HISTORIA GERAL

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Primeira Guerra Mundial A Primeira Guerra Mundial (também conhecida como Grande Guerra antes de 1939, e Guerra das Guerras) foi um conflito mundial ocorrido entre 28 de Julho de 1914 e 11 de Novembro de 1918. A guerra ocorreu entre a Tríplice Entente (liderada pelo Império Britânico, França, Império Russo (até 1917) e Estados Unidos (a partir de 1917) que derrotou a coligação formada pelas Potências Centrais (liderada pelo Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Império Turco- Otomano)[1], e causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente. No início da guerra (1914), a Itália era aliada dos Impérios Centrais na Tríplice Aliança, mas, considerando que a aliança tinha carácter defensivo (e a guerra havia sido declarada pela Áustria) e a Itália não havia sido preventivamente consultada sobre a declaração de guerra, o governo italiano afirmou não se sentir vinculado à aliança e que, portanto, permaneceria neutro. Mais tarde, as pressões diplomáticas da Grã-Bretanha e da França fizeram-na firmar em 26 de abril de 1915 um pacto secreto contra o aliado austríaco, chamado Pacto de Londres, no qual a Itália se empenharia a entrar em guerra decorrido um mês em troca de algumas conquistas territoriais que obtivesse ao fim da guerra: o Trentino, o Tirol Meridional, Trieste, Gorizia, Ístria (com exceção da cidade de Fiume), parte da Dalmácia, um protetorado sobre a Albânia, sobre algumas ilhas do Dodecaneso e alguns territórios do Império Turco, além de uma expansão das colônias africanas, às custas da Alemanha (a Itália já possuía na África: a Líbia, a Somália e a Eritreia). O não-cumprimento das promessas feitas à Itália foi um dos fatores que a levaram a aliar-se ao Eixo na Segunda Guerra Mundial. Em 1917, a Rússia abandonou a guerra em razão do início da Revolução. No mesmo ano, os EUA, que até então só participavam na guerra como fornecedores, ao ver os seus investimentos em perigo, entram militarmente no conflito, mudando totalmente o destino da guerra e garantindo a vitória da Tríplice Entente. Introdução Muitos dos combates na Primeira Guerra Mundial ocorreram nas frentes ocidentais, em trincheiras e fortificações (separadas pelas "Terras de Ninguém", que era o espaço entre cada trincheira, onde vários cadáveres ficavam à espera do recolhimento) do Mar do Norte até a Suíça. As batalhas davam-se em invasões dinâmicas, em confrontos no mar, e pela primeira vez na história, no ar.

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Primeira Guerra Mundial

A Primeira Guerra Mundial (também conhecida como Grande Guerra antes de 1939, e Guerra das Guerras) foi um conflito mundial ocorrido entre 28 de Julho de 1914 e 11 de Novembro de 1918.

A guerra ocorreu entre a Tríplice Entente (liderada pelo Império Britânico, França, Império Russo (até 1917) e Estados Unidos (a partir de 1917) que derrotou a coligação formada pelas Potências Centrais (liderada pelo Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Império Turco-Otomano)[1], e causou o colapso de quatro impérios e mudou de forma radical o mapa geo-político da Europa e do Médio Oriente.

No início da guerra (1914), a Itália era aliada dos Impérios Centrais na Tríplice Aliança, mas, considerando que a aliança tinha carácter defensivo (e a guerra havia sido declarada pela Áustria) e a Itália não havia sido preventivamente consultada sobre a declaração de guerra, o governo italiano afirmou não se sentir vinculado à aliança e que, portanto, permaneceria neutro. Mais tarde, as pressões diplomáticas da Grã-Bretanha e da França fizeram-na firmar em 26 de abril de 1915 um pacto secreto contra o aliado austríaco, chamado Pacto de Londres, no qual a Itália se empenharia a entrar em guerra decorrido um mês em troca de algumas conquistas territoriais que obtivesse ao fim da guerra: o Trentino, o Tirol Meridional, Trieste, Gorizia, Ístria (com exceção da cidade de Fiume), parte da Dalmácia, um protetorado sobre a Albânia, sobre algumas ilhas do Dodecaneso e alguns territórios do Império Turco, além de uma expansão das colônias africanas, às custas da Alemanha (a Itália já possuía na África: a Líbia, a Somália e a Eritreia). O não-cumprimento das promessas feitas à Itália foi um dos fatores que a levaram a aliar-se ao Eixo na Segunda Guerra Mundial.

Em 1917, a Rússia abandonou a guerra em razão do início da Revolução. No mesmo ano, os EUA, que até então só participavam na guerra como fornecedores, ao ver os seus investimentos em perigo, entram militarmente no conflito, mudando totalmente o destino da guerra e garantindo a vitória da Tríplice Entente.

Introdução

Muitos dos combates na Primeira Guerra Mundial ocorreram nas frentes ocidentais, em trincheiras e fortificações (separadas pelas "Terras de Ninguém", que era o espaço entre cada trincheira, onde vários cadáveres ficavam à espera do recolhimento) do Mar do Norte até a Suíça. As batalhas davam-se em invasões dinâmicas, em confrontos no mar, e pela primeira vez na história, no ar.

O saldo foi de mais de 19 milhões de mortos, dos quais 5% eram civis[carece de fontes?]. Na Segunda Guerra Mundial, este número aumentou em 60%.

O conflito rompeu definitivamente com a antiga ordem mundial criada após as Guerras Napoleônicas, marcando a derrubada do absolutismo monárquico na Europa.

Três impérios europeus foram destruídos e consequentemente desmembrados: Alemão, o Austro-Húngaro e o Russo. Nos Bálcãs e no Médio Oriente o mesmo ocorreu com o Império Turco-Otomano. Dinastias imperiais europeias como as das famílias Habsburgos, Romanov e Hohenzollern, que vinham dominando politicamente a Europa e cujo poder tinha raízes nas Cruzadas, também caíram durante os quatro anos de guerra.

O fracasso da Rússia na guerra acabou contribuindo para a queda do sistema czariano, servindo de catalisador para a Revolução Russa que inspirou outras em países tão diferentes como China e Cuba, e que serviu também, após a Segunda Guerra Mundial, como base para a Guerra Fria. No Médio Oriente, o Império Turco-Otomano foi substituído pela República da Turquia e muitos territórios por toda a região acabaram em mãos inglesas e francesas. Na Europa Central os novos estados Tchecoslováquia, Finlândia, Letônia, Lituânia, Estônia e Iugoslávia "nasceram" depois da guerra e os estados da Áustria, Hungria e Polônia foram redefinidos. Pouco tempo depois da guerra, em 1923, os

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Fascistas tomaram o poder na Itália. A derrota da Alemanha na guerra e o fracasso em resolver assuntos pendentes no período pós-guerra, alguns dos quais haviam sido causas da Primeira Guerra, acabaram por criar condições para a ascensão do Nazismo quatorze anos depois e para a Segunda Guerra Mundial em 1939, vinte anos depois.

Antecedentes e possíveis causas

Em 28 de Junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Austro-Húngaro, e sua esposa Sofia, Duquesa de Hohenberg, foram assassinados pelo sérvio Gavrilo Princip, que pertencia ao grupo nacionalista-terrorista armado Mão Negra (oficialmente chamado "Unificação ou Morte"), que lutava pela unificação dos territórios que continham sérvios.

O assassinato desencadeou os eventos que rapidamente deram origem à guerra, mas suas verdadeiras causas são muito mais complexas. Historiadores e políticos têm discutido essa questão por quase um século sem chegar a um consenso. Algumas das melhores explicações estão listadas abaixo:

Corrida armamentista

A corrida naval entre Inglaterra e Alemanha foi intensificada em 1906 pelo surgimento do HMS Dreadnought, revolucionário navio de guerra. Uma evidente corrida armamentista na construção de navios desdobrava-se entre as duas nações. O historiador Paul Kennedy argumenta que ambas as nações acreditavam nas teorias de Alfred Thayer Mahan, de que o controle do mar era vital a uma nação.

O também historiador David Stevenson descreve a corrida como um "auto reforço de um ciclo de elevada prontidão militar", enquanto David Herrman via a rivalidade naval como parte de um grande movimento para a guerra. Contudo, Niall Ferguson argumenta que a superioridade britânica na produção naval acabou por transformar tal corrida armamentista em um fator que não contribuiu para a movimentação em direção a guerra.

Este período, entre 1885 e 1914, ficou conhecido como a Paz Armada.

Militarismo e autocracia

O Kaiser, propaganda militar humorística francesa.

O presidente dos EUA Woodrow Wilson e outros observadores americanos culpam o militarismo pela guerra. A tese é que a aristocracia e a elite militar tinham um controle grande demais sobre a Alemanha, Itália e o Império Austro-Húngaro, e que a guerra seria a consequência de seus desejos pelo poder militar e o desprezo pela democracia. Consequentemente, os partidários dessa teoria pediram pela abdicação de tais soberanos, o fim do sistema aristocrático e o fim do militarismo -

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tudo isso justificou a entrada americana na guerra depois que a Rússia czarista abandonou a Tríplice Entente. Wilson esperava que a Liga das Nações e um desarmamento universal poderia resultar numa paz, admitindo-se algumas variantes do militarismo como nos sistemas políticos da Inglaterra e França.[4]

Imperialismo econômico

Lênin era um famoso defensor de que o sistema imperialista vigente no mundo era o responsável pela guerra. Para corroborar as suas ideias ele usou as teorias econômicas de Karl Marx e do economista inglês John A. Hobson, que antes já tinha previsto as consequências do imperialismo econômico na luta interminável por novos mercados, que levaria a um conflito global, em seu livro de 1902 chamado "Imperialismo".[5] Tal argumento provou-se convincente no início imediato da guerra e ajudou no crescimento do Marxismo e Comunismo no desenrolar do conflito. Os panfletos de Lênin de 1917, "Imperialismo: O Último Estágio do Capitalismo", tinham como argumento que os interesses dos bancos em várias das nações capitalistas/imperialistas tinham levado à guerra.[6]

Nacionalismo, romantismo e a "nova era"

Recrutamento de britânicos para a guerra, a exemplo da onda nacionalista que varria o continente europeu.

Os líderes civis das nações europeias estavam na época enfrentando uma onda de fervor nacionalista que estava se espalhando pela Europa há anos, como memórias de guerras enfraquecidas e rivalidades entre povos, apoiados por uma mídia sensacionalista e nacionalista. Os frenéticos esforços diplomáticos para mediar a rixa entre o Império Austro-Húngaro e a Sérvia foram irrelevantes, já que a opinião pública naquelas nações pediam pela guerra para defender a chamada honra nacional. Já a aristocracia exercia também forte influência pela guerra, acreditando que ela poderia consolidar novamente seu poder doméstico. A maioria dos beligerantes pressentiam uma rápida vitória com consequências gloriosas. O entusiasmo patriótico e a euforia presentes no chamado Espírito de 1914 revelavam um grande otimismo para o período pós-guerra.

Culminação da história europeia

A guerra localizada entre o Império Austro-Húngaro e a Sérvia teve como principal (e quase único) motivo o Pan-eslavismo, o movimento separatista dos Bálcãs. O Pan-eslavismo influenciava a política externa russa, principalmente pelos cidadãos eslavos no país e os desejos econômicos de um porto em águas quentes.[7] O desenrolar da Guerra dos Balcãs refletia essas novas tendências de poder das nações europeias. Para os germânicos, tanto as Guerras Napoleónicas quanto a Guerra dos Trinta Anos foram caracterizados por invasões que tiveram um grande efeito psicológico; era a posição precária da Alemanha no centro da Europa que tinha levado a um plano ativo de defesa como o Plano Schlieffen [8]. Ao mesmo tempo a transferência da disputada Alsácia e Lorena e a derrota na Guerra franco-prussiana influenciaram a política francesa, dando origem ao chamado revanchismo. Após a Liga

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dos Três Impérios ter se desmanchado, a França formou uma aliança com a Rússia, e a guerra por duas frentes começou a se tornar uma preocupação para o exército alemão.

História

A crise de Julho e as declarações de guerra

Declaração de guerra do Império Alemão em 1914.

Após o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando em 28 de Junho, o Império Austro-Húngaro esperou três semanas antes de decidir tomar um curso de ação. Essa espera foi devida ao fato de que grande parte do efetivo militar estava na ajuda a colheita, o que impossibilitava a ação militar naquele período. Em 23 de Julho, graças ao apoio incondicional alemão (carta branca) ao Império Austro-Húngaro se a guerra eclodisse, foi-se mandando um ultimato a Sérvia que continha várias requisições, entre elas a que agentes austríacos fariam parte das investigações, e que a Sérvia seria a culpada pelo atentado. O governo sérvio aceitou todos os termos do ultimato, com exceção da participação de agentes austríacos, o que na opinião sérvia constituía uma violação de sua soberania.

Por causa desse termo, rejeitado em resposta sérvia em 26 de Julho, o Império Austro-Húngaro cortou todas as relações diplomáticas com o país e declarou guerra ao mesmo em 28 de Julho, começando o bombardeio à Belgrado (capital sérvia) em 29 de Julho. No dia seguinte, a Rússia, que sempre tinha sido uma aliada da Sérvia, deu a ordem de locomoção a suas tropas. Os alemães, que tinham garantido o apoio ao Império Austro-Húngaro no caso de uma eventual guerra mandaram um ultimato ao governo russo para parar a mobilização de tropas dentro de 12 horas, no dia 31. No primeiro dia de Agosto o ultimato tinha expirado sem qualquer reação russa. A Alemanha então declarou-lhe guerra. Em 2 de Agosto a Alemanha ocupou Luxemburgo, como o passo inicial da invasão à Bélgica e do Plano Schlieffen (estratégia de defesa alemã que previa a invasão da França, Inglaterra e Rússia). A Alemanha tinha enviado outro ultimato, desta vez à Bélgica, requisitando a livre passagem do exército alemão rumo à França. Como tal pedido foi recusado, foi declarada guerra à Bélgica.

Em 3 de Agosto a Alemanha declarou guerra à França, e no dia seguinte invadiu a Bélgica. Tal ato, violando a soberania belga - que Grã-Bretanha, França e a própria Alemanha estavam comprometidos a garantir fez com que o Império Britânico saísse da sua posição neutra e declarasse guerra à Alemanha em 4 de Agosto.

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O início dos confrontos

Alianças militares europeias em 1915. A Tríplice Aliança está representada em castanho, a Tríplice Entente em verde e as nações neutras em pêssego.

Algumas das primeiras hostilidades de guerra ocorreram no continente africano e no Oceano Pacífico, nas colônias e territórios das nações europeias. Em Agosto de 1914 um combinado da França e do Império Britânico invadiu o protetorado alemão da Togoland, no Togo. Pouco depois, em 10 de Agosto, as forças alemãs baseadas na Namíbia atacaram a África do Sul, que pertencia ao Império Britânico. Em 30 de Agosto a Nova Zelândia invadiu a Samoa, da Alemanha; em 11 de Setembro a Força Naval e Expedicionária Australiana desembarcou na ilha de Neu Pommern (mais tarde renomeada Nova Britânia), que fazia parte da chamada Nova Guinéa Alemã. O Japão invadiu as colônias micronésias e o porto alemão de abastecimento de carvão de Qingdao na península chinesa de Shandong. Com isso, em poucos meses, a Tríplice Entente tinha dominado todos os territórios alemães no Pacífico. Batalhas esporádicas, porém, ainda ocorriam na África.

Na Europa, a Alemanha e o Império Austro-Húngaro sofriam de uma mútua falta de comunicação e desconhecimento dos planos de cada exército. A Alemanha tinha garantido o apoio à invasão Austro-Húngara a Sérvia, mas a interpretação prática para cada um dos lados tinha sido diferente. Os líderes do Austro-Húngaros acreditavam que a Alemanha daria cobertura ao flanco setentrional contra a Rússia. A Alemanha, porém, tinha planejado que o Império Austro-Húngaro focasse a maioria de suas tropas na luta contra a Rússia enquanto combatia a França na Frente Ocidental. Tal confusão forçou o exército Austro-Húngaro a dividir suas tropas. Mais da metade das tropas foi combater os russos na fronteira, enquanto um pequeno grupo foi deslocado para invadir e conquistar a Sérvia.

A Batalha Sérvia

Tropas austríacas executando prisioneiros sérvios.

O exército sérvio submeteu-se a uma estratégia defensiva para conter os invasores austro-húngaros, o que culminou na Batalha de Cer. Os sérvios ocuparam posições defensivas no lado sul do rio Drina. Nas duas primeiras semanas os ataques austro-húngaros foram repelidos causando grandes perdas ao exército das Potências Centrais. Essa foi a primeira grande vitória da Tríplice Entente na guerra. As expectativas austro-húngaras de uma vitória fácil e rápida não foram realizadas e como

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resultado o Império Austro-Húngaro foi obrigado a manter uma grande força na fronteira sérvia, enfraquecendo as tropas que batalhavam contra a Rússia.

Alemanha na Bélgica e França

Assalto francês às posições alemãs em Champagne, França, 1917.

Após invadir o território belga, o exército alemão logo encontrou resistência na fortificada cidade de Liège. Apesar do exército ter continuado a rápida marcha rumo à França, a invasão germânica tinha provocado a decisão britânica de intervir em ajuda a Tríplice Entente. Como signatário do Tratado de Londres, o Império Britânico estava comprometido a preservar a soberania belga. Para a Grã-Bretanha os portos de Antwerp e Ostend eram importantes demais para cair nas mãos de uma potência continental hostil ao país.[9] Para tanto, enviou um exército para a Bélgica, atrasando o avanço alemão.

Inicialmente os mesmos tiveram uma grande vitória na Batalha das Fronteiras (14 de Agosto a 24 de Agosto de 1914). A Rússia, porém, atacou a Prússia Oriental, o que obrigou o deslocamento das tropas alemãs que estavam planejadas para ir a Frente Ocidental. A Alemanha derrotou a Rússia em uma série de confrontos chamados da Segunda Batalha de Tannenberg (17 de Agosto a 2 de Setembro de 1914). O deslocamento imprevisto para combater os russos, porém, acabou permitindo uma contra-ofensiva em conjunto das forças francesas e inglesas, que conseguiram parar os alemães em seu caminho para Paris, na Primeira Batalha do Marne (Setembro de 1914), forçando o exército alemão a lutar em duas frentes. O mesmo se postou numa posição defensiva dentro da França e conseguiu incapacitar permanentemente 230.000 franceses e britânicos.

A Guerra das Trincheiras

Nas trincheiras: Infantaria com mascáras de gás, Ypres, 1917.

Os avanços na tecnologia militar significaram na prática um poder de fogo defensivo mais poderoso que as capacidades ofensivas, tornando a guerra extremamente mortífera. O arame farpado

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era um constante obstáculo para os avanços da infantaria; a artilharia, muito mais letal que no século XIX, armada com poderosas metralhadoras. Os alemães começaram a usar gás tóxico em 1915, e logo depois, ambos os lados usavam da mesma estratégia. Nenhum dos lados ganhou a guerra pelo uso de tal artifício, mas eles tornaram a vida nas trincheiras ainda mais miserável tornando-se um dos mais temidos e lembrados horrores de guerra.

Numa nota curiosa, temos que no início da guerra, chegando a primeira época natalícia, se encontram relatos de os soldados de ambos os lados cessarem as hostilidades e mesmo saírem das trincheiras e cumprimentarem-se. Isto ocorreu sem o consentimento do comando, no entanto, foi um evento único. Não se repetiu posteriormente por diversas razões: o número demasiado elevado de baixas aumentou os sentimentos de ódio dos soldados e o comando, dados os acontecimentos do primeiro ano, tentou usar esta altura para fazer propaganda, o que levou os soldados a desconfiar ainda mais uns dos outros.

A alimentação era sobretudo à base de carne e vegetais enlatados e biscoitos, sendo os alimentos frescos uma raridade.

Fim da Guerra

A partir de 1917 a situação começou a alterar-se, quer com a entrada em cena de novos meios, como o carro de combate e a aviação militar, quer com a chegada ao teatro de operações europeu das forças norte-americanas ou a substituição de comandantes por outros com nova visão da guerra e das tácticas e estratégias mais adequadas; lançam-se, de um lado e de outro, grandes ofensivas, que causam profundas alterações no desenho da frente, acabando por colocar as tropas alemãs na defensiva e levando por fim à sua derrota. É verdade que a Alemanha adquire ainda algum fôlego quando a revolução estala no Império Russo e o governo bolchevista, chefiado por Lênin, prontamente assina a paz sem condições, assim anulando a frente leste, mas essa circunstância não será suficiente para evitar a derrota. O armistício que põe fim à guerra é assinado a 11 de Novembro de 1918.

Participação de países lusófonos

Brasil

O nono presidente do Brasil, Venceslau Brás, declara guerra aos Poderes Centrais. Ao seu lado, o ministro interino das Relações Exteriores Nilo Peçanha (em pé) e o presidente de Minas Gerais, Delfim Moreira (sentado).

No Brasil, o confronto foi conhecido popularmente até a 2ª Guerra como a Guerra de 14, em alusão à 1914.

No dia 5 de abril de 1917, o vapor brasileiro "Paraná", que navegava de acordo com as exigências feitas a países neutros, foi torpedeado, supostamente por um submarino alemão. No dia 11 de abril o Brasil rompeu relações diplomáticas com os países do bloco liderado pela Alemanha. Em 20 de maio, o navio "Tijuca" foi torpedeado perto da costa francesa. Nos meses seguintes, o governo Brasileiro confiscou 42 navios alemães, austro-húngaros e turco-otomanos que estavam em portos brasileiros, como uma indenização de guerra.

No dia 23 de outubro de 1917, o cargueiro nacional "Macau", um dos navios arrestados, foi torpedeado por um submarino alemão, perto da costa da Espanha, e seu comandante feito prisioneiro.

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Com a pressão popular contra a Alemanha, no dia 26 de outubro de 1917 o país declarou guerra aos Poderes Centrais.

A partir deste momento, por um lado, sob a liderança de políticos como Ruy Barbosa recrudesceram agitações de caráter nacionalista, com comícios exigindo a "imperiosa necessidade de se apoiar os Aliados com ações" para por fim ao conflito. Por outro lado, sindicalistas, anarquistas e intelectuais como Monteiro Lobato criticavam essa postura e a possibilidade de grande convocação militar, pois segundo estes, entre outros efeitos negativos isto desviava a atenção do país em relação a seus problemas internos.

Assim, devido a várias razões, de conflitos internos à falta de uma estrutura militar adequada, a participação militar do Brasil no conflito foi muito pequena; resumindo-se no envio ao front ocidental em 1918 de um grupo de aviadores do Exército e da Marinha que foram integrados à Força Aérea Real Britânica e de um corpo médico-militar, composto por oficiais e sargentos do exército que foram integrados ao exército francês, tendo seus membros tanto prestado serviços na retaguarda como participado de combates no front. A Marinha também enviou uma divisão naval com a incumbência de patrulhar a costa noroeste da África a partir de Dakar e o Mediterrâneo desde o estreito de Gibraltar, evitando a ação de submarinos inimigos.

Portugal

Monumento aos mortos da Primeira Guerra Mundial em Coimbra, Portugal

Portugal participou no primeiro conflito mundial ao lado dos Aliados, o que estava de acordo com as orientações da República ainda recentemente instaurada.

Na primeira etapa do conflito, Portugal participou, militarmente, na guerra com o envio de tropas para a defesa das colónias africanas ameaçadas pela Alemanha. Face a este perigo e sem declaração de guerra, o Governo português enviou contingentes militares para Angola e Moçambique.

Em Março de 1916, apesar das tentativas da Inglaterra para que Portugal não se envolvesse no conflito, o antigo aliado português decidiu pedir ao estado português o apresamento de todos os navios germânicos na costa lusitana. Esta atitude justificou a declaração oficial de guerra a Portugal pela Alemanha, a 9 de Março de 1916 (apesar dos combates em África desde 1914).

Em 1917, as primeiras tropas portuguesas, do Corpo Expedicionário Português, seguiam para a guerra na Europa, em direcção à Flandres. Portugal envolveu-se, depois, em combates em França.

Neste esforço de guerra, chegaram a estar mobilizados quase 200 mil homens. As perdas atingiram quase 10 mil mortos e milhares de feridos, além de custos económicos e sociais gravemente superiores à capacidade nacional. Os objectivos que levaram os responsáveis políticos portugueses a entrar na guerra saíram gorados na sua totalidade. A unidade nacional não seria conseguida por este meio e a instabilidade política acentuar-se-ia até à queda do regime democrático em 1926.

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Consequências

Crimes de Guerra

Ossadas de vítimas do genocídio armênio em Erzingan, na Turquia.

A limpeza étnica da população armênica durante os anos finais do Império Turco-Otomano é amplamente considerada como um genocídio. Com a guerra em curso, os turcos acusaram toda a população armênica, cristãos em sua maioria, de serem aliados da Rússia, utilizando-se disso como pretexto para lidar com toda a minoria considerando-a inimiga do império. É dificil definir o número exato de mortos do período, sendo estimado por diversas fontes para quase um milhão de pessoas mortas em campos de concentração, excluindo-se as que morreram por outros motivos. Desde o evento os governos turcos têm sistematicamente negado as acusações de genocídio, argumentando que os armênicos morreram por uma guerra estar em curso ou que sua matança foi justificada pelo apoio dado aos inimigos do país.

Tecnologia

Exército britânico utilizando uma metralhadora Vickers.

A Primeira Guerra Mundial foi uma mistura de tecnologia do século XX com tácticas do século XIX.

Muitos dos combates durante a guerra envolveram a guerra das trincheiras, onde milhares de soldados por vezes morriam só para ganhar um metro de terra. Muitas das batalhas mais sangrentas da história ocorreram durante a Primeira Guerra Mundial. Tais batalhas incluiam Ypres, Vimy, Marne, Cambrai, Somme, Verdun, e de Gallipoli. A artilharia foi a responsável pelo maior número de baixas durante a guerra.

Tanque de guerra britânico capturado pelos Alemães durante a Primeira Guerra Mundial.

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Neste conflito estiveram envolvidos cerca de 65 milhões de soldados e destacaram-se algumas figuras militares, como o estrategista da Batalha do Marne, o general francês Joffre, o general Ferdinand Foch, também da mesma nacionalidade, que veio a assumir o controle das forças aliadas, o general alemão Von Klück, que esteve às portas de Paris, general britânico John French, comandante do Corpo Expedicionário Britânico e o comandante otomano Kemal Ataturk, vencedor na Batalha de Gallipoli contra a Inglaterra e o ANZAC (Austrália e Nova Zelândia).

A guerra química e o bombardeamento aéreo foram utilizados pela primeira vez em massa na Primeira Guerra Mundial. Ambos tinham sido tornados ilegais após a Convenção Hague de 1907. Os aviões foram utilizados pela primeira vez com fins militares durante a Primeira Guerra Mundial. Inicialmente a sua utilização consistia principalmente em missões de reconhecimento, embora tenha depois se expandido para ataque ar-terra e atividades ar-ar, como caças. Foram desenvolvidos bombardeiros estratégicos principalmente pelos alemães e pelos britânicos, já tendo os alemães utilizado zeppelins para bombardeamento aéreo.

O NAZI-FACISMO E A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Fascismo

Regime político de caráter totalitário que surge na Europa no entreguerras (1919-1939). Originalmente é empregado para denominar o regime político implantado pelo italiano Benito Mussolini entre 1919 e 1943. Suas principais características são o nacionalismo, que tem a nação como forma suprema de desenvolvimento, e o corporativismo, em que os sindicatos patronais e trabalhistas são os mediadores das relações trabalhistas. O fascismo nasce oficialmente em 1919, em Milão, quando Mussolini funda o movimento intitulado Fascio de Combatimento, cujos integrantes, os camisas pretas (camicie nere), se opõem à classe liberal. Em 1922, as milícias fascistas desfilam na Marcha sobre Roma. Pretendem tomar o poder militarmente e ocupam prédios públicos e estações ferroviárias, exigindo a formação de um novo gabinete. Mussolini é convocado para chefiar o governo do país, que atravessa profunda crise econômica, agravada por greves e manifestações de trabalhadores. Por meio de fraudes, os fascistas conseguem maioria parlamentar. Em seguida, Mussolini dissolve os partidos de oposição, persegue parlamentares oposicionistas e passa a governar por decretos. As características do regime são cerceamento da liberdade civil e política, unipartidarismo, derrota dos movimentos de esquerda e limitação ao direito dos empresários de administrar sua força de trabalho. A política adotada, entretanto, é eficiente na modernização da economia industrial e na diminuição do desemprego.

Nazismo

Regime político de caráter totalitário que se desenvolve na Alemanha durante as sucessivas crises da República de Weimar, entre 1919 e 1933. Baseia-se na doutrina do nacional-socialismo, formulada por Adolf Hitler, que orienta o programa do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP). De caráter nacionalista, defende o racismo, a superioridade da raça ariana e a luta pelo expansionismo alemão e nega as instituições da democracia liberal e a revolução socialista. A essência da ideologia nazista encontra-se no livro de Hitler, Minha Luta (Mein Kampf).

Ao final da I Guerra Mundial, além de perder territórios para França, Polônia, Dinamarca e Bélgica, os alemães são obrigados pelo Tratado de Versalhes a pagar altas indenizações aos países vencedores. Essa penalidade faz crescer a dívida externa e compromete os investimentos internos, gerando falências, inflação e desemprego em massa. As tentativas frustradas de revolução socialista (1919, 1921 e 1923) e as sucessivas quedas de gabinetes de orientação social-democrata criam condições favoráveis ao surgimento e à expansão do nazismo no país. O NSDAP, utilizando-se de espetáculos de massa (comícios e desfiles) e dos meios de comunicação (jornais, revistas, rádio e cinema), consegue mobilizar a população por meio do apelo à ordem e ao revanchismo. Recebe ajuda da grande burguesia, que teme o movimento operário. Favorecidos por uma divisão dos partidos de

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esquerda, os nazistas são vitoriosos nas eleições de 1932. Em 1933, Hitler é nomeado primeiro-ministro, com o auxílio de nacionalistas, católicos e setores independentes. Um ano depois se torna chefe de governo (chanceler) e chefe de Estado (presidente). Interpreta o papel de führer, o guia do povo alemão, criando o III Reich (III Império).

Com poderes excepcionais, Hitler suprime todos os partidos políticos, exceto o nazista; dissolve os sindicatos; cassa o direito de greve; fecha os jornais de oposição; e estabelece a censura à imprensa. Apoiando-se em organizações paramilitares, SA (guarda do Exército), SS (guarda especial) e Gestapo (polícia política), realiza perseguições aos judeus, aos sindicatos e aos políticos comunistas, socialistas e de outros partidos. O intervencionismo e a planificação econômica adotados por Hitler eliminam, no entanto, o desemprego e impedem a retirada do capital estrangeiro do país. Há um acelerado desenvolvimento industrial, que estimula a indústria bélica e a edificação de obras públicas. Esse crescimento se deve em boa parte ao apoio dos grandes grupos alemães, como Krupp, Siemens e Bayer, a Adolf Hitler. Em desrespeito ao Tratado de Versalhes, Hitler reinstitui o serviço militar obrigatório, em 1935, remilitariza o país e envia tanques e aviões para amparar as forças conservadoras do general Francisco Franco durante a Guerra Civil Espanhola, em 1936. Nesse mesmo ano promove o extermínio sistemático dos judeus por meio da deportação para guetos ou campos de concentração. Anexa a Áustria e a região dos Sudetos, na Tchecoslováquia (1938). Ao invadir a Polônia, em 1939, dá início à II Guerra Mundial.

Terminado o conflito, instala-se na cidade alemã de Nürenberg um tribunal internacional para julgar os crimes de guerra cometidos pelos nazistas. Realizam-se 13 julgamentos entre 1945 e 1947, 25 alemães são condenados à morte, 20 à prisão perpétua, 97 a penas curtas de prisão e 35 são absolvidos. Dos 21 principais líderes nazistas capturados, dez são executados por enforcamento em 16 de outubro de 1946.

Neonazismo

A partir dos anos 80, na Europa, há uma retomada de movimentos autoritários e conservadores denominados neonazistas, principalmente na Alemanha, Áustria, França e Itália. Eles são favorecidos, entre outros motivos, pela imigração, pela recessão, pelo desemprego e pelo ressurgimento de velhos preconceitos étnicos e raciais. Manifestam-se de forma violenta e têm nos estrangeiros o alvo preferencial de ataque. Em determinados países, os movimentos neonazistas valem-se também da via institucional parlamentar, como o partido político Frente Nacional, na França. No Brasil, carecas, skinheads e white power são alguns dos grupos em evidência nos grandes centros urbanos, promovendo ataques verbais, pichações e agressões dirigidas principalmente contra os migrantes nordestinos.

Encarregado de execuções e da segurança de Hitler

Sigla de Schutzstaffel (‘esquadra de proteção’), organização do Partido Nacional-socialista (nazista) alemão, encarregado do serviço de segurança e dos programas de execuções em massa que iniciaram a chamada ‘solução final’. Foi constituída, em 1925, como guarda pessoal de Adolf Hitler. Em 1929 Heinrich Himmler passou a comandá-la, organizando, em 1932, uma unidade de inteligência, a SD (Serviço de Segurança das SS), cuja direção foi entregue a Reinhard Heydrich.

Em março de 1934 as SS assumiram a direção de todas as organizações policiais alemães, assim como da Gestapo. Algumas de suas unidades confinaram 2,3 milhões de judeus em guetos. Em 1941 Hitler ordenou a ‘solução final das questões judia na Europa’, cuja conseqüência foi o Holocausto. Foram colocados em funcionamento os campos de extermínio, nos quais morreram pelo menos 3 milhões de judeus. Em 1944, Hitler ao ser informado que Himmler tentara negociar com os países aliados, contra as potências do Eixo, extinguiu as SS, expulsando Himmler do partido. Em 30 de abril de 1945, o Führer se suicidou.

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Heinrich Himmler, (1900-1945), oficial alemão nazista. Foi chefe da SS e da Gestapo. Pôs em prática o programa destinado a exterminar as populações judia e os oponentes do regime de Adolf Hitler. Este lhe nomeou ministro do Interior em 1943.

Gestapo e Hermann Goering

Gestapo (Geheime Staatspolizei ou Polícia secreta), aposta que designa a polícia política do regime nazista, que tomou o poder na Alemanha de 1933 a 1945. Foi fundada por Hermann Goering em 1933 com o objetivo de perseguir aos oponentes políticos do nacional-socialismo.

Os suspeitos eram arrastados e internados habitualmente em campos de concentração. Sob o comando de Heinrich Himmler, que dirigia o ramo paramilitar das SS, essas foram se infiltrando na Gestapo. Durante a II Guerra Mundial se transformou em um instrumento quase onipotente à serviço dos planos racistas de Hitler. Ao terminar a contenda, foi dissolvida e declarada organização criminosa.

Hermann Goering, (1893-1946), militar e político alemão. Conheceu Adolf Hitler em 1921 e um ano mais tarde se transformou em um dos líderes do Partido Nacional Socialista (nazista). Foi ministro da Aeronáutica, ministro presidente da Prússia, ministro do Interior e chefe de todas as forças de segurança alemãs. Concebeu a política de terror empregada na II Guerra Mundial, na qual se bombardearam e arrasaram cidades inteiras para submeter seus habitantes.

Os salvadores de Judeus no Nazismo

Oskar Schindler, (1908-1974), industrial alemão cuja atuação salvou a vida de numerosos judeus durante o nazismo. Conseguiu, mediante subornos, que seus trabalhadores não fossem para o campo de concentração de Auschwitz. Em 1961, foi convidado à Israel, onde recebeu a Cruz do Mérito, existe até um filme de Steven Spilberg "A lista de Schindler" contando seus atos de heroísmo que salvaram vários judeus.

Goering do bem

Irmão do braço direito de Hitler salvou judeus e outros perseguidos pelos nazistas. Seu irmão, Hermann Goering, era o braço direito de Adolf Hitler, criou a Gestapo e foi um dos principais responsáveis pelo genocídio dos judeus europeus. Albert Goering tinha índole inteiramente diferente. Arriscou sua vida (e soube tirar proveito do poder do irmão) para salvar muitos judeus e outros perseguidos pelo regime nazista. Preso depois da derrota da Alemanha na II Guerra — primeiro pelos aliados, depois pela Checoslováquia —, Albert beneficiou-se do testemunho de pessoas que ajudou e pôde recomeçar a vida com um certificado de inocência. O paralelo com Oskar Schindler, popularizado por Steven Spielberg no filme A Lista de Schindler, é inevitável. A história de Albert Goering, contudo, é quase desconhecida, além de mais surpreendente. Quem iria imaginar que o irmão do sucessor designado de Hitler tenha permanecido durante toda a guerra firmemente do lado do bem?

Albert entregou-se ao Exército americano em maio de 1945, certo de que os aliados iriam tentar capturá-lo por causa do parentesco com o Reichsmarschall Hermann Goering. Num relato entregue aos americanos, Albert enumerava suas atividades desde 1933. Afirmou nunca ter-se filiado ao Partido Nazista. Ao contrário, havia sido "um ativo combatente contra o nacional-socialismo", além de ter ajudado "dezenas de judeus". Também apresentou uma lista de 34 pessoas que salvou da Gestapo. Como prova adicional, dizia que Heinrich Himmler, o chefe das SS, chegou a ordenar sua prisão por atividades antinazistas. As afirmações eram mais incríveis por ser verdadeiras.

Suicídio em Nuremberg

Hermann Goering, o irmão mais velho, é uma figura de destaque entre os maiores vilões do século. Chefe da Luftwaffe, a Força Aérea alemã, e criador da Gestapo, a polícia política, ele foi também o idealizador dos campos de concentração. Condenado à forca no Tribunal de Nuremberg, suicidou-se

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com uma cápsula de cianureto horas antes da execução. Seria possível que, sob suas barbas, o próprio irmão desafiasse o credo totalitário nazista? Um dos melhores relatos sobre a saga do irmão bom-caráter do carrasco nazista foi ao ar no Channel 4, na Inglaterra. Parte desse material havia sido publicada em forma de reportagem no jornal inglês Sunday Times seu autor, Adam LeBor, conta ter ouvido de testemunhas como Albert se recusava a usar a saudação nazista. Sempre que era recebido com um braço levantado e o Heil Hitler, tirava o chapéu e respondia com um polido "bom-dia". O irmão perverso, Hermann, chamava-o de "ovelha negra da família", embora sempre o salvasse de encrencas.

Não há, na verdade, nada na família Goering que justifique o anti-semitismo fanático de Hermann — exceto, e sobre isso só os psicanalistas podem especular, o fato de um amigo judeu da família ter sido amante de sua mãe durante quinze anos. Esse homem, Hermann von Epenstein, era padrinho de ambos, e os meninos passaram parte da infância em seu castelo na Bavária. Sempre houve especulações sobre a paternidade do caçula. A suspeita era reforçada pela tez morena e cabelos escuros de Albert, tão diferentes do loiro Hermann, que os nazistas consideravam o protótipo do perfeito "ariano". Os irmãos eram extremamente ligados, o que deve explicar a tolerância do chefe nazista em relação ao rebelde.

Salvo-conduto

Quando os alemães anexaram a Áustria, em 1938, Albert era empregado de uma companhia cinematográfica cujo proprietário, o judeu Oskar Pilzer, foi preso. "Meu pai e Albert não eram amigos", relembrou um filho de Oskar, Georges, hoje com 77 anos, em depoimento a LeBor. "Mas, quando os nazistas o prenderam, Albert conseguiu libertá-lo na mesma tarde." No ano seguinte, Albert foi trabalhar como diretor de exportação da Skoda, a grande metalúrgica checa, então sob controle dos nazistas, que tinham ocupado o país. Os diretores da Skoda acharam ótimo ter entre eles o irmão do número 2 do regime nazista. Albert ajudou a impedir que a fábrica fosse desmontada e levada para a Alemanha. A indústria era o centro da resistência checa — e Albert com certeza sabia disso.

Como Schindler, Albert era um homem de negócios que soube tirar proveito de suas conexões com a cúpula nazista e viver confortavelmente num mundo mergulhado no horror. Não é por isso que a História irá julgá-lo — o que pesa são depoimentos como o do médico Ladislav Kovacs, judeu húngaro que conheceu Albert em Roma, hoje disponíveis nos arquivos públicos em Londres. Albert propôs a Kovacs abrir uma conta bancária na Suíça para ajudar judeus e outros refugiados do regime nazista. Em 1943, quando os nazistas invadiram a Itália, Albert escreveu pessoalmente um salvo-conduto para Kovacs e sua família — documento sem valor legal, mas nenhum agente da Gestapo ousaria afrontar o irmão do Reichsmarschall. Exibindo o sobrenome poderoso, Albert passou toda a guerra providenciando dinheiro e documentos para pessoas perseguidas pela Gestapo. Umas poucas são bem conhecidas, como Jan Moravek, diretor da Skoda e líder da resistência checa, ou o compositor Franz Lehar, de A Viúva Alegre, e sua mulher, a judia Sophie Paschkis. Albert conseguiu do ministro da Propaganda nazista, o sinistro Joseph Goebbels, um certificado de "ariana honorária" para Sophie.

Há registros de como os irmãos Goering mantinham negócios lucrativos (afinal, Albert fabricava armamentos e faturou alto com a guerra). Hermann chegou a advertir o irmão para se manter longe dos "assuntos de Estado", eufemismo para o extermínio dos judeus. O caçula era, entretanto, incorrigível. Em 1944, foi finalmente preso, por se recusar a sentar à mesma mesa com um figurão nazista que certa vez assassinara um político socialista. Como sempre, o irmão o socorreu. Albert Goering casou quatro vezes e morreu em 1966, depois de trabalhar como projetista e engenheiro numa firma de construção em Munique. Nunca falava sobre a história excepcional que viveu durante a guerra.

Algumas das Conseqüências das Guerras

Mais de 60 milhões de pessoas morreram no conflito. Foram 50 milhões de soldados mortos e 10 milhões de pessoas mortas;

Os Aliados instauraram em Nuremberg o Tribunal de Nuremberg para julgar os fascistas por crime de guerra;

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Novamente, a Alemanha foi proibida de ter exércitos poderosos e armas;

Mussolini foi capturado e morto pelos ingleses;

Hitler suicidou-se quando os nazistas perderam a guerra;

Uma nova ameaça de uma Terceira Guerra Mundial, mas ficou conhecida como a Guerra Fria;

Foi criada a ONU (Organização das Nações Unidas), para manter a paz em todo o mundo;

Fim do Fascismo em quase todo o mundo.

A GUERRA FRIA

INTRODUÇÃO

Primeiramente cabe aqui fazer uma consideração sobre o conceito em si.Habitualmente refere-se à Guerra Fria como um conflito que em múltiplas variantes opunha norte-americanos e soviéticos. Dos esportes à exploração espacial, das forças militares às ideologias, dos sistemas econômicos às organizações políticas, esta rivalidade perpassava diferentes níveis e aspectos, unidos porém na noção de conflito.

Mas talvez caibam outras interpretações sobre o período. A primeira diz respeito a guerra fria como uma forma de convergência de interesses, mutuamente recíprocos em termos da preservação dos respectivos status quo: da mesma forma que as aspirações sociais na América Latina foram vistas como manifestações de comunismo, os posteriores movimentos de oposição ao governo soviético por parte dos húngaros (1956) ou tchecos(em 1968), foram apresentados como ações provocativas de capitalistas, justificando-se a repressão contra eles. Em ambas situações, a guerra fria servia como pretexto para que os EUA e a URSS mantivessem suas áreas de influência sob controle. O conflito, aqui, era um acordo entre as superpotências.

Também podemos entender o período como uma oportunidade para que as demais potências – ainda que coadjuvantes – fossem isoladas e mantidas submissas às duas superpotências.Mesmo a temporalidade que envolveu a rivalidade entre soviéticos e norte-americanos não é vista de forma unânime, com seu início variando de 1945 – com os ataques nucleares ao Japão -, 1947 – com a doutrina Truman de contenção ao comunismo – e ainda, 1949, com a detonação de uma bomba A soviética, rompendo o monopólio nuclear americano, então vigente.

DESENVOLVIMENTO

Justificando-se à partir das guerras civis então em curso na Grécia e Turquia, onde os comunistas aparentavam estar perto da tomada do poder nestes países, o presidente Henry Truman anunciou a nova orientação da diplomacia dos EUA: conter o expansionismo soviético aonde fosse. Apenas um detalhe: Stálin, voltado para a reconstrução da URSS após a guerra, ciente do poderio militar e econômico norte-americano e sem nenhuma intenção de provocar um atrito com os EUA, não moveu uma palha para ajudar os comunistas grego-turcos; logo, o pretexto de Truman era uma manipulação.

Seguiriam-se então o Plano Marshall de reconstrução européia, a unificação das zonas de ocupação americana, inglesa e francesa na Alemanha e Berlim – originando a constituição da República Federal Alemã (RFA), e uma aliança militar: a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).A reação soviética a estes eventos foi equivalente. Por meio do COMECON buscou criar no leste europeu um “mercado” privilegiado e voltado para a consolidação do socialismo. Formou-se uma aliança rival à

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OTAN, o chamado Pacto de Varsóvia. Os governos do leste foram “sovietizados”, incorporando-se às estruturas produtivas, sociais e políticas da própria URSS. E em resposta pela formação da RFA, Stálin patrocinou a formação de uma Alemanha Oriental pró-soviética (RDA).Enquanto as relações se deterioravam os EUA iniciavam a chamada “caça às bruxas” e o macartismo – intensificados pela competição nuclear e denúncias de traição e espionagem por toda parte. No leste, o bloqueio de Berlim, a Revolução Chinesa, a guerra da Coréia e o início do conflito no Vietnã, também apontavam para uma espiral de conflitos sempre em expansão.

Mas na década de 50, a morte de Stálin e o início da desestalinização, a aproximação soviética com os EUA, o rompimento sino-soviético, o Sputnik, o desenvolvimento dos mísseis intercontinentais e o das armas nucleares para outro patamar – o advento das bombas de hidrogênio -, levaram a uma redefinição das relações entre as superpotências: a Coexistência Pacífica.Mas ao contrário da expressão, a política de convergência de interesses continuou associada com a persistência das crises: a revolução cubana, a descolonização afro-asiática,as guerras árabe-israelenses, etc. Por sinal, a crise dos mísseis de 1962 colocou o mundo à beira da guerra nuclear, embora terminasse com o recuo soviético.

Internamente a URSS não alcançou os resultados esperados. Enfraquecido no front econômico, isolado pela linha dura no PCUS e amargando a humilhação do desfecho da crise cubana, Kruschev acaba afastado, inicialmente por uma tróika composta por Brejnev,Podgorny e Kossigyn, tornando-se o primeiro, posteriormente, o único detentor do poder.

Na década de 70 enquanto o Kremlin implementava a Deténte ou degelo – um prosseguimento da Coexistência sob outra denominação – a URSS seguiu ampliando suasforças militares convencionais e estratégicas, enquanto ia fincando pé em Angola, Moçambique, Etiópia e sul da África. Reforçou sua presença no Caribe, apoiou movimentos guerrilheiros na Nicarágua, El Salvador e Honduras, reforçou o contingente militar em Cuba, financiou a construção de um grande aeroporto de uso militar em Granadae flertou com o governo surinamês, bem como ocupou o Afeganistão e enquadrou seus “satélites” na Europa do leste.

Por outro lado, os EUA enfrentavam um declínio militar após o fiasco no Sudeste Asiático, e representado pela expulsão do Irã e a queda de aliados nas Filipinas e Nicarágua, além da crise econômica mundial decorrente dos choques do petróleo. A prioridade do governo Carter em favor dos direitos humanos foi vista como o abandono de “amigos” anticomunistas e uma oportunidade da URSS de aproveitar a falta de vontade dos EUA.

A década seguinte foi marcada pela ascensão de Ronald Reagan e a retomada da Guerra Fria com uma nova e mais dispendiosa corrida armamentista. Proclamando ser a União Soviética o “império do mal”, a Casa Branca implementou um grande programa de investimentos em mísseis de médio alcance a serem posicionados na Europa (os Pershing), um novo tipo de arma nuclear – a bomba de Nêutrons -, novos aviões de bombardeio estratégico (o B-1), submarinos nucleares mais sofisticados, devastadores e silenciosos, etc, além do dispendioso programa denominado de Guerra nas Estrelas ou Iniciativa de Defesa Estratégica, que previa o desenvolvimento de sistemas de observação mais avançados complementados com armas de raios instalados no espaço ou não e destinadas a destruir os mísseis inimigos antes de atingir o território dos EUA ou seus aliados.

Estes programas representavam gastos de bilhões de dólares e compensariam, pela inclusão de tecnologia de ponta, a disparidade militar convencional do Pacto de Varsóvia.No Caribe/América Central, forneceram-se recursos militares, logísticos e financeiros para deter as guerrilhas em El Salvador e Honduras e impedir os sandinistas nicaragüenses de se consolidarem no poder, mediante apoio e estímulo aos denominados Contras numa guerra civil, além de invadir o Panamá e Granada. No Oriente Médio, com anuência e aval norte-americano, o Iraque de Saddam Hussein foi a guerra contra o Irã revolucionário islâmico,enviaram-se forças militares para o Líbano, confirmaram-se os vínculos com Israel e as petromonarquias aliadas no Golfo Pérsico. No Afeganistão começaram a apoiar os guerrilheiros islâmicos contra o invasor soviético, transformando-o no “Vietnã russo”. A Líbia foi bombardeada e seu governante por pouco não foi morto no ataque aéreo norte-americano. Na Europa, enviaram-se mais armas e soldados para o contingente dos EUA na OTAN.

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Pressionada a gastar mais recursos para manter a superioridade militar do Pacto de Varsóvia e ao mesmo tempo incluir mais tecnologia de uso militar, a economia soviética foi perdendo fôlego. Sob pressão da Casa Branca sobre organismos financeiros internacionais e aliados políticos, a URSS foi ficando isolada e enfrentando diferentes pontos de estrangulamento: produção de cereais insuficientes, limitações comerciais e de acesso a tecnologia, escassez de bens de consumo de todos os tipos, etc.

O DESFECHO

Enquanto o belicismo norte-americano colocava a União Soviética contra a parede,os problemas relacionados a gerontocracia e nomenklatura forçavam o Kremlin a lidar coma perspectiva de reformas.

Sob Gorbachev, as mudanças econômicas teriam resultados de longo prazo, se tivessem sucesso. Tomando a iniciativa de congelar a corrida armamentista, reabrir negociações de limitações de armas estratégicas, retirando-se do Afeganistão e do leste europeu, reduzir os contingentes militares e assistir a desintegração do Pacto, ele esperava que tais medidas, em seu conjunto, representassem uma grande redução dos gastos militares. Enquanto o governo soviético sinalizava que sua prioridade eram os assuntos internos, a própria dinâmica de desmantelamento do regime levaria à desintegração soviética em 1991.

Quem venceu a Guerra Fria?

A propaganda norte-americana valoriza, evidentemente, os EUA, mas há que se lembrar que em todos os assuntos que envolveram posteriormente a Europa Oriental, o sul da Rússia, as fronteiras iraniana, afegã e chinesa, os russos sempre foram consultados. Eles continuaram presentes em todas as negociações que envolveram o Irã, o Iraque e a Coréia do Norte. As duas guerras da Chechênia, a segunda em particular, transcorreram praticamente sem intervenção ocidental. E a expansão da OTAN para o leste pela inclusão de ex-membros do Pacto de Varsóvia, provocou desnecessariamente os russos, de forma a estimular o governo de Vladimir Putin a retomar a retórica e as ações que enfatizam o poder militar da Rússia, o que culminou com a recente intervenção na Geórgia. Esta ação,mais que demonstrar aos georgianos quem é que manda, serviu para mandar um recado ao mundo: a Rússia não está disposta a assistir movimentações em sua área de influência, sem que seus interesses sejam considerados.

Para alguns a Guerra Fria retornou; para outros, nunca acabou.

RESUMO

Guerra Fria foi assim chamada, “fria”, porque não houve uma guerra direta ou seja bélica, "quente", entre as duas superpotências. A guerra acontece no período histórico de disputas estratégicas e conflitos indiretos entre os Estados Unidos (que defendia o capitalismo) e a União Soviética (que era comunista), compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial (1945) e a extinção da União Soviética (1991). Em resumo, foi um conflito de ordem política, militar, tecnológica, econômica, social e ideológica entre as duas nações e suas zonas de influência. Os soviéticos controlavam os países do Leste europeu, enquanto os EUA tentavam manter sua influência sobre o restante da Europa.

A tensão aumento na décadas seguintes à medida que os Estados Unidos e a União Soviética acumulavam armas nucleares. Os países queriam expandir seus ideais pelo mundo, como eram ideais diferente, um do outro, a guerra começa. No começo da década de 1990, o então a União Soviética começou a acelerar o fim do socialismo no país e em seus aliados. Com reformas econômicas, acordos com os EUA e mudanças políticas, o sistema foi se enfraquecendo. Era o fim de um período de embates políticos, ideológicos e militares. O capitalismo vitorioso, aos poucos, iria sendo implantado nos países socialistas.

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GLOBALIZAÇÃO E AS POLITICAS NEOLIBERAIS

INTRODUÇÃO

A participação política dos indivíduos na sociedade global apresenta-se como um caminho, uma das principais vias alternativas, para o alcance da inserção social e da diminuição das desigualdades econômicas reveladas pela globalização.

O processo de globalização em marcha acabou com os limites geográficos, mas não eliminou a fome, a miséria e os problemas políticos de milhões de globalizados que vivem (ou sobrevivem) abaixo da chamada linha da pobreza absoluta.

Afastados dos centros das decisões pelos princípios excludentes do neoliberalismo, os indivíduos, limitados na própria capacidade de compreensão dos conceitos neoliberais,não encontram pontos de referência para tornarem-se agentes de influência política no processo global.

O objeto deste trabalho é analisar as principais dificuldades de participação política dos indivíduos na sociedade globalizada e seus reflexos na construção de um processo de autonomia. As questões relacionadas com este problema se referem a fatores que dificultam a participação política dos indivíduos na globalização, destacando a importância que tem a autonomia dos indivíduos na tomada de decisões políticas na sociedade globalizada.

O problema da participação política dos indivíduos na globalização aparece na análise do processo de influências das instituições sociais e se revela nas dificuldades do uso da liberdade política para o enfrentamento dos desafios de uma realidade que avassala, destrói, cria e recria valores étnicos sociais e culturais.

Busca-se nesta análise compreender o processo de desterritorialização, que colocou os indivíduos frente às grandes mudanças e transformações que alteraram a vida e o comportamento político dos homens na aldeia global. Ressalta-se que os indivíduos precisam perceber a pluralidade de mundos que a globalização lhes impõe, as múltiplas facetas de uma sociedade em constante mutação.

O neoliberalismo é mostrado como expressão ideológica da globalização. São evidenciados os efeitos políticos que a doutrina neoliberal provoca nos indivíduos,quando imposta no contexto da globalização como uma evolução natural da sociedade,com um aprimoramento cultural do próprio homem. Revela-se, ao contrário do que apregoam os princípios neoliberais, que as diferenças sociais na globalização acentuam-se quanto maior for o nível alienante de exclusão social que esteja incluído o indivíduo.

No desenvolvimento do trabalho, enfatiza-se também a necessidade da conquista da autonomia do indivíduo na globalização, como contraponto imprescindível para ascender à participação política. O domínio da autodeterminação é mostrado como instrumento para o indivíduo enfrentar uma sociedade tecnocrática e consumista, que a todo instante alarga-se, torna-se mais real do que antes e impõe novas regras globais de comportamento.

O objetivo geral é analisar as dificuldades de participação política dos indivíduos na sociedade global, a partir da compreensão de como acontecem as relações sociais,econômicas e políticas dentro da globalização. De como o processo de influência das instituições sociais, conduzem os indivíduos nas suas relações em sociedade. Ainda,como o despreparo dos indivíduos em questionar as instituições estabelecidas, se reflete nas dificuldades de participação política na globalização.

Assim sendo, é destacado nesta análise que um indivíduo livre, com autonomia é aquele que reconhece nas leis da sociedade as suas próprias leis e o seu próprio poder. Para tanto é necessário, como mostra o texto, que o indivíduo assuma a responsabilidade da construção das bases de uma sociedade autônoma, que passa ajudá-lo a atingir a participação política na globalização.

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A globalização fez surgir uma sociedade desregrada, com ilimitadas possibilidades de comunicação, de intercâmbio econômico e conquistas tecnológicas. À medida que,busca analisar as dificuldades que enfrentam os indivíduos para alcançar participação política na globalização, este trabalho justifica-se integralmente, visto que evidencia problemas como a falta de autonomia e a incapacidade de autodeterminação, sem a superação dos quais, está inviabilizada uma possível inserção social no mundo global.

Ao mostrar um indivíduo ainda alienado às mudanças globais, distanciados dos centros das decisões, preso a fatores de ordem tecnocrática e consumista, esta análise aponta para a necessidade do posicionar-se, pensar e agir. Serve assim, como um alerta à compreensão de princípios imprescindíveis à conquista da participação política e a uma vida cidadã na globalização.

Ao revelar as dificuldades que tem os indivíduos de conceber o neoliberalismo como sustentáculo ideológico da globalização, de não terem autonomia frente ao determinismo econômico por ele imposto, o trabalho exibe a importância da reflexão política, de tomada de decisões, exigências básicas do mundo globalizado.

No momento que mais a sociedade quer um indivíduo criativo, capaz de decidir, com versatilidade de conhecimentos, parece óbvio que este perfil exigido, como mostra esta abordagem, somente tornar-se-á realidade com a conquista de uma autonomia individual que conduzirá à participação política.

Os indivíduos vivem uma crise de razão na sociedade global, o processo de desterritorialização lhes sucumbiu o protecionismo do Estado-nação. Ao concebermos esta realidade, as considerações que veremos neste trabalho, ganham em importância porque nos remete a uma discussão dos tempos atuais: a "doma" da globalização e a conseqüente necessidade da humanização do processo global.

Observa-se no âmbito da aldeia global, que é no indivíduo que está o limite ou deslimite das ações do homem na sociedade globalizada, é na sua maior ou menor inserção política que se definem os níveis de exclusão social. Os indivíduos são peças fundamentais no processo político que constrói a globalização. Sem eles a sociedade global não se sustentaria, o mundo dos incluídos inviabilizaria-se na ausência da legião dos excluídos que o sustenta.

Essas considerações respondem o que hoje está muito presente nos debates em torno da globalização, qual seja a interdependência desigual entre quem globaliza e quem é globalizado.

Sustentam o embasamento teórico principal desta análise, obras de Octavio Ianni, Cornellius Castoriadis, Anthony Giddens e René A. Dreifuss. Este trabalho tem uma abordagem teórica, como tal, apresenta conceitos a partir dos quais, busca-se desenvolver uma análise crítica, que permita interpretá-los nos limites do problema e dos objetivos propostos.

1. A PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NA SOCIEDADE GLOBALIZADA

A globalização é o cenário do desenvolvimento desigual. Ela é problemática e contraditória, dissolve espaços e tempos e impõe ao indivíduo padrões e valores desconhecidos.

Estas afirmações de Octavio Ianni (1995), dão a dimensão da aldeia global que vive o indivíduo no início deste novo século. Ao mesmo tempo em que perde raízes, se vê envolvo em uma imensa multidão de solitários, satelitizada, eletrônica e desterritorializada. As mesmas condições que alimentam a interdependência e a integração, sustentam as desigualdades e contradições em âmbito global.

"A mesma fábrica da sociedade global, que se insere e que ajuda a criar e recriar continuamente, torna-se o cenário que desaparece".

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É a expansão avassaladora das relações, processos e estruturas de dominação em escala global, que em qualquer lugar e a todo instante provocam uma apropriação e desapropriação de conceitos, que transbordam fronteiras e levam ao declínio a sociedade tradicional.

É uma sucessiva incorporação de novos mundos, onde "(...) as organizações políticas,econômicas e culturais, prevalecem sobre os indivíduos, classes, grupos, partidos,Estados nacionais. Elas conseguem aliar-se com grupos locais, integram-se a setores sociais, partidos ou governos, mas organizam-se segundo razões próprias, de ordem global.". Dessa forma, prevalecem sobre os indivíduos, que passam a viver a crise da razão.

O caráter particularista das estruturas econômicas, aliado ao desconcerto social e cultural, tem colocado ao indivíduo as mais diversas formas de antagonismos, que dificultam-lhe a tomada de decisões e o inibe de participação política.

Uma análise da participação política dos indivíduos na sociedade globalizada, mostra que as dificuldades impostas pela globalização, para a conquista de autonomia, forjam-se na própria globalização, porém são alimentadas e tornam-se grandes barreiras, no despreparo, intelectual ou político, dos próprios indivíduos em tomar para si as rédeas do mundo global.

Ao indivíduo cabe perceber que as dificuldades de participação política na sociedade global não se resumem às questões ideológicas e econômicas do neoliberalismo. Elas também se revelam em ações do cotidiano, como o comportamento consumista na compra de algum produto ou no processo de aculturação, de massificação de valores que sofre dos meios de comunicação.

Enfrentar e superar essas dificuldades, exige do indivíduo autonomia, a construção de uma identidade pessoal, capaz de delimitar espaços e gerar novas consciências de cidadania.

O alienante predomínio das coisas sobre os homens, tem criado enormes barreiras para a tomada de consciência dos indivíduos, o que dificulta ainda mais a superação das dificuldades de participação política e a conseqüente inserção na sociedade globalizada. O indivíduo não consegue ter domínio de um aparato mecanizado, que cria constantes necessidades, tenciona as relações sociais e dita as normas no mundo globalizado.

Somos escravos do nosso aperfeiçoamento técnico, "(...) modificamos tão radicalmente nosso meio ambiente que devemos agora modificar-nos a nós mesmos, para poder viver nesse novo ambiente."

O indivíduo tem extremas dificuldades de situar-se em uma sociedade, que assim como assinala o declínio do Estado-nação, faz emergir novos e mega centros mundiais de poder, soberania e hegemonia. A situação é tão problemática e contraditória que ele já não consegue identificar os donos do poder. Fica deslocado ainda mais do centro das decisões políticas, diante da doutrina neoliberal que transfere as possibilidades de soberania para as organizações, corporações e outras entidades de âmbito global.

As elites buscam criar condições que nunca se resolvem, acenam para os indivíduos, constantemente, com novas perspectivas, aliam-se a setores sociais, partidos ou governos, mas definem as decisões segundo as suas razões e interesses políticos. Como destaca Octavio Ianni (1995, p. 79): "o povo, as massas, os grupos e classes sociais são induzidos a realizar as diretrizes estabelecidas pelas elites modernizantes e deliberantes."

Ao indivíduo aparece uma globalização de padrões de consumo, de métodos e estilos que se neutralizam de formas diferentes na vida de cada um. A mesma diversificação de valores que lhe é apresentada, retira-lhe a capacidade da escolha autônoma e reduz-lhe a possibilidade de participação política.

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Há de se considerar também a universalização dos meios de comunicação, que levou à aldeia global informatizada. Tudo que se globaliza, virtualiza-se. As próprias idéias transfiguram-se na magia da eletrônica. Robotizado, o indivíduo não encontra o ponto de referência da reflexividade política.

"O partido, a opinião pública, o exercício do voto, a governabilidade, a estabilidade ou a instabilidade de regimes políticos, a magnitude ou a irrelevância dos fatos sociais, econômicos, políticos e culturais, tudo isso passa a depender, em alguma escala, da forma pela qual a mídia descreve e interpreta".

O problema maior do indivíduo é encontrar a essencialidade da verdade dos fatos, parâmetros de compreensão entre o que informa e o que aliena na globalização. São questões essencialmente ideológicas, normalmente manipuladas pelos meios de comunicação de massa, e que expressam uma nova concepção acerca da transformação social e da prática política, imposta pelo neoliberalismo.

Ao indivíduo é necessário compreender que a globalização é um processo em marcha, inacabado, que modifica as suas condições de autonomia, porém não o impede de refletir, pensar e agir. As dificuldades que enfrenta de participação política estão em encontrar-se na imensidão interativa de conceitos, valores, idéias, que alargam ou reduzem horizontes, diante da maior ou menor capacidade de discernimento das forças que atuam no desenvolvimento da globalização, a qual, "(...) modifica substancialmente as condições de vida e trabalho, os modos de ser, pensar e imaginar. Modifica as condições de alienação e as possibilidades de emancipação dos indivíduos."

A globalização criou as condições de uma nova e moderna visão do mundo, porém não conseguiu evitar de ser, igualmente, uma fonte reveladora das imensas desigualdades sociais, das diversidade locais, nacionais e regionais, que assim como interagem,chocam-se nos limites e deslimites da aldeia global.

O desafio do indivíduo de vencer suas dificuldades de participação política está em grande medida, na capacidade do mesmo em compreender que a política deve ser uma atividade lúcida, que necessita de homens lúcidos, capazes de lutar por uma sociedade autônoma, que forme necessariamente indivíduos autônomos.

Cornellius Castoriadis (1992), considera que o grande desafio posto para os indivíduos na globalização é o de ascender a autonomia, ao mesmo tempo em que absorve e interioriza as instituições existentes.

Uma política de autonomia, como recomenda Castoriadis, deve por sua vez, agir sobre os indivíduos, com o objetivo, de que possa ajudá-los a atingir a sua própria autonomia. Um projeto de autonomia é, pois, a transformação do sujeito de maneira que ele possa ser participante do processo, ou seja, tenha participação política na sociedade em que vive.

A participação política, portanto, é exigência básica para que o indivíduo supere as barreiras impostas pela globalização e consiga desenvolver ações de cidadania dentro da própria sociedade global.

Nesse sentido, é necessário encurtar o distanciamento entre as formas institucionais existentes, sejam jurídicas ou políticas, e a real possibilidade de reconhecer nas leis, nas instituições, as suas próprias leis e o seu próprio poder.

A cidadania, compreendida como soberania, implica, necessariamente, em indivíduos que tenham alcançado um grau de autonomia, de participação política, de autoconsciência.

Nesta altura da globalização as possibilidades de autoconsciência ainda são reduzidas, limitadas. O que predomina são incertezas, individuais ou coletivas, geradas pelo próprio processo de desterritorialização.

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Em a "Sociedade Global", IANNI (1993, p.123), afirma que "o indivíduo somente pode realizar-se na sociedade. Está sempre na dependência de suas relações com os outros, mesmo que se iluda em sua auto-suficiência". Esta compreensão leva-nos a acreditar que as dificuldades que enfrenta o indivíduo para construir um projeto de autonomia, está na razão das desigualdades e contradições sociais em âmbito global.

"A globalização exige também desterritorialização de decisões. O tomador de decisões terá que acostumar-se à falta de tempo para refletir, já que uma pergunta dá a volta ao mundo em segundos."

Há uma constante reproblematização da própria sociedade global. As nações integram-se e desintegram-se na velocidade da luz. As transformações sociais são tão intensas, que assim como revolucionam pela informatização, fazem ressurgir fatos que pareciam esquecidos, anacrônicos. Os horizontes abertos pela globalização iluminam o presente e recriam o passado.

Os indivíduos estão acoplados a uma mídia impressa e eletrônica, que transforma o mundo em paraíso das imagens, criam linguagens e formas de expressar que dissolvem as barreiras herdadas do territorialismo. Tudo se desterritorializa. O mundo transforma-se em território de todo mundo, "(...) se torna grande e pequeno, homogêneo e plural, articulado e multiplicado. Mesmo os centros decisórios mais fortes, nem sempre se afirmam absolutos, inquestionáveis. Globalizam-se perspectivas, dilemas sociais, políticos econômicos e culturais. Os problemas nacionais mesclam-se com as realidades e os problemas mundiais."

É necessário, porém, que o indivíduo veja o mundo como um conjunto de nações e regiões formando um sistema global, integrado a uma rede de interdependências, que está a exigir-lhe a todo instante tomada de decisões. O posicionar-se exige-lhe a superação da crise da razão, isto é, o rompimento dos limites impostos pela tradição.

É importante que o indivíduo supere as práticas políticas instituídas no passado, para alcançar a participação política na globalização. A submissão, o conformismo e a alienação não lhe conduz ao caminho da autonomia, via principal para o alcance da reflexividade social, do conhecimento atualizado, da tomada de decisão e, por conseguinte, da própria participação política.

A autonomia é requisito básico para a participação política do indivíduo na globalização. Somente um indivíduo autônomo é capaz de processar e selecionar informações, ter domínio de conhecimento, tomar decisões e posicionar-se frente a um mundo de riscos, incertezas e conflitos globais.

A autonomia leva o indivíduo à participação política, porém, não deve estar atrelada as justificações de ordem econômica ou ideológica que o incapacite ou o impeça a condição de ser, agir e entender as contradições que permeiam o mundo globalizado.

Para Cornellius Castoriadis (1992), uma política de autonomia deve ter como objeto final, ajudar a coletividade a criar as suas instituições, sem porém limitar a capacidade dos indivíduos de serem autônomos.

O desenraizamento que acompanha a formação e o desenvolvimento da sociedade global, segundo Castoriadis, tem colocado os indivíduos, situados em diferentes lugares e distintas condições socioculturais, diante de desconhecidas e surpreendentes formas e fórmulas, possibilidades e perspectivas. A interconexão global criou cadeias de decisões políticas, que são vias possíveis para que os indivíduos alcancem autonomia e passem a participar politicamente.

Outra relação importante a ser considerada dentro da globalização, são as necessidades de consumo e a dependência dos indivíduos em satisfazê-las neuroticamente. A sociedade global é uma

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imensa máquina de criar necessidades. A compulsividade consumista fragiliza o indivíduo frente às regras de mercado, o induz a perda de autonomia, a submissão ao capital e ao empobrecimento político.

"É politicamente pobre o cidadão que se entrega ao Estado e dele aguarda a sua defesa de modo acomodado; que se encolhe diante do poder econômico que o agride; que não se organiza, para cuidar de sua defesa, de maneira democrática e competente."

A globalização do capitalismo joga o indivíduo em um mundo de controvérsias, quase de crise existencial, já que oscila entre o sonho de satisfazer todos os seus desejos e a realidade de não poder realizá-los.

À globalização o que interessa é a ressaca emocional do indivíduo, que o distancia da razão, do equilíbrio entre o poder e querer e o torna um compulsivo do consumo. É o processo de massificação e homogeneização cultural, que não apenas gera vícios consumistas nos indivíduos, como também os impede de participarem politicamente.

A globalização do consumo pelo consumo afeta o comportamento social do indivíduo e é sentida de diferentes formas e intensidade na vida de cada cidadão. Há de se considerar a maior ou menor transferência de estilos pelos megas sitemas de informação, desde um simples comercial de televisão aos sofisticados "sites" na rede mundial de computadores.

A chamada informação em tempo real, não dá tempo ao indivíduo de pensar, ou ainda o que é fundamental, de refletir e encontrar o ponto de consciência entre o que é necessário consumir e a necessidade consumista. O indivíduo entrega a mídia o poder não de sugerir, mas de definir ações que deve seguir. Como destaca IANNI (1995)"algo de essencial pode ter-se modificado, quando o discurso do poder passa ser formulado e divulgado por meios da mídia impressa e eletrônica".

Na fase inicial da globalização o objetivo era a padronização desterritorializada dos produtos, levar o indivíduo ao consumo pelo status da marca mundial. Hoje, como destaca DREIFUSS (1996), a preocupação é com novas formas de consumo, criam-se produtos não homogêneos e, até mesmo com os próprios, mais ajustados a gostos e padrões locais. É a globalização, que consegue associar o sabor local à harmonização global.

Observa-se assim que os indivíduos mantêm-se reféns da globalização. Ainda não encontraram as condições de domínio de suas próprias vontades e distanciam-se cada vez mais dos centros das decisões.

Os fatores que os afastam se revelam tão naturalmente, que são aceitos como inerentes à evolução tecnológica e científica da humanidade. O indivíduo é visto como o pêndulo de um relógio que oscila aos extremos, mas não consegue o domínio ou controle dos rumos a seguir.

A participação política exige convicção de decisão, clareza do que se busca e certeza nas escolhas. Estas exigências, apregoadas pela própria globalização, parecem tão óbvias, porém, ganham um grau de complexidade enorme quando requeridas no contexto do desequilíbrio social e econômico do mundo global.

Dispersos nas dessemelhanças étnicas, culturais e econômicas, banalidades no contexto da globalização, os indivíduos não encontram recursos de discernimentológico, que lhes afiance domínio de poder decisório, autonomia e participação políticana sociedade global.

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2. AIDEOLOGIA NEOLIBERAL NA GLOBALIZAÇÃO

Criado com o objetivo principal de combater o Estado intervencionista e de bem-estar, o neoliberalismo tem suas origens no pós Segunda Guerra Mundial, notadamente na Europa e na América do Norte. O texto que lhe serve de base foi "Caminhos da servidão" de Friedrich Hayek.

Segundo Emir Sader (1996), o expansionismo das idéias neoliberais começa realmente a acontecer e ser sentido a partir do início da década de 70, do século que passou.Destaca que o primeiro governo a por em prática o programa neoliberal foi de Margareth Tatcher em 1979, na Inglaterra. Conforme o autor, mais tarde os princípios neoliberais ganharam espaços em escala mundial, com os governos de Reagan em1980 nos Estados Unidos, Helmuth Khol em 1982 na Alemanha e de Schluter na Dinamarca em 1983.

Consolidavam-se a partir de então os ideais de estabilidade monetária, contenção do orçamento, concessões fiscais e abandono do pleno emprego, princípios básicos do neoliberalismo e que serviriam de discurso ideológico e de sustentação política para a globalização econômica.

"O neoliberalismo produziu um retrocesso social muito pronunciado, com o agravamento as desigualdades em todos os lugares em que ele foi implantado.

Não obstante logrou êxitos relativos no controle da inflação e na imposição de certos mecanismos de disciplina fiscal."

O discurso político neoliberal cria no indivíduo o conceito de Estado-moderno, despatrimonializado, que deveria ter como meta principal a contenção do grande surto inflacionário dos anos 70.

Não importava aos neoliberalizantes a participação políticados indivíduos no sistema e sim a adesão incondicional, acima de tudo, na efetiva organização de um Estado burocrático, que eliminasse as influências dos grupos tradicionais de poder.

O neoliberalismo passou a deslocar as possibilidades de soberania para as organizações e entidades de âmbito global. Estas, e não mais o indivíduo ou grupos de indivíduos, passam a organizar e dirigir o chamado Estado-moderno com o apoio dos poderosos conglomerados econômicos que o conduz.

Levada as últimas conseqüências a tese do neoliberalismo de modernização do mundo impossibilitou a participação política do indivíduo, que tencionado pela ameaça constante de desemprego, passa a desacreditar do movimento sindical, das entidades de classes, até então centros formadores de lideranças políticas.

Com o neoliberalismo, como destaca Perry Anderson (1996, p. 22), pela primeira vez, o indivíduo passa a conviver com um movimento ideológico verdadeiramente mundial.Com isso, perde o protecionismo, quase sempre eleitoreiro, dos grupos locais que ditavam os rumos econômicos e as regras de vida nos limites territorializados dos seus currais eleitorais. Se antes a participação política "vinha" pelas mãos das oligarquias, agora terá que vir pelo rompimento das amarras do poder econômico e pelo convencimento e a imposição de idéias.

"A nova concepção econômica imposta pelo neoliberalismo reinterpreta o processo histórico de cada país: os vilões do atraso econômico passam a ser os sindicatos e junto com eles, as conquistas sociais e tudo que tenha a ver com a igualdade, com a equidade e com a justiça social".

Os indivíduos são condicionados a acreditar que somente uma economia de mercado mundial, será capaz de modernizar o aparelho estatal, aumentar a produção e trazer melhores condições de vida.

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Não importa ao neoliberalismo outros modelos de desenvolvimento, que não o de Estado mínimo, privatizante, de exclusão social, insensível à generalização da pobreza. Os indivíduos empobreceram econômica e politicamente.

O empobrecimento político vem pelo apressamento da ânsia da sobrevivência que elimina ou faz esquecer as lutas por melhores condições de trabalho e salário. Passa a prevalecer a valia de ter trabalho e não emprego, como tal, os indivíduos perdem a força de enfrentamento classista e ideológico que existia nos limites da fábrica. Pode-se dizer que perdem a sua arena de luta e passam a conviver com a abstração operacional do mercado.

A nova ordem econômica provoca a proliferação do desemprego, que desestabiliza a condição de trabalhador do indivíduo e traz reflexos imediatos no exercício da cidadania na sociedade globalizada. A falta de participação política do indivíduo na globalização tem uma relação direta com o agravamento das desigualdades sociais e econômicas resultantes da prática neoliberal. Os princípios neoliberais tornam-se excludentes, muito em função das dificuldades dos indivíduos inserirem-se politicamente nos propósitos de uma nova estrutura social.

À medida que o neoliberalismo foi se desenvolvendo, outras formas de organização social, de técnica de trabalho e produção foram acontecendo, exigindo condição de autonomia dos indivíduos em assumir novas posições sociais e políticas. Evidenciam-se então as dificuldades, as limitações dos indivíduos em assumir responsabilidades de decisão, de escapar do determinismo coletivo da globalização e encontrar caminhos de participação política.

As amarras neoliberais, eficazes na alienação política, não sofrem ameaças de rompimento, porque o indivíduo perdeu a referência do associativismo, do viés cooperativista, da resolução dos problemas sociais pela práxis da política.

Com o neoliberalismo o indivíduo passou da condição de ativista para adesista. As adesões passaram a ser de todos os tipos, de todas as formas. Econômicas pelo desejo avaro e incontrolável do consumo; políticas pelo despreparo em enfrentar as dificuldades de participação nas decisões da sociedade globalizada.

O discurso neoliberal não encontrou dificuldade em cooptar adesões políticas. Conservadores e liberais, que passaram séculos buscando estabelecer suas diferenças, começaram a encontrar semelhanças que não imaginavam existir. Por sua vez, os opositores, convictos ou não, foram incapazes de encontrar um contraponto aos princípios neoliberalizantes.

O neoliberalismo sobreviveu a si mesmo pela incapacidade da esquerda, até aqui, em construir formas hegemônicas alternativas para sua superação que articulem a crise fiscal do Estado com um projeto de socialização do poder, que desarticule ao mesmo tempo as bases de legitimação do neoliberalismo, entre elas a passividade, a despolitização e a desagregação social.

Ao mesmo tempo em que se dava a penetração neoliberal em todos os setores da sociedade, ocorria a dilapidação das instituições do Estado, que se tornam incipientes organismos frente à globalização que se instala na máquina pública. As comunidades, consequentemente, os indivíduos tornam-se acessórios de um projeto global, que não lhes reserva espaços de participação política. O Estado neoliberal, ressalta Emir Sader (1996), deveria ser forte no rompimento com os sindicatos, no controle do dinheiro, nos gastos sociais e nas intervenções econômicas.

A prática política neoliberal acerca da transformação social, fundamenta-se na exclusão dos indivíduos dos centros decisórios. Os conceitos de liberdade, de democracia e a própria condição de cidadão, deterioram-se no despreparo dos indivíduos de encontrar formas de participação política.

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A realidade que cerca o indivíduo é de um mundo global de extremas diferenças econômicas. Há um constante distanciamento entre os que detêm a concentração da riqueza e aqueles que vivem em absoluta condição de pobreza. Cada vez mais os pobres tornam-se indigentes e os ricos magnatas.

A globalização econômica cria um mundo mais abastado para alguns, a custa da pobreza crescente de outros. Ela é responsável pela globalização crescente da pobreza e ao menos que seja refreada, um novo barbarismo irá prevalecer, à medida que a exclusão social e o desmonte social envolverem o mundo."

A aceitação, praticamente, incondicional quase natural do segregacionismo ideológico neoliberal, fez o indivíduo deixar de acreditar ser possível intervir politicamente, no determinismo econômico do neoliberalismo. Trouxe o comodismo individual para um contingente globalizado que passou a ver suas dificuldades de participação política,mais como problemas pessoais do que coletivos.

A sociedade global consegui criar a magia, que sob o ponto de vista econômico, tudo se resolve ou deve ser decidido pela via do neoliberalismo.

No que tange as questões sociais, estas não têm vias globais de resolução, são resultado do atraso cultural, da insipiência tecnológica e de governantes corruptos do Terceiro Mundo. Os neoliberais afirmam que os indivíduos devem ter é iniciativa econômica, assim podem superar a condição de exclusão social, vencer as barreiras que os afastam dos centros produtivos e conquistar, naturalmente, espaços de ascensão política na globalização.

Evidencia-se a partir desta compreensão ou doutrinação neoliberal, que o problema da falta de participação política do indivíduo na globalização, não deve ser atribuído aos deslimites econômicos do neoliberalismo e como tal não pode buscar suas causas no capitalismo especulativo por ele gerado.

O mundo global financeiro fez do indivíduo um amontoado de números, são senhas infinitas, cartões múltiplos, tudo para fazê-lo crer que é único, singular, não comparável com outro globalizado. Este é um princípio neoliberal, fazer as pessoas acreditar que não devem se preocupar com o contexto, com a organização conjuntural da sociedade,num claro contra senso ao globalismo que apregoa.

Retira-se, assim, pontos convergentes, problemas comuns, anseios coletivos, que normalmente conduzem à participação política. Distanciar o indivíduo da sua realidade social e econômica, é um grande instrumento de estratégia neoliberal, que é utilizado quando se busca explicar as dificuldades que enfrenta para inserir-se socialmente e politicamente na globalização.

A contextualização globalizada da questão social, induz o indivíduo a não perceber as dimensões globais de sua existência, as potencialidades de sua condição de cidadão."Juntamente com o que é local, nacional e regional, revela-se o que é mundial. Os indivíduos, grupos, classes, movimentos sociais, partidos políticos e correntes de opinião pública são desafiados a descobrir as dimensões globais dos seus modos de ser, agir, pensar, sentir e imaginar."

Para os neoliberais, essas são razões que mostram o despreparo político do indivíduo em construir autonomia e adquirir condições de demarcar limites, entre a globalização econômica, que é o mundo neoliberal, e a participação política na globalização, que deve ser uma tarefa doméstica, individual, de controle local de cada indivíduo.

No entanto, os indivíduos enfrentam enormes dificuldades para ter domínio do que sugerem os neoliberais. Isto porque, como destaca DREIFUSS (1996, p.153), os indivíduos vivem uma globalização que se organiza e se faz a partir de mega espaços urbanos, diferenciados por sua localização física e sua história.

Buscar essas diferenças no âmbito da geo-política que os cerca, é um caminho que pode conduzir os indivíduos à participação política. Para tanto, é necessário aprender a desterritorializar

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decisões, definir ações políticas que alterem estilos de comportamento, hábitos, padrões e especialmente mentalidade em relação a doutrina neoliberal. "Hoje precisamos de uma nova concepção acerca da transformação social e da prática política.

Necessitamos de práticas diferenciadas, flexíveis, movimentistas, simultaneamente local e globais."

A questão maior não é o extermínio da política neoliberal e sim como enfrentar politicamente os efeitos nocivos da globalização, dos desníveis econômicos e da exclusão social.

A globalização não tem preocupação com a preservação do mundo cultural do indivíduo. O neoliberalismo, por sua vez, exige diversidade mercadológica, quer um indivíduo desenraizado culturalmente, aposta na possibilidade de aliená-lo politicamente. Surge deste contexto as dificuldades que tem o indivíduo de associar as funções de cidadão e as de manipulado pelas referências e etiquetas neoliberais.

Desta dualidade surgem os "incapacitados" políticos, que por não se integrarem ao projeto ideológico do neoliberalismo, destoam da configuração integradora e modernizante da globalização.

O neoliberalismo é um processo ideológico, aceitá-lo ou combatê-lo, requer posicionamento político frente aos princípios que o norteiam, proposição de alternativas ainda não experimentadas, que não centralizem na economia de mercado, o campo para a resolução de todos os problemas da vida dos indivíduos.

É necessário exercer o que GIDDENS (1996, p.130), chama de democracia dialógica, que não está centrada no Estado, mas sobre ele retrata de maneira significativa, cria formas de intercâmbio social e pode contribuir para a reconstrução da solidariedade social.

A proposta da busca da solidariedade humana, justifica-se à medida que é impossível imaginar, por mais convincentes que possam ser os ditames neoliberais, a globalização apenas no aspecto econômico.

Não há como deixar de reconhecer, que o neoliberalismo se mantém em função das nações, das sociedades e fundamentalmente dos indivíduos.

É na complexidade da interdependência indivíduo-globalização, que nascem e se fortalecem as relações globais. As grandes mudanças, as grandes transformações do mundo, não dependem apenas de princípios neoliberais para acontecer, mas também da superação das dificuldades de participação política e a busca constante de autonomia dos indivíduos na sociedade global.

3.DESAFIOS À PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NA GLOBALIZAÇÃO

Os indivíduos vivem um mundo de problemas e desafios na globalização.

Nunca se falou tanto em dificuldades como nos tempos atuais. A velocidade que traz a mudança afasta a solução. Os problemas oscilam nos extremos da inquietude ou nos deslimites da angústia. Os desafios não têm limites de exigências, renovam-se a todo instante e tornam-se mais complexos, à medida que aumenta a globalização das relações sociais.

As diversidades étnicas, culturais, econômicas e políticas que compõem o mundo global, na verdade não são diferenças entre espaços físicos da globalização e sim entre indivíduos que têm línguas diferentes, costumes diferentes grau de desenvolvimento social diferente e principalmente pensam diferentemente.

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A heterogeneidade de conceitos entre indivíduos na globalização cria grandes barreiras para o enfrentamento de desafios como a humanização das decisões econômicas, a diversidade cultural, científica e tecnológica, ainda presas a uma sociedade tradicional, que não consegue superar as diferenças étnicas e políticas, que segregacionam os homens nos limites do desejo e do consumo provocados na multiplicidade de interesses do mundo global.

"A globalização incorpora as particularidades ± locais, regionais, nacionais, ética, religiosas, de grupos sociais e culturais ± subsumidas na dinâmica mundial do consumo de uma heterogênea terra."

Questionado na globalização de exigências que o cerca, o indivíduo não consegue ter respostas aos desafios que lhe são impostos. São exigências que criam grandes obstáculos à participação política, que intimidam posicionamentos e revelam deficiências de formação global, de domínio de mundo.

Observa-se que as dificuldades de participação política na sociedade global, decorrem de dois aspectos que precisam ser considerados: os de ordem pessoal e aqueles que vêm de uma conjuntura política que englobou idéias, mas não ensinou a pensar.

Confinados no limite da visão dos seus mundos pessoais ou na imensidão de um, global, que os manipula a todo instante, os indivíduos enfrentam provocações que os desnorteiam na complexidade de exigências que lhes são feitas.

Em a "Era do globalismo", Octavio Ianni (1999, p.11) assinala a emergência da sociedade global, como uma totalidade abrangente, complexa e contraditória. Uma realidade ainda pouco conhecida, desafiando práticas e ideais, situações consolidada se interpretações sedimentadas, formas de pensamento e vôos da imaginação.

Criou-se assim em torno dos indivíduos o mundo das ansiedades.

No aspecto pessoal, por exemplo, como superar a ânsia do consumismo, que lhes alfineta a realidade econômica e os conduz ao sonho do impossível ou à impossibilidade de satisfazê-lo plenamente?

No âmbito global, como podem os indivíduos enfrentar e sobreviver aos princípios excludentes do neoliberalismo? Como podem abrir espaços de participação política, encontrar formas alternativas para diminuir a distância entre pobres e ricos e democratizar os acessos à ciência e a tecnologia?

Esses são desafios permanentes, que se renovam a todo instante na sociedade globalizada. Os indivíduos são cobrados a todo momento e suas deficiências se revelam pela maior ou menor capacidade de desempenho das suas tarefas de rotina. A globalização exige indivíduos melhores preparados, que saibam ouvir, mas que assumam funções de tomada de decisão, que tenham iniciativa própria, mas sejam fiéis aos princípios neoliberais de tratar globalmente as questões sociais e econômicas.

No âmbito político, o objetivo é desconsiderar toda a forma de organização que não considere a realidade da desigualdade social, como resultado das diferenças históricas, étnicas ou econômicas, entre os povos.

No aspecto cultural a miscigenação de valores globais ainda não aconteceu.

Não há claramente definida uma cultura global, que possa dar ao indivíduo uma identidade de cidadão do mundo.

A indústria cultural adquire alcance global, na dimensão do interesse econômico que a sustenta, também pela sobreposição de valores e objetivos das classes dominantes e,torna-se um

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desafio à vida do indivíduo quando já consegue comandar o seu modo de informar-se, divertir-se e pensar os problemas reais ou imaginários.

Queiramos ou não, estamos todos presos em uma grande experiência, que está ocorrendo no momento da nossa ação ± como agentes humanos -, mas fora do nosso controle, em um grau imponderável.

Não é uma experiência do tipo laboratorial, porque não controlamos os resultados dentro de parâmetros fixados ± é mais parecida com uma aventura perigosa, em que cada um de nós, querendo ou não, tem de participar.

O indivíduo precisa compreender a complexidade do mundo que o cerca. Entender os seus contrastes, que oscilam nos limites das "verdades" que o sustenta e acreditar, que por mais fortes que se revelem os centros decisórios, nem sempre são absolutos e inquestionáveis.

Aos indivíduos o processo social da globalização parece mais desafiador que o processo político. Por uma dificuldade de contextualizar a sociedade como integrante de uma estrutura política, a concepção ideológica do mundo não lhes está presente.

Não se sentem agentes políticos da transformação social, passivamente aceitam ser dominados, não encontram meios de organização e empobrecem politicamente. O empobrecimento político os afasta da responsabilidade de definir posições, de sentirem-se comprometidos com os rumos da própria globalização. Faz surgir um descompromisso coletivo com a realidade política, como se essa não influenciasse nas relações de domínio na sociedade globalizada.

A participação política na globalização passa pelo desafio do indivíduo compreender,como destaca Octavio Ianni (1995, p. 186) que a mesma racionalização que articula progressivamente as mais diversas esferas da vida social, acentua e generaliza a alienação de uns e outros, também em âmbito universal. A marcha da racionalização caminha de par-em-par com a alienação, uma e outra determinando-se reciprocamente.

Os indivíduos necessitam compreender, e este é um desafio de ordem pessoal, que a sociedade global não é uma mera extensão quantitativa da sociedade nacional, que a desterritorialização não os desobriga à responsabilidade de autodeterminação. Exige-se, precisa-se de indivíduos preparados intelectual e politicamente, capazes de decidir e agir nas afrontas globais do servilismo anacrônico instituído e encontrar caminhos de reversão das disparidades sociais.

O desafio da preparação pessoal, singular dos indivíduos na globalização, não é uma tarefa simples, já que as influências que sofrem extrapolam ao campo da invididualidade.

Nascem do campo da impessoalidade.

Nascem de múltiplas direções, estão na complexidade dos processos sociais, nas estruturas de dominação e apropriação das instituições sociais, nos discursos ideológicos e ganham dimensão nas informações e contra-informações de uma mídia globalizante.

Vive-se um cotidiano configurado pela fabulosa massa de informação disponível, veiculada eletronicamente em escala planetária, estruturante do indivíduo e determinante de um novo caos que questiona o homem e sua humanidade, enquanto a realidade é multiplamente questionada e reproblematizada.

A globalização é um constante questionamento do processo de autonomia dos indivíduos, das influências que possam receber na definição de modelos políticos, que se mostram ao mesmo tempo individual e social e os deixam desamparados frente as instituições. Surgem daí o desafio da busca da tomada de posições de autonomia, de domínio de conhecimento, das influências das instituições na

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definição das bases de uma sociedade, que dita o comportamento social e a postura política dos indivíduos na aldeia global.

Sendo assim, a postura comportamental do indivíduo na globalização assume diferentes facetas, em função da sua maior ou menor dificuldade no controle dos conhecimentos que possa ter em relação às formas institucionais existentes e da definição política que conceba da sociedade global.

Indivíduos que tem dificuldades de conceber a sociedade globalizada na sua pluralidade de interesses, que sejam despreparados intelectualmente, com certeza não encontram parâmetros de compreensão entre as condições de alienação e as possibilidades de autonomia política na globalização. A sociedade global modifica-lhes as condições de vida e trabalho e não lhes concede oportunidades de aprender a vê-la com espírito crítico. O alienalismo cultural, ainda enraizado em uma identidade nacional, acompanha a alheação política, conduz o indivíduo a eximir-se de responsabilidades e torna-se um obstáculo à participação política.

Considerando-se a freqüente lentidão com que se modifica a identidade de inúmeras pessoas e o desejo intenso que muitas delas sentem de re(afirmar) seu controle sobre as forças que moldam sua vida, é provável, admitem os globalistas, que as complexidades da política da identidade nacional persistam. Porém, somente uma visão de política global pode vir a se adaptar aos desafios políticos de uma era mais globalizada, marcada por comunidades de destinos que se superpõem e por uma política multiestratificada (local, nacional, regional e global).

O desafio de ser participativo, de encontrar o poder da tomada de decisões, não se esgota apenas no domínio das potencialidades culturais dos indivíduos, que são importantes, mas não necessariamente determinantes, já que existem os alienados voluntários da política. A estes, a maior dificuldade de participação política está em não desejar definir posições políticas acerca da globalização.

São essas diversidades de condutas, muitas enraizadas em valores tradicionais (ignorados pela globalização), que deixam os homens globalizados reduzidos a meros coadjuvantes no processo da mundialização de ações políticas, que criam dificuldades de compreensão da heterotopia que mecaniza o mundo global.

Os indivíduos são peças ou partes de órgãos em constantes deslocamentos pela aldeia global. Mesmo que não saiam dos lugares onde vivem, sofrem os efeitos estonteantes da imensa cadeia de informação disponível, veiculada em escala planetária, que os conduz, aleatoriamente, a valores globalizantes.

A globalização da mídia trouxe para o indivíduo, o desafio de conviver com uma realidade planetária, com formas diferentes de vida, com estilos desiguais de sociedades, que o cerca, o assedia nos mais íntimos valores culturais e lhe exige acompanhamento permanente das mudanças que destradicionalizam regras sociais e familiares.

Essa pluralidade de novos conceitos, de múltiplos parâmetros de relacionar-se em sociedade, desafia os indivíduos a todo instante, exige um reciclar constante de comportamento, a busca de uma nova identidade pessoal no contexto de uma despersonalização global.

"Multiplicam-se as identidades de uns e outros, na mesma proporção em que se diversificam experiências e existências, intercâmbios culturais e formas de organização social da vida, modos de trabalhar, agir, sentir, pensar e imaginar."

A nova ordenação da sociedade mundial cria cadeias decisórias, que alteram a natureza e a dinâmica das relações entre os indivíduos. A necessidade de participação política torna-se uma exigência nos riscos, incerteza se conflitos que se revelam no entrelaçamento do indivíduo com o sistema global.

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As ações cotidianas dos indivíduos mostram a essencialidade da prática política nos processo da definição de rumos na globalização.

Normalmente alheios aos centros de decisões, perdem o domínio do conhecimento, a capacidade de decidir, processar e selecionar informações que lhes garantiriam inverter as condições de submissão,conformismo e alienação impostas pelo mundo global.

Para impor-se, enquanto cidadão nesta aldeia global, o indivíduo tem que conquistar autonomia.

Necessita relacioná-la como principal via para vencer as dificuldades de compreensão política, como instrumento de formação de um cidadão capaz de ser e agir, de ter um entendimento crítico da sociedade globalizada. Esses são desafios que implicam, necessariamente, na mudança de comportamentos, que exigem dos indivíduos atitudes claras, objetivas, frente aos princípios excludentes do neoliberalismo. A busca da autonomia passa a ser uma exigência constante à medida que é o principal viés para o alcance da participação política na globalização.

É igualmente um desafio para o indivíduo, ter a compreensão de uma nova ordem econômica internacional, quando é parte integrante de uma legião de excluídos, que aumenta a todo instante a escala da desigualdade social e cria um mundo de dominação e dependência entre os homens. "(...) um mundo cada vez mais insubordinado e violento, no qual a pobreza, a privação e o conflito são a realidade cotidiana da maioria dos povos".

A maior provocação aos indivíduos, neste contexto global, é a da edificação de um processo de autonomia política, que o ensine aprender a ocupar espaços públicos e perder vícios de dependência ás práticas políticas do passado. A autonomia deve capacitá-lo a inserir-se no contexto social e a compreender as circunstâncias da existência humana na globalização. Ao contrário, permanecerá preso a uma estrutura de dominação e dependência, em crise de razão frente a incessante globalização do mundo.

A crise existencial do homem globalizado, mais do que uma perturbação de vida, é um desafio à turbulência da incerteza, do medo, da perplexidade que o cerca no mundo global. Como destaca GIDDE

NS (1996), cada vez mais o homem é obrigado a abdicar da rigidez das idéias, atitudes e tipos de comportamentos fundamentados no sistema de valores tradicionais e buscar respostas nos parâmetros de uma "modernidade reflexiva", que em muitos aspectos ainda estão para serem formulados.

Assim, a capacidade política do indivíduo exige, fundamentalmente, revisão de valores, sejam pessoais ou conjunturais, novas concepções do processo cultural civilizatório em marcha na globalização. Precisa o indivíduo compreender que na globalização cultural, ao mesmo tempo, que há muita perda, há muito ganho. Que é preciso ter domínio das contradições globais, para viver com as fragmentações e os antagonismos de uma sociedade que faz dos conflitos a sua base de sustentação.

O indivíduo é peça integrante de um cenário que ajuda a criar e recriar constantemente, mas não consegue experimentá-lo. A todo instante torna-se o cenário que desaparece, entra e sai de cena, parece estar sendo punido pela incapacidade política de enfrentar um processo de globalização em mutação permanente.

"Logo que se reconhece que a sociedade global é uma realidade em processo, que a globalização atinge as coisas, as gentes e as idéias, bem como as sociedades e as nações, as culturas e as civilizações, desde esse momento está posto o problema do contraponto globalização-diversidade, assim como diversidade e desigualdade, ou integração e antagonismo."

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As definições da globalização, principalmente econômicas, criam nos indivíduos a desconexão com o seu mundo social, cultural e político. Deixam de perceber a mundialização em todas as suas esferas e não buscam paradigmas políticos para explicá-las ou o que seria mais importante entendê-las. Vem daí, o que se pode chamar de alienação política conjuntural, isto é, os indivíduos por não perceberem o entrelaçamento de interesses do mundo global, são facilmente manipulados pelas elites deliberantes que os comandam.

A supremacia do poder econômico de uma camada social minoritária, que se utiliza de instrumentos especulativos da globalização, coloca para o indivíduo a realidade de que enquanto a economia melhora, o social piora. O desafio está em encontrar formas de participação política, que possam levar a uma nova concepção acerca da transformação social, que sejam práticas diferenciadas, flexíveis, simultaneamente locais e globais.

Para Emir Sader (1996) o neoliberalismo criou condições muito mais propícias para a inversão especulativa do que produtiva. Isto não tem sido assimilado politicamente pelos indivíduos, que sentem os seus efeitos na destruição social criada pelo poder de mercado, mas se revelam incapazes de alternativas, que amenizem o agravamento das desigualdades econômicas entre globalizados e globalizantes.

As condições de liberdade e democracia, inegáveis avanços políticos, que o mundo experimenta nas últimas décadas, não tem se refletido na concretização de uma consciência de participação política dos indivíduos na globalização. Ainda presos a conceitos e formas ortodoxas, ou simplesmente enclausurados no alienalismo político, não conseguem construir, por exemplo, um sindicalismo de maior consciência, compromisso e proposta, ou seja, mais pragmático e menos ideologizado.

Saber utilizar as condições de liberdade com participação política e assumir responsabilidades, é um grande desafio que a ideologia neoliberal colocou aos indivíduos na globalização. Apostam os globalizantes no despreparo político, nas dificuldades de construção de um processo emancipatório, na percepção de mundo e na definição de uma política de vida dos indivíduos na globalização.

"A política de vida e as disputas e lutas a elas associadas tratam de como deveríamos viver em um mundo onde tudo que costumava ser natural (ou tradicional) agora tem de ser, em algum sentido, escolhido ou decidido. A política de vida é uma política de identidade e uma política de escolha."

A ausência de uma política de vida, fez o indivíduo distanciar-se dos centros decisórios, submeter-se à força do mercado. Surge, a partir de então, legiões de excluídos sociais que passam a viver à margem de propagadas conquistas e grandes avanços da globalização. A esses a globalização é separatista, segregacionista, espoliadora social e politicamente.

As conseqüências da exclusão social são estarrecedoras, quando se analisa os números de miseráveis, indivíduos que além de não ter participação política na globalização, vivem em grau de absoluta pobreza.

Em "A época das Perplexidades" (1996, p.12,13) René Dreifuss destaca dados oficiais da ONU, que em 1994, mostravam um alargamento da linha de miserabilidade no mundo.

Nos países menos desenvolvidos uma em cada cinco pessoas sofre de pobreza extenuante. Um bilhão e trezentos milhões de pessoas vivem em extrema pobreza ou são desesperadamente pobres. A cada minuto nascem quarenta e sete bebês na pobreza.

Desde então a exclusão social vem aumentando em escala mundial, desafiando os deslimites de uma economia de mercado e de um sistema político que apregoa democracia, mas gera situações extremas; tanto de generalização da pobreza como de fortalecimento da plutocracia.

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Aos indivíduos o desafio posto é o de encontrar vias de participação política, que evitem a propagação ainda maior da miserabilização mundial, que não deixem sucumbir às garantias de liberdade e de democracia; e que garantam que as possibilidades de construção de uma sociedade autônoma e da conquista da condição de cidadão são tão reais quanto os princípios excludentes da globalização.

CONCLUSÃO

O homem é um ser essencialmente social e político. Quando lhe falta esta compreensão ou quando nega esta condição, torna-se um ser amorfo, ausente,potencialmente manipulável, um mero ocupador de espaços físicos, ou simplesmente um conformado observador das decisões do mundo que o cerca. A compreensão da essencialidade política do homem torna-se exigência ao próprio entendimento das ociedade em que vive.

Não há como separar, dissociar o indivíduo do seu meio social, não há como deixar de reconhecê-lo na definição ou emissão das ações políticas que definem a complexidade das relações de poder na sociedade.

A globalização trouxe o descercamento social, econômico e político do mundo, mas não eliminou a intrinsidade do homem com seus valores, seus conflitos, seus anseios.Os cenários são outros, as exigências são diferentes, os desejos se alteram, mas os indivíduos não perderam a essência do pensamento e a mística de fazer história.

As análises aqui colocadas, nos conduzem a dimensionar quanto os indivíduos precisam superar as dificuldades de interpretação de uma nova ordem econômica e social, para construir um processo de autonomia e alcançar a participação política na globalização. Este trabalho mostra que as dificuldades de compreender uma sociedade desregrada (como é a global), decorrem das limitações em tomar decisões, em eliminar comprometimentos com posições fragmentadas, em romper obstáculos ideológicos que surrupiam a imprescindibilidade da participação política.

Assim sendo, é necessário que as relações de dominador e dominado, sejam democratizadas no âmago da globalização. Esta é uma compreensão óbvia, quando os indivíduos se deparam com dificuldades de participação política na globalização. Falta-lhes, como esta análise demonstra alternativas políticas que os estreitem na solidariedade contra a exclusão social e os aproxime na humanização pessoal.

Os homens "globais", como evidencia o centralismo ideário deste texto, ainda não encontraram pontos de referências que os façam partes integrantes dos centros decisórios, ainda não aprenderam a lidar e decidir na complexidade das relações de dominação do mundo global.

Não é de se estranhar, portanto, que ainda não saibam superar as suas dificuldades de participação política e vêem como uma exaustiva provocação à necessidade de assumir posições na sociedade globalizada.

As dificuldades de participação política dos indivíduos na sociedade global ocasionam reflexos profundos na conquista de uma autonomia cidadã e, como é mostrado nesta análise, lhes impedem de ascender aos discursos da conciliação das diferenças, do que é justo, possível e realizável, que sustentam ideologicamente a globalização. Conclui-se que os indivíduos ainda não têm domínio desta nova estrutura de práticas políticas, que se sustenta no uso do conhecimento e da destreza tecnológica. Assim são facilmente afastados dos centros decisórios do poder, tornam-se apêndices de uma elite deliberante que fez nascer, comanda e se mantém neste sistema de tutela política na globalização.

Todas as análises que se façam para compreendermos as dificuldades que tem os indivíduos de ascender politicamente na globalização, se identificarão com posições deste trabalho, que apontaram para uma desconstrução ideológica do mundo. Os indivíduos, como aqui fica evidenciado, precisam visualizar a multiplicidade de interesses que movem o mundo global.

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Necessitam compreender que vivem um novo tempo, que o processo social da globalização e o processo político se entrelaçam na angústia e incerteza das exigências globais, que a realidade da globalização impõe a formação de novos indivíduos, como novas idéias e novos objetivos.

Outro ponto determinante, essencial, do que aqui é exposto e que identifica as dificuldades de participação política na globalização, se refere ao despreparo dos indivíduos em entender que nenhum sistema, por mais materialista que seja, pode exclui-los das relações sociais que o mantém. Fica claro, igualmente, que todo o sistema social, econômico é também político, que só se viabiliza pela ação dos indivíduos, seja pela submissão a interesses de mercado, seja pela necessidade de questionar as forças do poder político-decisório daqueles que comandam a globalização.

Ao buscar as razões das dificuldades de participação política dos indivíduos na sociedade global, questão central desta análise, necessariamente conclui-se que na complexa e contraditória realidade social da globalização, os indivíduos precisam encontrar pontos de referências de atuação de cidadania nos formatos da própria sociedade globalizada, que necessitam lutar por autonomia e buscarem os espaços de participação política nos limites de cada instituição, que forma o gigantismo desfronteirizado do mundo global. Os indivíduos têm dificuldades de participação política na globalização, porque precisam ainda compreender que é nos centros decisórios do poder político, isto é, no interior das instituições organizadas que se definem as relações de dominação do mundo global.

Os indivíduos precisarão ainda discernir, e esta é uma dificuldade de participação política, que a inserção social na globalização não acontecerá, como demonstra este trabalho, sem o afastamento da passionalidade ideológica, da ortodoxia religiosa, deposições segregacionistas, que os tem impedido de compreender novas acepções de mundo, de entender novas realidades e com elas interagir no contexto da globalização.

As possibilidades de um projeto pessoal ganhar efeito na globalização são incipientes desejos de quem o propõe, se não vir alicerçado na conscientização da participação política. Esta consideração é ponto crucial deste trabalho, no sentido que o grande problema da ascensão do indivíduo, enquanto cidadão, na globalização está no seu descompromisso político com a realidade que o cerca, na sua ausência na tomada de decisões, na sua passividade frente às mudanças e transformações, que vão com rapidez alucinante criando e recriando novas formas de vida e exigindo novos modelos de comportamento social.

Assim, resta concluir que a superação das dificuldades de participação política na globalização, só acontecerá quanto os indivíduos forem capazes de discernir entre o que é apregoado e o que de real acontece nas relações de interatividade universal.Quando conquistarem o entendimento político, que o mundo da globalização é, com certeza, o do domínio da ciência e da técnica, mas é também os seus mundos, onde ocorrem suas relações de homem e cidadão.

A superação das dificuldades de participação política na globalização acontecerá quando o mundo global para os indivíduos se tornar familiar, quando for vencido o servilismo político, o desregramento social, que ao homogeneizar diferenças revelou a universalização das desigualdades.