A Invenção do Cotidiano 2B

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    08-Jan-2017
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  • A Inveno do CotidianoMorar, Cozinhar

  • MOMENTOS E LUGARES

    A Inveno do Cotidiano primeira edio em 1980; este artigo foi escrito por Luce Giard em 1994 Certeau havia falecido em 1986 e dois pesquisadores do primeiro ciclo tambm Marie Beaumont em agosto de 1984 e Marie-Pierre Dupuy em julho de 1992.

  • Colocar em evidencia as maneiras de fazer e de elaborar uma primeira formalizao terica.Recusava-se a se deixar aprisionar por um nico modelo terico; seu propsito era a experimentao controlada na ordem do pensvel.

  • Definir um mtodo, encontrar modelos para aplicar, descrever, comparar e diferenciar atividades de natureza subterrnea, efmeras, frgeis e circunstanciais, em suma procurar, tateando, elaborar uma cincia da prtica singular. Achava-se em jogo o desejo da virada do olhar analtico tentativa de por em evidncia a ordem do fatos e captar a inteligibilidade na ordem das teorias.

  • Observao-participante: tematizar algo to prximo dos pesquisadores, no meio de uma sociedade que era to prxima Afastamento controlado e controlvel de nossos lugares e de nossas prticas, a fim de podermos espantar-nos com eles, interrog-los e depois dar-lhes sentido e forma numa espcie de nova criao conceitual (referencial terico Freud e Wittgenstein)

  • Alguns seguidores do grupo: Marc Aug, Anne-Marie Chartier, Jean Herbrad, Marc Guillaume ou Louis Qur

  • ANAIS DO COTIDIANO O objetivo deste segundo volume traar as interligaes de uma cotidianidade concreta, deixar que apaream no espao de uma memria.

  • 2 PARTE: COZINHAR

    Um exemplo de pesquisa

  • RESUMO (p.211-12)

    A pesquisa apresentada trata do papel das mulheres na preparao da comida no lar. No que esta condio seja feminina por natureza, mas prpria da situao social e cultural e da histria das mentalidades na Frana, ao menos at os idos de 1980. Tal papel tipicamente feminino tomado como fundamental pela pesquisadora porque os hbitos alimentares constituem um campo em que passado e presente se encontram e que, por suas ritualizaes, demonstram tanto prazer, imaginao e memria quanto artes tidas como mais elevadas, tais como o tecer e o musicar.

  • 2- MEMORIAL (p.212-16)

    Negao do ato tpico feminino;Descoberta de sua importncia;Tentativa de aprendizado terico, em livros de gastronomia.Rememorao dos gestos aprendidos na infncia;Descoberta do prazer no ato de preparao;Exerccio de dar voz aos saberes que, antes negligenciados, hoje se tornam smbolos da histria pessoal e, por conseqncia, tema de estudo para a histria cultural.

  • No o prazer de comer bons pratos, mas aquele fruto da preparao (manipular a matria-prima, organizar, combinar ingredientes, modificar ou inventar uma receita) parece prximo ao prazer da escrita, pois haveria parentesco ntimo entre a escrita dos gestos[1] do corpo e do esprito e a escrita das palavras que no se pretendem imortais. (...) Seguindo os passos das mulheres subtradas da vida pblica e da comunicao do saber, quis fazer uma escrita pobre, de escritor cujo prprio nome se apaga, uma escrita que visa sua prpria perda.

    [1] Definio do conceito de gestos: p.273.

  • JUSTIFICATIVA (p.216-22 / p.228-33)

    Por que comer? A nutrio e as doenas relacionadas alimentao provam, segundo a autora, como essencial para a sade estabelecer um regime alimentar adequado. H, o entanto, que se levar em considerao que tradies culturais induzem escolhas alimentares e que o senso comum sobre o tema capaz de fazer, por exemplo, um cientista renomado afirmar segredos nutricionais totalmente refutados pela cincia. Alm disso, a alimentao no se apresenta ao homem in natura, mas sempre culturalizada pelo conceito do que ou no tido em dada sociedade como comestvel. Assim, a nutrio diz respeito tanto a uma necessidade quanto a uma escolha, incorporando sobretudo na atualidade, num cenrio globalizado de mobilidade social e geogrfica e de exogamia a sobrevivncia e tambm a busca pelo prazer.

  • METODOLOGIA (p.222-28)

    Entrevistas[1] com parentas e amigas, pertencentes pequena e mdia burguesia francesa, com idades e profisses distintas (mas no pertencentes ao setor industrial e s cincias exatas). Cerca de duas horas de conversas informais, sem formulao prvia de questionrio.

    Fontes de dados factuais e quantitativos sobre os hbitos de consumo dos franceses e sobre nutrio;

    Fontes de dados tericos e qualitativos: Marcel Mauss, Lvi-Strauss, Bourdieu.

    OBS: Citao do filme Jeanne Dielman, da diretora belga Chantal Aikermen (1976) data de lanamento prevista para o Brasil: julho/2010.

    [1] No comeo, as entrevistadas pareciam tmidas, com medo de no terem nada a dizer, mas ao longo das entrevistas, talvez pelo tom informal das conversas, passam a se utilizar de expresses de cumplicidade, como voc sabe... e no ?!. Perante isto, a pesquisadora salienta que teria sido bastante proveitoso um segundo momento de entrevistas, passado um tempo, para a obteno de informaes complementares, novas nuances para a interpretao das falas.

  • DESENVOLVIMENTO (p.234-297)

    a) Formas generalsticas de estudo[1]: -Por Strauss - ser ou no comestvel; diferentes misturas de ingredientes; diferentes formas de preparo das receitas; boas maneiras mesa; privaes alimentares provisrias.

    -Por Bourdieu - diferentes gostos e formas de apreciao.

    [1] Homologia entre tempos/espaos e formas de agir.

  • b) Forma particular de estudo:

    Segundo a autora, comemos lembranas e boas representaes de sade, ambos hbitos formados, ao longo de nossas vidas, no apenas por nossa origem e nosso meio de vivncia, mas por escolhas extremamente particulares e indeterminveis no que tange sua gnese. Os prprios grupos sociais no vivem na imobilidade e seus gestos no so imutveis; ao contrrio, h um ciclo de vida e morte em torno das prticas cotidianas e nem s de sabido e repetido se d um ofcio.

  • EX: uma criana que, na infncia, ao se adoentar recebia como afago e cuidado de sua me um doce mingau de maizena, amarelinho e quente. J adulto, este sujeito sequer se lembra desta passagem e em nada lhe apeteceria um mingau de maizena; mas ao ir ao shopping comprar uma malha de l para o inverno, escolhe tons pastis como o amarelinho. Ao se tornar uma senhora de idade, e sem saber explicar por que, alimenta o neto doente com o afago e o carinho de um doce mingau de maizena e faz questo de raspar a panela!

  • CONCLUSO (p.298-332)

    nica transcrio literal de uma entrevista

  • ENTREMEIOOS FANTASMAS DA CIDADE Um fantstico do j do lado de fora

    Espaos antigos resistem a cidade modernista, cidade de massa, homognea. Essas ilhas da cidade antiga produzem um efeito de exotismo a cidade. Citaes heterclitas, cicatrizes antigas, elas criam rugosidades sobre as utopias lisas da nova Paris.

  • Ao mesmo tempo a conservao dos espaos que trazem uma memria do que foi a cidade, gera uma mudana no mercado de consumo e valorizao dos terrenos, fruto de uma poltica protecionista.Patrimnio, sua estranheza convertida em legitimidade existem leis que preservam o patrimnio que pronuncia sobre a destruio necessria de um passado que no volta mais e a preservao de bens selecionados de interesse nacional.

  • Esse passado tem ares de imaginrio.

    O que torna a cidade habitvel no tanto sua transparncia utilitria e tecnocrtica, mas antes a opaca ambivalncia de suas estranhezas.

  • Uma populao de objetos lendriosO imaginrio urbano, em primeiro lugar, so as coisas que o soletram. So objetos, atores que por sua estranheza muda e sua existncia subtrada da atualidade, gera relatos e permite agir autoriza por sua ambiguidade espaos de operaes.Os objetos do passado vo atravessando geraes e tecem toda uma rede de nossa vida cotidiana, compem a histria do homem articula um espao de operaes.

  • A legitimidade concedida aos patrimnios passam por uma restaurao, so modernizados. As histrias que esses patrimnios carregam em si so da mesma forma reeducadas no presente. H uma contradio que esses objetos carregam: eles devem ao mesmo tempo preservar e civilizar o antigo, tornar novo o que era velho. Dessa forma se tornam lugares de transito entre o fantasma do passado e os imperativos do presente - so passagens sobre mltiplas fronteiras que separam as pocas, os grupos e as prticas.

  • Uma poltica de autores: os habitantesA questo da desapropriao dos sujeitos de seus lugares em nome da restaurao do patrimnio faz desaparecer aquilo que subsiste como uma cultura local para dar lugar ao gosto tecnocrata nesse sentido a arte popular s existe como uma curiosidade ou um objeto a ser observado.

  • O patrimnio no se constitui apenas do objeto, mas da capacidade criadora e do estilo inventivo que a articula, maneira da lngua falada, prtica sutil e mltipla de um vasto conjunto de coisas manipuladas e personalizadas, reempregadas e poetisadas o patrimnio so todas essas artes de fazer.

  • Uma mstica da cidadeOs gestos e os relatos: so dois pontos de ateno na nova esttica urbana. Caracterizam-se como cadeias de operaes feitas sobre e com o lxico, de dois modos distintos, um ttico e o outro linguistico. Os gestos e os relatos manipulam e deslocam objetos, modificando-lhes as reparties e os empregos so bricolagens (Lvi-Strauss).

  • Os gestos so verdadeiros arquivos da cidade Arquivos o passado selecionado e reempregado em funo de usos presentes. Refazem diariamente a paisagem urbana. Esculpem nele mil passados que talvez j so inominveis e que menos ainda estruturam a experincia da cidade.

  • Este tambm o trabalho dos relatos urbanos. Criam com o vocabulrio outra dimenso... tornam assim a cidade