Fernando Pessoa Ortónimo

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Fernando Pessoa ortnimoCaratersticas temticas Identidade perdida e incapacidade de definio Conscincia do absurdo da existncia Para ele, a realidade no apenas aquilo que se v superficialmente Tenso sinceridade / fingimento, conscincia /inconscincia Oposio: sentir / pensar, pensamento / vontade, esperana e desiluso Anti sensacionismo: intelectualizao da emoo Estados negativos: solido, ceticismo, tdio, angstia, cansao, nusea e desespero Inquietao metafsica Neoplatismo: Tentativa de superao da dor, do presente, etc., atravs da evocao da infncia, idade de ouro, onde a felicidade ficou perdida e onde no existia o doloroso sentir Refgio no sonho, no ocultismo (correspondncia entre o visvel e o invisvel) Criao dos heternimos (S plural como o Universo!) Intuio de um destino coletivo e pico para o seu Pas (Mensagem) Renovador de mitos A viso do mundo exterior fabricada em funo do sentimento interior Reflexo sobre o problema do tempo como vivncia e como fator de fragmentao do eu O presente o nico tempo por ele experimentado (em cada momento se diferente do que se foi) Tem uma viso negativa e pessimista da existncia; o futuro aumentar a sua angstia porque o resultado de sucessivos presentes carregados de negatividade

Caratersticas estilsticas Simplicidade formal; rimas externas e internas; redondilha maior (gosto pelo popular) d uma ideia de simplicidade e espontaneidade Grande sensibilidade musical: Eufonia harmonia de sons Aliteraes, encavalgamentos, transportes, rimas, ritmo Verso geralmente curto (2 a 7 slabas) Predomnio da quadra e da quintilha Adjetivao expressiva Economia de meios: Linguagem sbria e nobre equilbrio clssico Pontuao emotiva Uso frequente de frases nominais Associaes inesperadas [por vezes desvios sintticos enlage Comparaes, metforas originais, oximoros Uso de smbolos Reaproveitamento de smbolos tradicionais (gua, rio, mar...)

Temticas O sonho, a interseo entre o sonho e a realidade (exemplo: Chuva oblqua E os navios passam por dentro dos troncos das rvores); A angustia existencial e a nostalgia da infncia (exemplo: Pobre velha msica Recordo outro ouvir-te./No sei se te ouvi/Nessa minha infncia/Que me lembra em ti. ; Distncia entre o idealizado e o realizado e a consequente frustrao (Tudo o que fao ou medito); Mscara e o fingimento como elaborao mental dos conceitos que exprimem as emoes ou o que quer comunicar (Autopsicografia, verso O poeta um fingidor); A intelectualizao das emoes e dos sentimentos para a elaborao da arte (exemplo: No sei quantas almas tenho O que julguei que senti) ; O ocultismo e o hermetismo (exemplo: Eros e Psique) O sebastianismo (a que chamou o seu nacionalismo mstico e a que deu forma na obra Mensagem; Traduo dos sentimentos nas linguagem do leitor, pois o que se sente incomunicvel.

Sinceridade/fingimento Intelectualizao do sentimento para exprimir a arte -> poeta fingidor Despersonalizao do poeta fingidor que fala e que se identifica com a prpria criao potica Uso da ironia para pr tudo em causa, inclusive a prpria sinceridade Crtica de sinceridade ou teoria do fingimento est bem patente na unio de contrrios

Conscincia/inconscincia Aumento da autoconscincia humana (despersonalizao) Tentativa de resposta a vrias inquietaes que perturbam o poeta

Sentir/pensar Concilia o pensar e o sentir Nega o que as suas percees lhe transmitem Recusa o mundo sensvel, privilegiando o mundo inteligvel Fragmentao do eu Intersecionismo entre o material e o sonho; a realidade e a idealidade; realidades psquicas e fsicas; interiores e exteriores; sonhos e paisagens reais; espiritual e material; tempos e espaos; horizontalidade e verticalidade.

O tempo e a degradao: o regresso infncia Desencanto e angstia acompanham o sentido da brevidade da vida e da passagem dos dias Busca mltiplas emoes e abraa sonhos impossveis, mas acaba sem alegria nem aspiraes, inquieto, s e ansioso. O passado pesa como a realidade de nada e o futuro como a possibilidade de tudo. O tempo para ele um fator de desagregao na medida em que tudo breve e efmero. Procura superar a angstia existencial atravs da evocao da infncia e de saudade desse tempo feliz.(aparentemente)

O tdio, o cansao de viverO poeta constata que no ningum, ele nada o sonho de ir mais alm desaparece. Diz que no sabe nada, no sabe sentir, no sabe pensar, no sabe querer, ele um livro que ficou por escrever. Ele o tdio de si prprio: est cansado da sua vida, est cansado de si.Poemas- Meu corao 1 prtico partido: fragmentao do eu

- Hora Absurda: fragmentao do eu e intersecionismo

- Chuva Oblqua: fragmentao do eu: o sujeito potico revela-se duplo, na busca de sensaes que lhe permitem antever a felicidade ansiada, mas inacessvel;E intersecionismo impressionista: recria vivncias que se intersecionam com outras que, por sua vez, do origem a novas combinaes de realidade/idealidade.

- Auto psicografia: Dialtica entre o eu do escritor e o eu potico, personalidade fictcia e criadora- Criao de 1 personalidade livre nos seus sentidos e emoes sinceridade de sentimentos- O poeta codifica o poema que o recetor descodifica sua maneira, sem necessidade de encontrar a pessoa real do escritor- O ato potico apenas comunica 1 dor fingida, pois a dor real continua no sujeito que tenta 1 representao.- Os leitores tendem a considerar uma dor que no sua, mas que apreendem de acordo com a sua experincia de dor.- A dor surge em 3 nveis: a dor real, a dor fingida e a dor lida A arte nasce da realidade A poesia consiste no fingimento dessa realidade: a dor fingida ou intelectualizada A intelectualizao expressa de forma to artstica que parece mais autntica que a realidade Relao do leitor com a obra de arte: No sente a dor real (inicial): essa pertence ao poeta No sente a dor imaginria: essa pertence ao criador (poeta) No sente a dor que ele (leitor) tem Sente o que o objeto artstico lhe desperta: uma quarta dor, a dor lida A obra autnoma, quer em relao ao leitor, quer em relao ao autor (vale por si)H uma intelectualizao da emoo: recebido um estmulo (emoo) dado pelo corao que intelectualizado pela razo ; o que surge na criao so as emoes intelectualizadas. Ou seja, o pensar domina o sentir a poesia um ato intelectual.Ela canta pobre ceifeira a ceifeira representa os sensacionistas e o seu canto seduz o poeta, que mesmo assim no consegue deixar de pensar; o poeta quer o impossvel: ser inconsciente mas saber que o , sentir sem deixar de pensar o seu ideal de felicidade; acaba por verificar que s os sensacionistas so felizes, pois limitam-se a sentir e tem ento um desejo de aniquilamento; musicalidade produzida pelas aliteraes, transporte, metfora e quadra.

No sei se sonho, se realidade exprime uma tenso entre o apelo do sonho (caraterizado pela tranquilidade, sossego, serenidade e afastamento) e o peso da realidade; a realidade fica sempre aqum do sonho e mesmo no sonho, o mal permanece frustrao; conclui que a felicidade, a cura da dor de viver, de pensar, no se encontra no exterior mas no interior de cada um.

No sei quantas almas tenho o poeta confessa a sua desfragmentao em mltiplos eus, revelando a sua dor de pensar, porque esta diviso provm do facto de ele intelectualizar as emoes; a sucessiva mudana leva-o a ser estranho de si mesmo (no reconhece aquilo que escreveu); metfora da vida como um livro: l a sua prpria histria (despersonalizao, distancia-se para se ver)

Entre o sono e o sonho - smbolo do rio: diviso, separao, fluir da vida percurso da vida; a imagem permanente da diviso e evidencia a incapacidade de alterar essa situao (o rio corre sem fim efemeridade da vida); no presente, tal como no passado e no futuro (fatalidade), o eu est condenado diviso porque condenado ao pensamento (se fosse inconsciente, no pensava e por isso no havia possibilidade de haver diviso); tristeza, angstia por no poder fazer nada em relao diviso que h dentro de si; metfora da casa como a vida: o seu eu uma casa com vrias divises fragmentaoBoiam leves, desatentos - poema apresenta um conjunto de elementos que sugerem indefinio e estagnao, estados que provocam o tdio e o cansao de viver (boiam, sono, corpo morto, folhas mortas, guas paradas, casa abandonada); todos estes elementos apontam para a dor, a incapacidade de viver, a angstia, o tdio; os seus pensamentos andam como que deriva, no tm onde ficar, pois ele nada; so insignificantes, sem consistncia, vagos, sem contedo; impossibilidade do sujeito sair do estado de estagnao em que se encontra (entre a vida e a no vida); musicalidade: transporte, anfora (repetio duma palavra), ritmo (lento, parado como ele)Aqui na orla da praia, mudo e contente do mar o sujeito potico no quer desejar muito mais para alm do que natural e espontneo na vida; tudo aquilo a que o homem se pode agarrar imperfeito e intil (ex: amor); a melhor maneira de passar pela vida no desejar, no se sentir atrado por nada (apatia, cansao total); revela um certo desejo de morte porque j no quer nada; desejo de comunho com a natureza.

Fernando Pessoa conta e chora a insatisfao da alma humana. A sua precariedade, a sua limitao, a dor de pensar, a fome de se ultrapassar, a tristeza, a dor da alma humana que se sente incapaz de construir e que, comparando as possibilidades miserveis com a ambio desmedida, desiste, adormece num mar de sargao e dissipa a vida no tdio.Os remdios para esse mal so o sonho, a evaso pela viagem, o refgio na infncia, a crena num mundo ideal e oculto, situado no passado, a aventura do Sebastianismo messinico, o estoicismo de Ricardo Reis, etc.. Todos estes remdios so tentativas frustradas porque o mal a prpria natureza humana e o tempo a sua condio fatal. uma poesia cheia de desesperos e de entusiasmos febris, de nusea, tdios e angstias iluminados por uma inteligncia lcida febre de absoluto e insatisfao do relativo.TemticasEstilsticas

Nvel FnicoNvel Morfossinttico e semntico

Conscincia do absurdo da existncia, recusa da realidade, incapacidade de viver; Oposies: pensar/sentir, conscincia/inconscincia, pensamento/vontade, esperana/desiluso

Conduzem a: Tdio; angustia; melancolia; desespero; nusea; nostalgia de bem perdido (tema da perda); Abdicao, desistncia; abulia; dificuldade em distinguir o sonho da realidade; Solido, egotismo, ceticismo, anti sentimentalismo; Inquietao metafsica, dor de pensar, dor de viver

Busca de superao atravs de: Evocao da infncia (enquanto smbolo de uma felicidade); Iluso no sonho; Ocultismo (procura de uma correspondncia entre o visvel e o invisvel); Fingimento (enquanto alienao de si prprio, processo criativo e mscara) - heteronmiaMusicalidade: Versificao regular e tradicional (vertente tradicionalista: predomnio da quadra e da quintilha e do verso curto (duas a setes slabas)); Rima, ritmo, aliterao, onomatopeia Encavalgamento Linguagem sbria e nobre; Expressividade dos modos e tempos verbais, com preferncia pelo presente do indicativo; Equilbrio clssico; Sintaxe simples; Adjetivao expressiva Paralelismos e repeties Uso de smbolos: reaproveitamento de smbolos tradicionais; passagem de uma imagem-smbolo nacional reflexo sobre o smbolo; Imprevisibilidade: metforas inesperadas; desarticulao sinttica; Expressividade da pontuao; interrogaes, exclamaes, reticncias; Uso de frases nominais; Metforas, comparaes e imagens; Antteses; Paradoxos; Oximoros.