PROSAD

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programa de atenção a saúde do adolescente.

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  • 1 CONHECENDO O PROSAD

    Segundo Ministrio da Sade, o PROSAD foi criado pela Portaria do

    Ministrio da Sade n 980/GM de 21/12/1989, fundamenta-se numa poltica

    de Promoo de Sade, de identificao de grupos de risco, deteco precoce dos

    agravos com tratamento adequado e reabilitao, respeitadas as diretrizes do

    Sistema nico de Sade, garantidas pela Constituio Brasileira de 1988.

    1.1 Populao Alvo

    Jovens de ambos os sexos de 10 a 19 anos de idade, cerca de 32 milhes

    de pessoas, o que significa 21,84% da populao total do Brasil

    (IBGE/1991).

    A 1 causa de mortalidade na adolescncia so as causas externas, isto ,

    acidentes de trnsito, homicdios e

    suicdios.

    Em relao ao uso de drogas, um estudo feito em 1987, 1989 e 1993 em

    10 capitais, entre estudantes de 1 e 2 graus, mostra que a maior incidncia

    refere-se ao grupo de estudantes que trabalham, e/ou que esto atrasados em 3

    anos ou mais na relao srie escolar/idade e/ou tm pais separados ou

    falecidos.

    Em 1990, 14,4% dos adolescentes de 10 a 14 anos e 9,42% de 15 a 19

    anos eram analfabetos e, entram cada vez mais cedo no mercado de trabalho. Em

    1990, o percentual de adolescentes economicamente ativos era de 17,5% e 56,7%

  • nas faixas de 10 a 14 anos e 15 a 19 anos, respectivamente.

    Em relao sexualidade, existem dados demonstrando que o nvel de

    fecundidade de adolescentes entre 15 a 19 anos aumentou entre 1970 e 1980,

    havendo tambm incremento da fecundidade na faixa entre 10 e 14

    anos.

    Em 1996 o percentual dos partos em adolescentes de 10 a 19 anos

    realizados na rede SUS chegou a 25,79%.

    1.2 Caracterstica do Programa

    O Programa Sade do Adolescente - PROSAD dirigido a todos os

    jovens entre 10 a 19 anos e caracterizado pela integralidade das aes e pelo

    enfoque preventivo e educativo. O PROSAD visa garantir aos adolescentes o

    acesso sade, com aes de carter:

    multiprofissional;

    intersetorial;

    interinstitucional

    1.3 Objetivos do PROSAD

    Promover a sade integral do adolescente, favorecendo o processo geral

    de seu crescimento e desenvolvimento, buscando reduzir a morbi-

    mortalidade e os desajustes individuais e sociais.

    Normatizar as aes consideradas nas reas prioritrias.

  • Estimular e apoiar a implantao e/ou implementao dos Programas

    Estaduais e Municipais, na perspectiva de assegurar ao adolescente um

    atendimento adequado s suas caractersticas, respeitando as

    particularidades regionais e realidade local.

    Promover e apoiar estudos e pesquisas multicntricas relativas a

    adolescncia.

    Contribuir com as atividades intra e interistitucional, nos mbitos

    governamentais e no governamentais, visando a formulao de uma

    poltica nacional para a adolescncia e juventude, a ser desenvolvida nos

    nveis Federal, Estadual e Municipal.

    1.4 reas Prioritrias de Ao

    crescimento e desenvolvimento;

    sexualidade;

    sade mental;

    sade reprodutiva;

    sade do escolar adolescente;

    preveno de acidentes;

    violncia e maus-tratos

    famlia.

    1.5 Competncia do Nvel Federal

    Implantar e/ou implementar o PROSAD em todos os estados.

    Apoiar treinamentos de recursos humanos e de adolescentes

    multiplicadores de sade.

    Dar assessoria tcnica aos estados.

  • Estimular a criao de centros de referncia para a sade do adolescente,

    dentro das normas do Ministrio da Sade (anexo).

    Elaborar, imprimir e distribuir material normativo e educativo,

    condizentes com as especificidades das populaes a que se destinam, ou

    apoiar a elaborao a nvel estadual e municipal.

    Apoiar eventos que possam fomentar o interesse e melhorar a qualidade da

    ateno ao adolescente.

    Manter um permanente canal de informao entre o nvel central, estadual

    e municipal.

    Estimular pesquisas em servios e aquelas que visem compreender as

    atitudes e comportamento de jovens frente sua sade.

    Participar de eventos, reunies, grupos de trabalho, conselhos, comits,

    etc., relativos sade integral do adolescente, para que polticas nacionais que

    reconheam as necessidades especiais dos adolescentes sejam adotadas.

    Disponibilizar o acesso a mtodos de avaliao e acompanhamento da

    assistncia prestada ao adolescente em todos os nveis do SUS.

    Articular-se com: Ministrio da Educao e do Desporto; Ministrio do

    Trabalho;

    Ministrio da Justia (COFEM, CONANDA); Ministrio da Previdncia

    Social; Programa Comunidade Solidria; Organizaes No-Governamentais;

    Organismos Internacionais (OMS/OPAS, UNICEF, FNUAP, outros);

    Sociedades Cientficas; Universidades.

    1.6 Situao Atual do PROSAD

    O programa est oficialmente implantado nos 27 estados da federao e j

    foram treinados 130 multiplicadores em Ateno Integral Sade do

    Adolescente. Foram elaborados, impressos e distribudos os seguintes

    documentos:

    Bases Programticas do PROSAD;

  • Normas de Ateno Integral Sade do Adolescente I, II e III

    Violncia e Maus-Tratos contra a Criana e o Adolescente;

    Prevenir a violncia: um desafio para educadores;

    Crescer sem violncia: um desafio para educadores;

    Guia de Orientao sobre Sexualidade e Sade Reprodutiva (Ficar... por

    dentro!)

    Adolescente Grvida e os Servios de Sade no Municpio (parceria com

    UNICEF);

    Pranchas de Tanner.

    1.7 Centros Docentes Assistenciais

    uma instncia operacional das questes referentes Sade do

    Adolescente, devidamente reconhecido e credenciado pelo Ministrio da Sade,

    atravs da excelncia tanto da assistncia quanto da capacitao dos recursos

    humanos sob sua atividade de docncia.

    A sade de adolescentes e jovens: competncias e habilidades

    A consulta do adolescente e jovem Por: Elosa Grossman, Maria Helena Ruzany, Stella R. Taquette Os adolescentes atravessam um processo dinmico e complexo de maturao. As transformaes corporais, o surgimento de novas habilidades cognitivas e seu novo papel na sociedade so determinantes do questionamento de valores dos adultos que os cercam. Por isso, eles

    se predispem a novas experincias testando atitudes e situaes, que podem ameaar sua sade presente e futura, como por exemplo acidentes, gravidez no planejada, doenas sexualmente transmissveis, uso de drogas e distrbios alimentares. Embora os programas de ateno ao adolescente j estejam sendo implementados h quase trs dcadas, observam-se mudanas significativas no perfil de morbi-mortalidade neste grupo

    populacional, com aumento de problemas que poderiam ser evitados por

    medidas de promoo de sade e preveno de agravos. Diante desse cenrio, a alternativa vivel e coerente a modificao da nfase dos servios de sade dirigidos a essa clientela. Os profissionais de sade devem incluir medidas preventivas como um

  • componente fundamental de sua prtica assistencial, ao invs da ateno estritamente biolgica e curativa. A consulta desta clientela nos servios de sade deve ter como objetivos alm da preveno de agravos, o diagnstico, a monitorizao, o tratamento e a reabilitao dos problemas de sade. A proposta deste captulo abordar situaes e peculiaridades da consulta do adolescente e jovem. A recepo nos servios de sade

    Independentemente da razo que faz com que o adolescente/jovem procure o servio de sade, cada visita oferece ao profissional a oportunidade de detectar, refletir e auxiliar na resoluo de outras questes distintas do motivo principal da consulta. A entrevista um exerccio de comunicao interpessoal, que engloba a comunicao verbal e a no verbal. Para muito alm das palavras, deve-se estar atento s emoes, gestos, tom de voz e expresso facial do cliente. A acolhida nos servios deve ser cordial e compreensiva, para que se sintam valorizados e vontade nos mesmos. Uma acolhida hostil, que imponha uma srie de exigncias, pode afastar o adolescente, perdendo-se a oportunidade de adeso ao servio. Pelas caractersticas prprias dessa etapa do desenvolvimento, muitas vezes eles tm dificuldades em respeitar os horrios e as datas de agendamento, determinando que o servio construa mecanismos de organizao mais flexveis. Alm disso, de fundamental importncia que a equipe possa ser facilmente reconhecida pela clientela atravs de crachs para permitir a identificao do profissional a quem deve se dirigir no esclarecimento de suas dvidas ou em busca de informaes especficas. Os ambientes devem ser bem sinalizados, auxiliando os usurios a circularem pelos servios. A adequao do espao fsico

    Em geral, os adolescentes preferem uma sala de espera exclusiva para

    sua utilizao nos horrios de atendimento. Esse espao deve ser, acima de tudo, acolhedor, agradvel e confortvel para os clientes e seus acompanhantes. Isto pressupe locais amplos, bem ventilados e limpos, adequados para o desenvolvimento de atividades de grupo que

    podem ter mltiplos objetivos, tais como a apresentao do servio, integrao com a equipe e educao para a sade. O acesso a materiais educativos (livros, revistas, vdeos, programas de informtica) de grande valor porque ajuda a aproveitar o tempo livre e permite o acesso e reforo de informaes relevantes.

    A porta do consultrio deve permanecer fechada durante a consulta, para impedir interrupes, e a sala deve ter espao suficiente para conter mobilirio que permita a entrevista do adolescente e de sua famlia. A sala de exame deve ser separada do espao da entrevista, assegurando a privacidade do exame fsico.

  • As aes preventivas como componentes da consulta

    De acordo com a Associao Mdica Americana (1997), as visitas de rotina de adolescentes e jovens e suas famlias aos servios de sade configuram-se como oportunidades para:

    1) reforar mensagens de promoo de sade; 2) identificar adolescentes e jovens que estejam sujeitos a

    comportamentos de risco ou que se encontrem em estgios iniciais de distrbios fsicos e/ou emocionais; 3) promover imunizao adequada; 4) desenvolver vnculos que favoream um dilogo aberto sobre questes de sade.

    Todos os adolescentes e jovens devero receber esclarecimentos a respeito de seu crescimento fsico e desenvolvimento psicossocial e sexual. Deve ser enfatizada a importncia de se tornarem ativamente participantes nas decises pertinentes aos cuidados de sua sade. Na abordagem da preveno de acidentes de trnsito, o profissional de sade deve orientar os jovens a no dirigir alcoolizados, bem como sob os efeitos de substncias psicoativas, e que sempre usem cintos de segurana. Devem aconselhar tambm que evitem provocaes e revides em situaes conflituosas em vias pblicas, e que tenham cuidado na travessia de ruas movimentadas ou cruzamentos.

    As vantagens da realizao de atividade fsica regular devero ser reforadas, incluindo seu papel na promoo da sade fsica e mental e como fator de socializao. No entanto, deve-se alertar quanto necessidade do adequado condicionamento fsico antes de exerccios ou prticas esportivas. Os adolescentes devero receber esclarecimentos sobre cuidados com a sade oral, hbitos nutricionais adequados, incluindo os benefcios de uma alimentao saudvel e da manuteno do peso ideal. As consultas so momentos privilegiados para o aconselhamento de prticas sexuais responsveis e seguras. O uso de preservativo deve ser enfatizado como prtica indispensvel na preveno de doenas sexualmente transmissveis e de infeco pelo HIV. Esta tambm uma oportunidade de esclarecimento de dvidas, de conversar sobre a importncia do afeto e do prazer nas relaes amorosas e para alertar sobre situaes de risco para abuso e/ou explorao sexual. De acordo com os protocolos de controle de presso arterial, todos os adolescentes e jovens devero ter sua presso arterial aferida anualmente. Aqueles com histria familiar de hipercolesterolemia devero ser investigados com dosagens sricas de colesterol total, bem como os adolescentes que apresentarem mltiplos fatores de risco para doena cardiovascular (fumantes, hipertensos, obesos, diabticos ou os que consomem uma dieta rica em gorduras saturadas e colesterol).

  • O consumo de cigarros, lcool/drogas e anabolizantes deve ser investigado nas consultas para a adoo de medidas preventivas e, se necessrio, encaminhamento. Outros assuntos importantes so as dificuldades escolares e no trabalho. Essa abordagem dever ser desenvolvida de forma criativa, no se revestindo de um carter inquisitivo.

    O bom senso determinar a melhor forma de relacionar as inmeras questes aqui enunciadas, tendo-se clareza de que no h obrigatoriedade de esgotar todos os tpicos em uma nica ocasio. A utilizao de materiais educativos de grande ajuda no desenvolvimento de aes preventivas. Cabe ressaltar, entretanto, a importncia da prvia adequao destes s realidades locais para que se alcancem os objetivos propostos. A entrevista caractersticas do profissional de sade

    A entrevista no deve obedecer a formatos rgidos e preconcebidos, j que se trata de um grupo heterogneo de indivduos, com caractersticas prprias. Especificamente em relao a esse grupo populacional, alm das diversidades de cada sujeito, h que se ressaltar aquelas relacionadas faixa etria adolescentes mais jovens ou mais velhos, gnero, meio familiar adolescentes que moram com suas famlias ou no, escolaridade, entre tantas outras. No existe um perfil especfico de profissional de sade para o atendimento de adolescentes/jovens. Algumas caractersticas, entretanto, devem ser ressaltadas como muito importantes:

    estar disponvel para atender o paciente e sua famlia sem autoritarismos;

    estar atento ao adolescente e ter capacidade de formular perguntas que auxiliem a conversao, buscando compreender sua perspectiva; no ser preconceituoso, evitando fazer julgamentos, especialmente no que diz respeito abordagem de determinadas temticas como sexualidade e uso de drogas;

    buscar, de forma contnua, atualizao tcnica na rea especfica de atuao profissional. Dinmica da consulta

    Em termos ideais, devem existir dois momentos na consulta: o

    adolescente sozinho e com os familiares/acompanhantes. Entrevistar o

    adolescente sozinho oferece a oportunidade de estimul-lo a expor sua percepo sobre o que est acontecendo com ele, e que, de forma progressiva, torne-se responsvel pela prpria sade e pela conduo de sua vida. Alm disso, esse espao permite que o adolescente/jovem aborde alguns aspectos sigilosos que o estejam preocupando. A

    entrevista com a famlia fundamental para o entendimento da dinmica e estrutura familiar e para a elucidao de detalhes importantes. O profissional de sade no deve ficar restrito a obter informaes sobre o motivo focal que levou o adolescente ao servio de sade e sim

  • conhecer o cliente como um todo. Isto inclui a avaliao de como ele est-se sentindo em relao s mudanas corporais e emocionais pelas quais est passando, seu relacionamento com a famlia e com seus pares, a forma como utiliza as horas de lazer, suas vivncias anteriores no servio de sade, expectativas em relao ao atendimento atual e seus planos para o futuro.

    importante salientar que durante a anamnese podem surgir barreiras de comunicao. Alm de reconhec-las e tentar super-las, o profissional dever buscar explorar as razes que determinam esse comportamento. Outra situao que deve ser observada a possibilidade de o profissional de sade sentir-se seduzido pelo paciente e vice-versa. O profissional deve ter clareza de seu papel e evitar outros

    tipos de relacionamentos que no o estritamente tcnico. Uma alternativa para vencer essas dificuldades apresentar a situao equipe e discutir solues ou encaminhamentos. Nesta oportunidade podem surgir outras opes no manejo do caso, incluindo a possibilidade de referncia para outro profissional. O exame fsico

    O exame fsico o procedimento que apresenta o mais elevado grau de dificuldade para o profissional de sade pouco habilitado. Isso decorre do fato de que, na formao do mdico ou enfermeiro, no existem disciplinas que desenvolvem esta habilidade levando em

    considerao o desconforto causado ao profissional, pela necessidade de manipulao do corpo de um indivduo em pleno desenvolvimento fsico, sexual e pujana de vida. Dadas estas dificuldades, muitos profissionais optam por no realizar o exame fsico completo, resultando em oportunidades perdidas no diagnstico de problemas de sade (Ruzany, 2000). Uma alternativa para o profissional em formao, ou para aqueles que no se sentem vontade para proceder ao exame fsico, a participao de outro profissional da equipe como observador durante este momento da consulta. No caso de o adolescente mostrar-se

    constrangido com a realizao do exame fsico, ou se houver algum indcio de situaes de seduo de ambas as partes, recomenda-se tambm a presena de um componente da equipe durante o procedimento. A explicao prvia do que e como ser realizado o exame fsico importante para tranqilizar o adolescente e diminuir seus temores. Alm da ansiedade frente ao manuseio do corpo, no raro o adolescente encontra-se ansioso ante a perspectiva de achados anormais. Assim, desejvel que o profissional responda a essa expectativa, revelando o que est normal durante a avaliao. O exame fsico deve ser uma oportunidade de o profissional abordar temas educativos com o cliente em relao a seu corpo, como por exemplo atravs da instruo do auto-exame das mamas e dos testculos. A orientao sobre hbitos higinicos tambm um aspecto importante a

  • ser tratado neste momento. Sempre que possvel, deve-se realizar o exame fsico completo na primeira consulta, incluindo-se um screening visual, pesquisa de cries dentrias, observao cuidadosa de pele e mucosas, exame da coluna vertebral, do aparelho genital, entre outros.

    Na realizao da consulta clnica, alguns instrumentos so fundamentais para o registro dos dados obtidos no atendimento. Frente

    s peculiaridades de um corpo em amadurecimento, a aferio de medidas antropomtricas e a disposio dessas em grficos (NCHS), alm do estagiamento puberal (critrios de Tanner), so imprescindveis. Os dados relacionados anamnese e ao exame fsico devem ser registrados em formulrios apropriados adotados pelos servios. A equipe de sade. A ateno integral sade dos adolescentes e jovens requer a participao de profissionais de diversas disciplinas, que devem interagir atravs de um enfoque interdisciplinar. O atendimento por equipe concentra-se no problema, evitando-se vises fragmentadas, apenas de cada especialidade e/

    ou disciplina.

    O trabalho interdisciplinar tem como principal caracterstica a prestao do servio a uma mesma populao atravs da interconsulta ou referncia. Essa atuao, mesmo com uma boa interao entre os componentes da equipe, realizada de forma independente, s vezes em diferentes locais.

    Na atuao em equipe multidisciplinar, o conjunto de profissionais de diferentes disciplinas interage para prestar atendimento ao cliente.

    Essa integrao feita atravs de discusses conjuntas, onde as decises so compartilhadas e tomadas dentro das diferentes perspectivas, resultando em uma proposta teraputica mais eficaz. Nveis de ateno De acordo com o grau de complexidade, os servios de sade classificam-se em trs nveis: primrio, secundrio e tercirio. Esta hierarquizao importante para o funcionamento de uma rede de servios que utiliza um sistema de referncia e contra-referncia. Para melhor efetividade, o cliente deve transitar entre os nveis de ateno sem perder a continuidade de seu atendimento, o que garantido atravs da integrao entre os trs nveis. A rede de servios de sade deve estar organizada em nveis de complexidade crescente, com coordenao adequada entre eles. Nvel primrio O nvel primrio corresponde instncia de maior descentralizao do sistema polticoadministrativo. Esta caracterstica facilita a criao de mecanismos de articulao interinstitucionais e intersetoriais. Para a organizao dos servios de ateno primria, os enfoques epidemiolgico, ecolgico, familiar e comunitrio devem ser utilizados (Moreno, 1995). A localizao do servio de sade prxima s comunidades melhora o controle dos problemas de sade da populao

  • adstrita, atravs de medidas de promoo de sade e preveno de agravos, alm do acompanhamento das questes prevalentes de sade. O gerente dos servios dever mobilizar, em nvel local, os recursos polticos e institucionais, coordenando e facilitando os graus de participao do usurio e de suas famlias. Nvel secundrio o nvel articulador entre os sistemas de baixa e alta complexidade. O nvel secundrio compe-se de ambulatrios de maior complexidade, tambm chamados policlnicas, como tambm por servios inseridos em hospitais. Esses servios devem assistir adolescentes e jovens referidos dos outros nveis de ateno, para um atendimento especializado e diferenciado. A caracterstica do nvel secundrio dispor de uma infra-estrutura adequada e de uma equipe

    interdisciplinar, na maior parte das vezes com mdicos, psiclogos, enfermeiros e assistentes sociais com formao em sade do adolescente.

    Nvel tercirio Este nvel corresponde ateno de alta complexidade em servio de internao hospitalar. Deve contar tambm com equipes multidisciplinares e com a articulao entre especialistas clnicos e cirrgicos. As responsabilidades com o paciente devem ser compartilhadas com todos os componentes da equipe e especialistas,

    assegurando-se a integralidade e continuidade da ateno. Repensando um novo paradigma

    A equipe pode aproveitar o momento da consulta dos adolescentes e

    jovens para trocar informaes e perceber as novas tendncias da populao alvo. Deve ter em mente que, tratando-se de um segmento em constante mudana, necessrio saber mais sobre sua vida, costumes e particularidades.

    A participao do cliente fundamental na organizao dos servios. Esta presena poder facilitar a adeso e cooperao do grupo de usurios, contribuindo para o aumento da qualidade da ateno prestada.