Oficina: Por uma compreensão do letramento visual e...

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Oficina: Por uma compreensão do letramento visual e seus suportes. Cristiane Correia Taveira Doutora em Educação pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e Professora do Instituto Municipal Helena Antipoff (IHA/ SME Rio) .
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    20-Aug-2018
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  • Oficina: Por uma compreenso do letramento visual

    e seus suportes.

    Cristiane Correia Taveira

    Doutora em Educao pela Pontifcia Universidade Catlica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e

    Professora do Instituto Municipal Helena Antipoff (IHA/ SME Rio)

    .

  • Objetivos

    Inicia-se pelo imagtico que acrescenta outros olhares ao letramento. (30 minutos)

    Aborda-se a questo visual, o letramento visual, a necessidade de se ler a imagem como texto, alm de se considerar as pistas visuais de contexto. (30 minutos)

    Aps esse esforo discute-se sobre a importncia do letramento verbal, no sentido de ler o texto como imagem. (30 minutos)

  • Parte 1

  • 1.Exerccio: quem gosta de desenhar?

    (dois participantes a frente da turma)

    Desenham algo (um objeto, uma situao) e contam para o dinamizador o que intencionaram comunicar por meio do desenho (qual a mensagem que teve em mente ao criar o desenho). (5 min)

    Depois mostra ao auditrio que interpretar coletivamente o desenho. (5 min)

    Analisar qual foi o efeito ou a mensagem que se aproximou da inteno / Compararemos intenes aos resultados. (5 min)

  • Os signos so postos a funcionar da seguinte forma:

    os que agem nele (sobre eles) os conceberam

    para determinada interpretao; em

    seguida, outros os interpretam e

    reinterpretam ao estar diante desses.

    Carece realizar um questionamento quanto

    suposta obviedade de alguns signos.

    Mundo de Signos

  • Lucia Reily (2003, 2006, 2010) se constitui uma pesquisadora no campo de Artes Visuais e da Educao Especial, preocupando-se com a utilizao da imagem na ao pedaggica e no ensino de Artes.

    Princpio democrtico de letramento visual: (...), se a palavra para todos, a imagem tambm tem de ser (REILY, 2006, p. 26).

    Letramento visual

  • Preocupao com o objetivo pedaggico da escola, focado no domnio da linguagem verbal tanto no nvel oral quanto na dimenso grfica.

    Existncia de alunos que acessam a palavra por outras modalidades.

    Preocupao com os que acessam por uma escrita no convencional, sem utilizar a fala funcional ou pela compreenso e habilidade de faz-lo por meio de imagens.

    Acesso pelo visual

  • Lucia Santaella possui estudos de semitica (2005, 2010, 2012) assumidos como referncia, tendo como foco nesta oficina o conceito proposto por ela de matrizes de linguagem.

    A multiplicidade de formas de linguagens e os canais em que as linguagens se materializam demonstram combinaes e misturas, das trs matrizes lgicas de linguagem: verbal, visual e sonora.

    Matrizes de linguagem

  • Considere a seguinte frase: Ma significa ma.

    Agora compare com isto: Ma significa sade.

    Analisar

  • SignificanteSignificado

    Tentao

    Ma significaSade

    Fruta

    Pensando na ma em Lngua Brasileira de Sinais (LIBRAS), considere

    trs lnguas diferentes e poder ter trs significantes diferentes:

    SignificanteSignificado

    Apple (ingls)

    Apfel (alemo)significa

    Ma (portugus)

    Considere que o significante ma poder ter trs significados

    diferentes:

  • Relaes entre os contextos de produo dos objetos

    O que significa a ma nesta pintura?

  • Pintura que alude histria bblica de Ado e Eva no paraso. A ma foi o fruto que tentou Eva.

    No Captulo 2 da Gnesis, versculo 16 e 17: Podes comer do fruto de todas as rvores do jardim, mas no comas do fruto da rvore da cincia do bem e do mal (...).

    Na Bblia, como se v, no h referncia ao tipo de fruto, seja ma ou qualquer outro.

    O que parece importante na pintura de Cranach que a ma (que chamamos significante) foi a fruta usada para representar a tentao (que chamamos de significado) .

    Pinar imagens bem-sucedidas, na comunicao, depende de conhecer bem (reconhecer) a cultura de grupos com os quais se interatua.

  • O que acham disso?

    Analisar

  • O que acham disso?

    Placas da nave espacial Pioneer 10 e 11 (1972;1973) so um par de placas de alumnio anodizado em ouro que foram colocadas a bordo caracterizando uma

    mensagem pictria no caso da interceptao por vida extraterrestre.

    As placas mostram as figuras de um homem e de uma mulher (humanos), juntamente com vrios smbolos que fornecem informaes sobre a origem da nave espacial

    Analisar

  • Faz-se necessrio antever que h uma arquitetura de significao. possvel verificar que essa discusso est dentro de um arcabouo maior de anlise que contempla sociedade e cultura.

    Arquitetura

  • 2. Exerccio individual: seus pertences,

    sua vida em termos prticos, afetivos e

    histricos (cada um com uma folha) Escolha, entre seus pertences um exemplo de

    objeto que tenha valor tanto em termos de arte (esttico) quanto em termos prticos e/ou afetivos. (5 min)

    Faa uma lista escrita ou desenhada, avaliando o objeto: sua funcionalidade, a sua beleza esttica. As caractersticas de modo a apresentar aos colegas do seu lado. (10 min)

    Guarde o desenho porque usar mais adiante.

  • Parte 2

  • O que este desenho representa? ou Por que um chapu faria medo?

    Analisar

  • Essa uma imagem exemplar do livro O pequeno Prncipe, da autoria de Antoine de Saint-Exupri.

    O problema aqui que o narrador explica que ao apresentar este desenho aos adultos, todos viam um chapu, ento ele refez o desenho com um corte lateral para que fosse possvel ver o elefante dentro da jiboia.

    O narrador lamenta o fato de adultos sempre precisarem de explicaes mais detalhadas para poder ver a imagem, pois isso ocorreria de modo diferente com as crianas

  • Essa compreenso ou sentimento quando se trata de representao seria pertinente, pois as

    crianas seriam mais inventivas e

    criativas, embora mais

    literais.

    O que fascinante sobre crianas que embora elas normalmente sejam literais em

    sua abordagem perceptiva, elas

    tambm so ingnuas

    quanto s convenes da

    representao.

  • Este fator desencadeante de dois outros que so antecipaes necessrias dos adultos no ambiente educativo:

    1. Antecipar s crianas quanto s convenes de representao para que elas possam ter chave de leitura de diferentes formas visuais.

    2. Perguntar s crianas sobre suas experincias de vida, sobre as percepes frente s formas e sobre as suas prprias produes.

    Essas duas preocupaes so importantes para que seja possvel esperar uma gama maior de respostas.

    Transposio para o fazer na prtica

  • Laboratrios de desenho

    Outras Atividades (lab desenhos):Cada dupla executar um laboratrio de desenho diferente:

    DESENHO DE MONSTRO DE UM OLHO S.

    DESENHO DE ADULTO EM COLABORAO COM CRIANA.

    DESENHO A PARTIR DE BRINQUEDO(3D, 2D).

  • H um cachimbo nesta pintura? ou Isso no um cachimbo.

    Analisar

  • A resposta mais bvia seria dizer que a pintura de um cachimbo, no entanto, para elaborao

    pertinente seria melhor dizer que uma das formas ou modos de representar um cachimbo, mas no o objeto em si.

    O mesmo se pode dizer da palavra cachimbo que somente tem o poder de representar a presena (ou a ausncia) de um cachimbo, mas no passa de uma palavra, como tambm poderia ter sido inventada outra palavra para nomear como popeye ou fuuuuuuu.

  • Importante nesta formulao que a pintura ou desenho, aimagem, cumpre dois eventos de representao ou processo depensar a imagem:

    1. Habilidade das imagens e da linguagem representarem (bemou mal) a palavra ou a descrio.

    2. Se essa imagem no parecesse com o objeto (um cachimbo)seria impossvel ensinar que a imagem realmente parece.

    Deste modo, no processo de ensino h que se deparar com

    Convenes sociais, as cientficas, de linguagem e de lngua.

    Habilidades de leitura de mundo, das formas visuais, dasexperincias de vida.

    Transposio para o fazer na prtica

  • Analisar

  • Nuvens carregadas signo indicial de que vai chover. Ruas cheias de lama ndice de enchente e transbordamento de rios para quem vive no Rio de Janeiro.

    Isso ocorre quando o significante remete ao significado assumindo como base a experincia vivenciada pelo interpretador.

    Ao ver ruas lamacentas, mesmo sem chuva, isto um ndice de que pode ter havido chuva forte na noite ou no dia anterior. Mas isso s se torna evidente porque se tem experincias anteriores com chuvas e enchentes, seja por meio de experincias pessoais, seja por reportagens vistas na televiso.

  • Um exemplo de forma representativa sofisticada o SignWriting.

    possvel recriar por meio de smbolos visuais o que observado na dinmica da realizao da configurao das mos em chover, a direo do movimento, a complementao do rosto no primeiro sinal e assim sucessivamente.

    A frase na ordem gramatical da lngua de sinais

    Chover eu ir no, ou traduzindo para lngua

    portuguesa, Se chover, eu no irei.

  • Leia esta pintura

    Analisar

  • uma obra que mescla matrizes, mas mesmo que fossem retiradas palavra e frase da latinha, mesmo assim, a percepo e o efeito de leitura do surdo enlatado estariam, de certa maneira, presentes. A referncia de aparelho auditivo, na orelha, j d o teor da mensagem sobre a experincia com a surdez.

    o simblico toma lugar dentro da visualidade; est prximo da lgica do verbal.

    Obra intitulada Labelled, de Warren Miller.

  • 3. Exerccio em quarteto: eleger o objeto

    que comunica mensagens mais claras

    Eleja o de melhor valor comunicativo NA SUA FILEIRA (o que faz expandir o conhecimento do leitor sobre o dono do objeto, seu meio ambiente, o mundo, o passado e o presente) e seu valor decorativo, de entretenimento, de utilidade e de afeto. (5 min)

    Faam uma relao de palavras ou de desenhos que o grupo aplicaria em termos de mensagem (pistas que o objeto d sobre o seu dono, o seu meio ambiente, o mundo, o passado e o presente). (10 min)

  • 3. Exerccio em quarteto: eleger o objeto

    que comunica mensagens mais claras

    3 quartetos, um de cada vez, apresentaro o objeto com suas relaes escritas e desenhadas e a turma tentar adivinhar a qual dos integrantes do quarteto o objeto pertence.

  • O signo uma coisa que no o objeto; ele est no lugar do objeto e s pode funcionar como signo se carregar o poder de representar.

    A palavra casa, a pintura de uma casa, o desenho de uma casa, a fotografia de uma casa, o esboo de uma casa, um filme de uma casa, a planta baixa de uma casa, a maquete de uma casa, ou mesmo o seu olhar para uma casa, so todos signos do objeto casa. No so a prpria casa, (...). A natureza de uma fotografia no a mesma coisa de uma planta baixa.

    O poder de representar

  • No material impresso, o desenho de cmodos de uma casa para descrio.

    No igual

    No mural, a planta baixa de cmodos de uma casa com e sem objetos.

  • Fotografias de construo da casa de um aluno e/ou professor.

    Desenho da planta baixa de uma casa de aluno com objetos pelo prprio aluno.

  • Escrita de palavras que

    envolvem o relato sobre o

    cmodo de uma casa.

    Escrita de frases descritivas sobre a cena observada no cmodo de uma casa.

    J na apostila, o retorno tarefa de descrio de modo individualizado.

  • Parte 3

  • Letramento visual, verbal

  • Histrias em quadrinhos: Recurso narrativo

    que requer a unio de texto e desenho tornando mais

    claros conceitos confinados unicamente palavra. (LEBEDEFF, 2010)

    O papel de interpretar o de constatar a marca, no

    signo, de afeco (carisma) pelo objeto, e isso expe com intensidade sobre as motivaes de prticas pedaggicas de pessoas surdas por agregarem sentidos e carisma aos signos visuais.

  • Pequenos textos precisam de uma ao de ensino-aprendizagem, o dialogar sobre:

    1. pela quantidade de interpretaes disponveis,

    2. pelas imagens muito abertas interpretao,

    3. pela aplicao e a finalidade do intercmbio entre o visual e o verbal, essa conexo, pode ajudar a ancorar imagem e texto.

    Deve-se entender, como algo de uma praticidade mpar para a vida humana, a realizao da conexo imagem-palavra.

    Transposio para o fazer na prtica

  • Considere a pergunta:

    Qual texto est dizendo a verdade? Ou,

    Que instrues so necessrias para saber qual copo devo beber?

    Analisar

  • Exerccio em dois segundos: contraste

    Escolheremos duas ideias conceituais opostas (exemplo: presente-veneno / remdio-veneno).

    Desenharemos ou escreveremos duas colunas de informaes sobre esses dois opostos.

    Verifique com os seus colegas a intensificao ou o aguamento permitido pelo contraste.

    Observe e dramatize as ideias e informaes provocadas no contraste visual enquanto desenha ou escreve.

  • Por uma questo at mesmo de sobrevivncia preciso ler a imagem-palavra, a imagem-dramatizao de forma a agenciar uma amarrao da palavra ao objeto copo e, em seguida, a ao de pegar o copo certo como garantia da vida.

    Assim, sucessivamente, vo se dando situaes de leitura em rtulos, mapas, fotos, que agregam mensagens, ainda que simples, desse visual e verbal, amparando-se mutuamente na transmisso da mensagem.

    Mesmo que se sinalize com uma caveira, em rtulo, se entraria em outra propriedade de Como devemos comunicar o perigo s futuras geraes? Quanto uma imagem universal, permanente, perdura atravs dos tempos e geraes? Ou seja, a imagem pode falhar, pode perder significado ou no ser lida, no ser compreendida, tanto quanto a escrita.

  • Apesar do uso intensivo da imagem fora do ambiente escolar (jogos eletrnicos, publicidade, entretenimento, entre outros), ainda muito tmida a sistematizao de seu uso para fins pedaggicos no

    currculo. o conceito tradicional de texto linear ainda o dominante, (...) (LEBEDEFF, 2010).

    Lebedeff possui pesquisas que abordam o letramento, letramento visual, compreenso de leitura e escrita pelos surdos.

    Observa que h um distanciamento entre o discurso de que a educao deva ser visual e as prticas.

    Letramento por Lebedeff

  • Grfico em teia Tipo no linear de grfico organizador de ideias que auxilia na sistematizao originada a partir de um tpico central auxiliando o professor a realizar a estratgia denominada de tempestade de ideias, o grfico conhecido tambm como cloud, ou seja, nuvem. No grfico em teia, no existe hierarquia a priori, a organizao dos tpicos ocorre aps serem esgotadas as ideias.

    Mapa mental

  • Estratgia inicial: No primeiro exerccio conjunto so esgotadas ideias; a pesquisadora l todos os braos (de ideias) e sugere uma reorganizao de maneira que, em seguida, seja possvel construir um texto verbal.

    Mapa mental

  • Exerccio com a turma: mapa mental

    Os dinamizadores elegero alguns objetos (dos selecionados no incio desta oficina) ou selecionaro um tema atual para desenhar um mapa mental com auxlio da turma.

    Os dinamizadores expandiro o valor comunicante do objeto ou do tema mostrando o poder de associao de ideias e de organizao do pensamento por meio de mapa mentais.

    Podero utilizar palavras e desenhos.

  • Chama-se ateno para o letramento visual devido ao predomnio do letramento verbal.

    A opo pelo letramento visual combina com o que afirma a

    O desafio do letramento de alunos nos leva a refletir sobre a constituio do pensamento atravs de signos e seus significados construdos socialmente.

    Pensar ento em matrizes de linguagem, nas mltiplas combinaes possveis, manifestas em diferentes categorias de artefatos, se faz necessria para enriquecer a experincia pedaggica.

    Concluso

  • Necessidade de uma opo por qualidade nas imagens da sala de aula.

    Disponibilidade de materiais de ampla circulao por meio digital e impresso, criadas por profissionais qualificados (artistas plsticos, ilustradores, designers, publicitrios) alguns desses profissionais so surdos , e que no so utilizadas pelas escolas .

    A penria visual das escolas diante da exploso imagtica das ruas, das redes.

    Necessidade de tempo destinado pelo professor para a seleo de imagens com a participao dos alunos, de outros atores e a exigncia de materiais didticos editoriais de melhor qualidadepara a rede pblica de ensino .

    Concluso

  • Cristiane Taveira

    [email protected]

  • Obrigado pela pacincia :)

    [email protected]

    IHAInforma