TAXONOMIA DE CRIPTÓGMAS FUNGOS: FILO BASIDIOMYCOTA · PDF file 2013. 8....

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    UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

    INSTITUTO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS – ICB

    DEPARTAMENTO DE BOTÂNICA

    TAXONOMIA DE CRIPTÓGMAS

    FUNGOS:

    FILO BASIDIOMYCOTA

    PROFESSORA: MARIA RITA SCOTTI MUZZi

    ALUNOS: LAYANA NEVES, MARIA THERESA DE PAULA, MAYARA

    BRITO, MELISSA BRAVO E NAYARA DINIZ.

    BELO HORIZONTE, ABRIL DE 2013

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    INTRODUÇÃO AOS BASIDIOMYCETOS

    O reino Fungi é um grupo de organismos eucariotos, heterotróficos,

    predominantemente terrestres. Seu corpo é constituído por filamentos denominados

    hifas; exceto as leveduras, as quais são unicelulares. Esse grupo é dividido em cinco

    filos: Deuteromycota, Glomeromycota, Zigomycota, Ascomycota e Basidiomycota. O

    presente trabalho irá abordar especificamente este último.

    O filo Basidiomycota é constituído por fungos conhecidos como “orelhas-de-

    pau”, ferrugens, cogumelos, entre outros. A identificação dos basidiomicetos é feita

    através da observação das hifas de seu micélio, que possuem septos com poros, que, em

    muitas espécies, apresentam margem dilatada chamada Doliporo. Além disso, nas

    laterais dos poros há uma membrana denominada “parentossomo”.

    Em alguns representantes do filo, como nos cogumelos, há uma estrutura

    produtora de esporos bem característica, o basidioma, que é dito completo quando

    constituído por Píleo, Himênio, Estipe, Anel e Volva.

    Ao longo do desenvolvimento dos Basidiomycota, a maioria passa por fases

    monocariótica (micélio primário) e dicariótica (micélio secundário e terciário). Células

    apicais no micélio secundário são hifas modificadas, denominadas Ansas.

    Tal filo tem grande importância no ciclo do carbono e de outros elementos,

    como fósforo e nitrogênio, além de realizar a ciclagem de matéria orgânica.

    IMPORTÂNCIA ECOLÓGICA

    Em ecossistemas florestais, os fungos são os principais decompositores de

    celulose e lignina, os componentes primários da madeira. A produção de biomassa em

    um ecossistema florestal é, em grande parte, encontrada por fungos degradadores de

    madeira; esses seres determinam as taxas de nutrientes liberados e seu retorno ao

    ecossistema após a morte das árvores. (AGUIAR et al. 1969)

    Considerando que os fungos são biorreguladores da FLONA (Floresta Nacional

    Amazônica), notamos a sua importância na manutenção do equilíbrio, pois os mesmos

    têm realizado um importante papel na ciclagem de nutrientes.

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    Os basidiomicetos das ordens Russulales e Polyporales, conhecidos vulgarmente

    como orelhas-de-pau, cumprem um papel valoroso ao crescerem e se desenvolverem

    nos troncos das árvores ou matéria vegetal morta (no caso lenhosa), pois, através do seu

    modo alimentar, aceleram a decomposição, enriquecendo o solo com matéria orgânica e

    muitos nutrientes que são disponibilizados para as espécies vegetais existentes na

    floresta.

    Os cogumelos predominantemente das ordens Agaricales e Boletales possuem

    um hábito de crescimento mais diverso, podendo ocorrer sobre a serapilheira, próximos

    às árvores, solitários ou em grande número, na beira das nascentes por conta da

    disponibilidade maior de água.

    No caso da serapilheira, os basidiomicetos atuam na decomposição das camadas

    de folhas mortas e demais restos orgânicos depositados na superfície do solo florestal.

    As espécies saprófagas de fungos, juntamente com os microrganismos (certas bactérias),

    desempenham um trabalho de agentes decompositores de restos animais e vegetais,

    permitindo que os elementos químicos da matéria orgânica desses seres sejam

    aproveitados.

    Os nutrientes da serapilheira e concentrações de frações de carbono, como a

    lignina, têm sido identificados como indicadores da qualidade da serapilheira. As

    relações entre algumas dessas substâncias têm sido usadas para explicar diferenças entre

    a decomposição de materiais orgânicos (SILVA, 2009).

    Os basidiomicetos que atuam na decomposição da matéria orgânica contribuem

    para a fertilização do solo e ajudam as plantas na absorção de nutrientes através de

    associações com as raízes das mesmas.

    Biorremediação

    Biorremediação é o uso de organismos vivos em tratamento de ambientes

    contaminados para reduzir a concentração dos poluentes a níveis não detectáveis, não

    tóxicos ou aceitáveis, isto é, dentro dos limites estabelecidos pelas agências de controle

    ambiental.

    Esta prática é utilizada desde as primeiras civilizações que, sem o conhecimento

    adequado, confiaram aos micro-organismos a destruição de compostos perigosos de uso

    doméstico, agrícola e industrial, com conversão desses em dióxido de carbono, água e

    biomassa.

    A partir do século XIX, o biotratamento tornou-se mais aperfeiçoado com

    melhores engenharias de processo, embora ainda não tivesse sido chamado de

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    biorremediação. Nas últimas décadas, técnicas de biotratamento foram muito

    empregadas. Hoje, qualquer transformação ou remoção de contaminantes do ambiente

    por organismos é considerada como biorremediação (Litchfield 2005).

    Antes, se fazia amplamente a utilização de bactérias para estes processos, porém

    estas demonstraram grandes incompatibilidades em alguns casos, sendo necessária a

    escolha de outros micro-organismos capazes de realizar tal processo. Para isso, os

    basidiomicetos são usados amplamente em estudos de biorremediação de poluentes

    orgânicos persistentes (POPs), tais como pesticidas clorados (DDT), dioxinas (2,3,7,8–

    tetraclorodibenzeno-p-dioxina), bifenilas policloradas, hexaclorobenzeno, além de

    hidrocarbonetos aromáticos (benzo-α-pireno), pentaclorofenol e hexaclorobenzeno.

    Tais linhagens de fungos envolvidas na degradação destas moléculas incluem as

    espécies: Higrocybe sp., Lentinus crinitus , Peniophora cinerea, Phellinus gilvus,

    Pleurotus sajor-caju, Psilocybe castanella, Pycnoporus sanguineus e Trametes villosa

    (Matheus et al. 2000, Gugliotta 2001, Machado et al. 2005, Vitali et al. 2006,

    Ballaminut 2007, Salvi 2008, Okada 2010).

    Aust (1990) e Eerd et al. (2003) listaram uma série de vantagens em utilizar

    fungos basidiomicetos em processos de biorremediação:

     Os fungos estão em contato direto com o solo, líquido ou porções

    de vapor;

     São capazes de transformar um grande número de compostos com

    estruturas dissimilares;

     São capazes de diminuir o efeito tóxico de muitos xenobióticos

    (compostos químicos estranhos a um organismo ou sistema biológico);

     Libera metabólitos que podem ser degradados por outros

    microrganismos;

     O sistema enzimático, sendo extracelular, pode atuar em

    substratos insolúveis ou complexados aos solos e, portanto, pouco acessíveis à

    ação bacteriana;

     O sistema sendo inespecífico pode ser usado para uma ampla

    variedade de poluentes orgânicos ou mesmo para a mistura deles.

    Como foi considerado acima, no enfoque ecológico, portanto, os basidiomicetos

    possuem papel fundamental na ciclagem de nutrientes e manutenção dos ecossistemas,

    atuando na degradação da matéria orgânica. São saprófitos, parasitas e formam

    associações com plantas (ectomicorrizas). A conservação in situ (no local) deste grupo

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Compostos_qu%C3%ADmicos http://pt.wikipedia.org/wiki/Organismo http://pt.wikipedia.org/wiki/Biologia http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Sapr%C3%B3bios&action=edit&redlink=1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Plantas

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    de organismos está intimamente ligada à conservação das florestas preservando, assim,

    os habitats onde eles naturalmente ocorrem.

    IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

    Economia e alimentação

    Altamente ricos em proteínas, sais minerais, ferro, vitaminas do complexo B,

    cálcio, fibras e outros elementos essenciais à saúde, os Basidiomicetos comestíveis,

    dentre os quais se destacam os cogumelos, vêm conquistando seu espaço na indústria

    alimentícia. No Brasil, espécies como Agaricus bisphorus (Champignon), Pleurotus

    Osteatus (Hiratake), Agaricus Blazei Murril (Himematsutake), Lentinus Edodes

    (Shitake), e Pleurotus Ssp (Shimej), são consideradas iguarias e vêm sendo amplamente

    cultivadas.

    De acordo com um estudo realizado em 2000 pela FAO (Organização das

    Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a produção mundial de cogumelos foi

    de aproximadamente 2,4 milhões de toneladas métricas (quadro 1). Os maiores

    produtores são a China (708 mil toneladas métricas) e os Estados Unidos (390 mil).

    Quadro 1

    Produção mundial (toneladas métricas) e área plantada (em hectares) de

    cogumelos

    Ano 1997 1998 1999 2000

    Produção 2.203.

    668

    2.232.

    353

    2.349.

    017

    2.411.

    556

    Área

    Plantada

    7.739 8.180 8.758 8.758

    http: