GESTÃO DE SOBRESSALENTES - tecem.com.br · A Criticidade de um sobressalente é definida pela...

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TECÉM – Tecnologia Empresarial Ltda www.tecem.com.br [email protected] Júlio Nascif e Luiz Carlos Dorigo – abril 2017 GESTÃO DE SOBRESSALENTES Júlio Nascif e Luiz Carlos Dorigo 1 – INTRODUÇÃO A PRODUÇÃO pode ser conceituada como a atuação direta da OPERAÇÃO + MANUTENÇÃO. Não há Produção sem Operação como também não há Produção sem Manutenção. A Operação é responsável pelo cumprimento de um Plano de Produção estabelecido a partir das necessidades do mercado ou tratativas com clientes, o que é conseguido através dos ativos (equipamentos e sistemas) que são por ela operados. À Manutenção cabe garantir a Disponibilidade (e a Confiabilidade inerente) dos ativos (equipamentos e sistemas) de modo que o Plano de Produção seja cumprido. Enquanto a Operação depende de matéria prima para fabricar os produtos, peças, conjuntos, etc, a Manutenção depende de materiais e sobressalentes para garantir o estado de operacionalidade dos ativos, que é traduzido pela disponibilidade. Em geral, a área responsável pelo fornecimento da matéria prima, materiais e sobressalentes é denominada SUPRIMENTOS. Dessa forma, pode-se afirmar que: O ATENDIMENTO AO PLANO DE PRODUÇÃO E O CONSEQUENTE ATENDIMENTO ÀS NECESSIDADES DOS CLIENTES PASSA, DENTRE OUTROS, PELA DISPONIBILIDADE DOS ATIVOS (MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS, SISTEMAS) Figura 1 – Suprimentos, Operação e Manutenção A disponilidade dos ativos, condição necessária para o atendimento ao Plano de Produção depende, dentre outros, do desempenho da área de Suprimentos.

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    Jlio Nascif e Luiz Carlos Dorigo abril 2017

    GESTO DE SOBRESSALENTES

    Jlio Nascif e Luiz Carlos Dorigo

    1 INTRODUO

    A PRODUO pode ser conceituada como a atuao direta da OPERAO + MANUTENO.

    No h Produo sem Operao como tambm no h Produo sem Manuteno.

    A Operao responsvel pelo cumprimento de um Plano de Produo estabelecido a partir das

    necessidades do mercado ou tratativas com clientes, o que conseguido atravs dos ativos

    (equipamentos e sistemas) que so por ela operados.

    Manuteno cabe garantir a Disponibilidade (e a Confiabilidade inerente) dos ativos

    (equipamentos e sistemas) de modo que o Plano de Produo seja cumprido.

    Enquanto a Operao depende de matria prima para fabricar os produtos, peas, conjuntos,

    etc, a Manuteno depende de materiais e sobressalentes para garantir o estado de

    operacionalidade dos ativos, que traduzido pela disponibilidade.

    Em geral, a rea responsvel pelo fornecimento da matria prima, materiais e sobressalentes

    denominada SUPRIMENTOS.

    Dessa forma, pode-se afirmar que:

    O ATENDIMENTO AO PLANO DE PRODUO E O CONSEQUENTE ATENDIMENTO S

    NECESSIDADES DOS CLIENTES PASSA, DENTRE OUTROS, PELA DISPONIBILIDADE DOS ATIVOS

    (MQUINAS, EQUIPAMENTOS, SISTEMAS)

    Figura 1 Suprimentos, Operao e Manuteno

    A disponilidade dos ativos, condio necessria para o atendimento ao Plano de Produo

    depende, dentre outros, do desempenho da rea de Suprimentos.

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    2 O DESAFIO

    A Gesto de Suprimentos busca administrar os estoques de modo que o capital investido seja otimizado. A funo do estoque de peas de reposio fornecer meios para que a Manuteno consiga garantir a disponibilidade adequada, dos ativos, necessria ao cumprimento do Plano de Produo. Do mesmo modo que a gesto dos estoques de peas de reposio impacta a disponibilidade, a gesto da Manuteno tambm influencia a disponibilidade e os custos de suprimentos. O grande desafio da interface Manuteno Suprimentos se traduz pela eficcia do planejamento de peas sobressalentes ou de reposio. A tabela 1 mostra a influncia do nvel de estoque em algumas variveis da empresa.

    Figura 2 Relao nvel de estoque e outros parmetros empresariais

    O custo da indisponibilidade o custo mais elevado dentro de uma instalao industrial quando comparado a outros custos, como por exemplo o custo de manuteno. Os indicadores considerados como classe mundial, para a relao suprimentos manuteno, apontam para os seguintes valores:

    KPI benchmark

    Valor do estoque (geral) / imobilizado 1 a 2%

    Giro do estoque (anos) >2

    Nvel de atendimento do estoque >90%

    Taxa de falta de sobressalentes < 1%

    Custo do estoque (geral) / Custo de manuteno 10 30%

    Custo estoque de manuteno / Faturamento bruto 0,8 1,6%

    Figura 3 KPI relacionados com suprimentos e manuteno J os custos decorrentes dos tipos de manutenao empregados est indicado na figura 4.

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    Figura 4 Custo por tipo de manuteno

    O custo da indisponibilidade deve ser calculado em funo do tipo de indstria e, nela, da rea, unidade, linha de produo ou sistema ou ainda de determinado equipamento. Para exemplificar sero mostradas as informaes constantes da referncia 2.

    Figura 5 Downtime (Indisponibilidade) mdia por ano e por ms para diversas indstrias (2)

    Em 2006 os executivos da indstria automotiva mostraram que o downtime (indisponibilidade) levou a paradas de produo cujo custo mdio foi de US$ 22.000,00 por minuto. (2) Considerando o grfico da figura 5, para 700 horas anuais de perda de produo na indstria automotiva, o custo correspondente foi de 700h x 60 min x US$22.000,00/minuto = US$ 924.000.000,00 !!

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    As informaoes mostradas indicam que:

    De modo geral, o custo da indisponibilidade muitas vezes maior do que os custos de sobressalentes ou da gesto de estoques e dos servios de manuteno;

    Indicadores de suprimentos podem variar de um tipo de indstria para outra. Por exemplo, o nvel de desgaste de equipamentos em uma minerao, pode recomendar um nvel mais elevado de peas de reposio em estoque do que seria necessrio em um hospital ou um shopping center para os equipamentos daqueles tipos de instalao.

    A adoo de tcnicas preditivas reduz o custo de manuteno por privilegiar a no interveno alm de refletir na reduo do consumo de sobressalentes pois a troca s feita quando diagnosticada a necessidade. Isso afeta positivamente os custos de suprimento e, em consequncia, os custos de produo.

    Existe um compromisso entre os custos, a indisponibilidade e o nvel de estoque conforme mostra a figura 6. A faixa tima deve ser buscada para cada indstria em particular em funo das suas peculiaridades.

    Figura 6 Relao entre custos de estoque e custo da indisponibilidade

    3 VARIVEIS A SEREM CONSIDERADAS 3.1 Caractersticas do estoque da Manuteno

    De modo simplificado, pode se considerar que as necessidades da Manuteno incluem MATERIAIS e SOBRESSALENTES (ou peas de reposio). Enquanto os materiais so itens de uso geral, os sobressalentes so especficos para determinadas mquinas. Alguns sobressalentes chegam a ser exclusivos de determinado equipamento enquanto outros podem ser encontrados em diversas mquinas mesmo de fabricantes diferente, como o caso de rolamentos, por exemplo. A definio de colocar ou no esses itens em estoque uma deciso que envolve diversos fatores que incluem os aspectos abordados no pargrafo 2 e fatores que sero tratados nos prximos pargrafos.

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    Figura 7 Itens de Manuteno

    Dentre os itens considerados como SOBRESSALENTES, podemos encontrar conjuntos montados para pronta substituio; motores eltricos, tambm para reposio imediata; cilindros hidrulicos completos, todos esses mantidos em estoque para evitar indisponibilidades prolongadas nas linhas de produo. Uma das prticas consagradas com vistas a reduzir a quantidade de itens em estoque, adquirir no mercado itens que so facilmente encontrados nos fornecedores e/ou representantes. Exemplos: lmpadas, fios e cabos, determinados tipos de rolamentos, adesivos, dentre outros. 3.2 Variveis a serem consideradas na formao ou consolidao do estoque Alguns autores consideram que o processo de formao ou consolidao do estoque de sobressalentes se d em 3 estgios, conforme mostra a figura 8. Os itens que compem cada um dos estgios est comentado adiante.

    Figura 8 Formao / consolidao do estoque

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    CRITICIDADE o principal fator que define a necessidade de manter um item em estoque com ressuprimento automtico. A Criticidade de um sobressalente definida pela criticidade do ativo ao qual pertence. Dessa forma, para os equipamentos cuja criticidade A, recomenda-se que existam sobressalentes em ressuprimento automtico desde que sua indisponibilidade afeta significativamente os resultados. A Criticidade dos Ativos definida, em conjunto, pela Operao, Manuteno, Segurana, Suprimentos e Engenharia de modo que represente o consenso das principais reas envolvidas na Produo. Em empresas que j operam h mais tempo (acima de 5 anos), a Criticidade deve ser sempre revista de modo a se confirmar que fatores mais relevantes impactaram a disponibilidade. Da a importncia de se ter um histrico confivel. Dentre esses fatores, a ausncia de sobressalentes crticos deve ser considerada. A figura 9 mostra a distribuio dos ativos de uma indstria nas critiidades A, B e C. Observar que para os ativos de criticidade A, que representam entre 10 e 20% do total, devem ser elaboradas recomendaes de estoque para sobressalentes que tero ressuprimento automtico. Em todas as Recomendaes de Estoque, que o instrumento de comunicao entre a Manuteno e Suprimentos, deve constar a Criticidade do Ativo.

    Figura 9 - Distribuio de ativos de criticidade A, B e C

    Outro aspecto importante que deve ser definido claramente no documento Recomendao de Estoque a procedncia ou garantia de qualidade do item. Isso significa, por exemplo: Caso 1: uma determinada pea s deve ser adquirida do fabricante do equipamento; Caso 2: uma determinada pea pode ser adquirida de qualquer fornecedor. Esse tipo de informao importante para Suprimentos pois, pelas prprias caractersticas da funo, suprimentos sempre busca o menor preo de aquisio e isso, em certos casos, pode ensejar a aquisio de peas importantes de fornecedores no qualificados. Assim, cabe Manuteno fazer a recomendao expressa de quem adquirir. Esse tipo de recomendao deve ser restrito queles ativos que sao especficos. Por exemplo: O fuso de um centro de usinagem Mazak deve ser adquirido diretamente desse fabricante. No entanto, um rolamento fixo de uma carreira de esferas que porventura seja utilizado nesse

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    centro de usinagem no precisa ser adquirido do fabricante da mquina, podendo ser adquirido dos fornecedores idneos de rolamentos.

    DEMANDA Essa caracterstica est relacionada a situaes que diferem da normalidade na planta industrial tais como: comissionamento e partida de mquinas novas, paradas de manuteno, novos projetos, reformas, dentre outros. Nesses tipos de eventos, pode ocorrer um consumo significativo de determinados itens sendo importante que seja feita previso s necessidades.

    FORNECIMENTO Nessa caracterstica esto includos os seguintes aspectos:

    Tempo de fornecimento (lead time);

    Cumprimento de prazos pelos fornecedores;

    Localizao da indstria em relao aos centros fornecedores;

    Item nacional ou importado;

    Desembarao alfandegrio. A considerao a esses aspectos determina qual a poltica dever ser adotada pela rea de Suprimentos para cada item em particular. Um dado que pode ser til a informao, pela Manuteno, da vida esperada para o item que pode ser obtida a partir de informaes do fornecedor ou do histrico da Manuteno taxa de falhas.

    SEGMENTAO ou CLASSIFICAO Segmentao ou Classificao do estoque a diviso do estoque em grupos de itens de acordo com o perfil ou caractersticas desses itens. Essa tcnica tem papel fundamental na gesto do inventrio permitindo uma melhor identificao e posterior otimizao do nvel do estoque. Dentre as caractersticas levadas em considerao para segmentao do estoque esto, dentre outras: valor do item, custo de manuteno do estoque, criticidade, frequncia de movimentao, disponibilidade. Alm disso, a segmentao permite atuar em itens potencialmente obsoletos, definio de itens que no devem ser colocados no estoque, itens com excedentes ou que devem ser descartados. A segmentao / classificao do estoque uma atividade exclusiva de Suprimentos.

    GESTO DE ESTOQUES A Gesto de Estoques visa garantir a cobertura da demanda do setor usurio (Operao, Manuteno, Segurana...) evitando paralisaes decorrentes da falta dos itens recomendados. Simultaneamente tem como meta buscar uma elevada rotao de estoques que reduzem o imobilizado, aumentando a taxa de retorno da empresa, e liberando fundos para outros aplicaes. A figura 10 indica as principais atividades que so contempladas na Gesto de Estoques, observando-se ser esse um processo contnuo.

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    Figura 10 Principais atividades da Gesto de Estoques Conforme j mencionado, a disponibilidade dos ativos, o cumprimento do Plano de Produo e os resultados da empresa so impactados pela atuao da rea de Suprimentos, dentre outras. A figura 11 mostra um fluxo de processo com nfase na rea de Suprimentos, realando o impacto na disponibilidade dos ativos.

    Figura 11 Fluxo de processo simplificado com nfase na rea de Suprimentos

    Documento Emitente

    1 Recomendao de Estoque Usurio (Manuteno, Operao...)

    2 Pedido de Compra Suprimentos (rea de compras)

    3 Recebimento e Controle Controle rea de Previso e Controle Recebimento rea de Armazenamento

    4 Requisio de Material / Sobressalente Usurio (Manuteno, Operao...)

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    PREVISO E CONTROLE Cabe rea de Previso e Controle de Suprimentos as seguintes atividades principais:

    Receber as Recomendaes de Estoque dos Usurios

    Catalogar a Recomendao no sistema

    Calcular os parmetros de ressuprimento a partir dos dados de histrico de Suprimentos, informaes dos fabricantes e usurios dos ativos. Dentre esses esto o consumo anual, ponto de ressuprimento e lote de ressuprimento.

    Registrar a Criticidade do item para tratamento adequado

    Manter atualizadas as informaes relativas aos itens cadastrados.

    Emitir pedidos de compra de materiais e sobressalentes com base no controle dos parmetros para os diversos itens.

    Elaborar os Mapas de Intercambiabilidade Os parmetros de ressuprimento so, o estoque de segurana, o consumo anual e o ponto de ressuprimento que, em conjunto com o lead time determinam o lote de ressuprimento..

    Figura 12 Parmetros de suprimento

    A intercambiabilidade ou intermutabilidade definida nos dicionrios como a capacidade de permitir a troca ou permuta. Mas no caso de suprimentos e da manuteno, indica que peas ou componentes idnticos so utilizados em equipamentos diferentes. Para exemplificar, seja uma bomba centrfuga que tenha na caixa de mancal, 1 rolamento radial de rolos NU 2210 e 2 rolamentos de contato angular 7308.

    Figura 13 Bomba Centrfuga Horizontal tag P-1405

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    Atravs das Recomendaes de Estoque emitidas pela Manuteno, possvel elaborar um Mapa de Intercambiabilidade que indica em quais equipamentos so utilizados os mesmos rolamentos da bomba do exemplo, cujo tag P-1405. Assim verifica-se que o rolamento NU2210 tambm utlizado em um compressor tag C-0325, um motor eltrico tag MP-3456 e mais duas bombas tags P-1109 e P-1305. J os rolamentos de contato angular 7308 so utilizados em 5 outras bombas tags P-1201, P-1206, P-2405, P-3323 e P-4430.

    Item Tag QI Tag QI Tag QI Tag QI Tag QI

    Rolamento NU2210 P-1405 1 C-0325 1 MP-3456 1 P-1109 1 P-1305 1

    Rolamento 7308 P-1405 2 P-1201 2 P-2405 2 P-3323 2 P-4430 2

    QI = quantidade instalada

    A partir do Mapa de Intercambiabilidade verifica-se que a quantidade instalada do Rolamento NU2210 de 5 unidades e a do Rolamento 7308 de 10 unidades lembrando que eles so montados aos pares. Sem o Mapa de Intercambiabilidade, Suprimentos teria que manter no estoque de segurana 5 unidades rolamentos NU 2210 e 10 unidades para o rolamento 7308. A partir do Mapa de Interambiabilidade, Suprimentos pode determinar tanto o estoque de segurana como o lote de ressuprimento, logicamente funo do consumo anual, valores que sero menores resultando em menor quantidade de itens no estoque sem o risco de falta quando necessrio.

    COMPRAS Como o nome especifica, essa rea a responsvel pela aquisio de materiais e peas de reposio ou sobressalentes a partir de solicitao direta dos usurios ou da rea de Previso e Controle para reposio dos estoques. A descrio para a compra deve ser oriunda da Recomendao de Estoque elaborada pelos Usurios. Eles que esto tecnicamente capacitados para definir as caractersticas, normas a serem atendidas, testes e ensaios necessrios e outros dados quando pertinentes. As propostas enviadas pelos fornecedores consultados podem ser aprovadas pela rea de compra para os itens simples. No entanto, para itens especficos cujo conhecimento tcnico no de dominio do pessoal da rea de compras, deve ser feito um pedido de parecer tcnico ao setor requisitante ou que fez a recomendao de estoque. Em geral, a rea de Engenharia de Manuteno concentra esse tipo de atividade para atendimento s demandas de Suprimentos.

    ARMAZENAMENTO O armazenamento se inicia praticamente quando do recebimento do item comprado. Caso o item seja comum segue para o armazenamento. Caso se trate de sobressalentes ou materiais cuja complexidade tcnica ultrapasse os conhecimentos do pessoal da rea de recebimento, deve ser solicitado suporte ao usurio daquele item. Sobressalentes para um sistema de controle de centros de usinagem CNC, um eixo fabricado por empresa de usinagem externa, rels ou outros materiais devem ter sua conformidade atestada pelos tcnicos das reas especializadas. Isso evita o recebimento de itens fora de especificao que, ao serem retirados para utilizao, podem no atender criando um problema maior de indisponibilidade e custos.

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    Os sistemas de armazenamento podem ser convencionais, prateleiras com gavetas, caixas plsticas ou outras divisrias bem como sistemas automatizados horizontais ou verticais. (Ver figuras 14 e 15)

    Figura 14 Sistemas verticais tipo carrosel para armazenamento de peas e materiais

    Figura 15 Sistema convencional de armazenamento com gavetas (esquerda) e

    armazenamento de motores eltricos em prateleiras (direita)

    A identificao da localizao deve ser clara nos sistemas convencionais e de fcil obteno no caso de sistemas automatizados. A localizao do item deve fazer parte do catlogo de material, seja em meio digital ou em papel. Recomendaes de preservao dos itens devem ser definidas pelas reas dos usurios devendo ser observadas e cumpridas pela rea de armazenamento.

    4 GESTO CONJUNTA DE MATERIAIS E SOBRESSALENTES Como mencionado anteriormente, a Gesto de Materiais e Sobressalentes deve ser feita em conjunto. A rea de Suprimentos tem interface com quase todas as demais reas da empresa sendo Manuteno e a Operao as mais significativas, seja em quantidade de itens, demanda de servios ou custos envolvidos. O fluxograma mostrado na figura 16 mostra, em linhas gerais, como deve ser a interface Manuteno Suprimentos.

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    Figura 16 Interface Manuteno Suprimentos

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    As necessidades da Manuteno para materiais e sobressalentes pode ser atendida de dois

    modos:

    a) Itens mantidos em estoque, com ressuprimento automtico

    b) Itens comprados de fabricantes e/ou fornecedores, pela rea de Suprimentos, a partir

    de solicitao emitida pela Manuteno.

    A classificao dos itens pode ser feita como indicado a seguir:

    Figura 17 - Determinao das categorias itens

    O fluxograma da figura 17 uma sugesto existindo, na literatura, outras metodologias.

    No entanto, a questo bsica que se aborda a garantia da disponibilidade dos ativos

    estabelecendo alguns critrios para permitir que uma indisponibilidade negociada (com a

    Operao e com a Manuteno), traduzida por um lead time aceitvel, permita a no colocao

    do item em ressuprimento automtico.

    Isso tem duas consequncias:

    Reduo do nmero de itens em estoque

    Compromisso de Suprimentos em garantir o lead time negociado

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    Convm observar que essa negociao feita para cada item relativo a um ativo (equipamento

    ou sistema). Por exemplo:

    BOMBA CENTRFUGA HORIZONTAL MODELO ETA TIPO 6520 SUPORTE A Tag: B 2502-A Descrio PN Material QI NE LOC LD CL ES CA

    1 Impelidor 230 ASTM A48 cl40 1 3320-123-0456 C14L2 30 dias RA 1 0,5

    2 Rolamento radial esferas 321 Ao 2 2340-987-0989 1 dia CI 0 2

    3 Eixo 210 AISI 4140 1 11298-564-7754 B279E 30 dias RA 1 0,2

    4 Retentores SABO 45U7 421 Ao/Borracha 2 3420-378-5642 1 dia CI 0 2

    5 Anel de Desgaste 502 ASTM A48 cl40 2 2234-976-0987 C15L3 20 dias RA 2 2

    Sempre observar que ao se fazer a indexao dos sobressalentes aos ativos, alguns itens sero

    comuns a mais de 1 ativo, o que tambm fator de deciso para se manter ou no o item em

    estoque.

    Onde: PN Part Number ou Nmero da pea (catlogo do fabricante)

    QI Quantidade instalada no equipamento

    NE Nmero de estoque

    LOC Localizao no estoque

    LD Lead Time ou tempo de ressuprimento

    CL Classificao do item

    RA Ressuprimento automtico

    CI Compra imediata

    ES Estoque de Segurana

    CA Consumo anual estimado

    Suprimentos deve atualizar constantemente as informaes relativas ao Lead Time e entrar em

    contato, imediatamente, com o Usurio (Operao, Manuteno, Segurana...) nos casos onde

    a opo COMPRA IMEDIATA pode ser substituida por RESSUPRIMENTO AUTOMTICO em

    funo de dilatao dos prazos de entrega dos fornecedores.

    O Estoque de Segurana e a primeira estimativa do Consumo Anual so definidos pelo(s)

    Usurio(s).

    No caso da Manuteno, ela detm o conhecimento para estimar o estoque de segurana bem

    como fazer a estimativa do consumo anual. Com o passar do tempo, Suprimentos pode analisar

    os dados de consumo e propor modificaes ao Usurio. No entanto, a modificao de

    parmetros como ES e CA no deve ser feita sem acordo entre Suprimentos e Usurio.

    Finalmente deve ser entendido que o Lead Time composto das seguintes parcelas de tempo:

    Ao Responsvel Tempo (dias)

    Emisso da Solicitao de Compra Usurio ou rea de Previso e Controle

    Emisso do Pedido de Compra rea de Compras

    Tempo decorrido entre o Pedido de Compra e o Recebimento das Propostas

    Parecer tcnico Usurio (ou compras quando possvel)

    Colocao do Pedido de Fornecimento Compras

    Tempo decorrido entre o pedido e a chegada do material

    Recebimento e conferncia rea de Armazenamento

    Entrega ao Usurio ou colocao no estoque rea de Armazenamento / Usurio

    LEAD TIME (somatrio dos tempos)

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    As definies relativas ao lead time confirmam essa abordagem.

    A definio mais convencional para lead time em Supply Chain Management (SCM) o tempo

    entre o momento do pedido do cliente at a chegada do produto no mesmo. (Wikipdia)

    Entende-se por lead time um intervalo de tempo compreendido entre o incio e o trmino de

    uma atividade. Por exemplo, na rea de Compras, as pessoas envolvidas nos processos devem

    saber claramente qual o lead time, o intervalo de tempo para comprar os materiais necessrios

    para a sua produo, desde a emisso do pedido at realmente o material estar a sua disposio

    para uso. (Lean Institute do Brasil)

    Itens sem movimentao

    Atravs do controle efetuado por Suprimentos, possvel verificar quais itens esto sem

    movimentao ao longo de um perodo ( 1 ano ou 2 anos) e questionar a necessidade ou no de

    sua permannia em estoque.

    Esse trabalho deve ser levado a efeito com a participao do usurio. No caso da Manuteno,

    isso fundamental para evitar que itens crticos e caros, cuja movimentao extremamente

    baixa, sejam descartados. Alguns sobressalentes de equipamentos nicos e crticos devem ser

    mantidos em estoque para evitar o custo muito elevado da indisponibilidade. No entanto, todos

    esperam que sua utilizao no ocorra.

    Um exemplo tpico sao conjuntos rotativos de compressores centrfugos ou de ar ou de gs em

    Unidades de Craqueamento Cataltico. O custo de um compressor centrfugo com 4 impelidores,

    vazo de 50.000 acfm e potncia de 6000 HP de aproximadamete, USD 2.700.000,00.(8)

    enquanto o custo da indisponibilidade, causada pela parada do compressor, de USD

    300.000,00 por dia(9). Obviamente, a manuteno no estoque do conjunto rotativo para esse

    tipo de mquina absolutamente recomendvel seja pela relao custo do sobressalente x

    custo da indisponibilidade, como tambm pelo lead time que muito grande entre a solicitao

    e a entrega.

    5 - CONCLUSES

    Em poca de atuao integrada, via Gesto de Ativos, ditada pela necessidade de maior

    competitividade, faz-se necessrio que a atuao das diversas reas que compem a estrutura

    organizacional se d de forma participativa e com as interfaces absolutamente identificadas e

    definidas.

    A interface Manuteno Operao Suprimentos fundamental para a obteno dos

    resultados da empresa que sero obtifos atravs do trabalho em conjunto e do

    comprometimento das suas gerncias.

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    Bibliografia:

    1 Relatrios de Avaliao da TECM

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    3 - 12 Best Practices of Inventory Optimization - Minimize Costs, Maximize Uptime with MRO

    Inventory Control Oniqua

    4 - How to get a sustainable maintenance spare parts management, MIROUX, F.Y.J., 2012

    5 - http://sistemas.eel.usp.br/docentes/arquivos/5840789/179/Cap07-ControledeEstoques.pdf

    6 - Gesto de estoques de peas de reposio da manuteno: um estudo de caso

    Roberio fonseca padilha junior (Petrobras) Greison da silva rodrigues (Petrobras)

    7 - Six Tips to Improve Spare Parts Management Philip Slater

    8 - Process Equipment Cost Estimation Final Report - DOE/NETL-2002/1169 - H.P. Loh, Jennifer

    Lyons and Charles W. White, III

    9 Petroleum Refining Bently Nevada Asset Condition Monitoring General Electric