LÍNGUA EJA PROF. DENILSON SATURNINO PORTUGUESA PROF.ª ... · esquecidas da ousadia de levantar...

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PROF. DENILSON SATURNINO

PROF.ª JOYCE MARTINS

LÍNGUA PORTUGUESA 2ªEJA FASE

Unidade IVCiência: o homem na construção do conhecimento

CONTEÚDOS E HABILIDADES

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Aula 33.1ConteúdoTendências Contemporâneas em Literatura de Língua Portuguesa: África.

CONTEÚDOS E HABILIDADES

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HabilidadeIdentificar a exploração da sonoridade das palavras em textos.

CONTEÚDOS E HABILIDADES

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Tendências Contemporâneas em Literatura de Língua Portuguesa: Portugal:

• José Saramago

REVISÃO

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Você sabia que há países na África que também falam a língua portuguesa?

E, se nesses países fala-se português, será que também se produz literatura de língua portuguesa?

Em sua opinião, quais seriam as temáticas literárias desses países falantes de língua portuguesa?

DESAFIO DO DIA

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O português é língua oficial em:Continente Europeu

PORTUGAL

Continente Americano

BRASIL

Continente Asiático

MacauTimor Leste

Continente Africano

AngolaCabo VerdeGuiné-BissauMoçambiqueSão Tomé e PríncipeGuiné Equatorial

A independência das colônias portuguesas na África.

AULA

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Mia Couto (1955 -) - MoçambiquePseudônimo de Antônio Emílio Leite Couto, romancista e contista, é um dos mais expressivos escritores da literatura de língua portuguesa produzida na África.

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A guerra

A ESTRADA MORTA

Naquele lugar, a guerra tinha matado a estrada. Pelos caminhos só as hienas se arrastavam, focinhando entre cinzas e poeiras. A paisagem se mestiçara de tristezas nunca vistas, em cores que se pegavam à boca.

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Eram cores sujas, tão sujas que tinham perdido toda a leveza, esquecidas da ousadia de levantar asas pelo azul. Aqui, o céu se tornara impossível. E os viventes se acostumaram ao chão, em resignada aprendizagem da morte.A estrada que agora se abre a nossos olhos não se entrecruza com outra nenhuma. Está mais deitada que os séculos, suportando sozinha

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toda a distância. Pelas bermas apodrecem carros incendiados, restos de pilhagens.Na savana em volta, apenas os embondeiros contemplam o mundo a desflorir. Um velho e um miúdo vão seguindo pela estrada. Andam bambolentos como se caminhar fosse seu único serviço desde que nasceram.

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Vão para lá de nenhuma parte, dando o vindo por não ido, à espera do adiante. Fogem da guerra, dessa guerra que contaminara toda a sua terra. Vão na ilusão de, mais além, haver um refúgio tranquilo.

COUTO, Mia. Terra sonâmbula. São Paulo: Companhia das Letras: 2007.

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A cultura

O LUME DA ÁGUA

Estou na margem do rio, contemplando as mulheres que se banham. Respeitam a tradição: antes de entrar na água, cada uma delas pede permissão ao rio:– Dá licença?Que silêncio lhes responde, autorizando que se afundem na corrente? Não é apenas

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a língua local que eu desconheço. São esses outros idiomas que me faltam para entender Luar-do-Chão. Para falar com minha mãe, que vai fluindo, ondeada, até ser foz.As mulheres me olham, provocantes. Ou provoquentes, como diria o Avô. Parecem não ter pudor. Os seios desnudados não são, para elas, uma intimidade com merecimento de vergonha.

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Não se estão apenas divertindo. Estão cumprindo a cerimônia que o nganga ordenou para que a terra voltasse a abrir. A maldição que tombara sobre a nossa Ilha só podia ser vencida por esforço de todos. Em todo lado, os ilhéus enviavam sinais de entendimento com os deuses.

COUTO, Mia. Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. São Paulo: Companhia das Letras: 2007.

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Embora suas histórias falem de um povo que ainda luta para construir um país autônomo, em nenhuma delas essas pessoas tateiam em busca de uma identidade. Elas sabem quem são, conhecem a fundo suas tradições e costumes. A tarefa de aprender essas muitas “línguas”, na verdade, cabe àqueles que, como o escritor, trazem em si

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uma alma africana muitas vezes aprisionada embaixo de algumas camadas da cultura europeia. Por meio dos romances, contos, crônicas e poemas que escreve, Mia Couto vai, aos poucos, dando voz a essa alma.

Maria Luiza M. Abaurre

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(UERJ) Leia.Nesse entretempo, ele nos chamava para escutarmos seus imprevistos improvisos. As estórias dele faziam o nosso lugarzinho crescer até ficar maior que o mundo. Nenhuma narração tinha fim, o sono lhe apagava a boca antes do desfecho. Éramos nós que recolhíamos seu corpo dorminhoso.Não lhe deitávamos dentro da casa: ele sempre recusara cama feita. Seu conceito era que a morte nos apanha deitados sobre a moleza de uma esteira. Leito dele era o puro chão, lugar onde a chuva também gosta de deitar.

DINÂMICA LOCAL INTERATIVA

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Nós simplesmente lhe encostávamos na parede da casa. Ali ficava até de manhã. Lhe encontrávamos coberto de formigas. Parece que os insectos gostavam do suor docicado do velho Taímo. Ele nem sentia o corrupio do formigueiro em sua pele [...]

Mia Couto

DINÂMICA LOCAL INTERATIVA

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A escrita literária de Mia Couto explora diversas camadas da linguagem: vocabulário, construções sintáticas, sonoridade.O exemplo em que ocorre claramente exploração da sonoridade das palavras é:

a) Nesse entretempo, ele nos chamava para escutarmos seus imprevistos improvisos.

b) Não lhe deitávamos dentro da casa: ele sempre recusara cama feita.

c) Ali ficava até de manhã.d) Ele nem sentia o corrupio do formigueiro em sua pele.

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