Guia estudante 2011 completo

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    oA carreira do geofsicode Paulo Buarque, professor do departamento de Geologia da UFF e membro do comit gestor do CTPetro

    Guia do

    T e r c e i r a e d i o , 2 0 1 1ESTUDANTE

    Ano XIII mar/abr 2011 Nmero 77 (Suplemento Guia do Estudante) www.tnpetroleo.com.br

    NESTA EDIOA indstria do petrleo no BrasilPlataformas brasileirasCenrio do petrleo no mundoPr-sal: o presente e o futuro do BrasilBacias sedimentares brasileirasA logstica do petrleoMalha dutoviriaParque de refinoO beab da exploraoSustentabilidade e recursos energticosPersonalidades da indstria do petrleoIndstria naval brasileira

    ARTIGOSMBA em qu?, por Bianca Machado Branco

    A difcil escolha da profisso, por Joo Batista Frazo

    (No) H vagas, por Jane Cludia Queiroz dos Santos

    Engenharia est sempre na moda, por Marco Tulio Duarte Rodriguez

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    n 77

    na engenharia do petrleo

    Entrevista exclusiva

    Jos Renato Ferreira de Almeida coordenador executivo do Prominp

    Prominp: qualificao o desafio permanente

    Novos desafios

  • 2 Guia do Estudante 2011

    sumrio edio n 77 (Suplemento Guia do Estudante) maio/jun 2011

    Entrevista exclusiva

    Pesquisa e desenvolvimento

    Formao

    Especial: Mercado de trabalho

    25 Cenpes ampliado

    26 IBM ter centro de pesquisa no Brasil

    27 Suecos inauguram centro de P&D no Brasil em maio

    31 Falta de trabalhador qualificado afeta 69% das indstrias

    32 Pesquisa revela escassez de talentos no nvel tcnico

    com Fbio Fares, engenheiro naval e vice-presidente do Grupo Forship

    Mar de oportunidades

    Presena feminina no mercado de energia

    Pesquisa em parceria: os novos centros de P&D da cadeia produtiva de petrleo no Brasil

    O profissional do refino

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    Formao

    Profisses

    Profisses

    Liderana em Classificao e Certificao Offshoree-mail: [email protected] Tel: + 55 21 2276-3535

    CONSELHO EDITORIAL

    Affonso Vianna Junior

    Alexandre Castanhola Gurgel

    Andr Gustavo Garcia Goulart

    Antonio Ricardo Pimentel de Oliveira

    Bruno Musso

    Colin Foster

    David Zylbersztajn

    Eduardo Mezzalira

    Eraldo Montenegro

    Flvio Franceschetti

    Francisco Sedeo

    Gary A. Logsdon

    Geor Thomas Erhart

    Gilberto Israel

    Ivan Leo

    Jean-Paul Terra Prates

    Joo Carlos S. Pacheco

    Joo Luiz de Deus Fernandes

    Jos Fantine

    Josu Rocha

    Luiz B. Rgo

    Luiz Eduardo Braga Xavier

    Marcelo Costa

    Mrcio Giannini

    Mrcio Rocha Melo

    Marcius Ferrari

    Marco Aurlio Latg

    Maria das Graas Silva

    Mrio Jorge C. dos Santos

    Maurcio B. Figueiredo

    Nathan Medeiros

    Roberto Alfradique V. de Macedo

    Roberto Fainstein

    Ronaldo J. Alves

    Ronaldo Schubert Sampaio

    Rubens Langer

    Samuel Barbosa

    36 SPE agiliza transio de estudantes para a indstria de E&P

    48 A engenharia de petrleo como opo profissional, por Sergio Fontoura

    51 Experincia internacional diferencial na hora da contratao, por Cludio Chalom

    53 As questes-chave da economia da energia, por Helder Queiroz Pinto Junior

    03 editorial 04 hot news 42 eventos 46 produtos e servios

    55 cursos 58 feiras e congressos 59 opinio

    Geofsica e a ssmica, o comeo de tudo

    O engenheiro de petrleo:engenharia de poo, de produo e qumica

    O profissional de projeto naval e offshore

    artigos

    Ano XIII Nmero 77 maio/jun 2011Fotos: Wilson,Sons e Agncia Petrobras

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  • 2 Guia do Estudante 2011

  • Guia do Estudante 2011 3

    Rua do Rosrio, 99/7 andarCentro CEP 20041-004

    Rio de Janeiro RJ BrasilTel/fax: 55 21 3221-7500

    [email protected]

    DIRETOR EXECUTIVOBencio Biz

    [email protected]

    DIRETORA DE NOVOS NEGCIOSLia Medeiros (21 8241-1133)

    [email protected]

    EDITORABeatriz Cardoso (21 9617-2360)

    [email protected]

    EDITOR DE ARTE, CULTURA E VARIEDADES

    Orlando Santos (21 9491-5468)

    REPRTERESCassiano Viana (55 21 9187-7801)

    [email protected]

    Maria Fernanda Romero (55 21 8867-0837) [email protected]

    Rodrigo Miguez (21 9389-9059)[email protected]

    RELAES INTERNACIONAISDagmar Brasilio (21 9361-2876)

    [email protected]

    DESIGN GRFICOBencio Biz (21 3221-7500)

    [email protected]

    PRODUO GRFICA E WEBMASTERLarcio Loureno (21 3221-7506)[email protected]

    Marcos Salvador (21 3221-7510)[email protected]

    REVISOSonia Cardoso (21 3502-5659)

    DEPARTAMENTO COMERCIALJos Arteiro (21 9163-4344)

    [email protected]

    Cristina Pavan (21 9408-4897)[email protected]

    Lorraine Mendes (21 7801-7860)[email protected]

    Bruna Guiso (21 7682-7074)[email protected]

    Luiz Felipe Pinaud (21 7861-4828) [email protected]

    ASSINATURASRodrigo Matias (21 3221-7503)

    [email protected]

    CTP e IMPRESSOWalprint Grfica

    DISTRIBUIO Bencio Biz Editores Associados.

    Os artigos assinados so de total responsabilidade dos autores,

    no representando, necessariamente, a opinio dos editores.

    TN Petrleo dirigida a empresrios, executivos, engenheiros, gelogos,

    tcnicos, pesquisadores, fornecedorese compradores do setor de petrleo.

    ENVIO DE RELEASESSugestes de temas ou envio de matrias devem ser feitos via fax: 55 21 3221-7511

    ou pelo e-mail [email protected]

    O crescimento de 7,5% do Pro-duto Interno Bruto (PIB) do Brasil, no ano passado, e o ndice de 4,2% obtido no primeiro trimestre de 2011 reforam as expectativas de que o mercado de trabalho vai continuar aquecido.

    Sobretudo no setor de petrleo e gs e, consequentemente, em toda a cadeia produtiva, que engloba ainda a rea de indstria naval e offshore. Est a o fato de a atividade extrati-vista (que inclui explorao de petr-leo e gs) ter sido a responsvel pela alta do setor industrial, o qual, pela primeira vez em vrios anos, superou agricultura e servios, at ento os maiores responsveis pelo cresci-mento do PIB (ainda que pequeno) na ltima dcada.

    Todos esses nmeros e ndi-ces apenas confirmam o que vem se delineando nos ltimos anos: o crescimento da demanda por mo de obra qualificada, abrindo numero-sas oportunidades de trabalho para aqueles que esto concluindo cursos tcnicos nos mais distintos segmen-tos, assim como para os universit-rios que esto na poca de escolher sua especialidade.

    Quem apostar nas indstrias pe-trolfera, naval e offshore vai ter um incrvel leque de opes! No apenas

    as companhias de petrleo, como a Petrobras e outras que atuam no Brasil, esto sempre buscando pro-fissionais qualificados, mas tambm todas as empresas que fornecem bens e servios, dos mais simples itens s mais sofisticadas tecnolo-gias, tm uma demanda em expanso.

    Na realidade, uma demanda prestes a explodir, se, como previsto, forem acelerados vrios empreendi-mentos programados para os prxi-mos cinco anos, quando o Brasil de-ver mais do que dobrar a produo de petrleo e gs. O que demandar no somente uma infinidade de bens e servios de todos os nveis, mas, principalmente, tcnico e superior.

    Comprometida com o desenvolvi-mento do setor e com a gerao e disseminao de conhecimento (que so movidos a informao), a TN Petrleo publica uma nova edio do Guia do Estudante. Nosso objetivo mostrar como funciona e quem so os profissionais que fazem rodar as engrenagens dessa indstria que, alm de ajudar o pas a crescer, tem investido pesado na qualificao e formao de novos profissionais. Eles sero bem-vindos!

    Mercado aquecido

    Filiada

    editorial

    Lia MedeirosDiretora de Novos Negcios

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  • 4 Guia do Estudante 2011

    hot news

    Em fEvErEiro, o prEsidEn-tE da Chevron Brasil petrleo, George Buck, e o reitor da pUC--rio, padre Josaf Carlos de Siqueira, assinaram um acordo de parceria para a formao de recursos humanos adequados realidade do mercado da rea de petrleo e gs. o apoio, indito entre a universidade e a multi-nacional, da ordem de r$ 2 milhes e vlido pelos pr-ximos trs anos.

    os recursos financeiros sero aplicados na concesso de bol-sas de estudo, na criao de um programa de tutoria e no incre-mento das condies de ensaios experimentais em trs laborat-rios do Centro tcnico Cientfi-co da pUC-rio (CtC/pUC-rio), com o objetivo de dar aos alunos o acesso a equipamentos de alta tecnologia e permitir uma formao acadmica consistente e competitiva ao mercado de trabalho.

    por meio de parcerias como esta pretendemos colaborar

    com o desenvolvimento dos alunos que optam pela rea de petrleo e gs. importante termos bons profissionais for-mados para fazer frente a uma demanda de mo de obra que crescente em nosso mercado, afirma George Buck.

    sero concedidas 12 bolsas para alunos de graduao, a partir do quinto perodo, cuja elegibilidade considerar aque-les que apresentem destaque quanto ao grau do coeficiente de rendimento, com prioridade para alunos que apresentem dificul-dades quanto ao custeio das mensalidades.

    no programa de tutoria, os alunos contemplados tero um orientador cientfico, profes-sor da pUC-rio, e um mentor da Chevron, o que permitir a transferncia de conhecimentos e experincia no desenvolvimento e capacitao dos alunos. muito importante que o curso de Engenharia de petrleo tenha esse tipo de janela para o aluno, com

    temas vinculados realidade do mercado. o co-orientador atua tambm na funo de mentor, j que o trabalho ser realizado no ambiente da Chevron e pode servir como um primeiro contato com a indstria, possibilitando melhor entendimento da aplicao da disciplina no mercado de leo e gs, explica srgio fontoura, co-ordenador do curso de Engenharia de petrleo da pUC-rio.

    A compra de equipamentos contemplar trs laboratrios di-ferentes, conforme o cronograma estabelecido at 2013: mecnica das rochas, petrofsica e fluidos de perfurao e de reservatrios. A implementao do projeto vai beneficiar, de imediato, os cerca de cem alunos do curso de Enge-nharia de petrleo.

    fontoura ressalta ainda que a parceria mostra aos alunos de graduao que quem sou-ber aproveitar todos os demais recursos que a pUC-rio oferece (excelente biblioteca na rea, laboratrios e corpo docente qualificado) tem grandes chan-ces de empregabilidade em um mercado to competitivo. Ao conciliar o universo acadmico (com sua tradio na transfern-cia do conhecimento) com o da indstria (que busca solues e profissionais com caractersticas especficas), os alunos contam com um diferencial no currcu-lo, diz ele.

    Chevron fecha acordo indito com a PUC-Rio para investimento no curso de engenharia de petrleoInfraestrutura de laboratrios, bolsas de estudo e co-orientao de projetos esto entre os benefcios que sero oferecidos aos alunos da graduao. Recursos financeiros chegam a R$ 2 milhes.

    O presidente da Chevron Brasil Petrleo, George Buck, e o reitor da PUC-Rio, padre Josaf Carlos de Siqueira, durante a assinatura do acordo.

  • Guia do Estudante 2011 5

    A fAltA dE mo dE oBrA es-pecializada para algumas reas fez com que o empresrio Samuel Pinheiro, proprietrio da escola de capacitao em petrleo e gs petrocenter, apos tasse no ouro negro para ampliar os neg-cios da empresa por meio de fran-quias. segundo ele, a populao, ainda mais a de classe baixa, ga-nha a oportunidade de entrar para o mercado e de aumentar vertigi-nosamente sua renda salarial. Este setor promove a insero social e o desenvolvimento econmico do pas. o meu objetivo levar o nosso know-how neste segmento e fortalecer ainda mais o nordes-te. Em dois anos, pretendo ter 50 franquias da petrocenter em todo o territrio nacional, completa pinheiro. o investimento total do negcio pode ficar entre r$ 50 mil e 160 mil. dependendo da admi-nistrao, o retorno chega at em 18 meses. para quem busca uma rea de atuao e pensa em um negcio lucrativo, o segmento de petrleo e gs deve ser uma das opes. Existem muitas vagas e

    salrios altos, por isso a procura por cursos de especializao tem aumentado a cada dia, inclusive entre os jovens da classe C.

    outra franquia que aposta no petrleo como meio de crescimento o Curso maxx. A escola prepa-ratria para concursos pblicos tambm aproveita a oportunida-de gerada no setor para ingresso no mercado de trabalho e criou o modulo petrleo e Gs com turmas de estudo para a prova do prominp (programa de mobilizao da in-dstria nacional de petrleo e Gs natural).

    outra empresa que vem lucran-do com as oportunidades geradas pelo petrleo a sampling planeja-mento. segundo o CEo da empre-sa, fernando Quintella, somente na rea de petrleo e gs, h necessi-

    dade de 34 mil engenheiros, alm de profissionais de nvel tcnico.

    o centro de treinamento aposta na tecnologia para formar profissio-nais. A empresa passou a utilizar o Centro de simulao de Guindas-tes porturio e offshore, primeiro no Brasil com tecnologia 3d total-mente nacional desenvolvida pela empresa virtualy. o cenrio virtual conta com simuladores para ope-rao em guindastes de diferentes modelos, entre eles, o Guindaste de Bordo, portainer, ponte rolante, caminhes, alm de um simulador de combate a incndio. os equipa-mentos emitem sons e condies meteorolgicas com base em re-produes de ambientes dos portos brasileiros entre os quais esto o de santos, do rio de Janeiro e por-tocel, no Esprito santo.

    Petrleo fortalece o setor de franquias e a educaoA extrao de petrleo no pr-sal uma oportunidade para o Brasil diversificar sua economia, desenvolver-se tecnologicamente, gerar empregos e renda. Mas no s o fortalecimento desses setores que est em evidncia. O segmento de franquias e educao tambm observa a oportunidade latente.

    TN Petrleo no Twitter. Siga-nos em http://twitter.com/tnpetroleo

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  • 6 Guia do Estudante 2011

    hot news

    QUAsE dois tEros dos em-pregadores brasileiros encontram dificuldades de selecionar pessoas qualificadas para preencher cargos disponveis, segundo indica uma pesquisa realizada pela consultoria internacional de recursos humanos manpower.

    de acordo com a pesquisa reali-zada este ano, que ouviu mais de 35 mil empregadores em 36 pases, a escassez de mo de obra qualificada no Brasil s no maior do que no Japo. Entre os empresrios brasi-leiros, 64% disseram ter dificuldades para preencher suas vagas com profissionais qualificados no Ja-po, esse percentual foi de 76%. na mdia dos 36 pases pesquisados, 31% dos empregadores disseram ter dificuldades em encontrar profissio-nais qualificados.

    no mercado de engenharia, a realidade no diferente. E foi exatamente esse cenrio uma das motivaes para o estabelecimento da parceria entre EpC Engenharia, Autodesk e a faculdade pitgoras. o projeto prev a utilizao dos softwares da Autodesk nas discipli-nas dos cursos de engenharia da faculdade com o direcionamento da EpC para as necessidades do mercado.

    para isso, foram feitas reu-nies entre os coordenadores de cursos da faculdade pitgoras e os gerentes de disciplinas da EpC, nas quais foram propostos ajustes nos contedos programticos de algumas disciplinas e criao de matrias optativas voltadas para o segmento, segundo o gestor estratgico de pessoas da EpC, Carlos scoli.

    o diretor de produo da EpC, Wilmar ruas, acredita que, alm

    do interesse de capacitar novos profissionais, essa seja uma forma de cumprir a misso social da EpC de aproximar a empresa da faculdade. samos da posio cmoda e espectadora de ficar s demandando e reclamando da falta de mo de obra qualificada. temos que assumir nossa responsabili-dade social e nos colocar como agente de mudana, avaliou.

    Como ser na prtica por meio da parceria, os laboratrios de engenharia vo ser equipados com os softwares da Autodesk com aplicao no mercado de engenha-ria. Alm disso, o aluno vai receber login e senha para fazer o download gratuito dos softwares no computador pessoal.

    de acordo com o gerente de marketing da Autodesk, mrcio r. pinto, a utilizao dos mais de 20 softwares da Autodesk vai permitir aos alunos da faculdade pitgoras manter relaes com estudantes do mundo inteiro, promovendo troca de conhecimento e de experin-cias. Entre os softwares disponveis esto revit, Civil 3d, AutoCAd, inventor e navisworks.

    Cerca de 30 professores sero treinados por consultores da Autodesk at o final do ano. de incio, sero beneficiados seis mil

    estudantes das turmas de Belo Horizonte, Betim e ipatinga.

    Acio lira, coordenador do Comit Acadmico do Conselho de Administrao da Kroton Educacio-nal, grupo detentor da faculdade pitgoras, acredita que, ao usar a tecnologia da Autodesk e o referen-cial de mercado da EpC, o grande beneficirio ser o aluno, que vai ter acesso em casa e na faculdade a softwares de cunho profissional. Comeamos com trs unidades, mas a meta atingir, ao final de 2011, as 18 unidades do grupo que tm cursos de engenharia, alcan-ando 12 mil alunos, explicou.

    os coordenadores dos cur-sos de engenharia da faculdade pitgoras tero link direto com os gerentes das mesmas disciplinas da EpC para trocar experincias e discutir melhorias na grade curri-cular, com base nas reais necessi-dades do mercado.

    Wilmar informou que a EpC tem interesse em absorver os melhores alunos. vamos fomentar concursos e disputas para os estudantes para reduzir a distncia entre o que feito na empresa e o que aprendido na faculdade. E queremos levar adiante o projeto. A EpC preten-de levar esse modelo para outras faculdades, destacou.

    Parceria para capacitar alunos de engenharia deve ajudar a reduzir a falta de mo de obra especializadaEPC Engenharia, Faculdade Pitgoras e Autodesk firmam parceria que vai atingir 12 mil alunos de engenharia e aproximar a teoria da prtica de mercado.

    Representantes da EPC Engenharia, da Faculdade Pitgoras e da Autodesk durante do evento do acordo de parceria.

  • Guia do Estudante 2011 7

    ExistEm poUCAs mAnEirAs de subir em um corpo cilndrico de mdia ou grande altura. o trabalho pode ser feito com escadas convencionais (com ou sem apoio prprio) ou mesmo com o auxlio das mos e ps. sendo que as escadas convencionais no oferecem a aderncia e a estabilidade necessrias, e a subida por meio de mos e ps ne-cessita de certo grau de conhecimento, equipamento de apoio e depende de grande esforo fsico.

    portanto, em qualquer uma das duas formas existentes hoje no mercado, no possvel garantir segurana alguma ao seu usurio, o que pode gerar diversas complicaes, fraturas e machucados, podendo lev-los at a morte.

    o projeto desenvolvido pelo inven-tor Oliveira Marcos Vicente Moncada foi denominado degraus autossusten-tveis para subida em corpos cilndri-cos de mdia ou grande altura, com o objetivo de promover maior agilidade e eficincia, diminuindo o esforo e o tempo, alm de garantir a segurana do usurio em exerccios similares.

    os degraus possuem design estru-tural leve para permitir sua mobilida-de; sua estrutura adere com grande presso ao corpo no qual estiver sendo usada, presso produzida pela sua forma de alavanca; completa o apoio com pequenos ressaltos da corrente e da base inferior, alm de ser comple-tada por cordis ligados a um cinto de utilidades que facilita o movimento de subida e descida.

    segundo o inventor: A estru-tura dos degraus autossustentveis foi elaborada de maneira simples e funcional, facilitando sua utilizao,

    transporte e, at mesmo, sua acomodao. Este projeto torna-se indispensvel em stios, fazendas, estradas e quar-tis!, afirma. E agrega diversas vantagens, entre

    elas: praticidade, facilidade, agilida-de, conforto, evita danos e acidentes,

    tudo isso com um excelente custo/benefcio.

    por isso, oliveira est em busca de parceiros para o desenvolvimento de modelos. Com patente requerida em todo o territrio brasileiro, o inventor busca negoci-la ou obter parceria entre empresas especializadas em equipa-mentos de segurana, para criar mode-los, realizar testes e industrializ-la.

    Empresrios interessados em inves-tir no produto devem entrar em contato com a Associao nacional dos inven-

    tores, pelo telefone (11) 3873-3211.

    O PROGRAMA NOVOS TALENTOS, da Shell, vai recrutar, at o dia 27 de junho, recm-formados e universitrios prestes a se formar interessados em trabalhar na empresa. O processo destinado a jovens graduados entre dezembro de 2009 e dezembro de 2011.

    O salrio varia a partir de R$ 4,5 mil, para oito horas dirias. Ao todo so 12 vagas, distribudas entre os cursos de ad-ministrao, economia, geologia, engenha-ria de petrleo, civil, mecnica, produo e qumica. Os selecionados vo atuar nos negcios de Explorao e Produo, Lubri-ficantes e Finanas da empresa. Uma das vagas ser para trabalhar no escritrio da Shell em So Paulo. As demais oportuni-dades so destinadas sede e fbrica da empresa no Rio de Janeiro.

    Nossa grande vantagem em relao maior parte dos programas de trainee do mercado que, no Novos Talentos os

    selecionados j entram como funcionrios, com contrato por prazo indeterminado, destaca a analista de Recursos Humanos da Shell, Luiza Corra.

    A empresa tambm oferece como vantagens a possibilidade de desenvol-

    ver uma carreira internacional, diversos treinamentos, horrios flexveis e a oportunidade de colaborar nos projetos sociais desenvolvidos pela Shell. As inscries devem ser feitas pelo site www.shell.com.br/rh.

    PROGRAMA NOVOS TALENTOSProcesso seletivo Inscries online (at 27/06); Anlise qualitativa da ficha de ins-crio (2 quinzena de junho); Testes de Ingls, Conhecimentos Gerais e Lgica - via internet (1 quinzena de jullho); Laboratrio de Competncias (2 quinzena de julho e 1 quinzena de agosto); Entrevistas Indi-viduais (2 quinzena de agosto); Assess-ment Center: SRD - Shell Recruitment Day (a partir da 2 quinzena de agosto).Exame Mdico / Admisso (A partir da primeira quinzena de setembro). Incio a partir de outubro. Para os candidatos que

    residem em local diferente da vaga, o incio ser a partir de janeiroInformaes Perfil do candidato: univer-sitrio ou recm-formado; Concluso da graduao: dezembro de 2009 a dezembro de 2011; Ingls avanado; Conhecimentos no Pacote Office; Cursos: Administrao, Economia,Geologia e Engenharias de Pe-trleo, Civil, Mecnica, Produo e Qumica; Inscries at 27 de junho de 2011Benefcios Plano de Sade Bradesco; Plano Odontolgico Bradesco; Seguro de Vida; Tquete Refeio; Adicional por tempo de servio; Plano de Previdncia Privada.

    Degraus autossustentveis para subir em postes

    Shell abre vagas para universitrios e recm-formados

    Projeto promove maior agilidade, eficincia e segurana na hora de subir em corpos cilndricos de mdia ou grande altura.

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  • 8 Guia do Estudante 2011

    Em mEio s notCiAs de sobrecarga no sistema eltrico e apages, a Cmara de Comrcio e indstria Brasil-Alemanha de so paulo, em parceria com a vdi--Brasil (Associao de Engenhei-ros Brasil-Alemanha), realizar, de maio a outubro, o curso de eficin-cia energtica European Energy manager (Eurem) em so paulo. A iniciativa conta com o apoio do ministrio da Economia e tecnolo-gia da Alemanha (BmWi) e da GiZ (Agncia Alem para Cooperao internacional).

    desenvolvido por engenheiros alemes e ministrado para mais de mil alunos da Europa desde 2003, o curso foi desenvolvido como um programa de treinamento para gestores de energia. Hoje, o Eurem

    funciona regularmente e em alto nvel, em 12 pases europeus, como um curso de qualificao padro na rea de gesto de energia. A Unio Europeia (UE) tem como meta melhorar em 20% a eficincia energtica at 2020 e a Alemanha tem papel importante nesse quadro. Alm de aderir meta da UE para 2020, o pas desenvolveu um plano nacional com o objetivo de reduzir o consumo de energia em 80% at 2050, comeando pelos sistemas de aquecimento e isolamento trmico das construes, que respondem sozinhos por 85% dos gastos com energia nos lares alemes.

    os esforos da Cmara e do ministrio da Economia e tecnolo-gia da Alemanha para implemen-tar o curso no Brasil buscam au-

    mentar a cooperao tecnolgica Brasil-Alemanha, contribuir para melhorar a eficincia energtica no Brasil e posicionar a Cmara como centro de competncia e de especialistas em eficincia energ-tica e energias renovveis, afirma ricardo Ernest rose, diretor do departamento de meio Ambiente, Energias renovveis e Eficincia Energtica da Cmara Brasil--Alemanha.

    Com durao de seis meses e 350 horas, o Eurem foi totalmente adaptado realidade brasileira a fim de ajudar profissionais de empresas instaladas no Brasil a implementar um moderno sistema de gesto de energia e aumentar a eficincia energtica para, consequentemente, reduzir os custos de produo e contri-buir de forma ativa na gesto ambiental.

    o curso destina-se a profissio-nais que estejam envolvidos com o tema da energia ou que preten-dam adquirir conhecimentos para implantar projetos nessa rea. o certificado de especializao vlido no Brasil e em toda Unio Europeia.

    mais informaes sobre o curso: http://www.ahkbrasil.com/Eurem/.

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    Curso sobre eficincia energtica no Brasil

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    www.tnpetroleo.com.br

  • Guia do Estudante 2011 9

  • entrevista exclusiva

    10 Guia do Estudante 2011

    oportunidades

    Fbio Fares, engenheiro naval e vice-presidente do Grupo Forship

    Foi em guas muitas vezes turbulentas, de raras calmarias, em guas rasas e profundas que o engenheiro naval Fbio Fares consolidou uma trajetria bem-sucedida.

    por Cassiano Viana

    FORMADO PELA UNIVERSIDADE Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com ps-graduao em Engenha-ria de Sistemas de Computao (Coppe-UFRJ), Fares iniciou sua carreira no Lloyd Brasileiro, em 1976, e participou da fase urea dos estaleiros nacionais, na dcada de 1970. Coordenou projetos ainda na Diretoria de Engenharia Naval da Marinha do Brasil (DEN) e viu a der-rocada da indstria naval brasileira no incio da dcada de 1990 at que decidiu criar sua prpria empresa.

    Ao fundar a Forship Engenharia, em 1998, Fares deu um passo impor-tante para criar uma nova cultura no Brasil: a da engenharia de comissio-namento, processo de gesto pri-mordial para o sucesso de qualquer empreendimento que abranja plantas industriais complexas de parques industriais, refinarias e siderrgicas a plataformas de petrleo.

    Hoje, comissionamento e Forship so palavras indissociveis. Com sede no Rio de Janeiro e amplo portflio de projetos em quase todos os conti-

    nentes Amricas, Europa, frica e sia , a Forship tornou-se referncia internacional nesse segmento. Mais ainda: uma empresa na medida certa para quem gosta de desafios. Nada mais natural que se tornasse uma alia-da estratgica na formao de novos recursos humanos, em parceria com a Universidade Federal de Rio Grande (Furg), onde hoje est em expanso um novo polo da indstria naval.

    TN Petrleo A Forship recente-mente estabeleceu um protocolo de cooperao com a Universidade Federal de Rio Grande (Furg) para a realizao de cursos e desenvol-vimento de disciplinas relacionadas ao tema comissionamento. Qual a importncia das parcerias entre empresas e universidades?

    Fbio Fares A universidade sempre vai ter um papel fundamental na gerao do conhecimento e no desenvolvimento do pas. E por mais que se busque maior proximidade com a indstria, com as empresas, eu particularmente defendo que ela

    a Academia no pode abrir mo do seu princpio conceitual indepen-dente. J a empresa, por sua vez, deve ter o compromisso de treinar continuamente seus colaboradores, cumprindo um papel complementar na formao de quadros. A demanda por mo de obra qualificada motiva as empresas a buscarem profissio-nais nas universidades e escolas tcnicas. Devido ao momento atual da economia, temos de contribuir para acelerar essa capacitao. Esse o principal objetivo dessa parceria.

    Mas o ensino tcnico, ao que parece, tem sido cada vez mais valorizado.

    Sim. Hoje temos melhores oportunidades de trabalho e boas remuneraes para o profissional de nvel mdio. A quantidade de escolas tcnicas sendo abertas nos ltimos anos bastante repre-sentativa. Num pas estagnado, o profissional com nvel superior tem mais oportunidades. Mas o pas est crescendo, temos um cenrio promissor pela frente. Hoje, h

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  • Guia do Estudante 2011 11

    A UNIVERSIDADE NO , NA INDSTRIA DO

    PETRLEO, GS, NAVAL E OFFSHORE,

    O NICO CAMINHO, O NICO PERCURSO, OU UMA REGRA PARA UMA

    CARREIRA BEM-SUCEDIDA.

    demanda tanto por profissionais tcnicos como de nvel superior. Se levarmos em considerao o universo de um epecista ou de uma construtora, para cada engenheiro voc precisa de cinco a dez, ou mais, colaboradores tcnicos. E qualquer investimento em educa-o, em qualquer nvel, de uma es-cola tcnica e profissionalizante ao universitrio, um grande negcio.

    A universidade continua sendo a porta de entrada?

    A universidade no , na indstria do petrleo, gs, naval e offshore, o nico caminho, o nico percurso, ou uma regra para uma carreira bem--sucedida. Temos muitos diretores na Forship que passaram, num primeiro momento, pelo nvel tcnico, Cefets e outras instituies, e que depois vieram a fazer engenharia; e tambm temos muitos tcnicos de nvel mdio fazendo trajetrias muito bem-su-cedidas profissionalmente. O ensino tcnico hoje valorizado, h maiores oportunidades e melhores salrios e

    condies de trabalhos que antiga-mente. O Programa de Mobilizao da Indstria Nacional de Petrleo e Gs Natural (Prominp) tem dado uma contribuio fantstica nesse sentido, no somente na valorizao, mas tambm na formao de recursos para a indstria de leo e gs em todas as reas.

    Qual o tamanho do mercado de trabalho no setor?

    O Brasil vive um momento muito especial de desenvolvimento. E em

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  • entrevista exclusiva

    12 Guia do Estudante 2011

    um pas em crescimento, a enge-nharia uma atividade de grande demanda. O mercado, porm, tem dois tamanhos: um que est no papel, no planejamento estratgico das empresas; e outro que est se traduzindo em realidade. E esse descompasso entre o previsto e o realizado vai influenciar diretamente na formao de recursos humanos. A perspectiva de uma demanda crescente de mo de obra, mas esse processo ainda est lento, pois muitos projetos ainda no saram no papel, o que acaba gerando certa ansiedade. Teremos ou no pro-fissionais qualificados para tocar-mos os projetos? Por outro lado, obviamente, as empresas precisam trabalhar de olho no futuro, nas demandas futuras. O ideal que a formao esteja sincronizada com a demanda real, no s a planejada. O Estado brasileiro, historicamen-te, tem uma dvida enorme com a educao. De qualquer forma, h uma acelerao da qualificao de mo de obra. Governo, empresas e instituies de ensino esto todos se movendo nesse sentido.

    Para a engenharia, qual o impacto da falta de mo de obra?

    terrvel. Em primeiro lugar, porque a imprevisibilidade inflacio-na os salrios. Para o setor como um todo, isso bem complicado,

    principalmente para as empresas, levando em considerao a for-mao dos preos dos servios. Fica difcil fechar a equao da competitividade. Fica complicado para o planejamento econmico das empresas definir qual o salrio real dos profissionais. O outro ponto a qualidade do trabalho, pois voc acaba tendo profissionais qualificados mas inexperientes, ou alocando profissionais de outros setores. O que, por um lado, um motivador de capacitao, uma vez que obriga as empresas a realiza-rem mais treinamentos. Por fim, h o risco de voc no conseguir, de forma alguma, nem pelo salrio mais absurdo, garantir em tempo hbil a mo de obra necessria para os projetos. Isso pode provocar o atraso de projetos, comprometer a capacidade de entrega do produto que voc vendeu. Com isso, toda a cadeia sofre, do epecista ao opera-dor, passando pelos fornecedores de bens e servios.

    Na rea de comissionamento, a Forship est iniciando a formao de profissionais no pas?

    Evidentemente, o comissio-namento j existe muito antes da Forship, mas no de maneira sistemtica e empresarial. O comissionamento a mistura de uma viso sistmica de projeto

    com teste e operao; precisa ter (e aplicar com disciplina) metodo-logia, procedimentos, capacidade de anlise, conhecimento da planta no abstrato e ainda fazer ver isso ao vivo, no campo, operar, ter pra-zer em sujar a mo de graxa para cuidar da qualidade de cada objeto operacional.

    preciso o conhecimento de projeto, mas fundamental tambm ter um DNA de operador e sonhar com a operabilidade. O comissio-namento uma transio do papel para a operao. Trata-se de um profissional com vocao para fazer o encontro do abstrato com o con-creto. O melhor perfil do engenhei-ro de comissionamento aquele que tem uma formao tcnica de background. O ideal conseguir um encontro entre a formao superior com a formao tcnica. O melhor perfil do tcnico de comissionamen-to aquele tem bom desempenho tanto no campo quanto no papel. E paixo: um trabalho interessan-tssimo tornar uma planta industrial pronta para operar, v-la sair do papel e entreg-la ao operador em plenas condies de operabilidade.

    Qual o horizonte para o profissional de comissionamento no Brasil?

    O passado j era interessante. O presente muito bom. Temos profissionais bem remunerados nessa rea. Penso que o futuro cada vez mais interessante, at mesmo pela demanda crescente por esse profissional, devido aos vrios empreendimentos que esto sendo feitos ou programados. Alm disso, a cultura de comissionamento vem se consolidando cada vez mais: as empresas e os epecistas trabalham mais e mais com a viso sistem-tica e conceitual que caracteriza a engenharia de comissionamento. Portanto, uma rea que tem tudo para continuar crescendo e remu-nerando bem seus profissionais.

    O IDEAL QUE A FORMAO ESTEJA

    SINCRONIZADA COM A DEMANDA REAL,

    NO S A PLANEJADA. O ESTADO BRASILEIRO,

    HISTORICAMENTE, TEM UMA DVIDA ENORME

    COM A EDUCAO. DE QUALQUER FORMA,

    H UMA ACELERAO DA QUALIFICAO

    DE MO DE OBRA. GOVERNO, EMPRESAS

    E INSTITUIES DE ENSINO ESTO

    TODOS SE MOVENDO NESSE SENTIDO.

  • Guia do Estudante 2011 13

    de volta ao eldorado

  • 14 Guia do Estudante 2011

    A participao da mulher no setor de energia, especialmente no segmento de petrleo

    e gs, j uma realidade no Brasil h alguns anos. Hoje comum ver mulheres

    desempenhando as mais variadas funes, de soldadoras nas plataformas ou nos campos

    terrestres at os mais altos cargos executivos. A sensibilidade e competncia feminina j

    so reconhecidas no mercado de trabalho que, cada vez mais, tem dado uma posio de

    destaque s profissionais mulheres, sendo hoje um tema recorrente no setor de leo e

    gs no mundo inteiro.

    mercado de trabalho

    Presena

    14 Guia do Estudante 2011

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  • Guia do Estudante 2011 15

    Um levantamento rea-lizado em 2010 pela Catho, em mais de cem mil empresas, revela que as mulhe-res ocupam cargos

    mais altos em empresas conside-radas de pequeno porte (menos de 50 funcionrios). Quase 30% dessas empresas em todo o pas possuem mulheres em cargos de presidncia ou gerncia. no en-tanto, esse nmero cai para 12,86% quando consideradas as empresas que possuem acima de 1,5 mil fun-cionrios.

    outra pesquisa realizada um ano antes pela mesma empresa revelou a participao histrica das mulheres nos nveis hierrqui-cos mais altos: 20,56% em 2009, enquanto que em 1997 o nmero era de 10,39%. foi o maior per-centual registrado nos ltimos 11 anos. nos cargos de gerncia, as mulheres mantm tendncia de crescimento gradativo. para car-gos de gerncia e superviso, os ndices passaram de 15,61% para 32,03%, e de 28,85% para 44,68%, respectivamente.

    E ainda, constata-se maior par-ticipao feminina nos cargos de chefia (24,76% para 40,54%), en-

    carregado (36,78% para 53,49%) e coordenador (36,95% para 53,89%), principalmente em empresas de grande e mdio porte.

    depois de dilma rousseff ter se tornado a primeira mulher a assu-mir a presidncia do Brasil, o tema tem sido amplamente discutido no pas e este, no mbito dos neg-cios, tem, nos ltimos anos, olhado para as mulheres com outros olhos.

    Petrleo na veiapara a diretora da Agncia na-

    cional do petrleo, Gs natural e Biocombustveis (Anp), Magda Chambriad, o setor de petrleo e gs precisa de pessoas compe-tentes, criativas, com esprito de liderana e sem medo de assumir posies chaves e, segundo ela, as mulheres esto prontas para atuar muito bem neste mercado.

    Engenheira civil pela Univer-sidade federal do rio de Janeiro (UfrJ) e ps-graduada em enge-nharia qumica pela Coppe/UfrJ, magda fez engenharia de reser-vatrios e avaliao de formaes na Universidade Corporativa da

    petrobras. Entrou na petrobras como engenheira estagiria em 1980, e ficou na estatal at 2002, passando pelas reas de engenha-ria de reservatrios, atuando na superviso e controle de projetos, rea de produo e por ltimo na rea de novos negcios de ex-plorao e produo, trabalhando na negociao de blocos explorat-rios, campos de petrleo maduros e campos em desenvolvimento.

    Com grande experincia no se-tor, em 2002, a executiva foi para a Anp, onde se mantm at hoje. Entrou como assessora da diretoria, mas passou ainda pela superin-tendncia de explorao (sEp), a superintendncia de definio de blocos (sdB), atuou como co-ordenadora tcnica no processo seletivo da Anp no segmento de explorao e produo de petrleo e gs natural, e hoje diretora da entidade.

    na petrobras, onde trabalhei por muitos anos, convivi com mu-lheres muito competentes. sei que hoje muitas delas ocupam cargo de chefia. Aqui na Anp tambm tenho na minha equipe e em outros setores da agncia um grupo de mulheres com todas as condies de desempenhar suas funes em

    femininano mercado de energia

    Guia do Estudante 2011 15

    por Maria Fernanda Romero

  • 16 Guia do Estudante 2011

    qualquer empresa privada, seja no Brasil ou no exterior, conta magda.

    A executiva afirma ainda que assim como acontece com jovens do sexo masculino, as jovens mu-lheres que esto ingressando no mercado agora devem ser vistas como possveis candidatas a cargos executivos. no se trata de pri-vilegiar as mulheres simplesmen-te porque so mulheres, mas sim de investir no futuro da empresa ou da instituio pblica, dando condies s jovens de crescerem profissionalmente, assumindo res-ponsabilidades e desafios que no final das contas so os mesmos enfrentados pelos homens, indica.

    Da terra ao marnas indstrias pesadas, como

    a naval, ainda comum se estra-nhar mulheres frente de algu-mas atividades, mas a presena feminina garantida. E elas no se encontram apenas na rea de soldagem ou nas atividades mais pesadas, as mulheres tambm j so destaque em cargos altos do setor, como o caso de solange Aversa, gerente de recursos Hu-manos da Companhia Brasileira de offshore (CBo), brao de na-vegao do Grupo fischer.

    formada em filosofia, servio social e psicologia, solange diz que entrou no segmento meio por acaso. sua histria comeou h 24 anos, quando, j formada, foi trabalhar como assistente social numa empresa de navegao e simplesmente se apaixonou em trabalhar com martimos. naquela poca, eles trabalhavam nove me-ses por trs de descanso. Era uma vida dura e, durante este perodo, nasciam e morriam filhos, esposas, mes etc., o meio de comunicao era precrio e eu participava ati-vamente dessa dolorosa atividade. Com o passar do tempo, senti a necessidade de cursar psicologia para aprimorar meus conhecimen-tos e para atender a esses seres profissionais especiais, disse so-lange, complementando que hoje no sabe fazer nada melhor do que lidar com o ser humano.

    Ela explica que ser uma mulher executiva saber conviver com a dura jornada tripla: me, mulher, executiva, mas que apesar de tudo isso as mulheres conseguem se sair muito bem em suas atividades. Em sua maioria, as mulheres so persistentes, dedicadas, corajosas e disciplinadas, e se cobram mui-to em suas funes, tanto como executivas quanto mes, por isso

    tendem a procurar, constantemen-te, desenvolvimento e aperfeioa-mento, aponta.

    E ela explica que exatamente essa gesto competente e profissio-nal acompanhada de dedicao, sensibilidade e intuio que faz a vantagem feminina no mercado de trabalho. Esses atributos podem ser um diferencial no momento de tomar decises, de liderar grupos e de pensar em um projeto, afirma.

    Questionada sobre como lidar com o universo majoritariamen-te masculino, em estaleiros, e de martimos, a gerente da CBo con-ta que no v muitos problemas e que nunca passou por situao preconceituosa ou algum momento em que percebeu ser discriminada por ser mulher e/ou estar no cargo que est. para mim muito fcil. nunca tive problema srio... bem verdade que s vezes existem di-vergncias de opinies e condutas, mas nada que no haveria, penso eu, se eu fosse do sexo masculino. mas, certo, utilizo o cargo contri-buindo para humanizar o relacio-namento entre as pessoas, formar lderes conscientes e criar uma co-munidade com energia positiva, ressalta, dizendo que sempre foi muito respeitada e solicitada do ponto de vista profissional.

    para solange, o maior desa-fio dessa atuao manter uma equipe equilibrada sem esprito de competio e sim de unio e enriquecimento, profissional e pes-soal, num ambiente com homens (mais racionais e concretos) e mu-lheres (intuitivas, espiritualizadas e sensveis), com atributos muito diferentes e que se completam.

    de acordo com a gerente, es-tamos numa nova etapa dentro da trajetria de conquistas das mu-lheres e que isto sinal de que o mercado de trabalho est acompa-nhando a modernizao dos con-ceitos e a ascenso profissional da

    Na sua maioria, as mulheres so per-sistentes, dedicadas,

    corajosas e disciplinadas, e se cobram muito em suas funes, tanto como exe-cutivas quanto mes, por isso tendem a procurar, constantemente, desenvol-vimento e aperfeioamento.

    SOLANGE AVERSA,gerente de Recursos Humanos da

    Companhia Brasileira de Offshore (CBO)

    mercado de trabalho

  • mulher. A sociedade hoje mais sensvel. Creio que as mulheres tm atributos da personalidade que podem ser um diferencial. A mulher intuitiva, espiritualizada, consegue fazer vrias coisas ao mesmo tempo (isso j comprovado cientificamente) e no gosta de autoritarismo, finaliza.

    Desafiar o tempo A cobrana do tempo entre fam-

    lia e negcios , para ela, o principal desafio do dia a dia. Economista, com mestrado em tecnologia da energia e do meio ambiente pelo imperial College, Universidade de londres, inglaterra, sylvie dApote scia diretora da Gas Energy s/A, empresa de assessoria nos setores de gs natural, petrleo e energia no Brasil e Conesul e diz que sua maior preocupao no se sentir sempre culpada por no dedicar tempo su-ficiente famlia ou de no dedicar

    energias suficientes ao trabalho. Eu me cobro muito e acabo me dando sempre objetivos bem altos, por isso vivo estressada. Acho que isso um trao de muitas mulheres executi-vas, afirma sylvie.

    Ela conta que bem cansa-tivo lidar com famlia e trabalho

    ao mesmo tempo, e percebe que leva para o trabalho preocupaes que seus colegas homens no tm. mas vejo tambm que h uma maior compreenso e aceitao pelos meus colegas homens das minhas duplas responsabilidades. tenho a sorte de ter um marido

    Eu me cobro muito e acabo me dando sempre objetivos bem altos. Acho que isso

    um trao de muitas mulhe-res executivas. A situao bem melhor hoje que na poca da minha me, mas ainda h muito caminho pela frente. Estou segura de que nossas filhas vivero num mundo mais igualitrio.

    SyLVIE DAPOTE,scia diretora da Gas Energy S/A

    presena feminina no mercado de energia

  • 18 Guia do Estudante 2011

    muito participativo em casa. os homens esto mudando, certo?, ressalta a executiva.

    sylvie diz que sua entrada no mercado de energia foi uma mis-tura de acaso, no incio, e de de-ciso, depois. Certa dose de acaso entrou na escolha do mestrado na inglaterra. Entre todos os cursos sobre economia e meio ambiente, escolhi este do imperial College sobre energia e meio ambiente por ser multidisciplinar e muito mais aplicado que outros mestrados. Gostei muito do tema da energia e decidi ficar neste segmento como consultora. Estou at hoje, e no me arrependo, assegura.

    A executiva considera que a si-tuao atual de grande crescimento da mulher no mercado de trabalho, com a ascenso da primeira presi-dente mulher no Brasil, a conti-nuao de uma trajetria de peque-nas conquistas do dia a dia durante anos e anos. E essa conquista vem lentamente levando as mulheres a ter igualdade de oportunidade com os homens. Acho que a situao bem melhor hoje que na poca da minha me, mas ainda h muito caminho pela frente. Estou segura de que nossas filhas vivero num mundo mais igualitrio, no qual uma mulher presidente ou CEo

    de empresa sero a norma e no a exceo, salienta sylvie.

    Mercado aquecidoComo todos sabem, o setor de

    petrleo e gs a bola de vez. um segmento com uma caracterstica que abre inmeras oportunidades de desenvolvimento para profis-sionais de diferentes formaes. isso porque, desde a explorao do recurso natural, passando por toda a cadeia produtiva, at o con-sumo final dos derivados, existem vrias atividades que geram opor-tunidades para engenheiros(as), gelogos(as), bilogos(as), econo-mistas, projetistas, profissionais das reas de comunicao, transporte, meio ambiente e servios em geral.

    para Gilda Bouch, gerente tcnica da Gas Energy s/A, esse um momento especial para pes-soas formadas em engenharia, em especial, em engenharia qumi-ca, na qual ela formada. Esta uma modalidade de engenha-ria que possui amplo espectro de atuao. Alm disso, os cursos de ps-graduao podem fornecer a especialidade desejada para atuar num segmento especfico, indica.

    Com mestrado em engenharia qumica na Coppe (Coordenadoria de programas de ps-graduao em

    Engenharia da Universidade federal do rio de Janeiro) e mBA executivo na Coppead (instituto de ps-gradu-ao e pesquisa em Administrao da Universidade federal do rio de Janeiro), Gilda acredita que a en-genharia qumica uma profisso promissora, mas que se encontra numa fase de maturidade e no de crescimento muito acelerado.

    para ela, dentro deste mercado e de outros, as mulheres possuem vantagens como: responsabilidade, organizao e intuio. partindo do princpio de que homens e mulhe-res se equivalem intelectualmente, acho que a mulher, de modo geral, apresenta como vantagem um timo equilbrio dessas trs caracters-ticas fundamentais para um bom posicionamento no mercado de trabalho. segundo a executiva, esses trs elementos combinados resultam numa grande eficincia, com uma leveza que nem sempre o mundo masculino permite. Creio que isso faz a diferena, conclui.

    diante de todas essas caracte-rsticas positivas da mulher e da quebra de paradigmas, ela est crescendo e se destacando cada vez mais no mercado de trabalho. Gilda se lembra de um dos vrios episdios preconceituosos por que passou no comeo da careira: Um colega (homem, bvio) me disse a seguinte prola: fulano da empre-sa tal comentou que sua participa-o na reunio de negociao foi muito boa, pois teve a impresso que estava lidando com um ho-mem. depois do primeiro choque e revolta com o comentrio, termi-nei por perceber que, na verdade, se tratava de um elogio, conta a executiva.

    Embora tal episdio tenha ocor-rido h mais de dez anos, Gilda considera que o cenrio j mudou bastante, mas ainda se encontra esse tipo de reao, que mesmo como brincadeira tem um fundo

    Partindo do princ-pio de que homens e mulheres se equiva-lem intelectualmente,

    acho que a mulher, de modo geral, apresenta como van-tagem um timo equilbrio entre responsabilidade, organizao e intuio, caractersticas fundamentais para um bom posicionamen-to no mercado de trabalho.

    GILDA BOUCH,gerente Tcnica da Gas Energy S/A

    mercado de trabalho

  • Guia do Estudante 2011 19

    de preconceito. nesses casos, o importante a mulher se posicio-nar de forma correta e com firmeza para no permitir que o preconcei-to se estabelea, sugere.

    Fazendo a diferenarealizada e bem sucedida pro-

    fissionalmente, Cristina pinho, gerente geral de operaes e ma-nuteno da petrobras, defende e muito o crescimento feminino no mundo dos negcios, e ressalta: A mulher pode contaminar de forma positiva o ambiente de trabalho com mais delicadeza, empatia pelo prximo e equilbrio entre a jornada e a vida pessoal.

    segundo ela, hoje as mulheres so bem preparadas e muito dedicadas durante o perodo de estudos, assim como no trabalho. Alm disso, reco-nhece ainda a contribuio da matu-ridade masculina, j que o homem passou a dar o devido valor mulher e sua competncia, abrindo espaos em seus grupos antes fechados.

    temos tambm educado de for-ma diferente nossos filhos homens,

    dando o exemplo, mostrando que podemos e somos to competentes quanto eles. E educando nossas filhas mulheres, mostrando que elas podem ser o que sonharem ser, complementa.

    Apesar disso, a executiva lem-bra que j passou por alguns pre-conceitos em funo de seu cresci-mento e ascenso profissional: H alguns anos percebi muito bem que um gerente meu subordinado tinha

    muita dificuldade de me aceitar por eu ser mulher. Eu o transferi para outra unidade.

    formada em engenheira me-cnica, Cristina diz que sempre gostou de fsica, mecnica e mate-mtica e a escolha pela petrobras foi natural, graas ao orgulho que a empresa j lhe despertava na poca.

    sobre o mercado de trabalho na sua rea de formao, ela co-menta que h forte demanda, mas

    SEGUNDO SAMUEL PINHEIRO, di-retor da Petrocenter, centro de qua-lificao profissional especializado em petrleo e gs, hoje as mulheres apresentam 30% da demanda de alu-nos interessados nos cursos tcni-cos da instituio. A estimativa, de acordo com o executivo, representa que a mulher est cada vez mais conquistando espao neste setor dominado pela figura masculina.

    Samuel considera que o esforo vale a pena, pois as oportunidades no param de crescer e as mulheres so bem-vindas ao setor. H incon-tveis maneiras de inserir o sexo fe-minino nas atividades relacionadas ao petrleo, tanto que j existem empresas investindo na capacitao delas, afirma.

    Pinheiro conta que algumas em-presas esto preferindo mulheres para trabalhar ao invs de homens. As mulheres realmente tm prefe-rncia em setores da indstria, que exigem maior meticulosidade, traba-lhos de acabamento em geral. Elas so vistas como organizadas e deta-lhistas. Nas contrataes de cargos administrativos, as competncias profissionais pesam mais na hora da contratao do que o sexo, aponta.

    O diretor da Petrocenter indica ainda que a diferenciao por sexo est cada vez mais fora do contex-to de trabalho em nossa sociedade. Nosso pas hoje liderado por uma mulher e isso prova que a grande parte da populao no tem restri-o a ser liderado e/ou representado

    por uma figura feminina. Alm disso, as lderes femininas tendem a ter um talento natural para persuaso, item obrigatrio para atingir os objetivos das organizaes, pontua.

    Segundo ele, o setor industrial, no geral, dominado pela figura mascu-lina e os cursos de engenharia, tcni-cos e operacionais da rea de petr-leo e gs ainda apresentam em sua maioria alunos do sexo masculino, mas j se observa que esta realidade vem mudando nos ltimos anos.

    Para Pinheiro, hoje a mulher compete em igualdade com os ho-mens. Isto representa a grande van-tagem da mulher no mercado, pois as competncias humanas e tcni-cas que iro definir o sucesso do profissional. Desta forma, o executi-vo acredita que a vantagem no est relacionada ao sexo.

    Mais espao e oportunidades no mercado

    O Brasil est passando por um momento es-pecial e profissionais do ramo de leo e gs

    esto sendo muito deman-dados. Estamos vivendo um momento especial e os jovens engenheiros e enge-nheiras, com certeza, no iro sofrer o que eu sofri na dcada de 1980. H empre-go para todos os bem quali-ficados.

    CRISTINA PINHO,gerente geral de Operaes e Manuteno da Petrobras

    presena feminina no mercado de energia

  • 20 Guia do Estudante 2011

    tambm uma boa oferta. de acordo com a executiva, em outras reas, como naval ou metalrgica, a pro-cura muito maior do que a oferta, mas o que preocupante o nvel de qualidade do ensino.

    o Brasil est passando por um momento especial e profis-sionais do ramo de leo e gs esto sendo muito demandados. Estamos vivendo um momento especial e os jovens engenheiros e engenheiras, com certeza, no iro sofrer o que eu sofri na d-cada de 1980. H emprego para todos os bem qualificados, pon-tua a gerente da petrobras.

    Apesar da jornada tripla de me, mulher e executiva, Cristina afirma que muito bom ser uma gerente que pode fazer diferena, sendo capaz de extrair o melhor de sua equipe e contribuir para o progresso e futuro da companhia. temos uma responsabilidade com a sociedade brasileira de preser-var e perpetuar o sucesso desta empresa. A jornada ainda tripla, mas agora com uma demanda mais suave: meus filhos no so mais bebs, conta.

    Experincia e dedicaona rea ambiental h 33 anos,

    Gisela forattin, atual diretora de

    licenciamento ambiental do insti-tuto Brasileiro do meio Ambiente e dos recursos naturais renov-veis (ibama), desde agosto do ano passado acredita que, com a valo-rizao da mulher, a questo de gnero j reconhecida no mundo corporativo. de fato, estamos em uma nova etapa dentro da trajetria de conquistas da mulher, mas ain-da faltam mulheres em postos de comando no Brasil. mais espaos devem ser ocupados, valorizando a mulher e a competncia tcnica delas e no a indicao poltica, acrescenta.

    Apaixonada pelo meio ambien-te, Gisela sempre se identificou e direcionou sua carreira para a rea de recursos hdricos. formada em engenharia civil, com mestrado em recursos Hdricos e saneamento pela Coppe e ps-graduada em limno-logia pela Usp (Universidade de so paulo), de so Carlos.

    Atuou como superintendente de fiscalizao e assessora tcnica do diretor presidente da Agncia nacional de guas (AnA). tambm foi presidente da GWp Brasil (Glo-bal Water partnership south Ame-rica) e trabalhou na Companhia de pesquisa de recursos minerais (Cprm), vinculada ao ministrio de minas e Energia (mmE).

    J fui diretora do ibama h dez anos e tenho um orgulho muito grande de estar onde estou agora. tenho um leque de possibilidades de trabalho e agradeo a confiana da ministra izabella teixeira quan-to ao meu papel nos destinos do nosso pas, diz Gisela.

    Casada h 33 anos e me de duas filhas, uma de 27 e outra de 23, a diretora do ibama conta que dedica grande parte do seu tempo ao trabalho, mas no esquece do exerccio e de sua sade. Estou vivendo um momento de muita produtividade na minha vida pro-fissional, mas gostaria de ter mais tempo para mim, aponta.

    Alm da competncia, sensi-bilidade de antecipar problemas e mais foco no trabalho, Gisela aponta como vantagem feminina no mercado de trabalho o fato de as mulheres serem mais observadoras e ouvir a todos, num negcio, por exemplo. no sou feminista, mas o olhar feminino diferenciado numa negociao. Alm de muito produtivas, nos preocupamos com um todo maior e temos muita com-petncia tcnica, ressalta.

    Por oportunidades iguaisAs mulheres esto conquistan-

    do grande espao no mercado de trabalho no decorrer dos ltimos anos. ingrid Zech, engenheira qu-mica do Cenpes (Centro de pesqui-sas leopoldo Amrico miguez de mello), da petrobras, reconhece isso, mas considera que diante disso, homens e mulheres devem ter oportunidades iguais, com os mesmos direitos.

    porm, segundo ela, ineg-vel que homens e mulheres tm caractersticas diferentes. mi-nha viso, que no uma regra, de que as mulheres so mais detalhistas, mais disciplinadas e mais agregadoras do ponto de vista social que os homens.

    O olhar feminino diferenciado numa negociao. Alm

    de muito produtivas, nos preocupamos com um todo maior e temos muita competncia tcnica.

    GISELA FORATTIN,diretora de Licenciamento

    Ambiental do Ibama

    mercado de trabalho

  • Guia do Estudante 2011 21

    Cabe s empresas tirar vanta-gem das caractersticas de cada um. olhando pelo lado pessoal, a entrada da mulher no mercado de trabalho propiciou a abertura de seus horizontes e contribuiu para a estabilidade financeira das famlias, entre outras coi-sas, destaca a executiva, que trabalha na gerncia de Gs e Energias renovveis da rea de engenharia bsica do Cenpes. A executiva comenta ainda que nunca foi discriminada ou viven-ciou uma situao profissional de discriminao de ordem se-xual ou racial e acredita que porque trabalha num ambiente de altssimo nvel tcnico, com pessoas de um patamar cultural muito elevado.

    ingrid diz que sua escolha pro-fissional deveu-se a um caso de amor primeira vista. Ainda es-tudante do ensino mdio, ela con-ta que ao fazer um passeio com a famlia at Camaari, passou por dentro do polo petroqumico na poca ainda em seus primeiros pas-sos e se encantou com a torre de refrigerao da Copene (Com-panhia petroqumica do nordeste s/A). Eu me apaixonei por aquele monumento de concreto. Juntando ao fato de que sempre gostei de matemtica e qumica, optar pela engenharia qumica foi um passo natural, relembra.

    J fazendo o curso escolhi-do, ingrid pensava em trabalhar no polo petroqumico, porm, segundo ela, ir para o sistema petrobras aconteceu meio no susto: na poca, o curso de especializao em engenharia de processamento petroqumico (Cenpeq) era oferecido apenas aos homens, na Bahia, onde eu estudava. por sorte, comearam a aceitar mulheres exatamente no meu ltimo ano de faculdade. fiz o concurso e passei. por meu de-

    sempenho, recebi proposta para trabalhar na gerncia tcnica da petroquisa, no rio e, dez anos depois, fui para o Cenpes, onde estou at hoje, afirma a enge-nheira da petrobras.

    sobre o cenrio da mulher no mercado de trabalho, ela indica que o preconceito ainda existe e as estatsticas mostram isto, mas percebe que cada vez menos pre-sente em carreiras menos especia-lizadas. lembro-me de que, ao me formar, no existiam mulheres na rea de produo das fbricas. Hoje, elas esto presentes at mes-mo nas plataformas de petrleo. sem dvida, termos uma mulher como presidente da repblica, eleita pelo voto popular, uma prova irrefutvel da mudana na forma de pensar da sociedade, opina ingrid.

    de acordo com a engenheira, apesar de todos os avanos, na maior parte das famlias a mulher continua sendo a maior respons-vel pelos filhos, por manter a en-grenagem da casa funcionando, mesmo que muitas vezes o marido participe. isto sem poder deixar de lado sua feminilidade e seu lado profissional. A mulher muito sa-crificada. fazer o supermercado, educar os filhos, fazer projeto,

    enfim, ser mulher, me, esposa e profissional muito complicado, mas na minha vida no cabe outra forma de agir, indica.

    Hoje, com os filhos j cria-dos, ingrid diz que seu maior desafio o profissional. depois de 28 anos de formada, passei a encarar uma nova atividade, envolvendo muito estudo e no-vas responsabilidades. Uma nova guinada profissional, que tem me estimulado muito, diz.

    sobre a forte demanda por profissionais na rea de enge-nharia, a executiva considera que profissionalmente o momento muito bom e que a situao econmica do pas est muito favorvel, sobretudo para o setor de petrleo e gs, que de acordo com ela, est fervilhante. As em-presas tm ido s universidades captar estagirios, j pensando em aproveit-los aps a forma-tura. foi-se o tempo em que as pessoas se formavam e iam para o mestrado como falta de opo de emprego. Hoje, mestrado e doutorado so opes para quem quer se aprofundar na profisso. para aqueles que j esto no mer-cado de trabalho, no incomum receber propostas para mudana de emprego, explica.

    A entrada da mulher no mercado de trabalho propiciou a abertura de seus

    horizontes e contribuiu para a estabilidade financeira das famlias, entre outras coisas.

    INGRID ZECH,engenheira qumica

    do Cenpes (Petrobras)

    presena feminina no mercado de energia

  • 22 Guia do Estudante 2011

    A internacionaliza-o desses centros comea a ser acele-rada e ganha espao maior no Brasil. so amplos laboratrios

    multinacionais que tm o objetivo de gerar conhecimento e desen-volver tecnologia para produtos inovadores destinados ao mercado ou a clientes especficos. A impor-tncia desses centros para o Brasil est no crescimento do nvel da tecnologia produzida por empresas aqui e na contratao de centenas de pesquisadores brasileiros em grande parte com doutorado.

    o estmulo pesquisa e ino-vao nas reas de petrleo, gs e energia tem sido constante nesses ltimos anos no pas. por meio da pesquisa e inovao tecnolgica, garante-se maior competitividade no mercado e, no caso do setor de petrleo e gs, tem-se tambm um auxlio no desenvolvimento da se-gurana para evitar os riscos nos processos exploratrios.

    Como o principal desafio em pesquisa e inovao ainda a ca-pacitao da cadeia de fornecedo-res, as empresas esto buscando criar seus prprios centros de p&d, para cada vez mais especializar e

    O ano de 2010 foi marcado pelo anncio de criao de diversos centros de pesquisa e

    desenvolvimento (P&D) no pas. O cenrio otimista do setor de petrleo, gs e energia e

    as descobertas do pr-sal so os grandes propulsores dos olhares atentos das empresas

    nacionais e internacionais na expanso dos negcios nos setores.

    Pesquisa em parceria:

    os novos centros de P&D da cadeia produtiva de petrleo no Brasil

    por Maria Fernanda Romero

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    rea: 8.000 m

    Investimento: US$ 50 milhes

    Para o desenvolvimento de novas tecnologias de leo e gs, principalmente para solues para o pr-sal.

    Empresas instaladas: GE, Halli-burton, FMC, Usiminas, Tenaris Confab e Baker Hughes.

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  • Guia do Estudante 2011 23

    aprimorar suas atividades, e capa-citar seus funcionrios.

    o rio de Janeiro, em especial o parque tecnolgico do estado, localizado na ilha do fundo, tem sido a princesinha dos olhos das empresas. o local garante acesso privilegiado a laboratrios, profis-sionais de alta qualificao e novas oportunidades de negcios e o local mais disputado para abrigar estes novos centros.

    de acordo com Maurcio Gue-des, diretor do parque, mais de r$ 500 milhes de investimentos foram anunciados na ilha do fun-do s em 2010.

    outros fato-res considerados fundamentais pelas empresas que justificam a instalao das mesmas no estado so: a localizao estratgica; a in-fraestrutura; a facilidade de acesso a matrias-primas; as facilidades logsticas (ferrovias e portos); os polos de demanda (petrleo, cons-truo naval, indstria automotiva etc.); as facilidades para a formao de mo de obra e para a expanso do parque instalado e o apoio ins-titucional, especialmente por parte do Governo do Estado.

    At 2014, diversas multina-cionais tero centros de pesquisa operando na ilha do fundo. tero como vizinhos o principal campus da Universidade federal do rio de Janeiro (UfrJ) e o Cenpes (Centro de pesquisas e desenvolvimen-to leopoldo Amrico miguez de mello), da petrobras.

    A primeira a anunciar seu centro de pesquisa no estado foi a fmC technologies. A lder em solues tecnolgicas para a in-dstria de petrleo e gs informou, em junho do ano passado, a cons-truo de um centro de tecnologia no parque tecnolgico.

    segundo Paulo Couto, vice--presidente de tecnologia, Enge-

    nharia e produ-tos Emergentes da fmC, a ame-ricana ir inves-tir cerca de r$ 70 milhes s na infraestru-tura do projeto.

    de acordo com o executivo, os investimentos em recursos hu-manos e tecnologia tambm so significativos.

    o centro da fmC vai empregar cerca de 300 engenheiros dedica-dos ao desenvolvimento de projetos e pesquisa de tecnologias submari-nas para explorao de petrleo e gs no pas, sobretudo para o pr--sal e o ps-sal. A unidade contar com centros de p&d, laboratrios de testes e qualificaes, instala-es para testes de integrao e prottipos em escala real.

    Com contrato de durao de 20 anos, esse ser o primeiro centro de pesquisa da empresa no Bra-sil, que vai ocupar uma rea de cerca de 20.000 m. paulo Couto informou ainda que as obras esto sendo realizadas desde junho de 2010 e que o empreendimento deve estar em pleno funcionamento j em meados deste ano.

    Ainda no segundo semestre de 2010, em outubro, a petroleira repsol anunciou o patrocnio de um dos cinco laboratrios especializa-dos em petrleo e gs, do Centro tecnolgico 2 (Ct2), da fundao Coppetec, na ilha do fundo.

    A espanhola ir participar ati-vamente das pesquisas a serem desenvolvidas no laboratrio de modelagem de impactos e Eco-gerenciamento de reservatrios de petrleo (lmiErp). segundo a empresa, s no lmiErp devem trabalhar 50 pessoas, entre profes-

    INAUGURADO EM 2003, o Parque Tecnolgico foi criado com o objetivo de estimular a interao entre a Universidade seus alunos e corpo acadmico e empresas que trabalham com inovao.

    So 350.000 m, destinados a abrigar empresas de setores intensivos em diferentes reas de conhecimento. Hoje, o Parque Tecnolgico abriga cerca de seis empresas e mais trs outras j esto em processo de licita-o, com previso de instalao ainda para este primeiro semestre de 2011. Para elas, o grande fator de atrao para a implantao dos centros no Parque Tecnolgico o posicionamento estratgico, prximo ao aeroporto e a facilidade na interao com os universitrios.

    Parque Tecnolgico do Rio de Janeiro

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  • 24 Guia do Estudante 2011

    sores, administrativo e estudantes de ps-graduao. A inaugurao foi realizada no ms de novembro.

    As linhas de pesquisa do la-boratrio construdo pela repsol estaro voltadas para temas como a preservao da biodiversidade nas operaes de perfurao e explora-o de petrleo; avaliao do ciclo de vida de insumos da indstria de petrleo; produo de biocom-bustveis; logstica ambiental em E&p; e modelagem ecoeficiente de reservatrios de petrleo.

    mas foi em novembro do ano passado que a primeira empresa abriu seu centro de tecnologia para

    o pr-sal na rea do parque tecno-lgico, a multinacional schlum-berger. o empreendimento, que ocupa uma rea de 8.000 m no parque, destina-se a pesquisas em geoengenharia e o primeiro da empresa dedicado a atividades de explorao e produo de petrleo no hemisfrio sul. Cerca de 300 funcionrios trabalham no local, entre cientistas, engenheiros e tcnicos. foram investidos Us$ 50 milhes no projeto do Centro de pesquisas em Geoengenharia da schlumberger (BrGC).

    A unidade ter como foco o desenvolvimento de novas tec-

    nologias na rea do petrleo e gs, principalmente, no desen-volvimento de solues para os desafios tcnicos encontrados nas guas profundas da costa

    Centro de P&D da FMCrea: 20.000 m Investimento: R$ 70 milhes (s em infraestrutura)Previso de funcionamento: segun-do semestre de 2011Foco: laboratrio de testes e quali-ficaes, instalaes para testes de integrao e prottipos em escala real

    Centro de Pesquisas em Geoengenharia da Schlumberger (BRGC)rea: 8.000 m Investimento: US$ 50 milhes Foco: voltado para o desenvolvi-mento de novas tecnologias em petrleo e gs, principalmente, no desenvolvimento de solues para o pr-sal.

    Centro de Tecnologia da Usiminasrea: 3.600 m Previso de funcionamento: primei-ro semestre de 2012 Foco: voltado para o desenvolvi-mento de novas tecnologias de aplicao de aos para os setores de petrleo e gs, naval e offshore, com foco nas demandas do pr-sal. Centro de P&D da Halliburton e Tenaris Confabrea: 7.000 m (Halliburton) e 4.000 m (Tenaris Confab)Investimento: R$ 26 milhes (Halli-burton) e R$ 36 milhes (Tenaris Confab)Previso de funcionamento: final do segundo semestre de 2012 Foco: voltado para pesquisas em caracterizao e o monitoramento de reservatrios; produtividade, construo e completao de poos de petrleo.

    Centro de Pesquisas em Geoenge-nharia da Schlumberger (BRGC)

    Centro Global de Pesquisas da GE

    Centro de P&D da FMC

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  • Guia do Estudante 2011 25

    brasileira. o centro vai integrar geocincias e engenharia, a fim de aprimorar a produo e recu-perao de petrleo e gs natural das reservas de petrleo em guas profundas na camada pr-sal da costa brasileira.

    segundo a empresa, o BrGC vai operar a partir de trs n-cleos: o Centro de pesquisas em Geoengenharia, que desenvol-ver pesquisas em cooperao com clientes e universidades; o Centro de tecnologia em Geo-engenharia, que desenvolver aplicaes em software baseadas nas plataformas ocean e petrel, da schlumberger e da Western-Geco; e a unidade WesternGeco Geosolutions, que se dedicar ao desenvolvimento de solues geofsicas otimizadas para a costa brasileira. Alm destas unidades, o centro contar com trs labo-

    ratrios integrados para testes e avaliao de rochas e fluidos em ambientes controlados.

    no incio de novembro do ano passado, a GE anunciou o novo Centro de pesquisas Global, o quinto da empresa no mundo, que ficar localizado na ilha de Bom Jesus, na ilha do fundo, dentro do parque tecnolgico da Universidade federal do rio de Janeiro (UfrJ).

    Com investimentos de Us$ 100 milhes, o centro de pesquisas ter como foco o desenvolvimento de tecnologias avanadas para as in-dstrias de leo e gs, energias renovveis, minerao, transporte ferrovirio e aviao. A construo do complexo, no qual trabalham cerca de 300 pesquisadores e en-genheiros, comeou este ano e a previso que as obras estejam concludas no fim de 2012.

    Escolhemos o rio de Janeiro por concentrar muitas qualidades como facilidades de acesso, logstica, proximidade com nossos clientes e com as universidades, afirmou Joo Geraldo ferreira, presidente e CEo da GE Brasil, lembrando que cidades como Belo Horizonte, Campinas e so Jos dos Campos tambm estavam na disputa pelo empreendimento.

    Juntamente com o Centro de pesquisas Global, a GE ir construir um Centro de Qualificao, com custo de Us$ 50 milhes, com foco em treinamento e desenvolvimento dos funcionrios. durante o anncio de instalao do Centro, a empresa assinou acordos de cooperao com rgos do governo, universidades e companhias brasileiras.

    A vale e a GE firmaram um ter-mo de cooperao tcnica focada em projetos de armazenamento, gerao

    EM OUTUBRO DE 2010, o Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Amrico Miguez de Mello (Cenpes) expandiu sua capacida-de de pesquisa para atender s demandas do pr-sal. O centro foi reinaugurado aps duplicar sua estrutura, com investimento de US$ 700 milhes. Hoje, conta com 800 pesquisadores e 137 labora-trios. Com a expanso, o empre-endimento da Petrobras passa a ser um dos maiores complexos de

    pesquisa do mundo (com mais de 300.000 m).

    Localizado no Rio de Janeiro, o Cenpes conta com diversos laborat-rios destinados a atender as demandas tecnolgicas das reas de biotecnolo-gia, fertilizantes, biocombustveis, reu-so de gua, petroqumica e avaliao do meio ambiente nos locais em que a empresa opera ou pretende operar.

    Com a ampliao, o centro de pesquisas contar tambm com modernos laboratrios para aten-

    der exclusivamente as demandas do pr-sal. Das dez alas de novos laboratrios, cinco so dedicadas ao pr-sal, com foco na caracterizao de rochas e interao dessas rochas com os diversos fluidos presentes (petrleo, gs natural, gua, CO2 etc.).

    Na ocasio, o presidente da Petrobras, Jos Sergio Gabrielli de Azevedo, ressaltou que a ampliao gerou cerca de seis mil empregos diretos e 15 mil empregos indiretos durante a execuo da obra.

    Cenpes ampliado

    pesquisa em parceria: os novos centros de P&D da cadeia produtiva de petrleo no brasil

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  • 26 Guia do Estudante 2011

    e distribuio de energia. Com o acordo, as duas empresas podero compartilhar conhecimentos e expe-rincias e trabalhar conjuntamente para compartilhar informaes sobre as atividades do Centro de pesquisas Global, para auxiliar no desenvolvi-mento de tecnologias e cooperar na identificao de reas de p&d.

    Ainda em novembro, a Usimi-nas lanou a pedra fundamental

    de seu centro de tecnologia no parque tecnolgico. A siderr-gica ocupar uma rea de 3.600 m no parque tecnolgico, loca-lizado na ilha da Cidade Uni-versitria. o objetivo do projeto, que deve comear a operar no primeiro semestre de 2012, de-senvolver novas tecnologias de aplicao de aos para os setores de petrleo e gs, naval e offsho-

    re, com foco no atendimento s demandas da explorao da ca-mada pr-sal.

    E em dezembro de 2010, mais anncio: as multinacionais Halli-burton, prestadora de servios para explorao e produo de petrleo, e a tenaris Confab, fabricante de tubos de ao, assinaram contrato para a construo de unidades de pesquisa para o desenvolvimento de novas

    EM JUNHO DO ANO PASSADO, a IBM anunciou a instalao de um centro no Brasil, no qual um dos focos de pesquisa sero as descobertas na rea de recursos naturais, principal-mente petrleo e gs. A explorao do petrleo na rea do pr-sal deve gerar pesquisas especficas no centro da empresa, que requer desafios enor-mes na rea de explorao, produo e logstica. Vamos atuar nessas reas trazendo as nossas competncias

    em modelagem e simulao de processos geol-gicos e sistemas de engenharia, computao de alto desempenho, campos digitais inteligentes, an-

    lise massiva de dados, otimizao e logstica, diz Ulisses Mello, diretor da rea de recursos naturais da IBM.

    Segundo o executivo, vrios fato-res pesaram na deciso da abertura do laboratrio no Brasil, entre eles a maturidade do sistema educacional brasileiro, disponibilidade de talentos tcnicos e riqueza do pas em termos de recursos naturais, hdricos, alm de megaeventos (Copa do Mundo e Olimpadas) e poltica brasileira para o avano de cincia e tecnologia. A IBM tem oito centros de pesquisa em seis pases, reunindo mais de trs mil cientistas e engenheiros.

    As negociaes entre a empresa e o governo brasileiro duraram pouco menos de trs meses. O centro era disputado

    tambm pelo emirado de Abu Dhabi e pela Austrlia. Trs reas do governo atuaram para trazer esse investimento para o pas: o Ministrio do Desenvol-vimento, Indstria e Comrcio Exterior, o Ministrio de Cincia e Tecnologia e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico Social (BNDES).

    Mello explica que a rea de recursos naturais, tambm incluir gesto avanada de gua, minerais e agricultura, sobretudo para biocom-bustveis e aponta outras reas de fo-cos importantes: Sistemas humanos inteligentes, com nfase em eventos de larga escala. O objetivo desen-volver inovaes que sero usadas nos grandes eventos esportivos que ocorrero no Brasil, incluindo a Copa do Mundo em 2014 e os Jogos Olmpi-cos de 2016; cincia de servios, com foco no entendimento, modelagem e simulao de sistemas focados em qualidade, eficincia e produtividade; e dispositivos inteligentes que podem ser criados utilizando avanos na rea de semicondutores.

    De acordo com o executivo, o la-boratrio de pesquisa j est em ope-rao desde seu anncio, em junho de 2010. As instalaes de uma de suas sedes foram inauguradas oficialmente em maro de 2011, no Rio de Janeiro. A sede de So Paulo ser inaugura-da em breve. Estamos contratando pesquisadores e j estamos discutindo parcerias estratgicas com compa-nhias e universidades, indica Mello.

    O laboratrio de pesquisa ir se envolver com linhas de pesquisa rela-

    cionadas s reas-foco em explorao de recursos naturais, semicondutores, evento de larga escala e cincias de servio. Na rea de leo e gs vamos nos concentrar em modelagem numrica de processos geolgicos e geofsicos, como tambm em otimi-zao de operaes integradas para gesto de reservatrios. Estaremos muito envolvidos em desenvolvimento de tecnologia e processos que podem transformar nossas grandes cidades em cidades inteligentes, que aumen-tem de modo significativo a sustenta-bilidade com o aumento de eficincia de transporte, energia, e principal-mente a gesto de eventos catastrfi-cos como inundaes, deslizamentos, etc., explica ele.

    Ulisses Mello conta que, no Brasil, a empresa ainda no possui contrato fechado na rea de petrleo e gs, mas est discutindo parce-rias estratgicas com companhias e universidades. Globalmente, a IBM j tem vrias colaboraes nessa rea como, por exemplo, com a Statoil na rea de operaes integradas e com a Shell na rea de gesto de reser-vatrio em que desenvolve novas metodologias para incluir dados de ssmica 4D no processo de ajuste histrico. O laboratrio de pesquisa no Brasil o nono da IBM no mundo e o primeiro do hemisfrio Sul. Iremos trabalhar de forma integra-da aos outros laboratrios globais que, em conjunto, tm perto de trs mil pesquisadores, a maioria PhDs. Porm, nossa inteno liderar as pesquisas na rea de petrleo aqui do Brasil com o suporte dos labora-trios globais, conclui.

    IBM ter centro de pesquisa no Brasil

    p&d

  • Guia do Estudante 2011 27

    tecnologias para o setor de petrleo e gs, no rio.

    o centro de pesquisa ter como foco a caracterizao e o monitora-mento de reservatrios; a produti-vidade, construo e completao de poos de petrleo. A previso que as obras sejam iniciadas no segundo semestre de 2011 e sejam concludas at o final de 2012. os investimentos podem chegar a r$ 42 milhes.

    A Halliburton, que ocupar ter-reno de 7.000 m, investir de Us$ 10 a 15 milhes (perto de r$ 26 milhes) na construo do centro e pretende desenvolver solues para estimulao e performance de poos, rea eletrnica e desen-volvimento de softwares em 3d e visualizao.

    J a tenaris Confab ocupa-r terreno de 4.000 m, onde vai construir seu centro de pesquisas voltado para os setores de p&G, mi-nerao, construo civil e automo-bilstica. o objetivo desenvolver novas tecnologias para soldagem de tubos, testes e simulaes para tubos de grande dimetro e estudos de revestimentos metlicos de pol-meros. Alm disso, haver um setor para cuidar especificamente das conexes premium tenarisHydril, especialmente destinadas a ope-raes de perfurao de poos de p&G. A empresa prev investimento de cerca de Us$ 21 milhes (cerca de r$ 36 milhes).

    Ademais, em maro deste ano, o BG Group anunciou a instalao do Centro tecnolgico mundial do grupo no Brasil como um primeiro passo para tornar o pas provedor de solues tecnolgicas em nvel glo-bal. o Centro ser um gerenciador de projetos de acordo com as prio-ridades acordadas com a Agncia nacional de petrleo, Gs natural e Biocombustveis (Anp).

    na ocasio, a BG assinou um protocolo de intenes com a

    Escola politcnica da Usp para desenvolvimento de projetos de pesquisa no setor de leo e gs, parte do plano de investimento em p&d no pas.

    Alm de parcerias com uni-versidades e investimentos em infraestrutura, o Centro desen-volver novas tecnologias e contri-buir para a formao de recursos humanos de alto nvel em todo o pas, diz o presidente do conselho de administrao do BG Group, sir robert Wilson, que veio ao Brasil na ocasio para anunciar o plano de investimentos da BG Brasil que alcana Us$ 30 bilhes nesta dcada.

    A BG Global technology Cen-ter (GtC) vai gerir os programas

    de pesquisa que sero executados no Brasil. pr-sal, perfurao, se-gurana operacional e meio am-biente esto entre as linhas de projetos a serem desenvolvidos. A previso de investimentos da BG Brasil no programa de Us$ 1,5 bilho at 2025.

    segundo a empresa, o GtC ser o epicentro da pesquisas do BG Group e ir atender to-dos os desafios tecnolgicos do grupo em mbito mundial. os estudos realizados no Centro se concentraro em pesquisa, desenvolvimento e aplicao de estudos e projetos realizados em parceria com a academia brasi-leira e prestadores de servios instalados no Brasil.

    O PRIMEIRO CENTRO de P&D no Brasil da empresa sueca Saab ser inaugurado em maio, em So Ber-nardo do Campo (SP).

    J temos 15 empresas e uni-versidades participando do projeto. Nossa meta inaugurar a unidade com pelo menos 20 integrantes, informou o diretor tcnico da Saab, Pontus De Laval. Segundo o execu-tivo, a iniciativa da Saab tem como objetivo proporcionar tanto experi-ncias de conhecimento (pesquisa) quanto corporativas (negcios). O centro de P&D para o Brasil foi

    desenvolvido a partir de um modelo utilizado na Sucia, com base na cooperao entre indstria, acade-mia e governo. A ideia instalar a unidade, identificar as necessidades da sociedade brasileira e desen-volver as solues a partir desde diagnstico, completou.

    Ele informou ainda que as reas de pesquisa provavelmente sero relacionadas a setores como defe-sa, segurana, transporte, logstica, energia e meio ambiente. A previ-so de investimento para financiar os projetos de US$ 50 milhes.

    pesquisa em parceria: os novos centros de P&D da cadeia produtiva de petrleo no brasil

    Suecos inauguram centro de P&D no Brasil em maio

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  • 28 Guia do Estudante 2011

    Ao sair do fundo do oceano, o petrleo cru levado para refinarias de todo o pas para ser sub-metido a um proces-

    so qumico de limpeza para que estas produzam diversos derivados como lubrificantes, asfalto, diesel, gasolina, querosene, entre outros.

    A indstria de refino no Brasil est a pleno vapor, com grandes empreendimentos sendo impul-sionados pela petrobras, como o Complexo petroqumico do rio de Janeiro (Comperj), a refinaria Abreu e lima, em pernambuco, a refinaria do nordeste (rnEst) e duas refinarias premium. Com isso, a estatal pretende aumentar a capacidade de refino de 1,8 milho de barris para 2,2 milhes por dia.

    so grandes as oportunidades para quem quer ingressar no setor de refino, principalmente para os interessados na rea de engenharia de petrleo e engenharia qumica. E a especializao tambm envol-ve trabalhadores de segurana do trabalho, manuteno e automao.

    Hoje, tanto universidades p-blicas quanto privadas oferecem vagas para cursos voltados para o mercado de petrleo. Em funo da grande demanda do setor e de es-tudantes interessados na rea, vem aumentando a cada ano o nmero de instituies que esto abrindo cursos tanto de graduao quanto de especializao.

    formao

    O profissional do refino

    Com grandes investimentos programados para os prximos anos, as refinarias so uma tima oportunidade para quem quer entrar no mercado de leo e gs e conhecer mais profundamente esta indstria.

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    Car

    doso

    por Rodrigo Miguez

  • Guia do Estudante 2011 29

    pioneiro no Brasil, o curso de Engenharia de Explorao e pro-duo de petrleo da Universida-de Estadual do norte fluminense (Uenf) foi criado h 17 anos para aumentar a profissionalizao na rea de explorao de petrleo na Bacia de Campos. o curso combina a formao bsica do engenhei-ro (matemtica, fsica e qumica) com o domnio de informtica e conhecimentos fundamentais de geofsica e geoqumica, engenharia de petrleo e petrofsica.

    Oportunidades profissionaisCom a alta demanda por pro-

    fissionais especializados nas mais diversas reas, praticamente todos os engenheiros formados tm vaga garantida nas empresas do setor petrolfero que atuam na Bacia de Campos e em outras regies produtoras do Brasil e do mundo.

    Alm de ser uma rea em ex-panso, a grande procura pelas profisses ligadas ao setor de pe-trleo tambm tem relao com os salrios aplicados, em geral muito bons. Hoje, a remunerao mdia inicial em cargos tcnicos de nvel mdio de cerca de r$ 2.600, j na rea de engenharia esses valores podem chegar a r$ 6.000.

    percebendo o aumento da de-manda do mercado de leo e gs, as empresas privadas esto inves-tindo no setor de refino, deixando para trs a ideia de muitos de que as oportunidades esto apenas na petrobras. Hoje, as refinarias privadas atendem demanda dos seus clientes com muita qualidade, ajudando no aumento dos negcios para os pequenos produtores de petrleo.

    Empresa fabricante de solven-tes, a dax oil inaugurou, no ano passado, sua unidade de refino de petrleo no polo petroqumico de Camaari (BA). Com investimentos de r$ 20 milhes, a expectativa da

    companhia processar em mdia 2,5 mil barris por dia. Com isso, os produtores independentes de pe-trleo localizados na Bahia passam a contar com uma alternativa para a comercializao da produo, at ento destinada petrobras, man-guinhos (rJ) e a refinaria paulista Univen, em itupeva.

    os investidores nos peque-nos campos de produo andaram desanimados com as dificuldades

    de venda de seu petrleo e acaba-ram reduzindo o ritmo. Acredita-mos que, com a nossa entrada no mercado, este cenrio deve mu-

    dar, comentou Cyro Valentini Jr, da dax oil, em entrevista exclusi-va TN Petrleo no incio do ano passado.

    Trabalho em terrao dia a dia em uma refinaria

    definido basicamente pelo re-cebimento das cargas e insumos programados, o planejamento e a execuo dos diversos tipos de pro-cessamento industrial existentes e

    a movimentao e transporte dos produtos acabados. A alta tecnolo-gia, a integrao e o compromisso com a segurana, com o meio am-biente e com a sade esto sempre presentes nas rotinas dirias.

    Como as refinarias produzem de forma contnua para atender s demandas do pas e do mercado em geral, os regimes de trabalho so divididos entre administrativo e de turno. no regime administra-

    Principais produtos das refinarias Asfalto; Diesel/leo diesel; Nafta;

    leo combustvel; Gasolina;

    Querosene e querosene de aviao;

    Gs Liquefeito de Petrleo (GLP);

    leos lubrificantes; Ceras de

    parafinas; Coque.

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  • 30 Guia do Estudante 2011

    tivo, alm da operao dos proces-sos, so realizadas atividades de acompanhamento da produo, manuteno e servios adminis-trativos de suporte aos processos industriais. no regime de turno, ocorre a operao dos processos industriais.

    para atender a essa forte de-manda de profissionais neces-srio investimento em escolas tcnicas voltadas para a cadeia produtiva de petrleo e gs em todo o Brasil. Juntamente com isso, o fomento s carreiras de n-vel superior ligados rea, para fazer com que os jovens possam cada vez mais se informar sobre

    a importncia e as vantagens do ensino mdio profissionalizante e dos cursos tcnicos necessrios para se trabalhar na indstria.

    os futuros profissionais de re-finarias que tm interesse em in-gressar na petrobras, por exemplo, devem ficar atentos aos cargos de tcnico de manuteno, tcnico de operao, tcnico de Administra-o e Controle Jr. que foram os mais demandados no ltimo processo seletivo pblico (psp) da petrobras, e possuem muitas oportunidades de crescimento profissional.

    outra porta interessante para entrar no mercado das refinarias atravs de programas de estgio,

    que so uma boa oportunidade de ganhar experincia, podendo at surgir uma vaga para efetivao na empresa. H mais de 50 anos recebendo estagirios, a refinaria riograndense uma referncia no setor, sendo a origem da ipiranga, e desde o seu incio apoia o crescimen-to profissional de jo