Cadeias Produtivas e Portais do Conhecimento

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Este artigo estabelece bases conceituais para o desenvolvimento de um portal do conhecimento aplicado a uma cadeia produtiva genérica. Apesar de partir de sólidas bases teóricas, não se limita a revisão de conceitos apresentados ou desenvolvidos anteriormente. www.terraforum.com.br

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Cadeias Produtivas e Portais do Conhecimento

Este artigo estabelece bases conceituais para o desenvolvimento de um portal do conhecimento aplicado a uma cadeia produtiva genrica. Apesar de partir de slidas bases tericas, no se limita a reviso de conceitos apresentados ou desenvolvidos anteriormente.

Dr. Jos Cludio Cyrineu Terra

1. Introduo

Este trabalho tem como objetivo o estabelecimento das bases conceituais para o desenvolvimento de um portal do conhecimento aplicado a uma cadeia produtiva genrica. Apesar de partir de slidas bases tericas, no se limita a reviso de conceitos apresentados ou desenvolvidos anteriormente. De fato, acreditamos que este trabalho tem um carter bastante inovador.

So feitas concisas revises dos principais pontos relacionados Teoria de Clusters e Redes de Aprendizado, Gesto do Conhecimento e Portais Corporativos. Estes conceitos, prticas e pontos de convergncia constituem, ento, os pontos de partida para a descrio dos principais objetivos e funcionalidades (com motivadores associados) que deveriam estar includos em um Portal do Conhecimento Aplicado Cadeia Produtiva.

Dividimos este trabalho nas seguintes partes:

RevisodeConceitos Cluster Economics e a Era das

Redes; Gesto do Conhecimento Portais Corporativos Aplicados

Gesto do Conhecimento

OportunidadeInovadora:PortaldoConhecimento Aplicado Cadeia Produtiva

ResultadosEsperadoseConsideraesFinais

2. Reviso de Conceitos

Para uma melhor compreenso das bases tericas deste trabalho, necessrio que re-visitar, brevemente os conceitos de Cluster Economics, Gesto do Conhecimento e Portais Corporativos. Segundo nossa interpretao, existe um alto potencial sinrgico entre estes trs conceitos. De fato, apesar de estarmos tratando de conceitos pertencentes a reas distintas de estudo, ou seja, Economia,AdministraoeInformtica,verificam-se que os temas-chave e dominantes so muito semelhantes. Esta semelhana de temas e, em alguns casos, ferramental de anlise, incitou a elaborao deste artigo. Tratamos, a seguir, de destacar, em separado, cada um destes temas, paraaofinaldestetrabalho,elencarmosalgumasproposies de carter prtico.

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Modelo Conceitual: Sinergia de Conceitos entre Clusters, Gesto do Conhecimento e Portais CorporativosFonte: Desenvolvido pelo autor 2001 Jose Cludio Terra

2.1 Cluster Economics e a Era das Redes

A compreenso da vantagem competitiva a partir de conceitos como clusters tem sua origem em alguns trabalhos clssicos que detalharam o poder das redes de aprendizado. Michael Porter, em seu livro, A Vantagem Competitiva das Naes, chamou ateno para o ambiente de aprendizado, cooperao e alta concorrncia existente em micro-regies; Anna Lee Saxenian contou com grande habilidade (em seu livro: Regional Advantage) o desenvolvimento do Vale do Silcio a partir

das redes e fluxos informais de colaborao econhecimento entre empresas, universidades e governo;Oskeiretsus japoneses e os mtodos de produo just-in-time, desenvolvidos inicialmente pela Toyota, j se espalharam pelo mundo e tm como uma de suas bases um elevadssimo grau de cooperao e troca de informao entre empresas da cadeia produtiva. Na Europa, j existem relatrios que falam de uma nova estrutura corporativa: os sindicatos de empresas, ou seja, associaes de pequenas e mdias empresas, que no competem entre si e que so co-proprietrias de cooperativas que se encarregam de atividades comuns como: marketing, distribuio, entrada em mercados estrangeiros, licenciamento de tecnologia, etc. Com esta estrutura, as empresas individuais se centram em suas atividades principais e diferenciadoras (e.g. design, P&D, etc).

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Enfim, empresas que pertencem a clusters competitivos trabalham, de forma geral, de maneira bastante sinrgica e/ou podem deter vrios interesses comuns. Entre os quais podemos citar: satisfao do cliente final, desenvolvimentotecnolgico, regulamentao setorial ou local, treinamento da fora de trabalho, desenvolvimento da infra-estrutura, exportao, relaes com o governo, academia e outras instituies com finsno comerciais, etc.

Vrios autores tm previsto que, atravs de novos patamares e formas de networking, ns comeamos a ver a rpida mudana no papel desempenhado pelas grandes corporaes e a emergncia de como o trabalho dever ser realizado no sculo XXI.Amudananestemomentoseriatoprofundacomo aquela que ocorreu a partir da revoluo industrial. Apesar das constantes notcias de fuses e aquisies em todo o mundo, verifica-se, por exemplo, que a proporo de empregados trabalhando para as 500 maiores empresas norte-americanas (Fortune 500) vem caindo de forma constante nos ltimos 25 anos, passando de 20% para 10% da fora de trabalho na Amrica do Norte. Estas empresas so claramente menos integradas verticalmente hoje do que no passado. O papelfundamental das mesmas, segundo os professores doMITMaloneeLaubacher,ser:establish rules, standards, and cultures for network organizations operating partly within and partly outside their own boundaries .

A Internet, entretanto, est trazendo todosestes conceitos de clusters e integrao entre empresas para um nvel bastante mais elevado. Contrariamente a estas formas simbiticas mais tradicionais, as novas formas de networking no esto restringidas por barreiras geogrficas, noenvolvem participaes acionrias cruzadas (caso dos keiretsus) e as trocas de informao vo bem alm daquelas necessrias para se completar

ordens de produo. Em muitos casos, as trocas de intangveis so, de fato, as nicas trocas relevantes entre os atores do cluster. Nesta nova era, os participantes destas redes colaboram para atender as necessidades de curto e longo prazo dos clientes e criar novos conhecimentos e produtos.

Manuel Castell, conhecido professor de sociologia de Berkeley e astuto observador de mudanas econmicas e sociais engendradas pelas tecnologias de informao e telecomunicaes, acredita que: the network is the enterprise. Os conceitos, pois,de redes de empresas e/ou empresa em rede so levados muito mais adiante por Castell. Na sua interpretao, a network enterprise uma agncia de atividade econmica (lean agency of economic activity) onde as prticas de negcio so realizadas de maneira ad hoc dependendo de projetos especficosedemandabastanteefmera.

H que se competir e, ao mesmo tempo, colaborar. Muitas vezes as empresas competem em alguns mercados e colaboram em outros. Hoje nos mercados mais avanados j se fala muito do "Collaboration Capital" e Digital Capital. Trata-se da idia, em boa medida,deseaproveitarainfra-estruturadaInternetpara aumentar as receitas e lucros atravs de nveis nunca antes atingidos de colaborao em alta escala e independente da localizao geogrfica.Segundo este modelo emergente tudo comea com as necessidades do cliente final e se materializaatravs de intensa colaborao para otimizar os processos conjuntos das diferentes partes e estimular a troca de informaes, conhecimentos, recursos e pessoas.

Neste ambiente, acreditamos que sem estratgias empresariais e setoriais muito bem concatenadas e, rapidamente implementadas, fica muito difcilimaginar que as empresas brasileiras conseguiro se tornar competitivas e, mesmo, sobreviver aos desafiosimpostospelacompetiointernacional.Omodelo econmico de substituio de importaes,

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adotado at recentemente pelo Brasil, privilegiava o "aprender ao operar". A abertura econmica e a competio interna e externa com empresas de pases desenvolvidos, contudo, tornam outras formas de aprendizado muito mais relevantes e exigem estratgias muito mais modernas para se nos fluxos internacionais de comrcio econhecimento e acelerar tanto a criao, como o fluxo de conhecimentos intra e entre empresase outras instituies como centros de pesquisas, universidades, entidades de classe, governos, etc.

Neste cenrio, cada vez mais difcil imaginar que pequenas empresas atuando de maneira isolada consigam ter sucesso. Elas so incapazes de gerar ou obter todo o conhecimento e informao que necessitam e de conseguir escala suficientepara atuar de forma globalizada. J as grandes organizaes tradicionais, incapazes de desenvolver um intenso ambiente de colaborao com seus clientes, fornecedores, parceiros e, at mesmo, com a concorrncia, realmente no entenderam o grande paradigma da "Era doConhecimento".Osexemplos conhecidos de sucesso empresarial e regional em solo nacional, as chamadas "ilhas de excelncia", atestam, por sua vez, que a superao desta desvantagem passa obrigatoriamente por estratgias educacionais, gerencias e empresariais concatenadas e, pr ativamente, inseridas no ambiente.

2.2 Gesto do Conhecimento

A gesto do conhecimento sequer tem incio na tecnologia. Ela comea com os objetivos e processos de negcios, e o reconhecimento da necessidade de se partilhar informaes.

Bill Gates, Presidente da Microsoft

Vivemos um momento de importante transio do ambiente econmico, onde a gesto pr-ativa

do conhecimento adquire um papel central para a competitividade tanto das empresas, como dos pases.Isto,entretanto,nemsemprefoiassim,pois,no passado, vantagens de localizao, assim como o acesso mo-de-obra barata, recursos naturais e ao capital financeiro tinham papis muito maisdeterminantes.NoBrasil,verifica-sequeorecurso"conhecimento" vem aumentando aceleradamente sua importncia para