Relevo e Biomas piauienses

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  • 1. Relevo e Hipsometria A anlise do relevo de qualquer rea tem como base a sua formao geolgica e o seuclima. O contorno oeste do Piau formado pelo vale do rio Parnaba; j o leste e o sul da BaciaSedimentar do Maranho-Piau formam um arco de planaltos (chamados de serras e chapa-das), resultantes do soerguimento dessa bacia por movimentos tectnicos [VER MAPA 01].Neste arco de fronteiras esto as maiores altitudes do territrio piauiense, que variam de 600a 800 metros de altitudes. Na sequencia de norte para sul, encontram se a Cuesta da Ibiapa-ba/Serra Grande, que formam limite com o Cear; a Serra do Bom Jesus do Gurgueia (seccio-nada em vrias Serras locais, como a da Capivara, das Confuses, dos Gerais e Vermelha) e aChapada das Mangabeiras, que forma limites estaduais com a Bahia, Tocantins e Maranho. Destaque-se que em vrios pontos dessa bacia sedimentar encontram-se curiosas e belasformas de relevo, elaboradas a partir do desgaste das rochas arenticas expostas eroso daschuvas e dos ventos, chamadas de feies ruiniformes. Compartimentos regionais de relevo e formas locaisObserve a classificao estrutural de Iracilde Maria de M. F Lima (1983 e 1987) [VER MAPA01]. Em linhas gerais, os grandes conjuntos de formas e os tipos de formas locais que ocorremnos compartimentos regionais do relevo piauiense so a seguir identificados:I.Depresses Perifricas Bacia Sedimentar do Maranho-PiauII. Chapades do Alto-Mdio ParnabaIII.Planalto Oriental da Bacia Sedimentar do Maranho-PiauIV. Baixos Planaltos do Mdio-Baixo ParnabaV.Tabuleiros LitorneosVI. Plancie CosteiraI DEPRESSES PERIFRICAS BACIA SEDIMENTAR DO MARANHO-PIAU Este compartimento representado por uma faixa de reas do Sudeste e parte do Sul doPiau, elaborado em estrutura cristalina pr-Cambriana. Esta faixa corresponde a uma porodas depresses que se estendem pelo interior da regio Nordeste brasileira, denominada dedepresses intermontanas e genericamente conhecidas por sertes nordestinos. Tambmfaz parte deste compartimento uma pequena poro da rea do extremo nordeste do estado(prxima ao mar), como continuao dessas depresses cristalinas que se estendem pela reacearense, no limite norte do planalto ou serra da Ibiapaba. Topograficamente, essa rea piauiense corresponde a uma faixa deprimida que se limitade um lado pelo bordo da bacia sedimentar do Maranho-Piau e do outro por um conjunto deserras cristalinas, nos limites com os estados da Bahia e Pernambuco, sendo as de maior ex-presso a Serra da Tabatinga e a Serra Dois Irmos, que formam os divisores topogrficos dasbacias hidrogrficas do Rio Parnaba e do So Francisco, neste trecho. Desta forma, adota-se neste trabalho a classificao de Iracilde Lima, que tem por base osindicadores da geologia, de relevo e de hidrografia, em nveis sub-regional e local, para deno-minar este compartimento de Depresses Perifricas Bacia Sedimentar do Maranho-Piau, ao invs de depresses perifricas do mdio So Francisco, uma vez que esta depres-so pertence bacia hidrogrfica do Parnaba e no bacia hidrogrfica do So Francisco. Estaltima classificao adotada em estudos que utilizam a bacia hidrogrfica do rio So Francis-co como referncia regional, como o caso do Projeto Radam (1973). importante observar, ainda, que no contato com Pernambuco e Cear, entre a SerraGrande e a dos Dois Irmos, penetra sobre o Cristalino piauiense uma pequena poro daChapada do Araripe, formada por sedimentos da Era Mesozica, cujo topo na rea piauiense

2. de aproximadamente 600 metros.II CHAPADES DO ALTO-MDIO PARNABA Este compartimento corresponde ao conjunto de extensos Planaltos tabulares, conheci-dos como chapades do Sul do Piau. Inicia-se no bordo da bacia sedimentar do Maranho-Piau, no contato com as Depresses Perifricas Bacia Sedimentar do Maranho-Piau, indoat o vale do rio Paranaba (no sentido leste-oeste). No sentido sul-norte, localiza-se desde aChapada das Mangabeiras, que chega a 800 m de altitude, at os planaltos mais baixos, nasproximidades da barragem de Boa Esperana, com cerca de 300 m de altitude. Topograficamente, esses planaltos correspondem s superfcies tabulares de estruturahorizontal, de topos planos e levemente inclinados, decrescendo gradativamente de sul paranorte. O nvel de base local desse compartimento (que corresponde ao fundo dos vales) situa-se em cerca de 200 m de altitude. Esses planaltos so isolados uns dos outros pelos vales dos grandes rios, que se apresen-tam com fundos chatos e encostas predominantemente retilneas verticais. Essas vertentes ouencostas so mantidas pelas rochas resistentes eroso, mescladas com camadas rochosasmenos resistentes, formando patamares estruturais voltadas para o fundo dos vales. O limite sudeste deste compartimento formado pelo planalto conhecido por Serra doBom Jesus do Gurgueia, cujas escarpas se encontram voltadas para a depresso perifrica,intensamente dissecada pela eroso diferencial. Essa grande serra encontra-se seccionada,formando vrios planaltos de menores dimenses, como a Serra da Capivara, do Congo, dasConfuses, das Guaribas e a Vermelha. Essas serras formam os divisores topogrficos dos altoscursos dos rios Gurgueia, Itaueiras e Piau, pois a nascem afluentes desses grandes rios quedrenam todo o compartimento [como pode ser visto nos mapas 01 e 02]. Em algumas dessasserras forma-se, ainda, estreito e profundos vales (chamados de boqueires ou canyons) etambm grutas arenticas, que formam nas linhas de falhas e fraturas.III PLANALTO ORIENTAL DA BACIA SEDIMENTAR DO MARANHO-PIAU Este compartimento corresponde ao bordo leste da bacia sedimentar do Maranho-Piau,sendo sua poro Norte conhecida com Serra da Ibiapaba e sua poro sul como Serra Grande.Estas duas grandes serras compem, assim, um mesmo conjunto estrutural, que foi seccionadapelo rio Poti, formando um vale canyon (ou boqueiro). Este formado pelo encaixamentodesse rio, que nasce no Cear em estrutura cristalina e entra na bacia sedimentar, indo desa-guar no rio Parnaba, na cidade de Teresina, Capital do Piau. Topograficamente, esse conjuntoreflete o soerguimento do bordo leste da bacia sedimentar e o mergulho de suas formaesgeolgicas para o interior dessa bacia, a oeste, formando um planalto tipo cuesta. Este pla-nalto apresenta suas maiores altitudes no estado vizinho do Cear, para onde tem voltado oseu front (escarpa abrupta), e alcana a altitude de 900 m. Assim, apresenta-se com suavesdeclividades para o lado piauiense (que corresponde ao seu reverso), com altitudes decres-cendo para oeste, sendo desdobrado ou compartimentado por vales estruturais chamadosdepresses ortoclinais, como a que ocorre em Pedro II e Domingo Mouro, nas serras dos Ma-tes e da Cangalha. Tambm cortado por vales fluviais, formando planaltos de menores di-menses dentro dessa grande cuesta regional. 3. Os planaltos de menores dimenses so considerados formas de relevo locais e corres-pondem ao desdobramento da grande cuesta em vrios planaltos, divisores topogrficos dealguns afluentes dos rios Piranji, Long, Poti e Canind. IV BAIXOS PLANALTOS DO MDIO-BAIXO PARANABA Este compartimento corresponde ao conjunto dos baixos planaltos dissecados, que for-mam divisores topogrficos dos rios Long, do baixo curso do rio Poti, do mdio e baixo cursosdo rio Canind, com altitudes mximas variando entre 200 e 300 metros. As formas locais so resultantes da dissecao sob climas atuais ou sob paleoclimas,quando a drenagem foi isolando pequenos planaltos rebaixados. As formas modeladas se a-presentam em formas tipo mesa (encostas retilneas e topos horizontais) que ocorrem oraagrupadas, ora de forma isoladas. Nas reas mais midas, esses baixos planaltos apresentam-se com encostas levemente convexas e topos mais abaulados, formando baixos planaltos ecolinas. V TABULEIROS PR-LITORNEOSEste compartimento corresponde a uma rea de topografia plana, caimento para o norte,denominada de tabuleiros pr-litorneos. Representa uma faixa de 30-50 km de largura, ela-borado em rochas da Formao Barreiras, entre a bacia sedimentar do Maranho-Piau e olitoral piauiense. As cotas mais elevadas dessa rea encontram-se no seu limite sul, com altitu-des um pouco abaixo de 100 m, formando o divisor topogrfico que limita a bacia hidrogrficado rio Parnaba com as pequenas bacias dos rios litorneos. VI PLANCIE COSTEIRA Conforme se observa no MAPA 01 e na figura ao lado, a PlancieCosteira piauiense corresponde faixa litornea, que se inicia na baadas Canrias, indo at a baa formada na foz conjunta dos rios Ubatuba(piauiense) e Timonha cearense. Apresenta largura que varia de me-nos de 1 km no trecho entre o seu limite leste at o rio Camurupim,passando a alargar-se para 5 a 7 km em direo Ilha Grande de SantaIsabel.1 Plancie Costeira Os campos de dunas se formam a partir das praias, compondo-se 2 Tabuleiros Pr-litorneosde dunas mveis, dunas fixas e paleodunas, que se distribuem na pla-ncie litornea, entre os sedimentos Tercirios do Grupo Barreiras e o Oceano Atlntico. As principais formas locais que ocorrem nessa faixa so as praias, as ilhas do Delta do rioParnaba e a ilha da Mota, os campos de dunas, as baas e as plancies flvio-marinhas [VERMAPA 03]. As praias so predominantemente arenosas e sofrem influncia das mars, sendoas mais frequentadas: Cajueiro da Praia, Barra Grande, Macap, Coqueiro, Atalaia e Pedra doSal. As maiores baas so a das Canrias, Amarrao e Ubatuba/Timonha, que se formam nafoz dos rios que tm sentido sul-norte e sofrem maior influncia das mars. As ilhas que selocalizam entre os canais do rio Parnaba, formam o delta na foz desse rio, onde se alternammangues e dunas. 4. MAPA 03 As plancies flvio-marinhas correspondem aos traos dos rios que sofrem influncia dasmars altas, quando inundam os leitos dos rios, fazendo-os transbordarem e alargarem os seusleitos, inundando frequentemente os seus terraos fluviais. Em maior expresso, esse fen-meno ocorre nos rios Igarau, Cardoso, Camurupim e alguns afluentes. 5. Vegetao e FaunaA vegetao resulta da inter-relao entre o clima, as rochas, o relevo