A história da psicologia hospitalar

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20 CIÊNCIA e PROFISSÃO – DIÁLOGOS – nº 4 – Dezembro 2006 Tradição A história da Psi urante séculos, a atenção psi- cológica aos enfermos confun- diu-se com a atenção religiosa. O acompanhamento em clíni- cas e hospitais era realizado, so- bretudo, por freiras, cujas preces au- xiliavam a restabelecer a confiança dos pacientes. Em condições especiais, um sacerdote ministrava a unção dos en- fermos, que, ao contrário do que se imagina, não se aplica somente aos doentes terminais. No Brasil, esse modelo de as- sistência ganhou especial desta- que no trabalho missionário de Amábile Lúcia Visintainer (1865-1942), mais conhecida como Madre Paulina, a primei- ra santa brasileira. Seu trabalho com os enfermos em Santa Ca- tarina e na capital paulista fo- ram um exemplo de dedicação e sensibilidade. Mais do que re- zar, Madre Paulina ouvia os doentes e lhes restituía a esperança. Um dia, um menino caiu da cama O trabalho da religiosa constituiu- se em exemplo, ainda hoje seguido. A irmã Lavínia, personagem vivida pela atriz Letícia Sabatella na novela HOSPITALAR global Páginas da Vida, de Manoel Carlos, revive esse ideal solidário. Após a Segunda Guerra Mundial, o mundo viveu uma grande metamorfo- se, com a adoção de novos sistemas de gestão em empresas privadas e ins- tituições públicas. Os hospitais passa- ram, paulatinamente, a constituir equi- pes interdisciplinares, capazes de ofe- recer respostas diferenciadas às com- plexas demandas da sociedade. Co- meçaram, ainda que lentamente, a cumprir o papel de instâncias promo- toras da saúde, construindo sistemas de atenção integral ao indivíduo. Dessa forma, fez-se necessário que o acompanhamento psicológico evo- luísse da concepção puramente reli- giosa e missionária para a atenção psicológica profissionalizada. Em 1954, o Hospital das Clínicas em São Paulo mantinha um serviço de refe- rência, o Instituto de Ortopedia. Ali, pessoas de todas as partes do País eram examinadas, tratadas e, muitas vezes, submetidas a cirurgias correti- vas. Logicamente, os períodos pós- operatórios eram caracterizados pela dor e pela inquietude, especialmente no caso das crianças. Certo dia, em desespero, um ga- roto imobilizado se atirou do lei- to. Espanto geral. O que os médi- cos, com atenções voltadas para os aspectos clínicos do tratamen- to, poderiam fazer? Como acalmar o rapazinho? Convocado ao insti- tuto, o psiquiatra considerou que pouco podia contribuir para modi- ficar a situação. O coordenador da área decidiu, então, recorrer aos préstimos de uma jovem e dedica- da psicóloga, diplomada na Uni- versidade de São Paulo (USP), onde recebera uma formação interdisciplinar e humanista. Mathilde Neder, à época com 30 anos, já desenvolvia estudos e atividades nessa área desde 1952. Além disso, revelava uma inclinação natural para lidar com gente. Numa tarde morna, ao atender o pri- meiro paciente, um jovenzinho triste, limitado por talas de gesso, Mathilde iniciava uma silenciosa revolução no No Hospital mineiro, há uma clínica de Psicologia e Psicanálise D

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Psicologia hospitalar

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  • 1. TradioA histria da PsiHOSPITALAR urante sculos, a ateno psi- global Pginas da Vida, de Manoel colgica aos enfermos confun- Carlos, revive esse ideal solidrio. diu-se com a ateno religiosa. Aps a Segunda Guerra Mundial, o O acompanhamento em clni- mundo viveu uma grande metamorfocas e hospitais era realizado, so- se, com a adoo de novos sistemas bretudo, por freiras, cujas preces au- de gesto em empresas privadas e insxiliavam a restabelecer a confiana dos tituies pblicas. Os hospitais passapacientes. Em condies especiais, um ram, paulatinamente, a constituir equisacerdote ministrava a uno dos en- pes interdisciplinares, capazes de ofefermos, que, ao contrrio do que se imagina, no se aplica somente aos doentes terminais. No Brasil, esse modelo de assistncia ganhou especial destaque no trabalho missionrio de Ambile Lcia Visintainer (1865-1942), mais conhecida como Madre Paulina, a primeira santa brasileira. Seu trabalho com os enfermos em Santa Catarina e na capital paulista foNo Hospital mineiro, h uma clnica ram um exemplo de dedicao de Psicologia e Psicanlise e sensibilidade. Mais do que rezar, Madre Paulina ouvia os doentes recer respostas diferenciadas s complexas demandas da sociedade. Coe lhes restitua a esperana. mearam, ainda que lentamente, a cumprir o papel de instncias promotoras da sade, construindo sistemas de ateno integral ao indivduo. Dessa forma, fez-se necessrio que O trabalho da religiosa constituiu- o acompanhamento psicolgico evose em exemplo, ainda hoje seguido. lusse da concepo puramente reliA irm Lavnia, personagem vivida giosa e missionria para a ateno pela atriz Letcia Sabatella na novela psicolgica profissionalizada. EmDUm dia, um menino caiu da cama201954, o Hospital das Clnicas em So Paulo mantinha um servio de referncia, o Instituto de Ortopedia. Ali, pessoas de todas as partes do Pas eram examinadas, tratadas e, muitas vezes, submetidas a cirurgias corretivas. Logicamente, os perodos psoperatrios eram caracterizados pela dor e pela inquietude, especialmente no caso das crianas. Certo dia, em desespero, um garoto imobilizado se atirou do leito. Espanto geral. O que os mdicos, com atenes voltadas para os aspectos clnicos do tratamento, poderiam fazer? Como acalmar o rapazinho? Convocado ao instituto, o psiquiatra considerou que pouco podia contribuir para modificar a situao. O coordenador da rea decidiu, ento, recorrer aos prstimos de uma jovem e dedicada psicloga, diplomada na Universidade de So Paulo (USP), onde recebera uma formao interdisciplinar e humanista. Mathilde Neder, poca com 30 anos, j desenvolvia estudos e atividades nessa rea desde 1952. Alm disso, revelava uma inclinao natural para lidar com gente. Numa tarde morna, ao atender o primeiro paciente, um jovenzinho triste, limitado por talas de gesso, Mathilde iniciava uma silenciosa revoluo noCINCIA e PROFISSO DILOGOS n 4 Dezembro 2006

2. sicologia atendimento mdico-hospitalar. J nessa primeira misso, aliou seus conhecimentos tcnicos sensibilidade feminina. Percebeu que teria de adaptar metodologias, desenvolver novos processos e lidar com o imprevisvel. Hoje, aos 82 anos, a simptica professora ainda se recorda daquele primeiro desafio. Aprendi que o principal dessa misso era a considerao humana, a presena, a solidariedade e a compreenso, relembra. Os conhecimentos tcnicos, sempre importantes, precisavam estar submetidos ao reconhecimento da especificidade de cada situao. Por conta do trabalho de Mathilde, muitos garotos e garotas atravessaram confiantes o perodo de tratamento. No leito hospitalar, tinham quem os ouvisse: contavam do desejo de brincar, correr e pular. Conscientes do que representava o tratamento, uma grande parte deles, de fato, pde concretizar esse sonho.Paradigmas em metamorfose No ano de 2000, no V Congresso Ibero-americano de Psicologia da Sade, uma pesquisa do Dr. Jorge Grau apontaria o trabalho de Mathilde Neder como pioneiro no mundo na construo de metodologias especficas e consistentes nessa rea do conhecimento humano. Portanto, quem se orgulha de Santos Dumont e de Pel no pode se esquecer dessa amvel senhora. Em meados dos anos 50, a vida hospitalar ainda seguia as normas rgidas da Medicina Cientfica. O pensamento cartesiano vigorava, com as cincias divididas em hermticos compartimentos. Pensava-se na relao entre causaCINCIA e PROFISSO DILOGOS n 4 Dezembro 2006e efeito. O paciente era visto como uma mquina a ser reparada. Elogiava-se academicamente certa frieza e distanciamento no procedimento mdico. Valorizavam-se a neutralidade, a assepsia e a interveno considerada objetiva. Nessa poca, no entanto, j se questionava a eficcia do modelo biomdico. Os trabalhos de Freud, Jung, Lacan, entre outros, mostravam claramente a interao entre mente, corpo e ambiente. Os problemas humanos residiam para alm das artrias entupidas e dos tendes inflamados. A sociedade, a cultura, a economia e o comportamento influam decisivamente na manuteno da sade e na ocorrncia de desequilbrios que resultavam em doenas. Naquele momento de inaugurao da ps-modernidade, comeava a surgir um modelo alternativo, biopsicossocial, no qual ganhavam relevncia todos os aspectos da existncia e suas combinaes. Naqueles anos, surgia o rock nroll, o mundo tomava descobria as carnificinas promovidas por Stlin e tomavam corpo as primeiras manifestaes da contracultura. James Dean encarnava o rebelde sem causa. O mundo comeava a se fragmentar. As certezas se pulverizavam. O homem se distanciava do ideal positivista. Tornava-se mais complexo e punha-se a questionar seu lugar no mundo. Em 1957, Mathilde Neder passou a trabalhar no Instituto Nacional de Reabilitao, organismo que contava com o financiamento da Organizao das Naes Unidas (ONU). Essa parceria internacional contribuiu para que seu trabalho fosse difundido em territrios alm-fronteiras. Entre os anos 50 e 60, novos fundamentos filosficos condu-Da religio assistncia especializada. Uma evoluo para o atendimento prestado pela Psicologia dentro dos hospitaisziram a uma ampliao do conceito de Psicologia Hospitalar. Antes de ser registrado como doente, condio passageira, o indivduo pode ser o profissional competente, o ser poltico, o melhor amigo, o pai de um, o filho de outro, o objeto da paixo avassaladora de outra pessoa. Para muitos especialistas, o termo mais adequado para designar esse tipo de estudo e ateno seria, portanto, Psicologia da Sade. Essa disciplina combinaria os saberes educacionais, cientficos e profissionais da Psicologia em aes integradas para a preveno de doenas, promoo do bem-estar e manuteno da sade. Desse ponto de vista, patrocinava-se um casamento entre as cincias mdicas e sociais. Os norte-americanos acreditam que o termo Psicologia da Sade tenha surgido em 1974, na criao de um novo currculo de Psicologia na Universidade da Califrnia. Nessa poca, entretanto j funcionava a Sociedade Cubana de Psicologia da Sade. Em 1978, a Associao Americana de Psicologia criou a Diviso de Psicologia da Sade. Nesse ano, a Associao Pan-americana de Sade definiu a Psicologia da Sade como o conjunto de contribuies cientficas e profissionais da Psicologia para a promo-21 3. Tradio o e a manuteno da sade, a preveno e o tratamento das doenas, alm do desenvolvimento dos sistemas de assistncia e da elaborao de polticas sanitrias. Da Psicologia da Sade derivaram outras modalidades como a Psicocardiologia e a Psiconeurologia. Hoje, a Psicologia Hospitalar abrange as atividades de assistncia, ensino e pesquisa. O psiclogo personagem importante nas unidades mdica e participa das decises. Isso quer dizer que deixou de ser um consultor extraordinrio para situaes de emergncia. Nesse contexto, sua ao tem carter estratgico na elaborao de diagnsticos e na aplicao de terapias, estabelecendo relaes cooperativas entre pacientes, famlias e equipes de sade. De acordo com a professora Heloisa Benevides de Carvalho Chiattone, coordenadora dos Servios de Psicologia Hospitalar do Hospital Brigadeiro e do Hospital do Servidor Pblico Municipal, ambos em So Paulo, o campo de atuao do psiclogo define-se pela considerao de que a doena tem como princpio a desarmonizao do indivduo. Num de seus artigos, a professora escreve: Estar doente implica desequilbrios que podem ser compreendidos, em uma viso holstica, como um abalo estrutural na condio de ser, chocandose ao processo dinmico de existir, rompendo as relaes normais do indivduo tanto consigo quanto com o mundo que o rodeia. Segundo ela, em sua prtica clnica, o objetivo do profissional buscar a restituio desse equilbrio e a reintegrao do indivduo em seu contexto psico-sociocultural. Cada paciente, portanto, tem uma histria e um padro particular nos vnculos com a sociedade. Conhecer esses elementos biogrficos, bem como seus receios e desejos, fundamental na busca da cura.De acordo com Mathilde Neder, ainda dedicada a cursos de ps-graduao e de especializao na rea, essa conscincia interdisciplinar fundamental na formao dos novos profissionais. Existe uma formao bsica, fundada nos conhecimentos especficos, mas importante que o psiclogo da rea saiba interpretar corretamente as relaes entre o paciente e seu meio ambiente, afirma. H sempre especificidades em cada caso e uma grande quantidade de variveis, afirma, seguindo conceitos ensinados desde 1959, quando criou o curso de Psicologia em Reabilitao, na PUC-SP.Fora do HOSPITAL No Recife, em Pernambuco, a psicloga e psicoterapeuta Marisa S Leito desenvolve um trabalho diferenciado, referncia internacional na prestao de servios comunidade. Ela fundadora do Centro de Psicologia Hospitalar e Domiciliar (CPHD), em atividade desde 1983, que ofereceO observador qualificado Diretora do Servio de Psicologia do Instituto do Corao do Hospital das Clnicas de So Paulo, a dra. Bellkiss Romano considera que o psiclogo hoje figura-chave nas equipes de sade. Ele acompanha os casos e tem acesso s informaes, destaca a psicloga, responsvel pelos programas de Aprimoramento em Cardiologia e de Pacientes Crnicos do Hospital das Clinicas da FMUSP. Bellkiss iniciou suas atividades, em 1972, como estagiria no Hospital das Clnicas da USP. No ano seguinte, implantou o Servio de Psicologia no Instituto do Corao. Em 1.984, criou e passou a coordenar o Departamento de Psicologia da Sociedade de Cardiologia de So Paulo. A partir da, os congressos da entidade passaram a contar com a Psicologia em sua programao cientfica. Bellkiss adverte que, em vrios cursos, a formao do psiclogo ainda carece de disciplinas tericas ou de estgios vinculados sade. A instituio hospitalar continua com interesse no psiclogo, mas ainda no sabe o que pedir, analisa. E o psiclogo no sabe o que oferecer. De acordo com a professora, o profissional da rea deve ser vis-to como um observador qualificado, um porta-voz dos anseios do paciente e da famlia, um intrprete privilegiado das normas da instituio. Ele deve atuar como um guardio da pessoa na relao com as tecnologias e como um agente de transformao, capaz de apresentar as possibilidades para o surgimento de um novo ser no processo de reabilitao, assinala. Segundo Bellkiss, o hospital estreitou seu compromisso com a comunidade, envolvendo-se no s nos problemas da doena, mas tambm cuidando de aspectos do perodo ps-hospitalizao. A professora acredita que, hoje, os mdicos mais sensveis j tm noo da morbidade psicolgica de determinados pacientes e da necessidade de um processo de ajustamento. Os aspectos emocionais podem alterar a resposta ao tratamento e aumentar as chances de sobrevivncia, afirma. Alm disso, a prpria populao aprendeu a reconhecer que as emoes alteram o bem-estar, e que so responsveis por muitas doenas, afirma.Nunca me sentei numa rede Ela utiliza como exemplo o tratamento de obesos mrbidos que precisam emagrecer antes de cirurgias, tra-Aps a Segunda Guerra M u constituir grupos interdisci p22CINCIA e PROFISSO DILOGOS n 4 Dezembro 2006 4. um conceituado curso de especializao em Psicologia Hospitalar. Quando fundou a entidade, Marisa trabalhava num hospital e acreditava que os acompanhamentos tinham que ser feitos tambm a domcilio. O curso tem, portanto, vrias disciplinas associadas ao atendimento extramuros: Polticas Pblicas de Sade, Epidemiologia Bsica, Aspectos Evolutivos e Culturais da Famlia e Assistncia Domiciliria tica e Biotica. O CPHD presta hoje servios de qualidade s comunidades carentes. o caso projeto Bola na Rede, em Guabiraba, no Grande Recife. A equipe de Marisa interage diretamente com agentes de sade e lderes co-munitrios. Alm disso, vai at os Postos de Sade da Famlia e realiza visitas domiciliares. O ambiente hospitalar reflete, em miniatura, o ambiente externo, explica Marisa. Vale conhecer o ambiente real em que vivem as pessoas. A psicloga Ester Affini coordena o programa de estgios do CPHD e acompanha as turmas no trabalho de campo. Ela comemora a quebra das barreiras. Extrapolamos os muros do hospital e atuamos nas comunidades, realizando um trabalho de preveno e manuteno, diz. A meta evitar que essas pessoas tenham de ir ou retornar ao hospital, afirma.a forma como o sujeito vive e experimenta seu estado de sade ou de doena em sua relao com os outros e consigo mesmo. Precisamos fazer com que as pessoas incluam em seus projetos de vida um conjunto de atitudes e comportamentos favorveis promoo da sade e preveno da doena, alerta. necessrio comprePara Marisa, importante saber ouvir o doente ender que atuamos nos domnios da doena, mas balho integrado desenvolvido por psi- tambm no campo da sade, focando clogos e nutricionistas no Instituto aspectos de promoo, proteo e predo Corao. Uma pesquisa dos pr- veno, defende. prios nutricionistas mostrou que o paEsses conceitos esto presentes no ciente preparado somente por eles ten- consagrado trabalho da professora Made a perder cerca de 300 gramas por risa Decat de Moura, uma das fundasemana, relata. Mas, se a prepara- doras da SBPH, em 1997, entidade o for realizada com os psiclogos, que presidiu entre 1999 e 2001. Seo paciente chega a perder cerca de gundo ela, a funo do psiclogo da um quilo. Segundo Bellkiss, im- sade humanizadora e de fundamenportante que os psiclogos apresen- tal importncia nas complexas societem comunidade cientfica e soci- dades atuais. O ser humano , acima edade dados dessa natureza, pois com- de tudo, um ser falante, que sempre provam a eficcia de suas interven- tem algo a dizer e precisa ser ouvies no ambiente hospitalar.A atual do, ensina. Esse acesso linguagem presidente da Sociedade Brasileira de e manifestao lhe garante dignidaPsicologia Hospitalar (SBPH), Tnia de, explica. Rudnicki, destaca que, hoje, o inteMarisa, hoje com 62 anos, uma resse maior do profissional da rea espcie de propagadora missionria dosprincpios e valores da Psicologia da Sade. Educadora e palestrante requisitada, percorre o Brasil semeando boas prticas transformadoras. preciso compreender que o momento da doena se reveste de especial importncia, revelador na vida do indivduo, adverte. A urgncia precipita a questo do sujeito, de modo que impresses e sentimentos guardados h anos so subitamente exibidos ao mundo, diz. Profissional polivalente, Marisa coordenadora do curso de ps-graduao em Psicologia Hospitar na Universidade Fumec, em Minas Gerais, e dirige a Clnica de Psicologia e Psicanlise do Hospital Mater Dei, de Belo Horizonte. No trabalho cotidiano, atua especialmente em atendimentos no Centro de Terapia Intensiva. Ela destaca que os avanos tecnolgicos e cientficos no ramo da Medicina devem ser acompanhados de uma ateno especial subjetividade dos indivduos. Nesse sentido, acredita que o psiclogo vem tendo funo importante tambm na adequao da relao entre mdico e paciente. Eles buscam interlocues nesses momentos decisivos e precisamos estar ali, explica. Ao trabalhar com a situao limite, Marisa tem uma viso clara das demandas dos personagens do teatro hospitalar. Segundo ela, os dramas estimulam os pacientes a reavaliar suas trajetrias e projetos de vida. Um paciente vtima de enfarte, por exemplo, lamentou-se de nunca ter se sentado numa rede, recorda. Nesse momento, temos de estar preparados para uma escuta planejada para que o indivduo se escute, explica. De acordo com Mathilde Neder, esse o desafio do profissional na Psicologia Hospitalar: ter coragem para enfrentar um novo e maisculo desafio. Segundo ela, o psiclogo da sade precisa de equilbrio e de um conhecimento ampliado das questes que cercam cada caso. No entanto, tem de perceber que sua misso especial, pois somente plena de xito se a sustenta na mais autntica prD tica do amor, sentencia.M undial, centros como o InCor passaram a ci plinares capazes de dar respostas diferenciadasCINCIA e PROFISSO DILOGOS n 4 Dezembro 200623