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HISTORIOGRAFIA

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Historiografia

SOMESBSociedade Mantenedora de Educao Superior da Bahia S/C Ltda.

Presidente Vice-Presidente Superintendente Administrativo e Financeiro Superintendente de Ensino, Pesquisa e Extenso

Gervsio Meneses de Oliveira William Oliveira Samuel Soares Germano Tabacof

Superintendente de Desenvolvimento e>> Planejamento Acadmico Pedro Daltro Gusmo da Silva

FTC - EaDFaculdade de Tecnologia e Cincias - Ensino a Distncia Coord. de Softwares e Sistemas Coord. de Telecomunicaes e Hardware Coord. de Produo de Material Didtico Diretor Geral Diretor Acadmico Diretor de Tecnologia Diretor Administrativo e Financeiro Gerente Acadmico Gerente de Ensino Gerente de Suporte Tecnolgico Waldeck Ornelas Roberto Frederico Merhy Reinaldo de Oliveira Borba Andr Portnoi Ronaldo Costa Jane Freire Jean Carlo Nerone Romulo Augusto Merhy Osmane Chaves Joo Jacomel

EQUIPE DE ELABORAO/PRODUO DE MATERIAL DIDTICO:

PRODUO ACADMICA

Gerente de Ensino Jane Freire Autor (a) Sandra Regina Barbosa da Silva Superviso Ana Paula Amorim Coordenao de Curso Jorge Bispo PRODUO TCNICA

Reviso Final Carlos Magno Equipe Ana Carolina Alves, Cefas Gomes, Delmara Brito, Ederson Paixo, Fabio Gonalves, Francisco Frana Jnior, Israel Dantas, Lucas do Vale, Marcus Bacelar e Yuri Fontes Editorao Fabio Jos Pereira Gonalves Ilustrao Fabio Jos Pereira Gonalves, Francisco Frana Jnior, Yuri Fontes Imagens Corbis/Image100/Imagemsource

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Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610 de 19/02/98. proibida a reproduo total ou parcial, por quaisquer meios, sem autorizao prvia, por escrito, da FTC EaD - Faculdade de Tecnologia e Cincias - Ensino a Distncia. www.ftc.br/ead

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Sumrio POSITIVISMO, MARXISMO E A REVOLUO DOS ANNALES

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POSITIVISMO E MARXISMO E SEUS DESDOBRAMENTOS NA ESCRITA DA HISTRIA

A Historiografia no Sculo XIX

A REVOLUO PROPOSTA PELOS ANNALES

HISTRIA NOVA E HISTRIA CULTURALAbertura de Novas Possibilidades de Fontes, Novos Objetos, Novos Problemas, Novas Abordagens O Carter Interdisciplinar da Histria: a Descrio Densa da Antropologia: por uma Interpretao da Cultura

Nova Historia Cultural e a Narrativa Histrica

A NOVA HISTRIA CULTURAL E A HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA

A Influncia dos Annales para o Historiador Atual

Novos Pressupostos para a Escrita da Histria

A Historiografia no Sculo XX: a Revoluo dos Annales

Consideraes Acerca do Marxismo na Historiografia

Positivismo: um Modelo filosfico e suas Influncias na Escrita da Histria e na Educao

O Historiador e a Chamada Objetividade: Uma Histria sem paixes

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Os Modos de Escrever Histria: alguns Debates Existentes ao 46 Redor da Histria e Narrativa e as Principais TendnciasHistoriografia

OS PRINCIPAIS MARCOS E ATUALIDADE DA HISTORIOGRAFIA BRASILEIRA

A Historiografia Brasileira no Sculo XIX

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Referncias Bibliogrficas

Glossrio

Atividade Orientada

Historiografia e Livro Didtico: Principais Tendncias e Crticas

Historiadores Brasileiros da Nova Histria Cultural

A Gerao de 30 e a Reinterpretao do Brasil

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Apresentao da DisciplinaAmigo (a) aluno (a), com prazer que iniciamos nossos trabalhos na disciplina Historiografia, cujo objetivo principal expressar a inteligibilidade da histria em sua insero nos contextos nacional e internacional. Consideramos a questo da historiografia e a educao como eixo norteador da disciplina. notria a ampliao da rea de estudos e de trabalho do professor/ historiador no mundo contemporneo, a partir de elementos como novas fontes de pesquisa (eletrnicos e digitais, iconogrficos), novos objetos de estudo (cotidiano, cultura, comportamento), novos campos de atuao (insero em projetos culturais e de preservao do patrimnio artstico). Para tanto, faz-se necessrio formar um docente capaz de levar para a sala de aula tanto as discusses sobre esses novos aspectos que esto sendo estudados pelo historiador atual, como questes ligadas cidadania e tica. Diante dos fatos expostos, faz-se mister a reconstruo do estmulo interdisciplinaridade dos contedos, integrao e interao com outras disciplinas, incentivando, sobretudo, o dilogo construtivo com as demais cincias, como os historiadores do Annales realizaram. Deste perodo, trabalharemos com os modelos de escrita da histria a partir histria tradicional, passando pelo movimento dos Annales durante as dcadas de 30 a 60, at a transio para a Nova Histria nos anos 70 e seus desdobramentos na Nova Histria Cultural tendncia atual. Tomando como ponto de partida o impacto da virada lingstica sobre a historiografia e as discusses acerca do retorno da narrativa, esta disciplina prope, a partir dos textos que se seguem, introduzir os debates em torno das relaes entre Histria e narrativa. Esperamos que o estudo desta disciplina resulte numa renovao do conceito de pesquisa em histria, considerando-a como uma atitude investigativa a ser formada e na perspectiva de um ensino articulado pesquisa, possibilitando novas formas aos elementos curriculares, como a no memorizao dos contedos, e sim a apreenso compreensiva, permitindo ao aluno uma caminhada como sujeito de sua prpria histria. Sucesso nessa nova caminhada!Prof. Sandra Regina Barbosa da Silva

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Historiografia

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POSITIVISMO, MARXISMO E A REVOLUO DOS ANNALESPOSITIVISMO E MARXISMO E SEUS DESDOBRAMENTOS NA ESCRITA DA HISTRIAO que a historiografia? Podemos defini-la rapidamente como a histria da histria, como a histria vem sendo escrita ao longo dos sculos. Ou seja, nada mais que a histria do discurso um discurso escrito e que se afirma como verdadeiro. O discurso historiogrfico diz respeito s opes tradies interpretativas, opes de correntes tericas, opes de recortes, ngulos, escalas de observao por parte do historiador. Na segunda metade do sculo V a.C. na Grcia Antiga o historiador Herdoto (aproximadamente 485-425 a.C.), tambm conhecido como o pai da Histria fez relatos de uma Histria parecida com o conceito atual. Herdoto fez longas explanaes e descreveu rios, povos exticos e costumes estranhos. Foi expulso, por motivos polticos, de Halicarnasso e viveu por um tempo no Egito e na Mesopotmia. Dizia que a opes (observao) e o ao (o ouvir dizer) so as fontes essenciais, mas no nicas das inquiries historiogrficas. Na Grcia Antiga, os poetas e escultores humanizaram os deuses e levaram para a mitologia um repensar de histrias. Formou-se uma fronteira entre a lenda e o real, o religioso e o profano e, nesse cenrio, observam-se as histrias convertendo-se em Histria. A Grcia foi dominada pelos romanos e com Polbio (208 a.C.?-122 a.C.?) que se estuda a expanso romana de 221 a 146 a.C. num quadro alargado s dimenses mundiais da conquista. A sua histria a ltima obra da historiografia grega e a primeira da historiografia romana que se compraz em narrar tanto as conquistas como as virtudes. As invases germnicas e a cristianizao conjugaram os seus efeitos para encerrar o captulo romano da historiografia. O homem medieval, a partir do sculo XII, mostra as caractersticas de uma historiografia ocidental. aos monges de Saint Dinis que os reis da Frana confiam o encargo de escrever histrias, como as Cruzadas. Durante as Cruzadas, (momento militar), nasce crnica, e nasce da guerra santa. A Igreja confia aos novos clrigos, historiografia do medievo.

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Em pleno sculo XV nasce uma nova historiografia. Os homens da Historiografia Renascena, os humanistas, lanam olhares sobre os historiadores gregos e romanos. A conscincia histrica se afirma. Os filsofos iluministas lanaram as bases da historiografia e o momento da filosofia sobre a Histria. Nesse momento h uma reflexo sobre o objeto da historiografia. A ela cabe descrever de maneira global o percurso da natureza e das sociedades humanas. Podemos analisar o pensamento de David Hume (1711-1776), filsofo e historiador escocs, responsvel pelo fenomenismo, o qual afirma: Histria o lugar onde a imutvel natureza dos homens se cruza com a poeira dos acontecimentos. Vemos a a historiografia das luzes abrindo atalhos para o sculo XIX.

A HISTORIOGRAFIA NO SCULO XIXO pensamento do sculo XIX no foi apenas influenciado por mudanas econmicas e sociais, tambm deve ser compreendido de acordo com o momento em que se encontravam a filosofia e a cincia. No sculo XVIII, Kant havia desenvolvido importantes reflexes sobre as possibilidades e limites da razo. Neste mesmo sculo, diferentes linhas filosficas interpretaram o pensamento kantiano, entre elas encontra-se o Positivismo. No sculo XIX, Comte formaliza as idias positivistas. Quando Comte falou da importncia do conhecimento cientfico no estava apenas defendendo uma orientao epistemolgica, estava apresentando uma maneira de pensar e de realizar as transformaes sociais. O pensamento positivista poderia garantir a organizao racional da sociedade, dizia ele. O pensamento de Comte apresenta as seguintes preocupaes fundamentais: uma filosofia da histria na qual encontram-se as bases de sua filosofia positivista e as trs fases da evoluo do pensamento humano: o teolgico, o metafsico e o positivo. Aps passar pelos trs estgios histricos, no estgio cientfico abandona-se a referncia s causas ltimas, ou seja, s no-observveis. O sculo XIX foi influenciado pela Revoluo Francesa, pelo triunfo da burguesia, pela consolidao dos Estados Nacionais e pela Revoluo Industrial. O liberalismo e a ideologia liberal tentaram jus