Apresentação1 (5)

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    10-Jul-2015
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  • Centro de RVCC de I.E.F.P. Centro de Formao Profissional de Leiria

    Eu e os Outros--------------------------------------------------------------------------------------2

    A Minha Histria Pessoal-------------------------------------------------------------------------9

    As Minhas Leituras-------------------------------------------------------------------------------16

    Nos Meus Tempos Livres------------------------------------------------------------------------21

    Projecto Pessoal-----------------------------------------------------------------------------------29

    Oramento do Projecto---------------------------------------------------------------------------36

    Servio de Reclamaes---------------------------------------------------------------------------38

    Um Dia na Vida de Arlindo---------------------------------------------------------------------42

    Herana Cultural---------------------------------------------------------------------------------46

    Curriculum + Balano Fina---------------------------------------------------------------------63

    O meu nome Arlindo, tenho 44 anos, vivo em Monte Real com a minha famlia, que composta por mim, pelos meus filhos, Alexandra e Joo, a minha esposa, Sofia e o Snoopy, um Serra da Estrela, que tambm faz parte da famlia.

    Fsica e psicologicamente penso ser uma pessoa normal, felizmente no tenho nenhum problema fsico, sinto-me bem comigo prprio e a no ser aquelas mazelas de uns arranhes de quando se anda a fazer bricolage ou, a jardinagem em casa ou no carro, que penso serem coisas normais. Doenas s as do costume, como as dores de cabea e pouco mais.

    Sou uma pessoa que gosta de dar passeios em famlia e, com amigos, pelas nossas belssimas praias e tambm pelas paisagens rurais, ver e captar em fotografia tanto a prpria paisagem, como os diversos animais no seu meio natural, as obras da natureza, como os montes, os vales, as arribas, a floresta, a paisagem arquitectnica feita pela mo do Homem ao longo dos sculos da sua existncia.

    Os meus gostos musicais so de ouvir vrias vozes e sons, desde Pink Floyd a Madonna,

    passando por Roling Stones , Genesis , GNR , Jos CID , Mafalda Veiga , Rui Veloso , entre outros . Agora o que no gosto mesmo de msica clssica, mas por outro lado, que pode ser um pouco contraditrio, gosto de ver uma boa pera dentro do estilo O Lago dos Cisnes , uma revista de teatro, no o teatro clssico, mas sim mesmo e s o de revista. A nvel de cinema gosto de filmes policiais na base de gata Christie, cinema futurista, cientifico, como a Trilogia da Guerra das Estrelas, Mtrix, o Inspector Gadget.Tambm gosto banda desenhada, o Tio Patinhas, O Pateta e companhia, ou seja tenho gostos variados em vrias reas, da msica ao cinema e banda desenhada.

    Gosto de ler algumas revistas das quais sou assinante, como a Super Interessante,Deco-proteste, assim como outras que leio no to assiduamente, como revistas relacionadas com internet, telecomunicaes, lazer. Tambm vejo alguma televiso, o telejornal principalmente, sries dentro do estilo de CSI, dr House, Donas de Casa Desesperadas e documentrios do Descovery, National Geographic, canal Histria.

    A minha cor preferida o azul. Quanto aos sons, gosto de ouvir os pssaros cantar, irrita-me o latido dos ces, principalmente h noite, que no deixam ningum dormir.

    Eu em relao ao meu dia a dia, gosto de comer bem, como bom Portugus que sou, mas muito esquisito, visto no ser adepto de certos pratos e alimentos, como espinafres, favas, assim como salada russa e, principalmente peixes cozidos. Tambm no sou adepto nem apreciador de mariscos, mas gosto de uma boa feijoada, ou uma costeleta de novilho grelhada, uma salada de atum. Sou apreciador de um bom vinho (Alentejano), no tendo por hbito beber bebidas base de lcool, bebo muito caf e gua. O que me tira mesmo o sono, pois chego a levantar-me s quatro, cinco da manh, mesmo a formula 1, em directo na Tv. a partir do outro lado do Mundo, Japo, Austrlia e Malsia. Quanto ao nosso desporto rei, coisa que realmente dispenso, a no ser os jogos amadores em que o meu filho participa, porque os da primeira liga j no so que eram no passado. Existe agora muita coisa, entre elas os dinheiros, tanto dos jogadores que recebem, como dos dirigentes, e as falcatruas que existem. Mas enfim, eu no vou, raro ver, mas quem quer ir ou ver, eu tambm no critico ou, por outro lado, apoio, visto para mim ser igual. Gosto tambm de ver uma prova de ciclismo, principalmente a volta Frana (Le Tour)

    .

    Os meus defeitos e virtudes, um pouco complicado de transcrever para o papel, porque defeitos, como qualquer cidado eu tambm os tenho, e um deles de ser um pouco teimoso, principalmente quando defendo as minhas ideias ou simplesmente a maneira como eu as vejo, do meu ponto de vista. Tambm sou uma pessoa acessvel para com os outros, principalmente os meus amigos mais ntimos e mais chegados,

    Pois eu sou um pouco tmido e para com pessoas com que eu no convivo no dia-a-dia e ainda sou mais, pois foi um hbito adquirido de trabalhar em bares, cafs e discotecas, em que se ouve mais o cliente, do que a ns. Eu sempre trabalhei neste sector de actividade, apesar de pelo meio ter tirado um curso, na altura patrocinado pela Unio Europeia, no sector dos moldes, curso esse de seis meses, no subsector do controlo de qualidade. No final que no final do curso de vinte alunos s havia vaga para quatro, e eu, como outros, viemos para casa. Foi uma experiencia gratificante pois aprendi, tal como os outros, muita coisa interessante, a nvel dos metais, principalmente do ao, o modo como polido (polimento com p de ouro e prata de vrios calibres), pois consegue-se transformar um pedao de ao tosco em um espelho, assim como conseguir medir, tanto o seu peso exacto como a sua dureza e qualidade.

    Devido h minha estadia em Ftima, onde morei dez anos, onde fiz na altura o ciclo preparatrio, no Colgio de So Miguel, cheguei h concluso de que a religio no era para mim nem para levar a srio, pois eu, na altura das frias, para ter algum dinheiro extra ia vender Santinhos, como se diz l, numa loja de recordaes. Tal era estranho, numa religio que apregoa tanta coisa e estava a vender o seu prprio Deus e Santos, coisa que no se v em mais nenhuma religio. Eu sou catlico, porque como tradio nacional e que vem de gerao em gerao, assim me calhou a mim, que por sua vez calhou tambm aos meus filhos.

    Como j devem ter calculado, sou catlico no praticante. Este um assunto como a politica, muito controverso e com vrias interpretaes, em que eu tenho a minha e os outros as deles. E, para mim, todas as religies monotestas vieram do mesmo stio, ou seja, atravs do povo Hebreu quando andava a deambular h procura da terra prometida. Para mim, estas religies no dizem mais nem menos que todas as outras, desde o Islo ao Budismo, pois todas elas falam no amor ao prximo, de ser-mos honestos com ns prprios e com os outros, etc. Aqui tudo bem, o problema depois as interpretaes que os vrios entendidos e telogos lhes do, sua maneira quer locais, regionais e at mesmo poltico-econmico.

    O que eu gostaria mesmo de saber e ter a certeza era se existem mais civilizaes e povos para l do nosso planeta. Pois se se criou vida aqui na Terra, nada mais natural que a existncia de vida noutro planeta, mais prximo ou para alm do nosso sistema solar. Ou ser, o que eu no acredito, sermos os nicos no Universo? Tambm gostava de saber o que feito, ou onde se escondeu, a mtica Atlntida.

    Gostaria de ser um pssaro, pois eles possuem a qualidade de ver l do alto e de se deslocarem de um lado para outro, com a maior das facilidades. O que se avista das alturas maravilhoso, uma perspectiva muito mais abrangente, de avio d para ver uma nfima parte, visto s ter-mos esta perspectiva quando o avio levanta e aterra.

    Por outro lado, o que gostaria de ser, tanto fsica como profissionalmente, algo que tanto os professores como os polticos gostam de perguntar s crianas da primria, coisa que j no se aplica a mim, pois a vida que ns temos no exactamente aquela com que ns sonhmos enquanto crianas, mas sim outra devido a vrios factores, como a realidade scio-econmica-cultural dos pais onde vivemos, assim como as prprias ofertas de emprego. Nos dias de hoje, numa sociedade de consumo, tem-se de aproveitar as ofertas que existem no mercado de trabalho e as escolhas, como todos sabemos, no so muitas, devido h globalizao, aos mercados internacionais, ao preo do petrleo e outras matrias-primas essenciais ao nosso desenvolvimento, que no param de subir. O nosso pas no tem recursos naturais importantes, por isso dependemos muito do comrcio, servios e turismo. A realidade uma coisa e os sonhos so outra e eu sou uma pessoa que tenho que viver com o que tenho ou o que posso ter, e a pensar no dia de amanh. Porque eu sou daquelas pessoas que se posso ter algo ou adquirir, tenho, se no posso, no tenho.

    Isto funciona assim, porque tenho dois casos recentes na famlia que o demonstram.

    O sonho da minha sobrinha era de tirar o curso de medicina, e acabou por ter de ficar em enfermagem, e s agora na segunda fase, para a escola Superior de Enfermagem de Leiria. A minha filha, que frequenta o 11 ano teve de ficar na rea geral, pois havia outras reas, pela simples razo de a rea que ela gosta ser incompatvel a nvel profissional no nosso pas. Queria ser arqueloga na rea da Egiptologia, coisa que impensvel ser em Portugal. Agora s lhe resta tirar a nvel escolar algo que tenha sada para o mercado de trabalho. Mas, como ela sai ao pai, teimosa, vai nas frias da Pscoa a Frana, ter com os primos e, ver quais so os requisitos para entrar na Sourbonne, com a ajuda da prima que se licenciou em medicina por esta famosa universidade, pois como sabido Arqueologia, s mesmo em Frana, Reino Unido e Alemanha.

    Pessoas significativas que fazem parte da minha vida, como natural, so a minha famlia, em primeiro lugar: esposa, filhos; e ento vm a seguir os familiares: pais, tios, irmos, avs. Os amigos, com quem me relaciono bem. Em relao ao ensinamento, podemos comear pela escola primria, que onde todos ns damos os primeiros passos do conhecimento at, no meu caso ao secundrio. Na vida aprendemos muito uns com os outros, pois estamos todos os dias a aprender, ningum nasce ensinado, mas no meu caso o que aprendi a nvel de cultura geral foi atravs da leitura, como atrs referi, de conversas com pessoas mais idosas e estou sempre a aprender coisas novas, todos os dias, com os meus filhos.

    A nvel profissional fui aprendendo atravs do tempo com os colegas de trabalho, que tinham mais experiencia do que eu. Outras coisas como manusear o computador, aprendi lendo revistas e folhetos da especialidade, conversando com amigos, alguns mais experientes nesta matria, assim como fazendo vrias tentativas para tentar chegar a algum lado, como horas e horas de volta do computador, fazendo e desfazendo, at ficar mais ou menos perfeito, coisas que s com o tempo que se aprender. A ainda hoje existem certas coisas que no consigo fazer, tanto no computador como na vida, e uma delas dar sangue. Tambm existem coisas que posso fazer sem ser da minha rea profissional, como mudar velas do carro, uma lmpada, tantas outras, mas tambm h aquelas que eu sei mas no fao, por duas razes: uma , por exemplo, fazer a muda de leo ao carro, pois das coisas em que se tem de ter condies ambientais para guardar os leos retirados; outra , por exemplo fazer de pedreiro. Fazer uma barraca para o co uma coisa, fazer uma parede em casa outra, e nestes casos deve-se chamar um profissional nesta rea. Isto tudo coisa que como bvio, cada um deve estar no seu lugar, ou seja, para que as coisas fiquem bem-feitas, tero de ser executadas por quem tenha mais experiencia na sua rea de conhecimento.

    Para concluir, penso que est tudo dito, em relao a este item. Eu sei que, como me foi transmitido pessoalmente, assim como aos meus colegas e est escrito nestas folhas que nos foram fornecidas, esta no uma escola, mas sim um centro de formao, (Reconhecimento de competncia).

    Mas, apesar disso, julgo que ter mais importncia o desenvolvimento dos itens seguintes e, quanto a mim, deveria ter outros, como, a Histria, Geografia, Cincias e no sendo uma escola, ter mais a ver com os conhecimentos adquiridos a nvel profissional, ou at mesmo aprofundar estes conhecimentos e aprendendo outros. Tambm penso que haja necessidade de se saber com quem estamos, de onde somos, o que fazemos e quem somos.

    Quero chegar com isto ao seguinte:

    Falar, suprfluo ou abstractamente das pessoas com que nos tenhamos relacionado ou ainda mantermos essa relao, nada de confuso; o que me faz alguma confuso, o facto de (se estiver errado, as minhas sinceras desculpas) eu ao ler a folha disponibilizada por vs, como o nosso primeiro trabalho curricular, ter ficado com a impresso (poderei estar errado), de quererem uma descrio, sobre ns e os outros, mais aprofundada, que, para mim, a nvel profissional no tem razo de ser, visto que se poder sair da esfera profissional, para a vida privada. Eu acredito no lema de no levar a vida privada para o trabalho.

    Percurso Escolar:

    Comecei na escola, em Monte Real, aos sete anos de idade, naquele tempo no havia o pr-escolar, onde fiz at terceira classe.

    O que me recordo deste perodo, so duas etapas distintas, Vero e Inverno: no Inverno, antes e no intervalo da manh, fazia-se uma fogueira, encontrava-se uma pedra redonda, embrulhava-se numa folha de jornal velho e atirava-se para dentro da fogueira, no fim de bem quente, servia para aquecer as mos. Era este sistema o nosso aquecimento.

    No Vero, no fim das aulas, que geralmente eram s de manh, amos, isto a partir do ms de Maio, para o banho. O banho era ir-mos quase todos para o rio Lis, para a Vala-Real ou o Colector, que tambm uma vala, dar-mos uns mergulhos, e ainda levava-mos alguns peixes e camaritas, que eram os camares pequenos que s existiam nas valas e nos rios. Pois hoje, com a poluio que h, acabaram-se os banhos, os peixes e a camarita.

    Jogava-se bola, os rapazes, as raparigas tinham as brincadeiras prprias. Nesta poca e at prximo de 1972/73, os meninos estavam separados das meninas, as raparigas no podiam ir para a escola de calas, assim como tambm as prprias professoras.

    Havia os engraadinhos, tal como existem hoje, os que no faziam os trabalhos de casa, os que davam erros, no ditado, nas contas, que mandavam papelinhos uns aos outros, eu includo, e o resultado era sempre o mesmo, reguadas atrs de reguadas, recados para casa, para levarmos mais dos pais. Tambm havia os mais burros, assim lhes chamava a professora, em que o castigo era irem para o fundo da sala, virados para a parede, com grandes orelhas de burro, feitas de carto, em p e calados at o final da aula.

    A quarta classe, frequentei-a em Ftima, mais precisamente na Cova da Iria, nas Dominicanas (freiras) pois eram elas que tinham a escola primria nesta localidade, visto a freguesia ser Ftima, a trs quilmetros, onde havia a primria normal, ou seja pblica. Aqui como em Monte Real e nas outras escolas a nvel nacional, umas mais regidas outras menos, como acontece ainda hoje, o ensino era um pouco mais duro, mas aqui j existiam aquecedores nas salas de aula. As brincadeiras eram as mesmas, os intervalos tambm, raparigas para um lado rapazes para outro. A diferena era de aqui as aulas comearem s nove e acabarem perto das dezoito horas. Portanto, tinha-mos de almoar na escola e, como sempre salas de refeio separadas, para rapazes e raparigas.

    As recordaes mais relevantes desta altura, so: foi aqui que vi pela primeira vez nevar, eram uns farrapozitos, mas era neve; foi a partir daqui que comecei a ter descrena na religio. Uma escola de freiras, com tero de manh, ave-maria ao almoo, padre-nosso no final das aulas e, pelo meio, duas a trs vezes por semana, missa no Santurio, para ouvir sempre as mesmas histrias. Lembro-me do exame, escrito e oral, onde tinha-mos de saber, Histria de Portugal, Geografia, Matemtica, Portugus, e no me recordo se haveriam mais disciplinas, mas as duas primeiras, as que eu gostava mais, eram bem mais diferentes do que so hoje. Em relao h primeira, a Histria era de Portugal Continental, Ultramarino e Arquiplagos; Portugal, Angola, Moambique, Cabo Verde, So Tom e Prncipe, Timor, Guin-Bissau, Aores e Madeira. A segunda era saber-mos os nomes dos rios, sistemas montanhosos, cidades, linhas de caminhos-de-ferro, mais importantes, distritos, regies administrativas, fauna, flora e o nome das ilhas.

    Passado esta fase, entrei para o ciclo, um colgio nos arredores de Ftima, num lugar chamado Moita Redonda, que hoje, tal como outros lugares h volta, se encontram dentro da cidade. O Colgio o de So Miguel, que penso, que seja administrado pelo Clero, como era na altura, assim como os professores. Mas aqui as aulas de aulas j eram mistas. A minha passagem por este colgio, a nvel de recordaes, so mais exteriores, que com o prprio colgio. Para alm das histrias que os alunos internos, pois havia os internos e os externos do qual eu fazia parte, contavam, desde a comida ser pouca, as restries, de sarem dos prprios quartos, horrios regidos para toda e qualquer actividade fosse escolar ou de lazer. Diziam que era como estar num Seminrio. Eu no passei por isto, pois como j referi, era aluno externo. Sei que fiz neste colgio o ciclo preparatrio, no sei j como, foram dois anos muito conturbados, tanto a nvel estudantil como da prpria sociedade civil, foi a mudana de um estilo de regime para outro, mudanas essas que alteraram significativamente os comportamentos, a maneira de se pensar e at de agir de muitas pessoas. Nestes dois anos, 1974/75, a nvel escolar todos os alunos, soubessem ou no, transitavam de ano.

    Depois desta minha passagem por Ftima, regressei h terra que me viu nascer. Fui fazer na altura o stimo e o oitavo anos na escola da Vieira, que era perto e, algumas aulas eram dentro do recinto da Igreja, do nome da escola s sei que se chamava Escola Secundria Padre .

    Aqui as coisas j foram mais calmas, mas como nunca fui um bom aluno nos estudos, as recordaes, so as vividas no que hoje o jardim, o largo em frente h Igreja, onde jogava-mos h bola, e hs vezes h porrada. Hoje tanto o jardim como o recinto em frente h Igreja esto bonitos, na altura era diferente pois eram em terra. As aulas de Educao Fsica, no campo da bola a caminho da praia.

    Concludo o oitavo ano mudei de escola, fui para Leira para o Liceu, onde andei dois anos, um diurno outro nocturno, para fazer o nono ano. Chumbei no primeiro ano lectivo, ento pensei, como j estava farto de escola, ir trabalhar e estudar h noite. Resultado: estudar h noite, era mentira. Como j tinha carta de conduo e carro, como outros colegas de escola nocturna, passava-mos as noites na vadiagem, cada dia levava um o carro e o Liceu ficava onde ainda hoje se encontra, e ns para o caf, jogar Snooker, nas mquinas de moedas, e foi assim que deixei de estudar, com o nono ano incompleto.

    Percurso Profissional:

    Comecei por volta dos onze anos: eu vou ver se consigo que me percebam, porque para quem no est familiarizado com o tema Religioso, (Catlico Romano) e Ftima, pode ser estranho. Como ia dizendo, eu aos fim-de-semana, feriados e dias 10/11/12 e 13 de cada ms, principalmente nos meses de Maio a Outubro, em que eu trabalhava numa loja de venda de artigos religiosos, e ou no bar e restaurante, conforme houvesse mais necessidade, devido ao afluxo de clientes. Quem j visitou ou passou por Ftima sabe, que o comrcio composto por vrios ramos, dentro do prprio estabelecimento, e que os Hotis tambm tm o seu negcio de artigos religiosos.

    Depois da minha sada de Ftima, passei por trabalhar, isto j com quinze, dezasseis anos, na penso, que os meus pais alugaram em Monte Real, desde servir, por e levantar mesas ao bar.

    Aos dezoito, dezanove, os meus pais acabaram com o negcio da penso, e montaram um caf. Onde, como nos outro trabalhos anteriores, tambm trabalhava, quando vinha da escola e aos fim-de-semana, assim como nas frias escolares.

    Neste percurso, entre os onze dezanove anos, fiz quase tudo o que havia para fazer na Indstria Hoteleira, Turismo e Similares; e digo quase tudo porque, servios de quartos, lavandaria, rouparia e afins, no me metia nisso.

    Aqui aprendi algo que muito importante na vida, que a maneira de se estar, falar e comportar com as outras pessoas, desde patres, colegas de trabalho, clientes, distribuidores, portanto com todas as pessoas directa ou indirectamente ligadas a estes servios. Ou seja a Educao e a Cultura, a um nvel geral, que aqui sim, se aprende mais do que na escola.

    Por esta altura estaramos nos princpios dos anos oitenta, foi quando sa da escola, e a partir daqui que comeo a ser renumerado pelo meu trabalho.

    Comecei por trabalhar numa Discoteca, em Monte Real, mesmo do outro lado da rua onde o meu pai tinha o caf, que se chamava e ainda hoje existe, mas com outro negcio, Dancig Bar 58 , h noite, como obvio, no bar, passei poucos meses depois para Disco-Jocker, ou seja a pessoa que pe a musica, fiquei neste ofcio trs anos, cansei-me de pr musica, passei novamente para o bar, que era onde me sentia melhor, tinha com quem falar e no estava fechado numa diviso com um vidro pela frente.

    Passados seis e sete anos, com a abertura de outras discotecas, de maiores dimenses a nvel de espao fsico, pois a meio dos anos oitenta estava-mos no auge destas casas de diverso, os donos do 58 decidem vender a casa, que passou para outro ramo, que aquele que ainda hoje continua. Eu tive de me mudar para outro lado.

    Fui trabalhar durante quatro meses, para uma fbrica de produtos hortcolas, congelados, Monlis, na Carreira, onde no recebia mais do que vinte seis, vinte e sete contos por ms, que hoje no eram mais do que 130.

    1 = 200$482

    Sendo assim uma questo de se dividir o nosso montante em escudos pela unidade monetria, neste caso o euro, e chega-se h simples concluso, de que dar exactamente, em relao ao montante de 26000$00, de cento e vinte e nove euros e sessenta e oito mil setecentos e quarenta e cinco cntimos. Mas esta concluso to acertada s possvel com a mquina de calcular.

    Como ganhava pouco, consegui outro trabalho no ramo que tinha tido antes. Desta vez na Praia do Pedrgo, na Discoteca O Casino , onde fiquei por cerca de dois anos e meio. Mas aqui com outra funo, a de mais ou menos de porteiro, da dita, visto que eu no era realmente a pessoa que recebia os clientes entrada, mas o que recebia os pagamentos, pelo consumo dos clientes. Hoje em dia a estas pessoas que tm estas funes chamam-se caixas ou recepcionistas, no meu tempo era tudo Porteiro, fosse a abrir e fechar a porta como a receber e fazer as contas ao final da noite, (madrugada).

    Nesta casa como na primeira em que comecei a trabalhar h noite, os pagamentos at eram generosos para os anos oitenta, nada menos do que cinco mil escudos por noite, hoje seriam h volta de vinte e cinco euros e, no Vero, trabalhava-se todas as noites. No Inverno era mais aos fim-de-semanas e vsperas de feriado, a semana da Pscoa, do Carnaval e a altura entre o Natal e a passagem de Ano.

    Neste momento, depois de ter terminado a minha actividade como empresrio em nome individual, estou desempregado.

    Cursos/Aces de Formao:

    Pequena introduo:

    Nas minhas andanas de trabalho nocturno fiz pelo meio dois cursos; um de Barman e outro de controlo de qualidade na rea dos moldes.

    Como estes cursos foram realizados por mim h mais de vinte anos, era eu ainda solteiro, so papeis, diplomas, que eu no sei se vou poder mostrar, porque, quando casei ficou tudo em casa dos meus pais. Mas de qualquer forma vou expor, estes dois temas, e tentar encontrar algo relacionado com este assunto.

    O primeiro, em que foi mais para adquirir novos conhecimentos, na rea em que estava a trabalhar.

    Aprendi novos conceitos de apresentao final de vrios cocktails e misturas, de bebidas, com e sem lcool, assim como trabalhar correctamente com um shaker.

    Dois exemplos:

    Cinderela

    De Bourbon Whiskey

    De sumo de Limo

    Gotas de Grenadine

    Preparao: directamente no copo.

    Gelo modo; acaba de se encher com Soda;

    Decorao: 1 rodela de Limo; 1 Cereja

    Strawberry Daiquiri

    6/10 De Rum Branco

    3/10 De licor de Morango

    1cl de Lime Joice

    3 Morangos

    Preparao: bater no shaker e

    pr-se directamente no copo, com gelo.

    Decorao: 1 Morango no bordo do copo

    Em relao ao curso de Controlo de Qualidade de Moldes, tambm j feito h cerca de vinte anos, como j referi no item anterior (Eu e os Outros Histria da Vida), aprendi a conhecer a dureza do ao, a sua qualidade, os materiais com que se molda o prprio ao e as ferramentas com que se mede a sua rea, peso e dureza. Agora neste momento s me lembro do nome da ferramenta de medir, que d pelo nome de Pclise. Havia outras que vendo sei o que , mas sinceramente no me lembro dos nomes.

    Este curso tirado na Marinha Grande, atravs do Fundo Social Europeu, consistiu de uma primeira fase de aprendizagem, terica, onde se tinha forosamente de utilizar a mquina de calcular cientfica, visto as medidas para os moldes serem em milsimos de milmetros. Depois desta fase terica, feita numa sala, passa-mos para a fase prtica, j numa fbrica que na altura foi a Anbal Abrantes.

    Curso este que no final, como no havia vagas nesta respectiva rea, para todos, uns acabaram por ficar, em reas compatveis com o curso e eu ainda fiquei trs meses na seco do polimento, mas depois acabei por sair e estabelecer-me por conta prpria na rea da restaurao, o negcio de caf, que j vinha do meu pai. Como o local no era meu, era alugado e, com as novas normas de higiene e segurana no trabalho, no tinha condies de funcionamento, assim como estava fora de questo fazer obras, numa casa que no era minha, e antiga, onde me ficaria muito oneroso fazer as obras, acabei por fechar o estabelecimento.

    Contem anexos

    Obesidade infantil: ateno redobrada

    A obesidade um problema em que os adultos esto mais vulnerveis do que as crianas, mas estas, no se precavendo na sua alimentao e modo de vida, esto a preocupar os profissionais da rea da sade pblica. Sabe-se que este fenmeno da obesidade no recente, mas nas ltimas dcadas est a alastrar em grande nmero de adultos e principalmente em crianas. Um aumento significativo na Europa, com mais nfase na do Sul.

    Esta doena tem como origem factores genticos, que influenciam mas que s por si, no justificam este fenmeno. A relao entre as calorias consumidas e gastas pelo organismo e o estado de sedentarismo tambm importante.

    No tempo dos nossos pais, este assunto no se punha, porque eles achavam que gordura era formosura. Hoje em dia totalmente deferente. uma doena que no vigiada ou tratada poder ter consequncias gravosas. Tanto na prpria sade fsica, devido ao elevado risco de sofrerem de vrias doenas relacionadas, como diabetes e, quando adultos AVC; como na vida sentimental e mental, os problemas relacionados que daqui podero advir, como o caso de suicdios, por simplesmente no se gostar do prprio corpo

    Isto no tratado, ou no havendo aconselhamento nesta rea a crianas, jovens e at mesmo aos adultos, poder trazer efeitos secundrios, a nvel econmico e social. Os medicamentos e tratamentos no so baratos e, depois, poder haver os problemas profissionais da resultantes, que podero acabar no despedimento ou simplesmente em no ter condies fsicas para continuar a trabalhar.

    Na minha opinio, o problema da obesidade de cada um e de cada famlia.

    No creio que hoje em dia, salvo vrias excepes, a causa da doena seja da responsabilidade de terceiros. Que um assunto que se deva estudar por parte da classe Mdica e profissionais ligados rea da sade pblica, concertesa que sim.

    Hoje em dia, com os conhecimentos, com os meios de comunicao social, a escola, no deveria haver tanto alarido. Todas as pessoas sabem que tudo o que exagerado faz mal.

    As pessoas, sabem porque se fala muitas vezes da obesidade e abusam de uma alimentao menos saudvel. No se poder culpar terceiros, como sejam as casas que confeccionam o chamado fast-food. Porque, penso eu, que h dois anos para c, existe um organismo do estado chamado ASAE, que fs visitas surpresa a estabelecimentos de produo e confeco de vrios produtos, com mais destaque para a rea da alimentao. claro que a ASAE no pode estar em todo o lado ao mesmo tempo, mas estes casos so a excepo regra. Eu falo por mim e pela minha famlia, que frequentamos estas casas, no assiduamente, como lgico. Mas sabido que muitas famlias, por ser prtico, frequentam com mais frequncia.

    O estado, atravs de vrios Ministrios, est j h alguns anos para c a comear a por ordem nas coisas que dizem respeito ao consumidor. Coisas estas que h uns anos atrs era uma instituio privada (DECO), que atravs dos seus membros, comunicados, conferncias de imprensa e nas suas publicaes mensais, estas dirigidas aos seus associados, falavam deste assunto, principalmente da qualidade alimentar, no s da comida pr-cozinhada mas tambm dos congelados e, claro, do fast-food, como ainda hoje o faz.

    Hoje a realidade diferente, em relao ao passado. A alimentao, como as indstrias do ramo, tanto logo na recolha junto ao produtor como na sua confeco final, esto mais controladas. No quer dizer com isto que no haja excepes.

    Tambm no estou aqui para defender ningum, e muito menos as casas de fast-food e pr -cozinhado. Mas sim para constatar o bvio, que a realidade da sociedade em que vivemos. Estamos numa sociedade de consumo, em que existem mecanismos de controlo, de comunicao, de informao sobre tudo e mais alguma coisa. Nunca como hoje houve tantos esclarecimentos e informaes sobre este assunto. E, como tambm bvio, existe o inverso: a Anorexia.

    A obesidade, nediez ou pincelasse (tecnicamente, do grego pimele = gordura e ose = processo mrbido) o cmulo excessivo e patolgico de gordura no organismo, acima de quinze por cento do peso considerado ptimo - o que se observa atravs da comparao entre peso e altura.

    Teoricamente, sempre que houver uma ingesto de calorias (atravs dos alimentos) maior do que o gasto energtico, haver a cmulo de calorias na forma de gordura. O corpo humano armazena estas calorias extras nas clulas do panculo adiposo.

    A converso em gordura desse excedente se verifica porque metabolicamente o meio mais eficaz: a molcula de triacilglicerdeo (designao bioqumica das gorduras) contm mais que o dobro de calorias no mesmo peso do que nas formas de carboidrato ou protena: essa diferena chega proporo de nove contra quatro.

    Dentre as vrias causas provveis para o desenvolvimento da obesidade esto, de um lado, as facilidades da vida moderna, como elevadores, escadas rolantes, controles remotos e automveis. O homem de hoje no precisa mais se esforar fisicamente e isso diminui o gasto de energia na forma de calorias. Por outro lado, a industrializao dos alimentos, ricos em carboidratos e gorduras polinsaturadas, modificando o padro alimentar, junto ao hbito de alimentao rpida (fast-food: hambrgueres, frituras, chocolates, maioneses, etc.) aumentou a oferta de alimentos extremamente calricos na dieta.

    O excesso de gordura repercute de forma negativa em todos os sistemas do organismo. A obesidade uma causa determinante de doenas graves como a diabetes, tambm so frequentes os problemas respiratrios, devido presso que o acumular de gordura no abdmen exerce no s sobre a cavidade abdominal como sobre a caixa torcica, dificultando a respirao. Os ossos e os msculos, principalmente os das costas, tambm so afectados pelo esforo adicional exigido para suportar o excesso de peso.

    Alm disso, a obesidade influi principalmente no funcionamento do sistema cardiovascular. Elevados nveis de gordura no sangue se depositam nas artrias, dificultando a irrigao sangunea, e tornam os vasos rgidos, o que eleva a presso arterial. A obesidade tambm causa intenso desgaste do corao, que trabalha mais do que o normal para impulsionar o sangue atravs de vasos sanguneos cada vez mais estreitos e rgidos. Outra complicao as infeces cutneas produzidas pelo suor e o atrito das dobras da pele.

    O peso isolado no um bom indicador de obesidade, j que isto vai depender tambm da sua relao com a altura do indivduo examinado. Para se determinar o grau de obesidade utilizado um padro, chamado IMC (ndice de Massa Corprea)

    O IMC o resultado obtido quando se divide o peso (em quilos) pelo quadrado da altura (em metros). O seu resultado dado em "kg/m ".

    IMC = Peso / Altura.

    O IMC normal vai de 18 a 24,9 kg/m. Abaixo de 18 considerado muito magro, entre 25 e 29,9 a faixa do sobrepeso.

    De 30 a 34,9 obesidade grau I, de 35 a 39,9 obesidade grau II e acima de 40 obesidade grau III ou obesidade mrbida. Acima de 50 chamado de super obesidade. Acima de 60 vem a super-super obesidade.

    A obesidade caracteriza-se tambm como um problema de natureza esttica e psicolgica, alm de ser um grande risco para a sade.

    Segundo um estudo realizado pela OMS, cerca de 300 milhes de pessoas actualmente so obesas. Nauru, ilha no Pacfico apresenta os maiores problemas de obesidade (80% de sua populao sofre de obesidade, sendo que o pas onde h mais subnutrio a Somlia, onde 75,02% da populao passa fome). Pases com Barbados, EUA, Brasil tambm sofrem de srio problemas com uma populao acima do peso.

    Contem anexos

    Os meus tempos livres na infncia eram passados a jogar bola, ao berlinde, e provavelmente outras brincadeiras que agora no me recordo, como a maioria dos midos.

    A partir da adolescncia, alm dos anteriores, os tempos livres eram passados no rio Lis, ao banho, de bicicleta na antiga pista de MotoCross e nas termas em Monte Real. Davam-se passeios com os amigos de bicicleta Praia da Vieira e Lagoa da Ervideira e jogava matraquilhos.

    Nos meus tempos vividos em Ftima, os tempos livres eram passados a apanhar pssaros, tordos, com um alapo que era composto por quatro ripas perfazendo um quadrado ou rectngulo onde se amarrava rede tipo de pesca na sua superfcie, um pau com um cordel comprido e um buraco no cho, onde se introduzia uma lata com cerca de quinze centmetros de altura. O alapo era posto a 45, o pau atado ao cordel para segurar o alapo ficava a cerca de 60 de inclinao e a ponta do cordel onde se ficava para o puxar quando entrava o Tordo a uns dez metros de distncia. A lata com gua era o chamariz e assim nos entretnhamos. Por vezes faziam-se corridas de bicicleta at Crus Alta, por carreiros, uns quatro quilmetros, pois nunca os contei, onde se partiam forquetas, furavam-se pneus, as rodas s vezes ficava num oito, o nariz esborrachado e de volta a casa o mais certo era levar uma sova dos pais.

    Aos domingos via-se o programa do Vasco Granja, este senhor era o apresentador da RTP 1 que apresentava os desenhos animados.

    Lembro-me do Spyd Gonzales (o rato mais rpido do oeste), gostava de ver a srie Norte Americana Bonanza , as Touradas e o Festival da Euroviso. Isto, claro, na televiso.

    Mais tarde passei a ver sries, como Espao 1999, e a trilogia da Guerra das Estrelas. Hoje vejo os jornais Televisivos, programas informativos e de debate, como Prs e Contras, Quadratura do Circulo (SIC Noticias). Adoro ver os programas do Sr. Jos Hermano Saraiva (A Alma E A Gente) entre outros, sries como CSI, Dr. House, Donas de Casa Desesperadas e um ou outro filme. Dentro da programao das televises Nacionais, detesto o chamado prime-time televisivo, muito simplesmente porque neste horrio s novelas e j no as fazem como dantes, novelas como Escrava Isaura, Pantanal, entre tantas outras de elevada qualidade. As portuguesas, se assim se podem chamar, vista a maioria serem adaptaes de m qualidade, no lhes dou importncia, para ficar a v-las. Vi muitos filmes do Bruce Lee, do Rambo e Roky, com o agora governador do estado Norte Americano da Califrnia, o Sr. Arnold Schwarzenegger.

    Gosto ainda de ver os grandes documentrios, principalmente sobre o nosso Planeta, em todos os seus aspectos, as civilizaes, desde a pr-histria aos nossos dias, a vida selvagem, o ambiente, as profundezas dos Oceanos, os vulces entre tantos outros, que podem ser vistos em detrimento das novelas, nos canais televisivos do cabo. Tais como o canal Histria, os vrios Discovery e uma infinidade de outros canais.

    Msica e rdio, continuam a ter importncia, pois gosto muito de ouvir, sempre gostei. As minhas estaes de rdio preferidas so a RFM e a TSF; a primeira pela msica a segunda pelos servios informativos, noticirios, reportagens e entrevistas.

    Na altura das rdios piratas ajudei e participei, como apresentador e entertainer num programa emitido de segunda a sexta das dez ao meio dia, que dava pelo nome de Ptio das Cantigas . Depois de cerca de dois anos no ar, com nova grelha, este programa acabou, por falta de disponibilidade da minha parte. Passei a ser responsvel pela programao em geral, incluindo a parte mais tcnica que era a de gravar os discos pedidos. Esta rdio chamava-se MTL.

    Fechadas as rdios piratas, por ordem governamentais, ainda conseguimos montar um estdio, em Monte Real, associado Rdio Lis, mas por pouco tempo, visto que comeara a haver convulses internas na Rdio Lis que acabou por ser adquirida na altura pela Igreja Universal do Reino de Deus. E foi assim que acabou a minha participao na rdio.

    Aqui na rdio, aprendi, ou melhor dizendo, tive uma experiencia com as pessoas noutra perspectiva, diferente, da que estava habituado a ter no caf. Algumas pessoas, principalmente, as que se sentiam mais s, telefonavam para falar das suas vidas, do dia-a-dia, pois assim no se sentiam sozinhas, havia sempre com quem se podia falar, comigo e com os meus colegas na rdio. O contacto que tinha na rua com as pessoas que ouviam a nossa rdio, era proveitoso, visto, que no meu caso, pediam-me que passasse esta ou aquela msica, davam-me ideias para fazer outros tipos de programas. Ouvia as pessoas, sabia o que elas pensavam de ns e o que queriam ouvir, e nas reunies, apresentava estas ideias.

    Durante este perodo da adolescncia, fiz algumas viagens, umas com os meus pais, outras com os meus tios, principalmente ao Alentejo e Algarve. Os meus tios so criadores e negociantes de gado, e iam muitas vezes l para comprar, na altura, porcos, hoje puseram-lhes um nome mais respeitvel, chamam-lhes sunos , Gostava de ir , era diferente do que hoje , principalmente o Algarve .Eu conheci as praias Algarvias nessa altura e eram bem mais agradveis do que so hoje. Por exemplo a praia da Quarteira, hoje cidade, eram meia dzia de casebres de pescadores. Fazia viagens tambm com os meus pais e s vezes com os meu tios a Espanha, isto , a Salamanca e Badajoz, era um passeio e compravam-se muitas coisas que eram e continuam a ser mais baratas do que c. Mas para mim nessa poca o importante no era o arroz ou outra compra qualquer, mas sim os chocolates e outras guloseimas.

    Mais tarde, por volta dos meus dezoito anos, fui com um primo e uns amigos que estavam c com ele de frias, a Frana. Uma viagem inesquecvel, pois era a primeira vez que ia para to longe sem a companhia dos meus pais ou tios, e l fomos de carro, atravessando o Pas, a Espanha e a Frana quase toda. O nosso destino em Frana era junto fronteira Alem. Mais precisamente, onde a sede do Parlamento Europeu., Estrasburgo. Inesquecvel, porque nunca tinha visto tantos hectares de terra com milho, que eram bem vontade quilmetros seguidos de milho e mais milho, tanto em Espanha como em Frana. Vi paisagens que nunca tinha visto e em Biarritz, beira mar em finais de Setembro, fazia um frio de rachar, comi pela primeira vez croissants, coisa esquisita. Depois de passarmos Paris, pelos tneis rodovirios, parmos para comer, junto via rpida que liga Paris a Estrasburgo, perto de quinhentos quilmetros de distncia entre estas duas cidades. Uma roulotte na berma da estrada, ou seja, entre a estrada e uma terra de milho, at onde a vista pode alcanar. Almoo, outra desiluso, salsichas com batatas fritas dentro do po, com umas folhas de alface e rodelas de tomate. At aqui normal, o pior foi quando comecei a comer, que aquilo no tinha sabor nenhum para mim, mas para eles, que estavam habituados, era normal e era bom. Chegados ao destino, vi o tal edifcio da sede do Parlamento Europeu cheio de bandeiras sua volta, dos pases que na altura faziam parte da CEE (Comunidade Econmica Europeia).

    Agora como na juventude gosto de continuar a viajar, tanto pelo nosso Pas como pelo estrangeiro. Estive em Paris por vrias vezes, pois tenho l familiares, j estive em Frankfurt, conheo, mais ou menos bem a Galiza, assim como o sul de Espanha, Andaluzia, as ilhas Baleares, no meio do mar, Mediterrneo, entre o sul da Europa e o norte de frica, a sul do Reino de Espanha e a norte do Reino de Marrocos. Estive tambm na, sempre belssima, cidade de Ceuta, outrora pertena do Reino de Portugal, hoje do Reino de Espanha, devido aos acontecimentos da guerra da restaurao da Independncia nacional, que estava sobre o domnio do rei Castelhano Felipe II. Estive, e costumo l ir vrias vezes, s ilhas Canrias, uma beleza natural no Atlntico, Que devido ao Tratado de Tordesilhas (a diviso do mundo, ao meio, entre Portugal e Espanha, estas ilhas ficaram para os Espanhis.

    Na rea dos trabalhos manuais, s o que fiz na escola, pois havia essa disciplina.

    Bricolage e jardinagem fao em casa, tenho um jardim, que agora est sem erva prpria, devido falta de gua, no posso regar, devido a que o meu fornecimento de gua feito atravs da Cmara e acresce a conta do lixo, por m3 de gua consumida. Este espao, que tem como destino ser jardim, tem uma rea de 96 m2.

    Ou seja, L x L = 96

    Coleces no fao, o mais parecido so guardar isqueiros, de variadssimos aspectos, esferogrficas, canetas e relgios. A no ser as que tenho aqui em casa, como por exemplo a Enciclopdia Luso-Brasileira,O Corpo Humano, Portugal Passo a Passo, Portugal Patrimnio, das edies do Circulo de Leitores, Historia de Portugal de Jos Mattoso, Alfa Estudante das publicaes Alfa, Atlas National Geographic, Grande Enciclopdia Universal e muitos mais que abundam c por casa, fora os livros juvenis e outros que se encontram nas estantes dos quartos dos meus filhos e em cima do guarda-fatos do meu quarto.

    Quanto leitura, sou pouco dado a este tema, fora o que tinha de ler na escola e alguma vista de olhos sobre os anteriores, que s vezes preciso para se tirarem dvidas. Leio o jornal dirio e as revistas, de que j falei anteriormente. Outro tipo de leitura que li e de que gostei, Papillon e O Banco do mesmo autor e na sua sequncia, no me lembro do autor, mas lembro-me da histria que deu mais tarde um filme.

    O filme passa-se nos anos 30 do sculo passado, contando a fascinante histria verdica de Henri Charrire, interpretado por Steve McQueen, um homem conhecido por Papillon por ter tatuada no peito uma grande borboleta. Apesar de se reclamar inocente da acusao de assassinato, condenado a priso perptua e enviado para cumprir a sentena na Guiana Francesa. A conhece Louis Dega, interpretao de Dustin Hoffman, um famoso falsrio de quem se torna amigo. Dega est preocupado com a sua segurana, uma vez que tem tido sucesso material custa de outros prisioneiros na sequncia das suas falsificaes. Assim, estabelece um acordo com Papillon: ajud-lo nas tentativas de fuga em troca de proteco. Papillon no perde tempo a planejar fugas, muitas das quais falham. Numa delas - que d origem a uma das melhores sequncias do filme - consegue chegar juntamente com Dega a uma colnia de leprosos e depois a um acampamento nativo. Quase conseguindo ser bem-sucedida, a fuga termina como consequncia de uma traio e Papillon reenviado para a priso.

    Como castigo, enviado para a inexpugnvel Ilha do Diabo, priso de onde nunca ningum tinha conseguido escapar. tambm avisado de que qualquer tentativa de fuga ser punida com dois anos de permanncia na solitria, passando a cinco anos se houver reincidncia. Todavia, isso no assusta Papillon, que planeja novamente fugir o que consegue atravs da Floresta tropical at Venezuela, pas que na altura estava sob domnio Espanhol e como sabido os Espanhis e os Francesas, assim como outras Naes, no se davam como nos nossos dias. Era o Pas (colnia) ideal para se ver livre da priso e dos seus carrascos. O outro livro que saiu nas bancas depois vem retratar os acontecimentos que levaram sua priso. O Sr. foi julgado, condenado, preso e mandado para o desterro, porque uns amigos seus tinham assaltado um banco em Paris, e os juzes e jurados da poca, tal como se passava em toda a Europa, acharam que ele tinha participado, directa ou indirectamente, no assalto. Isto ao estilo dos tribunais da Inquisio. Portanto, fala-nos dos acontecimentos do prprio julgamento, da sua ida e estadia dentro do barco, acompanhado por outros desterrados. Retrata-nos a sua angstia, dentro do convs do navio, com as doenas dos seus colegas de infortnio, sem poder, nem ter condies de os poder ajudar.

    Um outro livro que li, tirando os de banda desenhada, Tio Patinhas, Tintim, do Belga Erg, do Luky & Luky e outros mais, foi um marcante de uma jovem francesa, Cristianne F.(os filhos da droga), que relatava a vida dela no submundo da droga, que a levou mais tarde a entrar no da prostituio. Eu li este livro, que era de uma prima residente em Frana, e como tal li-o em Francs. (vi-o j alguns anos, no muitos, na prateleira dos livros de um centro comercial, com traduo Portuguesa).

    Li, tambm alguns livros interessantssimos: Ch Guevara, Cdigo Da Vince, A Toupeira, entre outros.

    S para dizer que passei por algumas, desde o Grupo Desportivo de Monte Real, como colaborador, desde o bar marcao do campo de futebol. Voluntariado e religio, foi numa fase da catequese e no fui dado muito a estes assuntos. Da poltica fiz algumas coisas, desde a campanha da primeira AD, Com Adelino Amaro da Costa e Francisco S Carneiro, at s eleies presidenciais de 7 de Dezembro de 1980, com o candidato General Soares Carneiro, logo aps o trgico acontecimento que vitimou o Primeiro-ministro e o Ministro da Defesa, trs dias antes.

    Contem anexos

    Loja de Decorao:

    Planta do espao:

    15 cm

    8 cm

    5 cm

    5 cm 3 cm

    Escala 1: 200

    Clculo da rea de cada diviso e rea total:

    Determinar as medidas reais do espao:

    Utilizando uma rgua verifica-se que o comprimento mede 15 cm e a largura mede 8 cm.

    Aplicando a Regra de Trs Simples:

    Desenho Realidade

    1 200

    15 x

    Ento:

    Portanto o comprimento do espao mede 30m

    Desenho Realidade

    1 200

    8 x

    Ento

    Portanto a largura do espao mede 16m

    A rea do W.C?

    L

    A

    A rea da arrumao

    A

    A rea da loja :

    Determinar a rea do rectngulo:

    A rectngula

    rea da loja = A RECTNGILO A A = 480-36-50=394

    Determinando o permetro:

    Permetro W.C = 6+6+6+6=24m

    Para determinar o permetro da arrumao temos que conhecer um dos lados do tringulo:

    10 H

    10

    10

    Aplicando o Teorema de Pitgoras determinamos a hipotenusa (H) da seguinte forma:

    Portanto:

    PERIMETRO DA ARRUMAO

    Permetro da loja:

    Tendo em conta de que tenho um extracto bancrio de 20000 e um emprstimo de 30000 e a aquisio da loja foi de 37000 , fico com 13000 para compras de materiais e decorao da respectiva loja:

    Gndola de parede modela rack coluna frontal e opcional base metlica - profundidade das prateleiras: 0,48 / 0,60 / 0,70 / 0,80m - e modulao de 1,00 e1,30m

    Portanto irei precisar de 5 mdulos destes para o lado do comprimento oposto arrumao e W.C., para expor os artigos, mais pequenos venda.

    Preciso de pelo menos 4 projectores para o tecto da loja.

    Tenho de ter um escritrio e que ao mesmo tempo me d de atendimento ao cliente, que poder ser dentro deste gnero.

    Terei depois de comprar a mercadoria para ter na loja.

    Contas por alto iro gastar s com o mobilirio perto de 2570,00 .

    Com o recheio da loja e possivelmente em outras compras de ltima hora, irei gastar mais alguns euros:

    : para saber estes preos deveria de consultar diversa lojas e, ou, armazns de venda destes materiais, que no se encontram disponveis na Net.

    : procurar e escolher leva o seu tempo, que no numa semana, mas, pelo menos um ms.

    : tendo em conta que necessitei de um crdito junto de uma instituio bancria, so necessrios vrios documentos, tais como por ex. facturas proforme, tanto dos materiais para decorao como do mobilirio e do respectivo recheio.

    : outros gastos como licenas de funcionamento, vistoria passada pelos bombeiros contra incndios e inundaes e possivelmente de ocupao de via pblica entre outras.

    : gastos com, instalaes elctricas de gua e telefone, estas as mais essenciais.

    Realizar o oramento dos gastos durante um ms

    Despesas do ms de Julho

    Valor (em euros)

    Crdito

    666,33

    Empregados

    450

    Fornecedores

    1020

    Telefone

    45

    Telemvel

    55

    gua

    34

    Luz

    98

    Total

    2368,33

    Calcular a mdia dos gastos, por despesa, num ms:

    Em mdia, gasta-se 338,33, por despesa.

    Calcular o IVA das despesas (gua, luz telefone, )

    Calculemos o preo sem IVA

    Preo 232

    232 0,21 48,72

    O preo com 21% de IVA ser 232 + 48,72 280,72

    Loja de decorao:

    Despesas do ms de Julho

    Valor (em euros)

    Crdito

    666,33

    Empregados

    450

    Fornecedores

    1.020

    Telefone

    45

    Telemvel

    55

    gua

    34

    Luz

    98

    Total

    2.368,33

    Mdia

    338,33

    Mxima

    1.020,00

    Mnima

    34,00

    I V A

    232 X 21 % = 48,72

    TOTAL

    232 + 48,72 = 280,72

    IVA

    I.V.A. Calculado sobre o valor dos servios: telefone, telemvel, gua e luz.

    Contem anexos

    Contem anexos

    Eu no vejo a diferena, chamada de interiorizao, pois pelo que se v quando se passa nessas auto-estradas sem portagens scuts- e nas zonas adjacentes, as pessoas que vivem nestas zonas, vivem de maneira igual aos outros portugueses.

    Temos o caso das pontes com portagens em Lisboa e sem portagens no Porto. Ser que as pessoas que fazem a travessia do Tejo sejam mais ricas do que as que atravessam o Douro?

    Concluindo, este um pas que por este andar vai continuar a distanciar-se dos seus parceiros europeus. Eu sou da opinio de que todos temos de ter os mesmos direitos e deveres, e no s por estar escrito na Constituio da Repblica Portuguesa --

    Artigo 12.

    (Princpio da universalidade)

    1. Todos os cidados gozam dos direitos e esto sujeitos aos deveres consignados na Constituio.

    2. As pessoas colectivas gozam dos direitos e esto sujeitas aos deveres compatveis com a sua natureza.

    Artigo 13.

    (Princpio da igualdade)

    1. Todos os cidados tm a mesma dignidade social e so iguais perante a lei.

    2. Ningum pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razo de ascendncia, sexo, raa, lngua, territrio de origem, religio, convices polticas ou ideolgicas, instruo, situao econmica, condio social ou orientao sexual.

    --mas por uma questo de princpios morais e de justia. No justo uns pagarem e outros no. Que haja diferenciao de preos por vrias razes, tudo bem. Eu, ao contrrio do que muitas pessoas afirmam, penso que ns no somos todos iguais, caso contrrio tnhamos todo o mesmo saber, os mesmos gostos, etc.

    9h e30` - Sada de casa para o local de trabalho:

    Vou de carro para o meu estabelecimento (caf), que fica a 1k e 300m do local onde habito.

    Nesta altura j o caf est aberto, tenho uma funcionria que o abre, vejo como esto a correr as coisas. Bebo um caf, encho as arcas frigorficas com diversas bebidas, que estejam em falta, no fresco, como cervejas e sumos. Confirmo se h caf em gro no moinho e a respectiva moagem, se est a moer grosso ou fino, pois a moagem tem de ser vista sempre que se introduz um novo pacote de caf em gro dentro do moinho. Cada pacote traz um quilo e a calibragem, assim como a prpria mistura do gro, variam de pacote para pacote e, por este motivo, tem de ser visto. Verifico a qualidade do caf na chvena e o seu sabor para saber se preciso fazer uma limpeza mais profunda mquina de caf e mudar o sal no depurador. Este depurador um filtro cilndrico, vertical, por onde passa a gua antes de entrar directamente na mquina.

    9h e 30 - Vou buscar o jornal papelaria, que fica a 850m, na mesma rua, venho de volta para o caf. Chegado ao caf, se tiver um fornecedor, digo -lhe o que faz falta, fao contas com ele, pagamento de facturas, pois geralmente neste ramo trabalha-se com factura contra factura, ou seja recebe-se uma encomenda, paga-se a anterior. Depois do fornecedor ir embora, dou uma vista de olhos ao jornal, e recebo um distribuidor, que vem trazer grades de cerveja e de sumos, cada grade contm vinte e quatro garrafas, ajudo a funcionria a arrum-las no armazm. Entretanto noto que h falta de papel para a mquina registadora e outras miudezas, como sejam produtos de limpeza. Vou ao armazm, para grossistas, abastecer-me do que me faz falta. Os armazns so na zona de Leiria, ou seja a cerca de dezoito quilmetros de onde eu tenho o estabelecimento, Monte Real. Com este andar de ir e vir uma hora da tarde. Descarrego o carro com as compras, arrumam-se e a esta hora j h mais que fazer, pois hora dos cliente chegarem com mais frequncia para tomar o seu caf e digestivos depois de almoo e teremos de ser pelo menos duas pessoas, para atend-los

    14h e 30, 15h, - Chega outra funcionria, que vem substituir a anterior e eu vou almoar ao restaurante que do tio da minha esposa, onde ela trabalha e orienta a sala. No restaurante almoo geralmente com o tio da minha esposa, genro deste, e mais alguns amigos que podero ser comuns, ou no. Aqui fico at perto das quatro horas da tarde, quando regresso ao caf, depois de ter feito trs quilmetros. No caf vejo como esto a correr as coisas e vou, depois de ter posto os papis em ordem (facturas, o z* da mquina registadora, recibos da gua, luz, telefone, tv-cabo e renda do caf), ao gabinete de contabilidade, que fica na povoao de Outeiro da Fonte, freguesia de Carvide, que confina com a freguesia de Monte Real a oeste, na qual eu resido, e onde se situa o estabelecimento comercial que eu exploro.

    17h e 30`, 18h A esta hora, na vinda do contabilista, passo por casa, pois hora dos meus filhos chegarem a casa vindos do colgio, onde estudam, a cerca de cinco quilmetros, em Amor, no Colgio Dinis de Melo. Por aqui fico, at jantar, dando um jeito ao jardim e em volta da casa, pois h sempre lixo, principalmente folhas de rvores do terreno vizinho que esto sempre a cair, para o meu lado. Tenho uma barraca, com pombos, em ferro e chapa de zinco, que tem de ser limpa de vez em quando. Ponho comida e gua, aos pombos, e assim est passado o resto da tarde. A barraca, como eu lhe chamo, tem 3 metros de comprimento por 2 de largura e 2,5 metros de altura. Tem 6 e 15 , para dezoito pombos que comem dois sacos de milho, de cinco quilos cada, por semana a 1.5 o quilo, que perfaz 12 por ms.

    21h Volto ao caf e l fico at perto das duas horas da madrugada, pois a hora, geralmente, de encerrar. Isto depois de a funcionria ter terminado o seu horrio. At encerrar, vai-se servindo os clientes, com caf, cervejas, sumos e outras bebidas. Conversa-se com os clientes, ouvem-se conversas, muitas das vezes, sem nexo. Por volta da meia-noite e meia, vou ento fazer a mudana do sal mquina do caf, visto a esta hora j haver pouco que fazer e este trabalho, no fim de se ter posto sal novo, levar cerca de cinquenta minutos a fazer a depurao, at a gua que sai da mquina ficar normal, ou seja, sem sabor a sal. Isto feito num circuito fechado, unicamente para lavagem e lubrificao da prpria mquina de caf. Como em outras mquinas industriais de lavar loua, por exemplo, o seu sistema de lavagem e manuteno diferente daquelas que ns temos em nossas casas. Findo isto, se houver clientes, pede-se a amabilidade para sarem. Fecho o caf e vou para casa.

    Isto de trabalhar com o pblico, clientes, nestas casas complicado; porque h pessoas de todos os gneros e feitios em que nem sempre o cliente tem razo e ns, que estamos atrs de um balco, temos de ter um certo cuidado a falar, para no perdermos o cliente e, na maioria das vezes (quando j esto com um copo a mais), para no armarem confuso, nem connosco nem com os outros.

    2h, a m Chegado a casa, tomo um duche, rpido e . . .

    *z - As mquinas registadoras tm por norma dois rolos de papel, ou um duplo, que tm como funo o seguinte:

    - Fazer o registo das vendas.

    - Rolo externo serve para se dar ao cliente, como prova da sua compra (ticket)

    -Rolo interno serve para fazer o z que nos d o total do dia e as respectivas somas dos vrios produtos vendidos, assim como o respectivo I. V. A., que por sua vez enviado para a contabilidade, para o apuramento trimestral do I.V.A.

    Contem anexos

    A cultura portuguesa baseada num passado que remonta aos tempos pr-histricos das invases dos Romanos e Mouros. Todos eles deixaram as suas marcas, legando a Portugal uma rica herana cultural.

    A cultura portuguesa tem carcter essencialmente expansivo, determinado em parte por uma situao geogrfica que lhe conferiu a misso de estreitar os laos entre os continentes e os homens. Este carcter expansivo tem razes bem fundas no tempo, se quisermos lembrar a cultura dolmnica, que, segundo grandes autoridades, teve como centro de difuso o litoral portugus nortenho. Porm, a expanso portuguesa, ao contrrio da espanhola, mais martima e exploradora do que conquistadora. Desde muito cedo existem notcias de navegadores portugueses e, entre as medidas de fomento comercial-martimo, distingue-se a criao da bolsa de mercadores, que veio a ser a primeira companhia de seguros martimos mtuos (Companhia das Naus [sculo XIV]).

    A fora atractiva do Atlntico, esse grande mar povoado de tempestades e de mistrios, foi a alma da Nao e foi com ele que se escreveu a histria de Portugal.

    A histria de Portugal teve um perodo extraordinariamente glorioso, que definitivamente passou. Uma das naes mais pequenas da Europa foi senhora de um dos maiores imprios de todos os tempos e teve a maior armada da poca. s vezes, o que foram virtudes numa poca podem ser defeitos noutra, e uma mutao de culturas pode alterar inteiramente os destinos s naes. O prprio temperamento portugus explica muitas das feies da sua histria, mas h causas exteriores que tambm nos do a chave de culpas que lhe so injustamente atribudas. Se o carvo e o ao, que constituram a base da ltima fase da civilizao ocidental, existissem no nosso subsolo, natural que tivssemos desempenhado um papel bem diferente daquele a que fomos obrigados. Mas um pas que deu madeiras e pano para caravelas e foi farto de po para uma populao de menos de 2 milhes de habitantes pode no ter riquezas nem abundncia para alimentar uma populao que cresce vertiginosamente.

    A mentalidade complexa que resulta da combinao de factores diferentes e, s vezes, opostos d lugar a um estado de alma sui generis que o Portugus denomina, a saudade. Esta saudade um estranho sentimento de ansiedade que parece resultar da combinao de trs tipos mentais distintos: o lrico sonhador - mais aparentado com o temperamento cltico -, o fustico, (o homem fustico questiona-se e questiona o mundo, no se apazigua a saberes, alis o conhecimento torna-o exigente consigo e com os outros, arrastando-o para uma eterna procura), de tipo germnico e o fatalstico de tipo oriental. Por isso, a saudade umas vezes um sentimento potico de fundo amoroso ou religioso. Outras vezes a nsia permanente da distncia, de outros mundos, de outras vidas. A saudade ento a fora activa, a obstinao que leva realizao das maiores empresas. Porm, nas pocas de abatimento e de desgraa, a saudade toma uma forma especial, em que o esprito se alimenta morbidamente das glrias passadas e cai no fatalismo de tipo oriental, que tem como expresso magnfica o fado, cano citadina, cujo nome provm do timo latino fatu (destino, fadrio, fatalidade).

    Uma das caractersticas mais importantes da saudade precisamente essa fixidez da imaginao, que, por intensidade, se pode tornar em ideia motora e conduzir aco. A poesia medieval impressiona tanto pela imobilidade dos pequeninos quadros, que se repetem, que at houve quem lhe procurasse uma origem oriental". Alm disso, a literatura portuguesa manteve at hoje o carcter lrico. A vocao para o gnero pico e dramtico foi sempre menor, e at mesmo Os Lusadas valem muito pelo seu fundo lrico. Os romances actuais so, da mesma maneira, falhos de aco, parados. Mas na msica repete-se exactamente o mesmo fenmeno. Em quase todos os compositores se verifica a imobilidade, o apego a meia dzia de desenhos musicais fixos, s sequncias obstinadas. Falta-nos a animao prpria dos Espanhis e a predisposio para encadeamento de movimentos, frequente noutros povos.

    A nossa cultura no um somatrio das diferentes culturas regionais, mas uma integrao destas, de que resultou uma coisa nova em que elas esto contidas, embora transformadas por uma espcie de fenmeno de sublimao espiritual. Enquanto a cultura local tem carcter quase ecolgico e resulta do conflito entre a vontade do homem, o ambiente e a tradio, a cultura geral transpe esse conflito para o plano espiritual, porque o elemento ambiente natural substitudo pela histria. Em Portugal muita gente julga os Espanhis pelos centos de galegos que a vivem e trabalham. Contudo, esses espanhis so quase todos da Galiza, uma das provncias que mais se afastam da personalidade-base espanhola. possvel que tal erro de apreciao se repita noutros pases em relao aos Portugueses. Os Brasileiros, os Americanos, os Franceses e os Marroquinos devem ter dos Portugueses uma ideia que corresponde principalmente ao Minhoto, ou ao Transmontano, ou ao Beiro, ou ao Aoriano, ou ao Algarvio, etc., e no ao Portugus-base.

    A personalidade psicossocial do povo portugus complexa e envolve antinomias profundas, que se podem talvez explicar pelas diferentes tendncias das populaes que formaram o Pas. Da mesma maneira que Portugal representa o ponto de encontro natural das linhas de navegao entre a Europa, a frica e a Amrica, a sua populao constituda pela fuso de elementos tnicos do Norte e do Sul. Apesar da relativa homogeneidade da populao actual, no Norte do Pas abundam elementos da Europa Setentrional e Central (celtas e germanos), enquanto no Sul predominam os elementos do Sul da Europa e do Norte de frica (mediterrneos e berberes).

    A prpria religio tem o mesmo cunho humano, acolhedor e tranquilo. No se erguem nas aldeias portuguesas essas igrejas enormes e solenes, to caractersticas da paisagem espanhola, que na sua imponncia apagam a nota humana. A igreja portuguesa, ora caiada e sorridente entre ramadas, ora singela e sbria na pureza do granito, simplesmente a casa do Senhor. sempre um templo acolhedor, habitado por santos bons e humanos. No se vem os Cristos lvidos e torturados de Espanha. A sensibilidade portuguesa no suporta essa viso trgica e dolorosa.

    A prova mais evidente deste sentimento humano e terreno da nossa religiosidade verifica-se na extraordinria expanso do estilo romnico, com o seu arco singelo bem apoiado na terra, e na falta de assimilao do estilo gtico. Nunca sentimos esse profundo arroubo mstico, essa nsia de ascenso que caracteriza o gtico. O nosso esprito assimilou mal um estilo cuja expresso nos era estranha. Em todos os monumentos arquitectnicos caracteristicamente portugueses perdura uma certa espessura dos pilares, uma ntida tendncia para a profundidade e para a horizontalidade, contrria nsia de verticalidade ascensional do gtico. O esprito portugus avesso s grandes abstraces, s grandes ideias que ultrapassam o sentido humano. A prova disso est na falta de grandes filsofos e de grandes msticos. Nem compartilha do racionalismo mediterrneo, da luminosidade greco-latina, nem da abstraco francesa, de grandes linhas puras, nem do arrebatamento mstico espanhol. Em vez das grandes catedrais gticas da Frana e da Espanha, ou dos templos clssicos da Renascena italiana, o Portugus acabou por criar um estilo prprio, onde a sua religiosidade tpica melhor se exprime: o manuelino.

    Contudo, o Portugus no fraco nem covarde. Detesta as solues trgicas e no vingativo, mas o seu temperamento brioso leva-o com excessiva frequncia a terrveis lutas sangrentas. Quando o ferem na sua sensibilidade e se sente ultrajado, ou perante um ponto de honra, capaz de reaces de extraordinria violncia.

    De facto, o Portugus tem um forte sentimento de individualismo, que se no deve confundir com o de personalidade. Enquanto a personalidade anglo-saxnica ou germnica no colide geralmente com os interesses sociais e s preza a sua liberdade ntima, o Portugus, da mesma maneira que o Espanhol, tem uma forte nsia de liberdade individual, que muitas vezes anti-social. A tendncia a opor-se a tudo que se lhe no apresente com carcter humano obriga-o a lutar contra as leis ou organizaes gerais. Detesta o impessoal e o abstracto e pe acima de tudo as relaes humanas. 0 Seu fundo humano torna-o extraordinariamente solidrio com os vizinhos, e em poucas regies da Europa existir ainda vivo, como em Portugal, o esprito comunitrio e de auxlio mtuo.

    Em todas as pocas se verifica o temperamento expansivo e dinmico do Portugus. Sem ir cultura dolmnica, desde as pocas mais remotas, nos tempos em que a actividade era a guerra, os Lusitanos foram a expresso mais acabada da luta permanente e sem trguas, que se prolongou pela Idade Mdia nas lutas da Reconquista contra os Mouros, para se transformar, finalmente, nas viagens de descobrimentos e de colonizao. tambm sintomticos os Portugueses terem participado em grande parte das guerras europeias, mesmo quando no tinham interesses directamente ligados a tais conflitos. At a srie de revolues fratricidas do sculo XIX e princpios do sculo XX provam o fundo de permanente inquietao e actividade. Nas lutas da Reconquista no se procura s reaver o solo que os Muulmanos tinham conquistado: lutava-se por um ideal religioso e expulsava-se o inimigo da F. A grande empresa martima visa, certo, a descoberta do caminho da ndia e os negcios das especiarias, mas, alm de se pretender dilatar o Imprio, pretende-se dilatar a F. A ltima ideia justificava a primeira, e no o inverso. Nunca soubemos separar o sonho da realidade, ao contrrio do Ingls, que procede friamente, orientado pelo seu sentido prtico. A maior desgraa da nossa histria, a infeliz campanha de Alccer Quibir, em que desapareceu D. Sebastio com a elite militar do seu tempo, no passou dum grande sonho vivido, de trgicas consequncias. Mas a histria est cheia de curiosos episdios, como o do Magrio e o dos Doze de Inglaterra, que vo defender em torneio umas damas ultrajadas por cavaleiros ingleses, a comprovar o fundo de sonhador activo do Portugus. Alm disso, o desprezo pelo interesse mesquinho e o gosto pela ostentao e pelo luxo nunca nos permitiram o aproveitamento eficaz das grandes fontes de riqueza exploradas.

    Este temperamento paradoxal explica os perodos de grande apogeu e de grande decadncia da histria portuguesa. Ao contrrio do que muitos disseram, o Portugus no degenerou; as virtudes e os defeitos mantiveram-se os mesmos atravs dos sculos, simplesmente as suas reaces que variam conforme as circunstncias histricas. No momento em que o Portugus chamado a desempenhar qualquer papel importante, pe em jogo todas as suas qualidades de aco, abnegao, sacrifcio e coragem e cumpre como poucos. Mas se o chamam a desempenhar um papel medocre, que no satisfaz a sua imaginao, esmorece e s caminha na medida em que a conservao da existncia o impele. No sabe viver sem sonho e sem glria.

    Foi no clima de exaltao dos descobrimentos martimos que os elementos psquicos dspares da populao portuguesa se fundiram e alcanaram as suas expresses mais elevadas. O Atlntico atrara sempre com a sua magia um certo fundo sonhador e vago das populaes costeiras, enquanto as do interior se agarravam fortemente solidez do solo conquistado. Nas cantigas de amigo perpassava j o perfume dos ventos do mar, enquanto nas pequenas igrejas romnicas, se exprimia a solidez rstica duma crena firmemente enraizada na terra. Mas o Atlntico venceu. Os Portugueses lanam-se na grande aventura e desviam a civilizao do Mediterrneo para o Atlntico, mudando o curso histria universal. Apesar de a populao metropolitana ser insignificante, a Madeira e os Aores comeam a ser colonizados em 1425 e 1439, isto , 6 e 12 anos logo aps o seu descobrimento. Por fim descobre-se o caminho martimo para a ndia e toma-se posse oficial do Brasil. O profundo sentimento da natureza, j patente na Lrica Medieval, robustece-se em contacto com os grandes horizontes abertos, com as tempestades e com os mundos exticos, povoados de animais e de gentes estranhas. Os Lusadas, que entusiasmaram pelo seu enorme encanto ao descrever os fenmenos martimos, so o grande poema do mar. Sente-se nele o deslumbramento do poeta e de toda a gerao que o precedeu.

    H no Portugus uma enorme capacidade de adaptao a todas as coisas, ideias e seres, sem que isso implique perda de carcter. Foi esta faceta que lhe permitiu manter sempre a atitude de tolerncia e que imprimiu colonizao portuguesa um carcter especial inconfundvel: assimilao por adaptao. O Portugus tem vivo sentimento da natureza e um fundo potico e contemplativo esttico diferente do dos outros povos latinos. Falta-lhe tambm a exuberncia e a alegria espontnea e ruidosa dos povos mediterrneos. mais inibido que os outros meridionais pelo grande sentimento do ridculo e medo da opinio alheia. , como os Espanhis, fortemente individualista, mas possui grande fundo de solidariedade humana. O Portugus no tem muito humor, mas um forte esprito crtico e trocista e uma ironia pungente.

    Nas pocas extraordinrias, quando acontecimentos histricos puseram prova o valor do povo, ou lhe abriram perspectivas novas, que o encheram de esperana, ento brotaram por si, naturalmente, as melhores obras do seu gnio. Porm, nos perodos de esbanjamento nasce a apatia do esprito, a relutncia contra a mediania, a crtica acerba contra o que no est quela altura a que se aspira, ou cai-se na saudade negativa, espcie de profunda melancolia.

    O manuelino , pela sua decorao, uma espcie de estilo barroco, contudo, no manuelino e, mais tarde, no nosso barroco falta por completo o movimento musical que se verifica noutros pases, sobretudo na ustria e nos arredores alpinos. Se o movimento uma das caractersticas mais salientes do barroco, temos de ver que esse movimento toma entre ns uma feio especial que o afasta inteiramente dos pais das valsas. um movimento parado, uma espcie de imvel. De facto, a actividade portuguesa de tipo fsico, embora seja determinada pela imaginao, mas h qualquer coisa de esttico na emoo portuguesa. O fundo contemplativo da alma lusitana compraz-se na repetio ou na imobilidade da imagem.

    O Portugus adapta-se a climas, a profisses, a culturas, a idiomas e a gentes de maneira verdadeiramente excepcional. 0 Portugus foi sempre poliglota. J os nossos clssicos escreveram quase todos em mais de uma lngua, e mesmo as pessoas de pouca ilustrao aprendem e sabem com frequncia falar um idioma estrangeiro. Mas a capacidade de adaptao geral; podia ilustrar-se com inmeros exemplos. , porm, curioso que o Portugus se adapta a outro ambiente cultural to bem que parece ter sido assimilado; mas volta para Portugal e em pouco tempo j no se distingue dos outros. Enquanto o Ingls fica sempre ingls em toda a parte, e o Alemo, quando deixa de o ser, dificilmente volta a tornar-se alemo, o Portugus assimilou completamente o provrbio que diz: Em Roma s romano. Mas s enquanto est em Roma.

    O Portugus um misto de sonhador e de homem de aco, ou, melhor, um sonhador activo, a que no falta certo fundo prtico e realista'. A actividade portuguesa no tem razes na vontade fria, mas alimenta-se da imaginao, do sonho, porque o Portugus mais idealista, emotivo e imaginativo do que homem de reflexo. Compartilha com o Espanhol o desprezo fidalgo pelo interesse mesquinho, pelo utilitarismo puro e pelo conforto, assim como o gosto paradoxal pela ostentao de riqueza e pelo luxo. Mas no tem, como aquele, um forte ideal abstracto, nem acentuada tendncia mstica. O Portugus , sobretudo, profundamente humano, sensvel, amoroso e bondoso, sem ser fraco. No gosta de fazer sofrer e evita conflitos, mas, ferido no seu orgulho, pode ser violento e cruel. A religiosidade apresenta o mesmo fundo humano peculiar ao Portugus. No tem o carcter abstracto, mstico ou trgico prprio da espanhola, mas possui uma forte crena no milagre e nas solues milagrosas.

    O sentimento amoroso muito forte em todas as classes sociais e, fora o aspecto grosseiro, que se compraz em anedotas erticas, so inmeros os exemplos de grande e profunda dedicao, acompanhada de gestos de verdadeiro sacrifcio. No s a histria como a literatura nos do a prova irrefutvel da permanncia desta caracterstica atravs dos tempos. O exemplo mais curioso foi a grande paixo de D. Pedro por D. Ins de Castro, que nem a morte conseguiu extinguir e que ainda hoje serve de motivo potico e impressiona as sensibilidades. Na literatura basta lembrar a poesia medieval, to sentida e original, em que com frequncia se canta o amor da mulher pelo homem. A lrica de Cames, esse grande amoroso, d-nos exemplos da mais bela e mais repassada emoo. As cartas de Soror Mariana Alcoforado, palpitantes de paixo, os sonetos de Florbela Espanca, as poesias de Joo de Deus e muitos outros, sem esquecer a riqussima poesia popular, particularmente impregnada de sentimento amoroso, so outras tantas afirmaes desta constante alma portuguesa.

    Outra constante da cultura portuguesa o profundo sentimento humano, que assenta no temperamento afectivo, amoroso e bondoso. Para o Portugus o corao a medida de todas as coisas.

    Perante a grandeza e os mistrios da natureza, que os Portugueses vo a pouco e pouco descobrindo, nasce uma atitude especial, no destituda dum certo fundo mstico-naturalista. ento que surgem os Jernimos como expresso arquitectnica mxima da religiosidade portuguesa. A grande novidade era a decorao naturalista, inspirada em motivos do mar e na exuberncia da vegetao extica. O antigo sentimento da natureza, que s encontra at ento expresso potica, transporta-se agora para a forma plstica. Os templos enchem-se de elementos da natureza, impregnados de sentido religioso, de evocaes de mundos longnquos e estranhos e dos mistrios do mar. Era natural que esse povo de marinheiros quisesse decorar os seus templos com as belezas do mundo recm-descoberto. Ainda hoje os pescadores rudes do Norte de Portugal costumam levar como ex-votos ao santo da sua devoo miniaturas de navios ou quadros alegricos de qualquer naufrgio ou perigo de que escaparam. Porm, se na decorao h novidade arquitectnica, a sensibilidade portuguesa manteve-se presa ao atavismo romnico, na solidez das propores e no arco redondo. A sua religiosidade rude e simples sentem confiana num templo fortemente apoiado na terra, onde paira uma obscuridade doce que repousa o esprito.

    Percorrendo a histria, podemos facilmente verificar como estas caractersticas apontadas se repetem em diferentes pocas, explicando certas aces e demonstrando a constncia de alguns elementos fundamentais da cultura portuguesa.

    Portugal nasce desta luta contra os Mouros. uma guerra poltica e religiosa. Enquanto se reconquista o solo da Ptria expulsa-se o inimigo da F. Atrs do conquistador vai logo o lavrador e constri-se o templo. A espada que luta precisa de se apoiar no po dos campos e na f em Deus. Em 1249 acabava a luta porque no havia mais terra a conquistar, tinha-se chegado ao extremo sul da faixa portuguesa. Nesta ocasio j se tinha repovoado grande parte dos territrios e, alm de muitas capelas romnicas, j se erguiam as Ss de Braga, Porto, Coimbra, Lisboa e vora. Era chegado o momento de ir mais alm. No no espao, que no havia, mas na organizao interna do Pas. Os reis que se seguem cuidam das letras, da justia, e promovem medidas de fomento agrcola e de alcance martimo. Em 1290 fundam-se os Estudos Gerais, o embrio da Universidade portuguesa. Nos fins do sculo XIII Portugal j exportava cereais. Parecia que tinham terminado as lutas e inquietaes e que ia comear a vida prspera, pacfica e apagada dum pequeno povo beira-mar. Mas no; os vizinhos Espanhis comeavam a cobiar Portugal. Surgem novamente lutas e incertezas, que terminam pela vitria decisiva dos portugueses em 1385, no campo de Aljubarrota. Esta afirmao da fora nacional parece ter despertado novas energias, e surge a ideia de ir contra o antigo inimigo de tantos sculos. Portugal j possua ento embarcaes que lhe permitiam uma expedio militar ao Norte de frica e, em 1415, os Portugueses conquistam Ceuta aos Mouros. Era o comeo da fase de expanso martima. Em 1418-19 descobre-se a ilha da Madeira, a seguir os Aores, depois vai-se explorando a costa africana com o propsito de chegar ndia pelo mar, ao mesmo tempo que se mandam exploradores por terra. Desde ento, at aos nossos dias, toda a cultura portuguesa est impregnada de influncias martimas e ultramarinas.

    Portugal, porm, apresenta uma curiosa particularidade de unificao. Embora a origem da Nao se deva tambm poltica, vontade dum prncipe, que naturalmente se aproveitou de certas aspiraes de independncia latentes nas populaes de Entre Douro e Minho, a unificao e a permanncia da Nao deve-se ao mar. Foi a grande fora atractiva do Atlntico que amontoou no litoral a maior densidade da populao portuguesa do Norte, criando como que um vcuo para o interior. Desde Caminha a Lisboa estabeleceram-se inmeras amarras que defenderam Portugal da fora centrpeta de Castela. Mas foi sobretudo o esturio do Tejo, esse forte abrao do mar com a terra, que definitivamente presidiu aos destinos de Portugal. No houve o domnio duma regio sobre outras, antes se encontraram todas num ponto natural de convergncia. por isso que, ao contrrio de Berlim ou de Madrid, capitais no centro das regies dominadoras, Lisboa, na foz do Tejo, est mais apoiada no mar do que na terra. Alm disso, Lisboa pode dizer-se formada por habitantes oriundos de todas as provncias do Pas, quase que sem predomnio de qualquer delas. A este facto deve Portugal certa homogeneidade cultural permanente. Contudo, no devemos esquecer que, a par da cultura nacional, existem ainda hoje regies naturais muito definidas, com culturas prprias bem caracterizadas, fruto, no s de condies ambientais diferentes, como de ascendncia culturais e possivelmente tnicas diversas.

    Se a situao geogrfica contribuiu indiscutivelmente para o carcter expansivo da cultura portuguesa, ela s no basta para explicar tudo. Alm dela, temos de considerar a feio psquica portuguesa e a maneira como esta actuou perante as circunstncias.

    Situado no extremo sudoeste da Europa, a poucos passos da frica, o Pas estava destinado a ser ponto de passagem e de encontro das mais variadas raas, umas vindas dos confins do Mediterrneo, como os Fencios, que lhe demandaram os portos, como os Normandos, que lhe invadiram as costas. Mas as influncias destes foram superficiais e s se fizeram sentir no litoral. Foram mais importantes as invases celtas, sobretudo a partir do sculo VI a. C. Estes povos, senhores da tcnica do ferro e da superioridade militar e econmica que daquela derivava, acabaram por se fundir com a raa autctone. Os Lusitanos, que resultaram desta fuso, eram um povo rude, sbrio e espantosamente resistente e aguerrido. Era tal o amor da independncia que os Romanos, quando quiseram conquistar a Pennsula Ibrica, viram fracassar umas atrs das outras as tentativas para os dominar. S ao fim de mais de um sculo, com a vinda de Augusto Pennsula, foi possvel a subjugao deste povo, considerado um dos mais indmitos daquele tempo. Viriato ficou na histria como um dos grandes heris lusitanos e as suas campanhas chegaram a atingir o Norte de frica. Mas o Imprio Romano acabou por dominar inteiramente e, durante uns sculos, reinou a paz romana. Quando os povos germnicos, aproveitando-se da fraqueza do velho imprio, comeam a invadi-lo em bandos sucessivos, modifica-se novamente a estrutura tnica e cultural das populaes que correspondem ao Portugal actual. Logo nos comeos do sculo V os Suevos distribuem terras entre si e se fixam na actual provncia de Entre Douro e Minho. Estes povos, sados poucos anos antes do corao da Baviera, trouxeram com as mulheres e os filhos os usos e costumes e as tcnicas agrrias do seu pais. A pouco e pouco fundem-se tambm com as populaes anteriores, formando um reino que tinha Braga por capital. O reino dos Suevos no pode resistir s investidas dos Visigodos, seus irmos de sangue, mas mais prticos nas artes da guerra e da poltica. Os Visigodos acabam por se assenhorear de toda a Pennsula, durante o sculo VI, formando um grande reino cristo. Porm, logo nos princpios do sculo VIII, os rabes, movidos por um vivo impulso religioso, lanam-se na Pennsula e conquistam-na com rapidez vertiginosa. Todavia, medida que ganham em extenso, vo perdendo em mpeto e, ao fim de alguns anos, o ncleo de resistncia crist, formado nas Astrias, comea a repelir o inimigo. Vo-se assim formando novos reinos cristos, entre os quais Portugal.

    As sete maravilhas de Portugal, na minha opinio, so:

    Marcos Milirios de Geira;

    Situados ao longo da antiga via romana da Geira, percorrendo as freguesias de Balana, Chorense, Vilar, Chamoin, Covide e Campo do Gers. Concelho de Terras de Bouro, distrito de Braga.

    Classificados conjuntamente Monumento Nacional por Decreto de 16-06-1910. A via romana de Bracara Augusta a Asturica Augusta (Braga-Astorga), ou Via Nova do Itinerrio Antonino, foi traada na segunda metade do sculo I d. C. sob os reinados dos imperadores Tito e Domiciano.

    Na idade mdia a estrada passou a ser conhecida por Geira (sinonimo de corveia), em virtude das prestaes em trabalho que as populaes vizinhas tinham de dar para se efectuar a sua manuteno. Ao longo desta antiga via, ainda se conservam 44 marcos. A maior concentrao destes marcos encontra-se ao longo da margem esquerda do rio Homem.

    Estes marcos tiveram a sua importncia para as comunicaes, desde a sede do imprio, Roma, e a Lusitnia, a provncia mais ocidental, desse mesmo imprio, assim como para o nosso futuro como Nao.

    Donde a terra se acaba e o mar comea- CANTO VIII, de:

    Marcos Milarios

    Rio Homem

    Runas de Conmbriga:

    Os romanos no foram os primeiros habitantes da Pennsula, como se sabe, mas foram eles os primeiros a criar estruturas que consideramos modernas: cidades com servios comunitrios, ligadas por estradas.

    Tambm trouxeram a cultura e a lngua, os preceitos comerciais, as termas e o cio. Na rea que agora corresponde a Portugal existiram vrias cidades romanas bastante desenvolvidas. A provncia da Lusitnia, criada por Augusto na poca do nosso ano zero, ficava situada na franja do imprio. Nunca tinha havido nada de parecido por estas partes, nem em termos de estabilidade nem como requinte de civilizao. Conmbriga j existia antes do imprio, provavelmente antes dos Celtas. Mas foi com as conquistas de Brutus, general romano, no sculo II a.C., que se tornou o ponto de passagem natural, entre Sellium (Tomar) e Bracara (Braga) e assim comeou a prosperar.

    A importncia, destas runas, para mim, prende-se com terem sido o comeo da nossa civilizao e da cultura, secular, que deveramos preservar com mais afinco e orgulho, de sermos portugueses.

    Templo romano de vora:

    Pela sua localizao, a sua imponncia arquitectnica e beleza mas, que at hoje ignoramos completamente a quem o templo teria sido dedicado. Apenas sabemos que vem do sculo II d. C.

    Castelo de Leiria:

    Ao consolidar o seu governo a partir de 1128, o jovem D. Afonso Henriques (1112-1185), planeou alargar os seus domnios, ento limitados a norte pelo rio Minho a sudoeste pela serra da Estrela e a sul pelo rio Mondego. Para esse fim, a partir de 1130, invadiu por diversas vezes o territrio vizinho da Galiza a norte, ao mesmo tempo em que se mantinha atento fronteira sul, constantemente atacada pelos muulmanos.

    Para defesa do limite sul, estrategicamente fez erguer, de raiz, um novo castelo entre Coimbra e Santarm (1135), no alto de uma elevao rochosa, um pouco ao sul da confluncia do rio Lis com o rio Lena, a cuja guarnio, sob o comando de D. Paio Guterres, foi confiada a defesa da nova fronteira que ali tentava firmar. povoao que tambm iniciava, e que passaria a designar o respectivo castelo, chamou de Leiria.

    *(Montes Hermnios, ao tempo de Viriato e da ocupao Romana)

    A importncia que o castelo de Leiria teve foi de defesa dos territrios a norte e a conquista de novos territrios a sul.

    Universidade de Coimbra:

    A Universidade de Coimbra remonta ao sculo seguinte ao da prpria fundao da nao portuguesa, dado que a Universidade foi criada no sculo XIII, em 1290, mais especificamente a 1 de Maro, quando foi assinado em Leiria, por D. Dinis, o documento Scientiae thesaurus mirabilis, que institui a prpria Universidade e pede ao Papa a confirmao.

    A bula do Papa Nicolau IV, datada de 9 de Agosto de 1290, reconheceu o Estudo Geral, com as faculdades de Artes, Direito Cannico, Direito Civil e Medicina.

    A Universidade foi instalada em Coimbra, no Pao Real da Alcova, em 1308.

    A importncia deste monumento a que ainda hoje tem, de dar educao e conhecimento nas vrias reas de frequncia de estudo do ensino superior.

    Torre de Belm:

    A Torre de Belm um dos monumentos mais expressivos da cidade de Lisboa. Localiza-se na margem direita do rio Tejo, onde existiu outrora a praia de Belm. Inicialmente cercada pelas guas em todo o seu permetro, progressivamente foi envolvida pela praia, at se incorporar hoje terra firme.

    A Torre de Belm foi