Narrativa lúdica e mítica - Histórias · PDF fileNarrativa lúdica...

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  • Narrativa ldica e mtica

    ARRATIVA LDICA: TIPOS

    Jogo: segundo Japiass e Marcondes (2001:150-151), do latim jocus: brincadeira. 1. Atividade fsica ou mental cujo objetivo o prazer que proporciona; "[...] jogos com regras ou socializados, nos quais o prazer se vincula ao respeito s regras, s dificuldades de vencer uma competio." 2. "Entre os adultos, o jogo considerado, em certo sentido, como o oposto do trabalho e como uma oportunidade de expresso de sua liberdade." 3. Jogos de linguagem, de Wittgenstein: "[...] concepo de linguagem como comunicao e interao [...]".

  • Narrativa ldica e mtica

    4. Teoria dos Jogos (Game Theory, John von Neumann e Oskar Morgenstern). "Teoria matemtica que busca formular modelos explicativos de situaes em que os participantes devem tomar decises de carter estratgico em relao uns aos outros, visando a realizao de seus objetivos e interesses. Os jogos podem ser cooperativos, quando os objetivos dos participantes so comuns; de conflito [ou competio?], quando os objetivos so opostos; ou mistos, quando h objetivos de ambos os tipos." Os tericos do estudo dos jogos esforam-se por destacar as diferenas entre eles prprios e os tericos da narrativa, uma postura que tem sido produtiva para o incio de seu projeto acadmico. Os jogos precisam mesmo de um vocabulrio crtico distinto da terminologia narrativa [...] Mas representar, jogar e contar histrias esto intimamente ligados. Tal como a linguagem, so componentes ancestrais e definidores de nossa humanidade. So tambm recursos para as tarefas culturais que enfrentamos atualmente, especialmente para a de viver numa comunidade global que traga compreenso e respeito mtuo atravs de nossas mltiplas fronteiras culturais. (Murray, 2003:11) Janet Murray, pesquisadora americana de jogos narrativos, apresenta dois tipos de estrutura narrativa que podem interessar aos designers de jogos: multissequencias e multiformes.

  • Narrativa ldica e mtica Histrias Multisseqenciais Histrias Multiformes Caractersticas Proporcionam ao interator a habilidade de

    navegar por um arranjo fixo de eventos de diferentes maneiras, todas elas bem definidas e significativas.

    Mltiplas verses podem ser geradas a partir da mesma representao fundamental, como um sistema narrativo que pode oferecer muitas verses, sendo que cada uma delas ter suas prprias peculiaridades de eventos e caracteres

    Utilidade O sentido mais profundo da obra emerge da compreenso desses caminhos entrecruzados.

    Podem ajudar-nos a perceber causas complexas de acontecimentos complexos, assim como imaginar diferentes desfechos para uma mesma situao.

    Narrativa literria

    O Castelo do Destinos Cruzados, O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam (Jorge Luiz Borges)

    O Dicionrio Kazar; Corra Lola, corra; EXistenZ

    Narrativa ldica

    Aventura Solo RPG, ARG, MMP

    O Role-playing Game (RPG) um jogo onde o/a jogador/a interpreta uma personagem criada por ele/a, dentro de um determinado contexto, conhecido como ambientao, de acordo com um sistema de regras, cuja aleatoriedade pode ser medida por dados, cartas ou cronmetro. O RPG jogado, geralmente, em volta de uma mesa, ou mesmo no cho, sem necessidade de tabuleiros e peas, apenas material para anotaes, alm dos componentes de aleatoriedade. A representao teatral dos jogadores verbal, no cnica, aproximando-se de uma leitura de texto (como a que antecede os ensaios no palco ou cinema), ou seja, no implica caracterizao por maquiagem e figurino. As narrativas so lideradas por um Mestre de Jogo, que atua como diretor, roteirista, figurante, coadjuvante e juiz de regras. No entanto, a narrativa se constri coletivamente, pois as reaes dos jogadores so imprevisveis e

  • Narrativa ldica e mtica frequentemente obrigam o Mestre a alterar o enredo. Trata- se de um hipertexto no qual os jogadores constroem os caminhos a percorrer. O RPG costuma ser disponibilizado em suporte impresso, na forma de livros ou revistas, mas existem RPGs digitais, que muito se aproximam dos Alternate Reality Games (ARGs) e dos Massive Multiplayers online (MMPOs), em que vrios jogadores se conectam internet, criam e atuam como suas personagens (denominadas avatares) e jogam ao mesmo tempo. As aventuras solo so narrativas ldicas mais simples do que os RPGs, uma vez que apresentam opes para os jogadores, em vez de demandarem a criao de alternativas de ao para as personagens, mas partilham com estes de similaridades estruturais. Trata-se de uma histria com algumas possibilidades de desfecho, onde o/a jogador/a cria e/ou utiliza mas no encarna uma personagem que pode seguir diferentes caminhos dentro da histria ao fazer sua escolha de ao diante das opes apresentadas. Conforme l a histria, o leitor-jogador simultaneamente a joga. Assim, a estrutura narrativa da aventura solo pode tambm ser considerada um hipertexto na qual o jogador escolhe um caminho a percorrer. A aventura solo pode ser disponibilizada em suporte impresso, sendo conhecida como livro jogo, ou em suporte digital, sendo a forma mais popular a do videogame. Independentemente do suporte, ambos so estruturas narrativas que utilizam mais de uma Linguagem (visual, verbal, musical, corporal) para disponibilizar os contedos, podendo ser consideradas hipermdias.

  • Narrativa ldica e mtica

    SIMILARIDADES E DIFERENAS ENTRE RPG E AVENTURA SOLO

    Componente Narrativo

    Aventura Solo RPG

    Cenrio variedade: fantasia; fico-cientfica; terror; histrico; toon. Porm, hegemonia consistente da fantasia e atualmente do terror

    idem

    Personagem figura herica X vilanesca; personagem que evolui, principalmente nos sistemas classe/nvel

    idem, porm com representao do papel

    Enredo um enredo com mltiplos caminhos e desfechos ideias para enredos (plots) Clima determinado pela configurao do enredo determinado pelo modo de jogar Regras sistema para criar personagens e resolver aes sistema para criar personagens, resolver

    aes e criar enredos Caracterstica Aventura solo RPG Socializao pode ser jogada solitariamente, ou se em grupo,

    pode haver competio ou cooperao entre os jogadores

    no pode ser jogado solitariamente; cooperao entre jogadores, em vez de competio; requer capacidade de expresso

    Grau de abertura

    reatividade: tomada de decises dentro de um leque pr-determinado de opes

    interatividade: resposta autnoma e no prevista no enredo

    Hipertexto caminho associativo escolhido pelo jogador caminho associativo construdo pelo jogador

  • Narrativa ldica e mtica

    A ESTRUTURA DA NARRATIVA LDICA

    Por serem formas de narrativa, as narrativas ldicas partilham com as formas literrias dos mesmos componentes, exceo das regras. Seja como for, a grande diferena que na narrativa ldica a configurao do enredo e a atuao das personagens neste enredo no esto subordinadas apenas ao tema ou premissa, mas tambm s regras. Em se tratando de jogo, no se pode deixar de falar de regras. Nas narrativas ldicas, as regras compem um sistema de simulao de realidade, que, segundo o dicionrio Novo Aurlio (Ferreira, 1995), a reproduo anloga de algo; simulao analgica: experincia ou ensaio em que os modelos se comportam de maneira anloga realidade. Ainda sobre termos relativos, simulacro: 2. Ao simulada para exerccio ou experincia; e simular: 2. Representar com semelhanas, aparentar. Dentro deste sistema de simulao que se constri a importante relao personagem-jogador. Aqui, a personagem a interface entre o jogador e o jogo: atravs dela, vive-se (mais do que se acompanha), a histria, vivncia esta que deriva sua ludicidade da estreita relao com a aventura mtica. Relembrando Muniz Sodr, o mito seria "[...] o discurso no regido pelas leis da Histria, o universo de contato entre homens e deuses. Mticas so as fabulaes e as alegorias relativas s peripcias dos heris lendrios [...] (1998:75). Assim, espera-se que as personagens da narrativa ldica atuem como figuras hericas, no sentido daquelas personagens que proporo alguma mudana estrutural ou de paradigma para alguma situao do cenrio ou do enredo (Klimick, 2002): heri combina com aventura, aventura com desafio, desafio com jogo. Dentro deste mesmo sistema de simulao, configura-se o desenrolar do enredo ldico. Na aventura solo, o enredo deve pressupor diferentes desenvolvimentos e desfechos, cujo desenrolar depende das escolhas do jogador entre esta ou aquela opo narrativa - o que acontece de acordo com as regras estabelecidas. Estas escolhas compem-

  • Narrativa ldica e mtica se de desafios pertinentes ao tema, perfazendo um conjunto de eventos chave (ns narrativos) a partir das quais a histria se movimenta, seguindo este ou aquele caminho. De acordo com as regras tambm se configura o desenrolar do enredo ldico. Na aventura solo, o enredo deve pressupor diferentes desenvolvimentos e desfechos, cujo desenrolar depende das escolhas do jogador entre esta ou aquela opo narrativa - o que acontece de acordo com as regras estabelecidas. No RPG, o enredo deve pressupor a interveno direta dos jogadores, e s pode se desenrolar a partir das aes e decises do grupo, de acordo com ser ou no bem sucedido nessas aes, o que depende das regras. Estas escolhas ou intervenes compem-se de desafios pertinentes ao tema, perfazendo um conjunto de eventos chave (ns narrativos) a partir das quais a histria se movimenta, seguindo este ou aquele caminho, na aventura solo, ou se modificando completamente, no RPG. A insero de desafios e eventos-chave na narrativa ldica pode ser norteada pelo modelo construdo por Antonio Furtado e ngelo Ciarlini (1999, 2000, 2002) para concepo de um programa gerador de enredos (IPG: Interactive Plot Generator), extrado da anlise morfolgica dos contos de magia realizada por Vladimir Propp (1984).1 Furtado e Ciarlini propem a