Carlos Lopes - Dinâmicas de mudança no comércio retalhista em Luanda DW Debate 2014/07/25

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Carlos M. Lopes, pesquisador, professor universitário e também autor da obra “Candongueiros e Kupapatas /Acumulação, risco e sobrevivência na economia informal em Angola”, fez uma apresentação cujo tema foi “Informal versus formal ou informal + formal?: dinâmicas de mudança no comércio retalhista em Luanda”. A apresentação foi baseada num estudo feito por estudantes por alunos da Universidade Agostinho Neto (UAN) no mês de Outubro de 2013 que Lopes desenvolveu após ter contacto com o mesmo. Dentre muitas outras estatísticas, Carlos apresentou dados sobre o comportamento dos consumidores em relação a mercados formais e informais. Todos os dados apresentado e que fazem parte deste estudo foram recolhidos pessoalmente de um grupo de consumidores do mercado formal e informal angolano. “Há muitos anos a economia informal não era reconhecida, mas agora só o facto de o governo ter reconhecido o lado da economia informal é no meu ponto de vista muito importante”. Na mesma linha de pensamento o mesmo disse que “Quem quiser resolver o problema da zunga não pode pensar resolver sem a resolução do desemprego e do engarrafamento.” Palavras de Carlos Lopes.

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  • 1. informal vs formal ou informal + formal? dinmicas de mudana no comrcio retalhista em Luanda Carlos M. Lopes
  • 2. reflexo baseada em: informao emprica sobre a dinmica de diversificao dos espaos de compra formais no contexto angolano e sobre os efeitos induzidos sobre os hbitos de compra dos consumidores levantamento de informao, efectuado pelo Centro de Estudos Inquritos e Sondagens da SINFIC na Provncia de Luanda, no quadro da iniciativa Jornadas de Marketing Research, com a finalidade de conhecer as razes das opes dos consumidores relativamente aos espaos de compra a que recorrem correntemente levantamento de preos de produtos alimentares efectuado em espaos de venda formais, nomeadamente no segmento dos grandes grupos retalhistas(GGR), e em mercados informais. CONTEXTO
  • 3. estrutura da oferta de comrcio a retalho em Angola tem vindo a diversificar-se, continuando a apresentar uma natureza dualista (coabitao de uma componente informal com uma componente informal) Actualmente, essa estrutura inclui: as actividades relacionadas com Hotis, Restaurantes e Cafs (canal HORECA), que se abastece junto do comrcio por grosso e, em alguns casos, directamente, e crescentemente, no sector do aprovisionamento; parte deste canal, no contexto angolano, assume um carcter informal identificando-se um outro segmento que se situa numa zona de ambiguidade que a legislao angolana (Lei n 1/07 de 14 de Maio 2007 das Actividades Comerciais) consagra como comrcio precrio (por exempo, o caso de vrias janelas abertas); o retalho formal tradicional, atomizado (mercearias, drogarias, padarias e pastelarias, talhos, peixarias e um reduzido nmero de mercados locais); as cadeias retalhistas de menor dimenso e de mbito local; ENQUADRAMENTO
  • 4. Actualmente, essa estrutura inclui: os grandes grupos retalhistas (GGR), aqui definidos pelas principais cadeias retalhistas cuja rede de lojas, de pequeno a grande formato (minimercados, supermercados e hipermercados), se comea a estender a todo o territrio nacional; Alimenta Angola Cash and Carry, Casa dos Frescos, Deskonto, Jumbo Grupo Auchan, Hipermercados Kero, Maxi, Mega Cash and Carry, Nosso Super, Poupa L e Shoprite so as principais insgnias presentes no mercado angolano, estando prevista a entrada do grupo portugus SONAE em associao com interesses angolanos; o crescimento, ainda que a ritmo lento, de espaos combinados de compra e consumo, sob o formato de centros comerciais (Belas Shopping, Centro Comercial Frum, MaxiPark so algumas das estruturas j operativas, estando vrias outras projectadas e em concluso); e o segmento do retalho informal, que integra estabelecimentos comerciais, um grande nmero de mercados, o comrcio de rua, o comrcio ambulante e o comrcio porta de casa. ENQUADRAMENTO
  • 5. No existe informao estatstica disponvel e fivel que permita delimitar com rigor a extenso e o peso relativo da componente informal do retalho angolano na satisfao das necessidades dos consumidores. O segmento de retalho informal que se refere aos formatos tradicionais de retalho de baixo custo permanece significativo. Os anos mais recentes apontam para o acentuar de dinmicas de modernizao e competitividade na componente formal do retalho angolano, em particular no segmento dos grandes grupos retalhistas (GGR), com consequncias perceptveis sobre o comportamento de compra dos consumidores angolanos, nomeadamente no que se refere s opes entre os espaos de consumo. ENQUADRAMENTO
  • 6. tendncia no ocorre de forma isolada (encastrada num processo de mudanas na dimenso macro): uma taxa de crescimento mdia do PIB real de 11.6% ao longo da ltima dcada (Angola, Perfil do Sector Privado do Pas, ADB, 2012), reflectida num tambm significativo crescimento do rendimento mdio per capita dos cidados angolanos, (entre 2008 e 2012 cresceu de 4,671 para 5,788 dolares norte americanos); uma gesto macroeconmica prudente que contribuiu tambm para reduzir consideravelmente a inflao de mais de 100% em 2002 para valores prximos dos 10% em 2012 (Angola, Perfil do Sector Privado do Pas, ADB, 2012); desde 2004, investimentos intensivos na reabilitao das infra-estruturas rodovirias, ferrovirias, porturias e aeroporturias a par de investimentos crescentes no sector das guas, energia e comunicaes; progressiva reabilitao das actividades produtivas no petrolferas, nomeadamente da agricultura, banca e seguros, construo, transportes e de alguns subsectores industriais, nomeadamente o da cerveja e outras bebidas, com efeitos substanciais no crescimento da procura interna; ENQUADRAMENTO
  • 7. tendncia no ocorre de forma isolada (encastrada num processo de mudanas na dimenso macro): modernizao da arquitectura institucional e jurdica de regulao da actividade econmica, nomeadamente o progressivo ajustamento da legislao sobre o investimento privado (foi aprovada em 2011 a nova Lei do Investimento Privado - Lei n. 20/11 de 20 de Maio de 2011) e sobre as micro, pequenas e mdias empresas (Lei n. 30/11 de 13 de Setembro de 2011) ou a recm iniciada reforma do sistema tributrio; no entanto, o ambiente empresarial permanece ambguo e apresenta constrangimentos significativos, por exemplo no que se refere ao acesso a alvars, a registos de propriedade, execuo de contratos, entre outros; iniciativas do Executivo orientadas para a modernizao da actividade comercial (desburocratizao, simplificao, facilitao,especializao e modernizao do sistema de licenciamento, organizao e gesto do cadastro comercial) e para a sua progressiva formalizao (Programa de Reconverso da Economia Informal - PREI, Balco nico do Empreendedor - Bu); ENQUADRAMENTO
  • 8. tendncia no ocorre de forma isolada (encastrada num processo de mudanas na dimenso macro): transio demogrfica numa populao que extremamente jovem (de acordo com os dados do IBEP 2008/09, realizado pelo INE, 48% tem menos de 15 anos e apenas 2% tem 65 anos ou mais. A idade mdia de 18 anos, com uma esperana mdia de vida de 51 anos), com reflexos no acesso crescente dos jovens ao mercado de consumo; manuteno das tendncias de crescente urbanizao da populao, sobreconcentrada na capital e em algumas capitais provinciais, anteriormente determinadas pelo conflito militar e, mais recentemente, pelas expectativas proporcionadas pela possibilidade de deslocao para o acesso educao, a melhores servios de sade, a oportunidads de emprego e de negcio; e crescente acesso educao e informao dos angolanos (escola e internet), mobilidade e ao conhecimento de outras realidades, num contexto de globalizao, indutor de apropriao de preferncias e de prticas de consumo. ENQUADRAMENTO
  • 9. O mercado de consumo angolano, em fase de expanso, apresenta como caracterstica mais relevante a emergncia de uma classe mdia urbana, em processo de alargamento nos seus escales inferiores e de aumento do seu poder aquisitivo nos nveis superiores. Maioritariamente jovens, os consumidores angolanos revelam-se mais escolarizados e mais informados, fazem as suas opes de compra orientados pela qualidade e pela conscincia e fidelidade de marca, aderem facilmente s novas modas, s novas tendncias, s novas tecnologias e preferem experincias de consumo de carcter moderno e sofisticado. A sensibilidade relativamente ao preo e s actividades promocionais um outro trao do perfil que caracteriza essa categoria de consumidores. ENQUADRAMENTO
  • 10. perfil de tendncia de mercado e de caractersticas dos consumidores est alinhado com o que se passa em alguns dos mais importantes pases africanos; uma pesquisa realizada em 2012, A asceno do consumidor africano, da responsabilidade da McKinseys Africa Consumer Insights Center, auscultou 13.000 informantes das grandes cidades de 10 pases africanos; relatrio aponta para nveis elevados de consumo privado no continente africano que, em 2011, suplantavam os da ndia ou da Rssia; crescimento acelerado do mercado de consumo africano regista nveis de concentrao elevados: 81% do consumo privado africano concentra-se em 10 pases, entre os quais se encontra Angola; pesquisa reporta o crescimento nestes 10 pases frica do Sul, Angola, Arglia, Egipto, Gana, Marrocos, Nigria, Qunia, Sudo e Tunsia de uma classe de consumidores urbanos, jovens, com nvel crescente de escolarizao, optimistas e maioritariamente adeptos da realizao de compras em espaos de consumo formal. ENQUADRAMENTO
  • 11. estudo refere que a procura por espaos de consumo formal elevada, nomeadamente em pases como a Angola, Arglia e Senegal, onde mais de 60% dos infor