PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA :Index.

Click here to load reader

  • date post

    09-Jan-2017
  • Category

    Documents

  • view

    222
  • download

    2

Embed Size (px)

Transcript of PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA :Index.

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA :Index.

    Hugo de S. Vitor

    PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA

    ndice Geral

    INTRODUO GERAL

    ENSAIO SOBRE A FUNDAO DA ESCOLA DE SO VTOR DE PARIS

    OPSCULO SOBRE O MODO DE APRENDER E DE MEDITAR

    OPSCULO SOBRE A ARTE DE DE MEDITAR

    TRATADO DOS TRS DIAS

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/0-PFP.htm2006-06-02 09:34:55

  • PFP: INTRODUO GERAL , Index.

    INTRODUO GERAL

    ndice

    1. Princpios fundamentais de pedagogia.

    2. Influncia da escola de So Vtor.

    3. Obras pedaggicas de Hugo de So Vtor.

    4. Uma pedagogia centrada no aluno.

    5. Um princpio bsico da educao vitorina.

    6. A presente traduo.

    7. Referncias

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP0.htm2006-06-02 09:34:56

  • PFP: ENSAIO SOBRE A FUNDAO DA ESCOLA DE SO VTOR DE PARIS , Index.

    ENSAIO SOBRE A FUNDAO DA ESCOLA DE SO VTOR DE PARIS

    ndice

    1. O Ensino em Paris no sculo XII.

    2. Primeiras origens de So Vtor.

    3. Primeiros anos de Guilherme de Champeaux.

    4. Origem da escola de So Vtor.

    5. Guilherme elevado a bispo. Morte de Guilherme.

    6. Guilduno abade de So Vtor.

    7. O governo dos cnegos de So Vtor.

    8. A biblioteca.

    9. A Escola de So Vtor.

    10. Nascimento e juventude de Hugo de So Vtor.

    11. Hugo professor em So Vtor. Sua morte.

    12. Doutrina de Hugo de So Vtor.

    13. Mtodo pedaggico de Hugo.

    14. Os estudos no XII Sculo.

    15. Obras de Hugo de So Vtor.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP1.htm (1 of 2)2006-06-02 09:34:56

  • PFP: ENSAIO SOBRE A FUNDAO DA ESCOLA DE SO VTOR DE PARIS , Index.

    16. Concluso.

    17. Referncias.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP1.htm (2 of 2)2006-06-02 09:34:56

  • PFP: OPSCULO SOBRE O MODO DE APRENDER E DE MEDITAR , Index.

    Hugo de S. Vitor

    OPSCULO SOBRE O MODO DE APRENDER E DE MEDITAR

    ndice

    A humildade necessria ao que deseja aprender.

    Trs coisas necessrias ao estudante.

    Prime pelo engenho e pela memria.

    A leitura e a meditao.

    A meditao.

    Trs gneros de meditao.

    Do confiar memria aquilo que aprendemos.

    As trs vises da alma racional. Diferena entre meditao e contemplao.

    Dois gneros de contemplao.

    Trs partes da exposio.

    Os trs gneros de vaidades.

    As obrigaes da eloquncia.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP2.htm2006-06-02 09:34:56

  • PFP: OPSCULO SOBRE A ARTE DE DE MEDITAR , Index.

    Hugo de S. Vitor

    OPSCULO SOBRE A ARTE DE DE MEDITAR

    ndice

    I. OS TRS GNEROS DE MEDITAO

    II. A MEDITAO DAS CRIATURAS

    III. A MEDITAO DAS ESCRITURAS

    TRS CONSIDERAES A SEREM FEITAS NA MEDITAO SOBRE AS ESCRITURAS.

    IV. A MEDITAO SOBRE OS COSTUMES.

    OS AFETOS.

    OS PENSAMENTOS.

    AS OBRAS.

    V. OUTROS REQUISITOS DA MEDITAO SOBRE OS COSTUMES.

    A ORIGEM E A TENDNCIA DE TODOS OS MOVIMENTOS DO CORAO.

    O DISCERNIMENTO ENTRE O BEM E O MAL, E DOS BENS ENTRE SI.

    O FIM E A DIREO DE TODOS OS TRABALHOS.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP3.htm (1 of 2)2006-06-02 09:34:56

  • PFP: OPSCULO SOBRE A ARTE DE DE MEDITAR , Index.

    O DISCERNIMENTO DOS GRAUS DAS OBRIGAES.

    O EVITAR A AFLIO E A OCUPAO.

    O JULGAMENTO DA FORMA CORRETA DE VIVER.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP3.htm (2 of 2)2006-06-02 09:34:56

  • PFP: TRATADO DOS TRS DIAS , Index.

    Hugo de S. Vitor

    TRATADO DOS TRS DIAS

    I. Introduo, extrada dos livros do Didascalicon.

    1. A Sabedoria.

    2. A Filosofia.

    3. Diversas definies de filosofia.

    4. A restaurao da semelhana divina no homem.

    5. Nem todos chegam ao conhecimento.

    6. Trs obstculos iniciais para o estudante.

    7. Procurar a verdade antes que o fraseado.

    8. Que o estudo no seja uma aflio.

    9. Como o estudo pode tornar-se uma aflio.

    10. A diferena entre principiantes e eruditos.

    11. Os quatro degraus para a perfeio futura.

    12. Ainda os cinco degraus.

    13. Como s vezes necessrio descer os degraus.

    14. Interpe uma orao.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP4.htm (1 of 8)2006-06-02 09:34:57

  • PFP: TRATADO DOS TRS DIAS , Index.

    II. Inicia-se o Tratado dos Trs Dias. A Contemplao do Verbo de Deus

    1. O Verbo manifestado pela contemplao das coisas visveis.

    2. As coisas invisveis de Deus.

    3. Atributos da criatura que manifestam as coisas invisveis de Deus.

    4. Como se nos manifesta a imensidade das criaturas.

    5. Como se nos manifesta a beleza das criaturas.

    6. Como se manifesta a utilidade das criaturas.

    7. Expe o que ir passar a explicar.

    III. A Imensidade das Criaturas.

    1. A multido das criaturas.

    2. A magnitude das criaturas.

    IV. A Beleza das Criaturas.

    1. Introduo.

    2. Anuncia a ordem do que ir expor.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP4.htm (2 of 8)2006-06-02 09:34:57

  • PFP: TRATADO DOS TRS DIAS , Index.

    V. A Beleza de Posio.

    1. A diviso da posio: composio e disposio.

    2. A diviso da composio: aptido e firmeza.

    3. A aptido.

    4. A firmeza.

    5. Passa a considerar a disposio.

    6. A disposio dos lugares.

    7. A disposio dos tempos.

    8. A disposio das coisas pelas suas partes.

    VI. A Beleza do Movimento.

    1. A diviso do movimento.

    2. O movimento local.

    3. O movimento natural.

    4. O movimento animal.

    5. O movimento racional.

    VII. A Beleza da Espcie.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP4.htm (3 of 8)2006-06-02 09:34:57

  • PFP: TRATADO DOS TRS DIAS , Index.

    1. A diviso da espcie: figuras e cores.

    2. A diviso das figuras.

    3. A beleza das figuras grandes.

    4. A beleza das figuras pequenas.

    5. A beleza das figuras raras.

    6. Figuras admirveis apenas pela beleza.

    7. A beleza das figuras monstruosas e ridculas.

    8. A beleza de uma s figura em muitas.

    9. A beleza de muitas figuras em um s.

    10. A beleza das cores.

    VIII. A Beleza da Qualidade.

    1. A variedade das qualidades da natureza.

    IX. A Utilidade das Criaturas.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP4.htm (4 of 8)2006-06-02 09:34:57

  • PFP: TRATADO DOS TRS DIAS , Index.

    1. A diviso da utilidade.

    2. A utilidade necessria.

    3. A utilidade cmoda.

    4. A utilidade cngrua.

    5. Utilidade agradvel.

    6. Comentrios sobre a existncia da utilidade agradvel.

    X. Concluso da contemplao das coisas visveis.

    1. Simultaneidade da imensidade, beleza e utilidade nas obras de Deus.

    2. Anuncia a contemplao das coisas invisveis.

    XI. A considerao das coisas invisveis.

    1. A primeira a ser considerada a sabedoria.

    2. A sabedoria se revela principalmente pelo movimento racional.

    XII. A Existncia de Deus.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP4.htm (5 of 8)2006-06-02 09:34:57

  • PFP: TRATADO DOS TRS DIAS , Index.

    1. O movimento racional demonstra a existncia de Deus.

    2. Os demais movimentos tambm comprovam a existncia de Deus.

    3. O movimento animal.

    4. O movimento natural.

    5. O movimento local.

    6. Concluso.

    XIII. A Unidade de Deus.

    1. A natureza e a unidade de Deus.

    2. Em que sentido Deus uno.

    3. A verdadeira unidade inclui tambm a invariabilidade.

    4. Os modos da mutabilidade.

    5. A mutabilidade pelo lugar.

    6. A mutabilidade pela forma.

    7. A mutabilidade pelo tempo.

    8. Deus imutvel local e formalmente.

    9. Em Deus no h mutao local.

    10. Em Deus no h mutao formal.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP4.htm (6 of 8)2006-06-02 09:34:57

  • PFP: TRATADO DOS TRS DIAS , Index.

    11. Na natureza divina no pode haver mutao por aumento ou diminuio.

    12. Na natureza divina no h alterao.

    13. A alterao do esprito pelo afeto.

    14. A alterao do esprito pelo conhecimento.

    15. Concluso.

    XIV. A Trindade de Deus.

    1. Introduo.

    2. A mente, a inteligncia e o amor.

    3. A Santssima Trindade.

    4. O amor do Pai pela sabedoria.

    5. Investiga sobre o amor que existe na Santssima Trindade.

    6. Na Santssima Trindade todo amor mtuo.

    7. Que os homens ouam a exortao do Pai.

    8. Concluso.

    XV. Os trs dias da luz invisvel

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP4.htm (7 of 8)2006-06-02 09:34:57

  • PFP: TRATADO DOS TRS DIAS , Index.

    1. Os dias do temor, da verdade e do amor.

    2. Os trs dias na histria da salvao.

    3. Os trs dias na morte e ressurreio de Cristo.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/1-PFP4.htm (8 of 8)2006-06-02 09:34:57

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.1.

    PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA

    Introduo Geral

    1. Princpios fundamentais de pedagogia.

    O objetivo deste livro o de apresentar uma concepo de pedagogia bastante diversa do que a maioria dos mais arrojados educadores modernos ousaria conceber.

    E, no obstante isso, no se trata de uma utopia, como tantas que foram registradas nos anais da histria da educao, nem apenas um projeto, mas algo que foi realidade durante geraes, no em alguma civilizao distante, mas na Europa do sculo XII. E, no entanto, ainda apesar disso, a pedagogia aqui descrita transcende a poca em que se realizou como fato histrico; ela pertence, pensamos tambm ns, ao nmero daquelas coisas que no passam mais. Foi por isto que demos a este livro o ttulo simplesmente de Princpios Fundamentais da Pedagogia.

    Procuramos descrever esta pedagogia atravs dos textos de um dos educadores daquela poca, responsvel que foi pela escola anexa ao mosteiro de So Vtor. Limitando-nos aos seus textos, porm, e sua escola, no apresentamos apenas as idias educacionais de um s homem, pois ele prprio o primeiro que se esfora por apresentar em seus textos, nas suas linhas gerais, no as suas idias pessoais, mas as da tradio em que vive e em que desenvolve o seu trabalho de educador.

    A escola de So Vtor, de que foi responsvel, tem sua origem em Paris, no fim do sculo XI, anexa abadia de So Vtor. Desempenhou no sculo seguinte papel de elevada importncia nos acontecimentos culturais e espirituais da Europa. Fundada por Guilherme de Champeaux, depois de alguns anos teve o nome de Hugo de So Vtor ligado a si prpria de uma forma muito semelhante quela pela qual no sculo seguinte o de S. Toms de Aquino se ligaria aos incios da histria da ordem

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-1.htm (1 of 5)2006-06-02 09:34:57

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.1.

    dominicana.

    Hugo de So Vtor, o autor dos trabalhos traduzidos neste livro, nasceu provavelmente no ano de 1096 na Saxnia, atual territrio da Alemanha, onde recebeu sua primeira educao em uma escola monstica. De l transferiu-se para Paris, o maior centro de estudos da Europa de seu tempo, ingressando no mosteiro de So Vtor, ainda h pouco tempo fundado por Guilherme de Champeaux.

    Em 1125 tornou-se professor no mosteiro; em 1133, diretor da escola anexa; logo depois, tambm prior. Faleceu em So Vtor aos 11 de fevereiro de 1141.

    Foi provavelmente o maior dos telogos do sculo XII; assim como S. Toms de Aquino, S.Boaventura, Pedro Lombardo, foi tambm professor de teologia. Pode parecer redundante hoje em dia acrescentar que um telogo tenha sido professor de teologia; mas o fato que os maiores telogos antes da idade mdia no o foram.

    Ao contrrio, porm, de seus demais colegas medievais, Hugo de So Vtor, alm de professor, foi tambm diretor de uma escola, de um dos principais centros de ensino superior do mundo de seu tempo e que, no obstante esta importncia, mal acabava de ter sido fundada. Ambas estas caractersticas, a direo de uma escola deste porte juntamente com a sua recente fundao, iriam conferir obra de Hugo de So Vtor contornos inexistentes nas de seus colegas.

    Sua obra ocupa trs volumes daPatrologia Latina de Migne, respectivamente, os volumes 175, 176 e 177. Para os que no conhecem a coleo, cada um destes livros tem aproximadamente o mesmo tamanho dos volumes da Enciclopdia Britnica; o que temos traduzido neste trabalho , assim, bem menos do que um por cento da obra de Hugo.

    Os trabalhos de Hugo de So Vtor, em uma primeira aproximao, podem ser divididos em quatro grupos: os exegticos, os ascticos, os dogmticos e os pedaggicos. Para os fins deste trabalho, nos interessaro os dois ltimos, e mais especialmente os pedaggicos.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-1.htm (2 of 5)2006-06-02 09:34:57

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.1.

    Entre os trabalhos dogmticos os principais so um breve tratado intitulado Summa Sententiarum e outro bem maior, considerado a obra prima de Hugo, o De Sacramentis Fidei Christianae. Nesta ltima, o autor se prope a expor o contedo teolgico das Sagradas Escrituras, nela demonstrando uma capacidade de sntese e sistematizao desconhecidas at ento, comparveis, em sua novidade, especulao metafsico teolgica contida nos trabalhos de Santo Anselmo. Ambas estas caractersticas seriam posteriormente assimiladas, aprofundadas e fundidas em um mesmo todo por So Toms de Aquino na sua Summa Teologiae.

    De maior interesse, porm, para o presente trabalho, so as obras pedaggicas de Hugo de So Vtor, nicas, talvez, em seu feitio, no s na idade antiga e mdia, como talvez mesmo em toda a histria da pedagogia. Esta singularidade deve sua causa ao fato de que poucas vezes na histria pode ter-se reunido, em uma s pessoa, uma inteligncia notavelmente brilhante, uma vida de manifesta santidade, a vocao e a atividade docente e a direo de uma das mais importantes escolas do mundo que, no obstante a importncia que j desfrutava, ainda estava em fase de formao. Por causa desta confluncia de fatores, Hugo se viu obrigado no s a ensinar, mas tambm a explicar aos alunos como se deveria aprender, aos professores orientar como se deveria ensinar, e escola como se deveria organizar.

    O resultado desta conjuno de fatores foi o surgimento de alguma coisa que merece estar com pleno merecimento tanto na histria da pedagogia como na histria da espiritualidade: parece ser uma forma de ascese cujo lugar prprio uma escola.

    um caso particularmente notvel de uma pedagogia em que ho h interferncia destrutiva entre vida intelectual e vida espiritual, nem separao entre estas atividades como coisas independentes uma da outra. Ao contrrio, cria-se propositalmente uma situao em que ambas agem entre si no sentido de se amplificarem mutuamente. Que estas duas coisas sejam mutuamente possveis temos diversos exemplos histricos, entre os quais figuram, de um lado, o exemplo de So Toms de Aquino, e de outro, o de Santo Antonio de Pdua.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-1.htm (3 of 5)2006-06-02 09:34:57

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.1.

    Mas destes dois talvez o que fale mais alto seja o de Santo Antonio de Pdua. Quem conhece um pouco melhor a sua vida no pode deixar de ter a viva impresso de assistir a uma representao literal das palavras de Hugo de So Vtor escritas no fim de sua principal obra pedaggica:

    "Olhai, vos

    peo, o que seja

    a luz, seno o dia, e o

    que sejam as trevas, seno a noite. E assim

    como os olhos do

    corpo tem o

    seu dia e a sua noite, assim

    tambm os olhos

    do corao

    tem o seu dia e

    a sua noite.

    Trs so os dias da luz

    invisvel, pelos

    quais se distingue

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-1.htm (4 of 5)2006-06-02 09:34:57

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.1.

    o curso interior da vida

    espiritual.

    O primeiro

    o temor, o segundo

    a verdade,

    o terceiro

    o amor".

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-1.htm (5 of 5)2006-06-02 09:34:57

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.2.

    2. Influncia da escola de So Vtor.

    Uma lista de quem passou ou esteve em contato com a escola de So Vtor pode dar uma idia do papel que esta desempenhou no contexto do sculo XII.

    Pedro Abelardo j era aluno de Guilherme de Champeaux quando este ensinava na escola anexa catedral de Notre Dame. Aps Guilherme ter abandonado a escola catedralcia para fundar o mosteiro de So Vtor, consta Pedro Abelardo ainda ter continuado a ser seu aluno.

    Aps a fundao de So Vtor, So Bernardo de Claraval fez questo de ser ordenado sacerdote por Guilherme de Champeaux, j bispo. Conserva-se at hoje na Patrologia Latina de Migne uma troca de correspondncia entre So Bernardo e Hugo de So Vtor acerca de matria teolgica.

    Em 1134 So Bernardo escreveu uma carta ao superior de So Vtor pedindo que o mosteiro recebesse como hspede o jovem Pedro Lombardo at o dia da festa da natividade de Maria. O jovem, porm, no voltou mais. Ficou em Paris at morrer, quase trinta anos depois, em 1160, ocupando o cargo de bispo daquela cidade. Ao que tudo indica, Pedro Lombardo foi aluno de Hugo de So Vtor; antes de ter sido nomeado bispo de Paris, ensinou teologia na escola anexa catedral de Notre Dame onde j antes havia ensinado Guilherme de Champeaux. Enquanto professor em Notre Dame, redigiu os clebres Quatro Livros das Sentenas, que no sculo seguinte se tornaria livro a ser obrigatoriamente comentado por todos os candidatos ao doutoramento em teologia. Os primeiros trabalhos teolgicos de So Boaventura e So Toms de Aquino foram comentrios aos Livros das Sentenas de Pedro Lombardo, texto tornado bsico para o ensino e aprendizado da teologia no sculo XIII.

    A influncia de Hugo de So Vtor na teologia posterior exerceu-se tambm atravs de sua obra mais extensa, o De Sacramentis Fidei Christianae, aproximadamente traduzvel por Os Mistrios da F Crist, uma obra de sntese como at ento no havia surgido no cristianismo. Esta obra foi o primeiro exemplo e o precursor de todas as Summas Teolgicas que iriam aparecer

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-2.htm (1 of 2)2006-06-02 09:34:58

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.2.

    logo em seguida. Toms de Aquino e Boaventura testemunham, conforme veremos, terem estudado e muito se aproveitado das obras de Hugo.

    Discpulo de Hugo de So Vtor e seu sucessor na escola So Vtor foi tambm Ricardo de So Vtor, contado, juntamente com ele, entre os grandes telogos do sculo XII.

    Consta que na poca em que Ricardo de So Vtor era prior de So Vtor, foi ali que S. Thomas Beckett, o arcebispo da Canturia expulso da Inglaterra pelo Rei Henrique VII, foi buscar seu primeiro refgio.

    Em relao aos futuros povos de lngua portuguesa, nos sculos XII e XIII o principal centro lusitano de estudos era o mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, dos Cnegos Agostinianos, onde por mais de uma dcada estudou Santo Antnio de Pdua antes de transferir-se ordem franciscana. Os principais professores de Santa Cruz de Coimbra haviam estudado em So Vtor no sculo XII e organizado os estudos de Coimbra segundo o modelo da escola de So Vtor. Apesar de no ter estado nunca em Paris, pode-se dizer que a formao de Antnio de Pdua foi, no s do ponto de vista da doutrina teolgica, como tambm do ponto de vista asctico e pedaggico, baseado no modelo de So Vtor, cuja doutrina, ascese e pedagogia haviam sido moldados por Hugo.

    No ano de 1190 o rei de Portugal Dom Sancho I fundou uma bolsa permanente de manuteno para os clrigos de Coimbra que iam estudar em Paris. Durante o sculo XIII, quando j havia sido fundada a Universidade, consta que os clrigos portugueses que se aproveitavam desta bolsa para estudarem na Universidade de Paris hospedavam-se no mosteiro de So Vtor durante sua permanncia em territrio francs.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-2.htm (2 of 2)2006-06-02 09:34:58

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.3.

    3. Obras pedaggicas de Hugo de So Vtor.

    Hugo de So Vtor escreveu trs obras que a nosso ver podem ser classificadas como estando entre as obras de carter mais nitidamente pedaggico.

    A primeira delas o opsculo intitulado Sobre o Modo de Aprender e de Meditar; a segunda o opsculo Sobre a Arte de Meditar; e a terceira e mais conhecida um verdadeiro tratado sobre a pedagogia da poca, conhecido como Didascalicon.

    O Didascalicon dividido em seis ou sete livros, de acordo com a edio. Alguns editores, como foi o caso na Patrologia Latina de Migne, apresentam todos os sete livros como sendo uma s obra. Outros editores julgam que o Didascalicon termina no livro sexto; e que o stimo na verdade um tratado parte, denominado De Tribus Diebus, o Tratado dos Trs Dias. Seja como for, ambas as obras so de Hugo, e uma a continuao natural da outra.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-3.htm2006-06-02 09:34:58

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.4.

    4. Uma pedagogia centrada no aluno.

    A primeira impresso que temos ao analisar as obras pedaggicas de Hugo de So Vtor o fato de todas elas se dirigirem, na ntegra, ao aluno; no ao professor, para quem nada tm a dizer sobre organizao escolar; no a mais ningum, seno unicamente ao aluno, no obstante a tarefa de Hugo fosse a de organizar a escola em todos os seus aspectos.

    Esta aparente enorme lacuna se explica pelo fato de que a pedagogia no sculo XII era manifestamente centrada no aluno e no no professor.

    Em dois textos do sculo XIII, geralmente mais conhecidos entre os estudiosos modernos do que as obras de Hugo de S. Vtor, So Toms de Aquino (1) afirma que no ensino o professor no pode, por necessidade ontolgica, ser a causa principal do conhecimento. Esta causa a atividade do aluno; o papel do mestre no o de infundir a cincia, mas a de auxiliar o discpulo. "Assim como o mdico dito causar a sade no enfermo atravs das operaes da natureza, assim tambm o mestre", diz Toms de Aquino, " dito causar a cincia no discpulo atravs da operao da razo natural do discpulo, e isto ensinar"(2) . Se o mestre tentar seguir uma conduta diversa, diz ainda Toms, o resultado ser que ele "no produzir no discpulo a cincia, mas apenas a opinio ou a f"(3).

    Nos textos de So Toms de Aquino estas concluses so deduzidas a partir de princpios da filosofia aristotlica; como, porm, quando muito, dificilmente se conhece atualmente da pedagogia desta poca alguma coisa alm destes dois textos, torna-se difcil ao homem de hoje imaginar ao que S. Toms de Aquino estava se referindo na prtica.

    Os textos de Hugo de S. Vtor fornecem em parte uma ilustrao para tais princpios. Ao redigir uma srie de textos para organizar os mtodos educacionais que seriam usados em sua escola, Hugo no dirigiu quase uma nica palavra aos professores, e sim aos alunos. exatamente o contrrio do que vemos na literatura pedaggica do sculo XX: toda a literatura

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-4.htm (1 of 2)2006-06-02 09:34:58

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.4.

    sobre metodologia escrita para a leitura do professor, no do aluno. Aquele era um ensino centrado no aluno; este, embora s vezes se diga o contrrio, um ensino centrado no mestre.

    Os resultados destes modos diversos de encarar a pedagogia so tambm diversos. O primeiro, encontrado no mestre, tende a tornar-se uma transferncia mecnica de conhecimento do professor para o aluno; o segundo, centrado no aluno, tende a tornar-se uma aventura do esprito. A escola centrada no mestre s ir produzir um discpulo melhor do que o mestre por acaso, quando o discpulo, apesar do mtodo utilizado, puder fugir espontaneamente s regras desta pedagogia; a escola centrada no aluno tende a produzir por sua natureza um certo nmero de alunos melhores do que o mestre. Consequncia destes fatos que os professores da escola centrada no mestre so, no que depende da escola, a cada gerao possuidores de um nvel cada vez mais baixo, enquanto que na escola centrada no aluno a tendncia a oposta.

    um fato conhecido na histria da educao que desde a renascena, quando o centro de gravidade do ensino passou a deslocar-se, todas as geraes sempre tm reclamado que o nvel do ensino estava caindo, e que o ensino na gerao anterior era melhor do que o ento ministrado. Tal constatao pode parecer primeira vista paradoxal, porque, pensamos ns, se isto fosse realmente verdade, aps tanto tempo, h muito que o ensino teria sido totalmente pulverizado. A explicao para este fenmeno que realmente houve muitos momentos histricos desde ento em que o ensino no s no decaiu, como inclusive subiu de nvel, e s vezes acentuadamente. Mas, se isto aconteceu, no se deveu a fatores internos pedagogia, e sim a contingncias externas ao mtodo educacional: a fundao, por exemplo, de uma nova ordem religiosa; uma reforma educacional; os decretos de algum prncipe. Nestes momentos dava-se uma melhora da qualidade de ensino para, a partir da, entregue s suas foras intrnsecas, cair gradualmente sem perspectiva aparente de reverso, seno por uma nova interferncia externa.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-4.htm (2 of 2)2006-06-02 09:34:58

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.5.

    5. Um princpio bsico da educao vitorina.

    Uma das idias fundamentais em torno da qual construiu-se a pedagogia vitorina est contida no opsculo sobre o modo de aprender e de meditar.

    Nele Hugo afirma que h trs operaes bsicas da alma racional, as quais constituem entre si uma hierarquia, e que devem, portanto, ser desenvolvidas uma em sequncia outra.

    A primeira ele a denomina de pensamento.A segunda, de meditao. A terceira, de contemplao.

    O pensamento ocorre, diz Hugo, "quando a mente tocada transitoriamente pela noo das coisas, ao se apresentar a prpria coisa, pela sua imagem, subitamente alma, seja entrando pelo sentido, seja surgindo da memria".

    Entre os ensinamentos de Hugo de So Vtor entra aqui o papel que a leitura adquire na pedagogia. A importncia da leitura reside em que ela pode ser utilizada para estimular a primeira operao da inteligncia que o pensamento. Mas ao mesmo tempo a limitao da leitura est em que ela no pode estimular as operaes seguintes da inteligncia, a meditao e a contemplao, a no ser indiretamente, na medida em que a leitura estimula o primeiro estgio do pensamento que pressuposto dos demais. Isto significa que requer-se uma teoria da leitura em que o mestre saiba utilizar-se dela para produzir o pensamento, e ao mesmo tempo compreenda que h outros processos mentais mais elevados que devem tambm ser desenvolvidos mas que podem vir a ser impedidos por uma concepo errnea por parte do mestre que no conseguisse compreender que estes no dependem mais diretamente da leitura. A importncia do assunto to grande que os seis primeiros livros do Didascalicon sero dedicados teoria da leitura.

    A segunda operao da inteligncia, continua Hugo, a meditao. A meditao baseia-se no pensamento, e "um assduo e sagaz reconduzir do pensamento, esforando-se para explicar algo obscuro, ou procurando penetrar no que ainda nos

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-5.htm (1 of 7)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.5.

    oculto".

    O exerccio da meditao, assim entendido, exercita o engenho. Como a meditao, porm, se baseia por sua vez no pensamento e o pensamento estimulado pela leitura, temos na realidade duas coisas que exercitam o engenho: a leitura e a meditao.

    Segundo as palavras de Hugo, "na leitura, mediante regras e preceitos, somos instrudos a partir das coisas que esto escritas. A leitura tambm uma investigao do sentido por uma alma disciplinada. A meditao toma, depois, por sua vez, seu princpio da leitura, embora no se realizando por nenhuma das regras ou dos preceitos da leitura. A meditao uma cogitao frequente com conselho, que investiga prudentemente a causa e a origem, o modo e a utilidade de cada coisa".

    Mas acima da meditao e baseando-se nela, existe ainda o que Hugo chama de contemplao. Ele explica o que a contemplao e no que difere da meditao do seguinte modo:

    "A contemplao uma viso

    livre e perspicaz da

    alma de coisas que

    existem em si de modo

    amplamente disperso.

    Entre a meditao e a contemplao o que parece ser relevante

    que a meditao sempre de

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-5.htm (2 of 7)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.5.

    coisas ocultas

    nossa inteligncia; a contemplao, porm, de coisas que, segundo a

    sua natureza, ou segundo a

    nossa capacidade,

    so manifestas; e

    que a meditao sempre se ocupa em

    buscar alguma coisa

    nica, enquanto que

    a contemplao se extende compreenso de muitas, ou

    tambm de todas as coisas.

    A meditao , portanto,

    um certo vagar curioso da mente, um

    investigar sagaz do

    obscuro, um desatar o que intrincado.

    A

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-5.htm (3 of 7)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.5.

    contemplao aquela

    vivacidade da inteligncia, a

    qual, j possuindo todas as

    coisas, as abarca em uma viso

    plenamente manifesta, e isto de tal

    maneira que aquilo que a meditao busca, a

    contemplao possui".

    Estas passagens do Opsculo sobre o Modo de Aprender mostram um dos ponto bsicos da pedagogia de Hugo, o de levar o discpulo do pensamento contemplao. Em outras partes de sua obra ele abordar o modo como isto pode ser feito.

    Mas antes que tratemos deste outro aspecto da questo, cumpre fazer a seguinte pergunta, importantssima para os educadores de hoje. Um dos maiores pensadores educacionais brasileiros de nosso sculo, Ansio Teixeira, escreveu em um famoso livro intitulado Educao para a Democracia exatamente as seguintes palavras:

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-5.htm (4 of 7)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.5.

    "A vida j no governada pelos velhos

    ndices de intelectualidade

    herdados da idade mdia.

    Hoje todos tm que produzir.

    Tcnicas cientficas e industriais

    sobrepuseram-se aos

    encantamentos da vida do

    esprito.

    Precisamos sentir o

    problema da educao

    conforme ele , um

    processo pelo qual a

    populao se distribui pelos

    diferentes ramos do trabalho

    diversificado da sociedade moderna" (4) .

    Ora, Hugo de S. Vtor desenvolve uma pedagogia que desemboca em uma atividade chamada contemplao que se ocupa, conforme ele prprio diz, de coisas que j nos so manifestas. Mas se nos so j manifestas, por que se ocupar

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-5.htm (5 of 7)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.5.

    ainda nelas? Poder uma educao assim ter ainda alguma justificativa na sociedade moderna?

    Hugo provavelmente responderia a esta pergunta com trs argumentos.

    Em primeiro lugar, a contemplao se ocupa, verdade, de coisas j manifestas, e o homem moderno, ocupado em seu utilitarismo imediato, geralmente no percebe as vantagens de se cultivar uma qualidade destas. Pelo fato de se ocupar com coisas manifestas, a contemplao, conforme disse Hugo, no se ocupa em buscar "alguma coisa nica, mas se estende compreenso simultnea de muitas ou tambm de todas as coisas". Ora, evidente que esta a atividade fundamental que est por trs de todas as grandes snteses filosficas da histria, como as obras de Aristteles, de Toms de Aquino, e outras. evidente que tambm esta a atividade fundamental que est por trs das grandes snteses cientficas, como a fsica Newtoniana e a Teoria da Relatividade. evidente que esta a operao intelectual fundamental que deveria estar por trs tambm de outras atividades to vivamente exigidas nos dias de hoje como a correta orientao poltica de uma nao e at mesmo o ordenamento plenamente consciente de um sistema educacional. Em suma, a contemplao, e no a anlise, a atividade bsica das mais fundamentais conquistas do pensamento humano em todos os tempos. Foi tambm, evidentemente, a atividade fundamental que estava por trs do monumento do pensamento que foi em sua poca o tratado De Sacramentis Fidei Christianae, uma obra de sntese e sistematizao em teologia como at aquela poca, conforme j mencionamos, ainda no havia aparecido igual.

    Obras filosficas e snteses deste porte ainda surgem hoje em dia; mas a diferena que hoje em dia elas aparecem apesar das escolas, enquanto que na poca da escola de So Vtor e na poca em que Aristteles estudou com Plato elas surgiam por causa das escolas. O tipo de gnio que havia em Newton e em Einstein foi desenvolvido por eles prprios sem que, entretanto, o soubessem desenvolver em seus alunos. Na escola de Plato, o gnio do mestre soube reproduzir-se em Aristteles, e na de So Vtor o gnio de Hugo soube reproduzir-se em Ricardo, e, menos diretamente, em diversos contemporneos que reproduziram seu sistema de ensino.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-5.htm (6 of 7)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.5.

    Mas, ademais, em segundo lugar, no necessrio produzir obra alguma para que a contemplao seja alguma coisa de enorme importncia para o homem. A contemplao sempre foi colocada em todas as pocas da histria, com exceo, talvez, da idade moderna, como o mais significativo elemento de enobrecimento da mente humana, algo que no precisava de nenhuma justificativa alm de si mesma para ser cultivada. Esta foi a posio de todos os principais filsofos gregos. No cristianismo, tambm, a experincia religiosa dos primeiros Santos Padres apontou esta capacidade como sendo elemento fundamental para a compreenso profunda das grandes verdades do cristianismo, apesar de, e isto significativo, em nenhuma parte das Sagradas Escrituras esta capacidade ser descrita nos termos empregados por Hugo de So Vtor. Esta afirmao dos Santos Padres tem sua similar nos antigos filsofos gregos quando estes tambm colocaram que nenhum dos problemas existenciais bsicos do ser humano pode ser convenientemente abordado sem ser por este meio.

    Estes dois motivos talvez j bastassem, mas existe ainda um terceiro para Hugo de S. Vtor que talvez seja o mais importante. que, ao contrrio do que parece dar a entender o opsculo sobre o modo de aprender, a contemplao no ainda a meta final da pedagogia. Assim como a meditao se fundamenta no pensamento, e a contemplao se baseia na meditao, outras operaes se baseiam, por sua vez, na contemplao. Estas, porm, so tratadas em outros trabalhos de Hugo.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-5.htm (7 of 7)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.6.

    6. A presente traduo.

    Na presente traduo encontramos, primeiramente, o opsculo Sobre o Modo de Aprender e de Meditar. Nele encontramos expostos a sequncia das fases do aprendizado do pensamento, intimamente relacionado com a leitura, meditao e desta contemplao. Nele encontramos tambm vrios conselhos relativamente leitura.

    Em outras obras de Hugo encontramos uma explicao mais pormenorizada sobre cada uma destas fases.

    A teoria da meditao encontrada num opsculo intitulado Sobre a Arte de Meditar, cuja traduo vem em seguida do modo de aprender e de meditar.

    A contemplao exposta no livro stimo do Didascalicon, cuja traduo vem em seguida da arte de meditar.

    Os seis primeiros livros do Didascalicon, no traduzidos neste trabalho seno em parte, se ocupam mais extensamente com o problema da leitura. Os trs primeiros tratam da leitura e do estudo dos temas que hoje chamaramos de profanos; os trs ltimos tratam da leitura e do estudo das Sagradas Escrituras.

    Em ambas estas partes aborda-se o problema da leitura tanto do ponto de vista sobre o que ler, como sobre de que modo ler.

    Nos trs primeiros livros, em relao a o que ler, Hugo expe o contedo das artes liberais, isto , as dos ciclos de estudos denominados na idade mdia de trivium e quadrivium. O trivium, introduo ao quadrivium, constitua-se de gramtica, retrica e lgica. O quadrivium, introduo aos estudos superiores, constitua-se de matemtica, geometria, astronomia e msica. Hugo tambm expe o contedo de outras artes alm destas. Quanto ao problema de como ler, o contedo dos trs primeiros livros do Didascalicon parece-se muito com o Opsculo sobre o Modo de Aprender. Os trs livros restantes do Didascalicon ocupam-se com a leitura e o estudo das Sagradas Escrituras.

    Neste trabalho traduzimos integralmente o livro stimo do

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-6.htm (1 of 2)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.6.

    Didascalicon que versa sobre a contemplao. Precedemos a traduo deste stimo livro de passagens tiradas dos livros primeiro e segundo, sobre o carter da filosofia, e do livro quinto e sexto, passagens todas que pudessem servir para introduzir o assunto contido no stimo, reproduzindo-lhe algo do contexto relevante dos livros anteriores.

    A omisso quanto ao contedo de cada arte e das Escrituras Sagradas, consideravelmente extensa, foi proposital. J existem tradues em lnguas modernas dos seis primeiros livros do Didascalicon, tal como a em lngua inglesa de 1961 devida a Jeromy Taylor e publicada pela Columbia University Press; quanto aos trs textos aqui traduzidos, entretanto, no nos consta existir traduo alguma.

    Por outro lado, estes trs textos formam uma sequncia muito bem concatenada: interromp-la, traduzindo os seis primeiros livros do Didascalicon na ntegra e introduzindo assim uma enorme massa de material sobre um aspecto bastante diverso, embora da mesma questo que temos em pauta, seria dificultar ainda mais o acesso a uma concepo de pedagogia que , j sem isto, bastante difcil para a compreenso do homem moderno.

    Precedendo os trs trabalhos de Hugo, intitulados, pois, Sobre o modo de Aprender e de Meditar, Sobre a Arte de Meditar, e o ltimo, que neste trabalho pode ser encontrado sob o nome de Tratado dos Trs Dias, temos ainda uma traduo condensada da introduo de Monsenhor Hugonin sobre a Fundao da Escola de So Vtor que precede as obras de Hugo no volume 175 da Patrologia Latina de Migne.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-6.htm (2 of 2)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.0, C.7.

    7. Referncias

    (1) So Toms de Aquino: Summa Theologiae, Prima Pars, Q. 117, a. l. So Toms de Aquino: Quaestiones Disputatae de Veritate, Quaestio 11, a. 1.

    (2) So Toms de Aquino: Quaestiones Disputatae de Veritate, Q.11 a.1.

    (3) So Toms de Aquino: idem.

    (4) Ansio Teixeira: Educao para a Democracia. Ansio Teixeira: Bases para uma programao da Educao Primria no Brasil, Revista Brasileira de Estudos Pedaggicos.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP0-7.htm2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.1.

    ENSAIO SOBRE A FUNDAO DA ESCOLA DE SO VTOR DE PARIS

    por Monsenhor Hugonin, Bispo de Bayeux

    1. O Ensino em Paris no sculo XII.

    Estamos agora em pleno sculo XII, assistindo a um renascimento geral das cincias, das letras e das artes. Os mestres se multiplicam, as escolas rivais se elevam de todas as partes, professores ilustres aparecem e renem ao seu redor numerosos discpulos.

    Entre as escolas clebres desta poca as de Paris se colocam no primeiro lugar. Nenhuma oferece um ensino mais completo, nenhuma conta com to grande nmero de estudantes e de mestres mais distintos, nenhuma goza de maiores privilgios. O trivium e o quadrivium so ensinados em toda a sua extenso; a medicina tem ali os seus doutores; o direito cannico e a teologia as suas ctedras pblicas. Sua reputao to grande que chega-se de todas as partes do mundo para receber suas lies cheias de sabedoria. L ns encontraremos italianos, alemes, ingleses, suecos, dinamarqueses, e at mesmo eslavos no so desconhecidos em Paris.

    Da mesma forma, nada iguala os ttulos pomposos que lhe do os autores contemporneos. Paris para eles a rvore plantada no paraso terrestre, a fonte de toda a sabedoria, a chama da casa do Senhor, a Arca da Aliana, a Rainha das Naes, o Tesouro dos Prncipes. Em sua presena, Atenas e Alexandria empalideceriam.

    No foi, porm, somente a reputao dos mestres que trouxe a Paris esta multido de estrangeiros, foi tambm a beleza de seus arredores, as honras que eram conferidas aos clrigos, as comodidades de todo gnero e a abundncia de todos os bens. A escola episcopal no mais a nica que goza de celebridade;

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-1.htm (1 of 2)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.1.

    outras se elevam s suas alturas e participam de sua glria. Todas elas formam, ao longo do curso deste sculo, a mais brilhante Academia que dar daqui a cem anos nascimento primeira Universidade. Nosso desgnio no ser o de abra-las todas em um mesmo estudo. Ao contrrio, dela visitaremos uma s, a Escola de So Vtor, e mesmo assim, nos limitaremos a assistir sua fundao.

    Trs homens nos parecem ter especialmente concorrido para tanto: Guilherme de Champeaux, que reuniu os primeiros discpulos; Guilduno, que foi o seu legislador;e Hugo de So Vtor, o primeiro doutor de quem conhecemos positivamente sua doutrina e seus mtodos.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-1.htm (2 of 2)2006-06-02 09:34:59

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.2.

    2. Primeiras origens de So Vtor.

    As origens de So Vtor de Paris exercitaram a sagacidade de muitos crticos. Os anais manuscritos desta abadia mencionam, entretanto, a existncia ali de uma capela anterior ao XIIo sculo. A existncia desta pequenina capela, anterior a Guilherme de Champeaux, , entretanto, incontestvel. Se acreditarmos em Simon Gourdan, autor da "Histria dos Homens Ilustres de So Vtor", esta capelinha servia queles solitrios piedosos que vinham, longe do tumulto da cidade, consagrarem-se orao e meditao das verdades crists.

    Esta prtica no era nova. J nos primeiros sculos da Igreja, e antes da fundao dos primeiros mosteiros, as grandes cidades tinham as suas ermidas. Antioquia no Oriente, Roma e Milo no Ocidente, estas cidades nos fornecem mais de um exemplo. Suas ermidas no estavam submetidas a uma regra comum. A vida nelas estava dividida entre a orao, a meditao e o trabalho manual.

    De qualquer maneira, apesar das controvrsias existentes sobre outros aspectos da questo, uma coisa certa que no seno a Guilherme de Champeaux que remonta a escola de So Vtor que estamos nos propondo a conhecer.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-2.htm2006-06-02 09:35:00

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.3.

    3. Primeiros anos de Guilherme de Champeaux.

    Guilherme de Champeaux, assim chamado por causa do nome do local de seu nascimento, foi arquidiceno e estudante da Igreja de Notre Dame de Paris. Estudou teologia sob a orientao de Anselmo de Laon, que havia sido discpulo de S. Anselmo. As lies de um mestre to bom foram como uma semente ditosa depositada em um campo frtil. O discpulo de Anselmo foi um dos sbios professores que viriam a ilustrar a escola de Paris. Ele soube dar-lhe, sobre as suas rivais, uma superioridade que ela no havia tido antes e que soube posteriormente conservar para sempre.

    Jovens provenientes das provncias as mais afastadas, e mesmo de pases estrangeiros, para a vinham vidos de escutar o clebre professor cujo nome despertava em todo lugar sentimentos de respeito e admirao. O prprio Abelardo, depois de ter percorrido as escolas mais renomadas, fixou-se em Paris por no ter encontrado em lugar algum mestre mais sbio e mais hbil.

    Nos claustros de Notre Dame Guilherme ensinava retrica, dialtica e teologia, circundado pela estima de seu bispo Galon, do amor e do respeito de seus discpulos, e da considerao do clero. Em 1107 foi honrado com uma prova de estima ao ser chamado para o Conclio de Troyes convocado e presidido pelo Papa Pascal II.

    Porm, se ele se deixou seduzir pelo brilho de tanta glria, como parece dar a entender a carta de Hildeberto de Mans, a seduo no durou muito. Em 1108 Guilherme abandona a sua ctedra e seu arquidiaconato para se retirar em So Vtor onde toma o hbito de cnego regular de Santo Agostinho. Guilduno, Godofredo, Roberto, Goutier, Toms e vrios outros de seus alunos o seguiram em seu retiro.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-3.htm2006-06-02 09:35:00

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.4.

    4. Origem da escola de So Vtor.

    Ao se retirar para So Vtor, a crnica de Morigny no nos apresenta Guilherme de Champeaux simplesmente como um homem bastante versado nas Sagradas Escrituras, mas tambm como um homem

    "cheio de zelo,

    de piedade

    e de religio".

    Retirando-se para So Vtor, Guilherme renunciou ao ensinamento e aos aplausos da escola; quis viver somente com Deus na meditao das verdades eternas.

    Seus antigos alunos, porm, no puderam consentir com o seu silncio. Solicitaram-lhe que continuasse suas aulas mesmo no retiro que havia escolhido, e o bispo de Mans achou por bem unir suas instncias quelas de tantos amigos, escrevendo ao novo solitrio uma carta de que possumos o texto inteiro:

    "Vossa vida e vossa

    converso",

    diz o bispo,

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-4.htm (1 of 3)2006-06-02 09:35:00

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.4.

    "encheram nossa

    alma de alegria e a

    fizeram estremecer

    de felicidade".

    Ele o felicita em seguida por ter abraado a verdadeira filosofia. Mais adiante acrescenta:

    "Mas de que serve

    uma sabedoria encoberta

    e um tesouro

    enterrado? O ouro melhor

    brilha ao dia do que

    nas trevas, e

    as prolas no

    diferem de pedras vis se no so expostas

    aos olhos. A cincia

    que se comunica aumenta;

    no estanqueis,

    pois, o regato de

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-4.htm (2 of 3)2006-06-02 09:35:00

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.4.

    vossa doutrina,

    mas segui o

    conselho de

    Salomo, e que

    vossas guas se dividam sobre as praas

    pblicas".

    Guilherme no pde resistir a pedidos to amveis e to insistentes. Retomando suas lies, deu origem clebre Escola de So Vtor de Paris.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-4.htm (3 of 3)2006-06-02 09:35:00

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.5.

    5. Guilherme elevado a bispo. Morte de Guilherme.

    Foi nesta mesma poca que Guilherme foi elevado sede episcopal de Chalons. Da para a frente sua vida se tornou bastante ativa. Mostrou-se grande no episcopado como havia-se mostrado sbio e competente nas ctedras pblicas, tornando-se a alma de todos os conclios, to numerosos nesta poca nas Glias.

    So Bernardo o escolheu para receber de suas mos a bno de abade. Seu episcopado foi, entretanto, de uma durao extremamente curta para o bem e a glria da Igreja. Guilherme de Champeaux morreu em 18 de janeiro de 1121, aps haver governado a diocese de Chalons durante sete anos e seis meses.

    Temos de sua mo um pequeno tratado sobre a alma, um opsculo sobre a Eucaristia publicado por Mabillon e uma coletnea de sentenas contidas em um manuscrito indito, que se encontra na Biblioteca Imperial, sob o nmero 220 do fundo de Notre Dame. Tais escritos, porm, so insuficientes para nos fazer conhecer a doutrina de Guilherme.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-5.htm2006-06-02 09:35:00

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.6.

    6. Guilduno abade de So Vtor.

    Antes de abandonar seu retiro, Guilherme havia confiado a comunidade de So Vtor a Guilduno, o mais querido de seus discpulos.

    Guilduno era nativo de Paris, gozando de uma justa reputao, que ele havia adquirido mais ainda pela sua sabedoria e virtude que pela sua cincia. Lus VI o escolheu para seu confessor e o tratou sempre com afeto filial. Sob a administrao de Guilduno a comunidade de So Vtor tornou-se uma abadia rica e poderosa. Nisto Lus VI o ajudou com uma munificincia verdadeiramente real, outorgando-lhe uma carta que como que a carta de fundao de So Vtor.

    Nesta carta Lus VI declara que depois de ter consultado os bispos e os senhores de sua corte, resolve estabelecer na igreja de So Vtor alguns cnegos regulares que se ocupem em orar a Deus por ele e pelo seu reino, aos quais ele dota e enriquece por sua liberalidade para que no se afastem deste santo exerccio pela solicitude de prover s necessidades da vida. Com esta carta, Lus VI dava aos cnegos a inteira liberdade de escolha de seu abade, no sendo eles obrigados a pedir o consentimento do rei nem de outras pessoas. Entretanto, assim que tivesse sido feita a escolha do abade por eles mesmos, pelos membros de sua comunidade ou de alguma outra casa pertencente sua ordem, eles teriam que apresent-lo ao bispo de Paris para receber a bno abacial. No se faz, nesta carta, nenhuma meno da regra de Santo Agostinho.

    A data desta carta to importante o quinto ano do reino de Lus VI, e o ano 1113 de Jesus Cristo: esta data coincide com aquela que pode ser lida em So Vtor no tmulo do mesmo rei. No ano seguinte o Papa Pascoal II confirma a nova fundao.

    O aumento dos rendimentos da fundao permite que os cnegos de So Vtor se multipliquem. Ao morrer, Lus VI deixa como legado 2.000 livros a 20 abadias de sua ordem. No ano de 1138 eles j formam uma congregao considervel. Quando Guilduno, o primeiro abade de So Vtor, veio a falecer, a ordem contava com 44 casas.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-6.htm (1 of 4)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.6.

    A histria testemunha, tambm, que os cnegos fizeram um bom uso de suas riquezas: foram consagradas ao amparo dos pobres e sobretudo dos jovens estudantes que o amor da cincia atraa a Paris. H ainda hoje diversos documentos comprovando estas afirmaes. Os cnegos de So Vtor tratavam com a mesma bondade estudantes franceses ou de qualquer outra nacionalidade. Entre eles estava Pedro Lombardo, para l encaminhado a pedido de So Bernardo, o amigo mais devotado dos cnegos de So Vtor.

    Caridosos e benfeitores para com aqueles que pediam o seu auxlio, os cnegos vitorinos se mostraram tambm respeitosos e devotados para com os bispos de Paris. Foram seus mais sbios conselheiros, os mais firmes apoios de sua autoridade, que eles tambm frequentemente compartilhavam, e os mais zelosos defensores de seus direitos.

    A esta conduta deveram a estima e a confiana de todos. Os outros seus contemporneos celebraram sua piedade e sua cincia. O Papa Inocncio II, em uma carta endereada a Estevo, bispo de Paris, louva sua religio, sua regularidade, sua fiel observncia das regras cannicas e da disciplina da Igreja, dizendo que sua conduta d glria a Deus e que o seu exemplo edifica os povos.

    Jacques de Vitry, em sua Histria Ocidental, louva sua humildade, sua santidade e sua doutrina:

    "Esta congregao",

    diz ele,

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-6.htm (2 of 4)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.6.

    " como a chama do

    Senhor elevada sobre o

    candelabro. Ela ilumina

    no somente a

    cidade, mas

    tambm os lugares

    mais afastados; ela ensina os povos a conhecer a Deus; ela

    os incentiva a

    am-lo. Desde sua

    origem",

    continua Jacques,

    "ela foi ornada e

    embelezada por alguns doutores

    parisienses, homens

    literatos e honestos,

    que brilharam em seu

    meio como estrelas

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-6.htm (3 of 4)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.6.

    cintilantes, ou como pedras

    preciosas".

    Vrias dioceses quiseram possuir religiosos cuja reputao era assim to grande e sua vida to exemplar. Os grandes homens que se formaram em seus meios justificaram esta reputao. A abadia de so Vtor deu Igreja sete cardeais, dois arcebispos, seis bispos, cinquenta e quatro abades estabelecidos em diversos lugares e outros homens que adquiriram uma merecida reputao em todos os ramos da cincia cultivada nesta poca.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-6.htm (4 of 4)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.7.

    7. O governo dos cnegos de So Vtor.

    Os desgnios de Lus VI se cumpriram; os cnegos de So Vtor, enriquecidos pela liberalidade de seus poderosos e generosos protetores, puderam se dedicar em paz aos seus estudos e aos exerccios da vida religiosa. Estas riquezas, porm, fariam elas prprias nascer entre eles a disperso e a desordem, se no estivessem submetidos a uma sbia disciplina e se uma forte constituio no houvesse mantido no mosteiro uma perfeita regularidade. Esta foi a obra de Guilduino.

    A constituio e suas regras nos foram conservadas at aos dias de hoje, mas neste trabalho somente alguns de seus detalhes sero de nosso interesse.

    O superior dos cnegos era o abade, que devia ter entre eles o lugar de pai. Sua eleio se fazia com uma grande solenidade; quando de sua morte, os irmos jejuavam e guardavam silncio at seus funerais.

    Aps as cerimnias das exquias, o prior tocava um sino convocando a todos para o captulo. Sete entre os membros mais distintos eram escolhidos ento para formarem um conselho; entre eles deliberariam e escolheriam o religioso que julgassem mais capaz de governar a comunidade; os demais permaneceriam em orao. Era proibido que os cnegos se reunissem antes disso entre si para tratarem da prxima eleio. Se os eleitores no podiam chegar a um acordo, aumentava-se o seu nmero.

    Assim que a escolha do conselho caa sobre um dos cnegos, reunia-se o captulo e o membro mais velho anunciava haver sido eleito tal homem, prelado de tal ou qual casa. O eleito era conduzido cadeira do abade onde recebia a homenagem de todos os irmos.

    No dia seguinte, todos os que faziam parte de sua obedincia dirigiam-se ao captulo e, prostrados diante do novo abade, este lhes dirigia a pergunta:

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-7.htm (1 of 4)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.7.

    "Prometeis a mim a

    obedincia que me deveis,

    segundo as regras de Santo

    Agostinho, e segundo

    as promessas

    que fizestes no

    dia de vossa

    profisso?"

    No captulo geral seguinte eleio o abade por sua vez fazia tambm a sua promessa:

    "Eu, fulano de

    tal, humilde abade de So Vtor,

    salvo a liberdade,

    os privilgios

    e os demais direitos

    de nossa igreja,

    prometo obedincia

    ao captulo geral e

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-7.htm (2 of 4)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.7.

    fidelidade por mim e por nossa

    casa".

    A eleio terminada, o prior, o sub prior e alguns irmos dirigiam-se ao bispo, apresentando-lhe o abade eleito e marcando o dia em que iria receber de sua mos a bno abacial.

    O dia fixado, os religiosos permaneciam no coro e esperavam em silncio o retorno do abade. Este voltaria entrando pela porta da igreja maior, atravessando o coro enquanto todos se prostravam.

    Estas cerimnias imponentes eram naturalmente prprias para estimular a imaginao e despertar a f daqueles homens simples. Eles viam na pessoa do abade o representante de Deus. O respeito que lhe era tributado lhes tornava a obedincia mais segura e mais fcil.

    Este respeito deveria manifestar-se tambm aps as cerimnias. Ningum poderia passar diante do abade sem saud-lo. Com exceo do coro, levantava-se quando o abade entrava e no se sentava enquanto o prprio abade no o tivesse permitido.

    O que se deve admirar aqui a delicadeza que os pensamentos da f inspiravam a estes bons religiosos que viviam ainda no meio de uma sociedade mal sada da barbaridade e que no se tinha ainda depurado da violncia de seu carter e da grosseria de seus costumes. Exemplos como estes no eram de fato inteis para o prprio progresso da civilizao.

    A autoridade do abade era doce e soberana, mas no era nem arbitrria, nem sem controle. Ela devia ser exercida de acordo com as leis da ordem e sob a vigilncia do captulo geral e do bispo. Embora o cargo de abade fosse vitalcio, ele poderia ser deposto ou mesmo expulso da comunidade se abusasse de seu poder.

    O prior substitua o abade ou o auxiliava no exerccio do cargo.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-7.htm (3 of 4)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.7.

    Era escolhido pelo abade o qual deveria, para tanto, ouvir primeiro o conselho dos mais velhos. Era o prior o encarregado principal de vigiar a disciplina, e exercia esta vigilncia sobre todos os demais cargos inferiores, embora no tivesse o poder de eleg-los ou destitu-los.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-7.htm (4 of 4)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.8.

    8. A biblioteca.

    Entre os diversos cargos e atividades previstos pela regra do mosteiro de So Vtor, interessam-nos aqui o ofcio de bibliotecrio, o trabalho dos copistas e as regras da escola anexa ao mosteiro.

    Todos os livros do mosteiro estavam confiados aos cuidados de um bibliotecrio. O bibliotecrio possua o seu catlogo e fazia duas ou trs vezes por ano o recenseamento dos livros, examinando atentamente se eles tivessem sofrido algum dano e providenciando os reparos necessrios.

    Os livros preciosos no podiam ser emprestados sem a permisso do abade. Entre estes estavam todos os documentos e escrituras que diziam respeito ao mosteiro.

    Era o prprio bibliotecrio que fornecia aos copistas as coisas necessrias ao seu trabalho. O bibliotecrio velava no s para que no lhes faltasse nada como tambm para que no copiassem seno as obras que tivessem sido indicadas pelo prprio abade. Todos aqueles que no mosteiro sabiam escrever deviam se submeter s ordens do bibliotecrio se este julgasse que havia necessidade de seus prstimos.

    No mosteiro cada cargo tinha seus regulamentos bem determinados e o trabalho de todos concorria para o estabelecimento de uma ordem perfeita. Esta ordem era o princpio e o guardio da paz e da tranquilidade de alma to necessrio para as especulaes da cincia e para o progresso da piedade crist.

    De modo geral a regra prescrevia diversos exerccios de piedade e estudo que se alternavam com o trabalho manual, que deveria ser executado em rigoroso silncio. Apenas os copistas estavam isentos do trabalho manual, e eram ordinariamente os clrigos ou os monges mais instrudos que eram convocados para este trabalho considerado nobre. Mas no era o amor das letras que inspirava este zelo: foram os pensamentos da f, o desejo de conservar intactos e de multiplicar os exemplares dos santos livros e das obras dos Santos Padres da Igreja que foram

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-8.htm (1 of 2)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.8.

    os principais motivos de estmulo para a multido de copistas que houve na histria do monasticismo cristo.

    Entre os cnegos de So Vtor este trabalho foi tido em alta conta. Os que se sentavam ao trabalho deveriam guardar entre si o mais rigoroso silncio. Ningum deveria perder o seu tempo andando de um lado para outro. Nenhuma pessoa entraria no lugar a eles reservado, a no ser o abade, o prior, o sub prior ou o bibliotecrio. Se algum quisesse fazer em particular uma comunicao inadivel a algum dos copistas, o bibliotecrio tinha a permisso de conduz-lo ao parlatrio do mosteiro para uma troca rpida de palavras.

    Em um grande nmero de mosteiros os copistas eram divididos em duas sees. Os primeiros copiavam. Os outros, os mais instrudos, revisavam e corrigiam as cpias. Ainda hoje temos um grande nmero de manuscritos onde se percebem os traos destas correes.

    A funo to honrada de copista no era confiada ao acaso. O costume de So Vtor nos ensina que era o prprio abade que indicava quem a deveria exercer. Uma grande prtica de ler textos antigos e um talento comprovado na arte de escrever conferiam o direito de ocupar uma cadeira no escritrio. Quando algum obtinha este cargo, deveria dirigir-se ao bibliotecrio encarregado de distribuir o trabalho entre os copistas, que lhes prescrevia de copiar tal captulo de tal livro, de comear naquela pgina e terminar naquela outra. Por uma disposio expressa de um decreto abacial, era proibido que o copista fizesse ele mesmo, para seu prprio uso, qualquer outra transcrio.

    Foi devido a estas rigorosas disposies, escrupulosamente observadas, que ns devemos os belos manuscritos da idade mdia. Foi assim que se formaram as ricas bibliotecas de Saint Gall, de Bec, de York, de So Martin de Tournay, de Fulda, e, em particular, aquela de So Vtor.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-8.htm (2 of 2)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.9.

    9. A Escola de So Vtor.

    Percorrendo as constituies e as regras dos cnegos de So Vtor, percebe-se que ali no se menciona em nenhum lugar a escola de So Vtor. Somente pode-se ler que certas horas eram consagradas leitura ou ao estudo. Mais do que isso, com exceo de uma conferncia sobre matrias de piedade, ascese e a leitura pblica, no encontramos meno alguma de aulas regulares estabelecidas nesta abadia. No se pode daqui concluir que esta escola no existiu. Isto seria contradizer os autores da poca que falam dela com elogios, e tornar inexplicvel a produo de um to grande nmero de obras de filosofia, teologia, gramtica, histria e mesmo de literatura que deram aos vitorinos uma grande fama de sabedoria e cincia. A nica consequncia que se pode tirar da que o autor do Liber Ordinis no reportou seno as regras mais gerais do mosteiro. Deveria haver outras mais partirculares para aqueles que se dedicavam ao estudo.

    coisa certa que Guilherme de Champeaux, rogado pelos seus amigos, e sobretudo por Hildeberto de Mans, retomou, em seu retiro, as lies de dialtica, retrica e filosofia. Isto atestado pelo prprio Pedro Abelardo.

    Tolouse reporta que em uma antiga crnica da abadia de So Vtor, celebrava-se a santidade dos cnegos e o nome de seus estudantes:

    "Havia",

    acrescenta ele,

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-9.htm (1 of 2)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.9.

    "na mesma casa de So Vtor, cursos

    de letras. Eram

    ministradas aos jovens cnegos e

    mesmo queles que eram mais avanados em anos. Este uso data de

    Guilherme de

    Champeaux".

    Ele cita em seguida os sucessores de Guilherme na ctedra de So Vtor. O primeiro foi o bem aventurado Toms, mrtir de seu devotamento ao bispo de Paris. Veio em seguida Hugo de So Vtor e uma sucesso de outros at Teobaldo, este j contemporneo de So Boaventura e So Toms de Aquino. A partir desta data j no temos mais dvida alguma: em So Vtor encontramos aulas de teologia e os mesmos exerccios pblicos que na Universidade de Paris.

    Entretanto, tanto os historiadores de So Vtor, como os prprios manuscritos que ns temos consultado, nos dizem muito pouco sobre o ensino que era l ministrado. Foi para suprir esta lacuna que escolhemos, entre os professores desta escola, a Hugo de So Vtor, o primeiro dos quais possumos as obras. Elas nos fornecero, sobre este assunto, ensinamentos muito interessantes.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-9.htm (2 of 2)2006-06-02 09:35:01

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.10.

    10. Nascimento e juventude de Hugo de So Vtor.

    O nome e a ptria de Hugo levantaram frequentes controvrsias. Houve quem afirmasse que o seu verdadeiro nome fosse Herman. Outros, considerando que nesta poca o nome Hugo fosse desconhecido ou pelo menos muito raro na Alemanha, julgaram que ele deveria ter-se chamado Heymon, e que foi por ignorncia que os franceses lhe deram o nome pelo qual ns o conhecemos hoje.

    um pouco mais difcil fixar o lugar de seu nascimento. Entretano, o autor de sua vida, o historiador de So Vtor, todos os escrives desta abadia sem exceo, o segundo editor de suas obras, o epitfio de seu tmulo, diversos autores e em geral todos os historiadores e os crticos at Mabillon lhe deram como ptria a Saxnia. Ns seguiremos, no relato a seguir, uma tese sustentada em 21 de dezembro de 1745 por Christian Gottfried Derling, o qual teve em suas mos antigos manuscritos de Halberstadt, ignorados at ento, que pensamos ter trazido luz provas que nos parecem slidas e que reportam detalhes da famlia e dos primeiros anos de Hugo dignas de interesse.

    Hartingam foi uma das regies mais clebres da Saxnia. L floresceu, no sculo XII, a famlia dos condes de Blankemburg, poderosa pelos seus ricos domnios e por sua influncia.

    Soube-se, todavia, que no fim do sculo XI um dos membros da famlia dos condes de Blankemburg faleceu deixando dois filhos, Hugo e Poppen.

    Hugo abraou o estado eclesistico.

    Poppen herdou o ttulo e o domnio de seus pais. Sua administrao foi ditosa, tendo governado a herana paterna at o incio do sculo XII.

    Trs filhos sobreviveram a Poppen: Reinardo, Conrado e Sigfrido.

    Sigfrido foi elevado cadeira episcopal de Halberstadt.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-10.htm (1 of 7)2006-06-02 09:35:02

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.10.

    Conrado sucedeu a Poppen no governo do condado dos Blankemburg. De sua esposa, que as crnicas no nomeiam, mas que lhe louvam o carter e as virtudes, Conrado teve dois filhos: Hugo, que foi o nosso vitorino, e Burcardo.

    Reinardo, o tio de Hugo que seria consagrado bispo, distinguiu-se desde cedo no estudo e nas letras. Seus pais assim resolveram envi-lo a Paris para que pudesse prosseguir os seus estudos. Foi nesta poca que Guilherme de Champeaux acabava de se retirar em So Vtor, e Reinardo o seguiu e acabou se tornando um de seus mais ilustres discpulos. Aps ter-se formado em sua escola pelo estudo e pela prtica das virtudes crists, Reinardo volta sua ptria quando ento foi elevado dignidade episcopal em Halberstadt.

    Mas na sede de Halberstadt Reinardo conservou pelo resto de seus dias uma grande estima pelos cnegos de So Vtor, os quais ele os fez vir Saxnia para acender nos mosteiros que ele prprio havia fundado ou restaurado em sua diocese o amor pelo estudo e para estabelecer uma perfeita disciplina.

    Mais tarde, foi Reinardo que exortaria Hugo, seu sobrinho, a frequentar nesta abadia vitorina na Saxnia as lies de cincia e sabedoria.

    Reinardo era, pois, o tio de Hugo de S. Vtor. Conrado, o seu pai. Poppen, o pai de Conrado e av de Hugo de So Vtor. Porm Poppen, av de Hugo de S. Vtor, dissemos acima, tinha um irmo tambm chamado Hugo, que havia abraado o estado eclesistico. Este outro Hugo, pelos mritos da pureza de seus costumes e a inocncia de sua vida, havia sido elevado a arquidicono de Halberstadt. Em uma idade j avanada, entretanto, acabou cedendo aos pedidos do jovem Hugo e resolve acompanh-lo em uma viagem a Paris onde ambos, o velho e o jovem Hugo, so admitidos na abadia de So Vtor. O velho Hugo foi benfeitor de So Vtor tanto quanto o jovem Hugo viria a ser a sua luz. A grande igreja do mosteiro de So Vtor foi ento quase que totalmente construda s despesas do velho Hugo.

    Hugo de So Vtor, o jovem, nasceu, portanto, em Hartingam, na

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-10.htm (2 of 7)2006-06-02 09:35:02

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.10.

    Saxnia, filho de Conrado, conde de Blankemburg, no ano de 1096, e no em 1098, como quer Ellies Dupin. De fato, Osberto, cnego e enfermeiro de So Vtor e colega de Hugo, que nos deixou o relato tocante de sua morte, nos diz que Hugo morreu em 1140 com a idade de 44 anos.

    Desde sua infncia, Hugo mostrou ditosas disposies conferidas pela natureza. Seus pais viram nele as mais belas esperanas e resolveram no confiar sua educao seno a mos hbeis, Reinardo, seu tio, bispo de Halberstadt, foi consultado sobre a escolha dos mestres que deveriam form-lo na f, nos estudos e na prtica das virtudes. Naquela poca, porm, na Alemanha, as nicas escolas para a juventude eram os mosteiros. O bispo Reinardo indicou para seu sobrinho o mosteiro de So Pancrcio de Hamerleve. Foi esta uma das fundaes com que Reinardo havia enriquecido a sua diocese. Para l ele havia chamado os cnegos de So Vtor, dos quais ele conhecia a piedade e os talentos. Sua confiana no foi trada: os vitorinos trouxeram para Hamerleve as virtudes religiosas e o amor pelo estudo. O mosteiro de So Pancrcio tornou-se para a inteira Saxnia uma escola de sabedoria e cincia. As cartas de fundao do bispo de Halberstadt nos mostram que foi frequentada por uma numerosa juventude.

    Foi no meio deste movimento literrio e cientfico, que deveria ser retardado pela guerra civil, que Hugo entrou no mosteiro de Hamerleve para comear seus estudos.

    Hugo de S. Vtor manifestou, em uma tenra idade ainda, seu amor pela cincia. No incio do livro sexto do Didascalicon, em uma das pouqussimas pginas de suas obras em que ele fala de si prprio, Hugo escreve:

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-10.htm (3 of 7)2006-06-02 09:35:02

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.10.

    "Eu ouso afirmar que

    nunca desprezei nada que

    pertencesse ao estudo; ao

    contrrio, frequentemente aprendi muitas

    coisas que outros as

    tomariam por frvolas ou

    mesmo ridculas".

    Em seguida, na mesma passagem, ele nos descreve diversas destas atividades de quando era ainda jovem estudante. Entre elas incluem-se estudos relacionados com a ampliao do vocabulrio, como primeiro passo para compreender a natureza das coisas; resumir no fim do dia todos os raciocnios feitos durante o mesmo, para guardar na memria suas selees e seus nmeros; procurar sempre investigar a causa de tudo; anotar as disposies controversas das coisas; estar sempre alerta para distinguir o discurso de um orador do discurso de um sofista; clculos matemticos executados no cho com pedaos de carvo; clculos geomtricos; teoria musical; e afirma tambm haver passado numerosas noites contemplando as estrelas do cu. No fim, Hugo acrescenta:

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-10.htm (4 of 7)2006-06-02 09:35:02

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.10.

    "Algumas destas coisas so pueris,

    verdade. Todavia no

    foram inteis. No estou te dizendo isto

    para jactar-me de minha

    cincia, mas para te

    mostrar que o homem que prossegue

    melhor o que prossegue

    com ordem, no o homem que, querendo dar um grande salto, se atira no precipcio. Assim como as virtudes,

    assim tambm as cincias tm os seus degraus. certo, tu me

    poderias replicar:

    `Mas h coisas que

    no me parecem ser de utilidade. Por que eu

    deveria manter-me

    ocupado com elas?'

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-10.htm (5 of 7)2006-06-02 09:35:02

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.10.

    Bem o disseste. H

    muitas coisas que,

    consideradas em si

    mesmas, parecem no ter valor para

    que se as procurem, mas, se as

    olhares luz das outras que

    as acompanham, e comeares a

    pes-las em todo o seu contexto,

    verificars que sem elas as outras no

    podero ser compreendidas em um s todo e, portanto, de forma alguma

    devem ser desprezadas. Aprende-as a todas, vers que depois nada ser suprfluo.

    Uma cincia resumida no uma coisa agradvel".

    Esta vida tranquila e laboriosa teve para Hugo tantos atrativos

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-10.htm (6 of 7)2006-06-02 09:35:02

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.10.

    que ele resolve consagrar-se mesma definitivamente. Resolve abraar a Regra de Santo Agostinho, apesar dos conselhos de seus pais em contrrio. Tivesse, porm, se tornado o Conde de Blankemburg, teria se tornado ilustre pelo seu valor em algum campo de batalha, ou por sua sabedoria no governo de seu Condado, mas seu nome jamais teria chegado at ns. Agora, porm, seu nome est inseparavelmente ligado s coisas que no perecero jamais, cincia teolgica da qual ele foi um dos restauradores, aos nomes imortais de Pedro Lombardo e de So Toms de Aquino, que sempre o viram como ao seu mestre.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-10.htm (7 of 7)2006-06-02 09:35:02

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.11.

    11. Hugo professor em So Vtor. Sua morte.

    Entretanto, as guerras polticas e religiosas que se elevaram sob o reinado de Henrique IV obrigaram o jovem Hugo a abandonar a sua ptria. Reinardo, seu tio, aconselhou-o a buscar em Paris a cincia e a paz que ele no mais podia encontrar na Saxnia.

    Hugo ento parte assim como em outra poca o fez Abrao, dizem os seus antigos bigrafos. O velho Hugo, irmo de seu av, consentiu em acompanh-lo em seu exlio. Juntos percorreram a Saxnia, a Flandre e a Lorena. Em todo lugar foram acolhidos com hospitalidade e honra, por causa da nobreza de seus nascimentos. Chegar, enfim, em So Vtor de Marselha e depois em So Vtor de Paris, onde Hugo pode, de alguma forma, reencontrar seus antigos mestres e mulos de seu trabalho.

    Em So Vtor de Paris no sabemos quase nada da vida de Hugo, a no ser que continua seus estudos sob o priorado de Thomas, sucessor de Guilherme de Champeaux, e que depois disso sucedeu ele prprio ao seu mestre como diretor da escola de So Vtor, cargo que exerceu com brilho at a sua morte.

    Osberto, cnego de So Vtor, onde exerceu as funes de enfermeiro, nos deixou um tocante relato dos ltimos instantes de Hugo em uma carta a um outro cnego chamado Joo.

    Sua memria durante bastante tempo foi muito querida aos cnegos de So Vtor. Seu nome frequentemente citado nos seus anais com venerao e amor. Mas sua luz se estendeu bem alm dos claustros de sua abadia. Hugo foi certamente um dos homens mais ilustres de seu tempo por suas virtudes e por sua cincia. Jacques de Vitry, em sua Histria Ocidental, depois de um elogio pomposo da comunidade de So Vtor e dos grandes homens que ela produziu, acrescenta:

    "O mais clebre e o mais renomado de todos foi Hugo. Ele foi a harpa do Senhor, e o rgo do Esprito Santo: um smbolo de virtudes e um smbolo de pregao. Levou um grande nmero de cristos prtica do bem pelo seu exemplo e pela sua pia conversao;

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-11.htm (1 of 2)2006-06-02 09:35:02

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.11.

    dando-lhes a cincia pela sua doutrina to doce quanto o mel".

    Tritheme o representa como um homem muito versado nas Sagradas Escrituras, sem igual entre os antigos em filosofia, como um outro Agostinho, como o mais clebre doutor de seu tempo, de um gnio penetrante, eloqente em seu estilo, to venervel pelos seus costumes quanto pelo seu conhecimento. Chega a atribuir-lhe alguns milagres. certo que foi venerado por sua santidade e honrado por sua cincia. A posteridade, porm, que no pde conhec-lo seno por meio de suas obras, no pde tambm desmentir o testemunho universal de seus contemporneos.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Provvisori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-11.htm (2 of 2)2006-06-02 09:35:02

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.12.

    12. Doutrina de Hugo de So Vtor.

    Aristteles no reina sozinho na Idade Mdia; Plato teve os seus discpulos; e depois de Bocio, que parece ter querido reconciliar as duas escolas rivais, a cadeia de filsofos platnicos no foi nunca mais inteiramente quebrada. Hugo de So Vtor foi um dos anis desta cadeia; ele professa a doutrina de Plato, no porm aquela que este filsofo ensinou, mas aquela que Santo Agostinho corrigiu, purificou e completou pelo dogma cristo.

    Cultivava-se, porm, pouco, sua poca, a filosofia por ela mesma. A cincia sagrada era quase que a nica matrica sobre a qual se exercia a atividade intelectual. Felizmente, porm, a teologia no inimiga da filosofia: so duas irms que se do as mos, e as do ao homem para conduz-lo ao mesmo fim.

    A simples exposio da doutrina de Hugo de So Vtor ser um testemunho novo em favor desta verdade que tantos homens esclarecidos se esforam hoje em dia em estabelecer. Nosso ponto de partida para tanto ser a prpria noo de cincia:

    "A cincia",

    diz Hugo,

    " o resultado natural do exerccio

    das faculdades

    da alma. Ela se divide em dois ramos principais, a

    teologia propriamente

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Pr...visori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-12.htm (1 of 23)2006-06-02 09:35:03

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.12.

    dita e a filosofia que

    abarca todas as artes"(1).

    Estas duas partes da cincia se distinguem uma da outra pelo seu objeto:

    "Deus",

    diz ele,

    "fez duas obras que abraam a

    universalidade dos seres: a criao e a

    restaurao. A criao a produo do mundo e de

    todos os seus elementos. A restaurao a encarnao

    do Verbo e todos seus

    Sacramentos, aqueles que o precederam depois do incio do mundo, e

    aqueles que o seguiram at

    a consumao dos tempos.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Pr...visori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-12.htm (2 of 23)2006-06-02 09:35:03

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.12.

    Todos os santos que houve antes de sua vinda

    so como soldados que o precedem, e aqueles que vieram e que ainda viro depois dele so como

    soldados que o seguem. A cincia da

    criao, isto a filosofia; a cincia da

    restaurao, isto a

    teologia"(2).

    Se a filosofia e a teologia tm por objeto uma o conhecimento cientfico do mundo natural, e outra o conhecimento cientfico do mundo sobrenatural, elas so distintas, porque estes dois mundos so distintos; elas so unidas, porque estes dois mundos so a revelao do mesmo Verbo de Deus.

    "A filosofia",

    diz Hugo,

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Pr...visori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-12.htm (3 of 23)2006-06-02 09:35:03

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.12.

    " o amor, o estudo e a amizade

    com a sabedoria,

    desta sabedoria que no

    tem necessidade

    de nada, desta

    sabedoria que um esprito

    vivo, desta sabedoria

    que a nica e a primeira razo de todas as coisas.

    Este amor da

    sabedoria uma

    iluminao de um

    esprito inteligente por parte daquela

    pura sabedoria que o atrai e o chama; , ao que

    parece, um estudo da sabedoria divina e

    uma

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Pr...visori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-12.htm (4 of 23)2006-06-02 09:35:03

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.12.

    amizade entre esta

    mente pura e Deus"(3) .

    A filosofia o "amor da sabedoria que de nada necessita". Por estas palavras Hugo quer dar a entender a sabedoria divina. Ela chamada de um esprito vivo porque nada pode obscurecer o que est impresso na razo divina; ela no est sujeita a nenhum esquecimento.

    A filosofia, portanto, diz Hugo, o conhecimento e o amor da razo ou da sabedoria de Deus manifestada pela criao. Esta sabedoria no distinta de Deus: sua inteligncia, seu Verbo, o seu Filho eternamente unignito no seio de seu Pai.

    Em seu Comentrio ao Evangelho de So Joo, Hugo explica esta passagem:"Todas as coisas foram feitas pelo Verbo, e nada do que foi feito foi feito sem ele; a vida estava nele" (Jo. 1, 3-4). Depois de reportar as duas verses deste texto, Hugo adota a de Santo Agostinho e diz:

    "Todas as coisas foram

    feitas por ele, e nada

    foi feito sem ele; e tudo o que foi feito

    era nele vida. Assim

    como o artfice

    concebe em seu esprito um tipo que permanece e

    que no muda ao

    mudar a obra que

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Pr...visori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-12.htm (5 of 23)2006-06-02 09:35:03

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.12.

    exteriormente o manifesta, assim Deus, criador de todas as coisas,

    compreende, desde toda a eternidade,

    em sua sabedoria, todas as

    coisas que viria a fazer,

    e esta sabedoria imutvel. isto que faz

    dizer ao evangelista

    que o que foi feito era nele vida, isto , que Deus de

    quem provm todas as

    coisas, as previu desde

    toda a eternidade, e

    o que ele disps em

    toda a eternidade,

    sem mudana em si mesmo, o realizou no

    tempo.

    Assim, todas as coisas

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Pr...visori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-12.htm (6 of 23)2006-06-02 09:35:03

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.12.

    receberam a vida e a

    existncia da sabedoria de

    Deus.

    , portanto, justo dizer

    que em Deus elas eram

    vida porque de l

    receberam a vida.

    Ou tambm l estava a

    vida, porque tudo o que foi feito, foi

    feito segundo a

    sabedoria de Deus que a

    vida de todas as

    coisas. Ela foi o

    exemplar de Deus,

    semelhana de cujo

    exemplar todo este mundo

    sensvel foi feito"(4) .

    Pode-se reconhecer neste comentrio mais ao discpulo de Santo Agostinho que ao de Plato. Santo Agostinho desenvolveu a mesma doutrina ao comentar a mesma

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Pr...visori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-12.htm (7 of 23)2006-06-02 09:35:03

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.12.

    passagem, e ele o fez em circunstncias que mostram de quanta importncia isto era aos seus olhos. No o fez, de fato, em algum sbio comentrio, em algum tratado dogmtico ou na presena de homens de elite exercitados nas meditaes das cincias; foi, ao contrrio, em um discurso popular, em uma instruo familiar e no meio de simples fiis. No se sabe o que mais admirar a, a versatilidade do gnio do santo doutor, que se esfora por tornar sensvel estas verdades to sublimes, fazendo-as penetrar nas inteligncias simples e s vezes at incultas, ou se a avidez de seus ouvintes, que no o largam enquanto no o entendem, e que, em seu entusiamo, o interrompem por meio de freqentes aplausos.

    Ns desejamos comparar esta passagem com aquela de Hugo; isto nos far conhecer como o discpulo soube se apropriar das lies do mestre:

    "Todas as coisas foram

    feitas pelo Verbo, e sem ele nada do

    que existe foi feito. Mas

    como tudo o que existe foi feito por ele?

    O que foi feito era vida

    nele. Entretanto,

    se tudo o que foi feito era

    vida nele, ns no

    afirmamos que tudo

    vida.

    Seria desonesto

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Pr...visori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-12.htm (8 of 23)2006-06-02 09:35:03

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.12.

    entender assim, e no

    podemos faz-lo, com

    receio de que a sordssima

    seita dos maniqueus

    se nos apresente e

    nos diga que uma pedra tem vida,

    que uma muralha

    animada, que uma pequena corda, que a

    l e os vestidos tm uma alma.

    isto, com efeito, que

    eles ensinam em seu

    delrio. A terra foi feita,

    e ela no vida. Mas h na prpria sabedoria uma idia espiritual

    pela qual a terra foi feita, e esta idia

    vida.

    Vou explicar isto do modo como me

    possvel.

    file:///D|/Documenta%20Chatolica%20Omnia/99%20-%20Pr...visori/mbs%20Library/001%20-Da%20Fare/03/PFP1-12.htm (9 of 23)2006-06-02 09:35:03

  • PRINCPIOS FUNDAMENTAIS DE PEDAGOGIA : L.1, C.12.

    Um arteso faz uma arca.

    Ele possui esta arca

    primeiro em sua arte, ele concebe em

    seu esprito a idia de uma arca, porque

    se ele no tivesse esta

    idia, como a poderia

    executar? Mas esta

    idia que est em seu

    esprito no a arca que vista pelos

    olhos. A arca,