Fluxo de Caixa na Gestão Financeira das Empresas. Caso ... · DFC – Demonstração do Fluxo de...

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  • Universidade Jean Piaget de Cabo Verde

    Campus Universitrio da Cidade da Praia Caixa Postal 775, Palmarejo Grande

    Cidade da Praia, Santiago Cabo Verde

    30.12.11

    Maria Jos Agues Cardoso

    Maria Jos Agues Cardoso

    Fluxo de Caixa na Gesto Financeira das Empresas.

    Caso Rdio Televiso Cabo-verdiana (RTC)

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    Maria Jos Agues Cardoso, autora da

    monografia intitulada Fluxo de Caixa na

    Gesto Financeira das Empresas - Caso

    Rdio Televiso Cabo-verdiana (RTC),

    declaro que, salvo fontes devidamente citadas

    e referidas, o presente documento fruto do

    meu trabalho pessoal, individual e original.

    Cidade da Praia, ao 20 de Dezembro de 2011

    Maria Jos Agues Cardoso

    Memria Monogrfica apresentada

    Universidade Jean Piaget de Cabo Verde

    como parte dos requisitos para a obteno do

    grau de Licenciatura em Economia e Gesto

    Auditoria Financeira.

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    Sumrio

    O presente trabalho intitula-se Fluxo de caixa na gesto financeira das empresas, tem como

    principal objectivo analisar a importncia desse instrumento na gesto financeira.

    Tendo em conta a importncia da DFC na tomada de decises nas organizaes, este trabalho

    tem como vertente prtica o estudo de caso da empresa Rdio Televiso Cabo-Verdiana

    (RTC) em que so analisadas a Demonstrao de Fluxo de Caixa dos ltimos 3 anos, bem

    como todos os instrumentos necessrios para a sua elaborao (Balano, Demonstrao de

    Resultados). Foi utilizada tambm como metodologia a entrevista; a anlise dos indicadores

    financeiros e econmicos possibilitando a anlise da situao financeira da empresa. Para a

    fundamentao terica fez-se um estudo documental abordando os principais conceitos

    relacionados com o fluxo de caixa e gesto financeira.

    Os resultados obtidos mostram que o fluxo de caixa uma ferramenta importante que possui

    grande utilidade na gesto financeira, pois os administradores e gestores tero uma

    informao real da situao financeira no presente e planear o futuro.

    Pode-se confirmar que o fluxo de caixa um excelente instrumento para tomada de deciso

    que envolvam meios financeiros tornando a sua anlise fundamental para a continuidade dos

    negcios das empresas. Contudo, necessrio estruturar um modelo de fluxo de caixa com

    uma capacidade informativa de fcil interpretao, tanto para administradores financeiros

    como para credores, accionistas e outros utentes no processo de planeamento e controle

    empresarial, auxiliando-o no processo decisrio, assim como evidenciando o reflexo na sade

    financeira da empresa.

    Palavras-chave: Fluxo de Caixa, Gesto Financeira e Deciso

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    Agradecimentos

    Primeiramente agradeo a Deus por me ter dado vida e coragem para o alcance de um

    objectivo durante todo este percurso.

    Aos meus familiares, meus irmos, meus primos entre outros pela fora quem me deram.

    Ao meu orientador, Sr Gabriel Silva Gonalves pela sua orientao.

    A todos os professores que expressaram suas opinies e sugestes para melhoria do trabalho,

    em especial aos meus professores Cipriano Carvalho e Incio Vera Cruz pelo apoio e

    documentos disponibilizados para a realizao deste trabalho.

    Ao meu namorado Jairson Monteiro pela pacincia e pelo apoio que me deu nos ltimos

    meses do curso e na realizao deste trabalho.

    Aos meus amigos e colegas do Piaget, em particular os alunos de Economia e Gesto

    variante Auditoria Financeira.

    E, por fim, gostaria tambm de agradecer a todos que contriburam, ainda que indirectamente,

    para a realizao do mesmo,

    Muito Obrigada!

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    NDICE

    Introduo 13 1.1 Contextualizao ...................................................................................................... 13 1.2 Justificao da escolha do tema ................................................................................ 14 1.3 Pergunta de partida ................................................................................................... 14

    1.4 Hiptese ................................................................................................................... 15 1.5 Objectivos ................................................................................................................ 15

    1.5.1 Objectivo geral ............................................................................................................ 15 1.5.2 Objectivos especficos ................................................................................................. 15 1.6 Estrutura da Monografia ........................................................................................... 15

    Capitulo I: Abordagem Terica e Metodolgica 17 1.1 Referencial terico ................................................................................................... 17 1.1.1 Conceitos, objectivo e importncia das Demonstraes Financeiras............................. 17

    1.1.2 Elementos das Demonstraes Financeiras .................................................................. 18

    1.1.3 Caractersticas qualitativas das demonstraes financeiras........................................... 18 1.1.3.1 Compreensibilidade .................................................................................................. 19

    1.1.3.2 Relevncia ................................................................................................................ 19 1.1.3.3 Fiabilidade ............................................................................................................... 20 1.1.3.4 Comparabilidade ...................................................................................................... 20

    1.2 Demonstrao dos Fluxos de Caixa ................................................................................ 21

    1.2.1 Perspectiva histrica .................................................................................................... 21 1.2.2 Conceitos e Objectivos do Fluxo de Caixa ................................................................... 22 1.2.3 Importncia do Fluxo de Caixa .................................................................................... 24

    1.2.4 Benefcios atribudos DFC ........................................................................................ 28 1.2.5 Caractersticas do fluxo de caixa ................................................................................. 29 1.2.6 Tipos de Fluxo de Caixa .............................................................................................. 30

    1.2.6.1 Fluxo de Caixa Histrico .......................................................................................... 30 1.2.6.2 Fluxo de caixa Previsional ........................................................................................ 31 1.2.7 Estrutura da demonstrao dos fluxos de caixa ............................................................ 31

    1.2.7.1 Actividades Operacionais ......................................................................................... 32 1.2.7.2 Actividades de Investimento ..................................................................................... 33 1.2.7.3 Actividades de Financiamento .................................................................................. 33 1.3 Mtodos de elaborao da Demonstrao dos Fluxos de Caixa ....................................... 34

    1.3.1 Mtodo Directo ........................................................................................................... 34 1.3.2 Mtodo Indirecto ......................................................................................................... 36 1.3.3 Comparao entre o Mtodo Directo e o Mtodo Indirecto .......................................... 37 1.4 DFC vs Demonstrao dos Resultados ........................................................................... 38 1.4.1 Regime (base) de acrscimo e Base de caixa ............................................................... 39

    1.5 DFC vs Balano ............................................................................................................. 41 1.6 DFC vs Demonstrao de origens e aplicaes de fundos ............................................... 43 1.7 Vantagens e Inconvenientes da Demonstrao de Fluxos de Caixa ................................. 45 1.8 Gesto Financeira das Empresas ..................................................................................... 47

    1.8.1 Conceito das Empresas ................................................................................................ 48 1.8.1.1 Ciclo das Empresas .................................................................................................. 48 1.8.2 Objectivos da gesto financeira ................................................................................... 50

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    1.8.3 Gestor Financeiro ........................................................................................................ 50 1.8.4 Fluxos de Caixa na Gesto Financeira ......................................................................... 51 2. Procedimentos Analticos ................................................................................................. 53

    Captulo II: Anlise do Fluxo de Caixa da RTC 54 2.1 Caracterizao da RTC ................................................................................................... 54 2.1.1 Apresentao da Empresa ............................................................................................ 54 2.1.2 Os Principais Objectivos ............................................................................................. 57 2.1.3 Estrutura Orgnica ...................................................................................................... 57

    2.1.4 Principais Produtos e Servios ..................................................................................... 60 2.2 Anlise das Demonstraes Financeiras ......................................................................... 61

    2.2.1 Balano ....................................................................................................................... 61 2.2.1.1 Activo Lquido ......................................................................................................... 61 2.2.1.2 Passivo e Capital prprio .......................................................................................... 62 2.2.2 Demonstrao dos Resultados ..................................................................................... 63 2.3 Anlise dos Indicadores Financeiros e Econmicos ........................................................ 65

    2.4 Anlise do Fluxo de Caixa da RTC ................................................................................ 68 2.4.1 Enquadramento ........................................................................................................... 68 2.4.2 Actividades Operacionais ............................................................................................ 70 2.4.3 Actividades de Investimentos ...................................................................................... 72 2.4.4 Actividades de Financiamento ..................................................................................... 74

    Concluso 79 3.1 Sugestes ....................................................................................................................... 81

    Bibliografia .......................................................................................................................... 82

    Anexos ................................................................................................................................ 84

    Apndice.............................................................................................................................. 92

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    ndice de Grficos

    Grficos 1: Fluxo de Caixa da Actividade Operacional 2009/2008 ....................................... 70 Grficos 2: Fluxo de Caixa da Actividade Operacional 2010/2009 ....................................... 71 Grficos 3: Recebimentos de Activos Fixos Tangveis ......................................................... 72 Grficos 4: Recebimentos de Subsdios ao Investimento ...................................................... 73

    Grficos 5: Pagamentos de Activos Fixos Tangveis ............................................................ 74 Grficos 6: Recebimentos de Financiamento Obtidos ........................................................... 75 Grficos 7: Variao de Caixa e seus equivalentes ............................................................... 76

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    ndice de Quadros

    Quadro 1: Indicadores Financeiros e Econmicos ................................................................ 65 Quadro 2: Demonstrao dos Fluxos de Caixa pelo Mtodo Directo .................................... 69

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    ndice de Figuras

    Figura 1: Fluxo Lquido de Caixa do Perodo ....................................................................... 36

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    Lista de Abreviaturas

    DF Demonstraes Financeiras

    DR Demonstrao de Resultados

    DFC Demonstrao do Fluxo de Caixa

    DFCP Demonstrao do Fluxo de Caixa Previsional

    FM Fundo Maneio

    SNCRF Sistema de Normalizao Contabilstica e de Relato Financeiro

    DOAF/DOAR Demonstrao de Origem e Aplicao de Fundos/Recursos

    IAS - International Accounting Standards

    IASC - International Accounting Standards Committee

    IASB - International Accounting Standards Board

    FASB - Financial Accounting Standard Board

    NRF Norma de Relato Financeiro

    IFRS International Financial Reporting Standards

    RTC Rdio Televiso Cabo-verdiana

    RCV Rdio de Cabo Verde

    TCV Televiso de Cabo Verde

    TNCV Televiso Nacional de Cabo Verde

    DAF Direco de Administrao e Finanas

    TEVEC Televiso Experimental de Cabo Verde

    - Pargrafo

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    Introduo

    1.1 Contextualizao

    A contabilidade, como cincia, apresentou muitas mudanas nas ltimas dcadas. Deixou de

    ser apenas um instrumento de escriturao fiscal e histrica s exigncias do estado, passando

    a ser considerada como uma ferramenta indispensvel na tomada de decises.

    Nos ltimos anos, o conhecimento do modo como a empresa gera dinheiro num determinado

    perodo tem vindo a assumir particular relevncia para os utentes da informao financeira.

    Nesta linha de orientao se inscreve a posio assumida pelo Internacional Accounting

    Standards Committee (IASC) que substitui, em Outubro de 1992, a norma internacional n 7

    Demonstrao das alteraes na posio financeira, pela norma n7 Demonstrao dos

    fluxos de caixa.

    A necessidade de uma demonstrao financeira que superasse a esttica do Balano

    Patrimonial e o fluxo financeiro, por regime de acrscimo da Demonstrao de Resultados,

    fez surgir, nos principais pases do mundo, um relatrio que evidenciasse as alteraes na

    posio financeira das empresas.

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    O tema Fluxo de Caixa tem vindo a ganhar importncia no denominado Relato Financeiro das

    Empresas.

    A demonstrao de fluxos de caixa, dada a relevncia que, para os utentes da informao

    financeira, tem vindo a assumir o conhecimento do modo como a entidade gera e utiliza o

    dinheiro num determinado perodo, reconhece-se como sendo conveniente e oportuno o

    campo da informao histrica. Consegue-se, assim, uma demonstrao financeira

    apropriada, s possvel, portanto, atravs da demonstrao dos fluxos de caixa.

    Para Hendriksen (2009:173), o principal objectivo da contabilidade (segundo FASB)

    fornecer aos investidores e outros usurios informaes teis para avaliar o nvel, a

    distribuio no tempo e a incerteza dos fluxos de caixa futuros. Supe-se que tais fluxos

    sejam a base da estimao do valor do mercado de ttulos de dvida, aces e outros

    instrumentos de financiamento utilizados pela empresa.

    1.2 Justificao da escolha do tema

    A razo da escolha deste tema prende-se com necessidade em evidenciar a importncia da

    demonstrao dos fluxos de caixa como instrumento de gesto e melhoria do desempenho

    econmico e financeiro das empresas.

    A escolha do tema deve-se necessidade de conhecer e utilizar esta ferramenta essencial de

    gesto, sendo nos ltimos anos tm sido relevante no planeamento e no processo decisrio

    para as empresas.

    Com a entrada em vigor do Sistema de Normalizao Contabilstica e de Relato Financeiro

    (SNCRF), as entidades viram-se obrigadas a apresentarem a demonstrao dos fluxos de

    caixa, pelo que parece oportuno tratar de um tema importante na gesto das empresas e

    demonstrar que esta demonstrao financeira muito til para a tomada de decises.

    1.3 Pergunta de partida

    Qual a importncia do fluxo de caixa na gesto financeira das empresas?

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    1.4 Hiptese

    Tendo em conta os objectivos delineados para a elaborao do trabalho, prope-se a seguinte

    hiptese:

    O fluxo de caixa um instrumento importante de gesto, visando a tomada de deciso

    em matria financeira.

    1.5 Objectivos

    1.5.1 Objectivo geral

    O objectivo geral deste trabalho analisar, quantitativa e qualitativamente, a importncia dos

    fluxos de caixa na gesto financeira das empresas.

    1.5.2 Objectivos especficos

    Identificar o modelo de fluxo de caixa aplicvel Rdio Televiso Cabo-verdiana;

    Demonstrar a importncia do fluxo de caixa atravs da anlise dos indicadores por ele

    produzidos e o seu contributo na tomada de decises.

    1.6 Estrutura da Monografia

    O trabalho est dividido em dois captulos:

    Introduo

    Na parte introdutria do trabalho, apresenta a contextualizao, a justificao da escolha do

    tema em estudo, os objectivos gerais e especficos, a pergunta de partida e a hiptese do

    estudo.

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    Capitulo I Abordagem terica e metodolgica

    Neste captulo procurou-se fazer um estudo documental - uma abordagem terica sobre a

    importncia das demonstraes financeiras em especial Demonstrao dos Fluxos de Caixa

    e da gesto financeira ponderando os vrios conceitos segundo alguns autores;

    Capitulo II Anlise do fluxo de caixa da RTC

    O captulo dedicado perspectiva prtica do trabalho, ou seja, o captulo que resume a

    anlise feita do trabalho, atravs de documentos da empresa em estudo (RTC); a anlise de

    dados financeiros feita a partir dos mapas das demonstraes financeiras (balano,

    demonstrao dos resultados) relativamente aos anos 2008, 2009 e 2010 da empresa em

    causa;

    Realizao de uma entrevista ao Director(a) financeiro(a) da empresa em estudo; elaborao

    do fluxo de caixa pelo mtodo directo; clculo e anlise dos indicadores financeiros; e por

    fim, a anlise e discusso dos resultados obtidos.

    Concluso

    Neste ltimo, far-se-o as concluses finais sobre o trabalho e sugestes sobre a utilizao da

    DFC.

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    Capitulo I: Abordagem Terica e Metodolgica

    1.1 Referencial terico

    1.1.1 Conceitos, objectivo e importncia das Demonstraes Financeiras

    Segundo a norma internacional de contabilidade (IAS1), entende-se por as demonstraes

    financeiras como uma representao estruturada da posio financeira e do desempenho

    financeiro de uma determinada entidade.

    Segundo Almeida (2009:400), o objectivo das demonstraes financeiras o proporcionar

    informao acerca da posio financeira, do desempenho e das alteraes na posio

    financeira de uma entidade que seja til a um vasto leque de utentes na tomada de decises.

    Para satisfazer estes objectivos, as demonstraes financeiras proporcionam informao

    acerca dos activos, passivos, capital prprio, rendimentos (rditos e ganhos), gastos (gastos e

    perdas), outras alteraes do capital prprio e dos fluxos de caixa.

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    Esta informao ajuda os utentes das demonstraes financeiras a prever os futuros fluxos de

    caixa da entidade e, em particular, a sua tempestividade e certeza.

    1.1.2 Elementos das Demonstraes Financeiras

    As demonstraes financeiras devem apresentar apropriadamente a posio financeira, o

    desempenho financeiro e os fluxos de caixa de uma entidade. As DF retratam os efeitos das

    transaces e de outros acontecimentos ao agrup-los em grandes classes de acordo com as

    suas caractersticas.

    Estas grandes classes so constitudas pelos seguintes elementos das demonstraes

    financeiras:

    Balano

    Demonstrao dos resultados (por natureza e por funes)

    Demonstrao de alteraes do capital prprio

    Demonstrao dos fluxos de caixa

    Os elementos directamente relacionados com a mensurao da posio financeira no balano

    so os activos, os passivos e os capitais prprios. Os elementos directamente relacionados

    com a mensurao do desempenho na demonstrao dos resultados so os rendimentos e os

    gastos. A demonstrao de alteraes na posio financeira reflecte geralmente elementos da

    demonstrao dos resultados e as alteraes de elementos do balano.

    1.1.3 Caractersticas qualitativas das demonstraes financeiras

    As caractersticas qualitativas so os atributos que tornam a informao proporcionada nas DF

    til aos utentes. As quatro principais caractersticas qualitativas so:

    A compreensibilidade,

    A relevncia,

    A fiabilidade e

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    A comparabilidade

    1.1.3.1 Compreensibilidade

    Uma qualidade essencial da informao proporcionada nas demonstraes financeiras a de

    que ela seja rapidamente compreensvel pelos utentes.

    Porm, a informao acerca de matrias complexas, a incluir nas demonstraes financeiras

    dada a sua relevncia para a tomada de decises dos utentes, no deve ser excluda meramente

    com o fundamento de que ela possa ser demasiado difcil para a compreenso de certos

    utentes.

    1.1.3.2 Relevncia

    Para ser til, a informao tem de ser relevante para a tomada de decises dos utentes. A

    informao tem a qualidade da relevncia quando influencia as decises econmicas dos

    utentes ao ajud-los a avaliar os acontecimentos passados, presentes ou futuros ou ainda

    confirmar, ou corrigir, as suas avaliaes passadas.

    A relevncia da informao afectada pela sua natureza e materialidade. Nalguns casos, a

    natureza da informao por si s mesma suficiente para determinar a sua relevncia.

    Materialidade

    A informao material se a sua omisso ou inexactido influenciarem as decises das

    utentes tomadas na base das DF. A materialidade depende da dimenso do item ou do erro

    julgado nas circunstncias particulares da sua omisso ou distoro. Por conseguinte, a

    materialidade proporciona um patamar ou ponto de corte, no sendo uma caracterstica

    qualitativa primria que a informao tenha de ter para ser til, est no entanto ligada

    caracterstica qualitativa da relevncia, e deve ser analisada nesse contexto.

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    1.1.3.3 Fiabilidade

    Para que seja til, a informao tambm deve ser fivel. A informao tem a qualidade da

    fiabilidade quando estiver isenta de erros materiais e de preconceitos, e os utentes dela

    possam depender ao representar fidedignamente o que ela ou pretende representar ou pode

    razoavelmente esperar-se que represente.

    Para que a informao se considere fivel ela deve atender tambm: sua representao

    fidedigna: sua substncia e realidade econmica e no meramente com a sua forma legal;

    sua neutralidade; aplicao de prudncia na sua preparao; e sua plenitude.

    Para ser fivel, a informao deve representar fidedignamente as transaces e outros

    acontecimentos. O que ela pretende representar ou possa razoavelmente representar a

    incluso de um grau de precauo no exerccio dos juzos necessrios ao fazer as estimativas

    necessrias em condies de incerteza, de forma que os activos ou os rendimentos no sejam

    sobreavaliados e os passivos ou os gastos no sejam subavaliados. Porm, o exerccio da

    prudncia no permite, por exemplo, a criao de reservas ocultas ou provises excessivas, a

    subavaliao deliberada de activos ou de rendimentos, ou a deliberada sobre avaliao de

    passivos ou de gastos, porque as demonstraes financeiras no seriam neutras e, por isso,

    no teriam a qualidade de fiabilidade.

    Para que seja fivel, a informao nas demonstraes financeiras deve ser completa dentro

    dos limites de materialidade e de custo. Uma omisso pode fazer com que cada informao

    seja falsa ou enganadora e por conseguinte no fivel e deficiente em termos da sua

    relevncia.

    1.1.3.4 Comparabilidade

    Os utentes tm de ser capazes de comparar as DF de uma entidade ao longo do tempo a fim

    de identificar tendncias na sua posio financeira, no seu desempenho e das alteraes na

    posio financeira. Os utentes tm tambm de ser capazes de comparar as demonstraes

    financeiras de diferentes entidades a fim de avaliar de forma relativa a sua posio financeira,

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    o seu desempenho e as alteraes na posio financeira. Daqui extrai-se que a mensurao e

    exposio dos efeitos financeiros de transaces e outros acontecimentos semelhantes devem

    ser levados a efeito de maneira consistente em toda a entidade e ao longo do tempo nessa

    entidade e de maneira consistente para diferentes entidades.

    Uma implicao importante da caracterstica qualitativa da comparabilidade a de que os

    utentes sejam informados das polticas contabilsticas usadas na preparao das

    demonstraes financeiras, de quaisquer alteraes nessas polticas e dos efeitos de tais

    alteraes.

    Os utentes necessitam de ser capazes de identificar diferenas entre as polticas contabilsticas

    para transaces e outros acontecimentos semelhantes usados pela mesma entidade de perodo

    para perodo e entre diferentes entidades.

    A conformidade com as NRF, incluindo a divulgao das polticas contabilsticas usadas pela

    entidade, ajudam a atingir a comparabilidade.

    1.2 Demonstrao dos Fluxos de Caixa

    1.2.1 Perspectiva histrica

    A demonstrao do fluxo de caixa teve sua origem no Financial Accounting Standard Board

    (FASB) 95, em Novembro de 1987, entrando em vigor a partir de Julho de 1988, onde buscou

    atender s necessidades americanas, quanto aos anseios dos investidores, em geral e das

    empresas que buscavam captar recursos nesse mercado1. A demonstrao dos fluxos de caixa

    um documento relativamente recente, tendo surgido em 1987 nos Estados Unidos da

    Amrica e em 1991 no Reino Unido.

    Em 1992 o International Accounting Standard Committee (IASC), actualmente substitudo

    pelo International Accounting Standards Board (IASB), aprovou entretanto a Norma

    1

    www.,metodista .Uol.com.br/ppc/revista-ecco/revista-ecco01/fluxo - de- caixa

    http://www.,metodista/

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    Internacional de Contabilidade n7, intitulada Statement Of Changes in Financial Position,

    que foi revista e substituda em Outubro de 1992 pela Demonstrao dos fluxos de caixa,

    passando a vigorar a partir de 1 de Janeiro de 1994.

    A Demonstrao do Fluxo de Caixa representa uma mudana importante das anteriores

    prticas de divulgao contabilsticas, baseadas em informaes preparadas numa base na

    contabilidade em regime de acrscimo e que constam dos documentos de prestao de contas.

    A demonstrao em causa evidencia as informaes preparadas numa base de caixa.

    Por outro lado, a Demonstrao do Fluxo de caixa veio dar um passo importante na

    divulgao objectiva do mapa da Demonstrao de Origens e fundos como um meio de

    reconciliar as alteraes das rubricas do balano de um momento para outro.

    A elaborao da DFC fez com que os profissionais ligados contabilidade viessem a

    preocupar com a preparao de um novo mapa de sntese dos movimentos de tesouraria das

    empresas.

    1.2.2 Conceitos e Objectivos do Fluxo de Caixa

    De acordo com os autores Caiado (2004:31), Almeida (2009:80) e as normas internacionais

    de relato financeiro IFRSs (2004:419), fluxo de caixa so as entradas (influxos) em caixa

    (recebimentos) e as sadas (ex fluxos) de caixa (pagamentos) e seus equivalentes;

    Caixa compreende o dinheiro em caixa e em depsitos ordem; Equivalentes a caixa como os

    investimentos financeiros a curto prazo, altamente lquidos que sejam prontamente

    convertveis para quantias conhecidas de dinheiro e que estejam sujeitos a um risco

    insignificante de alteraes de valor.

    Segundo Gitman (2003:252), a demonstrao dos fluxos de caixa permite ao gestor financeiro

    e as outras partes interessadas analisarem o fluxo de caixa da empresa. Ela pode ser usada

    para avaliar o progresso em relao a objectivos planeados.

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    O Fluxo de caixa permitir que a administrao financeira sinta a real situao da empresa,

    em termos de equilbrio de caixa e liquidez, proporcionando maior viso dos recursos

    disponveis. Refere-se ao montante de caixa recebido e gasto por uma empresa durante um

    perodo de tempo definido e permite a anlise da gerao dos meios financeiros e da sua

    utilizao, num determinado perodo de tempo.

    Segundo o autor Costa (2005:191), a demonstrao dos fluxos de caixa a demonstrao

    financeira adoptada para apresentar as alteraes na posio financeira e na qual os influxos e

    os ex fluxos de caixa so devidamente explicados e justificados.

    Uma demonstrao de fluxo de caixa proporciona informao que facilita aos utentes avaliar

    as alteraes nos activos lquidos de uma empresa, a sua estrutura financeira e a sua

    capacidade de afectar as quantias e a tempestividade dos fluxos de caixa.

    Segundo Silva (2004:103), a demonstrao dos fluxos de caixa til ao proporcionar aos

    utentes da informao financeira uma base para determinar a capacidade da empresa para

    gerar dinheiro e equivalentes e determinar as necessidades da empresa de utilizar esses fluxos

    em tempo til.

    O fluxo de caixa uma ptima ferramenta para auxiliar o administrador de determinada

    empresa nas tomadas de decises. atravs deste mapa que os custos fixos e variveis ficam

    evidentes, permitindo-se desta forma um controle efectivo sobre determinadas questes

    empresariais.

    Segundo Matarazzo (1998:370), os principais objectivos da demonstrao do fluxo de caixa

    consistem em avaliar alternativas de investimentos; avaliar e controlar ao longo do tempo as

    decises importantes que so tomadas na empresa, com reflexos monetrios; avaliar as

    situaes presentes e futuras do caixa na empresa, posicionando-a para que no chegue a

    situaes de falta de liquidez; certificar que os excessos momentneos de caixa esto sendo

    devidamente aplicados.

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    Segundo IASB7, a demonstrao do fluxo de caixa um documento que apresenta

    informaes sobre os fluxos de liquidez (dinheiro), que resulta e que utilizado nas

    actividades operacionais, nas actividades de investimento e nas actividades de financiamento

    das empresas.

    1.2.3 Importncia do Fluxo de Caixa

    O fluxo de caixa constitui ferramenta de fundamental importncia para a boa administrao e

    avaliao das empresas. A sua utilizao possibilita uma boa gesto dos recursos financeiros

    evitando situaes de insolvncia ou falta de liquidez que so de extrema importncia para o

    bom funcionamento assim como a continuidade da empresa. A boa utilizao do fluxo de

    caixa faz com que as empresas conheam o seu grau de independncia financeira de modo a

    conhecer a sua capacidade de gerir recursos no futuro, para deste modo conseguirem saldar

    os seus compromissos e pagar o salrio dos seus trabalhadores.

    O fluxo de caixa apresenta-se ainda um instrumento de extrema importncia, facilitando

    empresa a avaliao da sua capacidade de financiamento do seu capital, ou se a empresa

    depende de recursos externos, de modo que esta conhea a sua capacidade de expandir com

    os seus prprios recursos gerados a partir das suas prprias operaes, e ainda a sua

    capacidade de implementar decises de investimento, financiamento e do pagamento das

    suas dividas.

    O fluxo de caixa evidenciado atravs da DFC, uma demonstrao de grande importncia na

    anlise da empresa, dado que evidencia as modificaes ocorridas nas disponibilidades da

    entidade (Caixa e depsitos, principalmente).

    Segundo a Norma Internacional de contabilidade, (IAS n7), as informaes disponveis na

    demonstrao do fluxo de caixa, so muito importantes para administradores internos,

    investidores e outros usurios, porque a demonstrao do fluxo de caixa quando usada em

    conjunto com a informao disponvel em outras demonstraes financeiras de muita

    relevncia para:

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    Avaliar a capacidade das empresas em gerar fluxos de caixa lquidos futuros

    positivos;

    Avaliar a capacidade das empresas em liquidar suas obrigaes, pagar dividendos e

    satisfazer suas necessidades de financiamentos externos;

    Avaliar os motivos das diferenas entre o lucro lquido e a caixa associado aos

    recebimentos e pagamentos;

    Avaliar os efeitos sobre a posio financeira das empresas de ambas as transaces

    de investimento e de financiamento.

    O fluxo de caixa permite a visualizao de sobras ou faltas de caixa, fazendo com que

    melhor seja o planeamento das aces perante o empresrio. Indica o momento ideal para a

    efectuao de emprstimos de modo a cobrir as situaes de dfice, que faz com que a

    empresa tenha maiores ganhos e melhor compatibilizao dos prazos.

    Informaes sobre fluxo de caixa so relevantes, medida que permitem os investidores e

    credores projectar a capacidade de que a empresa ter de distribuir dividendos, pagar juros

    e amortizar dvidas. A informao sobre o fluxo de caixa destaca-se tambm, pelo auxlio

    na determinao da liquidez e solvncia empresarial.

    A informao sobre fluxo de caixa uma informao sobre o fluxo financeiro da empresa.

    atravs do fluxo financeiro que as empresas planeiam e tomam decises importantes de

    investimentos, de financiamentos, distribuio de recursos (dividendos) fundamentais para

    a continuidade das operaes normais do empreendimento.

    Uma demonstrao de fluxo de caixa deve evidenciar e explicar o facto de que

    disponibilidade de caixa no significa lucro e por sua vez, lucro nem sempre significa

    disponibilidade de caixa. Os usurios da informao de fluxo de caixa em seu processo de

    predio da capacidade de distribuio de dividendos e amortizaes de dvidas

    necessitariam de informaes sobre:

    Fluxos de caixa gerado pelas operaes correntes da empresa;

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    Fluxos de caixa no relacionados com as actividades correntes da empresa;

    Fluxos de caixa necessrios para manuteno e ampliao dos nveis de Stock e

    capacidade instalada da empresa;

    Fluxos de caixa originados da alienao de itens do imobilizado da empresa e que por

    algum motivo no sero mais utilizados para operaes futuras;

    Fluxos obtidos a partir dos financiadores da empresa (accionistas e credores),

    tambm como os fluxos de caixa distribudos aos mesmos por esses financiamentos;

    Fluxos de caixa destinados a pagamento de juros e dividendos a investidores

    preferenciais.

    Para IASC as informaes sobre os fluxos de caixa de uma empresa, so teis, medida

    que proporcionam aos usurios das DF uma base para avaliar a capacidade de a empresa

    gerar caixa e valores equivalentes a caixa e as necessidades da empresa para utilizar esses

    fluxos de caixa. As decises econmicas que so tomadas pelos usurios exigem uma

    avaliao da capacidade de a empresa gerar caixa e valor equivalente a caixa, bem como da

    poca e certeza na gerao de tais recursos2.

    Para a Norma Internacional de relato financeiro (2003:418), uma demonstrao dos fluxos

    de caixa quando usada juntamente com o restante das demonstraes financeiras,

    Proporciona informao que facilita aos utentes avaliar as alteraes nos activos

    lquidos de uma empresa, a sua estrutura financeira (liquidez e solvncia) e sua

    habilidade para afectar as quantias e a tempestividade dos fluxos de caixa a fim de se

    adaptarem s circunstncias e as oportunidades em mudana;

    So teis para avaliar a capacidade da empresa em produzir recursos de caixa e

    valores equivalentes e habilitar os usurios a desenvolver modelos para avaliar e

    comparar o valor presente e futuro de caixa de diferentes empresas;

    2 Http: www.milenio.com.br/siqueira/trab.190.doc

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    Aumenta a comparabilidade do relato de desempenho operacional por diferentes

    empresas, porque elimina os efeitos decorrentes do uso de diferentes tratamentos

    contabilsticos para as mesmas transaces e eventos;

    Possibilita o uso das informaes histricas sobre o fluxo de caixa como indicador da

    importncia, poca e certeza de futuros fluxos de caixa;

    til para conferir a exactido de avaliaes anteriormente feitas de futuros fluxos

    de caixa e examinar a relao entre o lucro e o fluxo de caixa lquido e o impacto de

    variaes de preo.

    O Fluxo de Caixa indispensvel para uma sinalizao dos rumos financeiros dos negcios.

    Atravs de sua elaborao possvel prognosticar eventuais excedentes ou escassez de caixa,

    determinando as medidas saneadoras a serem tomadas. Para se manterem em operao, as

    empresas devem liquidar correctamente seus vrios compromissos, devendo como condio

    bsica apresentar o respectivo saldo em seu caixa nos momentos dos vencimentos. A

    insuficincia de caixa pode determinar cortes nos crditos, suspenso de entregas de materiais

    e mercadorias, e ser causa de uma sria descontinuidade em suas operaes.

    A manuteno de saldos de caixa propcia folga financeira imediata empresa, revelando a

    melhor capacidade de pagamento de suas obrigaes. Neste posicionamento, a administrao

    no deve manter suas reservas de caixa em moveis elevados como forma de maximizar a

    liquidez. Pelo contrrio, deve buscar um volume mais adequado de caixa sob pena de incorrer

    em custos de oportunidades crescentes. indispensvel que a empresa avalie criteriosamente

    o seu ciclo operacional de maneira a sincronizar as caractersticas de sua actividade com o

    desempenho do caixa.

    importante que se avalie tambm que limitaes de caixa no se constituem uma

    caracterstica exclusiva das empresas que convivem com prejuzo. Empresas lucrativas podem

    tambm apresentar problemas de caixa como consequncia do comportamento de seu ciclo

    operacional. Por outro lado, problemas de caixa costumam ocorrer, ainda, em lanamentos de

    novos produtos, fases de expanso da actividade, modernizao produtiva, etc.

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    1.2.4 Benefcios atribudos DFC

    Para Costa e Alves (2008:205), demonstram alguns benefcios desta demonstrao:

    Proporcionar informao sobre o contributo das actividades operacionais, de

    investimento e de financiamento para a obteno de caixa e equivalentes a caixa;

    Ajudar os utentes a:

    Melhorar o conhecimento das alteraes ocorridas na estrutura financeira da

    empresa ou entidade (incluindo a liquidez e solvabilidade) e da sua capacidade

    de gerar meios de pagamento e em que tempo, tendo em conta a necessidade

    de adaptao a situaes de mudana e de oportunidades de mercado;

    Avaliar a capacidade da empresa em satisfazer as suas obrigaes e

    proporcionar retornos aos seus investidores;

    Desenvolver modelos para determinar e comparar o valor presente dos fluxos

    de caixa futuros de diferentes empresas;

    Relacionar o lucro da empresa com a capacidade de gerar dinheiro.

    Facilitar a comparabilidade do desempenho operacional entre empresas uma vez que

    elimina o efeito das diferentes polticas contabilsticas adoptadas relativamente a

    idnticas operaes.

    Diversas decises empresariais so tomadas na base das disponibilidades de caixa, como o

    caso das polticas de concesso de crdito e de distribuio de dividendos. Ao fazer as

    previses dos futuros fluxos de caixa, os investidores e os credores esto interessados em

    conhecer o impacto que as actividades de financiamento e de investimento iro ter sobre os

    recebimentos e os pagamentos previstos para as actividades operacionais.

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    1.2.5 Caractersticas do fluxo de caixa

    O fluxo de caixa tem as seguintes caractersticas:

    elaborado diariamente, com um perodo de proteco de um ms;

    Utiliza o mtodo directo para obter dados que resultam da avaliao das entradas e

    sadas de caixa, que provem principalmente de contas a receber, contas a pagar,

    vendas, contratos e compras.

    No se confunde com oramento de caixa, que um instrumento de

    acompanhamento e controle de metas elaborado usualmente em base anual e

    vinculado s projeces de resultado para o mesmo perodo; distinto do

    demonstrativo financeiro denominado Fluxo de Caixa. Este informa o que aconteceu

    em termos de movimentao acumulada de caixa (geralmente ao longo de um ano)

    no exerccio a que se referem as demonstraes financeiras;

    Retrata a efectiva situao de caixa da empresa, j que seus nmeros representam

    disponibilidades bancrias, numerrio ou aplicaes financeiras de resgate imediato.

    Segundo Caiado (2003:676), esta demonstrao permite que os investidores, os credores

    e outros acedam a informaes relativas :

    Capacidade de gerar fluxos de caixa positivos no futuro;

    Capacidade da empresa em solver os seus compromissos e pagar dividendos;

    Necessidade de recurso ao financiamento externo;

    Relao entre o resultado patenteado nos documentos de prestao de contas e os

    fluxos lquidos de caixa originados pelas actividades operacionais, de

    investimento e de financiamento;

    Explicao das variaes ocorridas na situao financeira entre o incio e o final

    de um perodo contabilstico.

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    1.2.6 Tipos de Fluxo de Caixa

    A informao sobre o fluxo e caixa, na ptica do horizonte temporal, da empresa pode ser

    evidenciada basicamente de duas formas: Ou sobre operaes de caixa realizadas num

    perodo j ocorrido (descreve mudanas histricas na caixa da empresa), ou sobre operaes

    de caixa da empresa que ainda iro ocorrer (oramentadas), e que, portanto, referem-se a um

    perodo de tempo ainda no ocorrido.

    Um conceito importante que est relacionado com o fluxo de caixa o conceito de fluxo de

    caixa histrico. Este conceito refere-se ao primeiro tipo de informao descrito acima. Outro

    conceito de fluxo de caixa fundamental o de fluxo de caixa previsional, que expressa

    informaes correspondentes ao segundo conceito, tambm j descrito.

    1.2.6.1 Fluxo de Caixa Histrico

    A demonstrao dos fluxos de caixa histrico uma componente do conjunto das

    demonstraes financeiras que as empresas divulgam, servindo principalmente para anlises

    comparativas e histricas.

    Uma razo bsica para o fornecimento de demonstraes de fluxos de caixa histrico a sua

    possibilidade de uso para avaliao da empresa como entidade em continuidade, por parte dos

    accionistas, credores e outros utentes das demonstraes financeiras.

    A demonstrao de fluxo de caixa histrico pode ser preparada a partir das outras

    demonstraes j elaboradas e divulgadas pela empresa, permitindo a anlise das causas de

    modificao do caixa da empresa e um estudo do seu comportamento financeiro ao longo do

    tempo. um adequado instrumento de anlise.3

    Uma das dificuldades com a utilizao de fluxos de caixa histricos na predio de fluxos

    futuros reside na interdependncia de muitos fluxos da caixa. As informaes sobre fluxos de

    3 Http: //www.milenio.com.br/siqueira/trab.190.doc

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    caixa devem ser complementadas por planos da administrao da empresa revelando suas

    expectativas, alm de outros relatrios complementares que possam ser utilizados no processo

    de predio.

    O fluxo de caixa histrico pode ser apresentado de duas formas. As formas decorrentes do

    mtodo directo e do mtodo indirecto. A distino entre os mtodos de elaborao e

    apresentao do fluxo de caixa da empresa consiste apenas na forma de apresentao do fluxo

    de caixa derivado das actividades operacionais.

    1.2.6.2 Fluxo de caixa Previsional

    A segunda forma de apresentao de fluxo de caixa utilizada principalmente pela gerncia

    das empresas no planeamento operacional e estratgico na gesto da actividade financeira,

    inclinada para o futuro, sendo de uso interno da empresa.

    A elaborao de uma Demonstrao de Fluxos de Caixa Previsional (DFCP), parece aceitvel,

    e de elevada importncia. Alm disso, tal como a DFC, a DFCP elaborada de acordo com as

    entradas e sadas de dinheiro previstas e permite o conhecimento da capacidade em gerar

    fluxos de caixa suficientes para o cumprimento das suas obrigaes e ainda uma avaliao da

    sua folga financeira para um alargamento do mercado com a implementao de novos

    projectos, diversificao e/ou aumento dos seus segmentos.

    A DFCP como qualquer outro oramento dever ser objecto de controlo e anlise a fim de

    apurar os desvios, seus efeitos, fazer ajustamentos e determinar responsabilidades.

    1.2.7 Estrutura da demonstrao dos fluxos de caixa

    Segundo o IASB7, a demonstrao do fluxo de caixa um documento que apresenta

    informaes sobre os fluxos de liquidez, que resulta e que utilizado nas actividades

    operacionais, de investimento e de financiamento das empresas. Os fluxos de caixa

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    apresentados na demonstrao so classificados em trs grandes categorias: actividades

    operacionais, actividades de investimento e actividades de financiamento.

    1.2.7.1 Actividades Operacionais

    Segundo Almeida Rui (2009:81), os fluxos de caixa das actividades operacionais so,

    principalmente, derivadas das principais actividades geradoras de rditos da entidade e por

    isso elas so geralmente consequncia das operaes e outros acontecimentos que entram na

    determinao dos resultados da entidade.

    Na NRF2 ( 8) a quantia de fluxos de caixa proveniente de actividades operacionais um

    indicador chave na medida em que as operaes da entidade geram fluxos de caixa suficientes

    para pagar emprstimos, manter a capacidade operacional da entidade, pagar dividendos e

    fazer novos investimentos, sem recurso a fontes externas de financiamento. A informao

    acerca dos componentes especficos dos fluxos de caixa operacional histricos til,

    juntamente com outra informao, na previso de futuros fluxos de caixa operacionais.

    Para Caiado e Gil (2004:222), os fluxos lquidos gerados ou utilizados pelas actividades

    operacionais so um indicador da capacidade da empresa em gerar meios de pagamento

    suficientes para manter a capacidade operacional.

    Segundo Almeida (2009:81), so apresentados exemplos de fluxos de actividades

    operacionais:

    Recebimentos de caixa provenientes da venda de bens e da prestao de servios;

    recebimentos de caixa provenientes de royalties, honorrios, comisses e outros

    rditos; pagamentos de caixa a fornecedores de bens e servios;

    Pagamentos de caixa a e por conta de empregados;

    Pagamentos ou recebimentos de caixa por restituies de impostos sobre rendimento,

    a menos que estes se relacionem com as outras actividades; e

    Recebimentos e pagamentos de caixa de contratos detidos com a finalidade de

    negcio.

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    1.2.7.2 Actividades de Investimento

    Segundo Morais e Loureno (2003:93), as actividades de investimento so definidas como as

    actividades relativas aquisio e alienao de activos no correntes (tangveis, intangveis e

    financeiros) e de outros investimentos no includos em equivalentes a caixa.

    Para Almeida (2009:81) e NIC (2003:104) os fluxos das actividades de investimento so

    importantes porque os fluxos de caixa representam a extenso pela qual os dispndios foram

    feitos relativamente a recursos destinados a gerar rendimentos e fluxos de caixa futuros.

    As actividades de investimentos compreendem as transaces, aquisies ou vendas de

    participaes em outras empresas, activos utilizados na produo de bens ou prestao de

    servios ligados a outros objectos sociais da entidade. Neste tipo de actividade no esto

    compreendidas as aquisies de activos adquiridos com o objectivo de revenda. Exemplos:

    Numerrios recebidos pelas: vendas de activos permanentes, distribuio de

    lucros/dividendos de outras investidas.

    Numerrios pagos pelas: aquisies de activos permanentes.

    1.2.7.3 Actividades de Financiamento

    De acordo com os autores da Costa e Alves (2005:194) e Morais e Loureno (2003:93), as

    actividades de financiamento so todas aquelas que tm como consequncia alteraes na

    extenso e composio dos emprstimos obtidos e do capital prprio da empresa.

    Segundo Almeida (2009:82) a divulgao separada de fluxos de caixa das actividades de

    financiamento importante porque til na predio de reivindicaes futuras de fluxos de

    caixa pelos fornecedores de capitais entidade.

    A informao dos fluxos de caixa gerados ou utilizados por actividades de financiamento

    permite estimar as necessidades de meios de pagamentos e de novas entradas de capital, bem

    como proporcionar aos financiadores informao sobre a capacidade de serem reembolsados.

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    As actividades de financiamentos compreendem a captao de recursos dos accionistas e seu

    retorno em forma de dividendos e a captao de emprstimos, sua amortizao e remunerao

    e a obteno e amortizao de outros recursos classificados no longo prazo. Exemplos:

    a) Numerrios recebidos pela: integralizao de aces; colocao de ttulos a longo

    prazo, obteno de emprstimos a longo prazo;

    b) Numerrios pagos pelos: accionistas por dividendos ou reembolso de capital; credores

    de obrigaes a longo prazo.

    1.3 Mtodos de elaborao da Demonstrao dos Fluxos de Caixa

    A NRF 2 (13) e Almeida (2009:82), estabelecem que os fluxos de caixa devem ser

    evidenciados por actividades operacionais, de investimento e de financiamento, podendo os

    fluxos de caixa das actividades operacionais ser apresentados utilizando-se um dos dois

    mtodos seguintes:

    O mtodo directo

    O mtodo indirecto

    1.3.1 Mtodo Directo

    Segundo Caiado (2004:39), o mtodo directo permite a divulgao das componentes dos

    fluxos de caixa, recebimentos e pagamentos em termos brutos, mesmo quando surgem de uma

    mesma transaco ou transaces relacionadas, permitindo aos utentes compreender o modo

    como a empresa gera e utiliza os meios de pagamento.

    De acordo com a NRF2 (14), as principais componentes dos recebimentos e pagamentos, em

    termos brutos, podem ser obtidos por uma de duas vias:

    A partir dos registos contabilsticos da entidade;

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    Pelo ajustamento de vendas, custo das vendas e outros itens da demonstrao dos

    resultados relativamente a:

    Alteraes, durante o perodo, em inventrios e em contas a receber e a pagar

    relacionadas com a actividade operacional;

    Outros itens que no sejam de caixa;

    Outros itens pelos quais os efeitos de caixa sejam os fluxos de caixa de

    investimento ou de financiamento.

    1.3.1.1 Pelo lanamento em contas apropriadas

    Pretende-se com este mtodo que seja registado, por cada operaes ou transaco efectuada

    do origem a um fluxo de caixa, um movimento em contas apropriadas.

    1.3.1.2 Pelo ajustamento de rubricas

    Considerando a elaborao da demonstrao do fluxo de caixa pelo mtodo directo, consiste

    no ajustamento de rubricas da demonstrao de resultados das variaes ocorridas em rubricas

    de balano. No mtodo directo cada item da demonstrao de resultados ser convertido numa

    anlise de caixa.

    Em termos esquemticos:

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    Figura 1: Fluxo Lquido de Caixa do Perodo

    Fonte: Caiado Antnio p. 41

    1.3.2 Mtodo Indirecto

    Para os autores da Costa e Alves (2005:200), o mtodo indirecto aquele em que o resultado

    lquido do exerccio ajustado de forma a se exclurem os efeitos de transaces que no

    sejam dinheiro, acrscimos ou diferimentos relacionados com recebimentos ou pagamentos

    passados ou futuros e contas de rendimentos ou gastos relacionados com fluxos de caixa

    respeitantes s actividades de investimento ou de financiamento.

    Segundo a NRF2 (15) pelo mtodo indirecto, o fluxo de caixa lquido das actividades

    operacionais determinado pelo ajustamento dos resultados (lucros ou prejuzos)

    relativamente aos seguintes efeitos:

    Alteraes, durante o perodo, em inventrios e contas a receber e a pagar,

    relacionados com a actividade operacional;

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    Itens que no sejam por caixa, tais como, depreciaes, ajustamentos, provises,

    impostos diferidos, perdas e ganhos no realizados de moeda estrangeira, lucros de

    associadas no distribudos e interesses minoritrios; e

    Todos os outros itens cujos efeitos de caixa sejam fluxos de caixa de investimento ou

    de financiamento.

    Segundo Caiado (2004:55) o fluxo de caixa das actividades operacionais pode tambm ser

    apresentado pelo mtodo indirecto, seriando os gastos e rendimentos relacionados com caixa

    includos na demonstrao de resultados e as variaes ocorridas, durante o perodo

    contabilstico, em inventrios e nas dvidas operacionais a receber e a pagar.

    De acordo com Caiado (2004:62), para elaborar a demonstrao dos fluxos de caixa pelo

    mtodo indirecto utiliza-se a seguinte metodologia:

    Clculo dos fluxos de caixa operacionais pelo mtodo indirecto;

    Anlises das rubricas que no so activos correntes ou dvidas para determinao das

    actividades de investimento ou de financiamento;

    Elaborao da DFC com base na informao anterior.

    1.3.3 Comparao entre o Mtodo Directo e o Mtodo Indirecto

    Para Caiado (2004:54) a diferena na elaborao do fluxo de caixa, entre mtodo directo e

    indirecto encontra-se nos grupos das actividades operacionais.

    A DFC, quando elaborada pelo mtodo directo apresenta dentro do grupo das actividades

    operacionais, primeiro o valor referente a receita pela venda de mercadoria e servios, para

    em seguida subtrair destes os valores equivalentes ao pagamento de fornecedores, salrios e

    encargos sociais dos funcionrios bem como os impostos e outras despesas legais. O maior

    inconveniente no mtodo indirecto diz respeito dificuldade do utilizador em compreender a

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    informao apresentada. Este mtodo no apresenta os recebimentos por origem nem os

    pagamentos efectuados. Apenas os ajustamentos so indicados e estes podem ser confusos.

    Embora a elaborao da DFC pelo mtodo directo atravs do ajustamento de rubricas seja um

    pouco mais complexo do que pelo mtodo indirecto, este mostra o montante de fundos

    obtidos e utilizados nas actividades operacionais em vez de apresentar os resultados de

    reconciliao. O mtodo directo divulga apenas itens que afectaram os meios financeiros e

    ignora os restantes.

    desejvel que as empresas utilizem o mtodo directo na elaborao dos fluxos de caixa das

    actividades operacionais, dado que este proporciona informaes mais detalhadas e

    completas. Alm disso, facilita a preparao de estimativas sobre futuros fluxos de caixa, o

    que no possvel atravs da simples utilizao do mtodo indirecto.

    De acordo com Vieito (2010:6) a estimao dos fluxos de caixa futuros exige que seja

    estabelecida uma escala de reviso das condies econmicas futuras que se prev que

    venham a existir durante a vida til remanescente do activo. Para o efeito, deve ser dada uma

    forte ponderao a evidncias externas.

    1.4 DFC vs Demonstrao dos Resultados

    A demonstrao de resultados destina-se a evidenciar a formao de resultado lquido do

    exerccio, diante do confronto das receitas, gastos e despesas apuradas segundo o regime de

    acrscimo, a DR oferece uma sntese econmica dos resultados operacionais de uma empresa

    em certo perodo. Embora sejam elaboradas anualmente para fins de divulgao, em geral so

    feitas mensalmente pela administrao e trimestralmente para fins fiscais. A DR, pode ser

    utilizada como indicadores de auxlio nas decises financeiras.

    A demonstrao de resultados compara os gastos e perdas com os rendimentos e ganhos de

    um ciclo de actividade normal da empresa. uma representao dinmica, acerca da

    capacidade da empresa para gerar resultados.

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    A demonstrao de resultado efectuada com base nos gastos histricos, ou seja, gastos

    incorridos, durante um determinado perodo. Sero analisados os gastos como inventrios de

    matria-prima e consumo para a produo, gastos operacionais e outros. Os rditos

    provenientes das vendas e outros ganhos que a empresa possa ter realizado no perodo em

    questo so evidenciados para que se possa determinar o resultado operacional, financeiro e

    finalizando com o resultado liquido. A diferena entre os rendimentos totais e os gastos totais

    d-nos o resultado lquido do perodo a que a demonstrao de resultados se refere.

    A DR ilustra como variou a situao patrimonial de uma empresa durante um perodo de

    tempo (um trimestre, um semestre, um ano), ou seja, de como decorreu a actividade da

    empresa. Permite estabelecer comparaes quantitativas relativamente ao passado,

    concorrncia directa, detectar eventuais desvios entre o desempenho esperado e o real e fazer

    projeces sobre o futuro desempenho da empresa.

    A principal diferena entre a DFC e a demonstrao dos resultados reside no facto de que o

    fluxo de caixa evidencia a real situao da empresa em termos financeiros (caixa e

    equivalentes), enquanto que a demonstrao de resultado informa a situao econmica da

    empresa. A DR do exerccio evidencia o lucro ou prejuzo em determinado perodo, que

    provocar alterao no patrimnio lquido da empresa.

    1.4.1 Regime (base) de acrscimo e Base de caixa

    1.4.1.1 Regime (base) de acrscimo

    As demonstraes financeiras so preparadas de acordo com o regime contabilstico do

    acrscimo. Atravs deste regime, os efeitos das transaces e de outros acontecimentos so

    reconhecidos quando eles ocorram, sendo registados contabilisticamente e relatados nas

    demonstraes financeiras dos perodos com os quais se relacionam. As demonstraes

    financeiras preparadas de acordo com o regime de acrscimo informam os utentes no s das

    transaces passadas envolvendo o pagamento e o recebimento de caixa mas tambm das

    obrigaes de pagamento no futuro e de recursos que representem caixa a ser recebida no

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    futuro. Uma entidade deve preparar as suas demonstraes financeiras, excepto para

    informao de fluxos de caixa, utilizando o regime contabilstico de acrscimo.

    Segundo da Costa (2008:212), o balano e as demonstraes dos resultados, so preparadas

    em regime (base) de acrscimo.

    1.4.1.2 Base de Caixa

    O regime de caixa consiste na contabilizao das receitas apenas por ocasio do seu efectivo

    recebimento e da contabilizao dos gastos e das despesas somente por ocasio do seu

    efectivo pagamento em moeda corrente. A demonstrao dos fluxos de caixa tem subjacente a

    adopo de uma base de caixa.

    A regra geral a seguinte:

    A despesa s considerada despesa incorrida quando for paga, independentemente do

    momento que esta foi realizada. O que considerado aqui o momento que foi paga.

    A receita s considerada receita ganha quando for recebida, independentemente do

    momento que esta foi realizada. O que considerada aqui o momento que foi

    recebida.

    Um problema que ocorre quando dada o incio da opo pelo regime de caixa que os

    recebimentos de caixa verificados no ms podem referir-se a receitas registadas no exerccio

    anterior, portanto j tributadas pelo regime de acrscimo.

    Vantagem da base de caixa

    Numa primeira abordagem, o recolhimento de tributos pelo regime de caixa proporciona a

    reduo no valor do imposto a pagar. As empresas que vendem a prazo ganham reforo de

    fundo maneio, pois tm mais tempo para recolher o imposto. Tambm sero beneficiadas as

    empresas que possuem elevados nveis de insolvncias em suas operaes comerciais.

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    Diferena entre regime (base) de acrscimo e base de caixa

    Regime (base) de Acrscimo

    Reconhece a receita quando ocorre a venda, com entrega da mercadoria ou prestao

    do servio.

    Reconhece despesa quando incorrida, independente de ter sido paga ou no.

    Segundo Caiado (2004:27), no regime de acrscimo econmico os resultados so apurados

    mediante a comparao dos gastos e rendimentos de cada exerccio e apenas estes entram na

    sua determinao.

    Base de Caixa

    So as datas de recebimentos e pagamentos que determinam os registos.

    Se a empresa apurasse os resultados com base nos recebimentos e pagamentos, ento estaria a

    adoptar o regime de caixa.

    1.5 DFC vs Balano

    O balano d uma estimativa do valor da empresa numa determinada data, periodicidade

    mensal. uma demonstrao financeira que tem por objectivo mostrar a situao financeira e

    patrimonial de uma entidade numa determinada data representando, portanto, uma posio

    esttica da mesma.

    O Balano apresenta os Activos (Correntes e no correntes) e Passivos (Correntes e no

    correntes) e o Capital prprio, que resultante da diferena entre o total de activos e passivos.

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Ativohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Passivohttp://pt.wikipedia.org/wiki/Patrim%C3%B4nio_L%C3%ADquido

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    Para Caiado (2004:64) os valores do balano podem no representar os fluxos reais do

    perodo pelo que determinadas rubricas exigem uma anlise que pode conduzir a

    reclassificaes, por no originarem ou no serem de um fluxo de caixa.

    Exemplos:

    Reavaliao do activo uma operao puramente contabilstica que aumenta o valor

    do activo e da situao lquida. No h qualquer fluxo de entrada ou sada;

    Transferncias entre contas so operaes puramente contabilsticas, no havendo

    origem ou aplicaes de fundos. Ex: transferncia para capital social de suprimentos,

    reservas ou resultados transitados;

    Compensaes nos movimentos de uma conta algumas contas apresentam-se com

    um saldo. Deve procurar-se separar dbitos e crditos. Ex: Conta de estado e outros

    entes pblicos;

    Fuses de empresas. Os movimentos das fuses de uma empresa podem no implicar

    fluxos de fundos monetrios imediatos se, por exemplo esta se faz atravs da entrega

    das aces;

    Os impostos diferidos so custos que no tm como origem ou efeito fluxos de caixa;

    As perdas ou ganhos em investimentos por aplicao do mtodo de equivalncia

    patrimonial tambm uma rubrica da demonstrao de resultados que no tem

    impactos nos fluxos de caixa;

    No h qualquer diferena no valor econmico de um imobilizado adquirido por um

    emprstimo ou por uma locao financeira ou outro instrumento de mdio longo

    prazo;

    O IVA os recebimentos e os pagamentos de explorao, pelo que, na verdade, aos

    valores das receitas e das despesas de explorao, extrados da demonstrao de

    resultados, se deve acrescentar o IVA correspondente, o que nos obriga tambm a

    calcular o pagamento do IVA ao estado.

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    1.6 DFC vs Demonstrao de origens e aplicaes de fundos

    A DOAF um quadro de financiamento anual da empresa, onde so evidenciados, em termos

    de fluxos, os recursos que afluem empresa em cada exerccio e as respectivas aplicaes,

    assim como as variaes implcitas dos fundos correntes.

    As origens de fundos (ou fontes de fundos) so um conjunto de meios postos disposio da

    empresa (diminuio do activo, aumentos do passivo e aumentos do capital prprio) e as

    aplicaes de fundos (ou utilizaes de fundos) so um conjunto de bens e direitos adquiridos

    com a utilizao daqueles meios (aumentos do activo, diminuies do passivo e diminuies

    do capital prprio).

    Com a DOAF poderemos constatar:

    As origens e aplicaes de fundos, com caractersticas de curto prazo (at um ano) e

    de mdio e longo prazo (superior a um ano);

    O equilbrio financeiro, na medida em que dever existir um adequado ajustamento

    entre os prazos das origens e os das aplicaes. Na verdade, em prol desse equilbrio

    no conveniente que as rubricas com caractersticas de curto prazo estejam a

    financiar as de mdio e longo prazo, e vice-versa.

    A Demonstrao de Origens e Aplicaes de Recursos, tambm conhecida por Demonstrao

    de Mudanas na Posio Financeira ou ainda Demonstrao do Fluxo de Fundos, tem por

    objectivo mostrar de forma organizada e sumariada as informaes relativas s operaes de

    financiamento e investimento da empresa durante o exerccio, evidenciar as alteraes na

    posio financeira da empresa, e ainda:

    Identificar, resumidamente, as fontes de recursos responsveis pelas alteraes no

    fundo de maneio e onde esses recursos foram aplicados durante determinado perodo

    de tempo;

    Completar a divulgao sobre a posio financeira e sobre os resultados das operaes

    durante o mesmo perodo de tempo;

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    Orientar os que dela se utilizam, incluindo administradores e investidores, na tomada

    de decises de ordem econmica e financeira referente ao empreendimento.

    A DOAR possui alguns pontos comuns com a DFC, porm muito mais rica em informaes.

    A DOAR mais analtica, uma vez que mostra a posio financeira e as suas tendncias

    futuras. A DFC propicia informaes concretas, se houve ou haver dinheiro, quanto se deve

    tomar de emprstimos. A DFC um instrumento com caracterstica de curto prazo, voltada

    para o usurio interno, enquanto que ao usurio externo deixa a desejar. J a DOAR tem

    caracterstica de mdio e longo prazo, porque permite aos seus usurios perceber a poltica e a

    tendncia das empresas no futuro4.

    Vantagens e Inconvenientes da DOAR

    Vantagens

    Possibilitar um melhor conhecimento da poltica de investimento e de financiamento

    da empresa;

    Ser mais abrangente que o fluxo de caixa, por representar completamente as mudanas

    na posio financeira;

    Possuir capacidade analtica de longo prazo.

    Inconvenientes

    A falta de utilidade da DOAR parece estar ligada ao seu no entendimento;

    Trabalhar com o conceito abstracto de capital circulante lquido ou de folga financeira

    de curto prazo;

    A DOAR no essencialmente financeira, pois considera o activo circulante em seu

    todo, incluindo activos monetrios e no monetrios.

    4 http://WWW.milenio.com.br/siqueira/trab.190.doc

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    A DFC fornece melhores subsdios para as decises de investimento, com vista a sinalizar de

    modo mais claro e objectivo a situao da liquidez e solvncia da empresa.

    Enquanto a DFC compreende o movimento de fluxo de dinheiro, a DOAR volta-se para a

    movimentao ocorrida nos recursos e aplicaes permanentes, ou de longo prazo e, como

    consequncia disto, o impacto na situao financeira.

    Em suma, o balano mostra-nos a situao financeira e patrimonial da empresa, a

    demonstrao dos resultados d-nos o desempenho, ou seja, como decorreu a actividades da

    empresa e a demonstrao dos fluxos de caixa mostra-nos as alteraes na posio financeira.

    Para Vieito (2010:6) o balano descreve o valor do patrimnio da empresa num determinado

    momento esttico, a demonstrao de resultados avalia apenas quais os resultados que a

    organizao gerou num determinado momento, geralmente um ano fiscal.

    1.7 Vantagens e Inconvenientes da Demonstrao de Fluxos de Caixa

    Segundo Caiado (2004:28), a demonstrao dos fluxos de caixa proporciona algumas

    vantagens:

    Os fluxos de caixa no so afectados por certos movimentos contabilsticos,

    designadamente os registados nas contas de acrscimos e diferimentos;

    Para uma empresa sobreviver, essencial que tenha ou administre dinheiro. A

    demonstrao dos fluxos de caixa mostra a capacidade que uma empresa tem em gerar

    fluxos monetrios, bem como a qualidade dos seus resultados;

    Juntamente com o balano e a demonstrao de resultados, o mapa em causa permite

    que os utentes avaliem melhor as alteraes ocorridas na situao financeira, incluindo

    a liquidez e a solvabilidade. Possibilita ainda o clculo do valor presente dos fluxos de

    caixa futuros das empresas;

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    Os documentos de prestao de contas no tm em considerao a inflao, pelo que

    muitos procuram um padro concreto (fluxo de caixa) para avaliar o sucesso ou a

    falncia das operaes empresariais.

    A vantagem da utilizao do fluxo de caixa o de prever como se comportaro perante a

    disponibilidade de recursos e tomar algumas providncias, assim como possibitar a

    visualizao do passado e, principalmente, do futuro da empresa. Essa visibilidade permite ao

    administrador projectar, no seu dia-a-dia a realidade de caixa disponvel, podendo ento, fazer

    um planeamento muito mais eficiente.

    A demonstrao dos fluxos de caixa mostra a real condio de pagamento das dvidas;

    facilidade de entendimento pelos diversos tipos de usurios; anlise dos fluxos de caixa

    passados evidencia informaes relevantes sobre os fluxos de caixa futuros.5

    Uma das vantagens desta demonstrao facilitar a administrao financeira das empresas.

    Com ele podemos saber se os problemas financeiros tm origem no Operacional, no

    Investimentos, no Financiamentos, ou ainda numa combinao dos trs grupos.

    Inconvenientes:

    Falta de consenso sobre qual conceito de caixa utilizar (caixa, bancos e ttulos de curto

    prazo ou s caixa e bancos);

    Juno do fluxo de dividendos recebidos com o fluxo da actividade operacional, e os

    juros pagos e recebidos referentes ao fundo maneio so definidos como sendo parte do

    fluxo de caixa operacional, o que distorce a real gerao de caixa pelas operaes;

    Possibilidade de manipulao de pagamentos e recebimentos visando melhor seus

    fluxos de caixa num perodo especfico.

    5 Http://www.milenio.com.br/siqueira/trab.190.doc

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    Sendo uma metodologia baseada nos movimentos de caixa, no traduz a complexidade dos

    aspectos da gesto financeira das empresas, designadamente os que esto prximos de caixa

    ou da liquidez;

    As informaes proporcionadas pela demonstrao de fluxos de caixa so em si prprias

    limitadas. Para que se tornem teis aos leitores e analistas, o mapa deve ser analisado

    juntamente com o balano e a demonstrao dos resultados.

    A DFC e DOAR possuem como principais objectivos informar a liquidez e solvncia

    (situao financeira) das empresas, ambas surgiram em momentos especficos para atender as

    necessidades que se apresentavam e que precisavam ser supridas. Portanto, acredita-se que o

    que determina a maior utilidade de um demonstrativo a capacidade dos usurios de

    extraram as informaes de que necessitam.

    1.8 Gesto Financeira das Empresas

    A gesto financeira uma das tradicionais reas funcionais da gesto, encontrada em qualquer

    organizao e qual cabem as anlises, decises e actuaes relacionados com os meios

    financeiros necessrios actividade da organizao. Desta forma, a funo financeira integra

    todas as tarefas ligadas obteno, utilizao e controlo de recursos financeiros de forma a

    garantir, por um lado, a estabilidade das operaes da organizao e, por outro a

    rendibilidade.

    Segundo Nabais (2005:24), a gesto financeira gere as tarefas que integram a funo

    financeira. Ela abrange, essencialmente, um conjunto de tcnicas que visam a melhoria das

    decises financeiras a tomar, de forma a levar a cabo, eficazmente os objectivos da funo

    financeira.

    Gesto financeira pode ser definida como a gesto dos fluxos monetrios derivados da

    actividade operacional da empresa.

    http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/gestao.htmhttp://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/organizacao.htmhttp://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/organizacao.htm

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    Para Nabais (2005:19), o documento base de apoio da gesto financeira a curto prazo o

    oramento de tesouraria, que resume os diversos oramentos de empresa (vendas, produo,

    fornecimento e servio externos) em termos de pagamentos e recebimentos previsionais.

    1.8.1 Conceito das Empresas

    De acordo com Nabais (2005:2), a empresa um conjunto complexo e estruturado que exige

    uma direco e organizao e que exerce uma actividade remunerada atravs da produo

    e/ou distribuio dos bens e servios.

    A teoria financeira tradicional, uma variante de viso microeconmica da empresa, considera

    que o objectivo da empresa a maximizao do lucro, sendo este um factor importante que

    explica o aumento do valor da empresa. O conceito do lucro no muito relevante para a

    anlise econmica e financeira e para a gesto financeira, que se preocupa com a formao e

    montante dos fluxos monetrios e que se traduz no clculo do cash flow6.

    1.8.1.1 Ciclo das Empresas

    Segundo Nabais (2005:2), nas empresas h que distinguir trs ciclos financeiros: Ciclo de

    investimento, Ciclo de explorao e Ciclo das operaes financeiras.

    Ciclo de investimento engloba o conjunto de actividades e decises respeitantes anlise e

    seleco de investimentos ou desinvestimentos em activos fixos, assegurando desta forma a

    renovao e o crescimento da empresa.

    Ciclo de explorao corresponde ao conjunto de actividades e decises relacionadas com o

    aprovisionamento, a produo e a comercializao. Este ciclo corresponde ao consumo de

    matrias-primas, trabalho e fornecimentos diversos com o objectivo de assegurar a venda de

    bens e a prestao de servios, as operaes que correspondero aos gastos e rendimentos

    operacionais na demonstrao de resultados.

    6 Termo ingls designado em finanas por fluxo de caixa

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    No balano este ciclo provoca necessidades de recursos para financiar as dvidas a receber

    (clientes) e os inventrios e origina dbitos comerciais para com as dvidas a pagar

    (fornecedores).

    Ciclo das operaes financeiras corresponde s actividades de obteno de fundos adequados

    aos investimentos e s necessidades de financiamento do ciclo de explorao. As operaes

    financeiras dizem respeito:

    s operaes de capital em que a finalidade obter recursos estveis para o

    financiamento de activos estveis. Engloba decises financeiras derivadas de opes

    de investimento (capital fixo, participaes financeiras e fundo de maneio necessrio)

    e de opes estritamente financeiras aos fluxos financeiros autnomos e que afectam a

    tesouraria;

    s operaes de tesouraria operaes que visam gerir as disponibilidades e

    assegurar os fundos necessrios no caso de tesouraria insuficiente.

    No ciclo de operaes financeiras a empresa encaixa as receitas, paga as dvidas, procede

    distribuio dos resultados e investe em activos financeiros.

    Diversas decises empresariais so tomadas na base das disponibilidades de caixa, como o

    caso das polticas de concesso e obteno de crdito e de distribuio de dividendos. Ao

    fazer as estimativas dos futuros fluxos de caixa, os investidores e os credores esto

    interessados em conhecer o impacto que as actividades de financiamentos e de investimento

    iro ter sobre os recebimentos e os pagamentos previstos.

    Ambos os ciclos so contnuos e em determinado momento a empresa est envolvida em

    vrios ciclos de curto e longo prazo. Os ciclos financeiros de curto e longo prazo podem

    integrar dvidas a pagar e capital prprio, para alm de utilizao do dinheiro gerado pelas

    operaes.

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    1.8.2 Objectivos da gesto financeira

    Assegurar empresa uma estrutura financeira equilibrada e que no coloque a

    organizao em risco financeiro nem no curto nem no longo prazo. Este equilbrio

    pode ser medido pela comparao entre as aplicaes de capital efectuadas e as

    fontes desses mesmos capitais;

    Assegurar a rendibilidade dos capitais investidos (quer dos capitais prprios, quer

    dos capitais alheios). Esta rendibilidade pode ser verificada comparando o valor dos

    resultados obtidos com o valor dos prprios capitais investidos;

    Garantir a estabilidade das operaes da organizao assegurando a existncia dos

    capitais financeiros necessrios quer actividade corrente, quer realizao de

    investimentos em capital fixo.

    A gesto financeira tem como objectivo fundamental a Estabilidade, no sentido da no

    afectao do ciclo produtivo, por falta de pagamento e assegurar a capacidade de

    desenvolvimento da empresa concretizada no seu esforo de investimento.

    1.8.3 Gestor Financeiro

    Para uma administrao ser bem sucedida e poder alcanar seus objectivos, satisfazer suas

    responsabilidades sociais, ou ambas as coisas, ela depende dos gestores. Se os gestores fazem

    bem o seu trabalho, a organizao provavelmente atingir as suas metas. E se as grandes

    organizaes de uma nao realizam seus objectivos, a nao como toda ir prosperar.

    Para Gitman (2003:252), o gestor financeiro deve estar especialmente atento a importantes

    categorias do fluxo de caixa e a itens individuais de entrada e sada, para avaliar se houve

    qualquer desenvolvimento que seja contrrio poltica financeira da empresa.

    Para o gestor financeiro, as actividades desenvolvidas numa organizao traduzem-se num

    fluxo de entradas e sadas de dinheiro que necessrio equilibrar. O gestor financeiro

    visualiza assim a empresa como uma corrente de fluxos de caixa que importa manter sem

    rupturas. O papel do gestor financeiro seria manter o equilbrio entre os fluxos de caixa para

    http://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/organizacao.htmhttp://www.knoow.net/cienceconempr/gestao/organizacao.htm

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