Rede Global Bancária

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Jornal produzido a nvel nacional para os bancrios do HSBC

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  • Bancrios da Amrica Latina unidos

    pelo direito de organizao sindical

    Trabalhadores querem participar

    da nova regulamentao do

    sistema financeiro

    Os trabalhadores do setor financeiro internacional

    querem ter assento na mesa de discusso das novas normas de

    atuao do sistema financeiro. Aps a crise econmica

    internacional, que teve incio nas empresas do setor, se torna cada

    vez mais urgente a mudana da regulamentao do setor.

    A UNI Sindicato Global elaborou uma proposta para essa

    discusso que prev a participao ativa dos trabalhadores no

    novo modelo de regulao. A idia que os trabalhadores auxiliem

    as autoridades na fiscalizao de uma srie de processos do

    sistema, como regulamentao e prticas em remunerao e

    incentivos a trabalhadores no executivos, no mercado financeiro

    de produtos, treinamento dos trabalhadores em regulamentao e

    normas, entre outros.

    Os bancrios da Amrica Latina estaro nas ruas entre os dias 14

    e 18 de dezembro de 2009 em mais uma Jornada Internacional de Lutas

    por melhores condies de trabalho e contra as prticas anti-sindicais

    adotadas pelas empresas, que desrespeitam convenes internacionais e

    perseguem trabalhadores ligados a entidades sindicais. A jornada uma

    iniciativa da UNI Amrica Finanas, sindicato internacional do setor

    financeiro nas Amricas e Caribe, e do Comit de Finanas da Coordenadora

    das Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS), organizao regional dos

    bancrios, com o apoio das entidades filiadas em cada pas.

    As prticas anti-sindicais so comuns em todos os pases do

    continente. Os bancos pressionam e perseguem trabalhadores ligados a

    entidades sindicais, dificultando sua progresso na carreira e chegando

    at a casos de demisso, deixando de lado convenes da Organizao

    Internacional do Trabalho (OIT) que garantem a livre organizao dos

    trabalhadores em todo o mundo.

    Um exemplo claro de perseguio se deu no Paraguai, tendo

    como vtima a funcionria do Interbanco Marisol Rojas. Ela foi demitida

    mesmo sendo sindicalista, o que lhe garante estabilidade de acordo com o

    contrato coletivo de trabalho dos bancrios. Alm disso, Marisol estava

    grvida, o que lhe garante proteo pela lei paraguaia.

    Para combater este tipo de abuso das empresas, os bancrios

    pretendem intensificar o uso de instrumentos internacionais, como as

    denncias Organizao para Cooperao e Desenvolvimento Econmico

    (OCDE) e a ISO 26000, que trata de responsabilidade social.

    As diretrizes da OCDE so normas que regulamentam a atuao

    de empresas multinacionais fora de seus pases. Os governos dos pases

    membros e observadores da organizao so obrigados a estabelecerem

    um Ponto de Contato Nacional (PCN), rgo com funo de receber as

    denncias de violao das diretrizes. As denncias podem ser feitas contra

    empresas estrangeiras com atuao no pas ou contra aes de empresas

    nacionais em outros pases. O caso da paraguaia Marisol Rojas foi

    denunciado pela entidade brasileira Contraf-CUT ao PCN brasileiro que

    lamentavelmente ainda no encaminhou nenhuma resposta.

    A ISO 26000 ser uma norma internacional sobre

    responsabilidade social que orientar as aes de organizaes

    (empresas, sindicatos, universidades etc). Em discusso por um frum

    especfico, a norma reunir diversas regulamentaes internacionais,

    como convenes da OIT, declarao dos Direitos Humanos e as prprias

    diretrizes da OCDE. Ela ser uma referncia para as empresas que queiram

    ser consideradas de fato socialmente responsveis e para a cobrana

    desse comportamento por parte dos trabalhadores.

    Boletim Especial 05 Dezembro, 2009 Jornada Internacional de Luta UNI Amricas Finanas - Comit de Finanas da CCSCS

  • Os bancrios do HSBC em toda a Amrica Latina no tm

    muito o que comemorar nos mais de dez anos de atuao do

    banco ingls no continente. A empresa mantm uma poltica de

    demisses de bancrios, que sobrecarrega os trabalhadores,

    gerando excesso de horas-extras, estresse e doenas

    profissionais. Essa foi a avaliao dos representantes dos

    trabalhadores na 5 Reunio Conjunta das Redes Sindicais de

    Bancos Inrternacionais, realizada em Santiago do Chile nos dias

    26 e 27 de novembro.

    No Brasil, o banco lidera j h dois anos o ranking de

    reclamaes de clientes feito pelo Banco Central, entidade

    responsvel pela regulamentao do setor financeiro no pas. O fato

    reflexo direto da falta de funcionrios, que prejudica a qualidade do

    atendimento aos clientes. As ms condies de trabalho, somadas

    aos baixos salrios pagos pela empresa, tm feito com que muitos

    trabalhadores saiam voluntariamente da empresa, agravando a

    situao dos que ficam.

    No Uruguai, o HSBC e o Citibank so os nicos bancos que

    tm uma jornada de trabalho de 8 horas, enquanto os demais

    trabalhadores do sitema bancrio privado trabalham 6 horas e meia.

    A luta do sindicato e dos bancrios que a jornada de trabalho

    nesses dois bancos seja reduzida tambm para 6 horas e meia.

    Estado de alerta

    Na Argentina, o desrespeito jornada de trabalho

    tambm constante. Trabalhadores so pressionados todos os

    dias para fazer horas-extras sem receber o pagamento devido.

    H relatos de problemas de sade nas agncias e

    particularmente entre os trabalhadores do call-center. Depois

    que as demisses foram denunciadas ao Ministrio de Trabalho,

    o movimento sindical conquistou a reintegrao de

    trabalhadores. Os bancos se mantm em estado de alerta em

    funo da implementao do HSBC One.

    Na Colmbia, depois de finalizada a conveno coletiva

    deste ano, o HSBC desencadeou uma poltica demisses,

    justificadas pelo banco ingls pela necessidade de adequar o

    quadro de pessoal sua nova estratgia comercial. No entanto,

    h uma absoluta falta transparncia nesse processo. Alm disso,

    os representantes dos trabalhadores denunciaram na 5

    Reunio Conjunta das Redes Sindicais de Bancos Inrternacionais

    uma deliberada estratgia de cooptao dos dirigentes sindicais

    por parte do banco ingls.

    Bancrios do HSBC lutam contra

    demisses e sobrecarga de trabalho

    Expediente

    COORDINADORA DE

    CENTRALES SINDICALES

    DEL CONO SUR

    Dezembro, 2009 Jornada Internacional de Luta UNI Amricas Finanas - Comit de Finanas da CCSCS

    Rede Global Bancaria uma publicao especial para a Jornada Internacional de Luta

    convocada pelo Comi da UNI Amricas Finanas (www.union-network.org) e do Comit de

    Finanas da Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul (www.ccscs.org). Elaborado

    pela Secretaria de Imprensa da Contraf-CUT - Confederao Nacional dos Trabalhadores

    do Ramo Financeiro (www.Contrafcut.org.br)

    No Paraguai, h denncia de abuso na jornada de trabalho com

    pagamento parcial de horas extras. O contrato coletivo est

    vencido h um ano, porque o banco no quer reajustar os

    salrios com base na inflao. O banco no cumpre com suas

    prprias poliicas internas em relao a temas de sade,

    segurana e outros, muito menos com suas regras internas

    para demisses de empregados. Alm disso, se detetaram

    casos de assdio moral e perseguio sindical, s vezes

    camufladas e outras abertamente. A implementao do sistema

    HSBC One em fevereiro de 2010 prev demisses iminentes.

    Solidariedade internacional aos bancrios

    ingleses

    A poltica de demisses atingiu recentemente a sede da

    empresa, na Inglaterra, onde o banco anunciou a demisso de

    1.700 trabalhadores. Os bancrios da Amrica do Sul prestam

    sua solidariedade aos trabalhadores ingleses e cobra da

    direo do banco que reveja essa deciso. Os sindicatos esto

    em estado de alerta pelas possveis mudanas de sistema no

    Mxico e Panam e no permitiro que haja demisses na

    Amrica do Sul.

    Os trabalhadores no podem pagar pelos erros

    cometidos pelas empresas que levaram crise internacional.

    A resposta para todos esses problemas enfrentados

    pelos trabalhadores passa pela construo de uma cooperao

    efetiva entre as entidades sindicais de todo o mundo. Contra as

    aes de empresas multinacionais cada vez mais poderosas,

    preciso globalizar a luta dos trabalhadores.

    Juntos somos fortes.

    Juntos lo hacemos cumplir.