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Revista Científica da UFPA http://www.ufpa.br/revistaic Vol 4, abril 2004 VARIAÇÃO LEXICAL E FONÉTICA NA ILHA DO MARAJÓ Arlon Francisco Carvalho Martins. Departamento de Língua e Literatura Vernáculas - Curso de Letras - CLA. (Bolsista PIBIC/CNPq). CEP 66095740 – Belém - Pará. Tel. (91) 236 1465 - 81122197 [email protected] RESUMO Este trabalho estudou a variação lexical e fonética na Ilha do Marajó. A coleta de dados foi feita através da aplicação de um questionário de 256 perguntas. Esse estudo propôs-se a mapear a variação lexical e fonética em cinco localidades da Ilha do Marajó: Anajás, Breves, Salvaterra, Chaves e Melgaço. Em cada localidade foram entrevistados quatro informantes de acordo com os seguintes critérios: sexo, idade e com escolaridade igual ou inferior a 4ª série do ensino primário. Como resultado final, elaboramos 106 cartas Lingüísticas. Enfim, este estudo dá-nos a oportunidade de conhecer tanto a linguagem quanto a cultura, a história e o folclore dessas comunidades. ABSTRACT This work focuses on the lexical and phonetic variation in the Marajó Island. The data was collected by applying a lexical questionnaire (256 questions). The objectif is to map the lexical and phonetic variation in five places of the Marajó Island: Anajás, Breves, Salvaterra, Chaves and Melgaço. In each locality we interviewed four people according to some criteria such as: sex, age and schooling. As final result, we elaborated 106 Linguistic maps that show the relation between the language and the local culture these communities. 1 INTRODUÇÃO Atualmente no Brasil são numerosas as pesquisas que visam descrever a realidade lingüística de várias regiões do país. Em algumas dessas regiões, tais pesquisas já foram concluídas. Essas pesquisas distribuem-se nos vários níveis da linguagem, tais como os níveis fonético, morfológico, lexical e sintático. O trabalho que desenvolvemos buscou descrever e mapear a variação fonética e lexical no português falado na Ilha do Marajó. Esta pesquisa, intitulada Variação Fonética e Lexical na Ilha do Marajó, buscou mapear traços da linguagem falada em localidades rurais da Ilha do Marajó, caracterizando-se, portanto, como uma pesquisa de cunho dialetal. Atualmente já se conhecem muitas peculiaridades da linguagem de algumas áreas do país devido aos resultados de pesquisas que buscaram conhecer a diversidade lingüística do português falado nessas áreas. Segundo BRANDÃO (1991), O Brasil continua a construir vasto campo aberto à pesquisa não só no âmbito das ciências naturais, mas também em áreas como a história, a antropologia e a lingüística. Só neste século se

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VARIAÇÃO LEXICAL E FONÉTICA NA ILHA DO MARAJÓ

Arlon Francisco Carvalho Martins.

Departamento de Língua e Literatura Vernáculas - Curso de Letras - CLA. (Bolsista PIBIC/CNPq). CEP 66095740 – Belém - Pará. Tel. (91) 236 1465 - 81122197 [email protected]

RESUMO

Este trabalho estudou a variação lexical e fonética na Ilha do Marajó. A coleta de dados foi feita através da aplicação de um questionário de 256 perguntas. Esse estudo propôs-se a mapear a variação lexical e fonética em cinco localidades da Ilha do Marajó: Anajás, Breves, Salvaterra, Chaves e Melgaço. Em cada localidade foram entrevistados quatro informantes de acordo com os seguintes critérios: sexo, idade e com escolaridade igual ou inferior a 4ª série do ensino primário. Como resultado final, elaboramos 106 cartas Lingüísticas. Enfim, este estudo dá-nos a oportunidade de conhecer tanto a linguagem quanto a cultura, a história e o folclore dessas comunidades.

ABSTRACT This work focuses on the lexical and phonetic variation in the Marajó Island. The data was collected by applying a lexical questionnaire (256 questions). The objectif is to map the lexical and phonetic variation in five places of the Marajó Island: Anajás, Breves, Salvaterra, Chaves and Melgaço. In each locality we interviewed four people according to some criteria such as: sex, age and schooling. As final result, we elaborated 106 Linguistic maps that show the relation between the language and the local culture these communities.

1 INTRODUÇÃO

Atualmente no Brasil são numerosas as pesquisas que visam descrever a realidade lingüística de várias regiões do país. Em algumas dessas regiões, tais pesquisas já foram concluídas. Essas pesquisas distribuem-se nos vários níveis da linguagem, tais como os níveis fonético, morfológico, lexical e sintático.

O trabalho que desenvolvemos buscou descrever e mapear a variação fonética e lexical no português falado na Ilha do Marajó. Esta pesquisa, intitulada Variação Fonética e Lexical na Ilha do Marajó, buscou mapear traços da linguagem falada em localidades rurais da Ilha do Marajó, caracterizando-se, portanto, como uma pesquisa de cunho dialetal. Atualmente já se conhecem muitas peculiaridades da linguagem de algumas áreas do país devido aos resultados de pesquisas que buscaram conhecer a diversidade lingüística do português falado nessas áreas. Segundo BRANDÃO (1991),

“O Brasil continua a construir vasto campo aberto à pesquisa não só no âmbito das ciências

naturais, mas também em áreas como a história, a antropologia e a lingüística. Só neste século se

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começou a perceber ser preciso conhecê-lo em profundidade, no intuito de descobrir-lhe as peculiaridades e no sentido de registrar e preservar traços culturais de pequenos segmentos da sociedade que, embora relegados ao esquecimento por diversos ramos da ciência, guardam, não obstante, em suas histórias particulares, elos de uma cadeia que não se consegue, de todo, reconstituir”.

Assim, foram elaborados Atlas Lingüísticos1 Regionais, tais com o Atlas Prévio

dos Falares Baianos (ROSSI, 1963), Esboço de um Atlas Lingüístico de Minas Gerais (ZÁGARI et al., 1977), Atlas Lingüístico da Paraíba (ARAGÃO e MENEZES, 1984), Atlas Lingüístico de Sergipe (FERREIRA et al., 1987), Atlas Lingüístico do Paraná (AGUILERA, 1996) e Atlas Lingüístico Sonoro do Pará – ALISPA 1.1 (RAZKY, 2004). Outros, como é o caso do Atlas Geo-Sociolingüístico do Pará (doravante ALIPA), ainda se encontra em fase de elaboração. A pesquisa realizada pelo ALIPA abrange as seis (6) Mesorregiões do Estado do Pará, dentre as quais está a Mesorregião do Marajó.

A pesquisa, feita em cinco (5) localidades dessa região, objetivou observar a diversidade lexical dessas localidades, tendo em vista a relação da linguagem com particularidades relativas aos diversos ramos da atividade humana (economia, política, trabalho, cultura, etc.). Entendemos que é importante empreendermos observações sobre o uso da língua, e visualizar esse uso em relação ao espaço geográfico nos motivou a registrar e representar as variações lingüísticas em mapas, o que nos permitiu situar melhor as áreas em flutuação.

2 OBJETIVOS

O objetivo geral deste trabalho foi mapear a variação lexical2 e fonética em cinco (5) localidades da Mesorregião do Marajó: Breves, Salvaterra, Chaves, Melgaço e Anajás. Para isso, foram elaboradas cartas lingüísticas3, nas quais foram registrados os vocábulos em variação. Ao todo, 106 cartas foram produzidas.

3 MATERIAIS E MÉTODOS

A proposta de pesquisa, intitulada “Variação Lexical e Fonética na Ilha do Marajó”,

propôs um estudo de cunho dialetológico4 na Mesorregião da Ilha do Marajó, ou seja, estudar a linguagem rural de cinco localidades nessa messoregião. A pesquisa incluiu os cinco pontos geográficos já citados que fazem parte da área de pesquisa do projeto ALIPA. Para o tratamento dos dados e elaboração de mapas lingüísticos dispomos de equipamentos e 1 Um atlas lingüístico é um conjunto de mapas em que se registram os traços fonéticos, lexicais e/ou morfossintáticos característicos de uma língua num determinado âmbito geográfico. Em outras palavras, é um repositório de diferentes realizações que constituem as diversas normas que coexistem num sistema lingüístico e que configuram seus dialetos e/ou falares (AGUILERA, 1998). 2 O lexico de uma língua é constituído por um conjunto de vocábulos que representa a herança sócio-cultural de uma comunidade. Em vista disso, torna-se testemunha da própria história dessa comunidade, assim como de todas as normas socias que a regem. (OLIVEIRA, 1998). 3 Na definição de COSERIU (apud BRANDÃO, 1991), “mapa no qual se registram em sua integridade fônica e morfológica as expressões concretamente comprovadas em cada ponto investigado”. Porém, o mesmo lingüista dá uma definição para carta léxica: “mapa em que se registram as palavras empregadas para expressarem o mesmo conceito, independentemente das variações fônicas, isto é, da pronúncia peculiar comprovada em cada ponto”. As cartas que elaboramos, devido ao tema deste trabalho, são um misto destes dois modelos de cartas, pois registramos tanto palavras distintas que expressam o mesmo conceito quanto suas integridades fônicas. 4 Dialetologia, em sentido restrito, é a disciplina que se ocupa do estudo de dialetos e falares, isto é, das variedades de natureza geográfica de uma língua. Em sentido amplo, é a disciplina que tem por objeto de estudo os dialetos, estes considerados como quaisquer variedades de uma língua (BRANDÃO, 1991).

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programas computacionais. Para procedermos com a transcrição fonética utilizamos equipamentos como gravadores e fones de ouvido (de boa qualidade). O sistema de transcrição fonética adotado foi o do IPA (Alfabeto Fonético Internacional), adaptado para as transcrições feitas no âmbito do ALIPA. 3.1 DELIMITAÇÃO DO TRABALHO

Esta pesquisa limitou-se a fazer uma análise sincrônica das palavras. Tentar traçar o percurso histórico sobre o significado que estas palavras tiveram no passado foge à abrangência desta pesquisa. Porém, algumas ocorrências apresentam-se como formas arcaicas que estão relacionadas a variável etária, o que confirma que a linguagem das localidades rurais é a que menos sofreu transformações ao longo do tempo, e só entendendo a formação histórica dessas localidades é que se pode entender o uso e a ocorrência destas palavras. 3.2 METODOLOGIA

Em cada ponto de inquérito, foram entrevistados quatro informantes5, de acordo com a seguinte estratificação: - Sexo: dois homens e duas mulheres; - Idade: dois informantes entre 18 e 30, dois informantes entre 40 e 70.

Quanto à escolaridade, foram escolhidos informantes com escolaridade igual ou inferior ao 4º ano do ensino fundamental. Do ponto de vista de BRANDÃO (1991)

“... torna-se imperativo incluir, entre os critérios de escolha dos indivíduos que servirão

de informantes para a formação do corpus de um Atlas lingüístico, variáveis como idade, sexo, nível de instrução, ou mesmo situação socioeconômica, a fim de que se revelem ao máximo as peculiaridades do sistema dialetal focalizado e se possam melhor conhecer os condicionamentos socioculturais que presidem à distribuição geográfica dos fenômenos lingüísticos.”

As entrevistas foram realizadas por professores pesquisadores6 integrantes do projeto

ALIPA. Estas entrevistas foram gravadas em fitas cassetes e fazem parte do Corpus do projeto. Ao todo foram entrevistados vinte (20) informantes, sendo dez (10) do sexo feminino e dez (10) do sexo masculino.

A coleta de dados foi realizada através da aplicação de um questionário de natureza semântico-lexical, composto de 256 perguntas7. A entrevista foi do tipo pergunta resposta, e, às vezes, houve a necessidade do uso de diálogos para melhor esclarecer a pergunta. O questionário está distribuído em treze campos semânticos, a saber: I - NATUREZA E ACIDENTES GEOGRÁFICOS; II - FENÔMENOS ATMOSFÉRICOS; III - ASTROS E TEMPOS; IV - FLORA; V - ATIVIDADES AGRO-PASTORIS (agricultura, instrumentos agrícolas); VI - FAUNA; VII - CORPO HUMANO (partes do corpo, funções, etc.); VIII - CULTURA E CONVÍVIO; IX - CICLOS DA VIDA; X - FESTAS E DIVERTIMENTOS; XI - HABITAÇÃO; 5 Informante é o nome dado ao falante que faz parte da amostra; o sujeito da análise (TARALLO, 2000). 6 O Professor Orlando Cassique foi o responsável pela pesquisa rural na Mesorregião do Marajó. 7 O questionário piloto é uma adaptação do questionário léxico-semantico do Atlas Lingüístico do Brasil. (RAZKY, apud AGUILERA, 1998).

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XII - ALIMENTAÇÃO E COZINHA; XIII - VESTUÁRIO.

De acordo com a tradição metodológica proposta, foi necessário elaborar quadros, nos quais, foram transcritas, foneticamente, as palavras dadas como respostas para cada questão. As respostas dos informantes foram postas lado a lado a cada pergunta, o que facilitou fazer uma análise quantitativa e comparativa das ocorrências. A etapa de comparação consistiu em confrontar os resultados das cinco (5) localidades. Como resultado, foi necessário elaborar uma escala de freqüência da variação dos vocábulos, escala esta que partiu dos vocábulos mais produtivos para os menos produtivos. A partir desta escala, iniciou-se o processo de elaboração das cartas lingüísticas. A carta nº 1, por exemplo, foi a que apresentou o maior número de variantes lexicais para um mesmo significado. Para darmos início ao processo de elaboração das cartas, foi necessário encontrar um mapa do complexo do Marajó que servisse como matriz8.

Para a produção das cartas utilizamos o programa Microsoft Paint versão 5.1. Com este programa foi possível elaborar o layout, ajustar o padrão de cores, colorir as partes necessárias e inserir os dados. Este processo foi um pouco demorado, em média a produção de uma carta levava duas (2) horas. Pode parecer muito, mas a atenção era redobrada para não cometer erros, e após a conclusão de uma carta havia sempre uma revisão minuciosa para detectar algum possível erro.

4 RESULTADOS Como o levantamento histórico pôde-se observar que quatro municípios que fazem parte desta pesquisa surgiram a partir de Missões Jesuíticas, exceção feita ao município de Breves. Por muito tempo, nessa região, o elemento indígena e o colonizador europeu conviveram dividindo o mesmo espaço, não obstante, fazendo ambos uso de duas línguas, a do índio e a do europeu. Em tais municípios, reporto-me aqui as zonas rurais destes municípios, é fortes a presença de lexias de origem indígena, e lexias de um português remoto. OLIVEIRA (1998) observa que

“... a integração do homem branco com o meio ambiente favoreceu o aparecimento de alterações e acréscimos lexicais por meio de vocábulos e expressões resultantes, não apenas da integração do português em terras brasileiras, mas também de seu convívio com outros idiomas como o do índio, o do negro e os dos povos hispano-americanos”.

8 O mapa do complexo do Marajó foi fornecido pelo professor Carlos Romano, responsável pelo LAENA (Laboratório de Análises Espaciais do NAEA). Estes mapas foram elaborados por Ana Cristina Salim (estagiária UFPA/NAEA/LAENA).

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Figura 1 - Mesorregião da ilha do Marajó

Para um melhor entendimento de leitura espacial das cartas, faz-se necessária primeiramente uma análise da carta legenda.

Figura 2 - Carta Legenda

Dentro do espaço territorial do mapa estão contidos os municípios enumerados de 1 a 5. O ponto de inquérito número 1 é o Município de Melgaço, o número 2 é o Município de Breves, o ponto 3 é o Município de Anajás, o ponto número 4 é o Município de Chaves e o ponto número 5 é o Município de Salvaterra. Embaixo, do lado direito, existe uma cruz na qual estão representados os informantes de acordo com as variáveis sociais. Na parte superior da cruz, estão representados os informantes do sexo masculino (M), e na parte inferior estão

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representados os informantes do sexo feminino (F). Do lado esquerdo da cruz, estão representados os informantes da primeira faixa etária (A), de 18 a 30 anos, e do lado direito estão representados os informantes da segunda faixa etária (B), de 40 a 70 anos9. Na parte direita superior, estão contidos o número da carta, o número da questão do questionário e a respectiva questão. Na parte esquerda superior, existe um único quadrado onde estarão contidas as variantes e os ícones correspondentes, o número de variantes, e a freqüência das variantes. Os vocábulos, dentro do quadrado, estão transcritos foneticamente, e alguns apresentam variação fonética. Contudo, antes de começarmos a análise das cartas, é necessário dizer que muitos vocábulos que ocorrem nessa região não se encontram dicionarizados, e são exclusivos do Marajó. No entanto, muitos desses vocábulos são de origem indígena, outros ainda de um português arcaico. Porém, essas conclusões são tiradas a partir da observação da fonética e da morfologia que essas palavras possuem, e na medida do possível, comprovadas na consulta ao dicionário. Por outro lado, às vezes, por não haver um vocábulo que representasse o objeto que se queria denominar, os informantes recorriam ao uso de expressões completas descritivas. ARAGÃO (1984) estruturou as variantes em formas de lexias simples, compostas, complexas e expressões completas. Em nosso, trabalhos estruturamos as variações em lexias simples e expressões completas. A carta n° 1, correspondente à questão 227 do questionário: “OUTRAS FORMAS DE FECHAR A PORTA: Conhece outras maneiras de fechar a porta?”, apresenta dez (10) variações entre vocábulos e expressões completas. Observa-se também a variação fonética que existe entre cadeado e “cadiado”, este último vocábulo com o primeiro /d/ africado10. Os diferentes vocábulos que ocorrem para denominar os objetos para se fechar a porta vai desde objetos que se pode comprar em lojas, até objetos improvisados.

Figura 3 - Carta nº 1 referente a Questão 227 do Questionário

9 “No que toca às variáveis sociais, cumpre dizer que elas se mostram de particular importância para que melhor se compreendam os fatores que determinam a conservação de certos traços lingüísticos ou a difusão de inovação”. (BRANDÃO, 1991) 10 Na definição de CALLOU & LEITE (1999), consoante africada é aquela que começa como oclusiva e termina como fricativa. O primeiro segmento em ‘bata’, ‘cata’, ‘gata’ é oclusivo ; em ‘faca’, ‘vaca’, ‘zinco’, ‘cinco’ é fricativo. Em ‘tia’ e ‘dia’, na pronúncia carioca, têm-se exemplos sons africados.

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A carta n° 2, correspondente à questão 26 do questionário: “TROMBA D’AGUA... /TORÓ:... uma chuva muito forte e pesada, apresenta doze (12) variações entre vocábulos e expressões completas. A expressão que mais ocorreu foi chuva grossa, cinco vezes, seguida de temporal três vezes, toró e chuva pesada duas vezes cada uma”.

Figura 4 – Carta nº 2 referente a Questão 26 do Questionário

A partir de agora passaremos a analisar apenas vocábulos e expressões que são um tanto quanto curiosos, ou por serem inusitados apresentam um fato curioso que os justificam. A carta n° 3, por exemplo, entre as oito(8) variações para o ESTIAR / COMPOR O SOL, correspondente à questão 35 do questionário, sete (7) resposta são com expressões completas explicativas, apenas um informante do sexo feminino da primeira faixa etária, moradora do município de Breves, conhecia o vocábulo ESTIAR. Em Salvaterra aparecem os vocábulos MORMAÇO e CLARIOU, dados por informantes do sexo masculino de ambas as faixas etárias. O restante dos informantes desconhecia a existência de algum vocábulo para tal fenômeno, e por isso respondiam com uma expressão completa, ou simplesmente não tinham resposta.

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Figura 5 - Carta nº 3 referente a Questão 35 do Questionário

Na carta n° 4, correspondente à questão n° 94 do questionário “FÊMEA QUE ESTÁ

PARA DAR CRIA:... a fêmea que está para dar cria,” dentre os vocábulos mais inusitados que ocorrem estão: mojada - vocábulo não dicionarizado11, prenha – variação do vocábulo dicionarizado PRENHE, e descansar – também dicionarizado com o sentido de dar à luz.

Figura 6 - Carta nº 4 referente a Questão 94 do Questionário

11 De agora em diante quando nos referirmos a um vocábulo dicionarizado tomaremos por base o DICIONARIO AURELIO, 3 edição, 1999.

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Na carta n° 5, correspondente à questão 177 do questionário, “PESSOA SOVINA /

MÃO DE VACA: pessoa que não gosta de gastar o seu dinheiro, e às vezes, até passa dificuldades para não gastar?”, três variações nos chamam a atenção, mão-de-sapo, mão-de-mucura-assada e “sumítico”. As duas primeiras variações são analogias à fisiologia desses animais. Mão-de-mucura-assada é típico de localidades onde esse animal, a mucura12, faz parte dos hábitos alimentares, pois esse animal ao ser levado ao fogo para pelagem fica com a mão fechada, daí a analogia com alguém que não abre a mão para gastar seu dinheiro. A variação sumítico é uma variante de semítico, vocábulo dicionarizado que AURÉLIO (1999) registra como “pertencente ou relativo aos judeus”, daí a analogia com comportamento de avarento que o judeu possui. É interessante notar que este vocábulo ocorreu em Melgaço, Anajás e Chaves, e quem as usou foram três mulheres da segunda faixa etária e uma mulher da primeira faixa etária. Isso nos evidencia que esta palavra é de uso mais antigo, arcaico, mas ainda usada pelos mais velhos nessa região.

Figura 7 - Carta nº 5 referente a Questão 177 do Questionário

Na carta nº 8, referente à questão nº 1 do questionário: TIPOS DE TERRENO: Que tipo de terreno você conhece? Que nome se dá aqui para o terreno ou a terra que fica próxima ao rio? O que vocês podem plantar neste terreno?, aparecem oito (8) variações; o que nos chama a atenção é a variação fonética dos vocábulos várzea e igarapé. Para várzea tivemos as seguintes variações: varje, varja, valja, valje, vaji, vaja. E para igarapé tivemos garapé.

12 Palavra de origem Tupi que significa gambá.

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Figura 8 - Carta nº 8 referente a Questão 01 do Questionário

Comparando as variações para a cria da ovelha, carta nº 11, que ocorrem no Marajó com as designações que ocorrem na Bahia e em Sergipe, as designações borrego e cabrito são designações amplamente usadas. Segundo Suzana CARDOSO (1994), a forma

“... borrego abrange grande parte do território português no sentido sul-norte... A documentação sincrônica e as considerações de ordem diacrônica que, de maneira aligeirada chegamos a fazer, levam-nos a admitir para ‘cria da ovelha’ no Brasil, mais precisamente nessa área dos ‘falares baianos’, três tipos de designações: a) a manutenção de uma forma corrente em Portugal, mais marcadamente no centro-sul, borrego, e já documentada pelo menos a partir de 1510, de caráter inovador no território português e registrada na România, no catalão (borrec), no gascão e no Languedoc (bourrec) e no espanhol (borrego)”.

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Figura 9 -Carta nº 11 referente a Questão 92 do Questionário

Como se pode notar, o vocábulo borrego é bastante arcaico e possivelmente chegou à Ilha de Marajó com os portugueses ainda no século XVI. O vocábulo foi encontrado com apenas uma ocorrência no município de Anajás, e foi usado por uma informante do sexo feminino da segunda faixa etária, o que nos sugere que borrego pertence à linguagem mais antiga. Na carta 16, para a questão 236 do questionário : BÊBADO (DESIGNAÇÕES) Que nomes dão a uma pessoa que bebe demais?, ocorrem dez (10) variações para bêbado, mas dois vocábulos nos chamam a atenção: lambiqueiro e papudinho (papudo). O primeiro é uma analogia a alambique (aparelho de destilação usado para fabricação de cachaça).O segundo, forma dicionarizada mais com outro sentido, “papudinho”, “papudo”.

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Figura 10 - Carta nº 16 referente a Questão 236 do Questionário

Na carta 17, dentre as oito (8) variações para as designações para o cigarro de palha, aparecem os vocábulos tarugo e tauari. Tarugo é forma dicionarizada com outro sentido, diferente do usado por um informante do sexo masculino da primeira faixa etária, o que indica que tarugo é uma inovação. O termo tauari encontra-se dicionarizado e significa “fibra têxtil usado como mortalha de cigarro” (AURÉLIO, 1999).

Figura 11 - Carta nº 17 referente a Questão 237 do Questionário

Na carta 38, referente à questão 41 do questionário: ALVORADA... a claridade do céu antes de nascer o sol?, entre expressões completas e vocábulos, aparecem nove (9)

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designações para alvorada. Porém, a palavra alvorada nessas localidades já tomou um outro sentido. Quando se fazia a pergunta referente à questão nº 41 ninguém respondeu com a palavra alvorada, mas quando perguntado o que eles entendiam por alvorada, alguns responderam que se tratava de uma procissão para homenagear o santo(a) padroeiro, geralmente com muitos cantos religiosos e fogos, realizada no dia santo padroeiro, pela parte da manhã bem cedo, antes dos primeiros raios do sol. Segundo BARBOSA (1998),

“... a mutabilidade lingüística, ao nível do léxico, verificável à medida que signos são criados ou sofrem modificações em seus significados, é um processo inerente à língua e não uma ameaça à sua continuidade. Os sistemas semióticos sustentam-se, com efeito, numa tensão dialética – imprevisível ao seu pleno funcionamento – entre duas forças contrárias, não excludentes mas complementares, a da conservação e a da mudança.”

Figura 12 - Carta nº 41 referente a Questão 38 do Questionário

Para a questão 89, carta 40, JACÁ***/SURRÃO:...esses cestos de vime, de taquara trançada para levar batatas, ( mandioca/macaxeira ) e aipim... ?, ocorrem sete (7) variações, dentre as mais curiosas estão: aricá, jamaxi, atura, paneiro e caçuá. Aricá é forma dicionarizada, porém, com o sentido adverso do que é empregado em Melgaço; jamaxi é uma variante da forma dicionarizada jamaxim, de origem tupi e que significa “cesto para transporte de cargas... provido de alças para ser carregado às costas, preso aos ombros ou à testa” (AURÉLIO, 1999); aturá também se encontra dicionarizado, tem origem tupi e significa “cesto para transporte de cargas... provido de alças para ser carregado às costas, passada à volta da cabeça” (AURÉLIO, 1999); paneiro é forma corrente na Amazônia segundo Aurélio Buarque de Holanda, tem origem espanhola, e significa cesto de tala de palmeira; caçuá tem origem tupi, também se encontra dicionarizado e significa “cesto grande e oblongo, feito de cipós rijos, vime ou fasquias de bambu...” (AURÉLIO, 1999). Com esta carta observa-se a forte influência da língua tupi, não obstante todas as localidades pesquisadas terem um pouco do elemento indígena em suas formações históricas.

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Figura 13 - Carta nº 40 referente a Questão 89 do Questionário

A carta 91 traz cinco variações para CONJUNTIVITE, uma das mais inusitada é sapatão, que Aurélio registra com o significado de ‘lésbica e sapato grande’, mas que em Melgaço e Breves também significam conjuntivite. O vocábulo conjuntivite apresenta cinco variantes fonéticas.

Figura 14 - Carta nº 91 referente a Questão 163 do Questionário

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5 CONCLUSÃO Com a comparação dos resultados entre as localidades observamos alguns fatos que nos indicaram a não adequação de algumas perguntas do questionário à realidade lingüística e cultural dos informantes. Algumas perguntas eram respondidas não com um vocábulo, mas com uma frase descritiva sobre o objeto que se buscava representar. A inexistência do vocábulo, na maioria das vezes, dava-se pela ausência do objeto no mundo cultural do informante ou a comunidade não possuía um vocábulo para representá-lo. Alguns simplesmente não respondiam e outros recorriam à descrição dos objetos que se queria representar. Para verificar o que estamos dizendo, consulte as respostas às perguntas das cartas 41. ALVORADA ... A claridade do céu antes de nascer o sol? e 42. CREPÚSCULO... A claridade do céu depois do pôr do sol? Para estas duas questões, de um modo geral, não havia vocábulos que as representassem. A resposta geralmente era "o sol vem raiando", "o dia que vem clareando", "vem chegando à noite", "tá escurecendo”. Outro fato bastante significativo e que, de certa forma, gratifica o trabalho que desenvolvemos, é constatação da existência de certos vocábulos que representam bem a cultura local dessas comunidades, e que está ligado às atividades exclusivas dessas comunidades. Se observarmos a carta nº 5 relativa a questão 177. PESSOA SOVINA***/MÃO DE VACA...A pessoa que não gosta de gastar seu dinheiro e, às vezes, até passa dificuldades para não gastar? Para esta pergunta a resposta que obtivemos e que retrata bem a cultura local do município de Anajás foi: "mão de mucura assada”, típico de localidades em que a mucura faz parte dos hábitos alimentares, e a analogia da mão do animal, quando assado, com um punho fechado, índice de pessoa miserável, retrata o apelido que se dá para a pessoa sovina. Com a pesquisa histórica desses municípios, pudemos observar a forte influência da língua indígena.

Enfim, este estudo dá-nos a oportunidade de conhecer não apenas a linguagem dessas comunidades, como também um pouco de sua cultura, história, folclore, etc., refletidas na própria língua. Isto evidencia e confirma que língua é inseparável da sociedade, da cultura e da história.

6 PALAVRAS CHAVES

Léxico, Variação, Fonética, Linguagem.

7 AGRADECIMENTOS Agradecimentos ao CNPq por ter financiado esta pesquisa e ter concedido a bolsa de pesquisa; ao Professor Abdelhak Razky (Prof. Dr./UFPA/CLA/Coordenbador do Projeto ALIPA) por ter orientado esta pesquisa; ao Professor Carlos Romano e Ana Cristina Salim (UFPA/ NAEA/LAENA) por terem fornecido o mapa da Mesorregião do Marajó; aos Professores e colegas do Projeto ALIPA, Alcides Lima (Professor - UFPA/CLA), Marilúcia Oliveira (Professora – UFPA/CLA), Simone Negrão (Professora – UFPA/CLA/CAMPUS de SOURE), Raquel Lopes (Professora UFPA/CLA/CAMPUS de ALTAMIRA), Céliane Costa, Adriana Feitosa e demais membros do projeto ALIPA..

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