DINO SANI (depoimento, 2011) - cpdoc.fgv.br .... mas só pra retomar e pra ... pouquinho pra gente

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  • FUNDAO GETULIO VARGAS CENTRO DE PESQUISA E DOCUMENTAO DE

    HISTRIA CONTEMPORNEA DO BRASIL (CPDOC)

    Proibida a publicao no todo ou em parte; permitida a citao. A citao deve ser textual, com indicao de fonte conforme abaixo.

    SANI, Dino. Dino Sani (depoimento, 2011). Rio de Janeiro, CPDOC/FGV, 2011. 68 p.

    DINO SANI (depoimento, 2011)

    Rio de Janeiro 2011

  • Transcrio

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    Nome do Entrevistado: Dino Sani

    Local da entrevista: Museu do Futebol, So Paulo

    Data da entrevista: 03 de junho 2011

    Nome do projeto: Futebol, Memria e Patrimnio: Projeto de constituio de um acervo de

    entrevistas em Histria Oral.

    Entrevistadores: Paulo Fontes (CPDOC/FGV), Clarissa Batalha (Museu do Futebol) e

    Fernando Herculiani (CPDOC/FGV)

    Cmera: Eduardo Ferraz

    Transcrio: Lia Carneiro da Cunha

    Data da transcrio: 01 de agosto de 2011

    Conferncia de Fidelidade: Fernando Herculiani

    ** O texto abaixo reproduz na ntegra a entrevista concedida por Dino Sani em 03/06/2011. As partes destacadas em vermelho correspondem aos trechos excludos da edio disponibilizada no portal CPDOC. A consulta gravao integral da entrevista pode ser feita na sala de consulta do CPDOC.

    Dino Sani Eu no j estive... Eu j estive aqui.

    Paulo Fontes Ah ...

    D.S. Parece...

    P.F. Eu vou fazer uma rpida introduo de quem que a gente , um pouco o objetivo, um pouco dessa entrevista. J devem ter falado para o senhor, mas s pra retomar e pra gravar.

    D.S. T bom...

    Eduardo Ferraz1 Quando vocs quiserem... T rodando.

    P.F. T rodando? Ento t. Boa tarde, hoje 3 de junho de 2011. Entrevista com Dino Sani, feita por Paulo Fontes, Clarissa2 Batalha e Fernando Herculiani. Aqui no Museu do Futebol em So Paulo. ... S para explicar, j devem ter falado isso pro senhor, mas s pra explicar um pouco como vai funcionar essa entrevista e os objetivos dela. Ela faz parte de um projeto que est sendo feito pelo CPDOC l da Fundao Getlio Vargas, onde eu trabalho, o Fernando tambm, com o Museu do Futebol, onde a Clarice trabalha, com jogadores que fizeram parte das copas do mundo. um projeto financiado pela FAFESP, que uma fundao aqui de So Paulo, de apoio pesquisa acadmica.E a gente est fazendo uma srie de entrevistas com jogadores de futebol que fizeram parte da Copa do Mundo, como eu falei. O senhor a segunda entrevista que est sendo feita. Foi feita uma anteriormente com o jogador Cabeo, que participou da Copa de 1954. A...

    1 Eduardo Ferraz foi o responsvel pela gravao. 2 O nome da entrevistadora Clarissa.

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    D.S. O goleiro, n?

    P.F. O goleiro ... Portanto, o foco bastante das perguntas que a gente vai fazer, usando essa metodologia que chama histria oral, vamos entrevistar o senhor, falar um pouco da vida toda do senhor, mas o foco vai ser bastante a participao do senhor na Copa do Mundo, em particular, de 58. Para fazer isso, obviamente, a gente vai ter que percorrer um pouco a histria de vida do senhor, a histria do senhor como jogador profissional, e vamos pegar um pouco depois tambm. Mas, sem dvida, como o projeto focado nos jogadores e na questo da copa do mundo, a a gente vai ter um pouquinho mais de detalhes. S pro senhor j um pouco antever isso. Ento, eu vou comear um pouco com os dados mais gerais. Eu vou perguntando, e o pessoal vai entrando na medida que eles julgarem necessrio, importante, fiquem a vontade. ... Ento eu queria que o senhor falasse o seu nome completo, a data e o local de nascimento.

    D.S. Bom. Dino Sani. Nasci em So Paulo, dia 23 de maio de 1932. Faz tempo, hein. Portanto, eu comecei a jogar futebol desde moleque, com doze anos, onze anos, no Palmeiras. Eu no sei se foi 1945, 1946. Por a. A fiz infantil, passei pelo infantil, depois entrei em juvenil, amador, aspirante, porque existia toda essa categoria quela poca, e depois profissional. Isso, aspirante foi em 1949 e profissional foi em 19... No. . Aspirante, fim de 1949 a... E profissional tambm.

    P.F. Mas antes um pouquinho da gente entrar na coisa do futebol mesmo, conta um pouquinho pra gente como que era a famlia do senhor, onde o senhor morava.

    D.S. Ah... Eu morava na rua Diana, aqui perto.

    P.F. Aqui na Lapa? No. Perdizes.

    D.S. A na Pompia. Perdizes, Pompia, no sei. Bem a cinqenta metros do estdio, do Palestra Itlia. Era Palestra Itlia ainda. E eu saa de casa, corria cinqenta metros de rua, pulava o rio, tinha um riozinho ali, subia no muro e caa dentro do Palmeiras. Ia brincar l dentro. E ia treinar tambm, porque eu tinha onze, doze anos a.

    P.F. A famlia do senhor, pelo... Por esse sobrenome, eu suponho que sejam de ascendncia italiana.

    D.S. So italianos, . Meus avs...

    P.F. O pai do senhor j era italiano?

    D.S. Meus avs, os quatro avs italianos, da Toscana. Dois da Toscana e dois de Ferrara. E...

    P.F. E eles faziam o qu? A famlia do senhor...

    D.S. Eles [trabalhavam]3... Vieram com o Matarazzo, meus avs. Vieram na poca dos Matarazzo. Eles que ajudaram o Matarazzo a ser o que foi o Matarazzo n, aquela potncia enorme. E ns morvamos ali na rua Diana, no nmero 52.

    3 Palavra de difcil compreenso.

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    P.F. Eles trabalhavam na fbrica que tinha ali?

    D.S. Aqui no transporte. Meu pai trabalhava no transporte. A famlia toda trabalhava no Matarazzo. Outros no Belenzinho, outros no Central: na Central, l na Anhangaba, no escritrio central, que era o meu tio que trabalhava l. Um dos irmos do meu pai. E meu pai trabalhava no transporte, aqui, que ele era o chefe de todo esse transporte do Matarazzo, que distribua a mercadoria que eles vendiam n. Portanto eu comecei, depois de entrar no Palmeiras, desde infantil...

    P.F. O senhor tinha irmos?

    D.S. Tinha um irmo mais novo e duas irms mais velhas. E agora, todos os trs j faleceram, meus pais tambm, est restando o nico, que sou eu, que estou aqui. Ainda estou meio vivo ainda. (ri) Portanto comecei ali, no infantil. Pulava o muro, ia brincar l dentro, ia treinar no infantil, e jogava j. Tinha campeonato infantil do Palmeiras, que jogava no domingo de manh, ali naquele campinho que hoje era a piscina, no sei se destruram aquilo agora. E ali comeou: infantil, juvenil, amador, aspirante, profissional.

    P.F. Os pais do senhor no implicavam do senhor querer jogar futebol?

    D.S. No, no. Meu pai no implicava, no falava nada. Acho que ele nunca foi me ver jogar bola. Acho que ele no foi, no. Eu nunca vi ele tambm. Ou ele olhava escondido. No sei. Eu sei que eu me encaminhei sozinho. Ningum me levou. Eu que fui pra l. Eu gostava muito de jogar bola. Jogava bola na rua tambm, aquelas peladas da molecada, vinha com os dedos tudo arrebentado. quela poca, a gente andava muito descalo, ento na hora na pelada, meu filho, a gente chutava pedra, chutava tudo, viu. Aparecia ali, a gente chutava.

    P.F. Mas eles no acham ruim que o senhor estava indo jogar ao invs de estudar?

    D.S. No, no.

    P.F. No tinha esse tipo de...

    D.S.- Nunca falou nada. Nunca falou nada, nunca incentivou tambm. Eu fui por conta e eu mesmo tomei a direo do negcio. E subi. Subi, cheguei a profissional do Palmeiras. Fiquei um ano como profissional. A apareceu o XV de Ja, da segunda diviso, montando uma equipe boa, levou cinco jogadores emprestados do Palmeiras para Ja. Foi no ano que ns fomos campees da segundona. E viemos para a primeira.

    P.F. Que ano foi isso?

    D.S. 1951.

    P.F. 1951... Quer dizer, antes ento, o percurso do senhor foi basicamente dentro do Palmeiras. O senhor no chegou a jogar.... Foi pelada de molecada e no Palmeiras, o senhor no chegou a jogar na vrzea.

    D.S. Jogava na vrzea, sim, no sbado...

    P.F. Ah, no sbado...

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    D.S. No sbado, aqui no campo... ainda na Sumar, no campo do Flor da Vila Pompia. A gente jogava ali. Tinha uns campinhos ali, a gente jogava no sbado. A gente jogava toda hora.

    Clarissa Batalha Na escola, jogava tambm?

    D.S. Jogava. Mas s que na escola, na Oswaldo Cruz, era handebol, no era futebol. Como era l no largo do Arouche e no tinha campo de futebol, tinha uma quadra de... era um ptio, e eles faziam, na hora da educao fsica, eles davam handebol para ns. E a se metia l no handebol, que era uma beleza porque, nada de estudo, s bola, bola. Mas foi uma fase muito boa.

    P.F. O senhor foi criana na poca da guerra, n...

    D.S. Em 40 e...

    P.F. - Em 1944, 1945.

    D.S. 1942, no ? Parou em 1944, parece.

    P.F. 1945. O senhor tem lembrana disso?

    D.S. 1939, 1930, 1939. Eu no sei. Foi na poca da guerra. Eu era... tinha o qu? Dez anos, oito anos.

    P.F. Mas o senhor tem alguma lembrana disso?

    D.S. Tenho, porque meu tio, um dos meus tios foi para a guerra, foi para a Itlia...

    P.F. Foi como pracinha?

    D.S. ... Voltou mas voltou meio bobo, por causa das bombas l, ele veio meio tonto, meio... ruim da cabea. E no ficou bom mais no. Continuou a vida assim, com a cabea perturbada. Disse que era muita bomba, muito no sei o qu e... perturbava o negcio, perturbou a cabea.

    P.F. O fato de vocs serem de famlia de ascendncia italiana e a Itlia estar no outro lado, no incio da guerra, is