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XLIII CONGRESSO DA SOBER “Instituições, Eficiência, Gestão e Contratos no Sistema Agroindustrial” Ribeirão Preto, 24 a 27 de Julho de 2005 Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural 1 PRINCIPAIS MERCADOS APÍCOLAS MUNDIAIS E A APICULTURA BRASILEIRA FRANCISCO LEANDRO DE PAULA NETO CPF: 780.833.543-68 Banco do Nordeste do Brasil S.A. Av. Paranjana, 5700 – Bloco A2 Térreo Fortaleza – Ceará CEP: 60740-000 [email protected] RAIMUNDO MOREIRA DE ALMEIDA NETO CPF: 232.473.503-04 Banco do Nordeste do Brasil S.A. AV. Agenor Araujo, 1153 - ED. Humberto Teixeira Iguatu – Ceará CEP: 635000-000 [email protected] Área Temática Área Temática: Comércio Internacional. Forma de Apresentação Forma: Pôster.

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XLIII CONGRESSO DA SOBER “Instituições, Eficiência, Gestão e Contratos no Sistema Agroindustrial”

Ribeirão Preto, 24 a 27 de Julho de 2005 Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural

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PRINCIPAIS MERCADOS APÍCOLAS MUNDIAIS E A APICULTURA BRASILEIRA

FRANCISCO LEANDRO DE PAULA NETO CPF: 780.833.543-68

Banco do Nordeste do Brasil S.A. Av. Paranjana, 5700 – Bloco A2 Térreo

Fortaleza – Ceará CEP: 60740-000

[email protected]

RAIMUNDO MOREIRA DE ALMEIDA NETO CPF: 232.473.503-04

Banco do Nordeste do Brasil S.A. AV. Agenor Araujo, 1153 - ED. Humberto Teixeira

Iguatu – Ceará CEP: 635000-000

[email protected] Área Temática Área Temática: Comércio Internacional. Forma de Apresentação Forma: Pôster.

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PRINCIPAIS MERCADOS APÍCOLAS MUNDIAIS E A APICULTURA BRASILEIRA

RESUMO Até cinco anos atrás a exploração de produtos apícolas, representada majoritariamente pelo mel, era inexpressiva se comparada ao mercado mundial dado o preço praticado que não da-va estímulos ao aumento da produção. Com a ocorrência de problemas envolvendo dois dos principais fornecedores mundiais em meados de 2000 (China e Argentina) houve forte queda no oferta do produto no mercado internacional, o que de o impulso necessário à explosão da produção de mel no Brasil. O objetivo do presente trabalho é fazer uma análise do compor-tamento do mercado apícola brasileiro como foco no mel de abelhas Apis mellifera L., tanto na esfera interna como externa. Os principais mercados apícolas mundiais estão interessados diretamente na qualidade do produto que está sendo comprado, agora não só com relação a parâmetros tradicionalmente utilizados como a cor, o tempo para cristalização e a florada de origem, mas com foco nas características químicas garantidoras de boa qualidade como os níveis de HMF, metais pesados, defensivos agrícolas, etc. No entanto, deve-se incentivar a busca por novos mercados externos, apoiada na qualidade e exoticidade do mel nordestino brasileiro. Verifica-se também a necessidade da ampliação da participação no mercado inter-no, ainda pouco explorado, visto que os preços no mercado externo continuam em queda por conta da volta da China e da Argentina ao cenário mundial, demandando desta forma, uma maior atuação mercado interno, historicamente com preços mais estáveis, e hoje em maior patamar que o mercado externo. Há a ampliação de mercado para outros produtos que não mel, sendo que tal fato está balizado no aumento da produção de pólen, própolis e cera e da caracterização de sua composição química. Palavras-chave: mercado apícola, mel, competitividade.

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1. INTRODUÇÃO

A apicultura brasileira se iniciou com enxames trazidos pelos imigrantes com a colo-nização, contudo, somente com a introdução de abelhas africanas em meados de 1956 é que se deu a revolução da apicultura no Brasil com o cruzamento das duas populações, produzin-do um híbrido conhecido hoje de abelhas africanizadas. Certamente que ocorreram proble-mas até que se chegasse no estádio de desenvolvimento atual, dada a agressividade dessas abelhas e a inabilidade dos apicultores em lidar com a nova realidade (SOARES, 2004).

Hoje, todos os estados praticam a criação de abelhas de forma racional, em maior ou menor força, dada a expansão do número de enxames nativos e de apiários, apoiada na gran-de quantidade e variedade da flora apícola brasileira. Soma-se a esse processo, o aparecimen-to de diversas empresas especializadas na venda de insumos e apetrechos para criação de a-belhas, além da criação de diversas linhas de pesquisa sobre o tema nos vários centros espa-lhados pelo país.

No tocante a exploração dos mercados, até cinco anos atrás a exploração de produtos apícolas, representada majoritariamente pelo mel, era inexpressiva se comparada ao mercado mundial dado o preço praticado que não dava estímulos ao aumento da produção, a época quase que totalmente direcionada para o mercado interno. No entanto, com a ocorrência de problemas envolvendo dois dos principais fornecedores mundiais em meados de 2000, China e Argentina, houve forte queda no oferta do produto no mercado internacional da ordem de 50.000 toneladas. Tal fato elevou o preço do produto a níveis nunca antes registrados, o que de o impulso necessário à explosão da produção de mel no Brasil como um todo, mas que te-ve maior impacto na apicultura nordestina.

O que se verifica atualmente é que com a voltada desses países no cenário internacio-nal, o preço tende a voltar ao seu patamar histórico, ficando entre US$ 0,90 e US$ 1,00 o quilograma de mel. Esse movimento claramente reduziu as margens de ganho apresentadas nos últimos cinco anos, demandado de apicultores e empresas exportadores melhorias no processo produtivo e nas relações de compra e venda a fim que de a apicultura nacional pos-sa seguir na sua trajetória de crescimento.

O objetivo do presente trabalho é fazer uma análise do comportamento do mercado apícola brasileiro como foco no mel de abelhas Apis mellifera L., tanto na esfera interna co-mo externa. Têm-se como objetivos específicos: o estudo da sazonalidade dos preços e das quantidades negociadas como os principais mercados externos consumidores de mel, o com-portamento dos principais mercados competidores e a apresentação das tendências para o mercado apícola mundial e a inserção do Brasil nesse cenário. 2. PRODUTOS DA APICULTURA 2.1 Mel

O mel pode ser definido como alimento elaborado pelas abelhas melíferas a partir de néctar e/ou secreções de partes vivas das plantas. Esse material é coletado, transformado e combinado com secreções próprias das abelhas, para ser posteriormente armazenado nos al-véolos dos favos e consumido por elas como alimento (LOPES et al., 2001). A Tabela 1 apresenta a produção mundial de mel entre 2000 e 2004. Nela pode ser observada a forte participação da China com 21,12% da produção em 2004, seguida dos Es-tados Unidos e Argentina com 6,28% e 6,12%, respectivamente. O Brasil está na décima quinta posição com 24.000 toneladas, representando 1,88% da produção mundial.

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TABELA 1. Produção de mundial de mel entre 2000 e 2004 em mil toneladas. País 2000 2001 2002 2003 2004 % em 2004

China 251.839 254.358 267.830 273.300 276.000 21,12Estados Unidos 99.945 84.335 77.890 82.144 82.000 6,28Argentina 93.000 80.000 85.000 85.000 80.000 6,12Turquia 61.091 60.190 74.555 75.000 75.000 5,74México 58.935 59.069 58.890 55.840 55.840 4,27Ucrânia 52.439 60.043 51.144 52.000 54.000 4,13Índia 52.000 52.000 52.000 52.000 52.000 3,98Rússia 53.922 52.659 49.400 50.000 52.000 3,98Espanha 28.860 31.617 36.101 36.101 36.045 2,76Canadá 31.857 35.388 37.072 33.566 35.000 2,68Etiópia 29.000 29.000 29.000 29.000 29.000 2,22Irã 25.260 26.600 28.045 29.000 29.000 2,22Tanzânia 26.000 26.500 26.500 26.500 26.500 2,03Coréia 17.741 22.040 25.500 25.500 25.500 1,95Brasil 21.865 22.220 23.995 24.000 24.500 1,88Outros 356.721 373.261 361.862 388.988 374.206 28,64

TOTAL 1.260.475 1.269.280 1.284.784 1.317.939 1.306.591 - Fonte: FAOSTAT (2005). São apresentados na Tabela 2 dados quanto a produção de mel no Brasil no ano de 2003. Como pode ser observado, a região Sul foi a principal fonte de produção de mel no pa-ís com 51,15%. A região Nordeste vem na segunda posição com 26,54% da produção no re-ferido ano. Com relação ao valor da produção, mais uma vez a região Sul assume a primeira posição (48,59%), no entanto, da mesma forma que a quantidade produzida a região Nordes-te deve ter sua participação substancialmente aumentada para os últimos dois anos. Dados não oficiais apontam que hoje no Brasil a produção chega a 40.000 t/ano com o montante de 500.000 apicultores em 2.000.000 colméias. TABELA 2. Quantidade produzida e valor obtido pela produção de mel nos estados e regi-

ões do Brasil no ano de 2003. Grandes Regiões e Unid. da Federação Volume (kg) % Valor (R$) % Norte 509.863,00 1,70 3.231.460,00 2,00Rondônia 194.057,00 0,65 1.356.560,00 0,84Acre 4.483,00 0,01 55.690,00 0,03Amazonas 1.018,00 0,00 6.108,00 0,00Roraima 70.000,00 0,23 212.100,00 0,13Pará 149.385,00 0,50 936.227,00 0,58Amapá - - - - Tocantins 90.920,00 0,30 664.775,00 0,41 Nordeste 7.967.658,00 26,54 36.771.086,00 22,74Maranhão 285.863,00 0,95 1.318.145,00 0,82Piauí 3.146.358,00 10,48 13.460.912,00 8,33Ceará 1.895.918,00 6,32 7.440.940,00 4,60Rio Grande do Norte 372.791,00 1,24 1.968.152,00 1,22Paraíba 58.643,00 0,20 504.982,00 0,31Pernambuco 653.418,00 2,18 3.660.898,00 2,26Alagoas 85.696,00 0,29 382.130,00 0,24Sergipe 50.343,00 0,17 309.783,00 0,19

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Bahia 1.418.628,00 4,73 7.725.144,00 4,78 Sudeste 5.335.856,00 17,77 36.537.025,00 22,60Minas Gerais 2.194.385,00 7,31 13.247.260,00 8,19Espírito Santo 312.455,00 1,04 2.019.023,00 1,25Rio de Janeiro 374.715,00 1,25 3.839.934,00 2,38São Paulo 2.454.301,00 8,17 17.430.808,00 10,78 Sul 15.357.099,00 51,15 78.560.104,00 48,59Paraná 4.068.191,00 13,55 18.657.574,00 11,54Santa Catarina 4.511.043,00 15,03 22.539.950,00 13,94Rio Grande do Sul 6.777.865,00 22,58 37.362.580,00 23,11 Centro-Oeste 851.928,00 2,84 6.574.121,00 4,07Mato Grosso do Sul 407.471,00 1,36 2.551.472,00 1,58Mato Grosso 241.112,00 0,80 1.985.867,00 1,23Goiás 178.845,00 0,60 1.742.782,00 1,08Distrito Federal 24.500,00 0,08 294.000,00 0,18

TOTAL 30.022.404,00 - 161.673.796,00 - Fonte: IBGE (2004). 2.2 Cera

A cera é utilizada pelas abelhas para construção dos favos e fechamento dos alvéolos (opérculo), sendo produzida por glândulas especiais (ceríparas), situadas no abdome das abe-lhas operárias (LOPES et al., 2001). Destaca-se que a produção nacional média por colméia é estimada em 1,2 quilogramas por ano, seguindo-se o regime normal de produção onde o mel é o produto principal. No entanto, quando se fala na produção direcionada para a cera, tais níveis alcançam valores bem maiores dado o uso de técnicas de aumento das populações nas colméias e alimentação artificial, dentre outras.

A Tabela 3 apresenta a produção de mundial de cera entre 2000 e 2004. Verifica-se que o Brasil encontra-se na décima primeira posição, com 1.650 toneladas, representando cerda de 2,82% do total mundial. TABELA 3. Produção de mundial de cera entre 2000 e 2004 em mil toneladas.

País 2000 2001 2002 2003 2004 % em 2004 Índia 19.600 19.600 19.600 19.600 19.600 33,55 Argentina 5.100 4.400 4.675 4.675 4.675 8,00 Turquia 4.527 3.174 3.700 3.700 3.700 6,33 Coréia 2.481 3.060 3.545 3.545 3.545 6,07 Etiópia 3.480 3.400 3.400 3.400 3.400 5,82 México 2.340 2.148 2.482 2.513 2.513 4,30 Quênia 2.490 2.490 2.490 2.490 2.490 4,26 Angola 2.300 2.300 2.300 2.300 2.300 3,94 Espanha 1.850 1.850 1.850 1.850 1.850 3,17 Tanzânia 1.750 1.800 1.800 1.800 1.800 3,08 Brasil 1.600 1.550 1.600 1.650 1.650 2,82 Estados Unidos 1.720 1.610 1.650 1.650 1.600 2,74 Outros 8.917 9.425 9.315 9.281 9.294 15,91

TOTAL 58.155 51.147 52.742 52.834 58.417 - Fonte: FAOSTAT (2004).

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Fica claro que constatar que os principais países exportadores de mel também o são de cera, podendo-se citar: China (4.814t), Estados Unidos (1.097t) e Alemanha (919t) com total de 9.673 toneladas em 2003. Não obstante a presença de alguns dados contraditórios no tocante ao preço unitário do produto como é o caso do Japão (US$ 10,96/kg) e Brasil (US$ 70,39/kg) tem-se que o referido parâmetro teve valores oscilando próximos a US$ 3,00-4,00/kg para a maioria dos países, especialmente aqueles com maior volume exportado. Da mesma forma que as exportações, os países que transacionam mel em grandes quantidades também têm fluxo de importações bastante expressivo para cera como é o caso da Alemanha (2.363t), dos Estados Unidos (2.195t) e da França (1.243t) com total mundial de aproxima-damente 10.100 toneladas (FAOSTAT, 2004).

No ano de 2004 o Brasil exportou cerca de 10 toneladas de cera em bruto com valor aproximado de 560 mil dólares, volume ínfimo frente ao que é comercializado no mundo. Tal fato se deve a forte demanda pelo produto no mercado interno dada a expansão do núme-ro de colméias em todo o país. Os países compradores do produto brasileiro foram Japão, Hong Kong, Holanda, China e Taiwan (MDIC-SECEX, 2005). 2.3 Pólen

Biologicamente, o pólen é o elemento floral masculino utilizado para a polinização das mais variadas espécies vegetais. É coletado pelas abelhas e transportado para a colméia, onde é armazenado nos alvéolos para posterior utilização no preparo de alimento para larvas jovens (WIESE, 1995).

No Brasil, ainda há falta de pólen no mercado, dada a falta de divulgação de informa-ções sobre o sistema de produção e o reconhecimento de demandas que justifiquem tal ini-ciativa. Dessa forma, há dificuldades de exportação em larga escala de pólen no momento, dada a pequena produção registrada.

No entanto, alguns produtores na Bahia têm conseguido bons resultados com o produ-to sendo vendido a R$ 22-28/kg, especialmente no Sul do estado por uma das grandes coope-rativas brasileiras do produto em Canavieiras-BA, a COOPERPOLEN que produz em torno de 1.000 kg/mês, sendo os principais mercados consumidores: Goiânia, Santa Catarina, Belo Horizonte, São Paulo. Cabe destacar que é verificada demanda maior que a oferta, gerando problemas como o fato de que não se conseguir fechar contratos com empresas do setor, pelo risco de não entregar o produto. Já foram feitas exportações para o Japão, contudo, não foi dada continuidade ao processo por falta de regularidade da oferta.1 Na espera global, a Espa-nha continua sendo o maior produtor de pólen do mundo (em torno de 500 t/ano), ficando o preço praticado pelo mercado em torno de US$ 1,00 cada 100 gramas. 2 2.4 Propólis

A própolis é uma substância resinosa, adesiva, balsâmica, elaborada pelas abelhas a partir da coleta de produtos existentes em botões florais, gemas e em cortes da casca dos ve-getais. Na colméia a própolis é utilizada como material para construção, impermeabilização, fechamento de frestas, cobertura de invasores mortos e que não possam ser retirados, entre outras formas de uso (WIESE, 1995; LOPES et al., 2001).

O mercado de própolis ganhou dinamismo nos últimos anos, especialmente devido a uma pesquisa conduzida em Minas Gerais com própolis verde, conduzida pela Fundação Eze-

1 Para contato: Ind.Com. de Prod. Apícolas LTDA, Travessa 2 de julho, 200 – Canavieiras – BA. Fone: (73) 284 1034, Fax: (73) 284.1856 e e-mail: [email protected]. 2 Informações fornecidas pelo apicultor Hans Dieter Nicolai. APICOM Ltda. Rua João Ziebarth 47 - Blumenau - SC CEP: 89035-250, Tel. +55 (0)47 3035 2282. E-mail: [email protected].

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quiel Dias (FUNED) sob a responsabilidade da Dra. Esther Margarida, a qual revelou que as abelhas reconhecem, instintivamente, a propriedade de algumas plantas, que ajudam na prote-ção da colméia e que podem também ser bastante úteis para o homem, inclusive no combate a doenças.3

A descoberta mais importante do trabalho foi apontar a família da planta que serve de base à produção da própolis verde. As abelhas utilizam-se da planta conhecida popularmente por alecrim do campo (Baccharis dracunculifolia) ou vassourinha, por se prestar à produção de vassouras no interior do estado. Por meio de análise realizada nos países asiáticos verifi-cou-se sua eficácia no combate a diversas enfermidades, o que deu margem ao forte aumento da demanda verificado.

O preço da própolis no mercado interno fica entre R$ 20-100,00/kg com média de R$ 50,00/kg dependendo da origem e da qualidade do produto. O que se tem verificado é que o baixo volume e a falta de cuidado na coleta e no acondicionamento tem feito com que o pro-duto tenha o seu preço reduzido quando da prospecção de negócios. Tais problemas podem ser mitigados com a difusão de tecnologias de coleta e pela concentração em entrepostos de cooperativas e associações. 2.5 Outros

A geléia real é uma substância produzida pelas operárias pela ação das glândulas hi-pofaringeanas e mandibulares, usada como alimento das larvas e da rainha (LOPES et al., 2001). Apresenta ação biocatalizadora nos processos de regeneração de células no corpo humano dada sua composição e quantidades de proteínas, carboidratos, vitaminas, hormô-nios, enzimas e substância minerais (WIESE, 1995). Sua produção no Brasil é incipiente, com foco em demandas de ordem médica.

A apitoxina é o veneno das abelhas operárias, que é armazenado na base do ferrão e usado na defesa da colméia. É uma substância transparente, solúvel em água, composta de proteínas, aminoácidos, lipídeos e enzimas (LOPES et al., 2001). Estudos científicos revelam ser um eficiente medicamento para a saúde humana, recomendado para doenças como artrite, reumatismo, tendinite, bursite, nevrite, afecções cutâneas, doenças oftalmológicas e trata-mento de esclerose múltipla (WIESE, 1995). Apesar de seu reconhecido valor, no Brasil a apitoxina não tem grande expressão, dada a carência de fornecedores. A demanda está con-centrada em laboratórios que produzem remédios para reumatismo, artrite, reumatismo, ten-dinite, bursite, entre outras moléstias. Desta forma, a produção deve ser orientada para a compra da apitoxina por comprador previamente reconhecido. 3. MERCADO INTERNO PARA O MEL: CARACTERÍSTICAS E ENTRAVES PARA SUA EXPANSÃO

Um ponto difícil de se estabelecer é o mercado interno real. Sabe-se que no Brasil de uma forma geral o consumo per capita anual fica entre 250 e 300 gramas entre as classes alta e média. Para o Sul esse valor sobe para 400 gramas/ano, caindo para somente 150 gra-mas/ano na região Nordeste. O aumento do consumo interno faz com que o país se torne me-nos vulnerável às oscilações do mercado externo. Além disso, o envio do mel fracionado pa-ra União Européia tem uma séria de fatores complicadores, logo, o referido produto deve ser direcionado ao mercado interno que é realmente um grande consumidor potencial.

3 Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais - FAPEMIG. Pesquisa da Funed estuda a origem botânica e as propriedades da própolis verde, característica de Minas Gerais. Revista Faz Ciência Minas. no 9. dezembro de 2001 a fevereiro de 2002. Endereço eletrônico para consulta: http://revista.fapemig.br/9/propolis.html.

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Uma estratégia que se mostra viável em médio prazo é estimular o aumento do con-sumo por meio de campanhas para introdução do referido alimento nas refeições diárias da população. Uma ação importante realizada por algumas prefeituras é a introdução de saches de mel na merenda escolar do município com consumo diário estimado em 10 g/aluno/dia. Não obstante a possibilidade de introdução do mel na merenda escolar, existem outras estra-tégias a serem implementadas junto ao mercado interno, tais como a criação e divulgação de catálogos sobre mel e derivados de cada região de produção, destacando sua importância pa-ra a alimentação humana.

Segundo Pereira e Vilela (2003) no estado de Alagoas, os apicultores, associações e cooperativas vendem seu produto exclusivamente para o mercado local e regional. Os apicul-tores comercializam direto ao consumidor final, atravessadores, distribuidores e atacadistas, sendo que associações e cooperativas também comercializam direto ao consumidor final, ha-vendo um pequeno percentual comercializado a prefeituras, varejistas e distribuidores. Um pequeno percentual é vendido a indústrias, varejistas, associações e cooperativas. As maiores dificuldades encontradas no comércio são: falta de produção para atender o mercado consu-midor de grande porte, preços baixos, desconhecimento de alternativas de venda, sazonalida-de da demanda, alta taxas de impostos e qualidade do produto que não atende ao mercado consumidor.

Quanto ao acesso ao mercado nacional, os produtores associados de Alagoas alegam que, além da insuficiência do volume de produção, os obstáculos são: o excesso de burocra-cia, desconhecimento de procedimentos administrativos, falta de participação em feiras e e-ventos nacionais, produtos sem especificação adequada e as exigências legais dos estados importadores.

Vilela e Pereira (2002) relatam que no Rio Grande do Norte existem dois mercados distintos: o mel para consumo humano direto e o mel industrial (produção de alimentos, me-dicamentos, cosméticos, etc.). Segundo o referido estudo, a maior parte do mel é comerciali-zada diretamente com o mercado local. No entanto, tem-se o indicativo de que a participação de atravessadores tende a aumentar dado que as associações não têm capital de giro para ab-sorver a produção. Os atravessadores atuam no repasse de produto para indústria de benefici-amento do Centro-Sul, as quais envasam e distribuem para pontos de comercialização de to-do o país. Atuam como pontos de estrangulamento a desestruturação das associações para coordenar o processo de comercialização, além do volume ainda insuficiente de produção para atender grandes contratos.

No referido mercado 53% dos entrevistados consomem mel, ficando a média estima-da de consumo per capita em 300g/pessoa/ano. Cerca de 49% alegam fim apiterapêutico pa-ra o consumo, sendo o fator mais importante para compra do produto a qualidade do mesmo (66% dos entrevistados). Um fator comum para todo o Nordeste é a preferência pela garrafa de vidro de um litro (64%). Um fator preocupante é que somente 24% dos consumidores sa-bem diferenciar o mel centrifugado do mel espremido.

Segundos estudos realizados por Vilela (2003) para o estado do Piauí, 86% dos en-trevistados consomem mel, sendo que cerca de 35% alegam fim apiterapêutico e 36% como alimento para o consumo, sendo a compra feita principalmente em supermercados (58% dos entrevistados). Os obstáculos verificados são: falta de comprometimento dos associados em repassar sua produção para suas respectivas associações e cooperativas, baixos preços pagos aos produtores, baixo nível de qualificação técnica para a manutenção da qualidade do pro-duto. 4. INSERÇÃO DO BRASIL NO MERCADO MUNDIAL DE MEL

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A produção do mel brasileiro representava, até um passado recente, cerca de 5% do mercado internacional, sendo praticamente, toda produção destinada para o mercado interno. Recentemente, fatores externos acabaram beneficiando a apicultura nacional, fazendo com que ocorresse uma surpreendente elevação das exportações. Tal fato ocorreu quando os mai-ores exportadores mundiais, China e Argentina, tiveram suas exportações vetadas por ques-tões de ordem sanitária, notadamente a constatação da presença do cloranfenicol, antibiótico cancerígeno, empregado no combate a doenças das abelhas (China) e processos antidumping movido pelos Estados Unidos (Argentina). 4

Os principais mercados importadores de mel no mundo são a Alemanha (23,27%), Estados Unidos (22,92%) e Japão (10,89%), vindo em seguida diversos outros países com presença massiva da União Européia. Um ponto que não pode ser esquecido é o fato que di-versos países como a Alemanha compram mel para reexportam a outros países, atuando tanto como grandes importadores como grandes exportadores do produto. Os valores quanto aos principais importadores de mel no mundo em 2003 encontram-se na Tabela 4.

A principal característica envolvida é a compra em grande parte de mel não-fracionado, ou seja, mel envasado em grandes recipientes como tambores de 200 litros, sen-do fracionado somente no país de destino, desta forma, a agregação de valor ao produto é fei-ta longe de sua área de produção.5

Com base no que foi colocado, uma das alternativas futuras para quem dispõe de produção de qualidade, como a que o Brasil se dispõe a fornecer, é investir em especializa-ção, como se faz na União Européia com diversos produtos agro-alimentares, de forma que num futuro não muito longínquo esses produtos raros e valiosos possam ser colocados no mercado como DOP - Denominação de Origem Protegida, ou IGP - Indicação Geográfica Protegida, havendo maior identificação dos produtos fornecidos com a sua região de origem de produção.

TABELA 4. Principais importadores de mel no mundo em 2003.

País Volume (toneladas) Valor (mil US$) Valor unitário (US$/kg) Alemanha 93.532 240.851 2,58Estados Unidos 92.151 219.496 2,38Japão 43.785 62.014 1,42Reino Unido 21.867 64.229 2,94França 15.165 49.532 3,27Itália 14.449 42.382 2,93Espanha 11.119 27.269 2,45Arábia Saudita 9.976 28.344 2,84Países Baixos 9.575 22.794 2,38Canadá 8.830 18.135 2,05Austrália 8.779 24.988 2,85Suíça 6.790 21.950 3,23Bélgica 6.652 20.997 3,16Dinamarca 5.486 15.185 2,77Outros 53.848 117.995 2,19

TOTAL 402.004 976.161 2,43Fonte: FAOSTAT (2005).

4 Tal decisão terminou criando um déficit estimado de cinqüenta mil toneladas de mel no mercado internacional, segundo da-dos da Confederação Brasileira de Apicultura. 5 Além do que foi colocado, cabe lembrar que quase todo o mel produzido no planeta é composto por diferentes méis, homo-geneizados ou 'blends', sendo um grande exemplo desse tipo de estratégia o mel chinês, logo, o mel brasileiro deixa de ter seu espaço dada suas características singulares de qualidade e sabor.

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Com relação às exportações de mel, verifica-se em 2003 a forte presença de dois

principais mercados exportadores que são, China (21%) e Argentina (17,56%). Não obstante a suas massivas atuações, os referidos mercados tiveram sérios problemas. Cabe destacar que hoje tais exportadores já voltaram ao mercado internacional, impulsionando os preços para seus níveis históricos.

Como já foi comentado, a Alemanha atua tanto como grande país importador como também por exportador (5,27%) do mercado mundial. Nesse cenário, o Brasil aparece na quinta posição com cerca de 19.273 mil toneladas exportadas (4,8% do mercado mundial). Os dados quanto aos principais exportadores de mel no mundo em 2003 encontram-se na Tabela 5.

TABELA 5. Principais exportadores de mel no mundo em 2003.

País Volume (toneladas) Valor (mil US$) Valor unitário (US$/kg) China 84.328 106.001 1,26Argentina 70.499 159.894 2,27México 25.018 67.947 2,72Alemanha 21.161 79.291 3,75Brasil 19.273 45.545 2,36Hungria 15.807 52.040 3,29Canadá 15.041 47.253 3,14Turquia 14.776 36.421 2,46Chile 12.810 33.186 2,59Espanha 11.633 38.385 3,30Vietnã 10.548 18.917 1,79Outros 100.690 260.667 2,59

TOTAL 401.584 945.547 2,35Fonte: FAOSTAT (2005).

Na Tabela 6 são apresentados dados quanto às exportações brasileiras por estado en-tre 2001 e 2004. No geral, pode ser verificado crescimento expressivo a partir de 2001, dada condição extremamente favorável no mercado externo. Verifica-se majoritária participação do estado de São Paulo com 56,42 % em 2004, seguido de Santa Catarina com 27,59% e Ce-ará com 15,73%. Cabe lembrar que ocorre também movimentação de mel dentro do país, lo-go, a produções de alguns estados pode estar sendo comercializada por centros concentrado-res da produção com São Paulo-SP, Teresina-PI e Fortaleza-CE. Cita-se como exemplo o ca-so do Baixo Jaguaribe-CE que enviam grande parte de sua produção para esses três centros.6 Com relação ao preço praticado, tem-se que o mesmo tem crescido nos últimos anos, partin-do de US$ 1,07/kg em 2000 para US$ 2,02/kg em 2004, contudo, verifica-se que a tendência mundial é o re-estabelecimento do preço praticado historicamente que é de US$ 1,00/kg do produto. TABELA 6. Exportações totais de mel do Brasil por estado entre 2001 e 2004. 2001 2002 2003 2004

6 Informação extraída do trabalho “Pólo de Desenvolvimento Integrado Baixo Jaguaribe – informações estratégias” elaborado pelo pesquisador José Maria Marques de Carvalho e editado pelo BNB em 2003.

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Estado t mil US$ t mil US$ t mil US$ t mil US$ % 04São Paulo 197 250 5.387 10.349 6.337 14.988 8.554 17.245 56,42Santa Catarina 1.814 2.042 2.718 4.634 4.036 9.511 4.183 8.518 27,59Ceará 244 237 1.966 3.462 2.342 5.642 2.385 4.524 15,73Piauí - - 741 1.278 3.010 6.996 1.748 3.325 11,53Paraná 123 147 849 1.682 1.912 4.590 1.735 3.896 11,44R. G. do Sul 0 0 77 165 555 1.282 1.691 3.340 11,15Minas Gerais 42 50 902 1.568 814 1.900 288 621 1,90Rio de Janeiro 0 0 0 1 0 0 261 477 1,72Bahia - - - - 245 579 122 297 0,81Outros 61 67 0 1 20 48 61 128 0,40

TOTAL 2.483 2.793 12.640 23.140 19.272 45.537 21.028 42.372 - Fonte: MDIC-SECEX (2005) com cálculo dos autores.

Fazendo a análise da sazonalidade mostrada na Tabela 7, tem-se que com relação aos preços praticados, os números apresentam média amplitude de variação que chega a 21%, fi-cando o mês de janeiro com preço 12% abaixo do preço médio e o mês de dezembro como o de melhor desempenho apresentando preços médios com aproximadamente 15% acima do preço médio praticado. Em se falando das quantidades ofertadas, ocorre grande amplitude de variação, chegando a 48%, ficando o mês de junho 13% abaixo da quantidade média e o mês de dezembro 35% acima da quantidade média ofertada no referido período. O volume de mel comercializado apresenta um pico durante o ano ocorrendo entre os meses setembro a dezem-bro. TABELA 7. Mel produzido no Brasil - Índices sazonais de preços praticados e da quantidade

ofertada (série 2001 - 2004). Índices (%) Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

I.S. de preços 88 94 96 100 98 99 99 100 95 107 111 115 I.S. da quantidade 78 90 89 124 88 87 105 89 104 108 104 135 Fonte: MDIC-SECEX (2005) com cálculo dos autores. 4.1 Alemanha

A Alemanha é o maior mercado mundial de mel representando 23,27% de tudo que foi importado em 2004. O referido país figura também como um dos principais exportadores fi-cando com 5,27% do volume exportado em 2004, atuando fortemente como re-exportador, comprando mel a granel de outros mercados, envasando e redistribuindo para o resto da Euro-pa e continentes vizinhos.

Segundo dados fornecidos pelo Expanding Exports Helpdesk (2005), a Alemanha im-portou em 2003 cerca de 92.096,30 toneladas onde a Argentina atuou como o principal forne-cedor chegando a 29.077,30 toneladas (31,57% do total), vindo em segundo o México (8.598,90t) e em terceiro o Brasil com 8.016,60 (8,7% do total importado).

Segundo o apicultor Hans Dieter Nicolai, o qual tem larga experiência com referido mercado atuando como produtor por 13 anos e atualmente como exportador do mel brasileiro, a apicultura alemã está em decadência pois a grande maioria dos apicultores atua de forma familiar e não tem descendentes interessados em continuar com o negócio. Os méis são prati-camente monoflorais (de bosque, acácia, girassol, canola e dente-de-leão). A grande maioria tem entre 10 e 50 colméias, sendo que praticamente não existe venda no atacado onde grande parte vende o produto em feiras ou no próprio local de produção. O consumo de mel caiu qua-

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se 30% nos últimos anos por causa dos altos preços praticados, fruto da morte de mais da me-tade dos enxames causada pelo ácaro Varroa sp. durante o inverno retrasado. 7

Fazendo a análise da sazonalidade mostrada na Tabela 8, tem-se que com relação aos preços praticados, os números apresentam pequena amplitude de variação que chega a 10%, ficando o mês de setembro como preço 5% abaixo do preço médio e os meses de março e a-bril como o de melhor desempenho apresentando preços médios com aproximadamente 5% acima do preço médio praticado. Em se falando das quantidades ofertadas, ocorre grande am-plitude de variação, chegando a 78%, ficando o mês de setembro 28% abaixo da quantidade média e o mês de abril 50% acima da quantidade média ofertada no referido período.

TABELA 8. Mel produzido no Brasil - Índices sazonais de preços praticados e da quantidade

ofertada para a Alemanha (janeiro 2001- dezembro de 2004). Discriminação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

I.S. de preços 98 99 105 105 103 98 98 97 95 100 100 103 I.S. da quantidade 95 111 122 150 93 84 108 81 72 76 82 126 Fonte: MDIC-SECEX (2005) com cálculo dos autores. 4.2 Estados Unidos da América

Os Estados Unidos são o segundo maior mercado importador mundial de mel, repre-sentando 22,92% de tudo que foi importado em 2004. Cabe destacar que hoje é um dos mer-cados mais promissões para o Brasil frente à evolução apresentada nos últimos anos.

Fazendo a análise da sazonalidade mostrada na Tabela 9, tem-se que com relação aos preços praticados, os números apresentam pequena amplitude de variação que chega a 14%, ficando o mês de outubro com preço 8% abaixo do preço médio e o mês de janeiro como os de melhores desempenhos apresentando preços médios com aproximadamente 6% acima do preço médio praticado. Em se falando das quantidades ofertadas, ocorre grande amplitude de variação, chegando a 127%, ficando o mês de março com 65% abaixo da quantidade média e o mês de setembro 61% acima da quantidade média ofertada no referido período.

TABELA 9. Mel produzido no Brasil - Índices sazonais de preços praticados e da quantidade

ofertada para os Estados Unidos (outubro de 2001- dezembro de 2004). Discriminação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

I.S. de preços 106 104 103 100 102 102 100 99 99 92 97 97 I.S. da quantidade 76 78 35 98 44 98 106 97 161 146 129 132 Fonte: MDIC-SECEX (2005) com cálculo dos autores.

Na Tabela 10 são apresentados os volumes exportados pelos principais fornecedores de mel para os Estados Unidos. Uma característica importante no referido mercado é a modi-ficação anual do comportamento das importações por país, dada a ocorrência de fatores ad-versos como a imposição de taxas antidumping como foi o caso da Argentina, a constatação da presença de contaminações com produtos de ação terapêutica como no caso da China ou mesmo a ampliação das participações de novos fornecedores como é o caso do Brasil. Essa última afirmação pode ser constatada com base no aumento da participação de outros merca-dos fornecedores não-tradicionais entre 2000 e 2004 (1.363,37%).

Em Janeiro de 2003, a União Européia alterou as regras para a análise de resíduos de produtos de origem animal oriundos de países do novo mundo. Tal medida tornou proibida a

7 Informações fornecidas pelo apicultor Hans Dieter Nicolai. APICOM Ltda. Rua João Ziebarth 47 - Blumenau - SC CEP: 89035-250, Tel. +55 (0)47 3035 2282. E-mail: [email protected].

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exportação de mel dos Estados Unidos para a referida região, dada a ação insuficiente do programa de monitoramento de resíduos da FDA para o mel exportado por este fornecedor (KIPE, 2003).8 No entanto, A Comissão européia que estudo o assunto re-incluiu os Estados Unidos na lista dos países aptos a exportar mel para a referida região, tomando por base a a-tualização dos planos de controle de resíduos adotado (VANDERCAMMEN, 2004).9 TABELA 10. Volume de exportações dos principais fornecedores do mercado norte-

americano em toneladas. Países 2000 2001 2002 2003 2004 % em 2004 Δ (00 – 04) %

China 26.819,00 17.713,30 7.582,50 22.826,90 26.915,80 33,19 0,36Canadá 12.959,90 10.563,70 19.617,20 11.607,10 10.171,70 12,54 -21,51Vietnã 1.902,40 5.750,50 14.355,80 7.979,40 9.895,00 12,20 420,13Índia 0,00 20,00 2.465,20 4.645,40 6.948,30 8,57 - Brasil 154,3 145,5 5.363,4 7.297,4 3.690,4 4,55 2.291,70Argentina 45.009,70 20.471,80 8.691,60 4.424,80 3.619,70 4,46 -91,96México 2.075,70 4.241,50 11.544,10 7.350,50 3.253,80 4,01 56,76Outros 1.135,00 6.793,90 22.287,50 24.774,70 16.609,30 20,48 1.363,37TOTAL 90.056,00 65.700,20 91.907,30 90.906,20 81.104,00 - -9,94Fonte: United States Department of Agriculture (2005).

Ainda sobre a Tabela 10, verifica-se que o Brasil teve grande expansão no mercado em estudo, partindo de 154,3 toneladas em 2000 para 3.690,4 em 2004, contudo, houve forte queda de 2003 para 2004 (-49,42%). Deve ser destacado que há grande diferença entre os dados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior a-través da SECEX-Secretaria de Comércio Exterior e o Departamento de Agricultura dos Es-tados Unidos através do seu serviço de dados agrícolas sobre comércio exterior para todos os períodos estudados.

Fazendo um breve comentário sobre a produção doméstica norte-americana, tem-se que o número de colméias em produção em 2004 ficou em de 2,56 milhões, 2% a menos que em 2003, ficando a produtividade em 32,63 kg/colméia/ano, 3% acima que em 2003. O pre-ço praticado caiu cerca de 22% de 2003 para 2004 para todas as classes de cores, exceto para aquelas não especificadas (NATIONAL AGRICULTURAL STATISTICS SERVICE, 2005).

A restrição das importações de méis vindos da China foi balizada por processo anti-dumping movido contra o referido país, representado por quatro exportadores entre dezem-bro de 2001 e novembro de 2003, sendo que as margens praticadas foram alteradas em feve-reiro último pelo Departamento de Comércio norte-americano com base nos relatórios aperi-antados pelos envolvidos. A margem média a ser praticada ficou em 43,68% com intervalo entre 25,72 a 51,71% o que coloca o preço em um patamar elevado frente aos outros forne-cedores. Outras empresas tiveram suas taxas mantidas em 183,8% (INTERNATIONAL TRADE ADMINISTRATION, 2005). 4.3 Reino Unido

Outro destino importante para o mel brasileiro nos últimos dois anos é o Reino Uni-do. Segundo os dados referentes ao ano de 2004 apresentados na Tabela 11 ocorre majoritá-ria participação do estado de São Paulo, respondendo por 71,57% de todo o volume exporta-do. Oriundos do Nordeste, somente o Ceará e a Bahia figuram como exportadores para esse

8 Para ver o texto oficial consultar: http://europa.eu.int/eur-lex/en/dat/2003/l_164/l_16420030702en00140016.pdf 9 Para ver o texto oficial consultar: http://europa.eu.int/eurlex/pri/en/oj/dat/2004/l_312/l_31220041009en00190023.pdf

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mercado com 9,52% e 1,05% do volume comercializado, respectivamente. Segundo os refe-ridos dados, o Reino Unido ultrapassou o volume de mel comercializado com os Estados U-nidos, ainda que por muito pouco.

TABELA 11. Exportações brasileiras de mel para o Reino Unido por semestre em 2004 (to-

neladas). Estado 1o semestre 2 o semestre 3 o semestre 4 o Semestre TOTAL %

São Paulo 687 1.010 421 582 2.700 71,57Santa Catarina 20 140 240 0 400 10,60Bahia 40 0 0 0 40 1,05Paraná 40 40 0 20 101 2,68Ceara 21 85 125 127 359 9,52Minas Gerais 115 19 38 0 173 4,58

TOTAL 924 1.295 825 729 3.773 - Fonte: SECEX\MDIC (2005).

Como pode ser observado na Tabela 12, há pequena diferença de preço durante o ano para os referidos mercados, contudo, verifica-se que os períodos de início e fim de ano são os melhores em termos de preço para os mercados estudados. Observa-se certo compasso com o volume de mel exportado pelo Brasil que tem sua maior concentração nós últimos meses do ano.

Estabelecer contratos de venda conforme a sazonalidade de preços pode ser uma es-tratégia viável, contudo, a apicultura nordestina ainda não está preparada para um passo mui-to importante para esse processo que é a armazenagem do mel produzido. Dito isso, diante de temperaturas superiores a 37º C, o mel passa a sofrer transformações químicas que resulta no surgimento de uma substância denominada Hidroximetilfurfural - HMF, que indica a de-gradação do mel. O teor de HMF aumenta no mel à medida que a temperatura se eleva, im-plicando na redução de qualidade do produto. TABELA 12. Índice sazonais dos preços médios praticados para o mel produzido no Brasil

exportado para Alemanha e Estados Unidos e das quantidades ofertadas pelo Brasil para o mercado mundial (série 2001 - 2004).

Ano J F M A M J J A S O N D Alemanha 98 99 105 105 103 98 98 97 95 100 100 103

EUA 106 104 103 100 102 102 100 99 99 92 97 97 Brasil* 78 90 89 124 88 87 105 89 104 108 104 135

Fonte: MDIC-SECEX (2005) com cálculo dos autores. *. Índices referentes a todas a exportações brasileiras. Legenda:

Nível Intervalo BOM Índice de sazonalidade maior ou igual ao preço médio (100%)

REGULAR Índice de sazonalidade entre 90 e 99% do preço médio RUIM Índice de sazonalidade abaixo de 90% do preço médio

4. PRINCIPAIS PAÍSES COMPETIDORES 4.1 China

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Não há revisões oficiais da produção de mel chinesa, contudo, pelas fontes das indús-trias esse valor fica entre 150.000 e 200.000 toneladas, ficando a média dos últimos anos em 170.000 toneladas. São estimadas cerca de 6 a 7 milhões de colônias, onde 5 milhões são de espécie origem ocidental com a atuação de cerca de 300.000 apicultores. A produtividade por colônia e estimada fica entre 50 a 100kg/colônia/ano de mel e 1,5 a 2,2 kg/colônia/ano de ge-léia real, destacando que se trata, em muitos casos de apicultura migratória. Tais valores têm sido melhorados nos últimos anos graças a melhoria no manejo de doenças e ácaros.

A china exportou 102.888 toneladas em 2000, 15% a mais que em 1999. Vale lembrar que há significativa quebra do que é produzido para o que é passível de comercialização, algo em torno de 20% segundo dados de 1999. Outros produtos apícolas tiveram sua produção es-timada em 2000: 1.500 toneladas de geléia real, 3.000 a 3.500 toneladas de pólen, 2.500 tone-ladas de cera e 300 toneladas de própolis (BRANSON e JIANPING, 2001).

Cabe destacar que o Comitê Permanente sobre a Cadeia Alimentar e a Saúde Animal decidiu pela autorização da importação para a União Européia (EU) de produtos de origem animal procedentes da China. Entre outras medidas, as autoridades sanitárias chinesas com-prometeram-se a examinar todos os lotes de produtos destinados à exportação e emitir um cer-tificado somente para aqueles que estiverem em conformidade com os requisitos da UE.

Desta forma, o mel chinês volta a União Européia com um primeiro volume de 500 containers, os quais despertam expectativas para saber se passarão nos controles sanitários e levantam queixas da produção local porque foram compradas por apenas US$ 1.000 a tonela-da CIF (já incluso os gastos de transporte e despacho). A expectativa é que a entrada o mel chinês impulsione os preços praticados para baixo na ordem de 30%.10

Existem ações do Governo quanto à prevenção de doenças nas colônias, difusão de tecnologias e treinamento dos apicultores, assim com o estímulo a organização de pequenos produtores de forma coletiva. Alem disso, o governo tem estimulado a diminuição do proces-so de migração para melhor aproveitamento das fontes naturais de alimento, buscando a me-lhoria da qualidade de vida dos apicultores (BRANSON e JIANPING, 2001). 11

O Japão é ainda o principal mercado para os produtos apícolas chineses, respondendo por 37% de todo o volume exportado em 2000, sendo o principal produto cotado a geléia real dado que compra 50% de todo o volume exportado. O quarto mercado de mel é a Alemanha (11.935 toneladas em 2000), atrás do Japão (38.500 t), Estados Unidos (23.688 t) e Reino U-nido (13.304 t) e à frente da Espanha (7.217 t) e Canadá (2.500 t).

O consumo interno de mel na China cresce entre 5 a 10% por ano, sendo que o consu-mo de geléia real cresce a 20% no mesmo período. Tal fato está vinculado também ao cresci-mento do número de empresas e de estabelecimentos que comercializam o mel. No entanto, dada a enormidade da população, o consumo per capita fica em somente 50 gramas por habi-tante. (BRANSON e JIANPING, 2001). 4.2 Argentina

A produção de mel argentina em 2001 apresentou queda se comparado aos anos ante-riores devido a condições adversas de clima, caindo de 93.000 toneladas em 2000 para 80.000 toneladas em 2001. As exportações também foram reduzidas pela influência das taxas de

10 Informação extraída do portal da APACAME da revista no 79 de novembro de 2004 no artigo “Chega o primeiro mel chi-nês à Europa”. 11 O mel chinês é classificado como de segunda linha dada a ocorrência de problemas com a qualidade do mel pela presença de antibióticos, tendo suas exportações reduzidas nos últimos anos, contudo, está de volta ao mercado internacional impul-sionando o preço para seu nível histórico que é de um dólar por quilo do produto. Para enfrentar a volta do mel chinês, o maior diferencial brasileiro para manter o nível das exportações em elevação e ganhar mais espaço no exterior é comerciali-zar o produto envasado, agregando valor e divulgando as características do mel brasileiro.

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compensação (countervailing duties12) pelo processo antidumping impetrado pelos Estados Unidos (ACCAN, 2001).

O Departamento de Agricultura argentino estimou que em 2001 existiam cerca de 2,8 milhões de colônias, sendo que a capacidade máxima estimada é de 45 milhões de colônias. A produtividade média fica entre 30 e 35 kg/colônia/ano, no entanto, em algumas áreas tais va-lores ficam entre 60 e 70 kg/colônia/ano, sendo a província de Buenos Aires responsável por mais de 50% da produção do país. O consumo per capita estimado é de 200 gramas (ACCAN, 2001).

Segundo dados de 2003 da Secretaria de Agricultura argentina, a produção registrada em 2003 foi de 74.000 toneladas, sendo que as exportações de mel aumentaram em 40% em 2003, onde foram comercializadas 70.314 toneladas com valor de US$ 160 milhões (95% do total produzido), sendo os principais mercados Alemanha (30.845 toneladas com valor de US$ 68 milhões), Reino Unido, Itália, Austrália e Canadá.

Já em 2004, no período entre janeiro e agosto foram exportados cerca de 40.723 tone-ladas com valor de US$ 87 milhões, 39% menos que o mesmo período em 2003. Os princi-pais mercados foram: Alemanha (18.641t), Itália (5.317t), Reino Unido (3.340t) e Espanha (3.436t). As exportações de mel fracionado ficaram em 307 toneladas com valor aproximado de US$ 900.000,00 sendo os principais destinos Países Baixos, Itália e Brasil (23,8t) (JANIN e SANTOS, 2004).

Segundo Nimo e Janin (2003), o maior problema do mel argentino é o nível atual de resíduos detectados nos méis do país, inclusive por que o principal mercado consumidor en-contra-se em crescente aumento de exigência no tocante a esse quesito.

A sazonalidade das quantidades exportadas e dos preços praticados pela Argentina en-contram-se na Tabela 13. Com relação aos preços praticados, houve grande amplitude 70%, ficando fevereiro e junho 15% abaixo e outubro 55% acima do preço médio praticado. Para as quantidades ofertadas, ocorre grande amplitude 105%, ficando dezembro 44% abaixo e o mês de fevereiro 61% acima da quantidade média ofertada no período. TABELA 13. Mel produzido na Argentina - Índices sazonais de preços praticados e da quan-

tidade ofertada (1991-2002). Discriminação Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

I.S. de preços 89 85 88 86 91 85 89 98 120 155 103 111 I.S. da quantidade 86 161 158 144 121 96 85 81 75 68 66 56 Fonte: Dirección de Mercados Agroalimentarios - Area de Productos no Tradicionales.13 4.3 México

Os níveis da produção mexicana em 2003 foram quase totalmente retomados após o furacão Isidore em 2001, ficando em 62.039 toneladas, 5% acima da verificada em 2002 (58.890 toneladas). O referido furacão destruiu cerca de 50% das colônias e devastou várias áreas de espécies nativas usadas pelas abelhas como fonte de alimento. Tal recuperação foi re-sultado de melhores condições ambientais e pela efetiva ação do governo em programas de treinamento e no replantio de espécies nativas. Fontes oficiais apontam que o repovoamento com novas colônias e a rotação de rainhas irá fomentar a obtenção de maiores produtividades (HERNANDEZ, 2003). A produtividade estimada para 2003 ficou em 30,9 kg/colônia/ano. O 12 Taxa de compensação é o instrumento usado pelo governo de um país importador a fim de compensar os subsídios que possam estar sendo concedidos ao exportador e, assim, entre outras coisas, evitar o (dumping). Em geral, é um imposto adua-neiro, ou taxa de importação, de montante igual ao subsídio pago ao exportador; visa a anular a vantagem das exportações subsidiadas, colocando-as em pé de igualdade, não só com as demais importações, como também com os produtos feitos in-ternamente. 13 Para consulta: http://siiap.sagyp.mecon.ar/

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pico de produção mexicana de mel se concentra nos últimos três meses do ano, no entanto, são verificadas pequenas quantidades ao longo do ano também.

Há informações de que serviços de polinização na parte Central e Noroeste do país es-tão aumentando o número de apicultores e agricultores através de joint ventures, aumentando também as produtividades obtidas. Tal atividade envolve cerca de 200.000 colônias em cultu-ras hortícolas e frutíferas como abacate, citros (HERNANDEZ, 2003).

No momento, o setor apícola tem concentrado esforços no Programa de qualidade do mel promovido pelo Ministério da Agricultura (SAGARPA) que tem como objetivo elevar a qualidade do mel tanto para o mercado interno quanto o produto exportado. Além disso, com a aplicação de programas governamentais os apicultores demonstram capacidade de controlar o ácaro Varroa sp. e abelhas africanizadas em níveis aceitáveis (HERNANDEZ, 2003).

As exportações estimadas para 2003 ficaram em 35.000 toneladas, 21,1% de aumento se comparado a 2002, dada a política agressiva de marketing internacional e mercado interno insuficiente. O principal mercado é a Alemanha com 15.796 toneladas (54,75% do total), vin-do em segundo lugar os Estados Unidos com 7.374 toneladas (25,53%). São também merca-dos importantes: Arábia Saudita, Reino Unido, Suíça, Bélgica e Japão.

O volume de importações estimado para 2003 ficou em 100 toneladas, ficando desti-nada para hotéis e resorts, restaurantes e a demanda institucional (HRI sector), o mais expres-sivo no México. Tal fato é justificado dado que o mel produzido e comercializado no mercado interno é geralmente de menor qualidade que o importado. Essa demanda é suprida quase que totalmente pelo mel norte-americano. Importações vindas dos EUA, Canadá, Costa Rica, Chi-le e Nicarágua têm taxa zero, enquanto que para os outros paises é aplicada taxa de 20%. O México poderá se tornar um mercado importador expressivo nos próximos anos, com foco em restaurantes refinados, resorts e áreas residenciais maciças localizadas nas suas principais ci-dades (HERNANDEZ, 2003). 5. PRINCIPAIS TENDÊNCIAS DE MERCADO 5.1 Ampliação do mercado interno

Dado o cenário que se anuncia para o ano de 2005 e períodos subseqüentes com o re-torno do preço do mel aos patamares históricos entre US$ 0,90 a US$ 1,00/kg, tem-se o au-mento da importância do mercado interno para sustentar o contínuo avanço da atividade apí-cola. Desta forma, existem diversas estratégias para se atingir esse objetivo, podendo-se citar a potencialização do consumo do mel como apiterápico, a ampliação do consumo como ali-mento por meio do estímulo do seu consumo em vários espaços como, por exemplo, escolas, centros de saúde, estabelecimentos públicos, dentre outros. Deve ser estimulado também o consumo de outros produtos apícolas como o pólen, a própolis e a geléia real como alimento ou mesmo com suplemento alimentar.

Não obstante ao potencial que o mercado interno tem para absorver parte da produ-ção nacional, alguns problemas tem que ser solucionados para que se concretize tal cenário. O primeiro problema está na questão de que os produtos apícolas não têm divulgação na mí-dia, o que mantém a visão histórica e equivocada de que o mel é apenas um remédio, em de-trimento de sua reputação como alimento barato e saudável. O segundo ponto é tratada do preço elevado pago pelo consumidor frente ao que o apicultor recebe com a venda do produ-to, muitas vezes, ultrapassando aumentos de 500%, o que desestimula o aumento do consu-mo per capita e não remunera adequadamente o apicultor, nem o estimula a buscar alternati-vas para o aumento da qualidade do produto. Hoje na maioria dos grandes centros consumi-dores o produtor em está vendendo o mel a um preço médio de R$. 2,50/kg, sendo o mesmo encontrado no supermercado ao preço de R$ 15,00/kg.

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5.2 Méis orgânicos e socialmente justos A comercialização do mel por si só tem se configurado bom negócio nos últimos a-nos, devido em grande parte, pelo aumento da demanda do produto no mercado internacio-nal, seu maior consumidor quando se fala de mel brasileiro. No entanto, outros segmentos desse mercado têm crescido, ainda que em taxas pequenas por estar relacionado a um peque-no grupo consumidor. Têm-se como exemplos o mel obtido em sistema orgânico de produ-ção e, produzido em bases sociais mais igualitárias.14

Uma das grandes preocupações do mercado mundial é a eliminação total de resíduos antibióticos e defensivos agrícolas no mel, estando nesse mister um grande diferencial do Nordeste, dada a saúde apresentada pelas abelhas e as vastas áreas apícolas livres de defensi-vos agrícolas. A presença de antibióticos no mel não traz apenas risco para a perda de col-méias, mas também para a imagem do país com um todo, dado que o Brasil tem se apresen-tado no mercado internacional com um mel de sabor diferenciado e sem a presença de tais contaminantes.

A apicultura orgânica é a estratégia mais promissora quando se fala do mel produzido no Nordeste, seja pela colocação de seu mel nesse segmento cada vez mais amplo, seja pelo preço diferenciado pago. Cabe lemvar que o referido nicho representa muito pouco frente ao que é comercializado de mel no mundo. No Brasil, o Instituto Biodinâmico – IBD é o órgão certificador de maior experiência quando se fala de produtos orgânicos, inclusive sendo re-conhecido por outros órgãos de certificação internacionais (IBD, 2003). Tal fato é extrema-mente relevante dado que segundo Willer e Yussefi (2003), excetuando-se produções da Ar-gentina e Costa Rica, todos os países da América Latina necessitam ser re-certificados na União Européia através de uma de suas companhias para entrar no mercado.

A comercialização do mel chamado socialmente justo é também conhecida como fair trade, a qual paga valores acima do preço de mercado para ajudar as comunidades reconhe-cidamente carentes e que têm ação conservacionista. Tem-se como exemplo a Comunidade de Simplício Mendes, a qual ganhou destaque internacional em 2001, quando a Associação dos Apicultores da Microrregião de Simplício Mendes - AAPI recebeu selo de exportação do Ministério da Agricultura e passou a vender mel para a Itália. Até 2003, a Associação expor-tou 20 toneladas de mel silvestre para o mercado italiano, a US$ 2,6/kg em fair trade e 80 toneladas para o norte-americano, a US$ 2,4, na época, 60% acima do preço no mercado in-terno. 5.3 Outros produtos apícolas (própolis, cera, pólen e geléia real)

O mel é notoriamente o produto da apicultura mais conhecido e comercializado no mundo, contudo, uma série de outros produtos também têm seu mercado conquistado, ainda que em pequeno volume. Nesse grupo se incluem a cera de abelha, a própolis, o pólen, a ge-léia real e a própria apitoxina. De maneira similar a outros países, este mercado tem crescido pela procura por produtos naturais de alta qualidade e, mais diretamente, por produtos que atendam a anseios específicos do consumidor, porém com formulações naturais (SEBRAE, 2004).

O Brasil está iniciando a exploração desses novos produtos, contudo, de forma ainda muito incipiente dado baixo uso de tecnologia pra tal fim, a falta de tradição nesses mercados e a pequena demanda. Para que se tenha mercado estável para esses produtos faz-se necessá-rio o estímulo para a instalação de projetos que visem não só a exploração do mel, mas tam-

14 Tais produtos se configuram como alternativa para a diversificação do mercado nacional e, principalmente internacional, sendo verificada participação de Organizações Não Governamentais (ONGs) junto a comunidades carentes.

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bém a incorporação da obtenção dos outros produtos no processo produtivo. Cabe destacar também a necessidade da criação de legislação relacionada para a produção e comercializa-ção de todos esses produtos. 6. CONCLUSÕES

Com base nas informações fornecidas conclui-se que os principais mercados apícolas mundiais estão interessados diretamente na qualidade do produto que está sendo comprado, agora não só com relação a parâmetros tradicionalmente utilizados como a cor, o tempo para cristalização e a florada de origem, mas com foco nas características químicas garantidoras de boa qualidade como os níveis de HMF, metais pesados, defensivos agrícolas, etc. No en-tanto, deve-se incentivar a busca por novos mercados externos, apoiada na qualidade e exoti-cidade do mel nordestino brasileiro.

Verifica-se também a necessidade da ampliação da participação no mercado interno, ainda pouco explorado, visto que os preços no mercado externo continuam em queda por conta da volta da China e da Argentina ao cenário mundial, demandando desta forma, uma maior atuação mercado interno, historicamente com preços mais estáveis, e hoje em maior patamar que o mercado externo.

Há a ampliação de mercado para outros produtos que não mel, sendo que tal fato está balizado no aumento da produção de pólen, própolis e cera e da caracterização de sua com-posição química. Deve-se lembrar também da opção pelo uso de colméias para a polinização de áreas de fruticultura (maça, laranja, melão, caju, etc.). 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACCAN, Edna. Argentina Honey Update 2001. USDA Foreign Agricultural Service: Global Agriculture Information Network. 2001. 4p. (GAIN Report - AR1067) BRANSON, Adam; JIANPING, Zhang. China, Peoples Republic of Honey 2001. USDA Foreign Agricultural Service: Global Agriculture Information Network. 2001. 9p. (GAIN Report - CH1017) EXPANDING EXPORTS HELPDESK. Germany Imports from all partners (including EU member states) for natural honey in year 2003. Disponível em: < http://export-help.cec.eu.int/>. Acesso em 25 de janeiro de 2005. FAOSTATSTAT. Key statistics of food and agriculture external trade. Disponível em: < http://www.FAOSTATSTAT.org/es/ess/toptrade/trade.asp>Acesso: 19 de janeiro de 2005. Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará - FAEC. Demandas da cadeia produtiva da apicultura do estado do Ceará. FAEC: Fortaleza. 2004. 45p. HERNANDEZ, Gabriel. Mexico Honey Annual 2003. USDA Foreign Agricultural Service: Global Agriculture Information Network. 2003. 8p. (GAIN Report - MX3148) IBGE. Pesquisa da Pecuária Municipal - 2003. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/ >Acesso: 24 de dezembro de 2004. IBD. Diretrizes para o Padrão de Qualidade ORGÂNICO INSTITUTO BIODINÂMI-CO®. 11ª edição. Botucatu: IBD. 2003. p. 38-41.

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