Manual de arborização

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    16-Mar-2016
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Manual de arborização da CEMIG

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  • ArborizAo

    Manual de

  • Manual de ArborizAo

  • Copyright: Companhia Energtica de Minas Gerais Cemig

    Presidncia: Djalma bastos de Morais Diretoria de Distribuio e Comercializao: Jos Carlos de Mattos Superintendncia de Manuteno da Distribuio: Amauri reigado Costa de oliveira Gerncia de Gesto do Meio Ambiente da Distribuio: breno Srgio Lessa Moreira Superintendncia de Comunicao Empresarial: Terezinha Crespo rezende Superintendncia de Sustentabilidade Empresarial: Luiz Augusto barcelos Almeida

    Coordenao Geral: breno Srgio Lessa Moreira (Cemig) Pedro Mendes Castro (Cemig) Glucia Drummond (Fundao Biodiversitas) Cssio Soares Martins (Fundao Biodiversitas)

    Equipe Tcnica: Coordenao Tcnica e Executiva: Cssio Soares Martins (Fundao Biodiversitas) Especialista em Arboricultura: Pedro Mendes Castro (Cemig) Especialista em Engenharia Florestal: Edinilson dos Santos (Prefeitura de Belo Horizonte) Especialista em Redes Eltricas: Adilton Juarez b. Cunha (Cemig) Especialista em Educao/Pedagogia: Judite Velsquez Santos (Sintica) Especialista em Educao/Pedagogia: Jos Henrique Porto (Alternativa) Assessoria de Comunicao: Thiago bernardo (Fundao Biodiversitas) Assessoria de Produo: rafael Carmo (Fundao Biodiversitas) Assessoria de Produo: bernardo Torido (Fundao Biodiversitas)

    Projeto e Edio Grfica: Cludia barcellos (Grupo de Design Grfico)

    Ilustraes: Carla A. Coscarelli (Grupo de Design Grfico)

    Fotografias: Cssio Soares Martins: Capa, p.13 (foto de rvore), p.14, p.21, p.22, p.23, p.25, p.27, p.32, p.33, p.37, p.38 (foto superior), p.39, pg42, p.44, p.55 (foto de asperso), p.60 (exceto fotos de etapas de compartimentalizao), p.67, p.69, p.70 (foto superior), p.71, p.79, p.84, p.85, p.89 (foto superior), p.91, p.92, p.94, p.95 (foto de rvores). Edinilson dos Santos: P.10, p.13 (detalhe de rvore), p.24 (detalhe de rvore), p.30, p.36, p.46, p.56, p.66, p.68, p.70 (foto inferior e foto acima da inferior), p.76, p.77 (foto superior), p.90, p.93, p.95 (foto de detalhe de rvore), p.106 (detalhe de rvore). bruno Garzon: p.12 (foto do fssil). Joo Marcos rosa (acervo Biodiversitas): p.12 (exceto foto do fssil), p.89 (foto inferior). Pedro Mendes Castro: p.19, p.49 (foto superior), p.55 (foto de cobertura morta). Sylvio Coutinho: p.20, p.28, p.31, p.35, p.45, p.49 (foto inferior), p.50, p.51, p.55 (gotejamento), p.58, p.60 (fotos de etapas de compartimentalizao), p.61, p.63, p.70 (foto abaixo da superior), p.72, p.73, p.74, p.75, p.77 (fotos inferiores), p.78, p.80, p.81, p.82, p.83, p.86. Carla A. Coscarelli: p.24 (rvore), p.106. Emvideo: p.38 (foto inferior), p.40.

    Reviso de texto: Clia Arruda

    Projeto e edio do DVD: Sylvio Coutinho (Prodigital) e Cludio Mrcio Ferreira (Prodigital)

    Edio em vdeo: Evandro rogers (Emvideo) e Daniel Ladeira (Emvideo)

    Edio e produo: Fundao biodiversitas

    Companhia Energtica de Minas Gerais. Manual de arborizao. Belo Horizonte: Cemig / Fundao Biodiversitas, 2011. 112 p. : ilust.

    ISBN: 978-85-87929-46-4 1. Arborizao. 2. Botnica. I. Companhia Energtica de Minas Gerais. II. Ttulo.

    CDU: 625.77 581

    REALIZAO: UMA PUBLICAO:

  • Apresentao

    No desenvolvimento das cidades, constata-se a importncia da ampliao da oferta de servios pblicos que necessitam e utilizam espaos comuns, interagindo com a paisagem e o meio ambiente, principalmente com a arborizao.

    Os habitantes de uma cidade bem arborizada percebem e valorizam os benefcios ambientais, sociais, paisagsticos e patrimoniais proporcionados pelas rvores e pelos espaos verdes existentes, mas no abrem mo de servios pblicos de qualidade, como o acesso contnuo a energia eltrica, gua ou telefonia.

    Desde a dcada de 1980, a Cemig, preocupada com a compatibilizao da arborizao com a rede area de distribuio de energia eltrica, vem desenvolvendo programas em parceria com prefeituras municipais, universidades, instituies no governamentais e outros rgos de governo.

    A publicao do Manual de Arborizao (Cemig, 1986), utilizado amplamente pelos mais variados interessados no tema, foi editado com o intuito de prover informaes tcnicas a respeito da compatibilizao e o convvio entre a distribuio de energia eltrica e a arborizao, visando subsidiar aqueles que, de alguma forma, participam da gesto de servios urbanos.

    Passados mais de vinte anos desde a sua primeira edio, a Cemig convidou a Fundao Biodiversitas para a Conservao da Diversidade Biolgica para atualizar e aprimorar este importante instrumento de comunicao e educao sobre arborizao urbana e rede de distribuio de energia eltrica.

    Espera-se que esta nova edio possa contribuir para realar a relevncia que as atividades envolvendo tanto a arborizao urbana quanto a energia eltrica tm de conhecimentos tcnicos especficos e de profissionais especializados, importantes para o estabelecimento de um pacto de convivncia harmnica entre si e com todos os servios pblicos de infraestrutura de uma cidade, de modo que os seus benefcios possam ser sentidos pela populao.

    Djalma bastos de Morais

    Belo Horizonte, agosto de 2011

  • Agradecimentos

    A presente publicao fruto de um trabalho coletivo, que contou com a colaborao de muitas pessoas e por isso agradecemos a Francisco Fernando Soares e Raul Costa Pessoa pela visita Universidade Corporativa Cemig (UniverCemig) e pelo acompanhamento de uma aula sobre Noes de Manejo da Arborizao Urbana, ministrada brilhantemente pelo prof. Adolfo Eustquio Rodrigues; a Gustavo Charlemont e Celso Luiz Coelho de Almeida, pela visita ao centro de treinamento do Sindicato das Indstrias de Instalaes Eltricas, Gs, Hidrulicas e Sanitrias no Estado de Minas Gerais (Sindimig/Senac) e esclarecimentos sobre o treinamento ministrado envolvendo a arborizao; a Enitz Monteiro de Castro da EMC2 Estratgias, Marketing e Comunicao, pelas informaes a respeito da pesquisa de opinio envolvendo rvores e redes eltricas; a Wagner Braga Filho, Marco Antnio dos Santos e toda a equipe de manuteno da Encel e Florescer por possibilitarem o registro visual da execuo de prticas de manejo da arborizao e especialmente a Luiz Fernando Beltro de Filippis pela disponibilidade e acompanhamento das filmagens; a Gladstone Corra de Arajo e toda a equipe do Jardim Botnico da Prefeitura de Belo Horizonte, pela cesso de informaes e imagens a respeito da produo de mudas arbreas; a Sylvio Coutinho, Viviane e Cludio, da Prodigital, responsveis pela produo fotogrfica e pelo sistema de acesso ao manual digital; a Evandro Rogers, Miguel, Ndia e Daniel, da Emvideo, responsveis pelas filmagens dos procedimentos de manejo da arborizao; a Cludia Barcellos e Carla Coscarelli, do Grupo de Design Grfico, responsveis pelo projeto grfico e ilustrao do manual; a Clia Arruda, pela reviso dos textos; a Cssia Lafet C. de Carvalho, da Prefeitura de Belo Horizonte, pelas contribuies, em parceria com Agnus R. Bittencourt, sobre a escolha de espcies para arborizao; a Fernando Antnio Medeiros da Silva, por suas contribuies a respeito da engenharia de redes de distribuio de energia; a Srgio Lucas de Meneses Blaso, por suas contribuies a respeito de equipamentos de iluminao pblica; a Teodoro Silva de Jesus e Luciano Antnio Ferraz pela ilustrao das zonas de segurana de acordo com a NR10; agradecemos a toda a equipe tcnica encarregada da elaborao deste manual, Adilton Juarez B. Cunha, Irley Maria Ferreira, Cristianna SantAnna Henrique, Raquel Matos Jorge, e Pedro Mendes Castro, da Cemig, Cssio Soares Martins, Glucia Moreira Drummond, Rafael Carmo e Thiago Bernardo, da Fundao Biodiversitas, Jos Henrique Porto Silveira, da Alternativa Educao e Manejo Ambiental Ltda, Judite Velasquez, da Sintica, Educao-Meio Ambiente-Cidadania e Edinilson dos Santos, da Prefeitura de Belo Horizonte; por fim, agradecimentos especiais a Luiz Augusto Barcelos Almeida, superintendente de Sustentabilidade Empresarial da Cemig, Carlos Alberto de Sousa, coordenador do Premiar, Carlos Alberto Coelho, Breno Srgio Lessa Moreira e a Pedro Mendes Castro, pela iniciativa e confiana na capacidade da Fundao Biodiversitas na elaborao de uma publicao desta relevncia.

    A Cemig e a Fundao Biodiversitas agradecem o apoio e a dedicao de todos!

  • Sumriointroduo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8

    1. A rvore e sua importncia para o ambiente urbano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 O surgimento das rvores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 Identificao de uma espcie . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13 Aspectos biolgicos e morfolgicos importantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 Como uma rvore se desenvolve . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16 Como uma rvore funciona . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 Como uma rvore se relaciona com o ambiente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 A cidade e suas relaes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 Por que plantar rvores nas cidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21 Qual o valor de uma rvore . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22

    2. A energia eltrica e sua importncia para a sociedade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25 Redes de distribuio de energia eltrica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26 Riscos da energia eltrica e medidas de preveno . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28

    3. Convivncia entre rvores e redes de distribuio de energia eltrica . . . . . . . . . . . 31 Alternativas tcnicas para a distribuio de energia eltrica . . . . . . . . . . . . . . . 32 Alternativas tcnicas para a iluminao pblica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33 Alternativas tcnicas de manejo das rvores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35

    4. Planejamento da arborizao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 Avaliao da arborizao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 Parmetros de avaliao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 Coleta e atualizao dos dados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40 Elaborando um projeto de arborizao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 rvore certa no lugar certo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 Mudas para arborizao urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45 5. implantao da arborizao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 Avaliao do solo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 Correo de acidez . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49 Adubao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 Plantio de rvores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Tcnicas de irrigao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55

  • 6. Manejo da arborizao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 A poda de rvores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58 Como as rvores reagem poda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59 Tcnicas de poda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 61 Principais tipos de poda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63 Seco de razes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 Avaliao de rvores de risco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 Metodologias de avaliao de rvores de risco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 68 Diagnstico e intervenes em rvores de risco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 Responsabilidades legais da avaliao de rvores de risco . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 Remoo de rvores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72 Gesto de resduos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 Controle sanitrio de rvores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76 Procedimentos para intervenes em rvores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79 Equipamentos e ferramentas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 Procedimentos preliminares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 Recomendaes na execuo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 7. Aspectos legais e arborizao urbana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 Leis federais e atribuio de responsabilidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 85 A responsabilidade e atuao dos municpios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 Arborizao urbana e cidadania . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88

    8. Arborizao urbana e a cidade sustentvel . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91 Uso de espcies nativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 92 Medidas de sustentabilidade na gesto das cidades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93

    bibliografia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96

    Glossrio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99

    Anexo Como lidar com situaes de emergncia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 107

  • Manual de arborizao

    8

    Grande parte da populao mundial vive hoje em cidades, com acesso

    contnuo a servios pblicos essenciais, fundamentais para o conforto e

    a qualidade de vida das pessoas. Em um mundo globalizado e altamente

    competitivo, a disponibilidade de servios com a qualidade necessria passa

    a representar um diferencial estratgico e de desenvolvimento.

    Neste sentido, a implantao e o manejo da arborizao das cidades

    constituem-se em mais um servio pblico ofertado, como estratgia de

    amenizao de impactos ambientais adversos devido s condies de

    artificialidade do meio urbano, alm dos aspectos ecolgico, histrico,

    cultural, social, esttico e paisagstico, que influenciam a sensao de conforto

    ou desconforto das pessoas. E como servio, necessita de conhecimento e

    capacitao tcnica de profissionais habilitados, para sua execuo.

    Considerando a importncia tanto da distribuio da energia eltrica quanto

    do manejo da arborizao urbana como servios essenciais para as cidades,

    imprescindvel que sejam encontradas solues de convivncia harmnica

    entre estes servios ofertados.

    Em vista disso, o objetivo deste manual apoiar tecnicamente os profissionais

    de diversas formaes e funes que atuam e contribuem para a melhoria

    da qualidade da vida nas cidades atravs do planejamento, implantao e

    manejo da arborizao, em consonncia com os demais servios urbanos

    existentes, em particular, a distribuio da energia eltrica.

    As informaes tcnicas e operacionais contidas neste manual so o

    resultado de uma reviso bibliogrfica da literatura tcnico-cientfica sobre

    o tema, aliada s experincias de diversos profissionais com atuao nas

    reas de arborizao urbana, educao ambiental, conservao ambiental,

    comunicao, redes eltricas, entre outros.

    O ponto de partida foi o entendimento dos processos envolvidos na gesto

    de atividades ligadas arborizao de uma cidade, considerada atravs de

    seus dois componentes principais: as reas verdes distribudas no espao

    urbano como parques, praas e jardins e a arborizao viria, composta

    pelas rvores plantadas nas caladas das ruas da cidade e canteiros

    separadores de pistas.

    introduo

  • 9O manual foi estruturado segundo temas que se relacionam, abordando

    aspectos biolgicos, ecolgicos e econmicos da arborizao (a rvore e

    sua importncia para o ambiente urbano), aspectos tcnicos de um sistema

    de distribuio de energia (a energia eltrica e sua importncia para a

    sociedade), assim como a apresentao de alternativas de compatibilizao

    entre os dois componentes (convivncia entre rvores e redes de energia

    eltrica). Temas ligados ao projeto e escolha de mudas (planejamento

    da arborizao), plantio (implantao da arborizao) e prticas de

    manejo, controle sanitrio e a avaliao de rvores de risco (manejo

    da arborizao) foram descritos procurando elucidar procedimentos

    executados normalmente. Por fim, temas ligados legislao ambiental

    envolvida (aspectos legais), importncia da arborizao na mitigao

    dos impactos das mudanas climticas (arborizao urbana e a cidade

    sustentvel) e um pequeno guia de primeiros socorros, destinado a todos

    que atuam com a prtica de manejo da arborizao urbana, completam o

    manual, alm de um glossrio contendo a descrio de alguns conceitos

    tcnicos importantes relacionados aos temas abordados.

    Os temas abordados neste manual tambm foram configurados em formato

    digital, para serem utilizados como apoio didtico ao treinamento de pes-

    soas ligadas ao manejo da arborizao urbana. Alm de fotos e infogrficos

    elucidativos, alguns procedimentos foram detalhados na forma de vdeos

    demonstrativos de curta durao enfocando a produo de mudas, o plan-

    tio, tcnicas de alguns tipos de podas, remoo e destoca de rvores e ava-

    liao de uma rvore por um profissional qualificado.

    Ao compartilhar este manual com governos municipais, organizaes no

    governamentais, instituies de ensino, empresas de energia, comunidades

    e indivduos, espera-se que o manejo da arborizao urbana, alm de seus

    aspectos biolgicos e ecolgicos, possa tambm ser compreendido como

    uma atividade que necessita de conhecimento tcnico especializado para

    que possa ser ofertada em convivncia harmnica com os demais servios

    existentes em um ambiente urbano, entre os quais a distribuio de energia

    eltrica ou outro qualquer, englobando a participao ativa e cidad de

    todos os envolvidos na soluo dos conflitos existentes.

    Introduo

  • Manual de arborizao

    10

    Ip-amareloHandroanthus serratifolius

    Famlia: Bignoniaceae. Nomes populares: pau-darco-amarelo, piva-amarela, opa, peva, ip-ovo-de-macuco, tamur-tura, ip-pardo, ip-do-cerrado. origem: Amrica do Sul. No Brasil muito comum na regio amaznica, mas tambm encontrado desde o CE at o PR. Caractersticas botnicas: pode alcanar at 25 m de altura e tronco com 100 cm de dimetro; copa arredondada ou informal, com folhagem densa e caduca; tronco normalmente reto, com casca clara, farincea, que se desfaz facilmente ao tato;

    sistema radicular profundo. Florao: inverno. Frutificao: primavera. Propagao: por semente. Uso na arborizao:

    devido a beleza da florada pode ser utilizada com destaque principalmente em praas e parques,

    porm tambm pode ser plantada em passeios largos e canteiros

    separadores de pistas.

  • 11

    O cair da folha a contrapartida do

    frescor da sombra.

    Prof.Osmar Bueno de Carvalho

    A rvore e sua importncia para o ambiente urbano

    As rvores so a maior forma de vida existente no planeta, presentes em praticamente todos os continentes. Apresentam alto grau de complexidade e de adaptaes s condies do meio, permitindo sua convivncia em diversos ambientes, incluindo as cidades.

    Todavia, essa adaptao ao meio urbano apresenta restries e deve ser muito bem compreendida, pois um meio completamente diferente do ambiente florestal, onde as espcies de rvores evoluram. Cabe, portanto, ao profissional que lida com as rvores identificar e compreender as caractersticas do local onde as plantamos nas cidades, a fim de escolher a espcie que melhor se adapta ao local e definir as melhores formas de interveno para garantir seu desenvolvimento, sua longevidade e sua integridade.

    O surgimento das rvoresO reino vegetal rene mais de 350 mil espcies conhecidas, incluindo grande variedade de plantas microscpicas, ervas, arbustos e rvores. So, em geral, organismos autotrficos, ou seja, que produzem seu prprio alimento.

    A evoluo dos seres vivos, ao longo de milhes de anos, levou passagem dos primeiros vegetais do ambiente aqutico para o terrestre e selecionou as variaes mais adaptadas a este novo ambiente.

    Ao longo das eras geolgicas, as espcies ou se adaptaram s mudanas climticas ou foram extintas, promovendo constante alterao na composio dos seres sobreviventes. Dessa forma, a maioria das plantas atuais, incluindo as rvores, no so iguais s que habitaram o planeta em outros tempos. Os primeiros fsseis conhecidos de plantas com as caractersticas de rvore so datados em 350 milhes de anos.

    1

    BACTRIAS

    FUNGOS

    ALGASMUSGOS

    ANGIOSPERMAS

    LQUENSPTERIDFITAS

    GIMNOSPERMAS

    EVOLUO DO REINO VEGETAL

  • Manual de arborizao

    12

    Os primeiros vegetais terrestres apresentavam adaptaes simples de aproveitamento da gua, nutrientes e gases em ambientes no aquticos. Posteriormente as plantas foram se desenvolvendo de forma que os ramos areos pudessem crescer em direo luz e ser adaptados ao efeito do vento e menor teor de umidade do ar, e os ramos subterrneos pudessem crescer em busca de gua e nutrientes. A conquista bem sucedida do ambiente terrestre trouxe a competio por espao, gua e luz, entre as diversas espcies adaptadas. A partir da, as plantas se tornaram cada vez mais altas em razo da competio por luz, dando origem s rvores e a seus grandes macios, as florestas.

    No entanto, a presena do homem na Terra e seu desenvolvimento em sociedades organizadas levaram competio pela ocupao territorial, reduzindo as florestas a fragmentos remanescentes da vegetao original.

    A planta com caractersticas de rvore mais antiga j registrada

    pela cincia a Archaeopteris, que emitia ramos laterais a partir de

    seu tronco e formava uma copa, caracterstica exclusiva em seu

    tempo. Posteriormente surgiram as Gimnospermas, que tinham

    como diferencial a reproduo por semente, o que permitiu sucesso

    evolutivo, garantindo sua presena at os dias atuais. Mais recente no

    planeta esto as Angiospermas, caracterizadas pela proteo das

    sementes no interior de frutos. Este grupo domina a vegetao

    atual, e representado por mais de 250 mil espcies.

    Os primeiros vegetais terrestres, como os musgos e, posteriormente,

    as samambaias, viviam em locais midos, possuam pequeno porte, apresentando adaptaes simples

    para a distribuio interna de gua e nutrientes, proteo contra

    a desidratao, alm de formas de reproduo apropriadas para

    ambientes no-aquticos.

    A importncia da floresta ser a base de um ecossistema com grande diversidade de espcies e alta produtividade de biomassa. Uma floresta apresenta grande estabilidade, isto , os nutrientes, introduzidos no ecossistema pela chuva e pela decomposio qumica dos minerais das rochas, esto em equilbrio com os nutrientes perdidos para os rios ou reservas aquferas. Os nutrientes, uma vez introduzidos no ecossistema, podem se reciclar por longo tempo, mantendo o equilbrio ambiental.

  • 13

    1 A rvore e sua importncia para o ambiente urbano

    Classificao do pau-brasil Reino: Plantae Diviso: Magnoliophyta Classe: Magnoliopsida Ordem: Fabales Famlia: Fabaceae Subfamlia: Caesalpinioideae Gnero: Caesalpinia Espcie: Caesalpinia echinata Lam

    A Caesalpinia echinata conhecida como pau-brasil, ibirapitanga, orabut, brasileto, ibirapiranga, ibirapita, ibirapit, muirapiranga, pau-rosado ou pau-de-pernambuco. A espcie ocorre desde o estado do Cear at o Rio de Janeiro, na Mata Atlntica. Sua madeira muito pesada, dura, compacta, muito resistente. planta tpica do interior da floresta densa, sendo rara nas formaes mais abertas. O pau-brasil conhecido pelos brasileiros devido ao fato de ter originado o nome do pas, pelo ciclo econmico que ele representou. O principal valor do pau-brasil era a extrao de um princpio colorante denominado brasilena, retirado da madeira e muito usado para tingir tecidos e fabricar tinta para escrever. Foi necessria a sua quase extino para que o pau-brasil fosse reconhecido oficialmente na histria brasileira. Em 1961, o presidente Jnio Quadros aprovou um projeto declarando a espcie como rvore smbolo nacional.

    Identificao de uma espcieA necessidade de identificao de cada ser vivo condio bsica para se ter certeza de se tratar de uma determinada espcie. O reconhecimento de uma rvore, assim como de outros tipos de plantas, realizado pela Taxonomia ou Sistemtica Vegetal, uma parte da Botnica que trata da identificao, nomenclatura e classificao das plantas.

    A identificao realizada atravs da comparao de semelhanas entre indivduos, com auxlio de literatura ou plantas de coleo. A nomenclatura utilizada para empregar o nome correto das plantas, em conformidade com um conjunto de princpios, regras e recomendaes internacionalmente aceitas. E, por fim, a classificao procura ordenar as plantas em conformidade com o sistema de nomenclatura.

    As estruturas reprodutivas das plantas (flores e frutos) sofrem relativamente menos alteraes com as modificaes ambientais que as estruturas vege-tativas (demais partes da planta), e, por isso, so a base da elaborao dos sistemas de classificao. No entanto a coleta de material botnico reprodu-tivo pode ser um processo complexo, j que a maioria das espcies floresce somente uma vez por ano e muitas no florescem todos os anos. Alm dis-so, a altura das rvores, o pequeno tamanho das flores e sua localizao em ramos de difcil acesso induzem busca por caractersticas vegetativas mais acessveis para se alcanar o reconhecimento da espcie.

    Para diminuir a possibilidade de erros, interessante que as informaes sobre a espcie sejam coletadas em vrias pocas do ano e de indivduos ocorrentes em diferentes locais, pois as caractersticas vegetativas das plan-tas podem sofrer alteraes significativas em funo das condies internas da planta e de fatores ambientais.

    Espcie: Caesalpinia echinata

    Gnero: Caesalpinia

    Subfamlia: Caesalpinioideae

    Famlia: Fabaceae

    Ordem: Fabales

    Classe: Magnoliopsida

    Diviso: Magnoliophyta

    Reino: Plantae

  • Manual de arborizao

    14

    aspectos biolgicos e morfolgicos importantesUma rvore um vegetal lenhoso (que produz madeira), com ciclo de vida prolongado, tronco e copa bem definidos, possuindo no mnimo cinco metros de altura, com dimetro de tronco a partir de cinco centmetros altura do peito (1,30 m acima do solo).

    Importante considerar que nas cidades tambm so utilizadas plantas, tais como palmeiras e arbustos, que, embora no sejam conceitualmente consideradas como rvores, contribuem para o paisagismo e tm atributos ambientais interessantes, principalmente onde h limitao ou restrio de espao para o uso de rvores. Em razo disso, estas plantas so comumente consideradas em projetos de arborizao urbana.

    Uma rvore pode ser caracterizada quanto sua forma, em:

    Especfica: quando cresce livremente, com boa disponibilidade de espao, luz, umidade e sem a concorrncia de outras plantas. A rvore, nestas condies, geralmente apresenta tronco cnico e galhos grossos e ramificados.

    Florestal: ocorre quando a rvore cresce sob concorrncia. Em geral, cresce no sentido do alongamento, perde ramos laterais, os troncos so mais altos e cilndricos e as copas mais reduzidas.

    3. TrOnCO a parte area da rvore, compreendida entre o solo e a insero das

    primeiras ramificaes que formam a copa. Nas rvores o tronco lenhoso e perene, e seu dimetro aumenta ao longo de sua vida.

    1. COpa toda ramificao acima do tronco, formando a poro terminal da rvore em sua parte area, composta principalmente por galhos e ramos, que podem apresentar folhas, flores e frutos. O tamanho da copa, sua forma, a

    tonalidade da cor de suas folhas e flores so caractersticas que ajudam a identificar uma rvore. A forma da copa e

    sua ramificao so influenciadas pelo tipo de crescimento do seu eixo principal, ou tronco, e de seus ramos.

    2. raMOs so subdivises do caule ou tronco das rvores. Frequentemente apresentam cores, pelos e aromas bastante tpicos.

    Deles brotam folhas, flores e frutos. A folha um rgo normalmente laminar, principal responsvel pela fotossntese e pela transpirao. As partes constituintes das folhas so o limbo ou lmina (a), o pecolo (b) e as nervuras (c). Elas podem ser classificadas quanto sua disposio no ramo em alternadas (d), fasciculadas (e) ou opostas (f). Quanto

    sua durao, so caducas ou persistentes e quanto subdiviso do seu limbo, so consideradas simples ou compostas (g).

    a

    b

    c

    d e f g

  • 15

    5. FruTO o ovrio da flor desenvolvido, com as sementes j

    formadas. Suas partes constituintes so:

    pednculo (a), pericarpo (b),

    mesocarpo (c), endocarpo (d) e

    semente (e).

    1 A rvore e sua importncia para o ambiente urbano

    6. raIz a poro subterrnea da rvore, localizada sob o caule.

    Geralmente, cresce para baixo e dentro do solo, sendo suas principais funes

    a ancoragem, o armazenamento, a absoro e a conduo. As

    razes podem ser classificadas em: pivotante (a), fasciculada (b) ou

    superficial (c). O crescimento da raiz ocorre em profundidade, visando alcanar camadas de solo menos sujeitas flutuao de umidade.

    Concomitantemente, desenvolvem-se razes mais prximas superfcie

    do solo, para absoro de nutrientes. Quando a biomassa area aumenta,

    algumas razes passam a ter papel mais significativo de sustentao da rvore.

    4. FlOr um conjunto de folhas modificadas e adaptadas reproduo sexuada. Suas partes

    constituintes so: o pednculo (a), o receptculo (b), o clice (c), a corola (d), o androceu (e) e o gineceu (f).

    A disposio dos ramos florais e das flores sobre eles denominada

    inflorescncia (g).

    Uma rvore tambm pode ser descrita pelas caractersticas de cada parte que a constitui, copa, ramos, tronco, flor, fruto e raiz:

    a

    bc

    def

    g

    a

    bc d

    e

    a

    cb

  • A ramificao simpodial ocorre quando o broto terminal do tronco apresenta crescimento limitado e, depois de um ou vrios ciclos de crescimento, substitudo por um ou vrios brotos auxiliares. Estas rvores normalmente apresentam copas densas e arredondadas, alm de bifurcaes em formato de V ou Y. Quando plantadas imediatamente sob redes de distribuio de eletricidade apresentam mais possibilidade de serem conduzidas atravs de podas.

    Como uma rvore se desenvolve

    O ciclo de vida de uma rvore compreende o perodo que a planta necessita para completar uma gerao, atravs de transformaes sofridas durante suas fases de nascimento, crescimento, maturidade, reproduo, velhice e morte. Somente a reproduo sexuada consegue garantir a variabilidade gentica essencial sobrevivncia das espcies.

    No meio urbano, o ciclo de vida de uma rvore pode ser reduzido ou alterado em virtude de caractersticas tpicas desse ambiente: forte insolao, caractersticas modificadas de solo, iluminao artificial, dentre outras.

    As rvores possuem grupos de clulas especializadas, organizadas em tecidos, para determinados tipos de aes, tais como: conduzir a seiva bruta (xilema) e a seiva elaborada (floema), sustentar (colnquima e esclernquima) e proteger o corpo vegetal (periderme e epiderme), realizar a respirao e alimentar-se atravs da fotossntese (parnquima), entre outras funes.

    A ramificao monopodial ocorre quando a parte

    terminal do tronco cresce indefinidamente, enquanto

    os ramos laterais so de desenvolvimento restrito.

    rvores deste tipo se mostram com um eixo principal bem definido e visvel. Quando plantadas imediatamente

    sob rede de distribuio de eletricidade, dificilmente tero possibilidade de convivncia,

    mesmo por meio de podas.

    16

    Nascimento

    reproduo

    Maturidade

    Crescimento

    Velhicee morte

    Manual de arborizao

  • CLASSiFiCAo DoS TECiDoS

    Funo Nome Caractersticas

    Sustentao Parnquima Relacionado com a fotossntese, a reserva de vrias substncias e a cicatrizao de ferimentos

    Colnquima Especializado na sustentao dos vegetais

    Esclernquima Relacionado com a sustentao e resistncia da planta

    Revestimento Periderme Relacionado com a proteo e defesa da planta

    Epiderme Relacionado com a proteo e defesa da planta

    Conduo Xilema Formado por vasos por onde fluem a gua e os sais minerais (seiva bruta) das razes para toda a rvore. medida que a planta cresce, as camadas internas de xilema vo sendo apertadas pelas externas e as clulas perdem a capacidade de conduzir a seiva, passando a constituir um tecido de suporte do tronco, o lenho ou madeira

    Floema Formado por vasos que conduzem os produtos da fotossntese (seiva elaborada) dos rgos verdes para alimentar as outras partes da rvore

    1 A rvore e sua importncia para o ambiente urbano

    O cmbio, camada de clulas que gera o crescimento

    lateral do tronco, produz madeira para o interior do

    caule e casca para o exterior. A madeira (a) tem a funo de sustentao mecnica da

    rvore e a casca dividida em casca viva (mais interna,

    tecido vivo por onde flui a seiva - b) e casca morta (mais

    externa, tecido morto, que proteje os tecidos vivos - c).

    O sistema radicular de uma rvore normalmente no se concentra somente na projeo da sua copa, mas pode se estender para 2-3 vezes a largura da mesma A maioria das razes ocupa no mximo os 50 cm mais superficiais do solo, especialmente as razes mais finas que fazem a absoro de gua e nutrientes. Existem razes mais profundas que do principalmente suporte e estabilidade para a rvore.

    O crescimento da rvore se d basicamente de duas maneiras: crescimento longitudinal (alongamento de ramos e razes) e crescimento lateral, que observado pelo aumento do dimetro do tronco.

    Uma planta precisa de diversos fatores, internos e externos, para seu crescimento e desenvolvimento. So exemplos de fatores externos: a luz (energia solar), o dixido de carbono (CO2), a gua e os minerais (incluindo o nitrognio atmos frico), a temperatura, a durao do dia e a fora da gravidade. Os principais fatores internos so os chamados hormnios vegetais ou fitormnios, que so substncias orgnicas que desempenham importante funo na regulao do crescimento. Podem atuar diretamente nos tecidos e rgos que os produzem ou so transportados para outros locais dentro da planta. Eles so ativos em quantidades muito pequenas e produzem respostas fisiolgicas especficas: florao, crescimento, amadurecimento de frutos etc.

    17

    b

    c

    a

  • Como uma rvore funciona

    O funcionamento de uma rvore pode ser explicado atravs de vrios fenmenos ou processos.

    O metabolismo o conjunto de transformaes que as substncias qumicas sofrem no interior dos organismos vivos para obteno de sua energia vital. As substncias podem ser sintetizadas ou fragmentadas para liberao da energia. Numa rvore se identificam a fotossntese, a respirao, a transpirao e a absoro.

    absoro e translocao so processos relacionados movimentao da gua e de elementos essenciais absorvidos do solo pela planta. A gua e os minerais so absorvidos do solo pelas razes. Parte

    dessa gua utilizada pela rvore para seu crescimento e metabolismo, e parte perdida

    no processo de transpirao. A liberao da gua para o ambiente promove sua

    movimentao atravs do interior da planta.

    Transpirao o processo pelo qual a gua de um organismo eliminada

    para resfriar seu corpo, devido elevao de temperatura externa ou interna. Nos organismos terrestres, o calor do meio

    externo, assim como o calor gerado por suas funes vitais, causam inevitvel aumento de temperatura. Temperaturas elevadas

    causam problemas para o metabolismo, e a transpirao o meio pelo qual alguns destes seres eliminam parte desse calor.

    A transpirao vegetal a perda de gua por evaporao, que ocorre nas folhas das

    plantas. As folhas possuem estmatos, estruturas que se abrem e se fecham de acordo com as necessidades fisiolgicas do vegetal. Quando abertos, promovem a transpirao, que tanto elimina vapor dgua, como tambm permite trocas

    gasosas entre o meio interno e o ambiente externo, alm de promover o transporte

    ascendente de gua e nutrientes.

    respirao um processo metablico necessrio e realizado continuamente pela rvore para obteno

    da energia que a mantm viva. A respirao aerbica, ou seja, necessita de oxignio para que ocorra a reao

    de converso em energia do estoque de compostos orgnicos gerados pela fotossntese.

    Fotossntese um processo que se baseia na propriedade de vegetais verdes e alguns outros organismos, como algas e bactrias, de transformar

    a energia luminosa do sol em energia qumica. Neste processo, o CO2 obtido na atmosfera,

    a gua e os minerais obtidos do solo so transformados em compostos orgnicos (amidos) e em oxignio. E a partir dos amidos sintetizados

    na fotossntese, a planta d origem a diversos compostos, tais como protenas, vitaminas, gorduras, aminocidos e outras importantes

    substncias.

    Quando a respirao supera a fotossntese, a rvore gasta a energia

    estocada como reserva. Se isso ocorre por um perodo muito longo, ela perde muita

    energia e pode morrer. Por outro lado, em condies de solos alagados ou muito

    compactados, o oxignio escasso e a respirao pode no ser completa.

    18gua e sais minerais

    Xilema

    Floema

    o2

    Co2

    o2

    Co2

    H2oAmido

    Manual de arborizao

  • 19

    1 A rvore e sua importncia para o ambiente urbano

    Como a rvore se relaciona com o ambiente Os fenmenos peridicos dos seres vivos e suas relaes com o meio ambiente so estudados pela Fenologia. Esta cincia permite explicar muitas das reaes das plantas ao clima e ao solo onde se encontram, expressas em diferentes reaes (florao, frutificao etc.). Esse conhecimento fundamental em qualquer plano de manejo de formaes vegetais, fornecendo dados e base para:

    Estudos de reproduo. Determinao da poca certa para coleta de sementes. Determinao do perodo de maior disponibilidade de matria orgnica

    no solo. Conhecimento do comportamento da fauna que vive em associao com

    os vegetais em estudo. Conhecimento da biologia de pragas e doenas e promoo de seu

    controle. Informaes estticas para projetos paisagsticos.

    Para os estudos fenolgicos de rvores, recomendvel:

    O emprego de uma amostra de pelo menos dez indivduos por espcie. Frequncia quinzenal das observaes, ainda que uma observao mensal

    j possa fornecer dados suficientes, dependendo dos objetivos do estudo. Que a informao fenolgica tenha carter quantitativo. Cobrir todo o perodo de manifestao da caracterstica: incio, plenitude

    e declnio.

  • Manual de arborizao

    20

    as cidades e suas relaes Os seres humanos constroem seus ambientes, dentre eles a cidade, cujo equilbrio necessita ser mantido artificialmente pelo planejamento urbano, visando evitar consequncias indesejveis.

    As cidades so organizaes sistmicas e complexas: sistmicas, porque seus variados aspectos precisam ser compreendidos como uma totalidade; e complexas, porque devem ser entendidas e analisadas atravs das muitas relaes que estabelecem:

    A zona urbana a rea de uma cidade caracterizada pela edificao contnua e a existncia de equipamentos sociais destinados s funes urbanas bsicas, como habitao, trabalho, recreao e circulao.

    A cidade um todo e este todo maior que a soma dos elementos que o compem, tais como casas, ruas, praas, bairros, escolas, carros, empresas, pessoas, resduos slidos, rvores, ar, solo, rios, entre outros.

    Os elementos que compem a cidade esto em constante interao, formando conexes e redes interdependentes entre si e com elementos externos, o que faz com que ocorram mudanas e adaptaes permanentes.

    A cidade est sempre em transformao, no apenas em funo das interferncias externas, como o sol e a chuva, por exemplo, mas tambm pelas aes humanas, como a poluio dos carros e das indstrias, entre outros.

    Ao compreender a cidade como um sistema de relaes entre seus elementos, possvel identificar a existncia de redes interconectadas umas s outras, como a rede de arborizao viria e reas verdes, a rede viria, a rede de energia eltrica, a rede de coleta de resduos slidos (lixo), a rede de abastecimento de gua etc.

    Ao pensar a cidade, importante considerar no s as suas relaes percebidas, vistas e visitadas diretamente, mas tambm aquelas que interagem indiretamente com a mesma, como o local de onde vem a gua que abastece as redes de distribuio, para onde vo os esgotos que so lanados nos rios, de onde vem a energia que abastece as casas, indstrias e vias pblicas, para onde vo os resduos slidos (lixo) gerados na cidade. Estes locais e estas relaes, se no fazem parte das cidades, fazem parte do sistema cidade, pois h relaes de interdependncia.

    Considerando que as redes que integram a

    cidade esto relacionadas umas com as outras,

    formando um sistema muito complexo, a

    manuteno de cada uma delas requer sua

    integrao com as outras, em um processo de convivncia mtua.

  • 21

    1 A rvore e sua importncia para o ambiente urbano

    por que plantar rvores nas cidadesGrande parte da populao mundial vive hoje em cidades, caracterizadas pela ocupao por edificaes contnuas e pela existncia de equipamentos sociais destinados s funes urbanas bsicas, como habitao, trabalho, recreao e circulao.

    Consequentemente, alteraes climticas como a intensidade de radiao solar, a temperatura, a umidade relativa do ar, a precipitao e a circulao do ar, entre outros fatores, so afetados pelas condies de artificialidade do meio urbano, alterando a sensao de conforto ou desconforto das pessoas.

    A arborizao das cidades, alm da estratgia de amenizao de aspectos ambientais adversos, importante sob os aspectos ecolgico, histrico, cultural, social, esttico e paisagstico, contribuindo para:

    A manuteno da estabilidade microclimtica.

    O conforto trmico associado umidade do ar e sombra.

    A melhoria da qualidade do ar.

    A reduo da poluio.

    A melhoria da infiltrao da gua no solo, evitando eroses associadas ao escoamento superficial das guas das chuvas.

    A proteo e direcionamento do vento.

    A proteo dos corpos dgua e do solo.

    A conservao gentica da flora nativa.

    O abrigo fauna silvestre, contribuindo para o equilbrio das cadeias alimentares, diminuindo pragas e agentes vetores de doenas.

    A formao de barreiras visuais e/ou sonoras, proporcionando privacidade.

    O cotidiano da populao, funcionando como elementos referenciais marcantes.

    O embelezamento da cidade, proporcionando prazer esttico e bem-estar psicolgico.

    O aumento do valor das propriedades.

    A melhoria da sade fsica e mental da populao.

  • Manual de arborizao

    22

    Qual o valor de uma rvoreA economia ambiental envolve conceitos que preservam o equilbrio ecolgico e os recursos ambientais, em harmonia com o desenvolvimento socioeconmico. Nesse sentido, os sistemas de valorao da arbori-zao urbana procuram expressar, em termos monetrios, seus mltiplos servios ambientais para as cidades.

    Considerando o imenso potencial da arbori-zao em mitigar os efeitos negativos ocorrentes no ambiente urbano, em seu manejo necessrio que se decidam prio-ridades de aes, determinando os benefcios que sero procurados com mais nfase e maneiras possveis de se obter maiores vantagens em condies sustentveis do ponto de vista econmico. A tarefa de valorizar economicamente este bem pblico consiste em determinar quanto melhor ou pior estar o bem-estar dos habitantes devido s mudanas na quantidade de bens e servios ambientais proporcionados pelas rvores.

    Ao se considerar a rvore como um elemento pertencente infraestrutura urbana, pode-se avali-la em sua importncia e em seu valor monetrio. A determinao do valor monetrio das rvores tambm permite:

    Avaliar o patrimnio que a cidade possui relativo sua arborizao.

    Estabelecer multas por danos causados s rvores.

    Estabelecer indenizaes, dedues e/ou isenes de impostos e taxas, e resultados de aes punitivas ou compensatrias.

    Estimar um seguro, seja da prpria rvore ou da propriedade relacionada com a presena da rvore no imvel.

    Mensurar os benefcios e custos dos programas de arborizao na busca de recursos oramentrios.

    Valorizar um imvel, com consequente aumento do patrimnio real de seu proprietrio, do corretor e de outros envolvidos.

  • 23

    1 A rvore e sua importncia para o ambiente urbano

    As propostas de avaliao monetria da arborizao visam representar matema-ticamente, muitas vezes por meio de modelos, a realidade, o conhecimento acerca das rvores e sua importncia em determinado tempo e espao. Entre as principais caractersticas de um mtodo de avaliao, esto:

    O modelo e sua apresentao (tabelas, frmulas ou listas).

    A abrangncia (local, regional ou ilimitada).

    Suas dependncias com relao assessoria de profissionais especializados.

    O nmero e a qualidade das variveis envolvidas.

    A forma de medio, valorao e apresentao das variveis.

    O nvel de influncia de cada varivel sobre o valor final da avaliao e os parmetros que definem a valorao.

    H diferentes mtodos de se calcular o valor de uma rvore ou da arborizao urbana de determinado local, e geral-mente os envolvidos esbarram na difi-culdade de se converter a termos econ-micos muitos dos benefcios considerados subjetivos. A escolha da metodologia a ser utilizada depende da situao local, dos recursos disponveis e da finalidade a que se prope a anlise.

    Ao colaborar no processo de tomada de decises econmicas, sociais e polticas, a valorao econmica das rvores urbanas possibilita a identificao dos custos e benefcios, econmicos e sociais, individuais e coletivos relativos ao uso do meio ambiente e de seus recursos.

    No entanto, no se pode esquecer que a atribuio do valor de existncia a um ser vivo derivada de uma posio moral, tica, cultural, poltica e econmica, onde cada indivduo e a sociedade onde ele est inserido so responsveis pela construo do desenvolvimento sustentvel de seu espao.

  • Manual de arborizao

    24

    sibipirunaCaesalpinia pluviosa var. peltophoroides

    Famlia: Fabaceae. Nomes populares: sepipiruna, corao-de-negro, sebipira. origem: regio

    Sudeste do pas, com registro de ocorrncia no Pantanal matogrossense. Caractersticas botnicas: rvore de at 20 m de altura e dimetro do tronco em torno de

    50 cm; copa densa, umbeliforme, semi-caduca; troncos com forte tendncia de multiplicao, com casca que se desprende em tiras de tamanhos variados; sistema

    radicular pouco superficial. Florao: inverno e primavera. Frutificao: inverno. Propagao: por sementes.

    Uso na arborizao: utilizada na arborizao de ruas e estacionamentos por possuir uma florao exuberante

    e fornecer boa sombra. Pode ser usada tambm de forma isolada em parques e grandes jardins.

    Galhos de maior dimetro pouco tolerantes poda.

  • 25

    A energia eltrica fator fundamental para o desenvolvimento e a qualidade de vida das sociedades. Em um mundo globalizado e altamente competitivo, a energia eltrica representa um diferencial estratgico e de desenvolvimento, sobretudo em inovaes tecnolgicas. A energia eltrica est em geladeiras, computadores, chuveiros e celulares, trazendo conforto e qualidade de vida.

    Muitas vezes as pessoas no se do conta de que, para existir o conforto e a qualidade de vida nas casas, no trabalho e na comunidade, a energia eltrica tem que fazer um longo percurso: das fontes geradoras, passando pelas linhas de transmisso e redes de distribuio.

    No Brasil, a principal alternativa para gerao de energia eltrica so os rios. So as usinas hidreltricas que produzem grande parte da energia consumida pelas indstrias, cidades e residncias, transformando a energia hidrulica em energia eltrica. Porm, outras fontes tambm produzem energia eltrica, como as movidas pelos ventos e pela queima de combustveis fsseis ou orgnicos.

    A energia eltrica transportada atravs de linhas de transmisso, desde as usinas at os grandes centros consumidores, onde conduzida atravs das redes de distribuio.

    Durante o processo de gerao e transmisso, a energia eltrica tem o seu nvel de tenso elevado; j na distribuio, o nvel abaixado, de acordo com o padro operacional de cada concessionria.

    Nas unidades consumidoras, a energia eltrica passa pelos medidores, disjuntores de proteo, percorre os condutores internos at os interruptores e tomadas, onde so ligados os aparelhos eltricos.

    As pessoas esto to acostumadas com as rotinas e facilidades do dia a dia que nem percebem a infraestrutura necessria para usufruir de coisas to simples como acender uma lmpada. Por trs de atos como esse, h uma estrutura enorme que permite desfrutar das vantagens produzidas pela energia eltrica.

    A energia eltrica e sua importncia para a sociedade

    2

    A humanidade, ao expandir-se, destri e

    polui, no mantendo o equilbrio com a natureza.

    O que podemos fazer minimizar isto e procurar fazer algumas correes.

    Mrio Penna Bhering

  • Manual de arborizao

    26

    redes de distribuio de energia eltrica

    As redes de distribuio so circuitos eltricos que operam com diferentes nveis de tenso, que cobrem grandes distncias levando energia eltrica das subestaes s unidades consumidoras. Elas so classificadas em primria e secundria. A classe primria opera com tenses trifsicas de 13,8 kV a 34,5 kV entre fases. A classe secundria opera com tenso de 127 V por fase e 220 V entre as fases.

    Na rede de distribuio, os circuitos so inter-relacionados, compostos por diversos equipamentos de manobras, proteo e transformao, sendo, este ltimo, responsvel por transformar a tenso primria em secundria.

    A rede de distribuio faz parte do Sistema Eltrico de Potncia (SEP), definido como o conjunto de instalaes e equipamentos destinados a gerao, transmisso e distribuio de energia eltrica.

    GERAO

    TRANSFORMADOR

    SUBESTAODISTRIBUIDORA

    CONSUMIDORES COMERCIAIS E INDUSTRIAIS

    CONSUMIDORES RESIDENCIAIS

    SUBESTAODISTRIBUIDORA

    DISPOSITIVOS DE AUTOMAO E DISTRIBUIO

  • 27

    2 A energia eltrica e sua importncia para a sociedade

    A rede de distribuio de energia eltrica composta por vrios equipa mentos e dispositivos de manobra, proteo e transformao que permitem a continuidade do fornecimento de energia, desde a sua gerao at as unidades consumidoras:

    Chave secionadora: equipamento destinado manobras do sistema eltrico, abertura ou interligao de circuito. comumente utilizada para minimizar o trecho da rede eltrica em virtude de manutenes preventivas ou corretivas. (1)

    Chave fusvel: dispositivo destinado a proteo de trechos de rede ou equipamentos contra eventuais sobre-correntes e para manobras de interrupo energizada ou isolamento de ramais ou equipamentos. (2)

    Condutores: so os meios materiais nos quais h facilidade de movimento de correntes eltricas, proveniente da movimentao dos eltrons livres. Ex: fio de cobre, alumnio etc. (3)

    disjuntor: dispositivo destinado proteo de instalao eltrica contra curtos-circuitos ou sobrecarga. Sua principal caracterstica a capacidade de poder ser rearmado manualmente quando estes tipos de defeitos ocorrem.

    estrutura: conjunto de suporte e sustentao de cabos condutores e equipamentos de manobra e/ou proteo. (4)

    Isolador: tem a finalidade de isolar eletricamente um corpo condutor de outro corpo qualquer. (5)

    para-raios: equipamento de proteo contra surtos de tenso provenientes de descargas eltricas atmosfricas, desviando-as para o solo atravs de malhas de aterramento.

    poste: equipamento de concreto, madeira ou ao, capaz de suportar as estruturas e equipamentos da rede de distribuio area e outros equipamentos de utilidade pblica. (6)

    rel: dispositivo que serve para ligar ou desligar outros dispositivos em condies anormais (defeitos) de operao.

    religador: equipamento de proteo e manobra, utilizado para eliminar interrupes prolongadas no sistema de distribuio de energia eltrica, devido s condies transitrias de sobre-correntes.

    seccionalizador: dispositivo utilizado para operar em conjunto com o religador automtico. So equipamentos de proteo que atuam coordenados com protees de religamentos automticos.

    Transformador: dispositivo destinado a transferir energia eltrica de um circuito a outro, abaixando, elevando e/ou conservando a tenso de alimentao. (7)

    Componentes e funcionamento das redes de distribuio de energia eltrica e iluminao pblica

    1

    2

    7

    6

    4

    5

    3

  • riscos da energia eltrica e medidas de prevenoA eletricidade constitui um agente de alto potencial de risco s pessoas, mesmo em baixas tenses, pois o choque eltrico pode ocasionar quedas, queimaduras e outras consequncias. Alm disso, devido possibilidade de ocorrncia de curtos-circuitos ou mau funcionamento do sistema eltrico, podem provocar incndios e exploses.

    O fato de o circuito eltrico estar desenergizado no elimina por completo o risco, nem permite que se deixe de adotar medidas necessrias de controle, coletivas e individuais. Isto porque a energizao acidental pode ocorrer a qualquer momento, devido a:

    Erros de manobra.

    Contato acidental com outros circuitos energizados.

    Tenses induzidas por linhas adjacentes ou que cruzam a rede.

    Descargas atmosfricas.

    Fontes de alimentao de terceiros, tais como geradores particulares.

    Em todas as intervenes em instalaes eltricas, energizadas ou no, dentro dos limites estabelecidos como zonas controladas e de risco, devem ser adotadas medidas preventivas de controle do risco eltrico e de outros riscos adicionais, mediante tcnicas de anlise de risco, de forma a garantir a segurana e a sade no trabalho, conforme disposto na Norma Regulatria No 10 Segurana em Instalaes e Servios com Eletricidade (NR 10).

    28

    Manual de arborizao

  • Faixa de tenso nominal da rr = raio de delimitao entre zona rc = raio de delimitao entre zonainstalao eltrica, em kV de risco e controlada, em metros controlada e livre, em metros

    1 0,2 0,7

    1 e

  • Manual de arborizao

    30

    alecrimHolocalyx balansae

    Famlia: Fabaceae. Nomes populares: alecrim- branco, alecrim-bravo, pau-de-rego, ibirapep,

    uirapep, alecrim-de-campinas, pau-alecrim, alecrim-txico. origem: de SP at o RS e MT. Paraguai e

    Argentina. Caractersticas botnicas: a altura varia de 10 a 25 m; copa densa, arredondada, com at 10 m de dimetro, de folhagem perene; tronco reto, curto, com

    sulcos profundos bem tpicos o que lhe d um perfil irregular na seo transversal, casca cinza-escura, quase lisa; sistema radicular profundo. Florao: primavera e vero. Frutificao: vero. Propagao: por semente.

    Uso na arborizao: excelente para produo de sombra em estacionamentos, apesar do crescimento bastante lento. Tambm

    pode ser empregada em parques e praas.

  • 31

    Tendo em vista a importncia da arborizao urbana, sobretudo por seus benefcios sociais e ecolgicos, imprescindvel que os agentes envolvidos com a questo estejam em permanente interao para que, de forma participativa e criativa, sejam encontradas solues de convivncia com as vrias estruturas e equipamentos das cidades.

    Neste sentido, as aes devem ser conduzidas tanto pelo manejo da arborizao quanto por outros servios pblicos que ocorrem no espao urbano: redes de distribuio de energia eltrica, iluminao pblica, telecomunicaes, placas sinalizadoras, redes de gua e esgoto, entre outros. Se no houver uma inteno nica de promover o convvio harmnico entre a arborizao e os demais servios de utilidade pblica, certamente os prejuzos sero distribudos entre todos.

    No caso das redes eltricas, essa convivncia harmnica muito importante, principalmente para evitar acidentes com pessoas e a ocorrncia de interrupes no fornecimento de energia eltrica para a iluminao pblica, residncias, comrcio, reparties pblicas, hospitais, indstrias e tantas outras estruturas e atividades humanas que dela necessitam.

    Isto significa que a convivncia entre a arborizao e as redes de distribuio da energia eltrica deve ser planejada, pois, caso contrrio, podem ocorrer acidentes, responsveis por uma srie de transtornos, tais como o rompimento de cabos condutores, interrupo no fornecimento de energia, queima de eletrodomsticos e comprometimento da iluminao pblica.

    Interrupes de energia eltrica ocorrem de duas maneiras:

    Interrupes programadas: previstas com antecedncia, com horrios pr-definidos, cuja finalidade est associada a manuteno preventiva ou reforma da rede eltrica.

    Interrupes acidentais: imprevistas, que esto relacionadas quase sempre a interferncias externas. A maior parte dos desligamentos acidentais provocada por fenmenos de origem natural ou socioambiental.

    iNTErrUPES oU iNTErFErNCiAS ACiDENTAiS

    FENMENOS SOCIOAMBIENTAIS FENMENOS NATURAIS

    Toque dos galhos nos condutores Descargas atmosfricas Queda de rvores sobre redes eltricas Vendavais e tempestades Pipas e bales Choques de veculos Animais Vandalismo

    Convivncia entre rvores e redes de energia eltrica

    3

    A arborizao urbana deve ser considerada

    um equipamento urbano, de grande

    utilidade para o ambiente e, por

    conseguinte, para o homem que neste

    ambiente vive.

    Rudi Arno Sietz

  • Manual de arborizao

    32

    alternativas tcnicas para distribuio de energia eltrica So alternativas tcnicas de engenharia para as redes de distribuio e redes de iluminao pblica que facilitam a convivncia com a arborizao urbana.

    O simples contato da rvore com a rede convencional sem cobertura protetora pode provocar distrbios no sistema, causando interrupo do circuito eltrico. Se o contato for permanente, pode at ocorrer o rompimento do condutor.

    Existem redes areas de energia eltrica protegidas ou isoladas e redes sem proteo. Essa proteo assegurada por um revestimento que permite o contato simples da rvore com a rede energizada. No entanto, o contato permanente com a rvore pode causar a deteriorao do revestimento, tornando a rede desprotegida.

    Nos casos de rompimento do condutor, a reconstituio dos condutores protegidos mais complexa e demorada que em redes convencionais, o que acarreta maior tempo de restabelecimento do servio de distribuio de energia.

    COnvenCIOnal Ou nua: caracterizadas por condutores nus, ou seja, sem proteo, dispostos horizontalmente nos circuitos de mdia tenso e verticalmente naqueles de baixa tenso.

    IsOlada Ou MulTIplexada: rede isolada de mdia ou baixa tenso constituda por cabos isolados e multiplexados em torno de um cabo mensageiro de sustentao.

    prOTegIda Ou COMpaCTa: a rede protegida ou compacta constituda por um cabo mensageiro de ao que sustenta espaadores losangulares feitos em polietileno de alta densidade, instalados a cada 8 a 10 metros, que sustentam os trs condutores fases cobertos com polietileno de baixa densidade. Esta rede permite o contato eventual de galhos sem que ocorra a interrupo do fornecimento de energia, substituindo a necessidade de podas de maior intensidade por servios mais simples de retirada de galhos que estejam em contato direto com a rede. Essas redes oferecem maior confiabilidade e qualidade no fornecimento de energia, reduzindo a durao das interrupes. So mais seguras para o pblico, convivem melhor com o ambiente, custam menos e requerem menor nmero de intervenes, o que favorece o programa de manuteno.

    subTerrnea: rede semelhante isolada, porm distribuda sob o solo. Este tipo de rede evita conflitos com as copas das rvores, mas est sujeita a conflito com razes. Alm disso, seus custos muitas vezes se tornam inviveis.

  • 33

    alternativas tcnicas para a iluminao pblicaTratam-se de solues que podem garantir uma boa convivncia, que vo desde a utilizao de mate riais desenvolvidos especificamente para reas arborizadas, como o brao longo, at projetos especiais de compatibilizao, como a iluminao em segundo nvel e postes ornamentais:

    1. brao longo: o brao longo para rea arborizada possui uma projeo horizontal cinco vezes maior que o brao tradicional, de forma a manter a luminria fora da copa das rvores.

    2. luminria em segundo nvel: esta instalao utiliza luminrias nos postes da rede de energia abaixo da copa das rvores, para garantir a iluminao aos pedestres.

    3. postes ornamentais: os postes ornamentais so postes exclusivos de iluminao pblica e so instalados com projetos de rede subterrnea.

    3 Convivncia entre rvores e redes de energia eltrica

    1

    3

    2

    32

  • programa premiarA utilizao racional dos recursos naturais e a preservao do meio ambiente sempre fizeram parte dos princpios que orientam as atividades da Cemig, buscando direcionar seus esforos para garantir o desenvolvimento sustentvel da Empresa. Aes como o programa de educao ambiental nas escolas, o programa de manuteno de reservas ambientais e os seminrios anuais que promovem uma discusso a respeito do manejo da arborizao junto s redes eltricas, dentre outros, refletem o comprometimento da Empresa com a sustentabilidade ambiental.

    A partir da experincia adquirida ao longo dos anos, a Cemig criou o Programa Especial de Manejo Integrado de rvores e Redes Premiar. Lanado em maro de 2009, o Programa tem como objetivo conduzir as polticas da Cemig voltadas para o manejo da arborizao urbana junto

    Clculo para desobstruo da iluminao em rvores no sentido longitudinal da via

    z = H a x d

    Sendo:

    Z = Altura mnima de um galho

    H = Altura de montagem da luminria

    A = cotang 750 = 0,26 (ngulo de mxima incidncia de luz)

    D = Distncia mnima do galho de menor altura

    34

    Manual de arborizao

    d

    H

    z

    a

  • alternativas tcnicas de manejo das rvores

    A implantao correta de uma muda adequada de rvore, considerando aspectos como o local para o plantio, a escolha da espcie e as caractersticas do meio circundante, o melhor procedimento visando a promoo de convivncia com as redes eltricas: rvore certa no lugar certo.

    No entanto, quando a alternativa para aprimorar a convivncia entre a rede eltrica e a rvore for o manejo da rvore, duas opes so consideradas:

    1. Podas programadas ou emergenciais, com o propsito de conduzir o crescimento da copa das rvores para fora da rede eltrica, garantindo a eficincia do sistema e a segurana da rvore.

    2. Remoo das rvores cujas caractersticas ou disposio espacial no sejam adequadas ao local. Neste caso, recomendvel a implantao correta de uma muda adequada de rvore, como reposio.

    importante lembrar que intervenes em rvores junto rede de distribuio de energia eltrica, alm dos riscos inerentes atividade, apresenta os riscos de origem eltrica. necessrio que esses servios sejam executados por profissionais especializados e seguindo normas e procedimentos adequados.

    3 Convivncia entre rvores e redes de energia eltrica

    a sistemas eltricos, com foco na reduo dos conflitos entre as rvores e a rede eltrica. Faz parte do Premiar o levantamento da arborizao por meio do inventrio, avaliando, entre outros aspectos, o risco que as rvores podem apresentar para as pessoas e para o patrimnio. Se for preciso, elas so substitudas por outras. A poda de manuteno realizada com a frequncia necessria, e o Programa se compromete tambm a plantar mudas de alta qualidade de espcies adequadas ao meio urbano, com no mnimo 2,5 metros de altura.

    Tendo em vista que a arborizao urbana de responsabilidade do municpio, a Cemig, como forma de viabilizar a harmonizao entre a rede eltrica e a arborizao, firmou com a Prefeitura de Belo Horizonte uma parceria, estabelecida atravs de convnio. Com a criao do Premiar, a Cemig refora seu compromisso de desenvolver aes que permitam melhorar ainda mais a qualidade do fornecimento de energia eltrica e reafirma sua preocupao e respeito com o meio ambiente. 35

  • Manual de arborizao

    36

    escumilha-africanaLagerstroemia speciosa

    Famlia: Lythraceae. Nomes populares: regina, extremosa, mimosa-dos-jardins, norma. origem: ndia, Malsia e China. Caractersticas botnicas: pode atingir at 15 m de altura; copa arredondada, densa, formada por galhos longos e ascendentes, com folhagem semi-caduca; tronco reto, casca esbranquiada, macia, que

    se desprende em lminas alongadas de tamanhos irregulares; sistema radicular que causa poucos danos a pisos pavimentados. Florao: primavera e vero.

    Frutificao: inverno e primavera. Propagao: por semente. Uso na arborizao: pode

    ser plantada em passeios largos, parques e praas.

  • 37

    Ainda que a atividade de plantar rvores em logradouros pblicos possa passar despercebida para muitas pessoas, no se revestindo de maior importncia nem responsabilidade, um plantio realizado sem o devido planejamento, principalmente quanto aos recursos humanos, materiais necessrios e a distribuio espacial das mudas, pode implicar no fracasso do empreendimento ou em srios problemas futuros.

    O planejamento da arborizao deve passar pela gesto pblica em sua mais ampla concepo. O rgo gestor da arborizao deve trabalhar em acordo com polticas comprometidas com um manejo que reconhea no somente a importncia da presena das rvores na cidade, mas que efetivamente respalde as prticas necessrias sua boa conduo.

    Nesse contexto, a previso oramentria tem que dar suporte ao recrutamento de profissionais capacitados em todos os nveis, do comando tcnico aos funcionrios executores das diferentes tarefas operacionais e a garantia da aquisio de materiais e equipamentos apropriados s diversas etapas do ciclo de vida das rvores.

    Para melhor entendimento dos processos envolvidos com o planejamento, a arborizao pode ser dividida em dois componentes principais: as reas verdes e a arborizao viria. Para cada uma delas, o planejamento e o manejo devem ser diferenciados.

    As reas verdes so distribudas no espao urbano como parques, praas e jardins. O planejamento para estas reas exige a elaborao de projetos paisagsticos, de implantao e manejo, muitas vezes especficos para cada unidade. A arborizao viria composta pelas rvores plantadas nas caladas das ruas da cidade e nos canteiros separadores de pistas de avenidas.

    O plantio de rvores deve ser planejado, tanto para as reas verdes quanto para a arborizao viria, pois, caso contrrio, pode ocorrer uma srie de problemas futuros. Alguns aspectos importantes devem ser considerados na implantao da arborizao, tais como os culturais e histricos da localidade ou as necessidades e anseios da comunidade, j que a participao da populao uma condio importante para o sucesso de qualquer projeto de arborizao urbana.

    O manejo da arborizao urbana implica o gerenciamento, com eficincia e habilidade, dos procedimentos necessrios para o cultivo de cada rvore, assim como do conjunto da arborizao da cidade. Portanto, o planejamento da arborizao ou do cultivo de rvores no meio urbano exige um processo cuidadoso que preveja os procedimentos desde sua concepo at sua implantao e manuteno.

    Planejamento da arborizao4

    A maioria das pessoas no planeja

    fracassar, fracassa por no planejar.

    John L. Beckley

  • Manual de arborizao

    38

    Para o correto manejo da arborizao, necessria e muito importante a disponibilidade de informaes do nmero e qualidade das rvores existentes no local de interesse, seja um canteiro, uma rua, um bairro ou uma cidade inteira. Para tanto, duas aes devem ser adotadas: realizar um inventrio da arborizao existente para que se conhea o patrimnio arbreo com o qual se est trabalhando e uma avaliao do sistema de manejo da arborizao utilizado. Estes diagnsticos devero indicar:

    Distribuio quantitativa e qualitativa da arborizao existente.

    Existncia de espaos livres para novos plantios.

    Avaliao das demandas e tecnologias empregadas na manuteno plantio, poda, supresso, destoca e controle sanitrio.

    Avaliao do sistema de manuteno rotina, programas e resposta s solicitaes.

    Avaliao das prioridades de acordo com as necessidades.

    Avaliao do volume e da distribuio do trabalho e dos recursos necessrios.

    Avaliao da satisfao da populao tempo de atendimento e qualidade do servio.

    avaliao da arborizao A avaliao da arborizao presente em determinada regio ou da necessidade de sua implantao feita atravs de um inventrio das rvores existentes. O inventrio consiste na coleta de informaes sobre os espcimes existentes e os locais onde esto situados, visando avaliar suas condies, de forma a garantir a viabilidade das funes e benefcios estticos, ambientais, sociais e econmicos pretendidos com a implantao da arborizao no local.

    Os inventrios podem ser realizados de forma peridica ou contnua, desenvolvidos para uso amplo ou especfico, contendo mais ou menos informaes. Dependendo da sua abrangncia, o inventrio pode ter as seguintes finalidades:

    Conhecer e avaliar o patrimnio arbreo existente.

    Identificar locais para o plantio de novas rvores.

    Localizar rvores com necessidades de interveno (poda, tratamento ou remoo).

    Definir as prioridades nas intervenes.

    Monitorar a arborizao visando identificar taxa de sobrevivncia, espcies mais adequadas e mais resistentes.

    Avaliar os custos da arborizao, visando quantificar a necessidade de recursos para a manuteno das rvores, permitir aos gestores justificar o oramento junto aos tomadores de deciso e esclarecer o programa de trabalho para a comunidade.

  • 39

    Em um inventrio, enquanto a avaliao quantitativa visa determinar apenas a composio percentual das rvores existentes, a avaliao qualitativa procura compreender a relao entre as rvores (e suas partes, razes, tronco e copa) e o local onde esto inseridas, como a compatibilidade entre seu porte e o espao disponvel, as condies sanitrias existentes e a identificao da necessidade de intervenes.

    Por outro lado, a deciso quanto ao detalhamento do inventrio a ser considerado depender dos recursos disponveis para cobrir os custos necessrios aquisio de equipamentos, insumos, contratao e treinamento da equipe, e deslocamentos.

    parmetros de avaliao

    Para avaliao da arborizao, os parmetros a serem levantados podem ser organizados em quatro grupos:

    Localizao da rvore.

    Caractersticas da rvore, tais como nome vulgar e nome cientfico, altura total e da primeira bifurcao, dimetro do tronco e de copa, fenofases (presena e estgio de desenvolvimento das folhas, flores e frutos), condio fsico-sanitria, condio do sistema radicular.

    Caractersticas do local, como rea livre ou rea disponvel para crescimento, afastamento predial ou afastamento frontal, dimenses de caladas e vias, entre outras.

    Informaes de manejo: posio da rvore em relao rede de energia eltrica, compatibilidade da arborizao com a iluminao pblica, controle sanitrio e a necessidade de poda ou remoo da rvore, alm de outras intervenes que se fizerem necessrias.

    Para avaliao da arborizao de reas verdes, deve-se realizar uma investigao cadastral e cartogrfica de cada rea, seguida do levantamento dos parmetros de conser vao da rea em si, quanto aos aspectos:

    Urbansticos: pavimentao e delimitao de canteiros, iluminao, equipamentos e recursos paisagsticos.

    Biticos: tipologia vegetal, arborizao existente, fauna associada, manuteno paisagstica etc.

    Fsicos: caractersticas do solo, existncia de recursos hdricos, de focos de eroso etc.

    Fundirios: limites, vizinhana, propriedade.

    Uso pblico: apropriao de uso pela populao.

    4 Planejamento da arborizao

  • Manual de arborizao

    40

    Coleta e atualizao dos dados

    A coleta dos dados do inventrio deve ser a mais precisa possvel, atravs de formulrios de registros de dados previamente codificados, com uso de planilhas em papel ou eletrnicas.

    A equipe de coleta deve ser coordenada por profissional com conhecimentos sobre a arborizao a ser inventariada. A disponibilidade de auxiliares facilita a manipulao dos instrumentos de medio.

    A anlise das informaes do inventrio possibilita a identificao de propostas de manejo variadas. A avaliao dos dados levantados, tanto de reas verdes quanto da arborizao viria, fornece importantes indicativos para maximizar as potencialidades e minimizar os problemas.

    Como o ambiente das cidades e as prprias rvores so muito dinmicos, importante que os dados do inventrio sejam atualizados periodicamente. A atualizao pode ser feita atravs de um sistema de controle de vistorias regulares, quando do atendimento s solicitaes de servios ou mediante a realizao de inventrios peridicos.

  • GRUPO

    Localizao da rvore

    Caractersticas da rvore

    Caractersticas do ambiente

    Informaes de manejo

    DESCRIO

    Coordenada geogrfica e endereo (geralmente o nome do logra-douro, bairro, nmero do imvel prximo e posio da rvore).

    O nome vulgar utilizado na identificao das rvores no campo. O nome cientfico a identificao precisa da espcie, utilizado nos relatrios e divulgao dos resultados do inventrio.

    Altura total e da primeira bifurcao, dimetro do tronco e de copa. Fornecem uma estimativa da idade relativa da rvore.

    Parmetros relativos ao estgio de desenvolvimento das folhas, flores e frutos.

    Parmetros de avaliao da sade da rvore segundo as classes: I) rvore vigorosa, sem sinais de pragas, doenas ou danos; II) rvore com vigor mdio, podendo apresentar pequenos danos fsicos, problemas de pragas ou doenas; III) rvore em estgio de declnio e com severos danos de pragas, doenas ou fsicos; IV) rvore morta ou com morte iminente.

    Parmetros de avaliao da possibilidade das razes superficiais causarem danos s edificaes prximas: I) raiz totalmente subterrnea; II) raiz de forma superficial s na rea de crescimento da rvore; III) raiz de forma superficial ultrapassando a rea de crescimento da rvore e provocando danos.

    Parmetros de avaliao da largura da via e da calada.

    Parmetro de avaliao do local do plantio: calada, canteiro ou outro.

    Parmetro de avaliao da rea sem pavimentao adjacente rvore, medido em rea ou apenas pela distncia do tronco at o incio da pavimentao.

    Parmetro de avaliao do afastamento da construo em relao testada do lote. Relaciona-se ao espao fsico disponvel ante o conflito entre a copa da rvore e a construo.

    Parmetro de avaliao da compatibilidade entre a rvore e a rede de distribuio de energia existente no local.

    Parmetro de avaliao relativo ao aspecto de segurana quanto interferncia da rvore na iluminao.

    Parmetro de avaliao sobre o manejo no controle de pragas, doenas biticas e abiticas.

    Parmetro de avaliao da necessidade de realizao de poda.

    Parmetro de avaliao da remoo da rvore em funo de morte, estado irrecupervel ou ameaa segurana pblica.

    PARMETRO

    Referncia de localizao Nomenclatura

    Porte da rvore

    Fenofase

    Condio fsico-sanitria

    Condio do sistema radicular

    Entorno

    Local de plantio

    rea livre ou rea de crescimento

    Afastamento predial ou afastamento frontal

    Posio da rvore em relao rede de energia eltrica

    Compatibilidade da arborizao com a iluminao pblica

    Controle sanitrio

    Necessidade de poda

    Remoo da rvore

    SUGESTo DE PArMETroS PArA AVALiAo DUrANTE o iNVENTrio

    4 Planejamento da arborizao

    41

  • Manual de arborizao

    42

    elaborando um projeto de arborizaoO ambiente urbano reflete a interao de elementos da ocupao humana com os elementos naturais. Os diversos equipamentos existentes (edificaes, vias, redes de energia, de esgoto, placas indicativas, postes de iluminao etc.) interferem nas condies dos recursos naturais e no equilbrio climtico do local, como a distribuio e intensidade de chuvas, permeabilidade do solo, vazo dos rios, umidade relativa do ar, ventos, luminosidade, qualidade do ar, dentre outros.

    Deste modo, o projeto de arborizao deve considerar as adversidades tpicas do ambiente urbano ao selecionar espcies de rvores mais adequadas ao espao fsico disponvel e s condies ambientais e antrpicas locais, tendo em vista o histrico de comportamento das mesmas na cidade.

    rvore certa no lugar certo

    Sempre que se planeja a implantao de rvores em meio urbano, a palavra diversidade deve ser considerada, em todos os sentidos:

    Diversidade de espcies: atualmente recomenda-se como regra bsica procurar densidades que no

    ultrapassem 30% de uma nica famlia de rvores, 20% de um nico gnero e 10%

    de uma nica espcie.

    Diversidade gentica: quanto mais diversa for a origem geogrfica

    dos espcimes plantados, maiores sero as chances de se conseguir essa diversidade, contribuindo para possveis tolerncias a adversidades ambientais e ataques de pragas ou doenas.

    Diversidade de idade das rvores: diferentes estgios

    de desenvol vimento das rvores, permitindo a renovao

    suficiente do estoque de indivduos.

    Diversidade de formas e hbitos de crescimento das espcies: tendo em

    vista a importncia e necessidade de se combinar as espcies aos locais onde sero

    plantadas.

  • 4 Planejamento da arborizao

    Quanto escolha das espcies:

    Considerar os elementos da paisagem pr-existentes, especialmente os conjuntos arbreos.

    O plantio de uma s espcie ao longo de uma via ou uma rea pode ser interessante, pois facilita o planejamento das intervenes na arborizao, cria um belo efeito paisagstico e torna-se uma referncia valiosa para a comunidade. No entanto, a diversidade importante no planejamento global e diminui os riscos de perda da vegetao por ataque intenso de pragas ou doenas. Portanto, se a rea de plantio for expressiva, o ideal tentar atender a ambos os objetivos, alternando espcies, porm formando conjuntos.

    Em reas muito expressivas devem ser previstos macios de espcies diferentes, mesclando inclusive palmeiras e rvores, distribudas de forma aleatria, criando efeito de bosque, com efeito paisagstico mais natural. Outra proposta interessante o emprego de colees de plantas, de uma mesma famlia, por exemplo, em um determinado espao.

    Sempre que possvel, privilegiar espcies:

    Que produzam copas expressivas, que proporcionaro conforto ambiental s reas.

    Diversificadas, considerando diferentes pocas de florao e frutificao, o que favorecer a paisagem e a presena da fauna.

    Que produzam aromas agradveis (folhas, madeiras, flores).

    Nativas regionais da flora brasileira, adequadas arborizao urbana, sobretudo aquelas reconhecidamente teis fauna.

    Resistentes ao ataque de pragas e doenas, tendo em vista a inadequao do uso de agrotxicos no meio urbano.

    Deve-se evitar o plantio de espcies:

    De baixa resistncia.

    De porte excessivamente grande em passeios, sobretudo aquelas suscetveis queda, especialmente nos locais onde intenso o fluxo de veculos e pedestres.

    Que perfilham.

    Que contenham brotos ou flores alerggenas, frutos e folhas venenosos, frutos grandes ou que manchem, espinhos ou acleos.

    Que possuam folhagens que criem sombreamento excessivo, em locais de pouca incidncia de luz solar.

    Junto a imveis com a existncia de varandas e sacadas, de modo a permitir o acesso residncia.

    Que possam esconder vistas de interesse, considerando eixos de perspectivas.

    Equilibrar o uso de espcies:

    De crescimento lento com outras de crescimento mais rpido, para que os efeitos favorveis da arborizao sejam proporcionados em prazos mais curtos e por perodos mais longos.

    Caduciflias e perenes, quando o plantio for expressivo em uma determinada rea, sobretudo se muito rida. Considerar a presena de calhas e bueiros no caso das espcies caduciflias especificadas.

    Quando houver rede eltrica:

    Planejar junto com a concessionria de energia a escolha das espcies e o plantio.

    Priorizar espcies de menor porte, ou que apresentem possibilidade de conduo da copa e crescimento lento.

    43

  • Manual de arborizao

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    Quanto ao espao fsico disponvel, fundamental que seja considerado em sua totalidade, isto , o espao disponvel nas caladas ou passeios, assim como em seu entorno, nos seus diversos nveis e convivncia.

    NVEL CoNViVNCiA

    Do passeio ou calada Localizao da rvore em compatibilidade com o mobilirio urbano, bueiros, hidrantes, entradas de garagens, passagem de pedestres, entre outros.

    Na parte area Copa em compatibilidade com a altura dos pedestres, veculos, redes de distribuio de servios de energia, telefonia, telhados e fachadas, placas indicativas, entre outros.

    Na parte subterrnea Razes em compatibilidade com as caractersticas fsicas e qumicas dos solos e com as redes de distribuio de gua, esgoto e cabeamentos, entre outros.

    Quanto s caractersticas da espcie, devem ser considerados como preferenciais o uso de:

    ASPECTo CArACTErSTiCA

    Cultural, histrico Espcies nativas, que contribuem para a preservao e conservacionista do equilbrio biolgico da flora e fauna locais. Relao afetiva da populao local com exemplares marcantes, referenciais ou sentimentais.

    Porte Espcies de maior porte, quando possvel, pois proporcionam mais benefcios. Prximo a sistemas eltricos, deve-se dar preferncia a espcies que reduzam ou eliminem a necessidade de podas e os riscos a pessoas e ao patrimnio.

    Sade pblica Espcies com perfumes menos intensos, sem espinhos ou toxidade, e resistentes a pragas e doenas.

    Caractersticas Espcies sem flores grandes e espessas (capazes das partes de provocar escorreges), tronco no volumoso ou pouco resistente ao do vento, frutos que atraem a fauna sem serem grandes e carnosos, razes adequadas ao espao disponvel, com formato e dimenso da copa compatveis com o local de plantio.

    Esttico Espcies atrativas do ponto de vista paisagstico.

  • 45

    Mudas para arborizao urbana

    A produo da muda um dos fatores mais importantes para o sucesso da arborizao de uma cidade. Alm de melhor preparada para as adversidades encontradas no ambiente urbano, o emprego de mudas de boa qualidade reduz a necessidade de operaes de manejo posteriores, uma vez que reduz a possibilidade de ocorrncia de problemas. A avaliao da qualidade das mudas feita com base nos seguintes aspectos:

    Altura mnima da primeira bifurcao ou ponto de emisso de galhos de 2,5 m.

    Dimetro mnimo do caule altura do colo de 5 cm.

    Tamanho e formato adequados dos recipientes.

    Inexistncia de razes expostas na parte superior do recipiente.

    Boa perpendicularidade (ngulo reto em relao ao nvel do solo).

    Trabalhadas com podas de conduo e formao.

    Inexistncia de danos mecnicos.

    Inexistncia de plantas daninhas no recipiente.

    Galhos bem distribudos e com boa insero no tronco.

    Inexistncia de doenas, pragas ou deficincia nutricional.

    4 Planejamento da arborizao

    Defeitos comuns:

    Razes circundando o caule da muda.

    Razes torcidas.

    Muda plantada muito profundamente no recipiente.

    Torro solto.

    Razes descendentes (mergulhadas).

    Muitas razes na borda externa do torro.

    Torro muito pequeno.

    Poucas razes no torro.

  • Manual de arborizao

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    TipuanaTipuana tipu

    Famlia: Fabaceae. Nomes populares: tipa, amendoim-accia. origem: Amrica do Sul.

    Caractersticas botnicas: rvore com at 30 m de altura e 80 cm de dimetro do tronco; copa ampla, arredondada, pouco densa, pendente,

    folhagem semi-caduca; tronco reto, com casca rugosa, escura; sistema radicular pouco superficial. Florao:

    primavera. Frutificao: outono. Propagao: por sementes. Usos na arborizao: em passeios, parques e praas. Os plantios em passeio devem observar o

    porte avantajado que a rvore atinge. A muda exige conduo por longo perodo de tempo

    devido a brotao abundante desde a base do caule.

  • 47

    implantao da arborizao

    A implantao de uma rvore consiste na colocao de uma muda selecionada e adequada ao local definitivo para o seu cultivo. Para tanto, algumas consideraes quanto s caractersticas fsicas de suporte e espao devem ser levadas em conta:

    avaliao do soloO solo o meio onde ocorre o crescimento vegetal. Na medida em que supre as plantas com fatores de crescimento, permite o desenvolvimento e a distribuio de suas razes e possibilita o movimento dos nutrientes, da gua e do ar nas superfcies radiculares.

    Os solos so formados por uma parte slida, composta de partculas minerais e orgnicas, entremeadas por poros, que podem ser ocupados por gua ou ar. Essas partes podem ser encontradas em diferentes propores, dependendo do tipo de solo e da forma de sua utilizao. De um modo geral, a massa slida relativamente constante (cerca de 50%), ao passo que as quantidades de ar e gua so variveis.

    O solo possui camadas diferentes entr