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CONTRIBUIES DOS PARQUES TECNOLGICOS PARA O

DESENVOLVIMENTO LOCAL/REGIONAL: UMA REVISO DE LITERATURA

IJEAN GOMES RIEDO Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Incubadora de Tecnologias Sociais e Solidrias -

ITESS/UFGD, Brasil

E-mail: [email protected]

LUAN CARLOS SANTOS SILVA Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Faculdade de Administrao, Cincias Contbeis e

Economia, Brasil

E-mail: [email protected]

EVERTON VIANA TAVARES Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Faculdade de Administrao, Cincias Contbeis e

Economia, Brasil

E-mail: [email protected]

RESUMO:

O processo de globalizao econmica tem provocado mudanas substanciais na sociedade

como um todo e, especificamente, sobre as empresas. Neste sentido, a concorrncia deixa de

ocorrer entre empresas para ocorrer entre regies. Assim, a competitividade das empresas

depende diretamente da qualidade do entorno criado pela regio. Com isso, as empresas

deixam de procurar regies com mo-de-obra abundante e com incentivos fiscais, para buscar

regies que ofeream um ambiente favorvel inovao. Desta forma, diferentes regies tm

implantado parques cientficos e tecnolgicos como forma de ampliar as suas respectivas

atratividades. Dentro deste contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar como os

parques tecnolgicos podem contribuir para o desenvolvimento local/regional no Brasil e

outros pases, procurando identificar um conjunto de melhores prticas na literatura. Como

procedimentos metodolgicos adotados, a pesquisa configurou-se como bibliogrfica, de

natureza bsica, e carter descritivo e exploratrio. Atravs do estudo, foi possvel verificar

que os parques tecnolgicos so considerados como um mecanismo de desenvolvimento

econmico consolidado, que agrega investimentos pblicos, iniciativa privada e

universidades. um mecanismo que necessita reunir as empresas de TIC, Economia Criativa,

servios especializados e rgos de fomento.

Palavras-chave: Parques Tecnolgicos, Inovao, Empreendedorismo.

INTRODUO

Com o objetivo de superar os desafios postos pelo processo de globalizao e pela competio

esto cada vez mais acirradas, as regies tm assumido novos desafios e tm desenvolvido

diferentes programas e projetos para os quais convirjam os interesses dos diversos atores

mailto:[email protected]:[email protected]:[email protected]

envolvidos, pblicos e privados, possibilitando maior interao entre eles de forma mais

efetiva e menos burocrtica (Etzkowitz e Leydesdorff, 2000).

Como consequncia do protagonismo das regies, diversas experincias so empreitadas no

sentido de promover a inovao e o desenvolvimento econmico em mbito territorial. Essas

iniciativas tm assumido as seguintes formas institucionais de arranjos locais: distritos

industriais, incubadoras, parques tecnolgicos, arranjos produtivos locais, entre outras

(Cassiolato e Lastres, 2003; Hoffmann et al., 2010).

Em especial, os parques tecnolgicos, ao permitirem a integrao de diferentes instituies

territoriais e nacionais, tm se apresentado como possvel soluo para o problema da

promoo de inovao tecnolgica e do crescimento econmico em mbito territorial.

Surgidos originalmente de forma espontnea no contexto da interao entre universidades e

empresas, os parques tecnolgicos proliferaram pelo mundo nas dcadas de 1970 e 1980 por

meio de polticas pblicas, como resposta mudana tcnicoeconmica do sistema de produo (do fordismo para o ps-fordismo). Os parques tecnolgicos ganham destaque tanto

pela amplitude de atendimento s empresas e demais organizaes locais quanto por sua

necessidade de articulao territorial e supraterritorial ou, ainda, pelo volume de recursos

necessrios para sua implantao e desenvolvimento. Entretanto, a literatura emprica

internacional tem demonstrado que as muitas experincias com parques tecnolgicos no tm

alcanado os resultados esperados (Swyngedouw, 1992).

O presente artigo analisa, do ponto de vista da literatura atualizada, como os parques

tecnolgicos contribuem para o desenvolvimento local/regional. O primeiro objetivo

contribuir com a discusso a respeito dos conceitos de parques tecnolgicos. Com este intuito,

o artigo est dividido em trs sees alm desta introduo e da concluso.

Na segunda seo apresentada a aplicao dos parques tecnolgicos no Brasil verifica-se

uma grande diversidade de definies e terminologias decorrentes das adaptaes dos parques

tecnolgicos s diferentes realidades regionais.

A seo trs compara os parques tecnolgicos entre pases, com especial destaque para o

desenvolvimento local/regional dos agentes envolvidos. Por fim, as consideraes finais

apresentadas procuram alertar sobre as potencialidades e entraves do desenvolvimento

local/regional dentro e fora de parques tecnolgicos.

PROCEDIMENTOS METODOLGICOS

Esta pesquisa tem como objetivo investigar o desenvolvimento local por meio de parques

tecnolgicos, em face de proporcionar ampliao de competncias organizacionais, que

refletir na melhoria do desempenho regional, resultando na eficcia dos resultados

almejados.

Atravs de uma pesquisa bibliogrfica, de natureza bsica, de carter descritivo e exploratrio

(Gil, 1999), buscou-se perceber as possibilidades e restries no uso de parques tecnolgicos.

Inicialmente buscou-se definir o conceito de parques cientifico e tecnolgicos, visando maior

compreenso da influncia de fatores tcnicos e comportamentais nos desempenhos

organizacionais e por fim buscou-se analisar a literatura existente sobre as discusses atuais,

terico e emprico, a respeito de Parques Cientficos e Tecnolgicos.

A plataforma de base de dados utilizada foi a Scielo, onde foram coletados 38 (trinta e oito)

artigos. O descritor utilizado para a busca foi parques cientficos e tecnolgicos, na lngua

inglesa e portuguesa. Em seguida, apresentam-se os casos pesquisados nos artigos analisados,

que foram lidos na integra, e aps foram comparados.

RESULTADOS E DISCUSSO

Diversas experincias para o desenvolvimento econmico em mbito territorial tm sido

identificadas. A literatura nacional e internacional apontam as seguintes formas institucionais

de arranjos locais: distritos industriais, arranjos produtivos locais, incubadoras de empresas,

parques tecnolgicos, entre outras.

Quadro 1 Formas institucionais de arranjos locais

Formas institucionais Descrio

Distrito industrial

Referem-se a aglomeraes de empresas com elevado grau de

especializao e interdependncia, seja de carter horizontal

(entre empresas de um mesmo segmento, ou seja, que realizam

atividades similares) ou vertical (entre empresas que

desenvolvem atividades complementares em diferentes estgios

da cadeia produtiva).

Arranjos produtivos

locais

Referem-se a aglomeraes territoriais de agentes econmicos,

polticos e sociais, inter-relacionados, englobando empresas

ligadas a uma cadeia produtiva e entidades e organizaes

pblicas e privadas com as quais as empresas se relacionam.

Incubadoras de

empresas

Apresentam-se como instrumento mais limitado em termos

fsicos e tm como foco o atendimento exclusivo de micro e

pequenas empresas e no so necessariamente de base

tecnolgica.

Parques tecnolgicos

Referem-se predominante a aglomeraes de empresas de base

tecnolgica, que podem ser pequenas ou no, articuladas a

universidades e centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D),

possibilitando sinergias decorrentes da proximidade entre os

atores.

Fonte: Gaino e Pamplona (2014).

As incubadoras de empresas e os parques tecnolgicos pertencem mesma famlia de

polticas de apoio inovao e empreendedorismo. H outras denominaes utilizadas para

parques tecnolgicos que variam no tempo e conforme a regio ou pas de anlise, sendo as

mais conhecidas: cidade cientfica, cidade tecnolgica, tecnpolis, parque cientfico, parque

de pesquisa, entre outras (Gaino e Pamplona, 2014).

Quadro 2 Diferena entre parques cientficos e parques tecnolgicos

Parques cientficos

(Science park)

Principal atividade da maioria dos estabelecimentos instalados

a pesquisa e/ou o desenvolvimento de novos produtos ou

processos

Parques tecnolgicos

Zona de atividade econmica composta por universidades,

centros de investigao, unidades industriais e tercirias que

realizam suas atividades baseadas em pesquisa e

desenvolvimento tecnolgico. So permitidas e estimuladas

atividades de produo e comercializao de bens e servios

Fonte: Gaino e Pamplona (2014).

A ideia de interao entre universidade e empresa materializou-se, entre outros aspectos, no

conceito de parques tecnolgicos (e incubadoras), alguns deles localizados junto a

universidades e (ou) centros de pesquisa (Guimares, 2015).

Figura 1 Atores que contemplam os parques tecnolgicos

Fonte: Elaborado pelo autor a partir de Gonalves e Freire (2007).

Os grupos formados por empresrios e os chamados acadmicos-empresrios (universidade)

so estimulados a pa