Tecnicos de Nivel Medio - TN Petróleo n 56

Click here to load reader

  • date post

    10-Nov-2014
  • Category

    Career

  • view

    2.260
  • download

    9

Embed Size (px)

description

Descriçao da matéria: Técnicos de nível médio - Novos desafios para um Brasil mais competitivo, por Victor Abramo. Competitividade em ritmo lento. OIT aponta queda na produtividade. PNQP ataca principais carências. Entrevista especial - Demanda até 2010 será de dois milhões de técnicos, com Armando Monteiro Neto – Presidente da CNI. Faetec: ensino técnico sofre com abandono.

Transcript of Tecnicos de Nivel Medio - TN Petróleo n 56

  • 1. ensino tcnico Tcnicos por Victor Abramo de nvel mdio Novos desafios para um Brasil mais competitivo Ampliao, modernizao e interiorizao dos programas de capacitao so armas da indstria para combater o gargalo criado pela baixa escolaridade da mo-de-obra disponvel no pas. A moderna indstria de petrleo e gs, petroqumica, construo naval e offshore implacvel quando se trata da qualificao dos profissionais que preten- dem atuar no setor. No basta exibir o certificado de concluso de um dos muitos cursos voltados para a rea. preciso estar preparado para manipular a ltima palavra em tecnologia. E isso vale tanto para os executivos que exercem cargos que exigem formao superior, quanto para os trabalhadores que ocupam postos com formao de Ensino Mdio. Tal nvel de exigncia acontece dentro de um cenrio que evolui e se modifica numa velocidade espantosa, e que ao longo dos anos vem O PROGRAMA EDUCAO transformando nossas instituies de ensino tcnico numa espcie de museu de grandes novidades. Ou seja: o que hoje top de linha ama- PARA A NOVA INDSTRIA nh provavelmente j foi superado. Nesta selva tecnolgica s sobre- UMA RESPOSTA AO vivem os que esto preparados para se adaptar imediatamente s mudanas, assim como algumas espcies acabam desenvolvendo ca- DESAFIO DE ELEVAR A ractersticas ditadas por mudanas climticas e outros danos causados OFERTA DE OPORTUNI- ao ecossistema pelo desenvolvimento no sustentvel. justamente na precria formao profissional bsica que, hoje, DADES PARA FORMAO se encontra um dos mais perigosos gargalos (termo da moda para designar tudo o que impede o desenvolvimento) j identificados DE PROFISSIONAIS QUE pela indstria nacional. Recentemente, a Petrobras foi obrigada a ATENDAM AOS REQUISI- reduzir o nvel de exigncia em geral adotado para a contratao de mo-de-obra em seus empreendimentos isso aconteceu no ca- TOS DO MERCADO. dastramento de interessados para a construo da Refinaria Abreu e Lima, no Recife. E a deciso foi tomada a partir do momento em que os responsveis pelo recrutamento perceberam que a grande maioria dos candidatos no havia concludo sequer o Ensino Fun- damental. No mbito federal so muitas as iniciativas ligadas capacitao Armando Monteiro Neto, de trabalhadores, mas essa enorme sucesso de siglas se revela presidente da CNI pouco ou nada eficiente diante do costumeiro abandono de projetos a meio caminho, por causa da troca de governantes e, conseqente- 18 TN Petrleo n 56
  • 2. Foto: Divulgao CNI TN Petrleo n 56 19
  • 3. ensino tcnico Foto: Divulgao CNI mente, de programas de gover- do que a grande maioria de gos que exigem nvel superior, no. Dessa forma, no h conti- nossos cursos tcnicos est ultra- diante da dificuldade de encon- nuidade e muito menos atuali- passada, obsoleta e inoperante. trar pessoas com os perfis dese- zao constante das tcnicas en- A disfuno que atinge a jados, sempre resta a sada da sinadas aos jovens aprendizes. mo-de-obra qualificada se veri- importao de mo-de-obra ca- No troca-troca de letrinhas, me- fica de forma mais intensa no n- pacitada. Muitas empresas se todologias e objetivos, o resulta- vel tcnico. Isso porque, para car- encarregam exclusivamente de localizar tais profissionais no cem possveis, e s ficou na frente mercado internacional e dos tr- Competitividade de Filipinas, Turquia, Colmbia, mites legais para que possam trabalhar no pas. em ritmo lento ndia e Indonsia. De acordo com Jos Ricardo No andar de baixo, a coisa diferente, mas a situao j che- O BRASIL POSSUI um dos piores Roriz Coelho, diretor-geral do gou a tal ponto que os respon- ndices de competitividade entre Departamento de Competitividade sveis por um grande empreen- os 43 maiores pases do mundo. e Tecnologia (Decontec) da Fiesp, dimento ligado siderurgia no Esta a principal concluso do a m colocao do Brasil no Rio de Janeiro chegaram a co- ndice de Competitividade (IC) de significa que o pas no avana em gitar a vinda de 300 operrios 2007 da Federao das Indstrias sua competitividade, e sim que os chineses para trabalhar na plan- do Estado de So Paulo (Fiesp), outros pases o fazem de forma ta industrial. A operao s no divulgado no incio de outubro muito mais acelerada. Podemos se concretizou por causa da re- pela instituio. Entre os pases estar avanando, mas a maioria ao imediata de grupos ligados analisados, o Brasil ficou na 38 dos pases evolui em um ritmo aos direitos humanos e sindica- colocao, com 17,4 pontos em mais acelerado, explicou. listas, no necessariamente nes- sa ordem. 20 TN Petrleo n 56
  • 4. tcnicos de nvel mdio: novos desafios para um brasil mais competitivo Educao para a Nova que atendam aos requisitos do princpios que motivaram a cria- Indstria mercado de trabalho, e est sin- o, em 1942, do Senai, institui- Numa tentativa de reverter tonizado com o Mapa Estratgi- o que nos ltimos 65 anos pre- esse quadro, o empresariado bra- co da Indstria 2007-2015, diz o parou cerca de 43,2 milhes de sileiro lanou, via Confederao presidente da CNI, Armando brasileiros para o trabalho. A ini- Nacional da Indstria (CNI), o Monteiro Neto. No documento, ciativa inclui ainda a capacitao programa Educao para a Nova que traduz a viso do setor pro- dos docentes, tcnicos e gestores Indstria, que prev investimen- dutivo sobre o futuro do pas, os em tecnologia. tos de R$ 10,4 bilhes na educa- empresrios destacam que a edu- Hoje, 406 escolas fixas e 301 o bsica e profissional de 16,2 cao de qualidade fundamen- unidades mveis espalhadas milhes de brasileiros nos prxi- tal para a expanso das empre- pelo Brasil atendem mais de dois mos quatro anos. Os recursos se- sas e o aumento da competitivi- milhes de trabalhadores por ro aplicados de 2007 a 2010 na dade da economia brasileira no ano. Atuando na educao bsi- ampliao e modernizao da mercado globalizado. ca, o Servio Social da Indstria rede de escolas e laboratrios, no To ou mais importante quan- (Sesi) mantm escolas em 2.006 treinamento e atualizao de pro- to investir R$ 10,4 bilhes num municpios, e recebe 1,5 milho fessores e na reviso dos conte- audacioso programa de educao de matrculas ao ano para cur- dos dos cursos promovidos pelo bsica e qualificao profissional sos de Educao Infantil, Ensi- Servio Social da Indstria (Sesi) com alcance nacional, a deciso no Fundamental e Mdio; Edu- e pelo Servio Nacional de da Confederao Nacional da cao do Trabalhador e Educa- Aprendizagem Industrial (Senai). Indstria (CNI) de ampliar e o Continuada. A modernizao O programa uma resposta modernizar a rede de escolas e preconizada pelo programa Edu- da indstria ao desafio de au- laboratrios de treinamento, e cao para a Nova Indstria tem mentar a oferta de oportunidades rever o contedo dos cursos pro- na atualizao do corpo docente para a formao de profissionais movidos pelo sistema, reafirma os e na reviso de contedo (leia- TN Petrleo n 56 21
  • 5. ensino tcnico o do programa Educao para a De acordo com o estudo, nos ASSIM COMO A EDUCA- Nova Indstria, que rene e pre- ltimos anos observa-se uma ele- tende aperfeioar o trabalho reali- vao da exigncia de escolari- O CONTRIBUI PARA O zado pelas duas instituies. O dade no perfil da fora de traba- AVANO DA INDSTRIA, programa uma resposta da inds- lho para todos os setores da in- tria aos desafios que se colocam dstria. Tal tendncia aparece ESTA RETRIBUI PROMO- para o Brasil, diz o presidente da com mais nitidez nas atividades CNI, Armando Monteiro Neto, com maior intensidade tecnolgi- VENDO MUDANAS NO lembrando que a implantao do ca, como de extrao de petrleo AMBIENTE EDUCATIVO. projeto significar um incremento e fabricao de mquinas e equi- de cerca de 30% no atendimento pamentos eletrnicos, quando educao profissional. cerca de 85% das contrataes so destinadas a pessoas com nvel Viso estratgica para mdio e superior. 2007-2015 Pesquisas recentes confir- Documento que traduz a vi- mam que trabalhadores com mai- Armando Monteiro Neto, presidente da CNI so do setor produtivo sobre o or grau de escolaridade tm mais futuro do pas, o Mapa Estrat- chances de encontrar emprego, gico da Indstria 2007-2015, ela- porque esto mais bem prepara- se novas tecnologias) seus prin- borado pela CNI, mostra que os dos para absorver novas tecnolo- cipais pilares. empresrios consideram a edu- gias e promover nas empresas um A experincia do Sesi e do Se- cao de qualidade a base fun- ambiente de conhecimento e cri- nai com educao formal e profis- damental para a expanso das atividade, acrescenta o presi- sional foi decisiva para a constru- empresas. dente da CNI. OIT aponta queda na produtividade NO LTIMO RELATRIO Indicado- valor agregado 35,63 nos Estados Unidos. Segun- Foto: Divulgao Rolls-Royce res-Chave do Mercado de Trabalho por trabalhador do o relatrio, a produtividade por divulgado pela Organizao Interna- chins passou trabalhador caiu de 1980 a 2005 cional do Trabalho (OIT), o Brasil de US$ 6,3 mil em metade dos pases da Amrica ficou ainda mais distante dos pases em 1996 para Latina. Em 2005, cada venezuelano desenvolvidos e at de emergentes US$ 12,5 mil em produziu o equivalente a 42% do em um dos principais indicadores 2006, e nos que produziu um trabalhador nos que medem a eficincia da econo- pases do leste Estados Unidos. Em 1980, a mia: entre 1980 e 2005, a produtivi- europeu cresceu 53% no perodo proporo chegou a 77%. dade por trabalhador caiu 2,7% no de 1996 a 2006. Na comparao com os EUA, a pas, enquanto a dos Estados A pesquisa constata que a produtividade brasileira registrou Unidos aumentou 57% e dobrou liderana do ranking continua com queda ainda mais expressiva, nos ltimos dez anos na China. os Estados Unidos, onde a produ- passando de 36,5% do obtido pelos O documento aponta ainda que o por trabalhador passou de US$ americanos, em 1980, para 23,5%, o valor agregado por trabalhador 41,6 mil em 1980 para US$ 63,8 mil 25 anos depois. Na indstria, a (que mede quanto cada empregado em 2006. Em segundo lugar, ainda produo por empregado no Brasil acrescenta na etapa de produo) de acordo com a OIT, vem a Irlanda, caiu de US$ 7,1 mil para US$ 5,9 no Brasil caiu de US$ 15,1 mil em com US$ 55,9 mil produzidos por mil entre 1980 e 2005. Isso 1980 para US$ 14,7 mil em 2005, empregado. Na comparao por representa apenas 5% do nvel de enquanto na China cresceu em hora trabalhada, porm, quem lidera produtividade industrial dos mdia 5,7% ao ano de 1980 a a estatstica a Noruega, com US$ Estados Unidos. Em 1980, essa 2006. Nos ltimos dez anos, o 37,99 pagos por hora, contra US$ proporo estava em 19%. 22 TN Petrleo n 56
  • 6. ensino tcnico Foto: Divulgao CNI Diz o estudo que o setor pro- va, nos locais onde houver de- dendo unidades e kits didticos. dutivo requer trabalhadores cada manda, condies de segurana A inteno dar uma resposta ao vez mais capacitados e qualifica- e transporte, as unidades escola- movimento de interiorizao da dos, e disso decorre a necessida- res podem oferecer cursos em indstria, aos arranjos produtivos de de identificar quais os perfis horrios e dias no convencio- locais e aos novos plos de de- profissionais desenhados para nais, atendendo dessa forma os senvolvimento regional. atender s novas demandas da segmentos populacionais que indstria. O processo no es- no podem freqentar salas de Mudana de rumo e tanque, mas de grande sinergia. aula entre 8h e 22h. despreparo Assim como a educao contribui Atravs de educao distn- Na direo oposta exign- para o avano da indstria, esta cia, durante 24 horas e sete dias cia de melhor preparo da mo- retribui promovendo mudanas por semana os cursos de educa- de-obra, o estudo realizado pela no ambiente educativo, frisa o profissional estaro dispon- CNI aponta como um dos princi- Monteiro Neto na apresentao veis para alunos que trabalham pais limitadores do crescimento do trabalho. e precisam se manter atualizados do pas o baixo nvel de escolari- para melhorar o rendimento nas dade de nossa fora de trabalho. Inovaes facilitam acesso empresas ou encarar novos de- Segundo dados da Relao Anu- Para democratizar o acesso safios profissionais. al de Informaes Sociais (Rais), aos cursos ligados ao projeto Edu- Diante da diversidade de de- instrumento do Ministrio do Tra- cao para a Nova Indstria, a mandas, o projeto tambm pre- balho e Emprego para medir o CNI pretende reforar os progra- tende lanar mo do programa nvel de escolaridade do trabalha- mas Senai 24 Horas e Senai Iti- Senai Itinerante como suporte f- dor brasileiro, de um total de 7,8 nerante, que funcionam em ho- sico e pedaggico, combinado milhes de empregados na in- rrios e locais especiais. Segun- com a educao distncia, por dstria, 4,8 milhes (61%) no do os responsveis pela iniciati- meio de aes mveis compreen- possuem educao bsica com- 24 TN Petrleo n 56
  • 7. tcnicos de nvel mdio: novos desafios para um brasil mais competitivo pleta. Destes, nada menos do que Em setembro, a grande impren- Mesmo com a Agncia do Tra- 2,4 milhes no completaram o sa registrou que a Petrobras foi balho estadual buscando profis- Ensino Fundamental. obrigada a reduzir as exignci- sionais em todo o estado na pri- O trabalho encomendado pe- as contratuais para garantir mo- meira fase deveriam ser prioriza- los empresrios tambm identifi- de-obra local na construo da dos candidatos de Ipojuca, Cabo cou o aparecimento de novas re- Refinaria Abreu e Lima, em Per- de Santo Agostinho, Jaboato dos gies industriais em funo da nambuco. O primeiro grande Guararapes, Moreno e Escada, ci- maior mobilidade do capital pro- desafio para consumar o empre- dades vizinhas ao Porto de Sua- dutivo, e, conseqentemente, endimento que exigir investi- pe, onde est sendo erguida a maior crescimento das taxas de mentos totais de US$ 4,05 bilhes obra o nmero de candidatos emprego industrial em espaos apareceu logo na fase inicial da ficou muito longe das 334 vagas geogrficos onde at os anos 1990 obra, quando sero aplicados R$ disponveis. a indstria no tinha presena 400 milhes em terraplenagem. Dentro das contrapartidas ofe- significativa. Isso, aponta a pes- Das 1.028 vagas que devem ser recidas pela Petrobras para rece- quisa, refora a necessidade ur- preenchidas at dezembro deste ber incentivos fiscais do municpio, gente de formao de recursos ano, muitas so destinadas con- a empresa se comprometeu a rea- humanos, tendo como pano de tratao de pedreiros e serventes lizar 4,8 mil atendimentos nas re- fundo a previso de uma deman- apenas alfabetizados, o que no as de capacitao profissional, in- da adicional de 1 milho de em- traz nenhum problema. Mas a di- cluso social e gerao de empre- pregos at 2010, dos quais cerca ficuldade aparece quando se tra- go e renda em Ipojuca durante a de 400 mil sero tcnicos com di- ta da contratao de tcnicos para construo da refinaria. Alm dos ferentes formaes. operar mquinas de ltima gera- projetos de apoio social j acerta- Esta mudana de rumo do de- o, como as utilizadas na terra- dos, o municpio ainda negocia senvolvimento vem revelando si- plenagem do terreno e que exi- com a estatal a construo de es- tuaes altamente preocupantes. gem o Ensino Mdio completo. colas pblicas e de um hospital. TN Petrleo n 56 25
  • 8. ensino tcnico PNQP ataca principais carncias Considerada uma ao estra- 1 ciclo Vagas oferecidas tgica dentro do Programa de Bsico Mdio Tcnico Inspetor Superior Total Mobilizao da Indstria Nacio- nal de Petrleo e Gs Natural 2.190 2.850 600 1.350 4.050 11.040 (Prominp), o Plano Nacional de 2 ciclo Vagas oferecidas Qualificao Profissional (PNQP) Bsico Mdio Tcnico Inspetor Superior Total foi criado para reduzir a escas- 9.789 7.185 622 2.637 2.748 22.981 sez de mo-de-obra especializa- da em categorias profissionais li- vel bsico, mdio, tcnico, inspe- n, Pernambuco, Rio de Janeiro, gadas ao setor de petrleo e gs. tor e superior. Rio Grande do Norte, Rio Grande Nos prximos dois anos esto Nesta primeira fase, a peque- do Sul, Santa Catarina e So Pau- previstos investimentos da ordem na procura pelos cursos de nvel lo). Sinal de que o gargalo est de R$ 300 milhes na capacita- bsico, mdio e tcnico surpreen- na base, o nmero de vagas des- o de 112 mil profissionais. deu os responsveis pela imple- tinadas aos nveis bsico e tcni- O objetivo do plano que est mentao do programa: das 2.155 co pulou de 5.040 para 16.974. O sendo implementado em cinco vagas oferecidas, somente 132 fo- terceiro, quarto e quinto ciclos de- ciclos capacitar estes profissi- ram preenchidas em todo o pas. vero ser implantados no primei- onais em dois anos por meio de Na poca tal comportamento foi ro semestre de 2008, segundo se- cursos gratuitos ou com custos creditado incerteza do empre- mestre de 2008 e primeiro semes- compartilhados com empresas do sariado quanto a contrataes tre de 2009, respectivamente. setor, prestadoras de servio e para grandes empreendimentos fabricantes de peas e equipa- da Petrobras. Emprego mentos. No primeiro ciclo de se- No primeiro semestre deste Embora tenha origem em uma leo pblica, realizado em mea- ano foi implementado o segundo demanda do setor petrolfero e, dos de 2006 em dez estados ciclo do PNQP destinado a can- , em grande parte, da prpria Pe- (Amazonas, Pernambuco, Espri- didatos dos nveis bsico, mdio, trobras, importante ressaltar que to Santo, Minas Gerais, Rio de tcnico, inspetor e superior, sen- a mo-de-obra qualificada pelo Janeiro, Bahia, Paran, Rio Gran- do oferecidas 22.981 vagas em 14 PNQP no ser contratada pela de do Norte, Rio Grande do Sul estados do pas (Alagoas, Amazo- estatal, mas por empresas que e So Paulo), foram oferecidas nas, Bahia, Cear, Esprito San- prestam servios estatal e ou- 11.040 vagas para cursos de n- to, Minas Gerais, Paraba, Para- tras operadoras do setor de pe- 26 TN Petrleo n 56
  • 9. tcnicos de nvel mdio: novos desafios para um brasil mais competitivo Foto: Ailton Santos trleo e gs natural. Os alunos que finalizarem os cursos estaro qualificados em uma categoria profissional que foi mapeada como necessria em determina- da regio. No h garantia dire- ta de emprego para esses alunos, mas o que se espera que as chances de serem absorvidos pelo mercado de trabalho aumen- tem em virtude de sua especiali- zao e em decorrncia da de- manda do setor naquela regio. Demanda de profissionais Tomando por base a carteira de investimentos do setor de pe- trleo e gs natural, o Prominp mantm atualizado um diagns- tico de demanda de profissionais necessrios na implantao des- tes projetos. Neste diagnstico, categorias profissionais conside- ferentes e 6.400 turmas, envol- foi constatado que a demanda de radas crticas pelo mercado. vendo uma estrutura composta pessoal requerida pelos empre- por cerca de 80 entidades de en- endimentos previstos para o se- Investimentos sino de todo o pas. Os estados tor de petrleo e gs era maior Os investimentos previstos ao onde sero realizados os cursos que a disponibilidade destes pro- longo dos prximos dois anos so Alagoas, Amazonas, Bahia, fissionais no mercado. Diante para qualificar cerca de 112 mil Cear, Esprito Santo, Mato desta constatao foi definida a profissionais em 17 estados da Grosso do Sul, Minas Gerais, criao do PNQP uma espcie de , Federao, nos quais ocorrero Paraba, Paran, Pernambuco, Rio extenso do Prominp, com uma os projetos de investimentos pla- de Janeiro, Rio Grande do Nor- meta nada modesta de realizar a nejados para o setor, so da or- te, Rio Grande do Sul, Rond- qualificao de cerca de 112 mil dem de R$ 300 milhes. Esto nia, Santa Catarina, So Paulo e profissionais especializados em previstos cerca de 900 cursos di- Sergipe. TN Petrleo n 56 27
  • 10. ensino tcnico Entrevista especial Com Armando Monteiro Neto presidente da CNI Demanda at 2010 ser de dois milhes de tcnicos Em entrevista exclusiva TN Petrleo o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, lembra que o Brasil um pas com algumas particularidades, e que ao mesmo tempo que o desemprego atinge 10% dos brasileiros, setores especficos enfrentam a falta de profissionais. Este , segundo o executivo, o preo que o pas paga por no ter dado a importncia necessria educao. Foto: Divulgao CNI MONTEIRO CHAMA A ateno para o fato de que, entre 1995 e 2005, a demanda do setor produ- tivo para trabalhadores com Ensino Mdio completo passou de 2,9 milhes para 8,6 milhes, e que pesquisa realizada pelo Senai mostra que Brasil precisar de cerca de dois milhes de profis- sionais capacitados nas reas tcnicas entre 2006 e 2010. Esse contexto, diz o dirigente, refora a necessidade de aes voltadas para a elevao da escolaridade dos trabalhadores, e o programa Educao para a Nova Indstria uma resposta ao desafio de expandir a oferta de oportunidades de formao de recursos humanos com alta qualidade, assegura. Muito se tem falado da necessida- de de a indstria brasileira desen- volver ou adquirir novas tecnologias para ser competitiva no mercado internacional. Ao mesmo tempo, vemos todos os dias notcias sobre a enorme dificuldade encontrada pelas empresas no tocante mo-de- obra para operar essas tcnicas inovadoras. Como o senhor v 28 TN Petrleo n 56
  • 11. tcnicos de nvel mdio: novos desafios para um brasil mais competitivo esse abismo entre a tecnologia do dos trabalhadores. Com a acelera- Crescimento (PAC) para os futuro e o despreparo do trabalha- o do crescimento da economia, prximos anos forem de fato dor brasileiro para acompanhar o o mercado de trabalho brasileiro realizados, ocorrer enorme falta avano tecnolgico? vive uma situao em que faltam de recursos humanos capacitados. A crescente incorporao de empregos e trabalhadores. o justamente para mudar esse novas tecnologias aos processos preo que o Brasil paga por no quadro que a CNI lanou o progra- de produo exige a atualizao ter dado a ateno necessria ma Educao para a Nova Inds- das competncias dos trabalhado- educao. O programa Educao tria. Ele uma resposta ao desafio res. um processo contnuo de para a Nova Indstria uma de expandir a oferta de oportuni- aprendizagem, que comea com contribuio do setor produtivo ao dades de formao de recursos educao bsica de qualidade, desenvolvimento de profissionais humanos com alta qualidade. passa pela educao profissional, sintonizados com o acirramento da prossegue com o Ensino Superior competio nos mercados e o O programa da CNI est voltado e abrange, ainda, o desenvolvi- constante avano tecnolgico. para a capacitao de mo-de- mento de habilidades profissionais obra atravs do ensino tcnico e, especficas. Por isso, nos ltimos Recentemente, a Petrobras teve principalmente, da atualizao do anos, as pessoas com maior grau que reduzir as exigncias para a contedo dos cursos de escolaridade tm mais chances contratao de mo-de-obra porque profissionalizantes. De que modo de encontrar um emprego. O muitos trabalhadores sequer eram isso ser feito no mbito do Brasil concorre com naes que alfabetizados. De que forma este sistema Senai/Sesi? investem contnua e intensamente despreparo pode influenciar os Desde que foram criadas h na qualidade do ensino, caso de novos empreendimentos no pas? mais de 60 anos, as escolas do vrios pases da sia, da Europa Existe alguma perspectiva de Sesi (Servio Social da Indstria) e Central e da Amrica do Norte. mudar esse quadro? do Senai (Servio Nacional de Temos, portanto, que enfrentar o O Brasil um pas com algu- Aprendizagem Industrial) se desafio de expandir a oferta de mas particularidades. Ao mesmo distinguem pelo atendimento s oportunidades de formao de tempo que o desemprego atinge necessidades de capacitao de recursos humanos com alta 10% dos brasileiros, setores trabalhadores para a indstria. A qualidade. especficos enfrentam a falta de educao nas escolas do Sesi e do profissionais. o caso das inds- Senai considera as necessidades Ao lanar um plano de educao trias petroqumicas, da construo de aperfeioamento dos processos de alcance nacional a CNI mostra civil e do setor de acar e lcool. de produo, estimula a que os empresrios esto dispos- Sempre que a economia cresce criatividade, a inovao e o tos a fazer sua parte para permitir acima de 4%, as empresas enfren- empreendedorismo. A definio o acesso de milhes de brasileiros tam tal problema. O processo de das caractersticas da educao ao moderno mercado de trabalho. expanso das empresas s vezes patrocinada pela indstria prev a No seu entender o governo fica comprometido, porque elas incorporao das tecnologias federal tem atuado de modo no encontram os profissionais de produo, s peculiaridades eficiente nesse sentido? que necessitam. Entre 1995 e regionais, o deslocamento da Dados da Relao Anual de 2005, a demanda do setor produ- indstria das metrpoles para o Informaes Sociais (Rais) de tivo para trabalhadores com ensino interior e as novas possibilidades 2005 mostram que, dos 7,8 mdio completo passou de 2,9 de organizao da produo. Com milhes de trabalhadores na milhes para 8,6 milhes, segundo unidades espalhadas em todo o indstria, 4,8 milhes ou seja, dados da Rais. Estudos do Senai pas, o Sesi e o Senai acompanham mais se 60% no tm a educa- indicam que o Brasil precisar de a evoluo da indstria, buscam o bsica completa, e 2,4 milhes cerca de dois milhes de profis- parcerias, modernizam mtodos e no completaram o Ensino Funda- sionais nas reas tcnicas entre formam cidados capazes de atuar mental. Esse contexto refora a 2006 e 2010. preciso lembrar de maneira autnoma, crtica, necessidade de aes voltadas ainda que, se os investimentos do consciente e participativa no para a elevao da escolaridade Programas de Acelerao do trabalho e na vida pessoal. TN Petrleo n 56 29
  • 12. ensino tcnico ENSINO TCNICO sofre com abandono N o incio de agosto, o secretrio de Cincia e Tecnologia do Rio de Janeiro, Alexandre Cardoso, divulgou relatrio em que constata a utilizao de equipamentos ultrapassados na formao de futuros profissionais em 15 escolas tcnicas da rede estadual de ensino. Na ocasio, Cardoso manifestou preocupao em relao mo- de-obra necessria a empreendimentos como o plo petroqumico de Itabora (Comperj) e da siderrgica Thyssen CSA, em Santa Cruz, que, juntos, exigiro investimentos em torno de R$ 20 bi- lhes e abriro enorme demanda por mo-de-obra especializada. O relatrio mostrou que, alm de usarem equipamentos obsole- tos, as unidades voltadas para o ensino tcnico apresentavam srios problemas administrativos, como descabidas diferenas nas contas de gua, luz e telefone e total falta de controle da jornada de trabalho de seus funcionrios. Diante desse quadro de descon- trole, as escolas registram ndices de evaso que chegam a 70%, e em alguns casos seus responsveis sequer foram capazes de informar o nmero correto de alunos matriculados. A inspeo feita pelo secretrio constatou que o Ensino Tcnico foi relegado nos ltimos anos ao mais completo abandono, e o que sobrou nas unidades da Fundao Estadual de Apoio Escola Tcnica (Faetec) foi uma infra-estrutura mnima para treinar apren- dizes com mtodos obsoletos e tcnicas ultrapassadas. Certamente vamos pagar muito caro por isso. No se refaz uma rede de ensino em um ano, disse o secretrio. Entre outras coisas, a inspeo encontrou turmas de Mecnica CERTAMENTE VAMOS PA- tendo aulas prticas em motores a carburador que deixaram de ser fabricados em 2002; de Eletrnica, usando tevs a vlvula para o GAR MUITO CARO POR treinamento; e falta de madeira no curso de Carpintaria. De acordo ISSO. NO SE REFAZ com o secretrio, no Instituto de Educao havia uma turma de apenas trs alunos, com professores que s trabalhavam trs horas UMA REDE DE ENSINO por dia. O relatrio mostrou que apenas 30% dos professores EM UM ANO. cumpriam a jornada de 40 horas. Estado responde com novo programa de capacitao A necessidade de mo-de-obra para suprir a demanda criada pelos plos industriais que devero ser construdos no Rio de Janeiro nos prximos anos e a situao de abandono do ensino tcnico no estado motivaram a criao de mais uma sigla e o Alexandre Cardoso, lanamento, no ltimo dia 23 de outubro, de um novo projeto de secretrio estadual de Cincia e Tecnologia capacitao profissional. 30 TN Petrleo n 56
  • 13. ensino tcnico OS CVTS SO A NOVA GERAO DE ESCOLAS TCNICAS, COM CURSOS FOCADOS NA ATIVIDADE DE INTERESSE DA RE- GIO. O OBJETIVO SU- PRIR COM MO DE OBRA LOCAL A DEMANDA DAS INDSTRIAS. Foto: Divulgao Alexandre Cardoso, secretrio estadual de Cincia e Tecnologia A iniciativa, que prev a nos obrigue a trazer trabalhado- na criao de 34 CVTs. "Meu construo de 18 Centros res de fora", disse o secretrio objetivo ir mais longe e Vocacionais Tecnolgicos (CVT) de Cincia e Tecnologia, Ale- chegar a 59 unidades", acres- nos prximos 12 meses, xandre Cardoso. centa Cardoso, dizendo que resultado de uma parceria entre O programa tambm visto dessa forma o estado alcanar os governos federal (Ministrio como uma oportunidade de 100% de cobertura na formao da Cincia e Tecnologia) e atualizar o ensino tcnico. profissional para os prximos 10 estadual (Secretaria de Cincia Segundo Cardoso, juntando anos. Ainda este ano devero e Tecnologia), materializou-se estas novas escolas rede ser inaugurados os CVTs de com a inaugurao da primeira Faetec, da qual fazem parte as Santa Cruz e Quintino, ambos unidade em Duque de Caxias, unidades de incluso digital tendo como carro-chefe o curso na Baixada Fluminense. O que utilizam caa-nqueis automotivo. investimento de R$ 15 mi- transformados em computadores No CVT da Praa do Ros- lhes, dinheiro que dever ser escolares, o governo estadual rio, em Saracuruna, como o usado prioritariamente na ter condies de formar, nos interesse despertado foi muito compra de equipamentos. prximos anos, cerca de 100 mil grande e existe uma fila de "Esta uma nova gerao de alunos/ano. Alm da parceria espera com cerca de 700 jovens, escolas tcnicas, com cursos entre os governos federal e novas turmas so formadas na focados na atividade de interes- estadual, as prefeituras devem medida que outras so conclu- se de cada regio. O objetivo participar doando o terreno ou o das. Os alunos so escolhidos suprir com mo-de-obra local a prdio para as novas unidades, atravs de sorteio realizado demanda da indstria atravs e fornecendo funcionrios para pelos prprios candidatos, e a de cursos de menor durao, j servios gerais. durao do curso principal que que sero especficos para O secretrio adianta que atender indstria de plsti- determinada atividade. Preten- recursos para outros 25 CVTs cos de cinco meses. Para ele demos treinar de 2,4 mil a trs esto sendo negociados, e que foram inscritos 120 alunos com mil alunos por ano para evitar o projeto completo prev o idade mnima de 17 anos, um apago de mo-de-obra que investimento de R$ 50 milhes distribudos em seis turmas. 32 TN Petrleo n 56