Ultrassonografia modo B e Doppler na avaliação renal · PDF fileUltrassonografia...

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  • Pesq. Vet. Bras. 37(7):759-772, julho 2017DOI: 10.1590/S0100-736X2017000700018

    759

    Ultrassonografia modo B e Doppler na avaliao renal de ces submetidos tomografia computadorizada aps

    administrao intravenosa de diferentes meios de contraste iodado1

    Cludia Matsunaga Martn2*, Marcia Mery Kogika3, Samantha Ive Miyashiro4 e Ana Carolina Brando de Campos Fonseca-Pinto5

    ABSTRACT.- Martn C.M., Kogika M.M., Miyashiro S.I. & Fonseca-Pinto A.C.B.C. 2017. [B-mode and Doppler ultrasonography in the renal evaluation of dogs undergoing computed tomography after intravenous administration of different iodinated con-trast media.] Ultrassonografia modo B e Doppler na avaliao renal de ces submetidos tomografia computadorizada aps administrao intravenosa de diferentes meios de con-traste iodado. Pesquisa Veterinria Brasileira 37(7):759-772. Programa de Ps-Graduao em Clnica Cirrgica Veterinria, Faculdade de Medicina Veterinria e Zootecnia, Universi-dade de So Paulo, Av. Prof. Orlando Marques de Paiva 87, Cidade Universitria, So Paulo, SP 05508-270, Brazil. E-mail: [email protected]

    Contrast-induced nephropathy (CIN) is an acute disease, secondary to intravascular ad-ministration of iodinated contrast media (ICM). The most important mechanisms of this nephropathy are intrarenal prolonged vasoconstriction, medular hypoxia, and ischemia associated with renal tubular damage due to contrast cytotoxicity. Owing to the limited information available in veterinary literature regarding these mechanisms this study aims to compare the renal effects of intravenous administration of two nonionic ICM of different osmolarities in groups of dogs with risk factors for CIN development, by using a B-mode, color, power- and pulsed-wave Doppler ultrasonography, and other laboratory tests, in or-der to indirectly estimate the nephrotoxic potential of each contrast. The following two groups were established according to the nonionic ICM used: the GIH group [11 dogs ad-ministered iohexol (low osmolarity)] and the GID group [seven dogs administered iodixa-nol (iso-osmolarity)]. Both the groups were administered the same dose (600mgI/kg/IV). The following renal aspects were evaluated before administration of ICM (baseline) and after 1h30min, 24h, and 48h: renal morphometry (length and volume), renal morpholo-gy, cortical echogenicity, renal perfusion, and intrarenal vascular resistance (resistive and pulsatility indices); in addition, urinalysis was performed, and urinary gamma-glutamyl transferase:creatinine ratio (GGT:C), urinary protein:creatinine ratio (UPC), and serum cre-atinine were also measured. Both groups showed similar characteristics with respect to the length, volume, UPC ratio, urinalysis, and serum creatinine levels. No similarity was obser-ved with respect to the pulsatility index (PI) in both the groups and there were no signifi-cant differences between baseline and 1h30min, 24h and 48h time points. With respect to the IR and urinary GGT:C, both groups showed no similarity, and significant increases were

    1 Recebido em 13 de maio de 2016.Aceito para publicao em 6 de dezembro de 2016.Parte da tese de doutorado do primeiro autor.

    2 Doutora pelo Programa de Ps-Graduao em Clnica Cirrgica Veteri-nria, Faculdade de Medicina Veterinria e Zootecnia (FMVZ), Universida-de de So Paulo (USP), Cidade Universitria, Av. Prof. Orlando Marques de Paiva 87, So Paulo, SP 05508-270, Brasil. *Autor para correspondncia: [email protected]

    3 Docente, Departamento de Clnica Mdica, Faculdade de Medicina Ve-terinria e Zootecnia (FMVZ), Universidade de So Paulo (USP), Av. Prof. Orlando Marques de Paiva 87, Cidade Universitria, SP 05508-270, Brasil.

    4 Departamento de Clnica Mdica,Faculdade de Medicina Veterinria e Zootecnia (FMVZ), Universidade de So Paulo (USP), Av. Prof. Orlando Marques de Paiva 87, Cidade Universitria, SP 05508-270, Brasil.

    5 Docente, Departamento de Cirurgia, FMVZ-USP, Av. Prof. Orlando Mar-ques de Paiva 87, Cidade Universitria, SP 05508-270, Brasil.

  • Pesq. Vet. Bras. 37(7):759-772, julho 2017

    760 Cludia Matsunaga Martn et al.

    RESUMO.- A nefropatia induzida por contraste (NIC) uma doena de carter agudo, secundria administra-o intravascular de meios de contraste iodado (MCI). Dentre os mecanismos fisiopatolgicos desta enfermi-dade destacam-se a vasoconstrio intrarrenal prolon-gada, consequente reduo da perfuso renal, hipxia e isquemia medulares, associada ao dano tubular renal devido citotoxicidade do contraste. Frente existncia de poucas informaes relacionadas a estes mecanismos na literatura mdico-veterinria, objetivaram-se com-parar os efeitos renais da administrao intravenosa de MCI no inicos de diferentes osmolaridades, em grupos de ces com fatores de risco para o desenvolvimento da NIC, por meio das avaliaes ultrassonogrficas modo B, Doppler colorido, de amplitude e pulsado, pareada aos exames laboratoriais, a fim de estimar indiretamente o potencial nefrotxico de cada contraste. Constituram--se dois grupos de acordo com o MCI utilizado: o grupo GIH [11 ces receberam iohexol (baixa osmolaridade)] e o grupo GID [sete ces receberam iodixanol (isosmo-lar)]. Administrou-se a dose de 600mgI/kg/IV em ambos. Avaliaram-se os seguintes aspectos renais antes da admi-nistrao do MCI (momento basal) e aps 1h30min, 24 horas e 48 horas: morfometria (comprimento e volume), morfologia, ecogenicidade cortical e perfuso renais e resistncia vascular intrarrenal (ndices hemodinmicos de resistividade e pulsatilidade). Realizou-se ainda exa-me de urina e se mensuraram as razes gama-glutamil transferase:creatinina (GGT:C) e protena:creatinina (RPC) urinrias e a concentrao srica de creatinina. Os grupos apresentaram comportamentos similares para comprimento, volume, RPC, exame de urina e creatini-na srica. Em relao ao ndice de pulsatilidade (IP), os grupos apresentaram comportamentos no similares, mas sem diferenas significantes entre o momento basal e os demais. Para o ndice de resistividade (IR) e a razo GGT:C urinria, os grupos revelaram comportamentos no similares e se constataram aumentos significantes do IR e da razo GGT:C urinria no perodo de 1h30min aps a administrao do contraste, somente para o grupo que recebeu iohexol. Concluiu-se que o IR pode ser utili-zado para monitorar a hemodinmica intrarrenal, visto que junto com a razo GGT:C urinria, demonstrou a exis-tncia de maior potencial nefrotxico do iohexol, quando comparado ao iodixanol. Dessa forma, considera-se o uso do iodixanol, opo favorvel para ces com fatores de risco para o desenvolvimento da NIC.TERMOS DE INDEXAO: B-mode, ultrassonografia Doppler, rins, meios de contraste iodado intravenosa, nefrotoxicidade, contraste radiolgico, osmolaridade, co.

    INTRODUOMeios de contraste iodado (MCI) so substncias capazes de promover a distino de estruturas anatmicas com opacidades similares em exames radiolgicos (Thomsen et al. 2014b). Aps a administrao intravascular, 99% de sua eliminao ocorre por via renal, por meio da filtrao glomerular, sem reabsoro tubular (Morcos & Thomsen 2001, Santos et al. 2009). A excreo contnua do MCI do plasma para a urina o princpio utilizado nos exames de urografia excretora que permite avaliar qualitativamente a funo renal e aspectos anatomopatolgicos do sistema urinrio (Seiler, 2013). Sob o ponto de vista da tomografia computadorizada (TC), a difuso vascular do MCI aps a administrao intravenosa possibilita o estudo da vascula-rizao propriamente dita, ou seja, da perfuso dos rgos e o realce de leses tumorais (Thomsen et al. 2014a).

    Com o incremento dos exames de TC em pequenos ani-mais, houve uma intensificao no uso intravenoso dos contrastes iodados (Pollard et al. 2008a,b). No entanto, como todo xenobitico, essas substncias no so incuas. A estrutura qumica relaciona-se com a toxicidade e a eli-minao. J as propriedades fsicas de ionicidade, osmola-ridade, viscosidade e densidade influenciam na tolerncia e no desencadeamento de reaes adversas e preconizam que sua utilizao seja feita de forma racional (Juchem et al. 2004, Widmark 2007, Carraro-Eduardo et al. 2008).

    Os mecanismos de ao dos MCI sobre os rins so com-plexos e embora no estejam totalmente elucidados, des-tacam-se efeitos hemodinmicos que promovem vasocons-trio intrarrenal prolongada com consequente reduo da perfuso renal, hipxia e isquemia medular, que se somam injria direta sobre o epitlio tubular, propiciando a redu-o da taxa de filtrao glomerular (TFG) (Katzberg 2005, Thomsen et al. 2014a).

    Em rins de ces adultos saudveis, o potencial nocivo dessas substncias foi constatado aps duas doses, via in-travenosa, de contraste iodado em exames de TC, pela di-minuio de 17% na TFG, avaliado pela cintilografia (Kir-berger et al. 2012). No homem, desidratao, senilidade, insuficincia cardaca congestiva (ICC) e disfuno renal preexistente so consideradas fatores de risco de maior relevncia, que potencializam os efeitos renais dos MCI, predispondo reao adversa renal tardia, tambm deno-minada nefropatia induzida por contraste (NIC) (Morcos 1998, Murphy et al. 2000, Thomsen 2003, Toprak 2007, Wong & Irwin 2007, Bartorelli & Marenzi 2008, McCul-lough 2008, Pucelikova et al. 2008, Santos et al. 2011, Rud-nick et al. 2014).

    A NIC definida como o declnio agudo da funo re-nal e reconhecida pela elevao de 25% ou 0,5 mg/dL na

    observed in the resistive index (RI) and urinary GGT:C only in the GIH group, 1h30min after contrast administration. In conclusion, RI can be used to monitor intrarenal hemo-dynamics, and along with the urinary GGT:C, revealed that iohexol had higher nephrotoxic potential than iodixanol. Thus, iodixanol is considered a favorable option for dogs with risk factors for CIN development.INDEX TERMS: B-mode, Doppler ultrasonography, kidneys, intravenous iodinated contrast media, nephrotoxicity, radiocontrast media, osmolarity, dog.

  • Pesq. V