Teorias de Determinação da Taxa de · PDF filedado ponto do tempo depende o...

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  • Jos Luis Oreiro

    Professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro

    Pesquisador Nvel IB do CNPq

    Presidente da Associao Keynesiana Brasileira

  • 20/11/2013 Economia Monetria 2

  • A poupana entendida como absteno de consumo vista como uma condio necessria a acumulao de capital.

    Consumo e investimento so tidos como substitutos Para aumentar o investimento necessrio

    reduzir o consumo de forma a liberar recursos produtivos (homens e mquinas) para a produo de bens de capital

    Essa viso pressupe uma economia no monetria que opera com pleno-emprego dos recursos produtivos existentes.

  • Poupar significa abrir mo de consumo presente em troca de consumo futuro.

    Como os indivduos so impacientes essa troca envolve um sacrifcio em termos de satisfao pessoal, a qual deve ser recompensada pela taxa de juros.

    O volume agregado de poupana uma funo direta da taxa real de juros.

  • S

    r

    S = S(r,Yf)

  • As firmas investem com o intuito de ajustar o estoque de capital que elas possuem ao estoque de capital que elas desejam.

    O estoque de capital desejado pelas firmas num dado ponto do tempo depende o custo do capital, dado pela soma da taxa real de juros com a taxa de depreciao do estoque de capital.

    Quanto mais alto for o custo do capital menor ser o estoque de capital que as firmas desejam possuir num dado ponto do tempo e, portanto, menor ser o investimento que elas desejam realizar.

  • I

    r

  • S, I

    S0

    S1

    I

    r

    r0

    r1

    Um aumento da poupana gera uma queda da taxa de juros e um

    aumento do investimento

  • Economia moeda-crdito: bancos fazem a intermediao entre os fluxos financeiros nessa economia.

    Trs tipos de agentes: bancos, firmas e famlias.

    Firmas: financiam o seu investimento em capital fixo por intermdio da venda de ttulos (B) para as firmas e os bancos.

    Bancos: financiam a sua compra de ttulos atravs da captao de depsitos (D) junto as famlias.

    Famlias: Alocam a sua riqueza entre ttulos e depsitos bancrios.

  • Fluxo de oferta de ttulos: novas colocaes de ttulos por parte das empresas para financiar os seus investimentos. Bs= I

    Fluxo de demanda de ttulos: compras de ttulos pelas famlias (poupana) e pelos bancos comerciais (aumento dos depsitos bancrios). BD = S + D

    Equilbrio no mercado de ttulos: Bs= BD Se D>0 ento I > S (desequilbrio

    macroeconmico).

  • S1 Ii Bs

    1= BD1

    rn

    rm

    S

    I Bs

    BD

    r r

  • 20/11/2013 Economia Monetria 12

  • Teoria da Preferncia pela Liquidez: numa economia onde os agentes econmicos tomam suas decises num contexto de incerteza forte, a moeda passa a concorrer com outros ativos pela preferncia dos agentes na deciso de composio de portflio. A moeda num contexto de incerteza torna-se um ativo, ou seja,

    um veculo de transporte de riqueza ao longo do tempo. Essa incerteza garante que a moeda no ser um ativo dominado

    em termo de taxa de retorno pelos demais ativos existentes na economia. Um ativo dito dominado em termos de taxa de retorno se, para todos

    os estados da natureza possveis, ele proporcionar uma taxa de retorno mais baixa do que os demais ativos.

    Nos modelos de equilbrio geral do tipo geraes sobre-postas (OLG), a moeda um ativo que dominada em termos de taxa de retorno por ativos que rendem juros.

    Nesse contexto, o uso da moeda como ativo seria uma atitude irracional por parte dos agentes econmicos. O mximo que essas teorias aceitam o uso da moeda como meio de troca.

    20/11/2013 Economia Monetria 13

  • Como a taxa de juros determinada? Antes de mais nada, deve-se ter em mente que a taxa de

    juros conceitualmente distinta da eficincia marginal do capital. A igualdade entre essas duas variveis uma condio de equilbrio, mas isso no quer dizer que a taxa de juros seja determinada pela eficincia marginal do capital. Essa observao se faz necessria para no se confundir a teoria

    de juros de Keynes com as teorias neoclssicas (wicksellianas) do juro que afirmam que a taxa de juros determinada pela produtividade marginal do capital.

    Alis, o conceito de eficincia marginal do capital tambm no equivalente ao conceito de produtividade marginal do capital. Este representa o acrscimo na quantidade produzida decorrente de um acrscimo no estoque de capital. A eficincia marginal do capital a taxa de desconto que equaliza o fluxo de caixa esperado de um bem de capital recentemente produzido com o seu preo de oferta.

    20/11/2013 Economia Monetria 14

  • Keynes tambm afirma que a taxa de juros no pode ser determinada pela impacincia inter-temporal dos indivduos, como ocorre nos modelos de inspirao Fisheriana. A crtica de Keynes a essa idia que a taxa de

    juros no pode ser entendida como uma recompensa pela renncia ao consumo presente (ou seja, uma recompensa pela poupana) porque se um indivduo decide manter a sua poupana na forma de moeda (entesouramento) ele no estar obtendo nenhuma remunerao (explcita) pelo seu no-consumo.

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  • Sendo assim, a taxa de juros deve ser entendida como uma recompensa pela renncia a liquidez.

    Por que a liquidez um atributo desejvel pelos indivduos? Ou seja, por que razo as pessoas podem estar dispostas a pagar (ou seja, renunciar a obteno de uma remunerao explcita) para manter ativos lquidos no seu portflio?

    aqui que a incerteza assume um papel fundamental na teoria de Keynes. A Preferncia pela Liquidez uma decorrncia direta da incerteza forte que mencionamos anteriormente.

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  • A incerteza gera dois tipos de comportamento: cria demanda por proteo contra eventos imprevistos (motivo precaucional) e cria demanda por flexibilidade, ou seja, capacidade de adaptar-se a mudanas no-previstas no ambiente econmico.

    A liquidez a resposta a essas duas necessidades. O que liquidez? A liquidez definida como o grau de conversibilidade

    de um ativo em meio de pagamento. Essa conversibilidade envolve duas dimenses: (i) o intervalo de tempo decorrido entre a deciso de venda de um ativo e a implementao dessa deciso; (ii) o preo de realizao de um ativo.

    Nesse contexto, um ativo ser to mais lquido quanto menor for a influncia do prazo de realizao desse ativo sobre o seu preo de venda.

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  • Com base nessa definio, o ativo mais lquido na economia a moeda, pois se trata do nico ativo que simultaneamente o meio de pagamento da economia, de forma que a sua converso da funo reserva de valor para a funo meio de pagamento est assegurada a priori, a taxa de 1 para 1, 24 horas por dia, 7 dias na semana.

    Todos os demais ativos tem um grau de liquidez menor do que a moeda, e que varia com base no nvel de organizao dos mercados secundrios nos quais eles so transacionados.

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  • A posse de liquidez permite que o agente econmico lide com os potenciais efeitos negativos de um evento imprevisto (por exemplo, uma queda no-antecipada na receita da firma, a operao inesperada da sogra, etc) pois ativos lquidos podem ser facilmente convertidos em meio de pagamento.

    Alm disso, a posse de ativos lquidos confere flexibilidade ao portflio dos agentes econmicos. Face a chegada de novas informaes, o investidor pode

    mudar to mais rapidamente e sem custos o seu portolio quanto maior for a proporo de ativos lquidos em carteira.

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  • Na estrutura de agregao suposta por Keynes na Teoria Geral s existem dois ativos financeiros : ttulos do governo (longo-prazo) e moeda (inclui as notas de curto-prazo do Banco Central).

    Nesse contexto, a nica alternativa disponvel para aqueles que esto dispostos a renunciar a posse de ativos lquidos a compra de ttulos do governo que pagam a taxa de juros. Num modelo mais desagregado (e, portanto, mais realista)

    deve-se considerar a existncia de ttulos com diversos prazos de maturidade, ou seja, a assim chamada curva de rendimentos.

    A preferncia pela liquidez se resume, portanto, a uma teoria dos determinantes da demanda por moeda.

    20/11/2013 Economia Monetria 20

  • Motivos de demanda de moeda: Motivo transao: cobrir o intervalo de tempo

    compreendido entre a obteno de receitas e a realizao de despesas.

    Motivo precauo: formar um buffer stock a ser usado para se proteger contra a ocorrncia de eventos desfavorveis no futuro.

    Motivo especulao: apostar num aumento futuro da taxa de juros (e, portanto, numa reduo dos preos dos ttulos do governo). Esse motivo est relacionado com a diferena entre a taxa de juros corrente e o valor dessa taxa tido como normal pelos agentes econmicos.

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  • A demanda especulativa de moeda decorre da divergncia de opinies a respeito do comportamento futuro da taxa de juros, ou seja, a respeito do comportamento futuro da poltica monetria.

    Nas palavras de Keynes: Este fenmeno tem muita analogia com o que j abordamos, com certa amplitude, ao tratar da eficincia marginal do capital. Assim como achamos que a eficincia marginal do capital no determinada pela melhor opinio e sim pela avaliao do mercado tal como ela resulta da psicologia de massas, assim tambm as expectativas quanto ao futuro da taxa de juros, fixada pela psicologia de massa, tm seus reflexos na prefe