SVU VTIIQISIH - dspace.uevora.pt - 1808... · Eliane Cristina Deckmann Fleck Elaboração dos...

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    Lin

    (siio)J1S 91?S!0IHLTflMTUP.LO1

  • Ensaios de

    Histria das Cinciasno Brasil

    das iiiZC L nao independente

    Lore.iai Kury e Heloisa Cesteira (orgs.)

    eJiuerj

    Rio de Janeiro2012

  • Copyright 2012, dos autores 1 S uiiuoTodos os direitos desta edio reservados Editora da Universidade do Estadodo Rio de Janeiro. proibida a duplicao ou reproduo deste volume, ou 1de parte do mesmo, em quaisquer meios, sem autorizao expressa da editora.

    EdUERJEditora da UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRORua So Francisco Xavier, 524 Maracan PREICIo: O Rio I)EJANEIRO E o Ai LNIICO 7CEP 20550-013 Rio de Janeiro RJ

    Felipe de AlencastroTel./Fax: (55)(21) 2334-0720 / 2334-0721

    APRESENTAO 11Lorelai Kurv e Helinsa (teirtEditor Executivo halo Moriconi

    Assessoria Editorial Fabiana Farias e Renato Alexandre de SouzaPiui, 1 -\ IlFh I)I (1 I{ NO [3H SIl VNIIU N( )VOS E \ II 1 iO4 BiRF:sCoordenador de Publicaes Renato Casimiro

    Coordenadora de Produo Rosania RolinsCoordenador de Reviso Fbio Flora SOBRE LICORES E XAROPES: IRTICAS CURATIVAS E EXPERIMENIAIISMOSReviso Andra Ribeiro e Shirley Lima JESUTICOS NAS REDUES DA PROVNCIA JESUFICA DO P\Io\C..\ICapa, Projeto e Diagi-amao Carlota Rios (sEcuLos XVII-xVIll) 17

    Eliane Cristina Deckmann Fleck

    Elaborao dos mapas: RUMO AO BRASIL: A TRANSFERNCIA liA CORIE E AS NOVAS IRIL IAS DOLorelai Kury [Fiocruz - RJ] e Ana Rosa de Oliveira IJBRJ] PENSAMENTO MEDICO 31Xico Costa [Atlas histrico de cidades - UFBAI

    ivfrcia Moiss Ribeiro

    Os DILEMAS DA 1115 I()RIA SOCIAL DAS CINCIAS NO BR\SIL: AS AIO ES DE CURARCATALOGAO NA FONTE NO INCIO DO SCULO XIX 41UERJ!REDE SIRIUSiNPROTEC Betnia Gonalves Figueiredo e (Jrueiela de Souza Oliver

    G633 Ensaios de histria das cincias no Brasil: das Luzes nao 1 Piii 11 A IlCI i ( IDI)I 1)1) RK) 1)1 J.\\IIH()independente / Lorelai Kury, Heloisa Gesteira, orgs. Riode Janeiro : EdUERJ, 2012.328 p. As ARTES DE CURAR E A FISICATURA-MOR NA EPOCA DE D. JOO VI 53Seminrio As Cincias no Brasil no Perodo Joanino, Tnia Salgado Pimenta

    realizado de 17 a 20 de agosto de 2008.ISBN 978-85-7511-239-7 O JARDIM BOTNICO DO Rio DE JANEIRO E AS RAISAGENS IT\ CORTE 65

    1. Cincias Hista Brasil. 1. Ku, relai. II. Gestea, 1 Ana Rosa de OliveiraHeloisa. 1. Seminrio As Cincias no Brasil no Perodo Rio DE JANEIRO JOANINO: ENTRE O MAR E O MANGUE 85Joanino (2008 : Rio de Janeiro)

    Lorelai KurCDU 001(091)(81)

    Pwii III I\\I.[Ios i: i ii l/.\(O i. vo m.i

    INSTEI CTI() PEREGRINATORIS. ALGUMAS QUESTES REIlREN1ES AOS MANUAISPORTUGUESES SOBRE MTODOS DE OBSERVAO FILOSFICA E PREPARAO DE

    A produo deste livro contou como apoio do Museu de PRODUIOS NATURAIS DA SEGUNDA METADE DO SCULO XVIII 115Astronomia e Cincias Afins (Mast).

    !vlagiius Roberto de Mello Pereira e Ana Leui Roclui Brbalho da Cruz

    O COLECIONISMO CIENTFICO EM POREICAL NOS FINAIS DO ANTIGO Ra;TSIE (1768- 18D8) 135Joo Carlos Brigola

  • A FABRICA:O DA PLVORA E 1RABALI lOS SOBRE O SALITRE: PORTUGAL E BRASILDE FINAIS DO SCULO XVIII S PRIMEIRAS DCADAS DO SCULO XIX 153MLTCIU 1 Iclcna Mendes Ferraz

    INSTRU;ES E IMPRESSES TRANSIMPERIAIS: HIPLITO DA COSTA, CONCEIO

    Viioso E A CINCIA JOANINA 167Ndil Safier

    NATURALISTA L HOMEM PBLICO: A TRAJETRIA DO ILUSTRADO MARTIM FRANCISCO

    RIBEIRO DE ANDRADA (1796-1823) 181Alex Gonaives Varela

    Piii IV \ (II\([S \ ( (DSIIUC\() I)() I[HIuIm() I)() BR\SlI.

    As CINCIAS E A CONSTRUO DO TERRITRIO DO BRASIL 195

    I3eatriz Piccoiow) Siqueira I3uen()

    INSTRUMENTOS MATEMTICOS E A CONSTRUO DO TERRITRIO: A MISSO DE

    DIoGo SOARES E DOMINGoS CAPASSI AO BRASIL (1720-1750) 207Heioisa Cesteira

    CINCIA E PODER IMPERIAL NO G1o-PAR: DA EXPANSO DESCONSTRUO(1750-1840) 225

    Neison Sanjad

    CULFURA CARTOGRFICA E GESTO TERRITORIAL NA POCA DA INSTALAO DA

    CORFE IORTUGUESA 239ris Kantor

    VIAGENS E VIAJANTES EUROPEUS E DESCRIES DC) BRASIL: A CORRESPONDNCIA

    DE LEOPOLDINA E O PARADISACO BRASIL 251ngeia Doiningue.s

    PlIII V Ir\sIII11(Is E IVIH\S

    PICEUGAL-BRASIL, 1808. TRNSITO DE SABERES 267Maria de Ftima Nunes

    NATUREZA, CINCIA E POLTICA NO MUNDO LUSO-BRASILEIRO DE INCIOS

    DO SCULC) XIX 281Guilherme Pereira das Neves

    A INSTITUCIONALIZAO DAS PRTICAS CIENTFICAS NA CORTE DC) RIO DE JANEIRO 293Maria Rachei Fres da Fonseca

    A GNESE MODERNA DO ARTIGO DE FUNDO E DA CAMUNHA DE IMPRENSA:o C( )RREI() BRAZIHENSE ou ARMAZEM LUFERARIO 307Jos Augusto dos Santos Alves

    SOBRE OS AUTORES 323

  • O COLECIONISMO CIENTFICO EM PORTUGALNOS FINAIS DO ANTIGO REGIME (1768-1808)

    Joo Carlos Brigola

    1A.natureza imperial de Portugal, aliada a um tradicional desconhecimento de seus

    recursos naturais, metropolitanos e coloniais, concitara geral curiosidade e expectativainternacional face criao e conduo (a partir da dcada de sessenta do sculoXVIII) dos estabelecimentos museolgicos lusitanos a cargo de um naturalista italianode reconhecida craveira e com uma urea de prestgio e respeitabilidade que lhe advinhada condio de correspondente linneano.

    Domingos Vandeili (1735-1816) no ter frustrado as expectativas alimentadasentre amadores, sbios e instituies acadmicas e cientficas, num espectro geogrficoque poderamos com propriedade designar de Europa das Luzes (da Pennsula Ibrica Rssia), mantendo uma ativa relao epistolar com mais de quarenta personalidades de11 nacionalidades diferentes. A internacionalizao das relaes cientficas e museolgicas, institucionalmente cumprida pelo diretor do complexo da Ajuda, no pode seromitida quando avaliados os contributos nacionais para a formao do campo disciplinarda histria natural setecentista. Da que a participao de nossos naturalistas no possaser reduzida produo terica de modelos explicativos rea em que naes perifricas,como as peninsulares, no se distinguiram , mas necessariamente alargada circulaoe divulgao quer de instrumentos intelectuais do conhecimento (informaes sobrenovas espcies, pareceres cientficos, notcias sobre publicaes e atividades de museuse jardins etc.), quer de objetos naturais exticos imprescindveis construo do grandeCatlogo da natureza e afirmao de novos paradigmas disciplinares.

    Uma avaliao mais alargada desse fenmeno haveria que contemplar o papel desempenhado por personalidades comoJoo de Loureiro, Jacinto de Magalhes, Correia da Serra, Brotero ou o prprio Sousa Coutinho. No entanto, Vandellicumpre aqui um papel institucional, continuado e persistente, que se reveste de uma natureza muito particular. Umdado interessante para se equacionar em toda a sua extenso essa sociabilidade cientfica europeia, tomando nossosprodutos naturais como tema, a troca de informaes entre viajantes de diferentes nacionalidades, como no casocomprovado do ingls J. Banks e do prussiano Link: Ii [Link] sen retourna chez lui, par la voie de lAngleterre. ALondres, il compara les plantes Portugaises avec lherbier du ChevalierJoseph Banks (Link, 1809-1820, p. 4).

    *1

  • 136 ENsws m I-lIsTRi pis CLNciss xo 8itsp. (1 colocionismo eienffico em Por(ugal nos finak cio Anio Ilegimeti768-1808) 137

    Desse modo, cumpria-se o papel desempenhado pelos estabelecimentos da Ajuda natendncia ento iniciada de inundializao da cincia (Figueira, 1998) , como acentua umautor que sinaliza bem o lugar de Lisboa na comunidade cientfica de finais dos Setecentos:

    From this correspondence it can be seen that the Ajuda Palace Gardens served as aciearing house or entrept between Portugal, its Overseas Territories and northemEurope. The Vandeili papers [...1 demonstrate the connections maintained withother European institutions and individuais concemed with exchanging specimensand seeds only obtainable from Africa or Brazil. Lisbon was the vital intermediaryfor northern European naturalists who wanted to study rare specimens from tropicalBrazil or Africa (Simon, 1983, p. 51).

    No decorrer do perodo entre o post-pombalismo (1777) e a pilhagem perpetradapor Saint-Hilaire (1808), mantm-se os temas presentes na correspondncia vandelliana dos anos sessenta e setenta, num pano de fundo em que prevalece a prtica dereciprocidade e colaborao entre personalidades e instituies. Esses valores, exaltadoscomo inviolveis pela comunidade de savants, mesmo numa Europa j dilacerada pelaguerra revolucionria, s sero interrompidos em 1808 (no caso portugus), quando tradicional permuta se sobrepuser a estratgia do saque organizado pelo Estado napolenico, com a interessada participao de seus mais ilustres cientistas.3

    As vantagens de um intenso intercmbio cientfico com Lisboa so incessantementerecordadas pelos mais diversos correspondentes de Vandelli. Talvez a melhor ilustraodesse esprito de curiosidade sobre nossos recursos naturais esteja contida em cartade Thomas Pennant (1726-1798), tpico gentleman-naturalist, incansvel organizador,popularizador e promotor do estudo da histria natural nas ilhas britnicas.4Os laosde sociabilidade que o unem ao paduano devem-se seguramente interferncia de umcolecionador ingls a residir em Lisboa desde o consulado pombalino, Gerard de Visme,que se prontifica a verter-lhe os pedidos ingleses para a nossa lngua:5

    Serei pois infinitamente obrigado ao Sr. Vandeili p. hua Lista dos Peixes que habito osMares ou Rios de Portugal [...] No ficarei menos agradecido p. hua Lista das Conchasmaritimas de Portugal. [...] Por fim serei igualmente seu devedor, se me mandar hualista das arvores ou plantas das India ou do Brazil q. se naturalizo em Portugal. [...]Tenha a bondade de me dizer que mimo quer dInglaterra, pois me esmerarei m.to para

    lho procurar. Seria muito contente de receber huas amostras das pedras ou marmoresdo Cabo da Rocca ou do Cabo Espichel [...] Quereria o Sr. Vandelli hua Coilecodos Fosseis e mineraes Britannicus ? Dezejo saber se o Salmo Salar frequenta algunsrios de Portugal, e em q. e mez.6

    A anlise dessa abundante correspondncia com personalidades e instituies

    Real Jardim Botnico de Madri; Jardim do Rei e Sociedade Real de Agricultura, em

    Paris; Jardim da Universidade de Montpellier; Jardim Real de Kew e Royal Society,

    em Londres; Academia das Cincias de Bolonha; Jardim Botnico de Vicenza; Jardim

    Botnico e Museu de Histria Natural de Turim; Jardim e Museu de Histria Natural

    do Eleitor do Palatinado, em Florena; Universidade de Amsterd; Universidade de

    Viena de ustria; Sociedade Econmica de Saxe, em Leipzig; Universidade e Jardim

    Botnico de Copenhague; Museu da Universidade de Upsala; Real Sociedade Patritica

    de Estocolmo; Museu do Imperador da Rssia; e Academia Imperial de Petrogrado

    permite traar um quadro de solicitaes muito amplo que vai desde o pedido para que

    o Jardim de Sua Magestade Fidelssima fornea uma espcie floral bastante rara

    coleo botnica de um jardim da aristocracia inglesa7ou para que o museu envie para

    a Escandinvia toutes les diferentes mines et pierres qui on tire du Portugal et de ses

    riches possections [sici dans les deux Indes.8

    H, finalmente, um significativo caso de correspondncia cientfica elevada a

    poltica de Estado, em que os protagonistas mais visveis so governantes e diplomatas.

    A passagem por Portugal dos naturalistas alemes Heinrich Friedrich Link e Hoff

    mannsegg, numa viagem filosfica que se prolongaria de 1797 a 1800 haveria de

    deixar indelveis marcas em suas vidas e em suas obras, aproximando-os intelectual e

    afetivamente de Portugal. Link, com a aclamada parceria botnica de Brotero, aqui

    2 Ver tambm alguns dos textos publicados em Mundializacin de ia ciencia y cultuTa nacional (Actas dei CongresoInternacional Ciencia, Descubrimiento y Mundo Colonial), nomeadamente Sarmiento e Bueno (1993).O filho de Geoffroy Saint-Hilaire, Isidore, em obra panegrica, dir que o pai pautava seu comportamento por umamxima, II se posa pour rgle de conduite cette maxime. Les sciences ne sont jamais en guerre, e citava o casodo general Kleber, chefe do exrcito no Egito, que, sabendo que Geoffroy mantinha correspondncia com o inglsJoseph Banks, lhe ter dito: Je vois cette correspondance avec satisfaction; ce commerce rciproque de lumires estimportant pour la science, et les guerres politiques ne doivent jamais linterrompre (Saint-Hilaire, 1847, p. 171).Cf. Umess (1981). Era scio da Academia de Upsala e da Royal Society.Muito sinto no poder escrever a VM. no Idioma Portuguez, mas pedi ao Sr. De Visme de lhe explicar a minhapreciso, e de receber de VM. as listas acima mencionadas (Carta de Thomas Pennant a Domingos Vandelli.Londres, 29 de maro de 1787. Arquivo Histrico do Museu Bocage, CE/P -37).

    6 Carta de Thomas Pennant a Domingos Vandelii. Londres, 29 de maro de 1787. AHMB, CE/P -37. Existe umaprimeira carta, em ingls, datada de 5 de junho de 1786. AHMB, CE/P -36.

    Avendo raccolte molte curiosit botaniche, e sopra tutto facendo grandissima stima dcl merito insegne di V.S. mimanda di riverderla distintamente delia sua parte, e di pregarla di favorirla com certe spezie di Gigli e PannerazyBraziliani che non si pu aver che dai giardino di Sua Maest Fedelisaima dei quale V S. com tanto applauso e felicita incaricato. In vece loro, prega a V. S. la sopradetta Signora, di voler bem aggradir alcune piante delle piui rare chetiene nella sua raccolta, come la Cameliia Japonica 1...]; e qualchaltre, che forse non si trovono nel giardino di suaMaest (Carta de Frederic North a Domingos Vandelli. Lisboa, 4 de junho de 1788. AHMB, CE/N -5). Trata-sedo futuro conde de Guilford (1766-1827) falando em nome da tia Henriette North (m. 1796), mulher de BrownlowNorth (1741-1820), bispo de Winchester. Noutra carta, North invocar a comum amizade com J. Banks: Votrebont mest trop bien connue, Monsieur, pour que je puisse me refuser la demande que, mon respectable ami lechevalier Banks ma fait de vous presenter Monsieur le General Roy, notre celebre tngenieur quil a charg de quelquecommissions physiques et botaniques, Lisbonne (Carta de Frederic North a Domingos Vandelli. Londres, 6 defevereiro de 1790. AHMB, CEIN -6).

    6 Carta de Andr Christoffersson a Jlio Mattiazzi [Domingos Vandelli]. Estocolmo, 24 de novembro de 1789. AHMB,CE/C -24. Identifica-se como mdico do rei da Sucia.

    Link, rappel ses devoirs par la place quil occupe, ne pur sarrter plus long-tems en Portugal e regressa Prssiana Primavera de 1799. Quanto ao conde de Hoffmannsegg (do Reino do Saxe), mitre de ses loisirs, manter-se-em Portugal at setembro de 1800.

    Um dos mais credveis livros de viagem a Portugal no sculo XVIII precisamente o que Link escreveu, em trs volumes:Voyage en Portugal depuis 1797 jusquen 1799 (1803, t. 1-2; 1805, t. 3). Existe, igualmente, uma verso inglesa.

    Link esclarece o modo como se ter processado essa colaborao entre os dois botnicos, criticando as insuficinciasda obra que Brotero publicara em 1804 (Flora lusitanica) e justificando assim a necessidade cientfica de sua prpriaobra (Cf. Flore porrugaise, 1809, p. 6).

    1

  • 138 ENsuos DE 1I1TTOA DAS CiNC[is AO J.ssL O eolecionismo ientffieo em iortug: nos r,nais do Srnizo lleimc 68-Jo8 . 139

    recolheu material e informaes vegetalistas com que haveria de desenhar sua monumental e muito bela Flore portugaise (18O9182O).12

    O Conde Jonhann-Centurius Von Hoffmannsegg (1766-1819), por seu lado, manter uma viva ligao cientfica a Portugal que lhe valer alguns excepcionais privilgios,o maior dos quais ter sido a abertura de uma porta at ento interdita a estrangeiros:

    Foio primeiro Estrangeiro, a quem em Portugal se permittio mandar ao Par Sieber,3seu Ajudante. Este Naturalista demorou-se oito annos no Brazil, e o producto dasua Expedio frma grande parte do Museu de Histria Natural da Universidadede Berlim, e da Colleco entomologica do Conde Hoffmannsegg, preciosa pela suariqueza e pelo seu arranjamento systematico,4

    , pois, no rasto dessa frutuosa passagem finissecular que se envolvem nossos responsveis polticos e diplomticos, no espantando por uma vez mais o protagonismodemirgico de um Sousa Coutinho louvando e acarinhando relaes privilegiadas coma comunidade cientfica europeia:

    O Principe Regente Nosso Senhor, Desejando que os Sabios dos Seus Reynos se communiquem com os dos outros Payzes, no s para augmento das Luzes Nacionaes, mastambem para que os Estrangeiros conheo o estado de melhoramento das mesmas,H Servido Remetter a V M.ce a Copia do Paragrafo do Officio do Embaixador dos

    12 Flore portugaise ou description de toutes les plantes qui croissent naturellement en Portugal avec figures colories, cinqplanches de termtnologie et une carte par J. C. de Hoffrrsannsegg ancien officier aux gardes du corps de Sa Magest leRoi de Saxe. Obra em dois tornos. O primeiro de 1809 e apresenta Link como Professeur de Botanique et deChimie a lUniversit de Rostok. O segundo datado de 1820 e o autor j dado corno Professeur de Botanique lUniversit de Berlin et Directeur du Jardin des Plantes. No prefcio ao primeiro tomo, afirma: Le sol Lusitanien ayant t dans ces derniers tems presqentirement nglig par les Botanistes, ils ignoraient ses productions[...]. Vandelli navait publi que peu dOuvrages, nullement libres derreurs. 1...] Cest dans cette dernire vilieICoimbra] que nous emes lavantage de faire la connaissance du clbre Professeur de Botanique Felix AvellarBrotero, et bientt une troite amiti nous lia cet aimable Savant. II devint le compagnon de nos travaux, carce fut lui qui guida nos recherches jusque dans les recoins les plus cachs du vallon dlicieux quarrose le Mondego[,..]. Brotero dir dessa obra, justificando a compra do segundo tomo para a Biblioteca do Real Museu e JardimBotnico da Ajuda: Flora Lusitanica = que foi addicionada sobre a minha, impressa em Alemanha com beilasestampas, e magnifica edio in folio magno (Resposta de Flix de Avelar Brotero a uma portaria do ministroFilipe Ferreira de Arajo e Castro. 16 de novembro de 1822. Arquivo Nacional Torre do Tombo, Ministrio doReino, mao 444, cx. 555, 1821.1833).Franz-Wilhelm Sieber viajar igualmente por Egito, Palestina, frica do Sul e Nova-Hoanada. Seu nome foiconservado na nomenclatura botnica, no gnero Omhellifera, designada Sieberia.

    14 Jos Feliciano de Castilho. Instrucao para os viajantes f. .1 e precedida de algumas reflexes sbre a historia natural doBrazil, e estabelecimento do museu e jardim botnico em a Crte do Rio de Janeiro, 1819, p. XXIV. Essa autorizao,contudo, impunha a doao de parte das colees recolhidas no Brasil ao nosso Real Museu. Houve nessa questoalguma controvrsia entre as autoridades portuguesas e o conde naturalista, que Oeoffroy Saint-Hilaire pretendeuregular a favor do Musum, em 1808, da maneira que narra: Jai employ cette journe visiter les collectionsde M. le comte dHoffmmansegg. II ne reste Lisbonne que la moindre partie de ce qu a t recueilli par M. lecomte [...] Cependant jai vu l une caisse pleine de magnifiques insectes, dont il y a 10, 30 ou 50 doubles. Jyai aussi une douzaine doiseaux, que ne vous fourniront pas les coilections dAjuda, et une cinquime espcede coaita. Jai craint un instant que les rclamations de M. Sieber, agent de M. de Hoffmannsegg, ne portassentsur la plupart des caisses presque entires des magasins dAjuda; la condition a t esquive pour la trs grandemasse de ses caisses envoyes directement dans la Baltique. Deux ont t saisies la douane et arrtes commecautionnement de la parole et des engagements de M. dHoffmannsegg, jai rgl que les deux caisses seraientrestitues sous la condition que M. Sieber donrierair un double de ces casses ou des six quil a chez lui; ces doublesme reviendront; si je ne ies ai dej pas, mais du moina M. Hoffmannsegg ne sera priv daucun unique et aura 49doubles sur les 50 quon lui rapporte (O. Saint.Hilaire, Lettre aux professeurs-administrateurs du Musum, apudHamy, 1908, pp. 1 e ss.).

    Negocios desta Corte na de Berlim, a fim de que V. M.ce possa seguir hua Correspon

    dencia scientifica com os dous Botanicos nelle contheudos.5

    Por isso se insinua aqui e ali um tratamento de privilgio corte de Berlim: uma

    Relao de sementes que chega do Par repartida entre o Jardim da Ajuda e o de Coim

    bra, sendo que o resto deve aqui ser entregue ao Ministro de Prussia [...J a fim de queelIe as possa enviar para a sua Corte [...] e V. M.ce ter o cuidado de fazer acompanharestas Sementes com as Descripes, e noticias, que sirvo, para as fazer conhecer;6

    um caixote de sementes vindas do Rio de Janeiro chega Ajuda para ser entregue ao

    consul da Prssia, o Sr. Petters que tem ordem para as enviar ao Jardim Botanico de

    i7 ou, finalmente, um caixote com sementes de plantas silvestres enviado

    do Maranho e do Cear (a cargo do naturalista Joo da Silva Feij) com destino ao

    jardim berlinense.8

    Pelo seu lado, os alemes interpretaro com rigor o conceito de permuta, apres

    sando-se em pagar tamanha amabilidade naturalista enviando ao prncipe regente um

    presente excepcionalmente belo que enriquecer as colees ornitolgicas da Ajuda:

    Ser entregue a V. M.ce hua caixa, que contem hua colleco completa de Passaros

    do Norte da Europa, offerecida de presente a S. A. R. o Principe Regente, pelo Conde

    de Hoffmannsegg [...].Junta achar hua Cpia da Relao que me remetteo o Conde

    [...] com os nomes dos Passaros, e seus respectivos N. s.19

    2

    O ncleo mais numeroso e persistente dos correspondentes do diretor do Real

    Museu e Jardim Botnico da Ajuda francs (Seguier, Cusson, Gouin, Thouin, Nolin,

    Renault, Broussonet, Heritier, Jussieu e Gerard) e provm fundamentalmente de seus

    mais prestigiados centros de investigao naturalista, como os parisienses Jardim das

    Plantas (Musum dHistoire Naturelie a partir de 1793) e Sociedade Real de Agricultura,

    ou o Jardim Botnico da Universidade de Montpellier.

    Tal fato necessita ser devidamente enfatizado como fundamento documental

    ideia que deixamos acima apenas enunciada, isto , a de que a convivncia entre as

    duas comunidades cientficas se pautou durante dcadas pelo mais escrupuloso respeito

    das regras de respeito mtuo e pela prtica do intercmbio de informaes, de servios

    e de produtos.

    13 Carta de D. Rodrigo de Sousa Coutinho a Domingos Vandelli. 3 de janeiro de 1803. AHMB, Rem -609.16 Carta do Visconde de Anadia a Domingos Vandeili. 19 de dezembro de 1803. Livro de registo dos decretos. Museu de

    Cincia da Universidade de Lisboa (MCUL). Livro de registo dos decretos (1804), MCUL.

    Cf. Lkro de registo dos decretos (1803), MCUL. Ver tambm Joo da Silva Feij, Relaa das sensentes das plantas agrestes daCapitania do Ceara destinadas ao Real Jardim Boranico de Berlim recebidas em 5 de setembm de 1803, AHMB, Rem. -609.

    IS Carta do Visconde de Anadia a Domingos Vandelli. 1 de outubro de 1806. Livro de Registo dos Decretos, MCUL.

  • 140 Esuos tu: EIISTIuA Bis Cici is NO Iiitssii.

    Esse quadro ser radicalmente alterado quando, por iniciativa dos professores-administradores do Musum dHistoire Naturelie, o ministro do Interior francs, EmmanuelCrtet (1747-1809) _20 depois de obtida a imediata anuncia do prprio Bonaparte ,

    dada por Junot, tienne Geoffroy Saint-Hilaire (1772-1844) cumprir com minciaprofissional o programa de que vinha cometido: selecionar, acondicionar e remeterpara a Frana todos os espcimens naturais (e a respectiva documentao escrita eiconogrfica disponvel) em falta nas colees parisienses. Ou seja, obter numa nicaincurso a partir de uma posio de domnio poltico e militar um cobiado patrimnio cientfico e museolgico de provenincia tropical, impossvel de adquirir pelosmtodos normais utilizados em tempo de paz.22

    O fato de que justificaes mais ou menos desculpabilizadoras se tenham depoisformulado, ao longo dos anos alegando uma atitude de generoso servio prestado cincia e a um museu mal organizado e pior dirigido _,23 no pode, todavia, esconder o essencial deste lamentvel episdio: a condenvel conivncia da elitenaturalista francesa com a depredao de recursos nacionais alheios,24 resultado de

    20 Conde de Champmol, conselheiro de Estado depois do 18 do Brumrio, governador do Banco de Frana (1806) e ministro do Interior (1807). Para uma informao mais circunstanciada sobre os motivos franceses que envolveram essamisso, consultem-se: Saint-Hilaire (1808), Saint-Hilaire (1847), Hamy (1908), Laissus (1972) e Daget e Saldanha(1989).

    22 Saint-Hilaire partiu de Toulon a 19 de maio de 1798 para a expedio ao Egito, aonde chegar em julho e de onderegressar em setembro de 1801. Durant ces trois annes ii a fait une importante provision dobservations et destravaux scientifiques. De nombreuses publications rsultent de cette expdition qui ne fut ni sans pril, ni sans gloirepour Geoffroy (Fischer, 1972, p. 294).

    22 Le Musum dHistoire Naturelle ayant t jusqu ce jour priv de relations avec le Brsil, cest aux productionsde ce pays que M. Geoffroy devra sattacher de prfrence. En gnral son choix portera sur les productions enminraux, vgtaux et animaux de toutes sortes qui manquent au Musum dHistoire Naturelle ou qui ny existentque dans un degr dinfriorit peu digne de ce bel tablissement (Instructions adresses par le ministre (9 de marode 1808), apud Hamy, 1908, p. 29).

    03 Lorsquil quitta Lisbonne, emportant plusieurs caisses dchantillons minralogiques, de plantes, danimaux brsiliens, le Muse, dbarass dun grand nombre de doubles mutiles, bien plutt quappauvri, avait pris un aspect tournouveau: une partie des espces tait dj scientifiquement dtermine; lordre mthodique avait t introduit; etla prcieuse srie de minraux, apporte de Paris par Geoffroy Saint-Hilaire, avait remplac les objects choisis parlui, Ainsi se ralisa le plan quil srajt trac san dpart: il enrichit la fois la France par le Portugal et le Portugalpar la France, et mrita doublement de Ia science (Saint-Hilaire, 1847, p. 82); Le personnel charg den assurerla conservation tait insuffisant et le principal responsable, Vandelli, dnu de la comptence ncessaire. Ag, sanscaractre, scientifique plus que mdiocre et de surcroit mauvais administrateur, ii tait lui-mme incapable de dresserlinventaire des collections dont il avait la garde et plus forte raison den estimer la vritable valeur scientifique.Luj qui avait t botaniste au dbut de sa carrire, ne stait mme pas souci de jeter un coup doeu aux herbiersquil avait reus. II semblait accorder peu dimportance tout ce qui saccumulait dans ses magasins, sinon sendsintresser. En prsence dune telle incurie, on comprend lattitude de Geoffroy Saint.Hilaire. Aurait-il pu ne passindigner que tant dobjects et de spcimens rares fussent ainsi ngligs et pratiquement abandonns alors quilsauraient fourni matire de remarquables travaux sils avaient t connus de ses collgues professeurs du Musumde Paris? (Daget e Saldanha, 1989, p. 19).

    24 O papel de Vandelli em Portugal tem sido, por vezes, desfavoravelmente avaliado, sobretudo na inteno de legitimar aao cientificamente negativa e desprezvel que representou o saque das colees histrico-naturais efetuado por OeoffroySaint-Hilaire em 1808 (Almaa, 1992, p. 54). Idnticas posies tm sido tomadas por outros naturalistas portuguesesao longo dos sculos XIX e XX. Ver: Bocage (1862), Ferreira (1907,1923), Azevedo (1919.1920) e Carvalho (1930).

    1 O (olecionismo cientrico em Portugal flO( fin,is do inhigo llCgiflIc (1 1l 802) 141uma poltica internacional baseada no princpio do droit du vainqueur e no conceitode esplio universal.25

    25 Este principio dei expolio universal nunca fue cuestionado en Francia y la nica regia a la que se someti fue lade la discrecionalidad dei emperador y de sus parientes o la conveniencia poltica pues haba lugares en los quea Napolen no le interesaba presentarse como un vndalo. Fue ms tmida en ei Piamonte, Sajonia o Npoles oms ofensiva en Alemania, Austria y, finalmente, Espafia (Bolaflos, 1997, p. 142). Ver tambm Poulot (1997, pp.2 15-27).Cartas de Pierre Cusson (23 de setembro de 1770, 5 de fevereiro de 1772 e 10 de junho de 1776), AHMB, CE/C-25, .26, -27. A relao de Cusson com o Real Jardim Botnico de Madri tambm se encontra documentada pormeio de quatro cartas enviadas a C. Ortega entre 18 de janeiro e 14 de setembro de 1785. O Jardim de Montpelliertinha perdido o antigo esplendor que Cusson queria recuperar solicitando a ajuda dos amigos peninsulares. Ortegaenviou-lhe vrias sementes, apesar das querelas diplomticas ento verificadas entre naturalistas dos dois pases(Sarmiento, 1988, p. 180).

    27 Gouan ocupar esses cargos at 1803, data em que ser substitudo por Broussonet, seu antigo discpulo (Motte, 1981).

    Cf. Manuel Xavier de Vasconcelos Pedrosa, Estudantes brasileiros na Faculdade de Medicina de Montpellier no fim dosculo XVIII, 1959, apud Simon (1983, p. 119). Jay longtems desir entrer en correspondence avec vous, je vouslay fait temoigner verbalement par un de ms eleves. Mr. Gomes docteur de notte universit veut bien se chargerde vous rappeler encore ms sentiments et je lui remet avec cette lettre un petit paquet de graines qui peutetrevaus feront plaisir, dumoins je le desire. Si Mr. Gomes ne fut pas parti si prontement vous auriez reu des plantesseches, mais vaus les aurs pat Ia premiete ocasion (Carta de Antoine Gouan a Domingos Vandeili. Montpellier,14 de outubro de 1778. AHMB, CE/G -103).

    29 Id., ibid.

    enviar a Lisboa uma misso chefiada por um dos mais brilhantes naturalistas do seutempo, e j ento (noutro registo da sua biografia) com prestantes provas dadas nosaque artstico e cientfico do Egito.21

    Investido da autoridade de comissrio, e acobertado pela fora invasora coman

    :3

    A expressa deferncia dos sbios franceses face ao desempenho administrativo-cientfico de Vandeili e importncia de Lisboa como entreposto naturalista de produtos exticos pode ser comprovada pela correspondncia iniciada logo nos incios dosanos setenta, atravs de vrias cartas longamente escritas em Latim pelo doutor emMedicina e professor de botnica em Montpellier, Pierre Cusson, contendo extensaslistas de espcies florsticas que esperava obter das permutas com a Ajuda, bem comoo pedido de informaes botnicas sobre variedades peninsulares de plantas medicinaisde que era especialista (em especial as Umbelliferae), tendo em vista a publicao detrabalhos cientficos.26

    Depois, em seu encalo, segue outro docente da Escola Mdica, director do JardimBotnico universitrio e ictilogo de renome, Antoine Gouan (17331821),27 que recorrer aos prstimos de alunos brasileiros desde sempre atrados cidade gaulesa pelafama dos estudos mdicos para facilitar a correspondncia com a Ajuda 28 e que seprope a intercambiar plantas secas para enriquecer os herbrios de ambos os jardins:

    Je desire ardement des plantes seches de vos environs et de tout le Portugal [...].Daillieurs si vous avs ms ouvrages botaniques vous verrs quelies sont ceiles quevous pouvs menvoyer et qui me manquent. [...] Je travaille a mon second volumedobservations botaniques in folio avec estampes, et jose vous assurer que vous y aursun exemplaire ds quil sera imprim. Vous y aurs beaucoup de plantes pyrenenesseches pour votre herbier. [...} Je dsire surtout toutes les plantes nouvellement dcouvertes par vous, dans tous les genres et familles ou classes.29

    t

    1

  • 142 . Esios flI llIsT6ni DS CINcIs NO llinsii, O coiccionismo cien lies cru Portuzzal nos fnas oatgo ileginie (1768-18(18) 143

    De Paris, chega uma primeira carta, em 1779, assinada pelo Abb Nolin Directeurgeneral des pepineres et jardins de S. M. tres chretiene, Em boa verdade, no setrata propriamente de correspondncia com a Ajuda, mas antes de uma resposta (deresto no de todo simptica, a roar a arrogncia) a uma iniciativa de Vandeili sobreas colees particulares de D. Pedro Jos de Noronha, Marqus de Angeja, de que opaduano tambm era curador.

    Por isso, datemos com mais preciso o incio das trocas epistolares com o Jardindes Plantes a partir da carta de G. G. Renault, expedida em abril de 1783. Ela cumpreexatamente esse papel de iniciadora de contatos, de abertura de portas pessoais e institucionais, propondo sociabilidades sem limites de fronteiras nacionais. Apresenta,alm do mais, o acrescido interesse de situar no tempo o incio dos contatos com afigura que durante anos ser o rosto visvel da velha instituio botnica parisiense, ojardineiro - chefe Thouin:3

    Procurant une correspondance mutuelie entre vote jardin de Botanique et celui deFrance: cest avec Monsieur Thouin que je vous propose de communiquer, sii ne vousfut connu dj, par plus dun juste titre, jaurais eu la satisfaction de vous parier deson mrite, mais comme ii est au dessus de toutes loges, ii me suffit de vous prvenir,dune grande exactitude de sa part et que cest uniquement pour le piaisir de la chosequil travailie; Jai donn, votre adresse en Holiande a Chevalier Stool homme fortconnu, par son ouvrage sur les papiilons exotiques, ii a amplifi celui de Cramer et sepropose dy donner un nouvei suite, je lai aussi iaisse a Bruxelies, a Chevalier Burtin,ancien medecin de feu le prince Charle, ii donne au pubiic des gravures fort interessantes des fossiles qui se trouvent dans les Pays Bas; lun et iautre sont trs honntespersonnes etje serai trs satisfait, sije puis, paria, vous procurer quelques agrments.3

    Os bigrafos de Andr Thouin (1747-1824) traam dele um perfil muito semelhanteao do influente Joseph Banks e apresentam-no como um homem obstinadamente dedicado s suas funes botanistas no Jardin du Roi.32 Apesar de ter sido eleito membro daAcademia das Cincias e da Sociedade Real de Agricultura, sua obra de investigao praticamente inexistente, tendo-se distinguido sobretudo como administrador depolticas cientficas do Estado francs, nomeadamente no sensvel captulo das relaesexternas de que exemplo flagrante o bem conhecido caso da expedio hispano-gaulesaao Peru e ao Chile (1777-1788).

    esse homem, culto e amvel, que em abril de 1783 se apresenta a DomingosVandelli oferecendo uma agradvel e frutuosa correspondance dechanges entre le

    J ardin Royal de Botanique de Paris e o da Ajuda, propondo um mtodo prtico parasua concretizao por meio da troca de catlogos:

    O conde de Buffon (1707-1788) ser, todavja, at morrer, seu responsvel cientfico.31 Carta de G. G. Renault a Domingos Vandelli. Paris, 7 de abrjl de 1783. AHMB, CE/R -30.32 Ver Mallet (1981), Boyer (1973) e Letouzey (1989 apud Poulot, 1997, p. 219).

    Ver Sarmiento (1988, pp. 161-5).

    Veuillez donc je vous prie, monsieur, pour commencer minscrir un Catalogue de tousles objets que vous desirez, ou ce qui serait mieux, me faire passer le Catalogue detout ce que renferme votre jardin, par-ce qualors ii me sera ais de voir ce que vouspossedez et de vous envoier ce qui vous manque.34

    Anos depois, em 1791, agradecer ainda a gentileza do envio de duas obrasvandellianas o Viridarium lusitanicum e a Flore portugaise et brasiliene que, confessa,mont fait le plus grand plaisir.35

    Em meados dos anos oitenta, outra excepcional personalidade do meio cientficofrancs o secretrio perptuo da Sociedade Real de Agricultura de Paris, Pierre-MarieAuguste Broussonnet (1761-1807) _36 dirige-se a Vandeili dando-lhe conta de ter sidofeito scio correspondente, com base, como explica, em suas descobertas em economiarural. Termina com um caloroso apelo para que o italiano permita a publicao de seustextos pela sociedade parisiense.37

    De seu nome completo Charles Louis LHeritier de Brutelie, este outro correspondente do diretor da Ajuda parece ter sido personagem apaixonante mas controversa, aponto de ter estado na origem de um conflito diplomtico-naturalista entre a Frana ea Espanha. Antes de se arruinar por completo, sua imensa fortuna permitia-lhe cultivara botnica em dois jardins de propriedade pessoal, um em Paris e outro na Picardia.Mantinha a expensas prprias um grupo de jovens recolectores que percorriam o pasa fim de saciar seu af de colecionador de plantas, incluindo at alguns desenhadores-botnicos, como o afamado pintor floral Pierre Joseph Redout.38

    Duas cartas a Vandelli testemunham uma infatigvel atividade de divulgador denovas espcies solicitando o envio da variedade lusitana do Geranicum, sobre a qualpreparava uma monografia. Na primeira das missivas, faz referncia ao envio de umaobra sua certamente a Stirpes novae (1784), cuja publicao deixara um halo de escndalo por utilizar informaes, consideradas confidenciais, sobre a flora peruana por.intermdio de um antigo discpulo de Vandelii em Coimbra, o mdico Manuel Arrudada Cmara (1752-1810):

    Carta de Andr Thouin a Domingos Vandeili. Paris, 8 de abril de 1783. AHMB, CE/G -104.Carta de Andr Thouin a Domingos Vandelli. Paris, 25 de maro de 1791. AHMB, CE/G -105.

    36 Cf. sua biografia cientfica, com referncia ao conhecido episdio de se ter refugiado em Portugal (1794), sendo acolhido na Academia das Cincias pelo Abade Correia da Serra, situao que alegadamente ter ocasionado dissaborespolticos ao naturalista portugus, podendo estar na origem de seu segundo exlio (Jean Motte, Pierre-Marie-AugusteBroussonet, 1981). Broussonnet foi tambm o fundador da Sociedade Linneana, em Paris (1787-1789).Cf. Carta de Broussonnet a Domingos Vandelli. 31 de agosto de 1785. AHMB, CE/B -78.

    38 Ver Sarmiento (1988, pp. 165-7).Aparentemente, essa interferncia de Heritier a favor de uma boa colocao para Cmara obter seus frutos, comonarra Simon a partir de uma carta que existia no AHMB, antes do incndio de 1978: When Manuel Arruda daCmara was a student of Domingos Vandelli at the University of Coimbra, he was already an ordained priest inthe Carmelite Order, having taken the name of the Padre Manuel do Corao de Jesus Arruda. After Coimbra,he studied medicine at Montpellier, France, where he was one of the several Brazilian students at the Faculty ofMedicine. At Montpellier he obtained na ecclesiastical release from the priesthood and eventualy returned to hisnative Pernambuco. Manuel Arruda da Cmara was commissioned by D. Rodrigo de Sousa Coutinho to traveI theentire Captaincy of Pernambuco. In a letter of 11 December, 1797, to Vandelli, written during his travel, he tankedhis former professor for having aided him in receiving the appointment (Simon, 1983, p. 119).

    L

  • 144 . ENSAIOS l)E IIISTIUA istS CI1NCLtS NO BIIASIL

    [...] Jai toujours eu le desir de vaus offrir mon ouvrage [...] Je profite aujourdhuy dudepart de M. da Camera docteur en Medicine de Montpellier et Correspondent denotre Societ dAgriculture pour vous en dresser les premiers Cahiers. [...] M. Ferreirada Camara retounera [...] au Bresil sa patrie, ou ii se propose de soccuper dhistoirenaturele, et de faire de san mieux pour la Botanique. Je pense quil deviendra unhomme precieux pour son pays et a ce titre jose vaus prier de laccuieller et favorizer.4

    Brotero, nos anos oitenta, havia frequentado os museus, os jardins botnicos e asuniversidades francesas, ali tendo obtido o doutoramento em Medicina e publicadosua primeira obra botnica antes de ingressar na Universidade em substituio deVandelli.4Correia da Serra, nos primeiros anos dos Oitocentos, apregoava sentir-semelhor em Paris onde os peridicos cientficos lhe acolhiam os festejados artigos deCarpologia do que na ptria, chegando a confessar querer passar seus ltimos anosde vida naquele paraso terrestre:

    Aqui achei o que podia desejar para os poucos dias que me restam de viver. O Jardimdas Plantas, muito aumentado, o Gabinete de Histria Natural formosamente arranjado, pelo que toca cincia, formosa livraria e vinte e trs naturalistas e letradosvivendo dentro do novo Jardim das Plantas e edifcios pegados a ele. Conversao,lies gratuitas, objectos para examinar, luzes novas e curiosidades satisfeitas cada dia.Se houvesse causa, que se parecesse com os Campos Elsios, esta e por certo depoisdo que tenho visto seria absurdo desejar outra coisa, Me voici donc jusqu la mort,nas visinhanas do Faubourg S. Victor [,,]

    At que ponto esse privilegiado relacionamento intelectual fundamentava bem oconhecimento da Frana sobre a nossa realidade naturalista pode ser avaliado pela cpiade pormenores insertos na carta que Antoine Laurent de Jussieu (1748-1836) umadas maiores personagens do meio cientfico gauls e membro de famosa dinastia debotnicos dirige ao ministro Sousa Coutinho, em 1802, sugerindo-lhe a passagem dasligaes cientficas a um patamar mais elevado de colaborao.43

    J ussieu considerava elogiosamente D. Rodrigo o Protecteur en Portugal das cincias e, como tal, favorecedor da correspondncia entre os que a cultivam com o fito deque II en rsulte une communication de lumires utiles tous. Como consequncianefasta da ausncia de mtuos contatos entre os meios cientficos europeus, apresentavao exemplo, ento muito comentado, da publicao que se prepararia em Madri sobre abotnica do Peru, obra em que argumentava Jussieu seus autores donnent quelque

    Carta de Heritier a Domingos Vandelli. Paris, 21 de junho de 1786 e 31 de outubro de 1787, AHMB, CE/H 30, 31.Jimprime en ce moment une monographie sur le Qeranicum. Vous serait-il possible de me procurer des especesindigines au Portugal? (Carta de Heritier a Domingos Vandelli. Paris, 31 de outubro de 1787. AHMB, CEIH 31)

    41 Cf. Noticia biog-raphica do doutor Felix de Avellar Brotro (1847) e Femandes (1944),42 Carta de Correia da Serra a D. Rodrigo de Sousa Coutinho. 11 de junho de 1802 (apud Carvalho, 1948). Carta de Antoine Laurent de Jussieu a D. Rodrigo de Sousa Coutinho. 17 de julho de 1802 (apud Osrio, 1918,

    pp. 179-80). Existe tambm uma carta, em latim, dirigida a Vandelli os anos oitenta: Carta de Antoine Laurentde Jussieu a Domingos Vandeili 30 de junho de 1786. AHMB, CE/D -22.

    1 O colecionismo centlko em Portugal nos finais do lnto llcgime 8.i31l8 145fois comme nouveaux des genres dj connus parce quils nont pu visiter auparavantles Herbiers des Franais et des Anglois.

    Para evitar que o mesmo sucedesse no caso da flora brasileira (considerada maisvariada que as do Peru e do Chile), propunha ao ministro responsvel pelo complexoda Ajuda faire extraire des chantillons bien numrots des Herbiers [...] qui doiventexister dans vos Collections dHistoire Naturelie, avec lattention dattacher des numros pareils aux individus semblables. A partir de ento, seria possvel estabeleceruma nomenclatura uniforme, por meio da comparao com as classificaes adotadasno Jardim das Plantas parisiense. Seria assim possvel envolver os Savants de Lisbonnenum programa de observaes comum e 11 en resulterait un rapport exact entre lesHerbiers des deux pays, ou seja, a construo em parceria de um instrumento cientficoessencial ao campo disciplinar da botnica.

    A formao naturalista gaulesa do mdico Manuel Arruda da Cmara voltava aquia ser invocada, tanto mais que, de regresso ao Brasil, prometera a seu mestre, nas aulasparisienses de botnica, remeter-lhe produtos naturais americanos. Tal no tendo aindasucedido provavelmente devido guerra, Jussieu confiava agora nos bons ofcios deSousa Coutinho, na esperana de que le retour de la paix facilitera les communications,surtout si vaus avez la bont de les favoriser.

    A ltima referncia deixava-a para o diretor do Jardim Botnico de Coimbra, oqual, pelo nosso canal diplomtico na capital francesa, teria tambm manifestado odesejo de com ele se corresponder. Jussieu garantia ento ao ministro protetor desseprofessor universitrio que sa Correspondance [de Brotero] jaccepte avec beaucoupde plaisir. Je serai toujours dispos donner des plantes de divers pays en change decelies du Brsil et de la cte de Malabar.45

    D. Rodrigo de Sousa Coutinho no ficar naturalmente indiferente a to formalmanifestao de empenho no aprofundamento das relaes cientficas com o nossopas em que pese a complexa teia de relaes internacionais que ento se urdiam e

    Um interessante documento da mesma poca d conta do pensamento das autoridades universitrias a propsitodo intercmbio cientfico com a Europa, e com a Frana em particular. Trata-se de instrues dadas pelo vice-reitorao lente de mineralogia e hidralica, Manuel Pedro de Meio (1765-1833) enviado em viagem de estudo aos centrosde investigao europeus: 6. Na visita de gabinetes de Historia Natural poder achar occasio de estabelecer umacorrespondencia com o nosso para se lhes dar muitas cousas que nos ho de sobejar, e de que elles tero falta, comoso os productos privativos das nossas colonias em trco de outros do norte, da Europa e do Egipto, Arabia e Persia,de que h de haver agora abundancia na Frana. Se tiver logar esta especie de commercio, ser necessario estabelecerbem as bases delIe, e os canaes de comunicao para se tractar da qualidade e quantidade dos productos que sehouverem de permutar. E nesta, assim como em todas as outras correspondencias, convm, muito notar e conhecerbem o character moral das pessoas com quem se ha de tractar. 1...]. Carta de Jos Monteiro da Rocha a D. Franciscode Lemos, 20 de dezembro de 1801 (apud Rocha, 1889, p. 269). Em artigo publicado em 1817, esse professor dconta de ter visto no Musum de Paris o esplio retirado da Ajuda por Geoffroy: O Museu de Hist. Nat. de Paris,prodigiosamente enriquecido pelas preciosidades daquelles por onde passro os Exercitos Francezes, contm umainfinidade de presentes de Particulares, e especialmente dos Professores. Como Portuguez, no poderia deixar denotar ali com o seu competente rotulo alguns daquelles que o Professor Geofroi levou de Portugal: Mr. Geofroi nodiz no rotulo que lhos dero ou que os comprra em Portugal, mas to smente apport de Port. (Meio, 1817, pp.59.6 1),Todas as citaes utilizadas foram transcritas da Carta de Antoine Laurent de Jussieu a D. Rodrigo de Sousa Coutinho.17 de julho de 1802 (apud Osrio, 1918, pp. 179-80).

  • que o h de afastar do poder, acusado de anglofilia j que tal enquadrava bem no seuprograma de reformas ilustradas da sociedade portuguesa, apressando-se a enviar para aAjuda a carta do professor doJardin des Plantes acompanhada de um texto que constituia expresso genuna do pensamento poltico de um notvel governante setecentista:

    O Principe Regente Nosso Senhor Manda remetter a V. M.ce a inclusa Copia dehua Carta de Jussieu, para que approveitando-se V. M.ce das vantagens, que destaCorrespondencia devem resultar ao adiantamento da Botanica, tenha ocasio nos de augmentar a cultura do Jardim Botanico dAjuda e seu competente Herbario,mas tambem de segurar a exaco dos Nomes Botanicos; comparando os Nomes dasPlantas, que Jussieu mandar, com os que aqui estiverem em uso, para mutuamente sefixar os que devem adoptar-se; e ficar-se usando, no que tambem muito pode utilisaro adiantamento da Sciencia.46

    por isso indesmentvel que at imposio de um relacionamento de dominaobelicista existe uma tradio de permuta cientfica, um fluxo epistolar que circula emambos os sentidos longamente alimentado e acarinhado na Ajuda, em Coimbra, emParis, em Montpellier e que ser, de resto, lentamente retomado depois da aventuraespria do imperialismo napolenico.47

    A primeira manifestao desse conceito de diplomacia agressiva fora eloquentemente ensaiada em Lisboa pelo embaixador Jean Lannes (1802-1804), cuja proverbialvenalidade o implicou numa poltica de rapacidade no Museu rgio da Ajuda em proveitoprprio, j que no se encontram rastos em qualquer museu francs das sucessivasrequisies de produtos impostas s autoridades portuguesas:48

    Relao dos passaros que se remettero deste Real Muso no dia 17 de Outubro de1803 a M. Lanes [sic] [...] NB. Estes 31 Passaros acima mencionados, foro os que se

    tiraro dos dois Armarios grandes, que viero do Rio de Janeiro; e se recebero no dia17 de Junho de 1803. [...J Estes 73 Passaros ero os que se achavo em hum dos doisArmarios de vidraas com 4 arvores; em cujo dito Armario foro os referidos Passarosaccondicionados juntamente com os 31 que se tiraro dos dois Armarios vindos do Riode Janeiro [...j Remettero-se mais ao dito Embaixador no dia 26 do mesmo mez deOutubro de 1803, cinco Passaros, que se tiraro dos armarios do Museu [...] Remettero-.se mais ao dito Embaixador no dia 21 de Dezembro do mesmo anno 15 Passaros [41Remettero-se mais ao referido Embaixador no dia 7 de Maio de 1804, os 2 Passarosseguintes [...} [total] 126. [...j Relao das Conchas, que deste Real Museu se remetteroao General Lasnes [...j no dia 13 de Maro de 1804 [total] 1481 [...] Remettero-se maisao dito Embaixador no dia 7 de Maio de 1804 as Conchas seguintes [...] [total] 2185.

    Questo que se tem colocado com cclica frequncia a propsito do esbulho das

    colees naturais do Real Museu da Ajuda em 1803, 1804 e 1808 saber at que

    ponto ter infludo decisivamente tanto na desarticulao da organizao museolgica

    (sendo responsvel, em ltima anlise, pela decadncia e a morte dos estabelecimen

    tos) quanto no atraso verificado na investigao oitocentista em cincias da natureza.

    Se, em relao primeira componente do binmio, parecem no restar muitas dvi

    das de que assim ter acontecido (tanto mais que essa foi a unnime leitura produzida na

    poca, face aos efeitos globais na sociedade portuguesa das invases francesas e da sada

    da corte para o Brasil), j no que diz respeito a uma ligao causa-efeito entre pilhagem

    de produtos e ausncia de trabalho cientfico (opinio genericamente proveniente de

    naturalistas) ,5 alimentamos a maior das reservas atendendo ao que deixamos analisado

    a propsito das limitaes administrativas impostas ao nosso acanhado meio profissional.

    De fato, amplamente documentvel, at mesmo em testemunhos de viajantes

    ingleses, a percepo de que a passagem do comissrio francs conjugada com a longa

    ausncia do rei provocara danos irreparveis nesta, como noutras, reparties pblicas:51

    146 Estios os l-lIsTBi,s DSS CtNCHS o Bwtsii. 1) Ie,ios ntdico em PirLigsl nos finais do Antigo llegtme i768-13O) e 147

    46 Carta de D. Rodrigo de Sousa Coutinho a Domingos Vandeili. 23 de dezembro de 1802. Livro de registo dos decretos,MCUL. Nesse mesmo ano, anteriormente carta de Jussieu, registam-se notcias relativas a intercmbio de produtos com a Frana: Amostras de madeiras das melhores cores enviadas para Frana (Livro de registo dos decretos(1802), MCUL); Plantas e arbustos enviados de Tenerife, por Lus Antnio de Arajo, para serem semeados ecultivados no J. Botnico. Dados pelo Cnsul francs naquela ilha, Senhor Brussonet (id., ibid.); O 111. moe Ex.mo Sr. Visconde de Anadia manda dizer ao Sr. Alexandre Rodrigues Ferreira, que sendo necessario mandar vir deAfrica, e Brasil alguas Sementes, e Ceblas das Plantas mais raras, que se encontrarem nas nossas Colonias, a fimde serem transportadas a Paris; se faz igualmente preciso que 5. M.ce remette a esta Secretaria de Estado com apossivel brevidade hua Nota sobre o modo de conduzir as mesmas Sementes, e Cebolas em forma tal que ellas noperco a sua fora vegetativa. Secretaria de Estado em 11 de Outubro de 1802 (id., ibid.).

    O restabelecimento de normais relaes cientficas entre Lisboa e Paris pode ser comprovado por fontes muitoabundantes e esclarecedoras, nomeadamente pelo testemunho de viajantes franceses depois das guerras peninsulares,empenhados em repor a credibilidade, muito abalada, de seus cientistas envolvidos nas polticas napolenicas (cf.DHautefort, 1820; Tollenare, 1971).

    48 Mesmo uma recente obra (escrita em francs e publicada por um departamento estatal portugus, com a coautoriade prestigiado cientista portugus falecido), apesar de lamentavelmente parcial, historicamente mal fundamentada,documentalmente muito pobre e comungando de uma inaceitvel desculpabilizao do saque de 1808, considerainfeliz a atitude dei. Lannes, influenciado, segundo os autores, pela cobia da mulher, que via nesses objetos retiradosda Ajuda uma oportunidade de emular o gosto colecionista da primeira mulher de Napoleo, Josefina (1763-1814)(cf. Daget e Saldanha, 1989). O zologo Carlos Almaa tambm discorda das interpretaes histricas e cientficasassumidas pelos autores a propsito do episdio Saint-Hilaire: Com efeito, nenhum naturalista experiente deixar,pelo menos, de sorrir quando l que o saque de centenas de exemplares, muitos dos quais pertencentes a espciesainda no descritas, foi a compensao pelo trabalho de ordenao de parte das colees do Real Museu e cednciade amostras de minerais j bem conhecidos, que Etienne Geoffroy teria trazido de Paris (1993, pp. 45-6). 1

    Relaes dos productos naturaes que por Ordem Regia se remettero deste Real Museu ao general 1..asrtes (sicj, embaixadorda Republica Franceza nesta corte (agosto de 1803 maio de 1804), AHMB, Geoffroy de Saint-Hilaire, Div.- 16 a.,n. 22. O Principe Regente Nosso Senhor He Servido Mandar ratificar a V. M.ce a Ordem para a entrega das Col.leces de Sementes, de Animaes, das Minas de Ouro do Brasil, e das Pedras preciosas do mesmo; e igualmente dasConchas, e das Madeiras do Brasil, que V. M.ce fez ao General Lasnes; e para sua salva, e guarda, participo a V. M.ce,de Ordem do mesmo Senhor esta ratificao. Deos Guarde a V. M.ce. Pao em 17 de Novembro de 1803. Viscondede Balsemo. Senr. Domingos Vandelli (Carta do Visconde de Balsemo a Domingos Vandelli. 17 de novembro de1803. Livro de registo dos decretos, MCUL.

    5 Apesar de ser uma opinio j enunciada por J. V Barbosa du Bocage O clebre naturalista francs compreendeua importncia cientfica das colleces do Museu da Ajuda, compostas em grande parte de espcies que ali via pelaprimeira vez; escolheu portanto e fez transportar para Paris por ordem do General em chefe do exrcito invasor, todosou quase todos os objectos que os compunham. As coleces que assim foram remetidas para Frana compreendiamperto de 1.600 exemplares zoolgicos, diversos herbrios muito interessantes do Brasil, Angola, Cabo Verde, Peru,Goa, Conchichina (este ltimo do nosso clebre Loureiro); um grande nmero de minerais, quase todos metaispreciosos e vrios fsseis. Desta poca data com a runa total do nosso Museu a decadncia das cincias naturais nonosso pas; Brotero e Alexandre Rodrigues Ferreira no tm tido sucessor (Instruces praticas sobre o modo de colligir,preparar e remetter productos zoologicos para o Museu de Lisboa, 1862) , nos nossos dias, tem sido insistentementeassumida por Almaa (1992b, 1993, 1996).

    I Tambm na Espanha parecem ter sido muito, extensos os efeitos das guerras peninsulares nos estabelecimentosmuseolgicos e cientficos: La invasin napolenica representa ei inicio de una decadencia catastrfica de la cienciaespafiola que afect, en primer trmino, ai proprio Gabinete carolino, cuyas colecciones fueron expoliadas, com laconsiguiente prdida de piedras y productos de valor insustituible (Bolaflos, 1997, pp. 133-4).

  • 52 A. li D. G. Sketche.s ofportuguese life, manneTs, costume, and character, 1826, p. 85. Tambm a mordacidade nacionaldeixou expressa uma contundente crtica pilhagem dos museus da Ajuda (e do Maynense): Seria razo enviaresta raridade [a guia napolenica] em algum dos caixotes que estavam destinados para transportar o Museo Rgioe o Mainense. [.1 Mandou [Junot] que o Depsito Pblico, o qual se tinha mandado para bordo da nau Vasco daGama tornasse para a sua antiga Casa ao Largo do Pelourinho; assim como o Real Museo para a Quinta de Belmdonde tinha sado, havia poucos (DOliveira, 1907, pp. 34-5, 39).

    n Cf. Eliot (1811, p. 175).Tendo tomado alguns banhos das Caldas, p.5 me restabelecer dos ataques rheumaticos, q. nesses tempos da primeirainvaso franceza padeci repetidas vezes 1...] Alem disso conto j vinte annos de servio de Universidade, tempo em q.os lentes della costumo ser jubilados [...] O Dr. Domingos Vandeili foy daqui expulso, como V. Ex,cia sabe, e demaisdisso a sua m.to provecta idade o tem posto j em estado de inaptido, e de ser aposentado; [...] o Dr. Alexandre,subalterno de Vandelli e Inspector das Quintas do Infantado, acha-se-h trez annos convulso e entrevado em humacamma, como he notorio, sem esperanas de restabelecimento [...] por outro lado o Jardim Real da Ajuda, q. como Museo tem custado mais de dois milhes, e algumas Quintas reaes, que custaro grandes sommas, esto em m.tadecadencia, e preciso de hum Inspector intelligente, q. vigie e cuide na sua conservao, a qual pode m.to bemeffeituar-se com certa economia 1...] exige o estado actual da decsdencia do Jardim da Ajuda e das Quintas reaesdo Infantado; q. tem estado debaixo da Inspeco dos Drs. Vandelli e Alexandre. 1...] na expulso de hum delles ena invalidez de outro (Carta de Brotero ao Conde de Galveias, 6 de dezembro de 1810, transcrita do AHU (apudLima e Jnior, 1944, pp. 34-5).Um decreto de Junot reduz metade a consignao mensal Ajuda. O Livro de registo dos decretos documenta tambm outros atos administrativos de Junot, em 1808. Comea por pedir ao diretor uma relao de nomes, empregose ordenados dos funcionrios e despesas necessrias para a conservao do estabelecimento. Nessa sequncia, fazregistar a seguinte ordem: 0 Director do Jardim Botanico do Palacio do sitio da Ajuda fique na intelligencia; deque dever reduzir os jornaes das pessoas nelle empregadas, assim como as despezas de maneira que no excedo aconsignao estabelecida, a fim de que no hajam dividas; deferido assim o requerimento dos mesmos empregados.Lisboa 27 de Julho de 1808. Com a rubrica do Presidente do Real Erario. Depois da sada dos franceses, mantem-se,todavia, a poltica de diminuio drstica de despesas, pedindo-se que se indiquem as redues possveis de efetuarsem se faltar com tudo ao que for indispensavel para a cultura, e conservao do mesmo Jardim, e Museo.

    no tivessem sido sonegadas em proveito de outra comunidade museolgica e cientfica,que, provida de poderosos meios, as descreveu, classificou e incorporou como suas,57

    RE FERNCISALMAA, Carlos. Alexandre Rodrigues Ferreira e a explorao histrico-natural do Brasil. Oceanos,

    Lisboa, jan. 1992a, n. 9, p. 54.. A expedio filosfica de Alexandre Rodrigues Ferreira no contexto histrico-natural da sua poca. Lisboa:Academia da Marinha, 1992b.

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    Obrigado a mendigar do mesmo Governo hum escasso sustento p.5 aqueles, que estavo empregados no referidoJardim, a fim de evitar a sua total runa (Requerimento de Domingos Vandelli para obteno de sege, s. d, 118081 ANTI,Ministrio do Reino, mao 279, cx. 372, 1801-1818); Os empregados nestes servios, tanto nos do Museu como nosdo Jardim, so pobres e logo que no so pagos deserto, ou emprego o tempo em pedir esmola, como aconteceono periodo da primeira invasao Franceza em Lisboa, e por esse motivo ento os dois Estabelecimentos soffrerogrande decadencia, e chegaro quasi ao ponto de ficar de todo arruinados (Resposta de Flix de Avelar Brotero auma portaria do ministro Filipe Ferreira de Arajo e Castro. 16 de novembro de 1822. ANTT, Ministrio do Reino,mao 444, cx. 555, 1821-1833); 1...] na ltima reforma, nimiamente mesquinha, iniqua e irregular, feita peloEx-Governo Constitucional na Administrao deste Real Museu e Jardim Botanico (Ofcio de Brotero a JoaquimPedro Gomes de Oliveira. 22 de agosto de 1823. ANTI, M. do Reino, mao 444, cx. 555); Snr. Bispo de Viseu.Pela segunda e ultima reforma feita pelo Governo revolucionario na administrao deste Real Jardim Botanico, deque sou director, sem embargo das minhas representaes em contrario, foi diminuido o numero dos trabalhadoreseffectivos empregados no seu servio. Como to bem o jornal dos que ficaro conservados, e se recommendou aoVice- Inspector das Obras do Real Palacio da Ajuda, que somente houvesse de pagar aos que pela reforma ficavoconservados, mas a nenhum Outros alguns, que eu de novo admitisse, o que tudo foi pretextado com razes deeconomia; mas esta reputada economia no tem sido mais do que huma miseravel e excessiva mesquinheza, quepresentem.te acho ser incompativel com a conservao e aceio de hum Estabelecim.to, que foi feito para instruco erecreio da real Familia, e que alem disso no deixa de ser util ao Publico (Representao de Flix de Avelar Broteroao Bispo de Viseu. 17 de maro de 1827. ANTE Ministrio do Reino, mao 444, cx. 555, 1821-1833); Os ultimosacontecimentos dero lugar a que a maior parte dos Empregados nestes Reaes Estabelecimentos se reunissem hunsaos Corpos de Voluntarios Realistas, e Companhias Urbanas, aonde tem praa, e outros foro pela Ley chamadosaos corpos de primeira Linha aonde tinho servido: nestas circunstancias ficaro estes Estabelecimentos sem osEmpregados necessarios p.a a sua conservao (Ofcio do Escrivo da Fazenda do Real Museu ao Conde de Basto.8 de agosto de 1831. ANTI, Ministrio do Reino, mao 444, cx. 555, 182 1-1833).

    possvel, nessa perspectiva, estender a Portugal a certeira anlise do botnico ingls David Don: Tal vez ningnpueblo h realizado mayores sacrificios por la ciencia como la nacin espafiola. Sus expediciones y viajes de descubrimiento se llevaron a cabo com la mejor munificencia y en extensiva escala; desafortunadamente sus resultadostuvieron poca posibilidad de ser conocidos por el mundo cientfico (apud Bolaos, 1997, p. 135).

    O coleeionism,s cientflco em lorlugai nos tnais do ntigo Regime (1 76-18O8) 149

    buscando na incorporao castrense ou na mendicidade a dignidade perdida.56 difcil,pois, imaginar que tal programa de pesquisa pudesse ter sido cumprido entre ns, mesmoque as colees que legitimamente pertenciam aos que as tinham esforadamente coletado

    Iisuos iw lIisriu, nss CIiNcIss o BRSSIL

    Adjoining the museum is a small botanical garden for exotic plants; but in this, as inevery other department, the kings absence at Rio has been productive of no amelioration, and pilfering of every kind has been carried on with impunity.52

    The royai museum at Belem, although ransacked by the French savans, still containsa magnificent assortment of stuffed birds and beasts, minerais, fossils, and other curiosities. The most valuable of them have been packed up, under the apprehension ofa second visit from those rapacious virtuosi.53

    H, no entanto, uma dimenso que no pode ser esquecida e que cremos constituir,essa sim, uma limitao estrutural e que de ordem humana e material. Como poderiaum programa de investigao naturalista (sabendo-se que empenharia, como no Musum parisiense, equipes em labor quase vitalcio) ser praticado num estabelecimentodirigido por um alquebrado septuagenrio e por um doente crnico entrevado, sendodepois substitudos por um botnico jubilado da Universidade, debilitado por constantes enfermidades?54Mais ainda: a estes dirigentes se reduzia o quadro de naturalistasprofissionais com formao tcnica superior; outros funcionrios dispunham apenas deformao intermdia

  • 150 ENsios DI. IIIsrHLs LIAS CINcus so Uinsit O colecionismo ei,ntfieo cio Poriugol os finais do Antigo llcginie (1768-1803) 251

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