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Maio de 2011 Teodoro Soares UMinho|2011 Teodoro Soares Universidade do Minho Instituto de Educação As actividades laboratoriais no ensino de ciências em Timor-Leste: Uma investigação centrada nas percepções de autoridades educativas e de professores de Ciências Físico-Naturais As actividades laboratoriais no ensino de ciências em Timor-Leste: Uma investigação centrada nas percepções de autoridades educativas e de professores de Ciências Físico-Naturais
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Maio de 2011

Teodoro Soares

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Universidade do MinhoInstituto de Educao

As actividades laboratoriais no ensino de cincias em Timor-Leste: Uma investigao centrada nas percepes de autoridades educativas e de professores de Cincias Fsico-Naturais

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Dissertao de Mestrado Mestrado em Cincias da Educaorea de Especializao em Superviso Pedaggica na Educao em Cincias

Trabalho realizado sob a orientao do

Doutor Lus Gonzaga Pereira Dourado

Universidade do MinhoInstituto de Educao

Maio de 2011

Teodoro Soares

As actividades laboratoriais no ensino de cincias em Timor-Leste: Uma investigao centrada nas percepes de autoridades educativas e de professores de Cincias Fsico-Naturais

ii

DECLARAO

Nome: Teodoro Soares

Endereo electrnico: alda152006yahoo.com

Telefone: 968177147

Nmero do Passaporte: C0044663

Titulo da dissertao: AS ACTIVIDADES LABORATORIAIS NO ENSINO DE CINCIAS EM TIMOR -LESTE:

Uma investigao centrada nas percepes de autoridades educativas e de

professores de Cincias Fsico-Naturais

Orientador: Doutor Lus Gonzaga Pereira Dourado

Ano de concluso: 2011

Designao do Mestrado: Mestrado em Cincias da Educao

rea de Especializao em Superviso Pedaggica na Educao em Cincias

AUTORIZADA A REPRODUO PARCIAL DESTA DISSERTAO , APENAS PARA EFEITOS DE

INVESTIGAO, MEDIANTE DECLARAO DO INTERESSADO, QUE A TAL SE COMPROMETE.

Universidade do Minho, 10/05/2011

Assinatura:

iii

AGRADECIMENTOS

Manifesto o meu sincero agradecimento e a minha gratido a todos que me contriburam para a

realizao desta dissertao:

Ao Doutor Lus Gonzaga Pereira Dourado, que aceitou orientar esta dissertao, pelas suas

disponibilidades sem limites para apoiar e corrigir este trabalho.

professora Doutora Laurinda Leite por tudo que me ofereceu ao meu crescimento tanto

acadmico como a lngua portuguesa.

Ao Reitor e ao Decano da Faculdade de Educao da Universidade Nacional de Timor Lorosae

pelo apoio concretizao deste mestrado.

Ao Director Geral do EB e ES, aos Directores das escolas e aos professores de Fsica e Biologia

do 3 ciclo do EB que participaram nesta investigao, pela grande disponibilidade prestada e

sem os quais este trabalho no poderia ter sido efectuado.

minha mulher e minha filha, Elisabet da Silva Soares e Alda V.G. da Silva Soares, porque

sem elas nunca teria tido a fora de vontade necessria para acabar e concluir este mestrado.

A todos aqueles que contriburam para a realizar deste trabalho.

iv

v

RESUMO

As Actividades Laboratoriais (AL) desempenham um papel central na Educao em Cincias. A sua

utilizao tem vrias potencialidades, relacionadas, entre outros, com a motivao dos alunos, com a

promoo da aprendizagem de tcnicas laboratoriais, de conceitos cientficos e de metodologia cientfica

e com o desenvolvimento de atitudes dos alunos. No entanto, o sucesso da utilizao das AL depende

dos objectivos da Educao em Cincias e da forma como os professores as implementam. As prticas

dos professores relativamente s AL so influenciadas pelas condies de que dispem e pelas

concepes que perfilham, designadamente sobre o papel das AL na Educao em Cincias.

Esta investigao comparou as percepes de autoridades e professores de Cincias Fsico-Naturais

(CFN) acerca da utilizao de actividades laboratoriais no ensino das Cincias em Timor-Leste, antes e

aps a Reforma Curricular do Ensino Bsico (RCEB). Para alcanar este objectivo, foram efectuadas

entrevistas semi-estruturadas ao Director Geral do Ensino Bsico e Ensino Secundrio, a cinco

Directores de escolas e a 20 professores de Cincias de escolas do 3 ciclo do Ensino Bsico. As

entrevistas incidiram nas condies existentes nas escolas bsicas de Timor-Leste para desenvolvimento

de AL antes da RCEB, na influncia que a RCEB ter no ensino de Cincias, na implementao de AL e

na formao dos professores de Cincias para a implementao do novo currculo. No caso dos

professores, as entrevistas averiguaram tambm a utilizao que eles faziam das AL, antes da RCEB.

O Director Geral, os Directores de escolas e a maioria dos professores de Cincias so de opinio que

os professores de Cincias no possuem condies para implementar AL porque as escolas timorenses

do 3 ciclo do Ensino Bsico ainda no tm as condies necessrias: laboratrios de Cincias

devidamente equipados e professores com preparao cientfica e didctica suficiente. Todos os

entrevistados foram de opinio de que o Ministrio da Educao deve facultar estas condies.

A maioria dos professores referiu que consegue implementar um nmero razovel de AL ao longo do

ano lectivo, mas existem outros professores que dizem realizar um nmero mnimo, devido falta de

laboratrios e de equipamentos. Para ultrapassar estas dificuldades, os professores afirmam utilizar

diversas solues, nomeadamente o recurso a materiais simples e trabalho em pequenos grupos. Os

professores de Cincias consideraram que tero mais dificuldades em implementar AL no contexto da

nova RCEB, especialmente devido ao facto de terem de leccionar a disciplina de CFN que inclui

contedos de Fsica, de Qumica, de Biologia e de Geologia, e de apenas possurem formao numa

destas reas disciplinares. Esta opinio partilhada pelos Directores das escolas que, tal como os

professores, referem a necessidade de facultar aos professores de CFN a necessria formao

cientfica, em lngua portuguesa, uma vez que esta ser a lngua de instruo a utilizar.

vi

vii

ABSTRACT

Lab activities play a main role in science education. Their educational potential has to do with students

motivation, as well as with science concepts, techniques and methodology learning promotion, and also

with the development of students attitudes. However, success on using lab activities depends on both

the objectives for science education and the way teachers implement them. Besides, lab conditions and

teachers conceptions on the role of lab activities in science education influence teachers practices

regarding the use of this type of teaching activities.

This piece of research compared authorities and science teachers perceptions on the use of lab

activities in science education in East Timor, before and after the Basic Education Curriculum Reform.

To attain this objective, semi-structured interviews were conducted with the Basic and Secondary School

General Director, with five school basic school Head-teachers and with 20 basic school science teachers.

The interviews focused on the appropriateness of the Timorese basic school conditions to perform lab

activities, on the influence that the curriculum reform may have on science teaching, on the use of lab

activities and on teacher education for the implementation of the new curriculum. With regard to

teachers, their interview also included questions aiming at characterising the way they were used to deal

with lab activities before the curriculum reform.

The General Director, the school Head-teachers and the majority of the science teachers argued that

science teachers do not have enough conditions to implement lab activities because Timorese basic

schools do not have well equipped science labs and science teachers with an appropriate science and

science teaching knowledge-base. All the interviewees stated the Timorese Ministry of Education should

provide these missing conditions.

The majority of the teachers mentioned that they manage performing a considerable amount of lab

activities but other teachers stated that they only perform a minimum number of them, due to the

shortage of labs and lab equipment. In order to overcome this difficulty, they mentioned that they use

low cost materials and ask students to work in small groups. In addition, science teachers are expecting

to feel even more difficulties when implementing lab activities within the scope of the new curriculum,

because they will be asked to teach not only the science they specialized in, but rather the four sciences

that were included in the new Physical and Natural Sciences subject that is, Physics, Chemistry, Biology

and Geology. The school Head-teachers also acknowledged this opinion and recognized the need to give

teachers the necessary scientific education for them to be able to teach the new subject. In addition,

they stressed that teacher education should be conducted in Portuguese, as Portuguese is the language

of instruction in East Timor.

viii

ix

NDICE

AGRADECIMENTOS ................................................................................................. iii

RESUMO ................................................................................................................. v

ABSTRACT .............................................................................................................. vii

NDICE .................................................................................................................... ix

LISTA DE FIGURAS .................................................................................................. xiii

LISTA DE TABELAS .................................................................................................. xv

LISTA DE QUADROS ................................................................................................ xvii

Captulo I INTRODUO.................................................................................. 1

1.1. Introduo........................................................................................................ 1

1.2. Contextualizao terica da investigao ........................................................... 1

1.2.1. A Educao em Cincias em Timor-Leste ..................................................... 1

1.2.2. As Actividades Laboratoriais na realidade educativa timorense ..................... 7

1.3. Objectivos da investigao ................................................................................ 12

1.4. Importncia da investigao ............................................................................. 13

1.5. Limitao da investigao ................................................................................. 13

1.6. Plano geral da dissertao ................................................................................ 13

Captulo II REVISO LITERATURA .................................................................. 15

2.1. Introduo ....................................................................................................... 15

2.2. As Actividades Laboratoriais na Educao em Cincias ..................................... 15

2.3. Concepes e as prticas de professores de Cincias relativamente s

Actividades Laboratoriais ................................................................................. 18

2.3.1. Estudos que envolveram professores em formao inicial .............................. 18

2.3.2. Estudos que envolveram professores na carreira ........................................... 20

x

Captulo III METODOLOGIA ........................................................................... 27

3.1. Introduo ....................................................................................................... 27

3.2. Descrio geral da investigao ....................................................................... 27

3.3. Populao e Amostra ....................................................................................... 27

3.4. Tcnica e instrumentos de recolha de dados ..................................................... 29

3.4.1. Tcnica de inqurito por entrevista ............................................................... 29

3.4.2. Elaborao e validao dos protocolos de entrevista ..................................... 29

3.5. Plano de recolha de dados .............................................................................. 35

3.6. Plano de tratamento de dados ......................................................................... 35

Captulo IV APRESENTAO E DISCUSSO DOS RESULTADOS ................ 37

4.1. Introduo ....................................................................................................... 37

4.2. Anlise das opinies do Director Geral do Ensino Bsico e Ensino Secundrio

relativamente das condies existentes para desenvolvimento de Actividades

Laboratoriais nas Escolas Bsicas timorenses ................................................... 37

4.2.1. Opinies do Director Geral sobre os laboratrios escolares em Timor-Leste e

suas condies de funcionamento ................................................................ 37

4.2.2. Opinies do Director Geral sobre a Reforma Curricular do Ensino Bsico

e suas implicaes no ensino de Cincias e na formao de professores

de Cincias ................................................................................................... 39

4.2.3. Opinies do Director Geral sobre a implementao de Actividades Laboratoriais

no contexto da Reforma Curricular do Ensino Bsico ..................................... 42

xi

4.3. Anlise das opinies de Directores de escolas do Ensino Bsico sobre as

condies existentes para a realizao de Actividades Laboratoriais ................. 44

4.3.1. Opinies de Directores de escolas do Ensino Bsico sobre os laboratrios

escolares de Cincias em Timor-Leste e suas condies de funcionamento .... 44

4.3.1.1. Os laboratrios escolares de Cincias e as suas condies

de funcionamento ....................................................................................... 45

4.3.1.2. Caractersticas dos materiais dos laboratrio de Cincias e as suas condies

actuais ...................................................................................................... 46

4.3.2. Opinies de Directores de escolas do Ensino Bsico sobre a Reforma Curricular

do Ensino Bsico e suas implicaes no ensino das Cincias e na formao de

professores de Cincias ............................................................................... 48

4.3.2.1. A Reforma Curricular e as suas implicaes no ensino das Cincias ............ 48

4.3.2.2. A Reforma Curricular e a preparao dos professores de Cincias............... 49

4.3.3. Opinies de Directores de escolas do Ensino Bsico relativamente

implementao de Actividades Laboratoriais no contexto de Reforma

Curricular do Ensino Bsica ............................................................................ 50

4.4. Anlise das opinies de professores de Cincias relativamente s suas concepes e

prticas da utilizao de Actividades Laboratoriais e influencia da Reforma Curricular

no ensino de Cincias e na implementao de Actividades Laboratoriais .......... 54

4.4.1. Opinies de professores de Cincias sobre a importncia da utilizao de

Actividades Laboratoriais .............................................................................. 54

4.4.2. Opinies de professores de Cincias sobre as suas prticas de utilizao de

xii

Actividades Laboratoriais .............................................................................. 61

4.4.3. Opinies de professores de Cincias sobre a Reforma Curricular do Ensino

Bsico e suas implicaes no ensino de Cincias e na formao dos

professores de Cincias................................................................................. 68

4.4.4. Opinies de professores de Cincias sobre a implementao de Actividades

Laboratoriais no contexto da Reforma Curricular do Ensino Bsico ................. 72

Captulo V CONCLUSES, IMPLICAES E SUGESTES .......................... 79

5.1. Introduo ....................................................................................................... 79

5.2. Concluses da investigao .............................................................................. 79

5.3. Implicaes dos resultados da investigao ..................................................... 86

5.4. Sugestes de futuras investigaes .................................................................. 87

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ..................................................................... 89

ANEXOS ............................................................................................................... 97

Anexo 1 Protocolo da entrevista realizada aos professores de Cincias do 3 ciclo do

Ensino Bsico ........................................................................................ 99

Anexo 2 Protocolo da entrevista realizada aos Directores de escolas do 3 ciclo do

Ensino Bsico ........................................................................................ 105

Anexo 3 Protocolo da entrevista realizada ao Director Geral do Ensino Bsico e

Ensino Secundrio de Timor-Leste ........................................................... 111

xiii

LISTA DE FIGURAS

1 Sistema Educativo em Timor-Leste no tempo da ocupao Indonsia ................ 3

2 Organizao do Sistema da Educao em Timor-Leste ....................................... 5

xiv

xv

LISTA DE TABELAS

1 Opinies de Directores sobre as formas de ultrapassar as dificuldades de

Implementao AL ............................................................................................ 51

2 Conceito de professores de Cincias sobre AL ................................................... 55

3 Importncia atribuda pelos professores de Cincias realizao de AL .............. 55

4 Opinies de professores de Cincias acerca do interesse dos alunos pela realizao

de AL ................................................................................................................ 57

5 Opinies de professores de Cincias sobre os conhecimentos obtidos pelos

alunos com a realizao AL ............................................................................... 58

6 Quantidade de AL realizadas pelos professores de Cincias ............................... 62

7 Opinies de professores de Cincias sobre o modo de usar as AL ..................... 62

8 Satisfao de professores de Cincias acerca do modo de usar AL ..................... 63

9 Opinies de professores de Cincias sobre as dificuldades dos alunos para

realizarem AL ................................................................................................... 64

10 Opinies de professores de Cincias sobre as suas dificuldades para implementarem

AL ................................................................................................................... 65

11 Opinies de professores de Cincias sobre a sua preparao para leccionarem a

disciplina de CFN ............................................................................................ 70

12 Opinies de professores de Cincias sobre as dificuldades em leccionarem a

disciplina de CFN ............................................................................................ 70

13 Opinies de professores de Cincias sobre a sua preparao para implementarem

xvi

AL ................................................................................................................... 72

14 Opinies de professores de Cincias sobre a carga horria atribuda s AL ...... 75

15 Opinies de professores de Cincias sobre que professores vo ter mais dificuldades

em implementar AL na leccionao disciplina de CFN...................................... 76

xvii

LISTA DE QUADROS

1 Objectivos/finalidades conseguidos atravs da utilizao de AL .......................... 16

2 As caractersticas de Directores ......................................................................... 28

3 As caractersticas de professores de Cincias .................................................... 28

4 Objectivos das questes do inqurito de entrevista aplicado ao Director Geral .... 30

5 Objectivos das questes do inqurito de entrevista aplicado aos Directores ........ 31

6 Objectivos das questes do inqurito de entrevista aplicado aos professores

de Cincias ....................................................................................................... 33

xviii

1

CAPTULO I

INTRODUO

1. 1. Introduo

O objectivo deste primeiro captulo, para alm da introduo (1.1), efectuar uma

contextualizao terica da investigao (1.2.). constitudo por uma seco relativa Educao

em Cincias em Timor-Leste (1.2.1.) e por uma seco relativa utilizao das Actividades

Laboratoriais (AL) na realidade educativa timorense (1.2.2). So tambm apresentados os

objectivos da investigao (1.3.), a sua importncia (1.4.) e as suas limitaes (1.5.). No final,

apresentamos o plano geral da dissertao (1.6.).

1. 2. Contextualizao terica da investigao

Este subcaptulo aborda a Educao em Cincias em Timor-Leste (1.2.1.) e a utilizao de

AL na realidade educativa timorense (1.2.2.).

1.2.1. A Educao em Cincias em Timor-Leste

A educao um processo de grande importncia para o desenvolvimento das Cincias e

da Tecnologia em todos os pases (Fernandes, 2006). Em Timor-Leste, ocorreram mudanas

educativas que se podem organizar em quatro fases. Na primeira fase, correspondente fase

colonial portuguesa entre 1500 e 1975, a educao era caracterizada pela introduo da lngua

portuguesa e de currculos ocidentais, que visavam a educao de elites e no a educao

pblica de massas (Freitas, 2009). Nessa altura, a Igreja Catlica era agente principal do

sistema educativo nacional. A educao era muito centrada na religio e as Cincias Naturais

(Fsica, Qumica, Biologia e Geologia) no ocupavam muito espao nos curricula.

Segundo Nicolai (2004), em 1937, mais de 400 anos aps os portugueses terem chegado

a Timor-Leste, apenas 2.979 estudantes tinham obtidos educao nas escolas da misso

portuguesa. A primeira escola Pr-Secundria pblica foi aberta em 1952. Durante toda a

dcada de 1960 at 1970 houve uma expanso no sector da educao. Nos ltimos anos da

2

colonizao de Portugal em Timor-Leste, existiam 47 Escolas Bsicas para 14.000 crianas e

duas Escolas Pr-Secundarias que serviam uma populao de mais de 600.000 habitantes

(Arneberg, 1999). No final da colonizao portuguesa, no mais de 10 por cento da populao

podia ser considerada literata (Nicolai, 2004). A lngua portuguesa era a lngua oficial, para

facilitar o processo de ensino e de aprendizagem nas escolas de Timor-Leste. No perodo da

ocupao portuguesa, no existiam documentos orientadores das disciplinas de Cincias

Naturais (Fsica, Qumica, Biologia e Geologia). Naquela altura, os professores eram todos

portugueses e ensinavam nas escolas do Ensino Bsico at ao Ensino Pr-Secundrio. No havia

Ensino Secundrio, Universitrio e/ou Politcnico.

A segunda fase da educao em Timor-Leste teve incio quando a Indonsia invadiu Timor-

Leste no dia 7 de Dezembro de 1975. Nessa poca a taxa de analfabetismo era muito alta. Em

Timor-Leste as condies relativas educao eram mnimas, pois no existiam muitas escolas.

A partir deste contexto, o Governo Indonsio lanou a campanha Educao para todos

cidados, que alm de finalidades educativas, tinha objectivos polticos (Nicolai, 2004). No

tempo da ocupao Indonsia (1976 1999), a oportunidade de entrar nas escolas era aberta a

todos os cidados. O Governo Indonsio trocou o sistema educativo Portugus pelo seu prprio

sistema. Este sistema educativo (Figura 1) admitia timorenses em idade escolar, que assim

tinham oportunidade de estudar desde o Ensino Bsico at ao Universitrio. Como consequncia

destas alteraes no sistema educativo, entre 1976 e 1999 o nmero de estudantes aumentou

de forma muito acentuado, de um ponto de partida de aproximadamente 10.000 estudantes

para mais de 165.000 estudantes (World Bank, 1999). As matrculas na escola Pr-Secundria

aumentaram de 315 estudantes para mais de 32.000 estudantes e a Educao Secundria

atingiu entre 15.000 e 19.000 estudantes (United Nations, 2000). Em 1998 a procura pela

educao foi alta, dado que 52 % da populao de Timor-Leste (875.689 pessoas) tinham

menos dos 18 anos (World Bank, 1999). At ao fim do ano 1998, o Governo Indonsio j tinha

construdo 66 escolas para Educao Pr-Escolar, 788 escolas para Ensino Bsico, 114 escolas

para Ensino Pr-Secundrio, 37 escolas para Ensino Secundrio Acadmico, 17 escolas para

Ensino Secundrio Profissional, uma Universidade, um Politcnico, um Instituto de Agricultura,

uma Escola de Economia, uma Academia de Sade e um Centro de Formao de Professores

(Arneberg, 1999). No tempo da ocupao Indonsia, a lngua portuguesa era proibida em todo

territrio de Timor-Leste. A lngua indonsia era a lngua oficial nas escolas, desde ensino Pr-

Escolar at ao Universitrio.

3

Figura 1: Sistema Educativo em Timor-Leste no tempo da ocupao Indonsia (Ministrio da

Educao citado por Arneberg, 1999: 87)

No currculo introduzido a partir de 1975, as disciplinas da rea das Cincias Naturais

eram: Fsica, Qumica e Biologia (Thair & Treagust, 1999). Estas disciplinas eram ensinadas

desde o 3 ciclo do Ensino Bsico at ao Ensino Secundrio Acadmico. No 3 ciclo do Ensino

Bsico existiam apenas duas disciplinas de Cincias: Fsica e Biologia. A sua carga horria

semanal era diferente: trs horas lectivas de Fsica e trs horas de Biologia. No Ensino

Secundrio Acadmico a carga horria semanal das disciplinas de Fsica, de Biologia e de

Qumica tambm era diferente. No 10 e 11 anos a carga horria de Fsica era cinco horas, de

Biologia era de quatro horas e de Qumica era de trs horas. Para 12 ano a carga horria de

Fsica era de sete horas, de Biologia era de seis horas e de Qumica era de cinco horas. No

Ensino Secundrio Profissional no existiam as disciplinas de Cincias Naturais (Fsica, Qumica

e Biologia), pois o ensino era orientado para a formao profissional. Tanto no Ensino

Secundrio Acadmico como no Ensino Profissional no existia a disciplina de Geologia.

Em 1999, parte final da ocupao Indonsia, a maioria dos professores que ensinavam

nas escolas de Timor-Leste eram de nacionalidade indonsia. Na Educao Pr-Escolar existiam

153 professores da Indonsia e 30 professores de Timor-Leste; no Ensino Bsico existiam 1.500

professores da Indonsia e 5.172 de Timor-Leste; no Ensino Pr-Secundrio existiam 1.898

4

professores da Indonsia e 65 professores de Timor-Leste; no Ensino Secundrio Acadmico

existiam 972 professores da Indonsia e 87 professores de Timor-Leste e no Ensino Secundrio

Vocacional existiam 423 professores da Indonsia e 55 professores de Timor-Leste (Arneberg,

1999).

Refira-se o facto de, s no Ensino Bsico que os professores eram maioritariamente

timorenses, enquanto que no Ensino Pr-Secundrio e Ensino Secundrio quase todos os

professores eram de origem da Indonsia.

Desde 1966 que na Indonsia existia a preocupao em dar formao adequada aos

professores de Cincias. Atravs da implementao do Plano Desenvolvimento Nacional cada

cinco anos ou REPELITA (Thair & Treagust, 1999), pretendia-se que os professores obtivessem

uma boa preparao relativamente ao ensino das Cincias Naturais (Fsica, Qumica e Biologia)

para que pudessem desenvolver um processo de ensino e de aprendizagem na sala de aula com

a qualidade necessria. Este programa influenciou a formao dos professores de Cincias

Naturais que leccionaram nas escolas timorenses durante a ocupao Indonsia.

A terceira fase da educao em Timor-Leste corresponde ao perodo de administrao do

territrio pela UNTAET (United Nations Transitional Administration for East Timor). Neste perodo,

que decorreu entre 1999 at 2002, o sistema educativo timorense foi totalmente destrudo: 90%

das escolas no funcionavam e 80% dos professores (no timorenses), de todos os nveis de

ensino, deixaram o territrio. No ano de 2001, a maioria das escolas voltou normalidade,

atravs da actividade de professores voluntrios.

Na quarta fase da educao em Timor-Leste, psindependncia, de 20 de Maio de 2002

at ao presente, deu-se a normalizao do sistema educativo. Muitas crianas j frequentam a

escola em todos os nveis de ensino: Educao Pr-Escolar, Primrio, Pr-Secundrio,

Secundrio, Escolas Profissionais e Instituies do Ensino Superior (Freitas, 2009).

Na primeira Assembleia da Republica de Timor-Leste ocorreu uma discusso sobre

educao em Timor-Leste. O direito fundamental e universal de cada cidado educao foi

consagrado na constituio da Repblica de Timor-Leste (2002)

Artigo: 59o, inciso 1: O estado reconhece e garante ao cidado o direito educao e cultura, competindo-lhe criar um sistema pblico de ensino bsico universal, obrigatrio e, na medida das suas possibilidade, gratuito, nos termos da lei; inciso 2: Todos tm direito a igualdade de oportunidades de ensino e formao profissional; inciso 4: O estado deve garantir a todos os cidados, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigao cientfica e da criao artstica. (p.27-28).

5

Em Outubro de 2003 decorreu o primeiro Congresso Nacional de Educao com o

objectivo, de discutir vrios assuntos na rea de educao. Os resultados desse congresso

foram, entre outros, a criao de uma Lei do Ensino Bsico, a criao do currculo transitrio do

Ensino Bsico at ao Ensino Superior em Timor-Leste. Alm disso, foi criada uma equipa de

trabalho do Ministrio da Educao para analisar e preparar as condies relativas elaborao

do currculo nacional para o Ensino Bsico. Esta equipa colaborou com a UNESCO e UNICEF,

implementando vrias aces de formao para professores do Ensino Bsico ao Ensino

Superior.

Para assegurar uma poltica nacional de educao para todos os cidados, o Ministrio da

Educao lanou o Sistema de Educao de Timor-Leste representado na Figura 2.

Figura 2: Organizao do Sistema da Educao em Timor-Leste (Freitas, 2009: 10)

Este sistema educativo inclui o Ensino Bsico obrigatrio com a durao de nove anos.

Assim, todos os cidados timorenses tm obrigao de completar seis anos do Ensino Bsico e

trs anos do Ensino Pr-Secundrio. Os alunos que demonstrem capacidades, prosseguem os

seus estudos no Ensino Secundrio Acadmico e Universitrio. Existe ainda a possibilidade de

6

continuar os estudos no Ensino Tcnico Profissional com a durao de trs anos de escolaridade

e posteriormente no Ensino Superior Politcnico, orientado para a formao profissional.

Pretende-se assim implementar uma poltica na Educao Bsica (Primria + Pr-

Secundria) com qualidade para todos cidados timorenses. De acordo com os princpios do

currculo transitrio o objectivo diversificar opes de educao, sem comprometer a

qualidade; tornar os curricula escolares mais relevantes; ensinar capacidades prticas, de

raciocnio e de comportamento; combinar as componentes acadmicas e profissionais. O

objectivo do ensino mdio melhorar a preparao e motivao dos professores, preparar as

escolas para se responsabilizarem pela aprendizagem dos alunos a fim de assegurar o sucesso

na reforma da educao.

As disciplinas de Cincias Naturais (Fsica, Qumica e Biologia) comeam a ser ensinadas

a partir do Ensino Pr-Secundrio ou seja Ensino Bsico do 3 ciclo. As disciplinas na rea das

Cincias Naturais so Fsica e Biologia. As cargas horrias tanto da disciplina de Fsica como da

disciplina de Biologia so de quatro horas por semana, a que correspondem um total de 42

horas no primeiro e no terceiro semestre e de 46 horas no segundo semestre. Portanto, durante

um ano lectivo, a carga horria das disciplinas de Cincias para o 7, 8 e 9 anos de

escolaridade de 130 horas (Ministrio da Educao, 2003).

A leccionao das disciplinas de Cincias continuou a ser abrangida no Ensino Secundrio

(10, 11, 12 anos de escolaridade). No Ensino Tcnico no existem estas disciplinas. Segundo

o currculo transitrio (2003), utilizado como currculo da Educao Nacional em Timor Leste at

2010, no Ensino Secundrio, as disciplinas na rea das Cincias Naturais compreendem

Biologia, Fsica e Qumica, mas so raramente ensinadas disciplinas relativas rea da Geologia

(Soares, 2007). As disciplinas na rea de Cincias Naturais (Fsica, Qumica e Biologia) tm sido

ensinadas em quase todas as turmas do Ensino Secundrio (10, 11, 12 anos de

escolaridade). As cargas horrias nos 10 e 11 anos de escolaridade so iguais tanto a Fsica,

como Qumica e Biologia. A carga horria das disciplinas de Fsica, de Qumica e de Biologia do

10 e 11 anos, no primeiro trimestre de 48 horas; no segundo trimestre de 46 horas e no

terceiro trimestre de 48 horas. Portanto, no 10 e 11 ano de escolaridade, a carga horria

para Fsica, Qumica e Biologia de 142 horas. A carga horria da disciplina de Fsica, Qumica

e Biologia do 12 ano, no primeiro trimestre, de 72 horas; no segundo trimestre, de 68 horas

e no terceiro trimestre, de 72 horas. Assim, no 12 ano de escolaridade, a carga horria para

7

as disciplinas de Fsica, de Qumica e de Biologia de 212 horas. No programa de Cincias

Sociais e de Cincias Humanas e Culturas, no existem disciplinas de Cincias Naturais.

A Reforma Curricular do 3 ciclo do Ensino Bsico (RCEB), a implementar no ano lectivo

de 2011, sugere uma nova disciplina de Cincias designada de Cincias Fsico-Naturais (CFN).

Esta disciplina inclui matrias de quatro Cincias: Fsica, Qumica, Biologia e Geologia. As

matrias de Cincias devem ser ensinadas em todas turmas do 3 ciclo do Ensino Bsico (7, 8

e 9 anos de escolaridade) organizadas em blocos. A carga horria atribuda disciplina de CFN

sempre de 5 horas por semana. Portanto, a carga horria trimestral para a disciplina de CFN

de 35 horas e durante um ano lectivo a carga horria totaliza 105 horas.

1.2.2. As Actividades Laboratoriais na realidade educativa timorense

Para atingir a qualidade do ensino e de aprendizagem das Cincias Naturais nas escolas

em qualquer nvel de escolaridade de qualquer pas no mundo, um dos factores mais

importantes so as AL, seja qual for o nvel do ensino: Bsico, Secundrio e/ou Superior.

De facto, a realidade educativa timorense passou por quatro pocas importantes como j

foi explicado na parte 1.2.1., que condicionaram a implementao do ensino de Cincias,

incluindo das AL. Relativamente poca de administrao portuguesa em Timor-Leste no h

nenhum documento, escrito ou audiovisual, que aborde a implementao das AL nas escolas

em Timor-Leste. Isto no significa que no existissem AL no ensino das Cincias Naturais (Fsica,

Qumica e Biologia) tanto nas escolas do Ensino Bsico como no Ensino Pr-Secundrio dessa

poca.

Na altura da ocupao Indonsia, em Timor-Leste, como referimos anteriormente, o

Governo da Indonsia reformulou o currculo nacional (Thair & Treagust, 1999). O objectivo

desta aco era promover a qualidade do ensino e da aprendizagem nas escolas da Indonsia

incluindo Timor-Leste. Para alcanar o seu objectivo, o Governo da Indonsia colaborou com o

programa das Naes Unidas para o Desenvolvimento (UNDP) e o programa das Naes Unidas

para a Educao (UNESCO) criando um projecto designado por Programa de Formao de

Professores (Pemantapan Kerja Guru ou PKG). O objectivo deste projecto era fomentar a

realizao de aces de formao para professores de Cincias Naturais (Fsica, Qumica e

Biologia). Foram implementadas algumas aces de formao aos 18.000 directores,

administradores e professores que assumiram as funes na rea das Cincias Naturais (Penick

& Amien citado por Thair & Treagust, 1999). Para os professores, a formao era centrada nos

8

assuntos relativos ao currculo, utilizao dos equipamentos laboratoriais e aos mtodos de

ensino. Um dos resultados pretendidos com esta formao era capacitar os professores para o

ensino das Cincias (Fsica, Qumica e Biologia). Este objectivo foi concretizado gradualmente.

Aps esta formao, os professores de Cincias (Fsica, Qumica e Biologia) deveriam

implementar AL no Ensino das Cincias nas escolas da Indonsia incluindo Timor-Leste. Em

Timor-Leste, nesta altura, as AL eram implementadas pelos professores porque existiam boas

instalaes, equipamentos e tambm recursos humanos, sobretudo os professores de Cincias

(Fsica, Qumica e Biologia) com formao adequada.

Algumas escolas Pr-Secundrias e Secundrias, tanto privadas como pblicas, tinham

um edifcio especfico com boas condies para a realizao de AL de Cincias. Alm de salas

prprias, existiam materiais laboratoriais e professores indonsios com formao especfica na

rea de Cincias (Fsica, Qumica e Biologia).

Os professores punham em prtica AL com grande xito depois de terem frequentado o

Programa de Formao de Professores ou Pemantapan Kerja Guru (Esomar, 1988; Irianto,

1988; Irianto & Treagust, 1989 citado por Irianto & Treagust, 1999). Alguns dados indicam que

96 % dos professores da Provncia Java Leste e Ambon (central da ilha de Maluku)

implementavam AL de diferentes tipos. Relativamente a Timor-Leste os professores tambm

frequentavam essa formao, pelo que tambm implementaram estas mesmas actividades nas

suas aulas de prtica laboratorial.

Embora tivessem sucesso com a implementao de AL na rea de Cincias Naturais, os

professores tambm tinham algumas dificuldades. Alguns estudos (Irianto, Pragoto citado por

Thair & Treagust, 1999) relatam algumas dessas dificuldades: insuficincia dos equipamentos

(62%), a falta de tempo para preparao de actividades (19%), formao inadequada, o do

currculo excessivo (67%), e a m percepo dos professores no aspecto de exame nacional

(15%). No estudo anterior so tambm referidas, como dificuldades para implementar AL, o

elevado nmero dos alunos na sala de aula e a falta de apoio de tcnicos de laboratrio.

No apenas em Timor-Leste que os professores referem dificuldades para a

implementao de AL. Alguns Estudos foram realizados em outros pases mostram que os seus

professores tambm referem dificuldades semelhantes.

Na Austrlia, alguns estudos, como por exemplo Staer et al. (1998), mostram que a maior

dificuldade que os professores enfrentam nas escolas do Ensino Secundrio, relativamente

9

implementao das AL, so: a extenso exagerada do currculo nacional, a falta de tempo de

preparao das AL.

No estudo realizado por Ng & Nguyen (2006) verifica-se que a maioria dos professores do

Vietname, tinha dificuldades em implementar AL devido antiguidade dos equipamentos (90 %),

falta de tempo para realizar as actividades (55 %), falta de acesso s novas tecnologias (35

%) e falta de entusiasmo por parte dos professores para as implementar.

Por outro lado, estudos realizados na Europa (Poveda et al.,2005) mostraram que a

implementao das AL na Alemanha mais facilitada do que em Espanha. Os professores

espanhis referem que os materiais laboratoriais das suas escolas so velhos e/ou nalgumas

escolas no existem, no tm apoio tcnico para preparar os materiais antes de comear

actividades prtica e o tempo de preparao das actividades insuficiente.

Em Timor-Leste as condies actuais para a implementao de AL no so muito

favorveis. O pas tornou-se independente h oito anos depois de uma luta durante 24 anos

contra a ocupao dos militares indonsios. A qualidade da educao em Cincias em Timor-

Leste no tempo da ocupao e aps a independncia muito diferente.

As condies para a realizao de AL no tempo da ocupao Indonsia eram melhores do

que as existentes aps a independncia. O Governo da Indonsia tinha muitos interesses na rea

do desenvolvimento educacional, sobretudo os relacionados com os laboratrios escolares.

Assim sendo, existiam condies suficientes para a utilizao, no ensino das Cincias Naturais

(Fsica, Qumica e Biologia), de laboratrios em vrios nveis de escolaridade em Timor-Leste,

desde Ensino Bsico at Ensino Secundrio e Ensino Superior.

Aps o referendo de 1999 que abriu a porta independncia nacional, as condies dos

laboratrios, dos equipamentos e da formao dos professores no foram as mesmas. A

violncia e o sofrimento causados pela Indonsia, antes e aquando do referendo, alguns actos

da barbaridade por alguns timorenses irresponsveis, deixaram a maioria das escolas (95%) e os

seus equipamentos educativos completamente destrudos (Costa et al., 2002). Alm disso, o

xodo massivo dos professores com maior experincia em vrias reas, incluindo os professores

nas reas de Cincias Naturais (Fsica, Qumica e Biologia) para a Indonsia, deixou a

capacidade e experincia timorenses substancialmente fragilizadas no sector da educao.

Assim, as condies laboratoriais, que j eram suficientemente favorveis, voltaram

estaca zero. O processo de reconstruo das escolas em todo territrio timorense no fcil.

necessrio muito tempo e muito esforo para ter estas condies favorveis ao processo do

10

ensino aprendizagem em vrios nveis de escolaridade, inclusivamente o processo de

implementao de AL de Cincias Naturais (Fsica, Qumica e Biologia).

Como j foi referido na seco 1.2.1, o currculo transitrio de Timor-Leste inclua a

disciplina de Cincias Naturais (Fsica, Qumica e Biologia) para o Ensino Pr-Secundrio ou seja

Ensino Bsico do 3 ciclo e Ensino Secundrio. No Ensino Pr-secundrio e/ou do 3 ciclo do

Ensino Bsico no existia carga horria atribuda s AL. Normalmente, alguns professores de

Cincias utilizavam o horrio da disciplina para realizarem AL enquanto outros professores

utilizavam um horrio extra-curricular. No Ensino Secundrio, em geral, as escolas definiram a

carga horria de duas horas por semana para a realizao de AL. Este tempo no era includo

nas cargas horrias formais de sala de aula. As AL decorriam num tempo extra. Habitualmente,

o Vice-Director da escola assumia a responsabilidade pela implementao dessas actividades.

A aplicao deste currculo transitrio no perodo de 1999 at 2003 no teve os

resultados pretendidos, devido a condies educativas insuficientes, especificamente por as

condies do ensino nas escolas ainda no terem tido uma mudana significativa. O ensino das

Cincias Naturais nas Escolas Primrias e at nas Escolas Secundrias no inclua a realizao

de AL com a qualidade pretendida. No existiam materiais laboratoriais, laboratrios e

professores com experincia na rea de Cincias.

No ano de 2003, a colaborao entre UNESCO, Ministrio da Educao e Universidade

Nacional Timor-Leste (UNTL) conduziu implementao de vrias formaes de curta durao

na rea da educao. Uma delas foi a formao dos professores de Cincias (Fsica, Qumica e

Biologia) centrada nos contedos de cada disciplina e tambm na realizao de AL atravs da

utilizao de equipamentos simples. A formao de professores foi realizada em todos os meses

de Julho e Agosto nos trs primeiros anos da independncia (2003, 2004 e 2005). Esta

formao foi muito importante para os professores de Cincias (Fsica, Qumica e Biologia) para

melhorar a sua capacidade de trabalhar nos laboratrios escolares. Mesmo que as actividades

sejam simples, essas actividades devem ser correctamente implementadas de modo a no

diminuir o seu valor educacional (Duveen et al., 1993).

Aps a formao, o Ministrio da Educao, conjuntamente com a UNESCO, procedeu

distribuio dos equipamentos laboratoriais simples a todos os professores que tinham concludo

essa formao. O objectivo era incentivar os professores a introduzirem AL no ensino das

Cincias Naturais, nas escolas em Timor-Leste. Para acelerar esse objectivo, foram elaboradas

manuais de actividades prticas laboratoriais para a Fsica, Qumica, e Biologia com lngua

11

ttum. A elaborao destes manuais o resultado da colaborao entre o Ministrio da

Educao, Universidade Nacional Timor Lorosae e UNESCO de Timor-Leste.

A Universidade Nacional de Timor Lorosae assinou em 2008 um acordo com Ministrio da

Educao para monitorizar a implementao das AL nas escolas em Timor-Leste. Nesse mesmo

ano, o Ministrio da Educao iniciou uma poltica de formao para todos os professores em

territrio de Timor-Leste para melhorar a prtica do ensino de Cincias nas escolas, sobretudo a

implementao de AL, que se prolongou at 2010. Essa formao foi efectuada nos meses de

Outubro, Novembro e Dezembro entre o perodo de 2008 at 2010. Esta formao foi paga com

oramento do ano fiscal de 2008/2009 do Governo de Timor-Leste, assegurando tambm o

recurso a laboratrio nos termos de Lei de Bases da Educao (Jornal da Repblica, 2008:

2657).

Artigo: 54 Recursos Educativos, Inciso: 1. Consideram-se recursos educativos os meios materiais utilizados para a adequada realizao da actividades educativa. 2. So recursos educativos privilegiados, a exigirem especial considerao: a) os manuais escolares e outros recursos em suporte digital; b) as bibliotecas e mediatecas escolares; c) os equipamentos laboratoriais e oficinais; d) os equipamentos para a educao fsica e desportos; e) os equipamentos para a educao musical e plstica; f) os recursos para a educao especial.

Com base nesta Lei, o governo atribuiu uma verba do oramento de estado para o ano

fiscal de 2010 destinada compra de equipamentos de laboratrio para todas escolas, desde o

Ensino Bsico at Ensino Secundrio em todo territrio de Timor-Leste. Os professores podero

assim implementar AL no ensino das Cincias (Fsica, Qumica, Biologia e Geologia) com boas

condies em termos de equipamentos do laboratrio.

Como j foi referido na seco 1.2.1, a RCEB, implementada a partir do ano lectivo de

2011, inclui a disciplina de CFN. Nos documentos orientadores da reforma sugere-se a utilizao

de AL (designadas de quasi-laboratoriais) pelos professores de Cincias, recorrendo a materiais

simples derivados de objectivos comuns. Mesmo assim, o novo currculo no define o conjunto

de AL que devero ser realizadas na disciplina de CFN nem a carga horria a elas atribudas. A

realizao de AL fica ao critrio do professor, que deve definir o conjunto de AL e a carga horria

a elas atribuda a incluir nos seus planos de aula.

O laboratrio um dos recursos didcticos que, ao longo dos tempos, mais tem

concentrado a ateno dos intervenientes no ensino das Cincias (Leite & Oliveira, 2000). No

entanto, isso no significa que haja consensos acerca do seu papel, nem que o laboratrio

escolar esteja a ser utilizado da melhor forma possvel. Ao longo dos tempos, diversos autores

12

(Luengo & Segvia, 2000; Garca Sastre et al., 2000) tm defendido que as Cincias so uma

actividade prtica, para alm de terica. Os professores de Cincias (Fsica, Qumica, Biologia e

Geologia) tm de procurar as melhores formas de implementao de AL nas aulas de Cincias

tanto no 3 ciclo do Ensino Bsico como no Ensino Secundrio em Timor-Leste. Para tal,

necessitamos conhecer o modo como essas AL esto a ser utilizadas e assim poderem ser

dadas sugestes de melhoria.

1.3. Objectivos da investigao

Timor-Leste o pas mais jovem do mundo com problemas em vrios sectores, incluindo

o sector educativo. A independncia ainda no se fez sentir muito na Educao, nomeadamente

ao nvel do ensino das Cincias em geral e da utilizao das AL nas escolas do Ensino Bsico at

ao Ensino Secundrio timorense.

O objectivo geral desta investigao comparar as percepes de autoridades e

professores acerca da utilizao de actividades laboratoriais no ensino das cincias em Timor-

Leste, antes e aps a reforma curricular do Ensino Bsico. Este objectivo concretiza-se atravs

dos seguintes objectivos especficos:

- Caracterizar as opinies do Director Geral do Ensino Bsico e do Ensino Secundrio de

Timor-Leste relativamente s condies (humanas e materiais) de implementao de

AL, antes e depois da RCEB;

- Caracterizar as opinies dos Directores de escolas do 3 Ciclo do Ensino Bsico de

Timor-Leste relativamente s condies (humanas e materiais) de implementao de

AL, antes e depois da RCEB;

- Caracterizar as opinies de professores de Cincias Fsico-Naturais sobre o papel das

AL no ensino das Cincias,

- Caracterizar as opinies de professores de Cincias Fsico-Naturais sobre as suas

prticas de utilizao de AL, anteriores RCEB;

- Caracterizar as opinies dos professores relativamente s condies de implementao

de AL no contexto da RCEB.

13

1.4. Importncia da investigao

A importncia desta investigao obter conhecimentos relativos ao desenvolvimento de

AL nas escolas do 3 ciclo do Ensino Bsico em Timor-Leste.

A investigao permitir, ainda, recolher dados que permitam caracterizar as condies

dos materiais existentes nas escolas timorenses para a implementao de AL; investigar o que

pensam os professores de Cincias sobre a utilizao de AL nas escolas do 3 ciclo do Ensino

Bsico em Timor-Leste; caracterizar as prticas de professores de Cincias relativas utilizao

de AL nas escolas do 3 ciclo do Ensino Bsico em territrio de Timor-Leste, e que podero ser

utilizadas como sugestes para melhorar a utilizao das mesmas no contexto da nova RCEB.

1.5. Limitaes da investigao

A recolha de dados desta investigao foi realizada de Novembro 2010 a Janeiro 2011

quando a maioria das escolas do 3 ciclo do Ensino Bsico estavam a preparar a realizao do

exame local e nacional. Devido a esse facto, o autor apenas conseguiu a colaborao de cinco

escolas. Uma outra limitao relacionou-se com o facto de os cinco Directores de escolas do 3

ciclo do Ensino Bsico, os dez professores de Biologia e os dez professores de Fsica que

aceitaram dar suas opinies sobre a utilizao das AL, pertencerem a escolas localizadas em

Dli, realidade com desenvolvimento muito diferente de outras regies em Timor-Leste.

Outra das limitaes desta investigao residiu na questo da lngua e nas dificuldades

que alguns respondentes tiveram em expressar-se em portugus.

1.6. Plano geral da dissertao

Este trabalho est organizado em cinco captulos como explicando a seguinte:

No primeiro captulo (INTRODUO) efectuamos a contextualizao terica da

investigao, so apresentados os objectivos da investigao, a importncia da investigao

realizada, as limitaes da investigao e plano geral da dissertao.

No segundo captulo (FUNDAMENTAO TERICA) efectuamos uma reviso de literatura

do tema desta investigao. Este captulo divide-se em trs subcaptulos: introduo, as AL na

Educao em Cincias e as concepes e prticas dos professores de Cincias relativamente s

AL.

14

Terceiro captulo (METODOLOGIA) descreve a metodologia utilizada nesta investigao.

Este captulo divide-se em introduo, descrio geral do estudo e populao e amostra, tcnicas

e instrumentos de recolha dados, elaborao e validao dos inquritos de entrevista, recolha de

dados e tratamento dos dados.

Quarto captulo (APRESENTAO E DISCUSSO DOS RESULTADOS) tem com finalidade

de apresentar e discutir os resultados de investigao. Para alm de introduo analisam-se as

opinies do Director Geral do Ensino Bsico e Ensino Secundrio e de Directores de escolas do

3 ciclo do Ensino Bsico relativamente s condies para a realizao de AL e analisam-se as

opinies de professores de Cincias relativamente utilizao de AL nas escolas do 3 ciclo do

Ensino Bsico em Timor-Leste.

Quinto captulo (CONCLUSES, IMPLICAES E SUGESTES) tem com objectivo

apresentar as concluses deste investigao e analisar tambm as implicaes dos resultados

deste estudo no desenvolvimento das Cincias Naturais em especial de AL de Cincias Naturais

em Timor-Leste. No fim, so feitas algumas sugestes tanto para a melhoria das condies de

realizao de AL no mbito das Cincias Naturais, como sugestes para a realizao de futuras

investigaes.

15

CAPTULO II

REVISO LITERATURA

2.1. Introduo

O segundo captulo apresenta uma reviso de literatura sobre o conhecimento

relacionado com o tema deste trabalho. Para alm da introduo (2.1.), o capitulo tem mais dois

subcaptulos : As AL na Educao em Cincias (2.2.), Concepes e prticas de professores de

Cincias relativamente s AL (2.3.), que inclui estudos que envolveram professores em formao

inicial (2.3.1) e estudos que envolveram professores na carreira (2.3.2).

2.2. As Actividades Laboratoriais na Educao em Cincias

Os processos de ensino e de aprendizagem das Cincias nas escolas tm a ver com trs

dimenses relacionados com a Educao em Cincias (Hodson, 1994): aprender Cincias;

aprender acerca das Cincias; e aprender a fazer Cincias. Ainda segundo este autor, o

significado destas trs dimenses o seguinte:

Aprender Cincias: adquirir e desenvolver conhecimentos conceptuais e tericos;

Aprender acerca das Cincias: desenvolver uma compreenso sobre a natureza e os

mtodos das cincias e sensibilizao sobre a complexidade das interaces entre

cincia, tecnologia, sociedade e ambiente;

Aprender a fazer Cincias: desenvolver e especializar-se na rea da pesquisa cientfica e

da resoluo de problemas.

Uma das formas de integrar as dimenses da educao em Cincias, mencionadas

acima, no processo de aprendizagem das Cincias em sala de aula atravs da realizao de

AL. As AL so um componente essencial do ensino e da aprendizagem das Cincias, tanto para

o desenvolvimento de conhecimentos conceptuais, procedimentais e epistemolgicos dos alunos

sobre a Cincia.

So muitos os autores que se referem aos objectivos de realizao de AL no contexto do

Ensino das Cincias. O nmero de objectivos e o seu grau de generalidade (ou especificidade)

16

vria de autor para autor. Alguns autores enumeram muitos objectivos e outros mencionam um

nmero muito reduzido de objectivos. No quadro 1, baseado em Figueiroa (2001) e completado

com outros autores, sintetizamse os objectivos propostos por diversos investigadores para a

utilizao de AL no Ensino de Cincias.

Quadro 1

Objectivos/finalidades conseguidos atravs da utilizao de AL

Autores Objectivos/Finalidades WOOLNOUGH & ALLSOP (1985)

So trs as finalidades centrais que justificam plenamente o uso da componente laboratorial: desenvolver habilidades cientficas e tcnicas; fazer dos alunos uns resolvedores de problemas (atributo prprio de

um cientista); desenvolver no aluno o sentir da sensibilidade do fenmeno.

MIGUNS & GARRETT, (1991)

Propem cinco os objectivos de mais valor para o trabalho laboratorial: desenvolver habilidades e competncias prprias de um cientista e

necessrias a uma investigao cientfica; ajudar compreenso de um fenmeno; proporcionar o contacto com o fenmeno na natureza; comprovar experimentalmente as ideias prvias; desenvolver habilidades prticas cientficas: observao e manipulao.

HODSON (1994) Hodson agrupa os objectivos das AL nas cincos categorias gerais que se seguem: para motivar atravs de estimulao de interesse e diverso; para ensinar as tcnicas de laboratrio; para intensificar a aprendizagem de conhecimentos cientficos; para proporcionar uma ideia sobre o mtodo cientifico e

desenvolvimento de habilidade da utilizao; para desenvolver determinadas atitudes cientificas, tais como a

considerao de ideias e sugestes de outras pessoas, a objectividade e a vontade de no fazer julgamento apressados.

BARBER & VALDS (1996)

Permite atingir quatro objectivos: proporcionar uma experincia directa acerca dos fenmenos; realar o contraste entre o conhecimento cientfico e a realidade,

valorizando a resoluo de problemas na construo do conhecimento; desenvolver a destreza tcnica; contribuir para o desenvolvimento do raciocnio prtico que vai

surgindo ao longo da realizao da actividade laboratorial.

KIRSCHNER & HUISMAN, (1998)

Apontam trs motivos vlidos para a implementao de trabalho laboratorial no Ensino das Cincias: ensinar a proceder como um cientista; desenvolver nos alunos a habilidades especficas; proporcionar ao aluno a vivncia do fenmeno e chegar ao

conhecimento do mesmo.

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Continuao do quadro 1

PRO BUENO (2000) Considera seis finalidades pelas quais se realizam as AL: motivar o aluno; justificar o carcter experimental dos temas; observar e aprender tcnicas de trabalho laboratrio: manejar aparatos,

medir; verifique leis explicadas na sala para reforar a aprendizagem de

conceitos; aprender conhecimentos em outros contextos; aprender cincias, natureza das cincias e as prticas das cincias.

WELLINGTON (2000) Engloba em quatro grupos as finalidades principais do trabalho laboratorial: desenvolver capacidades (habilidades tcnicas e sociais); ilustrar e esclarecer (acerca de um fenmeno, acontecimento, conceito,

lei ou princpio); motivar (despertar a curiosidade, desenvolver interesses, fascinar,

divertir); provocar o confronto de ideias (atravs de actividades do tipo prev -

observa explica ou de questes iniciadas por o que .... se .... ou porque ...).

Da anlise do quadro 1 e constata-se que h os autores que referem objectivos que tm a

ver com: aprendizagem conceptual ou seja com aprender Cincias (ex: Woolnough & Allsop,

1985; Barbera & Valds, 1996; Kirshner & Huisman, 1998; Miguens & Garrett, 1991);

aprendizagem procedimental ou seja, com aprender a fazer Cincias (ex: Woolnough & Allsop,

1985; Barbera & Valds,1996; Kirshner & Huisman, 1998); com desenvolvimento de atitudes

cientficas (ex: Woolnough & Allsop, 1985; Hodson, 1994; Pro Bueno,2000); com

conhecimentos epistemolgicas ou seja, como aprender acerca das Cincias (ex: Miguens &

Garrett,1991; Wellington, 2000); aumentar a motivao dos alunos (ex: Pro Bueno, 2000;

Wellington, 2000).

Para alm dos autores em cima referidos (quadro 1), ainda, existem outros autores que

referem as potencialidade das AL. Shulman & Tamir (1973), assinalam as potencialidades em

promover o desenvolvimento intelectual, reforar a aprendizagem de conceitos cientficos,

desenvolver a habilidade de resoluo problema, elevar a compreenso s cincias e mtodo

cientfico; no desenvolvimento de competncias, anlise de dados, de investigao, de

comunicao e de trabalho em grupo.

Por outro lado, Leach (1998) distingue o tipo de actividades realizadas pelos alunos em

funo do seu nvel de escolaridade. Nos primeiros anos os alunos so confrontados com alguns

fenmenos naturais e para os quais so desafiados a produzir explicaes, enquanto nos ltimos

anos de escolaridade os alunos desenvolvem actividade de um modo mais autnomo.

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Wellington (1998) apresenta as potencialidades das AL nos domnios cognitivo, afectivo e

de desenvolvimento de habilidades. Segundo este autor as AL promovem o desenvolvimento

conceptual dos alunos; permitindo-lhes a ilustrao, verificao e confirmao da teoria atravs

do trabalho realizado, desenvolvem o interesse dos alunos e motiva-os a estudar Cincias e

desenvolvem competncias fundamentais como observao, medio, inferncia e predio.

Alm das ideias em cima referidas, Leite (2000) descreve as AL em funo do seu

objectivo primordial. Distingue actividades cujo objectivo primordial o desenvolvimento de

tcnicas (Exerccios); actividades que reforam o conhecimento conceptual (Actividades

Ilustrativas e Actividades de aquisio de sensibilidades acerca dos fenmenos); Actividades de

construo do conhecimento conceptual (Actividades orientadas para a determinao do que

acontece e Investigaes); actividades de reconstruo do conhecimento conceptual (Actividade

Prev-Observa-Explica, com ou sem procedimento laboratorial definido) e actividades de

compreenso da metodologia cientfica (investigaes).

2.3. Concepes e as prticas de professores de Cincias relativamente s

Actividades Laboratoriais

Nesta parte faz-se anlise sobre concepes e prticas dos professores de Cincias

tanto professores em formao inicial como professores em carreira actual.

2.3.1. Estudos que envolveram professores em formao inicial

Vrios autores realizaram estudos no sentido de conhecer as concepes e prticas dos

professores em formao inicial relativamente s AL, e sua implementao.

Afonso & Leite (2000) realizaram um estudo que envolveu 124 futuros professores de

Cincias Fsico-Qumicas que visava investigar as suas concepes prvias sobre a utilizao de

AL. Os resultados obtidos atravs de um questionrio mostraram que para eles as AL servem

para interpretar ou explicar problemas do dia a dia, confirmar/ilustrar os conhecimentos

previamente apresentados, envolver os alunos nas actividades. Em geral, recorreriam muito a

AL, mas na realidade no as utilizariam de forma mais adequadas.

Oliveira (2000) realizou um estudo que envolveu 156 alunos dos 207 inscritos no 4 ano

de cursos de formao professores de Fsica em oito Universidades Portuguesas e que visava

investigar as caractersticas do trabalho laboratorial realizado ao longo dos cursos e tambm

caracterizar a formao inicial dos professores de Fsica no que respeito componente

19

laboratorial. Os resultados obtidos atravs de um questionrio, com perguntas fechadas,

mostraram que os futuros professores que participaram no estudo consideram que a carga

horria da componente laboratorial suficiente. Consideram ainda que os protocolos

laboratoriais so insuficientes, de m qualidade e que o trabalho laboratorial que

implementado tambm de fraca qualidade. Consequentemente, o autor conclui que

preparao ao nvel do trabalho laboratorial facultada aos futuros professores de Fsica de

fraca qualidade para suportar a sua futura profisso.

Leite & Afonso (2002) realizaram uma investigao com 44 futuros professores de Fsica

que visavam investigar as suas concepes e prticas sobre a utilizao de AL. Os resultados

obtidos atravs de questionrio mostraram que a maioria deles considerou que as AL so

importantes mas no so adequadamente implementadas. O curso de metodologia do ensino de

Cincias organizado de acordo com as perspectivas de construtivismo teve como objectivo

ajudar os alunos a melhorar as suas concepes sobre a utilizao de AL.

Pereira (2004) desenvolveu um estudo que envolveu 49 alunos/futuros professores de

Cincias da Natureza do 2 ciclo, e que visava investigar as suas concepes sobre AL. Os

resultados foram obtidos atravs de questionrio e revelaram que antes de prtica pedaggica,

os professores valorizam AL para incentivar os alunos, facilitar a aprendizagem, reconhecendo

tambm que trabalho de laboratrio era uma actividade barulhenta, a perda de controlo da

turma e durante o facto de precisar a preparao anterior da actividade na sala de aula, pouco

tm influncia sobre a utilizao e apresentao de actividades prticas. Depois da prtica

pedaggica, os alunos/futuros professores conseguiram planificar AL com grau de abertura

variado.

Entretanto Dourado (2005) realizou um estudo que envolveu seis estagirios de Biologia e

Geologia com o objectivo de analisar as caractersticas das AL implementado por estagirios. Os

resultados obtidos atravs de entrevistas semiestruturadas mostraram que os estagirios dizem

que usam pouco AL, apesar de terem boas condies para as realizar AL. Normalmente eles

realizam AL para confirmar as teorias apresentadas anteriormente. Durante a formao inicial

dos estagirios, no foram desenvolvidas competncias relacionadas com a implementao de

AL e falta investir na preparao deles para a implementao AL durante estgio.

Vieira (2006) realizou um estudo que envolveu nove futuros professores de Biologia e

Geologia e que visava investigar as concepes e prticas de professores relativas utilizao de

AL. Os resultados obtidos atravs de uma entrevista, aplicada antes e depois da formao,

20

mostraram que, antes de formao, as concepes e as prticas dos professores sobre AL

correspondem realizao de actividades em geral do tipo fechado e do tipo ilustrativo,

enfatizam a manipulao de materiais e instrumentos. Aps a formao, as concepes e as

prticas dos professores tiveram uma evoluo positiva quer sobre o modo de implementao de

AL, quer na clarificao e enumerao de contedos; e por fim, os professores sentiram-se mais

confiantes nas suas competncias profissionais.

Saribas & Bayram (2010) realizaram uma investigao com os futuros professores de

Qumica que visavam investigar as suas perspectivas e prticas relativamente s AL. Os

resultados desta investigao mostraram que, depois de formao, existe aumento da

diversidade de respostas dos professores no que respeito ao uso de habilidades metacognitivas,

das expectativas e das crenas de auto-eficcia dos futuros professores de Cincias.

2.3.2. Estudos que envolveram professores na carreira

H diversos investigadores em educao em Cincias que centraram as suas

investigaes nas concepes e nas prticas de professores de Cincias em carreira no sentido

de dar contribuir ao desenvolvimento de AL nas escolas tanto Bsicas como Secundrias.

Almeida (1995) realizou um estudo que envolveu cinco professores de Fsica e Qumica do

3 ciclo do Ensino Bsico, que visava investigar as suas representaes pedaggicas sobre

trabalho experimental e, tambm, analisar a influncia destas representaes nas suas prticas,

em sala de aula, relativas realizao de trabalho experimental. Os resultados obtidos atravs

de entrevistas semi-estruturadas e da observao de aulas mostraram que quatro desses

professores implementavam prticas de laboratrio de natureza fechada, ou seja envolviam os

alunos em procedimentos previamente definidos numa ficha ou guio. O outro professor

realizava trabalho experimental de carcter investigativo e, por isso, envolvia os alunos na

resoluo de um problema, orientando e coordenando toda a actividade realizada pelos alunos,

estimulando a discusso e o confronto de ideias durante o processo de resoluo do problema.

Olsen et al. (1996) realizaram um estudo com trs professores de Fsica. Os resultados

obtidos atravs de gravao de actividades na sala de aula e entrevistas. Os resultados

mostraram que dois professores implementaram as AL como momento de apresentar os

conceitos fundamentais. Uma professora realizou AL como uma aula de aprendizagem por

descoberta.

21

Afonso (2000) realizou um estudo que envolveu 77 professores portugueses de Cincias

Fsico-Qumicas e de Tcnicas Laboratoriais de Qumica e que visava caracterizar as prticas dos

professores relativas utilizao de AL em Cincias Fsico-Qumicas e em Tcnicas Laboratoriais

de Qumicas. Os resultados obtidos atravs de um questionrio mostraram que eles dizem que

usam poucas AL em Cincias Fsico-Qumicas por causa da extenso dos programas desta

disciplina e do excessivo nmero de alunos por turma. As AL so implementadas pelos

professores com o objectivo de motivar os alunos e de elaborar/construir conhecimentos

tericos a partir de dados recolhidos. Em geral, a execuo das AL da responsabilidade do

professor e, por vezes, o professor pede ajuda aos alunos. As AL so, em geral, realizadas em

regime de demonstraes com ajuda de protocolos retirados do manual escolar adoptado ou de

outros manuais embora por vezes, possam ser elaborados pelos professores.

Cunha (2002) realizou um estudo que envolveu 67 professores de Cincias Fsico-

Qumicas. Os resultados foram obtidos atravs de aplicao de questionrios mostraram que os

professores esto de acordo quanto necessidade de envolver mais activamente os alunos na

realizao de AL nas escolas portuguesas e, tambm, de as integrar com a componente

conceptual. As razes apontadas pelos professores para no realizao das actividades so

programa extenso, em Cincia Fsico-Qumicas, e falta de material/equipamento, em Tcnicas

Laboratoriais de Fsica. Os professores consideraram que as AL so implementadas com o

objectivo de consolidar conhecimento adquiridos e de para ilustrar/confirmar conhecimentos. As

AL so, em geral, realizadas pelos alunos organizados em grupo ou em modo de demonstrao.

No que respeita aos protocolos, os professores limitam-se a usar os protocolos do manual

adoptado.

Pereira (2002) realizou um estudo com dois docentes de Cincias Naturais sobre as suas

concepes e prticas relativamente utilizao de AL. Os resultados foram obtidas atravs de

aplicao de um questionrio mostraram que antes de implementao de uma formao, as

concepes e prticas dos professores baseiam-se em perspectivas que ponderam a

aprendizagem como processos de ensino por descoberta de conhecimento. Depois da formao,

as concepes e as prticas dos professores denotam uma evoluo positiva com a utilizao de

AL mais diversificadas e com um maior envolvimento cognitivo dos alunos.

Rosa (2002) implementou uma investigao com trs professoras de Jardins de Infncia

com objectivo de investigar as suas concepes e prticas relativas actividade experimental no

Jardim de Infncia. Os resultados foram obtidos atravs da realizao de entrevistas e da

22

transcries de sesses de formao, mostraram que antes da formao, todas professoras

atriburam pouca importncia ao ensino-aprendizagem de Cincias no Jardim de Infncia quer

na dimenso cientfica da aprendizagem e conhecimentos cientficos quer no desenvolvimento

de competncias investigativas. Depois de ter feita aco de formao, elas tornaram mais

sensveis importncia da aprendizagem ao ensino-aprendizagem de Cincias no Jardim de

Infncia valorizando o ensino aprendizagem de conhecimentos cientficos e o desenvolvimento

de competncias investigativas. As educadoras passaram a atribuir importncia de actividade

experimental tanto na dimenso cientifica da aprendizagem e conhecimentos de cientficos como

no desenvolvimento de competncias investigativas.

Matos & Morais (2004) fizeram um estudo com seis professoras de Cincias Fsico-

Qumicas que visavam analisar as suas concepes e prticas relativamente s AL. Os

resultados da investigao, obtidos atravs da observaes de aulas gravadas e de entrevista,

mostraram que a maioria das professoras implementaram AL com objectivo de desenvolver a

motivao dos alunos relativamente disciplina de Cincias Naturais; valorizar o ensino

aprendizagem de conceitos e da compreenso de fenmenos; desenvolver atitudes dos alunos

sobre as Cincias Naturais e, em geral, recorrem demonstrao.

Wallace & Kang (2004) efectuaram uma investigao com cinco professores de Cincias

Fsico-Qumicas. Os resultados foram obtidos atravs da observao na sala de aula e entrevista

mostraram que existe uma relao forte entre AL com processo do ensino aprendizagem por

investigao. Todos os professores acreditavam que o sucesso do ensino aprendizagem de

Cincias Naturais estava substancialmente ligado implementao de AL. Na anlise geral, os

professores consideram as AL como uma actividade do desenvolvimento de habilidade de

resoluo dos problemas, de compreenso da natureza de um problema cientifico, de definio

de objectivos para resolver o problema, de oferecer oportunidade aos alunos para elaborar os

procedimentos laboratoriais, tcnica de recolha dos dados, tcnica de anlise de dados e fazer

concluses.

Isabel et al. (2005) realizaram uma investigao com cinco professores de Cincias no 1

ciclo do Ensino Bsico. Os resultados desta investigao foram obtidos atravs da realizao de

entrevistas mostraram que existe uma forte relao entre a realizao de AL e uma perspectiva

de ensino por pesquisa em contexto CTS.

Peixoto (2005) realizou um estudo que envolveu 228 Educadores de Infncia do distrito

de Viana do Castelo que pretendia caracterizar as suas prticas relativas a utilizao de AL. Os

23

resultados obtidos atravs de um questionrio mostraram que os professores implementavam AL

para abordar, essencialmente, temas relacionados com a gua. As AL que implementavam,

eram fechadas e de tipo ilustrativo e a maior parte destinadas reconstruo de conhecimento

conceptual e ao desenvolvimento de conhecimento procedimental dos alunos.

Zimmermann (2005) realizou uma investigao com professores de Fsica, de Qumica e

de Biologia do ensino fundamental. Os resultados desta investigao foram obtidos atravs de

aplicao de questionrio e de entrevista mostraram que todos professores consideram AL

importantes para os alunos de sries iniciais no ensino fundamental. Normalmente, eles

realizaram uma actividade com envolvimento activo dos alunos nas suas actividades para que

eles possam aprender a medir, experimentar e executar os materiais de laboratrio e ajudar os

alunos para ver o que acontece facilitando-lhes a compreenso das Cincias (Fsica, Qumica,

Biologia).

Kang & Wallace (2005) realizaram uma investigao com trs professores de Fsico-

Qumicas que visavam analisar as suas concepes e suas prticas no que diz respeito

implementao de AL. Os resultados desta investigao que foram obtidos atravs da realizao

entrevista, observao em sala de aula e analise dos planos de aula dos professores, mostraram

que existe uma relao forte entre a implementao de AL e as perspectivas epistemolgicas dos

professores. Mesmo assim, cada um dos professores apontou a sua prpria razo em relao

implementao de AL. Uma professora implementava AL de maneira demonstrativa e muito

estruturada. outras professoras realizavam AL como processo de resoluo de problemas.

Pekmez et al. (2005) realizaram uma investigao com 24 professores de Fsica que

visavam investigar as suas concepes e prticas relativamente s AL. Os resultados foram

obtidos atravs da entrevista mostraram que os professores reconheceram a importncia das AL

e dedicavam muito tempo sua implementao nas suas aulas de Fsica.

Dourado (2006) realizou um estudo que envolveu 308 professores portugueses de

Cincias Naturais que ensinavam no 7 ano de escolaridades e que visava diagnosticar as suas

concepes e as prticas implementao integrada de AL e de Campo. Os resultados foram

obtidos atravs de um questionrio mostraram que apesar de os professores considerarem

vivel implementao integrada de actividade laboratorial e trabalho de campo mas no foram

capazes de dar exemplos da implementao desse tipo de actividades.

Vasnizi (2006) implementou uma investigao com um grupo dos professores de Fsica

que visava analisar a viso destes professores sobre AL. Os resultados foram obtidos atravs da

24

gravao da aula em vdeo e de entrevista, mostraram que os professores utilizavam as AL como

actividades de verificao da teoria na prtica, de aplicao de conceitos e de resoluo de

problemas e consideram-nas motivadoras.

Ottander & Grelsson (2006) implementaram uma investigao com quatro professores de

Biologia que visavam investigar as suas concepes e prticas relativamente s AL. Os

resultados que foram obtidos atravs de realizao de entrevista mostraram que os professores

tiveram conscincia de que as AL eram muito importantes para promover a capacidade de

tcnicas.

Leite & Dourado (2005) realizaram um estudo que envolveu 87 professores portugueses

de Cincias Naturais do 2 ciclo do Ensino Bsico que visava caracterizar a implementao de

AL antes e depois da reorganizao curricular do Ensino Bsico. Os resultados obtidos atravs

de um questionrio mostraram que a frequncia de implementao de AL que muita baixa,

quer antes quer depois da reorganizao curricular em causa.

Ramalho (2007) realizou um estudo que envolveu 102 professores de Fsico-Qumicas que

visava caracterizar as AL e as prticas lectivas e de avaliao adoptadas por professores de

Fsico-Qumicas antes e depois da reforma curricular no ES. Os resultados obtidos atravs de um

questionrio mostraram que os professores, tanto antes da reforma curricular como depois da

mesma, implementam as AL de modo a confirmar ou ilustrar a teoria previamente ensinada, que

a realizao de AL, em geral, apoiada por protocolos laboratoriais sugeridos pelos professores

e extrados de manuais escolares. Frequentemente, a execuo das AL realizada pelos alunos

que so distribudos nos pequenos grupos.

Soares & Santos (2008) investigaram as concepes e prticas de professores de Fsica

sobre as AL no ensino aprendizagem de Fsica. Os resultados deste estudo, que foram obtidos

atravs de questionrio, observao directa e anlise dos planos de aula, mostram que a maioria

deles aceitam a ideia de que as actividades experimentais favorecem a aprendizagem de Fsica e

desenvolvem as AL para a resoluo de exerccios.

Lobo & Bispo (2008) efectuaram um estudo com professores de Qumica. Os resultados

da investigao, obtidos atravs da observao de aulas e da anlise dos roteiros de aula de

laboratrio, mostraram que eles realizaram as suas actividades com orientaes para os alunos

trabalharem em grupo, preparando as instrues de actividade e ajudando os alunos para atingir

os objectivos desejados como a comprovao de teorias, das tcnicas laboratoriais e melhor

compreenso das teorias da Qumica.

25

Nunes & Dourado (2009) realizaram uma investigao com cinco professores de Biologia

e Geologia sobre as suas concepes e prticas relativas implementao de AL e de

Actividades de Campo. Resultados foram obtidos atravs de entrevistas mostraram que estas

actividades eram reconhecidas como instrumentos importantes para promover a motivao dos

alunos e promover aprendizagens mais significativas.

Correia & Freire (2009) implementaram uma investigao com trs professores de

Cincias Fsico-Qumicas do Ensino Bsico. Os resultados, obtidos atravs de entrevistas, da

observao de aula e da anlise documental, revelaram que os professores implementavam

poucas AL nas suas aulas de Cincias e quando o faziam, assumiam carcter verificativo

demonstrativo, fechado e atribuam pouca importncia s AL do tipo investigao.

Silva (2009) realizou uma investigao com professores de Fsica. Os resultados que

foram obtidos atravs de gravao de aulas e da aplicao de um questionrio aos 214

professores, mostraram que a maioria dos professores reconheceram as AL como meios de

desenvolver as competncias laboratoriais, competncias cientificas de pensamento reflexivo e

critico, de promover a aprendizagem de tcnicas de laboratrio, de promover os interesses dos

alunos relativas s Cincias, de reforar a aprendizagem dos conceitos e verificao dos

conceitos, leis, teorias e de desenvolver as competncias de resoluo de problemas cientficos

e/ou competncias de investigao.

Couto (2009) realizou uma investigao com dois professores de Cincias da Fsica. Os

resultados desta investigao, obtidos atravs de entrevistas, da aplicao de um questionrio,

da gravao de aulas e da anlise das anotaes de cadernos de campo, mostraram que os

professores consideram o trabalho experimental como recurso mediador na apresentao,

exemplificao e problematizao de conceitos fsicos. Alm disso, os professores consideraram

as AL contribuem para o desenvolvimento do interesse, da promoo e envolvimento dos alunos

nas aulas de Fsica, fornecer oportunidade ao processo de construo e validao de modelos

fsicos.

Aps a anlise de alguns estudos sobre concepes e prticas de implementao de AL

por professores de Cincias na formao inicial e por professores de Cincias na carreira

conclui-se o seguinte:

Os professores na carreira e os que na formao inicial dizem que AL so importantes

no Ensino de Cincias (Fsica, Qumica, Biologia);

26

Alguns professores quer os que na carreira quer os que na formao inicial dizem que

utilizam pouco AL porque menos de carga horria e excessivo o programa do ensino.

As AL que realizam tm baixo grau de abertura;

Tanto professores na carreira como professores na formao inicial dizem que fazem

as AL para elevar as capacidades e os conhecimentos dos alunos na rea de Cincias,

desenvolver a motivao e atitude cientifico dos alunos;

Os professores em carreira e os que em formao inicial dizem que na implementao

de AL so apoiadas por protocolos. Os protocolos utilizados so retirados dos manuais

escolares e alguns foram elaborados por eles mesmos;

Os alunos no planificam as AL mas envolvem-se na execuo dos procedimentos que

so descritos nos protocolos. A implementao de AL pelos alunos ocorreu, na maior

parte dos casos, em grupo;

Os professores na carreira e os que na formao inicial dizem que no implementam

as AL ou que implementam poucas AL por causa de as condies nas suas escolas

no permitir a implementao de mais AL.

Na maior parte, o modo de usar AL que mais frequente quer pelos professores na

carreira quer os que na formao inicial demonstrao e apenas alguns deles que

utilizam AL com tipo de experimentao e POER;

Os professores na carreira e os que na formao inicial recorreriam muito AL mas no

as implementam adequadamente porque menos formao relativamente a utilizao

de AL nas escolas quer Bsicas quer Secundarias.

27

CAPTULO III

METODOLOGIA

3.1. Introduo

Neste captulo descreve-se a metodologia utilizada nesta investigao. Inclui uma

introduo (3.1.), a descrio geral da investigao (3.2.), a seleco e caracterizao da

amostra (3.3.), a tcnica e instrumento de recolha de dados (3.4.) e o plano de recolha (3.5.) e

de tratamento de dados (3.6).

3.2. Descrio geral da investigao

Esta investigao teve como objectivos (captulo 1) a caracterizao das opinies do

Director Geral do Ensino Bsico e Ensino Secundrio (daqui em diante designado apenas por

Director Geral), de Directores de escolas do 3 ciclo do Ensino Bsico (daqui em diante

designados apenas por Directores), relativamente s condies de implementao de AL, antes e

depois da actual RCEB de Timor-Leste. Pretendeu-se tambm caracterizar as opinies de

professores de Cincias Fsico-Naturais (daqui em diante designados apenas por professores de

Cincias) sobre o papel das AL no ensino das Cincias, sobre as suas prticas de utilizao das

AL, e sobre as condies de implementao de AL no contexto da nova RCEB. Para se

recolherem estas opinies recorreu-se realizao de entrevistas.

3.3. Populao e Amostra

A populao o conjunto total dos casos sobre os quais se pretende retirar concluses,

todos os elementos reais dos grupos de pessoas, eventos ou objectos sobre os quais o

investigador ir dedicar a sua ateno (Gall et al. 1996; Hill & Hill, 2002). As populaes desta

investigao foram constitudas pelo Director Geral, pelos Directores e pelos professores de

Cincias de Timor-Leste. A partir destas populaes, foram definidas amostras com a finalidade

de facilitar a obteno dos dados necessrios relativamente aos objectivos desta investigao.

file:///C:/Users/Sony/Desktop/Dissertao/Dissertao%201/Dissertao.docx%23_Toc262547163

28

A amostra um conjunto de elementos seleccionados a partir de uma populao

(Sapsford & Jupp, 1998). Segundo Borg & Gall (1989), h vrios tipos de amostragem como

amostragem aleatria simples, amostragem sistemtica, amostragem estratificada, amostragem

por cluster, amostragem de convenincia, amostragem por quotas, amostragem intencional,

amostragem em bola de neve. No caso do Director Geral no se colocou, como bvio a

necessidade de definir critrios de amostragem pois existe um nico elemento. Nos restantes

casos seguiu-se um critrio de amostragem de convenincia. Assim, foram entrevistados cinco

Directores e por 20 professores de Cincias que se disponibilizaram para tal.

Os Directores das escolas participantes nesta investigao (quadro 2), eram

maioritariamente do sexo masculino, e possuam uma licenciatura (80 %).

Quadro 2

As caractersticas de Directores

CARACTERSTICAS f % Sexo Feminino 1 20

Masculino 4 80 3 anos 1 20 4 anos 1 20

5 anos 3 60 Habilitaes acadmicas Bacharelato 1 20

Licenciatura 4 80

Dos 20 professores de Cincias (Fsica e Biologia) que participaram neste estudo, 10

eram professores de Biologia e 10 eram professores de Fsica. No existem professores de

Qumica e de Geologia para o Ensino