e D).

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 119

    A Apresentao finaliza, enfatizando os benefcios do uso de uma linguagem atual nos textos bblicos e a preocupao em atingir o pblico-meta, inserido em sua cultura:

    Aconselhamos o estudo da Palavra de Deus a partir do contexto histrico-cultural da poca em que foi escrita e com o olhar e os ps firmes na realidade atual. [...] Parabenizamos as Paulinas Editora pela publicao da Bblia Sagrada Nova Traduo na Linguagem de Hoje. Apreciamos o esforo de traduzir a Sagrada Escritura em linguagem atual, acessvel ao leitor contemporneo e a sua cultura. (Ibidem, grifos meus)

    interessante mencionar aqui que, na BJ, a seo Apresentao relata o histrico da publicao tanto no Brasil quanto no exterior, afirmando que a Paulus Editora

    empreendeu a honrosa tarefa de oferecer ao pblico brasileiro a Bblia de Jerusalm, considerada em diversos pases a melhor edio da Sagrada Escritura, quer pelas opes crticas que orientaram a traduo, quer pelas introdues, notas, referncias marginais e apndices. (Apresentao, Bblia de Jerusalm, 2004, p.5)

    Sua Apresentao no traz o logo da CNBB, o timbre da Dimenso Bblico-Catequtica e no assinada por um membro eclesistico, como a publicao da

    Paulinas Editora; na verdade, assinada apenas por seus editores. A chancela da Igreja e da CNBB aparece, em tipos pequenos, na base do verso da folha de rosto: Com aprovao eclesistica. Imprimatur: Carta protocolar CNBB SG no. 0051/03.

    5.1.1.5. ndice

    O ndice da NTLH-Paulinas bastante simples, claro e prtico, organizado em trs sees principais: Antigo Testamento, Novo Testamento e Auxlios para o Leitor (v. anexo F).

    Os livros do AT e NT so listados segundo sua insero na publicao, seguidos das abreviaturas dos mesmos, do nmero de captulos e de sua paginao.

    A seo Auxlios para o Leitor inclui suas subsees e paginao: Vocabulrio, Palavras de orientao e consolo, O que a Bblia diz sobre o perdo de Deus e Mapas.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 120

    J o ndice da BJ bem mais extenso e completo e, por conseguinte, complexo. Visualmente, menos sinttico e prtico. As abreviaturas dos livros vm listadas separadamente, juntamente com uma relao de outras siglas utilizadas na obra. O carter de estudo assumido pela BJ j se apresenta na prpria configurao do ndice, pois os livros so agrupados segundo suas caractersticas teolgico-literrias, por exemplo: Pentateuco, Livros Histricos, Livros Poticos e

    Sapienciais, etc.

    5.1.1.6. Prefcio

    O prefcio busca explicar o projeto editorial e tradutrio da NTLH-Paulinas (v. anexo G), abordando os seguintes pontos:

    (i) Histrico do projeto da SBB apresentado um histrico do projeto tradutrio da SBB em linguagem de

    hoje, desde a traduo do NT, em 1973, denominado Traduo na Linguagem de Hoje (TLH), passando pela Bblia na Linguagem de Hoje (BLH), em 1988, at, finalmente, chegar, em 2000, Nova Traduo na Linguagem de Hoje (NTLH), retratada neste estudo como NTLH-SBB, cuja tiragem catlica foi lanada pela Paulinas Editora em 2005.

    (ii) Textos-fonte utilizados na traduo Os textos-fonte utilizados na NTLH so as edies crticas dos originais

    hebraico, aramaico e grego, apresentadas em 3.2: Para o AT, foram utilizadas as seguintes edies crticas:

    - a Bblia Hebraica Stuttgartensia (1984, publicada pela Deutsche Bibelgesellschaft); - a Septuaginta (1979, de A. Rahlfs, publicada pela Deutsche Bibelgesellschaft) para os livros deuterocannicos, sendo o Eclesistico traduzido da verso Gottingensia, de Joseph Ziegler.

    Para o NT, foi utilizada a seguinte edio crtica: - The Greek New Testament (4a edio, 1994, publicado pela Deutsche Bibelgesellschaft).

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 121

    O Prefcio ressalta ainda que, de 2002 a 2003, tradutores das SBU e peritos catlicos, apontados pela CNBB, trabalharam na reviso da traduo dos livros deuterocannicos. Os demais livros tambm foram apreciados pela CNBB.

    (iii) Abordagem tradutria Segundo o Prefcio, foram utilizados os princpios de equivalncia

    funcional105, onde se reproduz o sentido dos textos originais hebraico, aramaico e grego, expressando-o de maneira simples e natural, como a fala da maioria da populao (Bblia Sagrada Nova Traduo na Linguagem de Hoje, 2005: Prefcio).

    (iv) Complementos publicao Os complementos mencionados so: introdues aos livros, esquemas dos

    contedos dos livros, referncias paralelas (rodap), notas explicativas (rodap) e auxlios para o leitor, como Vocabulrio e Mapas.

    (v) Recomendao por parte da Dimenso Bblico-Catequtica da CNBB A recomendao do uso desta traduo foi concedida, em 25 de maro de

    2003, por Dom Francisco Javier Hernndes Arnedo, ento bispo responsvel pela Dimenso Bblico-Catequtica da CNBB, durante a solenidade da Anunciao do Senhor, quando elogiou a fidelidade da traduo, o seu carter facilitador e o seu objetivo evangelizador:

    Esta traduo, alm de manter uma fidelidade irrestrita aos textos originais, representa um significativo esforo por adequar-se cultura e linguagem do homem contemporneo, facilitando aos fiis a compreenso dos contedos da Revelao de Deus e permitindo-lhes uma maior familiaridade com a sua Palavra. (Ibidem, grifos meus)

    (vi) Uso da NTLH-Paulinas Segundo o Prefcio, a NTLH-Paulinas dirige-se ao estudo pessoal, bem

    como ao uso comunitrio e individual, familiar e geral, catequtico e litrgico. Considerando a BJ, interessante mencionar que ela no possui um

    Prefcio propriamente dito e, sim, com uma seo intitulada Observaes,

    105 Ver seo 4.4.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 122

    subdividida em subsees que tratam dos seguintes itens: traduo, notas e referncias marginais, com explicaes sobre seu uso, bem mais detalhadas do que as encontradas na NTLH-Paulinas. Na mesma seo, apresenta-se, tambm, a abordagem tradutria do projeto da BJ que abordarei em 5.3, durante a descrio microestrutural da NTLH-Paulinas , mas no so fornecidas informaes sobre os textos-fonte e os originais utilizados; sabe-se apenas que so originais em

    hebraico, aramaico e grego. A informao sobre os originais utilizados foi obtida por meio de duas fontes externas: consulta bibliogrfica (Ribeiro, 2004, p.243) e consulta por correspondncia eletrnica feita editora Paulus, cuja resposta foi fornecida pelo Pe. Jos Bortolini (2006), revisor exegtico e coordenador editorial do projeto tradutrio/editorial da BJ, em sua nova edio (2002), revista e ampliada.

    5.1.1.7. Introdues aos livros bblicos e esquemas de contedo

    Cada livro bblico traz uma introduo explicativa bastante clara e didtica, com dados sobre sua autoria, contexto histrico, sua mensagem, bem como sua estrutura organizacional 106 (v. anexo H).

    curioso observar que, por vezes, as introdues da NTLH-Paulinas tambm fazem referncia prpria traduo da obra, como podemos verificar a seguir:

    (i) Primeiro Livro de Macabeus (v. anexo H.2): 1 Macabeus foi escrito em hebraico mais ou menos no ano 100 a.C. O original se perdeu, mas o livro se

    conservou na verso grega, da qual esta traduo foi feita (1 Macabeus: Introduo, p. 524, grifos meus).

    (ii) Livro de Tobias:

    O livro foi escrito uns duzentos anos antes de Cristo. Existem duas verses principais em grego deste livro, mas elas nem sempre se baseiam no mesmo texto original. A traduo que se segue, como a maioria das tradues modernas, se baseia no manuscrito grego chamado de Sinaitico. (Tobias: Introduo, p. 481, grifos meus)

    106 Segundo Nida (1998/2000, p.27), as introdues aos livros bblicos so extremamente teis

    para os leitores, pois fornecem informaes histricas e culturais importantes para uma compreenso adequada.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 123

    (iii) Livro de Ester:

    O livro foi escrito em hebraico e mais tarde foi traduzido para o grego. Esta traduo em portugus foi feita da verso grega 107. Em algumas partes esta verso grega diferente do texto original hebraico e traz tambm seis passagens a mais, que, nesta traduo, aparecem como captulos que so indicados por letras maisculas; os captulos indicados por nmeros so os mesmos do texto hebraico. (Ester: Introduo, p.512, grifos meus)

    Na verdade, desde o subttulo da publicao Nova Traduo na Linguagem de Hoje , o leitor da NTLH-Paulinas, est ciente de que est lendo efetivamente uma traduo, sendo constantemente lembrado deste fato nas introdues dos

    livros, como as que acabamos de ver acima. H ainda, ao final de cada introduo, um esquema do contedo, listando os

    principais temas abordados em cada livro (v. anexo H). curioso observar, no entanto, que, nos livros deuterocannicos, como o Primeiro Livro dos Macabeus (v. anexo H.2), foi utilizado o termo esboo ao invs de esquema do contedo, como podemos notar na Carta de Paulo aos Romanos (v. anexo H.1). Tal diferena de nomenclatura, possivelmente, deve-se ao fato de os livros deuterocannicos terem sido inseridos na publicao catlica posteriormente, no

    fazendo parte do formato original da Bblia editada pela SBB em 2000.

    5.1.1.8. Notas de rodap

    Na NTLH-Paulinas, h notas de rodap simples e curtas, ao longo de todos os livros, com variadas funes frente ao texto. Exemplos de tais funes, listadas

    abaixo, podem ser identificados no anexo I:

    (i) referncia paralela a outras passagens bblicas; (ii) esclarecimento do sentido e/ou pronncia de determinados termos ou expresses;

    (iii) esclarecimento do contexto histrico; (iv) explicao/informao de termos ou nomes hebraicos.

    107 Como vimos, na traduo da NTLH, o texto-fonte utilizado na maioria dos livros

    deuterocannicos foi a Septuaginta de A.Rahlfs, exceto no Eclesistico, em que foi utilizada a verso de Ziegler (Gottingensia). A Septuaginta (verso grega da Bblia hebraica) traz os fragmentos deuterocannicos do livro de Ester, pertencentes ao cnon da Bblia catlica. Assim, a

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 124

    A ttulo de comparao, interessante observar que as notas de rodap na BJ representam uma das fortes caractersticas da obra: seu carter de estudo. Suas notas so extensas e essencialmente documentais (variantes do texto copiado nos manuscritos), filolgico-histrico-literrias e teolgicas (com vistas doutrina crist-catlica) (Konings, 2003, p.231), levando em conta os estudos recentes. Nelas, so apresentadas explicaes, confrontos de passagens e concluses

    teolgicas com base nos estudos de crtica textual. Segundo Rogerson (2003, p.39), a BJ, aceita as principais descobertas do estudo crtico bblico e busca ajudar os leitores a compreender o texto dentro desse contexto. As notas podem ainda indicar variantes importantes de uma determinada passagem, sendo

    escolhida para configurar, no texto principal, aquela que oferece a leitura mais segura. Alm das notas, cabe ressaltar a presena de referncias marginais na BJ,

    que remetem o leitor a outras passagens. J na NTLH-Paulinas, esse tipo de referncia a outras leituras bblicas so menos freqentes e esto incorporadas s notas de rodap, como vimos.

    5.1.1.9. Adendos publicao: Auxlios para o leitor

    Para auxiliar o leitor, ao final da publicao, h uma seo denominada

    Auxlios para o leitor, subdividida em:

    (i) Vocabulrio Nesta subseo, so reunidas vrias palavras ou expresses recorrentes nos

    livros bblicos, que podem suscitar dvidas ou problemas de compreenso para o pblico-alvo. Elas so facilmente identificveis nos textos atravs de um asterisco remissivo (v. anexos I e J). H tambm a indicao dos trechos bblicos onde essas palavras ou expresses aparecem.

    (ii) Palavras de orientao e consolo Nesta subseo, o leitor poder dirigir suas leituras bblicas segundo temas

    especficos propostos, como: quando est ansioso e impaciente, preocupado com dinheiro, com medo, etc. (v. anexo K).

    traduo em questo origina-se obviamente da verso grega (Septuaginta), como menciona esta introduo.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 125

    (iii) O que a Bblia diz sobre o perdo de Deus Nesta subseo, o leitor encontrar sugestes de leituras bblicas voltadas

    para o perdo de Deus, segundo determinados temas especficos: Todos estamos afastados de Deus por causa do pecado, Deus sempre buscou um

    relacionamento mais prximo com a humanidade, etc. (v. anexo L).

    (iv) Mapas Nesta subseo, h uma reunio de treze mapas que situam o leitor

    historicamente (v. anexo M).

    5.1.1.10. Modificaes implementadas

    A NTLH-Paulinas descrita neste estudo aquela de seu lanamento, em fevereiro de 2005. No entanto, em dois anos de existncia, a obra sofreu pequenas modificaes em seus paratextos. Tais modificaes podem ser encontradas nas Bblias NTLH-Paulinas venda atualmente na rede de lojas Paulinas, mas curioso observar, contudo, que as atuais Bblias no fazem qualquer meno ao

    fato de serem resultado de uma nova tiragem ou impresso da obra. Assim, trata-se oficialmente da mesma edio.

    As novidades implementadas ocorreram em seus paratextos pr-textuais: o verso da folha de rosto foi alterado, a Apresentao foi removida e uma Nota sobre os Auxlios para o leitor foi adicionada antes do AT.

    Os motivos para a remoo da Apresentao so desconhecidos, contudo creio que a razo possa ser motivada pelo j distanciamento do ano em que o texto foi escrito (2004) por Dom Eugnio Rixen, Presidente da Comisso Episcopal Pastoral para a Animao Bblico-Catequtica, conforme relatado em 5.1.1.4. A Apresentao era uma importante prova da chancela da Igreja obra, no apenas por trazer a assinatura de Dom Eugnio, mas tambm por apresentar o selo da Comisso e o logo da CNBB. No entanto, a chancela, aparentemente removida da obra, foi, na verdade, transferida para o verso da folha de rosto (v. anexo O.1), que passou a conter duas assinaturas autorizadoras, firmadas em 29 de setembro de 2005: a de Dom Eugnio Rixen, com o nome agora corrigido para Dom Eugne Lambert Adrian Rixen, seguido do ttulo de Bispo de Gois e Presidente

    da Comisso Episcopal Pastoral para a Animao Bblico-Catequtica; e a do

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 126

    Cardeal Geraldo Majella Agnelo, Arcebispo de Salvador, BA, e Presidente da CNBB. importante ressaltar que a assinatura de Dom E. Rixen vem acompanhada da seguinte frase: Nada impede que a Bblia Sagrada Nova Traduo na Linguagem de Hoje seja usada pelos catlicos; enquanto a do Cardeal G. Agnelo: Autorizo a impresso da Bblia Sagrada Nova Traduo na Linguagem de Hoje. Como os motivos para a incluso da assinatura do Presidente da CNBB e de tais frases autorizadoras no foram esclarecidos pela editora, posso apenas supor que se trate de uma estratgia para reforar o aval da Igreja a uma traduo realizada por uma comisso de tradutores protestantes. possvel que o fato de a NTLH ser originalmente uma Bblia protestante produzida

    pela SBB tenha causado, aps o lanamento da NTLH-Paulinas, alguma espcie de recepo negativa por parte da comunidade catlica - um exemplo concreto de

    tal recepo ser visto, entre os metatextos, na seo 5.1.2.5. Desconheo, igualmente, os motivos oficiais para a incluso da Nota sobre

    os Auxlios para o leitor (v. anexo O.2), mas creio que ela tenha sido inserida na publicao com a finalidade de oferecer, ao leitor, um melhor esclarecimento

    sobre a estrutura da obra e seu uso.

    5.1.2. Metatextos

    5.1.2.1. O informativo Paulinas&Voc

    O informativo Paulinas&Voc uma publicao ora mensal, ora trimestral, que divulga os produtos da Paulinas Editora, enviada, por mala-direta, a pessoas cadastradas, ou obtida nas prprias livrarias da rede Paulinas.

    Sero apresentados exemplos significativos de divulgao da NTLH-

    Paulinas em trs informativos Paulinas&Voc de 2005 o primeiro, prximo ao seu lanamento (maro/abril/maio 2005); o segundo, no ms de aniversrio da editora (junho 2005); e o terceiro, no ms da Bblia (setembro 2005) e, ainda, em um quarto informativo mais recente (outubro/novembro/dezembro 2006).

    interessante destacar que, em todos esses informativos, o foco recai sobre a linguagem da NTLH-Paulinas: de incio, sua linguagem contempornea e, nos informativos subseqentes, sua linguagem simples e direta. Na verdade, tais

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 127

    informaes so complementares, pois abrangem tanto o lxico quanto o registro da traduo.

    Maro/abril/maio 2005 (i) Seo editorial: Trata-se da primeira pgina do informativo (p.2), onde so apresentados, de

    maneira sucinta, os principais produtos anunciados no trimestre, bem como os lanamentos da editora.

    Como se pode observar abaixo, a seo editorial conferiu destaque ao lanamento da Bblia, atribuindo-lhe qualidade tradutria (especialistas e estudiosos) e textual (traduzidas e adaptadas com preciso), bem como fidelidade aos originais (expresses originais dos textos bblicos) em uma linguagem atual (linguagem contempornea):

    Outro destaque desta edio o lanamento exclusivo Bblia Sagrada Nova Traduo na Linguagem de Hoje. Elaborada por especialistas e estudiosos das Sagradas Escrituras, traz as expresses originais dos textos bblicos pertencentes cultura do Antigo Israel, traduzidas e adaptadas com preciso linguagem contempornea. (Paulinas&Voc, maro/abril/maio 2005, p.2, grifos meus)

    (ii) Seo de lanamentos: Anunciada com outros sete novos produtos na mesma seo, a Bblia obteve

    destaque especial, incluindo sua foto (v. anexo P.1). Esta seo referiu-se obra de modo semelhante ao da seo editorial acima:

    A Bblia Sagrada: Nova Traduo na Linguagem de Hoje traz as expresses originais dos textos bblicos - pertencentes cultura do Antigo Israel, traduzidas fielmente e adaptadas linguagem contempornea, o que facilita imensamente sua leitura e compreenso. (Ibidem, p.15, grifos meus)

    Juntamente com esses dados, a divulgao trouxe tambm as seguintes informaes, grafadas em vermelho, atribuindo-lhes destaque e importncia: A

    Palavra de Deus numa linguagem simples e direta!; Autorizada e indicada pela CNBB Dimenso Bblico-Catequtica; e Livros Deuterocannicos revisados

    por tradutores das Sociedades Bblicas Unidas e peritos catlicos designados pela CNBB. A chancela da Igreja, por meio do aval da CNBB, faz-se bastante evidente nesta divulgao.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 128

    Junho 2005 edio especial: aniversrio Paulinas O informativo Paulinas&Voc de junho de 2005 divulgou a NTLH-

    Paulinas, no mais na seo de lanamentos, mas, sim, na seo de religio, com fotos de seus trs formatos, alm dos dizeres j divulgados anteriormente na seo de lanamentos de maro/abril/maio 2005: A palavra de Deus numa linguagem simples e direta! (v. anexo P.2).

    Setembro 2005 edio especial: ms da Bblia Assim como antes, a seo editorial ocupa a primeira pgina do informativo

    (p.2), enfatizando o ms da Bblia e as promoes de produtos bblicos oferecidas naquele ms.

    Foi dado grande destaque NTLH-Paulinas em dois momentos: inicialmente, com o anncio de que todas as filiais das lojas Paulinas sorteariam um exemplar dessa Bblia a cada final de semana (Maratona Bblica Paulinas); e depois, quando foram anunciadas as promoes da edio de setembro: de 5 a 14 de setembro, ganhe 30% de desconto em todos os produtos bblicos da Paulinas

    Editora, inclusive na Bblia Nova Traduo na Linguagem de Hoje!. Alm das informaes apresentadas na p.2, h ainda, na p.4, fotos, em grande destaque, da

    mesma Bblia, em quatro formatos diferentes, incluindo sua nova edio de bolso, com os seguintes dizeres: Todo lar ao redor de uma nica Palavra. Ideal para o estudo bblico e para a leitura de toda a famlia, graas sua linguagem simples! (v. anexo P.3). interessante notar que, dessa vez, a divulgao refere-se no somente linguagem, enfatizada nas divulgaes anteriores, mas passa a referir-se a um pblico-alvo especfico (toda a famlia, cobrindo suas diversas faixas etrias) e a objetivos especficos (estudo bblico e leitura).

    Outubro a dezembro 2006 Esta edio da Paulinas&Voc traz, em sua seo editorial, o objetivo da

    editora para o trimestre: oferecer produtos voltados s diversas comemoraes

    [do] ltimo trimestre, especialmente o Natal, [...] ocasies especiais, como aniversrio, Primeira Eucaristia, etc. (p.2).

    A NTLH-Paulinas aparece, nesta edio, na seo Primeira Eucaristia (p. 6), voltada, portanto, para um fim e um pblico-alvo bem especficos,

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 129

    diferentemente das edies anteriores (v. anexo P.4), embora no haja nenhum comentrio extra sobre a obra.

    5.1.2.2. O portal Paulinas

    Desde o lanamento da NTLH-Paulinas, em fevereiro de 2005, o portal Paulinas oferece uma descrio da obra mais detalhada do que a publicao Paulinas&Voc. Tal descrio reproduz, em grande parte, as informaes contidas no Prefcio da Bblia em questo.

    oferecido, no portal, um breve histrico do projeto da Bblia, considerada, na verdade, como uma espcie de relanamento da bblia NTLH originalmente publicada pela SBB em 2000:

    Paulinas Editora relana uma das Bblias mais difundidas e populares no Brasil: "Bblia Sagrada: Nova Traduo na Linguagem de Hoje". A histria desta Bblia iniciou-se com a publicao do "Novo Testamento - Traduo na Linguagem de Hoje", em 1973, pela Sociedade Bblica do Brasil. Quinze anos depois, em 1988, foram includos os textos do Antigo Testamento, assim como se encontram na Bblia Hebraica. A partir deste momento, a traduo chamou-se "Bblia na Linguagem de Hoje". Uma grande reviso que demorou dez anos resultou na reapresentao desta Bblia - em 2000 - com o ttulo "Nova Traduo na Linguagem de Hoje". 108

    Possivelmente, por se tratar originalmente de um projeto tradutrio protestante, foi inserida, no projeto catlico, uma explicao detalhada sobre os livros deuterocannicos e sobre a diferena entre as Bblias protestante e catlica. interessante notar, tambm, a referncia feita s antigas tradues adotadas pela Igreja a Vulgata e a Septuaginta , bem como traduo de Lutero:

    O que cannico e deuterocannico: [...] foram acrescentadas Bblia na Linguagem de Hoje tambm as tradues dos livros 1 e 2 Macabeus, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesistico e Baruque, preparadas pelas Sociedades Bblicas Unidas. Estes sete livros so cannicos para os catlicos, pois fazem parte da antiga traduo latina do Primeiro (Antigo) Testamento chamada Vulgata - Bblia oficial da Igreja Catlica -, a qual, por sua vez, seguiu a seqncia dos livros na antiga traduo grega da primeira parte da Bblia crist chamada Septuaginta. Os protestantes consideram estes livros como deuterocannicos, pois Lutero preferiu, em sua poca, a configurao do Antigo Testamento da forma que se encontra na Bblia Hebraica. Esta ltima no continha os sete livros acima mencionados. Com

    108 Disponvel em Portal Paulinas: . Acesso em: 21 abr.

    2005.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 130

    a incluso destes livros, a Bblia na Linguagem de Hoje tornou-se completa tambm para os leitores pertencentes Igreja Catlica. 109

    O portal explica ainda o projeto tradutrio e as vantagens da nova traduo, com foco em sua linguagem simples e facilitadora:

    As vantagens desta traduo: A maior vantagem desta Bblia chamada "Bblia Sagrada - Nova Traduo na Linguagem de Hoje" continua sendo sua linguagem mais acessvel. Os tradutores adaptaram as expresses originais dos textos bblicos, pertencentes cultura do Antigo Israel, ao modo de se falar atual em nossa cultura. Dessa forma, a leitura de muitas frases foi facilitada. 110

    O texto termina com a chancela da Igreja traduo e publicao. A traduo autorizada, aprovada e indicada pela CNBB e pelo Presidente da

    Comisso Episcopal Pastoral para a Animao Bblico-Catequtica:

    A Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) - em nome do Presidente da Comisso Episcopal Pastoral para a Animao Bblico-catequtica, Dom Eugnio Rixen - autorizou e indica o uso desta Bblia no ambiente catlico. Espera-se assim que as riquezas da Sagrada Escritura fiquem mais acessveis ao leitor contemporneo. 111

    Tal informao detalhada permanece at hoje no portal Paulinas, porm apenas quando aborda a publicao simples, isto , em capa cristal. Os demais formatos da publicao so apresentados de forma sucinta.

    5.1.2.3. Divulgao externa

    Divulgaes externas da NTLH-Paulinas foram encontradas apenas via portais da internet 112. Em 2005, ano de seu lanamento, a obra encontrava-se ainda bem pouco difundida. At julho de 2005, alm da divulgao interna da Editora, por meio da publicao Paulinas&Voc e do portal Paulinas, encontrei apenas a seguinte referncia NTLH-Paulinas:

    109 Idem.

    110 Idem.

    111 Idem.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 131

    (i) Portal Franciscanos O portal divulgava a NTLH-Paulinas de maneira sucinta, em sua loja

    online, conferindo destaque chancela da CNBB: a Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), atravs de D. Eugnio Rixen, recomenda esta traduo (grifos meus) 113.

    No entanto, nessa mesma poca, referncias NTLH-SBB, j no mercado desde 2000, podiam ser encontradas em diversos portais. Embora no se trate da mesma publicao aqui analisada, sero includos, a ttulo de ilustrao, alguns metatextos de divulgao da publicao da SBB, extrados de dois portais em

    2005:

    (ii) Portal da Sociedade Beneficente Igreja Batista do Murumbi Sua loja online referia-se NTLH-SBB da seguinte forma:

    Mantm-se fiel aos textos originais - hebraico, aramaico e grego - e, ao mesmo tempo, adota a estrutura gramatical e a linguagem falada pelo brasileiro [...] desenvolvida pela Comisso de Traduo da SBB, a NTLH voltada s pessoas que ainda no tiveram nenhum (ou pouco) contato com a Palavra de Deus e, por isso, muito indicada como ferramenta de evangelizao. (grifos meus) 114

    (iii) Portal Vereda Crist Sua loja online, tambm, referia-se publicao da SBB:

    O que se destaca nesta Bblia a facilidade de entendimento por estar em uma linguagem atual. tima para novos convertidos que ainda no esto acostumados com a linguagem bblica. (grifos meus) 115

    No entanto, em 2006, ano seguinte ao seu lanamento, a NTLH-Paulinas, j mais sedimentada no mercado, passou a contar com uma maior divulgao, encontrada em diversos portais, inclusive de cunho no-religioso, como se pode notar a seguir:

    112 Esta pesquisa, logicamente, pode no ter tido acesso a outras formas de divulgao

    coexistentes. Portanto, esta afirmao no definitiva. 113

    Disponvel em: . Acesso em: 04 jun. 2005. 114

    Disponvel em: . Acesso em: 04 jun. 2005. 115

    Disponvel em: . Acesso em: 04 jun. 2005.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 132

    (iv) Portal Submarino O portal apresenta a NTLH-Paulinas no formato cristal e traz uma pequena

    explicao a respeito da obra (Sinopse), vinculando-a a um pblico-alvo especfico, o pblico jovem: os textos da Bblia so apresentados nesta obra utilizando a linguagem dos dias de hoje facilitando a compreenso dos textos pelos jovens 116. interessante notar que em nenhuma outra divulgao a obra foi veiculada a esse pblico-alvo. A razo para tal est possivelmente associada s caractersticas do portal de compras em questo, o qual tem grande apelo junto ao pblico jovem.

    (v) Portal Saraiva O portal oferece a NTLH-Paulinas em quatro formatos: simples, datas

    especiais, palavra viva/eucaristia e grande (branca/luxo). Ele exibe uma espcie de resumo do contedo apresentado no Portal Paulinas, destacando a histria da traduo dessa Bblia, sua linguagem facilitada e a recomendao de sua leitura, por parte da CNBB e de Dom Eugnio Rixen117.

    (vi) Portal Americanas O portal oferece a NTLH-Paulinas no formato zper e apresenta um resumo

    (denominado Resenha) do contedo original do Portal Paulinas, juntamente com um breve histrico da obra desde a sua trajetria inicial na SBB. interessante observar que esta divulgao a nica a no enfatizar a chancela da Igreja atravs da Comisso Episcopal pastoral para a Animao Bblico-Catequtica da CNBB, nem o projeto do ponto de vista lingstico (sua linguagem facilitada e atual). Enfatiza, sim, o seu carter ecumnico, esclarecendo as diferenas entre as Bblias catlica e protestante e a razo para que a obra esteja ao alcance da comunidade catlica: com a incluso [dos livros deuterocannicos], a Bblia na Linguagem de Hoje tornou-se completa tambm para os leitores pertencentes Igreja Catlica118.

    116 Disponvel em: . Acesso em: 04 nov. 2006.

    117 Disponvel em: . Acesso em 04 nov. 2006.

    118 Disponvel em: . Aceso em 04 nov. 2006.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 133

    5.1.2.4. Artigos, comentrios, resenhas e crticas

    Devido escassez de material crtico sobre a NTLH-Paulinas possivelmente em razo do pouco tempo de circulao da obra , optei por incluir,

    tambm, nesta seo, alguns metatextos sobre a NTLH-SBB, cuja traduo , na realidade, a mesma.

    NTLH-Paulinas Sero apresentados aqui dois metatextos: uma resenha sobre a NTLH-

    Paulinas, realizada por um biblista, e uma correspondncia eletrnica enviada a um portal catlico tradicionalista, emitindo opinies sobre a mesma. O material recolhido revela opinies distintas, favorveis e desfavorveis obra.

    interessante ressaltar que a resenha a ser descrita poderia, na verdade, ser subdividida em duas, pois seu autor, Pe. Ney Brasil Pereira (2006), apresenta e comenta trechos de uma resenha escrita por Dom Estevo Bettencourt, OSB, sobre a mesma traduo. As vises dos autores so, no entanto, antagnicas, como

    veremos.

    A partir dos metatextos analisados, pode-se, tambm, obter uma viso, ainda

    que tmida, da recepo da NTLH-Paulinas junto comunidade catlica eclesial e laica.

    (i) Resenha do Pe. Ney Brasil Pereira A resenha Bblia Sagrada Nova Traduo na Linguagem de Hoje

    encontra-se publicada na seo Apreciaes da Revista Eclesitica Brasileira (REB): Uma Agenda Conciliar 40 anos (Pereira, 2006).

    Inicialmente, interessante mencionar que o Pe. Ney Brasil Pereira

    participou da comisso de traduo da BJ, traduzindo quatro livros do AT (1 e 2 Macabeus, Daniel e Baruque) e um livro do NT (Atos dos Apstolos).

    Segundo Pe. Ney Brasil Pereira (2006), a novidade desta Bblia no est apenas em seu subttulo, mas, tambm, no fato de ser uma co-edio, de alcance ecumnico, de Edies Paulinas, catlica, com a Sociedade Bblica do Brasil, SBB, protestante.

    Alm de relatar os contedos da Apresentao e do Prefcio da obra, o resenhista refere-se Bblia Sagrada Edio Pastoral, da editora Paulus, como

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 134

    uma obra catlica semelhante, de sucesso editorial inegvel, traduzida em linguagem corrente, evitando construes rebuscadas e palavras de uso menos comum. No entanto, no realiza julgamentos ou comparaes entre as duas publicaes.

    Como mencionei anteriormente, esta resenha poderia ser vista como dupla, pois relata dados de uma segunda resenha, escrita por Dom Estevo

    Bettencourt, em 2006, acerca da mesma traduo119. Nela, Dom Estevo mostra-se contrrio publicao. Segundo ele,

    a Bblia na Linguagem de Hoje uma tentativa de traduzir um linguagem popular o texto sagrado para torn-lo acessvel ao grande pblico. A inteno louvvel, mas a obra infeliz, pois, mais do que uma traduo, fizeram uma interpretao, por vezes nitidamente protestante. Alm do que, a adaptao do texto sagrado ao vocbulo popular faz que o novo texto deixe de apresentar termos bblicos ricos de conotaes e temas teolgicos [...]; assim, empalidece a mensagem bblica. (Bettencourt apud Pereira, 2006)

    Alm das crticas lanadas, Dom Estevo afirma que a soluo para o problema da difuso da Bblia [no est em simplificar o texto, mas, sim,] em conservar o vocabulrio tpico e rico do texto sagrado, munindo-o de notas explicativas em rodap, a fim de que o leitor no iniciado cresa em cultura

    bblica (Ibidem). Podemos observar a um posicionamento totalmente oposto filosofia da NTLH, que transfere as notas para o prprio texto, apresentando um

    pequeno nmero de notas. Critica a remoo de vocbulos consagrados pelo uso e, assim, diz que no se [pode] recomendar o uso da BLH120 nem para catlicos nem para protestantes, pois uns e outros necessitam, antes do mais, de ler o texto bblico na sua identidade to objetiva quanto possvel (Ibid.). A linguagem classificada como rude (s vezes incorreta) na traduo da Sagrada Escritura, e condena a retirada de palavras tcnicas do vocabulrio bblico como Evangelho,

    justificao, mistrio...e outras muitas, pois tm suas conotaes que outras, tidas como equivalentes no possuem (Ibid.).

    Pe. Ney Brasil Pereira levanta dois pontos acerca da recenso de Dom Bettencourt: que sua opinio deve ser levada em considerao devido a seu

    119 Resenha publicada originalmente na revista mensal Pergunte e Responderemos, Rio de Janeiro,

    n. 523, p.7-14, jan. 2006.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 135

    prestgio como telogo, embora ela se oponha ao pensamento e aprovao da CNBB; e que sua acusao de protestantismo contrria ao dilogo ecumnico proposto pela Igreja.

    Embora Pe. Ney Brasil Pereira faa algumas ressalvas a certas

    simplificaes no texto final da NTLH-Paulinas, diz que jamais chegaremos a uma traduo perfeita. Continua ainda dizendo que, embora tambm no [seja] perfeita esta Nova Traduo na Linguagem de Hoje [, trata-se de] uma alternativa valiosa, preciosa, bem-vinda, que poder vir a ser aperfeioada (Pereira, 2006). Finalmente, conclui, afirmando que

    no conjunto das tradues atualmente publicadas no Brasil, [a Bblia Sagrada Nova Traduo na Linguagem de Hoje] aparece como o resultado de um trabalho cuidadoso, persistente, de uma equipe abalizada, que levou em conta semelhantes tradues na linguagem de hoje em outras lnguas, e agora oferece ao leitor cristo brasileiro, evanglico e catlico, esta leitura que se pretende atualizada da eterna palavra de Deus. (Ibidem)

    (ii) Correspondncia enviada para o portal da Associao Cultural Monfort121

    Segundo o portal, a Associao Cultural Monfort uma entidade civil de orientao catlica, criada em 1985, com o objetivo de estudar, divulgar e defender a doutrina catlica, segundo os ensinamentos tradicionais da Igreja, combatendo o modernismo e o liberalismo, e tendo, como seu presidente, o Prof.

    Orlando Fedeli, doutor em histria pela USP. A correspondncia enviada aparece na seo Carta de leitor Polmicas,

    sob o ttulo CNBB endossa bblia protestante travestida de catlica. Seu autor demonstra indignao por observar que a NTLH-Paulinas no s menciona, no verso de sua folha de rosto, a distino entre os livros cannicos e os deuterocannicos, como, tambm, uma traduo originalmente realizada por

    sociedades protestantes. Diz ainda ser

    uma grande surpresa constatar que a CNBB, atravs de sua Comisso Episcopal Pastoral para Animao Bblico-Catequtica, endossa aos catlicos que buscam uma bblia com linguagem mais simples, aos quais tem o dever que proteger,

    120 Curiosamente, D. Estevo Bettencourt utiliza o termo BLH, a antecessora da NTLH. Quando

    publicou o artigo, em 2006, a NTLH-SBB (2000) j havia substitudo a BLH, e a NTLH-Paulinas (2005) j havia sido lanada. 121

    Disponvel em . Acesso em: 09 dez. 2006.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 136

    uma bblia protestante (cheia de textos envenenados) travestida de bblia (catlica) pela mera adio de pontos que os hereges amputaram. A CNBB receita um remdio que pode ser veneno a seus fiis!

    Em relao ao texto traduzido propriamente dito, a correspondncia

    condena, por exemplo, a passagem da saudao Maria pelo anjo (Lucas 1, 28-30), considerando-a pseudo-catlica. Ao invs de apresentar Ave, cheia de graa, o Senhor contigo, a NTLH diz Que a paz esteja com voc, Maria! Voc muito abenoada. O senhor est com voc, opo que se assemelha traduo de Lutero122.

    O leitor conclui sua carta, afirmando que a Paulinas Editora est vendendo gato por lebre, e revelando que pretende escrever s autoridades eclesiais a

    respeito da NTLH-Paulinas, requisitando a retirada da permisso de sua publicao e de seu uso por catlicos.

    A Associao Cultural Montfort, representada por Marcos Liborio, pesquisador e escritor sobre o tema Reforma protestante, membro da Associao e colaborador do portal, responde ao leitor em questo, concordando com suas colocaes e opondo-se igualmente obra. Acerca da publicao,

    Liborio diz: essa bblia na linguagem de hoje um escndalo, protestantizada. Referindo-se sua traduo, diz, tambm, absurda [a] traduo dessa nova bblia, que quer falar a lngua do povo e se esquece que deve ser a palavra de Deus. Para concluir sua resposta ao leitor, menciona que o

    fato de a CNBB aceitar a NTLH-Paulinas no significa necessariamente que os catlicos devam aceit-la sem reservas.

    NTLH-SBB Os metatextos aqui reunidos acerca da NTHL-SBB so: uma resenha

    realizada por um biblista; uma reportagem com o coordenador do projeto tradutrio dessa Bblia; o relato de uma entrevista com o Secretrio-geral da SBB; um artigo a respeito da obra, editado na revista da SBB, A Bblia no Brasil; e, finalmente, uma resenha annima encontrada em um portal protestante claramente fundamentalista.

    122 A traduo de Lutero da mesma passagem causou, tambm, veementes crticas por parte da

    Igreja na poca, pois traduziu cheia de graa por agraciada (Lutero, 2006a, p.107).

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 137

    O teor do material recolhido diverso acerca da linguagem utilizada na traduo e da qualidade da mesma. A partir dele, podemos obter, tambm, uma viso da recepo da NTLH-SBB, junto comunidade protestante. Logicamente, os metatextos oriundos da prpria SBB exibiro um posicionamento positivo e

    favorvel ao projeto tradutrio. Nesses, fica bastante claro o pblico-alvo almejado e, assim, os motivos para a abordagem e as estratgias tradutrias utilizadas.

    (i) Resenha de Archibald Mulford Woodruff Doutor em Estudos de Religio e especialista em NT, pela Universidade de

    Pittsburgh, EUA, Archibald Woodruff escreve sua resenha para a Bibliografia Bblica Latino-Americana (BBLA), um projeto de pesquisa do Curso de Ps-Graduao em Cincias da Religio da Universidade Metodista de So Paulo123.

    Segundo Woodruff (s.d.), a NTLH segue os moldes de uma nova tendncia de Bblias em linguagem coloquial, preparadas mundialmente pelas Sociedades Bblicas Unidas. Tais Bblias buscam a inteligibilidade, mas parecem correr o

    risco de tornarem-se parfrases. O telogo parece, tambm, identificar nessas Bblias um tom bastante domesticador, comparando-as a outras tradues.

    Aproxima a NTLH Bblia Sagrada - Edio Pastoral, da Paulus, e ope-na traduo estrangeirizante de Chouraqui; entre esses dois plos, cita uma traduo mais neutra - a Almeida Revista e Atualizada:

    As Bblias desta famlia pretendem ser inteligveis. Elas representam um dos extremos; se fosse mais desprendida do texto original a Bblia no seria mais traduo, mas parfrase. No Brasil, a Edio Pastoral tem vocao parecida. O outro extremo representado pela traduo de Andr Chouraqui, que sempre deixa transparecer que a Bblia um livro estrangeiro, e semtico. Outras tradues, como a Almeida Revista e Atualizada, ocupam o espao que existe entre estes dois plos. (Ibidem, grifos meus)

    Referindo-se ao pblico-alvo, Woodruff afirma que a NTLH voltada para

    pessoas simples, embora tambm atraia os leitores sofisticados, devido ousadia e consistncia de seu mtodo, isto , o da equivalncia funcional ou dinmica.

    123 Disponvel em . Acesso em: 21 abr.

    2005.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 138

    Algum que realize um estudo acadmico da Bblia, procure embasamento doutrinrio ou aprecie a beleza da literatura bblica dever optar por uma outra traduo, pois, segundo o telogo, algo se perde na traduo da NTLH.

    Finalmente, aps criticar tanto o tom didtico dessa Bblia quanto sua leitura

    facilitada, Woodruff encerra sua resenha, em tom jocoso, como que se referindo a uma traduo que parece estar longe do ideal ou da perfeio:

    Os tradutores esto sempre respondendo a perguntas que podem ser feitas em uma aula de escola dominical, ou em uma aula de alfabetizao. Sempre dando explicaes. E o povo simples vive dando explicaes uns aos outros? A linguagem da narrativa est bem presente, e tambm merece a ateno dos tradutores (eles j sabem, mas vale a pena no esquecer) [...] o contexto desta Bblia a leitura de um livro, sem parar para estudar cada episdio, o que tambm merece ateno. Perfeccionistas do mundo, uni-vos! (Ibid., grifos meus)

    (ii) Reportagem com Rudi Zimmer (coordenador do projeto tradutrio da NTLH) Tal reportagem foi realizada por Rose Guglielminetti, da Agncia

    Anhangera, para a Revista Vidamix, [s.l.], n. 6, abr. 2002. Segundo Rudi Zimmer, [a NTLH,] por ter uma linguagem mais coloquial,

    destinada aos leitores com nvel de instruo baixo (Zimmer apud Guglielminetti, 2002). Acrescenta ainda:

    O texto compreensvel at para crianas. A pessoa tem a impresso de que no est lendo a Bblia, que tem uma linguagem de difcil compreenso, mas sim um livro. Utilizamos a linguagem do povo [...] difcil entender expresses como cingindo os vossos lombos, recalcitar contra os aguilhes e aliana da circunciso. O nosso trabalho foi torn-las compreensveis. (Ibidem, grifos meus)

    Ele acrescenta ainda que, se comparada traduo Almeida (Almeida Revista e Atualizada), amplamente reconhecida pelas comunidades protestantes, houve, alm do estilo mais direto, uma reduo do universo lexical de 8,38 mil para 4,39 mil palavras, a fim de restringir o vocabulrio da Bblia quele utilizado pela maioria da populao, facilitando, assim, a compreenso do texto.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 139

    (iii) Entrevista com Luiz Antonio Giraldi (ento Secretrio-geral da SBB) Luiz Antonio Giraldi, em entrevista para a Agncia DT, opina sobre a

    NTLH. Elogiando a traduo realizada pela Comisso da SBB, menciona os objetivos do projeto e fala sobre a recepo positiva da obra:

    A Comisso de Traduo da SBB finalizou o trabalho de traduo das Escrituras em uma linguagem mais prxima da falada pela maioria da populao. [...] uma traduo que tem sido amplamente aceita pela populao em geral e tem cumprido um importante papel na vida daqueles que nunca haviam tomado contato com as Escrituras, tornando a mensagem bblica mais clara e acessvel. (Giraldi, 2004, grifos meus)

    (iv) Artigo Uma Bblia na linguagem do povo brasileiro, publicado na revista A Bblia no Brasil, So Paulo, n. 189, p. 9-10, out./dez. 2000.

    Segundo Denis Timm, gerente editorial da SBB, a revista A Bblia no Brasil uma publicao oficial da SBB. Embora seu editor-chefe, Ern Walter Seibert, e sua editora responsvel, Mrcia Carneiro, sejam identificveis, a maioria das matrias da revista annima, assim como o artigo em questo (Timm, 2006), publicado no mesmo ano do lanamento da NTLH-SBB.

    O texto explica a razo para o projeto tradutrio/editorial da NTLH: detectou-se (a partir de uma consulta entre igrejas nos anos 1960) que grande parte da populao tinha dificuldade em entender a linguagem empregada nas tradues bblicas por equivalncia formal. Assim, defende a equivalncia funcional, utilizada nessa traduo:

    A Traduo na Linguagem de Hoje utiliza o princpio da equivalncia funcional. Esse princpio determina que o texto original [...], ao ser traduzido, seja expresso segundo a estrutura normal da lngua para a qual ele est sendo vertido. Isso torna a traduo fiel ao original e adequada nova lngua. (SOCIEDADE BBLICA DO BRASIL, 2000, p.9)

    A vocao evangelizadora da traduo em linguagem comum, desde a BLH, enfatizada no artigo, atribuindo-lhe a responsabilidade pelo crescimento e

    difuso das igrejas protestantes ou evanglicas no Brasil nos ltimos anos:

    Nos doze anos de existncia da Bblia na Linguagem de Hoje, j foram distribudos pelas igrejas no Brasil mais de 2 bilhes de Selees Bblicas (folhetos bblicos missionrios) com esse texto. Estas Selees foram o maior instrumento utilizado

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 140

    para a evangelizao, justamente no momento em que a igreja brasileira mais cresceu em nmero. (Ibidem, p.10, grifos meus)

    Por fim, o artigo sugere a superioridade da NTLH em relao BLH e

    revela, atravs do parecer da Comisso de Traduo e de seu coordenador, Rudi Zimmer, sua aplicao: para o uso das igrejas e para a utilizao individual, familiar e geral [...] atividades de adorao, evangelizao, educao e pregao (Ibid.).

    (v) Resenha annima A resenha annima intitulada Nova Traduo na Linguagem da Hoje: velha

    enganao na linguagem dos apstatas124 foi, provavelmente, escrita por um ou mais membros no-identificveis de uma comunidade batista, como sugere o

    endereo do portal de onde foi extrada125. O(s) resenhista(s) considera(m) a NTLH a pior Bblia na lngua

    portuguesa. Diz(em) ainda que sua linguagem foi ficando, de acordo com a filosofia herege, desatualizada, pois j quase 30 anos decorriam da sua publicao [antecessora] pela SBB (1973)126. Compara(m) sua proposta da Good News Bible americana (ou a Todays English Version), a qual tambm considera(m) um trabalho hertico.

    A resenha diz, ainda, que a NTLH mantm as mesmas falhas da sua

    antecessora BLH, a segunda maior catstrofe Bblico-teolgica em lngua portuguesa, s perdendo para a perverso Mundo Novo das Testemunhas de Jeov. A NTLH acusada de: esvaziar e alterar o vocabulrio bblico; utilizar uma linguagem medocre e tendenciosa; apresentar uma mensagem que

    representa um insulto inteligncia das pessoas privando-as de crescer; utilizar uma tcnica tradutria (equivalncia dinmica) que gera uma traduo corrupta; apresentar corrupes, omisses e inseres de absurdos teolgicos. Acusa(m)-na, por exemplo, de omitir a expresso tome a sua cruz, no Evangelho de Marcos (Mc 8,34)127, trocar o vocbulo adlteros por infiis na Carta de

    124 Apstata aquele que abandonou a f de uma igreja, especialmente a crist.

    125 Disponvel em: . Acesso em 05 nov. 2006.

    126 Tal publicao o Novo Testamento lanado em 1973 pela SBB: Traduo na Linguagem de

    Hoje (TLH). 127

    Esta mesma passagem ser abordada adiante, em 5.3.7, durante a anlise microestrutural da NTLH-Paulinas.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 141

    Tiago (Tg 4,4)128 e escrever a palavra igreja com I maisculo, no Evangelho de Mateus (Mt 16,18), a fim de criar uma associao com a Igreja Catlica.

    Sua concluso assume um carter fundamentalista, atacando as escolhas lexicais e o tom ecumnico da obra, afirmando que o projeto como um todo desde a publicao do NT (TLH) e, posteriormente, da BLH recebeu o apoio da CNBB, em prol de uma edio conjunta para uso de catlicos e protestantes:

    A NTLH, de modo semelhante sua irm mais velha BLH, nasceu no corao de homens ecumnicos, est saturada de expresses da Nova Era [...]. De to desfigurada, transformou-se numa monstruosa colcha de retalhos de apostasia. Sob a desculpa medocre de popularizar o texto, so severamente atacadas doutrinas fundamentais da f crist [...] As omisses contam-se s centenas, as adies danificam criminosamente o sentido do texto sagrado manipulando-o conforme o arbtrio herege dos seus idealizadores. Pela sua inclinao ecumnica esta obra significa mais um passo na direo da apostasia [...]. A NTLH no a Palavra de Deus e os crentes srios que zelam pela verdade devem rejeitar essas heresias. 129

    5.2. Macroestrutura

    Aps os dados preliminares, descreverei agora a NTLH-Paulinas macroestruturalmente, isto , a partir de uma viso macroestrutural da obra,

    incluindo a descrio geral de sua organizao interna, seus livros e introdues, seus ttulos, seus subttulos e sua diagramao.

    5.2.1. Aspectos gerais

    Observando a obra como um todo, nota-se que sua diagramao moderna

    e bem visual. Se a compararmos com a BJ, em sua nova edio, revista e ampliada (2004), veremos que seus tipos so um pouco maiores, h um espaamento um pouco mais amplo entre as linhas, alm do fato de o texto ser impresso em duas colunas, o que diminui o volume da publicao e confere obra um formato de livro.

    Como vimos em 5.1, a NTLH-Paulinas introduzida por uma folha de rosto (e seu verso), uma apresentao, um ndice e um prefcio, que ocupam apenas cinco pginas da obra. Ao compararmos esses paratextos com os da BJ, que

    128 A BJ e a AM utilizam o vocbulo adlteros em Tg 4,4.

    129 Disponvel em: . Acesso em 05 nov. 2006.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 142

    ocupam 16 pginas, poderemos verificar o quanto a edio da Paulinas Editora mais simples e sucinta macroestruturalmente falando.

    A NTLH-Paulinas:

    (i) no contm uma seo apresentando a equipe do projeto tradutrio, ao passo que, na BJ, h a apresentao tanto da equipe da edio brasileira quanto da

    edio francesa; (ii) no contm, tambm, uma seo apresentando as listas dos livros

    pertencentes s Bblias hebraica e grega, com explicaes histricas tanto sobre os cnones estabelecidos quanto sobre a Septuaginta, como ocorre na

    BJ;

    (iii) no contm ainda: uma lista de abreviaturas e siglas para os livros bblicos; explicaes sobre a representao das citaes, por exemplo: a vrgula separa captulo de versculo. Ex: Gn 3,1 (Livro do Gnesis, cap.3, v.1); e outras abreviaturas para nomes ou expresses recorrentes, como por exemplo: AT = Antigo Testamento, TM = texto massortico, var. = variante, etc.

    (iv) possui uma Apresentao e um Prefcio, que trazem, respectivamente, o aval da CNBB, atravs da Comisso Episcopal Pastoral para Animao Bblico-

    Catequtica, e dados sobre o projeto tradutrio (v. anexos D e G). J a BJ no contm um prefcio, mas, sim, como visto em 5.1.1.6, uma seo denominada Observaes, onde trata dos temas traduo, notas e referncias marginais, demonstrando, claramente, pela complexidade de suas explicaes, o seu carter de estudo e erudio. A NTLH-Paulinas no apresenta explicaes complexas sobre as representaes e a consulta das notas, bem como das referncias marginais, possivelmente, pelo fato de suas notas serem muito simplificadas e no possuirem efetivamente referncias marginais. No entanto, em um segundo momento, com as modificaes

    implementadas na obra aps setembro de 2005 (v. 5.1.1.10), inseriu-se uma nota denominada Nota sobre os Auxlios para o leitor, com explicaes sobre o uso das introdues, notas e referncias, bem como dos adendos publicao, vistos em 5.1.1.9.

    (v) seu ndice visualmente prtico. Traz as abreviaturas dos livros, alm de uma novidade: o nmero total de captulos que cada livro bblico contm (v. anexo F). Se comparada com a BJ, fica clara a sua praticidade e simplicidade, pois o

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 143

    ndice dividido em apenas trs grandes blocos Antigo Testamento, Novo Testamento e Auxlios para o leitor , enquanto o ndice da BJ apresenta outras subdivises internas pertencentes ao AT Pentateuco, Livros histricos, Livros poticos e sapienciais e Livros profticos , demonstrando, assim, um maior detalhamento das Sagradas Escrituras.

    5.2.2. Antigo Testamento e Novo Testamento

    Tanto a NTLH-Paulinas quanto a BJ utilizam pginas divisrias que introduzem, separam e apresentam o AT e o NT. No entanto, interessante

    observar a diagramao das pginas divisrias da NTLH-Paulinas: elas apresentam um layout moderno (v. anexo N), que reflete a modernidade expressa j no prprio subttulo da obra (Nova Traduo na Linguagem de Hoje).

    Em 5.1.1.7, observa-se que todos os livros do AT e do NT so introduzidos por textos explicativos sucintos em linguagem simples, esclarecedora e objetiva (v. anexo H). Em termos de layout, todas as pginas introdutrias tm uma diagramao moderna e padronizada. Cabe ressaltar que, na BJ, diferentemente,

    no h introdues especficas antes de cada livro bblico e, sim, uma longa e detalhada introduo no incio de grupos de livros (por exemplo: Introduo ao Pentateuco; Introduo a Josu, Juzes, Rute, Samuel e Reis; Introduo s Crnicas, Esdras e Neemias; Introduo s Epstolas de So Paulo; etc.) com diagramao tradicional, tipos pequenos e estreitos, bem como um contedo bem menos explicativo e didtico. Aps cada introduo aos livros da NTLH-Paulinas, como visto anteriormente, h um Esquema de contedo (v. anexo H), que lista e localiza os temas principais de cada livro, de forma clara, objetiva e simples. Tal organizao , sem dvida, didtica e inovadora, e no encontrada na BJ.

    Em todos os livros bblicos, as numeraes apresentam tipos grandes em negrito. Tanto a paginao quanto as referncias s passagens dos livros, no topo

    das pginas, aparecem em negrito, de forma bastante visual e prtica para o manuseio do leitor. Internamente, os versculos tambm so bem ilustrados com nmeros em negrito e proporcionalmente grandes para o texto, de modo a ficarem bastante claros e visveis.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 144

    Abordando os textos dos livros bblicos de uma forma macroestrutural, inegvel a presena marcante das notas de rodap na BJ. Observando a primeira pgina do captulo 1 do livro do Gnesis, por exemplo, pode-se notar que as notas tomam mais da metade da pgina. O texto do Gnesis em si ocupa muito pouco

    espao nesta pgina, no ultrapassando o versculo 8 (Gn 1,1-8); isso reflete claramente o carter de estudo da BJ. J na NTLH-Paulinas, a primeira pgina do Gnesis alcana o versculo 19 (Gn 1:1-19), o que reflete as poucas notas e certamente resulta em uma leitura mais fluente, com menos interrupes ou

    quebras textuais e visuais. As notas da NTLH-Paulinas, como observado no estudo dos paratextos, so bastante sintticas. Elas tambm ostentam uma

    diagramao muito clara e prtica para o leitor e so separadas do texto, visivelmente, por uma linha espessa.

    Sobre o projeto tradutrio/editorial original da NTLH-SBB, pode-se dizer que os textos que antes apareciam no rodap da BLH voltaram, na NTLH, ao corpo de texto da Bblia (SOCIEDADE BBLICA DO BRASIL, 2000, p.10). Assim, a NTLH, ou melhor, a NTLH-Paulinas, simplifica, compacta ou traz para dentro do texto muito daquilo que a BJ, por ser uma Bblia de estudo, mantm em suas notas de rodap, tornando, assim, sua leitura prtica e fluente.

    Certos ttulos dos captulos do NT da NTLH-Paulinas, se comparados aos ttulos da BJ, revelam dois pontos: o primeiro, o carter ecumnico da obra, devido ao no-uso do ttulo So para os evangelistas (por exemplo: Mateus, ao invs de So Mateus), que caracterizaria uma traduo catlica; o segundo, a opo por vocbulos ou sintaxe de fcil entendimento, como carta ao invs de epstola ou Evangelho de [...] ao invs de Evangelho segundo [...]. interessante, tambm, mencionar que, dentro desse objetivo de facilitao, h ainda o uso de ttulos auto-explicativos, como ocorre com o livro do Apocalipse:

    Bblia de Jerusalm Nova Traduo na Linguagem de Hoje Evangelho Segundo So Mateus O Evangelho de Mateus

    Epstola (de So Paulo) aos Romanos Carta de Paulo aos Romanos Epstola de So Tiago Carta de Tiago

    Primeira Epstola de So Pedro Primeira Carta de Pedro Apocalipse Apocalipse

    ou A Revelao De Deus A Joo Tabela 3 Ttulos dos livros bblicos

    Cabe observar tambm que, de modo geral, parece haver um nmero maior

    de subttulos no interior dos captulos dos livros bblicos da NTLH-Paulinas, se

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 145

    comparada BJ. Esses subttulos parecem ser mais um fator a exercer uma funo didtica e facilitadora, pois segmentam o texto bblico mais vezes, e, se comparados BJ, so expressos em uma linguagem mais simples e inteligvel. Vejamos alguns exemplos extrados do Evangelho de Joo, captulos 1-5:

    Bblia de Jerusalm Nova Traduo na Linguagem de Hoje (Jo 1) (Jo 1)

    -- A Palavra da vida O testemunho de Joo A mensagem de Joo Batista

    -- O Cordeiro de Deus Os primeiros discpulos Os primeiros discpulos de Jesus

    -- Jesus chama Filipe e Natanael (Jo 2) (Jo 2)

    As npcias de Can Jesus vai a um casamento A purificao do Templo Jesus vai ao Templo

    Estada em Jerusalm Jesus sabe o que as pessoas pensam (Jo 3) (Jo 3)

    O encontro com Nicodemus Jesus e Nicodemus Ministrio de Jesus na Judia. ltimo

    testemunho de Joo Jesus e Joo Batista

    -- Aquele que vem do cu (Jo 4) (Jo 4)

    Jesus entre os samaritanos Jesus e a mulher samaritana Jesus na Galilia Jesus cura o filho de um funcionrio

    pblico Segundo sinal em Can: cura do filho e um

    funcionrio real --

    (Jo 5) (Jo 5) Cura de enfermo na piscina de Betesda A cura de um paraltico

    Discurso sobre a obra do Filho A autoridade do Filho de Deus -- Testemunhos a favor de Jesus

    Tabela 4 Subttulos dos captulos

    importante observar que a BJ apresenta uma caracterstica organizacional interna dos livros bblicos bem diversa daquela da NTLH-Paulinas, pois, no interior desses livros, h divises e subdivises que englobam seus captulos,

    reunindo-os em sees e subsees temticas. O livro do Gnesis possui na BJ, por exemplo, as seguintes divises e subdivises temticas:

    - I. As origens do mundo e da humanidade (captulos 1-11): 1. Da criao ao dilvio; 2. O dilvio; e 3. Do Dilvio a Abrao;

    - II. Histria dos Patriarcas (captulos 12-36): 1. Ciclo de Abro; e 2. Ciclo de Isaac e de Jac; etc.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 146

    Tal estrutura , certamente, dirigida a um pblico-alvo j iniciado na cultura bblica, capaz de reconhecer os referenciais temticos, diferentemente daquele objetivado pelo projeto tradutrio/editorial da NTLH-Paulinas.

    A facilitao reflete-se em toda a macroestrutura da NTLH-Paulinas, inclusive na apresentao dos gneros literrios originalmente existentes nas Sagradas Escrituras. Isso ocorre, por exemplo, em uma passagem do Evangelho

    de Joo (Jo 1, 1-18), apresentada em forma de prosa na NTLH-Paulinas, ao invs de em forma de versos. A passagem oferecida em prosa parece promover uma leitura mais fluente para o leitor-alvo. J a BJ, reconhecida pela fidelidade aos originais, apresenta a passagem em forma de versos, como o evangelista Joo a

    concebeu, retomando um antigo hino que reproduz o relato da criao (Nota de rodap a, Bblia de Jerusalm, 2004, p.1842):

    Bblia de Jerusalm Nova Traduo na Linguagem de Hoje Jo 1, 1-3 Jo 1, 1-3

    No princpio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princpio, ele estava com Deus. Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito.

    Antes de ser criado o mundo, aquele que a Palavra j existia. Ele estava com Deus e era Deus. Desde o princpio, a Palavra estava com Deus. Por meio da Palavra, Deus fez todas as coisas, e nada do que existe foi feito sem ela.

    Tabela 5 Mudana de gnero literrio

    Outro ponto a ser mencionado o fato de todas as falas bblicas virem grafadas com travesses, como marca de dilogo, na NTLH-Paulinas. Essa estratgia grfica parece tambm cumprir o objetivo facilitador a que essa Bblia se prope, pois oferece uma disposio visual com mais quebras de pargrafo. Aliado a uma linguagem simples e fluente, o uso de travesses tende a aproximar a leitura da NTLH-Paulinas de um livro comum, como sugerem Archibald Woodruff e Rudi Zimmer em 5.1.2.4. Na verdade, na maioria das tradues bblicas mais tradicionais, como a BJ ou a AM, as falas costumam vir grafadas entre aspas, conferindo-lhes um aspecto de citao, como se pode verificar no

    trecho do Gnesis (Gn 3, 9-11) a seguir:

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 147

    Bblia de Jerusalm Nova Traduo na Linguagem de Hoje Gn 3, 9-12 Gn 3, 9-12

    Iahweh Deus chamou o homem: Onde ests? disse ele. Ouvi teu passo no jardim, respondeu o homem; tive medo porque estou nu, e me escondi. Ele retomou: E quem te fez saber que estavas nu? Comeste, ento, da rvore que te proibi de comer! O homem respondeu: A mulher que puseste junto de mim me deu da rvore, e eu comi!

    Mas o SENHOR DEUS chamou o homem e perguntou: Onde que voc est? O homem respondeu: Eu ouvi a tua voz, quando estavas passeando pelo jardim, e fiquei com medo porque estava nu. Por isso me escondi. A Deus perguntou: E quem foi que lhe disse que voc estava nu? Por acaso voc comeu a fruta da rvore que eu proibi de comer? O homem disse: A mulher que me deste para ser a minha companheira me deu a fruta, e eu comi.

    Tabela 6 Diagramao de dilogos

    5.2.3. Auxlios para o leitor

    Na obra da Paulinas Editora, h ainda uma terceira pgina divisria no mesmo estilo das pginas Novo Testamento e Antigo Testamento; trata-se da pgina divisria Auxlios para o leitor, j mencionada em 5.1.1, quando da apresentao dos paratextos da obra (v. anexo N). Tal pgina divisria pode ser encontrada ao final da publicao, com a finalidade de introduzir, separar e apresentar seus adendos (v. anexos J, K, L e M): Vocabulrio, Palavras de orientao e consolo, O que a Bblia diz sobre o perdo de Deus e Mapas.

    Os adendos da NTLH-Paulinas so simples, em pequeno nmero e propiciam fcil consulta, parecendo ir ao encontro do projeto didtico, evangelizador e simplificador da prpria Bblia. J os adendos finais da BJ, denominados Apndices, so mais complexos e sofisticados, certamente voltados para o catlico j iniciado nos estudos bblicos, com um bom nvel escolar, e que busca, na edio, um estudo aprofundado, a saber: Quadro cronolgico, As dinastias asmonia e herodiana, Calendrio, Lista de medidas e moedas, e Lista alfabtica das notas mais importantes. Esses Apndices da BJ no so separados ou destacados por pginas divisrias. Vejamos os adendos da NTLH-Paulinas em detalhe:

    (i) Vocabulrio: A estratgia pedaggica e simplificadora da NTLH-Paulinas reflete-se tambm no adendo Vocabulrio. Isso ocorre no apenas na

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 148

    prpria escolha da palavra vocabulrio, ao invs de glossrio (mais usual no meio editorial, porm, possivelmente, mais complexa para o pblico-alvo almejado), mas, tambm, na sua organizao grfica (v. anexo J).

    (ii) Palavras de orientao e consolo e O que a Bblia diz sobre o perdo de Deus: A estratgia evangelizadora da NTLH-Paulinas est ainda presente nesses adendos. Tal seo interage com o leitor. No primeiro adendo, por exemplo, o

    leitor direcionado a procurar apoio nos textos bblicos em situaes cotidianas. Trata-se de uma caracterstica inovadora em relao s Bblias de estudo (como a BJ) ou s Bblias mais tradicionais (como a AM); alm disso, a organizao e visualizao dessas partes bastante prtica.

    (iii) Mapas: Os 13 mapas na NTLH-Paulinas encontram-se todos reunidos ao final da publicao e possuem uma diagramao bem definida, clara, ampla e

    inteligvel, o que facilita a sua visualizao e consulta. J, na BJ, h menos mapas

    (apenas sete), os quais so menos ntidos e se encontram espalhados ao longo da publicao, dificultando sua consulta.

    5.3. Microestrutura

    Como a descrio microestrutural da obra remete-se traduo propriamente dita, apresentarei, inicialmente, algumas consideraes da SBB e de

    sua Comisso de Traduo acerca do projeto tradutrio original da NTLH, uma vez que seu texto final o mesmo da NTLH-Paulinas. Igualmente, tecerei, tambm, breves consideraes acerca do projeto tradutrio da BJ, Bblia utilizada como principal obra de confronto.

    5.3.1. Consideraes sobre o projeto tradutrio da NTLH

    Segundo a SBB, a NTLH mantm-se fiel aos textos originais, adotando a estrutura gramatical e a linguagem falada pelo brasileiro, com o objetivo de atingir o brasileiro de cultura mdia e um pblico de leitores que ainda no teve

    nenhum ou pouco contato com os textos bblicos, sendo, assim, indicada como ferramenta de evangelizao130. Vilson Scholz, consultor de traduo da SBB,

    130 Disponvel em Portal da SBB (A Linguagem de Hoje, Apresentao): .

    Acesso em: 21 abr. 2005.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 149

    acrescenta ainda que a NTLH uma traduo em linguagem comum [...] que o povo simples entende e que o povo culto aceita, ou seja, um meio-termo do portugus gramatical, sem grias, etc. Isso em termos tanto diastrticos131 quanto diatpicos132, ou seja, ela no traz regionalismos (Scholz, 2006).

    Quanto traduo propriamente dita, foi utilizado, como j mencionado, o princpio de equivalncia dinmica/funcional proposto por Eugene Nida, ao invs do princpio de equivalncia formal, encontrado em grande parte das tradues bblicas tradicionais 133.

    No artigo A arte de traduzir a Bblia (SOCIEDADE BBLICA DO BRASIL, 2001), publicado na revista A Bblia no Brasil, a SBB procura esclarecer, ao pblico, as caractersticas da NTLH que divergem de outras tradues, no que tange s diferentes abordagens tradutrias de equivalncia:

    Basicamente a diferena entre uma traduo como a de Almeida e a Nova Traduo na Linguagem de Hoje est nos princpios que nortearam o processo de verso. Na primeira foi utilizado o princpio de equivalncia formal, que procura seguir a ordem das palavras que pertencem mesma categoria gramatical do original. Ou seja, traduzir um verbo por um verbo, um substantivo por um substantivo e assim por diante. A segunda baseou-se nos princpios da equivalncia funcional ou dinmica, reproduzindo o sentido dos originais de maneira fluente, como a maioria da populao fala. (Ibidem, p.14)

    No processo tradutrio, foi adotado, tambm, o princpio de fluncia, favorecendo a realidade do pblico-alvo, e, conseqentemente uma estratgia domesticadora, pois, segundo Venuti, uma traduo dita fluente prontamente

    identificvel e inteligvel, familiarizada, domesticada (Venuti, 1995, p.5). Segundo a Comisso de Traduo da SBB, h trs princpios que definem

    uma boa traduo bblica (SOCIEDADE BBLICA DO BRASIL, 2001, p.14): (i) estar alicerada nos originais das Escrituras, em grego, hebraico e

    aramaico;

    (ii) compreender exatamente o que quer dizer o texto original a ser traduzido;

    131 Diastrtico: em termos de variao segundo a classe social dos falantes. Para maior

    detalhamento, ver: CALVET, L.-J., 2002. 132

    Diatpico: em termos de variao segundo a localizao geogrfica dos falantes. Para maior detalhamento, ver: Ibidem. 133

    Disponvel em Portal da SBB (A Linguagem de Hoje, Princpios da traduo): . Acesso em: 21 abr. 2005.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 150

    (iii) verter o sentido do texto original em linguagem clara, simples e natural, que seja entendida imediatamente pelo leitor.

    Werner Kaschel, membro da Comisso de Traduo da SBB e especialista

    em hebraico e estilo, afirma que uma boa traduo requer dupla fidelidade: ao texto original e linguagem falada hoje (Ibidem). Kaschel revela ainda que, durante uma tomada de deciso, isto , na escolha entre uma opo tradutria ou outra, a Comisso utilizou, na NTLH, os seguintes critrios com rigorosa ordem de preferncia (Ibid.):

    (i) fidelidade aos originais; (ii) clareza da mensagem traduzida;

    (iii) simplicidade da linguagem; (iv) estilo fluente e agradvel.

    A grande preocupao da Comisso de Traduo, segundo a SBB, foi comunicar a palavra sem que esta perdesse o estilo bblico (Ibid, p. 15); e para tal, foram necessrios 25 anos de trabalho com a primeira traduo134 e outros doze, para a finalizao da reviso e o lanamento da NTLH em 2000. O resultado

    desse trabalho envolveu a cooperao de especialistas em diversas reas e mais de quinze etapas, quinze das quais (v. anexo S) encontram-se listadas no portal da SBB.135

    Segundo a Comisso de Traduo, desde o lanamento do NT na TLH, em 1973, at a finalizao da NTLH, em 2000, o projeto sofreu vrias etapas (Ibid):

    (i) completa reviso do NT, a partir do original grego, visando uma melhor adequao no que se refere lngua portuguesa;

    (ii) completa reviso do Livro dos Salmos a partir do original hebraico, buscando manter, ao mximo, o seu estilo potico;

    (iii) simplificao de construes gramaticais ainda complexas, encontradas ao longo de toda a Bblia;

    (iv) troca da designao relativa a Deus, no AT, de Deus Eterno ou Eterno para SENHOR Deus, Deus, o SENHOR, ou

    134 Inclui-se aqui a TLH e a BLH.

    135 Disponvel em Portal da SBB (Comisso, Fases da traduo): . Acesso

    em: 21 abr. 2005.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 151

    simplesmente, SENHOR, visando aproximar a NTLH do texto encontrado na maioria das tradues bblicas brasileiras;

    (v) transferncia de vrias notas de rodap para o corpo do texto da Bblia.

    Segundo Selma Junia V. Giraldi, integrante da Comisso de Traduo da SBB e especialista em estilo e facilidade de compreenso da linguagem, a NTLH

    uma traduo no s de uma equipe, [mas] tambm dos consultores de traduo e de todos os leitores da Bblia que contriburam para o seu aprimoramento enviando-[lhes] sugestes. Todos os livros foram traduzidos, revisados e lidos em voz alta para que [fosse encontrada] a melhor maneira de comunicar a Palavra. (Ibid., p.15-16)

    Tambm foram realizadas pesquisas de campo em feiras e supermercados, para observar o uso coloquial de determinadas expresses e retrat-las, com exatido,

    na NTLH (p.16). Como se pode constatar pelo discurso da SBB, a NTLH passou por um

    rigoroso processo tradutrio, seguindo estratgias, etapas e critrios bem definidos, a fim de produzir um texto final fluente e com linguagem facilitada.

    5.3.2. Consideraes sobre o projeto tradutrio da BJ

    Como anunciado desde o captulo 1, a BJ foi selecionada como obra de confronto neste estudo. No entanto, importante ressaltar algumas das questes que concernem as estratgias tradutrias da BJ, a fim de contrast-las com as

    estratgias adotadas pela Comisso de Traduo da NTLH. Segundo a equipe de traduo, na nova edio, revista e ampliada da BJ, lanada em 2002, buscou-se

    reduzir a diversidade de tradues que certos termos ou expresses idnticas do original recebiam por vezes nas edies precedentes. Todavia [levou-se] em conta a amplitude de sentido de certos termos hebraicos ou gregos, para os quais nem sempre possvel encontrar um equivalente nico em portugus. Tambm [levou-se] em conta as exigncias do contexto, sem esquecer que uma traduo servil e demasiadamente literal freqentemente pode ser imperfeita na reproduo do sentido real de uma frase ou de uma expresso. Entretanto, os termos tcnicos cujo sentido unvoco [foram] sempre traduzidos pelo mesmo equivalente em portugus. (Observaes, Bblia de Jerusalm, 2004, p.13)

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 152

    Embora a abordagem utilizada demonstre cautela em relao a um exagerado uso de equivalncia formal, como vimos acima, a BJ no adota a equivalncia dinmica/funcional como abordagem tradutria. Segundo sua equipe de traduo, quando necessrio [preferiu-se] a fidelidade ao texto a uma qualidade literria que no refletiria a do original (Ibidem); tal qualidade literria, certamente, refere-se aqui a um texto-meta fluente e domesticado. Assim,

    em certas ocasies, adota-se, na BJ, uma postura bem mais estrangeirizante e menos fluente do que na NTLH. Um trao estrangeirizante seria, por exemplo, a adoo da forma Iahweh para referir-se a Deus, o que, segundo Konings (2003, p.229), um forte exemplo da linguagem intelectual da BJ e de seu distanciamento da assemblia na tradio litrgica, como se pode notar nesta passagem do livro do xodo: Iahweh disse a Moiss: Sobe a mim na montanha, e fica l; dar-te-ei tbuas de pedra a lei e o mandamento que escrevi para ensinar a eles (Ex 24, 12, Bblia de Jerusalm, 2004, p.137).

    5.3.3. A descrio microestrutural da NTLH-Paulinas

    Neste estudo, procurarei realizar uma breve descrio microestrutural do

    texto final da NTLH-Paulinas, analisando algumas das selees lexicais, padres gramaticais e estratgias tradutrias. Como j anunciado anteriormente, utilizarei a sigla NTLH, ao longo da anlise microestrutural do texto bblico traduzido, uma vez que se trata da traduo em si, isto , do texto preparado pela SBB e adotado pelo projeto editorial da Paulinas Editora.

    A partir da descrio de vrios trechos do Evangelho de So Marcos extrados da NTLH, contrastados com a BJ, ser possvel constatar o uso de uma linguagem efetivamente simples, atual e coloquial, identificada, sobretudo, com a oralidade. A fim de atingir a fluncia desejada, foram utilizadas diferentes estratgias de domesticao do texto bblico, como procurarei descrever a seguir.

    Durante a descrio, nos casos em que houver necessidade de maiores

    explicaes ou contrastes, apresentarei, como j informado, trechos da Bblia AM, considerada a traduo mais popular entre os catlicos no Brasil 136.

    136 Disponvel em: < http: pt.wikipedia.or/wiki/Bblia_da_Ave_Maria>. Acesso em: 04 nov. 2006.

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 153

    Apresentarei, a seguir, alguns exemplos de estratgias tradutrias utilizadas ao longo da NTLH, segundo nomenclatura por mim elaborada ou adotada pelos tericos Peter Newmark (1988) e Antoine Berman (2000). Os trechos analisados e comparados so especificamente aqueles destacados em negrito.

    5.3.3.1. Uso de equivalentes funcionais/descritivos

    A fim de obter uma maior compreenso da mensagem bblica por parte do pblico-alvo, foram removidos traos culturais marcantes da cultura-fonte e do contexto histrico, possivelmente desconhecidos do leitor contemporneo,

    especialmente aquele com um nvel de instruo baixo ou desprovido de conhecimento bblico.

    Podem-se encontrar diversos exemplos do uso de equivalentes funcionais e descritivos na NTLH. Segundo Newmark (1988, p.83-84), um equivalente funcional neutraliza ou generaliza um termo ou palavra cultural da lngua-fonte e, por vezes, adiciona-lhe um dado explicativo. Tal dado explicativo pode ser

    inserido atravs do chamado equivalente descritivo. Na verdade, o que ocorre uma desculturalizao do termo (Ibidem, p.83), um procedimento que fica a meio caminho entre duas lnguas e culturas. Abaixo, encontram-se alguns exemplos desse procedimento, extrados do Evangelho de Marcos e voltados a personagens bblicos e termos/expresses culturais:

    Bblia de Jerusalm Nova Traduo na Linguagem de Hoje publicanos cobradores de impostos (Mc 1, 16) escribas mestres da lei (Mc 12, 38)

    Sumo Sacerdote Grande Sacerdote (Mc 14, 47) Sindrio Grande Conselho (Mc 14, 55) centurio oficial do exrcito romano (Mc15, 39)

    Tabela 7 Uso de equivalentes funcionais/descritivos para personagens bblicos

    Bblia de Jerusalm Nova Traduo na Linguagem de Hoje Jesus lhes respondeu: Dai-lhes vs mesmos de comer. Disseram-lhe eles: Iremos e compraremos duzentos denrios de po para dar-lhes de comer? (Mc 6, 37)

    Mas Jesus respondeu: Dem vocs mesmos comida a eles. Os discpulos disseram: Para comprarmos po para toda esta gente, ns precisaramos de duzentas moedas de prata. (Mc 6, 37)

    Tabela 8 Uso de equivalentes funcionais/descritivos para termos/expresses culturais

    DBDPUC-Rio - Certificao Digital N 0510560/CA

  • 154

    Bblia de Jerusalm Nova Traduo na Linguagem de Hoje Ele respondeu: Nunca lestes o que fez Davi e seus companheiros quando necessitavam e tiveram fome, e como entrou na casa de Deus, no tempo do Sumo Sacerdote Abiatar, e comeu dos pes da proposio, que s os sacerdotes podem comer, e os deu tambm aos companheiros? (Mc 2, 25-26)

    Jesus respondeu: Vocs no leram o que Davi fez, quando ele e os seus companheiros no tinham comida e ficaram com fome? Ele entrou na casa de Deus, na poca do Grande Sacerdote Abiatar, comeu os pes oferecidos a Deus e os deu tambm aos seus companheiros. No entanto, contra a nossa Lei comer desses pes; somente os sacerd