Afinal o que é ÉTICA. O que é MORAL? Quando entra a ÉTICA, quando entra...

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Afinal o que TICA. O que MORAL? Quando entra a TICA, quando entra a MORAL?

Afinal o que TICA. O que MORAL?Quando entra a TICA, quando entra a MORAL?A Filosofia Moral distingue entre tica e moral. tica tem a ver com o "bom": o conjunto de valores que apontam qual a vida boa na concepo de um indivduo ou de uma comunidade.

Moral tem a ver com o "justo": o conjunto de regras que fixam condies eqitativas de convivncia com respeito e liberdade.

ticas cada qual tem e vive de acordo com a sua; Moral o que torna possvel que as diversas ticas convivam entre si sem se violarem ou se sobreporem umas s outras. Por isso mesmo, a moral prevalece sobre a tica.

No terreno da tica esto as noes de felicidade, de carter e de virtudes. As decises de qual propsito d sentido minha vida, que tipo de pessoa eu sou e quero vir a ser e qual a melhor maneira de confrontar situaes de medo, de excassez, de solido, de arrependimento etc. so todas decises ticas.

No terreno da moral esto as noes de justia, ao, inteno, responsabilidade, respeito, limites, dever e punio. A moral tem tudo a ver com a questo do exerccio do direito de um at os limites que no violem os direitos do outro.

As duas coisas, claro, so indispensveis. Sem moral, a convivncia impossvel. Sem tica, infeliz e lamentvel. Diz-se que quem age moralmente (por exemplo, no mentindo, no roubando, no matando etc.) faz o mnimo e no tem mrito, mas quem no age moralmente deixa de fazer o mnimo e tem culpa (por isso pode ser punido). Por outro lado, quem age eticamente (sendo generoso, corajoso, perseverante etc.) faz o mximo e tem mrito, mas quem no age eticamente apenas faz menos que o mximo e deixa de ter mrito, mas sem ter culpa (por isso no pode ser punido, mas, no mximo, lamentado).

Origem dos termos: De onde vem a tica e a moral?tica vem do grego "thos" Moral, do latim "mos". Tanto "ethos" quanto "mos" significam a mesma coisa: hbito, costume.

Quando os filsofos gregos quiseram cunhar um nome para a parte da filosofia que se ocupa com as aes cotidianas do indivduo, criaram a expresso "ethik epistme", que significava "cincia dos costumes" ou, como ficou conhecida, "cincia tica", ou simplesmente "tica".

J quando os filsofos romanos, que eram atentos leitores dos gregos, quiseram traduzir para o latim a expresso "ethik epistme", tentaram encontrar um equivalente em sua lngua e cunharam "scientia moralis", que significava "cincia dos costumes" ou, como ficou conhecida, "cincia moral", ou simplesmente "moral". Assim, qualquer diferena que se possa encontrar entre "tica" e "moral" no advm do significado original dos dois termos, pois estes, em sua origem, eram apenas a traduo um do outro.

H tambm uma verso segundo a qual "tica" no teria sua origem no grego "thos", escrito "", com "" (psilon, letra grega que soa como um "e" curto e aberto), "costume", e sim no grego "thos" escrito "", com "" (eta, letra grega que soa como um "e" longo e fechado), "habitao".

Para os que defendem essa verso, essa segunda forma de "thos" ("", com "") designaria um modo de ser, um carter habitual, um conjunto de traos e aes que constituem a identidade de quem se , nos quais se est vontade, "em casa".

Nesse caso, a "ethik epistme" significaria no a cincia dos costumes, e sim a cincia do estar em casa, do ser si mesmo, do encontrar-se em sua prpria identidade, sem distanciar-se de si nem de seus valores. O fato de que "tica" era escrita "", com "", nos tratados gregos parece corroborar essa verso. Nesse caso, a traduo de "" por "moralis" teria sido um erro dos filsofos romanos.

O que distingue TICA de MORAL?

H duas tradies de distino entre os dois termos. Uma delas francesa e ganhou fama no Perodo das Luzes, no qual a clebre "Enciclopdia" de D'Alembert e Diderrot atribuiu a "moral" o sentido de conjunto de normas e valores em que os homens de certa poca e lugar acreditam e que realizam mediante suas aes.

A tica seria o conjunto de teorias filosficas, racionais e reflexivas, sobre as normas e os valores em que os homens deveriam acreditar e que eles deveriam realizar em suas aes.

Nessa tradio, a moral tem a ver com as normas e valores que j so seguidos na prtica, os quais podem ser habituais, preconceituosos, supersticiosos, cruis e irracionais de vrias maneiras.

A tica, ao contrrio, coisa dos filsofos, est no plano da teoria, da especulao, da reflexo e argumentao racional.

Em suma: A moral seria aquilo que os homens comuns aceitam e praticam como certo e errado;

A tica seria aquilo que os filsofos pensam e propem como certo e errado.

Outra forma de dizer a mesma coisa seria que a tica uma reflexo sobre a moral; ou ainda que a tica a moral quando submetida crtica da razo.

A segunda tradio alem e tem origem nas maneiras distintas como Kant e Hegel conceberam (ou pelo menos nas maneiras distintas comogeralmente se alega que eles conceberam) a reflexo sobre o bem e o mal.

Segundo geralmente se alega, Kant imaginou a moral como um conjunto de normas ditadas pela razo, as quais seriam as mesmas para todos os homens, em todas as pocas e lugares.

J Hegel, contrapondo-se a Kant, chamou o que este propunha de "moralidade" e disse que ela era demasiadamente abstrata, vazia, inflexvel e incapaz de motivar o ser humano. Em lugar da "moralidade" kantiana, Hegel props-se falar de uma "eticidade", a qual seria,segundo se alega, um conjunto de crenas, valores e ideais que os homens de certa poca e certo lugar carregam consigo, porque foram formados neles desde a infncia e porque por meio deles se entendem e convivem uns com os outros, formando sua identidade individual e coletiva.

Assim, "moralidade" e "eticidade" se tornam rtulos convenientes para duas abordagens da tica: Uma com base em normas racionais vlidas para todos (moralidade, Kant) e outra com base nas convices culturais de cada povo (eticidade, Hegel).

Embora essas estejam longe de ser boas caracterizaes das concepes ticas de Kant e Hegel, importante t-las em vista para compreender de que modo moral e tica vieram a significar duas diferentes abordagens das questes do que se deve fazer.

Objeto da tica e da moral

A tica uma teoria da vida boa para mim. Como assim? uma teoria que procura responder: De todas as coisas possveis de serem feitas, vivenciadas e realizadas na vida, qual delas a que vale mais e realmente a pena? De que modo devo viver a minha vida? Que tipo de pessoa eu sou e que tipo de pessoa eu quero ser? O que espero ter sido e feito na vida, quando estiver velho e olhar para ela retrospectivamente? Todas essas so questes ticas. Responder a elas traar para si um propsito, um fim, objetivo na vida. definir para onde se quer caminhar e como se pretende chegar l. A moral uma teoria da convivncia justa com os outros. No tem a ver com o que quero para mim, e sim com o respeito que devo aos outros. No tem a ver com os meus fins, e sim com os limites que todos temos que respeitar, quaisquer que sejam os fins que estejamos perseguindo. A moral responde seguinte questo:

Quais so as condies de uma convivncia pacfica, respeitosa e solidria com os demais seres humanos? Ou, o que o mesmo: Uma vez que todos somos livres e iguais e todos temos direito a perseguir nossos fins ticos, mas sem prejudicar-nos ou causarmos danos uns aos outros, quais so os atos que devo obrigatoriamente praticar e que devo obrigatoriamente evitar?

Quais so os deveres dos homens uns em relao aos outros, quaisquer que sejam seus projetos ticos? Nesse caso, o homem de negcios pode querer riquezas, mas no pode consegui-las custa de apropriao indevida dos bens dos outros. O filantropo pode querer fazer o bem a outrem, mas no pode faz-lo custa de eliminar a liberdade do outro de escolher o que melhor para si. O artista pode querer dedicar-se somente beleza, mas no pode simplesmente no contribuir para o sustento da prole que tenha ajudado a gerar. O sacerdote pode querer dedicar-se a Deus, mas no pode faz-lo de forma tal a desprezar ou perseguir os homens que partilham de outras crenas ou que no aderem a crena alguma. Isso assim porque h, ao lado dos fins ticos, que variam de pessoa para pessoa, deveres morais, que se impem a todos indistintamente.

Para terem um conhecimento introdutrio sobre o campo da tica, os livros RECOMENDADOS fortemente so os seguintes:

Sandel, Michael. Justia: O que fazer a coisa certa. Ed. Civilizao Brasileira: Excelente curso, ministrado em Harvard, para leigos e curiosos em geral, sobre as grandes questes da filosofia moral, juntamente com o pensamento de alguns dos grandes filsofos morais na histria. A linguagem muito acessvel e os exemplos so muito didticos e interessantes.

Rachels, James. Os Elementos da Filosofia Moral. Ed. Manole: Excelente manual para compreender o campo da filosofia moral e as vrias abordagens e escolas concorrentes, com seus respectivos representantes e argumentos, pontos fortes e fracos. Leitura simples e de fcil compreenso.

Singer, Peter. tica Prtica. Ed. Martins Editora: timo livro para encontrar discusses ticas contemporneas, como meio-ambiente, aborto, eutansia, pena de morte, mentira etc., com argumentos provocativos e bem construdos para ambos os lados em cada controvrsia. Ideal para fomentar debates, para ampliar a reflexo e para robustecer os argumentos.

Para ir alm das leituras introdutrias algumas obras clssicas do campo da tica:Aristteles. tica a Nicmaco (verso recomendada: Ed. EDIPRO): O clssico eterno da disciplina. Aristteles elabora uma concepo da vida humana como dirigida para a felicidade e da felicidade como consistindo numa vida vivida de modo racional e virtuoso. Aborda virtudes como a temperana, a coragem e a justia. Fala do papel do prazer e da amizade na vida humana. Todas as abordagens posteriores, inclus