Talento, pra quê? Talento, pra quê?

download Talento, pra quê? Talento, pra quê?

of 38

  • date post

    07-Jan-2017
  • Category

    Documents

  • view

    224
  • download

    1

Embed Size (px)

Transcript of Talento, pra quê? Talento, pra quê?

  • Revista dos alunos de Comunicao Social da PUC- Rio Ano 15 N 29 Julho / Dezembro de 2009 issn 1413-5965

    Talento, pra qu?

  • Talento, pra qu? 1

    A cAA Aos cAA-TAlenTos

    no cAminho dA fAmA

    Pequenos grAndes noTveis

    filho de Peixe Pode no ser Peixinho

    fAzendo diferenTe

    sem PressA

    Perdidos e AchAdos PelA ruA

    TAlenTos nA noiTe do rio

    A ArTe dA TATuAgem

    2

    6

    10

    14

    18

    21

    24

    28

    31

    Primeiras Palavras

    eclTicA umA revisTA semesTrAl dos Alunos do dePArTAmenTo de

    comunicAo sociAl dA Puc-rio, esse nmero foi Produzido PelA

    TurmA de 2009.2 do curso de comunicAo sociAl, hAbiliTAo

    em JornAlismo, dA disciPlinA de edio em JornAlismo imPresso.

    direTorA do dePArTAmenTo de comunicAo sociAlProf. AngellucciA hArberT

    coordenAo ediToriAlProf. fernAndo s

    PROGRAMAO VISUALProf. Affonso ArAJo

    AlunA ediTorAmArliA sArkis

    redAo e AdminisTrAodePArTAmenTo de comunicAo sociAlruA mArqus de s. vicenTe, 225 AlA kennedy6 AndAr gveA rio de JAneiro rJceP: 22453-900 Tel.: (21) 3527-1603

    Sumrio

    Julho/Dezembro 2009

    Marlia Sarkis

    Quem nunca ouviu pelos cantos do mun-do expresses como Esse menino tem talento, Voc precisa de talento para fazer isso, Talento o diferencial dele? Apesar de fazer parte do cotidiano das pessoas, no se sabe ao certo sua origem e porque alguns indivduos possuem talento para fazer algu-ma coisa e outros no.

    Talento pode significar uma vocao, um dom, uma habilidade para desenvolver cer-tas atividades, como artes plsticas, msica, literatura, esportes... Como essa habilidade pode se manifestar de vrias formas, procu-ramos desvendar qual o mistrio que h por trs de se ter ou no uma vocao, assim como a opinio de profissionais especializa-dos em encontrar talentos.

    gentico? H uma idade para ser desco-berto? Onde se pode encontrar o talento ar-tstico? O que a night, que muito agrada principalmente os jovens cariocas, tem a ver com esse assunto? O que devo fazer para que meu talento seja despertado ou reconhecido? Essas so algumas questes que procuramos responder nas matrias que publicamos nesta revista. Alm disso, voc tambm encontrar um mundo de expectativas, lutas, paixes e histrias bem contadas.

    Revista dos alunos de Comunicao Social da PUC- Rio Ano 15 N 29 Julho / Dezembro de 2009 issn 1413-5965

    Talento pra qu?

  • Julho/Dezembro 20092

    A caa aos Caa-Talentos

    ClariCe rios e Cora ayres

    Quem nunca sonhou estar cantando num barzi-nho ou simplesmente andando pela rua, e de repente, ser descoberto por um caa-talentos? Ou que pessoa apaixonada por futebol no queria a visita de um olheiro (o caa-talentos do futebol) na sua pelada com os amigos? Os caadores de ta-lentos esto no imaginrio das pessoas, s que essa profisso no mais to comum assim. Meninas e meninos em todo o Brasil sonham em ser modelo, ator, cantor e jogador de futebol. Muitos deles cor-rem atrs de uma chance indo de porta em porta e se arriscando a receber um no. Outros ficam espe-rando que algum os descubra.

    Carlos Andrade agente e diretor da Top Kids e Te-ens. Seu dia-a-dia basicamente na agncia de mo-delos e atores onde responsvel pelas avaliaes de interpretao e pelos testes fotogrficos. Andrade informa que na maior parte das agncias no exis-te mais a figura do caa-talentos que sai s ruas em busca de algum excepcional. O mtodo mais comum o cadastro pelo site e, posteriormente, o teste presencial.

    Mas quando Andrade est na rua, liga o faro, j treinado pelo tempo de profisso, e segue sua in-tuio para encontrar novos talentos. Na agncia, apesar de no ter nenhum headhunter especializa-do, todos j tm o esprito de caador e so treina-dos para descobrir pessoas que tenham boa apa-rncia e simpatia.

    A possvel superficialidade do olhar de um caa-talentos de atores e modelos talvez tire o glamour da

    profisso no imaginrio das pessoas. Quando esse profissional vai s ruas, na maior parte das vezes, tem poucas ferramentas para descobrir o talento, seno a aparncia e o carisma que transparecem. Como Andrade define: h uma procura por algum fora dos padres.

    Para ser modelo a beleza importante, no en-tanto, para seguir a carreira de ator muitos outros fatores esto em jogo. Esse um dos motivos que as agncias Top Kids e Teens, no centro do Rio, e a Qualit, em Copacabana, alegam por no op-tarem por um profissional especializado. A partir do site ou pelo telefone, mais oportunidades so abertas e o candidato pode provar sua aptido. J a agncia tem mais opes, e diminui o risco de perder algum que primeira vista no parecia ser talentoso.

    Abrir o teste para o pblico pode tambm dificul-tar o trabalho, especialmente para quem lida com crianas e adolescentes. A habilidade da criana to evidente para os pais nem sempre reconheci-

    Fomos atrs dos que vo atrs de novos talentos

    Ainda mais difcil informar a um pai coruja que seu filho

    no tem talento

    Carlos Andrade

    Edilene de Franca, a nmero 2, comemora gol com as companheiras de Seleo

  • Talento, pra qu? 3

    da pelos avaliadores. Muita criana quando chega agncia no quer se apresentar ou fica com ver-gonha, porque para ela um ambiente estranho. E os pais ficam insistindo e dizendo que em casa ele faz tudo bonitinho, conta Andrade. preciso muito jogo de cintura para convencer os pais a no insistir se a criana no quiser. Ainda mais difcil infor-mar a um pai coruja que seu filho no tem talento.

    A dificuldade de abordagem nas ruas outro fator que promove a extino destes profissionais. Casos de indivduos que se fazem passar por agentes de modelo e enganam jovens, deixaram a populao mais desconfiada e precavida. Quando vemos uma criana ou um adolescente fora dos padres, faze-mos sempre a abordagem com os pais, entregando um carto da agncia, e quando h uma mulher bo-nita falamos com o namorado para eles no acha-rem que uma cantada, ressalta.

    Das agncias aos gramadosNo futebol o caa-talentos conhecido como

    olheiro. Os meninos e meninas que sonham ser jo-gadores ainda contam com a ajuda desse profissio-nal. A discrio a maior caracterstica do obser-

    vador. Sem se identificar, ele vai s competies em busca de novos talentos.

    assim que o olheiro Flavio Rangel, tambm Di-retor do Departamento de Futebol Feminino do Vas-co, define sua atuao nos campos. Sempre muito discreto, ele prefere manter o anonimato para no interferir no estado emocional dos atletas.

    Rangel vai atrs de novos jogadores nas chama-das vrzeas. Essas so competies normalmente organizadas por comunidades, associaes de mo-radores ou pessoas fsicas. Para um olheiro esse o melhor local para encontrar novos talentos no fute-

    Sem sangue novo o corao pra, sem novidade a engrenagem emperra

    Alexandre Ktena

    Candidatos a famosos mostram seu talento nas agncias.

    renATo Wrobel

  • Julho/Dezembro 20094

    bol. O bom observador sempre sabe onde ocorrem esses jogos. O melhor celeiro a vrzea, possvel identificar a qualidade e o potencial das jogadoras, reitera Rangel.

    O headhunter do futebol precisa ter pacincia e foco. O desempenho dos atletas em cada jogo pode variar bastante. preciso frequentar no mnimo trs jogos para saber se a pessoa realmente talentosa.

    Rangel define o olheiro, como o prprio nome j sugere, como aquele que tem um olho clnico para encontrar um bom jogador. Quando eu vejo o to-que na bola, a conduo e o passe j consigo notar se aquele atleta tem futuro, afirma.

    Foi com o seu olho clnico que as jogadoras Thay-nara de Arajo, Edilene de Franca e Jssica Gomez saram do time de sua comunidade e foram convo-cadas para a Seleo Brasileira. No h maior sa-

    tisfao do que ver uma atleta que voc acreditou sair de uma vrzea, de uma favela, e despontar che-gando Seleo, diz Rangel. Ele conta que elas se destacaram no s pelo talento inerente, mas tam-bm porque se dedicaram intensamente.

    Eu procuro dar toques sobre o trabalho dentro de campo, mas tambm no mbito social, porque essas jogadoras so muito jovens, vm de locais humildes. Ento eu procuro alertar para que elas tenham maior controle, se afastem de ms influncias, conta Ran-gel. O olheiro profissional no s responsvel por informar o clube a descoberta de um novo talento. Pode realizar, tambm, o gerenciamento da carreira do jogador e dar conselhos que contribuam para o crescimento pessoal. Ele tem papel importante no percurso do atleta, pois as negociaes entre os clubes transformam o jogador em mercadoria. Quando se trata de jovens amadores ainda mais imprescind-vel saber escutar o desejo e a vontade do esportista.

    O mercado futebolstico movimenta muito dinheiro e fascina as pessoas. H diversos casos de falsos olhei-ros que se aproveitaram da ingenuidade das fam-lias. Pessoas que deram todo o dinheiro que tinham para jogar num time no exterior e quando chegaram ao aeroporto no havia sequer algum para receb-las. Outras viajaram, e ao chegarem ao destino no havia clube, mas sim um esquema de prostituio.

    Flavio Rangel informa que quando se gerencia a carreira de um atleta amador, a famlia tem que ser informada de tudo que est acontecendo. Ele faz um alerta para que as famlias no negociem nada pelo telefone, tudo deve ser documentado e autenticado.

    Coisa do passado?No ramo da msica, pode se dizer que caa-talen-

    tos coisa do passado. O produtor executivo Mau-rcio Von Helde afirma que a funo das gravadoras no mais a mesma que antes dos anos 1980 e 90.

    As gravadoras tinham o monoplio dos meios de produo de msica e controle sobre a mdia (rdio e TV), mas depois do barateamento do computador, das novas tecnologias de gravao e da consolida-o da internet, as bandas e grupos comearam a surgir de forma independente, fazendo seus conte-dos e se divulgan