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AUDITORIA GERAL E PÚBLICA ANALISTA DE CONTROLE EXTERNO - TCU PROFESSOR JOSÉ CARLOS www.pontodosconcursos.com.br 1 Olá alunos! Sejam bem vindos ao curso! Antes de iniciarmos a aula, gostaria que vocês prestassem bastante atenção nas dicas abaixo. Tenho certeza que serão muito úteis! Dicas para melhor aproveitar seus estudos: De acordo com MINICUCCI, na leitura de um texto e na sua utilização como obra de estudo, convém seguir uma fórmula denominada VILER, que é a seguinte: V – Visão geral do texto I – Interrogação L – Leitura E – Expressão R – Revisão V – Visão geral Um primeiro passo para ler bem um texto (lição) é dar uma vista d´olhos geral no texto, nos objetivos de aprendizagem propostos e voltar a atenção no que se vai ler, antes de uma leitura mais demorada. Uma leitura rápida compreende a leitura dos títulos do capítulo, os subtítulos, verificação das gravuras, os gráficos e as ilustrações. Se houver resumo, convém lê-lo antes de ler o texto. Convém, passar os olhos sobre a bibliografia recomendada. Enfim, uma leitura rápida do texto para ter uma visão geral do assunto. I – Interrogação Nós lembramos as coisas quando elas têm um significado específico aos nossos interesses. A melhor maneira de tirar proveito acerca do que

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    Ol alunos!

    Sejam bem vindos ao curso!

    Antes de iniciarmos a aula, gostaria que vocs prestassem bastante ateno nas dicas abaixo. Tenho certeza que sero muito teis!

    Dicas para melhor aproveitar seus estudos:

    De acordo com MINICUCCI, na leitura de um texto e na sua utilizao como obra de estudo, convm seguir uma frmula denominada VILER, que a seguinte:

    V Viso geral do texto

    I Interrogao

    L Leitura

    E Expresso

    R Reviso

    V Viso geral

    Um primeiro passo para ler bem um texto (lio) dar uma vista dolhos geral no texto, nos objetivos de aprendizagem propostos e voltar a ateno no que se vai ler, antes de uma leitura mais demorada.

    Uma leitura rpida compreende a leitura dos ttulos do captulo, os subttulos, verificao das gravuras, os grficos e as ilustraes.

    Se houver resumo, convm l-lo antes de ler o texto. Convm, passar os olhos sobre a bibliografia recomendada. Enfim, uma leitura rpida do texto para ter uma viso geral do assunto.

    I Interrogao

    Ns lembramos as coisas quando elas tm um significado especfico aos nossos interesses. A melhor maneira de tirar proveito acerca do que

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    se est lendo fazer perguntas, questionar e levantar interrogaes sobre o texto.

    As perguntas ajudam a concentrar a ateno na matria do texto. Ao buscar respostas s perguntas se consegue que a mente no fique divagando, j que o assunto nos envolveu. Assim:

    O que significa o ttulo do captulo? Que questes sugerem os subttulos? O que me interessa particularmente nesse texto?

    L Ler

    O terceiro passo de Viler ler. Se o estudante venceu os dois primeiros passos poder ler com mais eficincia.

    Ento:

    a) Ir ler para responder as perguntas que levantou. b) Ir analisar todas as ilustraes e saber por que razes elas

    foram colocadas no texto.

    c) Ir observar as palavras grifadas e que razo houve para isso. d) Ir assinalar (sublinhando) os pontos mais importantes ou

    que devam ser relidos.

    E - Expressar

    O quarto passo expresso, comunicao, isto , dizer, recitar, repetir o que foi lido.

    Isto quer dizer: retornar ao que j foi lido, seja resumindo oralmente, seja tomando notas de alguma forma.

    As experincias demonstram que, aps duas semanas, os alunos esquecem cerca de 80% do que estudaram. Por outro lado, se repetirem ou expressarem de alguma forma o que leram, s esquecero cerca de 20%, no mesmo perodo de tempo.

    R Reviso

    A maioria dos alunos no revisa (no v de novo) o aprendido. Revisar significa passar uma vista dolhos naquilo que foi lido. Rever as

    anotaes, os fatos, os resumos*.

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    A reviso dever obedecer aos seguintes passos:

    a) Deve ser feita imediatamente depois da leitura. b) Deve ser feita periodicamente. c) Deve-se planejar uma reviso final.

    Vale ressaltar que se trata de material de uso pessoal, no podendo ser repassado a terceiros, em carter gratuito ou oneroso, seja impresso, por e-mail ou qualquer outro meio de transmisso sob risco de violao do estabelecido na Lei n. 9.610/1998 e no Cdigo Penal. Desde j agradecemos a compreenso e estamos abertos para qualquer dvida ou pendncia, tanto sobre o material quanto para qualquer outro assunto relacionado ao concurso em questo.

    Aula 01 Introduo, testes, procedimentos, amostragem, parecer

    Sumrio:

    1. Como devo estudar.................................................................... 4 2. Noes gerais sobre auditoria: Conceituao e objetivos ................ 5 3. Testes de Observncia e Testes Substantivos .............................. 10 3.1. Testes de Observncia........................................................... 10 3.2. Testes Substantivos .............................................................. 14 4. Procedimentos de Auditoria....................................................... 17 5. Parecer do Auditor................................................................... 21 6. Amostragem........................................................................... 31 7. Carta de responsabilidade da administrao ................................ 37

    & Ao final de cada leitura, elabore um resumo. O exerccio de redigir o resumo atua como um reforo do material do texto. Voc ter que consultar muitas vezes o texto, medida que organiza seu resumo. Dessa forma, voc poder realizar uma reviso, aprofundando-se mais no texto e esclarecendo pontos duvidosos. Pelo resumo voc recompe o texto, de maneira sucinta (tirando o essencial) e esquemtica (elaborando esquemas em tpicos principais do texto).

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    8. Questes de Concursos Anteriores: ............................................ 38 9. Gabarito: ............................................................................... 44 10. Bibliografia: .......................................................................... 49

    1. Como devo estudar

    Ao nos depararmos com um edital to confuso e super diferente dos editais de auditoria que temos visto nos concursos anteriores, aps o grande desespero inicial, nos sobrevm a pergunta que no quer calar: Como devo estudar tudo isso? Bem, para responder esta pergunta, eu diria que primeiro precisamos reorganizar o edital de forma que o contedo seja apresentado de forma didtica e inteligvel a todos. Desta forma, as aulas sero ministradas de acordo com minha experincia e tenho certeza que este procedimento gerar bons frutos! No se preocupe, cobriremos todo o edital! Em segundo lugar, imprescindvel que todos leiam as legislaes e normas que eu for recomendando ao longo das aulas... Isto porque, a tendncia da maioria das bancas (inclusive a UNB) em provas de auditoria cobrar a literalidade das normas. Ento minha recomendao que voc estude as aulas, leia as normas recomendadas e pratique o que aprendeu atravs dos exerccios propostos. Seu rendimento ser muito melhor! Por ltimo, para facilitar seus estudos, voc precisa entender a estrutura da legislao existente sobre o assunto, uma vez que extremamente extensa. Acompanhe comigo:

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    A atividade de auditoria independente de demonstraes contbeis prerrogativa de Contador (Bacharel em Cincias Contbeis); motivo pelo qual quem regulamenta a profisso o CFC (Conselho Federal de Contabilidade).

    Deste rgo, so emanados diversos diplomas legais abordando aspectos diversos, tais como: princpios contbeis, percia e auditoria.

    Em relao a este ltimo, a regulamentao feita por meio das NBC T11 (Normas Brasileiras de Contabilidade), aprovadas por meio de resoluo.

    As duas principais normas foram aprovadas por meio das resolues n 820 e 821 de 1997, que so de leitura obrigatria. Elas abordam o trabalho do auditor e o perfil desse profissional, respectivamente.

    A partir da, h diversas outras regulamentando aspectos especficos, tais como: papis de trabalho, amostragem, fraude e erro, etc.

    Nosso trabalho consistir em facilitar a leitura dessas resolues, abordando os aspectos mais importantes de cada uma delas que normalmente so cobrados em prova.

    Lembre-se que vrios conceitos diferentes costumam aparecer juntos nas questes da Unb/CESPE, por isso, temos que ter tudo muito claro em nosso cabeo para no nos confundirmos!

    2. Noes gerais sobre auditoria: Conceituao e objetivos

    A auditoria surge em um momento em que se faz separao entre o dono da empresa e a figura do administrador da empresa. Assim, Quando o dono o prprio administrador, ele sabe exatamente o que ocorre na sua empresa. Quando surge a figura do administrador profissional, o dono dessa empresa fica sem saber exatamente o que est ocorrendo na mesma.

    Neste contexto, surge a figura da AUDITORIA, ou seja:

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    Quem poderia garantir que as informaes que esto nas demonstraes contbeis so informaes reais? Porque a empresa pode fazer demonstraes artificiais. Concorda?

    Imagine a situao: Voc quer pegar um emprstimo no banco. Para que d tudo certo e seu gerente aprove o emprstimo, voc pode reclassificar um dvida sua de curto prazo para longo prazo, por exemplo, porque fazendo isto, estar diminuindo o passivo circulante, e, por conseqncia, melhorando seus ndices de liquidez. Melhora, por exemplo, a liquidez corrente.

    Assim, vemos que as empresas podem realizar lanamentos inexistentes, ativos fictcios nas demonstraes contbeis, pode ter um passivo da empresa que no esteja provisionado... Ento, quem garante que as informaes que esto nas demonstraes contbeis so informaes que condizem com a realidade? O auditor independente.

    Mas, qual o objetivo da auditoria Independente?

    A emisso de um parecer acerca das demonstraes contbeis face aos princpios fundamentais da contabilidade1, normas brasileiras de contabilidade, demais legislaes aplicveis e prticas adotadas no Brasil.

    Ou seja, em linguagem simples: o auditor vai olhar as demonstraes contbeis e analis-las a fim de verificar se esto corretas.

    Dica: Antigamente, falava-se em princpios de contabilidade geralmente aceitos ... Essa expresso no existe mais! Hoje, se esse assunto cair na prova, dever falar sobre os princpios fundamentais da contabilidade, normas brasileiras de contabilidade, demais legislaes aplicveis e prticas adotadas no Brasil.

    Vale pena decorar a expresso: prticas adotadas, ou prticas j consagradas, uma vez que trata-se de uma novidade, acredito que tem grandes chances de cair na prova.

    Vale ressaltar que o parecer do auditor independente tem por limite os prprios objetivos da auditoria das demonstraes contbeis e no representa, pois, garantia de viabilidade futura da entidade ou

    1 Os Princpios Fundamentais de Contabilidade esto descritos na Resoluo n 750/93 do CFC.

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    algum tipo de atestado de eficcia da administrao na gesto dos negcios, sendo de exclusiva responsabilidade de contador registrado no Conselho Regional de Contabilidade.

    Ento, como se constata se as demonstraes contbeis esto corretas?

    Vendo se foram feitas de acordo com os Princpios Fundamentais da Contabilidade e as Prticas Contbeis em vigor no Brasil.

    Sabendo se as demonstraes contbeis observaram as Legislaes aplicveis a cada setor. (Ex.: Instituio financeira, como uma seguradora).

    Uma vez que as demonstraes so elaboradas consoantes as disposies do Conselho Federal de Contabilidade CFC, do Ibracon (Instituto dos Auditores Independentes antigo Instituto Brasileiro de Contabilistas), da Comisso de Valores Mobilirios CVM, do Banco Central Bacen, da Superintendncia de Seguros Privados - Susep e da Lei, em especial a de n. 6.404 de 1976 Lei das S.A, diversos Diplomas Legais devem ser consultados quando da verificao efetuada pelo auditor independente, razo pela qual a profisso somente pode ser exercida por contadores (bacharis em cincias contbeis) devidamente certificados e regularmente inscritos no CFC.

    De acordo com o CFC, a auditoria das demonstraes contbeis constitui o conjunto de procedimentos tcnicos que tem por objetivo a emisso de parecer sobre a sua adequao, consoante os Princpios Fundamentais de Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade e, no que for pertinente, a legislao especfica. Na ausncia de disposies especficas, prevalecem as prticas j consagradas pela Profisso Contbil, formalizadas ou no pelos seus organismos prprios.

    Princpios fundamentais contabilidade

    Normas brasileiras de contabilidade

    Demais legislaes e prticas

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    Dentre os demonstrativos a serem analisados pelos auditores, possvel destacar:

    Balano Patrimonial - BP, Demonstrao de Resultado do Exerccio - DRE, Demonstrao de Origens e Aplicaes de Recursos

    DOAR,

    e a Demonstrao de Lucros ou Prejuzos Acumulados DLPA

    Esses demonstrativos so obrigatrios para praticamente todas as sociedades annimas de capital fechado ( exceo da DOAR, que dispensada para S.A. com Patrimnio Lquido (PL) abaixo do limite estabelecido de R$ 1.000.000,00). As S.A. de capital aberto (que negociam aes na Bolsa), alm dessas demonstraes, devem apresentar, tambm, a Demonstrao de Mutaes do Patrimnio Lquido DMPL.

    Vale ressaltar que isso no ilide a responsabilidade de elaborao de outros demonstrativos especficos, obrigatrios para entidades com regulamentao especfica, tais como instituies financeiras, entidades de previdncia privada e outras.

    Dica: A expresso demonstraes contbeis utilizada para referir-se s informaes contbeis que, no Brasil, abrangem o balano

    BP

    DRE

    DOAR

    DLPA

    CFC Ibracon CVM BACEN Susep Lei S.A

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    patrimonial e as demonstraes do resultado, das mutaes do patrimnio lquido e das origens e aplicaes de recursos ou outras aplicveis a setores especficos de atividade ou requeridas por rgos reguladores, as quais, juntamente com as notas explicativas correspondentes, formam um conjunto de dados e informaes bsicas sobre os quais o auditor emite seu parecer. Entretanto, a Legislao societria e, posteriormente, a Legislao fiscal e outras, consagraram o uso da expresso demonstraes financeiras para o mesmo conjunto de informaes. Assim, a expresso demonstraes financeiras tem exatamente o sentido da expresso demonstraes contbeis, e vice-versa.

    Aps observar os princpios, normas, legislaes, prticas... voc acha que a opinio pessoal do auditor, ou seja, o seu julgamento tambm importante?

    Observe a questo abaixo. O que voc responderia? Questo 1: (CESPE/UNB - Auditor Fiscal da Previdncia Social 2003) Com fulcro nas normas de auditoria vigentes no Brasil, julgue o item a seguir: A seleo, a extenso e a aplicao dos procedimentos de auditoria devem ocorrer em conformidade com as normas de auditoria, no dependendo, portanto, do julgamento pessoal e profissional do auditor. Est errado. Dependem de julgamento do auditor, sim, envolvendo fatores objetivos (levantamento do Controle Interno, experincia de auditorias anteriores, etc) e subjetivos (sensibilidade do auditor). As normas do CFC no trazem, por exemplo, quantidade de procedimentos (percentuais) que devero ser aplicados. Depende do julgamento que ser realizado pelo auditor.

    Para finalizarmos esta parte, vejamos uma pegadinha de prova, que j caiu em vrios concursos:

    A finalidade da auditoria a descoberta de fraudes? Verdadeiro ou falso?

    Falso. A finalidade da auditoria dar uma opinio se essas demonstraes foram feitas com observncia das praticas utilizadas hoje

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    no Pas, embora ele no possa ignor-las caso as descubra, devendo considerar a possibilidade de ocorrncia ainda na fase de planejamento dos trabalhos.

    Para o auditor emitir um parecer dizendo que as demonstraes contbeis esto corretas ou erradas, existe a necessidade do auditor aplicar dois grandes conjuntos de testes:

    3. Testes de Observncia e Testes Substantivos

    3.1. Testes de Observncia

    Como o prprio nome j diz, o teste de observncia consiste em observar. Observar o qu? Se o controle interno (procedimentos estabelecidos para proteo dos ativos e garantia da eficcia das operaes) est em funcionamento na prtica.

    Eu hoje sou Auditor-Geral do Ministrio Pblico do Estado do Rio de Janeiro. L ns temos uma serie de normas. Toda vez que a administrao pblica vai comprar alguma coisa, ela tem que fazer uma cotao de preo que ir servir de base para a confeco do projeto base da licitao posteriormente. Isso uma norma do controle interno. Ento, quando eu pego um processo administrativo de compra, eu verifico se foram feitas as trs cotaes necessrias, por exemplo. Quando eu pego um processo de pagamento de despesas eu verifico, por exemplo, se naquele processo a despesa foi liquidada, se o fornecedor entregou a mercadoria ou se o contratado prestou o servio, eu verifico se aquela nota de empenho tem atestao de dois servidores, ou seja, verifico as normas de controle interno.

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    O Controle Interno existe para proteo da empresa, para proteo do setor pblico, para evitar que haja fraudes.

    Por exemplo: H um princpio de controle interno (a ser testado pelo auditor) chamado segregao de funes, alertando para a necessidade da existncia de pessoas diferentes para realizao de atividades diversas. Ou seja, quem compra no recebe, quem cuida do fsico no cuida da contabilidade e quem vende no d desconto. Isso contribui para evitar desvios/fraudes. No podemos ter a mesma pessoa, por exemplo, fazendo a contabilidade e ao mesmo tempo sendo tesoureiro. Devem ser pessoas diferentes. Deve haver essa segregao de funes, porque se eu sou o tesoureiro e sou o contador e fao as duas coisas, eu posso gerar um desfalque conhecido como desfalque permanente na empresa. Voc sabe o que um desfalque permanente? aquele que eu me aproprio do bem e dou baixa na contabilidade. Por exemplo, eu posso ser o tesoureiro e roubo, depois, vou na contabilidade e fao um nico lanamento: de dbito a despesas diversas e crdito a caixa.

    Sabe quando o auditor vai conseguir descobrir esta fraude? Nunca! Isto porque o auditor confronta real com contbil. Por exemplo, o auditor vai olhar o balano patrimonial, na conta caixa estar constando R$ 100,00, ento ele conta o dinheiro e tambm tem R$ 100,00, assim, est batendo a contabilidade com real. O auditor no vai pegar a fraude que foi cometida e porque foi ajustada na contabilidade. Esse o perigo! Voc me diria: o auditor pega sim,

    porque ele vai ver que em despesas diversas no tem o comprovante dessas despesas. Faz sentido, mas ele pegaria se o valor fosse alto, se fosse significativo, uma vez que o auditor no trabalha com 100% dos

    Porque existe controle interno?

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    fatos, ou seja, trabalha com amostragem, conforme estudaremos mais adiante.

    Esses testes revelaro a fragilidade do controle interno da empresa (em diferentes setores).

    Veja a definio de controle interno cobrada pelo CESPE:

    Questo 2: (CESPE/UNB - Auditor Fiscal da Previdncia Social 2003) Julgue:

    Em uma organizao, o controle interno representa o conjunto de procedimentos, mtodos ou rotinas com o objetivo de proteger os ativos, produzir dados contbeis e ajudar a administrao na conduo ordenada dos negcios da empresa. Resposta: Certo.

    Como exemplos de normas de controle interno podemos citar: Cotar com 3 fornecedores antes de efetivar qualquer compra (para garantir que ser comprado com o menor preo);Permitir acesso ao almoxarifado somente a quem l trabalha; somente realizar pagamentos autorizados por, no mnimo, duas pessoas, etc.

    Porque o auditor tem que observar se o controle interno existe?

    Para instigar seu raciocnio, vou responder com outras perguntas: O auditor testa tudo? Imagina auditar as Casas Bahia ou as Casas Sendas... daria para testar tudo? No d. Ele trabalha com amostragem. Ento, o auditor ir se preocupar em testar as reas mais sensveis, em testar as reas onde o controle interno for ruim. Porque quando a rea trabalha bem, as pessoas so competentes, e eu verifico que existe uma

    O Controle interno que garante a proteo, a salvaguarda dos ativos e garante, tambm, a eficcia operacional da empresa.

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    normatizao para o setor e que essa normatizao realmente seguida, efetiva e eficaz, a probabilidade de eu encontrar algum problema naquela rea pequena.

    Vejamos:

    GRFICO DE CONTROLE INTERNO (Variando de 1 a 8)

    1 8

    Neste modelo, o volume de testes substantivos a serem aplicados em decorrncia dos testes de observncia decorrero do grau dado em comparao com o grau 10 (referncia).

    Este grfico significa que:

    Se o controle interno ruim -> Grau 1 Se o controle interno bom -> Grau 8 Ex: controle interno grau 8 -> 20% de testes substantivos

    controle interno grau 6 -> 40% de testes substantivos

    ruim bom

    8 10 =2 20% de testes substantivos

    Obs: A avaliao do grau de eficincia do controle interno subjetivo, dependendo do feeling do auditor. H, contudo, no mercado, uma espcie de senso comum.

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    PRINCIPAL RACIOCNIO DA AUDITORIA Se o Controle Interno for bom, a probabilidade de se haver erros ou fraudes menor. Sendo assim, o auditor aplicar menos testes substantivos. E vice-versa.

    Assim, estabelece-se uma relao entre os testes de observncia e os substantivos.

    Qual deve ser aplicado primeiro? De observncia. Porque, a partir daqui voc vai determinar a quantidade de testes substantivos a serem aplicados.

    Ento, recapitulando... Se cair na sua prova: Qual a finalidade dos testes de observncia? O que voc responde?

    Verificar se o controle interno existe na prtica, se est em funcionamento.

    3.2. Testes Substantivos

    Os testes substantivos so os exames de fato que o auditor faz. Quando o auditor comea a colocar a mo na massa, ou seja, solicitar ao cliente para analisar os contratos, os comprovantes de despesas e receitas, os clculos dos impostos, notas fiscais, folha de pagamento, etc... so os testes substantivos que esto sendo aplicados.

    Os testes substantivos buscam evidncias quanto exatido dos dados obtidos pelo sistema contbil da entidade e se divide em:

    Transaes e saldos Reviso analtica

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    a) Testes de transaes e saldos Transaes Verificar se as TRANSAES de fato aconteceram, pois a empresa pode executar uma transao artificial. Ex: Controladora vendendo para a Controlada, pode ser uma operao fictcia, precisa ser verificada.

    Saldos Verificar se os saldos apresentados na contabilidade esto corretos. Ex: Certificar que o saldo bancrio apresentado na contabilidade realmente o saldo constante no extrato bancrio.

    b) Procedimento de Reviso Analtica Anlise gerencial, onde geralmente quem a executa um auditor com mais experincia pelo fato de a reviso analtica consistir na tentativa de explicar atipicidade, olhando para as demonstraes contbeis, a fim de analisar o que est certo ou errado.

    Na prtica, consiste em analisar os dados e identificar desvios, com vistas a direcionar a aplicao de procedimentos. Por exemplo: se as despesas diversas representarem 30% do faturamento, esta conta pode ser separada para anlise. Se a margem operacional estiver muito aqum do padro, este fato poder ser destacado pelo auditor.

    Aprofundando: um dos indcios de caixa 2 o estouro de caixa (quando a conta caixa est com saldo credor, situao contabilmente impossvel). O dinheiro entra na empresa, mas no registrado. Em determinado momento, a despesa lanada (aps a constatao da existncia fsica), mas no h saldo na conta caixa para quitar a despesa. Aps o registro, o saldo fica credor... Outro indcio a reclassificao de contas a receber de longo prazo para contas a receber de curto prazo, a fim de evidenciar uma liquidez melhor que a real (situao necessria para obteno de financiamentos, participao em licitaes, etc).

    REVISO ANALTICA So ndices, comparaes, interpretaes, estabelecidos para evidenciar a situao da entidade. Deve-se comprar um ano com outros anos. Tambm conhecida como Anlise de balano.

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    Em boa parte dos casos, o auditor possui experincia e, ao ver a situao da empresa, saber se existe algo de errado ou no.

    Veja como esse assunto pode ser abordado em sua prova:

    Questo 3: (CESPE/UNB - Fiscal de Tributos Municipais de Macei 2003) Quanto auditoria, julgue os itens a seguir. Os testes substantivos visam obteno de razovel segurana de que os procedimentos de controle interno estabelecidos pela administrao esto em efeito funcionamento e cumprimento. Resposta: Errado. Os testes de observncia objetivam verificar a adequao, efetividade e continuidade dos controles internos.

    Finalidade dos testes substantivos:

    a) EXISTNCIA verificar se um componente patrimonial existe efetivamente numa determinada data, por meio de contagem ou anlise de documentos. Ex.: O auditor confere tudo o que considerar relevante.

    b) OCORRNCIA verificar se as transaes de fato ocorreram. c) ABRANGNCIA saber se todas as transaes foram

    registradas de fato.

    d) DIREITOS E OBRIGAES saber se realmente esses direitos e obrigaes ocorreram, ou seja, se eles de fato existem (contas a receber e contas a pagar).

    e) MENSURAO, APRESENTAO E DIVUILGAO DA INFORMAO CONTBIL saber se as informaes contbeis foram mensuradas, apresentadas e divulgadas adequadamente. (ex: informar nas notas explicativas o critrio de avaliao de estoque, se foi feita reavaliao, % de aes preferenciais e nominais, etc).

    Outra preocupao do auditor quando est avaliando as contas do ativo, verificar se os ativos esto superavaliados:

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    Ex: se a empresa diz que tem $10.000 no estoque, o auditor ir verificar se tem, pelo menos, $10.000.

    No passivo o contrrio. saber se o passivo est subavaliado:

    Ex: se a empresa diz que deve $10.000, o auditor deve verificar se s deve $10.000.

    Assim, vemos que para atingir as finalidades dos testes substantivos, o auditor deve aplicar os testes de Transaes e Saldo e os Procedimentos de Reviso Analtica.

    Lembre-se que o primeiro teste a ser feito quando do incio de uma auditoria, o Teste de Observncia, pois a primeira preocupao definir qual o foco dos levantamentos.

    A partir do momento que o auditor aplica os testes, ele finalmente ter condio de emitir seu parecer de auditoria.

    4. Procedimentos de Auditoria

    De acordo com Ricardo Ferreira, os procedimentos de auditoria so o conjunto de procedimentos tcnicos com base nos quais o auditor obtm evidncias ou provas que sejam suficientes e adequadas para

    Ativos

    Passivos

    Superavaliados

    Subavaliados

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    fundamentar o seu parecer sobre as demonstraes contbeis auditadas. Os procedimentos de auditoria so adotados: antes do encerramento do exerccio; na data de seu trmino; aps o encerramento do exerccio e antes da elaborao das demonstraes; depois da elaborao das demonstraes.2

    Os procedimentos bsicos na aplicao dos testes de observncia e substantivos so : 1) INSPEO = EXAME Este exame poder ser feito em documentos ou em ativos. o procedimento mais utilizado em auditorias. Este procedimento tanto lida com valores altos como com valores baixos, pois ambos, sob o ponto de vista da qualidade de informao, so importantes.

    A conta no banco uma das coisas mais importantes a serem testadas na auditoria, pelo fato das informaes serem muito inter-relacionadas.

    Exemplos de procedimentos de auditoria de exame fsico:

    a) contagem de estoque;

    b) contagem de ativo imobilizado;

    c) contagem de duplicatas a receber e a pagar;

    d) contagem de caixa;

    2) OBSERVAO So os testes de observncia, ou seja, observar se o controle interno est em funcionamento.

    3) CLCULO a conferncia da exatido numrica. Ex.: Clculo no estoque, nas contas a receber, na depreciao, etc.

    4) REVISO ANALTICA verificao do comportamento de valores significativos, mediante ndices, quocientes, quantidades absolutas ou

    2 FERREIRA, Ricardo J. Auditoria Rio de Janeiro - Editora Ferreira 3 Edio.

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    outros meios, com vistas identificao de situao ou tendncias atpicas.

    Nesse sentido, quando o valor envolvido for expressivo em relao posio patrimonial e financeira e ao resultado das operaes, o auditor deve:

    a) confirmar os valores das contas a receber e a pagar, atravs de comunicao direta com os terceiros envolvidos; e

    b) acompanhar o inventrio fsico realizado pela entidade, executando os testes de contagem fsica e procedimentos complementares aplicveis.

    5) INVESTIGAO E CONFIRMAO Embora sejam conceitos diferentes, a resoluo do Conselho Federal colocou os dois juntos. A investigao consiste em aplicar procedimentos adicionais para tentar validar uma informao. J a confirmao consiste em obter informaes junto a terceiros.

    Para a confirmao, utiliza-se da tcnica de circularizao, que consiste em solicitar que a empresa pea a seus agentes consignatrios (clientes ou fornecedores) que informem diretamente ao auditor sobre os saldos e operaes.

    CIRCULARIZAO:

    Consiste em obter informaes junto a terceiros, como mecanismo de validao. Assim, o auditor seleciona as pessoas que sero circularizadas (que recebero as correspondncias para confirmao dos saldos em aberto em uma determinada data) e solicita a

    importante destacar que se o auditor, durante a reviso analtica, no obtiver informaes objetivas suficientes para dirimir as questes suscitadas, deve efetuar verificaes adicionais, aplicando novos procedimentos de auditoria, at alcanar concluses

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    entidade auditada que as remeta. A partir da, aguarda as respostas e as analisa, confrontando-as com as evidncias obtidas dentro da prpria empresa. A figura a seguir evidencia a tcnica citada.

    Sendo assim, pode-se afirmar que CIRCULARIZAO no procedimento de auditoria e sim, uma tcnica dentro de investigao e confirmao.

    Tipos de Circularizao:

    a) CIRCULAO BRANCA a carta onde o saldo (valor em aberto) no informado. (Ex.: Caro cliente, confirme junto ao nosso auditor o valor devido at o dia ...)

    b) CIRCULAO PRETA a carta onde o saldo informado. ( Ex.: Caro cliente, gostaramos de conferir um dbito existente no valor de R$1.000,00....)

    c) CIRCULAO POSITIVA aquela onde todos respondem, ou seja, o auditor quer uma resposta de todas as pessoas que foram circularizadas. Contm frases do tipo: Queira confirmar o saldo da conta....;

    d) CIRCULAO NEGATIVA Neste caso, os circularizados somente iro responder caso haja alguma divergncia, ou seja, na circulao negativa, o auditor no espera uma resposta de

    Auditor Auditada

    Terceiro

    Branca Preta Positiva Negativa

    No informa o saldo

    Informa o saldo

    Aguarda resposta

    Aguarda resposta apenas em divergncias

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    todos. Caso o cliente no responda, o auditor subentende que tudo est correto. Contm frases do tipo: Responda se o saldo da conta ______, for diferente de ______.

    Dica: A conta caixa, apesar de normalmente ter um valor pequeno, extremamente importante, principalmente para aferir a qualidade dos lanamentos, pois tudo passa pelas contas Caixa e Banco.

    Dica 2: H situaes em que o mais adequado a circulao negativa, como no exemplo de uma empresa com muitos clientes.

    5. Parecer do Auditor

    Aps a aplicao dos procedimentos, o auditor ter condies de exprimir sua opinio acerca da qualidade e adequao das demonstraes em um relatrio de auditoria denominado parecer de auditoria. um relatrio sinttico, normalmente de trs pargrafos.

    Em condies normais, o parecer dirigido aos acionistas, cotistas ou scios, ao conselho de administrao ou diretoria da entidade, ou outro rgo equivalente, segundo a natureza deste. Em circunstncias prprias, o parecer dirigido ao contratante dos servios. Deve, ainda, identificar as demonstraes contbeis sobre as quais o auditor est expressando sua opinio, indicando, outrossim, o nome da entidade, as datas e os perodos a que correspondem, bem como ser datado e assinado pelo contador responsvel pelos trabalhos, e conter seu nmero de registro no Conselho Regional de Contabilidade. Caso o trabalho tenha sido realizado por empresa de auditoria, o nome e o nmero de registro cadastral no Conselho Regional de Contabilidade tambm devem constar do parecer. Vale ressaltar que a data do parecer deve

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    corresponder ao dia do encerramento dos trabalhos de auditoria na entidade.

    O parecer deve ter 3 pargrafos:

    1. Introdutrio; 2. De Escopo/modus operandi; 3. De opinio.

    1 Pargrafo: Introduo

    Deve constar que o parecer est de acordo com as prticas contbeis em vigor no Brasil, identificando, ainda, as demonstraes, os exerccios, etc.

    2 Pargrago: Modus Operandi (escopo)

    Neste pargrafo deve constar que o trabalho do auditor foi orientado por tcnicas de amostragem estatstica, compreendendo a aplicao de testes de observncia e testes substantivos com o objetivo de identificar as reas mais expressivas.

    As ressalvas, quando necessrias, so feitas da seguinte forma: faz-se uso das expresses exceto por, exceto quando, com exceo de para demonstrar as improbidades.

    Exemplo:

    Exceto quanto contribuio previdenciria que no foi recolhida...

    Exceto quanto ao clculo de provises....

    Cada ressalva deve constar em um pargrafo separado. Ou seja, se tiverem ressalvas, coloca-se um pargrafo para cada ressalva.

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    3 Pargrafo: Opinio / Concluso

    OPINIO ( nela que iremos identificar o tipo de parecer)

    Exs.:

    Entende-se que as demonstraes contbeis esto corretas em todos os aspectos relevantes (parecer sem ressalva)

    Entende-se que as demonstraes contbeis esto corretas, exceto quanto ao apresentado no inciso anterior (parecer com ressalva).

    4 Pargrafo: nfase (se aplicvel)

    Por fim, o parecer pode conter um pargrafo de nfase. Ser emitido quando:

    - Tiver uma INCERTEZA: O auditor no conseguiu ter certeza sobre alguma que no seja culpa da empresa. Ocorre em funo da dificuldade do auditor de formar um juzo de valor.

    - RISCO DE CONTINUIDADE: possibilidade da empresa quebrar. Por exemplo: Imagine a seguinte situao: Uma empresa familiar dirigida h vrias dcadas pelo prprio dono. Ele falece. Assim, existe grande possibilidade desta empresa sofrer risco de continuidade, e isto deve ser informado no pargrafo de nfase.

    Em funo das impropriedades detectadas e sua materialidade, esse documento admite quatro modalidades face Legislao vigente: sem ressalvas, com ressalvas, adverso e com absteno de opinio.

    A nfase no decorre de impropriedades. apenas

    para chamar ateno.

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    PPPaaarrreeeccceeerrr ssseeemmm rrreeessssssaaalllvvvaaa

    A modalidade sem ressalvas utilizada quando o auditor no detecta impropriedades significativas que meream ser destacadas no relatrio, lembrando que o conceito de relevncia ou materialidade julgamento pessoal do auditor. Assim, no comum o CFC definir a partir de qual patamar (em termos percentuais) determinado fato deve ser destacado. O que se considera o impacto nas demonstraes e a possibilidade de distorcer a anlise do usurio da informao contbil.

    preciso destacar, ainda, que a relevncia normalmente calculada tomando como base um percentual do lucro aps os impostos (o mais comum, e, portanto, recomendvel), do faturamento, do Patrimnio Lquido PL ou do ativo, lembrando que o percentual definido pelo auditor.

    O parecer sem ressalvas cabe, ainda, quando as inconsistncias apontadas so corretamente ajustadas pela entidade auditada. Ou seja, levantadas as divergncias (diferena no valor contbil e real do saldo da conta clientes, por exemplo), so elas apontadas e so efetuadas sugestes pelo auditor de ajustes que devem ser feitos para que as demonstraes contbeis reflitam adequadamente a real situao econmico-financeira da empresa. Caber a empresa, ento, acatar as sugestes do auditor ou no.

    Em acatando, as demonstraes estaro corretas e o parecer no apontar ressalvas.

    preciso destacar que a auditoria contbil no um jogo de gato e rato: conforme mencionado, a finalidade da auditoria independente de demonstraes atestar que as informaes constantes nas demonstraes esto corretas. Se antes no estavam e, aps as recomendaes e ajustes, tornaram-se corretas, no h que se falar. Ratificando, no anti-tico dar a oportunidade da auditada efetuar as correes no BP e DRE, por exemplo.

    Assim, o parecer sem ressalva:

    Merecero destaques no parecer quaisquer fatos que, pela sua omisso ou incluso, podero vir a causar prejuzos se inclusos ou omitidos.

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    1. Indica que as demonstraes contbeis foram elaboradas consoante as disposies das NBC e Princpios Fundamentais da Contabilidade em todos os aspectos relevantes;

    2. Indica que h apropriada divulgao de todos os assuntos relevantes s Demonstraes Contbeis.;

    3. Implica afirmao de que, em tendo havido alteraes na observncia das NBC e PFC, elas tiveram seus efeitos avaliados e aceitos e esto devidamente revelados nas Demonstraes Contbeis. Nesses casos, NO REQUERIDO NENHUMA REFERNCIA NO PARECER.

    Circunstncias que impedem a emisso do parecer sem ressalva So as que tenham efeitos relevantes para as demonstraes contbeis, tais como:

    a) discordncia com a administrao contedo e forma das Demonstraes Contbeis (discorda das prticas contbeis utilizadas e da forma de aplicao das prticas contbeis) conduzir opinio com ressalva ou opinio adversa; ou

    b) limitao na extenso do seu trabalho deve conduzir opinio com ressalva ou absteno de opinio.

    PPPaaarrreeeccceeerrr cccooommm rrreeessssssaaalllvvvaaa:

    A modalidade com ressalva(s) cabvel quando so detectadas ofensas aos princpios fundamentais de contabilidade PFC, s prticas contbeis em vigor no Brasil ou Legislao vigente. Nesse caso, desde que no ajustadas, o auditor far meno a elas em seu parecer. Dessa forma, cada inconsistncia ser relatada em um pargrafo do parecer, individualmente.

    No que pertine divulgao, preciso destacar que h circunstncias especiais em que a ampla divulgao de determinadas informaes sigilosas pode ser danosa ou prejudicial empresa ou a seus acionistas. Nesses casos, tal divulgao no requerida. Todavia, isso no significa que fatos relevantes deixem de ser divulgados sob esse pretexto. Assim, cuidadosa analise dever ser feita pela administrao, juntamente com o auditor, para determinar a melhor soluo para o caso, objetivando que as demonstraes e notas

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    explicativas no omitam fatos relevantes, ao mesmo tempo, no prejudiquem a empresa e seus acionistas com tal divulgao.

    Assim, o parecer com ressalva:

    1. efeito de qualquer discordncia ou restrio na extenso de um trabalho. No de tal magnitude que requeira parecer adverso ou absteno de opinio;

    2. Utiliza expresses exceto por, exceto quanto ou com exceo de referindo-se aos efeitos do assunto objeto da ressalva;

    Quando o auditor emitir parecer com ressalva, adverso ou com absteno de opinio, deve ser includa descrio clara de todas as razes que fundamentaram o seu parecer. Ou seja, devem ser apresentadas em pargrafo especfico do parecer, precedendo ao da opinio. Se for o caso, fazer referncia a uma divulgao mais ampla em Nota Explicativa.

    PPPaaarrreeeccceeerrr aaadddvvveeerrrsssooo

    Quando o auditor entende que as demonstraes contbeis esto erradas.

    O parecer adverso justificvel quando as impropriedades so de tal gravidade que comprometam as demonstraes contbeis em seu conjunto, de forma que as informaes l constantes no reflitam a real situao da empresa. Nessa situao, o

    auditor destacar em seu parecer que as demonstraes no foram elaboradas com a fiel observncia das normas contbeis em vigor.

    Deve-se lembrar que a divulgao em nota explicativa de uma prtica contbil indevida ou de um erro na sua aplicao no elimina a necessidade de ressalva no parecer.

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    A diferena entre essa modalidade e a com ressalvas a magnitude, cabendo mais uma vez ao auditor (julgamento pessoal) optar por um ou por outro de acordo com sua convico. Neste caso:

    1. O auditor deve descrever em um ou mais pargrafos intermedirios IMEDIATAMENTE ANTERIORES AO PARGRAFO DE OPINIO os motivos ou a natureza de sua opinio adversa.

    2. As demonstraes contbeis esto incorretas ou incompletas, em tal magnitude que impossibilite a emisso do parecer com ressalva.

    Sobre os pareceres adverso e com ressalva, responda questo abaixo: Questo 4: (CESPE/UNB - Perito Criminal da Polcia Federal 2004) Relativamente auditoria independente, de acordo com as normas brasileiras de contabilidade, julgue os itens que se seguem. Quando as demonstraes financeiras no tiveram sido elaboradas de acordo com os princpios fundamentais de Contabilidade, o auditor deve emitir parecer adverso e, caso o efeito seja e de valor muito relevante, ele deve apresentar um parecer com ressalvas. Resposta: Errado. Se houve ofensa aos Princpios Fundamentais da Contabilidade e no comprometerem as Demonstraes Contbeis, dever ser emitido parecer com ressalvas. Se os erros encontrados forem de magnitude tal que comprometam as Demonstraes Contbeis, um parecer adverso dever ser considerado.

    Qual a magnitude de um erro para o parecer ser com ressalvas ou adverso?

    Nenhuma norma diz exatamente quanto deve ser, isso julgamento pessoal do auditor.

    Se o erro for relevante, ou material, o auditor obrigado a ressalvar, desde que esse erro no seja corrigido.

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    PPPaaarrreeeccceeerrr cccooommm aaabbbsssttteeennnooo dddeee ooopppiiinnniiiooo

    aaa))) pppooorrr llliiimmmiiitttaaaooo nnnaaa eeexxxttteeennnsssooo:

    O relatrio com absteno de opinio o mais curioso. Nele, o auditor no emite uma opinio acerca da regularidade das demonstraes. contratado para isso, mas no o faz em virtude de limitao no escopo de seus trabalhos ou em funo de incertezas mltiplas.

    O primeiro caso ocorre quando o auditor tenta trabalhar mas sofre uma espcie de boicote por parte da prpria auditada: pede cpia de contratos ou documentos fiscais mas no os recebe; tenta acompanhar a contagem dos estoques mas no autorizado; solicita o envio de cartas de circularizao, mas isso no ocorre... ou seja, est tentando trabalhar mas no consegue. Em situaes como essa, o auditor no deve informar que o saldo est correto (e nem que no est, pois ele no conferiu). Assim, abster-se- de opinar.

    O segundo caso ocorre quando a validao das informaes revela-se inexeqvel ou extremamente arriscada. Imaginemos uma empresa que trabalhe com mercadorias em consignao (montante expressivo) em outro Estado. Aps circularizar, no houve resposta, o que levou o auditor a viajar at o local onde supostamente deveriam estar as mercadorias, onde nada encontrou. Ou, ento, aps constatar o valor de uma proviso para perdas judiciais de valor elevado no conseguiu certificar-se da razoabilidade dos fatores considerados em sua confeco. Em situaes como essas, o auditor no tem como opinar.

    Vale mencionar que quando o auditor puder satisfazer-se quanto a tais itens pela aplicao de procedimentos alternativos, passa a no existir uma limitao significativa na extenso de seu trabalho e no necessrio meno, em seu parecer, sobre a omisso de tais procedimentos e ao uso dos procedimentos alternativos.

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    preciso destacar, ainda, que uma limitao na extenso do trabalho do auditor pode ser imposta pelas circunstncias, como, por exemplo, quando a poca da indicao do auditor tal que o impossibilite de observar a contagem fsica dos estoques. Ela pode tambm ocorrer quando, na opinio do auditor, os registros contbeis do cliente so inadequados, ou ao concluir que no pode executar procedimento de auditoria que julgue necessrio. Nessas circunstncias, o auditor deve tentar executar procedimentos, afim de obter evidncias de auditoria suficientes para emitir seu parecer. Se os procedimentos alternativos no lhe permitem evidncia suficiente, caber a ele manifestar tal limitao em seu parecer.

    Este tipo de parecer muito raro porque ele compromete toda as demonstraes.

    bbb))) pppooorrr iiinnnccceeerrrttteeezzzaaasss:::

    1. O auditor deve expressar em pargrafo de opinio, que, devido relevncia das incertezas descritas em pargrafos intermedirios especficos, no est em condies de emitir opinio sobre as Demonstraes Contbeis.

    2. No elimina a responsabilidade do auditor de mencionar, no parecer, qualquer desvios relevantes que normalmente seriam includos como ressalvas.

    O auditor deve adicionar um pargrafo de nfase em seu parecer, aps o pargrafo de opinio, fazendo referncia Nota Explicativa de forma mais extensa quando:

    a) Ocorrer incerteza em relao a fato relevante; b) Poder afetar significativamente a posio patrimonial e financeira

    da entidade;

    c) Poder afetar o resultado das suas operaes.

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    OOObbbssseeerrrvvvaaaeeesss iiimmmpppooorrrtttaaannnttteeesss:::

    III))) PPPaaarrreeeccceeerrr qqquuuaaannndddooo dddeeemmmooonnnssstttrrraaaeeesss cccooonnntttbbbeeeiiisss dddeee cccooonnntttrrrooolllaaadddaaasss eee///ooouuu cccooollliiigggaaadddaaasss sssooo aaauuudddiiitttaaadddaaasss pppooorrr ooouuutttrrrooosss aaauuudddiiitttooorrreeesss:::

    1. O auditor da controladora e/ou investidora deve destacar esse fato no seu parecer;

    2. Nessas circunstncias, o auditor da controladora e/ou investidora deve expressar sua opinio sobre as demonstraes contbeis como um todo, baseando-se exclusivamente no parecer de outro auditor com respeito s demonstraes contbeis de controladas e/ou coligadas. Esse fato deve ser destacado no parecer, indicando os valores envolvidos.

    IIIIII))) PPPaaarrreeeccceeerrr sssooobbbrrreee dddeeemmmooonnnssstttrrraaaeeesss cccooonnntttbbbeeeiiisss cccooonnndddeeennnsssaaadddaaasss:::

    1. O auditor poder expressar opinio sobre demonstraes contbeis apresentadas de forma condensada, desde que tenha emitido opinio sobre as demonstraes contbeis originais.

    2. Toda informao importante, relacionada com ressalva, parecer adverso, parecer com absteno de opinio e/ou nfase, constante do parecer do auditor sobre as demonstraes contbeis originais, deve estar includa no parecer sobre as demonstraes contbeis condensadas.

    IIIIIIIII))) DDDeeemmmooonnnssstttrrraaaeeesss cccooonnntttbbbeeeiiisss nnnooo aaauuudddiiitttaaadddaaasss:

    Devem ser claramente identificadas como no-auditadas, em cada folha do conjunto.

    IMPORTANTE!

    Na hiptese do emprego de pargrafo de nfase, o parecer permanece na condio de parecer sem ressalva.

    Se a matria envolvendo incerteza relevante no est adequadamente divulgada nas demonstraes contbeis, de acordo com as NBC. e PFC., o seu parecer deve conter ressalva ou opinio adversa, pela omisso ou inadequao da divulgao.

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    Em havendo emisso de relatrio, este deve conter a indicao de que o auditor no est expressando opinio sobre as referidas demonstraes contbeis.

    6. Amostragem

    A auditoria pode utilizar tcnicas de amostragem estatstica e no-estatstica.

    9 Amostragem estatstica: probabilstica, isto , todos os itens tm a mesma chance de serem selecionados.

    9 Amostragem no-estatstica: tendenciosa, no-aleatria, direcionada.

    De acordo com o CFC, amostragem estatstica aquela em que a amostra selecionada cientificamente com a finalidade de que os resultados obtidos possam ser estendidos ao conjunto de acordo com a teoria da probabilidade ou as regras estatsticas.

    O emprego de amostragem estatstica recomendvel quando os itens da populao apresentam caractersticas homogneas.

    Amostragem no-estatstica (por julgamento) aquela em que a amostra determinada pelo auditor utilizando sua experincia, critrio e conhecimento da entidade.

    Da mesma forma, a aplicao de procedimentos de auditoria a todos os itens dentro de uma populao que tenham uma caracterstica particular (por exemplo, todos os itens acima de um certo valor) no se qualifica

    Dica: importante reconhecer que certos procedimentos de auditoria aplicados na base de testes no esto dentro da definio de amostragem. Os testes aplicados na totalidade da populao no se qualificam como amostragem de auditoria.

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    como amostragem de auditoria com respeito parcela da populao examinada, nem com respeito populao como um todo. Isto porque os itens no foram selecionados, dando chance igual de seleo a todos os itens da populao. Esses itens podem indicar uma tendncia ou uma caracterstica da parcela restante da populao, mas no constituem, necessariamente, uma base adequada para a concluso sobre a parcela restante da populao.

    Analise a questo abaixo:

    Questo 5: (CESPE/UNB - Fiscal de Tributos Municipais de Macei 2003) Quanto auditoria, julgue os itens a seguir. Na determinao da amostra, o auditor deve considerar apenas os seguintes fatores: populao objeto da amostra, erro tolervel e erro esperado. Resposta: Errado. A opo est incompleta. Devem ser considerados, ainda, o tamanho da amostra, o risco de amostragem e a estratificao.

    Vejamos:

    Na determinao da amostra, uma das maiores preocupaes do auditor que ela seja representativa, ou seja, tenha as mesmas caractersticas da populao. Isso essencial para que as concluses alcanadas para a amostra possam ser extrapoladas para toda a populao.

    Para que a amostra seja representativa, alguns fatores devero ser levados em considerao, dentre os quais possvel destacar sete:

    9 Os objetivos gerais e especficos: o CFC destaca que no planejamento da amostra de auditoria, o auditor deve considerar os procedimentos de auditoria que tm maior probabilidade de

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    atingir esses objetivos. Por exemplo, no caso de executar testes de observncia sobre os procedimentos de compra em uma entidade, o auditor est interessado em aspectos como, por exemplo, se houve aprovao apropriada e verificao aritmtica de uma fatura. Por outro lado, ao executar procedimentos de comprovao sobre faturas processadas durante o perodo, o auditor est interessado em aspectos relacionados com os valores monetrios dessas faturas e se esses valores foram, apropriadamente, refletidos nas Demonstraes Contbeis.

    9 Populao: a totalidade das observaes, dos eventos, dos fatos. Na anlise da conta clientes, seria todo o universo de contas a receber.

    9 O tamanho da amostra, geralmente relacionado diretamente ao tamanho da populao. Quanto maior a populao, maior ser o tamanho da amostra. diretamente relacionado, mas no proporcional.

    9 A estratificao da amostra: em determinadas situaes, agrupar as observaes grupos homogneos (amostragem estratificada) ou heterogneos (por conglomerado) facilita a anlise. Como exemplo, podemos citar a diviso da conta clientes para fins de circularizao em classes, tais como clientes das regies sul, sudeste e centro-oeste ou por perfil (grandes, mdios e pequenos). Este processo reduz a possibilidade de variao dos itens de cada estrato. Portanto, a estratificao permite que o auditor dirija esforos de auditoria para os itens que contenham maior potencial de erro, por exemplo, os itens de maior valor que compem o saldo de contas a receber, para detectar distores relevantes por avaliao a maior. Alm disso, a estratificao pode resultar em amostra com tamanho menor.

    Conforme mencionado, se o objetivo da auditoria for testar a validade de contas a receber, e dependendo da distribuio dos valores a receber por saldo de devedores, a populao pode ser estratificada, por exemplo, em quatro subconjuntos como segue:

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    a) saldos superiores a R$ 2.000,00;

    b) saldos entre R$ 1.000,00 e R$ 2.000,00;

    c) saldos entre R$ 100,00 e R$ 1.000,00; e

    d) saldos inferiores a R$ 100,00.

    Assim, por exemplo, dependendo da distribuio dos valores a receber, mediante a validao da totalidade dos saldos do subconjunto (a) 50% de (b); 20% de (c); e 5% de (d), pode-se, hipoteticamente, encontrar que 80% dos valores de contas a receber so susceptveis de validao, examinando 20% da populao.

    9 O risco de amostragem: a possibilidade da amostra no ser representativa, levando o auditor a concluses errneas, que podero vir a comprometer sua opinio.

    Normalmente esse risco agrupado em duas tipologias, vinculadas aos testes de observncia e substantivos, respectivamente:

    o risco de super ou subavaliao da confiabilidade; e o de aceitao e rejeio incorretas.

    O primeiro conjunto decorre da m avaliao do sistema de controle interno - CI. Ao acreditar que o CI melhor do que realmente (exemplificando, foi maquiado para a visita do auditor) superavaliao da confiabilidade ou superaderncia, o auditor efetuar menos testes substantivos, aumentando o risco de no detectar algo e conseqentemente o risco do parecer ser inconsistente.

    Supondo que o CI pior do que realmente risco de subavaliao da confiabilidade, efetuar mais testes do que o necessrio, porque no

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    confiou no que viu, erroneamente. Em funo disso, far um volume de testes maior que o necessrio, incorrendo em maior consumo de recursos materiais e humanos, e, portanto, mais custos.

    A aceitao incorreta decorre da aplicao de procedimentos que levam o auditor a acreditar que uma informao correta quando, de fato, no . Como exemplo, podemos citar respostas s cartas de circularizao fraudadas ou notas fiscais cauadas, no tendo sido identificadas pelo auditor. Ao acreditar nelas, o auditor poder comprometer seu parecer. O contraponto (rejeio incorreta) ocorre quando o auditor recusa o resultado de uma amostra por entender no-razovel, quando de fato o resultado estava correto.

    Como exemplo, podemos imaginar que o auditor tenha, em uma escala de 1 a 9 na avaliao do controle interno, dado grau 3. Dessa forma, maximizou os testes substantivos esperando detectar diversas inconsistncias. Contudo, o nmero de erros encontrado foi irrelevante. Ao rejeitar o resultado, tornou a efetuar os testes em nova amostra, tornando a encontrar o mesmo resultado anterior. Ou seja, recusou indevidamente as concluses tendo incorrido em novos testes desnecessariamente.

    9 Erro tolervel: o mximo que o auditor aceita em funo da qualidade do controle interno. O CFC destaca que erro tolervel o erro mximo na populao que o auditor est disposto a aceitar e, ainda assim, concluir que o resultado da amostra atingiu o objetivo da auditoria. O erro tolervel considerado durante o estgio de planejamento e, para os testes substantivos, est relacionado com o julgamento do auditor sobre relevncia. Quanto menor o erro tolervel, maior deve ser o tamanho da amostra. Nos testes de observncia, o erro tolervel a taxa mxima de desvio de um procedimento de controle estabelecido que o auditor est disposto a aceitar, baseado na avaliao preliminar de risco de controle. Nos testes substantivos, o erro tolervel o erro monetrio mximo no saldo de uma conta ou uma classe de transaes que o auditor est disposto a aceitar, de forma que,

    Vale ressaltar que, ao compararmos as tipologias apresentadas, as de maior gravidade, em termos de comprometimento dos trabalhos so a superavaliao da confiabilidade e a aceitao incorreta, enquanto que as demais representaro minimizao da margem de lucro, em funo de maiores gastos.

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    quando os resultados de todos os procedimentos de auditoria forem considerados, o auditor possa concluir, com segurana razovel, que as Demonstraes Contbeis no contm distores relevantes.

    9 Erro esperado: o erro da amostra, em funo da sua prpria natureza. O conselho alerta que, se o auditor espera que a populao contenha erro, necessrio examinar uma amostra maior do que quando no se espera erro, para concluir que o erro real da populao no excede o erro tolervel planejado. Tamanhos menores de amostra justificam-se quando se espera que a populao esteja isenta de erros. Ao determinar o erro esperado em uma populao, o auditor deve considerar aspectos como, por exemplo, os nveis de erros identificados em auditorias anteriores, mudana nos procedimentos da entidade e evidncia obtida na aplicao de outros procedimentos de auditoria.

    Com a finalidade de evidenciar os seus trabalhos, a seleo de amostra deve ser documentada pelo auditor e considerar:

    a) o grau de confiana depositada sobre o sistema de controles internos das contas, classes de transaes ou itens especficos;

    b) a base de seleo;

    c) a fonte de seleo; e

    d) o nmero de itens selecionados.

    Quanto aos critrios de seleo da amostra, os mais comuns so:

    Aleatria: quando os itens so escolhidos ao acaso, ou seja, tm a mesma probabilidade de serem selecionados. Ex: Pesquisa Ibope.

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    Casual: quando as observaes so escolhidas de forma direcionada, no aleatria, mormente em funo da experincia e da sensibilidade do auditor.

    Sistemtica: quando as observaes so selecionadas obedecendo a intervalos constantes. Exemplificando, podemos citar uma amostra de duplicatas fiscais submetidas anlise com o final 2: 2, 12, 22, 32, 42, etc. Ou, ainda, os documentos emitidos na ltima semana de cada ms...

    Veja como esse assunto pode ser cobrado em sua prova:

    Questo 6: (Unb/CESPE MPE/TO Analista Ministerial 2006) No que se refere a auditoria, julgue os itens subseqentes.

    A amostragem sistemtica consiste em proceder a seleo de itens de maneira que sempre haja um intervalo prefixado, uniforme, entre cada item selecionado, a partir de um ou mais pontos de partida aleatrio, em uma lista de itens da populao. Resposta: Certo

    7. Carta de responsabilidade da administrao

    Muitas das informaes obtidas pelo auditor durante a aplicao dos procedimentos so verbais. Dessa forma, por ocasio do encerramento dos trabalhos (com a conseqente emisso do parecer), a administrao da auditada precisa ratificar ao auditor todas as informaes repassadas durante os trabalhos, destacando, inclusive, a responsabilidade pelas transaes efetuadas. A esse documento d-se

    o nome de carta de responsabilidade, que dever conter, dentre outros itens:

    - A meno de que a responsabilidade pelo controle interno da administrao;

    - A meno de que no h gravames sobre os ativos alm dos informados ao auditor (exemplo: O auditor confirma que o imvel realmente existe e propriedade da empresa, mas ele pode estar comprometido, dado em garantia em alguma transao, por exemplo);

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    - A possibilidade de ganho ou perda judiciais, bem como demais contingncias e estimativas;

    - Informaes repassadas verbalmente durante a aplicao dos procedimentos;

    - Outras informaes que o auditor julgar conveniente constarem.

    Formalidades importantes da carta de responsabilidade:

    1) A carta de responsabilidade ter a mesma data do parecer do

    auditor. 2) A carta de responsabilidade tem que ser endereada ao prprio

    auditor. 3) Deve constar que as demonstraes contbeis foram elaboradas

    conforme a NBC.

    4) Que todas as contingncias existentes foram reveladas ao auditor. 5) Que foram tomadas providncias quanto s impropriedades

    detectadas pelo auditor.

    8. Questes de Concursos Anteriores:

    Primeiramente vamos refazer as questes estudadas em aula:

    Questo 1: (CESPE/UNB - Auditor Fiscal da Previdncia Social 2003) Com fulcro nas normas de auditoria vigentes no Brasil, julgue o item a seguir: A seleo, a extenso e a aplicao dos procedimentos de auditoria devem ocorrer em conformidade com as normas de auditoria, no dependendo, portanto, do julgamento pessoal e profissional do auditor.

    Questo 2: (CESPE/UNB - Auditor Fiscal da Previdncia Social 2003) Julgue:

    Em uma organizao, o controle interno representa o conjunto de procedimentos, mtodos ou rotinas com o objetivo de proteger os ativos, produzir dados contbeis e ajudar a administrao na conduo ordenada dos negcios da empresa.

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    Questo 3: (CESPE/UNB - Fiscal de Tributos Municipais de Macei 2003) Quanto auditoria, julgue os itens a seguir. Os testes substantivos visam obteno de razovel segurana de que os procedimentos de controle interno estabelecidos pela administrao esto em efeito funcionamento e cumprimento. Questo 4: (CESPE/UNB - Perito Criminal da Polcia Federal 2004) Relativamente auditoria independente, de acordo com as normas brasileiras de contabilidade, julgue os itens que se seguem. Quando as demonstraes financeiras no tiveram sido elaboradas de acordo com os princpios fundamentais de Contabilidade, o auditor deve emitir parecer adverso e, caso o efeito seja e de valor muito relevante, ele deve apresentar um parecer com ressalvas. Questo 5: (CESPE/UNB - Fiscal de Tributos Municipais de Macei 2003) Quanto auditoria, julgue os itens a seguir. Na determinao da amostra, o auditor deve considerar apenas os seguintes fatores: populao objeto da amostra, erro tolervel e erro esperado.

    Questo 6: (Unb/CESPE MPE/TO Analista Ministerial 2006) No que se refere a auditoria, julgue os itens subseqentes. A amostragem sistemtica consiste em proceder a seleo de itens de maneira que sempre haja um intervalo prefixado, uniforme, entre cada item selecionado, a partir de um ou mais pontos de partida aleatrio, em uma lista de itens da populao.

    E agora? Prontos para novas questes? Vamos l!

    07. (Unb/CESPE MPE/TO Analista Ministerial 2006) Auditoria pode ser definida como o conjunto de procedimentos que compreende o exame de documentos e registros, inspees e obteno de informaes e confirmaes internas e externas, relacionadas com o controle patrimonial e com o objetivo de mensurar a exatido desses registros e das demonstraes deles decorrentes. No que se refere a auditoria, julgue os itens subseqentes.

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    a) A partir da data de emisso do seu parecer, o auditor deve manter a custdia dos papis de trabalho pelo prazo de cinco anos.

    b) No caso de ter havido alteraes em procedimentos contbeis e de os efeitos dessas alteraes estarem adequadamente determinados e revelados nas demonstraes contbeis, o parecer do auditor deve ser sem ressalvas.

    08. (Unb/CESPE TRE/AP Analista Judicirio 2007) Os procedimentos de auditoria interna tm como referncia as Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs), expedidas pelo Conselho Federal de Contabilidade. Com base nessas normas, assinale a opo correta. A) Os testes substantivos permitem ao auditor comprovar as hipteses que eliminam a margem de erro de suas concluses. B) Em razo da natureza da atividade de auditor e da independncia que deve ter esse profissional, o trabalho por ele desempenhado no est sujeito a reviso, tendo a responsabilidade de suas tarefas carter estritamente pessoal. C) As NBCs no se aplicam s entidades auditadas pertencentes a ramos de atividade sujeitos a normas reguladoras especficas. D) Devem-se adotar procedimentos que permitam identificar as contingncias ativas e passivas relevantes e verificar a tomada de conhecimento dessas contingncias pelos administradores da entidade. E) Na busca por evidncias, os auditores devem-se fixar nas informaes relevantes, ou seja, nas referentes aos valores contbeis mais elevados.

    09. (Unb/CESPE PMV Auditor Fiscal do Tesouro Municipal 2006) Julgue o item subseqente, a respeito do tipo de parecer do auditor. Considere que um auditor tenha sido contratado para examinar as demonstraes financeiras da sociedade controladora de um grupo. As demonstraes das controladas j haviam sido examinadas por outros auditores. Nesse caso, o auditor contratado dever emitir parecer com negativa de opinio ou, pelo menos, com ressalva, dada a limitao no escopo do exame.

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    10. (UNB Auditor do Estado do Esprito Santo- 2004) O saldo de uma conta do balano patrimonial ou da demonstrao do resultado do exerccio pode estar errado para mais (superavaliado) ou para menos (subavaliado). Devido a esses riscos, o auditor deve testar todas as contas da contabilidade para verificar eventual superavaliao ou subavaliao. Para tanto, deve realizar os testes de auditoria. Julgue os seguintes itens, com relao a esses testes.

    1) Devido aos riscos mencionados, o auditor deve direcionar seus testes para superavaliao e para subavaliao. A experincia tem demonstrado que mais prtico dirigir os testes principais de superavaliao para as contas devedoras.

    2) Considerando-se que, na auditoria da conta de mquinas e equipamentos, o auditor verificou que foram capitalizadas peas de reposio em mquinas de uso operacional, ento, nesse caso, a conta de mquinas e equipamentos estava superavaliada e o grupo de despesas subavaliado porque, de acordo com os princpios contbeis, deveriam ser registradas como despesas pr-operacionais.

    3) Se, na auditoria de conta de fornecedores, o auditor observou que uma nota fiscal de competncia de 2002, referente compra de um veculo, foi registrada somente por ocasio de seu efetivo pagamento em 2003, ento, a conta de fornecedores e a conta de veculos do ativo imobiLizado estavam subavaliadas no balano de 2002.

    4) Considere que, por ocasio da auditoria da conta de matria-prima, o auditor observou que uma compra realizada em janeiro de 2002 somente foi contabilizada em 2003. Nesse caso, a conta de matria-prima e a conta de fornecedores estavam superavaliadas em dezembro de 2002.

    5) Se, durante a auditoria da conta de despesas pr-operacionais, o auditor constatou que participaes no capital social de outras sociedades foram debitadas indevidamente nessa conta, quando o correto seria o grupo de contas de investimentos, ento, nesse caso, o ativo diferido estava superavaliado e o investimento, subavaliado.

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    11. (Unb/CESPE TRE/Par Analista Judicirio 2005) Julgue os itens a seguir, relativos s normas de auditoria independente das demonstraes contbeis. I Quando o auditor se depara com uma situao acerca da qual no h disposio especfica, prevalecem as prticas consagradas pela contabilidade, e o seu parecer representa garantia de atestado de eficcia da administrao na gesto dos negcios. II Considere que, por ocasio da auditoria da conta credora de fornecedores a pagar, testada para subavaliao, o auditor descubra que uma fatura de compra de matria-prima no foi registrada na contabilidade. Nessa situao, como conseqncia, a conta de fornecedores a pagar matria-prima comprada a prazo, conta devedora, tambm estar subavaliada. III Os testes substantivos se dividem em testes de transaes e saldos, e de procedimentos de reviso analtica; a circularizao e o teste de Cutoff fazem parte dos tipos de testes substantivos. IV Inspeo, observao, investigao e confirmao, clculo e reviso analtica so procedimentos tcnicos bsicos de auditoria relacionados ao planejamento de auditoria. V Nos papis de trabalho, o auditor deve registrar informaes como o planejamento de auditoria, a natureza, a oportunidade e a extenso dos procedimentos aplicados; porm, no necessrio incluir nesses papis suas opinies ou concluses, pois essas faro parte do parecer do auditor. Esto certos apenas os itens A I e IV. B I e V. C II e III. D II e IV. E III e V. 12. (Unb/CESPE TRE/Par Analista Judicirio 2005) Ainda acerca das normas de auditoria independente das demonstraes contbeis, assinale a opo correta. A) De acordo com a norma brasileira de contabilidade, amostragem de auditoria a aplicao de procedimentos de auditoria sobre uma parte da totalidade dos itens que compem, por exemplo, o saldo de uma conta, para que o auditor possa formar uma concluso. Para tanto, o auditor seleciona a amostra considerando apenas a populao objeto da

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    amostra, a estratificao da amostra, o tamanho, o risco, o erro tolervel e o erro esperado. B) Constitui procedimento de reviso analtica determinar se as obrigaes da sociedade para com terceiros so reais e se sua liquidao est sendo efetuada de acordo com a poltica financeira da empresa. C) Mesmo que haja valores expressivos em relao posio patrimonial e financeira, no necessrio que o auditor acompanhe o inventrio fsico, realizando testes de contagem fsica e demais procedimentos complementares. D) Se o auditor independente no puder utilizar os trabalhos de outros auditores ou no puder aplicar procedimentos adicionais suficientes nas demonstraes contbeis de empresas coligadas ou controladas, auditadas por outros, o seu procedimento tcnico deve ser o de emitir parecer contendo ressalva ou absteno de opinio. E) Compete ao auditor definir se as informaes importantes constantes do parecer sobre as demonstraes contbeis originais constaro nas demonstraes contbeis condensadas. 13. (CESPE/UNB - Perito Criminal da Polcia Federal 2004) Relativamente auditoria independente, de acordo com as normas brasileiras de contabilidade, julgue os itens que se seguem. O saldo de uma conta do balano patrimonial ou da demonstrao do resultado do Exerccio pode estar superavaliado ou subavaliado. Por isso, as contas da contabilidade devem ser testadas; para tanto, deve o auditor dirigir os testes principais de superavaliao para contas devedoras e os subavaliao, para as contas credoras.

    14. (UNB Auditor do Estado do Esprito Santo- 2004) Acerca dos princpios fundamentais de contabilidade e das demonstraes contbeis, julgue os itens a seguir.

    1) Atualmente o pargrafo de nfase do parecer do auditor deve fazer referncia observncia dos princpios fundamentais de contabilidade, conforme as normas brasileiras de contabilidade. 2) O auditor deve considerar se os planos da administrao para medidas futuras precisam ser divulgados nas demonstraes contbeis. Na hiptese de, em nota explicativa da administrao, a divulgao ter

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    sido considerada necessria e no ter sido realizada de forma apropriada, o auditor deve expressar sua opinio em parecer com ressalva ou adverso, conforme apropriado, dada em razo da falta ou insuficincia de informao. 3) O parecer do auditor independente tem por limite os prprios objetivos da auditoria das demonstraes contbeis e no representa garantia de viabilidade futura da entidade ou algum tipo de atestado de eficcia da administrao na gesto dos negcios. 4) A preparao das demonstraes contbeis pressupe a continuidade da entidade em regime operacional por um perodo previsvel, no superior a dois anos, a partir da database de encerramento do exerccio.

    15. (CESPE/UNB - Auditor Fiscal da Previdncia Social 2003) Com fulcro na normas de auditoria vigentes no Brasil, julgue os itens a seguir: a) De acordo com a Resoluo CFC n 700, de 21/04/1991, o parecer do auditor classifica-se, segundo a natureza da opinio que contem, em trs categorias: parecer sem ressalva, perecer com ressalva e parecer com absteno de opinio. b) O parecer com ressalva deve ser emitido quando o auditor constatar que as demonstraes financeiras no representam adequadamente a posio patrimonial e financeira e (ou) demais aspectos relacionados ao resultado da operaes, s mutaes patrimoniais ou s origens e aplicaes de recursos, a ponto de impedi-lo de expressar opinio sobre as demonstraes financeiras, tomadas em conjunto.

    9. Gabarito:

    07. a) Certo. Estudamos sobre os papis de trabalho na aula demonstrativa. Vamos recordar?

    O auditor deve documentar, atravs de papis de trabalho, todos os elementos significativos dos exames realizados e que evidenciam ter sido a auditoria realizada de acordo com as normas aplicveis.

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    Os papis de trabalho, ou Working papers (WPs), constituem a documentao preparada pelo auditor ou fornecida a este na execuo da auditoria. Eles integram um processo organizado de registro de evidncias da auditoria, por intermdio de informaes em papel, meios eletrnicos ou outros que assegurem o objetivo a que se destinam.

    Devem seguir um padro definido e claro, ser limpos, evidenciar a obedincia s normas de auditoria, corretos, sem erros matemticos, concisos, objetivos e elaborados de forma sistemtica e racional.

    De acordo com a NBC T 11.3, que estabelece procedimentos e critrios relativos documentao mnima obrigatria a ser gerada na realizao dos trabalhos de auditoria das demonstraes contbeis, o auditor deve documentar as questes que foram consideradas importantes para proporcionar evidncia, visando a fundamentar seu parecer da auditoria e comprovar que a auditoria foi executada de acordo com as Normas de Auditoria Independente das Demonstraes Contbeis.

    Essa informao importantssima! Essa questo j foi tema da grande maioria das provas de auditoria. uma das preferidas dos examinadores, portanto, fique de olho!

    IMPORTANTE!

    Toda documentao, papis de trabalho e parecer, resultante da auditoria independente de demonstraes contbeis de uma entidade, deve ser conservada em boa guarda, nos termos da NBC-P-1, pelo perodo de 5 anos, a partir da data de emisso do parecer dos auditores independentes.

    Os papis de trabalho correspondem aos documentos e apontamentos com base nos quais o auditor emite sua opinio a respeito das demonstraes.

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    b) Certo.

    08. Resp: D

    A) Os testes substantivos so aplicados com a finalidade de atestar a existncia, ocorrncia, abrangncia, direitos e obrigaes, mensurao, apresentao e divulgao das informaes econmico-financeiras. No garantem, contudo, a eliminao completa da margem de erro. Vale ressaltar que o autor trabalha com base em amostragem.

    b) O trabalho do auditor deve ser revisado por profissional com experincia e qualificao necessria, tanto em nvel interno (dentro da empresa de auditoria, pelos colegas mais experientes), quanto em nvel externo (reviso pelos pares).

    c) As NBCs so aplicadas a quaisquer tipos de empresas. Vale ressaltar que quando o seguimento sujeito a normas especficas (bancos que esto sujeitos a regulamentao do Banco Central, por exemplo) tiver que aplicar prticas conflitantes com as NBCs, ficar o auditor obrigado a considerar um parecer com ressalvas.

    e) No necessariamente as evidncias esto insertas nos valores contbeis mais elevados. Pequenos valores que se repetem vrias vezes podem representar indcios significativos (evidncias). Ainda, nem todas as evidncias so numricas; h evidncias situacionais. 09. Errado. Caso as sociedades investidas tenham sido examinadas por outros auditores, fica o auditor da sociedade controladora responsvel por mencionar este fato em seu parecer. Isso no significa ressalva ou parecer adverso; simplesmente um meio de afastar a responsabilidade por itens que no foram checados por ele.

    10.

    1) Certo. Os testes por superavaliao demonstram a preocupao do auditor com as contas que tendem a estar superavaliadas e que, em

    5 anos

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    estando (em montante relevante), distorcem de maneira significativa as informaes contbeis. So dirigidas para as contas de ativos e de despesas, em funo do risco dos elementos do ativo estarem com saldo contbil maior que o real (revelando descumprimento do princpio da prudncia, elencado na Res. CFC n. 750/93) e do risco das despesas estarem majoradas (o que implicaria em lucro menor e, conseqentemente, menor carga tributria...). Os testes por subavaliao, seguindo a mesma linha de raciocnio, so dirigidos para as contas credoras (passivo, PL e receitas). Isso ocorre em virtude da tendncia dessas contas comportarem saldos contbeis menores que os reais, o que revelaria, no caso do passivo, uma situao melhor que a existente (deixando os investidores satisfeitos com uma situao irreal), descumprindo o princpio da prudncia. No que tange receita, uma receita no-contabilizada ensejaria uma menor carga tributria (PIS, COFINS ISS ou ICMS, IR e CSLL).

    2) Errado. No cabe o reconhecimento como despesa pr-operacional, a menos que o exerccio informasse que as atividades ainda tivessem sido iniciadas (o que no ocorreu). Quanto ao registro como despesa do Exerccio ou como imobilizado, deveria ser ponderado o acrscimo de vida til e o valor envolvido. Assim, gastos que aumentam a vida til em mais de 2 anos e que sejam superiores a R$ 326,68 (RIR n. 3.000 de 1999) devem ser imobilizados, ajustando-se o novo prazo de depreciao. Caso o aumento da vida til no seja significativo, o lanamento efetuado como despesa do perodo.

    3) Certo. De acordo com os princpios da competncia e da oportunidade estabelecidos na Res. CFC n. 750 de 1993, os fatos contbeis devem ser registrados na ocorrncia de seu fato gerador e no momento em que ocorrem. Dessa forma, a compra deve ser registrada no por ocasio do pagamento, mas em funo do recebimento do bem adquirido.

    4) Errado. As contas estavam subavaliadas.

    5) Certo. 11. Resp: C I) O parecer do auditor no representa atestado de eficcia da administrao em nenhuma situao. A no ser que estejamos tratando de outro tipo de auditoria (de gesto, ou operacional).

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    IV) Os procedimentos supra-mencionados esto relacionados execuo dos trabalhos. V) necessrio constar nos papis de trabalho as opinies e concluses do auditor. 12. Resp: D a) Faltou incluir dentre os itens que o auditor considera na seleo da amostra o objetivo da amostragem. b) A reviso analtica compreende ndices e comparaes, ferramentas que no foram mencionadas na opo supra. At porque a conformao de saldos junto a terceiros constitui outro procedimento. c) necessrio o acompanhamento do inventrio fsico. e) As informaes relevantes que constaram nas demonstraes originais devero ser reproduzidas nas verses condensadas. Vale ressaltar que o parecer sobre estas somente poder ser emitido pelo auditor que deu opinio sobre as demonstraes originais. 13. Certo 14. 01) Errado. O pargrafo de nfase, nos termos do CFC, deve ser utilizado nos casos de incerteza, risco de continuidade e partes relacionadas. As demonstraes contbeis devem ser elaboradas com observncia dos PFC. 02) Certo. O auditor tem responsabilidades no que pertine forma e ao contedo das demonstraes, devendo acompanhar, inclusive, a regularidade na divulgao dos demonstrativos, nos termos da Instruo CVM n. 308 de 1999. 03) Certo. Vale ressaltar que, embora no represente garantia de viabilidade futura, espera-se que a auditada continue operando normalmente pelo prazo de um ano, a contar da data das demonstraes contbeis. 04) Errado. Espera-se, conforme mencionado, que a empresa continue operando normalmente pelo prazo de 1 ano. 15. a) Errado. Faltou o adverso. b) Errado. O mais adequado, dado grau de inadequao das DC apontado acima, o parecer adverso.

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    10. Bibliografia:

    CARVALHO, Jos Carlos Oliveira de. Auditoria Geral e Pblica: Teoria e Questes Comentadas Rio de Janeiro: Elsevier, 2006

    FERREIRA, Ricardo J. Auditoria Rio de Janeiro - Editora Ferreira 3 Edio.

    CRUZ, Flvio da. Auditoria Governamental. So Paulo: Atlas, 2002 2 edio.

    MINICUCCI, Agostinho. Psicologia Aplicada Administrao. So Paulo. Editora Atlas, 1995 5 Edio.