Teste 8º Conto Natal e Mar Me Quer

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Escola Secundria de Casquilhos

Secretaria Regional de Educao, Cincia e Cultura

Escola Bsica Integrada da Praia da Vitria

Grupo IL com ateno o excerto do conto Natal de Miguel Torga que se segue.Secretaria Regional de Educao, Cincia e Cultura

Escola Bsica Integrada da Praia da Vitria

Texto A

PORTUGUS

Teste de Avaliao Sumativa 8 ano

Da a pouco, envolvido pela negrura da noite, o coberto, no desfazendo, desafiava qualquer lareira afortunada. A madeira seca do palanquim ardia que regalava; s de se cheirar o naco de presunto que recebera em Carvas crescia gua na boca; que mais faltava?

Enxuto e quente, o Garrinchas disps-se ento a cear. Tirou a navalha do bolso, cortou um pedao de broa e uma fatia de febra, e sentou-se. Mas antes da primeira bocada a alma deu-lhe um rebate e, por descargo de conscincia, ergueu-se e chegou-se entrada da capela. O claro do lume batia em cheio na talha dourada e enchia depois a casa toda.

- servida?

A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino tambm.

E o Garrinchas., diante daquele acolhimento cada vez mais cordial, no esteve com meias medidas: entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na imagem e trouxe-a para junto da fogueira.

- Consoamos aqui os trs - disse, com a pureza e a ironia dum patriarca. - A senhora faz de quem ; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora indigno, fao de S. Jos.

Miguel Torga, Novos Contos da Montanha1. Muitos leitores de Miguel Torga conhecem este conto e apreciam principalmente o seu final.Qual a tua opinio sobre o modo como termina esta histria?

Gostaste? / No gostaste?

uma boa histria de Natal ou no ? Porqu? O que que faz com este final seja to apreciado? um final feliz? Humano?Escreve a tua opinio num texto que tenha entre 80 e 100 palavras.

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L, agora, atentamente o texto B.

No sei por que Dona Luarmina chorou, quando lhe contei a histria de meu velho. Se foi ela que me pediu! Eu lhe tinha avisado da tristeza dessa memria, mas ela insistiu. Foi s por isso que desatei as lembranas.

Meu pai se chamava Agualberto Salvo-Erro. Em tudo ele seria pessoa. S um seno atrapalhava sua humanidade: meu velho tinha olhos de tubaro. No que fossem olhos de nascena. Aconteceu-se quando, certa vez, ele saltou do barco para salvar sua amada. Era uma moa muito nova que ele encontrara em outras terras. Trazia-a sempre no barco, em companhia das pescas. Fim do dia, antes de trazer o peixe praia, meu pai encaminhava o barco para alm do horizonte para ir deixar a moa. Quem seria tal rapariga, de onde era? Mistrio que ficou e h de ficar com Agualberto.

Nessa tarde, meu pai pescava prximo da nossa praia. O tempo estava encabrinhado. Eu apurava as vistas, tentando espreitar a figura dessa que acompanhava meu pai. Minha me virava as costas ao oceano.

- J viu o pai, l?Minha me nada no respondia. Estava ocupada nas lenhas, no fogo, no jantar. Fiquei assim na berma da praia, olhando o concho alternando-se com o mar, viso e desaparncia. At que, de repente, notei um vulto tombando no mar. Era a moa. Meu pai, em aflio, saltou em socorro dela. Mergulhou na fundura das guas e ficou dentro do mar mais tempo que um peito autoriza. Saram os restantes barcos, em salvao. Contaram-se segundos, minutos, lgrimas, suspiros. S ao fim do dia, meu velho reapareceu na superfcie. J ningum esperava que ele ressurgisse. Mas, para espantao e reza, meu pai golfinhou-se entre as ondas e gritou como se o cu inteiro lhe entrasse no peito. O povo clamava:

- Est vivo! Est vivo!Os pescadores acorreram a recolher o ressurgido companheiro. Festejaram, danando e cantando enquanto os barcos se faziam praia. As mulheres xiculunguelavam. Minha me avanou e se perfilou perante o homem. Que se passaria por detrs daquela aparncia dela? Afinal, essa mulher que meu pai tentara salvar era uma outra, rival e ilegtima. Mesmo assim ela enfrentou meu velho. Seus olhos subiram do cho at se fixarem no rosto dele. Foi quando ela gritou, tapando o rosto com as mos. Os restantes se aproximaram de meu pai e um rumor se espalhou como nuvem fria.

- Os olhos dele!Sim, os olhos de Agualberto no eram os mesmos. Ningum conseguia olhar meu pai de frente. Porque aqueles olhos dele estavam da mesma cor do mar: azuis, de transparncia marinham. Sua humanidade estava lavada a modos de peixe. Ele ficara muitssimo demasiado tempo debaixo do mar. E se espalhou um murmrio de que Agualberto tinha os olhos de tubaro, tal iguais aos grandes e dentilhados bichos.A partir desse dia meu pai se adentrou em si mesmo, toda a hora sentado na praia contemplando o horizonte. Passavam gentes vindas de longe para espreitar de longe o preto com olhos da cor do mar. Minha me, certa vez, me afastou por um brao, e sussurrou uma angstia:

- Essa mulher, outra, ser mesmo que morreu de vez? Todos sabamos que sim, que ela se irremediara nos fundos, l onde os corais florescem em peixes. Todos sabamos menos o velho Agualberto, desguarnecido de noo. Todas as tardes ele levava para dentro do mar cestos com comida e raes de gua doce. Mergulhava e se deixava em permanncia alongada. Depois, regressava superfcie, satisfeito de tudo, medidas as contas com a saudade. De cada vez que vinha tona, porm, seus olhos se exibiam mais azuis. Um dia se lavariam de toda a cor, como as conchas que esbranquiam. Aquilo parecia aplicao de um pressgio, um mapa de seu pensamento: perder as vistas como perdera seu amor. E assim aconteceu: Agualberto ficou de olhos deslavados e nunca mais visitou as profundezas das guas.

Quando o azul lhe saiu dos olhos tambm meu pai se emboreou de casa. Foi-se. Eu era menino, acreditava que tudo tinha remdio. A sada de meu velho foi a primeira crena de que certas coisas, nessa vida, no tm reparo. No mesmo tempo, tive que atender tambm o desjuzo de minha me. Ela no se conformou com aquele abandono. Porque j meu velho se retirara h muito e ainda ela me dizia:

- Espera, Zeca. Primeiro vou pedir as licenas a seu pai! Houvesse injria ou lgrima ela sempre me consolava:

- Deixe que eu vou queixar a seu pai!

Como se a partida dele fosse simples atraso de pescaria. Faz parte dos mandos: nunca se diz a um menino que ele rfo. Assim, minha me vestia ausncia com panos de mentira.

- Esta semana j escreveu cartinha para ele? Eu sorria, triste. Mas ela nem me dava tempo.

- Seu pai haveria de ficar contente em ler um papelinho seu. Ele havia ficar contente a pontos de lgrima.

- Mas, me...- Sabe: um dia, uma lgrima dele caiu l no mar. Ali mesmo, naquela onda onde tombou, a lgrima mudou-se num coral e foi ao fundo. Escreva ao seu pai...

- Mas eu me... Eu nem sei as letras como so.

- Por isso, voc vai ter com o padre, frequentar na misso. Seu pai, depois, lhe h de mandar uns dinheiros.

- Est bem, me.Depois, ela entrava na casinha, parecia atravessar a fogueira bem pelo meio das chamas. Fazia lembrar Maria Bailarinha, modos como ela se antigamentou danando com o fogo. Mas minha me caminhava sobre as fogueiras e nada lhe acontecia. Sem vontade do tempo, eu ficava na praia a passear os olhos pela noite. Minha me voltava, tempos depois, e me dizia:

- V as estrelas, Zeca? Sabe o que elas dizem? - No, me.

- Sabe, filho, a noite uma carta que Deus escreve em letrinhas miuditas. Quando voltar da cidade voc me h de ler essa carta?

- Sim, me.

Mia Couto, Mar Me QuerAgora, responde s seguintes questes de forma clara e completa.

1. Identifica o narrador, justificando a tua resposta com elementos fornecidos pelo texto.

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2. Como classificas o narrador quanto presena? Rodeia a opo correta.a) Heterodiegtico.b) Autodiegtico.c) Homodiegtico.3. Em quem se centra a histria relatada pelo narrador?

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4.1. Identifica o narratrio da histria contada pelo narrador.

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5. A histria relatada pelo narrador uma analepse.

5.1. Esta afirmao quer dizer que a histria aconteceu antes ou simultnea conversa entre as personagens?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

6. Explica como Agualberto Salvo-Erro adquiriu uma caracterstica que o distinguia dos outros seres humanos. No te esqueas de referir que caracterstica era essa.__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________7. Quando o azul lhe saiu dos olhos tambm meu pai se emboreou de casa. Foi-se.

A partida de Agualberto teve consequncias para a mulher e para o filho.

7.1. Transcreve as expresses que sinalizam essas consequncias.

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8. Identifica o recurso expressivo presente na expresso minha me vestia ausncia com panos de mentira (l. 45), explicitando o seu valor expressivo.____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________9. Na tua opinio, por que partiu o pai do narrador? Que relao ter essa sua atitude com o mar?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________Grupo II - GramticaContinua a responder s questes que se seguem de acordo com as orientaes que te so dadas.

10. Eu lhe tinha avisado da tristeza dessa memria, mas ela insistiu.10.1. Indica o tempo, o modo, a pessoa, o nmero e a voz da forma verbal sublinhada na frase.

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10.2. Conjuga o mesmo verbo no pretrito perfeito composto do indicativo.Eu

Tu

Ele

Ns

Vs

Eles

11. Divide e classifica as oraes das frases que se seguem. a) Dona Luarmina chorou, quando lhe contei a histria de meu velho.b) minha me caminhava sobre as fogueiras e nada lhe acontecia.c) A me de Zeca falava sobre o marido como se a partida dele fosse simples atraso de pescaria.d) Passavam gentes vindas de longe para espreitar de longe o preto com olhos da cor do mar.

e) meu pai golfinhou-se entre as ondas e gritou como se o cu inteiro lhe entrasse no peito.a) ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________.

b) ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________.

c) ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________.

d) ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________.

e) _________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________.

11.1. Sublinha em cada frase a conjuno/locuo conjuncional nela presente.12. Identifica as funes sintticas desempenhadas pelas expresses sublinhadas nas frases:a) O tempo estava encabrinhado.______________________________________b) - V as estrelas, Zeca?

______________________________________c) Escreva ao seu pai...

______________________________________13. Mia Couto tem-se distinguido na criao de neologismos.13.1. Retira do texto B dois exemplos de neologismos criados pelo autor.

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14. Identifica o processo de formao de palavras que ter dado origem s palavras sublinhadas nas frases que se seguem:

a) Estes mdicos trabalham para a AMI. ______________________b) Angola um dos PALOP. ___________________c) Gosto de ver filmes cuja ao se desenrola no faroeste. _______________d) Ele passa horas infinitas a navegar na internet. ________________________e) Em Moambique, tirei fotos extraordinrias no Parque Nacional da Gorongosa. ________________Grupo III Produo EscritaA ao do texto B passa-se numa pequena aldeia de Moambique situada junto ao mar. uma aldeia de pescadores.

Imagina esse lugar e escreve um texto, de 150 a 200 palavras, onde o descrevas. Podes referir-te tambm s pessoas que l habitam.Enriquece o teu texto com recursos expressivos e vocabulrio diversificado. No te esqueas que uma descrio deve despertar diferentes sensaes no leitor.No final rev o teu texto.

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Nome: N. .. T.: . Classificao: ...

Prof. Data Entrega: Enc. Ed..

Observaes: ..