Varandas Da Eva

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    Varandas da Eva

    Milton Hatoum1 conto do livro A Cidade

    Ilhada

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    Sobre Milton Hatoum

    Milton Hatoumnasceu em 1952, em Manaus (Amazonas), onde passou a in!ncia euma parte da "uventude# $m 19%& mudou'se para raslia, onde estudou no Col*+iode Aplica-o da .n# Morou durante a d*cada de 19&/ em 0-o aulo, onde sediplomou em aruitetura na 3aculdade de Aruitetura e .r4anismo da .0,tra4alhou como "ornalista cultural e oi proessor universitrio de Hist6ria da

    Aruitetura# $m 197/ via"ou como 4olsista para a $spanha, onde morou em Madri e

    arcelona# 8epois passou trs anos em aris, onde estudou literatura comparada na0or4onne (aris III)# Autor de uatro romances premiados, sua o4ra oi traduzida emdoze ln+uas e pu4licada em catorze pases

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    Prmios e obras: $m 1979 seu primeiro romance (Relato de um certo

    Oriente), +anhou o prmio ;a4uti de melhor romance#: $m 2/// pu4licou o romance Dois irmos (prmio;a4uti < = lu+ar na cate+oria romance> indicado para oprmio IMAC'[email protected]), eleito o melhor romance

    4rasileiro no perodo 199/'2//5 em pesuisa eita pelos"ornais Correio Braziliensee O Estado de Minas#

    : $m 2//1 oi um dos inalistas do rmio Multicultural do

    $stad-o, por conta da pu4lica-o doDois Irmos#: $m 2//5, seu terceiro romance (Cinzas do Norte ),o4teve cinco prmiosPrmio Portugal Telecom, Grande

    Prmio da Crtica!PC!"#$$%, Prmio &a'uti#$$( deMelor romance,Prmio *i+ro do !no da CB*, PrmioB!-O. de literatura)#

    : $m 2//7 rece4eu do Minist*rio da Cultura a Brdem do

    m*rito cultural#: $m 2/1/ a tradu-o in+lesa de Cinzas do /orte (!ses o0

    te !mazon>looms4ur,2//7) oi indicada para oprmio IMAC'[email protected]#

    : $m 2//7 pu4licou seu uarto romance (rfos doEldorado), prmio ;a4uti < 2 lu+ar na cate+oriaromance# $

    : $m 2//9 pu4licou o livro de contosA cidade ilhada

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    SobreA cidade ilhada

    : A maioria dos contos tem como cenrio a mesma Manauscosmopolita ue costuma aparecer em sua o4ra, cidade ha4itada pelamem6ria inventada de narradores nativos e estran+eiros e, * claro, dopr6prio autor, e tam4*m pelo contraste entre esplendor e mis*ria,pelo ascnio encarnado na eDu4er!ncia natural da re+i-o, com seusrios e mist*rios, e a decadncia ue a consumiu nas Eltimas d*cadas#

    : B tr!nsito se d tam4*m em outro sentido na colet!nea de contos vezou outra reaparece um persona+em " visto em seus livros anteriores#F o caso do tio Ganulo, ori+inal de Cinzas do /orte, ue sur+e emdois momentos de! Cidade Ilada#

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    : 0e o cenrio e os persona+ens soam amiliares, h al+umas novidadesde tom em ! Cidade Ilada# ois, em vez da violncia t-o impetuosaue permeia suas hist6rias anteriores, nos contos rever4era umlirismo ue, se n-o * novidade (ele parece estar sempre espreita nosteDtos de Hatoum), aui ousa se aproDimar cada vez mais do humor#Bs contos reletem mais a vida nmade, ue oi tam4*m a de Mitonantes de se tornar um autor consa+rado, pois viveu por al+uns anos na$uropaJ depois, deu aulas de ?iteratura nos $stados .nidos, e ho"e

    mora em 0-o aulo# As hist6rias tm humor e leveza porue dizemrespeito sua vida de andarilho, ue oi uma *poca de po4reza, masde muita ale+ria, se+undo Hatoum#

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    Varandas da EvaKarandas da $va o nome do lu+ar#@-o era lon+e do porto, mas nauela *poca a no-o de dist!ncia era outra# Btempo era mais lon+o, demorado, nin+u*m alava em desperdiar horas ou

    minutos# 8esprezvamos a velhice, ou a ideia de envelhecerJ vivamos perdidosno tempo, as tardes nos suocavam, lentas tardes paradas no mormao# ;conhecamos a noite estas no 3ast Clu4e e no anti+o ar*s, 4ailes a 4ordo dosnavios da ooth ?ine, serenatas para a namorada de um inimi+o e 4ri+as namadru+ada, l na calada do 4ar do 0u"o, na praa da 0audade# Ls vezesentrvamos pelos undos do teatro Amazonas e espivamos atores e cantoresnos camarins, eDi4indo'se nervosamente diante do espelho, antes da primeiracena# Mas auele lu+ar, Karandas da $va, ainda era um mist*rio#Ganulo, tio Gan, o conhecia#F um 4alnerio lindo, e cheio de moas lindas, dizia ele# Mas vocs precisamcrescer um pouuinho, as mulheres n-o +ostam de edelhos#

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    Inve"vamos tio Gan, ue at* se en"oara de tantas noites dormidas noKarandas# A vida, para ele, dava outros sinais, descaa para outroscaminhos# $nastiado, sem +raa, o ueiDo er+uido, ele mal sorria, e l do

    alto nos olhava, repetindo Cresam mais um pouco, cam4ada deedelhos# A levo todos vocs ao 4alnerio#Minotauro, ortao e aoito, uis ir antes# 3oi 4arrado no port-o alto,cuspiu na terra, deu meia'volta, uase marchando para trs# $ra umdestemido, o corpo +randalh-o, e um "eito de encarar os outros com olho

    uente, de meter medo e intimidar# Mas a voz ainda hesitava era a+uda e+rossa, de periuito rouco, e o rosto de moleue, assom4rado, meio leso#erin*lson era mais paciente, rapaz melindroso, sa4ia esperar# ;namorava de dar 4ei"os +ulosos e acochos, e nos surpreendia em plenodomin+o +uiando uma lam4reta velha, rou4ada do irm-o# @a +arupa,uma moa desconhecida, de outro 4airro# Bu estran+eira# A muinapassava perto da +ente, deva+ar, roncando, rodeando o tronco de umarvore# 8epois acelerava, sumindo na umaceira# $le sempre +ostou dedesaparecer, eDtraviar'se# erin*lson era e n-o era da nossa turma# $u oconsiderava um dos nossos# $le, n-o sei# Ninha uns se+redos 4em+uardados, era cheio de reticncias n-o se mostrava, o rapaz#

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    B Narso era o mais triste e enver+onhado nunca disse onde morava# 8esconivamosue o teto dele era um dos 4arracos perto do i+arap* de ManausJ um dia se meteu por

    ali e sumiu# Garo sair com a +ente para um arrasta'p*# $le recusava Com essessapatos velhos, n-o d, mano# .m cineminha, sim duas moedas de cada um, epa+vamos o in+resso do Narso# $ l amos ao Fden, uaran ou oltheama# 8epoisda matin, ele escapulia, n-o icava para ver as meninas da $scola @ormal, nem asendia4radas do 0anta 8orothea# Narso ueria vender picol*s e rutas na rua, ueria+anhar um dinheirinho s6 para entrar no Karandas da $va# Mas era caro, n-o ia dar#

    $nt-o tio Ganulo prometeu Ouando che+ar a hora, pa+o pra todos vocs#Nio Gan, homem de palavra, oi +eneroso espichou dinheiro para a entrada e a4e4ida# 8epois tirou um mao de c*dulas da carteira# 8isse Isso * para as mulheres#$ nada de moleca+em# Cada um de vocs deve ser um +entleman com auelasprincesas#Contamos as c*dulas dava e so4rava, era a nossa ortuna# Compramos na CasaColom4o um par de sapatos, e tia Mira costurou uma cala e uma camisa, tudo para oNarso# Ouando ele eDperimentou a roupa nova, parecia outro, ia chorar de ale+ria,mas Minotauro, maldoso, de4ochou 8eiDa pra chorar depois da arra, rapaz# Ouemica eliz de roupinha nova * moa#$les icaram cara a cara, os olhos com ascas de rancor# Nia Mira se intrometeu, comsEplicas de tr*+ua e paz# Bs dois olharam para minha tia, os rostos mais serenos, opensamento talvez em outras searas#

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    Marcamos a noitada para uma seDta'eira de setem4ro#erin*lson pe+ou o dinheiro, uis ir sozinho, delam4reta# Nio Gan nos levou em seu 8auphine, parouuase na porta, nos dese"ou 4oa noitada# Ouando amos

    entrar, Narso hesitou deu uns passos para a rente,recuou, uis e n-o uis entrar# 3icou mudo, mais e maisesuisito, echou'se# @6s o desconhecemos luz e danan-o o atraamP Minotauro puDou'o pela camisa,

    en+anchou a m-o no pescoo dele, repetindo ora l, seuleso# @osso ami+o a4aiDou a ca4ea, concordando, mascom um salto se des+arrou, e correu para a escurid-o#

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    Narso, um desmancha'prazer# 8eiDamos o nosso ami+o# A vontade n-o * de cadaum e em cada diaP Minotauro soltou um +runhido, resmun+ou @-o disseP

    Goupinha nova * mimo pra mocinha# $ntramos# .m caminho estreito e sinuosoconduzia ao Karandas da $va# Aos poucos, uma som4ra oi crescendo, e no im docaminho uma luminosidade sur+iu na loresta# $ra uma constru-o redonda, demadeira e palha, desenho de oca ind+ena# Mesinhas na 4orda do crculo, um sal-ono meio, iluminado por l!mpadas vermelhas# .ns casais danavam ali, a mEsicaera um 4olero# Minotauro apontou uma mesinha vazia num canto mais escuro#

    0entamos, pedimos cerve"a, um cheiro de aucena vinha do mato# $ erin*lson, seeDtraviaraP @a luz vermelha, uase noite, Minotauro me cutucou uma mulhersorria para mim# @-o vi mais o Minotauro, nem uis sa4er do erin*lson# 06olhava para ela, ue me atraa com sorrisosJ depois ela me chamou com um aceno,+irando o indicador, me convidando para danar# @-o era alta, mas tinha umcorpo cheio e recortado, e um rostinho dos mais 4elos, com olhos acesos, cor de

    o+o, de +ata maraca"# 8anamos trs mEsicas, e danamos mais outras, parados,apertadinhos, de corpo molhado# $la perce4eu minha !nsia, me apertou com+osto, e me levou, no ritmo lento da mEsica, para ora do sal-o# or outro caminhome conduziu a uma das casinhas vermelhas, avarandadas, na 4eira de um i+arap*#3icamos um tempo na varandinha, no namoro de 4ei"os e pe+aQes# 8epois, ldentro, ela echou a porta, e deiDou as "anelas entrea4ertas# B som de um 4oleromorria na casinha avarandada#

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    : $la me ensinou a azer tudo, todos os carinhos, sem pressa, com o sa4er de mulher ue "amou e oi amada# assamos a noite nessa esta, sem cochilo, e muitos risos, de s6

    prazer# 3ez coisas ue davam ciEme, carcias ue n-o se esuecem# er+untei como ela sechamava# $la disarou, e disse, rindo Meu nomeP Nu n-o vais sa4er, * proi4ido, pecado#Meu nome * s6 meu# rometo#

    : A voz e a risada 4astavam, minha curiosidade diminua# @ome e so4renome n-o s-oaparnciasP

    : @-o uis me ver nem ser vista luz do diaJ uando as +uas do i+arap* icaram maisescuras do ue a noite, ela pediu ue eu osse em4ora# B4edeci, a contra+osto# 0a no im

    da madru+ada, caminhando na trilha de olhas Emidas# @auela manh- o sol teimou emaparecer no c*u echado#

    : Koltei ao Karandas no mesmo dia, a im de rev'laJ voltei muitas vezes, sempre sozinho,nunca mais a encontrei#

    : B Narso disse ue n-o entrou no Karandas porue teve medo#: MedoP

    : $le s*rio, e calado#: Minotauro me contou sua arra, cheia de aanhas# A +rande +andaia, noite e dia, eledisse com uma voz ue n-o tremia mais, voz 4em +rossa, de cachorr-o# B erin*lson meolhou de soslaio, sorriu de ininho, desconversou# $le n-o se mostrava mesmo# ostavadas coisas s6 para ele, +uardando tudo na mem6ria, dono sozinho de seus eitos eracassos#

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    @os meses se+uintes, ainda tentei ver a mulher, pulava de um clu4e para outro, oslupanares de Manaus# At* ho"e, sinto !nsia s6 de lem4rar#Nia Mira dizia ue eu estava 4a4ado de amor# $sts tonto por uma mulher, ela ria,

    o4servando meu devaneio triste, meu olhar ao l*u#B Narso n-o uis conversar so4re auela noite# 3oi o primeiro a se aastar da turma

    teve de a4andonar a escola, ueria ser prtico de motor, ou, uem sa4e, capataz numa

    azenda do Careiro#Nrs anos depois, meus tios Mira e Gan mudaram de 4airroJ os encontros com meusami+os tornaram'se ortuitos, minha vida procurou outros rumos# B Enico ue cruzou omeu caminho oi MinotauroJ cruzou por acaso, uando eu saa do 4ar Mocam4o e ele iavisitar um ami+o no uartel da olcia Militar# $stava ardado, era soldado 01 e sepreparava para o eDame de su4oicial da Aeronutica# 0ervia na 4ase terrestre, de+uerras na selva# @-o ueria voar#

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    0ou homem com p*s no ch-o, ele oi lo+o dizendo# F emocionante

    a +ente se perder na mata, os peri+os me atraem, mano# A +enteentra na loresta, escuta os rudos da noite e a noite * escura uenem o dia# F um desaio# Noda a cam4ada tem ue caminharnauele zi+ueza+ue escuro, dormir sem sa4er onde est, matar os4ichos e encontrar a sada para a sede do comando#

    3alava com desem4arao, cheio de si, alisando com os dedos+rossos a 4oina azul# B rosto continuava assom4rado, uase eroz,e a risada saa ue nem uivo# $le havia topado com o erin*lsonB leso do eri via"ou para 0-o aulo# Ouer ser doutor, m*dico demulher# Ouer se aproveitar delas, riu o Minotauro, tene4roso,

    mostrando dentes de cavalo# Nu nem sa4es### B eri sempre oisonso, andou pelo Karandas antes da +ente, sempre oi cado pormulheres de todas as idades

  • 7/23/2019 Varandas Da Eva

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    8ei um risinho chocho, sem vontade# Minotauro " era meu eD'ami+oP $stem outro mundo, nossos pensamentos n-o se encontram# 3oi o ue eu remonauele instante#

    $ o NarsoPMais po4re do ue eu, ele disse# 8eve estar cado por a# o4re po4re n-o selevanta, mano# @em soldado o coitado do Narso pode ser#B Minotauro me tratou com carinho# @-o sei se nauele dia eu tive pena ouraiva dele# 8esprezo, talvez#$le se despediu com um a4rao orte, de estalar as costelas# $ra socado, um

    monstro# s a 4oina na ca4ea e saiu andando, desen+onado, cumpridorde deveres#

    Anos depois, num im de tarde, eu aca4ara de sair de uma vara cvel, epassava pela avenida 0ete de 0etem4ro# 8iva+ava# $ " n-o era "ovem# A+ente sente isso uando as complicaQes se somam, as respostas se esuivam

    das per+untas# Coisas ruins insinuavam'se, escondidas atrs da porta# As+andaias, os +ozos de n-o ter im, auele arro"o dissipador, tudo vai seesvaindo# $ a aspereza de cada ato da vida sur+e como um cacto, ou plantasem perume# Al+u*m ue olha para trs e toma um susto a "uventudepassou#

  • 7/23/2019 Varandas Da Eva

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    Ouando andava diante do alcio do overno, decidi descer a escadaria uetermina pr6Dima mar+em do i+arap*J parei no meio da escada e me distra

    com a vis-o dos pssaros pousados nas plantas ue lutuavam no rio cheio#3oi ent-o ue vi, numa canoa, um rosto conhecido# $ra Narso# Gemoulentamente at* a mar+em e saltouJ depois tirou um cesto da canoa e ps oardo nas costas, a ala em volta da testa, como az um ndio# B corpo do meuami+o, curvado pelo peso, era o de um homem# 0u4iu uma escadinha demadeira, deiDou o cesto na porta de uma palaita, voltou mar+em e puDou acanoa at* a areia enlameada# L porta apareceu uma mulher para apanhar ocesto# Geapareceu em se+uida e acenou para Narso# @um relance, ela er+ueua ca4ea e me encontrou# $stremeci# $u ia virar o rosto, mas n-o pude deiDarde encar'la# $la me atraa, e a lem4rana sur+iu a+itada, conusa# A voz delachamou Meu ilhoR A mesma voz, mei+a e irme, da moa, da mulher da

    casinha vermelha, no 4alnerio Karandas da $va# $ra a m-e do meu ami+oPIsso durou uns se+undos# or assom4ro, ou ma+ia, o rosto dela era o mesmo,n-o envelhecera# Mal tive tempo de ver os 4raos e as pernas, a mem6ria oia4rindo 4rechas, compondo o corpo inteiro dauela noite#Narso escondeu a canoa entre os pilares da palaita, e entrou pela escadinhados undos# A mulher " tinha sumido# ermaneci ali mais um pouco,

    relem4rando###@unca mais voltei uele lu ar#

  • 7/23/2019 Varandas Da Eva

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    Anlise

    : $m uma leitura mais atenta perce4e'se o ami+odo narrador como o menino po4re ue +anhouas roupas para visitar o 4ordel e se emocionou aoeDperiment'las, para chacota dos demaisJ ahesita-o do menino no dia da t-o esperada

    visita, e seu posterior sumioJ o carinho e omist*rio da mulher para com o narrador#

  • 7/23/2019 Varandas Da Eva

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    : $ v'se ue cada rase, cada cena, cada comentrio tem uma un-o no teDto ea"uda a construir auele desecho, e * nessa leitura ue entende'se ser esta n-o ahist6ria de um menino em 4usca da primeira mulher, mas de um menino

    tornando'se homem e perdendo, com isso, muito da anti+a in+enuidade, muitoda ilus-o

    : 1!nos de2ois, num 0im de tarde, eu aca'ara de sair de uma +ara c+el, e2assa+a 2ela a+enida 3ete de 3etem'ro4 Di+aga+a4 E 56 no era 5o+em4 ! gentesente isso 7uando as com2lica89es se somam, as res2ostas se es7ui+am das

    2erguntas4 Coisas ruins insinua+am"se, escondidas atr6s da 2orta4 !sgandaias, os gozos de no ter 0im, a7uele arro5o dissi2ador, tudo +ai sees+aindo4 E a as2ereza de cada ato da +ida surge como um cacto, ou 2lanta sem

    2er0ume4 !lgu:m 7ue ola 2ara tr6s e toma um susto; a 5u+entude 2assou4