Avaliação Somatotipo

of 25/25
1 TEXTO 6 AVALIAÇÃO DO SOMATÓTIPO A análise do somatótipo constitui-se em um recurso extremamente útil direcionado à detecção e ao acompanhamento das repercussões associadas à variação da forma corporal que podem surgir em razão dos processos de crescimento físico e de maturação biológica e na monitoração das adaptações de cunho morfológico provenientes de intervenções dietéticas e de programas de exercícios físicos. Em linhas gerais, o somatótipo caracteriza-se como técnica derivada da área biotipológica voltada à descrição e à interpretação da configuração morfológica exterior ou da complexão física apresentada pelo avaliado na classificação de seu tipo físico. Correntes biotipológicas O interesse e a necessidade em classificar o tipo físico de acordo com a forma corporal vêm desde dos tempos da Grécia Antiga. A primeira proposta de classificação do tipo físico de que se tem conhecimento parece ter sido apresentada por Hipócrates (460 - 370 a.C.) sob duas denominações básicas: habitus ptisicus (sujeito magro, com predominância do eixo longitudinal, de cor pálida e com tendência à introversão) e habitus apopleticus (sujeito com formas de predomínio do eixo transversal, tronco em proporções iguais ou maiores que os membros, musculoso, de cor avermelhada e com comportamento ativo e extrovertido. As classificações dos tipos físicos eram alicerçadas em observações e conceitos baseados em pressupostos filosóficos em que predominava o empirismo típico da época). Desde então, a preocupação em classificar biotipologicamente o corpo humano tem despertado enorme atenção dos estudiosos da área. Contudo, somente no início do século XX surgiram as primeiras definições científicas voltadas à distinção dos diferentes tipos físicos. Nessa época, de acordo com os indicadores utilizados na classificação do tipo físico (anatômico, somático, psíquico ou somático-psíquico) podem-se identificar diferentes correntes de classificação biotipológica. Em razão da nacionalidade de seus idealizadores, estas correntes biotipológicas também são denominadas por escola francesa, escola italiana e escola alemã. A corrente biotipológica com base em elementos anatômicos foi desenvolvida por volta de 1910 pelo francês Sigaud e procura descrever quatro tipos básicos, determinados pelo predomínio das regiões cefálica, torácica ou abdominal é a escola francesa: Tipo respiratório: Tipo digestivo: Tipo muscular: Tipo cerebral: tórax dominando o abdome, com predominância da porção média da face; abdome dominando o tórax e maior projeção da porção inferior da face; tronco e face proporcionalmente desenvolvidos; e predomínio dos membros, da caixa craniana e da porção superior da face. Baseando-se em eventuais associações entre as incidências e os agravos de disfunções psíquicas e a forma do corpo, o psiquiatra alemão Ernst Kretschmer, em 1926, sugeriu nova classificação do tipo físico como resultado da observação dos hábitos e do caráter psíquico dos pacientes é a escola alemã. Inicialmente sua classificação contemplava três tipos físicos:
  • date post

    14-Dec-2014
  • Category

    Documents

  • view

    245
  • download

    3

Embed Size (px)

Transcript of Avaliação Somatotipo

1

TEXTO 6

AVALIAO DO SOMATTIPOA anlise do somattipo constitui-se em um recurso extremamente til direcionado deteco e ao acompanhamento das repercusses associadas variao da forma corporal que podem surgir em razo dos processos de crescimento fsico e de maturao biolgica e na monitorao das adaptaes de cunho morfolgico provenientes de intervenes dietticas e de programas de exerccios fsicos. Em linhas gerais, o somattipo caracteriza-se como tcnica derivada da rea biotipolgica voltada descrio e interpretao da configurao morfolgica exterior ou da complexo fsica apresentada pelo avaliado na classificao de seu tipo fsico.

Correntes biotipolgicasO interesse e a necessidade em classificar o tipo fsico de acordo com a forma corporal vm desde dos tempos da Grcia Antiga. A primeira proposta de classificao do tipo fsico de que se tem conhecimento parece ter sido apresentada por Hipcrates (460 - 370 a.C.) sob duas denominaes bsicas: habitus ptisicus (sujeito magro, com predominncia do eixo longitudinal, de cor plida e com tendncia introverso) e habitus apopleticus (sujeito com formas de predomnio do eixo transversal, tronco em propores iguais ou maiores que os membros, musculoso, de cor avermelhada e com comportamento ativo e extrovertido. As classificaes dos tipos fsicos eram aliceradas em observaes e conceitos baseados em pressupostos filosficos em que predominava o empirismo tpico da poca). Desde ento, a preocupao em classificar biotipologicamente o corpo humano tem despertado enorme ateno dos estudiosos da rea. Contudo, somente no incio do sculo XX surgiram as primeiras definies cientficas voltadas distino dos diferentes tipos fsicos. Nessa poca, de acordo com os indicadores utilizados na classificao do tipo fsico (anatmico, somtico, psquico ou somtico-psquico) podem-se identificar diferentes correntes de classificao biotipolgica. Em razo da nacionalidade de seus idealizadores, estas correntes biotipolgicas tambm so denominadas por escola francesa, escola italiana e escola alem. A corrente biotipolgica com base em elementos anatmicos foi desenvolvida por volta de 1910 pelo francs Sigaud e procura descrever quatro tipos bsicos, determinados pelo predomnio das regies ceflica, torcica ou abdominal a escola francesa: Tipo respiratrio: trax dominando o abdome, com predominncia da poro mdia da face; Tipo digestivo: abdome dominando o trax e maior projeo da poro inferior da face; Tipo muscular: tronco e face proporcionalmente desenvolvidos; e Tipo cerebral: predomnio dos membros, da caixa craniana e da poro superior da face. Baseando-se em eventuais associaes entre as incidncias e os agravos de disfunes psquicas e a forma do corpo, o psiquiatra alemo Ernst Kretschmer, em 1926, sugeriu nova classificao do tipo fsico como resultado da observao dos hbitos e do carter psquico dos pacientes a escola alem. Inicialmente sua classificao contemplava trs tipos fsicos:

2

Leptossnico: elevada estatura, magro, ombros estreitos, temperamento introvertido, distante da realidade, metafsico, com tendncia esquizofrenia; Pcnico: elevado peso corporal, musculatura flcida, trax e abdome largos e profundos, temperamento extrovertido, realista, espontneo, com tendncia psicose manaco-depressiva; e Atltico: tipo fsico harmoniosamente proporcional, esqueleto bem desenvolvido, musculoso, com temperamento que tende a evoluir para a epilepsia. Na seqncia, passou-se a aceitar um quarto tipo fsico, considerado patolgico: Displsico: sujeito atpico, disforme, temperamento com tendncia oligofrenia. A terceira corrente biotipolgica, surgida em 1933 e fundamentada em medidas antropomtricas, tem como principal representante o pesquisador italiano Viola. Por este mtodo, tendo como referncia a estatura, desenvolvem-se anlises comparativas entre as dimenses antropomtricas associadas ao tronco e aos membros e definem-se trs tipos morfolgicos a escola italiana: Normolneo: desenvolvimento harmnico entre as dimenses do tronco e dos membros; Brevilneo: predomnio das dimenses do tronco sobre as dos membros; e Longilneo: predomnio das dimenses dos membros sobre as do tronco. Com base em adaptaes nos mtodos propostos por Viola, Nicola Pende, outro estudioso italiano, criou novo mtodo antropomtrico de classificao do tipo fsico. Por este mtodo, admite-se que a forma corporal resultado de componentes genticos (herana morfolgica, fisiolgica e psicolgica) associados ao ambiente, dos quais surgem quatro grupos de tipos fsicos fundamentais: Longilneo estnico: estatura e peso corporal discretamente inferiores mdia, magro, esqueleto e musculatura desenvolvida, predomnio das dimenses do tronco sobre as dos membros, crnio mesocfalo ou braquicfalo; Longilneo astnico: estatura superior ou inferior mdia, peso corporal deficiente, msculos e esqueleto frgeis, predomnio das dimenses dos membros (sobretudo dos membros inferiores, sobre as do tronco), trax e abdome achatados; Brevilneo estnico: estatura inferior mdia, peso corporal elevado, esqueleto e musculatura desenvolvidos, tronco largo e macio, membros inferiores curtos; e Brevilneo astnico: estatura superior ou inferior mdia, peso corporal elevado, menores dimenses dos membros inferiores, tronco curto, abdome grande, tecido adiposo abundante, flcido, atnico.

3

Surgimento e evoluo do somattipoGrande avano na rea da biotipologia humana ocorreu na dcada de 1940, quando Sheldon e sua equipe propuseram nova classificao do tipo fsico com base na origem embrionria dos tecidos. Esta nova proposta surgiu de estudos que visavam a classificar grande nmero de sujeitos nos tipos fsicos sugeridos pelas escolas alem e italiana. Destes, aps o tratamento recomendado das informaes, no foi possvel classificar mais que um pequeno nmero de sujeitos como pertencentes nitidamente a determinado tipo fsico. Na grande maioria dos sujeitos analisados constatou-se grande miscelnea de caractersticas atribudas aos diferentes tipos fsicos at ento preconizados. Em vista disso, prontamente levantou-se a hiptese de que, embora possam existir tipos fsicos bsicos, um mesmo sujeito pode apresentar simultaneamente quantidades variadas ou caractersticas comuns aos diferentes tipos fsicos 16. Essas evidncias permitiram estabelecer o conceito de que enquadrar qualquer sujeito em determinado tipo fsico especfico pode ocasionar graves deturpaes de classificao. Em assim sendo, na tentativa de minimizar eventuais distores de interpretao recomendou-se a utilizao de uma escala de medida na identificao de cada um dos tipos fsicos. Com base nesses novos conhecimentos surgiu o termo somattipo a princpio como quantificao dos trs componentes primrios, voltados determinao da estrutura morfolgica do sujeito expresso em uma srie seqencial de trs numerais em uma mesma ordem e separados por hfen, em que o primeiro refere-se endomorfia, o segundo mesomorfia, e o terceiro ectomorfia. A denominao dos trs componentes primrios na determinao do somattipo foi derivada das trs camadas do embrio: endoderme, mesoderme e ectoderme. A endomorfia relaciona-se participao da adiposidade no estabelecimento do tipo fsico, a mesomorfia reflete a influncia do desenvolvimento msculo-esqueltico e a ectomorfia traduz o envolvimento do aspecto de linearidade relativa do tipo fsico. Originalmente, admitia-se a existncia de relao entre a tendncia comportamental e os componentes primrios, mas nenhuma influncia de atributos associados ao ambiente no perfil somatotipolgico. O surgimento do somattipo tornou disponvel nova opo de classificao do tipo fsico por meio de uma escala numrica contnua, o que, at ento, era realizado por intermdio de julgamento emprico. Conseqentemente, os alicerces da tcnica do somattipo baseiam-se no quanto cada avaliado apresenta de endomorfismo, mesomorfismo e ectomorfismo. Por exemplo: admitindo um somattipo equivalente seqncia numrica 4-3-1, as caractersticas morfolgicas associadas endomorfia (4) tornam-se predominantes e acompanhadas das caractersticas morfolgicas relacionadas mesomorfia (3) e ectomorfia (1). A maior inovao na proposta do somattipo refere-se, de maneira contrria ao que as tcnicas anteriores sugeriam, ao fato de que de seus procedimentos no resultam de categorias mutuamente exclusivas. Neste caso, cada avaliado classificado nos trs componentes simultaneamente, porm com intensidade de participao varivel de cada um deles. Assim sendo, o numeral equivalente a um componente apresentado isoladamente no informa as caractersticas do somattipo, por isso necessrio obter os trs numerais para conhecer e interpretar a morfologia do avaliado. O mtodo proposto pela equipe de Sheldon para determinao do somattipo consiste em fotografar o avaliado com a tcnica definida em trs planos: frontal, dorsal e lateral. Depois, com os negativos das fotos procede-se diviso do corpo em cinco

4

regies (cabea e pescoo, trax, membros superiores, abdome e membros inferiores) e estabelecem-se 17 medidas expressas em porcentagem da estatura. Este conjunto de procedimentos fotoscpico denomina-se de somatoscopia. Para a interpretao dos resultados busca-se pontuar cada um dos componentes com uma escala de medida que oscila entre valores inteiros de 1 a 7, conforme sua predominncia, limitando-se a soma dos trs componentes a uma variao entre 9 e 12 pontos com base nos modelos contidos em um atlas de tipos fsicos idealizado pelos autores da proposta. Deste modo, com fulcro nas combinaes dos valores atribudos a cada um dos componentes do somattipo torna-se possvel identificar o tipo fsico que mais proximamente atende s formas corpreas apresentadas pelo avaliado. A figura 6.63 procura ilustrar dois modelos de somattipos contidos no atlas de tipo fsico:

INSERIR FIGURA 6.63Figura 6.63 "!#%$&'(!#)'021)354 tipo 2-1-7 (A) e 1-7-1 (B) contidos no atlas do tipo fsico. Adaptado de Sheldon 16 A proposio do atlas de tipos fsicos, o que se denominou Atlas Humano, baseia-se em levantamento fotoscpico realizado em aproximadamente 4 mil sujeitos. No entanto, apesar de ser possvel reunir um conjunto bastante numeroso de opes tericas de somattipos (73 = 343), na realidade o atlas originalmente proposto faz meno existncia de apenas 76 somattipos possveis. Posteriormente, nova verso do atlas de tipos fsicos, que procurava contemplar mais detalhadamente os tipos fsicos de crianas e adolescentes, refere-se a 107 possibilidades de somattipos. Com o passar dos anos, em razo da complexidade com que os componentes do somattipo vinham [email protected]&8HI"[email protected] U9V"WFXYXa`cbdbefbgFhpirqsWt)XHg"isUhvuXYeHwiDUyxHWhBiDUX demanda elevada de tempo, alm das possveis deficincias na coleta e anlise das informaes e, principalmente, estabelecia limites de variao para cada componente entre 1 e 7, o que no se aplvDQ5RHrH rias outras propostas foram desenvolvidas com o fim de simplificar o mtodo idealizado inicialmente por Sheldon e oferecer maior praticidade e objetividade tcnica. A proposta de Cureton sugere estabelecer os componentes do somattipo com uma combinao de fotografias, palpao da musculatura e informaes quanto s medidas de fora muscular e de capacidade vital do avaliado 3. Na seqncia, Hooton elimina o limite mximo de 9 a 12 pontos para o somatrio dos trs componentes somatotipolgicos 12. Parnel sugeriu um procedimento denominado de Carta de Derivao M4, que adicionava o uso de medidas antropomtricas 14. Heath, baseando-se nas seguidas modificaes sugeridas com o fim de atender s limitaes do mtodo sheldiano e em suas prprias investigaes de campo, promoveu sucessivas e profundas modificaes nos conceitos e nos procedimentos at ento associados ao somattipo 9 e, em colaborao com Carter, props e validou uma metodologia inovadora que permitia at mesmo a determinao do somattipo com o uso exclusivo de medidas antropomtricas 10. O mtodo para determinao do somattipo proposto por Heath a Carter, no que se refere coleta e ao tratamento das informaes, em comparao com os demais mtodos, torna-se extremamente vantajoso. Em vista disso, tem sido amplamente aceito e utilizado em larga escala na rea da educao fsica.

5

Mtodo antropomtrico de Heath-CarterDiferentemente dos conceitos apresentados por outras propostas, o mtodo antropomtrico de Heath-Carter admite influncia significativa de fatores exgenos na determinao do somattipo. Enquanto as demais propostas preconizam que as caractersticas somatotipolgicas so estabelecidas exclusivamente por indicadores genticos, o mtodo antropomtrico oferece maior nfase ao fentipo ou s propriedades visveis do organismo resultantes da interao entre o gentipo e as condies ambientais, sobretudo a alimentao e a atividade fsica. Assim, seus idealizadores abandonaram a perspectiva de um tipo fsico fixo ao longo de toda a vida e passaram a sustentar o conceito associado instabilidade e plasticidade da morfologia humana. Em conseqncia dessas modificaes conceituais, o somattipo passou a ser definido como a descrio quantitativa da configurao morfolgica presente, ou seja, o tipo fsico do avaliado, naquele dado momento, que pode traduzir, com particular propriedade, eventuais modificaes que porventura possam vir a ocorrer, induzidas, por exemplo, pela maturao biolgica, pelos hbitos alimentares ou pela prtica de atividades fsicas. Outra diferena acentuada entre os procedimentos sugeridos por Heath-Carter e os demais mtodos refere-se escala de medida que procura quantificar os trs componentes. Os mtodos anteriormente propostos preconizam uma escala de medida idntica da verso original (valores inteiros entre 1 e 7); contudo, em segmentos especficos da populao este procedimento pode apresentar baixa capacidade discriminatria, e o limite mximo de 7 unidades torna-se insuficiente para a classificao dos tipos morfolgicos extremos. Assim, o mtodo de Heath-Carter sugere abertura unilateral das escalas de medida, que se inicia no ponto zero, sem limite mximo definido, e envolve definies decimais de medida. Esta modificao descarta os limites de 9 e 12 unidades para a soma dos trs componentes. Embora o mtodo sugerido por Heath-Carter possa ser operacionalizado por meio de trs procedimentos sdeQf"g fico, antropomtrico e combinao de ambos , a determinao do somattipo com o uso das medidas antropomtricas torna-se extremamente vantajosa, considerando a rapidez e a simplicidade na coleta das informaes, a agilidade nos clculos matemticos dos componentes e, fundamentalmente, a maior aceitao dos avaliados quando submetidos aos seus procedimentos. No entanto, para que estas vantagens possam ser realmente desfrutadas, as medidas antropomtricas devem ser realizadas de maneira rigorosamente acurada segundo o protocolo proposto, e os modelos matemticos idealizados para clculo dos componentes devem ser aplicados com a maior definio de medida possvel. Protocolo das medidas antropomtricas A determinao do somattipo mediante os procedimentos antropomtricos dever solicitar o envolvimento de 10 medidas antropomtricas: Estatura (cm) Peso corporal (kg) Espessuras de dobras cutneas (mm) Tricipital Subescapular Supra-ilaca Perna medial

6

Dimetros sseos Biepicondilar do mero Biepicondilar do fmur Permetros Brao flexionado e tenso Perna medial As informaes com relao aos instrumentos de medida a serem utilizados quando da coleta das informaes antropomtricas so apresentadas na tabela 6.28. Em razo de as caractersticas dos compassos disponveis para realizao das medidas de espessura das dobras cutneas influenciarem em suas dimenses, chama-se a ateno para o tipo de compasso preconizado para a utilizao nos clculos do somattipo (compasso do tipo Lange). hjilkRmnipo q rtsvu wsxyze{|})~lxQzsy~p})~HF|z&2yxFQ~5zDdyxFs2{s}) es antropomtricas associadas ao somattipo: Dimenses antropomtricas Estatura Peso corporal Espessuras de dobras cutneas Dimetros sseos Permetros Instrumentos de medida Estadimetro Balana antropomtrica Compasso especfico Lange Compasso de barras Fita mtrica flexvel no-elstica Definies de medidas 0,1cm 100g 1mm 0,1cm 0,1cm

Os procedimentos a serem adotados quando da realizao das medidas antropomtricas foram detalhadamente descritos no captulo referente avaliao do crescimento fsico (Captulo 2). No entanto, optou-se por retomar a descrio das tcnicas de medidas em razo de particularidades metodolgicas observadas especificamente quando da determinao do somattipo. Para a realizao das medidas antropomtricas, o avaliado dever estar descalo e com o mnimo de roupas possvel, quando for o caso, sobre a pele nua. Em relao medida da estatura, esta dever ser realizada com o avaliado posicionado em p, de forma ereta, os membros superiores pendentes ao lado do corpo, os ps unidos e as superfcies posteriores dos calcanhares, das ndegas, da cintura escapular e da regio occipital em contato com a escala de medida. No momento de definio da medida, o avaliado dever colocar-se em inspirao mxima, acompanhada da melhor postura corporal, o peso corporal distribudo igualmente sobre ambos os ps e a cabea orientada no plano de Frankfurt paralelo ao solo, procurando alcanar sua estatura mxima &2t "FQ Para a medida do peso corporal, o avaliado dever colocar-se em p, no centro da plataforma da balana, em posio ereta, de costas para a escala de medida, os membros superiores pendentes ao lado do corpo, os ps afastados largura dos quadris, o peso distribudo igualmente em ambos os ps e o olhar em um ponto fixo sua frente de modo a evitar oscilaes na leitura da medida 2c Q

2 Q

R&ddD5rpRd02F2%

INSERIR FIGURA 6.64para os clculos do somattipo.

7

No que se refere s medidas de espessura das dobras cutneas, com exceo da medida observada na regio da perna medial, as demais devero ser realizadas com o avaliado em p, em posio ereta, os membros superiores pendentes ao lado do corpo, os ps afastados mesma distncia dos quadris, o peso corporal distribudo igualmente em ambos os ps e a cabea orientada no plano de Frankfurt. Na regio tricipital, a dobra cutnea dever ser definida paralelamente ao eixo longitudinal do brao em sua face posterior, na distncia mdia entre o bordo sperolateral do acrmio e o processo do olcrano da ulna. A dobra cutnea equivalente regio subescapular dever ser definida cerca de 1cm abaixo do ngulo inferior da escpula, obliquamente ao eixo longitudinal, no sentido descendente e lateral formando ngulo de aproximadamente 45o, o que equivale orientao dos arcos costais. Para a medida de espessura da dobra cutnea aferida na regio supra-ilaca, o avaliado dever ser instrudo a posicionar a mo direita sobre a cabea e a realizar uma inspirao mdia. A dobra cutnea dever ser definida cerca de 3 a 5cm acima da espinha ilaca ntero-superior direita, na altura do prolongamento da linha axilar anterior, de modo a acompanhar o sentido oblquo ao eixo longitudinal do corpo de aproximadamente 45o. Por outro lado, para a medida de espessura da dobra cutnea na regio da perna medial, o avaliado dever posicionar-se sentado, com os joelhos flexionados de modo que a perna e a coxa formem um ngulo prximo a 90o, e os ps no-apoiados no solo. A dobra cutnea dever ser destacada medialmente altura da maior circunferncia longitudinal da de modo 2FrFFF% 2BDperna, &2 R que venha a acompanhar o sentido paralelo ao eixo

INSERIR FIGURA 6.65o anatmica e medidas de espessuras das dobras cutneas tricipital, subescapular, supra-ilaca e da perna medial direcionadas aos clculos do somattipo. Para a medida do dimetro biepicondilar do fmur, o avaliado dever colocar-se em posio idntica quela estabelecida para a medida de espessura da dobra cutnea da perna medial. As pontas das hastes do compasso devero ser ajustadas e pressionadas altura dos pontos aparentes mais mediais e laterais dos cndilos femorais. No caso do dimetro biepicondilar do mero, o avaliado dever posicionar-se sentado, o brao estendido horizontalmente frente altura do ombro, o antebrao elevado com o cotovelo e o ombro em flexo de 90o, a palma da mo voltada para o rosto. A medida corresponde distncia projetada entre os bordos mais extremos dos epicndilos umeral )H &a 5 HF2 c t

2c F

jQ%&2

INSERIR FIGURA 6.66 2 T c )QH% o anatmica e medidas dos dimetros biepicondilar do fmur e do mero direcionadas aos clculos do somattipo.

8

Quanto medida de permetro do brao, o avaliado dever coloca-se em p, o brao direito elevado frente altura do ombro, o antebrao supinado e os cotovelo e os ombros fletidos em 90o. Com a mo esquerda segura internamente o punho direito, de modo a opor resistncia a este, enquanto realiza contrao isomtrica mxima da musculatura flexora do brao. A medida dever ser definida no ponto de maior circunferncia perpendicular ao eixo longitudinal do brao. Para a medida do permetro da perna medial, o avaliado tambm se posiciona em p, em posio ereta, os membros superiores pendentes ao lado do corpo, a cabea orientada no plano de Frankfurt e o peso corporal igualmente distribudo entre ambos os ps afastados mesma distncia dos quadris. A fita mtrica dever ser posicionada altura da regio geminal, no ponto de seu maior volume transverso, de modo que fique paralela ao solo e perpendicular ao %Fv2FrFFF%RQF5sF c&2p

INSERIR FIGURA 6.67 2 o anatmica e medidas de permetro do brao flexionado Figura 6.67 tenso e da perna medial direcionadas aos clculos do somattipo.Clculo dos componentes somatotipolgicos Os procedimentos quanto aos clculos dos trs componentes associados ao somattipo antropomtrico podem ser desenvolvidos com o uso de tabelas construdas especificamente para essa finalidade ou por intermdio da utilizao de equaes de regresso. Se, por um lado, o mtodo tabular evita o envolvimento de recursos matemticos mais complexos, por outro se torna uma tarefa extremamente exaustiva sobretudo quando existe grande nmero de avaliados a serem acompanhados apresenta limitaes quanto capacidade discriminatria de seus resultados tendo em vista que apresenta valores com definio de apenas 0,5 unidade de medida e em amplitude de variao previamente estabelecida: endomorfia de 1 a 12, mesomorfia de 0,5 a 9 e ectomorfia de 0,5 a 9 unidades somatotipolgicas. No entanto, mais recentemente, com a maior aplicao e disseminao dos recursos da microinformtica no campo da educao fsica, a utilizao de equaes de regresso passou a simplificar sobremaneira a determinao dos componentes do somattipo e a potencializar a preciso de seus clculos. Desta forma, de acordo com a disponibilidade de recursos, o avaliador poder recorrer a um ou a outro mtodo, mas dever ter sempre em mente eventuais limitaes associadas ao mtodo tabular. Na tentativa de tornar o mtodo tabular mais acessvel, os idealizadores da tcnica antropomtrica para o clculo do somattipo propuseram instrumento especfico para esta finalidade &2

INSERIR FIGURA 6.682 ! "#$ %&('$ fico para o clculo dos componentes do somattipo pelo mtodo tabular.

9

Para o clculo do componente endomorfo, o primeiro passo realizar o somatrio das espessuras das dobras cutneas medidas nas regies tricipital, subescapular e supra-ilaca. Posteriormente, estabelece-se a correo desse valor mediante a estratgia de proporcionalidade corporal com o fim de evitar vis ao comparar avaliados que apresentam diferentes estaturas. Para tanto, recorre-se relao matemtica: 170,18 Xc = dc (-------------) Estatura em que: Xc : somatrio das espessuras de dobras cutneas corrigido pela estatura do avaliado; dc : somatrio das espessuras de dobras cutneas medidas nas regies tricipital, subescapular e supra-ilaca (mm); Estatura : medida de estatura do avaliado (cm); e 170,18 : constante correspondente estatura do modelo terico de referncia Phantom. De acordo com o mtodo tabular, para estabelecer a magnitude do componente de endomorfia o valor correspondente a Xc dever ser lido na tabela de valores padronizados ) [email protected] BCA No caso de se optar pelo clculo do componente de endomorfia mediante a utilizao da equao de regresso, recorre-se ao modelo matemtico:

1E3F5G6H1I9PA BCRQ SUTGVHWYXa`cbd`GegfhpiFTGVH`Eqr2`cbdT7W componente de endomorfia de acordo com o somatrio das espessuras de dobras cutneas corrigido pela estatura do avaliado (Xc):Somatrio das espessuras de dobras Dimenso do componente cutneas corrigido pela estatura de endomorfia 7,0 - 10,9 0,5 11,0 - 14,9 1,0 15,0 - 18,9 1,5 19,0 - 22,9 2,0 23,0 - 26,9 2,5 27,0 - 31,2 3,0 31,3 - 35,8 3,5 35,9 - 40,7 4,0 40,8 - 46,2 4,5 46,3 - 52,2 5,0 52,3 - 58,7 5,5 58,8 - 65,7 6,0 65,8 - 73,2 6,5 73,3 - 81,2 7,0 81,3 - 89,7 7,5 89,8 - 98,9 8,0 99,0 - 08,9 8,5 109,0 - 119,7 9,0

D

Endo = 0,1451(Xc) 0,00068(Xc)2 + 0,0000014 (Xc)3 + 0,7182

10

119,8 - 131,2 131,3 - 143,7 143,8 - 157,2 157,3 - 171,9 172,0 - 187,9 188,0 - 204,0

9,5 10,0 10,5 11,0 11,5 12,0

Quanto ao clculo do componente mesomorfo, inicialmente faz-se o ajuste para as medidas de permetros. Estes ajustes so sugeridos com o fim de minimizar a participao da gordura corporal localizada nos tecidos subcutneos nas medidas dos permetros para melhor representar o desenvolvimento msculo-esqueltico. Para tanto, devem-se subtrair as medidas equivalentes s espessuras das dobras cutneas sutYv$wyx8$ nas regies tricipital e da perna medial s cacaFGEwxFc7xHctcx87cGt permetros do brao flexionado e tenso e da perna medial. Chama-se a ateno para a necessidade de estabelecer equivalncias quanto s medidas de espessura das dobras cutneas e de permetros. Neste caso, as medidas de espessura das dobras cutneas devero ser expressas em cm: PBTajustado = PBT DCTR PPMajustado = PPM DCPM em que: PBTajustado: PBT: DCTR: PPMajustado: PPM: DCPM: permetro ajustado do brao flexionado e tenso (cm); permetro do brao flexionado e tenso (cm); espessura da dobra cutnea medida na regio tricipital (cm); permetro ajustado de perna medial (cm); permetro da perna medial (cm); e espessura da dobra cutnea medida na regio da perna medial (cm).

Na seqncia, a magnitude do componente mesomorfo mediante o mtodo tabular estabelecida por meio da seguinte relao matemtica: D Meso = (------) + 4 8 em que D representa a soma algbrica dos desvios positivos ou negativos que cada uma das medidas de dimetro sseo (biepicondilar de mero e fmur) e de permetro ajustado (brao flexionado e tenso e perna medial) apresenta em relao medida equivalente estatura do avaliado, de acordo com disposio apresentada na tabela de F78taFGgatYxcG$tds 2d4ef7g8dihj kljnmndEoadqp"rs(p"tdudEeFfGgHdvwdsxyf7tzHtdcsdtfqtz metros sseos e de permetros localizadas acima da linha projetada direita equivalente medida de estatura correspondem aos desvios positivos. Em contrapartida, as medidas de dimetros sseos e de permetros localizadas abaixo da linha projetada direita, equivalente medida de estatura do avaliado, correspondem aos desvios negativos. Na eventualidade de recorrer ao uso da equao de regresso para o clculo do componente de mesomorfia, aplica-se o modelo: Meso = 4,50 + 0,858(U) + 0,601(F) + 0,188(PBTajustado) + 0,161(PPMajustado) 0,131(Estatura)

11

em que: U: F: PBTajustado: PPMajustado: Estatura: dimetro biepicondilar do mero (cm); dimetro biepicondilar do fmur (cm); permetro ajustado de brao flexionado e tenso (cm); permetro ajustado de perna medial (cm); e estatura (cm).

Tab{G|H}"~ g U}7|8Y{ padronizados para o clculo do componente de mesomorfia equivalentes as medidas dos dimetros biepicondilar do mero (U) e do fmur (F), permetros ajustados de brao flexionado e tenso (PBTajustado) e de perna medial (PPMajustado) em relao estatura do avaliado: Estatura (cm) U (cm) 10,59 10,44 10,30 10,15 10,01 9,86 9,71 9,57 9,42 9,28 9,13 8,99 8,84 8,69 8,55 8,40 8,26 8,11 7,97 7,82 7,67 7,53 7,38 7,24 7,09 6,95 6,80 6,65 6,51 6,36 6,22 6,07 5,93 5,78 5,63 5,49 F (cm) 15,10 14,90 14,69 14,48 14,27 14,06 13,86 13,65 13,44 13,23 13,03 12,82 12,61 12,40 12,19 11,99 11,78 11,57 11,36 11,15 10,95 10,74 10,53 10,32 10,12 9,91 9,70 9,49 9,28 9,08 8,87 8,66 8,45 8,24 8,04 7,83 PBTajustado (cm) 48,3 47,5 46,9 46,3 45,5 44,9 44,3 43,6 43,0 42,3 41,6 41,0 40,3 39,6 39,0 38,3 37,6 37,0 36,3 35,6 35,0 34,3 33,7 33,0 32,3 31,7 31,0 30,3 29,7 29,0 28,3 27,7 27,0 26,3 25,7 25,0 PPMajustado (cm) 56,5 55,7 55,0 54,2 53,4 52,6 51,9 51,1 50,3 49,5 48,7 48,0 47,2 46,4 45,6 44,9 44,1 43,4 42,5 41,7 41,0 40,2 39,4 38,6 37,9 37,1 36,3 35,5 34,7 34,0 33,2 32,4 31,6 30,9 30,1 29,3

227,3 223,5 219,7 215,9 212,1 208,3 204,5 200,7 196,8 193,0 179,2 185,4 181,6 177,8 174,0 170,2 166,4 162,6 158,7 154,9 151,1 147,3

12

143,5 139,7 135,9 132,1 128,3 124,5 120,6 116,8 113,0 109,2 105,4 101,6 97,8 94,0 90,2 86,4

5,34 5,20 5,05 4,91 4,76 4,61 4,47 4,32 4,18 4,03 3,89 3,74 3,59 3,45 3,30 3,16 3,01 2,87

7,62 7,41 7,21 7,00 6,79 6,58 6,37 6,17 5,36 5,75 5,54 5,33 5,13 4,92 4,71 4,50 4,30 4,09

24,4 23,7 23,0 22,4 21,7 21,0 20,4 19,7 19,0 18,4 17,7 17,0 16,4 15,7 15,1 14,4 13,7 13,1

28,5 27,7 27,0 26,2 25,4 24,5 23,9 23,1 22,3 21,5 20,7 20,0 19,2 18,4 17,6 16,9 16,1 15,3

O componente ectomorfo estabelecido com base no clculo do ndice ponderal (IP) ou na razo entre a medida de estatura expressa em cm e a raiz cbica da medida do peso corporal em kg: Estatura IP = -------------------3 Peso corporal Com a utilizao de nomograma (figura 6.69), o ndice ponderal pode ser estabelecido no cruzamento da linha transversal que une os pontos situados nas colunas laterais equivalentes s medidas da estatura e do peso corporal.

nHYd q

dgEy4adca2yFd$

INSERIR FIGURA 6.69ndice ponderal com base nas medidas

de estatura e peso corporal. Ao recorrer ao mtodo tabular, do componente ectomorfo dever a Emagnitude FGHdF78Y ac 7Y7$ @ 478d g ser estabelecida por meio da leitura n No entanto, para envolver as equaes de regresso, existem trs possveis opes para seu clculo. O valor encontrado para o ndice ponderal (IP) o que dever indicar o modelo matemtico a ser empregado. Na possibilidade de IP 40,75: Ecto = (IP x 0,732) 28,58 Se 38,25 < IP < 40,75 Ecto = (IP x 0,463) 17,63 Contudo, se IP 38,25, admite-se o valor mnimo consignado arbitrariamente para a ectomorfia, ou seja, 0,1.

13

EFGHI

ccGgpF787$es ao componente de ectomorfia de acordo com o

ndice ponderal: Dimenso do componente de ectomorfia 0,5 1,0 1,5 2,0 2,5 3,0 3,5 4,0 4,5 5,0 5,5 6,0 6,5 7,0 7,5 8,0 8,5 9,0

ndice ponderal < 39,65 39,66 - 40,74 40,75 - 41,43 41,44 - 42,13 42,14 - 42,82 42,83 - 43,48 43,49 - 44,18 44,19 - 44,84 44,85 - 45,53 45,54 - 46,23 46,24 - 46,92 46,93 - 47,58 47,59 - 48,25 48,26 - 48,94 48,95 - 49,63 49,64 - 50,33 50,34 - 50,99 51,00 - 51,68

Categorias do somattipo Com base nos valores calculados para cada um dos componentes e de acordo com a ordem de distribuio quanto s magnitudes encontradas, torna-se possvel classificar o somattipo do avaliado em diferentes categorias. Em teoria, torna-se possvel estabelecer combinaes entre os trs componentes, o que resulta na definio de 13 categorias do somattipo mutuamente exclusivas. De maneira descritiva, as categorias do somattipo so caracterizadas pelas seguintes combinaes de distribuio dos componentes:

Endomorfo balanceado: A endomorfia dominante, e a mesomorfia e a ectomorfia so iguais ou no diferem em mais de 0,5 unidade. Exemplo: 4-2-2. Meso-endomorfo: A endomorfia dominante, e a mesomorfia maior que a ectomorfia. Exemplo: 4-3-2. Endomorfo-mesomorfo: A endomorfia e a mesomorfia so iguais ou no diferem em mais de 0,5 unidade, e a ectomorfia menor. Exemplo: 4-4-2. Endo-mesomorfo: A mesomorfia dominante, e a endomorfia maior que a ectomorfia. Exemplo: 3-4-2.

14

Mesomorfo-balanceado: A mesomorfia dominante, e a endomorfia e a ectomorfia so iguais ou no diferem em mais de 0,5 unidade. Exemplo: 2-4-2. Ecto-mesomorfo: A mesomorfia dominante, e a ectomorfia maior que a endomorfia. Exemplo: 2-4-3. Mesomorfo-ectomorfo: A mesomorfia e a ectomorfia so iguais ou no diferem em mais de 0,5 unidade, e a endomorfia menor. Exemplo: 2-4-4. Meso-ectomorfo: A ectomorfia dominante, e a mesomorfia maior que a endomorfia. Exemplo: 2-3-4. Ectomorfo-balanceado: A ectomorfia dominante, e a endomorfia e a mesomorfia so iguais ou no diferem em mais de 0,5 unidade. Exemplo: 2-2-4. Endo-ectomorfo: A ectomorfia dominante, e a endomorfia maior que a mesomorfia. Exemplo: 3-2-4. Endomorfo-ectomorfo: A endomorfia e a ectomorfia so iguais ou no diferem em mais de 0,5 unidade, e a mesomorfia menor. Exemplo: 4-2-4. Ecto-endomorfo: A endomorfia dominante, e a ectomorfia maior que a mesomorfia. Exemplo: 4-2-3. Central: Nenhum componente difere em mais de 0,5 unidade dos outros dois componentes: trata-se apenas de valores 3 e 4. Exemplo: 3-3-3; 4-4-4. Representao grfica do somattipo De posse dos valores correspondentes a cada um dos componentes do somattipo, a prxima preocupao ser dispor de recurso visual que possa complementar as informaes obtidas. Neste particular, chama-se a ateno para a necessidade de atender premissa bsica dos conceitos associados ao somattipo, que a interdependncia dos componentes. Ou seja, qualquer modelo grfico a ser empregado na representao do somattipo dever considerar simultaneamente os trs componentes somatotipolgicos. A apresentao isolada dos componentes pode levar a graves deturpaes quando da anlise das informaes, visto que o somattipo caracteriza-se pelo estabelecimento dos trs componentes como um conjunto indissocivel, e no pelas dimenses equivalentes endomorfia, mesomorfia e ectomorfia separadamente. Exemplificando: o valor 4 estabelecido para a endomorfia dever ter representatividade diferente nos somattipos 4-6-4 e 4-2-1 e no deve ser considerado exclusivamente quanto sua magnitude, mas, sobretudo, de modo relativo aos demais componentes. A fim de atender ao conceito de integralidade do somattipo, a opo mais freqentemente empregada na apresentao grfica de seus componentes o somatotipograma, tambm denominado de somatocarta. No entanto, opo tambm muito empregada na representao grfica do somattipo o compograma.

15

O somatotipograma se caracteriza por um tringulo eqiltero de lados curvos que correspondem a arcos de circunferncias com centros em seus vrtices (tringulo de Reuleaux), dividido por trs eixos que se interceptam no centro, formando ngulos de 120o. Cada uma das reas formadas pela bissetriz dos ngulos representa setores de predominncia relativa de um dos componentes. Neste caso, a endomorfia localiza-se esquerda, a mesomorfia na parte superior e a ectomorfia direita. Externamente ao tringulo curvo so traadas duas coordenadas (X e Y). A abscissa e a ordenada das coordenadas apresentam escalas diferentes com relao amplitude de cada unidade, com Y = X 3 por cada unidade na escala. A interseco dos trs eixos no centro do tringulo representa o ponto zero de ambas as coordenadas: a coordenada Y apresenta as dimenses entre +16 e 10 e a coordenada X entre +9 e 9. Na coordenada X, o vrtice equivalente endomorfia representa o ponto 6, e o vrtice equivalente ectomorfia representa o ponto +6, enquanto na coordenada Y o vrtice equivalente endomorfia tambm representa o ponto 6; no entanto, o vrtice equivalente

ycYa8a4Y([email protected] $

INSERIR FIGURA 6.70 HYP FgYa4$74aaFG$$yH74aE$a(4$7nYa787Ey4$os somattipos. Cada somattipo dever localizar-se em um nico ponto do somatotipograma, o que se denomina somatoponto. Para tanto, os valores equivalentes aos trs componentes do somattipo devero ajustar-se s coordenadas X e Y e, desta maneira, estabelecer a posio do somatoponto que indica a localizao do somattipo: X = III I Y = 2II (III + I) em que: I: valor equivalente ao componente de endomorfia; II: valor equivalente ao componente de mesomorfia; e III: valor equivalente ao componente de ectomorfia. Abrindo um parntese em relao utilizao do somatotipograma, em tese possvel que alguns somattipos, mesmo com magnitude diferente de valores em cada componente, possam ser representados por coordenadas X e Y idnticas, o que permite, portanto, sua localizao em um mesmo somatoponto. o caso, por exemplo, de dois avaliados com somattipos 3-5-3 e 4-6-4, respectivamente. Ao calcular as coordenadas, observa-se que estas so idnticas, X = 0 e Y = 4: Somattipo 3-5-3: X = III I =33 =0

Y = 2II (III + I) = 2(5) (3 + 3) = 10 6 =4

16

Somattipo 4-6-4: X = III I =44 =0

Y = 2II (III + I) = 2(6) (4 + 4) = 12 8 =4

Dessa forma, os somattipos desses avaliados devero ser representados em um mesmo ponto do somatotipograma e indicar, em princpio, similaridades entre o tipo fsico de ambos avaliados. Essa situao dever ocorrer sempre que os somattipos em questo forem classificados nas categorias balanceado ou central. Em vista disso, com inteno de evitar eventuais deturpaes em sua anlise, sugere-se que, quando da apresentao dos resultados mediante o somatotipograma, seja informada a categoria em que se enquadra o somattipo do avaliado. Outra opo empregada quando da representao grfica do somattipo o compograma. Para alguns estudiosos da rea, o compograma demonstra ser o recurso voltado anlise grfica do somattipo mais indicado que o somatotipograma na medida em que apresenta, pelas prprias caractersticas, completa especificidade dos componentes do somattipo, independentemente de qualquer outro tipo de informao 1. Para a construo do compograma projetam-se trs eixos verticais escalonados e eqidistantes, representando os componentes de endomorfia, mesomorfia e ectomorfia, respectivamente. A proporo recomendada para as distncias entre os eixos verticais e a distncia de uma unidade nas escalas dos componentes de 5:2 HY$ 4 plotagem do somattipo por este mtodo, o valor equivalente a cada componente demarcado em sua respectiva escala, conectando-se posteriormente esses valores por meio de linhas 2.

INSERIR FIGURA 6.71

HY

!"$#%&'(&0)1%23

urso visual utilizado para representar graficamente os

somattipos. Anlise do somattipo antropomtrico Embora a simples observao quanto magnitude e distribuio dos componentes possa, muitas vezes, atender s expectativas acerca da avaliao do somattipo, freqentemente desejvel complementar as informaes mediante anlises comparativas com indicadores referenciais ou de resultados obtidos pelo mesmo avaliado em momentos anteriores. Em assim sendo, a preocupao fundamental neste tipo de anlise refere-se ao quanto o somattipo do avaliado, em dado momento, possa eventualmente se diferenciar do somattipo apresentado em momentos anteriores ou do somattipo de referencia. Neste caso, considerando que necessrio manter o conceito de integralidade do somattipo 4 [email protected]@[email protected]"T05X5Y9WPa`b5acd`"ReE!9P0fg5YT09(fUV s componentes distintos estes devero ser tratados de maneira a preservar a unidade do conceito, para realizar as anlises comparativas entre os somattipos h 9WEiBE!p1517q507 casos podem ser disponibilizados dois critrios especficos: a distncia de disperso e a distncia espacial entre somattipos.

17

A primeira opo, a distncia de disperso entre os somattipos (DDS), do SDD, apresenta quo distante um original Somatotype Dispersion Distance r somatoponto se localiza do outro quando plotados no somatotipograma 15. Na realidade, este modelo de anlise origina-se do clculo de distncias entre dois pontos em um sistema de coordenadas X e Y, modificando-se apenas no que caracteriza a relao entre a proporo de unidades X e Y equivalente ao somatotipograma, que 3. Assim: DDS = 3(X1 X2)2 + (Y1 Y2)2 em que X1 e Y1: coordenadas de localizao no somatotipograma de um dos somattipos a ser comparado; X2 e Y2: coordenadas de localizao no somatotipograma do outro somattipo a ser comparado; e 3: constante que transforma as unidades da coordenada X em unidades da coordenada Y. Para a interpretao dos valores calculados da DDS foi proposto, arbitrariamente, que as diferenas entre dois somattipos comparados devero ser consideradas significativas quando DDS 2,00, o que corresponde variao igual ou superior a uma unidade em um dos componentes 11. No entanto, convm ressaltar que esse critrio de anlise (DDS 2,00) no tem capacidade de discriminar onde se encontram as diferenas, por isso utilizado somente para indicar que os somattipos comparados no so similares. Para apontar onde se encontram as diferenas, a anlise comparativa dever ser complementada com uma confrontao de cada componente individualmente. Outra opo para o desenvolvimento de anlises comparativas entre dois somattipos o emprego da distncia espacial entre eles (DES). Este critrio surgiu da necessidade de atender aos vieses induzidos pela abordagem bidimensional associada DDS, inerente condensao dos trs componentes do somattipo em um sistema de duas coordenadas X-Y. Em assim sendo, idealizou-se um novo modelo voltado comparao de somattipos com base em uma viso tridimensional que envolve valores dos prprios componentes em vez dos respectivos pontos de localizao X-Y no somatotipograma 6. Esse modelo tridimensional de anlise referendado na literatura como Somatotype Attitudinal Distance r SAD; sua traduo literal, porm, no indica adequadamente a finalidade a que se presta. Por este motivo, tem sido proposta a expresso distncia espacial entre os somattipos, por esta apresentar o sentido biolgico mais apropriado lngua portuguesa e sugerir mais claramente a anlise a realizar. Para seus clculos, utiliza-se a relao matemtica: DES = (IA IB)2 + (IIA IIB)2 + (IIIA IIIB)2 em que I, II e III se referem aos valores equivalente endomorfia, mesomorfia e ectomorfia, respectivamente. Os subndices A e B oferecem indicaes de dois somattipos a serem comparados. De maneira anloga ao modelo bidimensional representado pela DDS, quanto maiores os valores da DES, maiores as diferenas entre os somattipos comparados. Neste sentido, pode-se demonstrar em linguagem matemtica que variaes iguais ou

18

superiores a uma unidade em um dos componentes representam valores de DES 1, contra DDS 2 1. A proposio de indicadores que possam ser utilizados como somattipo de referncia e permitam anlises comparativas de avaliados em fase de crescimento fsico infelizmente quase inexistente na literatura. Esta importante lacuna no campo do conhecimento associado morfologia humana limita enormemente o desenvolvimento de avaliaes voltadas ao somattipo e obriga o profissional da educao fsica a considerar valores mdios provenientes de estudos amostrais em populaes especficas como somattipo de referncia. Alm disso, ao considerar os valores de mdia como indicadores referenciais torna-se necessrio levar em conta a homogeneidade dos dados pertencentes ao grupo amostral envolvido no tratamento estatstico. Admitindo-se a necessidade de garantir o conceito de integralidade entre os componentes do somattipo, a variabilidade dos somattipos individuais em relao ao somattipo mdio do grupo amostral considerado estabelecida pelo ndice de disperso dos somattipos (IDS), no caso da abordagem bidimensional, e por intermdio do ndice de disperso espacial dos somattipos (IDES), no caso da abordagem tridimensional. Conceitualmente, o IDS refere-se mdia das DDSs estabelecida entre as informaes apresentadas pelo somattipo de cada sujeito pertencente amostra e o somattipo mdio calculado: DDS IDS = -----------n De maneira similar, no caso da DES, o IDES referendado na literatura como Somatotype Attitudinal Mean s SAM e expresso pelo modelo: DES IDES = -----------n Com relao interpretao, em situao similar ao uso do desvio-padro como parmetro estatstico, quanto menores eram os valores do IDS ou do IDES, menores diferenas ocorreram entre os somattipos individuais e o somattipo mdio calculado no grupo amostral; portanto, a amostra considerada para proposio do somattipo de referncia foi mais homognea. A tabela 6.32 apresenta informaes quanto aos valores mdios de cada componente e ao IDES reunidas em estudo com amostras de sujeitos do municpio de Londrina, Paran, Brasil 7, 8. Comparativamente com outros estudos disponveis na literatura 5, 13, e embora possa ser possvel identificar discretas diferenas nosistematizadas quanto s dimenses dos componentes de endomorfia e de mesomorfia, verificam-se importantes coincidncias quanto ordem de distribuio dos componentes. Em assim sendo, apesar das limitaes inerentes proposio de indicadores referenciais baseados em estudos regionalizados parece que, na ausncia de outra opo, essas informaes podem ser teis na anlise do somattipo de sujeitos jovens.

19tvuWwbxyu a 0Fu

es quanto aos valores mdios dos componentes somatotipolgicos e dos ndices de disperso espacial dos somattipos (IDES) de sujeitos do municpio de Londrina, Paran, Brasil: Grupo etrio 7 anos 8 anos 9 anos 10 anos 11 anos 12 anos 13 anos 14 anos 15 anos 16 anos 17 anos 18-25 Endomorfia Moas Rapazes 3,80 2,93 3,90 2,90 3,89 2,81 3,63 3,02 3,84 3,06 4,06 2,88 3,93 2,72 4,11 2,47 4,71 2,62 4,83 2,41 4,26 2,93 4,09 2,93 Mesomorfia Moas Rapazes 4,06 4,40 3,85 4,23 3,76 4,04 3,63 4,23 3,22 4,04 3,21 3,95 3,07 3,99 3,01 3,89 3,45 3,62 3,29 3,53 2,92 3,75 3,76 4,80 Ectomorfia Moas Rapazes 2,70 2,69 2,76 2,86 3,09 3,37 3,31 3,18 3,50 3,48 3,52 3,74 3,50 3,73 3,24 3,98 2,71 3,99 2,67 4,03 3,33 3,35 2,11 2,27 IDES Moas Rapazes 1,87 1,17 1,80 1,28 1,74 1,51 1,55 1,63 2,01 1,81 2,25 1,69 2,06 1,58 1,67 1,57 2,15 1,69 2,12 2,02 1,57 1,98 2,05 2,14

Para confrontao do somattipo apresentado pelo avaliado com o somattipo de referncia proposto com base em valores mdios, tendo em vista a necessidade de levar em conta a variabilidade estatstica em torno da mdia, sugere-se considerar a existncia de eventuais diferenas somente quando a distncia espacial entre os somattipos individuais e mdio (DESAB) se apresentar maior que o IDES correspondente idade e ao sexo do avaliado. Na eventualidade de a DESAB se mostrar igual ou menor ao IDES, deve-se considerar que o somattipo do avaliado se aproxima do somattipo de referncia considerado. Nos casos de anlises comparativas com o somattipo de referncia, esta prtica representa avano estatstico em relao interpretao da DDS = 2 ou da DES = 1 na medida em que esta considera no somente a distncia entre os dois somattipos, mas uGSdi(axd"u!xGeufe uhgbu'uwbUyiUj0uj0xkj0u!uWF1elu tambm stica inferencial que deu origem ao somattipo de referncia. Para exemplificar os procedimentos quanto anlise do somattipo, considerase, hipoteticamente, um avaliado do sexo masculino, com 17 anos de idade e as seguintes medidas antropomtricas: Estatura: Peso corporal: Espessuras de dobras cutneas Tricipital: Subescapular: Supra-ilaca Perna medial: Dimetros sseos Biepicondilar do mero: Biepicondilar do fmur: Permetros Brao flexionado e tenso: Perna medial: 175,0cm 76,7kg 10,3mm 8,5mm 18,9mm 7,4mm 6,1cm 9,0cm 29,6cm 34,8cm

20

Para o clculo do componente endomorfo, inicialmente somam-se as espessuras das dobras cutneas medidas nas regies tricipital, subescapular e supra-ilaca: dc = 10,3 + 8,5 + 18,9 dc = 37,7mm Depois, aplica-se a correo para a medida de estatura: 170,18 Xc = dc (-------------) Estatura 170,18 = 37,7 (------------) 175,0 = 37,7 (0,9725) Xc = 36,66mm Posteriormente, de posse da medida ajustada pela estatura equivalente ao somatrio de espessura das dobras cutneas (Xc), ao aplicar modelo matemtico, encontra-se: Xc = 36,66 Xc2 = 1343,96 Xc3 = 49269,41 Endo = 0,1451 (Xc) 0,00068 (Xc)2 + 0,0000014 (Xc)3 + 0,7182 = 0,1451(36,66) 0,00068 (1343,96) + 0,0000014 (49269,41) + 0,7182 = 5,3194 0,9139 + 0,0690 + 0,7182 = 3,76 Ao se recorrer ao mtodo tabular, uma consulta tabela 6.29 mostra que a medida ajustada equivalente ao somatrio das espessuras das dobras cutneas corrigido pela estatura (36,66 mm) est situada no intervalo 35,9 - 40,7, o que corresponde a um valor de endomorfia de 4 unidades somatotipolgicas. noprqSsdt1uvw'p"t1oyxazbu{wq Para clculo do componente mesomorfo, de incio m dimenses de espessura das dobras cutneas so expressas em mm e as de permetrosu'|}nW|}m uf~siqupbunuqSqst1wt1ut1uz0p"ssUnwWvwqz1prsdt1wGt1uGqXt1u|!uGt"set0wqu'p01oadQst1wGqWov

questo de convenincia nos clculos, utiliza-se a transformao das medidas de espessura das dobras cutneas de mm para cm. Neste caso, a medida de espessura da dobra cutnea tricipital equivalente a 10,3mm passa a ser expressa na forma de 1,0cm, e a medida de espessura da dobra cutnea da perna media equivalente a 7,4mm passa a ser expressa na forma de 0,74cm. PBTajustado = PBT DCTR = 29,6 1,03 = 28,57cm PPMajustado = PPM DCPM = 34,8 0,74 PPMajustado = 34,06cm

21

Na seqncia, considerando o modelo matemtico: Meso = 4,50+0,858(U) + 0,601(F) + 0,188(PBTajustado) + 0,161(PPMajustado) 0,131(Est) = 4,50 + 0,858(6,1) + 0,601(9,0) + 0,188(28,57) + 0,161(34,06) 0,131(175,0) = 4,50 + 5,234 + 5,409 + 5,371 + 5,484 22,925 = 3,07 Com base no mtodo tabular, estabelecem-se os desvios que cada medida de dimetro sseo (biepicondilar do mero e do fmur) e de permetros ajustados (brao flexionado e tenso e perna medial) apresentam em relao estatura (tabela 6.30). Como passo inicial, assinala-se na primeira coluna o valor tabelado de estatura que mais se aproxima da medida real de estatura do avaliado. No exemplo considerado, a medida [email protected](1bUr'"UGa0GgWi0W$r0W Depois, considera-se que os valores tabelados correspondentes s medidas de dimetro biepicondilar do mero e do fmur e dos permetros do brao flexionado e tenso e da perna medial que se encontram nesta mesma linha projetada direita apresentam desvio zero em relao estatura. As medidas para aqueles indicadores antropomtricos que se situam acima da linha projetada de estatura apresentam desvios positivos, e as que se situam abaixo da linha projetada de estatura apresentam desvios negativos. No exemplo trabalhado encontram-se os desvios: Varivel antropomtrica Dimetro epicondilar do mero: Dimetro epicondilar do fmur: Permetro: brao flexionado tensoajustado: Permetro da perna medialajustado: Aplicando-se o modelo matemtico: D Meso = (------) + 4 8 (3) + (1) + (2) + (1) = (-----------------------------) + 4 8 7 = (------) + 4 8 = 0,88 + 4 = 3,12 Para o clculo do componente ectomorfo, primeiramente se determina o ndice ponderal (IP): Estatura IP = -------------------3 Peso corporal Medida 6,1cm 9,0cm 28,57cm 34,06cm Desvio 3 1 2 1

22

175,0 = -----------3 76,7 175,0 = -----------4,25 = 41,18cm/kg Considerando IP 40,75, utiliza-se o modelo: Ecto = (IP x 0,732) 28,58 = (41,18 x 0,732) 28,58 Ecto = 1,56 Com base no mtodo tabular, uma consulta tabela 6.31 mostra que o valor do ndice ponderal (41,18cm/kg) est situado no intervalo 40,75 41,43, o que corresponde a uma ectomorfia de 1,5. A figura 6.72 ilustra o clculo dos componentes do somattipo mediante o mtodo tabular com a proposta de Heath e Carter.

INSERIR FIGURA 6.721q a!

lculo dos componentes do somattipo mediante o mtodo tabular. Em assim sendo, o tipo fsico do avaliado considerado no exemplo caracteriza-se por um somattipo expresso pelos valores 3,76-3,07-1,56, ou seja, meso-endomorfo, com predominncia do componente endomorfo, e mesomorfia superior ectomorfia. Supondo-se que este mesmo avaliado, aos 16 anos, apresentava somattipo representado pelos valores 3,59-3,01-1,96, aps utilizao dos procedimentos matemticos recomendados constata-se uma DDS = 1,05 e uma DES = 0,44. Estabelecendo-se as coordenadas X-Y: X = III I X16 anos = 1,96 3,59 X16 anos = -1,63 X17 anos = 1,56 3,76 X17 anos = - 2,20 Y = 2II (III + I) Y16 anos = 2(3,01)-(1,96 + 3,59) = 6,02 5,55 X16 anos = 0,47 Y17 anos = 2(3,07)-(1,56 + 3,76) = 6,14 5,32 X16 anos = 0,82

23

Calculando-se a DDS entre os somattipos equivalentes aos 16 e aos 17 anos: DDS = 3(X1 X2)2 + (Y1 Y2)2 = 3((-1,63) (-2,20))2 + (0,47 0,82)2 = 3(-0,57)2 + (- 0,35)2 = 3(0,3249) + (0,1225) = 0,9747 + 0,1225 = 1,0972 DDS16-17 anos = 1,05 Calculando-se a DES entre os somattipos equivalentes aos 16 e aos 17 anos: DES = (IA IB)2 + (IIA IIB)2 + (IIIA IIIB)2 = (3,59 3,76)2 + (3,01 3,07)2 + (1,96 1,56)2 = (-0,17)2 + (-0,06)2 + (0,40)2 = 0,0289 + 0,0036 + 0,1600 = 0,1925 DES16-17 anos = 0,44 Ainda, comparativamente com o somattipo de referncia para a idade e o sexo apresentado na tabela 6.32 (16 anos: 2,41 3,53 4,03; 17 anos: 2,93 3,75 3,35) calcula-se a DES entre o somottipo do avaliado nos dois momentos e os somattipos de referncia: DES16 anos-referncia = (3,59 2,41 )2 + (3,01 3,53 )2 + (1,96 4,03 )2 = (1,18)2 + (-0,52)2 + (-2,07)2 = 1,3924 + 0,2704 + 4,2849 = 5,9477 DES16 anos-referncia = 2,44 DES17 anos-referncia = (3,76 2,93 )2 + (3,07 3,75 )2 + (1,56 3,35 )2 = (0,83)2 + (-0,68)2 + (-1,79)2 = 0,6889 + 0,4624 + 3,2041 = 4,3554 DES17 anos-referncia = 2,09 Ao verificar que, em ambos os casos, a DES (16 anos = 2,44; 17 anos = 2,09) foi superior aos respectivos IDES (16 anos = 2,02; 17 anos = 1,98), conclui-se que, nas duas idades consideradas, o somattipo apresentado pelo avaliado se diferencia do somattipo de referncia. Pela anlise individual dos componentes constata-se que o avaliado apresenta componente de endomorfia superior (1,18 aos 16 anos e 0,83 aos 17 anos), o que sugere tipo fsico associado maior proporo de gordura corporal relativa em comparao com a referncia. Na seqncia, observam-se menores valores equivalentes mesomorfia (-0,52 aos 16 anos e 0,68 aos 17 anos), o que traduz dficit no desenvolvimento msculo-esqueltico. De maneira especulativa, provavelmente em

24

conseqncia do maior peso corporal resultante dos valores mais elevados observados no componente de endomorfia, as dimenses equivalentes ectomorfia do avaliado nos dois momentos apresentaram-se menores (-2,07 aos 16 anos e -1,79 aos 17 anos) que a proposta de referncia. A figura 6.73 procura ilustrar a disposio dos somattipos do avaliado e dos somattipos de referncia em ambas as idades consideradas.

INSERIR FIGURA 6.73Figura 6.73 Apresentao grfica dos somattipos do avaliado e dos somattipos de referncia em ambas as idades consideradas. Exemplo hipottico.

Referncias bibliogrficas1. Araujo CGS. Dez anos do somattipo Heath-Carter no Brasil: um posicionamento crtico. In: Arajo CGS (Eds.). Fundamentos Biolgicos Medicina Desportiva. Rio de Janeiro: Livro Tcnico. 1985. p.65-85. 2. Arajo CGS; Gomes PSC; Moutinho MFCS. Compograma: um novo mtodo para plotar somattipos. Cadernos Artus de Medicina Desportiva, v.1, p.43-46, 1977. 3. Cureton TK Jr. Physical Fitness Appraisal and Guidance. St. Louis: C.V.Mosby Co. 1947. 4. Carter JEL; Health BH. Somatotyping: Development and Applications. Cambridge: Cambridge University Press. 1990. 5. Duquet W; Borms J; Hebbelinck M et al. Longitudinal study of the stability of the somatotype in boys and girls. In: Duquet W; Day JAP (Eds.). Kinanthropometry IV. London: E & PN Spon. 1993. p.54-67. 6. Duquet W; Hebbelinck M. Application of the somatotype attitudinal distance to the study of group and individual somatotype status and relations. In: Eiben O (Eds.). Growth and Development: Physique. Budapest: Hungarian Academy of Sciences. 1977. p.377-384. 7. Guedes DP. Estudo somatotipolgico em graduandos de educao fsica. Revista Semina, v.3, p.219-223, 1982. 8. Guedes DP; Guedes JERP. Somattipo de crianas e adolescentes do municpio de Londrina, Paran, Brasil. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. v.1, n.1, p.7-17, 1999. 9. Heath BH. Need for modification of somatotype methodology. American Journal of Physical Anthropology, v.21, p.227-233, 1963. 10. Heath BH; Carter JEL. A modified somatotype method. American Journal of Physical Anthropology, v.27, p.57-74, 1967. 11. Hebbelinck M; Carter JEL; DeGaray A. Body build and somatotype of olympic swimmers, divers, and waterpolo players. In: Lewillie L; Clarys JP. (Eds.). Swimming II. Baltimore, University Park Press. 1975, p.285-305. 12. Hooton EA. Handbook of Body Types in the United States Army. Cambridge: Department of Anthropology, Harvard University. 1951. 13. Ji C; Ohsawa S. Changes in somatotype during growth in chineses youth 7-18 years of age. American Journal of Human Biology, v.8, p.347-359, 1996.

25

14. Parnell RW. Somatotyping by physical anthropometry. American Journal of Physical Anthropology, v.12, p.209-239, 1954. 15. Ross WD; Wilson BD. A somatotype dispersion distance. Research Quarterly, v.44, p.372-374, 1973. 16. Sheldon WH; Stevens SS; Tucker WB. The Varieties of Human Physique. New York: Harper & Bros. 1940.