Influência da temperatura e tempo de secagem no índice de acidez do óleo do mesocarpo e da...

download Influência da temperatura e tempo de secagem no índice de acidez do óleo do mesocarpo e da amêndoa de frutos de macaúba durante o armazenamento adalvani martins final

of 4

  • date post

    05-Dec-2014
  • Category

    Science

  • view

    149
  • download

    3

Embed Size (px)

description

Artigo publicado nos anais do Congresso Brasileiro de Macaúba, em 2013.

Transcript of Influência da temperatura e tempo de secagem no índice de acidez do óleo do mesocarpo e da...

  • 1. INFLUNCIA DA TEMPERATURA E TEMPO DE SECAGEM NO NDICE DE ACIDEZ 1 DO LEO DO MESOCARPO E DA AMNDOA DE FRUTOS DE MACABA DURANTE 2 O ARMAZENAMENTO 3 ADALVAN DANIEL MARTINS1; JOS ANTONIO SARAIVA GROSSI2; SAMUEL DE MELO 4 GOULART3; THAMYRES REIS DE ASSIS4; LARISSA SOUZA CAMPOS5; KAROLLYNE 5 NAKANISHI6 6 7 INTRODUO 8 A macaba, Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Martius, uma fonte promissora para a 9 obteno de leo vegetais, considerando seu alto teor de leo no mesocarpo (60 a 70%, em base 10 seca) e na amndoa (40 a 50%, em base seca) e sua elevada produtividade em relao s culturas 11 anuais, como a soja, responsvel pela maior parte do leo vegetal utilizado na produo de biodiesel 12 no Brasil. No entanto, pouco se sabe sobre a variao nos parmetros de qualidade do leo ao longo 13 do armazenamento, podendo ser expressa pelo ndice de acidez. Na prtica, o leo extrado nas 14 indstrias extrativistas apresenta baixa qualidade, em funo da utilizao de frutos deteriorados no 15 processamento. Para contornar essa situao, necessrio que se desenvolva sistemas de 16 tratamentos qumicos e/ou fsicos para viabilizar o armazenamento dos frutos aps a colheita, a fim 17 de manter a qualidade do leo e ampliar o perodo de processamento industrial. 18 A secagem dos produtos agrcolas um dos processos fsicos mais utilizados para assegurar 19 a qualidade e estabilidade durante o armazenamento. A diminuio da quantidade de gua do 20 material reduz a atividade biolgica e as mudanas qumicas e fsicas que ocorrem durante o 21 perodo de ps-colheita. Baseado na eficincia desse mtodo de conservao, o objetivo desse 22 trabalho foi avaliar a influncia de diferentes combinaes entre temperaturas e tempos de secagem 23 no ndice de acidez do leo do mesocarpo e da amndoa de frutos de macaba. 24 MATERIAL E MTODOS 25 Os frutos foram coletados na Fazenda Capela, municpio de Acaiaca, Zona da Mata do 26 Estado de Minas Gerais, Brasil. Cerca de 20 plantas foram selecionadas para colheita e composio 27 das amostras. Aps a colheita, os frutos foram debulhados, selecionados e homogeneizados para 28 1 Estudante de Doutorado em Fitotecnia UFLA / Lavras. e-mail: adantins@yahoo.com.br 29 2 Professor Adjunto do Departamento de Fitotecnia UFV / Viosa. e-mail: jgrossi@ufv.br 30 3 Estudante de Mestrado em Fitotecnia UFV / Viosa. e-mail: samucapitolio@yahoo.com.br 31 4 Estudante de Mestrado em Fitotecnia UFV / Viosa. e-mail: tha.rassis@gmail.com 32 5 Estudante de Graduao em Qumica UFV / Viosa. e-mail:lari.scampos@yahoo.com.br 33 6 Estudante de Graduao em Eng. de Alimentos UFV / Viosa. e-mail: nkaroll@gmail.com 34 1
  • 2. composio das unidades experimentais. O leo foi extrado por prensagem frio, respeitando-se a 35 poca de avaliao pr-determinada pelos diferentes tempos de armazenamento. O ndice de acidez 36 foi determinado de acordo com o mtodo Ca 5a 40 (AOCS, 1994) e convertido em percentual de 37 acidez em cido oleico. 38 O experimento foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, num esquema 39 fatorial duplo 5 x 5, com 4 repeties, totalizando 100 unidades experimentais. O primeiro fator foi 40 a combinao da temperatura e do tempo de secagem em estufa com circulao de ar, que os frutos 41 foram submetidos: 1) sem secagem dos frutos (SS); 2) secagem em estufa a 45C por 4 dias 42 (45C/4d); 3) secagem em estufa a 65C por 4 dias (65C/4); 4d) secagem em estufa a 45C por 8 43 dias (45C/8d); 5) secagem em estufa a 65C por 8 dias (65C/8d). O segundo fator correspondeu 44 ao tempo de armazenamento ps-secagem que os frutos foram submetidos: 0, 15, 30, 60 e 120 dias. 45 Os dados foram analisados no software estatstico Sisvar verso 5.3. Realizou-se a anlise de 46 varincia, posteriormente, anlise de regresso e teste de Tukey, a 5% de probabilidade. 47 RESULTADOS E DISCUSSO 48 Houve interao significativa entre os tratamentos de secagem e o tempo de armazenamento 49 tanto para o leo do mesocarpo quanto para o leo da amndoa. A influncia do tempo de 50 armazenamento dentro de cada tratamento de secagem foi mais expressiva nos tratamentos em que 51 a umidade dos frutos era maior, SS e 45C/4d, apresentando valores mais elevados desse ndice ao 52 longo do armazenamento, em relao aos demais tratamentos. Aos 120 dias, o ndice de acidez no 53 leo do mesocarpo, no tratamento controle (SS), atingiu valores mdios estimados na ordem de 54 50,06%, enquanto que para o tratamento 65C/8d, o ndice de acidez ficou em torno de 3,23% ao 55 longo de todo o perodo de armazenamento, evidenciando a eficincia desse tratamento. O leo da 56 amndoa apresentou um comportamento semelhante ao leo da polpa, com maior influncia do 57 tempo de armazenamento nos tratamentos SS e 45C/4d, com maior umidade (Figura 1). 58 Logo aps o tratamento (0 dias de armazenamento), no houve diferena entre os processos 59 de secagem para o leo do mesocarpo. Aps 15 dias de armazenamento, os tratamentos SS e 60 45C/4d foram estatisticamente superiores aos demais, com maiores ndices de acidez, porm, com 61 menor qualidade de leo. Para o leo da amndoa, as diferenas entre os tratamentos s foram 62 observadas aps os 60 dias de armazenamento, sendo que o tratamento SS apresentou os maiores 63 ndices de acidez nessas duas ltimas avaliaes. Os tratamentos 45C/8d, 65/4d e 65C/8d 64 apresentaram valores estatisticamente semelhantes em todas as pocas de avaliao (Tabela 1). 65 A secagem diminui a atividade da gua no material, causando a desnaturao das enzimas, 66 minimizando ou impedindo o desenvolvimento dos microrganismos, o que permite maior controle 67 na taxa de progresso do ndice de acidez durante o armazenamento (BASTOS, 2008). Isso explica 68 2
  • 3. os menores valores de acidez obtidos nesse trabalho, nos tratamentos em que a umidade dos frutos 69 foi menor, tanto para o leo do mesocarpo quanto para o leo da amndoa. 70 Teores variados de cidos graxos livres foram observados por diferentes autores. Coimbra e 71 Jorge (2011), Amaral (2007) e Silva (2009) encontraram ndices de acidez para o leo do 72 mesocarpo de macaba de 9,43%, 59,9%, 1,97%, respectivamente, para o leo da amndoa a acidez 73 foi de 0,45% e 12,8%, segundo os dois primeiros autores citados. Tais resultados mostram a grande 74 variabilidade existente entre materiais e, possivelmente, diferenas na idade, metodologia e poca 75 de processamento dos frutos. Aquino et al. (2009) trabalhando com qualidade de leo de pequi, 76 secado ao sol e em estufa por tempos e temperaturas diferentes, verificaram que o tempo de 77 secagem influenciou a acidez do leo somente na secagem em estufa e na maior temperatura 78 (60C). Guarte et al. (1996) trabalhando com qualidade de leo de coco, secados a temperaturas 79 variando de 40 a 100 C, no obtiveram diferenas no ndice de acidez em relao ao tratamento 80 controle (20 C). 81 CONCLUSES 82 A secagem dos frutos de macaba eficiente no controle da progresso do ndice de acidez 83 do leo do mesocarpo e da amndoa durante o armazenamento, sendo recomendado a sua 84 utilizao. O tratamento 65C/8d reduz significativamente a progresso desse ndice no leo do 85 mesocarpo, ao longo do armazenamento, correspondendo ao tratamento mais eficiente no controle 86 da acidez desse leo. Para o leo da amndoa, a secagem dos frutos a 45C/8d, 65/4d e 65C/8d 87 so eficientes ao evitar o aumento do ndice de acidez ao longo do armazenamento, a escolha de um 88 desses tratamentos depender dos custos inerentes sua aplicao. 89 AGRADECIMENTOS 90 Petrobrs, ao CNPq e REMAPE, pelo financiamento do projeto, concesso de bolsas e 91 colaborao na realizao dos trabalhos, respectivamente. 92 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS 93 BASTOS, M. S. R.; Ferramentas da cincia e tecnologia para a segurana dos alimentos. 1 Ed., 94 Editora Embrapa, Fortaleza, 438p., 2008. 95 AMARAL, F. P. Estudo das caractersticas fsico-qumicas dos leos da amndoa e polpa da 96 macaba [Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Mart]. Dissertao de Mestrado, Unesp, Botucatu, 97 So Paulo, 2007. 98 COIMBRA, M. C.; JORGE, N. Characterization of the pulp and kernel oils from Syagrus oleracea, 99 Syagrus romanzoffiana, and Acrocomia aculeata. Journal of Food Science, v. 76, n. 8, 2011. 100 SILVA, I. Uso de processos combinados para o aumento do rendimento da extrao e da qualidade 101 do leo de macaba. Dissertao de Mestrado, UFRJ, Rio de Janeiro, 99 p., 2009. 102 3
  • 4. GUARTE, R. C.; Werner Mfihlbauer, Manfred Kellert. Drying characteristics of copra and quality 103 of copra and coconut oil. Postharvest Biology and Technology, v.9, p. 361-372, 1996. 104 AQUINO, L. P.; FERRUA, F. Q.; BORGES, S. V.; ANTONIASSI, R.; CORREA, J. L. G.; 105 CIRILLO, M. A.. Influncia da secagem do pequi (Caryocar brasiliense Camb.) na qualidade do 106 leo extrado. Cincia e Tecnologia de Alimentos, Campinas, v. 29 (2), p. 354-357, abr.-jun, 107 2009. 108 Tempo de Armazenamento (Dias) 0153060120 ndice de Acidez (%) 0102030405060() () () () ()2,42Y5X *0,0695901,561100Y 4X *0,0429110,580144Y 3X *0,3442251,282444Y 2X *0,003186X *0,0160002,256319Y 12= += += += ++= 90,74% = R 97,94% = R97,03% = R 98,43% = R2222 Tempo de Armazenamento (Dias) 0153060120 ndice de Acidez (%) 0,10,20,30,40,50,6222X *0,000014X *0,001223-0,221769Y )5( X *0,00002X *0,001926-0,236077Y )4( X *0,000022X *0,002161-0,2385Y )3( X *0,0016250,200375Y )2( X *0,0031630,193687Y )1( += += += += += 93,73% = R 95,00% = R 97,48% = R95,92% = R95,49% = R22222 (a) (b) Figura 1: Efeito do tempo de armazenamento no ndice de acidez (% de cido olico) do leo do mesocarpo (a