Guia de Arborização Urbana de Campo Grande, MS · implantação e manutenção da arborização...

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Guia de Arborização Urbana de Campo Grande, MS 1ª edição (jan/2012)
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Guia de Arborizao Urbana de Campo

Grande, MS

1 edio (jan/2012)

2

Sumrio

Introduo .......................................................................................... 3

Objetivos ............................................................................................ 3

Implantao da arborizao .............................................................. 4

Manuteno da arborizao urbana................................................ 21

Referncias ...................................................................................... 29

3

Introduo

As rvores situadas nas reas livres pblicas ou as que acompanham o

sistema virio tm importante funo esttica e ecolgica, proporcionando o

embelezamento e a melhoria do ambiente urbano.

No entanto, comum num ambiente urbanizado nos depararmos com

muitos conflitos entre rvores e equipamentos urbanos, como fiaes eltricas,

encanamentos, calamentos, muros, postes de iluminao, entre outros. Na

maioria das vezes, a existncia de tais conflitos gera um manejo inadequado e

prejudicial s rvores.

Contudo esse tipo de problema pode ser facilmente evitado com o

manejo adequado da arborizao desde a sua implantao. Fatores como a

escolha da espcie a ser plantada de acordo com o espao disponvel, a muda

com porte e formao adequados e a realizao correta de conduo e

manuteno dos espcimes arbreos, so de fundamental importncia para

garantir uma arborizao sem conflitos e um ambiente seguro e saudvel para

a populao.

Assim, foi elaborado o presente guia, visando direcionar as aes de

manejo da arborizao urbana em Campo Grande de forma a evitar danos s

rvores e conflitos das mesmas com os demais componentes do ambiente

urbano.

Objetivos

O objetivo deste guia fornecer as diretrizes e normas para a

implantao e manuteno da arborizao urbana no Municpio de Campo

Grande MS.

4

Implantao da arborizao

Espcies recomendadas para plantio

A seleo das espcies deve priorizar as nativas que apresentam

adaptabilidade s condies adversas ao ambiente urbano, sem deixar de

considerar aquelas exticas adaptadas ao clima e condies locais que se

mostraram favorveis para implantao na arborizao urbana.

Os arbustos no devem ser utilizados por no apresentarem as

caractersticas ambientais desejadas e no proporcionar o mesmo resultado

que uma espcie arbrea.

De um modo geral o conceito de porte da rvore apresenta a altura

mxima variando entre 4,0 m e 6,0 m para rvores de pequeno porte, entre 6,0

m e 12,0 m para mdio porte e acima de 10,0 m ou 12,0 m para grande porte.

Deve-se escolher, preferencialmente, uma s espcie para cada lado da

rua ou para cada rua, pois facilita o acompanhamento de seu desenvolvimento,

o controle de pragas e doenas e o programa de podas.

A seguir so apresentadas algumas espcies recomendadas para

plantio e outras espcies recomendadas para plantio experimental nos

passeios pblicos das sete regies urbanas do municpio de Campo Grande

(Anhanduizinho, Bandeira, Centro, Imbirussu, Lagoa, Prosa e Segredo).

Em seguida so listadas algumas espcies indicadas para arborizao

de canteiros, praas, parques e outras no indicadas para plantio em passeios

pblicos devido aos seus princpios txicos e outros.

5

Recomendao de espcies para plantio em passeios pblicos

Espcies recomendadas - Anhanduizinho

Porte Nome popular Nome cientfico

escova-de-garrafa Callistemon citrinus

ip-mirim Tecoma stans Pequeno / Mdio

ligustro Ligustrum lucidum

angelim Andira sp.

cssia-rosa Cassia grandis

ip branco Tabebuia rseo-alba

ip rosa Tabebuia pentaphylla

Grande

jacarand Jacaranda cuspidifolia

Espcies recomendadas para experimentao - Anhanduizinho

Porte Nome popular Nome cientfico

grevilha an Grevlea banksii

ip-amarelo-cascudo Tabebuia ochracea Pequeno / Mdio

pau-terrinha Qualea parviflora

manac-da-serra Tibouchina mutabilis

olho-de-cabra Ormosia arborea

Grande

pau-pombo / capororoca / cupiuva

Rapanea umbelata

6

Espcies recomendadas Bandeira

Porte Nome popular Nome cientfico

aldagro Pterocarpus violaceus

ip-mirim Tecoma stans

ligustro Ligustrum lucidum

pata-de-vaca Bauhinia variegata

Pequeno / Mdio

quaresmeira Tibouchina granulosa

ip-amarelo Tabebuia chrysotricha

ip-roxo Tabebuia impetiginosa

magnlia-amarela Michelia champaca

Grande

sibipiruna Caesalpinia peltophoroides

Espcies recomendadas para experimentao Bandeira

Porte Nome popular Nome cientfico

ara Psidium guineense

dedaleira Lafoensia pacari Pequeno / Mdio

saboneteira Sapindus saponaria

cumbaru Dipteryx alata

farinha-seca Albizia hasslerii (niopoides)

Grande

guatambu Aspidosperma parvifolium

7

Espcies recomendadas - Centro

Porte Nome popular Nome cientfico

aroeira-pimenta Schinus terebinthifolia

rvore-da-china Koelreuteria bipinnata

ip-mirim Tecoma stans

ligustro Ligustrum lucidum

Pequeno / Mdio

pata-de-vaca Bauhinia variegata

ip branco Tabebuia rseo-alba

ip-amarelo Tabebuia chrysotricha

magnlia-amarela Michelia champaca

pau-brasil Caesalpinia echinata

Grande

sibipiruna Caesalpinia peltophoroides

Espcies recomendadas para experimentao - Centro

Porte Nome popular Nome cientfico

Pequeno / Mdio barbatimo Stryphnodendron adstringens

ip-verde Cybistax antisyphilitica

Grande pau-ferro Caesalpinia ferrea

8

Espcies recomendadas - Imbirussu

Porte Nome popular Nome cientfico

aroeira-pimenta Schinus terebinthifolia

ip-mirim Tecoma stans

ligustro Ligustrum lucidum

pata-de-vaca Bauhinia variegata

Pequeno / Mdio

quaresmeira Tibouchina granulosa

ip-amarelo Tabebuia chrysotricha

ip-roxo Tabebuia impetiginosa

magnlia-amarela Michelia champaca

pau-brasil Caesalpinia echinata

Grande

sibipiruna Caesalpinia peltophoroides

Espcies recomendadas para experimentao Imbirussu

Porte Nome popular Nome cientfico

cerejeira Eugenia involucrata

Pequeno / Mdio falso-barbatimo Dimorphandra mollis

angico-vermelho Anadenanthera falcata e A. peregrina

Grande pau-ferro Caesalpinia ferrea

9

Espcies recomendadas Lagoa

Porte Nome popular Nome cientfico

aldagro Pterocarpus violaceus

aroeira-pimenta Schinus terebinthifolia

escova-de-garrafa Callistemon citrinus Pequeno / Mdio

ip-mirim Tecoma stans

magnlia-amarela Michelia champaca

Grande sibipiruna Caesalpinia peltophoroides

Espcies recomendadas para experimentao Lagoa

Porte Nome popular Nome cientfico

calabura / cereja-do-paran

Muntingia calabura

Pequeno / Mdio

dedaleira Lafoensia pacari

capito-do-mato Terminalia argentea

pau-pombo / capororoca / cupiuva

Rapanea umbelata

Grande pau-tucano Vochysia bifalcata

10

Espcies recomendadas Prosa

Porte Nome popular Nome cientfico

aldagro Pterocarpus violaceus

aroeira-pimenta Schinus terebinthifolia

escova-de-garrafa Callistemon citrinus

ip-mirim Tecoma stans

Pequeno / Mdio

quaresmeira Tibouchina granulosa

aroeira Myracroduon urundeuva

ip branco Tabebuia rseo-alba

ip rosa Tabebuia pentaphylla

magnlia-amarela Michelia champaca

Grande

pau-brasil Caesalpinia echinata

Espcies recomendadas para experimentao - Prosa

Porte Nome popular Nome cientfico

sangra dgua Croton urucurana

guatambu-do-cerrado Aspidosperma macrocarpon

angelim-do-cerrado / morcegueira

Andira cuiabensis Pequeno / Mdio

dedaleira Lafoensia pacari

jequitib Cariniana legalis

Grande louro-pardo Cordia trichotoma

11

Espcies recomendadas Segredo

Porte Nome popular Nome cientfico

aroeira-pimenta Schinus terebinthifolia

ip-mirim Tecoma stans Pequeno / Mdio

ligustro Ligustrum lucidum

angelim Andira sp.

angico-vermelho Anadenanthera falcata e A. peregrina

ip rosa Tabebuia pentaphylla

magnlia-amarela Michelia champaca

Grande

sibipiruna Caesalpinia peltophoroides

Espcies recomendadas para experimentao - Segredo

Porte Nome popular Nome cientfico

cerejeira Eugenia involucrata

falso-barbatimo Dimorphandra mollis

ip-amarelo-cascudo Tabebuia ochracea Pequeno / Mdio

sangra dgua Croton urucurana

copaba Copaifera langsdorffii

cumbaru Dipteryx alata

louro-pardo Cordia trichotoma

manduvi Sterculia striata

Grande

merendiba Terminalia brasiliensis

12

Espcies Indicadas para Arborizao de Canteiros, Praas e Parques

Nome comum Nome cientfico

acerola Malpighia glabra

amendoim-bravo Pterogine nitens

angelim Andira sp

angico-vermelho Anadenanthera falcata e A. peregrina

aroeira Myracroduon urundeuva

aroeirinha, aroeira-pimenta Schinus terebinthifolius

rvore-da-china Koelreuteria bipinnata

barbatimo Stryphnodendron adstringens

caj Spondias macrocarpa

caj-mirim Spondias velunosa

calabura, cereja-do-paran Muntingia calabura

cambar Vochysia sp.

capito-do-mato Terminalia argentea

caramboleira Averrhoa carambola

cssia rosa Cssia grandis

castanha-do-maranho Bombacopsis glabra

cedro Cedrela fissilis

cerejeira Eugenia involucrata

chal-chal ou fruto-de-pombo Allopylus edullis

cinamomo Melia azedarach

copaba Copaifera langsdorffii

cumbaru Dipteryx alata

cupiba, pau-pombo Tapirira guianensis

dedaleira Lafoensia pacari

embava Cecropia pachystachia

13

espatdea Spathodea nilotica

falso-barbatimo, cinzeiro Dimorphandra mollis

farinha seca Albizia hasslerii

flamboyant Delonix regia

goiabeira Psidium guajava

guatambu-do-cerrado Aspidosperma macrocarpon

ing Ing sp

ip amarelo Tabebuia chrysotricha

ip branco Tabebuia roseo-alba

ip roxo Tabebuia avellanedae

ip verde Cybistax antisyphilitica

jacarand Jacarand cuspidifolia

jatob Hymenaea courbaril

jequitib Cariniana legalis

louro-pardo Cordia trichotoma

magnlia Michelia champaca

mandioco Schefflera morototoni

manduvi Sterculia striata

merendiba Terminalia brasiliensis

monguba Pachira aquatica

morcegueira, angelim-do-cerrado Andira cuiabensis

oiti Licania tomentosa

olho-de-cabra Ormosia arborea

orelha-de-negro, tamboril Enterolobium contortisiliquum

paineira Chorisia speciosa

palmeiras -

Pau-brasil Caesalpinia echinata

pau-de-tucano Vochysia bifalcata

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pau-ferro Caesalpinia ferrea

pau-mulato Calycophyllun spuruceanum

pau-pombo, capororoca Rapanea umbelata

pau-terra-grande Qualea grandiflora

pau-terra, pau-terrinha Qualea parviflora

pitangueira Eugenia uniflora

pitomba Talisia esculenta

saboneteira Sapindus saponcea

sete-copas Terminalia catappa

sibipiruna Caesalpinia peltophoroides

sombreiro Clitoria fairchildiana

suin Erytrina speciosa

tamarineiro Tamarindus indica

tarum Vitex cymosa

tipuana Tipuana tipu

* Frutferas em geral

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Espcies no indicadas para arborizao de passeios pblicos

Nome comum Nome cientfico Motivo

agvea Agave sp. Espinhos nas folhas

alecrim-de-campinas Holocalix balansae Planta txica

assacu Hura crepitans Espinhos no caule

citrus Citrus sp. Presena de espinhos

coroa-de-cristo Euphorbia milii Com espinhos e txica

chapu-de-napoleo Thevetia peruviana Planta txica

espirradeira Nerium olenader Planta txica

ficus Ficus sp. Ltex

flamboyant-mirim Caesalpinea pulcherrima Semente txica e espinhos no caule

jasmin-manga Plumeria rubra Planta txica

ora-pro-nbis Pereskia gradifolia Espinhos no caule

palmeiras - Folhas muito grandes

frutferas - Risco de acidente pela queda dos frutos

grandes

Distanciamento da arborizao em relao aos elementos

existentes nas vias pblicas

O plantio nas caladas e demais espaos virios deve levar em

considerao os limites mnimos entre as dimenses das espcies escolhidas

quando adultas e a localizao de construo de demais mobilirios urbanos, a

fim de garantir espao para a mobilidade urbana. O quadro a seguir apresenta

algumas especificaes sobre o assunto:

16

Distncia Mnima Elementos Pequeno

porte Mdio porte Grande

porte

Esquina 7 m 7 m 7 m

Postes 5 m 6 m 7 m

Instalaes subterrneas (gs,

gua, esgoto, energia, etc)

1 m 1 a 2 m 1 a 2 m

Mobilirio urbano (bancas,

cabines, guaritas e telefones)

2 m 2 m 2 m

Galerias 1 m 1 m 1 m

Caixas de inspeo (boca-de-

lobo, bueiros e caixas de

passagem)

2 m 2 m 2 m

Fachadas de edificao 2,4 m 2,4 m 2,4 m

Transformadores 5 m 8 m 10 m

Entre rvores 5 m 8 m 10 m

Entrada de veculos 1 m 1 m 1 m

Condies de calada e indicao de plantio

Em passeios com largura inferior a 1,50 m e sem recuo predial

proibido o plantio de rvores, pois o espao livre mnimo para o trnsito de

pedestres em passeios pblicos dever ser de 1,50 m. Nestes casos a

alternativa priorizar a arborizao de praas j existentes ou criao de novas

praas e incentivar a populao a realizar plantios em quintais e reas urbanas

pblicas ou privadas que necessitem ser recuperadas. O quadro a seguir

apresenta diferentes situaes de passeios e indicaes de plantio:

17

Largura da calada

Recuo predial Rede eltrica Indicao de plantio

Sim No arborizar At 1,50 m Sem recuo

No No arborizar

Sim Pequeno porte Sem recuo

No Pequeno porte

Sim Pequeno ou

mdio porte

De 1,5 a 2,4 m

3 m ou mais

No Mdio porte

Sim Pequeno porte

Sem recuo No

Mdio ou grande

porte

Sim Mdio ou grande

porte

De 2,4 a 3,4 m

3 m ou mais

No Mdio ou grande

porte

Sim Pequeno ou

grande porte Sem recuo

No Mdio ou grande

porte

Sim Mdio ou grande

porte

Superior a 3, 4 m

3 m ou mais

No Grande porte

18

Caractersticas dos plantios

Tamanho das mudas

Devero ser preferencialmente utilizadas mudas com fuste nico, altura

mnima da primeira bifurcao de 1,80 m a 2,0 m, aspecto sadio e vigoroso e

sem razes defeituosas.

Coveamento e preparo do solo

As covas devero ter no mnimo as dimenses de 0,60 m x 0,60 m x

0,60 m (comprimento, largura e profundidade, respectivamente), devendo-se

aumentar essas dimenses quanto piores forem as condies fsicas ou

qumicas do solo.

O solo de preenchimento da cova deve estar livre de entulhos e lixo,

com constituio, porosidade, estrutura e permeabilidade adequadas ao bom

desenvolvimento da muda, utilizando composto orgnico e adubao qumica.

Em volta das rvores plantadas dever ser adotada uma rea permevel

(rea livre), seja na forma de canteiro, faixa ou piso drenante, que permita a

infiltrao de gua e aerao do solo. As dimenses para estas reas no

impermeabilizadas, sempre que as caractersticas dos passeios ou canteiros

centrais o permitirem, devero ser de no mnimo 1m2 para rvores de pequeno

porte, 2m2 para rvores de mdio porte e de 3m2 para rvores de grande porte.

As rvores devem estar localizadas na faixa de servio da calada para

no atrapalhar a faixa livre em que os pedestres circulam. O Guia de Caladas

(Decreto 11.090 de 13/01/2010) estabelece as recomendaes para a faixa

livre pavimentada e a rea permevel das caladas.

19

Plantio

A muda dever ser retirada da embalagem com cuidado e apenas no

momento do plantio, cuidando-se para no danificar o torro que envolve a

muda. A posio da muda na cova deve ser tal que permanea mesma

profundidade em que estava no viveiro, ou seja, o preenchimento da cova deve

levar em conta que o colo da muda permanea no nvel do solo e deve ser feito

de forma que as bordas fiquem mais elevadas, formando uma bacia de

captao de gua.

No recomendvel o plantio dentro de manilha de concreto ou

quaisquer tipos de obstculos que restrinjam o espao de crescimento das

razes, pois o seu uso deforma o sistema radicular da rvore, podendo

ocasionar consequncias como a queda do exemplar por falta de sustentao

quando este atingir a idade adulta. O objetivo do uso de manilhas proteger a

calada das razes, o que no necessrio quando se garante um canteiro

adequado assim como uma boa seleo de espcies.

Para auxiliar na sustentao das mudas at o enraizamento da muda

devero ser afixados tutores (estacas de madeira ou bambu) com 2,5 a 3m de

altura, ficando 1m enterrado no fundo da cova, ao lado do torro sem prejudic-

lo. A extremidade inferior dos tutores dever ser pontiaguda, para facilitar a

fixao no solo.

As mudas devero ser fixadas ao tutor atravs de amarrios, cordas de

borracha, sisal ou outro material que no danifique o tronco. O amarril deve ter

a forma de um oito deitado e amarrado de preferncia em duas alturas, uma

prxima a primeira bifurcao e outra prxima a base do tronco. A figura abaixo

ilustra as caractersticas adequadas para plantio.

20

21

Manuteno da arborizao urbana

Recomendaes para a poda de rvores em vias e logradouros

pblicos

1. Introduo

A relao entre a poda e as rvores existentes no ambiente urbano to

arraigada na mente das pessoas, que muitas vezes grandes erros so

cometidos no intuito se realizar a prtica mais acertada. Na verdade, a poda

configura uma agresso rvore. Esse tipo de organismo possui estrutura e

funes bem definidas e alguns mecanismos e processos de defesa contra

seus inimigos naturais. Contudo, as rvores no apresentam meios de defesas

para a poda e suas conseqncias danosas, a no ser a tentativa de recompor

a estrutura original que definida geneticamente. No entanto, isso no significa

que a poda deva ser extinta. Nas reas urbanas, sua prtica necessria em

alguns casos, visando garantir um conjunto de rvores vitais, seguras e de

aspecto visual agradvel (Seitz, 1996).

2. Objetivos da poda

Na arborizao urbana, a prtica da poda tem por objetivo conferir

rvore uma forma adequada durante o seu desenvolvimento, eliminar ramos

mortos, danificados, doentes ou praguejados, remover partes da rvore que

colocam em risco a segurana e remover partes da rvore que interferem ou causam danos incontornveis s edificaes ou aos equipamentos urbanos.

22

3. Tipos de podas

Da fase inicial da produo de mudas de espcies arbreas em viveiros,

ao momento em que a rvore passa a desenvolver livremente seu modelo

arquitetnico de copa, utilizada a poda de formao. Mesmo com a copa

formada, as rvores necessitam de cuidados, com podas de limpeza ou

manuteno. Alm disso, quando as podas anteriores foram executadas

incorretamente, ou alteraes do ambiente urbano incompatibilizam a copa das

rvores com seu meio, aplica-se as podas de adequao ou de emergncia.

3.1. Poda de formao

A poda de formao empregada para substituir os mecanismos

naturais que inibem as brotaes laterais e para conferir rvore crescimento

ereto e copa altura que permita o livre trnsito de pedestres e veculos. A

poda dos galhos deve ser realizada o mais cedo possvel, evitando-se

cicatrizes grandes, desnecessrias. Devem ser eliminados os galhos baixos

que dificultaro a passagem de pedestres e veculos e os galhos que cruzaro

a copa ou com insero defeituosa, antes que os cortes se tornem muito

difceis.

3.2. Poda de limpeza ou manuteno

A poda de limpeza ou manuteno visa a eliminao de ramos secos ou

senis, de ramos ladres, dos ramos epicrmicos (brotaes) e dos brotos

emitidos por razes. Esse tipo de poda tambm empregado para a eliminao

dos ramos doentes, com ataque de pragas ou ervas parasitas. Dessa forma, se

evita que a queda de ramos mortos coloque em risco a integridade fsica das

pessoas e do patrimnio pblico e particular, bem como impede o emprego de

agrotxicos no meio urbano e evita que a permanncia de ramos danificados

comprometa o desenvolvimento sadio das rvores.

23

3.3. Poda de adequao

Emprega-se a poda de adequao quando necessrio solucionar ou

amenizar conflitos entre equipamentos urbanos e a arborizao e, tambm,

para remover partes da rvore que impedem a livre circulao de pessoas e

veculos, bem como para remover partes da rvore que causam dano ao

patrimnio pblico ou particular, como ramos baixos ou que cresceram sobre

edificaes. A necessidade de realizar este tipo de poda geralmente decorre do

fato da rvore no ter recebido podas de formao e manuteno adequadas.

3.4. Poda de emergncia

A poda de emergncia realizada para remover partes da rvore que

colocam em risco iminente a integridade fsica das pessoas ou do patrimnio

pblico ou particular, como ramos que se quebram durante chuva ou vento

forte.

3.5. Poda de razes

Em alguns casos, possvel solucionar os transtornos causados pelo

afloramento de razes atravs da poda de raiz. No entanto, esta prtica deve

ser evitada, uma vez que pode comprometer a estabilidade da rvore, diminuir

a absoro de gua e sais minerais e criar uma rea de contaminao que poder, mais tarde, comprometer toda a estrutura da base da rvore.

Quando for inevitvel, a poda de raiz, deve ser aplicada com muito

critrio, sempre acompanhada por um profissional habilitado e observando

algumas recomendaes bsicas:

Evitar o corte de razes com dimetro acima de 20mm. Quanto maior o

dimetro da raiz, mais lenta a regenerao e maior o comprometimento da

estabilidade;

No eliminar razes ao redor de toda rvore. Quanto maior a

quantidade de razes eliminadas, maior o comprometimento da estabilidade;

24

No realizar corte de razes prximo ao tronco. O corte deve ser

realizado a uma distncia mnima de 50cm do tronco da rvore;

No realizar o corte de razes com ferramentas de impacto (faco,

machado, etc.). O corte de razes deve ser realizado com serra bem afiada;

Expor a raiz que ser cortada. Antes de realizar o corte, deve ser

aberta uma valeta, manual e cuidadosamente, para expor a raiz e permitir a

realizao de um corte liso, sem danos a quaisquer de suas partes;

Irrigar as razes e o solo assim que for feita a poda da raiz.

A melhor forma de evitar a necessidade da poda de razes o plantio de

espcies adequadas, a existncia de uma rea permevel em torno da planta

de 1 a 3 m2 (de acordo com o porte da rvore) e a preparao de uma cova de

plantio ampla (0,60 x 0,60 x 0,60 cm), permitindo rvore um bom

enraizamento.

4. Legislao

Segundo a Lei Complementar n. 184 de 23 de setembro de 2011,

realizao de poda de rvores existentes em vias e logradouros pblicos s

permitida ao rgo municipal responsvel pela arborizao urbana ou,

mediante autorizao prvia, s empresas concessionrias ou permissionrias

de servios pblicos e s empresas ou profissionais autnomos especializados

e devidamente credenciados junto SEMADUR.

Condies para a permisso de podas de rvores em vias e logradouros pblicos:

Para conduo, visando a formao da rvore;

Sob fiao, quando representarem riscos de acidente ou de

interrupo do sistema eltrico, de telefonia ou de outros servios;

25

Para limpeza, visando apenas a retirada de galhos secos,

apodrecidos, quebrados ou com pragas e/ou doenas;

Quando os galhos estiverem causando interferncias prejudiciais

em edificaes, na iluminao ou na sinalizao de trnsito nas

vias pblicas;

Para recuperao de arquitetura da copa.

Demais consideraes:

As podas de rvores devero obedecer s instrues contidas

neste manual;

Quando se tratar de rvores sob a rede eltrica: a empresa

energtica dever ser acionada para isolar ou desligar a rede

durante a execuo do servio;

O material lenhoso resultante da poda poder ser reaproveitado.

No entanto, o material inaproveitvel dever ser destinado s

reas de recepo destinadas pelo municpio descritas abaixo:

Aterro de entulhos: macro anel rodovirio s/n - Jardim

Noroeste (trecho entre sada para Cuiab e Trs Lagoas);

vedada a realizao de poda drstica ou excessiva de

arborizao pblica.

Considera-se poda drstica ou excessiva o corte de mais de 50% da

massa verde da copa, o corte da parte superior da copa, eliminando sua gema

apical ou, ainda, o corte de somente um lado da copa ocasionando deficincia

no desenvolvimento estrutural da rvore.

26

Supresso de espcimes arbreos

vedada a supresso de espcies imunes ao corte definidos por

legislao federal, estadual ou municipal.

A supresso de rvores em logradouros pblicos s ser autorizada

mediante Laudo Tcnico nas seguintes circunstncias:

quando o estado fitossanitrio justificar a prtica;

quando a rvore ou parte dela apresentar risco iminente de queda;

quando o plantio irregular ou a propagao espontnea das espcies

impossibilitarem o desenvolvimento adequado da prpria rvore e

das rvores vizinhas;

quando se tratar de espcies no recomendadas e/ou cuja

propagao tenha efeitos prejudiciais para a arborizao urbana;

A supresso de espcimes arbreos em logradouros pblicos ser

realizada mediante autorizao por escrito do rgo municipal responsvel pela

arborizao, e ser permitida somente:

ao rgo municipal responsvel pela arborizao urbana;

a empresas concessionrias ou permissionrias de servios pblicos;

ao corpo de bombeiros e Defesa Civil nos casos de risco iminente

de queda com comunicao no prazo mximo de 15 (quinze) dias ao rgo municipal responsvel pela arborizao urbana;

a empresas ou profissionais autnomos especializados e

devidamente credenciados no rgo municipal responsvel pela

arborizao urbana.

Nos casos em que o muncipe optar pela realizao da supresso por

conta prpria, ao invs de aguardar a realizao dos servios pelo rgo

municipal competente, devero ser cumpridas as seguintes exigncias:

27

laudo tcnico de deferimento e autorizao por escrito, expedido pelo

rgo municipal competente;

assinatura de termo de responsabilidade pelos riscos de danos e

prejuzos populao e ao patrimnio pblico, que possam decorrer

da impercia ou imprudncia de quem executar a supresso;

pagamento, s prprias expensas, dos custos de supresso das

rvores;

contratao de pessoa fsica ou jurdica credenciada pelo rgo

municipal competente para execuo de servios de supresso de

rvores

declarao do destino dos resduos vegetais oriundos da supresso;

obrigatrio o aproveitamento do material lenhoso, ou, sempre que

possvel, de madeira para fins mais nobres, sendo que o material inaproveitvel

dever ser destinado s reas de recepo disponibilizadas pelo municpio,

sendo elas:

Aterro de entulhos: macro anel rodovirio s/n - Jardim

Noroeste (trecho entre sada para Cuiab e Trs Lagoas);

Quando houver a supresso de rvores em logradouros pblicos, as

mesmas devero ser repostas no prazo mximo de 30 (trinta) dias, contados

da data de sua supresso, e devero atender aos critrios tcnicos

especificados neste Guia de Arborizao Urbana.

Nos casos em que no houver espao adequado no mesmo local para o

replantio, este ser feito em rea a ser indicada pelo rgo municipal

responsvel pela arborizao, localizada no mesmo bairro onde ocorreu a

supresso, de forma a manter a densidade arbrea daquela localidade.

28

Transplante de espcimes arbreos

O transplante de rvores adultas uma tcnica que pode ser utilizada

principalmente com a finalidade de conservao, uma vez que existem

algumas espcies tolerantes a esta prtica em qualquer fase de sua vida,

porm o sucesso de um transplante estar condicionado a fatores limitantes

como: espcie a que pertence o vegetal, suas condies de vigor e sanidade,

seu porte, sua idade e sua capacidade de resistir s perdas de gua.

A realizao de transplantes de rvores s permitida ao rgo

municipal responsvel pela arborizao urbana ou, mediante autorizao

prvia, s empresas ou profissionais autnomos especializados e devidamente

credenciados junto SEMADUR.

De acordo com a legislao municipal o transplante de rvores dever

ser empregado quando a espcie for imune ao corte, ou quando a rvore no

se enquadrar nos critrios de supresso e houver necessidade de seu

deslocamento para outro local, que dever ser definido pelo rgo ambiental

competente. Em caso de no sobrevivncia da rvore transplantada ser

adotada medida compensatria definida quando da autorizao.

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Referncias

Lei Complementar n. 184, de 23 de setembro de 2011. Campo Grande MS.

Manual de Normas Tcnicas de Arborizao Urbana. 2007. Prefeitura Municipal de Piracicaba SP.

Manual Tcnico de Arborizao Urbana de So Paulo. 2005. 2 ed. Prefeitura da Cidade de So Paulo SP.

Plano Diretor de Arborizao Urbana de Campo Grande, MS. 2010. Prefeitura Municipal de Campo Grande MS.

Rodrigues, C. A., Bezerra, B. C., Ishii, I. H., Cardoso, E. L., Soriano, B. M. A., & Oliveira, H. 2002. Arborizao urbana e produo de essncias florestais nativas em Corumb, MS. EMBRAPA. Centro de Pesquisa Agropecuria do Pantanal. Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento.

Seitz, R. A., 1996. A Poda em rvores Urbanas: 1 Curso em treinamento sobre poda em espcies arbreas florestais e de arborizao urbana. IPF/USP.