Uni Duni Te, um poema pra você !

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Coletânea de poemas para crianças. Poetas colaboradores participantes da rede social Facebook. Publicação artesanal.organizado por Tânia Amares Buenoano de publicação 2015

Transcript of Uni Duni Te, um poema pra você !

  • COLABORADORES do volume 1

    POETAS

    Aden Leonardo, Adriana Aneli Costa Lagrasta, Adriane Garcia, Amanda Vital,

    Ana Lcia de Paula, Ana Peluso, Beto Bernardo, Bianca Veloso, Caetano Lagrasta,

    Carina Bueno, Carla Diacov, Carmen Picos, Clia Moura, Chris Herrmann,

    Clarissa Macedo, Claudio Castoriadis, Eder Asa, Eliane Oliveira, Eliana Mora,

    Tania Amares.

    ILUSTRADORES (fotgrafos, desenhistas)

    Mara Franco, Mariana Baslio, Mariana Gouveia, Marina Ribeiro Carreira,

    Quimera Araucria, Rafael Ramos, Silvia Maria Ribeiro, Tania Amares

    2a. edio

  • Agradecimentos sinceros a todos os poetas e ilustradores que colaboraram na seleo e envio

    de material para a concluso deste primeiro volume da srie de poemas para crianas.

    A publicao foi pensada para o pblico infantil e rene poemas ou recortes de poemas ilustrados.

    Trata-se de publicao experimental que ficar disponvel para leitura online em formato ebook

    pelo site da plataforma de edio e leitura ISSUU. A reproduo dos poemas poder ser feita

    apenas respeitando a autoria dos trabalhos e fazendo-se as devidas citaes. Todas as

    ilustraes so fotos, desenhos ou criaes digitais a partir de montagens dos prprios poetas.

    Acredito que poemas so apropriados para reunir adultos e crianas. Servem como pontes,

    andaimes e formas mediadoras para a travessia que vai da fronteira de um Eu a caminho de Outro.

    Caminhos de mo dupla. Aqui sentados juntos, falando, lendo e conversando esto

    poetas, poemas e crianas.

    Comea agora a viagem a convite de uma parlenda: Uni Duni T !

    Sirvam-se vontade dos nossos poemas color Volume 1.

    Tnia Amares Bueno

  • PROJETO

    um projeto analgsico

    mil Adalgisas feitas em uma

    gota a gota

    para os que no

    precisam de remdios

    mesmo assim

    dizem que sim

    tania amares

  • Ao fim da leitura e da brincadeira, antes que chegue a saudade, alguns pensamentos ficam

    seguindo a trilha dos poemas. Vieram pensar o encontro " poeta e criana".

    Muitos dos autores aqui apresentados no escrevem especificamente para o pblico infantil

    em sua rotina de criao. A voz dos poemas canta, ento, a melodia do prprio lirismo.

    Talvez criar um poema seja um trabalho de traduo (de si mesmo). Parece, no entanto,

    um estado de gravidez. Gera-se um poema.

    D-se, assim, a formao de um corpo de palavras para uma idia nascente.

    Depois de nascido e publicado, o poema escrito vem conversar com diferentes leitores.

    Minha imaginao ficou grvida. Nasceu o Uni Duni T - volume 1.

    Conviver entre diferenas o tecido das vidas. Diferenas no carregam em si valores. Azul

    no melhor que amarelo, bom no ver hierarquias entre o que apenas diferente.

    Falamos de crianas e adultos. Diferentes entre si. Feitos da mesma essncia humana.

    Por estarem ligados afetivamente, tornam-se permeveis. Experimentam o tempo indo e vindo de

    um corpo a outro. O desejo circula entre iluso e memria como combustvel da vida. o desejo

    que mantm o movimento. S o vnculo seguro, confivel, suporta as diferentes aceleraes.

  • " A vida movimento.

    O movimento sexy." (Carina Bueno)

    O Uni Duni T, como experincia de prazer, participa da descoberta do toque, do gosto, do cheiro.

    Revela a sexualidade do olhar e a sensualidade da Lngua. Procura iluminar o momento em que

    a fala de um adulto entra no mundo da criana por todos os seus poros. Mesmo sem poder

    compreender bem, os mundos misturam-se. Gostos de alegria, tristeza, cravo, pimenta, noz.

    Percorremos trs tempos entre infncia, vida adulta, envelhecimento. O livro me pede para ser

    ser um alerta: smbolos sem traduo traumatizam. A palavra pode ser violenta. O que chega de

    forma abrupta e provoca desespero violento. Cuidar das crianas cuidar de palavras, de

    literatura, do faz de conta, metforas, fluxo, fantasia e realidade. viver junto, reviver a prpria

    infncia, brincar e aprender com o outro. Jogar-se no que novo sendo rede de proteo.

    Viver o novo e ser as paredes da casa, alicerce, ambiente seguro onde nasce a coragem.

    permitir que haja calma para o exerccio da inveno. Momentos difceis clamam por invenes.

    E se a sombra pode ser monstro, preciso que haja algum com quem a criana possa falar

    sobre isso. Um adulto que a escute, sente-se com ela e a auxilie a deixar o monstro engraado,

    saiba fazer dele cano, coloc-lo em rimas, esculp-lo em massa de modelar, segure-o entre

    o indicador e o polegar e, de repente, o faa danar.

  • Brincar uma arte para ser saboreada devagar. Deve marcar sabores, deixar que se repitam

    at que se organizem nas gavetas das memrias. Em crises, tempos de rituais de passagem,

    as memrias guardadas voltam, reativam-se e espalham o que mgico no smbolo. No passado,

    armazm de memrias, est o que salva o corpo. Lembranas, imagens, palavras so revirados

    entre os guardados dos tempos de quintais. Descobrimos os tempos do processo de cozimento

    da vida, esta que comea crua na carne da placenta e vai assando sob o calor das palavras.

    Ao organizar a coletnea, criei sentidos, pensei no sonho de voar como asas para a realidade.

    Percebi que sonhos querem viver no mundo real e que se alimentam de realidades. De repente,

    meu corpo estava entre outros corpos poticos. Vi joelhos esfolados, pernas quebradas,

    adoecimentos. Senti a fragilidade de ser smbolo. No horizonte, hospitais, medos de agulhas,

    exames invasivos, a crueldade de diagnsticos. Vi palavras adoecerem corpos e vi caminhos

    possveis de cura instalados na recuperao do tempo de brincar. O corpo real. fonte de

    prazer e dor. tambm, permevel, poroso, esponja. Absorver, respirar, criar smbolos

    a nossa realidade.

  • Percebi poetas, crianas e adultos brincando. Seres que, sonham e voam. Vivem quedas e

    machucam-se, engessam ps, pernas e cabeas. Algumas vezes, submetem-se a alternativas

    muito complicadas para alcanarem de novo o tempo de rir: precisam desengessar a alma.

    Seguimos sendo linguagem. Botamos a Lngua para fora. Balbuciamos, gaguejamos, falamos

    errado, buscamos expresso em outras lnguas.

    Essa pequena coletnea de poemas um pedido aos adultos para que no se esquivem do

    contato responsvel com as crianas. Um alerta para que saibam que suas realidades so

    sempre partilhadas, de um jeito bom ou mau, nas linhas ou entrelinhas do que se diz.