POLUIÇÃO ATMOSFÉRICA E EFEITOS NA SAÚDE -Rev13.pdf · Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente

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    POLUIO ATMOSFRICA E EFEITOS NA SADE HUMANA AIR POLLUTION AND EFFECTS ON HUMAN HEALTH

    CONTAMINACIN DEL AIRE Y EFECTOS SOBRE LA SALUD HUMANA Ins Lisboa (ines_cpsl@hotmail.com)* Pedro Rodrigues (prodrigues@ipg.pt)**

    RESUMO: Ao longo dos anos a poluio atmosfrica tem sido encarada de uma

    forma diferente. Inicialmente apenas os agentes qumicos eram considerados poluentes, agora cada vez mais, os poluentes biolgicos so alvo de monitorizaes e estudos. Os poluentes atmosfricos mais comuns provm principalmente das indstrias, do trfego automvel e da polinizao das plantas e rvores. As alergias, tm tido um aumento muito significativo e so j consideradas um problema de sade pblica. No artigo so apresentados diversos estudos comparativos de trabalhos realizados em Portugal e na Europa sobre a influncia dos poluentes atmosfricos na sade pblica. As grandes cidades tm em geral, maior concentrao de poluentes do que as cidades mais pequenas, este facto deve-se no s quantidade excessiva de trfego automvel, mas tambm s grandes zonas industriais envolventes. Cada pessoa, dependendo da idade e do estado de sade, apresenta diferentes respostas exposio aos poluentes atmosfricos. Doenas do foro respiratrio, cardiovascular e alrgicas so as mais frequentemente relacionadas com a poluio atmosfrica. Palavras Chave: Poluio Atmosfrica, Doenas Alrgicas, Plenes.

    ABSTRACT: Over the years, air pollution has been seen differently. Initially only the

    chemicals were considered polluting agents, now a days, biological pollutants are subject to monitoring and studies. The most common air pollutants come mainly from industries, traffic and the pollination of plants and trees. Allergies have had a very significant increase and are now considered a public health problem. The paper presents several comparative studies carried out in Portugal and in Europe about the influence of air pollutants on public health. Big cities generally have higher concentration of pollutants than smaller cities, this is due not only to the excessive amount of car traffic, but also to large industrial areas surrounding. Each person, depending on age and health status have different responses to exposure to air pollutants. Respiratory, cardiovascular and allergic diseases are the most often related to air pollution.

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    Keywords: Air Pollution, Allergic Diseases, Pollens.

    RESUMEN: A travs de los aos, la contaminacin del aire se ha visto de manera

    diferente. Inicialmente slo los productos qumicos fueron considerados contaminantes, cada vez ms, los contaminantes biolgicos estn sujetos a la supervisin y estudios. Los contaminantes atmosfricos ms comunes provienen principalmente de las industrias, el trfico y la polinizacin de las plantas y los rboles. Las alergias han tenido un incremento muy significativo y ahora se consideran un problema de salud pblica. En el artculo se presentan varios estudios comparativos de los trabajos realizados en Portugal y en Europa sobre la influencia de la contaminacin atmosfrica en la salud pblica. Las grandes ciudades generalmente tienen una mayor concentracin de contaminantes de las ciudades ms pequeas, esto se debe no slo a la excesiva cantidad de trfico de automviles, sino tambin a grandes reas industriales circundantes. Cada persona, dependiendo de la edad y estado de salud tiene diferentes respuestas a la exposicin a contaminantes del aire. Enfermedades del aparato respiratorio, cardiovascular y alrgicas son ms a menudo relacionado con la contaminacin del aire. Palabras clave: Contaminacin del aire, las enfermedades alrgicas, polen.

    * Licenciada em Engenharia do Ambiente. Mestranda em Sistemas Integrados de Gesto [AQS&RS] na ESTG/IPG. Formadora na rea de Ambiente, Higiene e Segurana no Trabalho.

    ** Doutorado em Qumica. Professor Adjunto na Escola Superior de Tecnologia e Gesto do Instituto Politcnico da Guarda.

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    1. INTRODUO

    Segundo a Agncia Portuguesa do Ambiente (APA), a qualidade do ar traduz o grau de poluio atmosfrica, o qual originado por uma mistura de substncias qumicas lanadas para a atmosfera ou resultantes de reaes qumicas que nela ocorrem e que alteram o que seria a constituio natural da atmosfera. Estas substncias poluentes podem ter maior ou menor impacte na qualidade do ar, consoante a sua composio qumica, concentrao e as prprias condies meteorolgicas.

    O conceito de qualidade no imutvel, sofrendo adaptaes ou ajustes de acordo com o conhecimento e as melhores tcnicas disponveis. Pela mesma razo, os critrios de qualidade do ar foram sofrendo adaptaes em funo do conhecimento e da tecnologia disponvel. Alm dos poluentes qumicos, inicialmente objeto de uma maior ateno, os poluentes biolgicos, tm sido, cada vez mais, tema de preocupao e pesquisa de inmeros investigadores. Especial ateno tem sido dada s questes relacionadas com as alergias, as quais tm tido um aumento muito significativo e so j um problema de sade pblica (Couto e Morais de Almeida, 2011). O aumento substancial das doenas respiratrias nos pases industrializados atribuvel a uma combinao de poluentes qumicos e biolgicos, nomeadamente plenes que podem adquirir propriedades mais alergnicas quando sofrem a influncia de alguns agentes qumicos.

    Problemas ao nvel do sistema respiratrio e do sistema cardiovascular so os mais frequentemente referidos na exposio crnica ou aguda aos poluentes atmosfricos. As doenas alrgicas como a rinite e a asma so dois exemplos do anteriormente referido. Este tipo de patologias acarreta no apenas danos para os pacientes mas tambm implicaes na economia, devido ao absentismo no trabalho, e particularmente sobre o sistema de sade, devido alocao de recursos para o tratamento e programas de gesto preventiva.

    Atuar de forma preventiva e assim reduzir os efeitos dos poluentes atmosfricos, especialmente os poluentes biolgicos, ser um fator positivo na melhoria do conforto das pessoas que padecem deste tipo de problemas. Para tal, ser necessrio realizar um inventrio da aerobiologia das zonas urbanas, de modo a permitir que a realizao de exames de diagnstico sejam mais direcionados para o tipo de plenes existente na regio. Estes estudos poderiam ser tambm

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    importantes para alterar o revestimento vegetal dos espaos verdes nas zonas urbanas e definir os limiares de concentrao de plen relacionados com o risco de reao alrgica.

    2. POLUENTES ATMOSFRICOS

    Num ambiente tipicamente urbano, a populao est exposta a cerca de 200 poluentes ou classes de poluentes atmosfricos (Sicard et al., 2011). Os mais comuns, especialmente nas reas urbanas e industriais so o monxido de carbono (CO), o dixido de azoto (NO2), o dixido de enxofre (SO2), o ozono (O3), partculas finas medidas como PM10 (partculas com dimetro inferior a 10 m) e PM2.5 (partculas com dimetro inferior a 2,5 m), plenes e fungos, os quais se encontram regulamentados em legislao europeia e legislao nacional.

    Segundo o Decreto-Lei n. 102/2010 de 23 de setembro, o qual transpe para a legislao nacional a Diretiva 2008/50/CE de 21 de Maio, no mbito do qual se pretende proteger a sade humana, combater as emisses poluentes na origem, identificar e implementar as medidas mais eficazes de reduo de emisses, e fixa os objetivos para a qualidade do ar ambiente (Tabela 1) de acordo com as orientaes da Organizao Mundial de Sade. Tambm ao nvel da qualidade de ambientes interiores o Decreto-Lei n. 79/2006 de 4 de abril, regulamento os Sistemas Energticos de Climatizao em Edifcios (RSECE), tem como objetivo, entre outros, garantir os meios para a manuteno de uma boa qualidade do ar interior dos edifcios, nomeadamente microrganismos (bactrias e fungos), dixido e monxido de carbono, ozono, formaldedo, compostos orgnicos volteis (COV) e PM10 (Tabela 2).

    Tabela 1 - Valores limite de exposio, para a proteo da sade humana, para o SO2, NO2, PM10, CO, Benzeno, Chumbo e PM2.5 (Decreto - Lei n. 102/2010, de 23 de setembro).

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    Poluente Perodo de referncia Valor Limite Margem de Tolerncia

    SO2 1 hora 350 g/m3 150 g/m3

    1 dia 125 g/m3 Nenhuma

    NO2 1 hora 200 g/m3 Nenhuma

    1 ano 40 g/m3 Nenhuma

    PM10 1 dia 50 g/m3 50%

    1 ano 40 g/m3 20%

    CO Mximo horrio da mdia das 8 horas 10 mg/m3 60%

    Benzeno 1 ano 5 g/m3 Nenhuma

    Chumbo 1 ano 0,5 g/m3 100%

    PM2.5 1 ano 25 g/m3 20%(1)

    (1) at 11 de junho de 2008, a reduzir no dia 1 de janeiro seguinte em cada perodo de 12 meses subsequentes numa percentagem anual idntica, at atingir 0% em 1 de janeiro de 2015

    Tabela 2 Concentraes mximas de referncia de poluentes no interior de edifcios de acordo com o anexo VII e o n 8 do artigo 29 do D.L. n 79/2006 de 4 de Abril.

    Parmetro Concentrao mxima de referncia

    Partculas suspensas no ar (PM10) 0,15 mg/m3

    Dixido de carbono 1800 mg/m3

    Monxido de carbono 12,5 mg/m3

    Ozono 0,2 mg/m3

    Formaldedo 0,1 mg/m3

    Compostos Orgnicos Volteis 0,6 mg/m3

    Microrganismos (bactrias) 500 UFC

    Microrganismos (fungos) 500 UFC

    Legionella 100 UFC

    Rado 400 Bq/m3

    Na legislao portuguesa esto ainda definidos os limiares de informao e os limares de alerta. O limiar de informao desencadeado quando so atingidas concentraes acima das quais uma exposio a SO2, NOx ou O3, de curta durao, apresenta riscos de sade para grupos sensveis da populao. O limiar de alerta, para o qual necessria uma divulgao imediata populao e uma adoo de medidas imediatas, acionado quando as concentraes dos poluentes atingirem um nvel que apresenta risco para a sade, mesmo para uma exposio de curta durao (Tabela 3). Tabela 3 - Limiar de informao e limiar de alerta para o ozono, segundo o Decreto Lei n. 102/2010,

    de 23 de setembro.

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    Poluente Limiar de informao Limiar de alerta Observaes

    SO2