TRANSTORNO DO DEFICIT DE ATENCAo COM...

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MARION DEA SILVA PAGNOZZI

TRANSTORNO DO DEFICIT DE ATENCAoCOM HIPERATIVIDADE

Monografia apresentada para obten

"Nao 5e pode falar emeducayao, sem falar em amor."

Paulo Freire

iii

AGRADECIMENTOS

Agradego a teda minha familia, a qual muito me apoiou e me incentivouna realiza,ao deste trabalho.

Tambem agradegD a minha orientadora, Professora Rosilda dosSantos Dallagassa, a qual me orientou na elabora,ao desta monografia.

iv

SUMARIO

RESUMO .. ... vi

1 INTRODU

RESUMO

Muitos estudos sobre 0 Transtorno do Deficit de Aten~o com

Hiperatividade tern sido realizados todos os anos, mas ainda nao ha.

conhecimento fidedigno, pois ainda existe muita controversia sobre 0 assunto.

Apesar de ja haverem diversas pesquisas sabre 0 assunto, ora

classifiea-se a hiperatividade como urn transtorno mental, de base

neuropsiquiatrica, ora como sendo urn disturbio eminentemente interacional,

entre a crianc;:a e 0 seu meio. 1550 dificulta bastante com que S8 saiba qual

tratamento deve ser seguido.

Sao varios as tratamentos indicados, mas sem ter certeza da origem

do transtorno, torna-S8 impassivel urna avaliayao generalizada, devendo-se

tratar cada caSa isoladamente, sendo necessaria a compreensao de cada

situa9iio, para se poder planejar de forma adequada a orienta9iio terapeutica

mais adequada.

vi

1 INTRODU9AO

E comum em meio a duzi8S de Qutras crian~s, na escolinha ou no

playground, uma que nao parece fazer parte da turma. Ela se irrita com

facilidade, naD S8 cancentra no que esta fazendo e S8 mexe sem parar,

muitas vezes de maneira desordenada.

Tudo issa e apenas parte dos 5inais de urn disturbio ainda poueD

explicado, apesar de jil estar sendo discutido a algumas decadas, chamado

de Transtorno do Deficit de Atenyao com Hiperatividade.

Ao escolher 0 tema "Transtorno do Deficit de Atengao com

Hiperatividadeh, foi par reflexao e analise deste tal comportamento que tern

S8 tornado cada vez mais acentuado em nassas crian

2

mais adequados para a classificac;ao, tentando buscar sua origem, solugoes

para lidar com as portadores desta deficiEmcia e quem sabe ate conseguir

algumas solU90es para 0 TDAH nas crian~s enos adolescentes.

3

2 FUNDAMENTAC;:AO TEO RICA

Segundo TAYLOR (1995), a crian9a hiperativa representa um enorme

desafio para pais e professores A hiperatividade pode ser 0 problema mais

persistente e comum na infancia. E persistente au cr6nico porque naD ha cura

e muitos problemas apresentados pela crian~ hiperativa devem ser

administrados, dia a dia, durante a infimcia e a adolescmci8.

TAYLOR (1995) diz ainda que desaten9iio, agita9iio, excesso de

atividade, emotividade e impulsividade afetam a integragao da crianya com

todD 0 seu mundo: em casa, na eseela e na comunidade em gera!. 0

desenvolvimento da personalidade e 0 progresso na escota sao afetados pelo

estresse provocado pelo comportamento inconstante e imprevisivel.

De acordo com BARKLEY (IN: CYPEL, 2000) 0 numera de dificuldades

pelas quais passara uma crianrya hiperativa e determinado, em parte pelasitua~ao. No parquinho, a crjan~ agitada experimenta menos dificuldades

pais nao Ihe pedem que permane~ tranquilamente sentada. Ja na escola,

lugar onde requer tranquilidade para aprender, a crianya hiperativa torna-se

urn problema.

Para amenizar os problemas da crian,a hiperativa, KIRBY & GRINLEY

(1990) sugerem que 0 professor tem que estar disposto a alternar atividades

de alto e baixo interesse durante todo 0 dia em lugar de fazer com que 0

aluno fa~ tarefas repetitivas uma atres da outra. Alem disso, 0 professor

deve aferecer supervisao adicianal durante os periodos de transi9ao entre as

aulas.

4

o professor desempenha um papel importante na identifica9aO dadificuldade. Aquela crian98 que nao adquire conhecimento como os colegas

deve ser identificada e acompanhada de perto.

Apes alguns meses de trabalho (3-6 meses) dentro da sala de aula

sem urn progresso na aprendizagem 0 aluno merece urna atenyao especial e

devera ser encaminhado a orientaC;:80 pedag6gica da eseela que ja deve estarGiente do casa.

Sao crianyas muitas vezes consideradas como imaturas que nao

evolufram satisfatoriamente. Cuidado! Esta crian

5

primaria. Estas crianyas devem ser avaliadas e muitas vezes ha indicac;:ao de

repetic;:ao do pre-prima rio.

Uma outra situac;:ao e a que a crianc;a nao consegue identificar eescrever latras, ou junta-las em palavras ou frases. Esta crianc;a, iniciando 0

primeiro ana do 10 grau, ao chegar no final do ana com esta dificuldade

devera ser avaliada cuidadosamente. Ela pode ter urna disfunc;:ao cerebral e

muitas vezes necessita de atendimento.

Os principais elementos para identificaC;:80 destas dificuldades sao os

profissionais da escola (professor, orientadares pedag6gicos, etc.) que

exercem 0 principal papel na formac;:ao da crianc;:a.

Com a identificac;:ao de um mau rendimento escolar de uma crianc;:a,

deve-s8 raciocinar em diferentes niveis de dificuldade.

6

3 DESENVOLVIMENTO

3.10 DIAGNOSTICO DO TDAH

o TDAH e 0 nome que se da a uma condi9ao em que a pessoa quandocomparada a outra. da mesma idade e sexo, mostra uma sensivel redu

7

Acredita-se, no entanto, que 0 disturbio esteja acompanhado de urn

quadro de dislungao hormonal. Tomografias tiradas dos cerebros de pessoas

com TDAlH registraram urn comportamento dilerente de dois

neurotransmissores - a noradrenalina e a dopamina - que atuam sabre a

atenc;ao e a coordenay2o motora. E par essa razao que em determinados

casos medicamentos como a Ritalina, que ajusta a nivel de dopamina,

costumam ser indicados para canter a hiperatividade.

o que Qutras crianC;8s fazem automaticamente para dar conta deuma tarefa de esco[a pade exigir uma verdadeira batalha cerebral para que

tern TDAlH.

Essa crianc;a, antes de mais nada, precisa S8 esforgar para escolher

urn estimulo (a tarela), depois adequar sua postura para tanto (sentar-se de

forma ereta) e relaxar a coordena92o motara para canalizar sua atenC;20 no

olho e na mao. Tude em poucos segundos. Muitas vezes a crian9a reage a

esse desafio protegendo-se do confiito. Entao se desinteressa pelo

assunto.

Oesde a decada de 70, os estudiosos vem aceitando a teori8 de que a

teoria de que a TDAlH pode existir sem a hiperatividade. Nesse caso a

crianya apresenta-se retraida e timida, embora, como a hiperativa, tenha

dificuldade em se concentrar e em se relacionar com os colegas.

Ela e do tipo "desligada" Ela se senta em frente de um livro e durante

quarenta e cinco minutos nada acontece. Essas sao segundo os

especialistas, as crian9"s com diagnostico mais dilicil. Sendo quietinha, seu

problema pode passar despercebido.

E dificil diagnosticar com precisao 0 TDAH, ponm e passivel analisaros seus principaissintamas.

Os sintomas mais significativos do TDAH de acordo com 0 DSM IV

(BRAGA, 1998), sao os seguintes'

frequentemente nao escuta quando Ihe dirigem a palavra;

possui uma certa dificuldade para manter a atenc;iio em atividades

ludicas;

se distrai facilmente por estimulos alheios ao que esta fazendo;

esquece a que Ihe foi mandado fazer;

agita as maos e as pes com freqQencia;

tern dificuldade para aguardar sua vez;

nao permanece muito tempo sentado no mesmo lugar;

frequentemente fala em demasia;

intromete-se em assuntos alheios;

da respostas precipitadas antes das perguntas terem side

completadas;

freqOentemente perde coisas necessarias para tarefas QU Qutras

atividades;

apresenta muita agitayao;

tern dificuldade para brincar au se envolver silenciosamente em

atividades de lazer;

carre com freqi..ienciaem situa90es inapropriadas;

freqi..ientementedeixa de prestar aten9ao a detalhes au comete erras

por descuido em atividades escolares diarias.

9

Os sintomas do TDAH caracterizam-se pela

movimentac;:ao excessiva do individua, falta de atencyao,

impaciencia, impulsividade, distra98o, impossibilidade de

focalizar a atencyc30par muito tempo em um determinado

objetilJo, 0 que traz a crian9B problemas de rejei~o, duvidasquanta a sua capacidade intelectual, baixa auto-estima, e

varias situacyoes que com a devida informa9c3o a pais,

professores e ao proprio portador do disturbio, podem ser

minimizadas, ou contornadas ou mesma eliminadas. '

Nao se pode esquecer que "8 maioria das criam;:as antes dos 5 anos

de idade mostra sinais como dispersao e agitag8o, 0 que e saudavel e

dispensa preocupat;oes" 2

A pessoa portadora de TDAH sofre ainda com 0 aumento das suas

rea90es emocionais e par nao reconhecer seus limites, sendo que em

ambiente estressante 0 problema tende a se agravar.

QuIros sintomas do TDAH sao: desorganizacao,

esquecimento, falta de sensa de horario, criatividade e inteligencia

mas com pouco rendimento, dificuldade para se concentrar, para

seguir ordens ou direcao, para aguardar sua vez em filas, para

participar de jogos, para ouvir os outros sem interromper e para nao

se distrair facilmente. J

1TANGANELLI, Maria S. A crianc;aHiperativa in: Jomal"O Uberar, 19952:ALVAREZ, Ana Maria. A Hiperatividade Infantll. IN: Revista Saude, 1997.3 TANGANELLI, Maria S. A Crianya Hiperativa. IN: Joma/"O Libera!", 1995

10

3.2 AS PRovAvEIS CAUSAS DO TDAH

Apesar do TDAH nae ter uma causa (mica comprovada. avilta-s8 a

hip6tese que 0 fator principal que pode desencadear 0 TDAH sejam as

dificuldades interacionais au adaptativo-relacionais, nas esferas familiar e

escolar.

~As dificuldades emocionais e afetivas podem gerar urn comportamento

hiperativD em criam;as". 4

o TDAH tambem pode ser induzido au intensificado par estressores

biol6gicos. ou seja, por alguma patologia (por exemplo: hipertireoidismo) ou

algum agente taxico-alimentar.

Nesses casas, a comportamento hiperativo aparece em determinados

momentos da vida da crian98 sem nenhum antecedente que 0 justifique. No

case de alimentos, ja e bern conheclda a rea~o hipercinetica provocada par

agentes toxicos alimentares, entre eles:

corantes artificiais;

aditivos quimicos:

conservantes alimentares;

residuos de agrot6xicos nos alimentos;

alguns tipos de molhos;

cereais empacotados;

a9ucar refinado;

4 CYPEL, Saul. A Crianca com Deficit de Atencao e Hipera/ividade_ SP. Lemos, 2000

11

salicilato de s6dio;

salsichas;

queijos.

He. ainda muitas controversias sabre a possibilidade de que tais

substancias, principal mente as aditivos qufmicos, corantes artificiais e 8yucar

refinado, possam ser considerados, isoladamente, causa da doenc;:a. Mas he.estudos que constataram uma melhora no quadro clinico do TDAH quando

seus portadores fcram submetidos he. urna dieta sem as substancias citadasaeima.

o TDAH tambem pode ser causado por algumas doen9as e, asprincipals sao:

Ave (acidente vascular cerebral);

Apneia do sona;

Hipertireoidismo;

Traumatismo craniano;

Deficiencia vitaminica;

Malformac;:oes congmitas;

Traumatismo craniano;

Encefalites;

Esclerose multipla;

Les6es cerebrais em geral;

Enterobfase;

Neurofibromatose;

12

Fenilcetonuria;

Intoxicac;ao par chumbo;

Vazamenta de radiac;oes;

ExposiC;80a campos eletromagneticos.

Outra passlvel causa do TDAH e a genetica. Muitos estudos foramrealizados a respeito deste assunto e sugerem que a genetica seja 0 fator

causal principal do TDAH.

Em 1989 fai realizado um estudo par Safer, que concluiu que hitmaior

incidencia de TDAH entre irmaos completos do que em meio irmaos.

Muito tern sido estudado sobre a inftumciado fator genetico no TDAH

e tem-se observado que crian

13

"0 TDAH tambem pode ser causado por um desequilibrio de dopamina

e noradrenalina, neurotransmissores (responsaveis pela comunicaqao entre

os neuronios). Essas substancias inibem a agitaq80 e dispersao. Quando a

crianqa nasce com elas desreguladas, tem essas caracteristicas

exacerbadas". 5

3.3 0 COMPORTAMENTO DA CRIAN9A COM TDAH

E passivel observar-se desde 0 nascimento de uma crianC;8

hiperativa os elementos que identificam 0 comportamento diferencial da

mesma.

Podese dizer que 0 comportamento hiperativo se manifesta atraves de

4 caracteristicas basicas:

excesso de atividade psicomotora;

impulsividade;

desateng:ao;

dificuldade em lidar com as frustra90es.

o exceSSQ de atividade psicomotora ocorre atraves de umaatividade motora intensa, composta par movimentos involuntarios,

associ ados aos movimentos voluntarios, que a crian98 nao consegue

controlar.

5 ANDRADE, Enio. Jamal de Psiquiatria do He de SP. 1999

14

A impulsividade e caracterizada principal mente pela impaciencia, pois acriany:8 com TOAH nao espera a sua vez e interrompe, a todo momento, as

pessoas que 0 cercam. Alern disso tende a fazer eoisas sem pensar nas

conseqOencias, provocando acidentes principal mente com ela propria.

Ja a desaten

Nao enlende palavras com duplo senlido, piadas ..

Dificuldade em compreencter 0 que Ie.

Dificuldade para distinguir formas e tamanhos.

Dificuldade de colorir, escrever e recoriar.

Falla eslabilidade no uso das maos.

Letras e palavras 80 contra rio.

Esquece facil.

Demora no desenvolvimento da linguagem.

Dificuldade de S8 expressar verbalmente.

Repele tudo 0 que exige atividade mental prolongada.

Distrai-se facilmente com estimulos irrelevantes.

Muda rapidamente de uma atividade para Qutra.

Mexe as maos e as pes com frequencia.

Tem dificuldade de permanecer sentado.

Nao S8 envolve silenciosamente em brincadeiras.

Pareee ser movida "8 motor",

Muito sensfvel a qualquer comentario.

Esta sempre S8 envolvendo em disc6rdias.

Explode com facilidade, mas nao e mau humorado.

Fala muito.

Responde anles de ouvir loda a pergunla.

Dificuldade em esperar a sua vez.

Se intromete nas atividades alheias.

E agressiva.

15

16

Obstinado - inacessivel - Insalente.

Relacionamento inexistente.

Sociabilidade ruim, faz amizade facii mas nao con segue manter.

Medidas disciplinares nao funcionam com ela.

Vive isolada.

Ambiente Familiar.

Chora em demasia quando recem-nascido.

Sente muitas c6licas.

Apresenta distUrbio de sana.

o Perda de 16lego.

Faz birras como bater a cabeya no chao, se morder, puxar as

cabelos.

Bruxismo.

Sonambulismo.

Soniloquio.

Demora a controlar a urina.

o Comportamento inquieto, teimoso e rebel de.

Nao sabe brincar.

Carre muito, tropeya, cal.

Apresenta dificuldades para: vestir, despir, abotoar, amarrar cordao.

Quase tudo cai das maDS.

o Nao presta atengao a detalhes.

Claridade, ambiente ruidoso e roupas apertadas inca mod am.

17

Social mente desinibida, sem reservas e despreocupada.

Carre muito e sobe em objetos.

reclama muito de dares no corpo.

Culpa as outros par seus fracassos.

Problemas na orientayao esquerda e direita.

Impressao de que as vezes ouve bern e as vezes nao.

Dificuldade em ouvir em ambiente ruidoso.

Propensa a S8 acidentar com frequemcia.

Precisa de multa supervisao.

Resiste as mudan98s, prefere a retina.

Mudan9as de humor.

3.4 A HIPERATIVIDADE NO CONTEXTO EDUCACIONAL

BRASILEIRO

Durante 0 seculo XX Dcorre urna radical transforma98o das sociedades

e do saber educativD, devido a diversos fatores hist6rico-sociais como par

exemplo: urna sociedade cada vez mais tecnol6gica, mais dinamica e mais

aberta, e que exige a formayao de pessoas capazes de fazer frente as

inovayOessociais, culturais e tecnicas.

Neste contexto de transforma90es surgem diverses mevimentes e

modismos educacionais, e os professores se veem obrigados a adotar linhas

de pensamenlos, as quais nao compreendem profunda mente.

18

Devida as transformar;oes pedag6gicas muitos professores Veern-S8

perdidos entre as varias correntes, e as quest6es que envolvem a disciplina

em sala de aula, passam a ser tema constante das discuss6es sabre

educa9ao.

No Brasil, a indisciplina na escola e urn problema frequente.Contribuem para isto, a ma formaC;:8o profissional do professor, a rna

organizac;:aodas escolas, a rna forma

19

Em vias de desistir - ja estao S8 conformando com a situacao.

Muitos dos comportamentos ~indisciplinados" fazem parte do quadro

diagn6stico de hiperatividade, porem isto apenas naD e 0 suficiente para

afirmar que as criantyas indisciplinadas - os bagunceiros - sao crianc;:as

hiperativas.

Este tipo de atitude e demasiado prejudicial a crianc;:a que ja S8

encontra estigmatizada como "0 bagunceiro", percebe-se que 0 diagnostico de

hiperatividade passa a ser utHizado como excelente desculpa par pais e

professores que naD sabem como colocar Iimites nas crianc;:as, desta forma 0

problema passa a ser vista nao como urna falha educacional mas sim como

urn problema patologico.

Com [ssa 0 problema tanto da indisciplina quanta da crian98 hiperativa

agrava-se ainda mais, 0 professor mal formado nao sabe como lidar com esse

tipo de crian

20

Estudos feitos nos EUA mostram que e passivel amenizar as sintomasdo TDAH atraves de estrategias de intervenc;ao no comportamento, com feed-

back freqOente e supervisao individual ajuda a manter a atenyao da crianC;8.

Taretas repetitivas e pOllea retorno, par Dutro lado, favorecem 0 aparecimento

dos sintomas.

a comportamento inadequado mostrado pelos alunos com TDAHfreqOentemente interrompe a concentrac;ao de seus colegas e geralmente

resulta em relac;oes pobres com os demais alunos. Adicionalmente, esses

problemas geralmente sao acompanhados par outros associados (por

exemplo, baixa auto-85tima, depressao) que pode atetar significativamente a

performance desses estudantes.

Ha uma grande variedade de interven~es especificas que 0 professorpode fazer para ajudar a crianya com TDAH em sala de aula. Essas

intervenc;oes sao:

olhar sempre nos olhos da crianc;a, pois consegue-se "trazer de volta~

uma crianya portadora de TDAH atraves dos olhos nos olhos. Isso

ajuda a evitar a distra9ao que prejudica tanto estas crianc;as. A crianc;a

presta aten9ao e escuta melhor.

estimular a criatividade. Propor tarefas que exijam a criatividade do

aluno (explorar, construir, criar) e nao tarefas passivas (questionarios

com respostas tipo x).

Estabelecer regras, tendo-as por escrito e faceis de serem lidas. As

crian~as se sentirao seguras sabendo 0 que Ii esperado delas.

21

Mostrar as expectativas explicitamente.

Explicar e dar tratamento normal a tim de evitar urn estigma.

Ser claro e objetivo ao delinir as regras de comportamento dentro da

sala de aula - criar, juntamente com as alunos, urn c6digo de conduta

(simples, com poucas palavras, para facilitar a memoriz898o) e

escrever em uma tabela sempre visivel afixada na parede.

Ao dar instrUl;6es para a classe, solicitar que 0 aluno com TDAH

repita para toda a classe. Isso dar-I he-a duas oportunidades: de que

tenha certeza de ter entendido 0 que e esperado dele (e dos demais) eter sua auto-estima (em geral extremamente baixa) refon;ada.

Fornecer com antecectencia (preferencialmente no final do dia

anterior) urn programa com as atividades do dia a serem executadas.

As crian~s com TDAH necessitam de um ambiente estruturado.

Adetar urn ritmo dinamico de aula - de tal forma a criar oportunidade

para que todos as alunos participem, sempre com 0 cuidado de nao

permitir que 0 aluno com TDAH se empolgue demais.

Usar recursos e formas de apresenta~o nao habituais - crian98s

com TDAH adoram novidades; explorar 0 seu cotidiano e fazer disso

22

motivQ para uma aula posterior ou mesma criando urn "ganchon na aula

atual costuma ser muito proveitoso.

Utilizar metodologia preferencialmente visual - As crianC;8s com

TDAH aprendem melhor visualmente que per outros metod OS, portanto

escreva palavras-chave ao mesma tempo em que fala-se sabre 0

assunto.

Utilizar exercicios ffsicos - Exercicios (ate urn enfoque de

psicomotricidade) auxitiam sobremaneira 0 portador de TDAH, pois

ajudam a liberar 0 excessD de energia, concentrar a atenc;ao em um

objetivD facilmente entendido e visualizado (cofrer ate a linha

vermelha), estimular a labrica.,ao de endorfina, alem de ser muito

divertido.

Elogiar 0 alune com constancia - Nao apenas quando ele termina a

tarefa, mas durante 0 transcorrer da mesma, incentivando 0 seu

termino, urna vez que para 0 alune corn TDAH 0 concluir a tarefa ebastante dilicil, exigindo quase 0 triplo de concentragao (praticamente

inexistente) que as demais.

Estabelecer para 0 aluno com TDAH tarelas de conclusao rapida -

Inicialmente, para que este comece a finalizar adequadamente as

tarefas, e, aos poucos, ir inserindo maior complexidade e maior

23

dura9ao as tarefas ex;gidas, vista que 0 aprendizado de organizac;ao

para essas pessoas e extremamente penaso.

Nunca provocar constrangimento au menosprezar 0 aluno.

Favorecer frequentemente 0 cantato aluno/professor. Isto permite urn

"controle" maior sobre a crian

24

Monitorar com frequencia 0 progresso dos alunos. Crian98s com

TDAH S8 beneficiam enormemente com 0 freqDente retorno do seu

resultado. Isto ajuda a manta-las na linha, possibilitando a elas saber 0

que e esperado e S8 estao atingindo suas metas.

Ensinar resumindo. Isto auxilia no processo de aprendizagem da

crianva com TDAH.

Avisar sobre 0 que vai falar antes de falar. Se puder escrever 0 que

sera falado e como sera faJada, isto pode 5er de muita ajuda, pois este

tipo de estruturavao poe as ideias no lugar.

Fazer a crian98 S8 sentir envolvida nas atividades. Isto vai motiva-Ia

e a motivaviio ajuda 0 TDAH.

Ficar atenta a integra98o. Estas criang8s precisam S8 sentirenturmadas, integradas. HiD logo S8 sin tam integradas S8 sentirao

motivados e fieareo mais sintonizadas.

Utilizar relatorios diarios de avaliac;ao.

Utilizar uma agenda escola-casa-escola. Isto pade contribuir

realmente para a comunica9ao pais-professores e evitar reuni6es de

crises. Isto ajuda ainda no freqOente retorno de informat;o que a

crian9a precisa e para verifica98.0de tarefas.

25

Incentivar urna estrutura do tipo auto-avaliacyao. Troca de ideias apas

as aulas pode ajudar.

Deixar 0 alune rodeado de boas companhias, ele precisa de modelos

para se estimular.

3.5.1 COMO LlDAR COM CRIAN9AS COM TDAH NO

AMBIENTE FAMILIAR

Muitos pais de crian98s com TDAH pensam que seus filhos sao como

as outras criany8s, nao apresentam nenhum tipo de problema, 56 sao urn

pouco agitadas demais, e par isso lidam com elas da mesma forma que com

Qutras crianyas, aplicando as mesmas castigos e recompensando-8s da

mesma forma.

Os pais nao sabem que agindo assim eles 56 estao prejudicando 0 seu

filho. porque uma crian9a com TDAH precisa de um tratamento especial, de

urna maneira pr6pria de lidar com seus problemas.

Por issc, logo abaixo, mostraremos algumas estrategias, baseadas na

pesquisa bibliografica, que podem ajudar os pais de criangas portadoras de

TDAH.

Falar com a crian98 claramente, usando uma linguagem simples.

Evitar dar muitas ordens ao mesmo tempo, assim ele gravara melhor

26

as informay6es que Ihe fcrem passadas.

Falar com a crian~ sempre "face a face", usanda urn tom de voz urn

pouco mais alto e ge5t05 manuais que enfatizam as palavras mais

importantes.

NaD falar com a crianC;:8 quando ela esta em Dutro comodo da casa

(da sala para 0 quarto por exemplo).

Ajudar a crianC;8 a S8 organizar, ensinando-8 a guardar as coisas

sempre no mesma lugar, pOis isso tara com que se lembre cnde as

deixa.

Enxergar as qualidades da crianya e mostrar isso para ela.

Incentivar a crianC;8 a fazer atividades que 905te.

Elogiar a crianya sempre que ela veneer urn obstaculo, pois ela

precis8 adquirir autoconfian~.

Antes de mais nada, as pais precisam ter urn conhecimento preciso do

que e 0 TDAH para poder controlar em casa 0 comportamento da crianc;:a quepossui tal disturbio.

27

Os pais devem estar conscientes que a punic;ao para crian~s

portadoras do TDAH nao ira reduzir as sintomas de seu filho, 56 se a punic;ao

for acornpanhada de urna estrategia de contra Ie.

o que realmente importa para 0 sucesso da crianc;:aportadora de TDAH na vida e 0 que existe de certo com ela enaD a que esla errado. Cada vez mais, a area da saudemental focaliza seu trabalho em aumentar as pontcs fortes em

vez de tentar diminuir as pontcs fracos, Urna das mel hares

maneiras de criar pontcs fortes e uma boacom seus filhos. 7

3.6 AS CRIAN9AS COM TDAlH NAS AULAS DE EDUCA9AO

FislCA

Existem diferenC;8s substanciais entre 0 comportamento das crianc;as

hiperativas nas aulas de Educa,iio Fisica e aquele nas aulas de atividades

rotineiras.

A primeira diferent;a fundamental concerne a situar;ao em que ascrianC;8S S8 encontram, pois, nas aulas de EduC8C;80 Ffsica, a situ8geo e deespontaneidade, onde a liberdade de expresseo corporal e a con stante, sem

causar nenhum empecilho ao decorrer do trabalho.

Uma segunda diferenga, que entendemos ser relevante, e 0

7 GOLDSTEIN, Sam. Cornpreensao, avafiac;ao e atuac;ao: urns visao geraJ sobre 0 TDAH.Porto Alegre: Artes Medicas, 2000

28

favorecimento que uma aula de EducaC;80 Fisica presta ao relacionamento

afetivo aluno~aluno e aluno-professor, facilitando desta forma urn aumento

consideravel da auto-imagem e da auto-8stima da crianY8.

Crian98s hiperativas, tanto as ativas como as passivas,

necessitam com maior frequencia de atividades que envolvam exercicios

de controle segmentar, exercicios sensoriais calmantes, bern como

de exercfcios de desconcentrag8o total e parcial dos segmentos

corporais.

Julga-se que estes constituem os recursos pedagogicos de maior

importancia no trabalho com hiperativos.

Para situar melhor 0 problema. pode-se afirmar que hoje, no Brasil,

apesar das leis pertinentes a Educ8c;ao Fisica garantirem tres aulas semanaisda materia no ensina de Primeiro Grau (series iniciais), estas nao sao

ministradas, por varios motivos, a saber:

1) porque os professores regentes de ciasse nao se sentem habilitados

a dar uma sessao de EduC8t;80 Fisica;

2) porque uma parcela dos professores regentes de classe entende

que e mais importante ficar na sala de aula, buscando sanar os

problemas surgidos, com recursos pedag6gicos de ordem cognitiva;

3) porque a escola nao dispoe de espa,o fisico adequado e de material

necessario para que se realize uma aula de Educat;80 Ffsica;

4) porque existe ainda falta de conhecimento a respeito dessas

sindromes, e das a90es psicopedagogicas, recomendaveis a cada

caso, atraves da educayao pSicomotora.

29

Provavelmente, existem Qutras causas que justifiquem 0 porque dos

professores naD ministrarem as tres aulas semanais de Educ8c;:ao Fisica no

ensina de Primeiro Grau.

Mas e preciso que S8 diga que existem escolas em que, muito emborao professor de Educayao fisica tenha carga horaria suficiente para atender as

crianC;:8s da 1a a 4a serie, par quest6es administrativas. au ate mesma par

despreparo profissional, as crianC;:8s deixam de ser assistidas com uma

melhor a~ao pedagogica.

Em Qutros casas, que sao excey6es, as tres aulas semanais

de Educ8c;:ao Fisica sao ministradas pela propria professora regente de

classe, mas a aula fica restringida a brinquedas recreativQs, quando naD a

atividades livres em um pequeno parque infantil, havendo falta, entao, de uma

atividade mais especializada, de encontro as necessidades que devem ser

supridas.

Reconhece-se, entretanto, que existem escolas que se preocupam

com 0 trabalho especializado em Educa

30

o investimento na Educac;:ao Psicomotora na escola de Primeiro Graunao deve ser constituido por um trabalho isolado do professor de Educa9ao

Fisica, mas devera haver urna integraC;:8o interdisciplinar, para que S8 possam

avaliar constantemente as resultados e avan

31

A ultima tentativa do professor, na maioria dos casas, e procurar aforma de sanar, atraves da C08C;:

32

em prine/pios operantes de condicionamento". 8 Alem disso ha tambem as

terapias alternativas as quais tern sido cada vez mais utilizadas.

A terapeutica farmacologica e quase sempre utilizada nos cases ondeo diagnostico e precise e ha comprometimento na vida da crianc;a.

As drogas utilizadas no tratamento do TDAH sao as psicoestimulantes,

principalmente 0 Metilfenidato, a Dextroanfetamina e 0 Pemoline. elas

estimulam 0 funcionamento do sistema central aumentando 0 grau de atenc;ao

da crianC;8 e tambem amenizando a sua impulsividade.

Apesar dos psicoestimulantes, geralmente trazerem resultados

positiVQS, eles tambem podem causar alguns efeitos colaterais, como:

redu9ao de apetite;

insonia;

humor instavel;

cefaleia;

dares abdomina is;

irritabilidade;

nauseas;

palidez.

Essa drogas, se forem utilizadas por um longo periodo, ainda podem

trazer Qutras cansequencias:

alucinagoes;

8 BARKLEY, R.A. A review of stimulant drug research with hyperactive children in; CYPELSaul. A crianc;a com deficit de atenc;ao e hiperatividade. SP: Lemos, 2000.

33

rea~6es f6bieas;

sindrome de Gilles de 18Tourette;

atraso no crescimento;

aumento da freqOencia cardiaca;

psicose esquizofrenica.

Eo devido aos varios efeitos colaterais existentes que os

psicoestimulantes ainda geram muitas discuss6es entre as melhores

especialistas em TDAH.

Outra droga que vem sendo utilizada no tratamento do TDAH e aimipramina, urn antidepressivo que passui menes efeitos colaterais que as

pSicoestimulantes. Os ef8itos colaterais da imipramina sao:

sonolencia e boca seca;

constipayao intestinal;

aumento ou perda de peso (dependendo do metabolismo da crianc;a).

"Quando indicado 0 fratamenta medicamentoso em crianq8s com

desatenqao e/au hiperatividade, a ufiliz8q80 da imipramina costuma produzir

bans resultados" 9

As Tenotiazinas sao drogas que sao usadas mais freqOentemente

para tratamento de desordens ps[quicas. Contudo, estas drogas podem

tambem ajudar no tratamento de certos tipos de hiperatividade Mellaril,

9 GUARDIOLA, A; TERRA, A.R; PEREIRA, K; ROTTA, N. Uso de farmacos na sindrome dahiperatividade com deficit de atem;ao. Arq. Neuroipsiquiatrico 55 (3-8): 598, 1997.

34

Thorazina e Stelazina sao as fenotiazinas e tern urn efeita sedativD,

desta forma trabalham na diminuicyao da hiperatividade.

Entretanto, elas tambem podem reduzir a ateng80 e a concentrac;ao,

podendo interferir na aprendizagem. Par isse, as fenotiazinas naD sao uma

terapia apropriada para as crianyas com TDAH.

As crianr;;as a quem estas drogas algumas vezes sao uteis, sao

aquelas hiperativas que sofrem de retardamento mental. Algumas vezes a

extensao da hiperatividade destas crianC;8s com retardamento e urn problemabastante dificil. Desde que 10 a 20% das crian~as com hiperatividade e

retardamento respondem aD tratamento com anfetaminas au pemolina, elas

sao tratadas com fenotiazinas. "Metade destas criam;as mostra urn

decrescimo da hiperatividade quando famam esle tipo de medic8980". 10

o tratamento com fenotiazinas deve ser controlado com grandecuidado devido aos seus varios efeitos colaterais. Estas drogas aumentam 0

risco de ataques convulsivos em pacientes epilepticos, e, alem disso, tern sido

associadas com as disfun90es hepaticas, alem do ganho excessivo de peso.

A terapia prolongada com estas drogas pode causar uma condi~ao chamada

de discinesia tardia, na qual a pessoa tem continuamente movimentos

limguidos, em seus bra90s e suas pernas.

A maior parte destes efeitos passa, assim que a medica9aO e

interrompida. Contudo, a discenesia tardia pode afetar urn numero de

individuos que tomaram fenotiazinas par mais de 5 anos e entao So geralmente

permanente.

10KAPLAN, H. I; SADOCK, B.J. Manual de farmacoterapia em psiquiatria. RJ: Guanabi3ra.Koogan. 1993.

35

Outras drogas, alem das citadas ate 0 presente momento, tem sido

utilizadas para 0 tratamento do TDAH. Benadryl, um antiestaminico;

Tofranil) urn antidepressivo; e Deanal, urn ansiolitico; tern sido usados, com

sucesso relativo.

A cafeina urna V8Z foi proposta como tratamento para 0 TDAH, mas

tambem nao deu 0 resultado esperado. "Ha uma me/hora em crian98s

normais quando utilizam cafeina, mas na~ he uma me/hora consistente da

performance de criang8s com TDAH com a mesma medicac;ao".11

Finalmente, a megavitamina teve sua terapia tentada. A ideia por tras

desta tentativa era que urna deficiencia de vitamina au de enzima, que

pudesse ser corrigida com a ingestao de vitaminas, poderia corrigir a

hiperatividade.

Entretanto, estudiosos mostraram que a deficiencia vitaminica naD

existe e que esta terapia nao traz beneffcios para a hiperatividade e para a

desordem de deficit de aten9iio. Alem disso, algumas criangas que receberam

esta terapia megavitaminica, desenvolveram um funcionamento anormal do

figado.

Outre tratamento muito utilizado sao as psicoterapias, entre elas esta a

terapia comportamental, a qual pode apresentar, as vezes, um resultado

terapeutico satisfat6rio, mas deve ser realizado de acordo com a gravidade do

disturbio da crianc;a.

"A indicar;ao do procedimento psicoterapico ficara na dependencia das

caracteristicas de cada caso, considerando-se a idade da crianc;a, a

11 HUGHE, JR & HALE, k. L. IN: CYPEL, Saul. A criant;a com deficit de atenl;iio ehiperatividade. SP: Lemos, 2000.

36

inlensidade das aftera90es de comportamenlo, sua refa9ao com a eslrulura

famifiare 0 impacto que esta causando na conv;vencia dessa familia. ,,12

"Dulra lenlaliva para conlrofar 0 TDAH e mudar a afimenla9ao dacrian98." 13 0 Dr. Benjamin Feingold propos que alimentos contendo

salicilatos, a~ucares, alimentos com corante e outros aditivos levarn ao TOAH

e portanto, sugeriu que as crian~s hiperativase com deficit de atenyao

deixassem de consumir estes alimentos, tais como amendoas, mayas, abrico,

cerejas, pepinos, uvas, tomates e 0$ produtos derivados destes alimentos.

Ele encontrou sucesso na metade das crian98s tratadas com esta dieta.

Contudo, pesquisadores tern sido incapazes de reproduzir seus

resultados sob condi90es controladas. Nestes estudos, menes de 10% das

criangas responderam a diela de Feingold. Mesmo pensando que a pesquisanao dava suporte aos estudos e resultados de Feingold, as pais relataram que

tentar a dieta Ihes fornecia alguma caisa com estar rna is atento a crianc;a eajudava a redistribuir seus sentirnentos de culpa e de ajuda.

E passivel que cam urn melhor sentimenta, as pais possam flcar mais

habeis no cuidada de seus filhos e mais proximo dos problemas deles e isso,

cam certeza, reflete positivamente no comportamento da crianc;a.

Ha ainda oulros Iralamentos prescritos para 0 portador de TDAH, eles

Homeopatia => dentre todas as medicac;oes, ela tern demons-trado

ser a mais eficaz a longo prazo.

12CYPEL, Saul. A criant;acom d(dicit de atenr;aoe hiperatividade. SP: Lemos, 2000.13 FEINGOLD IN: GORODSCY, Regina. A criant;a hiperativa e seu corpo: um estudocompreensivo da hiperatividade em criant;as.SP: USP. 1991.sao:

37

Florais de Bach :::::) naD reconhecido como medic8980 pela

AssOci8IYBO Medica, e uma constanta a informa~o pelos pais demelhora significativa das crian,as tratadas com eles. Porem, e

necessaria buscar informa~o seria e vasta para a sua utiliz8Q80.

Psicomotricidade :::::)0 aprendizado pelo individuo hiperativo de urn

melhor controle sobre a sua movimentar;iio ( em geral desarticulada)

costuma trazer beneficios de grande valia, ate e principal mente de

auto-afirmar;iio. Melhora a aten,ao e concentra,ao.

Acupunlura => traz beneficio ao portador de TDAH, porque deixa-o

mais relaxado, amenizando sua a9ita980.

3-7.1 A MUSICA COMO INSTRUMENTO TERAPEUTICO PARA

TRATAMENTO DO TDAH

A musica e uma parte forte de nossa heranya cultural e, certamente,uma parte importante e natural nos anos de crescimento da crianC;8.

ObselVa~es de jogos infantis mostram como a crianC;8 revela extraordinaria

e expressiva habilidade criativa par meio da musica.

Educadores tern usado durante muito tempo a musica para instruir,

facilitar a aprendizagem e encorajar 0 afeto do aluno para consigo mesmo e

para com a outro, bern como a socializa~o. Esta forma nao verbal de

educar;iio satisfaz a crianya que pode experimentar, por meio da musica,

altera~6escognitivas, afetivas e sociais expressivas.

38

A Psicologia da Musica tern se preocupado, neste saculo, em estudar a

musica sob a perspectiva do Quvinte. Pesquisas tern se desenvolvido na

dire,iio do estudo da qualidade auditiva, da percep,iio dos sons, atravas de

testes auditivos, da influencia do ambiente acustico e social na audi9Bo e das

formas de comportamento do ouvinte. Muitos destes estudos tern S8

preocupado em pesquisar as sons, tradi90es e sistemas diferentes a cultura

musical ocidental, enfocando 0 hist6rico-social. Desta forma, alguns

pesquisadores manifestam sua preocupayao na influencia que os sons podem

exercer no ser humano.

Os sons provocam impacto no inconsciente do indivfduQ, burlando as

mecanismos de defesa de seu proprio Eu (... ) e, atuam da mesma forma,

pois, como as medicamentos psicotropicos e drogas, provocam e mobilizam

condutas e emoc;6es nao controlaveis. Por isso, a musica pode ser utilizada

no tratamento de individuos portadores de TDAH.

A musica sendo vista sob 0 angulo terapeutico, tern sido estudada e

aplicada ha aproximadamente cinco decadas, por meio da musicoterapia,

que pode ser definida como 0 campo da medicina que estuda 0

complexo som-ser humano-som, para utilizar 0 movimento, 0 som e a musica,

com 0 objetivo de abrir canais de comunica98o no ser humano, para produzir

efeitos terapeuticos, psicoprofilaticos e de reabilitayao no mesmo e na

sociedade.

o papel que a musica tem na vida do homem e enriquece-Io, sendo

este uma das principais fun90es da musicoterapia, em especial para crianyas.

Par outro lado, as sentidos proporcionam 0 material basica da que ha de ser a

inteligencia humana. Os mesmas necessitam se desenvolver em um ambiente

39

musical, pais este favorece a percepC;8o sensorial 8, consequentemente, 0

enriquecimento do homem. A carencia de estimulos sensoriais pode naD 56

prejudicar 0 organismo jovem, como tambem pode levar 0 ser humano adulto

a manifestar urn comportamento anormal, perdendo 0 sentido de si masmo e

sofrendo alucinac;oes.

Como urn estimulo sensorial, a musica compreendida par seus

elementos. ou saja, melodia, harmonia e, em especial, 0 fitmo, I urn

componente significativQ na natureza social do homem.

A estatica musical, a partir do interesse da Filosofia e da Psicologia,

busea esclarecer conceitos como linguagem, significado e expressao, vista

que a dicotomia entre a musica como expresseo OU forma paraee tar perdido

seu sentido. A linguagem pode ser entendida como uma rela""o de igualdade

com 0 pensamento, facilitando a expressao do mesma. Por meio da

linguagem os pensamentos adquirem valor subjetivo e, finalmente, existencia

ideal. Percebe-se, desta forma, que a musica como forma e expressao ecomo compor um quadro, e encontrar a palavra adequada para expressar urnfato, urn afeto au urna impresseo, au seja, a mesma une 0 pensamento alinguagem.

A musica, enquanto linguagem e vi sao fenomenoI6gica-8xistencial, epercebida como urn sistema que favorece a expressao e e tida como uma artetemporal, desenvolvendo-se no tempo, unindo presente, passado e futuro euma tentativa de substituir uma relal'ao de objeto perdida.

Urn desenho au um quadro sao antes de mais 0 retrata de

algumas eoisas, realizado com ajuda de linhas e cor, mas, nem sempre tern

um significado estetico, um efeito emotivo (por exemplo, uma ilustral'ao de um

40

livre de texto}. 0 mesma S8 pode dlzer da literatura e da descriC;overbal no

sentido mais amplo do terma. A musica, em contra partida, nao tern nenhum

significado S8 naD e uma reac;ao emotiva perante ela. As crianyas naD a

entendem como objeto estatico, a naD ser que S8 dirija de modo direto e

especifico aos seus sentidos; casa contrario, naD tern men or significado para

as criang8s.

Entao, va-s8 que a musica pode auxiliar significativamente no

tratamento da hiperatividade, fazendo com que as criant;;;8S, que S8

apresentam normalmente tao agitadas, podem S8 acalmar, conseguindo

assim realizar as suas tarefas.

3.7.1.1 A MUSICA NA ESCOLA

Mesma uma escola vazia apresenta vestlgios e lembranC;8s do que

aconteceu e pode acontecer ali. Assim naD ha 8goes desprovidas de multiplossignificados. nao ha espa,os vazios de expressoes ou possibilidades do que

podem representar ou abrigar em termos de experiemcias humanas. Nao ha,

por si propria, uma escola vazia de expressao e significado, considerando-se

que esta "vive" conhecimentos, emogoes e experiencias de inumeras criangas

e professores que depositam nela parte de suas vidas. Outra parte mostra urn

lado tragico de um quadro interminavel. 0 lado tragico e aquele ondetransparece 0 estado de palidez em que ainda se encontra nosso trabalho

pedag6gico, carente de op,oes reftetidas e do vigor necessario as a,oes

educacionais.

41

o pedatyo interminavel desse quadro e aquele que deixamos de tratar,

as vezes par esquecimento, Qutras par incapacidade e algumas par opc;::ao.

Por op

42

versus coordenary8o psicomotora e que as criangas hiperativas apresentammais dificuldade nos movimentos delicados, que requerem maior capacidade

de concentrayao, nac apresentando muita persistencia para a realizac;ao do

gesto motor.

Entre as atividades psicomotoras necessarias para 0 aprendizado na

escota, as dificuldades bern evidentes estao no ato motor de escrever.

Manifestam geralmente uma escrita em forma de garatuja, com letras

disformes e, na maioria das vezes, ilegiveis.

Estes comportamentos ficam explicados pelo pouco uso do lapis, pela

falta de independencia segmentar dos dedos em rela9aOa mao e pela falta depersistencia em realizar atividades que requeiram determinado tempo de

concentrac;ao.

Nas atividades psicomotoras que determinam movimentos amplost

conseguem relativQ sucesso, mas naD de forma regular, quase sempre

realizam 0 movimento incompleto, tal e a impulsividade que manifestam noseu comportamento.

Em contra partida, quando realizam tarefas que sao do seu interesse,

mostram ter, em determinados momentos, 0 pleno dominic corporal,

contrastando com 0 que S8 observa quando se Ihes determina que realizem

outras tarefas.

Deve-s8 explorar ao maximo as atividades que os atraem, utilizando

este canal como meio de desenvolvimento do seu dominio corporal e do

controle de sua dispersao.

Observa-se, nas criangas hiperativas, que, no momenta em que

43

adquirem urn melhor freio inibit6rio, sua coordena9ao psi como tara melhora

tarnbam, de maneira consideravel, como urn todo.

3.9 COMORBIDADES

E muito comum ficarmos na duvida a respeito da causa real do

comportamento de uma crianc;a ou jovem com TOAH. A razao dessa duvida

sao os varios problemas que provocam sintomas identicos aos do TDAH. Em

alguns cases, a falta de diagnostico do transtorno pade levar a diagnosticos

de Ansiedade, Depressao ou Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). Em

Qutros, a intensidade dos sintomas de TDAH pade provocar Transtorno de

Conduta ou Depressao.

Mas esses transtornos tarn bam ocorrern simultaneamente com 0 TDAH

- as chamadas comorbidades - e devem ser tratados ao mesma tempo,

embora de maneira diferente e especffica, de acordo com as recomendac;oes

pr6prias para cada urn.

o objetivo de uma avalia9iio abrangente, portanto, e definir

exatamente as condi90es que estao provocando os sintomas apresentados

pela crian98.

E preciso muito cuidado ao se fazer um diagnostico de TDAH, pOis

algum tipo de desaten9ao ou hiperatividade pode ser caracteristico da faixa

eta ria, escola au curriculo inadequadas padem originar comportamenta

identico aquele resultante de TDAH, da mesma forma que urn ambiente

familiar caotico pode gerar comportamentos nao aceitaveis. Quanto mais

44

ceda for feito 0 diagnostico, mas facil evitar 0 desenvolvimento de Qutros

problemas. Urn profissional com bastante experiencia no assunto dave sar a

pessoa a comandar a ava1ia98.0, de modo a possibilitar urn tratamento correto

e adequado.

As comorbidades que mais freqGentemente acompanham 0 TDAH sao:

- Transtorno Opositivo Desafiador (60%)

- Problemas de Aprendizagem (40%)

- Transtorno de Conduta (30%-40%)

- Depressao (40%-50%)

- Ansiedade (25%)

- Transtorno Bipolar (25%)

- Sindrome de Tourette (50% dos que tem esse diagnostico tem

tambem TDAH)

o Transtorno Opositivo Desafiador est'; relacionado comdificuldades dos pais em lidarem com as filhos, urn ambiente familiar

disfuncional e a urn historico de depressao em urn au ambos os pais. 0

comportamento padrao das crian~as e negativo hostil, apresentando-se

argumentadores, frequentemente perdendo a cabey8, incomodando au

culpando os Qutros deliberadamente. Distingue-se do comportamento de urn

portador de TDAH por na~ apresentar a agitayao marcante que 0 caracteriza,

o mesmo padrao de desatenyiio, a impulsividade tipica e atrasos no

desenvolvirnento.

Os Transtornos da Aprendizagem s6 sao assim denominados

quando houver uma discrepancia visivel entre 0 potencial intelectual e 0

45

desempenho academico. Normalmente, aparecem quando 0 trabalho escolar

S8 torna mais dificil e a crian98 precisa apresentar urn rendimento que nao ecapaz. Os problemas de atengElo sao relacionados com tarefas especificas,

em contraposigiio com os problemas globais de atengiio que um portador de

TDAH apresenta. Ao S8 fazer 0 diagnostico diferencial, naD esquecer que ele

t8m urn hist6rico precoce de hiperatividade.

A Depressao S8 caracteriza par urna mudan98 de comportamento

durante 2 au 3 semanas. Nesse perfodo, ha aumento da negatividade, perda

de interesse au prazer par atividades exercidas anteriormente, as problemas

de ateng80 sao relacionados com tarefas especificas, a disposit;;ao geral e deirritabilidade, desamparo e infelicidade. No TDAH, as sentimentos de tristeza,

desamparo e baixa auto- estima sao resultado da defieiEmeia de eapaeidade,

os problemas perduram por longo tempo, a falta de aten9lio e global e estiiopresentes superexeita

46

considera980 essas Qutras condi90es: intoxicay80 par ferro, problemas

sensoriais - principal mente auditivos - rea90es a medicamentos, abuso de

substancias quimicas. retardo mental, hipertiroidismo, anemia per deficiencia

de ferro, Sindrome de Tourette I tiques au expectativas inadequadas do meio

ambiente (ex: escola).

47

4CONCLUSAO

o TDAH na infaneia, segundo pesquisa americana, atinge cerca de 5%das crian

48

Percebe-se assim, que ainda naD existem pad roes corretos para a

identifica980 e para 0 tratamento de tal disturbio.

Ao observar-se urna crian98 com comportamento hiperativo,

deparamo-nos com urn enorme leque de possibilidades diferentes quanta a

origem do problema au aos fatores intervenientes, apontando para a grande

heterogeneidade desta sfndrome.

49

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